domingo, 14 de janeiro de 2018

RUBY

Garota albina ultrapassa conceito e quebra padrões de beleza nas redes (FOTOS)

Ruby Vizcarra, que na infância foi vítima de bullying por sua pele e cor de cabelo incomuns, conseguiu lidar com o problema e se tornou modelo.

A mexicana Ruby Vizcarra, de 24 anos, que nasceu com albinismo, tornou-se uma modelo apesar da sua aparência incomum nas passarelas.
De acordo com o Daily Mail, durante sua infância e adolescência, Vizcarra teve que enfrentar bullying por causa de sua pele e cabelo incrivelmente brancos. No entanto, ela aprendeu a aceitar sua aparência visual e agora é modelo, mostrando ao mundo a beleza do povo albino.

"O albinismo é uma condição genética que consiste na falta de pigmento [melanina] na pele, nos cabelos e nos olhos, as pessoas com albinismo são muito sensíveis ao sol e às luzes fortes, temos uma visão reduzida. Somos como qualquer outra pessoa ", explicou Ruby ao se descrever em uma publicação no Facebook.

A jovem nasceu albina, bem como sua avó, sua irmã e sua tia, mas ninguém explicou por que era tão diferente e que era normal, acrescenta ela no artigo.

Ela também não sabia como lidar com bullying na escola, onde seus colegas da turma a chamavam de "fantasma" ou "estranha".

"Eu me vi como um fenômeno, não sabia o que era o albinismo", explicou no Facebook. "Eu sempre me perguntei: ‘Por que nasci tão branca?', ‘Por que era difícil para eu abrir meus olhos quando havia sol e olhar de longe?', ‘Por que as pessoas me olham o tempo todo?".

Tudo isso fazia com que a moça ficasse deprimida e que fugisse das pessoas. Ela escondia seu aspecto físico com maquiagem e pintando o cabelo.

Quando cresceu, tudo mudou e Ruby não só aprendeu a cuidar de sua aparência, mas também decidiu mostrar isso ao mundo.

Agora, a jovem trabalha para revistas e campanhas publicitárias e tem mais de 17 mil seguidores no Facebook. Ele também fundou a organização chamada Latino Albino Movement, para apoiar aqueles nascidos com este transtorno genético.









sábado, 13 de janeiro de 2018

ALBININHO ESTILOSO

Filhotinho albino precisa de óculos especial para sobreviver



Um cão é considerado albino quando seu corpo não produz uma quantidade adequada de melanina, pigmento responsável pela coloração dos tecidos e proteção contra raios solares.

Isto significa que os animais com albinismo têm uma condição genética (e congênita) rara em que a pigmentação da pele, cabelo e olhos está completamente ausente.

Sherlock foi abandonado como recém-nascido por seus antigos proprietários. Netta McKay, que faz um trabalho maravilhoso de abrigar cães desabrigados para levá-los a novas casas, foi responsável por hospedar esse adorável schnauzer.

Sem a intenção de manter o cachorro, o inesperado aconteceu. Sherlock, com sua maneira especial e afetuosa, conquistou toda a família: que deu um óculos especial para o filhotinho conseguir enxergar melhor <3 .="" i="">

Não é um amorzinhoo?








sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

PAPIRO VIRTUAL 119

Roberto Rillo Bíscaro

A produção de filmes de ficção-científica dos anos 1950 não se deu apenas nos EUA, mas lá aconteceu com mais vigor, porque a infraestrutura estava montada há décadas e o pós-Guerra trouxe bonança econômica e aumento populacional (mais público). Paralelamente, a histeria pelos discos-voadores, a competição bélico-espacial com a URSS e o medo da infiltração comunista forneceram temas férteis pruma produção fordista de filmes que se sucediam e repetiam com variações diminutas. Em 1957, por exemplo, louva-a-Deus, escorpião, caranguejo, gafanhoto e moluscos radioativamente agigantados colocaram em perigo a espécie humana em produções distintas, copiadas de precursores então recentes como Them! (1954), sobre formigas avantajadas e Tarantula (1955). Mais do mesmo em proporções de linha de montagem.
Metaforizar essas películas como expressões da ansiedade gerada pelo medo da energia atômica e da invasão ou despersonalização comunista tornou-se prevalente a ponto de se transformar numa espécie de memória globalizada. O que essa visão esquece é que em diferentes países a recepção pode ter variado um pouco;
A Grã-Bretanha vivia tempos bem diferentes de sua ex-colônia ianque. As 2 guerras mundiais endividaram a nação, que, além disso, precisou importar maciçamente mão-de-obra imigrante bem antes do que os EUA. Sem contar o processo de descolonização, que esfacelou o império onde outrora o sol jamais se punha. A pomposa, mas empobrecida Inglaterra passou a ser júnior dos EUA em tudo e até humilhada mundialmente, como na crise do Canal de Suez, em 1956, como se pode conferir na segunda temporada de The Crown.
Matthew William Jones problematiza a visão americanocêntrica da leitura da produção sci fi cinquestista, em sua tese The British Reception of 1950s Science Fiction Cinema, para a Universidade de Manchester, em 2012.
Não se trata de jogar fora o corpus sobre o tema e nem propor que os britânicos tenham tido leitura radicalmente distinta da do público norte-americano, mas investigar possíveis especificidades de interpretação devido a contextos culturais diversos. A Grã-Bretanha enfrentava sérios problemas de geração de eletricidade numa década em que menos de dez por cento da população tinha geladeira em casa. Foi a primeira nação a adotar programa civil de construção de usinas atômicas pra produção de eletricidade. Assim, mesmo com certo receio das consequências, provavelmente no início dos anos 50 o público via com fascínio e esperança a possibilidade de ter luz na residência, realidade bem diferente experimentada pela abundância elétrica dos norte-americanos, que talvez pudesse se dar ao luxo de recear, em sua fartura de luz.
O capítulo 1 é dividido em 2 partes. Na primeira, Jones percorre a fortuna crítica abundante, que coloca o cine sci fi dos 50’’s, como lócus de articulação das várias ansiedades do pós-Guerra. Quem estreou tal visão foi Susan Sontag em seu influente ensaio The Imagination of Disaster (1964), que famosamente começa com a afirmação “ours is indeed an age of extremity”. Sorte que a falecida não está mais aqui pra ver como hoje está mais extremista ainda. Pra quem curte ler sobre cinema, essa parte da tese abunda com referências, como a obra de Cyndy Hendershot, Paranoia, the bomb, and 1950s science fiction films (1999). Dá vontade de ler tudo.
Preparando o terreno pra apontar e justificar a originalidade de sua ideia de vasculhar interpretações particulares ao público britânico, Jones também elenca autores destoantes das interpretações prevalentes. Há quem ache que filmes como Invasores de Corpos não são crítica ao comunismo, mas sim, contra aspectos padronizadores que a cultura norte-americana assumia. Há quem veja os insetos gigantes como expressões do medo sentido por insetos e não metáforas. Há quem veja nos discos-voadores expressões a-historicizadas do Id. Enfim, essa polissemia de interpretações permitirá a Jones colaborar com a sua pra fortuna crítica.
Sempre me chama a atenção que em vários momentos esses estudos afirmam categoricamente que o público deve ter interpretado algo assim ou assado. Sabe-se que muito da produção sci fi cinquentista era exibida em drive ins, um dos únicos locais onde um casal não-casado podia gozar de certa privacidade socialmente aceitável. Será que esse público lia metaforicamente os filmes? Será que os Bolsominions funcionalmente analfabetos que vão ver Wolverine dar porrada, hoje, leem os X-Men como metáfora da diversidade, como alegam alguns intelectualetes? Leituras possíveis não significam leituras feitas. Ainda bem que essas leituras universalistas não passaram batido pra Jones, que alerta pro perigo de transferir pro público em geral interpretações que, afinal, são individuais.  
No capítulo seguinte, o acadêmico afirma que o perigo comunista provavelmente era articulado de forma distinta em produções e na recepção de filmes norte-americanos e britânicos. Os primeiros tendiam a apresentar a invasão Vermelha através de “pessoas comuns”. Enquanto na Grã-Bretanha a ansiedade era mais que os soviéticos – metaforizados em alienígenas – estivessem se infiltrando em instituições governamentais, mimetizando alguns casos de defecção pra Moscou ocorridos nos anos 50 ingleses. Ele usa o ianque It Came From Outer Space (1953) e o inglês The Quaternass Experiment (1955), além de uma série de menções a “traidores” do governo britânico, mencionados nos jornais da época. Resta saber, quanto do público dos cines lia jornal...
Mesmo que superespecífica e difícil de provar, porque os anos 50 estão distantes demais e não há documentação comprovando que muita gente interpretava os filmes como Jones o fez – nem todo mundo é doutorando em cinema e conhece teorias de recepção, hermenêutica etc - The British Reception of 1950s Science Fiction Cinema é bem gostosa de ler e interessará não apenas a cinéfilos, mas a interessados na recente história inglesa, devido à serie de dados apresentados pra sustentar as possibilidades interpretativas desenvolvidas por Jones.
Você pode baixar o trabalho em PDF ou lê-lo online, acessando:

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

TELONA QUENTE 218

Roberto Rillo Bíscaro

Graças à Disney e à Jeannie é um Gênio, temos visão bastante redutora e açucarada dos gênios da mitologia islâmica. Os jinna não são tão bonzinhos e engraçados como num desenho do Aladim.
Segundo uma lenda, os jinna foram criados dois mil anos antes de Adão e gozavam de elevada posição no Paraíso, meio como os anjos, mas provavelmente inferiores. Depois que Deus fez Adão, todavia, sob a liderança do seu orgulhoso líder Iblis, os gênios se recusaram a curvar-se perante a nova criatura. Pela má conduta, foram expulsos do Paraíso, tornando-se perversos e asquerosos. Iblis, que foi atirado com eles à Terra, tornou-se o equivalente do Satanás cristão. Fontes atestam que até podem ajudar o homem, mas especialmente quando lhes traz alguma vantagem.
Em seu excelente filme de estreia, o diretor iraniano radicado em Londres, Babak Anvari, usa a suposta habilidade dos gênios de se aproveitar da fragilidade humana para causar caos para imbricá-la com possíveis delírios experimentados por mãe e filha na repressora e bombardeada Teerã oitentista.
Naquela década, Iraque e Irã guerreavam e em 1988 muita gente abandonava a capital iraniana por medo dos misseis de Sadam Hussein. Viver assim e ser mulher numa sociedade onde podia levar chibatada caso saísse pra rua sem cobrir a cabeça, mesmo que estivesse em pânico por um bombardeio, era parte da pressão vivida por Shideh.
Parte, porque a jovem ainda tinha que conter seu espírito diferente. Ex-ativista política, havia sido expulsa do curso de medicina, o qual ansiava concluir pra satisfazer desejo da mãe recentemente falecida. Sob a Sombra (À Sombra do Medo, segundo algumas fontes) abre com funcionário da universidade dizendo que ela podia esquecer esse sonho.
Numa sociedade onde era prudente esconder aparelhos de videocassete, Shideh gostava de fazer aeróbica com os vídeos de Jane Fonda e curtia Yazoo, imagine que rebelde!
Quando o marido é convocado pra prestar serviços médicos num longínquo hospital de guerra, Shideh tem que ficar sozinha no apartamento com sua filha Dorsa, que possui bonequinha, que trata como se fora filha.
O primeiro ato de drama familiar, que expõe com cuidado os vários indícios de susceptibilidade a devaneios e fantasias, de ambas, lentamente cede lugar a thriller psicológico bem tenso, quando coisas misteriosas começam a ocorrer e não sabemos se são ação de um Gênio ou da cabeça estressada da mãe. Ou da filha.
Sob a Sombra é metáfora de como a repressão pode esmerilhar a psique feminina e o roteiro faz isso admiravelmente. Há que se notar o pavor da decepção na relação mãe e filha. Shideh teme ter desapontado a mãe e morre de pânico de não ser boa mãe pra Dorsa, a qual, embora sem entender muito bem as coisas, também vive sufocada por achar que não cuida bem da boneca, perdida durante boa parte do filme. O roteiro assemelha-se àquelas bonecas russas, que se encaixam uma dentro da outra, cada vez menores, mas idênticas fora isso.
Esse amontoado de neuras; o confinamento no prédio cada vez mais vazio; a profusão de sirenas, bombas, orações em alto-falantes; a fofoca e o medo de vizinhos supersticiosos, tudo vai se somando nesse filme opressivo, influenciado por Polanski, Guillermo Del Toro, Jennifer Kent (The Babadook), Hideo Nakata (porque a refilmagem de Dark Water, por Walter Salles não tem sal) e um bocadinho de Poltergaist, no final.
Bem atuado no idioma farsi, climático, denso, multicamadas, Sob a Sombra é um filmão e está na Netflix brasileira, olha que luxo.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

SAIDINHA DE FIM DE ANO

Sempre um prazer trabalhar no blog, que no primeiro semestre resultou em ida ao Encontro, com a Fátima Bernardes e depois grande matéria sobre albinismo no programa Bem Estar.
Mas, chegou a hora da saidinha de fim de ano, que, não planejada com antecedência, acontecerá por uns 15 dias.
Hora de levar a mama para passear um pouquinho, ela merece!
Nos vemos em meados de janeiro!
Feliz 2018 para todos nós!!!!

MELHORES DE 2017 – PARTE II


Roberto Rillo Bíscaro

Vez mais, elejo o melhor do semestre, agora, pra juntar com a lista do primeiro (acesse-a aqui) e compor o melhor de 2017. 

CINEMA
Gloria – filme chileno sobre uma mulher “comum”, que se empodera.

Os Árabes Também Dançam – a dureza de ser minoria étnica numa nação sempre envolvida em conflitos.

A Tempestade de Areia – filme israelense que mostra como o patriarcado é hipócrita e nocivo às mulheres.

El Bosque de Karadima – as consequências nefastas do abuso sexual a partir dum caso verídico envolvendo a igreja católica chilena.

MÚSICA
Caravela Escarlate: Caravela Escarlate – quem diz que no Brasil não se faz excelente rock progressivo?

Wobbler: From Silence to Somewhere – álbum de rock progressivo norueguês, que já nasce clássico.

The Smiths: The Queen Is Dead – um dos álbuns mais importantes do rock relançado em edição tripla.

OMD: English Electric – o álbum de 2013 dos synthpopers ingleses é bom do começo ao fim.

Unreal City: Frammenti Noturnni: álbum de prog rock italiano deste ano, que não deve nada ao apogeu setentista do subgênero.

Jamila Woods: HEAVN – o nome do álbum já diz muito, Paraíso. Sem mais.

Ingranaggi della Valle: In Hoc Signo – o primeiro álbum dos proggers italianos não deixa signo sobre signo.

Avery Sunshine: Twenty Sixty-Four – nãoo é a toa que diva Aretha Franklin é fã desta ensolarada da soul music moderna.

TV
Slasher – a segunda temporada da série de terror é uma delícia pra fãs do subgênero cujo apogeu foi nos anos 80.

Hostages – as duas temporadas da série israelense são pura adrenalina pra maratonar.

Wallander – gostei de todas as versões desse detetive sueco, mas a favorita é com Krister Henriksson.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

TELONA QUENTE 217



Roberto Rillo Bíscaro
Ano que vem, Halloween fará 40 anos e Jamie Lee Curtis voltará a interpretar Laurie Strode, icônico papel que transformou a filha de Janet Leigh e Tony Curtis na final girl mais famosa do universo slasher. Jamie afirmou que será a última vez que encarnará a personagem, mas fãs devem se lembrar que ela disse o mesmo, em 1998, quando de Halloween H20. Nem é necessário vasculhar arquivos pra checar a informação, basta assistir a Halloween: The Inside Story (2010), disponível em inglês sem legendas no Youtube.
Em seus 90 minutos, o documentário foca na produção do clássico mambembe de John Carpenter, que além de influenciar toda uma geração de cineastas trash, ainda tem uma das trilhas-sonoras mais reconhecíveis da história do cinema em qualquer subgênero. E composta por Carpenter! O desgramado é bom e sabe disso, basta ver a atitude blasê, de quem se acha. OK, ele até que pode.
Cuidadosamente evitando o anterior Black Christmas (1974) – que influenciou em muito Halloween - Halloween: The Inside Story é farto em minúcias e anedotas de produção, como explicar a profusão de folhas secas outonais de Illinois num filme gravado em plena primavera californiana. Canonizado em seu estatuto de clássico, já se pode até apontar alguns erros grosseiros, como membros da equipe aparecendo por detrás de arbustos e que tais.
Até personagens menores e extras dão depoimentos, além de críticos e executivos, então, é prato cheio pra fãs não apenas da franquia, mas de slasher films e horror em geral. Mas, admiradores da indústria cinematográfica gostarão de saber como era o esquema de lançamento dum filme no fim dos anos 70, quando a crítica especializada tinha forte poder pra (des)fazer uma película. Detonada nos jornais, a película só engatou nas bilheterias, depois que 2 críticos respeitados viram seu valor. Isso e o boca-a-boca fizeram de uma produção barata de 325 mil dólares (25 mil foi o salário de Donald Pleasence), o filme indie mais lucrativo durante uma década. 
Finalmente, um documentário que abordou o uso de “totally”, pela personagem Lynda. Hoje tão comum entre descolados, a atriz PJ Soles dá aula de “totally”. Você também aprenderá de qual ícone sci fi originou-se a máscara de Michael Myers, enfim, é muito divertido e totalmente informativo.
Falando em P. J. Soles, ela não solta nenhum totally enquanto narra os quase noventa minutos de Halloween: 25 Years of Terror (2006), que oferece visão bem mais panorâmica da franquia, inclusive com o impacto das comunidades de fãs impulsionadas pela internet e que influenciariam roteiros e produção dos filmes do século XXI.
O documentário abre obviamente falando da importância do original de John Carpenter, que tem em sua cotidianidade um diferencial enorme no horror ambientado em mansões góticas, sarcófagos, castelos medievais ou mesmo no sinistro Bates Motel, mais mundano que a Transilvânia, mas ainda muito rococó. Halloween se passa num subúrbio indistinto de milhares ao redor do mundo desenvolvido.
O que torna Halloween: 25 Years of Terror valioso é o passeio diacrônico, que pela data não pode englobar as releituras de Rob Zombie, mas em seu percurso de  quarto de século detecta as tensões e pressões que passaram a existir, quando Halloween deixou de ser produto indie pra se tornar peça valiosa do lucro corporativo. É por causa desse jogo de interesses – acoplado a crescente explicação do mal de Michael Myers – que os Halloweens dos anos 80 em diante, passaram a ser cada vez mais como qualquer slasher film inspirado no Halloween original. Mortes melequentas passaram a sobrepor o suspense.


Será que alguma sequência suplanta a aura do original? Por mais que ame Sexta-Feira IV, o primeiro filme – cópia de Halloween, que nem tem Jason Voorhees – tem um quê imbatível. No caso da obra de Carpenter isso é inconteste, porque Halloween praticamente deu as coordenadas dum subgênero do horror e depois se rendeu à sanguinolência de suas tantas imitações.
De todas as franquias “clássicas”, Halloween deu o escorregão mais espetacular. A parte 3 nada tem a ver com a mitologia de Michael Myers; onde já se viu isso? Lembro-me da raiva por ter me sentido enganado. Por mais que produtores expliquem que o conceito de franquia ainda era incipiente e que a trama proto-Black Mirror/pós-Invasores de Corpos nem seja ruim, o que importa é que a marca Halloween passou a significar filme com a personificação mascarada do mal e se possível com o Dr. Loomis, enquanto Donald Pleasance respirava. A resposta do público foi fracassar o filme na bilheteria, fazendo com que a franquia hibernasse pela maior parte dos 80’s, enquanto Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo enchiam cofres.
Em 1988, algum estúdio decidiu ressuscitar Myers e nos próximos anos pelo menos mais 3 sequências foram feitas, antes da repaginação de H20, em 1998. Como explica o título, o documentário Halloween 4, 5 & 6 (2013) minucia a produção dessas sequelas, com entrevistas com elencos, o relacionamento desses com a estrela Pleasance e seu sucesso ou fracasso comercial/”artístico”. Mesmo com filmes consagrados, é normal nesses documentários a inflação da importância, enfim, a construção de hype mitificante. Mas, quando isso acontece com bombas como as partes 5 e 6 fica difícil de engolir sem rir. Até se admitem os erros e entraves que implodiram os 2 filmes, mas elogiar tanto o 4 é duro. Assim, esse é o documentário menos essencial pra não fãs de carteirinha da franquia ou de horror (meu caso, nunca cultuei Michael Myers; sou bem mais o Dr. Loomis).

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

CONTANDO A VIDA 216


HORÓSCOPO: 2018

José Carlos Sebe Bom Meihy

Adeus ano velho. Xô 2017. Vai tarde. Eita ano difícil!... Até para acabar, 2017 dá trabalho. Mas há de virar. Pelas perspectivas, porém, não é plausível garantir que o “novo tempo” seja mais fácil ou melhor. Tomara que a boa saúde de todos compense o “pouco dinheiro no bolso”. As possibilidades positivas são remotas e, em troca, as expectativas assustam, pois, além de tudo teremos Copa do Mundo e eleições. A continuidade dos escândalos políticos se mistura com o desequilíbrio dos três poderes que, aliás, apresentam-se a cada dia mais “desempoderados” e distantes do povo. Num esforço adivinho nos é permitido supor alguns lances mostrados à guisa de horóscopo imaginário.


JANEIRO: calor e chuvas com deslizamentos que atingirão comunidades pobres. O ano começará com o fracasso do governo na tentativa de recuperar algum prestígio. Apesar das férias escolares e do natural esvaziamento provocado pelo verão, as bases sindicais tentarão articular campanhas que, contudo, não emplacarão. Nova edição do BBB apresentará facetas do gosto público pelos vexames transmitidos pela Rede Globo (negros, velhos e trans estarão representados, reafirmando mitos: da democracia racial, tolerância etária e de gênero); 

FEVEREIRO: mais calor e chuvas torrenciais. O Carnaval será magnífico, mesmo sem a ajuda das diversas prefeituras. A celebração do centenário do Cordão do Bola Preta arrastará milhões de pessoas pelas ruas do centro do Rio, justificando ser aquele “o maior bloco carnavalesco do mundo” (ainda que os pernambucanos contestem, afirmando que o Galo da Madrugada seja imbatível). A Campanha da Fraternidade será anunciada, mas sua duração precária se apagará logo devido a superposição de problemas urgentes reportados pela mídia. Políticos se rearranjarão para disputas eleitorais, e uma série de denúncias será propagada pelas redes sociais. O almejado alento de harmonia pelo ano novo já terá se dissipado, dando lugar a mais ódio e ameaças;

MARÇO: as águas do mês famoso pelas chuvas se mostrarão ameaçadoras. Na arena cultural, muito há de se falar sobre os 50 anos dos eventos de 1968. No final do mês, a fração democrática fará crítica aos “anos de chumbo”, e a crescente onda ultraconservadora defenderá as causas reacionárias, ligadas também aos segmentos que pretendem converter o país em imensa igreja;

ABRIL: a Semana Santa motivará movimentação mostrada como inigualável pelo governo que insistirá em convencer a população iludida pela recuperação econômica, apagando a certeza de que ela é fato exclusivo das grandes empresas e dos bancos que atingirão lucros nunca revelados. Em nível eleitoral, novos escândalos serão revelados;

MAIO: os preparativos para ida da Seleção à Rússia quase ofuscarão os debates políticos. As ruas começarão a se colorir com bandeirinhas e embalos exagerados, mas explicáveis pela lei da compensação psicológica. O técnico Tite será o nome mais citado em todas as mídias. O frio não afugentará as torcidas organizadas e as acusações políticas serão trocadas por cenas de apoio esportivos;

JUNHO: o país vestido de verde e amarelo encarnará uma identidade fantasiosa e como nunca se cantará “sou brasileiro, com muito orgulho”... Os temas ligados ao preconceito racial, machismo, distâncias sociais e demais mazelas ficarão encolhidos ante a euforia do campeonato do mundo. Apesar do bom desempenho, o Brasil que tão bonita campanha fará, não se sagrará, mais uma vez, campeão. No dia 18, alguns jornais noticiarão o centenário do nascimento de Nelson Mandela e as festas juninas se estenderão pelos meses seguintes;

JULHO: mês de férias escolares e pleno envolvimento do país na crítica à seleção de futebol que foi modestamente recebida nos aeroportos. Denúncias políticas ocuparão os noticiários fartos de explicações pelo fracasso esportivo.

AGOSTO: a disputa eleitoral retomará fôlego, e as agressões dos candidatos refletirão na população que, como nunca, mostrará os riscos dos extremos. Como se tivéssemos uma esquerda, os “direitistas” abusarão do palavreado de terror para amedrontar a todos. O típico pessimismo do “mês dos cachorros loucos” se revelará nas pesquisas que apontarão a “vitória da oposição”, como se existisse alguma. Apologistas do apocalipse político acenarão com possibilidade de intervenção militar. Os fundamentalistas religiosos começarão a movimentar seus fieis, orientando formas dogmáticas de votação;

SETEMBRO: a velha lenga de que podemos virar uma Venezuela chegará às páginas dos jornais, que serão preenchidas com alusões quase terroristas. Alguns temas aventados ao longo do ano, contudo, permitirão que novos nomes sejam apontados como promessas políticas, mas para futuro pleito. Cá e lá repontarão artigos lembrando que o avassalador surto de Gripe Espanhola grassara o Brasil há cem anos;

OUTUBRO: sempre o mês mais difícil do ano, nessa oportunidade exibirá ainda mais complicado. As eleições ocorrerão com as usuais reclamações, e mesmo com as urnas eletrônicas denunciadas por fraudes, os resultados serão comemorados como “novo tempo”. A “vitória da oposição” não explicitará grandes mudanças. O cansaço do primeiro turno será intensificado imediatamente com novas/velhas alianças;

NOVEMBRO: já cansado, o ano mostrará sinais de fadiga. A segunda fase eleitoral, cumprirá o enredo das repetições que iludem o eleitorado que votará como sempre. No dia 4, depois do anuncio do novo presidente, o horário de verão vai começar. Aos poucos, se iniciarão as musiquinhas de Natal e as campanhas de vendas mudarão os temas sociais gastos pelo teor exaustivo do ano. “Então é Natal” começará a ser ouvida progressivamente. Os ódios levemente aplacados terão teores trocados, evidenciando mais do mesmo;

DEZEMBRO: num esforço para esquecer as agruras do ano, amaldiçoando o andamento do “ano velho”, renovando o estoque de votos de felicidades, o último mês do ano revigorará a mania de desejar “feliz ano novo”... E novo horóscopo será feito na certeza de que o melhor do ano foi a garantia que teremos para depois de 2019 uma nova geração de políticos.


De toda forma, vale pensar que os horóscopos sempre são contrariados. Tomara que este acerte na esperança e erre nos titubeios ilusórios que garantem que “este é um país que vai pra frente”.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

TELINHA QUENTE 291


Roberto Rillo Bíscaro

O primeiro conto estrelado pelo sempre popular Sherlock Holmes foi A Scandal in Bohemia, em 1891, na The Strand Magazine. O rei de fictício país germânico procura o detetive pra recuperar foto comprometedora: o monarca estava prestes a se casar, mas sua ex possuía registro a seu lado. Mais dum século adiante, tal preocupação soaria ridícula; até tetinha da Realeza britânica saiu em jornal e Charles manifestou desejo de ser Tampax.
Há que modernizar enredos e tramas. TV mira especialmente pro público até 40 e poucos anos; esta é a faixa que mais consome a montoeira de bobagens anunciada. Difícil querer que uma garota contemporânea não caia na gargalhada e mande à merda uma donzelinha do século XIX, cujo “problema” é ser chamada ou não pelo nome cristão pelo pretendente (leia Rachel Ray, do Trollope) E quem poderia culpa-la por não se importar com esse “dilema”? Não tem mais nada a ver com a experiência do século XXI, quando (parte (d)a mulherada ameaça com porrada e bomba.
Isso veio à cabeça, quando soube das muitas críticas à Anne With An E (2017), da Netflix. Muitos fãs da ruivinha esbravejaram que os 7 capítulos da coprodução com a TV canadense CBC acrescentaram faceta psicológica ausente nos livros. A despeito do rebuliço, a produção foi renovada, significando que deu audiência.
Senhor 50tão, entendo a reclamação. Houve versão anterior na TV canadense, então é essa que vive no coração da geração mais antiga. Senti o mesmo quando vi a malfadada reedição de DALLAS e experimento de novo o sentimento de dessacralização com a nova leitura de Dynasty. Embora não esteja ruim e até seja bem fiel à original, Blake sempre será John Forsythe, esbravejando “what the devil, Alexis!”
Não vi a Anne antiga, nem tenciono, mas só a sentimentalismo água com açúcar de Anne Shirley provavelmente não segurasse essa moçada em frente à telinhona.
Anne With An E é mais uma adaptação do romance Anne of Green Gables (1908) da canadense L. M. Montgomery. Narra o crescimento e as aventuras de Anne Shirley, órfã enviada por engano à fazenda dos irmãos Mathew e Marilla Cuthbert, na Ilha do Príncipe Eduardo. Eles queriam um menino pra ajudar no serviço, mas recebem a loquaz sardenta, que, aos poucos conquista a todos, vencendo o preconceito inicial por sua orfandade. O sentimentalismo de 119 anos atrás não se sustentaria perante o público jovem. Na verdade, nem nós 50tões mais cínicos aguentaríamos tanta sacarina, provavelmente.
Pra tornar Anne mais profunda, a versão Netflix/CBC mostra cenas de flashback, onde vemos o pão amassado pelo diabo que a menina comeu sob forma de pesado bullying físico e psicológico. A Anne da era em que setembro é dedicado à prevenção do suicídio, é uma garota profundamente traumatizada e insegura. Isso explica muito seus delírios, simpáticos, sim, mas surtos; fugas pra idealizados mundos onde não sofra. Único estranhamento é que as cenas do passado são com a mesma atriz – a perfeita Amybeth McNulty – dando a sensação de que Anne vive preservada em formol.
Anne Shirley é a clássica outsider, a alma especial em meio aos comuns. Sonhadora de devanear, a garota usa palavras difíceis, é obcecada por drama e romance e cita Jane Eyre à profusão. Realmente, a personagem de Charlote Brontë é o molde do qual nasceu Anne. Considerando-se o tanto de trabalho, a aparente não-permanência por longo período com família alguma e a quase inexistência de educação formal, a erudição de Anne é bastante improvável. Não que sem escolaridade não se possa desenvolver rico vocabulário, mas imaginamos onde ela arrumava tempo entre tantas surras e faxinas, pra obter os volumes literários que lhe permitiam decorar passagens que a transportassem pra dimensões onde não sofresse tanto.
Anne With An E só funciona pra quem suspende o descrédito e o cinismo pós-moderno. Pra mim foi bem fácil, porque adoro produções “de época” (ugh!) e porque Anne é tão verborrágica, louca e brilhante, que se torna irresistível. A gente não quer que ninguém sofra, mas pruma alma tão vivaz e gentil como a da sardenta, não dá pra querer nada mais que um destino esfuziantemente maravilhoso (ela gostaria dessas palavras). Às vezes a tagarelice irrita, mas até nisso o show acerta: quem conviveu com criança que de vez em quando temos que mandar calar a boca, entenderá. Isso quando não me pegava com os olhos marejados, mas de repente gargalhava com algum delicioso disparate de devaneio metralhado por Anne.
A “Princesa Cordélia” ganhou segunda temporada de 10 capítulos. Não duvido que a atualização da personagem tenha contribuído pra que nos conquistasse os corações aos milhares. Saber da pavorosa infância de Anne só nos fez querê-la ainda melhor. 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

CAIXA DE MÚSICA 297


Roberto Rillo Bíscaro

Lá por 2009, 10, uma aluna teen particular de inglês, muito conectada e musical, perguntou-me: “Robert (em Penápolis, muitos assim me chamam pela profissão), um tal de George Michael: ele foi famoso?” Talvez tenha sido então que finalmente percebi como os referenciais da década que mais amo já nada significavam pruma geração. Respondi a Natália, que mais ou menos uns 20 anos antes de sua questão, George era um dos astros pop mais famosos do planeta, se não o mais.
Não adotei a coroca postura de lamentar “essa mocidade que não sabe nada”. Imagine se em 1988 eu sabia algo sobre o povo que fizera sucesso nos 60’s, a não ser os inevitáveis Beatles, Stones e um punhadinho de gente mais. A vida pop é assim. A fila não anda, destrambelha. E está correto, se não estaríamos ainda recitando ditirambos.
Eu mesmo abandonei o ex-Wham!; sequer ouvi Older (1996) inteiro e o hit Fastlove nunca está entre as que boto pra tocar no Youtube; até curto, mas foco nos 80’s. Nem sabia que duetou com Mary J. Blige ou Whitney Houston. Ou esquecera?
(Re)descobri vendo o documentário Freedom, que George Michael apenas finalizara, quando surpreendeu com sua morte, no Natal do ano passado. Daí que me dei conta de como só sabia dele mais recentemente, através de pequenas notas sobre escândalos ou doença.
Os 90 minutos são recheados de estrelas da música e da moda, elogiando-o. Como em The Story Of Kate Bush, entrevistados ouvem canções e as comentam e reagem. Freedom usa recurso mais de varanda gourmet, mas ainda assim é esquisito ver as caras do pessoal ouvindo as canções. Nile Rodgers chora; Liam Galagher simula karaokê, enquanto compara Michael a John Lennon e pragueja; Elton John confessa inveja por não ter composto a abertura de Freedom.
Muito competente e elegantemente controlado pelo artista, Freedom não revela “podres”, como a prisão por solicitação sexual em Hollywood. George saiu do armário porque estava pronto, não porque foi puxado por um escândalo. Sei.
Também discorre muito sobre o processo movido contra a Sony, porque o artista se considerava escravo (bilhões discordariam de você, Georgy Porgy!). Há que se notar a eloquente ausência da outra metade do Wham!, Andrew Ridgeley. Será que o “melhor amigo” não é tão A-lister como Mark Ronson ou Steve Wonder? One wonders.
Mas, no que foca, Freedom o faz com gosto e sensibilidade, confessando sem pudor que George Michael sempre sonhou em ser superestrela, mas quando isso ocorreu, não imaginava que seria em proporções de supernova. Faith, seu torpedo pop soul, de 1988, papou até os mais cobiçados prêmios da música negra e isso não passa impune. O cara tinha talento, isso não dá para negar: ele duetou com Aretha Franklin ainda nos 80’s!
George Michael escolheu a estrutura narrativa da diva solitária, abatida por tragédias e descontente com a fama, que resolve afastar-se dos holofotes, daí a ausência de promoção do álbum Freedom.
Essa escolha narrativa possibilita a tocante sinceridade de Freedom, porque o músico dedica generosa porção a seu namorado brasileiro Anselmo Feleppa, falecido em 93 devido a complicações pelo HIV. Admitido como o amor de sua vida, Michael sequer pôde expressar sua dor publicamente, porque ainda faltavam anos pra que assumisse publicamente sua homossexualidade. Sua raiva então foi canalizada para o processo contra a Sony e rendeu uma de suas performances ao vivo mais reconhecidas, o tributo a Fred Mercury, também morto devido ao HIV. Imagine saber que você pode ser portador de um vírus letal, perder o namorado e depois a mãe, de câncer.
Eu nem me lembrava da rusga entre George e a Sony e não creio que faça muita questão de visitar o trabalho pós-Freedom, o álbum, do qual esquecera até de faixas. Provável que nem Freedom o álbum, eu revisite pra re-relembrar das canções olvidadas.
A dor e a delícia do pop talvez seja a de ser tão fugaz que deixa apenas algumas marcas, essas indeléveis; jamais viverei sem Careless Whispers. Mas, depois que passa a bola de fogo do cometa, a gente realmente não se interessa mais tanto pela cauda.

Seja como for, Freedom, o documentário, serve muito pra novas gerações conhecerem o auge desse superastro falecido há um ano. Também faz quem acompanhou seu apogeu rememorar. Certamente haverá quem terá curiosidade de conhecer o que veio depois de Freedom, o álbum, ou Older. Tomara.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

TELONA QUENTE 216


Roberto Rillo Bíscaro

A primeira onda de horror cinematográfico da era sonora foram os filmes da Universal (mas, não apenas), estrelando Frankenstein, Drácula, a Múmia, o Homem Invisível, Dr. Jeckyl & Mr. Hyde. O denominador comum dessa galera gótica é a origem inglesa. A múmia entra na lista, porque os britânicos encetaram a febre egiptológica do século XIX e início do XX com sua pilhagem, oops, expedições arqueológicas, em plagas faraônicas.
Os britânicos não se restringiram ao terror em celulose. Sua contribuição em celuloide é muito importante, vide a influência perene das produções da Hammer e da Amicus (fundada por ianques). Embora difuso, bom começo pra se familiarizar com essa produção é o documentário Magic, Murder and Monsters: The Story of British Horror and Fantasy (2007), da BBC.
Sem conceituar o que vem a ser fantasia, o programa abre afirmando que Shaun Of The Dead (2004) marcava renascimento do terror inglês. Essa ideia de que a produção de horror feneceu a partir dos anos 80 torna Magic, Murder and Monsters (MMM) razoavelmente bom para conhecer o filmado entre as décadas de 1930 e 70.
Com depoimentos de gente como Mark Gatiss, John Landis e Danny Boyle, não analisa quase nada e em sua proposta abrangente falha em perceber a produção de fantasia sci fi dos 50’s, que não se resumiu a The Quatermass Experiment. Mas é instrutivo saber que o percurso britânico tenha sido tão distinto do norte-americano em alguns aspectos. Quatermass começou como serial televisivo pra depois ser lançado no cine, fenômeno bem mais raro de ocorrer na América do Norte, onde cine e TV fingiam viver em universos distintos.
Quando passa pra fase Hammer-Amicus o documentário não acrescentará muito a conhecedores da “História Geral” do horror e meio que desconsola a falta de crítica pra apelação das produções setentistas em comparação com as cultuadas produções góticas estreladas por gigantes, como Peter Cushing e Christopher Lee (se bem que esses caras merecem documentários-solo, amo, amo, amo!) Mas, pra quem apenas sabe da Hammer em sua fase áurea, poderá ser interessante ver clipes e ouvir falar da nudez lésbica das vampiras anos 70. Mas, mesmo assim pode interessar até pra estudiosos de cultura pop ou queer studies escutar uma atriz falando que não fazia ideia do que fazia uma lésbica, isso em plenos anos 70! Não a taxemos de estúpida, entendamos que a homossexualidade feminina durante séculos foi invisiblizada e edulcorada sob forma de “amizades muito bonitas”.
Depois dessa parte o material fica difuso demais, porque fantasia se mistura com horror a ponto de dar a entender que Harry Potter tenha alguma responsabilidade no tal ressurgimento do horror inglês no século XXI. Além disso, é difícil crer que nada tenha sido produzido nos anos 90.

Com suas limitações e falta de recorte, MMM está no Youtube.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

ALBINISMO OCULAR

Albinismo ocular: uma condição genética que pode trazer problemas

Uma condição genética rara e muitas vezes celebrada e compartilhada nas redes sociais pode trazer graves consequências a seu portador. O albinismo ocular, ao contrário do albinismo oculocutâneo, afeta apenas a pigmentação dos olhos.
De acordo com o site do doutor Dráuzio Varella, na maior parte dos casos, os portadores do transtorno apresentam problemas graves de visão, enquanto a cor da pele e dos cabelos se mantém semelhante à dos membros da família sem a doença.
Há, também, o albinismo ocular ligado a cromossoma X, quando uma mutação genética ocorre no cromossoma X. As mulheres são portadoras do distúrbio, mas só os homens manifestam a condição.




terça-feira, 19 de dezembro de 2017

TELINHA QUENTE 290


Roberto Rillo Bíscaro

Embora goste de alguns filmes de ficção-científica, não me denomino geek ou nerd, porque me desinteressam aprofundamentos científico-tecnológicos; nem tenho saco pra fuçar além do 1% que sei fazer no PC ou smartphone. Não busco/baixo aplicativos, não me interessa nem remotamente saber sobre eclipses ou órbitas. Pra se ter ideia, soube que o Homem conseguiu fazer foguete aterrissar verticalmente em um site chamado Classic Sci Fi Movies!
Mas, curto o planeta Marte, porque tantos filmes dos anos 1950 eram sobre e pelo poder que exerce na imaginação terráquea há tanto tempo. Houve época não muito remota em que se tinha como fato científico de que havia vida por lá; só faltava alcançá-la ou que viesse até nós. Uma dessas visões de visita marciana distópica foi A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, que alimentou a ficção cinematográfica cinquentista, até porque o planeta é vermelho, como os comunistas que essas produções podiam metaforizar.
Sondas norte-americanas e soviéticas demoliram o castelo no espaço construído pela imaginação de vida inteligente marciana, mas o sonho de visitar e até colonizar o Planeta Vermelho persiste, embora a Lua tenha tomado seu holofote por uns poucos anos.
Toda essa tradição marciana aliada ao fato de que era docudrama, animou-me a ver os seis capítulos de Marte (2016), produzidos pela National Geographic, que pousaram sem alarde no catálogo da Netflix, no ocaso de novembro. Docudrama é neologismo anglófono que designa obra cujo gênero se situa entre a ficção e o documentário.
Dirigido pelo badalado Ron Howard e baseado em best-seller, Marte balanceia muito bem suas porções real e fictícia. Em poucos minutos, o espectador entende a convenção: Marte paraleliza 2 tempos; o real 2016 e o ficcional, 2033. Isso é marcado mediante números gigantescos na tela; não tem como se confundir.
A parte documental de 2016 é recheada de superestrelas do mundo científico e do comercial que (quer) lucra(r) com aquele, embora o significado para pesquisas e possíveis consequências de enxergar Marte como “produto” jamais sejam discutidos. Marte nem cogita se a recessão capitalista dos anos 70/80 possa ter influenciado no esfriamento do interesse por missões à lua e a adoção do projeto do ônibus espacial em detrimento de possível programa de exploração marciana. É tudo na base do idealismo científico, da vontade e do sonho, embora a questão monetária esteja presente o tempo todo devido ao custo extraordinário que tais programas teriam.
Com relação à parte técnica e científica, porém, Marte fala tudo que um leigo interessado precisa saber. O programa mostra alguns dos principais tópicos a se considerar pruma expedição de colonização. A empreita marciana seria hercúlea e envolveria preocupações que vão desde a possibilidade de se pousar na vertical pra permitir o retorno de foguetes, até possíveis e potenciais sequelas psicológicas, decorrentes do confinamento prolongado em grupo minúsculo de pessoas, sem possiblidade de abandonar esse habitat. Tudo abordado de modo simples, objetivo, pra nós que não somos astrofísicos e temos saco raso.
O programa não deixa de cair na armadilha da idealização negativa, a saber, chamar Marte de cruel e por aí afora. Marte é bola gelada e poeirenta de rocha, nada mais, não é malvado, é apenas uma maldita coisa! Com o histórico das aventuras colonizadoras e civilizatórias da espécie humana, azar do planeta que tiver vida e nós pousarmos nele. Ainda mais com todas essas empresas querendo abocanhar mercados. Pena que Marte é bom moço (é nada!) demais pra dar essas espetadas.
A parte ficcional, de 2033, dramatiza (mas nem sempre) e dialoga (nem sempre) com a parte documental e as 2 se intercalam durante toda a duração do episódio, fazendo com que o fluxo do programa não aborreça com a parte potencialmente mais devagar do documentário.
Na ficção, grupo de cientistas internacionais vão pra Marte iniciar colônia. As agruras da viagem não são o foco e a gente se pergunta como os astronautas estavam tão elásticos depois de 7 meses dentro da nave, perdendo massa muscular (repare que da segunda leva em diante, isso passa a ser um desconforto) e quem faz os penteados das moças, mas isso não desabona a dramatização, que logra, inclusive, proporcionar momentos de genuíno suspense.
Marte pode ser desfrutado por múltiplos nichos de interesse e idade, pena que a Netflix não tenha destinado verba de divulgação. Mas, isso, podemos fazer nós.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA ALBINA

#perseguidos. Albino não morre, só desaparece

O cunhado de Electerio João, então com 22 anos, ligou-lhe numa manhã de outubro de 2015. Tinha um trabalho para ele, podia ganhar algum dinheiro. O jovem, então, com 22 anos, não hesitou. O dinheiro fazia-lhe falta, vivia com a mãe numa casa de argila em Namina, uma pequena aldeia no norte de Moçambique. Quando se encontrou com o cunhado naquele dia, Electerio foi amarrado por este e por três cúmplices, que pretendiam vendê-lo a traficantes que lucram com o comércio de órgãos humanos.

Electerio teve sorte. Depois dos captores esperarem várias horas com ele na berma da estrada, os alegados traficantes chegaram. Eram da polícia. O jovem foi libertado, o cunhado e o cúmplice acabaram presos. Elidia, a irmã de Ricardo Carlitos, um professor primário em Nampula, não teve a mesma sorte: foi raptada e assassinada um mês antes. Um dos seus sequestradores foi detido três dias mais tarde com uma parte de um osso dela. Ricardo acredita que o cunhado está por trás do crime. Chimwemwe Austin, quatro anos, vive com os pais em Lilongwe, a capital do Malawi. Desde que um vizinho sugeriu que a vendessem, a família não quer mandá-la para a escola.

O azar de Electerio, Elidia, Chimwemwe e milhares de outras pessoas em Moçambique, Malawi e Tanzânia é serem albinos. São perseguidos porque se acredita que um pedaço de albinismo – seja um osso ou um pouco de pele – pode trazer sorte e dinheiro à pessoa quem o tenha consigo. Desde o final de 2014, dezenas de albinos em Moçambique foram raptados ou assassinados, muitas vezes por familiares, para que os seus órgãos e partes dos seus corpos fossem vendidos. Em alguns casos, são profanados cadáveres para se retirarem restos mortais para rituais de curandeiros.

"Somos perseguidos como animais", contou Ricardo ao fotógrafo português Daniel Rodrigues, que no outono de 2015 partiu para África para contar estas histórias. O trabalho deu origem à reportagem "The Hunted", publicada este ano no prestigiado diário "The New York Times", e já lhe valeu várias distinções internacionais. Depois, tornou-se uma exposição que está patente até ao dia 20 de janeiro na Galeria Colorfoto no Porto, com o apoio da Fuji. Vale a pena visitá-la, para que o problema dos albinos não seja esquecido.