segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

JUDÔ ALBINO

'Decidi superar', diz adolescente albino e deficiente visual da Paraíba

Davi Dias é albino e tem deficiência visual. Jovem pratica judô, futebol de cinco e goalball (Foto: Gustavo Xavier / G1)
 Ele tinha vários motivos para ser introspectivo. Diz que sofre preconceito desde que começou a frequentar lugares públicos, mas preferiu tomar outra decisão. Davi Dias tem 17 anos, é albino e, por causa da anomalia, tem deficiência visual. Atualmente, o jovem está no ensino médio regular e pratica três esportes com os colegas do Instituto dos Cegos de Campina Grande.
O adolescente mora no bairro do Santa Rosa com a mãe e mais três irmãos, mas apenas ele é albino. "Cresci ouvindo piadas, tanto sobre o albinismo ou pela deficiência visual", diz. Davi começou a frequentar o instituto quando tinha 10 anos. Ele tem 10% da visão do olho direito e 20% no esquerdo.
"Foi no Instituto dos Cegos que eu passei a enfrentar melhor essas coisas. Aqui se faz um trabalho muito bom que incentiva os deficientes a fazerem atividades como qualquer pessoa. Foi assim que eu decidi superar e viver minha vida. Às vezes eu ainda fico triste com algumas coisas, mas sempre passa", conta.
Davi começou a estudar na entidade, onde aprendeu o braile. Quando chegou ao 6º ano, ele foi encaminhado para o ensino regular na Escola Estadual Senador Argemiro de Figueiredo, conhecido como Polivalente. "No colégio eu passei por muito preconceito, sofri bullying, além de ser xingado muitas vezes", lembra. O rapaz diz que, apesar das campanhas de conscientização, esses casos ainda acontecem.
O adolescente pratica judô no Instituto dos Cegos de Campina Grande (Foto: Gustavo Xavier / G1)
O esporte foi uma válvula de escape para Davi. O adolescente pratica judô, futebol de cinco e goalball, modalidade criada exclusivamente para pessoas com deficiência visual, que consiste na marcação de gols do arremesso de bolas que contém guizos dentro.
O jovem foi vice-campeão no esporte nos últimos Jogos Brasileiros Escolares que ocorreram em Natal, no Rio Grande do Norte, este ano. A equipe paraibana foi formada por jogadores de Campina Grande e João Pessoa. "No futuro eu queria participar de paralimpíadas, representar não só a Paraíba, mas o Brasil. Não custa nada sonhar, não é?", brinca.
Instituto dos Cegos de Campina Grande
A entidade campinense existe desde 1952, quando foi criada pelo professor José da Mata Bonfim. Segundo a atual presidente, Adenise Queiroz, além das aulas regulares e do braile, os alunos fazem aula de música, informática e atividades diárias. "Nossa proposta é que o nosso aluno ganhe autonomia. Faça atividades em casa, como arrumar a cama ou cozinhar", explica.

O instituto sobrevive de doações. De acordo com a direção, várias pessoas se propõe a ajudar, inclusive se tornando sócios. A entidade ainda tem um setor de telemarketing e conta com convênios com a prefeitura de Campina Grande, que cede professores da rede municipal para dar aula no local.

CAIXA DE MÚSICA 207

Roberto Rillo Bíscaro

Ed Motta começou novinho sob os holofotes, em 1988, quando estourou com o Conexão Japeri. Tinha menos de 18, quando o país cantou Manuel. Pode não ter sido fácil ser alcunhado “o sobrinho de Tim Maia”, mesmo tendo talento e vozeirão. Ainda lembro do dueto com Marisa Monte, no início dos anos 90. Na era do mimimi de rede social, controvérsia aqui, polêmica ali e sempre mais importante do que essa cosmética derretida, uma carreira internacional indo bastante bem pelo jeito. Perpetual Gateways, lançado dia 12 de fevereiro pelo selo gringo Must Have Jazz prova isso.
Motta organizou as 10 faixas como na época do vinil: um lado mais R’n’B, outro jazz. Na idade do mp3 isso significa: as 5 primeiras faixas na primeira categoria, as demais jazzy. Gosto de imaginar Perpetual Gateways como uma crescente invasão do jazz. Nas primeiras canções, piano aqui, clarineta acolá, remetendo ao que Terri LyneCarrington fez em The Mosaic Project: Love and Soul. A partir da sexta canção, jazz contemporâneo total, virtuoso e febril.
Captain’s Refusal abre sophistipop com clima de jazz e isso só se avoluma posteriormente, daí minha imagem de “invasão”. Hyponcondriac’s Fun bebe da mesma fonte da qual Djavan se fartara: Steve Wonder. Deliciosa e com linhas vocais memoráveis; aliás, Perpetual Gateways está cheio de grandes melodias e linhas/versos grudentos. Não é só pop que pode ser chicletudo. Na segunda parte da canção, um dos grandes solos de piano inundam de jazz esse deslizante passeio soul. As teclas estão a cargo de Patrice Rushen. O time de músicos é fera; particularizo Rushen, porque ela é a dona do hit oitentista Forget Me Nots, do álbum Straight From the Heart (1982), onde já fundia pop, jazz e “R’n’B. E é mais ou menos assim em Perpetual Gateways, ainda que o pop esteja em segundo plano.
Ouça, por exemplo o começo de Good Intentions e pensará que vem funk; até tem clima, mas Rushen tasca um solo jazzístico de tirar fôlego. O solo de clarinete de Reader´s Choice além de jazzificá-la, deixa-a podre de chique. Heritage Déjà Vu seria chamada de acid jazz há uma década.
Daí começa oficialmente o domínio jazz, que se inicia com a esfumaçada Forgotten Nickname, com denso solo de flauta, pra não cair na mesmice de só piano. Daquelas canções que trazem à cabeça imagens cinematográficas de fossa nalgum bar. Heleninha Roitman pediria muitos uishquinhosh ao som disso.
As 4 faixas finais são exuberante amostra de jazz contemporâneo, com grande instrumentação floreada, alguma dissonância, bebopices, scat singing (Ed arrasa em Overblown Overweight). A elogiosa resenha do All Music Guide menciona o albino Hermeto como semelhança; eu acrescentaria João Donato se é pra se referir a mais prata da casa.
Cantado inteiramente em inglês, Perpetual Gateways até agora teve lançamento apenas no hemisfério norte, mas em março chega por aqui.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

JUDÔ INCLUSIVO

Vídeo conta a história do Cássio, atleta com Síndrome de Down, que passou por muitas dificuldades e perdas. E tem encontrado no judô a oportunidade de ser feliz!

sábado, 27 de fevereiro de 2016

INJUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

População lincha polícia moçambicano confundido com raptor de albinos
A polícia de Tete, no centro de Moçambique, continua a investigar os autores do linchamento de um agente da corporação, ontem, 25, durante um motim contra o rapto de três crianças albinas numa escola da vila de Moatize.
O agente foi confundido pela população com um dos raptores de três crianças albinas, que tinham desaparecido da escola, após um movimento suspeito de três homens.
Luís Nudia, porta-voz do comando da polícia de Tete, diz que o agente em causa tinha sido enviado à paisana para investigar a ameaça de rapto de três crianças albinas numa escola de Moatize.
“O nosso homem ao qual tínhamos confiado uma missão de para ir fazer um reconhecimento na zona, mas como a população anda agitada com esta situação de raptos de pessoas com pigmentação da pele, confundiram a ele como um dos indivíduos cabecilhas do grupo”, explicou Nudia, adiantado que quando o agente chegou o crime já tinha sido executado.
Uma criança albina estava com os raptores e outras duas tinham conseguido fugir, alertando a população sobre o incidente.
Furiosa a população saiu para investigar o caso, quando o agente foi confundido com um dos raptores e foi linchado.
A população fez um cerco as saídas da vila de Moatize e encurralou um dos raptores que se refugiou numa esquadra da Polícia em busca de socorro.
A população seguiu o homem e invadiu a esquadra, exigindo a sua libertação, para o queimar com pneus.
Perante a recusa das autoridades, a população saiu à rua e colocou barricadas, troncos e pedras e queimou pneus ao longo de três quilómetros da estrada nacional número sete N7 e atacou com pedras e paus as viaturas, forçando a paralisação da circulação.
Várias unidades da polícia foram deslocadas para o local para acalmar a situação e foi forçada a usar gás lacrimogénio e balas de borracha para dispersar os manifestantes.

ALBINO GOURMET 199

Sabe aquelas comidas de filmes/séries, franquias tipo Outback ou industrializadas que às vezes achamos que não dá ou é difícil fazer em casa? O canal Ana Maria Brogui ennisa um montão delas, tipo doritos, yakult, cebola do Outback e tanta coisa mais. 
Selecionei apenas 5 pra você dar uma olhada, mas acesse aqui pra conhecer o canal no Youtube:

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

FOTOS DA INCLUSÃO

Contra preconceito, fotógrafo lança ensaio com albinos

Justin Dingwall/Divulgação


O olhar de um fotógrafo pode gerar verdadeiras obras de arte – bem como armas contra injustiças sociais. Foi pensando nisso que modelos albinos posaram para as lentes de Justin Dingwall, na África do Sul, território já conhecido pelo forte preconceito que este grupo de pessoas sofre. Thando Hopa tem uma condição congênita que incapacita a produção de pigmentação normal da pele, do cabelo e dos olhos e foi o escolhido para estrelar o ensaio. “Eu sempre fui interessado no original ou o que é convencionalmente visto como diferente. Acho a diferença muito inspiradora”, disse ao Huffington Post. Uma a cada 4 mil pessoas têm albinismo na África do Sul, o que provoca bastante preconceito no país. Na Tanzânia, a realidade deles já foi ainda pior: pessoas com albinismo eram consideradas feiticeiras e tiveram as partes do corpos vendidas com a justificativa de terem boa sorte. “Há uma beleza na diferença, e espero que através do meu trabalho possa inspirar as pessoas a abraçar esta diferença e reinterpretar seus ideais de beleza. Eu queria criar uma série de imagens que ressoasse pela humanidade e fizesse as pessoas questionarem o que é belo”, resume Dingwall. A sessão intitulada de “Alvo”, foi feita em parceria com outro modelo albino, Sanele Junior Xaba.
VEJA AS FOTOS NO LINK ABAIXO:

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

TELONA QUENTE 148

Roberto Rillo Bíscaro

O filme etíope Difret (2014) conseguiu certa visibilidade, porque uma de suas produtoras-executivas é Angelina Jolie, cujo nome é usado em sua promoção: “Angelina Jolie apresenta...”. Não é culpa da Sra. Pitt que o mundo funcione assim – ela tem até que ser admirada por usar seu prestígio pra fomentar tal projeto – mas é uma pena que produções africanas sejam tão desconhecidas e precisem de certificado estelar pra receberem alguma atenção.
Em amárico, um dos idiomas falados no país, difret tem duplo sentido: ousar ou o ato de ser violentada. A história de Difret é baseada em fatos e aconteceu em meados dos 90’s. Hirut, campesina de 14 anos, foi abduzida enquanto voltava da escola. O raptor era o homem que pedira sua mão em casamento, mas fora recusado pelo pai. Inconformado, ele reúne asseclas e captura Hirut, mas esta consegue escapar e o mata, mas apenas depois de ter sua virgindade perdida, numa sociedade que ainda valoriza demais um hímen. A menor é presa e quando a advogada da capital Adis Abeba, Meaza Ashenafi, sabe do caso propõe-se a ajudar Hirut, que mesmo tendo se defendido poderia enfrentar pena de morte.
Na Etiópia, a tradição seguida em muitas áreas rurais permitia o rapto de noivas em potencial e se essas retaliassem, quem incorria em erro eram as próprias. Macho sempre tem razão. O embate entre a noção ocidental de justiça e igualdade perante a lei versus tradições autóctones é o centro dessa história inspiradora e que poderia levar a discussões sobre se compensa manter tradições. O caso gerou controvérsia na Etiópia, envolvendo Ministro da Justiça e tudo e ainda hoje não é ponto pacífico, uma vez que autoridades locais tentaram proibir Difret numa tentativa de diminuir a importância do premiado ativismo político de Asherafi.  
Roteiro e direção de Zeresenay Berhane Mehari priorizam o conteúdo, não a forma. Difret é estruturado tradicionalmente e cinéfilos formalistas poderão se incomodar com a falta de “sofisticação” na psique de algumas personagens, mas isso é o que menos importa, porque Hirut é bem construída e o filme não apenas é necessário, mas também bem feito e interessante.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

PORRADA NO MALAWI

Moçambicano, acusado de raptar uma cidadã albina, foi espancado até a morte no Malawi 

Um cidadão moçambicano identificado pelo nome de Horácio Mahora, de 35 anos de idade, foi espancado até a morte no Malawi, onde se havia escondido após raptar uma adolescente, que sofre de falta de pigmentação na pele, no povoado de Muhela, localidade de Chissaua, em Mecanhelas. É o segundo rapto de um cidadão com albinismo na província do Niassa, em menos de duas semanas.

De acordo com o porta-voz da Polícia da República de Moçambique no Niassa, Alves Mate, o finado terá abordado a mãe da menor de 12 anos de idade para que esta a vendesse a sua filha portadora de albinismo.
A progenitora naturalmente não acedeu a proposta porém, durante a noite do mesmo dia foi surpreendida por quatro indivíduos, incluindo Horácio Mahora, que arrombaram a porta da habitação onde dormia com a criança.
Segundo a fonte, citada pelo Jornal Diário de Moçambique, a mãe foi espancada e seguidamente amarrada, entretanto os criminosos levaram consigo a vítima. Posteriormente familiares da menor descobriram que o Horácio Mahora havia fugido para o vizinho Malawi e perseguiram-no. Localizado Horácio foi espancado e acabou por perder a vida.
Contudo os comparsas do finado não foram ainda localizados assim como a adolescente raptada.
Este é segundo caso de rapto de crianças portadoras de albinismo na província do Niassa, em menos de duas semanas, depois que um tio ter tentado raptar o seu próprio sobrinho de apenas seis anos de idade, no distrito de Cuamba.
Os albinos - portadores de um defeito genético hereditário que os impede de produzir a melanina, o pigmento que dá origem à cor da pele, do cabelo e dos olhos – continuam a ser “caçados” em Moçambique, embora as autoridades governamentais afirmem estar a encetar acções para a sua protecção, por criminosos que, em vários casos, os assassinam e desmembram para vender partes dos seus corpos a feiticeiros que pagam alguns milhões de meticais e usam-nos em poções alegadamente mágicas que curam várias maleitas ou dão sorte.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

TELINHA QUENTE 200

Roberto Rillo Bíscaro

Em 1978, um show sobre um clã petrolífero no Texas demorou mais de ano pra ganhar popularidade, mas quando estourou, foi pra se tornar ícone do período. DALLAS era tão grande, que a ABC lançou Dynasty (1981-89), sobre clãs petrolíferos rivais no Colorado. Também levou um bom ano até que o novelão se afirmasse, também pra virar símbolo do yuppismo 80’s e figurar até em letra de Prince.
Tempo de maturação e construção de audiência é coisa de era passada. Na hiperpovoada, fragmentada e selvagemente competitiva sociedade do espetáculo, se uma série não emplaca quase de primeira, tem mínima chance de sobrevivência. Até a faixa demográfica conta, porque se for bem-sucedida na fatia de mercado mais maduro – que consome menos certos produtos – corre risco de ser eliminada também. A responsa aumenta quando a emissora procura novo hit, como a ABC o faz depois de Revenge.
Blood and Oil falhou em não conseguir audiência até mesmo entre o público mais velho. Estreada em setembro, a ABC encomendara 13 capítulos, mas lá pela altura da exibição do sexto, anunciou que a temporada seria reduzida pra 10.
Interessei-me em ver qual é a de Blood and Oil, porque sou fanático por DALLAS e Dynasty e a premissa é obviamente tentativa de reavivar o sucesso desse tipo de soap. O estranho é os produtores não terem aprendido a lição com a cancelada releitura de DALLAS.
Rock Springs, no Dakota do Norte, está bombando com descoberta trás descoberta de petróleo. Texas e Oriente Médio são lagos, perto do mar negro sob aquelas terras. O jovem casal sonhador e empreendedor Billy e Cody chegam à cidade pra fazer a América e em poucos dias já estão envolvidos com a família de Hap Briggs, magnata malvado que controla tudo e todos. Seguem segredos, traições e todo o universo de códigos nada realistas dum novelão, tipo, mocinha engravida pela primeira vez, vamos esperar pra ver como ela perde a criança; carinha nova na tela, esperemos pra ver que segredo ou sacanagem está na manga. Amo muito tudo isso.
Blood and Oil foi comparado a DALLAS pelos críticos pela obviedade do tema, proximidade de exibição da série do TNT e Don Johnson tentando sem sucesso criar um JR do século XXI (OK, ele mal teve tempo, mas Larry Hagman já roubou DALLAS no primeiro episódio!), mas havia elementos de Dynasty também, como a ex-esposa que retorna pra infernizar e o casal de irmãos, ela favorita do papai, ele às turras com o velho.
Blood and Oil flopou por não oferecer o glamour de Revenge (equivalente deste milênio à Dynasty) ou, pelo menos, personagens que não fossem tão genéricas. A não ser que você seja muito fã das emoções baratas duma soap opera, difícil empatizar com um povo tão sem destaque. Carla Briggs – aliás, a Lydia Davis de Revenge -, a esposa de Hap, parecia cópia de Claire Underwood. Coisa de velho acho, mas eu conseguia distinguir na hora quem era Pamela, Sue Ellen ou Lucy, hoje parece que a mulherada tem o cabelo tudo igual! Além de hoje ser tudo tão mais barulhento, com aquela música alta em tantas cenas.
A ABC não cancelou oficialmente, mas o oferecimento dum desfecho pras tramas ao término do décimo episódio, indica que Blood and Oil não mais jorrará. O final é artificial e apressado, mas se você curte as emoções baratas dum típico novelão ianque, encare como minissérie e divirta-se. Vi tudo em 2 dias, amo soap!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

CAIXA DE MÚSICA 206

Roberto Rillo Bíscaro

Shearwater é um pássaro marinho parente do albatroz e também uma banda norte-americana formada em 1999. A alusão à ave deve-se ao fato de o compositor, multi-instrumentista e cantor Jonathan Meiburg ser geógrafo com mestrado em ornitologia. O grupo lançou seu sétimo álbum em janeiro e embora nada soe datado, Jet Plane and Oxbow ecoa muito da produção oitentista, tanto em termos da sonoridade solene e grave, quanto de certo clima messiânico, encontrado nos melhores trabalhos dos Waterboys, por exemplo.
O início de Prime assemelha-se a Woman In Chains, do Tears For Fears e a solenidade de Wildlife In America lembra um bocadinho Lloyd Cole and The Commotions. O álbum remete aos 80’s, do Talk Talk, por sua produção, que bebe naquela década, sem utilizar de seus exageros ou da artificial bateria eletrônica, que comprometeu muitos trabalhos de então. Ouvir Jet Plane and Oxbow transportará ouvintes a paragens sônicas palmilhadas por Peter Gabriel ou Bruce Springsteen. E isso é muito bom.
A agitação tribal de A Long Time Away ou de Radio Silence e o clima fúnebre de Stray Light at Cloud’s Hill só são possíveis devido ao legado da Joy Division ou do desafortunadamente jamais reconhecido The Sound. A sonoridade remota de raízes country de Only Child mostra que Meiburg compartilha muito dos referenciais musicais com os artistas oitentistas citados nesta resenha.
O começo de névoa sintetizada de Pale Kings e o subsequente encorpamento da melodia vem da mesma matriz inspiratória que determinou o ótimo The Desired Effect, álbum do ano passado de Brandon Flowers; U2 encontra Bruce Hornsby em mistura original. O ímpeto pós-punk de Filaments passeia pelas estepes russas em certo dedilhado para depois referenciar-se à música “árabe”.
Maduro sonora e politicamente, Jet Plane and Oxbow é coeso, consequente. Pop para adultos, independentemente de idade cronológica.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

BALÃO DA SUPERAÇÃO

Conheça a história de vida de Ana Maria Devides, que com muita força de vontade e disposição mudou de vida por meio de atividades físicas e um balão intragástrico – que reduz o apetite e só é eficiente com mudança de hábitos.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

PEDAÇOS MÓRBIDOS

Menina albina é morta e esquartejada no Burundi
Uma menina albina de cinco anos foi assassinada e esquartejada no nordeste do Burundi, o primeiro crime deste tipo nos últimos quatro anos, informou nesta sexta-feira o município de Busoni, na província de Kirundo.
"Um grupo de bandidos armados atacou na quarta-feira (...) a casa de uma criança albina de cinco anos, espancou seus pais e a sequestrou", declarou à AFP Marie-Claudine Hashazinka, administradora do município.
Os vizinhos perseguiram o grupo, mas "só encontraram o corpo da menina, morta e esquartejada. Os bandidos haviam levado um de seus braços", completou.
"Foi aberta uma investigação para tentar encontrar os autores deste absurdo, mas já se sabe que seu objetivo era ela, já que não roubaram mais nada", declarou.
Trata-se do 19º caso de assassinato de um albino registrado oficialmente no Burundi desde 2008.
Os albinos, que como consequência de um transtorno genético têm a pele branca que o cabelo esbranquiçado, são assassinados em alguns países da África e depois esquartejados para seus órgãos serem utilizados em cerimônias de bruxaria.
A prisão em 2009 no Burundi de dez pessoas acusadas de assassinatos e tentativas de assassinatos havia posto fim a uma série de homicídios deste tipo principalmente em zonas fronteiriças com a Tanzânia.
No Burundi havia um tráfico até a Tanzânia de órgãos e de certas partes do corpo dos albinos assassinados, os quais eram usados para fabricar amuletos que supostamente deveriam permitir obter riqueza e vitórias eleitorais, segundo a justiça burundinesa.

ALBINO GURMET 198

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

PUNIDOS

Moçambicano condenado no Malawi por tráfico de ossos de albino

Um tribunal da cidade de Phalombe, a sul do Malawi, condenou, na segunda-feira, quatro indivíduos, incluindo um moçambicano, a pena de quatro anos de prisão, após terem sido descobertos com ossos de um cidadão albino.
MAPUTO- Segundo a Agência de Informação de Moçambique (AIM), que cita o jornal malawiano Nyasa Times, os quatro indivíduos se encontravam nas últimas semanas sob custódia policial numa das esquadras de Phalombe.


O moçambicano em causa identificou-se com o nome de Petro Jezemani, de 33 anos. Os outros três, incluindo uma mulher, são malawianos. 

Augustus Nkhwazi, porta-voz da polícia malawiana, disse que os quatro foram detidos, no mês passado, depois de um homem de negócios ter sido oferecido os ossos em troca de dinheiro.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

TELONA QUENTE 147

Dossiê Amityville

Roberto Rillo Bíscaro

Em 13 de novembro de 1974, a pacata, pequena e afluente Amityville, no estado de Nova Iorque, ganhou instantânea notoriedade, quando 6 membros da família DeFeo foram exterminados pelo filho mais velho, até hoje cumprindo uma de suas 6 prisões perpétuas. Ligações com a máfia e histórias escabrosas de violência familiar emergiram durante o frenesi midiático seguindo o crime.
A residência dos DeFeo, uma grande casa de 3 andares, foi vendida a preço de banana pro casal George e Kathleen Lutz, em 1975. Casal e filhos começaram a experimentar fenômenos paranormais aterrorizantes desde o primeiro dia na construção. Fedores, telecinese, enxames de moscas, gosmas nojentas, levitação, variações brutais de temperatura, mudanças nas personalidades dos moradores estão entre os acontecimentos fartamente descritos. 28 dias depois da mudança, os Lutz fugiram de High Hopes (nome da casa) sem levar absolutamente nada; até a geladeira com alimentos e roupas na cama foram deixadas pra trás.
Infames e nos holofotes pelos crimes e depois pelas assombrações, Amityville, casa e cidade, assombraram os noticiários estadunidenses e de parte do planeta nos anos seguintes e até hoje fascinam alguns. Notícias de que a propriedade fora construída sobre antigo cemitério indígena, alegações de que tudo não passou de fabricação dos Lutz, eles mesmos bastante disfuncionais, alimentaram lucrativa engrenagem pop cultural nos recessivos anos 70, gerando pautas, teorias conspiratórias, livros e filmes.
Nenhum morador subsequente relatou nada de anormal na casa, então, parece que a lógica é assim: nos slashers, se você fuma droga/transa, morre; com casas, se você transgride leis de mercado comprando algo barato demais, você será assombrado! Mas, como sempre haverá alguém disposto a pagar por emoções baratas, dá pra lucrar com uma enxurrada de produtos.     
A série de (tele(filmes sobre Amityville nunca chamou minha atenção, mas deu um clique e decidi ver o que pude conseguir. Ficou de fora apenas Amityville Death House (2015) e, claro, a próxima aparição da casa nas telonas, que acontecerá em abril.
Abaixo, minhas impressões sobre a franquia:

Dependendo da plataforma, The Amityvile Horror (1979) teve um título no Brasil: A Cidade do Horror, Horror em Amityville e um outro que não me recordo. Pode ser cult, mas eita filmezinho chato e mal feito! Só mesmo a martelação prévia incessante da mídia nas 2 histórias sórdidas explicam a segunda colocação nas bilheterias norte-americanas em 79. Memorável só a trilha sonora indicada ao Oscar, de criancinha fazendo lá lá lá, que nunca me saiu da cabeça, provando que devo tê-lo visto nos anos 80.
São quase 2 horas, onde nada acontece e há tantas cenas não contribuintes pra história central, que o caráter de picaretagem indie de baixo orçamento assusta mais que o demo, que nada mais faz do que assustar padre com minienxame de moscas e jorrar gosma preta das torneiras, traço mantido pelas sequências anos a fio. Usando todos os clichês de filme de casa mal-assombrada, não é de se duvidar que The Amityville Horror tenha servido não necessariamente como criador de algum deles, mas como cristalizador e estandarte para a enxurrada de congêneres a reboque em seu sucesso. Como a película foi muito vista e fartamente reexibida em TVs, deve ter virado fita de DNA pra esse tipo de filme, porque muita coisa deve ter grudado na cabeça de futuros diretores, roteiristas e cenógrafos. Pegue o recente e superior We Are Still Here e veja como tem cena de gente no bar local fazendo cara feia pros forasteiros (no primeiro Sexta-Feira também tem) e as legendas indicando o dia da semana e quantos dias estão na casa, dizem presente no também atual A Visita.
Se é que ainda signifique algo, a curiosidade reside na presença de um decadente Rod Steiger fazendo um padre histérico (ele até tem certos motivos pra isso) e uma Margot Kidder, que acabara de se tornar superestrela por 18 minutos com o lançamento de Super-Homem no ano anterior. Ela até que está bem, mas as tranças assombram mais que o capeta. 

Em 1982, italianos e mexicanos fizeram uma prequel bem mais legal que o filme de 79. Amityville II – a Possessão se passa supostamente nos anos 70, mas o filhão possuído usa walkman, símbolo do individualismo 80’s. Beleza, faz parte da licença poético-picareta dessa cópia d’O Exorcista. Uma família ítalo-americana se muda pra casa mal assombrada e os espíritos dos amaldiçoados índios aproveitam-se das tensões e taras latentes. Livres dos códigos puritanos ianques e com vontade de chocar pra atrair público, o roteiro traz estupro, incesto e assassinatos em família. No começo, parece que é o grosseiro papai o possuído, mas logo ele desaparece temporariamente (não espere roteiros coerentes nesses filmes) e vemos que o escolhido é o júnior, que tem até coleção de espingarda. Tem padre fazendo exorcismo em “latim”, cara e voz distorcidas e, como é exagero italiano e estamos depois d’A Morte do Demônio, tem diabo saindo gosmento de cara derretendo. E ainda tem a musiquinha do lá lá lá infantil, que alterou pra sempre minha percepção desse tipo de canção “inocente”.

-D não é coisa do século XXI; lembro-me de filmes setentistas usando a técnica. Devia ser mais primitivo, mas nada sei a respeito. Como não vejo 3-D, nem procuro saber. No início dos 80’s, houve minifebre tridimensional: tubarão, Jason Voorhees e Amityville entraram na onda. Amityville III – o Demônio (1983) tenta pegar carona no sucesso de Poltergeist (1982 – outra franquia que jamais me interessou, preciso vê-la um dia) e apresenta um grupo de parapsicólogos inundando a casa com equipamentos pra ver o que sucedia depois que um divorciado incrédulo de fenômenos sobrenaturais se muda pra lá. Nesses filmes, a recusa em sequer admitir a possibilidade de que exista algo entre o inferno e a terra vira tão fanática quanto a crença no supra-humano. A Dialética do Obscurantismo. Muito blábláblá e poucas mortes (se bem que uma até que é legal) tornam-no morno; o fuzuê acontece mesmo no fim, resultando em criatura poltergástica saindo de poço pra materializar o demônio. Quase tudo sem graça. Vale como registro duma Meg Ryan muito jovem; mas como a atriz nunca me disse muita coisa (será que já vi outro de seus filmes?), nem pra isso serviu direito.

1989, Amityville foi pra TV, estrelado por Jane Wyatt, a boazinha e submissa mamãe do Papai Sabe Tudo. Amityville – a Fuga do Mal é puro charme retrô daqueles filmes televisivos que não podem mostrar muito. Acho que mesmo pra 89, o filme é 70’s – talvez até 60’s - demais. Agora já não é mais a casa que é possuída, mas um abajur, que parece árvore seca e retorcida. A monstruosidade foi comprada em liquidação de garagem na Costa Leste e enviada de presente pra irmã da compradora, que vive numa enorme casa em cima dum penhasco a beira-mar na Califórnia. Daí eu via esses filmes na infância/juventude e jurava que todo norte-americano morava em casa enorme. Ao longo de anos, ouço o mesmo de incontáveis alunos.
Claro que o abajur veio da amaldiçoada Amityville e provocará morte, confusão e prejuízo pra família de vovó Wyatt, que também tem de lidar com a chegada da filha viúva e seus 3 filhos, uma das quais pensa falar com o falecido papi e é a isca pras obras de Satanás. Mas, há um padre na Costa Leste que tem histórico nunca muito esclarecido com a casa e voa pra Califórnia pra ajudar, mas tendo Wyatt no elenco, o holofote vira pra ela.
A cena do pássaro no forno elétrico me fez lembrar que vira o telefilme. Ainda bem que não estocamos tudo, senão seria uma lixeira não reciclável a cachola.  Atenção pro final, pra ver quem será o novo endemoniado, embora a ideia não tenha ganhado sequência, ainda bem, porque é bobinho. Mas esse filme divertiu. 

Nos 90’s, Zé do Caixão apresentava o Cine Trash na Band. O nome da sessão já a explicava. Vendo o canadense Amityville 5 – A Maldição, supus que nem a Band o compraria praquela sessão; o filme é material pra extinta Rede Mulher. Fingindo que a locação e os atores são norte-americanos – bota música country num bar e pronto, é EUA! – a produção mambembe arrasta-se com elenco de rejeitos de teatro amador de cidade interiorana numa trama que não sabe se é de casa mal assombrada ou de thriller de serial killler. Seja o que for, nada funciona e chega a quase dar dó quando vemos a produção acreditar que tarântula andando no peito de alguém dormindo ainda causava medo. O próprio Zé do Caixão fizera isso, mas uma geração antes. A trama tem a ver com uma casa onde vivia um padre assassinado durante uma confissão. Há filmes que de tão ruins são bons; esse de tão ruim é só ruim. 

Em 1992, saiu direto em vídeo, Amityville: Uma Questão de Hora. O trocadilho com o lugar-comum da honra é porque um relógio trazido de Amityville assombrará casa suburbana na Costa Oeste. Depois que o arquiteto instala o objeto em sua sala de estar, alucinações, mortes (poucas e sem graça) e ataques de cães começam a infernizar sua vida, de seu casal de filhos e de sua ex-namorada que estava na casa cuidando dos teens, enquanto papai viajava e fica lá depois que é mordido por um cão. Como já estamos nos 90’s, as cenas da ferida são nojentinhas, mas tudo é muito burocrático, as casas por demais padronizadas (a casa original vira fantasma aparecendo no lugar da do subúrbio!), as pessoas por demais customizadas. A cena em que o boneco de nariz pontiagudo despenca do alto da van de entrega me fez lembrar que já vira isso nos pantanosos 90’s. Nesses filmes, o diabo tem poder pra rachar asfalto, mas contenta-se com tão pouco, não? Dominar uma casa sem graça? Porque não a Casa Branca e controlar o mundo? Ou agora teria que ser a casa do Yeltsin ou do premiê chinês?  

Amityville 7 – Uma Nova Geração (19993) continua o bazar da pechincha da casa. Dessa vez é um espelho que um mendigo presenteia a um fotógrafo de arte, o catalisador do horror, que vem em forma branda por alucinações e reviravolta na trama, pressentida e nada a ver. Reconheço meu preconceito e desgosto com muito dos anos 90, mas esse filme apresenta um bando de jovens artistas vivendo num idealizado prédio abandonado numa área pobre da metrópole. Squatters de butique. Vestem roupas xadrez de flanela à lenhador grunge e o protagonista tem cabelo cuidadosamente desalinhado, além de corpão de academia. Foi a partir dessa década que todo bofe de filme tinha que ser sarado? Kevin Bacon não teria tido chance nos 90’s (não que isso importe pra mim, mas....). Na década em que o pavoroso Enigma uniu canto gregoriano a electronica séquici, não podia faltar cena de sino-americana (multiculturalismo!) dançando ao som duma coisa gótica de freira, antes que o espelho a faça se enforcar. Aff.

Filmes de baixo orçamento frequentemente gastam preciosos 2/3 de sua grana pra cena da explosão final e é esse o caso de Amityville 8 – A Casa Maldita (1996), onde os fogos de artifício de encerramento pretendem compensar uma produção que se não é tão ruim de ver também nada adiciona. Provando de novo que o diabo entende de geopolítica, ele assombra a casa de bonecas duma menina de classe média que tem família tentando se ajustar a novas realidades, portanto, vulnerável a inci/acidentes, que afinal não acontecem tanto, mais é falação. A casa de bonecas é réplica da original de Amityvlle e acaba no quarto da garotinha, porque os diabretes que vivem no brinquedo fizeram o carro de seu papai amassar o que seria seu presente de aniversário.  Se têm tanto poder assim mesmo longe das pessoas, não se sabe bem porque a casa tem que acabar no quarto da garotinha, que sequer é possuída. Olha eu tentando achar lógica prum roteiro desses! Mas poderia ter, afinal, verossimilhança é processo interno, mas quem liga, né?

Em 2005, Horror em Amityville reutilizou livro e roteiro originais e saiu-se com produto superior ao de 1979. Não é grande filme, mas não é soporífero como o dos 70’s. A família é tão “misturada” quanto a do da casa de bonecas: o casal tem filhos de relações anteriores, portanto, propícia a ser atacada por forças desestabilizadoras.  No elenco, Melissa George, que seria uma das pacientes mais marcantes da versão norte-americana de In Treatment.  Será que a verdadeira maldição de Amityvile é sua incapacidade de gerar gemas assombradas como A Troca (1980), Os Outros (2001) ou A Casa do Demônio (2009), apenas 3 exemplos duma lista de superiores?  

Em 2011, The Amityvillle Haunting chegou pra competir no quesito pior uso da franquia. Nessa filmagem enganosa, o baixo orçamento da infame produtora The Asylum tentou ser disfarçado com um found footage film, mas nem isso funciona. Talvez um dos prazeres desse subgênero seja o suspense pelo que possa acontecer nas imagens ruins, distorcidas ou longínquas de câmeras de distintas resoluções. Aqui quase nada acontece: de cerca de 90 minutos, uns 7 contém algo, o resto é só falação ou imagens mortas. O interior da casa é apertado demais pra condizer com o exterior mostrado - que não é o original, falsamente impresso na capa do DVD. A casa fica anos desocupada, mas está limpinha e com eletricidade. E o que dizer das certidões de óbito mostradas antes dos créditos finais, onde “extreme” está soletrado “extream”? Analfabetismo funcional cinematográfico. Tentativa mendiga de copiar Paranormal Activity. Se naquele filme desisti no trigésimo minuto, porque enlouquecia de tédio, só cheguei ao fim desse por vocês, leitores. 

Em 2013, os britânicos escarafuncharam o fundo do poço e usaram a fama da casa mal-assombrada ianque pro genérico e horrível The Amityville Asylum.  Uma moça que perdera a mãe recentemente arruma emprego como faxineira noturna dum sanatório, onde todo mundo é esquisito de doer. Logo começa a ter visões e ao investigar descobre que o edifício fora construído no terreno onde outrora estivera a casa afantasmada (a casa de verdade ainda existe nos EUA, nada a ver). Meio que dá pra intuir qual o final de Lisa, não? Tendo visões em um sanatório.... Mas, não é bem assim que termina. Com sede por plot twists, o “roteirista” fez um final estúpido. Bem, pelo menos está de acordo com o restante do filme. Ingleses tentando imitar sotaque norte-americano, edição amadora incapaz de provocar suspense, cenas desnecessárias, como quando o colega legal de Liza explica detalhadamente pra que serve cada produto químico de limpeza e depois isso não serve pra nada na narrativa. 

The Amityville Playhouse (2015) é outra bomba feita fora do território norte-americano, mas que usa a “mística” da marca Amityvillle. Uma garota cujos pais morreram queimados herda várias propriedades, dentre elas um cinema abandonado em Amityvillle. Sabe-se lá por que cargas d’água, ela e um grupo de amigos beligerantes decidem passar o fim de semana no edifício abandonado e começam a experienciar sinais e sintomas da fantasmagoria. Mais gente péssima, péssima, péssima, tentando imitar sotaque ianque, mais cenas pra encher linguiça, como a subtrama do professor que tenta ajudar a garota. Até aí tudo bem, mas precisava mostrá-lo antes de sair de sua original Inglaterra tomando cerveja e discutindo sobre ciência x religião, quando isso não contribui nada pra história? O elenco é tão ruim e a história tão clichê – aquela coisa de cidade pequena conchavada num pacto com o Tinhoso – que até dá pra encaixar na categoria “é tão ruim que é bom”  ao contrário dos 2 anteriores. Ah, e repare como no trailer eles mentem descaradamente dizendo que é baseado em fatos. Depois diz que brasileiro que é picareta. Acho que essa podreira é canadense.

SERÃO PUNIDOS?

Três indivíduos detidos por tráfico de restos mortais de um albino em Nampula
Três cidadãos foram detidos na semana passada pela Polícia da República de Moçambique (PRM), no distrito Eráti, na província de Nampula, na posse de restos mortais de um cidadão que em vida sofria de albinismo.
Os indiciados, de acordo com o porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, João de Deus, terão profanado uma campa num cemitério comunitário existente na localizado em Alua, com a ajuda de um parente do finado, que em vida era portador do defeito genético que impede a produção de melanina, o pigmento que dá origem à cor da pele, do cabelo e dos olhos, e causa o albinismo.
Foi graças a denúncia de populares que a polícia identificou os cidadãos numa altura em que se preparavam para viajar com destino à Tanzania, onde alegadamente iriam vender o restos mortais. O @Verdade apurou que um quarto cidadão envolvido no crime terá conseguido fugir.
“caça” aos albinos acontece na província de Nampula desde 2014 e julga-se ser estimulada po curandeiros pagam mais de dois milhões de meticais por um conjunto completo de órgãos de um albino para usá-los em feitiços que acreditam trazer boa sorte, amor e riqueza.
De acordo com o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Lino de Almeida, até meados de Janeiro de 2016 haviam sido registados pelo menos 20 crimes contra com cidadãos portadores de albinismo nesta província do Norte de Moçambique.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

SÃO FRANCISCO MOSTRA A COBRA

Píton albina de 4m e quase 100 quilos é capturada em quintal de casa

cobra
Uma cobra da espécie Python molurus bivittatus, também conhecida como píton albina, foi encontrada na manhã desta terça-feira (9) no interior de uma residência em  São Francisco do Sul, na região Norte de Santa Catarina.
Os Bombeiros Voluntários da cidade, que foram acionados para retirar o animal, afirmam que a cobra mede mais de 4 metros e pesa entre 80 e 100 quilos.
A píton só é encontrada no Brasil quando criada em cativeiro, isso porque sua origem é asiática e só pode pertencer a alguém sob autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Os bombeiros acreditam que o animal provavelmente foi vítima de abandono ou pode ter escapado de alguma casa da região. A píton não é venenosa e apesar de se alimentar de outros animais pode oferecer risco a espécie humana justamente por seu tamanho e sua força. A espécie é considerada uma das maiores do mundo.
A cobra deve ficar sob os cuidados da Polícia Militar Ambiental de Joinville pelo menos até ser encaminhada para um zoológico ou instituição competente, já que não pode ser solta de volta na natureza.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

TELINHA QUENTE 199

Roberto Rillo Bíscaro

Depois do estabelecimento da burguesia como classe dominante e da Revolução Industrial, acentuou-se a supremacia do pensamento cientifico racional e higienista – mesmo que volta e meia o obscurantismo e a exclusão travistam-se de objetividade cientifica, vide os absurdos nazistas, que tinham até conselhos de ética.
Na Inglaterra, uma das muitas medidas pensadas pra coibir amadores de experimentarem anatomicamente com cadáveres foi uma lei que permitiria que apenas escolas e profissionais tivessem acesso a corpos e aqueles que não tivessem familiares seriam automaticamente enviados pra dissecação nas aulas de anatomia. Dissecação era muito mal vista na época, porque se temia a danificação corporal, afinal, como ressuscitariam no Juízo final? Mas a questão ia muito além pros críticos: permitir que os corpos dos pobres fossem assim violados pela ciência equivalia a aceitar um universo sem Deus, onde o homem arvorava-se no direito de até tentar trazer os mortos de volta à vida. Sim, havia uma facção de estudiosos, chamados galvanistas, que tentavam ressuscitações mediante eletricidade. A situação era fascinantemente complexa, mas não interessa pruma postagem sobre TV.
Frankenstein (1818), de Mary Shelley, nasceu nesse contexto quando ciência e tecnologia ameaçavam tomar o lugar do Criador. Frankenstein, o Prometeu moderno, pega partes de cadáveres e mediante eletricidade dá vida a um ser deforme e socialmente repudiado. Frankenstein é o cientista, não a criatura; a ênfase era no primeiro e nunca devemos esquecer também que o Dr. Victor operava nos moldes da alquimia, portanto o que estava sendo realmente criticado não era a ciência e sim o suposto obscurantismo medieval. Mas isso também não pode ser estendido numa postagem sobre TV.
Pelo exposto, o leitor percebe que o que há em jogo nos 6 sombrios capítulos de The Frankenstein Chronicles (TFC, 2015) é assaz complexo. Exibida pela pequena ITV Encore, provavelmente esse mashup de Shelley com Inspector Morse foi visto por menos público do que merecia. Malgrado certa lerdeza e propensão a priorizar o clima sobre a trama, TFC é inteligente, criativa e tem um último capítulo espetacular.
Investigando tráfico de drogas às margens do Tâmisa, o inspetor John Marlott (Sean Bean, o Ned Stark de Game of Thrones) encontra um cadáver duma garota. No necrotério, descobre-se que se trata dum composé de distintos corpos. Era 1827 e temia-se que o assassinato envolvendo tamanho grau de conhecimento anatômico fosse pretendido como difamatório aos ascendentes médicos. Marlott então é designado pra investigar essa cópia de Frankenstein atuando em Londres. Acontece que na época os inspetores não tinham a autonomia dum Morse e Marlott ainda por cima tinha sífilis e fazia tratamento com mercúrio, cujo efeito colateral eram alucinações. Perfeito prum detetive atormentado, mas convém lembrar da carga simbólica que a sífilis tinha na época.
Doente e subserviente, mas com heroica vontade de descobrir o culpado, Marlott perambula e mergulha numa Londres georgiana suja, mal caiada e cheia de gente deformada e imunda. Se seu negócio é século XIX idealizado, fuja de TFC. As ruas são embarreadas (faltaram as montanhas de estrume) e nem as casas das leides e lordes são à Downton Abbey. É tudo bastante cru, sem vida e lúgubre e o inglês também não é o de Lord Grantham, embora respeite-se a diferença de classe nos sotaques.
Como em 1827 a autora do romance que originou os crimes ainda vivia, Mary Shelley participa da trama (Anna Maxwell Martin, a Miss Summerson, de Bleak House, amo!), mas pra mim nada acrescenta; coisas da pós-modernidade. William Blake e um jornalista chamado Boz (Charles Dickens usava esse pseudônimo no começo da carreira) também são gente “de verdade” mixadas nessa ficção. Na verdade, uma das pistas pra resolução do mistério está nos quadros de Blake.
Esse imbróglio político, pessoal, artístico, ético, religioso caminha a passos lentos e exige a paciência de quem está acostumado às narrativas mais antigas, até culminar numa reviravolta sensacional no capítulo final, gótica até o fundo d’alma. Inglaterra rules, não tem jeito!