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domingo, 30 de junho de 2019

MELHORES DE 2019 – PARTE I



Roberto Rillo Bíscaro

Semestre horrível, com a perda de um enorme amigo e apoiador do blog, que até fez texto pra cá, no início da saga, há uma década. Apesar disso, ou precisamente devido a isso, mergulhei fundo em álbuns, séries, filmes e livros. Eis o que mais me encantou do que resenhei.

E esta listagem vai dedicada ao eterno companheiro de jornadas, Carlos Alberto Pedretti.

MÚSICA
Di Melo – Álbum negligenciado dos anos 70, que vai do soul ao tango com elegância e competência.
You Have a Chance – O italiano Camelias Garden compôs pura delicadeza prog folk.
Walk Through Fire – A poderosa voz de Yola estreia nessa mistura vintage de soul e country.
Isolation – Um caldeirão de referências tão bem derretidas, que são capazes de criar sonoridade própria pra essa menina.
Canções de São Patrício – Sensível rendição de música celta, cantada em bom português.
Raphael Gimenes & As Montanhas de Som – Raphael vive na Dinamarca e criou fascinante madrigal sonoro ao nível do melhor da MPB anos 70.
Colourbox – Condenado a ser cult, o Colourbox fazia pop eclético e meio à frente de seu tempo.
Tatanagüe – Theo de Barros, o autor de Disparada, retornou com álbum irrepreensível, fina flor da MPB.

TV
Shetland – A quinta temporada globaliza no tema, mas permanece sombria.
Clan – As irmãs belgas que querem eliminar o cunhado são um gozo de humor-negro.
Testemunha de Acusação – A obra de Agatha Christie reimaginada em tons bem sombrios.
13 Geboden – A Bélgica vez mais produzindo série policial excitante.
Father Brown – Um padre detetive, muito, mas muito fofo.
Les Hombres de L’Ombre – Intriga política francesa, na linha de The West Wing e afins.

CINEMA
Ethel e Ernest – Animação opara adultos sobre a história de vida de um casal que viveu alguns dos maiores eventos do século XX, em sua modesta casa londrina.
Lazzaro Felice – Alegoria política italiana, bem ao estilo do cinema dos anos 70, mas com o travo da globalização do novo milênio.

LITERATURA
The Chestnut Man – O criador de Forbrydelsen estreia com um thriller policial difícil de parar de ler.
The Silver Road – Estreia sueca, com personagens tristes, bem delineados e uma ambiência de dar inveja.

Embora não conste da lista, um post-homenagem ao Carlito não valeria se o vídeo não fosse de Bethânia.

domingo, 29 de julho de 2018

“SUPERANDO” O ESTUPRO


Roberto Rillo Bíscaro

As aspas no título expressam meu desconforto em – como homem – sugerir que uma mulher possa superar ato tão vil quanto abuso sexual. Dados estarrecedores indicam que a violência contra a mulher é alta em qualquer classe social e mesmo em países onde a igualdade de gênero é política pública, a violência contra elas não necessariamente diminui.
Pensamos mais na violência sexual, aquela envolvendo escoriações e penetração, mas mulheres convivem diariamente com práticas insidiosas: apalpadas, assovios, encoxadas em vagões lotados, cantadas, gracejos inconvenientes. É a preocupação de evitar passar por certos locais com uma roupa mais curta ou ser culpabilizada por algum avanço de qualquer espécie, simplesmente por se ter sido gentil. Uma pressão com a qual nós homens podemos até empatizar, mas duvido que entender em sua amedrontadora plenitude, por sermos educados para exercer o papel de donos do mundo.
Tudo isso vem à mente com a leitura do conciso Nunca Mais Olhei Para Trás, livro de estreia da escritora penapolense Carol Freitas, lançado de forma independente há algumas semanas.
A narrativa em forma de diário simples e direto, fala do drama de uma adolescente estuprada pelo padrasto e que depois sofre arrasadora perda familiar. Seus capítulos curtos e breves setenta e poucas páginas mostram como Maria Luísa encontrou forças para lidar com os traumas, através da espiritualidade, ajuda profissional e construção de carinhosa e protetiva rede de apoio fraterno.
Pode-se argumentar, que, como para compensar Maria Luísa pelo opróbrio, a narrativa faz com que tudo dê muito certo depois e ela só encontre gente disposta a entender o que passou. Mas, isso é secundário nessa obra, onde sobressalta a capacidade de se comunicar com o emocional do leitor.
Historiadora e advogada por formação, Freitas está mais preocupada com denúncia social que esclareça e inicie reflexões, do que com firulas linguísticas. Nesse sentido, atinge em cheio toda uma geração acostumada à linguagem mais direta da TV e da internet. Carol sabe construir suspense e dar indícios do que sucederá, especialmente na parte mais emocionalmente pesada, para depois mostrar como é possível uma recuperação e até o uso da experiência devastadora como motivo para ajudar os outros.
Por ser publicação própria, Nunca Olhei Para Trás só pode ser comprado diretamente nas livrarias de Penápolis, mas aos interessados de fora, deixo a página do Facebook, criada para a obra. Quem sabe você não faz negócio com a doce Carol?


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

PAPIRO VIRTUAL 112

UNS E OUTROS VERSOS

Roberto Rillo Bíscaro

Há alguns meses, o poeta João Luis dos Santos surpreendeu-me com o convite para prefaciar seu livro Uns e Outros Versos. Mais afeito aos textos dramáticos e narrativos, fui convencido pelo amigo com a seguinte tirada: “Robert, não é pra escrever uma tese; é só um texto de lauda, lauda e meia”. Como conheço a produção dele desde os anos 80 e gosto como pessoa, topei o desafio.
Em setembro, Uns e Outros Versos foi lançado pela EditoraScortecci, na Bienal do Livro, com sucesso. Na propaganda do lançamento, aprendi que o texto de apresentação é do poeta Thiago de Mello. Imagine, eu, “companheiro” de Thiago num livro? Envaidecido, grato, João!
Dia 28 será o lançamento aqui em Penápolis, na Loja Maçônica. Outro orgulho: a seleção de textos é de meu amigo de desde os anos 80 e ex-aluno Renato Costenaro. A organicidade da precisa escolha merece tantas loas quanto o labor poético de João Luis.
Já que fui incumbido de apresentar o escritor para os leitores do livro, usarei meu texto em Uns e Outros Versos para apresentar a obra aos leitores do blog:

Os Entes do Mundo Nosso, primeiro livro de João Luis dos Santos, foi lançado em 1984. Parceria com o hoje historiador Antônio Carlos Duarte de Carvalho, os poemas ainda adolescentes mostravam características perenes na vida e obra do autor: engajamento social e preocupação com o burilar da palavra; ourivesaria consequente, nada que ver com aquela alienada do Parnaso ou com um simples manipular de léxico-LEGO para fazer gracinha erudita Concreta.
João foi ser professor, mestre literato. João foi ser prefeito de sua amada Penápolis. Habita em dois planos que parecem tão díspares: o idealizado Mundo das Letras, que tantos desavisados querem desgrudado do “Real” e o vilificado cenário político, que por mau exemplo de alguns – até metidos a escritores, só que ruins – parece incompatível com a poesia. João Luis conectou os dois, trazendo conteúdo sócio-histórico para sua poesia e boa poesia para sua política, com seu jeito manso e conciliador.
Enquanto lia Uns e Outros Versos, repetidamente me vinha à cabeça a famosa epígrafe de E. M. Forster no romance Howard’s End: only connect. O escritor inglês ressaltava a importância moral da ligação entre os indivíduos, transpondo barreiras de classe, etnia, gênero e o que mais fosse. Conector de esferas por natureza, Joao Luis dos Santos (e também de nós pobres pecadores mortais) continua sua lida de engajamento social e amor às palavras.   
Conexão, ligação, irmandade. A produção poética de João Luis dos Santos explora ou tangencia tais ideais. A Ponte liga os entes do mundo nosso separados por tantos motivos, mas há um que no final nos irmana a todos: Somos Todos Africanos. A Amiga Saudade dói, mas conecta memórias; os metropolitanos Sentindo a Garoa têm pressa de ir para seus lares, porque querem a intimidade familiar.
Ao nos mostrar seu Autorretrato Escrito Quase Falado, admite ser da cidade e do campo. É essa bipolaridade conectiva que lhe permite detectar a simbiose entre Homem e Natureza na Arrumação que coroa o campo para a plantação.
Curioso por conhecer cada palmo de Nosso Chão – com destaque para o pronome pessoal no plural – João Luis comemora a progressiva união dos Afropenapolenses às demais etnias constituintes de sua sempre versejada Penápolis. APAExonado por balancear diferenças, o poeta celebra as distintas formas de ser, ver, ouvir, sentir e enxergar a vida.
Retrato Três Por Quatro conecta o João Luis do passado ao atual senhor de meia-idade conservado. Um não excluiu ou matou o outro, afinal são distintos, mas são o mesmo. Dois Joões em um; um João em dois. A mesma habilidade de quando jovem para des/reconstruir o léxico, sapequeando com as palavras, agora com mais maturidade e profundidade; mais do mesmo no bom sentido, mas diferente.
Dividido em duas partes, a primeira de poemas mais longos e a segunda de experiências mais vanguardistas, concretas de poema-piada, a coesão de Uns e Outros Versos está na qualidade do labor poético de burilação das palavras, preciosas poeticamente e relevantes socialmente.
 Roberto Rillo Bíscaro
Penápolis, 22 de abril de 2016.

João Luis liberou alguns poemas para reprodução no blog:

Arruação (João Luis dos Santos)
As mãos calejadas
seguram firmes a
enxada o
arado a
marmita o
facão.

Antes de o sol nascer a
labuta contínua
coloca ordem na
plantação:

Simetria do homem na
natureza feita uma
coroação 
nos pés de
café
cana
milho
algodão.


Somos todos africanos (João Luis dos Santos)
Qual é a cor dos seus sonhos?
Seu sangue, qual a cor?
Você tem quantos corações?
Quantos cérebros você tem?

Talvez os seus sonhos sejam diferentes dos meus.
Os seus sentimentos, talvez, sejam diversos dos meus.
As suas crenças, distintas das minhas, talvez.
A tonalidade de sua pele,
a cor dos seus olhos,
a textura de seus cabelos,
o formato de seu nariz, do seu corpo.
Quantas dessemelhanças em relação a mim!

Sim, somos díspares,
há uma diversidade entre nós.
Somos frutos de diversa cultura,
diversas árvores lógicas,
formatados em lutas e esperanças.

Mas também somos
muitos iguais nessa vida:
se a gente puxar bem todo o fio da meada,
do começo ao fim, pouco ou muito,
é fatal e ninguém pode mudar,
todos somos
somos todos
africanos.


Som
 (João Luis dos Santos)
Não
sei
se
soul
ou
se
jazz.

 Uns e Outros Versos pode ser adquirido na loja virtual da Scortecci e em livrarias como a Cultura. Recomendo.

domingo, 27 de dezembro de 2015

SUPERAÇÃO JUDOCA

Devido a uma contaminação hospitalar, o promissor judoca Paulo Duarte perdeu a perna esquerda nos idos dos anos 1960. Ele não se deixou abater, tornando treinador de campeões olímpicos, autor de livros e ministrador de oficinas e cursos por todo  o país. 


Um amigo participou de um de seus cursos, chamado Princípios Metodológicos do Judô, veja o que ele relatou no Facebook: Participando do Curso "Princípios Metodológicos do Judô" cujo conteúdo envolveu comportamento, postura, movimentação, pegadas, utikomis (tati e ne waza), e outros fundamentos básicos que na rotina do dia a dia passamos batidos. Quero externar a honra de ter passado estas horas com o competentíssimo Sensei Paulo Duarte que além de demonstrar domínio do assunto, eficiência total para fazer o que propôs, nos levou a viagens fantásticas de um passado riquíssimo sobre nossas passagens no Judô. Emoção sem fim, obrigado Deus! Obrigado Sensei Paulo Duarte!
Obrigado ao amigo Eder Granato pela indicação da história do Sensei Paulo Duarte.

terça-feira, 12 de maio de 2015

PROSTITUIÇÃO À BRASILEIRA

Prostituição à Brasileira
Há algumas semanas, resenhei Prostituição à Brasileira, mais recente livro do historiador José Carlos Sebe Bom Meihy (leia aqui).
Incentivador e colaborador do blog desde sua fundação, nosso cronista favorito estará na Livraria Cultura, na Av. Paulista, para o coquetel de lançamento oficial da obra nesta quinta, a partir das 18:30.
Assista ao autor falando sobre o livro, realmente muito gostoso de ler, além de instrutivo. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

PAPIRO VIRTUAL 79

Moro em uma cidade que teve a sorte de ter tido um prefeito-poeta ou um poeta-prefeito. O professor João Luis dos Santos é meu amigo desde os anos 80. Tenho cópia original autografada, de seu primeiro livro de poemas, Entes do Mundo Nosso (1984).
Esta semana a APAE de Penápolis realiza sua 6a APAE Flia, com passeata, show e muito mais. Vejam que belezura o poema que nosso JL fez pra abertura da solenidade. Tem tudo a ver com a proposta inclusiva e de diversidade do blog!
Somos todos APAExonados
João Luis dos Santos

Provavelmente o seu olhar seja diferent...
e do meu enxergar
O seu jeito de andar certamente é diverso do meu jeito de caminhar.

A sua maneira de abraçar será desigual à minha maneira de dançar.
Talvez eu precise de ajuda para dar um passo após outro passo
E você precise de uma cadeira de rodas.

Eu gosto do sol você pode gostar da lua

Você escreve de uma forma muito distinta à minha maneira de ler e de ser.

Definitivamente, nunca seremos iguais.

Minha impressão digital é minha sua impressão digital é sua.
O formato de seu rosto é seu e o formato de meu rosto é meu.

Sua alma é sua e somente sua Meu corpo é meu e exclusivamente meu

Não haverá, no mundo, ninguém ninguém igual a mim ninguém igual a você

Talvez eu ouça suas palavras e você apenas perceba meus gestos

Eu sou
Tu és
Ele é
Somos todos diferentes
Na forma de respirar de dormir de acordar de sonhar de viver

Talvez eu enxergue vermelha a maçã que você diz que é verde

Dois e dois para mim são vinte e dois para você poderão ser quatro

para o Souzinha são dois patinhos na lagoa.

É provável que o meu sono seja profundo que seu sono seja leve que alguém não tenha sono

Que você sinta fome às onze horas

e minha barriga comece roncar ao meio dia.

Você talvez seja santista seja palmeirense ou sãopaulino eu sou corintiano e, olha só, todos somos penapolenses.

Você enxerga meu corpo e talvez eu sinta somente a sua alma.

Com tantas diferenças somos, de fato, diferentes.

Mas somos também muito muito iguais nessas andanças da vida
Sim, senhor. Sim senhora,
Eu sou
Tu és
Ele é
Sim, nós
SOMOS TODOS APAEXONADOS

(Penápolis, 25 de agosto de 2014)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

CIDADÃO PENAPOLENSE NO YOU TUBE

Dia 30/11/12, recebi o título de cidadão penapolense. Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi este vídeo contando parte de minha vida. Depoimentos de minha mãe e amigos, fotos, vídeos meus. Compartilho com vocês.

sábado, 15 de setembro de 2012

ALIADA NO CÉU

Estive 3 dias em Salvador pra participar do II Encontro Estadual das Pessoas com Albinismo, sobre o qual falarei depois.
Ao ligar o celular, depois de descer do avião em Guarulhos, li mensagem que me deixou muito triste. Ana Paula Rocha Lima falecera de câncer.
Não a conheci pessoalmente, mas mantivemos contato durante bastante tempo, trocando emails e ela sempre deixava comentários no blog.
Pras pessoas com albinismo, Ana Paula deu contribuição importante pra nos levar pra grande mídia. Foi através de um email dela, que a produção do Programa do Jô entrou em contato comigo. Quando ligou, a produtora me disse.
Ana Paula divulgou muito este blog e a causa albina, por isso, ficam aqui nossas condolências pra família.
Perdemos uma aliada na terra, mas ganhamos uma no céu.
Quando Amy faleceu, Ana Paula deixou mensagem dizendo "Luto eterno por Amy Winehouse". O mesmo vale pra você, querida. Fique em paz. Um dia a gente vai se conhecer, tá?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

PRO JAYME/CLAUDIO

Espero que vocês ainda nao tenahm esta!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

PRO CARLOS EDUARDO

Os precos de produtos eletronicos e afins aqui nos EUA estao compensando muito. Alguns dirao que eh deslumbre meu. Nao eh. Precisa de muito mais pra isso. Eh apenas constatacao. Se eu fosse consumista, teria feito a festa, mas nao eh o caso.
Imaginem que aproveitei o frete gratis da Amazon e comprei esses 2 blur rays que um amigo encomendou. O do filme Panico tem os 3 primeiros filmes e 2 documentarios e saiu por miseros 20 dolares!
Outro amigo ficou de mandar lista com pedidos e nao o fez. Perdeu otimas ofertas, baby honey!

sábado, 7 de janeiro de 2012

PRO ZECA

O presente pro nosso cronista das quartas-feiras foi comprado na loja do Museu de cultura indigena do Smithsonian. Trata-se de um instrumento musical: a gente poe no pulso e sai fazendo barulho.
Serah que ele vai gostar?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

BOA IDEIA


Vejam o que tem na cozinha de meu anfitriao norte-americano, com rotulo em ingles e tudo!
Outro dia ele fez uma caipirinha e disse ter adorado.
De minha parte, estu fazendo um sacrificio tremendo pra ele: ele comprou uma garrafa de Madeira, legitimo e do bom, mas nao gostou.
Segundo ele, tem gosto de xarope contra tosse, tomando emprestado minha definicao pra root beer (argh!)
Desse modo, estou tomando a garrafa de Madeira pra evitar que ele a jogue fora.
Que sacrificio nao fazemos pelos amigos, nao?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PRO JAYME





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

PRO CARLITO E PRO CLAUDIO

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

PAPIRO VIRTUAL 26

Sucesso no Albino Incoerente com sua seção de crônicas das quartas-feiras, o Professor José Carlos Sebe Bom Meihy - em co-autoria com Susana Salgado Ribeiro - está lançando mais um em sua extensa produção de livros. 
O Guia Prático de História Oral atualiza conceitos e indica caminhos operacionais para interessados em trabalhos com entrevistas. Escrito com clareza e objetividade, o livro é recomendado para acadêmicos, comunidades e empresas. Rigor na condução de projetos e fundamentação teórica são atributos que valorizam os trabalhos na área de história oral. Exemplos de como fazer projetos nos diversos campos que usam entrevistas são demonstrados como modelo de uma prática que avança em todos os setores da vida moderna.
A noite de autógrafos em São Paulo acontecerá dia 22, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, a partir das 18:30.
Devido a um evento que organizo no campus, não poderei comparecer para cumprimentar os amigos escribas, mas deixo minhas boas vibrações de sorte. 
Quem aparecer por lá, diga ao Professor ou à Susana que leram a nota no Blog e ganharão um sorriso especial!

terça-feira, 12 de julho de 2011

ZOOFILIA COM CADELA

O ponto alto do primeiro semestre foi ser chamado pra assumir meu cargo no IFSP. A proposta pedagógica da instituição é séria e diversificada e o ambiente estimula a gente a apresentar propostas de atividades.
Eu não poderia ter pedido por colegas de trabalho melhores. Um deles, o Prof. Aurélio, tem uma cadela albina, a Jade, que hoje vira estrela do blog!
Jadé é do tamanho do dono!
Ela tem um amiguinho negro, o Boros.
Última vez que soube da Jade, ela estava dodói. Espero que tenha sarado.  

terça-feira, 15 de março de 2011

JOSÉ CARLOS FOI PRA GUERRA

A sessão fixa de maior sucesso no blog é a Contando a Vida, publicada às quartas-feiras. As crônicas do professor José Carlos Sebe Bom Meihy cativam pela variedade temática e erudição, sem perder a leveza do gênero.
Incrível, este ano faz 12 anos que nos conhecemos. Desde nosso primeiro encontro, afinidades e diferenças são contundentes. Não há meio termo: ou pensamos exatamente o mesmo ou nos achamos em lados diametralmente opostos da questão. Não tenho dúvidas de ser esse componente cão e gato de nossa amizade o combustível para um relacionamento tão prolífico. Geograficamente distantes, raros têm sido os dias nessa dúzia de voltas terrestres ao redor do sol em que não trocamos mensagens.
Hoje é aniversário dele. Se já teve tempo para checar sua caixa de emeihyls, ele deve estar estranhando a falta dos parabéns albinos. Logicamente (LOL), não esqueci. Aproveito a oportunidade para fazer desta postagem uma declaração pública de parabéns prá você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Que você permaneça sempre presente em minha vida, incentivando, apoiando, me fazendo rir e me azucrinando a paciência às vezes. Também ponho a sua em teste, então não posso reclamar.
Historiador de renome mundial (ele não curte muito que eu escreva isso, mas é verdade, fazer o quê?), o amigo aposentado trabalha mais do que muita gente oficialmente na ativa. Prestes a embarcar em longa viagem a trabalho, o professor Sebe ainda encontra tempo para lançar mais um livro. Infelizmente, não poderei comparecer à noite de autógrafos amanhã.
Uma leitora me tuitou uma reportagem sobre Guerra Civil Espanhola: 70 anos depois, publicada na Revista de História da Biblioteca Nacional. Boa pedida para os leitores conhecerem mais sobre o importante trabalho desenvolvido pelo professor e seus orientandos e colegas do NEHO, que tanto inspira a atuação deste blogueiro.


Diagnosticador do presente
José Carlos Sebe B. Meihy lança livro sobre a guerra civil espanhola e conversa com a RHBN sobre as particularidades da História Oral
Alice Melo


Diagnosticador do presente. É assim que se define José Carlos Sebe Bom Meihy, professor titular aposentado do Departamento de História da USP e Coordenador do Núcleo de Estudos em História Oral, na mesma universidade. Meihy escreveu para a RHBN o artigo “Catadora de vidas” (maio de 2010) e é autor de vasta bibliografia, incluindo a co-autoria de “História Oral. Como fazer como pensar” (Editora Contexto, 2007) e a organização do livro de artigos “Guerra civil espanhola: 70 anos depois” (Edusp, 2011), que será lançado nesta quarta-feira (16), às 19h, na Livraria da Vila, em São Paulo.
O novo livro do historiador visita o tema da guerra que dividiu a Espanha no início do século XX a partir de uma indagação: o que se celebra com o fim do conflito? Os artigos reunidos na obra detectam três respostas para esta pergunta: “a perda das condições democráticas da Espanha republicana e o enorme exílio e emigração; o início de uma das ditaduras mais duradouras e repressivas da Europa; e o fim de um conflito e o seqüente início da Segunda Guerra Mundial”, explica o historiador.
“A guerra civil espanhola, durante anos, permaneceu como tema menor na preferência de estudos sobre a contemporaneidade brasileira”, declara Meihy, explicando que o tema costumava ser historiograficamente rejeitado principalmente em países onde “golpes de estado bateram democracias estabelecidas pelo voto popular”. Agora, sob a luz da globalização, o assunto entra em pauta e com novas questões a serem discutidas:
“Hoje, o conflito gera outro tipo de problema além do conhecimento de fatos. A emigração, os direitos de reparação das vítimas e a luta pelo restabelecimento da legalidade jurídica dos banidos”, opina.
Em 1996, o historiador lançara outro livro sobre o tema, mas desta vez voltado para o público jovem. “A Guerra Civil Espanhola” (Ática, 1996) saiu no aniversário de 60 anos do início da Guerra Civil Espanhola. Naquela época, José Carlos viu a necessidade de discutir fatos, principalmente a herança cultural deixada pelo conflito à posteridade.
“Interessava o rastro artístico deixado pela produção de romances, poemas, filmes e principalmente da pintura de autores como Picasso ou Dali”, lembra.

Historiador do tempo presente
Apesar das obras que remetem ao conflito espanhol, José Carlos Meihy é um especialista em história oral e sua pesquisa sobre fatos contemporâneos lhe deixa à vontade para se denominar “diagnosticador do presente”.
O termo usado não é de sua autoria. É, como ele mesmo indica, um conceito criado pelo francês Michel Focault em “A coragem da verdade” (1984) e representa bem o braço da História que estuda o tempo presente e usa entrevistas como sua principal ferramenta de trabalho. Como historiador da cultura e adepto desta linha de pesquisa, Meihy discorda das correntes historiográficas mais conservadoras que veem as fontes orais apenas como um complemento às documentais.
“As fontes orais são consideradas importantes por possibilitarem abordagens que vão além das informações filtradas por documentos oficiais e oficializados”, diz ele. “É importante reconhecer na História os seres humanos e não tratar situações como se fossem movimentos institucionais. A humanização da História não ocorrerá sem a consideração dos seres viventes”, completa.
Os primeiros passos na trilha da oralidade foram dados por Meihy nos anos 1970, quando a discussão sobre a Nova História ganhou espaço entre os herdeiros da contracultura da década anterior. A relativização do conceito de documento e uma busca pessoal por encontrar seu lugar no mundo, o levou a buscar na história oral as respostas que não conseguia encontrar na historiografia tradicional. Filho de emigrante, via a história da imigração terminar com a chegada das primeiras levas e isso não o satisfazia.

“Dilemas identitários dos descendentes, por exemplo, não se enquadravam em análises que excluíam a continuidade histórica”, explica. Anos depois, essa busca interior por resposta o levou à sua atual pesquisa, sobre prostitutas que vivem fora do país: “Ao ver o crescente número de brasileiros fora do Brasil, senti falta de registros capazes de favorecer estudos sobre este fenômeno que não seria considerado histórico por medições tradicionais”.
Dessa forma, o historiador acredita atuar em uma área de estudos que deveria ser independente. Uma área voltada para a “realidade”, onde o resultado da pesquisa retorna necessariamente à sociedade, repensando alguns aspectos qualificadores da História Pública.
“A história oral ao se apoiar no tripé que a justifica – memória oral, construção identitária e elaboração do conceito de comunidade – se impõe para além da condição de recurso auxiliar para a História”, observa. “Ela se mostrou capaz de dimensionar situações”, diz ele, acrescentando que, até então, isso jamais fora feito por outra área que atua em semelhança, como o jornalismo e a antropologia, por exemplo.
Para o professor, o jornalismo vive do imediatismo, da busca pelo fato no presente sob ótica da informação pontual. A antropologia, por outro lado, adota modelos de entrevista filtrados por método próprio, o que não permite a “discussão sobre problemas de construção de memórias coletivas, identidade ou esforço para a constituição de novas comunidades”.
Dessa forma, com apoio das novas tecnologias de divulgação, a pesquisa em história oral pode levar os dilemas da cultura contemporânea ao debate social. Hoje, apoiados neste viés acadêmico, filmes e novelas levam a discussão ao público, que passa a refletir sobre problemas que o cercam, mas que muita das vezes passam desapercebidos.
(Encontrado em http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=3692)


SERVIÇO
Lançamento do livro Guerra Civil Espanhola: 70 anos depois
Local: Livraria da Vila
R. Fradique Coutinho, 915 – São Paulo/SP
Fone: (011) 3814 5811
Data: 16/03
Horário: a partir das 18:30
Haverá apresentação do livro no auditório a partir das 19:00

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

DATA QUERIDA

Hoje é aniversário de duas pessoas especiais que cruzaram meu caminho em circunstâncias diversas.
Em 1987, fui assistir a um ensaio da peça Arena Conta Zumbi, montada pelos alunos do colegial do Anglo aqui de Penápolis. Amizade mesmo eu tinha com umas duas pessoas, o resto conhecia de vista ou de sentar em mesas de bar, mas sem intimidade. Um dos atores, eu não conhecia. Na verdade, conhecera seu pai, meu professor de química por três semanas no primeiro colegial, em 1982. Sua aposentadoria saiu no início do ano letivo; esse o motivo de tão pouco tempo como meu professor. Sorte dele... Sempre fui péssimo em Exatas. Bom pra mim também, porque ele não levou más recordações de minhas reclamações e desempenho pífio!
Lembro-me direitinho da fala do jovem estranho: “vinte negras pra cada um”. Faz anos que não leio a peça, por isso não me recordo em que circunstância vem essa fala. O importante é que lembro da inflexão e da cadência usadas por ele. Escuto agora, enquanto escrevo...
Terminada a função, fui apresentado a ele. Jayme, como o pai (o Y é vital!). Recém-chegado de um ano de intercâmbio nos Estados Unidos. Não sei se já se deu conta de que nos conhecemos num teatro, área onde vinte anos mais tarde eu me doutoraria. Na época, meu conhecimento sobre o assunto era tão “vasto” que, durante meses, achei que a peça se chamasse Arena Contra Zumbi. Só percebi que era “conta” quando li o programa do espetáculo!
São tantas as coincidências e afinidades entre nós, que penso que nossos caminhos estavam predestinados a se cruzar. Como dizia um sucesso dos anos 80, “nosso amor estava escrito nas estrelas”.
Desde então, não nos perdemos mais de vista, ainda eu a minha não seja lá grande coisa! Parabéns, Jayme!

Na segunda metade dos anos 90, lecionei pras sétimas e oitavas séries do Educandário Coração de Maria. Às vezes, brincava com os alunos dizendo-lhes que um deles tinha que ficar famoso pra que eu pudesse escrever uma biografia não autorizada e ganhar muito dinheiro. Salário de professor não é lá aquelas coisas...
No meio do alunado havia uma menina tagarela, com uma pinta na testa. Sempre alegre. Nos seus 13, 14 anos, ela queria mais saber de festa e das amigas do que de estudar inglês. Mas, não era burra. Era apenas adolescente. Se jamais aprendi matemática, por que achar que todos devam aprender inglês. Não sou burro por não saber PA ou PG; ela também não é por na época não querer saber da língua inglesa. Volta e meia eu dava umas broncas nela, pra parar de falar! Eu era mais imaturo na época e às vezes exagerava no pito. Ela não era mal educada; apenas meio faladeira (o “meio” foi pra limpar um pouco sua barra, viu?).
Como de costume com alunos, fiquei uns anos sem contato porque ela mudou de escola e eu também. Na rua, ás vezes ela gritava um “seu Robertiiiii!”. Por causa da profissão, me apelidaram de Robert aqui... Também de vez em quando, seu pai me dava alguma notícia dela e do irmão, também meu ex-aluno.
Olhem como são as coisas... Anos depois, em um gelado janeiro no norte dos Estados Unidos, estava checando meus emails e dando uma olhadela nas notícias do Brasil. Talvez por estar longe, fiz algo que nunca fizera e jamais repeti: abri um link com a lista de participantes da edição do Big Brother por estrear. Jamais assistira a um segundo sequer de qualquer edição anterior (nem das posteriores, confesso).
Segundos depois, gritei pro anfitrião norte-americano. Meu Deus, uma ex-aluna minha participará do Big Brother! Ele achou a idéia muito legal e veio até o computador pra que eu lhe mostrasse a foto. Era a menina da pinta na testa, a Sabrina!
O resto da história quase todo mundo conhece. Sabrina Sato não ganhou o BBB, mas tornou-se estrela de primeira grandeza da TV brasileira. Fazendo o que sempre soube melhor: cativar e divertir.
A fama não lhe subiu à cabeça. Ela continua gritando seu Robertiiiiiiiii quando vem pra cá e me vê na rua (ela sabe que eu nunca vejo!). Apesar das broncas, não ficou com raiva de mim. Coisa de professor e aluno... E as entrevistas dela “em inglês” me divertem muito. Tomara que ela nem aprenda inglês pra não estragar as entrevistas! Mas, se quiser, aprende. Ela é esperta. Parabéns do Seu Robertiiiiiiiiii, Sabrina!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ALBINO INCOERENTE NA REDE RECORD

Não haverá postagem nesta quinta-feira.
Viajo à São Paulo novamente esta noite. Fui convidado a gravar um quadro para o programa Hoje em Dia, da Rede Record. A filmagem ocorrerá na tarde da quinta, em alguns locais da cidade.
Assim que souber a data de exibição, publicarei e também contarei como foi a experiência.
Viajo com Carlito, o amigo argentino que está retornando a Buenos Aires, depois de passar 3 semanas em casa, pro aniversário de 80 anos de minha mãe. Devo aos leitores, fotos e notícias sobre esse importante evento familiar. Prometo corrigir o deslize, assim que tiver tempo pra respirar!
Agradeço o convite e à gentileza da Delma, produtora do Hoje em Dia e á Record, de modo geral, por mais essa oportunidade de divulgação de meu trabalho e da causa albina.
Vamos em frente e fiquem ligados, porque há mais novidade vindo aí!
O mp3 já está lotado pra viagem. Uma das músicas selecionadas é esta:

domingo, 7 de novembro de 2010

AMIGO É COISA PRA SE GUARDAR

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Dez minutos com um amigo fazem bem à saúde

Estudo revela que mesmo esse pouco tempo na companhia de alguém querido afia a memória, o raciocínio e a concentração
Rachel Costa

Você está com algum problema para resolver? Tente a solução proposta por pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA): dez minutos de conversa com um amigo vão ajudá-lo. “Um simples contato com ele traz benefícios mentais”, afirmou Oscar Ybarra, coordenador do trabalho.

Os pesquisadores analisaram o desempenho de 192 estudantes diante de questões que exigiam boa memória, autocontrole e concentração. Observaram que após dez minutos de contato social prazeroso, eles apresentavam uma performance muito melhor. Ao contrário, não demonstraram melhora logo depois de contato com pessoas com as quais as conversas haviam ganhado um tom mais de competição do que de cooperação.
O estudo é o mais recente de uma linha crescente de investigações sobre o efeito das relações sociais para a saúde. Na Brigham Young University (EUA), por exemplo, os pesquisadores constataram que manter uma boa rede social tem uma influência positiva sobre a expectativa de vida, comparável a de largar o cigarro ou sair da faixa da obesidade. A equipe fez uma meta-análise baseada em 148 estudos que, somados, abarcam mais de 300 mil participantes. A partir disso, foram capazes de determinar que redes sociais sólidas fazem as pessoas ter até 50% menos chance de morrer prematuramente.
Na mesma linha, mas na Acadia University, no Canadá, Lachlan Mc­Wil­liams encontrou uma relação estreita entre redes sociais e problemas cardiovasculares ao analisar as informações dos questionários de saúde de 5.645 adultos. O pesquisador dividiu os participantes entre três perfis de comportamento: os seguros, os reservados e os ansiosos. O primeiro é formado por quem têm facilidade para estabelecer amizades. Os reservados são os que integram grupos sociais mais restritos e têm mais dificuldade para criar relações de confiança. Por último, os ansiosos são os que têm medo constante de ser rejeitados. McWilliams observou que os casos de dores crônicas, infartos e úlceras eram mais comuns entre os ansiosos.
Ter amigos ameniza os efeitos do estresse. “Nada como o abraço de um amigo para baixar o nível dos hormônios que causam a sensação de estresse”, considera Denise Ramos, da PUC/SP. A publicitária Regiane Bonafé, 33 anos, conta com esse apoio. Ela é partidária de estar sempre disponível para conhecer novas pessoas. “Saio várias vezes por semana e sempre encontro gente conhecida. Também aproveito para conhecer outras”, diz.
(Encontrado em http://www.istoe.com.br/reportagens/109568_DEZ+MINUTOS+COM+UM+AMIGO+FAZEM+BEM+A+SAUDE)