domingo, 30 de setembro de 2012

A SUPERAÇÃO DE TONY

Conheça a história de superação de Tony Meléndez, que não tem braços, porém toca violão.

sábado, 29 de setembro de 2012

ALBINO INCOERENTE E AS MULHERES

Ontem à noite, participei do lançamento do Programa Mulheres Mil, projeto de cooperação entre o governo federal e o Canadá, que promove a integração de mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Campi dos Institutos Federais em quase todo o território nacional desenvolvem programas educacionais destinados a qualificar profissionalmente e empoderar as mulheres.
O campus Biriguí, onde trabalho, é um dos poucos no estado de São Paulo a participarem do projeto. Serão 4 turmas em 2 cidades (Birigui e Penápolis), totalizando 100 mulheres. Elas terão aulas de português, matemática, direito da mulher, sustentabilidade, empreendedorismo e formação profissionalizante, dentre outras. Como alunas do Instituto Federal, contarão com apoio psico-pedagógico.
Lecionarei português para as 2 turmas de Penápolis, uma delas formada por mães de alunos da APAE local. Não tenho dúvidas de que será uma experiência fantástica, na qual poderemos conjugar língua, inclusão, diversidade, aplicando o conteúdo às necessidades mais imediatas das alunas.
Algumas fotos da cerimônia:

Os historiadores Débora Cegatti e Cledivaldo Donzelli, Secretário Municipal de Educação






Professor Eder Fonzar Granato, coordenador do Mulheres Mil do campus Birigui, do IFSP. 


O prefeito João Luís dos Santos e Eder Granato




Carmem Monteiro Fernandes, diretora-geral do campus Biriguí, do IFSP


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

PAPIRO VIRTUAL 37

Pra quem curte prosa poética, deem uma olhada no blog Anjo de Pedra, da Mariana Manes Santos. Além de suas próprias aventuras literárias, há trechos de Caio Fernando Abreu e outros.
Tomara que a página seja atualizada com mais frequência!

MÃE CORAGEM

Mãe tem três filhos com diferentes tipos de deficiência


O mais velho Ben, 15, tem síndrome de Asperger, um transtorno de desenvolvimento que possui semelhanças com o autismo. O do meio, Harry, 13, tem síndrome de Down e o caçula Charlie, 8, é autista.
Longe de considerar o fato falta de sorte, Becky declarou ao jornal The Sun: “Saber que eles precisariam de atenção extra e cuidados durante toda a vida foi difícil no início. Mas eu me joguei de cabeça e pesquisei muito sobre todas as condições de meus filhos e disse a mim mesma que eles precisariam de mim”.
Apesar de difícil, Becky não fazia ideia de quão rara era sua situação até consultar a Dra. Carol Cooper. Segundo a médica, a probabilidade de ter um filho autista é de uma a cada 100 chances. A síndrome de Asperger é uma condição relacionada ao autismo, então uma vez que você possui um filho diagnosticado com a doença, a chance de ter outro é de uma em dez, disse a mãe ao jornal
Quanto às chances de ter um bebê com síndrome de Down, a ocorrência é de um a cada 1.250. Mas a chance de ter filhos com cada uma destas condições é incrivelmente rara: uma a cada nove milhões, contou a mãe.
O primeiro filho a apresentar sintomas foi Harry, que foi diagnosticado com Down no momento do nascimento. Dois meses depois, Becky e o marido Andy, 50, descobriram que o filho de 2 anos, Ben, tinha Asperger.
Com duas crianças especiais em casa, Becky contou ao jornal que foi um desafio de adaptação. Mas a situação ainda ficaria mais complicada quando a mulher engravidou de Charlie. O bebê nasceu prematuro, mas parecia bem. “Quando ele tinha 18 meses, começou a andar na ponta dos pés, um sinal clássico de deficiência, então comecei a me preocupar”, disse. Os médicos então diagnosticaram o bebê com autismo.
“Outras mães me perguntam como eu consigo lidar com tudo isso, mas sinceramente eu nunca conheci outra maneira de ser mãe. Meus bebês estão vivos e cheios de amor, as coisas poderiam ter sido muito piores”.

http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/251531_mae_tem_tres_filhos_com_diferentes_tipos_de_deficiencia.html

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MEMÓRIA DE ELEFANTE

Conheça o jovem que nunca esquece nada de sua própria vida

Aurelien Hayman
Aurelien diz que, em 1º de outubro de 2006, usou uma camiseta azul e escutou The Killers
Pense em uma data, e o britânico Aurelien Hayman será capaz de lhe dizer o que ele fez, o que comeu, o que vestiu, que canções ouviu e outras memórias daquele dia.
Detalhes que acabariam esquecidos pela maioria das pessoas permanecem guardados na memória do jovem de 20 anos, portador de uma síndrome rara conhecida como memória autobiográfica superdesenvolvida, ou hipertimesia.
Aurelien, tema do documentário The Boy who Can't Forget(O garoto que não consegue esquecer, em tradução livre), a ser exibido nesta semana na emissora britânica Channel 4, explica que na adolescência ele percebeu que era capaz de se lembrar de coisas específicas de datas igualmente específicas.
Em 1º de outubro de 2006, por exemplo, Aurelien diz lembrar que o tempo estava nublado, que escutou a canção When You Were Young, da banda The Killers, que ele usou uma camiseta azul e que sua casa ficou sem luz durante algumas horas.
"É como se eu estivesse acessando rapidamente uma pasta arquivada (no meu cérebro)", disse ele, segundo o jornal The Daily Mail. "Todas as datas têm fotos. É um processo visual, vejo uma sequência de imagens."
Ele ressalva, porém, que não tem "nenhum método ou técnica" para se lembrar - é algo que acontece naturalmente.

Estudos científicos

A síndrome de Aurelien foi documentada há pouco tempo, em um artigo científico de 2006 no periódico Neurocase. Nele, os médicos descreviam o caso da americana AJ (posteriormente identificada como Jill Price), uma mulher que dizia ter uma memória "incessante, incontrolável e automática".
"Penso no passado o tempo todo. É como um filme que nunca acaba", disse ela aos cientistas. "Enquanto falo com vocês estou pensando no que aconteceu comigo em 17 de dezembro de 1982, uma sexta-feira, quando eu comecei a trabalhar em uma loja. É uma questão de datas. Ouço uma data e sou capaz de vê-la; vejo o mês, o ano."
Há apenas cerca de 20 pessoas diagnosticadas com a hipertimesia no mundo. A condição tem semelhanças com o autismo e se caracteriza pelo uso de mais partes do cérebro para a memória de longo prazo.
Segundo o artigo da Neurocase, as principais características da hipertimesia são a capacidade de "passar uma quantidade anormal de tempo pensando no passado" e "de lembrar eventos específicos do próprio passado".

Memória boa, memória ruim

O curioso é que, apesar da habilidade incomum de lembrar detalhes da própria vida, os portadores da síndrome não são bons em recordar outras coisas mundanas e gerais.
"Em contraste com a forte memória autobiográfica de AJ e de sua habilidade em lembrar datas e eventos, ela não é uma boa memorizadora", prosseguem os cientistas. "Ela contou que tem cinco chaves em seu chaveiro e nunca lembra para que elas servem. Tem que fazer listas para se lembrar de suas tarefas. E disse que sofria para se lembrar de poemas ou datas históricas."
Num determinado dia, após passarem horas juntos, os cientistas pediram para que AJ fechasse os olhos e descrevesse que roupas os médicos estavam usando. Ela não conseguiu lembrar.
O jovem britânico Aurelien tem experiência semelhante: contou ao Daily Mail que sua supermemória para detalhes autobiográficos não lhe oferece nenhuma vantagem na universidade, onde cursa literatura inglesa.
"Tenho uma boa memória em geral. Mas por ser uma memória autobiográfica, ela não me ajuda com um trabalho acadêmico universitário", conta.
Os cientistas explicam que, em compensação à memória autobiográfica superior, os portadores da síndrome podem apresentar deficit em funções de organização e controle mental, por exemplo, além de tendências obsessivo-compulsivas.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/09/120924_memoria_autobiografica_pai.shtml?print=1

TELONA QUENTE 58

Meu passeio pelas adaptações gregas de algumas de suas tragédias tem tido efeitos colaterais benfazejos: 1) relê-las peças após cada filme, a fim de escrever pro blog e 2) conhecer o incrível trabalho da atriz Irene Papas, que só sabia de ouvir dizer. Como em Antígone e em Ifigênia, ela está no elenco de Electra (1962), no papel-título.
Eurípedes retomou a maldição dos átridas pra esse desdobramento do banho de sangue, iniciado quando vovô Atreu ofereceu seus sobrinhos como banquete pro próprio pai dos moleques. Mitologia grega é punk "hardgore"!
Vitorioso na Guerra de Tróia, Agamenon retorna a Micenas, 10 anos após ter sacrificado sua filha Ifigênia em troca de ventos praarmada helênica. Sua esposa Clitemnestra nunca o perdoara, porém. Durante a ausência do monarca, torna-se amante de Egisto – primo de Agamenon e fruto duma relação incestuosa entre pai e filha! Com medo de que os filhos de Agamenon se vinguem, Clitemnestra e Egisto banem Orestes do reino e oferecem a mão de Electra prum campônio. Rebaixada socialmente, a princesa não teria como se vingar. Na noite em que volta pra casa, durante o banho, Agamenon é assassinado pelo casal adúltero.
Quando a tragédia começa tudo isso ocorrera há anos. No filme, os primeiros minutos mostram o assassinato de Agamenon e o banimento de Electra, sem diálogos, em uma sequência inesquecível pelo contraste entre a pequenez da jovem e as grandes paredes do palácio,  perseguição de sua mãe e a morte estilizada de Agamenon enquanto se banha.
Electra amava tanto o pai a ponto de não perdoar a mãe e desejar vingança através de sua morte. Quando o mancebo Orestes retorna do exílio pra vingar Agamenon, encontra a irmã e ambos decidem matar a própria mãe.
Electra tem tal adoração pelo pai – como se ele fosse grande coisa! – e fala tanto na vida sexual da mãe e na ausência de uma sua (o marido camponês jamais a tocara, por respeito a sua classe social) que dá pra suspeitar duma pontinha de inveja, daí o uso da personagem por certos setores psicanalíticos pra nomear o famoso complexo.
A peça de Eurípedes vez mais ecoa nos dias atuais ao indagar se Orestes pode assumir o papel de governante, após sujar as mãos com o assassinato de quem lhe deu a luz. Legitimidade é questão candente em época de julgamento de mensalão e ficha limpa.
Das adaptações vistas até o momento esta é a que mais cara tem de “tragédia filmada”. Nas peças gregas, o lugar permanecia o mesmo - geralmente público, como a frente de um palácio – devido às condições de produção da época. O filme manteve muito disso: a maior parte da ação se passa ao redor da choupana de Electra. A paisagem pedregosa e aberta, quase despida de casas ou vegetação, dimensiona e metaforiza a cabeça monomaníaca da jovem e sua austeridade.
A mudança mais significativa de ambientação é quando do acerto de contas entre Orestes e Egisto. No cinema, a convenção trágica de narrar as ações não tem razão de ser, afinal, a sétima arte conta histórias através de imagens. A bela cena, envolvendo pantomima – recomendada e usada em diversas montagens teatrais das peças gregas – evita o jorro de meleca que resultaria duma adaptação literal do texto, evidenciando o bom senso do diretor na transcodificação dum medium a outro. 
O coro feminino está presente no filme de Michael Cacoyannis, cumprindo sua tarefa de comentar, predizer e explicar acontecimentos, um par de vezes sob forma de música, recurso também usado em montagens teatrais. O público não acostumado ás convenções trágicas pode estranhar a mulherada de véu e roupas escuras circulando pra lá e pra cá, mas isso, em conjunção com o cenário, a linda cinematografia em branco e preto e os efeitos sonoros realmente conferem um clima mítico à trama. Devemos lembrar que quando Ésquilo, Sófocles e Eurípedes escreveram suas veneradas peças – 5 séculos antes da era cristã – na Atenas democrática, seus temas já eram mitos praquela cultura, ou seja, eram percebidos como tendo acontecido em tempos imemoriais. A Electra cinematográfica consegue reproduzir isso em certa medida.
Irene Papas mostra novas nuances de seu arsenal interpretativo ao compor uma Electra rígida, amorosa e culpada, por vezes, passando por estes 3 estados numa só cena.
Aleka Katselli como Clitemnestra está puro glam! Atentem pra cena em que desce da carruagem e abre as “asas” do vestido.
No You Tube, legendado em inglês

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

MUITO ALÉM DO BIG MAC

Quantas vezes você não ouviu “prefiro a Europa, porque nos Estados Unidos não tem cultura”? Imagino que a cultura referida sejam prédios velhos e museus. Mas, surpresa, surpresa (ironia mode on), os EUA também têm “cultura”;  até no You Tube dá pra acessar. Descobri uma montagem nova-iorquina de Alceste, peça de Eurípedes, em grego arcaico com legenda em inglês! Phyno, né?   
Tragicômica, a peça apresenta outro imbróglio criado pelos deuses gregos, sempre tão maduros quanto os mortais! Pra recompensar o Rei Admeto, Apolo concede-lhe a possibilidade de escapar da morte. Ele só teria que arrumar alguém pra morrer em seu lugar. Ninguém aceita, nem os pais do monarca, a não se sua esposa Alceste. A peça se passa no dia em que a morte vem reclamar a jovem rainha.
Embora não tão atual quanto suas tragédias, Eurípedes cria um Admeto hipócrita ao tentar se convencer e as outros de que sua covardia  seja altruísmo. Ao imputar a culpa aos pais – Admeto crê que eles podiam ter aberto mão da vida por ele – o rei ouve poucas e boas num belo discurso de amor á vida, proferido por um ancião. Também fica a discussão se o sacrifício de Alceste pode ser considerado heróico, num mundo onde heroísmo cabia essencialmente ao macho.
E por falar em herói, o bombado Hércules salva o dia e é aí onde repousa um dos temas mais importantes de Alceste, nos termos da época de sua produção: a importância da hospitalidade. Repetidas vezes em distintos locais na Antiguidade percebemos a essencialidade do ser bom anfitrião, não importa sob quais circunstâncias.
A montagem do grupo de teatro clássico da Barnard College e da Columbia University  discretamente combina elementos ancestrais e modernos. Aos diálogos em grego (com legendas em um mostrador acima do palco) e à pantomima e simulação da máscara grega sob forma de maquiagem, contrapõe-se um Hércules fanfarrão, que anda de bicicleta e comanda sua trilha sonora. As mulheres não subiam nos palcos atenienses, então, Alceste é interpretada por um ator. Mas, Hércules é uma atriz.
Há momentos em que tudo fica meio monótono, porque teatro literalmente filmado não é a coisa mais ágil do mundo e o texto envelheceu. Mesmo assim, é uma boa oportunidade pra conhecer um pouco mais da cultura grega e ver que ela também tem seguidores nos EUA. Assim como a Europa tem EuroDisney, o Tio Sam também não é só McDonnald’s.    

ALBINISMO CUNA

Em 2009, postei artigo da agência Reuters, que falava sobre o status privilegiado das pessoas com albinismo na etnia Kuna (Cuna), habitantes da costa atlântica panamenha. Leia aqui.
Recentemente, encontrei um artigo da fotojornalista Marjorie Vandervelde, que traz informações algo distintas.
Escrito há quase 40 anos e ainda utilizando o termo “primitivo” pra se referir aos Cunas, há que se tomar o texto com certa cautela.
De qualquer modo, como o blog pretende ser um arquivo sobre o tema albinismo, decidi traduzi-lo e publicá-lo.
O original em inglês – com diversas fotos, pode ser acessado aqui

Os Filhos da Lua das Ilhas San Blas
Marjorie Vandervelde
Tradução: Roberto Rillo Bíscaro

Quem visita as Ilhas San Blas, na costa atlântica do Panamá, surpreende-se com a alta incidência de pessoas com albinismo (PCA) entre os índios Cuna, que lá habitam. Esses indivíduos de pele branca (ou amarelada) sobressaem-se entre seus parentes de pele morena. Os albinos são chamados de filhos da lua, seguindo a teoria de que um ou ambos os progenitores tenham olhado demais para a lua durante a gravidez.
Fui informada de que há cerca de 2 PCAs para cada 100 habitantes Cunas. Para se ter uma ideia do significado de porcentagem tão alta, nos EUA o albinismo ocorre em um em cada 10.000 nascimentos.
Na primitiva sociedade Cuna, as PCAs causam problemas de ordem social, de saúde e psicológica. Como visitante e hóspede frequente dos Cunas de San Blas, observei esses índios “brancos” e seus problemas.
Um dos primeiros turistas a visitar a primitiva tribo Cuna foi Cristovão Colombo, em sua quarta viagem ao Novo Mundo. Os índios foram descritos como canibais selvagens, com uma população que beirava os 700 mil e ocupava, grosso modo, uma faixa do que hoje é o Panamá, ao longo da costa atlântica. Como os Cunas conheciam fontes auríferas, logo caíram em mãos brutais de caçadores de fortuna, que prontamente reduziram a população indígena par cerca de 10 mil. Os remanescente fugiram para s montanhas e apenas durante o século XIX atreveram-se a descer e povoar as ilhas próximas á costa.
Desde então, sua população saltou para mais de 20 mil, muitos dos quais ainda suspeitam de forasteiros. Eles são determinados em manter seu isolamento e cultura. Em 1925, eles afiaram seus machados e os usaram naqueles que se atreveram a sugerir às mulheres que deixassem de usar argolas no nariz (símbolos religiosos tradicionais).
Tradicionalmente, a saúde dos Cuna tem estado nas mãos dos curandeiros da tribo, que se utilizam de ervas e magia negra. Essa é a situação geral, embora um punhado de educadores Cunas progressistas lancem mão de certos remédios modernos. Às vezes, os pacientes desses últimos são os próprios curandeiros!
Quando uma mulher engravida, ele imediatamente se dirige ao curandeiro – sua primeira preocupação é evitar dar a luz a um filho da lua. Um dos medicamentos preventivos é o carvão, usado internamente em grandes quantidades!
As PCAs da tribo não são uma minoria abusada, mas é óbvio que carregam deficiências indesejáveis. Sua pele não pigmentada está sujeita a irritações de todo tipo. Arranhões e picadas de inseto produzem feridas. Os raios intensos do sol tropical são quase insuportáveis, mantendo albinos de todas as idades em suas cabanas de sape, durante metade do dia. Adultos podem achar essa cruz não tão pesada de se carregar, mas o confinamento dá às crianças um estoque de energia reprimida, que explode assim que o sol do fim da tarde permite. Todas as noites, eu observava jovens PCAs correndo nas trilhas de terra entre as cabanas para extravasar a energia.   
Nota-se que os Cunas albinos têm, de modo geral, melhor estrutura óssea e são menos robustos do que seus irmãos e irmãs de pele morena. A pele macia torna-se manchada. O curandeiro procura anti-irritantes entre suas coisas e na floresta continental, para tratar casos avançados de câncer de pele. Por terem menor massa muscular, os albinos são dispensados da maior parte do trabalho pesado em fazendas no continente e em cooperativas. Eles fazem cestos e outras tarefas sedentárias. A falta de combate à fraqueza muscular é prejudicial aos albinos, embora indique uma abordagem simpática aos problemas das PCAs.
Os rituais Cuna de puberdade – sinais de casamento iminente para qualquer garota morena – significam pouco para s PCAs, sistematicamente rejeitados pelo sexo oposto. Houve época em que a lei tribal proibia-os de se casarem. Desse modo, há poucas histórias desse tipo de união para serem estudadas. Recentemente, todavia, algumas PCAs têm se casado.
Fica claro que os adereços alegres que tanto encantam as Cunas de pele morena, também são usados pelas albinas. Quando uma garota albina nasce, seu nariz é furado para que a argola de ouro seja colocada. Primeiro, uma argola pequena, a qual é trocada por maiores e mais pesadas conforme a garota cresce. Mulheres usam brincos que podem ser tão grandes quanto pires, além de grandes pulseiras e tornozeleiras de contas. Há muitos colares de contas, dentes de animais e moedas. As blusas mola – apliques intrincados feitos à mão – são verdadeiras obras de arte. Nenhum desses ornamentos é negado às meninas com albinismo. Claro que a quantidade usada depende das condições econômicas familiares.
Os Cunas acreditam que os misteriosos albinos estão intimamente ligados ao mundo espiritual, sobre o qual exercem alguma influência. Os Cunas atribuem esse poder ao fato de as PCAs pecarem menos do que as de pele escura. Pode haver algum fundamento nessa teoria, uma vez que crime agressivo e baixa vitalidade não caminham de mãos dadas.
O número de PCAs assassinados pelas parteiras e enterrados sob as redes de suas mães jamais será conhecido. Isso tem sido considerado como um ato de caridade e não se fala a respeito.
Considerando-se a atitude hostil de certos Cunas, não surpreende que tão pouca pesquisa sobre as PCAs tenha sido realizada em San Blas. Entretanto, ao longo dos anos, o geneticista Clyde Keeler tem sido amigo dos Cuna. A confiança ganha permitiu-lhe fazer alguns estudos.
Em 1963, ele levou 6 PCAs e 6 não-albinos (grupo de controle) para fazerem testes nos EUA. Sem entrar nos detalhes técnicos, os resultados gerais foram: o peso dos albinos em geral era quase 10% menor do que o dos não-albinos; a altura média era 3cm mais baixa entre as PCAs. Os olhos dos albinos são míopes; a voz é mais fraca e menos ressonante. A pele albina desenvolve grandes sardas e lesões provocadas pelo sol. Exposição continuada á luz solar causa hipertrofia da pele, exceto sob as sardas, que são profundas. Os albinos levam vidas anormais (sic), restringidos em diversas áreas da cultura.
Partindo dessa base, mais informações vem sendo adquiridas ocasionalmente.
Havia mais filhos da lua em San Blas há uma ou duas décadas porque o chefe Nele Kantula decretara que os bebês albinos deveriam ser mantidos. As PCAs estão mais próximas de Deus, declarou, e em melhores termos com o divino. Consequentemente, estariam em melhor posição para ajudr os não-albinos espiritualmente. Mas, desde a morte daquele chefe, o número de Filhos da Lua vem diminuindo, em parte devido à retomada de práticas infanticidas.
Por séculos, os Cunas têm permanecido parados no tempo. Mas, seu isolamento está se deteriorando agora. Das mais de 300 ilhotas, cerca de 50 são habitadas. Duas delas agora possuem pequenos hotéis, que podem ser alcançados por vôos provenientes do Panamá. Se você se hospedar em um deles, provavelmente será atendido por um Filho da Lua Cuna. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

MARKETING INCLUSIVO


Menino com Down vira modelo de gigante britânica do varejo

A campanha da gigante do varejo Marks & Spencer na realidade surgiu a partir da sugestão da mãe do novo garoto-propaganda da loja, Sebastian, de quatro anos.

Caroline Branco, da cidade de Bath, reclamou sobre a falta de diversidade nas propagandas que anunciam roupas e outros produtos para crianças na TV, revistas e outdoors.

Segundo ela, essa homogenização das campanhas publicitárias pode contribuir para aumentar o sentimento de isolamento de famílias que descobrem ter um filho com Síndrome de Down.

"Nós não sabíamos que Seb tinha Síndrome de Down quando ele nasceu e foi uma época muito assustadora, porque não estávamos preparados", disse Branco.

"Me lembro de ver todos aqueles anúncios na TV com famílias e crianças e não havia ninguém diferente, todo mundo era perfeito. Tudo isso só aumentou meu sentimento de isolamento e medo."

UNIFORMES
Segundo Branco, recentemente, quando Sebastian entrou na escola e ela teve de comprar uniformes para o filho, novamente lhe chamou a atenção a falta de diversidade nas campanhas publicitárias.

Foi por isso que ela fez a sugestão à Marks & Spencer, para que houvesse uma mudança na padronização dos modelos da loja --o que resultou na contratação do seu filho como garoto-propaganda.

"Espero que as pessoas percebam que vivemos como qualquer outra família. Seb canta, dança, encanta todo mundo", afirma Branco.

"Não quero que pensem que é uma tragédia [ter um filho com Síndrome de Down], porque a realidade está muito longe disso", completa.

A Marks & Spencer é a maior rede britânica de lojas de departamento.
A cadeia tem mais de 700 lojas espalhadas pelo Reino Unido, além de ter presença em outros 40 países.

TELINHA QUENTE 51


Roberto Rillo Bíscaro

Parte dos anos 1990 passou batida em meu reino. Deixei muita coisa de lado e mergulhei em fatos culturais mais antigos. Uma das esnobadas foi a novela Melrose Place (92-99), spin off da insuportável Barrados no Baile. Essas séries tratavam de jovens de classe média e eu me acostumara mal com os milionários jogos de poder de gente de meia-idade em DALLAS.
No século XXI, vi a luxuosamente brega Dynasty com a certeza de que gostaria. Aconteceu mais: tornou-se meu segundo show favorito.
Quando a Globo exibiu Melrose Place, vi trechos e simpatizei com algumas maldades, mas não me animei. Como descobri que os produtores-executivos foram Aaron Spelling e E. Duke Vincent – os mesmos das batalhas entre os Carrington e os Colby – tirei o atraso noventista e vi as 7 temporadas.
Melrose Place é um conjunto de apartamentos em Los Angeles, povoado por vinteanistas. Habitações pequenas, que às vezes abrigavam personagens capazes de pagar imóvel mais amplo. Recurso pra manter o núcleo dramático mais próximo. Algo como um Southfork urbano.  
A série começou com capítulos autossuficientes, no mesmo estilo da primeira temporada de DALLAS. Como ocorreu com o similar texano, a audiência foi baixa e o modelo abandonado. Ainda na temporada inicial, os escritores tentaram temas sociais como racismo, mas o recurso também não funcionou. Em pouco tempo, Melrose tornou-se típica soap ianque, com muito dramalhão, ainda que disfarçado em trilha sonora mais moderninha, e sem-graça pro meu gosto. Exceto pela canção-tema e uma meia dúzia de canções ao longo de 7 anos. E sempre detestei aqueles solos de guitarra infestando os episódios! 

Pra apimentar a trama, os escritores trouxeram a sibilante Heather Locklear – afamada como a Sammy Jo, de Dynasty – pra ser a ambiciosa e desbocada Amanda Woodward, que se torna proprietária de Melrose Place e trabalha na mesma agência de publicidade da enfadonha alcoólatra e abusada sexualmente Alison Parker.
A série apresenta uma porrada melodramática atrás da outra e peripécias deliciosamente irrealistas. Assassinatos, acidentes, explosões, raptos, bebês dados como mortos e depois sequestrados, atropelamentos, litígios judiciais a granel, gente saindo da sepultura, tetos desabando, incêndios, deformidades, nossa é muita sem vergonhice, uma delícia!
Enquanto as novelas da era Reagan enfatizavam a Santa Família biológica, Melrose Place elege a família estendida como seu foco. Laços de sangue não importam quando existe afinidade fraterna entre as pessoas. Isto posto, o ringue está aberto pra toda espécie de facadas nas costas, intrigas, afastamentos e reaproximações que chacoalhavam as famílias nucleares dos Ewings, Carringtons, Colbys e Channings (de Falcon Crest) da década anterior.
As personagens são tão infantis quanto em qualquer produto do gênero. Em certos momentos, pontificam lições de moral e compreensão para com dilemas alheios, para, no capítulo seguinte serem turrões como infantes que não querem compartilhar um brinquedo.
Também existe a mesma tendência de uma personagem ser megera numa temporada pra voltar beata em outra, ou vice-versa.

No fundo, todo mundo é intercambiável e há uma personagem só. Jo Reynolds, Matt Fielding, Billy Campbell e Cia não passam de caricaturas humanas. Por isso suportamos – e gostamos – de vê-los sofrendo tanto. São idiotas demais e merecem!
Quem se propõe a ver um programa assim deve estar interessado em emoções baratas. Eu estava. E haja revelações bombásticas, acidentes, infidelidades, alcoolismo, prostituição, (des)casamentos e muito mais, em procissão veloz. De vez em quando, um toque de mestre, como quando o desequilibrado ex-namorado da insossa de plantão, estoura os miolos enquanto fala com a moça ao telefone.
Em certo sentido, Melrose chega a ser mais careta que sua predecessora Dynasty. Em 81, a última trazia um relacionamento gay às telinhas, ao passo que uma década depois, Melrose tem um gay quase exclusivamente pra parecer inclusiva, uma vez que Matt não se envolve com praticamente ninguém nas temporadas iniciais e quando o faz quase não há demonstração de afeto.
A suculência concentra-se entre a terceira e a quinta temporada. Como em toda soap, o elenco original sai aos poucos e os novos não conseguem atingir os mesmos níveis, bem como as tramas.  O cliffhanger da sexta temporada, por exemplo, é o mais pífio já visto por este escriba. Parecia o fim dum capítulo comum. Deu impressão de que os produtores foram pegos de surpresa pela rede, que anunciou o término repentino da temporada.
Sempre estranhando um pouco o fato de as personagens morarem em apartamentos de quarto só, amei Melrose. Como não amar a periguete Sidney, a vilanice patética de Michael Mancini (cujo tom semi-cômico faz da personagem a única “perdoável”) e, minha favorita, a psicopática Dr. Kimberly Shaw, que enlouquece e faz Melrose Place literalmente voar pelos ares? Isso que nem contei um terço do que passa e apronta a personagem vivida magistralmente por Marcia Cross. Acho que terei que ver todas as temporadas de Desperate Housewives só por causa da atriz!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CAIXA DE MÚSICA 75


Se fizerem um genoma da música eletrônica, acharão o cromossomo K, do Kraftwerk. Quando escrevi isso, me chamaram de exagerado. Não nego sê-lo, mas nesse caso foi reducionismo. O grupo alemão influenciou até a guitarra roqueira de Neil Young, em certa canção! Não sei em qual, porque pouco conheço da obra do canadense, mas aprendi essa no documentário Kraftwerk and the Electronic Revolution (2008). Se as quase 3 horas de programa tivessem sido produzidas posteriormente, possivelmente teria se referido ao Coldplay usar o riff de Computer Love pra construir a sua Talk.   
Quase uma hora transcorre até chegar ao Kraft. Os documentaristas fornecem vasto background histórico e estético da Alemanha do pós-guerra até os 70’s, da música eletrônica, concreta e pop, incluindo alguns aspectos de um tipo de música popular germânica chamada schlager, esvaziada de sua artificialidade de sacarina pela secura e planura estudadas dos vocais da banda.
A terraplanagem do terreno é tão minuciosa que até a influência das trilhas sonoras de filmes de ficção dos anos 50 e 60 é mencionada, bola cantada por este escriba, em 2009 (leia aqui).

Quando falando sobre o grupo, o programa revela as conexões e contradições planejadas entre o visual retrô- remetente a um passado que a Alemanha queria esquecer e o conteúdo revolucionariamente moderno/futurista da sonoridade. Focando a década de 70/começo dos 1980’s, Kraftwerk and the Electronic Revolution cartografa a mudança de visual dos próprios integrantes, de pseudo-cientistas, passando por sarcásticos almofadinhas do período social democrata à desumanização robótico-computacional oitentista, que resulta praticamente no desaparecimento dos membros do Kraft, especialmente quando já não mais dão conta de serem vanguarda.
Em termos musicais, o filme alinhava os conceitos e resultados obtidos desde os primeiros álbuns – experimentalismo refutado pelos caciques do Kraft, Florian Schneider and Ralf Hütter (e por mim, acho chatinho...) até o oitentista Computer World. O conceito de Autobhan (1974) também tem a ver com os Beach Boys, nem imaginava! No caso desse álbum - que entrou na parada norte-americana! – a conjugação desse documentário com Krautrock: the Rebirth of Germany foi muito enriquecedora.  

Os ultrafechados Florian e Ralf não participaram do documentário, não autorizado, aliás. Karl Bartos – participante de todos os álbuns fundamentais – conta sobre influências, alguns processos de composição e sua consciência do impacto do Kraftwerk na cultura musical contemporânea. Elogios á garotada inglesa que utilizou as deixas pra criar algo novo – como o Human League – e discreto dardo envenenado no pobre Gary Numan. Ri, mas Numam também tem seus méritos, vai!
Pra não iniciados, pode ser que Kraftwerk and the Electronic Revolution seja longo em demasia, mas há que se ter em mente a importância desses alemães. Eles pertencem á rarefeita liga dos Beatles, Smiths, Bowie, ou seja, aquela casta de artistas pop que mudou e ajudou a definir a sonoridade duma época.  E isso não é exagero.   
Achei completo – em inglês sem legendas – no site da Veho. A versão do You Tube me parece cortada, a não ser que você tente a picotada, em 19 partes.

Watch Kraftwerk and the Electronic Revolution in Electronic | View More Free Videos Online at Veoh.com

domingo, 23 de setembro de 2012

BALÉ AMPUTADO

Vejam o show que dá um casal de bailarinos amputados. 

sábado, 22 de setembro de 2012

(DES)CASO DE FAMÍLIA

Rejeitados pelas famílias, pacientes moram há anos em hospitais de São Paulo

Mesmo após receber alta, para muitos a única alternativa é continuar no hospital.

Cláudia Collucci
A filha disse não, a irmã disse não, a prima disse não. Por causa de todos os "nãos", Rosa, 61, vítima de aneurisma cerebral, permanece internada em um hospital de São Paulo mesmo já tendo recebido alta há dois meses.
Casos de pacientes abandonados nos hospitais —porque a família não os quer ou porque perderam o vínculo com os parentes— têm se tornado frequentes na capital e chamaram a atenção do Ministério Público paulista.
A Promotoria dos Direitos Humanos do Idoso instaurou um inquérito civil em que solicita que o Estado e o município criem serviços para acolher pacientes que não têm para onde ir. Promotores também têm acionado judicialmente famílias para que assumam seus doentes.
A Folha localizou ao menos 120 pacientes já em condições de alta, mas que permanecem internados no Hospital Auxiliar de Suzano (que pertence ao Hospital das Clínicas) e no Hospital D. Pedro 2º, ligado à Santa Casa de São Paulo. Eles somam quase 20% do total de internados.

Morando nos hospitais, esses pacientes sofrem riscos de contrair infecções, além de ocupar leitos de pessoas que realmente precisam.
Rosa, paciente do Hospital de Suzano, sabe que a filha não a quer, mas fantasia outra razão para justificar o abandono. "Minha filha pensa que eu morri. É por isso que não veio me buscar."
Ela vivia nas ruas quando sofreu um aneurisma e ficou com sequelas: lado direito paralisado, problemas na fala e confusão mental. O caso está no Ministério Público.
Damaris Felipe dos Santos, 78, vive há exatos 67 anos no Hospital D. Pedro 2º, no Jaçanã, na zona norte. Tinha 11 anos quando lá chegou, com paralisia nas pernas.
Ela e outros dois pacientes do hospital --Celina, 65, e José Alberto, 67, ambos com síndrome de Down-- foram deixados ainda bebês na "roda dos enjeitados", que funcionou na Santa Casa até 1950.
Ficaram em um orfanato e, na adolescência, foram transferidos para o D. Pedro 2º. Nunca mais saíram. "Aqui não me falta nada. Muito menos amor", diz Damaris.
No hospital centenário, dois terços dos pacientes não têm família.
"É uma situação crítica. Quanto mais vulnerável o paciente, menor é a chance de acolhimento fora do hospital. Não há lugar", diz a promotora de direitos humanos do idoso Cláudia Beré.
As duas instituições estão lotadas (com ocupação de 94%) e há uma fila de espera de 50 pacientes, em média. Chamados de hospitais de retaguarda, abrigam pacientes crônicos (com síndromes genéticas, sequelas de derrame, aneurisma e traumatismos).
"Muitos são ex-moradores de rua, não têm para onde ir. Mas outros têm filhos, que não querem levar a mãe ou o pai para casa porque acham que vão dar muito trabalho", diz Fábio Ajimura, diretor técnico do hospital de Suzano.
O Hospital D. Pedro 2º tem também 50 "desconhecidos", doentes que ali chegaram sem documentos e sem lembrança de família.
Nem o exame datiloscópico, que tenta a identificação por meio das impressões digitais, teve sucesso com eles.
Nesses casos, as assistentes sociais fazem um trabalho de detetive. "A gente fica esperando que eles se lembrem de algum nome, de alguma alguma cidade, e depois começamos a pesquisar, a juntar as pontas", diz Elaine Cristina Marques, assistente social do hospital de Suzano.
Hélio era morador de rua e foi atropelado. Não tem documentos, não fala, não anda. Um dia, balbuciou o nome. E os funcionários assim passaram a chamá-lo.
Ele é um dos pacientes não identificados que vivem em hospitais públicos de São Paulo. Todos estão no site da Secretaria de Estado da Saúde à espera de alguém que os identifique. E os leve para casa:http://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/homepage/acesso-rapido/pacientes-nao-identificados

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1153207-rejeitados-pelas-familias-pacientes-moram-ha-anos-em-hospitais-de-sao-paulo.shtml

ALBINO GOURMET 73

Deixemos as postagens temáticas de lado e desfrutemos de variadas receitas. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

TECNOLOGIA PARA INCLUIR

Conheça os avanços tecnológicos que ajudam deficientes a se inserir no mercado de trabalho
Hugh Herr, professor do MIT
Tecnologia pode liberar força de trabalho, até então, subutilizada, de acordo com Hugh Herr, do MIT.
Enquanto o mundo celebra as extraordinárias conquistas dos atletas paraolímpicos nos jogos de Londres, portadores de deficiências em todo o mundo enfrentam desafios cada vez mais sérios na luta por espaço no mercado de trabalho.
As limitações físicas, aliadas ao preconceito e ignorância, ficam ainda mais difíceis de superar em tempos de recessão econômica.
Muitos acreditam que a tecnologia - que auxiliou tantos atletas durante as Paraolimpíadas - tem um papel importante em permitir que o portador de necessidades especiais se destaque também fora do Parque Olímpico, realizando seu potencial nas mais diversas profissões.
A BBC ouviu alguns dos profissionais que trabalham para isso.

Revolução Biônica

Um dos líderes na batalha para que a tecnologia abra os caminhos do mundo aos portadores de deficiências é o americano Hugh Herr, professor do Media Lab do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos.
Ele acredita que os avanços da tecnologia biônica podem liberar o potencial de uma força de trabalho que, até agora, vinha sendo subutilizada.
"Eu prevejo uma revolução de biônicos", diz Herr. "Estamos entrando em uma era biônica, onde começamos a ver tecnologia que é sofisticada o suficiente para imitar funções fisiológicas importantes."
Como diretor da companhia iWalk - que fabrica próteses robóticas que imitam as funções de membros do corpo humano - Herr trabalha com biônicos diariamente.
Além disso, o professor personifica a revolução que prevê. Durante uma mal sucedida expedição de alpinismo em 1982, Herr sofreu ulcerações tão graves provocadas pelo frio que suas pernas tiveram de ser amputadas abaixo dos joelhos.
Hoje, graças aos produtos que ele próprio desenvolveu, Herr continua a praticar alpinismo.
As próteses biônicas que produz são tão avançadas que não apenas imitam as funções de uma perna humana normal - elas são, em vários aspectos, superiores. E estão disponíveis comercialmente em outros 50 centros espalhados pelos Estados Unidos.
Um cliente da iWalk, um trabalhador de uma fábrica em Ohio, conseguiu voltar ao trabalho apenas duas semanas após ter suas novas pernas ajustadas.
"Podemos colocar as pessoas de volta no trabalho, o que é (uma conquista) imensa. Só isso custaria ao Estado milhões de dólares."
Herr explicou que, quando uma pessoa manca, há efeitos colaterais, como dor nas costas e nas juntas. E eles tendem a aumentar com o passar dos anos.
"Tivemos pacientes cuja dor foi cortada pela metade, ou em 75%, o que é bastante."

Combatendo o estigma

Para alguns, no entanto, não se trata de retornar ao antigo emprego e, sim, de conseguir um trabalho.
Barbara Otto é diretora da ONG Think Beyond the Label (Pense além do rótulo, em tradução livre), que tenta auxiliar empresas a contratar pessoas com necessidades especiais.
A ONG criou um portal digital que funciona como uma rede social, permitindo que empregadores e força de trabalho façam contato e organiza feiras online onde empresas e candidatos a empregos podem se encontrar.
"A grande vantagem dessas feiras profissionais online é que não há necessidade de que as empresas viajem, e não há a necessidade de que as pessoas com deficiências viajem para um determinado local."
"Isso acaba com quaisquer inibições que um empregador possa ter, ou que uma pessoa portadora de deficiência possa ter, ao entrar em contato."
Otto acredita que empresas têm muito a ganhar ao empregar pessoas com necessidades especiais.
"Sempre digo, se você quiser contratar alguém que pense diferente, empregue uma pessoa portadora de alguma deficiência."
"Quando buscamos inovações em design, tecnologia ou em usos de softwares, pessoas com deficiências são sempre capazes de oferecer essa inovação que faltava porque precisam inovar na sua vida diária", afirma.

Acesso ao trabalho

Outra importante frente de batalha na luta para colocar portadores de deficiências no mercado profissional é garantir a eles o acesso ao local de trabalho.
"A tecnologia terá um papel central nesse processo", disse Alan Roulstone, professor de inclusão da Northumbria University, no norte da Inglaterra.
Ele acredita que a grande estrela nesse palco são as tecnologias de navegação adaptadass para uso em prédios de escritórios.
"Tendo em vista a maneira como a telefonia e as tecnologias de GPS estão se desenvolvendo, acho que é apenas uma questão de tempo para que você tenha apps para celulares que permitam que pessoas com deficiências visuais, declínio cognitivo ou dislexia naveguem pelo ambiente."

Críticas

Alguns observam com cautela a emergência de tecnologias capazes de nos levar além das fronteiras da natureza - particularmente no caso dos biônicos, que podem ser usados para aumentar as capacidades do corpo humano.
No entanto, essas questões não preocupam Hugh Herr, do MIT Media Lab.
"Existe tanta dor e sofrimento no mundo hoje por causa de corpos que não funcionam muito bem. A narrativa dominante é construir uma sociedade onde essa dor e sofrimento sejam reduzidos."
"As pessoas, em geral, não acham que isso não seja ético, mas eu não consigo ver um problema em irmos além do que a natureza pretendia. Nós já fazemos isso, com celulares, bicicletas, carros e aviões."

PAPIRO VIRTUAL 36

Dione Scarpelli, do blog ~~foz~~, define-o como a reunião de "alguns pensamentos, desabafos, textos, redações", mais ou menos como ela sente "o mundo e o amor".
Dia 15 de setembro, ela descreveu o encontro com uma garota albina:

Num dia de minhas dúvidas
quando questionei o mundo,
virei as costas pro tempo e
nem quis ouvir a voz divina,
percebi uma  presença rara
aquela criança, bela menina
de fartos cabelos trançados,
brancos, viçosos, brilhantes
ao meus lado, na minha cara,
sentada no colo, mão da mãe
a limpar seus óculos de grau.
No entardecer vejo-a de novo
exuberante, firme e crescida,
e as tranças de pontas soltas.
Lá vem a vida e seus enigmas.
A beleza de tão rica, acaricia. 
E a flor branca do bem querer
revela a virgem no alvorecer
a brincar na intensa claridade
com seus lisos e longos fios
dos tons alvos da eternidade,
no pescoço à mostra, um colar.

http://fozdavoz.blogspot.com.br/2012/09/albina.html

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

MORDE E ASSOPRA

Eu teria gostado se a cobra a tivesse picado em seguida!



Cantora inglesa morde cobra albina

Durante o Lingerie Awards, em Londres, a cantora inglesa Sarah Harding, surpreendeu e mordeu uma cobra píton albina! 

A integrante do grupo pop Girls Aloud, de 30 anos, teve a ajuda de uma encantadora de serpentes, contou o "Sun". Depois o réptil ganhou uma bitocada loura:

TELONA QUENTE 57

Seguindo minha fase greco-trágica, vi Iphigenia (1977), baseada na Ifigênia em Aulis, de Eurípedes, que deixou a peça inacabada ao falecer. Seu filho (ou sobrinho) escreveu o final. Os festivais em homenagem a Dioniso tinham competições onde escritores concorriam com trilogias. Da trinca de grandes dramaturgos trágicos – junto com Ésquilo e Sófocles – Eurípedes foi o que menos tirou o primeiro lugar, mas no ano de sua morte, coube-lhe essa rara honra.
Os homens que viam as tragédias – mulher não entrava nos anfiteatros – já sabiam os enredos, baseados em mitos. Os tragediógrafos podiam mudar detalhes, pontos de vista, mas não a espinha dorsal da lenda. Se lermos a Ifigênia em Tauris, do mesmo autor, notaremos detalhes distintos, quando os acontecimentos em Aulis são relatados.
Na Ifigênia em questão, a armada helênica de mil navios está encalhada em Aulis, devido a uma calmaria. Os gregos tencionavam invadir Tróia pra lavar a honra, manchada desde que a fogosa Helena fugira com Paris.
O oráculo profetiza que os deuses mandarão vento, se Agamenon, rei de Micenas e comandante do exército grego, sacrificar sua filha. O ambicioso monarca envia carta ao palácio real mentindo que a filha se casaria com Aquiles. A rainha Clitemnestra vem a Aulis com a princesa Ifigênia. Ao descobrir a verdade, inicia-se uma série de ações destinadas a evitar o sacrifício, mas, podem os mortais, mesmo a realeza, insurgirem-se contra os desígnios do destino, determinado pelos deuses?
Diferentemente da adaptação de Antígone, essa produção grega toma certas liberdades com o texto, criando novos pontos de discussão. Embora sintamos pena da juventude desperdiçada de Ifigênia, fica a pergunta: se as famílias gregas “comuns” teriam de arcar com a perda de seus filhos, por que não a família real?
A questão da imolação de um indivíduo pra proporcionar o bem do Estado/da coletividade também se coloca – tanto na peça, quanto no filme. Mas, é relativizada, quando se pensa que todo esse esforço bélico é por causa de alguém que preferiu a cama de outrem, embora haja muito mais em jogo nos bastidores.  
Talvez um dos motivos de Eurípedes haver ganho tão poucas vezes os concursos trágicos seja colocar na berlinda o preço pago em sangue pela glória helênica, o certo patetismo com o qual tinge a realeza e a própria irresponsabilidade dos deuses e suas disputas vaidosas.
Tudo isso está bem delineado no filme, que ganha em agilidade com a supressão quase total do coro, que, em cine, tornaria a ação monótona.
Iphigenia, o filme, é cheio de diálogos pungentes e comoventes, destacando uma interpretação arrasadora de Irene Papas, como a amorosa, colérica e dolorida Clitemnestra.
É tenso e torcemos por Ifigênia, mesmo que em uma ou 2 falas (muito discretas), o roteirista dispare uma farpa que não pode passar despercebida. A jovem não faria o mesmo pela honra grega?
Se você lê inglês, poderá ver essa excelente adaptação no You Tube:

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ALBINO INCOERENTE EM SALVADOR III

O II Encontro Estadual das Pessoas com Albinismo na Bahia, do qual participei entre os dias 12 e 14, reuniu representantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Alagoas, além de diversas cidades do interior baiano. Foi muito bom pra conhecer gente nova, especialmente pessoas com albinismo. Nenhum participante jamais vira tantas PCAs juntas! Foi muito bom conhecer pessoas vivendo em realidades tão diferentes, mas em certo sentido, tão parecidas.
Além do caráter de confraternização, o Encontro cumpriu seu objetivo de lutar por políticas públicas de saúde específicas pra nós. O Secretário de Saúde da Bahia comprometeu-se publicamente na luta junto com os albinos.
Em momento importante, Gabriel - criança albina que saíra de madrugada de casa para o Encontro - entregou carta manuscrita ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele também prometeu olhar com carinho para  causa albina.
Claro que as pessoas com albinismo têm que fazer a sua parte, organizando-se e apresentando propostas. Se não explicitarmos nossos problemas e contribuirmos na elaboração dessas políticas públicas ninguém fará isso por nós.    







terça-feira, 18 de setembro de 2012

ESTRATÉGIAS ANTIBULLYING

Qual pessoa com albinismo já não experimentou bullying? Por isso, o artigo baixo da Revista Pátio é oportuno pra educadores e bullynados em geral.  


O que a escola deve saber e fazer para deter o bullying

Cléo Fante

Os valentões estão por toda parte à espreita de um alvo ideal para agredir, manipular, dominar — nas famílias, nas empresas, nas escolas, nos mais diversos contextos sociais. O desejo de poder, aceitação e status social no grupo somado à ausência de limites, respeito, tolerância e empatia têm produzido em larga escala a violência contra determinadas pessoas ou grupos. No entanto, por falta de conhecimento ou precipitação, muitos estão relacionando tais comportamentos ao bullying, sejam atos de opressão e agressão, críticas sobre atuação de atletas, artistas e políticos, sejam problemas familiares, ambientais e estruturais.
Bullying não é isso que muitos insistem em divulgar. A generalização tem comprometido o entendimento do fenômeno e, por conseguinte, sua identificação, acompanhada de intervenção e procedimentos adequados.
Portanto, não se deve confundir com bullying a ação dos valentões no meio familiar, sendo esta tipificada como violência doméstica ou intrafamiliar. O mesmo ocorre em relação ao ambiente laboral, onde a ação dos valentões é tipificada como assédio moral. Ações agressivas ou violentas contra grupos específicos podem ser exemplificadas como xenofobia, homofobia, cristofobia, etc.
No ambiente escolar não é diferente. O termo bullying também vem sendo utilizado nas mais diversas situações que envolvem docentes e discentes. Não raro, é empregado em situações de indisciplina, conflitos, desacato ao professor, brincadeiras inconsequentes ou inconvenientes, incivilidades, depredações e pichações de prédios e até mesmo quando determinados alunos são corrigidos ou disciplinados pelos profissionais da escola.
Esse termo deve ser empregado para exemplificar comportamentos agressivos ou violentos entre pares, independentemente de estarem iniciando a escolaridade ou concluindo a universidade. A definição amplamente aceita diz que tal prática compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e sofrimento, sendo executadas em uma relação desigual de poder, tornando possível a intimidação da vítima.
Embora sua identificação seja mais comum no ambiente escolar, também ocorre em outros espaços fora da escola frequentados pelos jovens, como ambientes virtuais, escolas de idiomas, de futebol, academias, shopping centers, clubes e condomínios residenciais, entre outros. Se o bullying não for compreendido, tenderá a se tornar um problema social de difícil solução, como vem ocorrendo nos Estados Unidos, onde já é considerado pelas autoridades americanas como uma grave crise e classificado pelas entidades de defesa dos direitos humanos como um problema sem solução.
Identificar o bullying entre os alunos não é tarefa simples, por se tratar de uma forma de violência bastante específica. Muitas vezes, os ataques não podem ser visualizados, ou seja, são desprovidos de materialidade, e as vítimas não têm como comprová-los, o que gera incompreensões e inconformismos. O autor pode utilizar formas mais veladas e silenciosas, como gestos, olhares, expressões fisionômicas, bilhetes com mensagens humilhantes ou ameaçadoras, além dos ataques virtuais, que costumam ocorrer onde não há a supervisão dos adultos.

Os estudos internacionais têm demonstrado que os meninos são os maiores praticantes de bullying, utilizando-se mais da agressão direta, física e verbal, enquanto as meninas utilizam-se da agressão indireta, por meio de ofensas morais e exclusão social. Outra diferença que deve ser destacada é que as meninas costumam atacar em grupos, enquanto os meninos agem individualmente. Em geral, há uma “líder ou mentora” que planeja e dá início ao processo de vitimização, respaldada por um círculo social que a incentiva e auxilia. A vítima é sempre rechaçada por suas colegas, e o objetivo é eliminá-la do convívio social. Para isso, comumente se observam fofocas, comentários maldosos, xingamentos e mentiras. Contudo, ainda que em menor grau, as meninas também se utilizam de maus-tratos físicos.
Para identificar o bullying, é necessário reconhecer seus critérios e diferenciá-lo daquilo que faz parte do processo de socialização ou de algo natural da infância e da adolescência. Não é bullying o ato de fazer brincadeiras pontuais engraçadas, inconsequentes ou irritantes. Não é bullying a emissão de comentários ou opiniões divergentes, discussões ou brigas, entre outras possibilidades inerentes às relações interpessoais. Não são bullying os conflitos ou ofensas pontuais, que resultam em mágoa ou raiva passageira.
Para que uma ação seja diagnosticada como bullying, é imprescindível que contenha os seguintes critérios: repetição das agressões contra o mesmo alvo, desequilíbrio de força ou poder entre as partes, intencionalidade nas práticas agressivas, ausência de motivos por parte das vítimas e prejuízos resultantes.
As consequências do bullying afetam a todos os envolvidos. Dependendo da gravidade da exposição e das características individuais daquele que é exposto, bem como de suas relações com os meios em que vive, principalmente quanto ao suporte familiar e escolar, ele conseguirá superar ou não o trauma da vitimização. Quando isso não for superado, a vítima poderá isolar-se socialmente, como estratégia de evitar as agressões ou de fugir do problema. Pode apresentar na vida adulta dificuldades relacionais, insegurança, ansiedade, baixa autoestima, nervosismo, agressividade, apatia, sintomas depressivos e fobias. Algumas vítimas tendem a reproduzir a vitimização no local de trabalho, praticando o assédio moral, ou na família, praticando a violência doméstica ou intrafamiliar.
Estudos têm demonstrado que as consequências recaem tanto sobre as vítimas quanto sobre os autores, e seus efeitos são observados a longo prazo. No caso de manterem o comportamento agressivo, os opressores terão problemas no futuro no que concerne ao desenvolvimento e à manutenção de relações positivas. Os agressores, por sua vez, terão maior tendência para comportamentos de risco do que seus colegas não agressores, podendo envolver-se no consumo de tabaco, álcool e drogas.
Por outro lado, o comportamento agressivo pode solidificar-se com o tempo, comprometendo as relações afetivas e sociais, além da aprendizagem de valores humanos, como a solidariedade, a empatia, a compaixão, o respeito a si mesmo e ao outro, o que afetará as diversas áreas de sua vida. Muitos tendem à depressão, ao suicídio, à autoflagelação, ao envolvimento em delinquência, ao abuso de drogas e à criminalidade. Futuramente, também podem cometer violência doméstica e assédio moral no trabalho.
Para saber se um aluno é vítima de bullying, deve-se primeiramente observar seu comportamento e seu envolvimento. É preciso cautela para não rotular ou se precipitar na identificação. A vítima costuma retrair-se ou isolar-se socialmente. Apresenta comportamento ansioso, deprimido ou irritadiço. Falta com frequência às aulas, sem justificativas convincentes. Perde a concentração e o entusiasmo pelos estudos, podendo ter uma queda acentuada no rendimento escolar, além de queixas frequentes de dores (como de cabeça e de estômago) e de febre, o que o faz pedir para sair mais cedo ou ausentar-se das aulas.

Da mesma forma, para saber se um aluno pratica bullying, é necessário observar seu comportamento. Mais uma vez, é preciso ter cautela para não se deixar levar por estereótipos ou equívocos na identificação. Em geral, o praticante apresenta características peculiares de comportamento que o diferenciam dos demais colegas, como irritabilidade, agressividade e impulsividade. Suas atitudes abusivas, intimidadoras e prepotentes despertam a atenção dos adultos da escola. Precisa sentir-se notado, chamar a atenção para si, conquistar popularidade e temor. Está constantemente envolvido em confusões e desentendimentos; subjuga, domina, constrange, humilha e persegue os mais tímidos e vulneráveis. Desafia, desrespeita, provoca, perturba o ambiente escolar e irrita seus colegas. Pode ter maior estatura e força física do que a vítima, o que certamente lhe facultará a dominação. Todavia, pode ter menor estatura e força física, porém emocional e socialmente pode estar em vantagem, já que muitos do grupo apoiam suas ações.
Antes de tratar o tema com os alunos, recomendo que os docentes informem-se sobre o assunto. As escolas devem implantar programas antibullying, compostos por um conjunto de estratégias interventivas e preventivas, contemplando a participação de toda a comunidade escolar e a inserção em seus projetos pedagógicos. Quanto mais cedo a criança aprender valores condizentes com uma cultura de paz, mais cedo saberá respeitar as diferenças e conviver com elas.
 
  • Cléo Fante é pedagoga, historiadora e vice-presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar (Cemeobes).
    cleofante@terra.com.br