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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

CAIXA DE MÚSICA 345


Roberto Rillo Bíscaro

Horizon, dos Carpenters, foi um dos primeiros discos que possui, juntamente com os primeiros de Gal Costa e dos Secos & Molhados. Talvez precoce prum menino de 8 anos. Havia uns LPs de canções de roda, também, mas eu preferia esses de “adulto”. Lembro bem de Only Yesterday e Please, Mr. Postman tocando nas rádios, em 1975.
Não sei se conheci Richard e Karen Carpenter assim ou se foi também no apartamento de meus tios em Curitiba, onde passava férias e ouvi Horizon pela primeira vez. Morando ainda em Sampa, quando voltei pra casa, infernizei meus pais até me comprarem uma cópia. Ainda o escuto regularmente, em formato digital, a ponto de cantar junto todas as letras. Tanto que uns dias antes do motivo deste texto, eu o tocara inteiro, via Youtube, enquanto escrevia algo, arrumava notas de alunos, sei lá.
Os Carpenters dominaram as paradas da primeira metade dos anos 70, com seu pop fácil e de ricas harmonias vocais, graças à trágica Karen Carpenter, morta tão nova, aos 32 anos, em 1983. Tanta vida pela frente, mas a anorexia nervosa enfraqueceu demais seu coração. Soube de sua morte, quando o Fantástico anunciou o clipe de Make Believe It’s Your First Time, lançado postumamente. Então, o reinado dos Carpenters já estava findo há anos; a canção sequer entrou no Top 50 da Billboard.
Nada sugere que a dupla reconquistaria seu sucesso nos 80’s, mas a cristalinidade da voz de Karen influencia até hoje, de Madonna a Rumer e a novíssima Harriet (em breve no blog!). Creio que até 1994 não era hipster gostar deles. Daí, saiu o álbum de covers If I Were a Carpenter, com queridinhos da época, como Sonic Youth e Cranberries e o duo foi “reavaliado”, como ocorreu com Burt Bacharach. Ainda bem que jamais necessitei de selo de recomendação pra admitir amar algo, porque não troco nenhum original por qualquer versão. Sequer ouvi If I Were a Carpenter na íntegra, afinal, quem lembra de American Music Club? Mas, dos Carpenters, tantos lembram que até produto novo saiu, dia 7 de dezembro.
Carpenters with the Royal Philharmonic Orchestra foi produzido com esmero e astúcia por Richard Carpenter, o que garante integridade às 18 faixas. Até a capa segue o padrão gráfico de décadas. A edição japonesa e a vendida na rede Target têm 19: Please Mr. Postman vem de bônus. O álbum funciona como mais um grande Best Of, que mantém intactos os vocais de Karen e os arranjos originais, apenas com toques orquestrais. Quem quereria ouvir We’ve Only Just Begun, Hurting Each Other, Superstar ou Top Of the World em versões só com a orquestra, sem aquele charme AM, que as tornam tão queridas e perfeitas?
Um coro aqui, outro ali, jamais se intrometendo muito nas canções, introitos e pontes orquestrais são acrescentados, como por exemplo no início do álbum, que elegantemente abre com uma Overture, citando trechos de clássicos do duo, mas focando em Yesterday Once More, cuja letra fala de canções antigas capazes de despertar nostalgia. Que é o que os Carpenters fazem agora.
Para aproveitar o Natal, Richard rearranjou Merry Christmas, Darling, porque ele nunca foi bobo. Deu certo, até onde acompanhei, pelo menos na Inglaterra, o álbum chegou à oitava posição na parada.
Carpenters with the Royal Philharmonic Orchestra é totalmente desnecessário, mas, como tem Karen, é essencial.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

TELONA QUENTE 266

Roberto Rillo Bíscaro

Halloween, mãe de todas as franquias slasher, foi a que mais enfraqueceu com as continuações. A partir de Halloween II (1981), houve até um que nem tinha Michael Myers. A tentativa de reformulação por Rob Zombie não me convenceu, até porque o serial killer de Haddonfield não é meu favorito. Meio paradoxal, considerando-se que o original de John Carpenter, de 1978, é um de meus filmes de horror prediletos. 
Já postei mais de uma vez sobre documentários a respeito do Halloween original ou mesmo da franquia. Além de estabelecer algumas das convenções de meu subgênero favorito, Halloween é exemplo de ambientação e força do underground. Admiro como Carpenter e Debra Hill criaram a mulher empoderada no filme de horror e não canso de apreciar a astúcia de como ambos reutilizaram filmes como Black Christmas e Psicose pra criar sua própria mitologia, copiada até hoje. Carpenter sabe que é foda – ele ainda compôs uma das trilhas mais reconhecíveis da história de qualquer subgênero, é mole? – e todas as decisões dos filmes posteriores, atribui aos diretores, mesmo quando está produzindo. Esperto esse John: criou a obra-prima; o que vem depois não repetirá a originalidade, então, é responsabilidade de outrem.
Planejara rever toda a franquia pra poder opinar mais conscientemente sobre o Halloween, lançado há poucas semanas. Sorte que enviei mensagem ao amigo Carlos Eduardo contando que faria isso, porque ele me avisou que a película era continuação direta da primeira. Acho que eu já sabia, mas esquecera, porque parece que lembro que fui eu que enviei a ele o primeiro link sobre a pré-produção, há muitos meses. Mudei TOTALMENTE (fãs roxos do primeiro Halloween entenderão!) a estratégia. Como o clássico estava fresquinho na cachola, lancei-me direto ao Halloween novo.
Acertada a decisão de desconsiderar os detritos inventados durante a franquia pra explicar o inexplicável: porque Michael não morria e voltava o tempo todo a Haddonfield. Criaram parentesco entre ele e a final girl Laurie Strode, que, inclusive, faleceu numa das sequelas. Como é de conhecimento universal, Strode é Jamie Lee Curtis, que há vinte anos afirmara que o filme em que sua personagem finalmente morreria, seria seu último, encerraria ciclo, blá, blá, blá. Ela repetiu a ladainha pra aceitar o Halloween du jour; resta saber se resistirá. O filme rendeu muito, foi elogiado, e, convenhamos, se ela for lembrada por algo, será pelos fãs de horror e não por Um Peixe Chamado Wanda. E como no planeta slasher tudo é possível, Michael Myers pode voltar dos mortos, afinal, um vilão slasher jamais morre ou vira purpurina.
Quarenta anos depois de ser atacada e ter seus amigos mortos pelo maníaco Myers, Laurie Strode é perturbada por traumas não tratados. Reclusa e paranoica, espera pelo retorno do mascarado, que, efetivamente acontece, quando consegue escapar em uma transferência de manicômios. Como qualquer slasher, Halloween está cheio de decisões estúpidas e furões no roteiro, tudo pra possibilitar o que mais ansiamos: mortes. Essas acontecem no ritmo de hoje, a mais merecida é a mais gore, digna de qualquer Victor Crawley pós-moderno.
Roteiro e diretor demonstraram respeito pelo original e pelos poucos fãs de longa data. Ver Halloween 1978 imediatamente antes foi muito útil, uma vez que o filme atual inverte algumas situações, como fazer Laurie voar pela sacada e não Michael e este se esconder num closet e não ela. Até o querido Doutor Loomis é ref(v)erenciado.
Há defeitos, como a dupla de jornalistas do início, cuja função é apenas expositiva e ser carne-moída. O roteiro de Carpenter é bem superior e nem estou considerando o quesito inovação; é na parte braçal mesmo. Mas, por não se desviar do caminho slasher que esperamos, este Halloween é mesmo o melhor, desde 1981.
Oxalá o sucesso de bilheteria enseje nova febre slasher. Totally. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

ALBINO DIDÁTICO

Qual não foi minha surpresa, quando o rapper albino Gaspar me enviou as duas fotos abaixo, pelo Whatsapp! Um dos textos do livro Português - Linguagens, de William Cereja e Thereza Cochar é de uma matéria sobre mim na Revista Época! Tem até foto do Gustavo Lacerda.

Em fevereiro, o Blog do Albino Incoerente completará uma década e só tenho a agradecer por tantos frutos colhidos. 



domingo, 21 de outubro de 2018

“SUPERANDO” O TERRORISMO

Roberto Rillo Bíscaro

Difícil contestar que visões mais extremadas de direita tenham ganhado destaque. Os virulentos ataques ao feminismo e a imigrantes, presentes nos manifestos do terrorista Anders Behring Breivik, por exemplo, hoje são usados em campanhas eleitorais e por “gente de bem” ao redor do globo, sem grandes problemas ou pudores.
Em 22 de julho, de 2011, Breivik chacinou dezenas de pessoas – em sua maioria jovens – na capital norueguesa e numa ilhota adjacente. Já estive em Oslo nesse mês e a sensação de paz, segurança, limpeza é tão grande, que nem sei se dá pra dimensionar o choque surpreso da população com edifício governamental voando pelos ares e molecada metralhada em acampamento de verão. Sem exagero, no primeiro sábado após a volta da viagem escandinava, comentei com amigos quão proporcionalmente mais barulhento é o centro de minha média cidade brasileira, com seus carros de som e lojas berrando seus produtos e música de que não gosto, comparando com a tranquilidade norueguesa.
A Netflix adicionou ao catálogo o longa 22 de Julho, roteirizado e dirigido pelo experiente e humano Paul Greengrass. Nas mãos do britânico, o pesado, comovente e enfurecedor material não vira tablodice sensacionalista. Antes, sua cinematografia algo sombria, adquire ares quase de docudrama.
22 de Julho foi baseado em um livro e paraleliza o julgamento de Breivik à história de recuperação do adolescente Viljar Hanssen, que além da cegueira de um olho e entraves motores terá que conviver com fragmentos de bala no cérebro, que, ao menor deslocamento, podem matá-lo.
O filme não escapa de representar o massacre e o faz logo no primeiro ato. Um dos muitos cuidados respeitosos de Greengrass pode ser observado nessa longa sequência. Lógico que há que registrar o desespero dos adolescentes tentando salvar suas vidas, mas sendo eliminados como moscas pelas rajadas. Mas, 22 de Julho não mostra close ups dramáticos ou montanhas de corpos ensanguentados. É tudo meio de longe, exceto no caso de Hanssen, porque, temos que nos identificar com ele. Digamos que não seja algo muito difícil, a não ser que o espectador seja algum extremista desequilibrado como Breivik.
Mas, para o espectador que se considera mais liberal, cabeça aberta, multiculturalista, legalista, ou qualquer que seja o termo exato, fica uma grande arapuca nos segundo e terceiro atos. Como acompanhamos a dor física e psicológica do lindo Viljar – como não se compadecer com o sofrimento de uma quase criança? – em contraposição aos desconexos discursos do assassino, pode ficar difícil não incorrer no “bandido bom é bandido morto”.
E esse é outro mérito do filme e da Noruega: ambos deram voz a Breivik e garantiram-lhe tratamento e julgamento justos. A ideia de 22 de Julho é de esperança, é de não se tornar como o agressor.
22 de Julho não é perfeito e as mulheres têm do que reclamar, porque a polpuda parte misógina dos manifestos de Breivik foi suprimida. Além disso, embora o forte tom xenófobo não seja ignorado pelo roteiro, a única personagem que poderia dar voz à mulher norueguesa não-caucasiana é secundária aos machos adultos brancos machucados em mais de um sentido, que compõem o centro da narrativa.
Em uma produção falada em inglês, interpretada por elenco norueguês, nem todos os atores estão confortáveis o bastante para interpretar convincentemente. Isso não estraga a obra, mas para entendedores de inglês, às vezes, o sotaque é carregado demais e fica meio artificial. Isso é preço bem pequenino a se pagar por ter um produto mais acessível ao mercado internacional e atuado por gente que tem mais conexão com o representado.
Destaque tem que ser dado ao jovem Jonas Strand Gravli, que interpreta Viljar Hanssen. Mesmo atuando em idioma que não é o seu, o ator consegue transmitir todo o tormento emocional e físico que a personagem experiencia por tantos motivos, após o ataque e durante sua longa e dolorosa recuperação. E é em Viljar que Greengrass representa a questão da possibilidade de “superar” trauma tão devastador. Provavelmente, como no caso da guerra (First They Killed My Father, na Netflix, é ótimo exemplo), não dê para falar em superação, mas em convivência com os fantasmas e transformação da dor em militância para um planeta melhor.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

CAIXA DE MÚSICA 326


Roberto Rillo Bíscaro

Nas cada vez mais raras vezes em que é lembrado, A Flock Of Seagulls costuma vir à tona, quando se fala em artistas de apenas um sucesso, dos anos 80 ou para ironizar seus penteados estapafúrdios. Considerando-se que dois de seus fundadores eram cabeleireiros, eles deveriam tomar isso como elogio, até porque deram sorte de surgir praticamente juntos com a MTV. Assim, seu visual chamativo propulsionou o breve sucesso de massa, concentrado em 1982.
Formado em Liverpool, em 1980, o quarteto nunca fez tanto sucesso em seu país natal, por isso Mike Score vive nos EUA até hoje. Foram três álbuns entre 82-4 e desde então incontáveis mudanças de formação, desavenças, pitis, muitas turnês capitalizando o saudosismo oitentista e, volta e meia, menção aqui, outra acolá ou algum sucesso usado em comercial ou vídeo-game. Mesmo sem lançar álbuns, A Flock Of Seagulls (AFOS), aka Mike Score, se manteve na periferia dos radares pop.
Sem condições de adquirir rádio FM até 1983, por pouco não vivi o apogeu de I Ran, mas jamais esqueço de quando ouvi Transfer Affection, single do álbum Listen (1983), que também trouxe outro clássico, Wishing (If I Had a Photograph Of You), embora não me lembre dessa tocando nas rádios do interior paulista. Varridos das rádios pela metade da década, só reouvi Transfer Affection, na era do Youtube.
Não tenho hábito de escutar AFOS, mas quando percebi, totalmente ao acaso no Spotify, que havia álbum deste ano, deu vontade de baixar pra ouvir offline na caminhada de fim de tarde.
Agora sem cabelo, o quarteto original se reuniu para gravar Ascension, lançado dia 6 de julho. É a primeira vez que o AFOS de verdade se junta, desde a dissolução há mais de 30 anos. Seguindo a tendência orquestral de Visage e Midge Ure (só pra citar os resenhados no blog), os britânicos regravaram seus sucessos, acompanhados pela Sinfônica de Praga. Incidentalmente, não custa lembrar que o levantamento da Cortina de Ferro abriu todo o leste europeu e a fragmentada União Soviética pros artistas 80’s já em baixa no ocidente. Juntou fome com vontade de comer: os ex-comunas gulosos de viver, mesmo que com atraso, as delícias da Década Perdida (grrrrr) com velhas estrelas pop sequiosas por mais alguns momentos de fama e dinheiro. Então, talvez não seja mero acaso que o Orchestral, do Visage, tenha sido gravado com a mesma orquestra acompanhante do AFOS.
Assuma-se o quanto se quiser qualquer atitude de condescendência cool em relação ao “comercialismo” do AFOS, mas sua sonoridade cruzada entre Kratfwerk e (pós)-punk, com restolhos visuais, temáticos New Romantic, é uma das características dos três, quatro primeiros anos da década. O frio fluxo incessante de teclados é entrecortado e sobrepujado por crispas de guitarra gélida, baixão meio sombrio, bateria marcada e vocais robóticos, despersonalizados. Sem contar os diversos tremeliques e barulhinhos da produção, que aqui no Brasil, sempre em dia com seu atraso, persistiram a década toda.
Com Ascension, AFOS prova ser cônscio de seu papel como um dos ícones – para o bem e para o mal – do som e imagem dos 80’s: ao invés de reinventar as canções, o quarteto original regravou-as o mais fidedignamente possível, com todos os maneirismos de produção de então. A orquestra serve para dramatizar, fortificar, adocicar, criar introitos e intermezzos, como é o literal caso da faixa-título, única inédita do álbum, curto número orquestral antecedendo a hipnótica Wishing (If I Had a Photograph Of You), que inicia teutônica, mas cujo tratamento orquestral confere arzinho de Jean-Michel Jarré, fase Les Concerts en Chine, de 1982, aliás. Zeitgeist é vida.
Faixas dançantes continuam puláveis; Ascension não pretendeu conferir “dignidade” orquestral a delícias como I Ran, Modern Love Is Automatic, Telecommunication, Nightmares (que baixo lúgubre!), DNA ou Electrics. Mesmo algumas mais lentas, como Space Age Love Song; The More You Live, The More You Love (resplandecente) e Transfer Affection não são baladas, mantém aquela fluidez deslizante dos jovens que cantavam um futuro imaginado de amores computadorizados, eletricidade de neon, mas sempre com o holocausto nuclear como horizonte possível. E é esse caráter distópico da ficção-científica do AFOS, que encerra o álbum com Man Made e seu casamento de Kraftwerk com Joy Division.
E como a caminhada rendeu com Ascension! Coincidência que escolhi a quadra de minha velha escola de Ensino Médio (na época não se falava assim, era Segundo Grau) para circular, enquanto o ouvia? Na EEPSG Adelino Peters estava, quando os temas e sonoridades do AFOS viveram seu auge. Enquanto a batida robotizada da New Wave aligeirava meus passos ao redor da UE, na qual também lecionei, cada timbre e modo de tocar me lembravam bandas ainda mais esquecidas, como Azul 29 e Eletrodomésticos.
Sorri ao comparar a tecnologia louvada da época, que decerto nem sonhava ainda com o smartphone conectado ao serviço de streaming, emitindo suas ondas via bluetooth pra meus fones de ouvido wireless. Saudosista com qualquer coroa, não chego a dizer que antigamente era melhor. Mas, que quando começou Transfer Affection deu um aperto no coração. Por mais antenado que tente ser, ele sempre pertencerá àquela década, jamais perdida na memória de nós que a amamos tanto.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

CAIXA DE MÚSICA 321


Roberto Rillo Bíscaro

Em 1978, Maurício Maestro (contrabaixo e vocal), Zé Renato (violão e vocal), Cláudio Nucci (violão e vocal) e David Tygel (viola 10 cordas e vocal) formaram o Boca Livre, que já naquele ano participou do disco "Camaleão", de Edu Lobo.
Sem atrair as grandes gravadoras, o grupo lançou de forma independente, no ano seguinte, o LP Boca Livre, que ultrapassou a vendagem de cem mil cópias, marco inédito na música independente da época, com destaque para as canções Toada e Quem Tem a Viola. Tocou tanto que até hoje sei a letra de Toada. As harmonias vocais do Boca eram incríveis e ainda me encantam as influências de Bossa Nova e Clube da Esquina.

Em junho de 1980, Claudio Nucci anunciou carreira-solo e ano seguinte saiu seu álbum de estreia. Ele fez sucesso nas rádios na primeira metade da década com canções como Quero-Quero, Acontecência, Pelo Sim Pelo Não e A Hora e a Vez, embora à época dessas duas últimas, 1985, eu fora cooptado por Duran Duran, Phil Collins e odiava Roque Santeiro, novela das quais foram trilha.
O pop brasileiro varreu das FMs praticamente toda a geração da virada dos 70’s pros 80’s, a não ser os que se adaptaram meio bregamente, como Zizi Possi e Fafá de Belém.
Desconectado da música nova de Nucci, jamais deixei de ouvir os “clássicos” de minha puberdade e sabia de lançamentos. Agora, até ouço as de Roque Santeiro, embora menos do que Levezinho ou qualquer outra do primeiro álbum, porque os arranjos nele são bem mais orgânicos. 
Há muitos anos sem lançar álbum autoral, Claudio Nucci apresentou dezena de composições novas no álbum Integridade: parcerias com Felipe Cerquize, produção independente, lançada em março. Cerquize é poeta e compositor carioca; responsável pelas letras que agradarão em cheio aos amantes da MPB dos trocadilhos, aliterações e jogos de palavras. A letra de Rio de Março, samba ipanêmico duetado com Zelia Duncan, é um dos exemplos mais requintados da proficiência do letrista, demonstrando a relação de amor/ódio pelo/para com o Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Rio degenerou, Rio regenera)
Integridade é predominantemente sambado: 9 faixas exploram elementos do ritmo nacional, podendo ir desde o samba com toques antilhanos dados pelo piano de Antônio Adolfo, em Certeza, ao samba-fossa, de Sempre Só, dueto com Lenine, com direito à sax tenor e tudo. Olhos D’Água meio que une a ruralidade do Boca Livre ao sorriso e à flor bossa-novista, até porque Roberto Menescal participa.
Fluente na linguagem sambista, Nucci reserva o único momento longe do subgênero para um encantador dueto com seu filho Vicente. Sentimentos é tapeçaria de cordas e gaita, de folk MPB. Acaba se destacando da dezena de novidades, não apenas pela beleza intrínseca, mas pela própria diferença das demais.
Integridade não é apenas o nome de seu mais recente álbum; mas descreve sua carreira como um todo, por manter-se fiel ao que considera música boa e bem-feita. Tomara que Claudio Nucci não passe outros vinte anos sem soltar material próprio.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

CAIXA DE MÚSICA 318


Roberto Rillo Bíscaro

Dia 16 de abril, o Brasil perdeu uma de suas sambistas mais tradicionais e queridas, Dona Ivone Lara. Bem nessa época, lia a dissertação de mestrado As transformações na música popular brasileira: um processo de branqueamento, que denuncia a crescente exclusão de músicos afrodescendentes do centro de nossa música popular.
Não posso dizer que curta Carnaval, sambões, escolas de, e provavelmente caia no gosto branqueado denunciado pelo trabalho de Patrícia Crepaldi. Sambinhas “adestrados” com sabor de MPB bem-comportada, Bossa-Nova e algumas aventuras de nossa música-símbolo nacional pelo exterior, como Half a Minute, do Matt Bianco, tudo isso ouço sem problemas.
Curioso, resolvi pesquisar o que havia de novo e grátis nesse mundo e encontrei material interessante e variado. É samba em diversos registros, que compartilho com os leitores.

Quem curte vozes femininas suaves e melodiosas cantando bossa nova e sambas de raiz, de roda, canção e variações, deveria conhecer Andiara Freitas. Nascida no Rio Grande do Norte e atuando pelo Nordeste (mas, não só), desde fins dos anos 1990, Andiara tem dois álbuns.
Em 2014, saiu Samba da Minha Terra, onde interpreta compositores de seu estado natal. Em 2016, seu escopo aumentou e isso se reflete no título: Todos os Sambas. Nesse trabalho, Freitas canta compositores de várias regiões, além de receber convidados.
Os dois trabalhos estão em seu site:



O samba de Douglas Germano é denso e algo soturno, às vezes. Meio neurótico, com letras até sobre acidentes de trabalho. Decerto, porque o batedor de caixa de fósforo (tem nos álbuns) é nascido, criado e formado na megalopolitana São Paulo, onde a pegada é mais tensa mesmo.
Germano já foi gravado por Elza Soares e indicado ao Grammy Latino. Individualmente, tem dois álbuns. Orí é de 2009 e tem batidas João Bosco e Nogueira, influências perceptíveis. Mas, Germano também deve curtir os afrossambas e outros subgêneros.
Isso fica ainda mais evidente no seu segundo solo, Golpe de Vista (2016). Tem hora que evoca flamenco, mas o cerne é samba, mais tenso e nervoso que o do álbum de estreia e temperado com saxofone e trompete, além da amalucada caixa de fósforo e do cavaquinho febril. A produção às vezes equivale a um wall of sound de cordas sambadas.
Em seu site, além desse dois álbuns-solo, você também baixa de graça o de seu Duo Moviola, de 2009. Com Kiko Dinucci, Germano soltou um samba bem paulistano, que casou Adoniran Barbosa com o vanguardismo de Itamar Assunção. Letras bem-humoradas e sacadas. Quem curtia Premeditando o Breque, gostará.



Em 2016, destaquei com prazer o álbum de estreia d’ATroça Harmônica, que também pode ser baixado grátis no site do grupo.
Ano passado, Chico Limeira lançou álbum-solo homônimo. Seus sambas de vários estilos e choros veem com discretos elementos de outros estilos, como guitarra fazendo a vez do bandolim em uma ou outra faixa e órgão meio psicodélico, meio de inferninho “brega”. Nada gritante que altere ou “desfigure” o samba, mas Limeira soube bem como traduzir em samba as tantas influências musicais que rapazes solucionados trazem hoje em dia.
O álbum está disponível aqui para download grátis:



Para os mais aventureiros e vanguardistas, a pedida é o inquietante Sambas do Absurdo (2017), colaboração entre Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis. 8 faixas chamadas Absurdo, diferenciadas por um número. Tem hora que o álbum poderia ser descrito como Leila Pinheiro numa bad trip. Só que bad, nesse caso, nada tem a ver com a qualidade da música, letras ou interpretação, que são excelentes. Bad no sentido de que em alguns Absurdos, Campos pulveriza o samba e o infesta com samplers, súbitos barulhos lúgubres, guitarreiros nervosos. Mas, não é barulheira rock: é MPB avant-garde, claustrofóbica, às vezes; doce, outras. De longe, meu favorito nessa pesquisa sambista. Isso não significa que seja o melhor, apenas que como fã de prog rock, talvez isso me soe mais familiar, só isso.
Sambas do Absurdo pode ser baixado na página de Juçara Marçal.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

PAPIRO VIRTUAL 125


Roberto Rillo Bíscaro

O primeiro contato com Milton Nascimento foi quando o Fantástico apresentou Ponta de Areia, provavelmente em 1975, ano do lançamento do álbum Minas, contêiner da canção. Pode ser truque mnemônico, mas recordo direitinho do narrador explicando que Minas Gerais já tivera saída pro mar, contextualizando a letra e também da belezura do coro infantil e daquela vocalização inicial de Milton, que me extasia até hoje. Se tudo ocorreu assim, tinha então oito anos de idade (mas já era fã(nático) pela gritaria psicodélica de Gal Costa e tinha disco dos Secos & Molhados).
Embora sem comprar seus discos, a “turma de Minas” sempre me agradou mais do que a da Bahia ou qualquer outra invencionice mercadológica pra criar grupos e movimentos. Como amo Genesis e Yes acima de tudo, não estranha a preferência pelos beatlemaníacos do Clube da Esquina (embora eu mesmo nunca tenha amado Lennon e Cia.; sou pós-Liverpool).
Logo depois da remasterização do álbum Minas, no Abbey Road, um aluno de inglês me o emprestou. Conhecedor de canções soltas ou coletâneas, quase enfartei de emoção; que sofisticação, que coisa mais progressiva de viver. Não me surpreendeu, porque isso só ocorre quando não esperamos nada de algo/alguém. Desde 1975 sabia que Nascimento era muso, só não tinha condições de comprar os álbuns, porque tinha prioridades muito bem definidas e orçamento apertado. A internet democratizou acesso e hoje conheço muitos discos do povo do Clube da Esquina.
Tinha minhas assunções sobre essa formação cultural mineiro-cosmopolita, mas jamais lera estudo até deparar-me com Na esquina do mundo: trocas culturais na música popular brasileira através da obra do Clube da Esquina (1960-1980), tese de doutoramento de Luiz Henrique Assis Garcia, defendida em 2007, na UFMG.
Por se tratar de texto acadêmico, o historiador tem que brecar a História a fim de esmiuçar conceitos e justificar ideias, mediante uso de teóricos como Raymond Williams, Nestor García-Canclini, Angel Rama e Renato Ortiz. Mas, isso só torna seu trabalho mais útil, porque fazemos um 2 em 1: aprendemos ideias sobre cultura e as vemos aplicadas na história recente de nossa música popular, que em algum momento dos anos 60 teve parte chamada de MPB e outra porção bem maior, desqualificada de várias maneiras.
O trabalho de Assis Garcia identifica o processo de internacionalização da música popular com o avanço dos mass media ao redor do globo e identifica os efeitos que isso teve num Brasil que nos anos 60 estava polarizado em debates calorosos entre o “nacional” e o “estrangeiro”; o “popular” e o “erudito”; o “engajado” e o “alienado”. Havia canção de protesto com personagem-pescador, cujo autor sequer sabia pegar numa vara; havia a galera do Tropicalismo, que começara mansa e certinha, mas radicalizou usando psicodelia e guitarras como elementos de choque. Mas, que “enfrentava” o sistema amando aparecer nele o mais possível.
Enquanto isso, na provinciana-cosmopolita Belo Horizonte, grupo de jovens da classe-média usava todas as referências com as quais crescera, que ia desde música sacra à psicodelia e as sintetizava num som que, no começo rotulado de “misterioso”, passaria a ser bússola e compasso da hibridez de “bom gosto” que caracterizaria o pico comercial da MPB, que duraria a segunda metade dos 70’s até o advento do “rock” brasileiro dos anos 80. 
A tese não é uma história do Clube da Esquina, até porque a ideia duma confraria é mais conveniente constructo midiático do que realidade de “movimento”. A galera era amiga, gravava junta, mas cada um na sua, especialmente Milton, que bombou internacionalmente. Seria interessante ler algo sobre o lado B disso, ou seja, fricções internas, exclusões (será que não ficou alguém de fora do compadrio endêmico brasuca?), mas a colocada nos trilhos que proporciona o trabalho do fã confesso Garcia (não se pode perder isso de vista) é muito eficiente, eficaz, oportuna e interessante.
E olha que legal: Na esquina do mundo: trocas culturais na música popular brasileira através da obra do Clube da Esquina (1960-1980) pode ser lida/baixada gratuitamente, no site


domingo, 18 de fevereiro de 2018

SUPERAÇÃO NO GELO



Roberto Rillo Bíscaro

Quando vou ao supermercado aqui em Penápolis, sempre me muno de trilha-sonora: detesto o sertanejo que sai das caixas de som, na maior parte das vezes. Nada contra quem curta, mas se puder, evito.
Deve ter sido antes do Natal, que fui a um deles á noite, com um amigo, e, portanto, sem os inseparáveis fones de ouvido. Por macromilagre, tocava uma seleção de lentas anos 70/80. Não digo que menos brega que os sertanojos, mas pelo menos, pra mim relembram a infância. Na playlist, Looking Through the Eyes of Love, da Melissa Manchester. Nossa, quase me debulhei em lágrimas por entre as gondolas de farinha e maisena. O amigo apenas três anos mais jovem perguntou donde era mesmo aquela música e expliquei-lhe que do filme Castelos de Gelo (1978).
Em 1975, a Universal rachara de ganhar dinheiro com Uma Janela Para o Céu, baseado na história real da esquiadora Jill Kinmont, que ficou paraplégica. A Columbia não queria ficar pra trás e saiu-se com Castelos de Gelo história ficcional bem menos triste, mas totalmente sintonizada com superação.
Alexis Winston é patinadora no gelo nata, perdida numa cidadezinha no estado de Iowa. Aos 16 anos já é meio velhusca pro esporte, mas uma treinadora badalada a descobre numa competição regional e a recruta. Em meses, Lexis torna-se estrela promissora, certeza de medalha na vindoura Olímpiada de 1980. Mas, um acidente bobo deixa-a quase cega. Será que patinará novamente? Em se tratando de filme estadunidense e desta seção do blog, claro que sim!
Castelos de Gelo é perfeito pra quem curte histórias chorosas de superação. Neste caso, há mais de uma, porque ela supera a idade, a cegueira, o medo. Sem contar as lindas cenas de patinação no gelo e a canção-tema.
Castelos de Gelo foi o maior (único?) sucesso do diretor Donald Wyre. O filme tem fãs até hoje.
Em 2010, o diretor refilmou-o pras novas gerações, afinal, hoje o cine tem outro ritmo. Produção diretamente pra DVDs, Ice Castles foi o último trabalho de Wyre, falecido aos 80 anos, em 2015.
O Castelos de Gelo do século XXI, a despeito do chororô de mais velhos, é superior ao de 1978, exceto pela interpretação da canção-tema (sou velhusco também, alguma coisa tinha que entregar a senioridade, né?). A história é a mesma, com mudanças apenas pontuais, tipo, hoje jogam-se ursos de pelúcia nos rinques de patinação; ao passo que em 78, rosas. O resto tá igual, mas com passo um pouco mais ágil, narrativa mais curtinha e mais bem atuada, inclusive com Henry Czerny, o Conrad Grayson, de Revenge.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

CAIXA DE MÚSICA 292


Roberto Rillo Bíscaro

Durante os anos 80, um senhor barbudo com voz rouca e parecendo um anão de jardim, conquistou-me diversas vezes com baladas, temas de filmes e novelas globais: Up Where We Belong, Edge Of a Dream, Even a Fool Would Let Go, Don’t You Love Me Anymore são amadas e escutadas até hoje. Provavelmente a coisa mais “pesada” foi o R’ n’ B meio domesticado de Unchain My Heart. Pelo Som Pop ou símile já ouvira o definitiva cover de With A Little Help From My Friends, dos Beatles, que entrou de vez pro imaginário de muitos atuais 50tões brasucas, por ser tema de abertura da série Anos Incríveis. Mas ouço/adoro muito mais as baladas.
A escassa mídia à mão naquele tempo aqui no interior afirmava que o melhor de sua carreira já passara, e que o britânico a destruíra devido ao abuso de substâncias químicas. Nunca me importei em saber detalhes ou conhecer muito além do mencionado. OK, You Are So Beautiful tocava sempre nos programas de flashback (recentemente ainda a ouvi num carro sintonizado num desses programas), mas, quando desisti de ouvir rádio em algum momento dos 90’s, perdi contato com Joe Cocker. Sabia que lançava álbuns, percebi que seu visual ficava cada vez mais domado – tipo de senhorzão alinhado mesmo – mas não escuto nada “novo” há uma geração. Soube que participou do jubileu não sei do que da Rainha, compartilhei vídeos de minhas baladas favoritas, quando morreu de câncer no pulmão, em 2014, mas Joe pertencia aos cristalizados anos 80
Creio que assim permanecerá; suspeito que jamais pintará ímpeto de conhecer muito do que veio antes ou depois. Mas, isso não seria motivo pra eu deixar escapar Joe Cocker: Mad Dog With Soul, documentário deste ano, da Netflix, que traça perfil bem chapa-branca do fã de Ray Charles e Aretha Franklin, nascido na industrial Sheffield. Os 90 minutos de depoimentos e imagens de arquivo funcionam mais como tributo (merecido) e cronologia pra quem deseja conhecer medianamente sua carreira.
Catapultado ao semi-endeusamento pela seminal performance em Woodstock, Cocker começou megaturnê pelos EUA, onde não ganhou dinheiro, mas era tanta doideira que afetaria sua vida pessoal por décadas, porque foi nela que o cantor se viciou em tudo quanto lhe davam. A partir daí, amigos, parentes e colaboradores pintam boa autoimagem, além de construírem Joe como alma extremamente gentil, incapaz de dizer não ao que lhe empurravam goela ou nariz abaixo; incapaz de lidar sobriamente com as tais pressões do estrelato e do show bizz. Enfim, é a visão goethiana do artista genial consumido pela arte. Nem o feroz mercado fonográfico parece ter culpa alguma: como Cocker era sensível e afável demais, era antena pronta pra captar quaisquer vibrações negativas.
Psicologicamente é retrato por demais raso e o coloca mais como receptor do que como agente. Rita Coolidge afirma que na primeira turnê Cocker chegou a ser ameaçado fisicamente pelos organizadores, quando tentou desistir. Quando é preciso dizer que despediu seu empresário de anos por carta e nunca mais falou com ele novamente, a coisa fica só nisso. Joe era impulsivo, decidia algo e pronto, não há análise. Até parar de beber foi assim; bateu um clique depois de velho e parou facilmente. Fodástico, heim?! Joe Cocker: Mad Dog With a Soul não vira tabloide, porque evita mergulhar no lado sombrio; mostra apenas a superfície.
O documentário jamais entrará pra listas de mais influentes sobre roqueiros, mas se você, como eu, só queria mesmo um panorama da carreira, até que serve. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

CAIXA DE MÚSICA 288


Roberto Rillo Bíscaro

A psicodelia sessentista nunca morreu. Vai bem até hoje, enlouquecendo o underground e vindo à superfície disfarçada, de quando em vez, em álbuns pop, como no mais recente do Foster The People. No Brasil, segue circulando também, vide exemplo da paulista Bike, que lançou segundo álbum este ano e já fez até turnê pela Europa.
Na segunda metade dos anos 80, a Grã-Bretanha viveu surto psicodélico, então acrescentado do prefixo neo. Claro que bandas fundamentais do universo indie, como o Echo & The Bunnymen, utilizaram muito da cartilha psicodélica em seus álbuns iniciais, no começo da década. A reabilitação da guitarra em um mundo sinthpopizado, feita por Smiths e Jesus And Mary Chain, além de Echo, Cure e outros levou a um estouro de guitar rock na segunda metade da década. Misturando anos 60 com as jangling guitars de Johnny Marr, as distorções reverberadas do seminal Psychocandy (1985) e até o white noise domesticado em forma de arte pelo Cocteau Twins, uma porrada de grupos desabrochou a partir da chamada Class Of 86. Na verdade, a profusão de rótulos aumentava proporcionalmente ao número de bandas que o fértil celeiro britânico armazenava. The Telescopes, House Of Love, Soup Dragons, era um nome atrás do outro que líamos na Bizz, sem conseguir obter os singles/álbuns.
De vez em quando, aparecia messias que salvaria o “puro” e tadinho rock, contaminado, vilipendiado, humilhado devido ao império da música dançável sintetizada durante toda a década de 80, que fecharia com o estouro lisérgico da acid house, que fez com que os Soup Dragons regravassem sucesso dos Rolling Stones em clima bem dance rock, que subiu ao topo das paradas oficiais em 1990 e tocava até em pistas de dança da distante e petiz Penápolis.
Um desses salvadores da pátria roqueira britânica foi o Ride, formado em 1988, na universitária Oxford, por Mark Gardener (vocais e guitarra), Andy Bell (vocais e guitarra), Steve Queralt (baixo) e Laurence Colbert (drums). Esse Andy Bell não é o do Erausre, mas seria o do Oasis. Quando os Stone Roses morreram na praia – que hype fizeram em cima dessa banda mediana, Jesus! –  o clima meio onírico chapado e certa postura de “tô nem aí” no palco, garantiram que a imprensa musical inglesa entronasse o quarteto como reis do shoegaze, título que sempre refutaram.
Em 1990, o hoje semiesquecido Ride era a salvação. Essa posição não se manteria por muito tempo; caíram em desgraça mais celeremente do que viraram queridinhos. O sucesso nunca passou muito dos confins indie, as desavenças internas não demoraram, o desgaste das turnês e o atropelamento pelos trens grunge e britpop obsoletaram seu som quase de hora pra outra. Em 96, saiu o fiasco Tarantula e depois cada um seguiu seu caminho.
Com o fim dos Smiths, em 87, e a decadência do Cure, Siouxsie e dos astros pop oitentistas, parei de atentar pra cena “nova”, acho que a partir dos Stone Roses. Desse modo, não vivi a onda das bandas de nome curtinho tipo Ride e Lush. Escolhi não experimentei grunge ou britpop, porque passei os 90’s colecionando material dos membros e ex do Genesis, ouvindo prog rock e resquícios oitentistas. Claro que conhecia Smells Like Teen Spirit, do Nirvana e Alright, do Supergrass, mas preferia ouvir Steve Hackett (até hoje). Só na era da net que ouvi várias coisas 90’s com mais atenção, inclusive o Ride. Nada marcou a ponto de sempre escutar, porém.
Mas, quando li que retornaram com Weather Diaries, dia 16 de junho, deu aquela nostalgia, afinal início dos 90’s ainda era 80’s. Ouvi o single Charm Assault e pirei. Ficou no repeat e decidiu o imperativo de ouvir as 11 faixas dos já (quase) 50tões. E não é que os coroas ainda dão boa descarga de oníricas harmonias vocais e instrumentais temperadas em viajante psicodelia contida pra ser palatável a apreciadores do formato canção indie rock? Confira a linda Cali.
Lannoy Point abre criando clima, introduzindo instrumento atrás do outro pra criar atmosfera bem apropriada pra entrada em palco, até que bateria bem 1986 entra com guitarra e baixo e as coisas ficam típicas da cena inglesa dos late 80’s/early 90’s. Não demora prum solo de guitarra todo jangling encantar. Desculpem usar o inglês jangling, mas pra mim essa é a única definição pra esse tipo de guitarrada. Charm Assault vem em seguida; ponto alto do LP. Irresistivelmente pra bater cabeça e cabelão e prova – pra quem esquecera ou não sabia – de que o Ride deve muito ao My Blood Valentine.
A vibe mais pra cima – dentro do possível pro brumoso Ride – das 2 primeiras canções engana quem esperava disco no estilo. As 9 faixas restantes são bem mais lentas, nada dançantes, apresentando vários andamentos e versões de algo como psych-ballads, tipo Home Is A Feeling, Impermanence ou White Sands. All I Want está nessa categoria, mas abre com o maior tropeço do álbum: pra que aquele truquezinho pop de boy band de botar vocal em eco no começo? Não combina com o esfumaçado hipnótico do resto. Muito melhor é a faixa-título, que em seus quase 7 minutos mantém a característica de psicobalada, mas ao final, uma avalanche de estática literalmente destrói a melodia, deixando apenas fragmentos de cordas. Grande faixa.
Rocket Silver Symphony tem 2 minutos de ambiência space rock pra se transformar em psicodelia com incrustações de estrutura repetida de krautrock/Kraftwerk, que, como sabemos influenciou muito da EDM, que também informa a canção. Nesse caso os vocais com eco funcionam, porque dentro de padrão apropriado. Lateral Alice é psicodelia anos 60 trombada com um mundo pós-Jesus And Mary Chain. Guitarras graves e bateria avalanchada dão-lhe notável energia. Integration Tape utiliza fragmentos sônicos e white noise de ninar, pra estabelecer seu clima de viagem interssensorial.
O tempo nesses diários é nublado com bruma chuvosa, um dos traços distintivos de muitas bandas etiquetadas shoegaze. Essa cerração sônica permeia as 11 faixas de um álbum que colocou o Ride no décimo-primeiro lugar da parada inglesa. Nada mal e eu que os cria semiesquecidos.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

TELINHA QUENTE 280


Roberto Rillo Bíscaro

Nem o fuá cercando a versão fílmica da Mulher Maravilha – seu sucesso de bilheteria e parece que até entre críticos, além do suposto baixo salário recebido pela atriz que interpreta a empoderada – me atiçou a curiosidade em vê-lo. Sequer chequei se as alegações monetárias são verdadeiras ou se a crítica gostou; não sei o nome da atriz. Não me interessa nem em mais remoto âmbito.
Houve época em que o garotinho Roberto Rillo Bíscaro era fã da Mulher Maravilha, porém. Isso por volta de 1977-8, quando a Globo exibia a série, cuja primeira temporada foi originalmente mostrada pela ABC e as segunda e terceira, pela CBS (essa inconstância marca toda a produção). Saber que a super-heroína criada em 1941 por Charles Moulton retornara, deu vontade de rechecar a série.
Os anos 1970 eram propícios pra levar personagem feminina protagônica pras telinhas. Representar/lucrar com o ascendente feminismo estava em alta e a Woman’s Lib felizmente trouxe mulheres fortes e ativas pro cinema e TV. Sitcoms como The Mary Tyler Moore Show, mas também programas de ação como Mulher Biônica, As Panteras e Police Woman. Fenecia a época em que os machos tentavam impedir o poder feminino, como nas sessentistas A Feiticeira e Jeannie é um Gênio. Os 70’s eram a época do não provoque, porque é cor de rosa-choque.
O seriado da Mulher Maravilha, que durou de 1975 a 79, legou atriz eternamente estereotipada como a personagem – a ex-Miss Mundo e futura alcoólatra Lynda Carter – e fez muito sucesso, gerando ícones da cultura pop como a canção-tema (executada com letra apenas na primeira temporada) e o giro pra se transformar de Diana Prince em Wonder Woman (a versão que grudou no imaginário também é a da temporada de estreia).
No Brasil, o sucesso foi tanto que rendeu até paródia no programa Brasil Pandeiro, que Betty Faria comandava, em 1978. Maria Maravilha era a versão pobre da norte-americana. Maria trabalhava numa lanchonete e quando girava e gritava saravá, se metamorfoseava na super-heroína. Eu lembrava de Maria Maravilha, mas não do Brasil Pandeiro, mas pra quem nem faz ideia do que escrevo, veja trecho: 

Não dá pra caçoar muito do mambembismo da produção global, que afinal, era sátira. O original norte-americano, que se queria sério, é difícil de recomendar pra jovens e crianças atuais: mambembice de primeiro mundo, mas gambiarra pura na maioria das vezes. Claro que não revisito esses shows em busca de reproduzir emoções vividas na época da exibição – eu tinha 10 anos, se conseguisse tê-las de novo, precisaria recorrer a um terapeuta urgentemente. Vejo-os, porque me interessam programas antigos, que podem ser bons, veja o caso de The Streets Of San Francisco. Mas, Mulher-Maravilha não era a não ser pela temporada inicial, que ainda tentava ser mais quadrinhos e tem o charme de ser durante a Segunda Guerra. Faltava grana pra produção – continua irrecomendável pra jovens – mas tinha seu charme. As outras 2 são bem pobres.
A temporada 1 chamou-se Wonder Woman e nela vemos a partida da super-heroína da Ilha Paraíso, sua chegada a e adaptação em Washington e sua parceria protetiva com Steve Trevor pra lutar contra o perigo nazista. Não é à toa que o giro e a canção-tema lembrados sejam os dessa época; eu mesmo não recordava de nada das demais temporadas, mas lembrava até do nome duma coadjuvante, chamada Beatrice Colen. Sabe aquele lance de ver a imagem e pensar, “nossa, é mesmo!”? Assim que aconteceu, quando vi seu nome dentro da estrelinha da animação na introdução.
O it (lembram quando isso era sinônimo pra charme?) é que os episódios não escondem que são quadrinescos; tem até aquelas legendas amarelas, tipo “mais tarde, no QG de não sei onde”. A interação entre Diana e Steve é bem mais fluida, de vez em quando aparece o Jato Invisível, cujo teto é tão baixo que quase bate na cabeça da Mulher-Maravilha e tem música de elevador como trilha-sonora e em um par de episódios as Amazonas, inclusive sua irmã Drusilla, a hoje esquecida, mas então estreante Debra Winger. É bem cult, mas as audiências de hoje provavelmente se suicidariam por tédio, porque a heroína aparece por uns 10 minutos num episódio de mais de 40. O resto é tudo falação e quando chegam as cenas de ação, amador pra cacete. As coreografias de lutas com Carter ou seu dublê eram pobres de doer.TV há 40 anos não era Netflix ou HBO: geralmente era pra fins de carreira, inícios a serem “esquecidos” ou relembrados com ironia divertida, ou pra quem não tinha talento/contatos pra entrar em Hollywood. Então, orçamentos eram parcos, porque a visão dos canais e produtoras era mesmo produzir entretenimento barato pra ser exibido entre o que realmente interessava, os anúncios.
As 2 temporadas seguintes chamaram-se The New Adventures Of Wonder Woman, porque o estúdio decidiu remaquiar o show por completo, que agora se passava na contemporaneidade e tinha Diana Prince trabalhando como agente governamental da IADC, que supostamente tinha a função de resolver casos de alta prioridade. Más (será?) línguas dizem que o estrelato subiu demais à cabecinha linda de Lynda Carter, que exigiu menos espaço a seu colega Lyle Waggoner. Ele nunca confirmou o rumor, mas num documentário que acompanha o DVD da série completa, Linda lamenta não o ter “conhecido melhor”, por falta de tempo (ô dó!). Ele não aparece em nenhuma das featuretes que bonificaram a box-set da Mulher Maravilha. Fato é que depois da temporada primeira, Steve Trevor aparece e faz cada vez menos. Pra explicar a presença do mesmo rosto 30 anos após a Segunda Guerra, improvisaram que esse Steve Trevor era o Júnior. Será que se filmada hoje, dariam o papel de galã prum ator de 40 anos não-bombado?
À falta de recursos e pobreza coreográfica somou-se total ausência de rumo. As temporadas são amostras públicas de produtores procurando um tom pro show, ou antes, tentando erraticamente adaptar a Mulher Maravilha à alguma fórmula ou trejeito de sucesso. Tem grupo de episódios, onde Diana e Steve se reúnem numa sala com um chefe invisível, à moda das Panteras; em outros há um robozinho engraçadinho (poooooodre!) à Guerra Nas Estrelas; há um em que parece que nova roupagem será vestida, porque Diana se muda pra Los Angeles e novo chefe é apresentado (o ator é gordinho, nada galã como Waggoner; más línguas, dona Lynda Carter?) e um garotinho negro desponta como alívio cômico, tudo pra que no episódio seguinte ela siga vivendo na capital estadunidense.

A despeito das tramas fracas e mediocridade geral, Mulher Maravilha tem na simpatia de Lynda Carter seu trunfo pra nós que aprendemos a amá-la na meninice. Desindicado pra juventude atual, mas como viagem memorial pra 50tões, episódios da Wonder Woman ainda valem a pena. Mas, tem que ser aos poucos.

terça-feira, 25 de julho de 2017

TELINHA QUENTE 269

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Roberto Rillo Bíscaro

Último janeiro, visitei São Francisco pela segunda vez. Acho a cidade da Costa Oeste lindíssima, mas tenho medinho, por causa de terremotos. Em minha visita primeira, em ’98, meu anfitrião me apresentou a urbe com explicações, tipo “no terremoto, de 86, esse viaduto desabou e tinha um monte de carros embaixo”. Traumatizei.
Na estadia mais recente o que mais chamou minha atenção – além da deliciosa pizza de pepperoni de 3 quadras donde me hospedei – foi um passeio naqueles ônibus turísticos hop on hop off. Com o incansável companheiro de viagens internacionais, Carlito, escolhi o serviço da empresa cuja propaganda na Union Square era menos agressiva (ah, me convença mostrando suas qualidades e não supostos defeitos do concorrente!).
Mal iniciamos o percurso e o motorista nos convidou a observar o edifício usado como cenário externo pra Inferno na Torre (1974). Seguiram-se a escola secundária onde Linda Evans se graduou e a rua declivosa que servia pra gravar a maioria das cenas de perseguição e carro pulando de The Streets of San Francisco (1972-7). A cada referência, não reprimia sorrisinho: quanta gente, em 2017, conhece o filme-catástrofe, uma das estrelas de Dynasty (a insípida Crystal Carrington, ugh!) ou a série policial em que o atual septuagenário Michael Douglas ainda podia ser chamado de “garotão” pelo parceiro cinquentão? Claro que as menções têm a ver com o público bastante meia-idade que viaja hoje e prefere o conforto dos ônibus a ficar suando a pé ou de bike. Mas, deu vontade de escavar algum HD externo e ver os 121 episódios.
Quando guri, nos 70’s, parece-me que lembro de chamadas pra São Francisco Urgente (na Tupi? Record? Alguém sabe/lembra?), nome nacional da série da ABC. Mas, não via, porque estava mais na vibe desenho, Shazan e Xerife, As Panteras. Quando retornei ao patropi, preenchi mais essa lacuna televisiva dos 70’s e valeu muito.


Na ressaca do flower power, The Streets of San Francisco (TSOSF) traz o tenente Mike Stone (o narigudo Karl Malden), veterano bonachão e durão dos anos 50, que ainda usa chapéu e casacão noir as 7 temporadas (essa constância no vestuário cartuniza um pouco a personagem), resolvendo casos com o novato galã, com formação universitária e sensibilidade pós-hippie (mas macho atirador, não se engane!) Inspetor Steve Keller, estouro popular do filho de Kirk Douglas.
Devido ao período abrangido (72-7), TSOSF pegou a depressão econômica causada pela Crise do Petróleo e a desilusão política de Watergate. Em muitos episódios, nota-se a influência de sucessos de bilheteria como Operação França (1971) e Desejo de Matar (1974), o primeiro sobre tráfico de heroína; o segundo glorificando justiceiros urbanos. Esses fatores, mais TSOSF se querer mais “sério”, tornam muitos episódios bem sombrios, embora por ser pra TV, o fim sempre seja positivo e de captura e punição dos culpados. Uma história sobre heroína envenenada propositalmente, resulta na morte de dezenas e na admissão de que a outrora floral San Fran tem que ter centros de atendimento onde os viciados terão a droga analisada pra ver se não estava contaminada, sem correrem risco de serem denunciados à polícia.
Prostituição, imigração e (não-) aceitação do imigrante mexicano, garotas de programa, alcoolismo entre policiais, gangues, corporações matando pra conseguir propriedades, violência doméstica contra mulheres e/ou crianças (que morrem igual gente grande, eita!) apavoravam de modo alarmista (muitas vezes com dados estatísticos e tudo) as noites de quinta e geraram reclamações de grupos da pais e “cidadãos de bem”, preocupados que o show influenciasse no comportamento delinquente, em ascensão na recessiva ianquelândia. Protestos crescentes pesaram muito pra avalanche de séries de detetive mais leves, no fim dos 70’s e durante boa parte dos 80s, como As Panteras; Casal 20; Murder, She Wrote. Pode matar, mas com fofura!
Óbvio que comparado com a morbidez, explicitude e complexidade psicológica de certas séries policiais deste século, TSOSF não passa de entretenimento um pouco mais ríspido do que o usual nos 70’s. O formato de histórias unitárias de cerca de 50 minutos dispensava a possibilidade de aprofundar ou tornar por demais complexo. As personagens são pétreas durante as 7 temporadas e a resolução dos casos rápida e sem deixar contradição.
O grande charme de The Streets of San Francisco é precisamente as ruas da cidade, dita perigosa, violenta e drogada, mas mostrada em lindas tomadas sempre com gente bem vestida, dando impressão de local frio. Realmente Frisco não é escaldante no verão, mas sei não se dá pra usar aquelas roupas o ano todo. De qualquer modo, a cor local é determinante pra seu sucesso. Nomes de ruas e logradouros sempre citados; muitas externas e internas gravadas in loco; as poucas histórias que não exploram esse universo padecem de sua falta. Não que sejam ruins, mas ficam iguais a tantas outras séries.
Mike Stone (Malden) e Steve Keller (Douglas) quase não têm vidas próprias fora da profissão. Sabemos que o bonitão Steve é conquistador, mas cogitamos que tempo disponível tem pra isso, se passa dias e noites trabalhando e quando se diverte é com a figura paterna de seu superior. Mas, a química entre os dois é perfeita. Tanto é que quando Michael Douglas abandonou o show pra iniciar sua estelar carreira nas telonas, TSOSF despencou na audiência e foi cancelado.
A sétima temporada viu a substituição do parceiro de Mike Stone. Steve Keller virou professor universitário e como parça do Tenente Stone entrou o saudável e meio insosso Dan Robbins, interpretado pelo recentemente falecido Richard Hatch, o Capitão Apolo, de Battlestar Galactica. Hatch jamais teve a star quality de Douglas, mas justiça seja feita, o próprio roteiro diversas vezes sabotou a personagem, que levava umas lavadas desnecessárias de Mike e quase sempre ficava em segundo plano ou pouco fazia.
Em 1992, a ABC quis comemorar o 20º aniversário de estreia, com Back To The Streets Of San Francisco. Mike Stone então era capitão e tem que lidar com o desaparecimento de Steve (Douglas não aparece), cujo destino finalmente se resolve, porque morre. Mas o roteiro é muito fraco, Karl Malden aparece pouco, a trilha tem aquela praga de música saxofonada dos 90’s, enfim, tudo é muito entediante. Não compensa. E pra provar que Hatch não funcionou/não teve chance, sua personagem sequer é mencionada. É como se Dan não tivesse existido. 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

BOM ESTAR JUNTO

Aparecida de Souza aguarda por consulta no Programa Pró-Albino, em São Paulo (Foto: Fabio Tito/G1)

Olha que prático: o site do G1 Paraná colocou todas as partes da série Invisíveis, do programa Bem Estar, em um link de acesso só. A série tratou de diversos aspectos da vida das pessoas com albinismo.

Ao mesmo tempo em que a série exibida pelo programa global, o G1 do Paraná também publicava matérias a respeito, então, há coisa lá que não apareceram na TV. Ou seja, bora ver o G1 também!

Para ver tudo, clique no link: