terça-feira, 20 de agosto de 2019

AJUDANDO BRENO

PM faz campanha para ajudar criança a encontrar doador de medula

Os policiais militares da Força Tática do 3º Batalhão de Alegre se mobilizaram nesta quinta-feira (15), para ajudar o pequeno Breno Aguiar, de apenas 8 anos, a conseguir um transplante de medula óssea.

Breno nasceu com uma disfunção genética hereditária, chamada ‘Anemia de Fanconi’. A doença é um tipo de anemia que pode evoluir para leucemia e por isso é importante conseguir um doador compatível.

Os familiares da criança estão buscando doadores. Breno, que tem albinismo, é fã da Polícia Militar e sua história comoveu os policiais. Mas, além da PM, dois ônibus cheios de voluntários seguiram para Vitória para fazer a tipagem sanguínea, na esperança de encontrar um doador compatível para o transplante.

TELINHA QUENTE 373


Roberto Rillo Bíscaro

Com seus pouco mais de 500.00 km2, a Espanha é matraquinha linguística: além do oficial espanhol, ou castelhano, falam-se idiomas co-oficiais e dialetos na península.  A Netflix nos possibilita ouvir diversas dessas línguas. Merlí é em catalão; Flores, em basco. Se você quiser conhecer a sonoridade do galego – bem similar ao português de Portugal – basta ver a meia dúzia de capítulos de O Sabor das Margaridas (2018).
Originalmente produzida e exibida pela Televisão da Galícia, em outubro do ano passado, O Sabor das Margaridas é suspense policial, que, se não traz novidade temático-formal ao subgênero, pelo menos não falha em despertar e manter curiosidade.
Num vilarejo próximo a Santiago de Compostela, a qual se prepara pra receber o Papa, uma moça desaparece e, em seguida, surgem ossadas. Com a força policial desfalcada pra proteger o Pontífice, a chefatura agradece aos céus a chegada da Guarda Civil Rosa Vargas, que, vai desvelando um montão de podres locais.
Fãs de policiais, já vimos essa história um sem-número de ocasiões: policial problemática, que nos descortina a sordidez (exagerada, via de regra) alastrada por todos os quadrantes intersticiais da aparentemente pacata e piedosa vida social provinciana. Além disso, há o clichê chefe de polícia em vias de se aposentar e inúmeras pistas falsas e suspeitos postiços ou de ocasião, pra nos despistar.
A despeito de tantos lugares-comuns e do baixo orçamento, O Sabor das Margaridas tem eficiente reviravolta e a originalidade das locações e do idioma a seu favor. Sem embromação, a trama se desenrola com fluência e permite agradável maratona de fim de semana.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

CAIXA DE MÚSICA 377

Roberto Rillo Bíscaro

A festa anos 80 continua no terceiro álbum!

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

PAPIRO VIRTUAL 141

Roberto Rillo Bíscaro

Uma advogada revê uma investigação e julgamento de um crime antigo e coloca dúvidas na legalidade dos procedimentos. Livro da mesma autora do romance que originou a minissérie Areia Movediça, da Netflix.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

CONTANDO A VIDA 278


GOL DE BRUNA SURFISTINHA NO DIA DO FUTEBOL

José Carlos Sebe Bom Meihy

No dia 19 de julho celebra-se no Brasil o dia nacional do futebol. Nada mais justo numa cultura que, segundo Roberto DaMatta, sobremaneira, valoriza o uso das pernas, como se vê nos dribles, na capoeira, nas danças que vão do “samba no pé” à garota de Ipanema “no doce balanço, a caminho do mar”. E haja gingados. Até entende-se a aproximação do pronunciamento do presidente nessa data, em evento comemorativo do nosso esporte-rei, levando-se inclusive em conta ser ele capitão - ainda que de time que comanda outros jogos, menos esportivos, mais de combates armados. E por falar em guerra, consideremos então a batalha aberta na ocasião de mais um, outro, desastrado pronunciamento, dessa feita desferida contra a prolífera produção audiovisual brasileira.
Tendo como alvo a Agência Nacional do Cinema, a Ancine, o mandatário propôs dirigir, ele e sua equipe, a cena artística, impingindo novo papel à arte cinematográfica nacional, com crivo menos estético, mais cívico e pedagógico (no sentido da oficialização temática). O objetivo institucional disparado em pronunciamento impensado visaria redesenhar nossa crescente indústria cinematográfica e, para isto, submetê-la a uma “nova” secretaria, vinculada a um dos ministérios do governo, ainda não exatamente definido. Tudo para dotar o cinema de “filtros culturais”, e assim, sanear moralmente as mentes demoníacas, poluidoras da moral e dos bons costumes. De maneira consequente (se é que se pode usar o termo fora da lógica semântica), declarou o capitão-presidente estar protegendo a família e zelando pelos gastos públicos, sem levar em conta que nosso cinema não é financiado pelo estado, mas sim pela Condecine que gera os próprios rendimentos, além de multiplicar empregos. Não bastasse a generalização arrasadora, repetiu uma referência enunciada no dia anterior (18 de julho) em relação ao filme “Bruna Surfistinha” taxando-o de “pornográfico”.
Rebatendo a história levada à tela por Deborah Secco, sobre a direção premiada de Marcos Baldine, o presidente contrapôs argumentos exaltativos ao culto forçado de personagens notáveis, “históricos”, dignas figuras esquecidas. São do capitão- presidente as seguintes palavras “Temos tantos heróis no Brasil e a gente não fala dos heróis do Brasil, não toca no assunto. Temos que perpetuar, fazer valer, dar valor a essas pessoas que no passado deram sua vida, se empenharam para que o Brasil fosse independente lá atrás, fosse democrático e sonhasse com um futuro que pertence a todos nós”. Com aquele olhar eloquente que o caracteriza quando liberta o ódio reprimido e se exprime para seu eleitorado acrítico, pontificou que a sede Ancine deixará o Rio de Janeiro e terá Brasília como novo quartel-general; eis suas determinações “a cultura vem para Brasília e vai ter um filtro, sim. Já que é um órgão federal; se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode é dinheiro público ser usado para fazer filme pornográfico”. Ameaças a parte, parece que o capitão se esquece de outros filtros, inclusive constitucionais. E nem se fala do direito de livre expressão. Isto sem mencionar dos já existentes marcos reguladores de idade, ou seja, das proibições por faixas etárias.  
Coroando seus argumentos irados, o mandatário declarou que não viu o filme e entre indignado e ignorante, desafiado a responder se havia visto o que criticava, cunhou a seguinte frase “eu não, pô. Vou perder tempo com Bruna Surfistinha? Tô com 64 anos de idade. Se bem que, tenho uma filha de oito anos, sem aditivos”. Em face de eloquente declaração, nem vale perguntar se o capitão leu os livros escritos pela ex-garota de programa, principalmente “O doce veneno do escorpião: diário de uma garota de programa” que, aliás, teve mais de 300 mil cópias vendidas e a fez figura como líder nas redes sociais brasileiras. Mas há motivos para a censura oficial? Falemos do caso específico do livro e do filme: a história de Bruna Surfistinha é necessária como indicação de um problema gravíssimo como a exploração sexual e/ou o direito ao uso do corpo – em particular em um país onde a prostituição é legalizada, como no nosso. Ademais, convém não esquecer que atualmente, só na Europa temos mais de 75 mil brasileiras e brasileiros se prostituindo. Mais do que nunca é preciso falar deste assunto, visitá-lo criticamente, sem falsos moralismos, sem hipocrisia, com sinceridade realista.
Por ocasião das declarações presidenciais, voltei ao pequeno livro (134 páginas), e reli as amarguras da moça, que precisou se expor para se redimir e até se desculpar. As frases finais do livro são comoventes e dão conta da amargura de alguém que pagou para se ver e retornar dona da própria história. O pedido de perdão para os pais, do anúncio de seu casamento, a mensagem ao filho que haveria de ter são frases que contrastam com a “leitura” de quem não leu o livro, não viu o filme, e mesmo assim não gostou. Tudo sem glamour, longe de panfletagem, como se vê em filmes hollywoodianos como “Uma bela mulher”, que sequer mereceu censura. E não há como terminar minhas ponderações sem referência a uma frase dita por um dos mais conservadores comentaristas nacionais, apoiador declarado do presidente capitão, Rodrigo Constantino que também indignado declarou “quem não gosta de certo filme, vale lembrar, tem sempre a opção de simplesmente ignorá-lo. Ainda é a melhor receita, aquela que preserva as liberdades individuais. Estado moralista impondo o que pode ou não ser produzido é algo inaceitável”. Inaceitável...



terça-feira, 13 de agosto de 2019

TELINHA QUENTE 372


Roberto Rillo Bíscaro

(em memória a David Hedison, o Capitão Krane, falecido dia 18 de julho)

Quando pequenino, na primeira metade da década de 1970, havia dois Nelsons que adorava: o Major Nelson, de Jeannie É Um Gênio e o Almirante Nelson, de Viagem Ao Fundo do Mar. Da primeira série, impossível ter medo, mas as aventuras do submarino Seaview, às vezes, assustavam o menino de seis, sete, oito anos, grudado na TV branco e preto, na então, mais garoenta São Paulo. Cheguei a pensar que a pessoa se transformava em esqueleto assim que morria, devido a um episódio apenas. Como é forte o poder dessas produções na psique infantil. Revendo os 110 episódios, notei que se tratou de cena que dura poucos segundos, em uma história, imagine!
Exibida pela ABC, entre 1964-68, Viagem ao Fundo do Mar (VAFDM) foi sugerida pelo produtor Irwin Allen para aproveitar os cenários e sucesso do filme de 1961. Exceto por um par de coadjuvantes, todo o elenco foi renovado e as mulheres eliminadas. Hoje, que há representatividade pra tudo quanto é grupo nas telinhas, deve ficar difícil imaginar uma série que ficou temporada inteira sem nenhuma mulher. Afrodescendentes nem comento, porque na época os papeis eram raros e subalternos mesmo, sem chance.
A força Aérea teve bem mais destaque nos anos 50, afinal, bombardeios, piruetas esfumaçadas e a possibilidade duma invasão alienígena são muito mais apetecíveis pra criar cenários fantásticos. No final da década, porém, os submarinos atômicos começaram a compartilhar espaço no imaginário popular.
Em 1958, o USS Nautiilus – primeiro submarino nuclear – cruzou o Polo Norte por baixo d´água. Com seu nome de ficção-científica verniana e em pleno contexto da histeria da Guerra Fria, o fundo do mar passou a ser fronteira quase tão enigmática, quanto o espaço sideral. Submarinos podiam, afinal, deslocar-se por todo o globo, carregando arsenal atômico difícil de ser detectado. O perigo estava em todo lugar e nenhum ao mesmo tempo, porque o cidadão comum podia perceber aeronaves, mas não aquelas maravilhas da engenharia naval.
Lento e pobre demais pra público criado na TV contemporânea, VAFDM é um espetáculo de comportamento passivo-agressivo entre os machos à bordo e passou por mudanças pra manter a audiência. O que começou como show em preto e branco com referências explícitas a uma nação inimiga chamada República Popular, ensaiou metamorfose James Bond na segunda temporada, antes de se firmar no formato “monstro da semana”, que séries como Quinta Dimensão tanto evitaram (e por isso são assistíveis até hoje).
Desse modo, é um tal de homem-isso, homem-aquilo, com aquelas roupas que dá pra ver o zíper direitinho, que os meninos e meninas de hoje, com razão, zombariam, isso se aguentassem assistir até que aparecessem. Não se trata de detonar minha memória de infância, mas de reconhecer que VAFDM ficou pra trás e é assim mesmo que tem de ser. Nem eu tinha muita paciência pra tanto trololó e pobreza de produção e, várias vezes, brinquei no celular, enquanto apenas ouvia. No episódio que tinha o Homem-Fogo, este era simplesmente uma chama com voz sobreposta! No começo até dá pra rir, mas cinco minutos depois...
Fumando desesperadamente dentro da claustrofobia dum submarino, VAFDM corre o risco de parecer tão alienígena às audiências atuais, como os seres que lá apareciam. Em plena Guerra-Fria, o Almirante Nelson e o Capitão Crane destruíram tantas ilhas e criaturas usando misseis nucleares, que o oceano pós-Seaview certamente serve de berço pra mais mutações do que as encontradas em 4 temporadas.
Não adianta chororô de velho dizendo que não se faz mais série boa; que a molecada não sabe mais o que é bom. Por mais reconfortante que seja o perene som do sonar para nossas recordações infantis, Viagem ao Fundo do Mar só funciona pra nós 50tões em diante.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

CAIXA DE MÚSICA 376

Roberto Rillo Bíscaro

Pouco conhecida do grande público, P P Arnold é queridinha de grandes artistas do mundo do rock. A diva negra voltou com material inédito, após meio século sem gravar. O resultado você vê no vídeo abaixo e confere a lista parcial de roqueiros com os quais ela trabalhou. 

domingo, 11 de agosto de 2019

SUPERAÇÃO À FRANCESA

Roberto Rillo Bíscaro

Alain é um apressado empresário perseguindo o tempo. Em sua vida, não há lugar para lazer ou família. Um dia, um acidente vascular cerebral o faz perder a linguagem e trocar uma palavra pela outra.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

TELONA QUENTE 299


Roberto Rillo Bíscaro

Originalidade é um dos traços pra que uma produção seja considerada “clássica”, termo tão criticado, quanto banalizado. Qualquer coisa velha já vai sendo chamada de clássico...
It Came From Outer Space, lançado em maio de 1953, pela Universal, é uma daquelas ficções-científicas obrigatórias da década, não apenas pela relativa boa produção, mas pela novidade na representação dos alienígenas.
Com seu orçamento de 800 mil dólares e envolvimento de RayBradbury no roteiro (daí sua qualidade superior), Veio do Espaço ainda é B, porque horror e sci fi eram subgêneros “menores”, basta ver o elenco. Apesar disso, o filme em preto e branco já utilizava tecnologia 3D!
As narrativas de despersonalização ou desumanização foram marcos do cine cinquentista. Forasteiros do espaço apropriavam-se de corpos e mentes terráqueas pra conquistar nosso planeta, muito como os frios e ateus soviéticos supostamente faziam com inocentes cidadãos pra convertê-los ao comunismo. Era a era “Red Under the Bed”, pilhéria rimada mais ou menos traduzível como “comuna embaixo da cama”. 
It Came From Outer Space (ICFOS) tem ETs tomando mentes também, mas seu intuito é bem mais mundano. E foi feito antes que essa invasão de corpos e cucas virasse modinha. Embora poder-se-ia problematizar o roteiro com um par de perguntas, ICFOS se destaca da fornada paranoica da época, por colocar como causa dos problemas o medo destrutivo do ser humano pelo desconhecido e diferente. Nesse sentido, a narrativa funciona até hoje.
É essa outrofobia generalizada que provoca respostas letais, que o diretor Jack Arnold concretiza, quando o protagonista usa uma aranha do deserto como exemplo da alteridade que tememos ou temos nojo. Fãs de cine sci fi/catástrofe não deixarão de pensar que a Tarantula (1955), do mesmo Jack Arnold, está vingando a amiga esmagada em ICFOS.
Daria pra questionar, porque os extraterrestres – se são afinal tão mais inteligentes – não foram direto ao cara que criam o único capaz de compreendê-los. Pouparia um monte de problema, mas também um filme.
Os ataques feitos a partir do ponto de vista dos ETs, o barulho de sua respiração, a trilha-sonora irada de Teremin, a tecnologia 3D e a própria “feiura” dos extraterrestres devem ter causado medo pra caramba no escuro do cinema, há 60 anos.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

CONTANDO A VIDA 277

PAPAI BOLSONARO: AMOR E DESPOTISMO. 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Para mim, juntamente com o “dia das mães” e “dos professores”, a celebração do “dia dos pais” é das mais comoventes, mais mesmo que o Natal, Páscoa ou meu próprio aniversário. E no embalo desta oportunidade próxima, me engalo todo para receber as homenagens cabíveis: exijo festa familiar, presentes, discursos, tudo enfim que o estatuto paterno confere. Em meu dicionário sentimental, a condição de genitor se deixa superar pela união da prole, pelos beijos, afetos explícitos, com direitos a abraços fartos. Pois bem, nesta ciranda introdutória devo render tributos a todos os pais do mundo. A todos. A todos, inclusive ao pai presidente/ ex-capitão Bolsonaro que, aliás, se tornou pai mesmo antes de sua eliminação das fileiras militares onde tentou, em protesto contra salários baixos “explodir bombas em várias unidades da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras (...) e em vários quartéis”, com cuidado para que não houvesse feridos”, segundo registro absolutamente confiável. (http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivos/DHBBBiblioGeral.pdf). Mas vou mais longe, reconheço nele um mérito exponencial: ser pai de capricho desmedido e, desbragadamente, sem limite algum, assumir os filhos, colocando em dúvida o próprio lema patrioteiro “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. A propósito, baseado nesta equação delirante e até herege - que anula a onipresença de Deus e determina-lhe novo lugar “acima de todos” - me imponho uma pergunta que não sabe calar e que clama resposta: onde ficariam os filhos? Juntos e misturados no “Brasil acima de tudo”, ou fora, apenas levemente abaixo “de Deus acima de todos”? “De todos?”. Elipses. 

Qualquer resposta a esse questionamento meio barroco teria que levar em conta o currículo progênie do presidente (ups, quase escrevi “do rei”, pensando no esquema dinástico). Fruto de três relacionamentos consequentes, o ex-capitão, que se orgulha de não precisar de aditivo, gerou três filhos do primeiro caso (01, 02, 03); um do segundo (04), e por fim, na comentada “fraquejada”, produziu uma filha (inumerada). A primeira das esposas foi dona Rogéria Nantes Nunes Braga que, além de companheira, contou com a ajuda do consorte para se eleger vereadora no Rio de Janeiro, em 1992. De acordo com a próxima consorte, Ana Cristina Valle, o amor à primeira vista foi lance fulminante que ocorreu “um pouquinho antes de ele se separar e eu me separar de meu marido”. Divorciado da primeira, então Bolsonaro partiu para uma segunda investida paternal, e sob o protocolo de “união estável”, que durou dez anos, nasceu Jair Renan. No ano de 2007, Bolsonaro se enamorou da atual esposa Michele de Paula Firmo Reinaldo, com quem se comprometeu casar nove dias após o primeiro contato. Incendiado de amor, dois meses depois firmaram compromisso civil, e, em 2013, finalmente, sob as bênçãos do obtuso pastor Silas Malafaia, foi celebrado o ato religioso que legitima a completude da prole, com a filha Laura. Total: quatro homens e, vacilo, a tal “fraquejada”. 

Mas não pensem que apesar de declarações ácidas e depois desmentidas pela esposa do meio - sobre o assombroso furto de joias - as relações familiares fugiram do padrão patriarcal do “rei” eleito com mais de 57 milhões de votos. A mesma Ana Cristina, esteve listada entre os beneficiários com cargos no gabinete do filho mais novo, vereador no Rio de Janeiro, Carlos (Carluxo para os íntimos, 03 para o pai). E não pensem que foi só ela, o filho Jair Renan também figura numa constelação ampliada por mais nove felizardos, todos parentes da ex-futura-primeira dama. Em favor das relações pacíficas entre ex-madrasta e enteado edil, ressalte-se o comando do bom senhor Bolsonaro que nega, com veemência, qualquer nepotismo. Nepotismo, imagine!... Que tal despotismo?! Como se não bastasse, tem mais: a soma de nove parentes ainda foi completada por outros três aparentados agora denunciados, todos. A favor da justiça, diga-se, a parentada está envolvida no inquérito sobre o enriquecimento do desaparecido amigo Queiroz. Não sejamos, contudo, prematuramente taxativos, pois a consagração do presidencial amor familiar vai ser absoluto se o extremoso pai conseguir coroar “acima de tudo” o filho do meio, Eduardo, escolhido embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Aí... 

Minha admiração ao presidente pai, creiam, vibra mais ainda quando levo em consideração as consequências que o esmerado senhor tem frente às opiniões de seus filhos mais famosos, os do primeiro casamento. Mesmo calamitosos em suas afirmações - seja sobre como fechar o Congresso, fazer sanduiches no estado do Maine como credencial diplomática, defender a pena de morte, abater a Amazônia, ser antifeminista, ou disparar agressões odiosas por fake news - cabe destaque a assunção pública e verbal desse amor incontido. Consideremos, como síntese analítica de todo esse fervor a frase pétrea “se eu puder dar o filé mignon para o meu filho, eu dou”. E tem dado mesmo, como tem distribuído para o público em geral cachos de bananas e bananadas polvilhadas com pó de normas éticas, direitos constitucionais e humanos. Tudo pelo bem do Brasil, claro. 

Mas por falar em dia dos pais, fritar hambúrguer e filé mignon, fico me perguntando se vai haver churrasco no dia dos pais palaciano. E minha questão tem sim fundamento, pois ampliando o currículo do Eduardo (02), o presidente disse que, além de fritador de hambúrgueres, o filho candidato a chanceler também entregava pizza. Por mais esta credencial, fico supondo alternativa: se lhe for negada a ida a Washington DC, o amor paternal considerará a Itália como novo destino? Itália, pizza... E intrigado me pergunto sobre o que a família brasileira tem aprendido como tanto exemplo de amor paternal? Nepotismo é menor que despotismo? Será? Enfim, bom dia dos pais àqueles que sabem dos limites da paternidade sadia e exercitam o amor como amor, sem desmandos.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

TELINHA QUENTE 371

Roberto Rillo Bíscaro

Nessa temporada o detetive Andri volta a sua aldeia para desvendar outra teia de crimes. 

Para a resenha da primeira temporada da série islandesa, clique abaixo: 

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

CAIXA DE MÚSICA 375



Roberto Rillo Bíscaro

De quando em vez, aparece nova “nova Karen Carpenter”. Rumer é a mais cotada dos últimos anos. Tal procedimento comparativo é contraproducente e pro artista novo é lâmina de dois gumes: se por um lado gera alguma pauta em mídia ou grupos de discussão online, ajudando na divulgação; por outro, gesta expectativas irrazoáveis. Não haverá outra Karen e é assim que tem de ser. Não porque tenha sido gênia insubstituível, mas porque pessoas são diferentes. Simples. De todo modo, as comparações continuam e a trágica vocalista dos Carpenters tem outra “reencarnação” discutida em fóruns de fãs, onde a conheci.
Harriet é britânica, que se confessa influenciada pelos Carpenters e por caminhão de artistas românticos, easy listening e soft rock. Com site espartano em relação a dados biográficos, soube que Harriet abriu pra Michael Bolton, em sua última turnê pelo Reino Unido. Quem se lembra da sacarina derramada pelo norte-americano nos anos 80, já anteouve o tipo de som de Harriet.
Fui ao Spotify, onde a jovem nem tem 8 mil ouvintes mensais, e escolhi como introdução, a edição deluxe de seu álbum homônimo de estreia, lançado em 2016. A versão de luxo é de 17. São 20 faixas e, dentre as bônus, há covers de Backstreet Boys (As Long As You Love Me), Jon Secada (Just Another Day), George Michael (You Have Been Loved) e filme da Disney (The Beauty and the Beast). As duas faixas mais movimentadas sequer atingem o status de midtempo: Whoever You Are é pra ouvir no carro, ao som de FMs easy listening e Reach começa lenta pra se tornar versão meio diluída do tipo que o Swing Out Sister rememorava no fim dos anos 90.
O álbum é só pra quem ama baladas dramáticas e doídas, simples, sem aventuras, mas tudo muito bem cantado e feito. O timbre de Harriet coincide com o de Karen Carpenter, em seu registro mais grave, como prova a abertura, Afterglow. Isto posto, é bom deixar as comparações de lado e se o ouvinte quiser clone de Carpenter, que vá ouvir os álbuns originais.
Tem bastante material à Adele, como Broken for You ou Love Will Burn. Tem faixa que remete ao outrora popular Keane. Ouça o piano de abertura de First and Last e veja se um dueto com Tom Chaplin não caberia direitinho.
Harriet tem muito drama de dor de cotovelo e declarações de amor bombásticas, em baladas ao piano, ao violão e, em sua maioria, com sons mais orquestrais. Em meio a tudo isso, há o suave pop hall de Permission to Kiss, que dá vontade de sair dançando em calçadas nova-iorquinas ou londrinas, num mundo não muito depois do fim dos Beatles, quando Burt Bacharach mandava.
Tudo muito gostoso.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

PAPIRO VIRTUAL 140

Roberto Rillo Bíscaro

Após sofrer um AVC, um detetive aposentado da polícia sueca tenta desvendar um assassinato ocorrido décadas antes.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

TELONA QUENTE 299

Um aspirante a escritor busca inspiração para seu livro. E manipula a vida de seus vizinhos com o intuito de escrever sobre eles.