quinta-feira, 31 de outubro de 2019

TELONA QUENTE 309


Roberto Rillo Biscaro

Não apenas jornais lucraram com as ondas de testemunhos de discos voadores nos anos 1950. O mercado editorial também amou, porque “pesquisadores sérios” como o aviador Donald Keyhole, notabilizaram-se, escreveram best-sellers e polemizaram ao afirmar que a Aeronáutica escondia fatos. Paranoia pra vender e vender, porque essa gente ganhou gaita com isso. Assim como os paladinos da “verdade”/sanidade que os contradiziam. No caso de Keyhole, a prática de escrever pra publicações de pulp fiction ajudou-lhe muito. Se isso não for indício suficiente pra sua picaretagem...
Em 1956, a Columbia Pictures capitalizou a fama do livro Flying Saucers from Outer Space, do Major (isso lhe outorgava confiabilidade!) Keyhole, alegando que A Invasão dos Discos-Voadores era livremente inspirado nele.
Infelizmente semiesquecido, Earth vs the Flying Saucers merece chance, porque suas sequências de ataque aéreo à capital estadunidense, destruindo monumentos são referência ainda hoje.
O começo é em tom documental e de advertência, onde já se usa o termo UFO, popularizado pelas Forças Armadas, pra conferir seriedade ao filme, que em nenhum outro momento se refere mais às naves alienígenas como tal, mas sim como flying saucer.
Influenciado por H. G. Wells (e qual sci fi não foi por uns 50 anos?), o roteiro é sobre avançada raça agonizante que precisa conquistar a Terra pra sobreviver e pra isso vem pra cá com discos voadores e armas poderosas. Cabe aos terráqueos, liderados pelo solene e palavroso Dr. Russell Marvin, desenvolver arma suficientemente forte pra derrotar tão poderosos inimigos.
Considerando a defasagem temporal e o estágio dos efeitos especiais à época, Earth vs the Flying Saucers ainda é bem assistível: as cenas do ataque a Washington são divertidas se não pela maestria dos efeitos, mas pela graça que causam hoje. Pena que o protagonista seja meio de madeira e haja muito mambo-jambo pseudocientífico, mas esse aspecto também pode ser engraçado. E ainda há uns arroubos safadinhos ausentes de outras produções. Antes da primeira aparição dos OVNIs, o cientista e sua esposa-secretária estão no carro e o bofe começa a chupar o pescoço da moça, que retruca “não comece algo que não pode terminar”. Hoje isso é nada, mas naquela época casais eram mostrados dormindo em camas separadas.
Há também as deliciosas incongruências de filme B, que na verdade, podem ser lidas como ianquecentrismo mesmo. Quando os discos-voadores invadem a Terra, os vemos sobrevoando as principais capitais, mas pra batalha final, basta derrotar os poucos que sobrevoam DC pra livrar o mundo da ameaça. Não nos esqueçamos que essa é uma cultura que tem um campeonato nacional de beisebol chamado World Series.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

CONTANDO A VIDA 287

MONTEIRO LOBATO E O ‘BORBOLETOGRAMA’. 

José Carlos Sebe Bom Meihy 


Ocorreu-me fugir de tanta sandice política. O hábito dos jornais pelas manhãs tem se tornado um suplício que, por sua vez, replica os noticiários da televisão. Tudo ficou chato demais. É claro que também devo soar desagradável aos meus interlocutores. Cansei de brigar, de argumentos que apelam para estatísticas e para o esforço azedo de provar que as coisas mudaram. A fim de me prevenir, tenho assumido o silêncio como regra. Entro no ônibus, trem, consultório, lugares públicos, e apenas aceno como cumprimento discreto. Bem discreto, diga-se. Nada de puxar assunto, esbanjar sorrisos ou acenos simpáticos. De tal maneira, tenho levado isso à sério que até sinto falta do ser que fui um dia. Antes, imagine, tinha que me disciplinar para não me perder em falatório, exagerar no humor. Sinto falta, creiam. Tenho saudade das conversas jogadas fora, das discussões intensas sobre futebol, dos certames sobre o nada, sobre o vazio, sobre o inconsequente. Era feliz e não sabia. Você também?... 

Parece distante, mas esse passado mal dobrou a esquina. Nem estamos tão longe daqueles dias em que saíamos mais soltos, era possível ficar até mais tarde na rua, e a solidariedade cintilava como traço comum entre transeuntes – aliás, havia muito mais gente nas ruas. Como mudou tudo! Nossa! Dói-me ver a desconfiança como dimensão do ódio explícito no rosto político nacional. Custa-me aceitar que o outro é meu rival e que “não tem papo”. Não dá para trocar nada sem desconfiar do interlocutor e assim vamos nos esvaziando de brasileiridade, da alegria que nos distinguia como povo. Mas, é preciso reagir. Não cabe supor que estamos sem saída. Buscando atalhos, dia desses, me surpreendi vagando por horas em uma livraria. Não que em casa não tivesse textos me esperando para terem suas páginas viradas, mas via com deslumbramento tantas novidades, novos títulos, capas lindas. E lá ia por todas as sessões escolhendo alguns. Tentações. Cedi a algumas delas e de repente saí com um pacote maior do que o tempo de leitura disponível. No trajeto de volta ouvi meu instinto que murmurava: você está lendo mais e falando menos porque redescobre o silêncio da leitura um mundo de compensações. 

Tive, acredite, uma surpresa grande quando abri o embrulho. Ué, como me deixei trair por escolhas de textos que nada tinham a ver com o senhor de idade que sou. Imagine que entre temas sisudos, magicamente, havia selecionado algumas edições de Lobato, para crianças. E imediatamente sentei-me, e antes de virar a capa lembrei-me que, menino, ainda, me deleitava com a turma do Sítio. E com que prazer passava pelas aventuras daquele pessoalzinho divertido, atrevido e inteligente. Não tenho como me furtar de lembranças, por exemplo, da traquinas Emília querendo mudar o nome da centopéia para “noventa-e-quatropeia”, pois ela não contabilizara a centena aludida em sua busca empírica. E o que dizer do “borboletograma”?! Recordemos: 

“ – (borboletograma) não sabe o que é? Invenção da Emília. Como não houvesse telégrafo para lá, a boneca teve a idéia de mandar a resposta escrita em asas de borboleta. Agarrou uma borboleta azul que ia passando e rabiscou-lhe na asa, com um espinho, o seguinte: ‘Narizinho, a condessa e o marquês agradecem a honra do convite e prometem não faltar”. 

E as descrições dos interiores de palácios que com tantas outras excitavam a imaginação de adolescentes?! Vejamos esta do castelo do príncipe escamado: 

“linda sala! Toda dum coral cor de leite, franjadinho como musgo e penduradinho de pingentes de pérola, que tremiam ao menor sopro. O chão de nácar fruta-cor, era tão liso que Emília escorregou três vezes”. 

E a ternura das histórias que me enternecem até hoje?! Vejamos: 

“o príncipe deu o sinal de audiência batendo com uma grande pérola negra numa concha sonora. O mordomo introduziu os primeiros queixosos – um bando de moluscos nus que tiritavam de frio. Vinham queixar-se dos Bernardos Eremitas. 

- quem sãos esses Bernardos? – indagou a menina. 

- São uns caranguejos que têm o mau costume de se apropriarem das conchas destes pobres moluscos, deixando-os em carne viva no mar. Os piores ladrões que temos aqui. 

- O príncipe resolveu o caso mandando dar uma concha nova a cada molusco”. 

E as desbaratadas sandices de tia Nastácia que: 

“chegou a ficar amiga íntima da senhorita Sardinha, Miss Sardine, como era chamada no reino por ter nascido nos mares que rodeiam a Terra Nova, perto do Canadá. Como boa norte-americana, miss Sardine mostrava-se muito segura de si. Não era acanhada como as outras. Fazia o que lhe dava na cabeça, tornando-se famosa no reino pelas suas excentricidades. Uma delas consistia em dormir dentro duma latinha, em vez de dormir na cama. ‘Estou praticando para a vida futura’, costumava dizer com um sorriso melancólico. A vida futura das sardinhas, como todos sabem não é no céu, mas dentro das latas...” 

Pois, é. Reinventei a leitura de Lobato e aprendi que ele conversa com o melhor de mim. E olho com saudade o tempo em que me era permitido sonhar com o que não me é realidade hoje. Sei que não posso voltar a ser criança, mas posso ler Lobato como quem ganha tempo para voltar a uma realidade roubada.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

TELINHA QUENTE 381


O professor de teatro Sandy Kominsky e seu melhor amigo Norman Newlander enfrentam as alegrias e tristezas da velhice com muito bom humor.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 386

Roberto Rillo Bíscaro

Os noruegueses fazem um som elaborado, com influências de rock progressivo dos anos 70, folk e trilhas de filme de horror também dos anos 70.

domingo, 27 de outubro de 2019

ILUSTRE VISITA ALBINA

Especialista independente da ONU para direitos das pessoas com albinismo visita Brasil
A especialista independente das Nações Unidas para os direitos humanos das pessoas com albinismo, Ikponwosa Ero, fará sua primeira visita ao Brasil entre os dias 28 de outubro e 9 de novembro.

Durante a visita, ela terá encontros em Brasília, Maceió, Salvador e São Paulo. Ikponwosa Ero dará uma coletiva de imprensa às 12 horas do dia 8 de novembro na Casa da ONU, em Brasília (DF), para compartilhar suas observações preliminares.

A especialista independente das Nações Unidas para os direitos humanos das pessoas com albinismo, Ikponwosa Ero, fará sua primeira visita ao Brasil entre os dias 28 de outubro e 9 de novembro.

“Minha visita focará primariamente em reunir fatos sobre experiências de pessoas com albinismo e seus familiares, particularmente em relação ao estigma e discriminação”, afirmou Ero.

“Também avaliarei barreiras no direito ao acesso à saúde, educação e o direito de ser incluído na comunidade. Ao fazer isto, pretendo encontrar pessoas com albinismo em vários setores da sociedade, incluindo mulheres, idosos e jovens”, explicou a especialista.

“Estou ansiosa para me reunir com autoridades e outros atores, num espírito de colaboração que possa contribuir para proteger e promover os direitos humanos das pessoas com albinismo e suas famílias”, destacou.

Durante a visita, a especialista independente terá encontros em Brasília (DF), Maceió (AL), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Ela se reunirá com representantes de governos federal, estaduais e municipais, organizações da sociedade civil, academia, além de pessoas com albinismo e suas famílias e organizações representativas, comunidade internacional e todos os que trabalham com assuntos relacionados ao seu mandato.

Ikponwosa Ero dará uma coletiva de imprensa às 12 horas do dia 8 de novembro para compartilhar suas observações preliminares. O evento ocorrerá na Casa da ONU, em Brasília (Setor de Embaixada Norte – Quadra 802, Conjunto C, Lote 17 – Complexo Sérgio Vieira de Mello – Asa Norte), com acesso autorizado somente a jornalistas.

A especialista independente apresentará um relatório completo ao Conselho de Direitos Humanos em março de 2021.

A nigeriana Ikponwosa Ero foi designada em junho de 2015 como a primeira especialista independente das Nações Unidas para os direitos humanos das pessoas com albinismo.

Inspirada por sua experiência como pessoa com albinismo, Ero tem, há mais de uma década, se engajado ativamente em pesquisa, desenvolvimento de políticas e na defesa dos direitos humanos das pessoas com albinismo.

Como defensora internacional e funcionária legal da Under the Same Sun (Sob o mesmo sol), ONG focada em albinismo, ela tem participado de múltiplas atividades e painéis da ONU em Genebra e Nova Iorque.

Ela também é autora de inúmeros artigos sobre o tema, abordando inclusive a categorização das pessoas com albinismo no sistema internacional de direitos humanos.

Os relatores especiais são parte dos Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os Procedimentos Especiais é o maior órgão de especialistas independentes do Sistema de Direitos Humanos das Nações Unidas e designa o mecanismo independente que investiga e monitora fatos do Conselho que responde tanto a situações específicas de países ou questões temáticas em todas as partes do mundo.

Estes especialistas trabalham de forma voluntária; não são funcionários da ONU e não recebem salário por seu trabalho. São independentes de todos os governos ou organizações e servem em sua capacidade individual.

Acesse aqui a página sobre Direitos Humanos da ONU no Brasil.

Para mais informações e solicitações de imprensa:

No Brasil (durante a visita): Angela Pires Terto (angela.pires@one.un.org) ou Alice Ochsenbein (+41 79 444 45 52) – aochsenbein@ohchr.org

Em Genebra, depois da visita: Alice Ochsenbein (+41 22 917 32 98) – albinism@ohchr.org

Solicitações de imprensa relacionadas a outros especialistas independentes:
Mr. Jeremy Laurence, UN Human Rights – Media Unit (+41 22 917 9383 / jlaurence@ohchr.org)

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

PAPIRO VIRTUAL 147

Roberto Rillo Bíscaro
Uma cantora pop decadente tenta a sorte no teatro, mas na noite de estreia, um atentado. O Superintendente Peter Diamond e equipe têm que entrar em ação.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

TELONA QUENTE 308


Quando o primeiro-ministro italiano encontra sua amante e seu rival político em uma viagem oficial a Budapeste, na semana de Natal, as coisas ficam de pernas para o ar.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

CONTANDO A VIDA 286


UM BELO DIA TAUBATEANO EM PARIS. 


José Carlos Sebe Bom Meihy 

Para Luis Issa, pelos resgates 

Certa feita, corria o mês de julho de 2016, aconteceu uma remarcação de passagens motivada por problemas da companhia aérea e, no meio da surpresa, me sobrou um dia livre em Paris. O que fazer restou ser um doce dilema. Passada a temporada de trabalho com intervalos suficientes para museus, restaurantes, teatros, aquele presente do acaso merecia cuidado especialíssimo: mas como bem aproveitar? Por lógico, não cabia pensar em compras ou cinema (imagine), nem passeio pelas cercanias sempre tão convidativas como a Giverny de Monet, o Castelo de Cantilly, a adorável Catedral deChartres, ou o Palácio de Fontainebleau ou Versailles. 

Absolutamente perdido entre mil alternativas lembrei-me de tantos que decantaram a Cidade Luz e declinei lembranças literárias que me viajaram por Victor Hugo, sugerindo a vivacidade perigosa de “Os miseráveis”; pensei em percorrer as ruas descritas por Nerval indicando o terror dos becos; supus o Marquês de Sade preso na Bastilha. E, um depois do outro, fui me lembrado de Apollinaire, Rimbaud, Zola. Foi assim que, de repente, me senti como no filme “Meia noite em Paris” e, via Woody Allen, me convidei às aventuras experimentadas por Madame de Stäel junto com toda a Geração Perdida: Hemingway, Fitzgerald, Ezra Pound, James Joyce. E então me era dado confirmar se “Paris é uma festa” por mais um dia inesperado. Tomei tento para me deixar ao leu, sem destino e descuidado da eloquência do relógio. Foi como – outra vez pela literatura – melhor pude entender Baudelaire no significado do verbo “flanar”. E não há como deixar de ligar Baudelaire a Walter Benjamin, ambos aquilatando a alegria de se soltar livre por Paris. Pronto, estava decidido iria ser flaneur e nos limites conjugar o tal verbo que significa, antes de mais nada, absorver a atmosfera da cidade. 

Decidido que andaria, restava caminhar, caminhar e andar ainda mais... E eis que, de repente, Taubaté me veio à cabeça. Estava na Place d’ètoile... Ah, que sensação! Com a certeza da força do instinto, não mais que num zap, lá estava eu naquele entroncamento fervilhante, em frente ao Arco do Triunfo. Senti-me, juro, como dentro da melhor estrela urbana. Outra vez sem pensar, flanava pela Avenue Foch com uma sensação tão estimulante como se isso me fosse familiar. Caminhei bastante, passei pelas lojas de marcas famosas, tomei sorvete na inigualável Bertillon (badalada como a melhor sorveteria da cidade), e por fim resolvi sentar-me à sombra e tentar alguma relação entre a Place d’étolie dos franceses com a nossa Praça da Estrela, de Taubaté. 

Difícil aproximação. Buscando conexões restou o traçado, posto que a atmosfera era, fatalmente, outra. A ideia de progresso incutida nas duas praças, contudo, se mostrou denominador comum, mas qual seria a relação fatal que projetava uma na outra? A história diria, e fui a ela. A Place d’étoile parisiense é de 1777 e despontou como resposta da vibração local que pretendida superar o passado modesto e problemático, antigo reduto boêmio e de prostituição; o nosso surgiu do nada, pois foi obra de um visionário, Felix Guisard, que tendo morado em Paris resolveu reeditar um pedaço daquele desenho urbano, em 1894. Que sonho lindo! Ainda que não dê para comparar escalas, é notório que a modernização da nossa então modesta urbe estava na cabeça brilhante de um dos pioneiros da indústria têxtil brasileira. É exatamente esta a chave que atua a beleza do fato urbanístico. Cabe contextualizar a intervenção que ganha condição estelar real na medida em que a ousadia se impunha como aventura. Taubaté, como cidade, era até o começo do século XIX um local sem expressão. Por mais que os românticos tentem ver dinâmica, éramos apenas um centro burocrático, pequeno, inscrito no roteiro das cidades do café. Interessava aos fazendeiros a ligação direta entre suas unidades produtivas e os portos, condição que fazia das tropas e dos tropeiros, agentes de trânsito. Monteiro Lobato, muito mais tarde inventou o termo “cidades mortas”, mas, na realidade, nossos rincões, até recentemente, nunca tiveram pujança ou função. A constatação da proposta vibrante de Felix Guisard e de seus sócios, ao implantar a fábrica de tecidos, correspondeu à superação da linhagem colonial. 

Como me foi revelador pensar nisso tudo estando em Paris. Entendi melhor o velho Guisard, pois supor Paris em Taubaté era muito mais do que imitar, equivalia a indicação de uma radical virada de página na nossa história. Despir a roupagem de um passado escravocrata, restrito às tradições agrícolas decadentes, e no lugar propor nova aventura econômica era um desafio marcante. E não era apenas o traçado da Praça que impunha isto. Não, não mesmo. Junto vieram as vilas operárias, o trabalho feminino, a parafernália das máquinas, organizações de trabalhadores. Enfim a modernização. Sabe que mais pensei naquele então? Lembrei-me – por irônico que pareça – da ausência de memória de nossos concidadãos. Pois é, passamos pela nossa Praça da Estrela e nem notamos o tempo das utopias que nos permitiram ser o que somos. Sou grato a José Eugênio Guisar Ferraz por ter escrito um livro sobre sua família em Taubaté. O “Sol da manhã” ilumina uma página da história que merece ser visitada. Tomara que nossa estrela brilhe e que não percamos o direito de ver uma Praça na outra, e nas duas a beleza de dar matéria aos sonhos.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 385


Roberto Rillo Bíscaro

Anniversary 1978-2018: Live in Hyde Park London foi lançado em CD e DVD para comemorar o aniversário de uma das bandas-ícone dos anos 80.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

TELONA QUENTE 307



Chuck Norris vs. Communism (Netflix) analisa a proibição da mídia ocidental imposta pelo ditador romeno Nicolae Ceaușescu e como o contrabando de filmes mudou o país.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

TELINHA QUENTE 379


Roberto Rillo Bíscaro

Quanto detetive problemático há nesse mundão ficcional de mon Dieus! E quantos têm como parceiros informais, civis, que no mundo real seriam usados pelos advogados do criminoso como formas de anular o processo, sob alegação de que evidências foram contaminadas ou confissões obtidas fora dos procedimentos-padrão. Mas, nada disso importa perante nossa fome por mistérios e diversão, desde que o produto seja bem-acabado.
É o caso dos 3 episódios de Lanester, do canal France 2, presentes no catálogo oda Amazon Prime. Tramas de 90 minutos cada, centradas no detetive dos romances da escritora Françoise Guérin.
Como são inúmeros os detetives, há que lhes prover com alguma característica diferenciadora. Eric Lanester é comandante maduro, que fica cego em meio a uma investigação sobre serial killer que arranca os olhos de suas vítimas. Seu médico diz tratar-se de cegueira causada por reprimidos traumas infantis vindos à superfície, quando o policial viu animais de pelúcia sobre a cama duma das assassinadas. Lanester pega um táxi conduzido por Gabrielle, jovem esperta, urbana e atrevidinha, contraponto perfeito pro reservado e algo sombrio Lanester. A partir de então, iniciam parceria e amizade sui generis. No episódio seguinte, a cegueira ameaça voltar cada vez que o caso reemerge uma das muitas neuras infantis. No episódio três, o subtexto de saúde mental vem completamente à tona e a história se passa no hospital psiquiátrico, onde o irmão de Lanester vive desde a adolescência.
Lanester, a série, é pura baboseira psicológica de botequim, ou melhor, de bistrô ou café, porque se passa em Paris. Os assassinos estão tão obviamente dados, que chega a ser meio engraçado. Não só não há tantos personagens fora do grupo de policiais (todos meio anônimos), como a necessidade de freudianizar tudo os entrega pela lógica da narrativa, que qualquer fã mais experiente pega em 3 minutos.
Lanester às vezes parece In Treatment encontra .... (complete com seu detetive problemático predileto) e tem aquelas delícias tipo, a namorada da taxista é hacker nas horas vagas e entra no sistema do hospital.
Talvez pareça que esteja preparando conclusão negativa, né? SQN. Amei Lanester! É eficiente, tem gente bonita, o clima é mais sombrio do que o do brilho dos dentes branqueados norte-americanos e o mais importante: por mais inverossímil, dá pra gostar muito de Eric Lanester e sua parceira informal Gabrielle. Richard Berry e Emma de Caunes estão ótimos. Talvez o roteirista tenha sacado (inconscientemente, já que estamos em território Freud bubblegum, tipo anos 40, 50) que o material não era dos mais geniais e caprichou no par central.
O que quer que tenha sido, funciona que é uma belezura.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 384


Roberto Rillo Bíscaro

Uma raridade deliciosa da soul music agora facilmente encontrável, devido aos serviços de streaming.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

CONTANDO A VIDA 285

SER PROFESSOR NO BRASIL EM TEMPO DE CÓLERA.
J
osé Carlos Sebe Bom Meihy 

Fiquei curioso: qual a origem do dia dos professores? Foi fácil achar a resposta no Google e assim aprendi que existe até um livro publicado pela UNESCO sobre a data (“World Teachers' Day”). Senti-me mais importante, pois pensava que isto seria coisa de brasileiro que inventa data para tudo. Imagine que dia desses achei indicação de que há homenageados todos os dias do ano, e que no mês de outubro, além dos professores existem também algumas referências bem exóticas como: dia nacional do vereador (1), do representante comercial (10), do guarda noturno (19). Há, é claro, destaques mais conhecidos como: dia do dentista (3), do engenheiro agrônomo (12), dia do médico (18) e até dia da dona de casa (31). Desde logo, sem exceção, parabéns a todos, mas com ênfase quero falar do dia dos mestres. 

Aprendi que há um calendário diferente para cada país, pois a aceitação das figuras docentes difere muito de cultura para cultura. Os critérios gerais para a celebração variam, uns optam por natalícios de professores notáveis, outros escolhem segundo a estação do ano. Sempre na primavera – e há requintes como na Coréia do Sul que comemora no dia 15 de maio quando começam a florir os cravos vermelhos. De um modo geral, porém, o 5 de outubro é conhecido, desde 1994, como o dia internacional dos professores pela UNESCO. O Brasil variou. A efeméride foi estabelecida oficialmente sob o governo de João Goulart em 1963. Desde então a data foi oficializada pelo decreto federal nº 52.682, com validade para todo território nacional. Diz o texto em seu art. 3º, “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”. A origem, porém, é remota, e se deve ao fato de, na data de 15 de outubro de 1827, o imperador D. Pedro I ter instituído um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, com a instituição das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país. O mais notável, porém, é que já ficavam estabelecidas as condições trabalhistas dos professores. 

O tempo passando, as coisas mudam com velocidade assombrosa. No correr dos fatos, porém, repontam questões que precisam de ângulos históricos para explicar o ponto trágico em que chegamos no terreno educacional. Nosso processo de formação foi bem distinto do resto dos países colonizados. No caso da América espanhola, desde logo algumas universidades foram fundadas e já em 1551, em Lima no Peru, a Universidade Nacional de São Marcos figurava como pioneira. A ela seguiram-se, na Nova Espanha, outras que combinavam apoio do estado e zelo eclesial. No Brasil, deu-se algo diferente, não apenas pela vastidão territorial, mas sobretudo pelo conceito de colônia agrícola. Apenas com a vinda da família real, em 1808, surgiram as Faculdades de Cirurgia da Bahia e de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1827, fundaram-se as Faculdades de Direito de Olinda e de São Paulo e em seguida, em Ouro Preto inauguram-se duas instituições, a Faculdade de Farmácia (1839) e Escola de Minas (1876). No final do século XIX, surgiram mais cinco instituições no país: Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro (1891); Faculdade de Direito de Belo Horizonte (1892); Escola Politécnica de São Paulo (1893); Escola de Engenharia Mackenzie de São Paulo (1896); Faculdade de Direito de Goiás (1898). 

O sucesso do nosso sistema universitário primeiro decorreu de avanços localizados, e em função da economia possibilitada pela borracha, surgiu a Escola Universitária Livre de Manaus (1909); em seguida despontou a Universidade Federal do Paraná (1912), que se justificava pelo surto de imigrantes estrangeiros que inflava a população daquele estado. Em seguida, a Universidade Federal do Rio de Janeiro espontou como resposta da Capital Federal (1920). Foi Vargas que, em 1930, unificou o comando das escolas sob o crivo do Ministério da Educação e Saúde Pública. Desde então, centralizou-se o processo de ensino que, no nível superior reconhece três ramos de exercícios: as unidades federais, estaduais e privadas (inclusive as confessionais). Em paralelo à orientação unificada pelo estado, um problema surgiu exigindo autonomia das decisões de gerência de cada unidade, pois o perfil acadêmico demandava governo próprio. No Brasil, pela Constituição Federal de 1988, no art. 207, estabeleceu-se que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica”. 

Foi graças ao ensino público e apoio de entidades privadas que superamos a fase de dependência dos avanços estrangeiros, colocando-nos em condição de diálogo. Crescemos muito e rapidamente, mesmo tendo passado pela ditadura militar que durou 21 anos. Prova disto é que temos oito universidades classificadas pelo World University Ranking entre as 50 melhores do mundo (a USP figura entre as 100 mais pontuadas). Este sucesso, contudo, está seriamente ameaçado. Como uma praga bíblica anunciada, eis que o atual governo infesta com o que pior existe o panorama escolar brasileiro em todos os níveis, traindo inclusive o que ele próprio erigia como prioridade em campanha. E onde situa-se o motor deste desmonte? Exatamente na ignorância combinada com o sequestro da autonomia universitária. A expressão disso é a privatização dos educandários, tidos como inoperantes. Com um Presidente que trata mal o vernáculo, sem domínio elementar de problemas, desaparelhado de conselheiros capazes, o que temos é uma ladainha de malditos, de frases agressivas e ferinas, e um sombreamento de religiões obscuras e moralistas. Resultado dimensionado por um Ministro coerente com a política: cortes de verbas, propostas de ensino militar nas escolas, revisão ideológica de conteúdos. Tempos de cólera. Vamos aceitar isso? Até quando?

terça-feira, 8 de outubro de 2019

PRIORIDADE ALBINA NO RIO DE JANEIRO

Albinos podem ter prioridade nos hospitais municipais

O vereador Petra (PDT) quer ampliar a proteção a portadores de albinismo e apresentou à Câmara do Rio o Projeto de Lei nº 1.422/2019, que determina a prioridade nas marcações em consultas dermatológicas e oftalmológicas na rede pública de saúde para pessoas portadoras da doença.

Os cidadãos portadores do distúrbio terão que comprovar a condição mediante apresentação de laudo médico – contendo a Classificação Internacional de Doenças (CID), a assinatura e o carimbo com o número do Conselho Regional de Medicina (CRM) do médico responsável – para ter direito à prioridade na marcação de consultas.

De acordo com o parlamentar, “a acromatose – também chamada de acromia, acromasia ou albinismo – é uma condição de natureza genética que aparece também em animais e vegetais, em que faltam alguns compostos corantes, como o caroteno. É um distúrbio congênito, caracterizado pela ausência total ou parcial de pigmento na pele, cabelos e olhos, devido à ausência ou defeito de uma enzima envolvida na produção de melanina. Ela está associada a um número de distúrbios oftalmológicos como a fotofobia, o nistagmo e o astigmatismo. A falta de pigmentação da pele faz com que o organismo fique mais suscetível a queimaduras solares e câncer de pele“.

REENCONTRO ALBINO

Reencontros: irmãos albinos ainda enfrentam dificuldades
Os três irmãos albinos, moradores de Olinda, foram descobertos pelo fotógrafo Alexandre Severo, em 2009
Em 2009, o Jornal do Commercio publicou matéria do jornalista João Valadares e repórter fotográfico Alexandre Severo contando a história de três crianças albinas de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A publicação mudaria a vida da família. A quarta matéria da série Reencontros revisita os irmãos albinos.

Dez anos depois, o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação foi ao encontro de Rute Carolaine, Estefane Caroline e Kauan José. 

A matéria do repórter João Valadares e do fotográfico Alexandre Severo, que faleceu em 2014 no mesmo acidente aéreo que vitimou o ex-governador Eduardo Campos, correu o Brasil. Muita gente ficou comovida com o drama dos irmãos. Ao saber que Kauan, Estefane e Rute viviam sem ver a luz do sol, muita gente resolveu ajudar. 

Ser albino é ter o sol como uma constante ameaça. A infância sem dinheiro obrigou os irmãos de Olinda a permanecerem dentro de casa. O sol era um inimigo e, sem condições de comprar protetor solar, a vida era no escuro, sem luz.

Depois da publicação da reportagem em 30 de agosto de 2009, Kauan, Rute e Estafane começaram a receber a chave para o mundo lá fora. Os três irmãos têm uma dívida de gratidão toda especial para com a pessoa que mais lutou, e ainda luta, por eles: a mãe, Rosemere Andrade. 

E assim, rompendo barreiras, enfrentando às dificuldades, os três irmãos seguem cultivando sonhos para o futuro.

Confira os detalhes na reportagem de Ivan Junior:

TELINHA QUENTE 378

Roberto Rillo Bíscaro

Em um presente paralelo, o uso de androides é comum. Os hubots, são usados ​​como trabalhadores e companhia. Enquanto algumas pessoas abraçam esta nova tecnologia, outras estão assustadas com o que pode acontecer quando seres humanos são substituídos como trabalhadores,, pais e até mesmo amantes

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 383


Roberto Rillo Bíscaro

O trio volta mais incisivo em seu denso segundo álbum, incluindo elementos de rock a sua MPB.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

PAPIRO VIRTUAL 146

Roberto Rillo Bíscaro

O brutal assassinato de um chefe de polícia revela uma Suécia meio distante do ideal bem-estar social, neste clássico da literatura policial escandinava.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

TELONA QUENTE 306

Roberto Rillo Bíscaro 

A fãs de qualquer subgênero deve doer no coração, quando presenciam oportunidades desperdiçadas. Como apreciador de cine de horror/suspense psicológico/sci fi, lamentei que In Extremis (2017) tenha falhado em se adequar plenamente a qualquer das categorias mencionadas. 

Escrito e dirigido por Steve Stone e também conhecido como Point Of Death, In Extremis começa com um bem-sucedido executivo de meia-idade tirando a tarde livre e dirigindo-se a sua suntuosa casa no campo inglês, onde vive idilicamente com suas lindas filha e esposa. Logo dá pra perceber que algo está errado ali e espectadores mais sazonados matam boa parte da charada na hora. 

A mansão se vê cercada por densa a apavorante nuvem negra, que pode ter sido causado por explosão nuclear, invasão alien? Parte da exposição de In Extremis joga com as diferentes possibilidades subgenéricas onde poderia atuar. Daí, aparecem espectros negros, que deveriam assustar; daí, ele acorda num hospital abandonado. Tudo é juntado num mambo-jambo bem filmado, mas pobremente dialogado, que não dá suspense, porque não nos conectamos a nenhuma convenção ou conseguimos empatizar com qualquer personagem. 

Nos dez minutos finais, aprendemos todas as simbologias e acontecimentos do que poderia ter sido uma daquelas histórias de terror psicológico de destruir corações, mas não consegue comover.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

CONTANDO A VIDA 284

FIGO, MAÇÃ OU BANANA: 

Que folha cobriu as vergonhas de Adão e Eva? 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Além do misterioso e excitante caso de Lilith - a suposta primeira mulher criada por Deus - há outra passagem bíblica que me atiça: qual o fruto e a folha usada por Adão e Eva, depois da expulsão do Paraíso, para “esconder as vergonhas”? Nem interessa saber se a tentação de “comer o fruto” teria valido a pena (pelo menos para justificar o pecado que se chamou “original”). Em complemento, fico me perguntando sobre as alternativas capazes de explicar a espécie da árvore – e o tipo de folha – do fruto fatídico. Nas primeiras traduções da Bíblia em voga até o século IV, falava-se de uma figueira, mas há dúvidas relativas ao tamanho das folhas e à força dos galhos, pouco robustos para suportar uma serpente capaz de seduzir pela oferta do tal fruto irresistível. O correr dos séculos, contudo, consagrou outra versão que, segundo o sábio São Jerônimo, seria a real árvore, fruta e folha: a macieira. Aliás, esta foi a versão que atravessou séculos e que tomou conta do imaginário fermentado por pintores, escultores, poetas e sermonistas. Sem entrar no mérito da questão, cá entre nós, esteticamente a maçã é bem mais fotogênica e de fácil reconhecimento que o figo. Além de tudo, a maçã tem sido assimilada como fruta-pretexto, seja na lenda de Guilherme Tell, seja na Branca de Neve. Como “fruto proibido”, não faltam referências, poemas e canções saudando a maliciosa “fruta do amor”. 

De toda forma, segundo exegetas, a mudança da figueira para a macieira se deveu a um equívoco de tradução. São Jerônimo, ao se deparar com o termo hebraico “malum” em latim, confundiu as palavras homônimas “mal” com “maçã”, ambas com a mesma ortografia. Foi o que bastou. Por séculos, a maçã foi a escolhida. Não pensem, porém que esse predomínio ocorreu sem contestação. Não, mas de tal maneira foi aceito que se vulgarizou em outra polêmica, não menos interessante, o chamado “pomo de Adão”. Sim, também desprezada a prioridade no pecado – quem teria comido o fruto proibido antes, Adão ou Eva – a polêmica merece retomada, pois diz a tradição que o homem comeu primeiro e, por isto, sua garganta foi amaldiçoada com o gogó ou “pomo de Adão”. Entre lembranças e apagamentos, o caso da folha continuou, e o termo “pomar” ganhou significado especial, de plantação de frutas, pois seria resultado do “suor do rosto” de quantos pagam pela farra de Adão e Eva. 

Recentemente, contudo, uma nova substituição tem atormentado a tradição. Além de a figueira ter sido trocada pela macieira, cogita-se que a verdadeira folha teria sido de bananeira. A “nova” escolha deve-se ao reconhecimento registrado em um artigo escrito por Dan Koeppel, autor de um livro irresistível chamado “Banana: o destino da fruta que mudou o mundo (“Fate of the Fruit that Changed the World”). Este curioso texto mereceu atenção pública e foi complementado por outro, igualmente provocante, também dedicado a interpretar os símbolos e metáforas bíblicas “A Linguagem Secreta das Igrejas e das Catedrais: Decifrando o Simbolismo Sagrado dos Edifícios Santos Cristãos” (“The Secret Language of Churches and Cathedrals: Decoding the Sacred Symbolism of Christianity’s HolyBuildings”), de autoria de Richard Stemp. Seguidores desta proposta alegam que a banana é mais próxima do símbolo fálico que, por sua vez, serviria de sugestão ao ato sexual transgressivo. Mas, os argumentos progridem também por outras variantes. Sabe-se que as bananeiras são originárias do Sudeste Asiático, local que se imagina ter sido o Paraíso. Além do mais, a banana é tida como o mais antigo dos frutos e, por ser rizoma, depois de dar frutos em cachos vai renascendo progressivamente. Existe uma corrente que professa ser a banana o fruto “da ciência do bem e do mal”, nomeada em latim como “Musa Sapientum” e que, assim, como divindade do conhecimento, seria responsável pela consciência do ato transgressor que quebrou o pacto de Deus com o primeiro casal. 

Frente a este debate instigante, resta ver a atualização das escolhas. As feministas criticam a aceitação da banana como eleita porque, pelo tamanho e formato da fruta, privilegiaria os homens. Além disso, mais um fator atua nesta controvérsia: seria a mulher a agente do engodo, e o homem sua vítima? Enfim, me pergunto, por que estas questões não entram nas aulas de religião? Qual a razão dos sermões evitarem tais polêmicas? Não seriam ganchos úteis para a discussão de gênero e poder na sociedade atual? Ou é melhor ficar quieto e continuar navegando pelo mar obscuro das certezas definidas? Figueira, macieira ou bananeira? Silêncio ou debate?

terça-feira, 1 de outubro de 2019

TELINHA QUENTE 377

Roberto Rillo Bíscaro

As cinco temporadas de Jane, a Virgem são explosão de humor, criatividade, comédia e emoção.