sábado, 31 de maio de 2014

ALBINO GOURMET 138

sexta-feira, 30 de maio de 2014

ALBINISMO CANINO

Revelada mutação genética de cães albinos

Gene identificado na raça Dobermann é semelhante a gene envolvido numa forma de albinismo nos seres humano.

Até 1976, os Dobermann existiam apenas em quatro cores, designadas por: "negro", "castanho", "azul" (diluição do negro) e “isabella” (diluição do castanho). Nesta altura, ocorreu uma mutação genética e, do cruzamento de dois cães de coloração normal, nasceu o primeiro melhor amigo do homem desta raça que era albino. Mais tarde, o seu acasalamento com outros cães que tinham a mesma mutação levou à propagação de Dobermann de pêlo branco e olhos claros. Agora, foi identificada a mutação genética que causa o albinismo nestes cães de guarda e de companhia.
A descoberta, publicada na revista PLOS ONE, envolveu experiências com Dobermann albinos e Dobermann de cores normais, revelando que o gene mutado (SLC45A2) é semelhante a um que está envolvido numa forma de albinismo nos seres humanos. Um cão, ou uma pessoa, pode ser portadora da mutação genética sem que o albinismo se manifeste, mas pode transmiti-la à sua descendência. Caso os dois progenitores transmitam aos filhos a cópia do gene mutado, então eles serão albinos.
“Descobrimos uma mutação genética que resulta na ausência de uma proteína que é necessária para que as células sejam pigmentadas”, disse Paige Winkler, estudante da Universidade Estadual do Michigan (EUA), e que coordenou o estudo com Joshua Bartoe. “Nos humanos, alguns defeitos neste mesmo gene causam o albinismo oculocutâneo [ausência total ou parcial dos pigmentos da pele, do cabelo e dos olhos]”, acrescenta, em comunicado.
Apesar de existirem quatro cores possíveis para os Dobermann (sem contar com a branca), a sua aceitação é variável: nos Estados Unidos e no Canadá, a totalidade das cores é aceite, enquanto na Europa apenas são admitidas duas – o negro e o castanho. “Muitos exemplares de cor azul e ‘isabella’ apareciam com doenças de pele e por isso mesmo foram erradicados dos programas de criação da Europa”, explica ao PÚBLICO Fernando Magalhães, presidente do conselho directivo da Associação Dobermann de Portugal, fundada em 1984.
Quanto ao albinismo nos Dobermann, ele é inaceitável a nível mundial. Assim, uma vez que os Dobermann albinos não cumprem os padrões de classificação da raça, as conclusões deste estudo são consideradas bastante importantes.
“Essa cor não é reconhecida. O Dobermann é um cão de origem alemã e, portanto, os ‘standards’ da raça são detidos pela Alemanha. E o albinismo, em todas as raças, não é uma característica desejável devido aos problemas que acarreta”, refere Fernando Magalhães, acrescentando que também há cães albinos nas raças Boxer ou dogues alemães.
Esta descoberta pode revelar-se assim importante para os criadores de cães: conhecendo a genética dos seus cães, poderão evitar o nascimento de Dobermann albinos. “Pode ter interesse para que os próprios criadores tenham um certo cuidado nos exemplares que utilizam para reprodução. O criador pode ser chamado à atenção para evitar utilizar determinado um macho ou uma determinada fêmea que poderá trazer este acrescento de problemas no futuro”, afirma Fernando Magalhães.
Vários problemas de saúde
Algumas características do albinismo nos Dobermann passam por pêlo de cor muita clara, íris pálidas e nariz e a boca cor-de-rosa. “Estas características são muito semelhantes às características manifestadas nos humanos com este problema [albinismo oculocutâneo], que origina pele cabelo claros, bem como a descoloração dos olhos e perturbações da visão”, refere Paige Winkler.

Dada a sensibilidade da pele à luz solar, tanto nos humanos como nos cães, o risco de cancros e de outras lesões na pele é maior. “O albinismo tem a ver com falhas biológicas. A cor da pele, dos olhos e do pêlo depende da presença de um pigmento chamado melanina. Portanto, a sua principal função é a pigmentação e a protecção contra a radiação solar. A falha da melanina é sempre um problema grave que pode vir a causar problemas graves na pele”, diz Fernando Magalhães, que teve o seu primeiro Dobermann em 1980 e, quatro anos mais tarde, tornou-se criador desta raça de cães.
Até agora, permanecia a questão de saber que forma os tumores afectavam os cães de cor normal e os cães albinos. “Já sabíamos que os Dobermann costumavam desenvolver estes tipos de tumores, à semelhança dos humanos, mas perguntávamo-nos qual era de facto o aumento da prevalência destes tumores nos Dobermann ‘brancos’ em relação aos Dobermann de pêlo normal”, diz por sua vez Joshua Bartoe, também segundo o comunicado. 
Nos 40 cães estudados, metade albinos e a outra metade com pêlo de cor normal, a equipa de cientistas descobriu que mais de metade dos cães albinos (12 animais) tinha pelo menos um tumor, enquanto apenas um dos cães de cor normal apresentava um tumor. “Agora que identificámos a mutação, podemos olhar para a composição genética desses cães e determinar se eles podem ser portadores [dela]”, diz Joshua Bartoe.
 http://www.publico.pt/ciencia/noticia/mutacao-genetica-de-caes-albinos-identificada-1637663

quinta-feira, 29 de maio de 2014

REFEIÇÃO ALBINA

 Dupla de ursos ataca raro pavão albino em zoo da Áustria
Um visitante do zoológico de Viena, na Áustria, registrou o momento em que um pavão albino é devorado por dois ursos polares.
A ave rara voou para o interior do recinto dos ursos e foi atacada.
A cena deixou os visitantes do local chocados.
Assista ao vídeo:

http://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/portaljornalismo/Noticia.aspx?118,4,610092,200,Dupla-de-ursos-ataca-raro-pavao-albino-em-zoo-da-Austria

SENADO ALBINO

Política de Proteção aos Direitos dos Albinos será submetida a turno suplementar 

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (28), substitutivo a projeto de lei que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Albinismo. A matéria ainda será analisada em turno suplementar e poderá seguir para a Câmara dos Deputados.
O projeto original (PLS 250/2012), do senador Eduardo Amorim (PSC-SE), determinava a distribuição gratuita de protetores e bloqueadores solares pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos portadores da doença, especialmente suscetíveis à radiação solar e ao câncer de pele. O relator da proposta, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), ampliou o objetivo da proposta no substitutivo apresentado.
Ele explicou que a distribuição gratuita de protetor solar, para pessoas que tenham doenças causadas ou agravadas pelo sol, está prevista em projeto já aprovado pelo Senado (PLC 111/2005) e que retornou à Câmara para os deputados analisarem as mudanças incluídas pelos senadores. Para evitar que o projeto de Eduardo Amorim fique prejudicado, Rollemberg considerou que a alternativa seria a apresentação de um substitutivo mais abrangente.
Pelo texto aprovado na CAS, entre as ações da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Albinismo deverão estar a elaboração e a implantação de um cadastro nacional; a estruturação da linha de cuidados e o estímulo à prática do autocuidado; e a formação e a capacitação de trabalhadores, no âmbito do SUS, para lidarem com os diversos aspectos relacionados com a atenção à saúde da pessoa com albinismo.
Segundo o relator, o cadastro dos portadores da síndrome poderia sensibilizar o poder público a tomar medidas efetivas em prol do grupo.
Se a matéria for transformada em lei será assegurado para os albinos o acesso ao atendimento dermatológico, inclusive ao protetor solar e a medicamentos essenciais, a tratamento não farmacológico, a crioterapia e a terapia fotodinâmica. Eles também terão direito a atendimento oftalmológico especializado, assim como a lentes especiais e aos demais recursos necessários para o tratamento da baixa visão e da fotofobia, comuns entre os albinos
Para Eduardo Amorim, a distribuição do protetor solar não é um luxo, mas sim uma necessidade, como se fosse um medicamento, porque contribui com a saúde pública ao evitar casos de câncer de pele.

 http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/05/28/politica-de-protecao-aos-direitos-dos-albinos-sera-submetida-a-votacao-suplementar

TELONA QUENTE 88

Roberto Rillo Bíscaro


Charles Dickens é visto por alguns como entidade totalmente bondosa, incapaz de desabono. O fato de ser humano parece escapar e essa reputação não tem sido prejudicada com a frequente omissão de seu divórcio da esposa que lhe parira uma penca de filhos, pra namorar uma aspirante a atriz, anos mais jovem. Ao resenhar a minissérie Dickens of London (leia aqui) reclamei da omissão do caso com Ellen Ternan.
Ralph Fiennes iluminou essa faceta humana do autor de Bleak House, dirigindo e estrelando The Invisible Woman (2013), filme lento e quieto, que tem resultado misto.
Dickens é um bom sujeito, frequentador do circuito teatral e literário inglês, importa-se com problemas sociais e é infeliz no exaurido casamento. Também é faminto por atenção e aprovação do público, do qual sabe depender sua sobrevivência. Conhece a jovem Ellen, apaixona-se, divorcia-se, mas a identidade de figura pública que criara um estilo e uma reputação não consegue ser abafada. Dickens era um homem, não um semi-Deus.
The Invisible Woman não consegue visibilizar totalmente Ellen Ternan; o gigante literário tem tal vulto no imaginário leitor ocidental que é ele quem conhecemos melhor. O romance com a jovem padece de certa frieza e o roteiro não tem muito a dizer sobre a vida da moça. Momentos há em que o roteiro diz sobre coisa alguma.
No fundo, queremos mesmo é conhecer melhor Dickens.
Como o assunto é Dickens, deu vontade de comentar sobre adaptações de A Christmas Carol, disponíveis no You Tube. Conhecido em português como Um Conto de Natal, a história de arrependimento e renascimento de Ebenezer Scrooge não perde popularidade desde seu lançamento em 1843. A personagem inspirou o nome em inglês do Tio Patinhas, já foi adaptada por Renato Aragão e ano passado Mr. Scrooge foi transportado a nossa época pra ajudar um rico homem de negócios a perceber o espírito natalino, em Mr. Scrooge to See You (ainda não vi).

A primeira adaptação pra cine falado foi na Inglaterra, em 1935. Seymour Hicks vive o usurário Scrooge, que recebe a visita de 3 espíritos natalinos que o fazem ver quão vazia sua vida tinha sido e seria se continuasse a valorizar mais o material em detrimento das relações humanas. Com predominância de cenas internas e sem mostrar o fantasma do ex-sócio (falta de recursos técnicos?), esta versão tem umas cenas que poderiam ter sido evitadas, como o banquete com o prefeito de Londres, pra mostrar mais sobre Ebenezer ou os demais personagens. Defeito de visão ou vi mesmo um balde de plástico na Era Vitoriana? Esta adaptação vale mais pela emoção de assistir a um filme de quase 80 anos! A versão de 1951 traz Alastair Sim fazendo um Scrooge sóbrio, embora descabelado. A cinematografia em branco e preto foi o que mais me agradou. Em 1969, uma versão sombria em desenho animado foi lançada. Quando Fred vem convidar titio Scrooge pro almoço de Natal, ambos começam a cantar. Depois, Fred some totalmente e não há mais números musicais. Estranho. Não entendo a popularidade e adulação pela versão musical de 1970. Não há canções memoráveis e Albert Finney exagera na caricaturização. Como o ator não era idoso em 1970, é capaz de interpretar Scrooge quando jovem também, mas sem falas. De 1984, é minha favorita, com o venerável George C. Scott (Finney também é um de meus heróis, mas escorregou com seu Scrooge), que compôs um Ebenezer desprezível, mas digno, pouco caricato. Tiny Tim é sempre um problema porque deve ser interpretado por criança pequena, então a canastrice é quase inevitável. Mas esse com maquiagem negra ao redor dos olhos pra enfatizar sua doença parece um zumbizinho banguela! Em 1999, Sir Patrick Stewart (o Professor Xavier, dos filmes X-Men) viveu um Scrooge bem mais centrado e menos espalhafatoso. A adaptação capricha nos efeitos e é impiedosa ao mostrar os cadáveres de Tiny Tim e de Scrooge, pra provocar catarse.Mas, não causa. Existem outras versões animadas no You Tube, mas só falei sobre as que conheço.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

QUADRICICLO ELÉTRICO

Invenção criada em Tatuí promete trazer mais mobilidade a cadeirante

 Para o deficiente físico, quadriciclo elétrico geraria independência para cadeirantes (Foto: Caio Silveira/ G1)

Caio Silveira
O quadriciclo elétrico inventado pelo italiano aposentado Giuseppe Wolf – ou ‘seo’ Giuseppe -, em Tatuí (SP), foi modificado para que um deficiente físico possa dirigi-lo. O veículo, que anda 60 quilômetros após cinco horas de recarga na tomada, foi testado pelo cadeirante Ralf Elande, de 58 anos. Surpreso após dar uma volta no quadriciclo, o deficiente físico disparou: “Quero ter um. É muito fácil, gostoso de dirigir. Aumentaria bastante minha independência.”
Ralf ficou em uma cadeira de rodas depois que caiu em 2008. Quando caiu, machucou a perna e em seguida bateu em uma aranha já morta. Ele diz que no início parecia apenas como um ferimento qualquer, mas depois de 12 dias o ferimento se abriu novamente e a visita ao médico se revelou assustadora. “No médico fiquei sabendo que a aranha morta em contato com o ferimento causado no tombo, fez com que eu contraísse a bactéria klebsiela. Desde então, o local do ferimento foi inchando cada vez mais e não teve outra solução senão amputar minha perna”, diz.
Ele passará por cirurgia para amputar a perna esquerda em junho, e deseja ter uma prótese depois da recuperação. “Sonho com a possibilidade de andar novamente, há anos estou em uma cadeira de rodas e sei o quanto é difícil.
Por isso, imagino o quanto o quadriciclo elétrico poderia ajudar quem não pode andar mais. Com ele o cadeirante pode se sentir independente”, reflete.
Ralf vive no mesmo bairro onde o inventor mora e já participou de adequações do veículo para receber a cadeira de rodas. Ao acelerar pela primeira vez o quadriciclo, o sorriso no rosto do "cobaia" foi quase instantâneo. Ele imagina o quanto uma ideia como essa poderia ajudar pessoas que possuem dificuldades para se locomover. “Quando se está em uma cadeira de rodas, perde-se totalmente a independência. Estou há cinco anos em uma cadeira e, desde então, preciso de ajuda de todo mundo para tudo, até as coisas mais simples como ir ao supermercado, farmácia e padaria porque não consigo subir uma rua”, revela.
O veículo
Quatro partes de bicicletas interligadas formam a carroceria do veículo, que mede 1,30m de largura e 2,20m de comprimento. Na frente fica o motor, composto por oito baterias de motocicletas. Os freios, localizados no guidão, automaticamente desligam o motor e param as rodas. Há setas para indicar conversão à direita e esquerda, e o freio de mão é instalado na lateral do veículo. Para fazer descer e subir a plataforma que recebe a cadeira de rodas e aguenta até 150 quilos, o inventor criou um sistema usando um macaco hidráulico.
De acordo com 'seo' Giuseppe, o próximo passo agora é inventar uma maneira de dar ré. O veículo que chega a andar até 60 km por hora já foi patenteado pelo inventor. “Como o deficiente físico terá dificuldades para sair do veículo, e empurra-lo para trás, estou criando um jeito de dar ré, mas se utilizar outro motor, pois deixa o produto mais caro”, afirma.
Quando Giuseppe sai pelas ruas dirigindo, atrai o olhar dos moradores. E a reação de surpresa das pessoas deve continuar, pois uma autorização foi concedida ao inventor permitindo a ele o direito de andar pela cidade. O documento foi entregue pelo diretor de departamento de trânsito da Secretaria de Segurança, Francisco Antonio de Souza Fernandes, na quarta-feira. “Consultamos o Denatran [ Departamento Nacional de Trânsito ] que nos orientou que esse caso estava sob nossa competência. Analisamos, e decidimos dar uma permissão de três meses para testes. Seo Giuseppe pode andar por toda cidade, mas o aconselhamos a não dirigir nos horários de pico de movimento no Centro, e andar até 30km por hora, por questões de segurança”, explica.
Por enquanto, o projeto que começou a ser concebido em 2013, está somente na garagem do inventor italiano. Mas, a ideia pode seguir adiante e ser uma realidade nas ruas, afinal, é barata, silenciosa e ecologicamente correta. “Calculo que R$ 0,60 é o valor gasto para carregar todas as baterias. Mas mesmo que eu esteja errado, que seja R$ 1, R$ 2, ainda assim o preço é baixo comparado à gasolina ou etanol. Se produzido em série, acredito que este tipo de veículo iria custar uns R$ 5 mil, um valor baixo.”
Inventor italiano aproveita carona no quadriciclo elétrico para cadeirantes (Foto: Caio Silveira/ G1)
http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2014/05/invencao-criada-em-tatui-promete-trazer-mais-mobilidade-cadeirante.html

terça-feira, 27 de maio de 2014

ÓCULOS-GUIA

Investigadores desenvolvem óculos guia para invisuais 

Óculos dotados com lentes inteligentes desenvolvidas para pessoas com incapacidades visuais ajudam a seguir caminhos, a evitar obstáculos estáticos ou em movimento e até a reconhecer cor de roupas. O produto comercial poderá ser lançado em 2015.

Com recurso a inteligência artificial, geometria computacional, técnicas de GPS e ultrassom, investigadores do Center for Research and Advanced Studies (CINVESTAV), no México, desenvolvem lentes para óculos que podem vir a revolucionar o dia a dia de pessoas com cegueira ou incapacidades visuais.
Os cientistas desenvolveram toda a ideia até ao protótipo e anunciam que esperam começar a comercializar o produto no início de 2015. O problema para já pode colocar-se ao nível do preço, já que um par de óculos com lentes inteligentes pode custar entre 700 e 1100 euros.
Os óculos equipados com as lentes especiais consistem num dispositivo de navegação desenvolvido com base em algoritmos de visão estereoscópica, possui sensores de som stereo, tecnologia de georreferenciação e um tablet através do qual uma voz vai dando indicações ou avisos aos utilizadores.
Graças às técnicas de ultrassom o dispositivo vai ser capaz de reconhecer objetos translúcidos como o vidro e como está dotado de inteligência artificial poderá guardar informação ao longo do tempo para reconhecer, por exemplo, locais, sinais e objetos.
Por enquanto, os investigadores preveem que o par de óculos, que funciona à base de baterias, terá uma autonomia até quatro horas de utilização contínua. 

  http://www.tvciencia.pt/tvcnot/pagnot/tvcnot03.asp?codpub=35&codnot=18

TELINHA QUENTE 122

Roberto Rillo Bíscaro

Terminei as terceiras temporadas das despirocadas Revenge e Scandal; quantas emoções baratas, como gosto!

A primeira temporada de Revenge restaurou minha fé nas soaps com DNA anos 80, tipo Dynasty. A vingança de Emily Thorne infestou os (b)milionários Hamptons com tanta inverossimilhança glamurosa, que me levava a gargalhadas lacrimejantes. Mesmo sem a finesse de Alexis, Victoria Grayson entrou pro panteão das vilãs ricas, enfim, tudo ia bem em meu paraíso folhetinesco até ... Até inventarem uma porção de conspirações corporativas na segunda temporada e desviarem o foco da vingança, diluindo a trama.
A queda na audiência determinou que a terceira temporada retomasse o formato inicial, abandonando as megaconspirações e deixando Emily fazer a cruz rubra sobre os rostos de quem destruía em retribuição ao mal feito a seu bondoso e injustiçado pai (embora só conheçamos David Clark através da memória infantil de Emily).
Ainda que a mágica da temporada de estreia tenha irremediavelmente evaporado, Revenge voltou aos trilhos. Os primeiros episódios tiveram que reparar estragos e Victoria e Conrad perderam um pouco de poder de fogo. Onde já se viu arruinar os Graysons; como farão pra infernizar Emily e gerar ação dramática!? Tirar a fortuna de Nolan Ross também foi estupidez: ele é o principal aliado (capacho) de Emily. (Em termos pessoais amei, porque inimigo dos Graysons é meu desafeto!)
Madeline Stowe foi tão bem sucedida em sua caracterização que o roteiro enfatizava ser Victoria a responsável pela destruição de David (não é bem assim). Seguindo o modelo Dynasty, a temporada se europeíza com um núcleo francês, que, claro, tem a ver com a queda de David Clark e também se envolverá com Daniel e Victoria.
Revenge voltou furiosa; do meio pro final o poder de Victoria se aquilata e ela apronta muito, Emily prova que é macho e é até cauterizada sem anestesia com um ferro de mexer brasas em lareira (calma, não vemos isso), tem túmulo sendo aberto, enfim, o show fica cada vez mais rocambolesco e termina gótico e demente.
Além de não recuperar o público perdido pelo deslize da segunda temporada e pelo desgaste natural da empurração com a barriga típica do folhetim – mesmo que mães continuem surgindo do passado – o novelão corre o risco de overdosar o público. Aconteceu com vovó Dynasty num incidente conhecido como The Moldavian Massacre. Amanda, filha de Blake e Alexis casar-se-ia com o príncipe da Moldávia (não é tudo!?), mas um grupo terrorista invade a cerimônia e mata metade das  personagens. O golpe foi sentido de forma tão baixa pelo público, que o show despencou do primeiro lugar na audiência na temporada seguinte.


Com Scandal deu-se o contrário de Revenge: a segundatemporada foi mola propulsora da série, que pode até se querer thriller político, mas é novelão. A terceira temporada foi bem mais nivelada do que Revenge, por isso Scandal assumiu o comando de meu coração. Cyrus e Mellie, amo demais vocês!
B613, instituição supragovernamental, acima da CIA e do próprio presidente, foi tema de toda a temporada. Como Scandal tem a Casa Branca como epicentro, deu muito mais certo do que em Revenge. O Poder, como concebido pela criadora de Scandal, eclipsou bastante do protagonismo de Olivia Pope, que chorou e se martirizou muito. Tendo muito menos tempo pra consertar problemas de clientes, Olivia e seus Gladiadores dedicaram-se a limpar as sujeiras presidenciais, da mãe terrorista de Olivia (porque ela fazia tudo aquilo, não sabemos. Eis a seriedade política de Scandal) e tentar conter seu poderoso pai, chefão da B613, que ao final tem as atividades validadas.
Incrivelmente violenta e com um final apoteoticamente melancólico, Scandal reitera a relação política = corrupção e que não há nada a fazer se não aceitar o jogo. Se em termos ideológicos é conservadora, em termos de conflito é uma delícia!
Nossa, será que a temporada toda está no U2B?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

GALILEU ALBINO

Há algumas semanas a jornalista Patrícia Ikeda me escreveu solicitando contato com pessoas albinas. A revista Galileu tencionava reportagem sobre o Programa Pró-Albino, mas queria entrevistar albinos pra saber histórias de preconceito, superação, como vivemos, nossas potencialidades. Como a sessão de fotos seria em São Paulo e encontro-me cheio de afazeres e compromissos, indiquei pessoas descoladas como Andreza Cavalli, Luciana Gonçalez e Flávio André Silva. Sabia que eles dariam conta do recado e indicariam mais pessoas com albinismo.
A reportagem ficou pronta e saiu na Galileu de junho, que chegou às bancas ontem.  
É sempre uma satisfação saber que o blog está contribuindo pra difusão da causa albina e pela popularização do tema e das pessoas com albinismo. 

CAIXA DE MÚSICA 127

Roberto Rillo Bíscaro


Dois álbuns de estilos diversos, que igualmente me encantaram. Lançados no começo deste mês

Curto o eletrofunk revivalista do Chromeo, mas achava que exageravam no uso do vocoder, nem todas as faixas eram tão legais, enfim, os 2 álbuns da dupla têm defeitos.
White Women, porém, é perfeito, sem arestas, amo todas as faixas, raro acontecimento. A tônica é ainda anos 80, com fartas infusões de disco. Timbres, riffs, maneirismos vocais, efeitos sonoros, tudo remete aos anos 80, época em que Earth, Wind and Fire e Kool & the Gang davam as cartas. Os canadenses do Chromeo habilmente misturaram o melhor do pop negro da época, evitando chatices como o desagradável som da bateria eletrônica, uma das irritações oitentistas.
White Womenn vai te pôr pra dançar com sonoridade Chic, como Over Your Shoulder; com influências de grupos tipo Shalamar ou Klymaxx, em Come Alive; Somethinggood me lembrou Miami Sound Machine, mas também algo saído dum álbum de Lionel Ritchie. O galope de Sexy Socialite prova que os canadenses conhecem Ray Parker Jr. e progride prum final com guitarras cristalinas e vozes tratadas com vocoder, na dose certa. O voo eletrofunk de Frequente Flyer destina-se à Mineapolis de Prince e o balanço disco de Fall Back 2U incorpora, além do vocoder, o sax, tão peculiar aos anos 80, que me levou a apelidar o decênio de saxodécada. Nos momentos mais relaxantes a qualidade não cai, vide a deslizante Lost on the Way Home, com sua reverência aos mestres Hall &Oates.
Tantas referências – e não citei a metade – jamais descambam pra cópia-carbono, porque estão rearticuladas/atualizadas de modo a soarem atuais e integradas, criando sonoridade própria ao Chromeo.
David Macklovitch e Patrick Gemayel compuseram 12 canções irretocáveis.

Fazia anos que Tori Amos não lançava material inteiramente inédito. O complexo Night of Hunters era baseado em composições de músicos eruditos. Antes houve um álbum de canções natalinas e depois de Night, um de releituras da própria Amos de sua obra, gravada com orquestra.
Unrepentant Geraldines poderia se chamar Unrepentant Tori Amos. A norte-americana não se arrepende do passado musical e continua na idiossincrática trilha confessional com letras e interpretações rasgadas, do fundo das entranhas, como em Wild Way, baladaça ao piano que abre com a declaração ”te odeio”.
Quando desvia pra territórios meio country engraçadinhos como em Giant’s Rolling Pin ou Trouble’s Lament, Amos derrapa, porque qualquer uma poderia fazer essas faixas. Mas, apenas Amos e seletas como Kate Bush e Bjork têm talento pra compor e cantar algo como Invisible Boy, encerramento do álbum, que só com piano será capaz de me assombrar pelo resto da vida.
Vocais de sílfide ou náiade torturada ao som de denso ou delicado piano pontuam os momentos mais memoráveis de Unrepentant Geraldines, basta conferir Selkie, Oysters (cujo piano não para de me fazer lembrar o riff de teclado de Situation, do Yazoo!) ou Weatherman.  O lado mais experimental desponta na ótima 16 Shades of Blue, granulada por barulhinhos eletrônicos. A filha Natasha, que já duetara com a mama em Night of Hunters, retorna com sua voz incrivelmente rica e quente em Promise, que apesar da marca d’água Amos balança a cabecinha pra sonoridade das cantoras pop de estirpe negra gritona, mas sem berros na faixa.    
Que Amos jamais se arrependa de seu passado e continue se expondo tão maravilhosamente.

domingo, 25 de maio de 2014

MATERNIDADE DA SUPERAÇÃO

Mulheres com deficiência física falam das delícias e desafios da maternidade.
 Margarida e o filho Raphael, que sempre adorou a carona na cadeira de rodas

Margarida tem muitas dificuldades para conseguir táxis e não consegue frequentar as reuniões de pais no colégio de Raphael. Fernanda já foi questionada sobre o motivo de ainda não ter se aposentado por invalidez. Tatiana demorou, mas se acostumou e agora ressignifica os olhares condolentes. Quando você estiver lendo essa reportagem, todo o otimismo de mercado, as expectativas para o aumento de vendas e os prospectos de faturamento já serão notícias datadas. O Dia das Mães já bate à porta. E diferentemente das flores de supermercado – clássico presente dos atrasados e distraídos –, o que nunca envelhece são as homenagens. As mulheres que o Pampulha homenageia nesta edição têm em comum muito além do fato de possuírem fatores limitantes de locomoção: são mães. Elas superam várias vezes ao dia a descrença, o preconceito, a falta de infra-estrutura da cidade e a labuta árdua e encantadora que é educar uma criança.

Por mais que a discriminação já devesse ser flor murcha há tempos, ela ainda desabrocha. Mesmo num país com mais de 13 milhões de deficientes físicos (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estranhamento e mitos rondam duplamente quando a questão é maternidade. Pouquíssimo abordado, o tema causa desconforto até entre a classe médica, que muitas vezes desaconselha erroneamente a gravidez para mulheres em cadeiras de rodas. Entre a sociedade, também é quase esquecido o fato de que a mulher portadora de deficiência continua fértil e totalmente capaz de levar uma vida sexual ativa, como se a limitação motora representasse necessariamente uma disfunção sexual.

“O que eu percebo é que existe muita falta de informação”, conta a servidora pública Fernanda Maciel, 34, que, no Dia das Mães do ano passado, recebeu de presente o pequeno Tomás. “Alguns termos guardam muitos significados. Já me perguntaram por que eu não me aposentei por invalidez. Nós somos ensinados a pensar que os deficientes não deveriam viver igual a todo mundo e isso nutriu o preconceito enorme que existe. Muitas vezes a muleta salta aos olhos antes de mim, mas a deficiência é apenas mais uma das minhas características. Antes de tudo, eu sou mulher”, explica Fernanda.

A propósito do preconceito contido na pergunta e no termo, Fernanda retrucou afirmando que nunca deixou de ser válida, a despeito do que as suas bengalas canadenses possam dar a entender aos mais desavisados. Ela precisa do apoio desde os 21 anos, por conta de uma lesão medular que provocou redução de força e sensibilidade nos membros inferiores, e não esconde o medo que precedeu a superação. “Durante muito tempo, duvidei que fosse possível engravidar e segurar meu filho no colo por causa da muleta. Mas logo descobri que a maternidade é mais que isso – tem outras possibilidades de contato que não as tradicionalmente conhecidas. Sempre quis passar pela experiência de ser mãe, mas na hora foi uma aposta – tive que adaptar tudo dentro de casa e até dentro do contexto familiar. Fiz tudo pra que eu tivesse a maior autonomia possível. Prefiro fazer sozinha, mas em alguns momentos não consigo. Fico feliz, porque até quem não tem deficiência tem seus limites”.

Diferentes iguais 

Elas trocam fraldas, dão banho, bronca e carinho, amamentam, levam e buscam na escola. Todo dia elas fazem tudo sempre igual, e querem ser vistas como semelhantes – mas para tanto precisam de reconhecimento. Belo Horizonte não possui nenhum centro de referência para a mulher com deficiência e é apenas a quinta capital em ruas adaptadas para os usuários de cadeiras de rodas: menos de 10% das vias possuem rampas. “Aqui onde estou morando, por exemplo, não consigo ir ao supermercado”, conta a servidora do Judiciário Federal Margarida Lages, moradora da Vila da Serra. “Muito morro complica. Tive que aprender a dirigir, mas ainda existe a grande dificuldade que é colocar e tirar a cadeira do carro”, explica Margarida, 47, que desde 97 pilota uma cadeira motorizada, em decorrência da atrofia muscular espinhal – doença degenerativa congênita que atinge toda a sua parte neurotransmissora e prejudica, principalmente, os movimentos abaixo da cintura.

“Andar na rua é bem difícil: os passeios ainda não são todos adaptados, existem muitos degraus e calçadas esburacadas. Não existem muitos táxis acessíveis e o transporte público não funciona bem: são poucos ônibus com elevador e muitos não funcionam, ainda mais quando eles param em locais inclinados. Esses dias desmarquei uma consulta do meu filho porque o hospital não tinha acesso. Nem a escola dele tem rampas de acesso. Quero ser uma mãe mais participativa e não consigo”, lamenta Margarida sobre o colégio em que Raphael, 13, estuda por estar mais perto de casa.

“As dificuldades de acessibilidade são inúmeras”, concorda Fernanda. “Onde vou sempre procuro instâncias adequadas para tornar o ambiente possível e acessível. Muitos lugares se esquecem da diversidade e da minoria”, comenta Fernanda, que trocaria toda compaixão por melhores condições. “Não precisamos de pena, nem que nos vitimizem nem que nos desvalorizem. A deficiência não muda quase nada em minha vida, ela só me limita fisicamente. Vivo a maternidade da mesma maneira que todas as mulheres vivem. Acho até bacana que a criança filha de mãe com deficiência vai mais tarde lidar com a diferença de forma muito natural, que é a forma ideal que a sociedade deveria nos enxergar. Nós passamos por tudo que todo mundo passa, igualzinho”.

Determinadas, independentes e incansáveis, essas mães compartilham, acima de tudo, a vontade de que a vida pare de ser reduzida à deficiência.

“Eu nunca fui dependente. É claro que existem frustrações e desafios, mas quem não tem? O sentimento de ter a responsabilidade sobre o bem-estar de alguém é muito bacana e compensa tudo. A cumplicidade que nós construimos também ajuda muito. Outras mães sempre se impressionaram com o modo como ele me obedecia só com o olhar”, comenta Margarida, solteira, que contou com ajuda de empregadas domésticas para criar Raphael até que ele fizesse 10 anos. “Elas ajudavam com a casa e eu cuidava do meu filho. Para a minha surpresa e de todo mundo, eu dei conta de tudo. Ele adorava a cadeira de rodas e até dormia com o balanço. Sempre adorou a carona”, brinca a mãe, que batalhou por Raphael antes mesmo da concepção em luta travada com seus ovários policísticos. “Foi difícil e a preparação de tudo deu trabalho, mas hoje não imagino mais a minha vida sem esse serzinho”.

“Tem que olhar no olho”

“Me considero uma mãe que se transforma e se descobre todos os dias. Sou muito ligada, muito dinâmica, muito eu e antes me preocupava onde caberia um filho nesse caminho. Mas sempre quis ter um pedacinho de mim. Já tinha um livro e queria plantar a árvore na companhia do meu filho. Antes que passasse a oportunidade e o desejo, engravidei”, conta a paulista Tatiana Rolim, que a cada par de minutos pede licença da entrevista para trocar fraldas ou retribuir beijos.

Ela é mãe de Maria Eduarda, de 3 anos e meio, psicóloga e autora dos livros “Meu Andar Sobre Rodas” (2008) e “Maria de Rodas – Delícias e Desafios na Maternidade de Mulheres Cadeirantes”. Sua terceira publicação já está a caminho, lançando luz sobre direitos dos deficientes físicos no mercado de trabalho. Embaixadora da inclusão, Tatiana roda o Brasil com palestras que comentam sobre o Seguro DPVAT, que indeniza feridos em acidentes de trânsito e sobre outras situações que podem prevenir complicações em gestantes com deficiências.

Entre o acidente que a privou de andar e a gravidez, no entanto, Tatiana também teve um longo percurso de aceitação e adaptação. “Qualquer olhar me doía, eu só percebia dó. Depois fui me acostumando e me redescobrindo, até que achei um olhar de paixão e recomecei tudo. Vi que, de novo, eu podia tudo”, lembra, sobre o momento quando conheceu o pai de sua filha, hoje, seu ex-marido.

Em comum entre Tatiana e Margarida Lages (a mãe do pequeno Raphael) há, ainda, o fato de criarem as crianças sozinhas. Elas dão olé em todas as expectativas e atropelam quem duvida. “O que eu menos queria era que a minha filha tivesse um pai ausente. Mas a nossa luta é pra que ninguém duvide do que somos capazes. A gente quer contribuir pra que as pessoas acreditem, apostem e invistam na possibilidade de felicidade. Tive a sorte que desde cedinho a Maria Eduarda já entendia os meus olhares e comandos de voz. Olhar no olho é fundamental”, desabafa Tatiana, enquanto Margarida comenta que a ausência do parceiro foi uma questão que ela sempre tirou de letra. “Eu trabalho em casa, então sempre pude dar toda a assistência que o Raphael precisa. Sem ninguém é muito difícil, mas eu tinha as meninas que me ajudavam em casa e confiava muito em mim mesma: sempre fiz tudo normalmente. Desde pequeno, ele sempre me entendeu e obedeceu, mesmo que de longe, só trocando olhares. Agora que ele já está maior, nós já até fizemos um cruzeiro juntos, só nós dois”, conta a funcionária pública.

E questionadas sobre o maior presente que poderiam ganhar neste domingo, as mães são novamente unânimes. Margarida ataca de coruja e defende que Raphael já é a coisa mais fofa que existe e Tatiana conta sobre os momentos impagáveis. “Tô aqui conversando com você e do nada ganho um beijo. Ela passou, beijou e soltou ‘eu te amo’. Agora ela está ali sentada desenhando coisas ininteligíveis e lindas e inventando uma música. No fim, isso é o que importa”.

sábado, 24 de maio de 2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

OPORTUNIDADES PRA TODOS

Em defesa da Lei de Cotas

A Lei de Cotas é boa, atual, eficaz e aplicável *Artigo de Francisco Izidoro, presidente da Associação de Deficientes e Familiares (Asdef)

Francisco Izidoro

A Lei nº 8.213/91 - também denominada Lei de Cotas, que dispõe sobre a contratação de pessoas com deficiência e visa superar o processo de exclusão historicamente imposto a este parcela da sociedade no mercado de trabalho e conscientizar a sociedade acerca das potencialidades desses indivíduos. Como sempre acontece no Brasil, as leis que garantem direitos aos segmentos mais vulneráveis da sociedade são postas na geladeira e tratadas com inércia ou omissão pelo poder público. Sancionada em 1991, o art. 93 da Lei de Cotas só foi regulamentado oito anos depois pelo Decreto nº 3.298 de 1999, posteriormente alterado pelo Decreto nº 5.296 de 2004, que definiu os conceitos de deficiência indispensáveis para a aplicação da lei. Na prática a Lei de Cotas só passou a existir em 2001, dez anos após a sua aprovação, quando foram iniciados os procedimentos de fiscalização e multas por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Se hoje, diante da possibilidade de multa, muitos empregadores deixam de cumprir a lei, imagine antes de 2001, quando não havia sequer fiscalização. Com essas breves considerações, podemos afirmar que é um equívoco dizer que a política de cotas existe há 23 anos, como temos visto em alguns artigos que analisam a eficácia da referida lei. De fato o sistema de cotas passou a existir a partir do Decreto 3.298 e das normas de fiscalização do MTE. Até então, quem cumpria a lei, o fazia por mera liberalidade, pois não havia ainda os parâmetros legais definidores das deficiências. Em 13 anos de efetiva aplicabilidade da Lei de Cotas atingimos a marca de 325 mil trabalhadores com deficiência regularmente contratados, segundo dados da RAIS de 2011 (Relação Anual de Informações Sociais). É pouco, se considerarmos que este número representa menos de 1% da força de trabalho brasileira e menos de um terço do total de vagas que deveriam estar ocupadas por pessoas com deficiência, se a lei fosse fielmente cumprida. Todavia, se considerarmos as circunstâncias concretas e os obstáculos para a inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, veremos que os números estimulam-nos a continuar a caminhada. A lei, por si só, não muda uma realidade histórica de exclusão. Nesses 13 ou 23 anos de lei de cota, como queiram, pouco ou quase nada foi pelo poder público para criar as condições para que as cotas saíssem do papel para vida real. As empresas também não fizeram a sua parte. No Brasil é comum se defender a alteração de uma lei quando ela não cumpre plenamente seus objetivos. E os que defendem a mudança são exatamente aqueles que poderiam ou deveriam criar as condições para tornar a norma uma realidade. Boicotam ou dificultam a sua aplicação, para depois pedirem a mudança, com a falsa alegação de que a lei é inaplicável. A Lei de Cotas é boa, atual, eficaz e aplicável. A ASDEF defende a manutenção integral da sua redação e combate qualquer tentativa de flexibilizá-la ou esquarteja-la para atender a interesses de grupos econômicos. O problema não está na lei, mas sim na falta de políticas públicas que facilitem o ingresso da pessoa com deficiência na vida produtiva e na passividade das empresas que se apegam às dificuldades para justificarem a omissão em relação a lei e o desrespeito ao princípio constitucional da função social da propriedade. Dificuldades com falta de profissionais qualificados, obstáculos arquitetônicos e falta de acessibilidade não são desculpas para o não cumprimento da lei. Reconhecemos que elas existem, em maior ou menor grau, mas não são insuperáveis. Diversas experiências pelo país afora demonstram que, com vontade e determinação, é possível contornar os obstáculos e incluir a pessoa com deficiência, com respeito e dignidade. É possível que haja necessidade de uma legislação que contemple situações específicas, ou que possibilite estímulos às empresas que investirem em acessibilidade, em qualificação profissional e contratação de pessoas com deficiência. Estamos dispostos a enfrentar este debate e até apoiar estes pleitos, mas sem desfigurar a Lei de Cotas, pois representa uma conquista na luta pela inserção social da pessoa com deficiência.

ALBINISMO BELGA

Fotógrafa faz ensaio retratando a beleza das pessoas albinas

Conhecida por seu olhar perceptivo na exploração de culturas diferentes, a fotógrafa belga Sanne De Wilde fez um excelente trabalho ao retratar pessoas que têm albinismo. Geralmente vistas com preconceito e carregadas de estigmas sociais, Sanne De Wilde conseguiu fotografá-las com uma naturalidade incrível, transformando os retratos na série “Snow White“.
Veja as fotos:







 https://br.noticias.yahoo.com/blogs/para-curtir/fot%C3%B3grafa-faz-ensaio-retratando-beleza-das-pessoas-albinas-143216109.html

quinta-feira, 22 de maio de 2014

TELONA QUENTE 87

Roberto Rillo Bíscaro

A Guerra Fria retornará, agora contra a China. A escalada dos gastos militares resultará em recessão inédita no Ocidente. Os militares pesquisam pra desenvolverem androides dizimadores de inimigos amarelos.
O Reino Unido tem vasto complexo de laboratórios subterrâneos, onde o Dr. Vincent tenta recuperar cérebros danificados. Seus superiores almejam resultados bélicos, mas o gênio sonha em descobrir a cura pra filha, cujo cérebro é danificado.
Este é o background da ficção-científica britânica The Machine (2014), escrita/dirigida por Caradog W. James, com inexpressivos recursos financeiros, mas resultado artístico expressivo, garantindo bom futuro ao galês.
A norte-americana Ava é contratada, mas logo morre por ser enxerida. Vincent transforma-a numa Máquina. A replicante, porém, começa a sentir e se importar demais, tornando-se estorvo pro chefão militar, que quer eliminá-la.
Bebendo muito na fonte de Blade Runner – visual escuro e trilha sonora a la Vangelis, superanos 80 – The Machine levanta discussões sobre se a inteligência artificial é vida com o mesmo valor da humana e, se é ética/segura a criação de robôs. O filme nunca aprofunda tópico algum e o epílogo recorre a tiroteio típico dessas sci fi de ação que infestam canais pagos e produtoras de baixo orçamento. Nesse terço final, onde se optou por mais ação e menos cérebro, percebem-se as limitações orçamentárias.  
Mesmo com falhas, a produção é elegante e a cinematografia e roteiro prestam homenagens a diversos clássicos do gênero. Os efeitos especiais – exceto os das cenas de confronto – são convincentes e criativos.
A ex-bailarina da Lady Gaga, Caity Lotz, tem vozinha meio não-convincente pruma cyborg potencialmente assassina e Dennis Lawson – o adorável Mr. Jarndyce, de Bleak House – está anódino como vilão.
A despeito desses senões, The Machine tem 2/3 decentes e um diretor no qual é bom ficar ligado.