sábado, 30 de setembro de 2017

ALBINO GOURMET 242

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

MOÇADA MALVADA DE MOÇAMBIQUE

Oito jovens apanhados a vender ossada de albino em Nampula

Um grupo oito cidadãos encontram-se a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, por terem sido surpreendidos na posse de 18 ossadas humanas, que se acreditam serem de um cidadão que sofria de albinismo, uma doença que se caracteriza por ausência ou grande falta de pigmento na pele, nos olhos, nos pêlos e no cabelo.

A prisão dos visados aconteceu no bairro de Namutequeliua, na cidade nortenha de Nampula, quando tentavam entrar em contacto com um suposto comprador previamente identificado, cujo nome e localização não foram revelados.

Dos oito detidos, nenhum deles assumiu a posse das referidas ossadas, nem revelaram onde as obtiveram e tão-pouco disseram qual era a finalidade das mesmas. Eles limitaram-se a trocar acusações.

Os suspeitos deverão serão ser ouvidos por outras estâncias judiciais com vista à decisão sobre o acusação que pesa sobre eles. Um processo para o efeito já está a seguir os devidos trâmites legais, disse Zacarias Nacute, porta-voz da PRM, em Nampula. N

o distrito de Marracuene, província de Maputo, um jovem morreu nas mãos de populares em consequência de ter sido submetido à tortura física na companhia de outros dois cidadãos, dos quais um foi hospitalizado devido à gravidade das lesões.

O facto ocorreu no bairro Cumbeza e, segundo apurou o @Verdade junto da corporação daquele ponto do país, a justiça pelas próprias mãos deveu-se, supostamente, ao roubo de uma chapa de zinco numa residência.

O corpo do malogrado foi atirado a um rio e na altura em que a multidão procedia a este acto condenável, o terceiro integrante do alegado grupo de larápios colocou-se em fuga e desconhecia-se o seu paradeiro, até ao fecho desta edição.

A Polícia não efectuou detenção alguma, por enquanto, porque ainda está a investigar quem orquestrou ou participou no acto.

http://www.verdade.co.mz/newsflash/63527-oito-jovens-apanhados-a-vender-ossada-de-albino-em-nampula

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

TELONA QUENTE 204


Roberto Rillo Bíscaro

O sobrenome Darín comanda atenção na Argentina, porque Ricardo é o ator mais internacionalmente conhecido do país. Assim, quando o Júnior, apelidado Chino Darín, estreou como protagonista num policial de época, ainda por cima inspirado parcialmente pel’O Segredo de Brokeback Mountain, o hype estava armado. Muerte em Buenos Aires (2014) - primeiro longa de Natalia Meta, também coautora do roteiro com mais umas 3 pessoas – teve farta promoção e distribuição (está até na Netflix), mas decepciona em tudo, exceto na reconstituição de época. Mas se é pra ver anos 80 “realista”, melhor ver um filme da década.
Um homossexual da alta é morto e desde o começo sabemos que o assassino é o jovem e bonito policial Chino Darín. O machão inspetor Chávez está a cargo do caso e como o sedutor El Ganso estava na cena do crime, é escolhido como ajudante na investigação, mesmo não tendo experiência e sendo d’outra divisão. Mas, logo notamos porque Chavéz escolheu, sem saber, o próprio assassino: o zeloso paisão de família começava a se sentir atraído pelo mancebo. Assim, do nada, o bofe é hétero a vida toda, de repente, aparece um boy magia e rola química. Até deve acontecer, mas num roteiro tem que ser bem construído pra ser verossímil, e tudo em Muerte em Buenos Aires não o é. Tem hora que chega a ser cômico. Talvez pro público local contextualizar a época, há uns 2 ou 3 apagões (sem função alguma pra trama) e sempre que acaba a energia rola aquele efeito sonoro de chave-geral desligando de filme de terror ou suspense.
Estruturalmente, o filme tem um elenco de problemas:
A) uma trama cancela a outra, porque se já conhecemos o criminoso, importa saber como será descoberto, mas neste caso, também nos perguntamos se vai rolar fodinha entre os 2. Como nada é aprofundado, nada realmente funciona de modo consequente.
B) Tem cenas e personagens sem função; pra que serve a policial Dolores a não ser pra caricaturalmente representar o visual feminino dos 80’s? E aquele chiclete irritante em todas as cenas, o que é aquilo? Parece que a equipe de produção viu o que de mais brega houve nos anos 80. Na verdade, Muerte em Buenos Aires recria o período tão bem, que acaba parecendo realmente com a média de filmes ruins da época e não com a potencialidade de sofisticação mais de uma vez demonstrada por cineastas argentinos. Isso pesa muito, porque a própria Argentina, no longínquo 1986, realizou o muito mais eficiente Otra História de Amor, retratando uma relação homoafetiva.
C) Tem indicado ao Oscar desperdiçado. O inspetor Chávez é o mexicano Demian Bichir, que concorreu a melhor ator por A Better Life, em 2012 e é um dos protagonistas da ianquização da série sueco-dinamarquesaBronIBroen. Ou seja, o cara é bom, mas, atuar falando espanhol portenho não rolou, boludo!
Muerte em Buenos Aires é retrô em todos os sentidos, especialmente no que tange à representação do homoerotismo, sistematicamente visto de forma negativa, quer em seus resultados, quer na “ameaça” que representa à heteronormatividade. E ambas posturas são tão anos 50, 60, que, aff! Vamos esmiuçar. Todos os enlaces gays terminam de forma desastrosa e a representação do “mundo” gay é o clichê decadente de boates e tal. A heterossexualidade ainda é vista como algo muito frágil, que pode ser facilmente destruída pelo “perigo homossexual”. Essa dúvida que uma sociedade doentiamente hetero-orientada tem de sua suposta sexualidade única, definitiva e “natural” seria muito cômica, se não fosse a responsável por tantas hediondices. Galera tem medo de que criança ver beijo gay, vai virar viado. Escuta, menininho gay viu beijo hétero a vida toda e nem por isso prefere a Maria ao Mário. O roteiro de Muerte em Buenos Aires ainda opera nesse antiquado conceito de que a homossexualidade vem pra qualquer um, invadindo os lares da família argentina. Não funciona assim: a sexualidade é bem mais complexa e a súbita atração do inspetor Chávez não passa credibilidade. Na verdade, ele deve gostar mesmo de bacurinha só. E não há nada de errado nisso. Como também não haveria se ele gostasse de pipi e popô. Mas o roteiro tem que construir bem a personagem pra que acreditemos nela e em suas transformações.


Se você ainda quiser investir seu tempo assistindo a Muerte em Buenos Aires, certifique-se de ver as cenas dos créditos finais, porque o “segredo” por trás de tudo será mostrado numa cena de jogo de polo sobre cavalos. Ou então, se consegue entender espanhol sem legendas e ele ainda estiver no Youtube, tente Otra História de Amor. Apesar dos defeitos oitentistas, é muito melhor. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

CONTANDO A VIDA 205

CAIPIRA: SER OU NÃO SER...

José Carlos Sebe Bom Meihy

Pois é!... de repente estive implicado em uma polêmica danada. Antes de historiar o caso, deixem-me evocar razões que explicam o contexto. Participo de uma rede social com amigos, colegas, parceiros de minha geração. Trata-se de uma rede com o precioso nome  “Taubatherium”, que se tornou ponto de reencontro que reúne cerca de 70 (ex-)jovens, pessoas que viveram seus dias de mocidade no interior do estado de São Paulo, na aconchegante, mas complexa cidade que, afinal, como diria Olavo Bilac, é um mezzo del camin. Situada entre as ondas da orla “ubatubana” e curvas serranas que determinam um vale; entre a capital São Paulo e a fronteira com o estado do Rio de Janeiro, está a comunidade que é reverenciada como nossa eterna capital sentimental, paraíso achado na memória de um recorte geracional. É óbvio que o poeta no soneto precioso que evoca o meio do caminho, entre o nascimento e a ameaça da morte, se referia ao tempo tramitado da juventude à velhice, das lembranças idílicas ao triste declínio etário. Junto aqui as duas coisas: o ponto médio geográfico e a passagem dos anos apontados para a fatalidade do futuro inexorável. E acrescento um fermento quase filosófico: quem somos?
Faz parte do sistema identitário de qualquer taubateano um dúbio sentimento que tramita entre o orgulho e a vergonha. Ser taubateano centraliza um dilema ampliado que Shakespeare teatralizaria como “ser ou não ser caipira”. O tema guarda complicações capazes de fomentar tratados, pois tanto pode ser positivo, motivo de orgulho, como pode humilhar interlocutores. É verdade que experimentamos em escala maior a mesma ambiguidade ao deparar com conversas em que nós mesmos, na intimidade de grupos, falamos mal do Brasil, mas se a referência resulta de estrangeiro, viramos o mais empedernido defensor da pátria amada, mãe gentil. Com ímpeto aproximado dessa polarização, se reage frente ao termo “caipira”. Diria que dois taubateanos deram a medida da discussão paroquial. Em uma ponta, Monteiro Lobato chamou os habitantes do entorno de “piolhos da serra”, seres decadentes que não cantam, não lavram, doentes, parasitas que viveriam de cócoras. O termo se alastrou e ganhou brilho na medida em que Lobato se tornava personalidade pública e é, até hoje, um dos dez autores mais conhecidos da nossa literatura. Na outra ponta, temos o bardo Renato Teixeira, que assumiu – para gaudio geral – Taubaté com sua sede sentimental. Ao dizer na antológica Romaria “sou caipira pirapora” e saudar Nossa Senhora como padroeira, fica exibida a resposta aos detratores. E convém lembrar que Romaria é uma das dez músicas mais conhecidas do nosso farto repertório.

Para quem está de fora, este é um debate que pode ser aquilatado como complementar, sem maiores consequências, mas, filtrado pela rede social de meus conterrâneos, virou debate candente, ponto de honra. Cá e lá, entre milhares de outros temas, volta a questão da “caipiridade”. Ainda que discretamente, acompanho com atenção os temas filtrados por opiniões diversas. Foi assim que, na semana passada “rolou” uma conversa sobre o assunto. Eu estava em Curitiba, onde havia ido para encontros acadêmicos. Ocorreu-me perguntar sobre a amplitude do termo caipira. Instigado por outros participantes do grupo, resolvi tirar uma prova do caso. Em reunião com cerca de cem alunos universitários, antes de minha apresentação, perguntei para a plateia: seria aplicável ao estado do Paraná o termo caipira? A plateia foi unanime ao levantar braços. Em seguida perguntei se alguém se sentia caipira e... e... e, ninguém se assumiu. Estava, então, dado o sinal de largada para mais um mergulho identitário: que raio de pertença temos? Caipira é o outro, sempre? E o pessoal de Taubaté, tem que se definir caipira e ostentar sua condição? Não seria um jeito enfrentar o mundo e exibir vigor no conteúdo da expressão? Pronto, está colocado o caso a um aprofundamento convidativo, a necessária vocação conceitual da cultura caipira. É claro que muitos autores importantes já trabalharam na caracterização do tema, mas falta ainda quem (re)coloque a questão a partir do ponto de vista local. Visto assim, pergunta-se do significado das instituições de ensino e pesquisas que se situam em uma cidade que tem duas universidades, além de faculdades isoladas e muita gente falando sobre a matéria. Mas também, e de forma peremptória, indaga-se da comunidade em geral, pois, recobrando Bilac, é preciso determinar qual nosso lugar no meio desse caminho.   

terça-feira, 26 de setembro de 2017

ORANGOTANGA ALBINA

EM BUSCA DE UMA NOVA CASA PARA ALBA, A ÚNICA ORANGOTANGO ALBINA DO MUNDO
Alba, a única orangotango albina

Chama-se Alba, tem grandes olhos azuis e é o único exemplar no mundo de orangotango albino. Ela tem cinco anos, é órfã e foi salva de uma vida de prisão no cativeiro. Agora, uma fundação para a defesa desta espécie está trabalhando para criar uma reserva natural para Alba e outros orangotangos resgatados do cativeiro.


Alba foi encontrada no dia 29 de abril em condições precárias em uma vila em Tanggirang, em Kapuas Hulu, no centro de Kalimantan, na Indonésia. Desnutrida e passando mal, a orangotango foi alimentada durante os primeiros dias somente com cana de açúcar.


Capturada ilegalmente e mantida na gaiola, muito temerária, Alba tinha uma atitude selvagem demonstrando que, felizmente, alguma esperança de levá-la de volta à liberdade sem as consequências sérias do cativeiro ainda era possível.

Graças ao trabalho da Borneo Orangutan Survival Foundation - Bosf - o animal foi melhorando e recuperou rapidamente seu peso. Deprimida e cheia de parasitas, Alba (nome escolhido através do hashtag #albinoorangutan) começou sua nova vida.

Agora ela come frutas e muito mais, e a equipe da Bosf está procurando uma casa para ela. Como sabemos, os orangotangos vivem nas florestas selvagens das ilhas indonésias, mas nos últimos anos, devido ao desmatamento por causa do óleo de palma e da mudança climática, esta espécie está cada vez mais em perigo de extinção.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, os orangotangos são considerados uma espécie em risco de extinção, principalmente porque seu número caiu em dois terços desde a década de 1970. Então, podemos dizer que Alba é a única orangotango albina no mundo.

É por isso que se teme por sua vida.
alba 2jpg

O objetivo da fundação é colocá-la de volta em liberdade, mas o medo é que ela seja mais uma vez capturada. Além disso, seus problemas de saúde durante sua estadia e sua albinosidade a tornam sujeita ao câncer de pele, sem se esquecer do perigo dos caçadores furtivos.

Portanto, estão trabalhando para criar uma reserva de 12 hectares cercada de floresta no Centro de Reabilitação de Kalimantan, em Bornéu, onde Alba viveria com outras duas orangotangos que foram salvas com ela.

TELINHA QUENTE 278


Roberto Rillo Bíscaro

Durante 8 temporadas, o especialista forense Dexter Morgan teve que dar conta de seu trampo, compromissos familiares e ainda esconder/escamotear sua identidade de assassino em série. Nos 16 episódios da série que leva seu sobrenome, DCI John Luther não tem tantos afazeres quanto Dex, porque não possui envolvimento familiar, mas divide sua atenção entre a resolução de seus casos e tentar esquivar-se dos que o perseguem por crê-lo amoral, desonesto, assassino mesmo.
As quatro temporadas exibidas pela BBC entre 2010-15 são bem menos complexas do que o propagandeado por distribuidoras, tipo Netflix (inclusive a brasileira). Os casos são brutais e a resolução vem quase sempre num piscar de olhos dedutivo do supostamente genial Luther. Ocorre que quase sempre o policial está às voltas em salvar sua própria pele ou distintivo, então, a trama detetivesca tem que ser resolvida mais rapidamente. Nada muito contra, porque a ambiguidade e o relativismo moral meio Charles Bronson, contrastado com genuína preocupação pelo próximo, tornam Luther um show acima da média. Só não é essa Fossa de Mindanau de profundidade psicológica de que tentaram me convencer. As estripulias são tão malucas quanto as de Whitechapel, embora este seja mais divertido, porque menos pretensioso.
Mas, como não gostar de Luther, que é fã de David Bowie e sabe que Siouxsie And The Banshees não era “gótico”, mas pós-punk? Que bom que cada vez mais policiais gostem de pop e não de jazz e ópera. Deixo pros estudiosos de representação afro na TV, a problematização de se ter um protagonista policial negro, que embora racional ao extremo na dedução, animalescamente não consiga reprimir seus instintos agressivos e esmurre portas e objetos ao redor. Por si, não há problema nisso, porque há afros assim, o possível estorvo é a frequência nos tipos de representação. Sabe aquela coisa do albino maluco ou com superpoderes? Nada errado se fosse outro ou um, mas esmagadoramente descritos assim, isso se torna prejudicial formador de opinião sobre nós.
A ambiguidade de Luther está até na única pessoa que o compreende e vice-versa, uma psicopata, que semi-clona Hannibal Lector, mas tem o mesmo sobrenome que Dexter. Alice Morgan rouba todas as cenas e ansiamos pra que apareça, o que é um problema pruma série nomeada a partir da personagem central.
Apesar dos defeitozinhos e do exagero na divulgação, Luther fez sucesso e ganhou até refilmagem russa, intitulada Klim. Se você procura policial mais profundo, vá de Happy Valley ou River, mas se já viu Whtechapel e quer mais diversão, Luther é a série.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

CAIXA DE MÚSICA 284


Roberto Rillo Bíscaro

Álbuns de regravações são perigosos, porque sempre há comparação com o material original. Além disso, fãs podem desejar coisa inédita de seu artista favorito e não sua maneira de interpretar o trabalho de outrem. Por outro lado, admiradores também podem estar doidos de vontade pra constatar como seus ídolos “melhoram” qualquer coisa já gravada, mesmo que tenha status de clássico.
Com relação ao repertório, há a questão do que escolher: a enésima versão quase igual de Yesterday, Body And Soul ou Show a Little Tenderness ou radicalmente alterar o original? Ou pinçar lados B e gemas escondidas? Escolher o cânon sempre despertará alguma ira, mantendo-se fiel ao original ou não. Pegar material menos conhecido pode conferir estatuto de garimpeiro cult, mas corre-se o risco de a crítica achar que o regravado é material inferior não merecedor de ser trazido à luz.
Maysa Leak aparentemente é tão segura de seus dotes, que não se importa em lançar álbuns de covers. Em 2006, regravou pérolas em Sweet Classic Soul, onde não teve medo de pegar material tão idiossincrático como Betcha By Golly Wow, dos Stylistics. Dia 26 de maio deste ano, voltou com nova coleção de reinterpretações no álbum Love Is a Battlefield. Ao longo de 11 canções, a eterna melhor vocalista do Incognito, faz um pouquinho de cada coisa descrita no início deste texto e, pra variar, se sai bem.  
Ela se mantém bastante fiel aos originais noventistas de Can We Talk e Things We All Do For Love (alguém lembra da tentativa da filha de Marvin Gaye, Nona, de virar cantora? Ela comia rosas no clipe, oh Lord...). Ela pinça delícias infelizmente quase esquecidas, como Inside Out, do Odissey, único momento balanço do álbum. Ela pega o sucesso 70’s de Nathalie Cole, Inseparable, e, sem se distanciar muito do original, ressalta seu aspecto jazz e oitentiza-o, caprichando no saxofone.
Ela reconstrói, como na faixa-título, originalmente um rock oitentista de Pat Benatar, que Maysa transforma numa soul ballad, agradando os compositores, que afirmaram que a canção fora planejada pra ser lenta. Virou a versão predileta, porque nunca achei graça em Benatar. O caso da repaginação do hit dubstep de Justin Bieber, As Long You Love Me, já não funciona tão bem, porque a composição não tem a força necessária. Maysa se esforça, solta a voz de veludo cotelê, o arranjo cria climão, mas falta consistência e profundidade. Compare com a gloriosa Mr. Dream Merchant, resgatada do cancioneiro esquecido do Phily Soul. Quando a melodia é boa, já é meio caminho pro intérprete e uma profissional do calibre de Maysa nada de braçada. A coisa mais linda de Love Is a Battlefield. Mas não posso deixar de confessar, que dá uma vontade danada de que entre negão com voz em falsete gritando, gritando, gritando, como na versão do New Birth, na primeira metade dos 70’s! Claro que o leitor deve aprender que numa de minhas versões do Paraíso há um coro instrumentado de anjos negros e um branco, que tocam Phily Soul e Yes eternamente.
Apesar de um par de coisas meio sem sal, Love Is a Battlefield agradará em cheio às almas românticas amantes de smooth jazz, quiet storm, urban jazz e soul, enfim, que curtiam ouvir FM dos anos 70 a 90. 

domingo, 24 de setembro de 2017

SUPERANDO O HIV

Conheça a história de superação da jovem que descobriu ter o vírus do HIV.

sábado, 23 de setembro de 2017

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

CUIDADOS COM A PELE ALBINA

Pessoas albinas necessitam de acompanhamento dermatológico para prevenir e tratar precocemente do câncer de pele, além de precisarem também de ajuda oftalmológica e acompanhamento genético.

Por ter esse problema na produção de melanina, a pessoa albina possui pele branca, sobrancelha branca, cílios muito claros e até complicações na retina do fundo dos olhos, por não possuir pigmento. Devido a isso, seus olhos sempre estão com aspecto avermelhado, aspecto que fica bem aparente em fotografias.

Eles também apresentam-se mais velhos muito cedo, na maioria dos casos desenvolvem câncer de pele em meados seus 20 e 30 anos de idade e a cada vez que ficam expostos ao sol, ganham uma queimadura nova. Para evitar coisas dessa natureza, alguns cuidados necessitam ser tomados.

Veja algumas dicas:
Evitar sempre se expor ao sol intenso e agudo;
Usar barreiras físicas como proteção, tais como camisetas, chapéus e calças;
Usar e abusar dos fotoprotetores com FPS maiores, que protejam tanto da UVB como também do UVA;
Optar por filtros com cor, pois sua funcionalidade é mais ativa como barreira que aqueles que não possuem cor;
Ajustar trabalho e momentos de diversão para períodos sem luz;
Realizar um exame dermatológico semestralmente, para identificação de algumas lesões ou para ganhar orientações específicas, assim como oftalmológico.

Produtos de proteção ideais para albinos
Pessoas albinas tem a necessidade de utilizar produtos com alta eficácia hidratante e antioxidante, especificamente para melhorar a resistência natural de suas peles contra as agressões solares externas, que tendem a ser mais cruéis.
Antioxidantes como Alistin, um peptídeo biomimético da carcinina, auxilia a combater a criação de radicais livres em três níveis: protege o DNA, a célula e as proteínas, e comumente trará o reequilíbrio, ajudando a melhorar a resistência desse tipo de pele.

Dois em um:  base e proteção solar
O rosto é uma das áreas do corpo que mais é agredida com o sol, e por isso é necessário um cuidado extra com o mesmo. O protetor solar é fator crucial, ainda mais quando a pele é bem clara.
Ao mesmo tempo, a maioria das mulheres quer sair de casa sempre produzidas. E além de ser ruim ficar passando muitas camadas de cosméticos diferentes no rosto, muitas vezes o tempo não é favorável.
Mas o que não há escassez, são de produtos que cumprem esses dois fatores muito bem: proteger e caracterizar. Confira os produtos dois em um que lidam tanto como protetor solar, quanto base.
Além de ajudar na economia de tempo na hora de se arrumar, você não vai mais ter que dar a desculpa que se esqueceu de passar o protetor, não é verdade?

Base com protetor
A base que se aplica no rosto é fundamental quando o assunto é caracterização. Mas, para que ela obtenha o efeito correto é necessário que você saiba qual o tipo certo para a sua pele, de maneira que ela ultrapasse as necessidades da sua pele e a deixe maravilhosa, cobrindo defeitos, olheiras e outras mínimas coisas.
Além de manter hidratada a pele e a deixar com um acabamento uniforme, a base protege a pele da sujeira, vento, luz e, se tiver FPS, protege do sol e ajuda a cancelar o envelhecimento precoce.
Mas, ainda existem algumas questões quanto à eficácia de proteção dessas bases com filtro solar, será que as bases com FPS têm o mesmo fator de proteção à pele, de fato? Sim, a eficiência dos raios UVB nas bases são idênticos.

Protetor com base
A inicial diferença entre a base com proteção e o protetor com base é a cobertura que os dois dão na pele. Os protetores com bases são como tonalizantes, permitem uma pele mais homogênea, mas sem tapar direito as imperfeições. Os protetores tem resultado mais naturalizado, sendo muito usado por pessoas do sexo masculino.
Esses protetores geralmente possuem poucas opções de cores, que variam entre o bege clarinho e o bege médio, mas, o bom dessas colorações é que se adaptam a qualquer tonalidade de pele.
O protetor solar com FPS essencial para sua cor de pele já com a base tem uma eficiência bem mais superior, pois a base tem uma proteção física na camada da pele que é visível na luz.
O indicado é sempre utilizar um filtro que protege contra os raios UVB, os raios que geram as queimaduras e câncer, e os raios UVA, que geram o câncer de pele e o envelhecimento, e a luz visível, que é a culpada pela maioria das manchas no rosto.

Bb cream
A maior parte dos bb creams possuem proteção solar. O bb cream é bem parecido com uma base só que de forma melhorada, com mais funções, ele serve para retirar manchas e deixar a pele mais clareada, hidratar, dar brilho natural, prevenir as rugas e tapar imperfeições porém a orientação é a mesma da base se a exposição solar for muito grande, usar um protetor solar normalmente por baixo para ter sim, uma proteção melhor.
O filtro solar, normalmente, é de coloração branca e quando misturamos com a base, ele consegue bloquear parte dos perigos dos raios de sol e auxilia a impedir que luzes artificiais venham a gerar manchas na sua pele.
Porém quando se fala dos raios agressivos do sol, a base tem que conseguir bloquear totalmente mas para isso, o fator de proteção deve ser maior que 30.

2 Itens essenciais de preparação de pele
A caracterização dá sempre um agito intenso no look, por isso alguns cuidados com o rosto, bem comuns na hora de fazer a maquiagem, podem modificar drasticamente o resultado no fim.
Devido a isso, hoje vamos dar algumas dicas simples e que fazem total diferenças na make, que vão fazer você arrasar em qualquer dia especial.
· Primer facial
O primeiro passo para uma pele magnífica é aplicar o primer, que auxilia na remoção da oleosidade da pele, fecha os poros e ajuda a evitar que a maquiagem saia devido ao calor. Aplique um pouco de primer na ponta dos dedos e passe sobre o rosto até a pele captar completamente o produto.
· Primer para os olhos
O produto primer para os olhos potencializa e deixa por mais tempo o efeito e a cor da sombra, seja ela cremosa ou em pó. Passe um pouco em cima das pálpebras e espalhe suavemente até a pele absorver o produto.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

BRANQUINHAS, MAS NÃO ALBINAS


Ambientalistas descobriram duas girafas brancas no norte do Quénia. A mãe e a cria foram filmadas por guardas florestais para o Programa de Conservação Hirola (HCP), enquanto caminhavam calmamente.

A mãe e a cria de girafa avistadas no norte do Quénia, que surpreenderam a comunidade científica por serem completamente brancas, têm leucismo, a mesma condição já identificada num tigre recentemente descoberto na Índia, e que se caracteriza pela ausência total de pigmentação na pele.


Diferente do albinismo, a condição genética ocorre devido a níveis reduzidos de diferentes pigmentos nas células da pele. Curiosamente, a girafa bebé ainda apresentava traços proeminentes de articulação que parecem desaparecer, enquanto a pele da mãe está completamente branca.

A área onde as duas giradas foram avistadas é gerida pelo Programa de Conservação de Hitola, uma organização não governamental dedicada à preservação do antílope hirola, uma das espécies mais raras do mundo.

Os conservacionistas ouviram os habitantes locais a falar pela primeira vez sobre as girafas brancas e apressaram-se a observar os animais. O vídeo mostra a mãe de um lado para o outro, com a criar a aparecer em segundo plano.

TELONA QUENTE 203


Roberto Rillo Bíscaro

A dupla formada pelo diretor israelense Eran Riklis e pelo roteirista de origem árabe Sayed Kashua já foi bastante elogiada no blog por produzir excelências como A Noiva Síria e The Lemmon Tree. De The Human Resources Manager gostei menos, embora não seja ruim. Mas, parece que o forte do duo bicultural é tematizar o imbróglio permanente entre árabes e judeus.
Outra prova disso é Os Árabes Também Dançam (2015), que mostra como é duro ser minoria étnica numa nação sempre envolvida em conflitos. O filme começa com a informação de que 20% da população israelense é de origem árabe. Se já é difícil em época “de paz”, imagine nos anos 80 e primeira metade dos 90, quando as rusgas viraram guerras declaradas, contra o Líbano e o Iraque. É esse o período da infância e juventude de Eyad, brilhante menino árabe, que cresce em Israel, em meio a sua família e comunidade árabe torcendo pra que os judeus sejam trucidados. Na hora de ir pra universidade, Eyad consegue vaga na mais prestigiosa de Jerusalém, onde os judeus não acertam pronunciar seu nome, a polícia o para a 3 por 2 pedindo documentos, é confrontado por racismo e desconfiança em toda parte e se dá conta de que sendo árabe terá dificuldade até pra conseguir um simples emprego como garçom. Lavador de prato, tudo bem, afinal, fica escondido da freguesia, mas a coisa muda de figura se for pra atender o público. Numa situação dessas, seria viável um relacionamento amoroso bi-étnico? Porque Eyad se apaixona – e é correspondido por Naomi, uma judia. Mas, Os Árabes Também Dançam não é um Romeu e Julieta transportado pro Oriente Médio.
Eyad desenvolve sólida amizade com Yonatan, jovem condenado a morrer cedo, porque tem a degenerativa distrofia muscular. Em vista de tantos obstáculos pra desenvolver suas muitas potencialidades, Eyad aos poucos transforma sua identidade e aí reside o foco da película. Antes de proferir julgamento moral sobre se o que o jovem faz é certo ou errado, Riklis e Kashua montam minucioso panorama da atmosfera opressiva circundando Eyad pra que entendamos porque ele toma a decisão. Subjugado por uma condição sócio-histórica que existe há séculos e envolve tantos atores poderosos e armados até os dentes, dá pra culpar o indivíduo Eyad por tentar levar existência mais tranquila e capaz de fazer com que suas potencialidades possam desabrochar ao máximo?
O preço da minúcia em nos mostrar a pressão sofrida por um membro da minoria étnica é que tudo o mais no roteiro fique esgarçado. Jamais aprenderemos as consequências da escolha de Eyad, seja em nível pessoal, seja familiar. Mas, o recorte a que o roteiro se propôs é tão bem-feito, que a narrativa já vale pela exploração dos caminhos conducentes à decisão do jovem.

Embora não conduzidas de modo melodramático, as histórias de Os Árabes Também Dançam são de uma tristeza descomunal. Atente pra insistência no clássico deprê da Joy Division, Love Will Tear Us Apart, que pontua alguns momentos das vidas dessas personagens obrigadas a abrirem mão de partes essenciais de suas vidas, por causa de fatalidades ou irredutivismos sociais. Além disso, o fato de um cineasta judeu representar a dureza prum árabe crescer em Israel fala volumes sobre a situação.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

CONTANDO A VIDA 204

A ARTE DE PERDER O PRAZER

José Carlos Sebe Bom Meihy

Uma das mais complicadas consequências do conhecimento formal nos dias de hoje é que de repente deixamos de ser público para nos tornar analistas, exegetas ou decifradores do mundo. A tudo, temos que analisar, conferir, comparar e dar opinião e emitir juízos fundamentados. E cresce como erva daninha o culto às ciências e à racionalidade. De fora, ficam as paixões, a fala desprendida, a opinião simples e despretensiosa. Isso, aliás, invadiu todos os territórios expressivos. Até o campo artístico se “logicizou”, virou tema de estudos. Convém lembrar que isso é uma traição, pois na raiz a “escola” helênica queria dizer ócio. Sim, apregoava-se na Grécia clássica que os sábios deveriam ter tempo “ocioso” para pensar e usufruir do conhecimento. Mas, humanos que somos, temos o dom de complicar tudo e assim deixamos de sentir em profundidade, sem filtros explicativos censores da espontaneidade. E a isso chamamos educação.
Talvez, de todas as artes, a música seja a menos exigente, aquela que, ainda, nos deixa flanar pela sensibilidade. Por lógico, levo em conta a passividade do ouvinte, e não da exigência apurada dos executores virtuoses. Pois é, com imensa saudade, lembro-me do tempo em que ia ao cinema para me distrair e, com pipoca ou amendoim, permitia me perder em histórias de bandidos e mocinhos, de viagens interplanetárias, super-heróis e mesmo romances sonsos. Tudo mudou e muito. Na medida em que crescemos precisamos saber mais sobre o modo de produção de peças, a biografia dos autores, o custo das montagens, a opinião dos críticos... E haja jornais, ensaios, resenhas, comentários, análises, enfim, um intrincado processo de contextualizações rouba-nos o simples prazer de ir e ver, de gostar ou não. Sobre tudo temos que ter uma opinião abalizada e um posicionamento atualizado e nada de jogar conversa fora.
Em minha intimidade, tenho lutado muito contra essas exigências qualificadoras das diversões. Busco não me enquadrar, e até me dar ao luxo de gostar de uma pintura pela alegria de ver a composição, o tema, as soluções estilísticas, tudo sem relacionar com escolas, séries do autor, com a proposta do museu. Sem me contradizer, gostaria de afirmar minha vocação “minimalista”, explorar a catarse permitida pelo momento, independente de inscrição em processos reflexivos. É lógico que não fujo da condenação da “arte pela arte”, mas confesso que estou exaurido da suposição processual e das leituras abalizadas. E por falar em leitura, toda essa conversa decorreu de um texto instigante. O escritor japonês Yassunari Kawabata produziu um conto que muito mexeu comigo. Sob o nome de “Yumiura”, um escritor já maduro na idade, recebe a visita surpresa de uma senhora que animadamente lembra-o de tê-lo conhecido há mais de 30 anos. Segundo o animado relato da visitante, eles teriam se conhecido no porto da cidade que dá nome ao relato, e teriam se apaixonado, ao ponto do então jovem pedir a moça em casamento. Estarrecido, o escritor não conseguia se lembrar desse episódio, e isso o angustiava deveras, pois, como poderia ter apagado da mente um caso tão importante, uma paixão e pedido de casamento? Recolhido em si mesmo, o escritor fez um exame minucioso, e constatou uma série de outros esquecimentos. Costurando um caso com o outro, um apagamento aqui e outro acolá, tudo ia sendo creditado à senilidade. Mas o caso alarmou tanto o escritor que, inconformado, resolveu investigar melhor o caso. Passados dias de pesquisas em guardados, depois de juntar fatos, após rever agendas, anotações e questionar seus compromissos, chega à conclusão que lhe era impossível ter estado nos dias, locais, festividades relatadas com detalhes tão vivos. Por outro lado, a senhora também estava segura do que dizia e insistia na narrativa devaneadora. O conto termina com cada um garantindo sua posição, mas ambos com a certeza de seus fatos.
Pois é, bastou a leitura desse caso para sair da leitura e traduzir o fato da memória falha ou fantasiosa para minha vida pessoal... E da vida pessoal para estudos sobre a memória foi salto rápido. Primeiro pensei em tantos episódios apagados da memória. Supus também atos de delírios de casos que me implicavam, situações das quais nunca integrei. E logo estava retomando Freud, Bergson, Pollak, Proust, Portelli... E vi que não tenho como sair da teia que fiei para mim mesmo.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

TELINHA QUENTE 277



Roberto Rillo Bíscaro

Concluindo o comentário sobre as 2 temporadas primeiras de Bron/Broen, afirmei que não perderia tempo vendo a releitura anglo-francesa (The Tunnel), porque ela não conseguiria “replicar o intoxicantemente sublime”. Como sou meio mentiroso e tenho crises de abstinência mastodônticas, não resisti e testei-a há alguns meses. Não passei do segundo capítulo: não fui com a cara do elenco (bom, mas Saga e Martin são como marca de cigarro pra fumante; outra não tem o mesmo sabor, por isso, não satisfaz) e decidi que não compensava o trabalho de ler legenda, quando se falava em francês.
Há algumas semanas, nova crise de abstinência e a comodidade de a versão norte-americana estar na Netflix brasileira fizeram-me tentar The Bridge, cujas 2 temporadas foram ao ar pela FX, entre 2013 e 14. Justifiquei o salto no escuro até didaticamente: daria pra treinar inglês e espanhol num show só; olha que prático e proveitoso. E deu mesmo, pelo menos na primeira temporada.
The Bridge usa a premissa do original sueco: um corpo dividido em 2 é encontrado na ponte que liga El Paso a Juaréz e logo se descobre que metade pertence a um mexicano, metade a um norte-americano. Isso justifica que a detetive ianque meio autista Sonya Cross e o mexicano bonachão Marco Ruiz trabalhem juntos pra resolver essa ode sangrenta à monogamia (e o original é da “liberada” TV sueca, não do Vaticano ou da evangélica Record...).
A fronteira entre EUA e México fervilha de diferenças e possibilidades de assuntos em nível pessoal, político, econômico, social, cultural, enfim, muito mais diversa do que a fronteira Suécia-Dinamarca, embora países escandinavos estejam longe de serem iguais (o fato do sátiro ser o dinamarquês Martin na produção sueca é acerto de contas simbólico na perene batalha cultural entre as 2 nações). The Bridge não perde as oportunidades e na versão da FX temos imigração ilegal, carteis de narcotraficantes, até com subtramas inexistentes no original. Até aí nada demais, o problema é que vemos muito da violência, pobreza, corrupção e “atraso” apenas do lado mexicano, como se a terra do Trump fosse idílio que sofre com a violência e invasão do sul. Mas quem compra a droga em massa é playboyzinho, playboyzinha, playtiozinho e playtiaizinha ianque, né? Não que o show jamais reconheça isso, mas basta atentar pro que é mostrado no lado de El Paso e o que é no lado de Juarez e você entenderá a diferença de ênfase.
Por ser feita primeiro pro público norte-americano, The Bridge deve ter querido mostrar mais a alteridade pobre dos desafortunados estrangeiros. Certamente pro mais europeu norte, a explosão de tons fortes, calor e deserto do sul do Texas/norte do México pareça “exótica” e essa estranheza The Bridge capta bem, mas qual programa passado no sul não tem as mesmas imagens de deserto, com aquela guitarrinha blues? Aqui aproveito pra dar opinião desavergonhadamente subjetiva, já que isso é blog e não site imparcial (hahahaha) de crítica: acho um saco esse visual True Detective, Breaking Bad ou sei lá que raio, que na verdade remonta há décadas: gostei e maratonei The Bridge, mas a ambientação gélida e o tom insistentemente depressivo de Bron/Broen dão de zilhões a zero.
Apesar disso e embora Sonya não faça sombra à representação do possível Asperger, como sua original sueca, a temporada 1 é bem boa, prende a atenção, Demián Bichir é muito bom, assim como sua colega Diane Kruger. Passei logo pra segunda, curioso pra ver se seguiriam a trama de Bron/Broen, que envolve bio e ecoterrorismo. Na fronteira México-EUA, pensei, como?
Os produtores devem ter se perguntado o mesmo e a série começou a seguir caminho próprio, mantendo similaridade com a sueca apenas na subtrama dos demônios pessoais de Marcos. O foco dessa fase seria um assassinato em série de centenas de garotas e um túnel usado pra tráfico de pessoas/narcóticos. Que sono! Mais do mesmo de tantas outras produções. Aí sim o chavão da representação do sul com fundo musical de guitarrinha de blues pegou pesado e desisti no terceiro capítulo, acho, sem sequer terminá-lo. A Wikipedia conta que 42% do público televisivo fez o mesmo, quando da exibição pelo FX, levando ao cancelamento da série. Nota: Bron/Broen vai pra sua quarta temporada, enquanto sua cópias foram todas canceladas.
The Bridge funcionou apenas enquanto não se distanciou muito da grande estória do original original (repetição proposital). Os assinantes da Netflix deveriam exigir que a empresa comprasse os direitos de Bron/Broen pro Brasil, assim como detém os da cópia semi-bem-feita.

SOM ALBINO

O novo caldeirão do bruxo albino


Após um hiato de 15 anos, o compositor e instrumentista Hermeto Pascoal lança o CD duplo "No Mundo dos Sons"


Após um hiato de 15 anos sem lançar um disco de estúdio com seu próprio grupo musical, Hermeto Pascoal volta ao mercado discográfico com o álbum duplo "No Mundo dos Sons." Produzido pelo Selo Sesc, o novo trabalho do compositor, arranjador e multi-instrumentista reúne 18 faixas autorais, muitas delas compostas em homenagem a amigos como Tom Jobim, Astor Piazzolla e Miles Davis, entre outros. Aclamado pela crítica especializada, o repertório do disco é apontado como reflexo do auge criativo que o músico alagoano que ganhou projeção internacional atravessa aos 81 anos de idade.
Popularmente conhecido como o "bruxo dos sons", Hermeto assina a direção musical e os arranjos do novo álbum que foi gravado em fevereiro deste ano no estúdio Gargolândia, em São Paulo. Na produção do disco lançado pelo Selo Sesc, Pascoal é acompanhado de seu grupo que tem como integrantes o baixista Itiberê Zwarg, o baterista Ajurinã, o pianista André Marques, o flautista e saxofonista Jota P, e o percussionista Fábio Pascoal, filho do artista. Além de compor todas as faixas do disco, Hermeto mostra toda a sua virtuose tocando com maestria apitos, escaletas, berrantes, teclados, chaleiras, colheres e piano. 


A genialidade nada protocolar do multi-instrumentista albino se faz presente no repertório do álbum gerado em tons afetivos. As homenagens prestadas pelo músico são expostas nos títulos das canções. O set list conta com faixas como "Viva São Paulo", "Para Miles Davis", "Viva Piazzolla", "Forró da Gota para Sivuca", "Carlos Malta Tupizando" e outras. Algumas foram compostas por ele há mais de 30 anos, mas só gravadas agora. 

Autodidata e livre de rótulos, Hermeto ganhou notoriedade internacional e respeito dos maiores músicos do planeta que enaltecem o experimentalisto, a excelente capacidade de improviso e o processo criativo totalmente intuitivo do brasileiro. Em maio deste ano, o alagoano recebeu o título de doutor honoris causa pela New England Conservatory, em Boston, nos Estados Unidos. 

Apesar do longo período longe dos estúdios com seu grupo, o músico nunca deixou de produzir. Nesse intervalo de 15 anos, gravou trabalhos em duo, compôs e fez shows. Lançou em 2010 o CD Bodas de Latão, em duo com Aline Morena, comemorando sete anos de união na vida e na música. Esse CD contém duas faixas multimídia. Atualmente, Hermeto Pascoal tem feito shows dentro e fora do Brasil com cinco formações: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal e Aline Morena, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band e Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica. 



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

POR UM TRIZ, EM MOÇAMBIQUE

Criança albina escapa a tentativa de rapto em Balama

Um menor de nome Édio, 10 anos de idade, portador de albinismo, residente no Posto Administrativo de Mavala, distrito de Balama, província de Cabo Delgado, escapou esta semana de uma tentativa de rapto.

Apercebendo-se da situação, os pais do menor, trataram de denunciar o caso às autoridades policiais, que de imediato detiveram o indivíduo, que recolheu para as celas da Polícia da República de Moçambique, naquele distrito.

Segundo contou o pai do menor, aos microfones da Rádio Comunitária local, quando a criança encontrava-se a brincar fora do quintal, apareceu o individuou em causa dizendo que o menino era uma “bolada”.

“A criança estava a brincar e nós vimos ele chegar à casa a correr. Quando lhe perguntámos o que se passava, ele disse que estava sendo perseguido, por uma pessoa que queria “bolada”. Foi dai que optámos por denunciar o caso à Polícia”, disse o pai.

Por sua vez, o menor em causa, contou que o cidadão chegou e começou a chamá-lo para sair donde estava a brincar. “Estava-me a perseguir e corri para dentro. Me dizia que eu era “bolada”. Depois, ele me chamou e eu neguei”, disse o menor.

O suposto raptor de nome C. Paulo, em entrevista à Rádio Mpharama, negou todas acusações contra si. Paulo disse que passou por ali porque estava atrás de um amigo com quem consome juntos bebidas alcoólicas.

“Eu apenas passei pela zona à procura do meu amigo Cochoco, porque nessa região temos bebido muito álcool. Ás tantas, apareceu o pai do menor, fazendo-me acusações. Por isso deixei aquele lugar. Depois, fui detido, alegando que eu sei da tentativa do rapto dum menor albino”, contou o acusado.

Por sua vez, Sauale Assane, cidadão que testemunhou a tentativa de rapto do menor com albinismo, confirmou serem verdadeiras as palavras dos pais.

O chefe das operações do Comando Distrital da PRM, em Balama, Mamudo Abibo, admitiu que, as averiguações da corporação indicam haver tentativa do rapto. Por isso, foi elaborado um auto criminal que vai ser remetido ao Ministério Público para devidos procedimentos.

Mamudo Abibo apela à população do distrito para manter maior vigilância sobre as crianças nas comunidades e denunciar imediatamente às autoridades locais todos os casos suspeitos, tal como se fez neste caso.

CAIXA DE MÚSICA 283


Roberto Rillo Bíscaro

Ano passado, revistas online hipsters, como Pitchfork e Consequence of Sound entoaram loas à Jamila Woods, cujo LP de estreia apareceu na lista de melhores das também descolados Spin e Pop Matters. Em se tratando duma cantora de Neo Soul/R’n’B isso incendiou minha curiosidade, afinal sou meio metido a hipster, de vez em quando. Ouvi alguma coisa de HEAVN, no SoundCloud e enlouqueci quando vi o vídeo de Blk Girl Soldier – que voz, que letra, que arranjo! Mas, se passaram muitos meses até que finalmente consegui botar os ouvidos em HEAVN, inteirinho, pra ouvir no fone de ouvido, prestando bem atenção.
Jamila Woods é atuante poeta, cantora e agitadora cultural independente – pelo menos era na época do lançamento de HEAVN, em julho de 2016 – de Chicago, metrópole que ganha mais destaque pela criminalidade e pelo vento, do que pela potencialidade de seus artistas e sua beleza. Não poucos norte-americanos, a chamam de “New York without an atitude”. Woods quis traçar panorama identitário da afrodescendência e também prestigiar os músicos de sua cidade. Conseguiu ambos objetivos e mais.
Apesar de multiproduzido e com referências caleidoscópicas - hip hop, trap, quase qualquer sub-estilo de soul/R’n’B, jazz, folk, indie pop são as mais evidentes – HEAVN é de consistência sônica e de qualidade de impressionar. As 13 faixas são excelentes, assim, compensa mais comentar o disco no atacado e não no varejo, até porque em termos estilísticos, as influências estão moídas e os farelos recombinados pra moldar um som moderno, descolado e elegante pra chuchu.
Quem entende inglês ganhará um “plus à mais”, porque as letras são sacadas poéticas sobre violência policial; aceitação da negritude; fetichização da negra como objeto animalesco de sexualidade; problema em aceitar a própria pele, clareando; timidez como forma de ficar longe de problemas, porque implica não envolvimento. Mas, também há a linda letra sobre memória, de Breadcrumbs – as migalhas de pão pedidas como marcador do caminho – onde ela canta que a avó amava seu avô, mesmo quando este já não mais se recordava quem era sua família. O político e o pessoal intercalando-se em letras que jamais dão a sensação de “aulas”.
Mas, como dito, isso seria adendo, porque se você não manja inglês, a belezura das canções e da doce voz de Jamila bastarão mais do que demais. Doçura, sim, porque apesar de toda constatação da opressão experienciada até hoje pelos afrodescendentes, HEAVN jamais escolhe o tom da raiva traduzida em vocais duros ou arranjos ásperos. É tudo bem melódico e leve. Também não há ódio ao reverso, isto é, claro que os brancos têm sido responsáveis por séculos de injustiças, mas Woods não hesita em pinçar o que presta dessa cultura. A própria faixa-título cita e brinca com a letra e melodia de Just Like Heaven, do branquelo inglês The Cure.

Jamila Woods e seus colegas artistas de Chicago lapidaram um álbum antenado, acessível, lindo, ativista, esperançoso, sensível, invejável. 

domingo, 17 de setembro de 2017

CINE ALBINO PREMIADO

A obra 'The Albino's Trees', de Masakazu Kaneko, venceu o prémio de melhor longa metragem de ficção no festival de cinema Figueira Film Art, anunciou a organização.

A segunda longa metragem do realizador japonês de 38 anos foi considerada pelo júri, presidido pelo encenador e cenógrafo Andrzej Kowalski, o melhor filme do festival que se realiza na Figueira da Foz, distrito de Coimbra, e que terminou com a exibição dos trabalhados vencedores.

Segundo o Figueira Film Art, 'The Albino's Trees' fala do dilema ético de um caçador que 'aceita um contrato lucrativo para matar um veado branco raro' cuja presença destrói o turismo da região, mas que é venerado por uma comunidade local.

Durante a cerimónia de entrega de prémios, que decorreu na noite de sábado, Masakazu Kaneko arrecadou ainda os prémios de melhor realizador e melhor fotografia.

sábado, 16 de setembro de 2017

MAIS MORTE ALBINA

Jovem com albinismo é assassinado em Moçambique

Malfeitores ainda a monte assassinaram quarta-feira um jovem moçambicano de 17 anos de idade, com problemas de albinismo, para a extração de partes de seu corpo, incluindo cabelo e cérebro, no distrito de Moatize, em Tete, região centro de Moçambique.

O facto foi revelado à agência de notícias AIM por um líder comunitário, que pediu anonimato por recear represálias dos criminosos, pois reside na mesma zona onde ocorreu aquele ato macabro.


“Foi estranho. O jovem, que respondia por Chinguirai João foi raptado de dia e morto no período da noite, numa altura em que os pais estavam à sua procura por causa da demora do seu regresso à casa”, explicou o líder comunitário.

“Este crime aconteceu no povoado de Nhambaluwalu, aqui em Benga. O corpo foi achado depois de buscas, mas sem vida e sem alguns órgãos; criminosos tiraram os ossos dos braços e pernas, cabelo e partiram a cabeça para tirar o miolo (cérebro). Este crime está a deixar todos nós preocupados”, disse.

O líder comunitário afirmou que a população do povoado exige a captura dos criminosos para que sejam severamente penalizados como forma de evitar a ocorrência de novos casos.

A porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Tete, Lurdes Ferreira, disse que “este caso ainda não consta das ocorrências policiais, porque ainda não foi reportado pela Esquadra (posto policial) que abrange aquela área”.

“Mesmo assim, vamos iniciar as averiguações no terreno onde ocorreu o crime, para apurarmos em que circunstâncias o jovem foi raptado e posteriormente assassinado e ao mesmo tempo lançarmos uma operação de busca e captura dos responsáveis por crime macabro”, garantiu Ferreira.

Este caso ocorre quatro meses depois de uma tentativa frustrada de venda de uma criança albina, perpetrada pelos próprios pais em Moatize.

Refira-se que no ano passado foram reportados naquela província de Tete vários casos de rapto e assassinato de albinos, criando pânico no seio dos residentes.

Os assassinatos, exumações ilegais ou agressões a albinos, em alguns países da África Austral, representam um problema grave, que os especialistas têm dificuldade em dimensionar.

Estes crimes estão vinculados a crenças segundo as quais as poções preparadas com partes dos corpos dos albinos trazem sorte e riqueza.

https://africa21digital.com/2017/09/14/jovem-com-albinismo-e-assassinado-em-mocambique/

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

GRÁTIS EM MOÇAMBIQUE

MAIS DE 100 ALBINOS RECEBEM CONSULTAS GRATIS EM OFTALMOLOGIA


Mais de 100 pessoas portadoras do albinismo vão beneficiar de consultas grátis de oftalmologia nas cidades de Maputo, capital do país, e cidade de Nampula, na província nortenha do mesmo nome.


Para o efeito, uma nota de imprensa da Associação de Apoio às Pessoas com Albinismo em Moçambique (ALBIMOZ), recebida pela AIM, explica que uma equipa de médicos especialistas portugueses em oftalmologia foi trazida de Portugal para o efeito.

“A equipa vai assistir gratuitamente oitenta pessoas com albinismo, em Nampula e igual número na Cidade de Maputo, com enfermidades na visão, incluindo cataratas”, lê-se na nota.

As consultas em alusão serão feitas no âmbito de uma campanha organizada pela ALBIMOZ que decorre desde o dia 6 de Setembro e termina no domingo.

“Esta campanha vai encerrar no próximo domingo, dia 10 de Setembro, no Complexo Tinyko, no Zimpeto com a distribuição de protectores solares a todas as pessoas com albinismo que estiverem na ocasião”, refere a nota.

Em Agosto do ano em curso, a ALBIMOZ ofereceu protectores solares creme a cerca de 20 albinos na cidade de Maputo. 

A ALBIMOZ é uma organização sem fins lucrativos e de solidariedade social,e foi fundada a 13 de Junho de 2014. 

A sua missão é promover a protecção e assistência social às pessoas com albinismo e suas famílias, em situação de pobreza e de vulnerabilidade, incluindo mulheres, crianças, idosos, pessoas desfavorecidas e portadoras de doenças crónicas e degenerativas.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

JURISPRUDÊNCIA ALBINA

No final da manhã, recebi email do Flávio da Silva Azevedo Junior, advogado pós-graduando em Direito da Seguridade Social, contando que seu artigo intitulado "Albinos: uma reflexão sob o prisma do estigma social e consequente incapacidade laborativa frente ao benefício de prestação continuada", foi publicado na revista online Âmbito Jurídico.

Vocês não fazem ideia de quão feliz me sinto com o crescente interesse pelo albinismo e seus temas correlatos dentro da área acadêmica das Humanidades, onde somos ainda quase tão invisíveis quanto no Censo que nos desconsidera. Mas, aos poucos essa situação vai mudando e é mais rejubilador ainda saber que o trabalho do blog tem contribuído pra isso.

Muito obrigado, Flávio, por mais essa contribuição à causa albina. 

Eis o resumo do artigo:

O artigo apresenta o estigma sofrido pelos albinos e suas consequências frente as possibilidades laborativas. Destaca-se ainda, as dificuldades enfrentadas quanto a qualificação profissional, bem como os requisitos exigidos para a concessão de benefício de prestação continuada, com a apresentação de precedente importante quanto a concessão do beneficio de prestação continuada ao albino, bem como, um paralelo com a decisão proferida no processo n° PEDILEF 200783005052586, que concedeu a um portador de HIV, a aposentadoria por invalidez frente a incapacidade social gerada pela patologia.

Albinos: uma reflexão sob o prisma do estigma social e consequente incapacidade laborativa frente ao benefício de prestação continuada está disponível no link abaixo: