sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 207

Erico Lopes Verissimo foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

TELONA QUENTE 390

Crítica do filme Não Olhe para Cima (Netflix)

Dois astrônomos descobrem um cometa mortal vindo em direção à Terra e partem em um tour midiático para alertar a humanidade. Só que ninguém parece dar muita bola.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

CONTANDO A VIDA 371

PÓS-NATAL.

José Carlos Sebe Bom Meihy

Pois é, Millôr Fernandes dizia que o Natal é mais uma daquelas datas que mudam para continuar tudo do mesmo jeito. Perplexidades à parte, lembremos que antes, em 1901, Machado de Assis sentenciava, no célebre “Soneto de Natal”, a frase em torno da qual muitos adultos gravitam: “Mudaria o Natal ou mudei eu?”. O melancólico apelo machadiano remete às meditações de um velho que “ao relembrar os dias de pequeno” não mais encontra “as sensações de sua idade antiga”. A profundidade corrosiva contida neste desafio indagador sugere a passagem do tempo como alquebra da alegria e do encantamento. E o Natal, no presente sem alguma magia, seria atesado das ilusões que se fragmentam em progressões ameaçadoras de futuros melhores. E ainda reponta a frase fatal de Unamuno pontificando que o “sentido trágico da vida mede a distância entre o que fomos em criança e o que nos tornamos depois”, e conclui “quando as comemorações perdem as cores da meninice é porque envelhecemos sem volta”.

Com essa questão me atordoando, tropecei no óbvio: não basta mais resumir tudo a um “gosto X não gosto”, a um “mudou X mudei eu”, ou mesmo em aspirado “tomara que passe logo”. É preciso mais, muito mais, e não há como fugir de argumentações explicativas, afinal o Natal é a mesma data do calendário insistente, repete ano a ano o 25 de dezembro, mas em essência tudo é diferente. O Papai Noel se modernizou tanto e com sutileza perversa tomou o lugar do aludido Santo-menino-redentor. E nessa lida, o casebre edificou-se em Shoppings, e as oferendas dos Magos viraram mercadorias calculadas em cifrões inflacionados.

E que dizer das atualizações na imagem do que um dia foi o modesto “bom velhinho”. Remoçado, assumiu a fantasia da “terceira idade”, e pintado de afortunado, bem nutrido, foi incorporando o novo espírito do mundo capitalista. E quanta sutileza: há propaganda dele fumando Pall Mall, baforando charuto, tomando coca-cola. As feministas inventaram a Mamãe Noel; o movimento negro o fez mulato; os gays coloriram suas roupas. Tudo, é claro em nome da paz, da concórdia e da união, estas aliás, funcionando como mensagens pré-fabricadas e que viraram votos propalados à todes, não mais restrito aos “homens de boa vontade”.

O esvaziamento da celebração religiosa que marca(va) o nascimento de Cristo aponta também para o final do ano, condição que agrava os conteúdos comemorativos sintetizados em agendas consumistas. Espanta muito, por exemplo, constatar que o sisudo e poderoso grupo que dirige a Comunidade Europeia recentemente gastou sessões multiplicadas para discutir a troca do consagrado “Feliz Natal” por um politicamente correto “Boas festas”, isto em nome da diversidade inclusiva. Essas eventuais oficializações de nomenclatura, no entanto, se formulam inúteis e estão atrasadas, pois as alterações não decorrerão dos nomes, já se instalaram na atmosfera da modernidade.

É claro que tudo tem halos de finura que permite vestígios de memórias passadistas. Mas o empenho religioso que vigora apesar do declínio não se justifica em posturas individuais, verdadeiras exceções, posto que a indicação mítica nórdica do velhinho com suas renas já está estabelecida e enfeita vitrines e posts de redes sociais. Sabe, dói um pouco pensar que o cumprimento efusivo tem hora marcada e o que deveria funcionar como sentimento legítimo e autêntico se assume como se um despertador mecânico, preparado para alertar o momento exato da “noite feliz”. Como obrigação compulsória, de maneira pouco leal, vestimos roupas novas, nos abraçamos como se amanhã fosse um dia de triunfo. E com brindes saudamos o nascimento de um Cristo proscrito, como se lá fora não houvesse verdadeiros Cristos passando fome, sem abrigo, buscando emprego e carentes de abraços sociais.

E quem garante que o 31 de dezembro é dia de mudança? Quem tem esperança que ano eleitoral, com as campanhas que já se desenham, será promessa de virada? Pensando o Natal como marco deste 2021, pode-se supor o futuro como ameaça clara. Pessimista eu? Não. Nem realista sou. Tudo que proponho é que assumamos o “Pós-Natal”, e a partir da consciência de um tempo que já não é novo mudemos. Mudemos em conjunto. E então, que venha 2022. Vamos conversar mais no ano que vem...

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

TELINHA QUENTE 378

Das mentes de Steve Martin, Dan Fogelman e John Hoffman, Only Murders in the Building é uma série memorável de comédia, mistério e assassinato. A história gira em torno de três estranhos (Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez) que compartilham uma obsessão por histórias de crimes reais e que de repente se veem envolvidos em uma. Quando uma morte horrível acontece em seu exclusivo prédio de apartamentos do Upper West Side, em Nova York, os três suspeitam que seja um assassinato e usam seus conhecimentos em crimes para descobrir a verdade. Ao gravar um podcast para documentar o caso, os três descobrem os complexos segredos do edifício, que datam de muitos anos. Talvez o mais explosivo seja as mentiras que contam uns aos outros. Logo, o ameaçado trio percebe que pode haver um assassino vivendo entre eles e correm para decifrar a montanha de pistas antes que seja tarde demais.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

CAIXA DE MÚSICA 485

Com influências que passam por The Smiths, The Jesus and Mary Chain, The Cure, The Field Mice, o quinteto norte-americano Massages ressuscita um breve momento romântico no final dos anos 80, logo após o pós-punk e imediatamente antes do alt-rock.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 206

Rachel de Queiroz foi uma tradutora, romancista, escritora, jornalista, cronista prolífica e importante dramaturga brasileira. Autora de destaque na ficção social nordestina, foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras em 1977.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

TELONA QUENTE 389

Crítica do filme Natal em 8 Bits (HBO Max)

Natal em 8 Bits é uma viagem ao passado divertida e nostálgica. Ambientada em Chicago no fim da década de 1980, a história conta a tarefa hercúlea do pequeno Jake Doyle em busca do melhor e mais recente videogame para o Natal.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

CONTANDO A VIDA 370

 COCA COLA E CRÍTICA MUSICAL.


José Carlos Sebe Bom Meihy

para Paulo Pereira.

A história do refrigerante mais conhecido do mundo, a Coca Cola, se confunde com o trajeto da propaganda em nível global. E tudo começou em 1886, em uma farmácia na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. Incialmente como xarope, o produto foi sendo adaptado, ganhando gosto popular, até chegar ao pódio das empresas de maior sucesso de todos os tempos. Atualmente, em cerca de 200 países, sua presença na cultura global é irrefutável. Como símbolo reconhecido e esteticamente bem resolvido, a coca cola passou a se prestar também como identificação pop dos Estados Unidos, mas insinuando-se também como pretexto de crítica ao imperialismo ianque.

A coca cola chegou ao Brasil em 1941, compondo o alargamento americano promovido pela participação na Segunda Guerra Mundial. A estreia do produto em nossa terra deveu-se à satisfação dos soldados que saboreavam um produto típico de sua cultura. O cenário era o então chamado “corredor da vitória” que ia da cidade do Recife (porto de chegada) a Natal (principal posto de lotação dos pracinhas). Valendo-se de uma fábrica de água gaseificada preexistente na capital pernambucana, o próximo passo se deu no Rio, então capital federal.

Passada a fase da Guerra, como parte de um complexo programa de modernização composto principalmente pela divulgação da música, do cinema e da literatura estadunidenses, a coca cola integrava um pacote que trocava a velha tradição europeia pelas influências norte-americanas - isso, aliás, ocorria mundo afora como recurso de sedução cultural. Sutilmente, porém, reações despontavam, deixando transparecer críticas ao sistema capitalista que se impunha em miúdos comerciais como tênis, camisetas, chicletes, cigarros, batatas chips, incluindo a popularizada coca cola. Na contramão repontavam reações políticas que se insinuavam percorrendo um caminho de resistência pouco notada, vista sempre isoladamente.

Em termos de música popular, curiosamente pela primeira vez a marca apareceu em 1956, num xote de Luiz Gonzaga que compôs com Zé Dantas uma engraçada referência contida na gravação “Siri jogando bola” com a seguinte passagem “vi um jumento beber vinte coca cola/ Ficar cheio que nem bola/ E dar um arroto de lascar”. Pela ironia e pelo sucesso justificado na informalidade da música nordestina, houve reação expressa pela crítica classista, que levou o apresentador Flavio Cavalcante, em um dos mais importantes programas de televisão, a quebrar em cena o disco gravado pelo Gonzagão.

Demorou um pouco até que a coca cola voltasse à música. E veio forte, com a assinatura vibrante de Caetano Veloso que, no festival de 1967, fez o país vibrar com “Liberdade, liberdade”, narrando um vagante brasileiro “por entre fotos e nomes/ os olhos cheios de cores/ o peito cheio de amores vãos”. E progredindo o bardo dava conta de um brasileiro atônito, falando de sua saga desconexa “Ela pensa em casamento/ E eu nunca mais fui à escola/ Sem lenço e sem documento/ eu vou/ eu tomo uma coca cola/ Ela pensa em casamento”. A bricolagem factual embutia crítica a um certo desnorteio cultural desafiante de posicionamentos.

Nenhuma menção ao impacto da marca no Brasil pode deixar de saudar a “Geração coca cola” do grupo brasiliense “Legião Urbana”. O texto de Renato Russo, funcionou como espécie de consciência orientada contra o padrão norte-americanizado. Convém lembrar que falamos de um momento em que a abertura política já estava definida e que bandas assumiam a versão brasileira de protestos legitimados por variações do rock. Então “Paralamas do Sucesso”, “Capital Inicial” e “Titãs” faziam os jovens repetir esculachos políticos e críticas sociais. No radicalismo desta pauta, a Legião fazia o público delirar entoando, como se hino fosse, “quando nascemos fomos programados/ a receber o que vocês/ nos empurraram com os enlatados/ dos U.S.A./ de nove às seis/ desde pequenos nós comemos lixo/ comercial e industrial/ mas agora chegou nossa vez/ vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês/ somos os filhos da revolução/ somos burgueses sem religião/ somos o futuro da nação/ geração coca cola”. E o estridente estribilho bradava “somos os filhos da revolução/ somos burgueses sem religião/ somos o futuro da nação/ geração coca cola/ geração coca cola”.

Tanto grito revoltado possibilitou um debate envolvendo a coca cola e a nossa cultura. Em 1984, Lulu Santos compôs com parceiros “o último romântico” e o fez exatamente retomando o Caetano de “Liberdade, liberdade”, tentando avançar na meditação sobre o imperialismo. Dialogando com “Liberdade, liberdade”, agora em um balada chegada ao rock, um tanto conformado, desapontado mesmo, Lulu se expressa avaliando o processo “Faltava abandonar a velha escola/ tomar o mundo feito coca cola/ fazer da minha vida sempre/ o meu passeio público/ e ao mesmo tempo fazer dela/ o meu caminho só, único”. E concluía laconicamente se apresentando como “o último romântico”. Em síntese, a conclusão apontava a morte da crítica ao capitalismo e o triunfo inquestionado da marca como símbolo.

Mas a coca cola está aí, firme, presente, continuando sua missão metafórica sobre nós. Não convém, contudo, liquidar a esperança de desdobramentos críticos... Quem sabe, logo surgirá uma nova canção para nos lembrar que o combate continua. Tem que continuar. Quem sabe?... E se alguém discordar pode abrir uma coca cola e beber o dia de nossa virada que há de vir. Quem sabe o “último romântico” tenha aprendido algo da “geração coca cola” e entoe o “Liberdade, liberdade” que, aliás, começou num xote bem nordestino, confirmando que coca cola causa arroto.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

TELINHA QUENTE 377

Crítica da minissérie Da Terra à Lua (HBO Max)

Esta minissérie original da HBO conta a épica aventura da conquista da Lua. Da disputa com a URSS para colocar o primeiro homem na superfície lunar, passando pelos voos orbitais, à histórica aterrisagem da Apollo 11 e o dramático acidente com a Apollo 13, assim como o crescente desinteresse do público pelo programa lunar.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

CAIXA DE MÚSICA 484

Você conhece Ed Lincoln, o Rei dos Bailes, nos anos 60 e precursor do sambalanço e do samba-rock?

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 205

Graciliano Ramos de Oliveira foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX, mais conhecido por sua obra Vidas Secas.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

TELONA QUENTE 388

Análise e Crítica do filme Ataque dos Cães (Netflix) + HISTÓRIA EXPLICADA

Um fazendeiro durão trava uma guerra de ameaças contra a nova esposa do irmão e seu filho adolescente, até que antigos segredos vêm à tona.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

CONTANDO A VIDA 369

ALZHEIMER.

José Carlos Sebe Bom Meihy


Algumas vezes tentei escrever sobre minhas experiências com a chamada “doença de alzheimer (ainda que o corretor insistisse no “A” maiúsculo optei pelo minúsculo, jeito de vingar-me do mal). Em cada aposta encarei abismos. Desisti, não sem me sentir medroso, pequeno e desvalido. É difícil escrever chorando... Tudo é tão triste...

Dia destes ouvi alguém perguntado em um círculo de amigos: como gostaria de morrer? Com pequenas variações escutei: “dormindo”, “de ataque fulminante”, “de um raio fatal”, enfim, sempre de algo instantâneo e sem sofrimento prévio. Houve um mais romântico que pontificou “depois de um bom banho de mar”, e até quebrando a solenidade outro tagarelou “bêbado”. Meditando sobre essa fala, me questionei a respeito da ausência de fatores variados, de doenças crônicas, por exemplo. Ninguém mencionou cânceres, complicações hepáticas, cardiopatias, males do pulmão, dos rins, dos ossos... No agridoce daquela conversa, houve também um certo que soltou a piada conhecida, que referia a eventual escolha entre alzheimer e parkinson e então, não teve como disfarçar o abatimento que, afinal, creditava risos ao esquecimento da bebida ou seu derramamento. Macabro, né? Macabro principalmente para quem vive o drama em família.

Pois é, em meu caso, padeço desta síndrome em escala familiar. Não me faltam motivos: tenho cinco tios (de 16 irmãos) pelo lado materno que sofreram com isso, minha mãe inclusive; meu irmão e minha irmã se somaram ao triste conjunto. Dói tanto recordar que minha mãe, a mulher mais lutadora que supus encontrar, um dia olhou para mim, depois de repetidos abandonos de si, e perguntou se eu era seu pai, como ela se chamava, onde estavam suas bonecas. E como era comovente ver aquela guerreira se tornar menina, menininha, inocente criança que só queria brincar. De vez em quando, mamãe chorava e eu vendo não havia como me controlar.

Com meu irmão não foi diferente, o negociante contumaz, o homem de negócios que sabia fazer contas como ninguém, se tornou um garoto intimidado que batia o pé pedindo doces, querendo ir para a praia e que só se acalmava quando ouvia música sertaneja. Um dia – dos mais difíceis de minha vida – ele foi passar a manhã na loja da família e saiu sem que percebêssemos perdendo-se na multidão. Era um sábado e no Mercado Municipal, aturdido, alguém conhecido o encontrou e por caridade deu carona até sua casa sem, contudo, nos avisar. Quase enlouquecemos e fomos parar na polícia suspeitando sequestro. Demorou para conhecermos seu destino e tudo apenas ficou claro quando ao dar a notícia para minha cunhada entendemos o acontecimento.

Todos se foram por doenças diferentes, pois aprende-se que o alzheimer faz sofrer, mas não mata. E anos de convívio não nos domesticam. Pouco se aprende com a intimidade forçada pela doença. E não há melhor alento que o exercício da paciência. Os paliativos existentes, além de extremamente caros, são de efeitos frustrantes, ainda que retardem progressos. Difícil garantir o que é mais cruel na progressão dessa saga malévola. Se é válido dizer que algum pálido consolo existe, em meu caso familiar, é que os episódios de reações violentas podem ser contornados com calmantes e, de certa, forma são passageiros. Mas para os acompanhantes de longas jornadas... Para os responsáveis cabe o espinho insistente da aceitação na chave compulsória.

O desgaste inerente ao caso desequilibra progressivamente as relações. Tudo é muito sofrido. Dói tanto perceber nos olhos dos acometidos o abandono do mundo. E o melhor que podemos é falar a língua deles, andar os passos deles, respeitar seus modos alienados, fazer-se doente por empréstimo. Há, diga-se, um ritmo nas mudanças de comportamento dos adoecidos. A cognição normal vai se esvaindo levemente. Um esquecimento aqui, uma repetição acola; de lapsos brandos tornam-se moderados, passam a não ser incomuns e tornam-se falhas graves, insanas, consequentes, incontroladas.

Quando chega o momento familiar, aquele instante fatal das decisões conjuntas, é preciso muita força. Muita. Quisera aprender as lições da dor de despedidas chorosas. Quisera ser conformado. Quisera crer em milagres, mas não. Ainda não aprendi sobre conformações. Será que alguém sabe?

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

TELINHA QUENTE 376

Crítica da primeira temporada de Merlí. Sapere Aude (HBO Max)


Poucas semanas após a morte de Merlí, os pais de Pol, seu aluno mais talentoso, o incentivam a ir para a universidade e seguir o caminho de seu professor. Embora ainda inseguro sobre o próprio futuro, Pol, aos poucos, vai fazendo novas amizades e também descobre entre os professores uma mulher irreverente e de língua afiada que promete se tornar sua nova referência.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

CAIXA DE MÚSICA 483

Oppenheimer Analysis foi formado em Londres, em 1982, por Andy Oppenheimer e Martin Lloyd. Seu primeiro encontro, entretanto, foi na Convenção Mundial de Ficção Científica, de 1979, em Brighton. Eles rapidamente se tornaram amigos, compartilhando o interesse pelo trabalho de David Bowie, música eletrônica e as primeiras bandas de synthpop, como Human League e Soft Cell. Eles também compartilhavam o amor por antigos filmes de ficção científica, quadrinhos dos anos 1950 e um fascínio pela propaganda pós-Segunda Guerra Mundial, pela política e estética da Guerra Fria e pelo impacto social da bomba atômica. Nos anos seguintes, Andy e Martin frequentaram a cena crescente dos clubes, incluindo o Studio 21 em Oxford Street, e se envolveram no desenvolvimento de subculturas de estilo Futurista e New Romantic. Durante este período, Martin gravou como Analysis, tanto sozinho, quanto com David Rome, do Drinking Electricity. Em 1982, Oppenheimer Analysis começou a escrever e gravar juntos no Feedback Studio em Battersea, e se apresentou várias vezes no The Bell, Islington, na World David Bowie Convenção em 1983, em Hammersmith, Starzone Birthday Party no Camden Palace, a Convenção Europeia de Ficção Científica de 1984, em Brighton e outros locais. Sua primeira demo e a fita cassete com doze músicas “New Mexico” foram vendidas em shows e por correspondência, e foram resenhadas na Melody Maker, Sounds e Soundmaker. Nos anos que se seguiram, Oppenheimer Analysis tornou-se conhecido entre os fãs de música eletrônica como dupla pioneira, que influenciou inúmeras outras bandas durante a era de clubes e gravações caseiras do início dos anos 1980 e além.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 204

Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi uma jornalista, pintora, poeta, escritora e professora brasileira.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

TELONA QUENTE 387

Crítica do filme Spencer (2021)

Spencer fantasia o que poderia ter acontecido nos últimos dias do casamento da princesa Diana com o príncipe Charles. O relacionamento há muito esfriara. Embora houvesse muitos rumores de casos e de divórcio, a paz fora ordenada para as festividades de Natal, em Sandringham, casa de campo da Família Real. O evento é repleto de comida e bebida, tiro e caça. Diana conhece as regras do jogo de aparências. Mas, este ano, as coisas serão muito diferentes.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

TELINHA QUENTE 375



Crítica da minissérie Da Terra à Lua (HBO Max)

Esta minissérie original da HBO conta a épica aventura da conquista da Lua. Da disputa com a URSS para colocar o primeiro homem na superfície lunar, passando pelos voos orbitais, à histórica aterrisagem da Apollo 11 e o dramático acidente com a Apollo 13, assim como o crescente desinteresse do público pelo programa lunar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

CAIXA DE MÚSICA 482

Crítica do álbum Ch1. Vs.1 (2021), de Cynthia Erivo

Talento Cynthia Erivo tem de sobra: já faturou Grammy, Tony e foi indicado a Emmy e Oscar. Depois de interpretar Aretha Franklin na TV e atuar na Broadway no musical A Cor Púrpura, a britânica se lança com álbum de material inédito.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 203

Murilo Monteiro Mendes foi um poeta e prosador brasileiro, expoente do surrealismo no movimento modernista brasileiro.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

TELONA QUENTE 386

Crítica do filme Ventos da Liberdade (Amazon Prime)

No verão de 1979, duas famílias da Alemanha Oriental estão desesperadas para emigrar para o Ocidente. Para cruzar a fronteira, planejam usar um balão de ar quente, mas, a polícia descobre o plano e passa a persegui-los como traidores.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

CONTANDO A VIDA 368

DIREITO À MEMÓRIA, DONOS DA HISÓRIA.

José Carlos Sebe Bom Meihy


Das mais estranhas experiências que passamos é a aprendizagem, nos bancos escolares, da grafia de nosso nome. Claro que isso é um processo respeitável, mas, não sei porque deveríamos aprender em casa, com nossos pais. O mesmo se diz sobre a História, como disciplina. Pelos livros, mediada por professores, aos poucos vamos nos instruindo daquela grande História, os feitos gravados em páginas documentadas. Tudo é muito solene e distante, às vezes, profissional e frio demais.

O correr do tempo tem proposto alternativas e nesse quesito, a eletrônica tem possibilitado cortar caminhos. As redes sociais, os blogs e a febre dos stories acaba propondo diálogos com a tal grande História. em contraste, fala-se de registros de experiências retraçadas no cotidiano, fiadas em tecidos bordados na espontaneidade corriqueira. É aí que entra a mania de memória. Repararam como hoje tudo é “memória”? pois bem, esse fenômeno merece algum cuidado, pois parece que veio para ficar.

Ao longo de décadas recentes, ficam claras as preocupações de segmentos diversos atentos ao registro de experiências pessoais e coletivas. Todo ser humano nasce inscrito em complexas redes que afetam diretamente sua percepção de mundo. Comungada com atributos biológicos, tais eventos são filtrados por experiências individuais, sem perder as marcas da sociedade envolvente. É, portanto, pela condição pessoal que as circunstâncias experimentadas por todos é assinalada. Deste modo, toda experiência pessoal é coletiva e toda experiência coletiva é mediada por reações individuais.

Uma das manifestações mais surpreendentes remete ao direito de registro e análise de fenômenos que dizem respeito a todos. Em termos de ponderações, sobre o vivido, uma linha divisória separa o que é acadêmico do que não o é. Uma das presenças marcantes da possibilidade de variação de procedimentos remete exatamente às facilidades de produção de registros que se fazem corriqueiras graças às conquistas eletrônicas. Famílias, clubes, grupos de trabalho, associações de recreação, instituições em geral, se apresentam como produtoras de documentos e como agentes analíticos dos próprios feitos. Subjacente a isto, preside uma questão pouco considerada, mas de contornos práticos, éticos e até morais: quem tem direito de fazer a história pessoal e de outros? Há privilégios ou aptidões específicas para a vontade de historiar? Afinal, quem é quem no conjunto de possibilidades de produção de documentos e exercício do exame de projetos sobre registros pessoais e coletivos?

Mais do que a profissionalização das análises sociais, o desejo de lugar histórico dá palco à alternativas que permitem convívio entre pesquisas promovidas por especialistas e amadores, em qualquer campo. Democraticamente, a possibilidade é de todos, mas há de se respeitar os códigos comunicativos de cada situação, bem como habilidades sistêmicas treinadas. A recolha de elementos registrados tanto pode ser feita por qualquer interessado como por especialistas que se preparam para tanto. Há, contudo, critérios e exigências diferentes. Além da produção documental, fala-se também em exames analíticos que, afinal, passam pela mesma triagem.

Qualquer menção que demande história é produzida e elaborada na memória. Desta certeza pode-se aferir que a consciência é inerente a vida de quem guarda sensações. Como condição existencial a memória equivale à existência. A falibilidade da vida individual, contudo, tem transcendências que encadeiam a vida social. Os indivíduos morrem, inevitavelmente, mas suas experiências materializadas em registros comunicam, no coletivo, o sentido da vida comunitária. Neste sentido, pode-se dizer que há uma imortalidade da memória, ainda que haja transitoriedade na contribuição pessoal. No vai-e-vem progressivo das experiências grupais, o progresso dos mecanismos de registros corresponde à evolução das formas de constituição dos objetos portadores de significados.

A noção da intimidade indissociável entre o que se registra e como os registros são feitos, exige que se historie alguns passos decisivos na ordem dinâmica das matérias. Como marco divisor inexorável, a escrita se porta como estojo onde se arquivam as manifestações da memória materializada. Fala-se, portanto, de duas maneiras de transmissão dos registros de memória: a oralidade e a escrita. Ainda que presidam interações constantes e aceleradas, a radicalidade dessas matrizes requer cuidados: uma coisa é transmissão oral; outra transmissão escrita. Códigos diferentes, o oral se distingue do escrito desde suas propostas de registros. A memória de transmissão oral depende de processos – pessoais e coletivos – que exigem conexões emocionais. A memória de transmissão escrita se ordena segundo certa racionalidade. Entre uma e outra, o uso dos sentidos atua como fórmula variável. O tato, por exemplo, organiza as soluções escritas de maneira a processar a memória segundo modos diversos da fala.

É incerto o futuro dos estudos sobre a memória e sobre seus efeitos na produção da História. O que se mostra sagrado e democrático, contudo, é a nossa possibilidade de aproveitar a eletrônica e pensar nos registros que queremos deixar. Viva a História dos historiadores, mas viva também aquela que decorre dos nossos registros de memória.