quinta-feira, 26 de maio de 2022

TELONA QUENTE 399

Crítica do filme sul-coreano Lembranças Sombrias (Telecine) + SESSÃO DE SPOILERS
Depois de um grave acidente, Soo-jin perde a memória e começa a ter visões sobre seu futuro. Perdida entre delírios e a realidade, as memórias de Soo-jin desenterram um terrível segredo de seu marido.

RARIDADE NORDESTINA

Espécie de animal do Nordeste é registrada cientificamente pela primeira vez em versão albina

No quintal da casa da empresária Tainá Rodrigues, de 33 anos, e do marido designer gráfico, Artur Fontenelle da Silva, sempre há curiosos curiosos: preás-do-nordeste (Galea spixii). O casal mora na praia de Itaqui litoral Piauense, e está formado com os pequenos roedores da ordem, a mesma dos ratos, e da família Caviidae, a das capivaras.

Só que no começo de 2021 um indivíduo em especial chamou a atenção. “Tem certo dia por aqui, mas sempre igual, com a interpretação marrom.

Demorou alguns dias, alguns dias de possibilidade de ser o primeiro que se registrou albinismo na espécie, surpresos, detalhando Artur.

Quem suspeita da possibilidade de pesquisa e biólogo Hugo suspeita da edição do Ceará foi o que trabalha com sobre criação na Universidade Estadual do Ceará. “Na hora também não se sabe apenas de uma coisa albino conta a ausência total de melanina e nos pelos, como no globo no globo (fotos vermelhas). que muito provavelmente se sabia de um registro inédito, porque eu nunca escutado falar de albinismo para essa espécie”.

Depois de uma extensa revisão na literatura científica, a hipótese foi confirmada: como fotos do casal são os primeiros registros de albin registro de albinismo de pré-do-nordeste, como também o primeiro de albinismo para todo o gênero Cavia e o primeiro do genético para a família Cavididae no Brasil

A raridade e o ineditismo do flagrante fez com que Hugo orientasse uma pesquisa, publicada recentemente como nota científica, na revista “Notas sobre Mamíferos Sul Americanos” – que pertence à Sociedade Latino Americana de Mastozoologia. A pesquisa também teve participação de Ana Karolina Almeida e Heberson Menezes.

“Decidimos publicar porque o albinismo – assim como o melanismo e outras condições de mudanças genéticas; é muito pouco, dadas as condições de raridade do evento. sem processo”, originando o professor.

Segundo ele, apenas com as fotos não é possível aprofundar a fundo essa discussão. “Mas o registro permite que outros pesquisadores, especializados nesse tipo de genética, possam investigar, por exemplo, o registro que permite que outros sejam encontrados.
https://espacoecologico.com.br/especie-de-animal-do-nordeste-e-registrada-cientificamente-pela-primeira-vez-em-versao-albina/

quarta-feira, 25 de maio de 2022

USP EDUCA SOBRE ALBINISMO

Pesquisadora da USP organiza projeto de assistência a pessoas com albinismo
Iniciativa nasceu a partir de um projeto acadêmico e se tornou um projeto de vida para a pesquisadora, com construção de fortes vínculos emocionais




Quando cientistas deixam as quatro paredes do laboratório e vão a campo, os frutos podem superar os resultados teóricos e surpreender. Uma dessas experiências transformadoras foi vivida pela doutora em Genética pela Universidade de São Paulo (USP), Lilian Kimura, que, após uma viagem de pesquisa, viu suas perspectivas sobre ciência e impacto social mudarem radicalmente.

Em 2003, Lilian se juntou ao projeto Variabilidade molecular em populações brasileiras: um estudo do cromossomo X frágil liderado pela professora Regina Mingroni e vinculado ao Centro de Estudos do Genoma Humano (CEGH). No mesmo ano, Kimura partiu rumo às comunidades tradicionais remanescentes de quilombos do Vale do Ribeira, região localizada no sul do estado de São Paulo.
Nas comunidades, a equipe de pesquisadores coleta amostras para análise genética da população a fim de estabelecer, a partir da ocorrência do cromossomo X frágil, as relações genéticas entre indivíduos de uma mesma comunidade e entre comunidades diferentes. “A minha sorte foi ter me envolvido em um projeto de genética humana em que as viagens de campo ainda estavam acontecendo”, afirma Lilian.
A síndrome do X frágil é uma condição genética e hereditária, na qual um dos genes do cromossomo sexual X deixa de codificar corretamente uma proteína essencial para as conexões entre células nervosas. O mau funcionamento do gene pode resultar em deficiências intelectuais, distúrbios do comportamento e sintomas físicos, como macrocefalia.
A fim de estabelecer uma conexão de confiança com os moradores que participaram das pesquisas, o grupo ia até as comunidades, adentrava na rotina de seus habitantes e procurava sempre esclarecer qual era o intuito da visita e porque era importante a participação deles no projeto, mesmo que o estudo não tivesse uma aplicabilidade direta e imediata. Foi neste contexto que Lilian conheceu pessoas com albinismo que moravam na região.
Nas comunidades quilombolas inseridas na cidade de Eldorado, SP, vivem cinco albinos. A população da cidade é de 15.000 habitantes, segundo o último censo. O albinismo, apesar de ser uma característica rara (afeta 1 a cada 17.000 pessoas no mundo), é considerada frequente nesta população, já que a prevalência aumenta para 1 a cada 3.000 habitantes. “O que mexeu comigo foi perceber que sabia o que era o albinismo e as consequências da falta de melanina, mas não poder fazer nada. Então, este lado além do científico foi tocado.”
Projeto Amor à pele
Foi então que surgiu o projeto que mais tarde passaria a ser chamado de Amor à pele: “Eu comecei a arrecadação de protetor solar, que, por ser um item muito caro, a maioria das famílias não têm condições de manter o uso diário. O item é um elemento mandatório para quem tem albinismo; afinal, não prevenir é muito mais doloroso e pode gerar uma consequência fatal que é o câncer de pele.”
O projeto fornece, desde 2018, itens como protetor solar e vestuários com proteção UV para os cinco moradores albinos de Eldorado, SP. Mais tarde, por meio das redes sociais, a iniciativa ampliou os horizontes e passou a assistir outros dois bebês com albinismo no interior do estado da Bahia. “A gente faz a campanha através das redes sociais, arrecada com apoiadores e eu envio pelo correio da forma que for possível”, conta a pesquisadora.
A pessoa com albinismo demanda cuidados específicos, já que a falta de melanina não prejudica apenas a exposição da pele ao sol, mas afeta também o desenvolvimento visual. “Muitas pessoas com albinismo, se não a maioria, vão ter algum grau de deficiência visual. Isso impacta em muitos aspectos, como o aproveitamento escolar”, explica Lilian.
Em 2020, em meio à pandemia, surgiu um novo desafio: o convite para participar remotamente do projeto de extensão universitária “As pessoas com albinismo e o direito à saúde”, coordenado pela professora Nereida Palko, da Escola de Enfermagem Anna Nery – Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEAN/UFRJ). Para Lilian, o grande diferencial desse projeto é ir além do DNA, da pele e da visão, e olhar para todas as dimensões da pessoa com albinismo.
“Eu não tinha a dimensão do entendimento de como a pessoa com albinismo é invisibilizada no nosso país e no mundo. […]As próprias pessoas às vezes não conhecem a própria condição, então elas não tomam os devidos cuidados e o sistema de saúde não está preparado para abrigá-las.”
‘Nasci sem melanina, como assim?’
A partir da percepção de Lilian de que, como cientista, deveria consolidar sua contribuição dentro da temática, nasceu a ideia de produzir uma cartilha.
“Nasci sem melanina, como assim?” foi elaborada por Lilian Kimura, Nereida Palko e a equipe do projeto de extensão do qual elas fazem parte. A linguagem da cartilha foi pensada para não demandar extensas habilidades de leitura. O intuito era que crianças ou adultos, lendo ou ouvindo alguém ler, fossem capazes de absorver as palavras e começar a extrair informações sobre o que é ser uma pessoa com albinismo.
https://registro.portaldacidade.com/noticias/saude/pesquisadora-da-usp-organiza-projeto-de-assistencia-a-pessoas-com-albinismo-5546

terça-feira, 24 de maio de 2022

TELINHA QUENTE 390

Crítica da primeira temporada de Anos Incríveis (Disney +)

Acompanhamos o reboot de uma história de amadurecimento ambientada no final dos anos 1960, trazendo um olhar nostálgico para uma família negra de classe média em Montgomery, Alabama, através do ponto de vista do imaginativo Dean, de 12 anos. Com a sabedoria de sua idade adulta, as lembranças esperançosas e bem-humoradas de Dean mostram como sua família encontrou seus "anos incríveis" em uma época turbulenta.

TOMARA QUE CUMPRAM AS PENAS!

Assassinos de albinos condenados a 155 anos de prisão no Malawi



O Tribunal Superior do Malawi, em Mangochi, condenou 3 pessoas a 155 anos de prisão por matar uma pessoa com albinismo. Segundo a Rádio Islam do Malawi, os três condenados são James Pilo Khang’a (71), Sumaili Umaili Nkisi (45) e Gayesi Kapute (44) da aldeia Kadewere, em Mangochi.

O julgamento veio depois que o juiz Ntole Mvula considerou o trio culpado de matar Saidi Dayton da vila de Kadewere T/A Chowe no distrito de Mangochi.

Em sua decisão, o Tribunal condenou os três a 68 anos e meio de prisão por homicídio, 48 anos e meio por extracção de tecido humano e 38 anos e meio por tráfico de pessoas, mas as sentenças serão executadas simultaneamente, o que totaliza 155 anos de prisão.

O tribunal ouviu que Khang’a, Nikisi, Kapute e Luciuc Daudi Ngalu, este ainda foragido desde Janeiro do ano passado, causaram a morte de Dyton e extraíram tecido de seu cadáver.

Durante as investigações policiais, Kapute revelou que enterrou partes do corpo de Dyton em seu jardim depois de embrulhar o corpo em um saco amarelo.

O jovem presidente da Associação de Pessoas com Albinismo, Muhamba, reagindo disse que o julgamento é aceitável, pois é o mesmo que prisão perpétua.

Fonte: https://noticias.mmo.co.mz/2022/05/assassinos-de-albinos-condenados-a-155-anos-de-prisao-no-malawi.html#ixzz7UCdIDxVN

quarta-feira, 11 de maio de 2022

ATÉ MARIDOS MATAM ESPOSAS ALBINAS NA TANZÂNIA

Tanzânia condena 4 por morte de mulher albina e venda de órgãos

Um tribunal da Tanzânia condenou quatro pessoas pela morte de uma mulher albina e a venda de seus órgãos para o uso em cerimônias de bruxaria.

A sentença do tribunal de Mwanza, noroeste do país, coincide com as declarações do presidente tanzaniano, Jakaya Kikwete, que condenou a prática e a chamou de "repugnante e muito embaraçosa" para a nação.

Entre os condenados está Charles Nassoro, o marido da mulher assassinada. De acordo com o tribunal, a vítima foi atacada em seu vilarejo e teve as pernas e mão direita decepadas com machados. "A acusação demonstrou a culpa além da dúvida razoável", disse a juíza Joaquine Demello.

De acordo com a ONU, pelo menos 75 albinos morreram em ataques similares desde o ano 2000. Os membros das vítimas são vendidos por quase 600 dólares, enquanto um corpo inteiro pode alcançar o preço de 75.000 dólares. O albinismo é uma condição genética que provoca a ausência de pigmentação (melanina) dos olhos, pele e pêlos.

domingo, 8 de maio de 2022

NINA ALBINA

 Mãe faz 'diário em vídeo' do cotidiano da filha albina: 'para que ela cresça entendendo sobre a própria identidade'


Registros são postados em uma rede social. Sarah diz que falta de conhecimento e medo distanciaram ela da filha, no começo, e privaram a vivência de momentos especiais. Ela deixa um recado para a filha do futuro e outras mães que estão passando pela mesma situação.



Diferente do restante da família, Catarina nasceu com pele e cabelos extremamente brancos. Foi um susto para a mãe, Sarah Barbaresco, de 34 anos. Ela contou ao g1 sobre os desafios de encarar a primeira maternidade sem conhecimento algum sobre o diagnóstico da filha: o albinismo, e como a partir disso resolveu registrar a rotina, as dificuldades e descobertas de uma criança albina. Tudo com a maior naturalidade possível, para que a filha "cresça entendendo sobre a própria identidade".

Segundo o Ministério da Saúde, o albinismo é uma condição genética muito rara que dificulta a produção de melanina no corpo e afeta a coloração da pele, pelos e olhos, além de causar deficiências visuais.

"Eu tinha muito mais medo pela ignorância. Eu não sabia o que que estava nas minhas mãos, o que eu ia enfrentar", comenta Sarah.


A descoberta


A pequena Nina, como é mais conhecida, nasceu em Ariquemes (RO) em 2019. Depois de 10 anos de casamento, Sarah e o marido decidiram ter o primeiro filho. Foi uma gravidez tranquila, com o pré-natal bem completo em todas as etapas.


Logo após o parto veio o diagnóstico de albinismo. Por conta da condição, Nina enxerga somente cerca de 30% da capacidade total, tem estrabismo, astigmatismo e precisa usar óculos desde os cinco meses de idade.

"Foi um baque muito grande logo nos primeiros dias. O médico falou assim: 'olha ela vai ter deficiência visual. Eu sei que não é fácil'. Foi como se eu tivesse ali com problema nos braços. Eu imaginei que a minha filha não ia enxergar, que ela não ia conhecer meu rosto".

Sarah relata que nunca tinha sequer ouvido falar de albinismo antes da Nina. Após receber as notícias, ela diz que teve medo do desconhecido e problemas com a falta de informação vinda principalmente dos médicos.

"Eu não encontrei algum médico que falasse: ‘olha, fique tranquila, o albinismo não afeta o cognitivo, não é contagioso, albinos têm o desenvolvimento normal, eles se adaptam, eles vivem normal. Ninguém me acalmou nesse começo" desabafou.

Durante a entrevista, Sarah apontou várias vezes que a falta de informação torna o processo da maternidade de uma criança albina mais difícil. Foi o que acabou distanciando ela da filha, no começo, e privou a vivência de momentos especiais.

"Eu não conhecia nada, era totalmente ignorante. Então eu sei que as pessoas não conhecem e precisam conhecer para tornar o mundo mais leve e mais gentil".


Busca por conhecimento

Procurando suporte, a mãe de primeira viagem foi até a internet e começou a pesquisar sobre tudo que podia. Foi assim que ela decidiu criar um perfil no Instagram chamado "Nina Albina".


Na rede social, Sarah conheceu profissionais que começaram a desmistificar suposições sobre o albinismo. Inicialmente era apenas um local para que ela trabalhasse a aceitação, mas acabou se tornando uma grande rede de apoio e uma espécie de "diário em vídeo".

"Eu comecei a alcançar outras pessoas que não sabiam sobre ou então outras mães de albinos mais novos ou os mais velhos que a Nina. Eles me acalmavam. E assim eu pude depois acalmar outras pessoas",


Também foi através da repercussão na rede social que Sarah descobriu um primo distante que também tem albinismo. Porém, antes de conhecer a Nina ele não entendia ou conhecia sobre a própria condição.


"Ele não sabia o que era albinismo, só sabia que tinha nascido branquinho, que tinha um problema de vista e se queimava fácil no sol. Ele cresceu sendo diferente, sem saber porque era diferente".


Porque seu cabelo é assim?


O perfil da Nina Albina mostra a relação de mãe e filhas, rotinas, dificuldades e descobertas de uma criança albina. Tudo com a maior naturalidade possível, para que a própria Nina cresça entendendo sobre a própria identidade.

"Hoje, com a informação que eu tenho sobre albinismo, eu quero proporcionar tudo que eu puder para ela para que ela saiba contornar as dificuldades que vão surgir", aponta Sarah.


Em um vídeo publicado esta semana, ela está brincando com areia em um parque com uma criança que lhe questiona: "porque seu cabelo tá amarelo? Porque seu cabelo é assim?". A voz da mãe aparece incentivando a filha a explicar o motivo, até que ela responde naturalmente e sorrindo: "é porque eu sou albina".


"Nenhuma das duas ali sabia o que, de fato, significa 'albina', mas esse já é o começo! Sei que muitas outras situações vão surgir e aos pouquinhos ela vai se sentindo segura, confiante, na medida em que conhecer mais sobre sua condição", escreveu a mãe na legenda do vídeo.


Preocupação com o futuro


A pele da Nina, assim como os demais albinos, é extremamente sensível ao sol e muito mais suscetível a ter um câncer de pele do que as pessoas que produzem mais melanina. Por este motivo ela precisa de cuidados maiores que outras crianças nesse sentido. Jamais pode esquecer de usar bastante protetor solar e deve evitar sair de casa quando o sol está em horários de pico.


Outra preocupação é com a visão. Nina faz acompanhamento intensivo com oftalmologista a cada seis meses. Essas questões trazem aos pais um pouco de medo sobre o que ela pode enfrentar no futuro.


"A grande maioria dos albinos não dirigem, não podem praticar determinado tipo de esporte ou atividade por causa da exposição ao sol. Vão ter muitas coisas que ela vai ter que se adaptar. Ainda não sei o quanto isso vai afetar a autoestima dela, talvez seja uma coisa que ela queria muito e não vai conseguir".

Ao ser questionada sobre qual recado ela daria para a Nina do futuro que talvez esteja passando por uma situação assim, Sarah respondeu:

"Peço que ela se acolha, se aceite e entenda que ela pode fazer as coisas do jeito dela e vai ser o melhor jeito. Se ela se deparar com dificuldades, que esteja bem resolvida e consiga se defender, saiba se posicionar. Que ela não deixe nunca que outras pessoas a calem e que ela consiga colocar a voz dela e fazer o que quiser".

Sarah também deixou um recado para outras mães que estão passando pela mesma situação que ela passou no início da maternidade:

“Que essa mãe se permita sentir tudo que ela quiser sentir. O puerpério é uma fase muito solitária, muito difícil. Ter que lidar com a maternidade e ainda uma maternidade atípica não é fácil. Então assim se permita chorar, sentir todos os medos, se permita passar por essa fase, mas saiba que ela vai passar. À medida que o bebê vai crescendo, a gente vai percebendo que eles são capazes e que tá tudo bem com eles, o nosso coração vai se acalmando".


HERANÇA MATERNA ALBINA

Herança genética une família com albinismo de Santo André 

Com os olhos semicerrados por causa da luz do Sol, a maranhense Valdiana Santos Parga, 31 anos, observa a chegada dos dois filhos pequenos, que vêm correndo em sua direção. Angelo Gabriel Parga da Costa, 9, e Victoria Gabriela da Costa, 6, percorrem com agilidade as ruas esburacadas da comunidade Pintassilva, em Santo André, para entregar para a mãe os presentes que fizeram manualmente em homenagem ao Dia das Mães, celebrado hoje. A alegria do reencontro familiar é interrompida pela preocupação materna com os pequenos. “Vão colocar uma blusa porque está muito frio”, ordenou Valdiana, que precisa redobrar a atenção com as crianças devido ao albinismo, distúrbio genético hereditário que os três possuem. Essa história fecha a série produzida em três capítulos pelo Diário sobre as heranças maternas.


Devido à ausência de melanina no corpo, pigmento responsável pela coloração da pele, dos pelos e dos olhos, a família é conhecida no bairro como “alemães” ou “branquinhos” e enfrenta diversos problemas de saúde ocasionados pela condição genética, como dificuldade para enxergar, cicatrização demorada e recorrentes problemas na pele.


Valdiana irá realizar na próxima terça-feira cirurgia para remover três nódulos oriundos de câncer de pele – doença com maiores chances de desenvolver em pessoas albinas – e que acometeu pela quinta vez a mãe. Já a filha caçula foi diagnosticada com a mesma patologia neste ano e, antes de realizar a cirurgia de remoção, o caroço no seu peito desapareceu e os exames concluíram que não havia mais câncer – resultado que a mãe atribui à religião.

As condições climáticas também influenciam na vida social da família, que precisa evitar o Sol forte e as baixas temperaturas por conta da sensibilidade na pele e necessita passar durante o dia diversas vezes um protetor solar especial, com alto fator de proteção e, devido ao alto custo do item, ela não consegue comprar. “Dói muito não deixar meus filhos brincarem na rua. Evitamos ao máximo sair de manhã, mas em alguns casos não tem como evitar, como a ida à escola, por exemplo”, explica Valdiana. A restrição social e o isolamento quase que forçado unem ainda mais os três.

Enquanto a mãe conta as histórias da família, os filhos fazem questão de permanecer ao seu lado e acompanham atentos a todos os movimentos da mulher. Sorriem toda vez que ela os menciona nas frases e acenam com a cabeça quando concordam com o que foi dito. As crianças não entendem o porquê de os colegas de classe ou as crianças da rua não gostarem delas, mas os pequenos encontram em casa o amor e a proteção que precisam para não perderem o brilho nos olhos.

“Passei por uma infância muito difícil no Interior do Maranhão. Primeiro por causa do Sol forte. Precisava fugir de casa para poder brincar e, por conta da extrema pobreza que vivíamos, não tinha protetor solar na época. Depois pelo preconceito que era praticado na escola, pois as pessoas não entendiam minha cor e eram maldosas comigo. Hoje, quando meus filhos passam pela mesma situação, abraço eles o mais forte que puder e estou sempre disponível para dar colo. Amor é o que não falta”, conta, emocionada, a mãe, que herdou o albinismo da sua bisavó – única pessoa na família que tem o distúrbio genético.

A luta de Valdiana para defender os filhos é diária. Ela enfrenta dificuldades para colocar comida na mesa, já que a única renda da família é um salário mínimo, oriundo de benefício social pago pelo governo do Estado devido à sua condição médica. Além do albinismo, ela possui anemia falciforme (doença hereditária caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue). A moradia também é outra preocupação, já que o antigo barraco que a família morava desabou com as fortes chuvas de março e agora eles vivem em outro local, que não passa de 10 metros quadrados.

“Sempre sonhei em ser mãe e sou completamente doida pelos meus filhos. Uma vez fiquei internada por 40 dias por causa da anemia e fugi do hospital porque não aguentava mais de saudades deles. São crianças doces e que só querem brincar”, diz Valdiana, com um largo sorriso no rosto. Mesmo com as adversidades, o amor e a alegria sempre arrumam espaço na vida dos três, que exibem com orgulho a herança genética que receberam.

Desafios do albinismo

O albinismo é um distúrbio genético causado pela ausência total ou parcial de melanina no corpo (pigmento responsável pela coloração da pele, dos pelos e dos olhos). Entre as principais características de pessoas albinas estão pele, olhos, cabelos, cílios e demais pelos parcialmente ou completamente claros.

Evitar a exposição ao Sol é o principal cuidado para pessoas que possuem a condição genética, conforme afirma a dermatologista Flávia Maklouf. Ela ressalta que caso seja necessário sair debaixo do Sol, mesmo que fraco, a proteção com a pele precisa ser redobrada. “É importante usar protetores solares e roupas fechadas para proteger-se da radiação. Também são recomendados acessórios como chapéus, bonés e sombrinhas. As crianças não devem ser expostas ao Sol em nenhum momento, portanto, as atividades ao ar livre devem acontecer em períodos noturnos. Como a exposição ao Sol, algumas vezes, é nula, faz-se necessária a suplementação com vitamina D. Essa vitamina é a responsável pela manutenção de dentes e ossos, e sua ausência no organismo está relacionada com o raquitismo”, explica a médica.

Flávia reforça que quanto menos melanina for sintetizada no organismo, maior será o risco de ocorrerem queimaduras e câncer de pele devido à exposição solar. “Entre as principais complicações do albinismo estão câncer de pele e até cegueira”, comenta a especialista, que ainda reforça o uso de óculos escuros como forma de proteção. A médica dermatologista Fernanda Nichelle complementa: “Os albinos têm um risco maior de desenvolver problemas de saúde, principalmente câncer de pele e a cegueira, assim como o estrabismo, fotofobia. É importante que a pessoa com albinismo seja acompanhada regularmente por um oftalmologista e um dermatologista para prevenir qualquer complicação”, finaliza.
 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

ATÉ PADRE ESTÁ MATANDO ALBINOS NA ÁFRICA!

Doze pessoas, incluindo um padre católico, um polícia e um funcionário de um hospital, foram considerados culpados em Blantyre (sul do Malaui), no caso do assassínio de um albino em 2018, anunciou hoje fonte judicial


Das 12 pessoas, cinco foram consideradas culpadas de matar MacDonald Masambuka, de 22 anos, em plena onda de assassínios de albinos, na qual 40 pessoas foram mortas e outras 145 atacadas, nos últimos anos.

O irmão da vítima, o padre, o polícia e um funcionário do hospital foram considerados culpados de vender ou comprar partes de corpos humanos.

“O senhor MacDonald foi traído por aqueles em quem confiava, isto é, o irmão, o padre, o polícia e o funcionário do hospital”, disse à AFP o procurador Steve Kayuni.

Durante vários anos, a partir do final de 2014, o Malaui tem assistido a uma onda de ataques a albinos, cujos corpos são desmembrados e usados ??em rituais de feitiçaria, alimentando a crença de que trazem boa sorte e saúde.

Na sentença, o tribunal conclui que os 12 foram coniventes para realizar o assassínio de Masambuka e remover os seus ossos, pensando em obter lucro financeiro com isso.


“Esta é uma violação do direito à vida humana e a maior violação do direito à vida e à integridade das pessoas com albinismo”, disse a juíza Dorothy NyaKaunda Kamanga.

MacDonald Masambuka foi morto depois do irmão lhe armar uma armadilha, fazendo-o acreditar que amigos haviam encontrado uma mulher para ele se casar.

A leitura das sentenças foi agendada para 31 de maio.

Há cerca de vinte casos de homicídio, tentativa de homicídio, exumação de albinos em tribunais do Malaui, de acordo com o procurador.

De acordo com Ikponwosa Ero, ativista e ex-relator da ONU sobre albinismo, o Malaui tem um “sério problema de segurança para os albinos”.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

TELINHA QUENTE 389

Darrow & Darrow Associados – DRAMAS DE TRIBUNAL E INVESTIGAÇÃO MUITO FOFOS (Amazon Prime e Star +)

Claire é advogada com seu próprio escritório de advocacia, mãe-solo de uma colegial e detetive amadora, resolvendo mistérios de assassinato. O promotor Miles é seu amigo, mas quer ser mais que isso. A mãe dela é advogada excêntrica e dinheirista. 

Darrow & Darrow Associados (Star +)
 Quando Dave é preso por cometer um assalto a uma joalheria após o expediente, Claire se oferece sem hesitação para defender este homem que ela conhece há anos. Porém relatos de testemunhas oculares e outros fatores tornam o caso uma batalha difícil e a única esperança de Claire é encontrar evidências que exonerem seu cliente. 

Darrow & Darrow Associados: Vestígios de Um Crime (Amazon Prime)
 A advogada Claire Darrow e o procurador Miles Strasberg reabrem o caso de uma mulher condenada por assassinato que poderia ser inocente.

ZOOFILIA COM CUTIA

 Habitando Parque Ecológico, cutia albina chama atenção de moradores de São Gabriel do Oeste


Uma cutia albina habita o Parque Ecológico Águas do Guarani, em São Gabriel do Oeste e já tem se tornado famosa nas redes sociais. Um dos registros foi enviado para nossa equipe pelo morador Marcos Antônio Bezerra da Silva, de 29 anos.

Marcos trabalha como motorista entregador, é casado, tem três filhas e mora em São Gabriel do Oeste há cerca de três anos, vindo do estado da Bahia. “Para mim foi uma alegria, nunca tinha visto. É uma raridade né, muito raro uma pessoa ver um animal desses”. Ele publicou as imagens em seu perfil no TikTok, e já possui milhares de curtidas. Um dos vídeos já há mais de 390 mil visualizações.

Estudos apontam que o distúrbio genético do albinismo é extremamente raro entre a espécie. Biólogos apontam que somente uma entre 20 mil cutias nascidas tem chance de ter ausência total ou parcial de melanina.

Conforme o comandante da Polícia Militar Ambiental (PMA) de São Gabriel do Oeste, Elismar Alves dos Santos, o albinismo deixa a cutia mais sensível a doenças, além de a tornar presa fácil aos predadores, pois, não possui a possibilidade de camuflagem, por este motivo, estar no Parque Ecológico, a deixa mais protegida do que se estivesse em área de mata.

Marcos contou, que até conseguir gravar as imagens da cutia foi três vezes ao Parque. Ele aproveita para destacar que gosta de morar no município. “Acho uma maravilha morar aqui em São Gabriel, gosto muito daqui”, diz.

Amante da natureza, Marcos também publica vídeos com uma “pombinha”, e fazem sucesso. “Eu a crio solta. Vai para onde ela quer, não dorme em casa”, conta Marcos.

Em um dos vídeos que enviou para nossa equipe, Marcos chama a pombinha que está solta na rua e ela atende, indo até ele.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

CAIXA DE MÚSICA 496

Sofía Campos é cantora e compositora argentina, vivendo no México. Como passou a infância no Brasil, sempre foi apaixonado pela voz e interpretações de Elis Regina, pelas letras e melodias de Caetano Veloso, e pelos discos de tantos grandes nomes, inclusive contemporâneos, como Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E ALBINISMO

Como mudanças climáticas desafiam saúde de pessoas com albinismo

quinta-feira, 14 de abril de 2022

TELONA QUENTE 398

Crítica do filme O Beco do Pesadelo + LIGAÇÃO COM MITOLOGIA GREGA E ALGUNS SÍMBOLOS (Star+)

O ambicioso vigarista Stanton Carlisle, que tem um talento para manipular pessoas, se une a uma clarividente e seu marido mentalista para enganar um perigoso magnata com a ajuda de uma misteriosa psiquiatra, que pode ser sua maior oponente.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

CONTANDO A VIDA 388

AGORA E NA HORA DE NOSSA MORTE, AMÉM...

José Carlos Sebe Bom Meihy

Já fui criticado por falar muito sobre a morte, como se não fosse tema oportuno, palatável ou apropriado. Na realidade, independentemente de ler ou escrever sobre o assunto, sou fascinado pelo tal “adeus definitivo”. Nem interessa supor a morte em desdobramentos prováveis, tanto como fim categórico ou passagem para outra vida. De um ou de outro jeito, “fechar os olhos para sempre” implica acabamento, arremate, conclusão de uma fase que, segundo Fernando Pessoa, marca um tempo que justifica o sentido da experiência individual “se depois de eu morrer quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tenho só duas datas: a de minha nascença e a de minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus”. Simples assim.

Tanto para os que prezam ou não a morte como condição terminal, a dúvida desafiadora recai sobre dois pontos principais: o momento conclusivo e os possíveis desdobramentos: pó/cinzas ou reencarnação. Afinal, “o depois” haverá? Gostando ou não de tocar no assunto, respondam se não preside algo de arrebatador nessa meditação? Voltaremos? Quando? Como? Mesmo rezando pouco - simples “católico cultural” que sou - me vejo comovido a cada vez que recito o final da Ave Maria: agora e na hora de nossa morte, amém. Não é lindo?... Sabe, em comunidade, quando este trecho se anuncia, resvalo o olhar para as pessoas ao lado e sempre fico impressionado com a passividade rotineira que sequer permite nuançar a gravidade das palavras: agora e na hora de nossa morte, amém... Reencarnando ou não, com virtudes ou defeitos, morremos para esta vida. E isto é solene.

Pois é, houve um tempo em que a morte súbita me parecia o ideal. Então, meio encantado, admirava narrativas sobre pessoas que, assim do nada, “apagavam”. E coleciono casos de tipos que foram tirar uma soneca depois do almoço, ou na naturalidade da noite, e... Ou daquelas que assistindo um programa da TV, ouvindo um rádio, talvez uma romântica canção, e... Há notícias de fervorosos torcedores que morrem na euforia de um gol, ou pelo contrário, motivados pelo pesar de fracasso de seu time. Uma vez contaram de uma senhora que morreu na cadeira de dentista, confesso que achei prosaico demais. Tem os coléricos que, enfurecidos, morrem num acesso. Idem entusiastas do sexo; idem trabalhadores compulsivos; idem políticos ardentes... Ah, e convém falar dos que perdem a vida em acidentes terríveis e nos deixam perplexos e cativos de despedidas convenientes...

Fico enternecido com a narrativa de uma avó que prevendo um não amanhã separou a roupa, preparou tudo e depois do banho, vestiu-se e morreu arrumadinha, penteada, perfumada até. Sim, há algo de beleza mórbida nisso, mas é inegável a vocação de grande parte das pessoas para “morrer sem sentir”. Os argumentos, aliás, são irretocáveis: não quero sofrer dores, nem dar trabalho a outrem. Cristalino, né?!... E eu, juro, pensava assim, desse jeitinho. Arrazoava isso, mas de tanto idealizar acabei por expandir meus argumentos, e mudei. Mesmo aqueles que prezam outras existências têm que admitir a vida encarnada como etapa inevitável, com começo, meio e fim. Sendo isso verdade, a experiência vivencial faz parte da morte e essa consciência deve ser considerada em sua integridade.

Sim, é verdade que acabei por construir um falso silogismo filosófico, algo do tipo: se a morte faz parte da vida, a vida compreende a morte, então a morte contém a vida. E eu resolvi que devo vivenciar isso em sua plenitude. Afora a legitimidade de dar trabalho para os outros, os estágios terminais merecem ser experimentados conscientemente e com intensidade comunitária. Sendo isso uma condição natural, por que morrer sem dar aviso, sem se despedir, ir embora sem alarde? Sei sim que a morte é individual, mas vivemos em sociedade e queiramos ou não contagiamos a experiência dos próximos e “dar trabalho” deve ser maneira de se despedir, implicando responsabilidade, cuidado, zelo dos queridos. Sabe, fico tranquilo pensando nos olhares de comparsas que me veriam rezar a última Ave Maria, balbuciando cumplicemente aquelas palavras tantas vezes pronunciadas sem a devida atenção “agora e na hora de ‘minha’ morte, amém”.

terça-feira, 12 de abril de 2022

TELINHA QUENTE 388

Crítica da segunda temporada de Bridgerton (Netflix)
Oito irmãos inseparáveis buscam amor e felicidade na alta sociedade de Londres. Inspirada nos best-sellers de Julia Quinn.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

CAIXA DE MÚSICA 495

Autor de dois álbuns geniais na alvorada da década de 1970, em parceria com Ana Maria Bahiana, José Mauro foi dado como morto pela ditadura ou num acidente de carro, por anos, até que uma gravadora gringa ressuscitou seus trabalhos.

terça-feira, 5 de abril de 2022

TELINHA QUENTE 386

Crítica da minissérie Inventando Anna (Netflix)

Empreendedora audaciosa ou golpista? Uma jornalista conta a história de Anna Delvey, que convenceu a elite de Nova York de que era uma herdeira alemã.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

CAMPEÃ ALBINA

 Adiaratou Iglesias é albina. De óculos postos, só tem 20% de visão e não vê as linhas, nem a meta. Mas é o suficiente para ganhar medalhas

Quando põe os óculos, a atleta espanhola Adiaratou Iglesias fica com 20% de visão, o dobro do que acontece sem o auxílio das lentes. Sem ver as linhas da pista ou a meta, Adiaratou, que sofre de albinismo, é campeã paralímpica e europeia, tendo ainda vencido a prata nos últimos mundiais.

“É muito difícil explicar como vejo porque sempre vi desta forma. (…) Vejo as duas linhas laterais da pista nos primeiros três metros. A partir daí, não distingo as linhas e tenho de encontrar muitas referências no momento de chegar à meta”, contou Iglesias ao jornal “Marca”: “Uso coisas que são visíveis para mim: a cadeira dos árbitros ou uma luz intensa. Outras vezes, o treinador põe-se na meta e grita: ‘Adi, vamos, peito para fora, já!’”.

O Centro de Alto Rendimento (CAR) de Madrid é a sua nova casa desde que voltou dos Jogos Paralímpicos de Tóquio com duas medalhas na bagagem: ouro nos 100 metros; prata nos 400. Todos os troféus estão em casa da mãe, em Lugo. “Não há melhor sítio para guardá-las”, explica a sorridente Adi, que se mudou para a capital espanhola com o objetivo de estudar fisioterapia na famosa Escola da Organização Nacional dos Cegos de Espanha (ONCE).

Adiaratou nasceu e cresceu em Bmako, no Mali. Até aos 7 anos, quando viu pessoas a correr, na televisão de um vizinho, nunca imaginara vir a ser atleta. Ao ver as raparigas num anúncio de TV, pensou: “Quero fazer isto”. “Mas não pude praticar até ser adotada e vir viver para Lugo, com 14 anos”, explica a galega.

Em Madrid, nem tudo tem sido fácil. A família está longe, a atleta mudou de treinador e de grupo de treino, as distâncias são diferentes. No entanto, aquilo de que diz sentir mais falta é o treino que dava a um grupo de crianças, em Lugo. Atualmente, a visão limitada não é obstáculo para triunfar no atletismo, logo, Adi nem sequer a refere quando enumera os problemas.

“Não sei onde estão os meus limites, não quero colocá-los. Não sei o que sou capaz de fazer. A única coisa que sei é que ainda tenho muito para dar e gostaria de continuar a melhorar”, diz. Quanto aos motivos por que não podia praticar desporto no Mali, estes vão mais longe do que o facto de sofrer de albinismo: “Era impossível porque, mesmo hoje em dia, pensa-se que a mulher tem de estar em casa a cuidar dos filhos. Além disso, o desporto não está organizado como aqui [em Espanha]. Há poucas oportunidades e só para rapazes”.

Fora as questões já referidas, Adi não esconde que, nessa altura, a doença lhe limitava os movimentos. Nunca saía do seu bairro, andava sempre perto de casa para evitar os perigos. “No Mali, como na maior parte de África, há uma superstição. Muita gente pensa que os albinos são pessoas que dão azar na vida. Há quem se dedique a assassiná-los, mas também quem corte membros dos nossos corpos para dar sorte ou ainda quem ‘semeie’ cabelo de pessoas albinas, crendo que dali vai nascer ouro”, conta Adi, que acrescenta: “Estes pensamentos são fruto da ignorância”.

A campeã paralímpica é muçulmana. Teve de aprender que não havia mal nenhum em mostrar o corpo. “Na minha cultura, (…) andar destapada era impensável. Faziam-nos sentir mal quando mostrávamos uma parte do corpo, mesmo que fosse um tornozelo. No início, tinha muita vergonha de vestir o fato de competição. Comecei a competir com umas calças largas e uma camisola de mangas compridas, com um top por cima. Era um espetáculo”, conta, a rir.

Considerada constante e disciplinada, Adi começou a brilhar em 2019, ao sagrar-se duas vezes campeã absoluta de atletismo da Galiza, dos 100 e 200 metros, competindo com atletas sem limitações. Um ano depois, arrecadou duas medalhas de bronze no campeonato sub-23 de Espanha. Quanto ao futuro, a atleta não esconde que quer estar em Paris, nos próximos Jogos, e vencer: “O meu objetivo é sempre ganhar medalhas”.

CAIXA DE MÚSICA 494

Cor é o quarto álbum de estúdio do duo Anavitória, lançado de surpresa, em 1º de janeiro de 2021. Com produção de Tó Brandileone e da integrante Ana Caetano, a obra foi preparada durante a pandemia de COVID-19 e traz participações de Rita Lee e Lenine.

terça-feira, 8 de março de 2022

TELINHA QUENTE 385

Os crimes mais brutais de Viena são investigados por uma equipe de detetives de elite.

segunda-feira, 7 de março de 2022

CAIXA DE MÚSICA 493

Em seu terceiro álbum, a cantora britânica traz uma coleção bastante inspirada nos anos 80 pra ajudar a espantar o pânico causado pela maldita pandemia da COVID.

quinta-feira, 3 de março de 2022

TELONA QUENTE 397

 Nesta sequência, um grupo de jovens decide dar vida nova a uma cidade fantasma no Texas, mas acaba se deparando com Leatherface, o famoso maníaco da serra elétrica.

terça-feira, 1 de março de 2022

TELINHA QUENTE 384

 Kurt investiga um atropelamento e fuga, que parece estar ligado à história bombástica de um professor de natação assassinado por dois adolescentes.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

CONTANDO A VIDA 377

 PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MODERNISMO!


José Carlos Sebe Bom Meihy

Pois é, a Semana de Arte Moderna de 1922 é o assunto da vez. Se o tema é festivo para grande parte da audiência interessada em arte e literatura, para outros é desafio que mexe com o bom senso analítico e com a reserva de argumentos críticos. E vou logo abrindo o jogo, pois mesmo sendo cauteloso frente àquele evento, não consigo despregar certa admiração comum aos que só fazem aplaudir a turminha que, de modo diverso da rotina, alardeou o carnaval de 22. Para o bem ou para o mal, reivindicando liderança e prestígio, foram os arrogantes dandies reunidos naquela São Paulo, que se propuseram a acertar os ponteiros do nosso relógio cultural, então descompassado do resto do mundo dito civilizado.

Não resta dúvida que o espalhafatoso barulho em torno dos acontecimentos iniciados no fatídico dia 13 – e repetido dias 15 e 18 – potenciava veneno poderoso contra o passadismo cultural, identificado na tradição parnasiana e na literatura puxada à Coelho Neto ou Olavo Bilac. Sob pauta analítica, porém, cabe jogar luzes em complexidades que convidam definir a partir de quando, onde, e por quanto tempo, vigeu a tal modernidade dos modernistas. E falamos de modernismo ou de modernismos?

Fermentando argumentos, propõe-se estabelecer a diferença entre modernidade e modernismo. Entende-se por modernidade – no caso da cultura brasileira dos inícios do século passado – o processo de atualização das expressões de vida sociocultural, formatado segundo conjeturas hegemônicas, colonizadas no sentido da leitura do mundo no pós-Primeira Guerra Mundial. Modernismo, por sua vez, seria um movimento específico, produção articulada, síntese crítica e teatral do patrimônio herdado, submetido a um programa arbitrário de renovação radical. Dizendo de outra forma, a Semana corresponderia à oficialização dos fundamentos modernizadores sempre em curso, ainda que difusos e sem fundamentação teórica conceitual.

A diferença crucial entre modernismo e modernização decorre da consciência e aplicação de pressuposições estéticas assumidas racionalmente e derivadas de regras sobre a superação de tudo que estava estabelecido como valor artístico. A mera qualificação dessas diferenças suscita três rotas significativas para a compreensão da Semana de Arte Moderna: 1- o recorte paulistano; 2- a espontaneidade do movimento, e 3- a recepção das propostas de pretensões revolucionárias.

O primeiro ponto a ser considerado na definição do espaço modernista remete à sua paulistanidade, ou seja, à centralidade na/da capital do estado. O argumento sustentado pelos defensores da vanguarda paulistana, por certo, vai além dos valores assumidos localmente, condição que consagraria aquele evento como uma espécie de modelo referencial da nossa produção artística. Muito mais que arte, porém, fala-se da liderança política e do poder econômico que a São Paulo dos imigrantes – e da nascente indústria – passava a ter na Federação. Neste sentido, a reputação de moderno caberia como virada de um passado colonizado, agrário, dependente de continuidades vencidas.

Um segundo ponto importante para o entendimento da Semana exige medi-la em sua temporalidade. Se recortados aqueles dias como detonadores do longo processo seguinte autenticar-se-ia a liderança paulistana sobre um andamento corrente – muitos percebem o início em 1917 e como ramificação de atualizações europeias. Seria então a Semana um produto, momento justificado localmente, ou expressão de procedimentos que já vinham acontecendo cá e lá? E será que, no recorte brasileiro, o tempo paulistano daria conta de incluir outros espaços, em particular o Rio de Janeiro, Minas e Pernambuco?

O terceiro argumento significativo implica entender a projeção do Movimento no devir histórico, posto que passadas as consequências estéticas imediatas – o advento dos Manifestos e das Revistas – o que se viu foi a reclusão dos argumentos que apenas refloresceram depois de 1945 com a morte de Mario de Andrade e principalmente durante o regime militar que precisou de uma base nacionalista, e assim buscou inspiração naqueles pressupostos. Mais tarde, descaracterizado de políticas, depurados os personagens escolhidos como baluartes, valorizado o teor festivo/artístico, apenas recentemente a Semana se notabilizou formulando uma pauta vista agora com destaque.

O saldo da reflexão presente, nesta sonora celebração do centenário da Semana de Arte Moderna, convida à retomada histórica do evento e de suas possíveis novas abordagens. Sem incorrer em revisionismos fáceis, o que se busca é a quebra de pressupostos dominantes e valorizar outros ângulos capazes de projetar a Semana como uma oportunidade para a problematização de questões indagadoras do papel, da função e alcance da cultura nos dias de hoje. E fico pensando como ela será vista depois deste seu centenário.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

TELONA QUENTE 396

Crítica do filme Os Caçadores da Arca Perdida (HBO Max)

Conheça o arqueólogo Indiana Jones e descubra como ele derrota todo tipo de inimigo, inclusive os nazistas, enquanto procura pela Arca da Aliança durante o primeiro filme de uma saga cheia de aventuras e ação.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

TELINHA QUENTE 383

Estrelada e produzida por Michael Keaton, a série retrata como uma corporação desencadeou a pior epidemia de opioides na história dos Estados Unidos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

CAIXA DE MÚSICA 492

Filho de Lenine, João Cavalcanti, que durante 17 anos foi o dono da voz do grupo de samba carioca Casuarina, traz no DNA a vocação para a boa música e preparou cuidadosamente as 14 faixas desse projeto, que lhe apresenta como intérprete versátil e repleto de recursos vocais. Construído em parceria com o acordeonista e pianista Marcelo Caldi, Garimpo reúne, além de inéditas, canções de João que foram gravadas por grandes vozes da MPB. Destaque para a faixa ‘A Causa e o Pó’, que conta com a participação especial do português António Zambujo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

CONTANDO A VIDA 376

PREGUIÇA, A MÃE DOS PECADOS

José Carlos Sebe Bom Meihy


Andava meio triste, algo saudoso da vida rotineira de antes da Covid. Bateu saudade dos parentes, amigos, alunos... Dei asas a mais alguns maus pensamentos que rondavam meu inconsciente e para dissipar o climão que se anunciava, resolvi ir às compras. Demorei o mais que pude e depois, distraído na fila do supermercado, meio sem pressa para voltar, ouvi uma conversa dessas que acabam por chamar a atenção. Tratava-se de uma senhora muito bem apessoada, que dizia para uma jovem ao lado: olha, a preguiça é o maior e o melhor dos pecados, pois quando se apossa de uma pessoa, todas as outras faltas deixam de ser praticadas. Nossa, pensei!... E foi o que me bastou para rogar que a espera fosse longa.

E os argumentos prosseguiam compondo instigante investida teológica feita às avessas. Com certa maestria didática, a altiva senhora pregava que alguns pecados capitais isentavam outros e até os redimiam. O exemplo seguinte explorava a “inveja”, que, segundo a exegeta de supermercado era responsável pelo progresso, pelo impulso pessoal para a melhoria de vida. E os casos usados eram excitantes “veja bem, se alguém tem inveja do vizinho, que tem um carrão, casa na praia, viagens fabulosas, por inveja legítima, ele vai lutar para ter o mesmo, ou até mais”. Fiquei ouriçado com a clareza...

Confesso que me continha para não entrar no papo animado, pois ao se referir a outro pecado capital, a “gula”, o argumento exagerava na melhoria da culinária. E não é que os afundamentos da senhora faziam todo sentido. Com um gesto exuberante ela apontava para as prateleiras ao lado, afirmando que nada daquilo existiria se não fosse a tal da “gula”. E eu, com pescoço meio inclinado concordava, lembrando-me de reclamação recente sobre o exagero dos programas de culinária na televisão. Aliás, fiquei irritado ao entrar em um site de minha livraria preferida e me deparar com o número multiplicado de lançamentos de livros de receitas. Além disso, o próprio supermercado justificava a questão.

E a “avareza”, exclamava a experiente dona da conversa: a “avareza” é responsável pelo avanço da economia, pelo sucesso das empresas que animam o mercado. Lembrei-me da expressão “pão duro” e imediatamente recordei de uma situação recente em que ruminei raiva de um companheiro que, ao compartir conta coletiva depois de lauto jantar, fazia questão de contar centavos. E me veio à cabeça a indignação por ser exatamente ele o mais rico do grupo, dono de um próspero comércio... seria por isto?!

Para minha desgraça, a fila corria muito mais ligeira do que no comum das vezes, e logo pensei na “ira”. Sim, fiquei “irado” por não ter acesso aos demais informes passados pela abalizada defensora das nobres virtudes dos pecados capitais. Ao olhá-la já no caixa, passando os produtos comprados, resolvi dar sentido aos ensinamentos e admiti que a “ira” que sentia pela interrupção da conversa (alheia) era algo positivo, pois, na solidão desses dias pandêmicos, no isolamento a que me proponho, daria estrada a uma possível depressão e, assim resignado, até me surpreendi com a certeza que seria melhor ser colérico, ter uma explosão passageira, do que me abandonar deprimido.

Pois bem, as duas se foram e fiquei com o tema na cabeça. E foi assim que pensei no sentido da “luxúria”. E me veio imediata a relação que fiz com os livros de Philip Roth (“Complexo de Portnoy”), de Vladmir Nabokov (“Lolita”) e até dos clássicos Diderot, Sade e principalmente de Georges Bataille (“História do olho”). Aliás, só por essa seleção os pecados da carne estariam absolvidos.

A “soberba” exigiu que me posicionasse favorável ao orgulho, e até julguei que São Tomás exagerou ao dizer que é o maior dos pecados. Fundamentei meu ponto assumindo que, para ser orgulhoso, e do orgulho ir para a “soberba”, era preciso ter qualidades exaltadas, caso contrário o personagem não seria levado a sério. Bem, estava perdido nessa trama quando me dei conta de que tudo havia começado com a “preguiça” e que ela era realmente a grande responsável, e, por fim, conclui que sem ela não haveria nenhum dos outros pecados. Como dá muito trabalho e/ou exige-se engenho, os demais delitos capitais todos seriam inexistentes se a preguiça dominasse. Pensei em reagir a isso tudo, em retomar a legenda cristã, mas, sinceramente, me deu enorme preguiça.

 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

CAIXA DE MÚSICA 491

Classix Nouveaux foi uma banda inglesa da década de 1980 de new wave/new romantic. Existiu entre 1979 e 1985. A banda atingiu certa fama pelas suas vestes negras e pelo fato do vocalista do grupo (Sal Solo) ser careca. Porém, como jamais vendeu muito em mercados-chaves, como Reino Unido ou EUA, hoje é praticamente esquecida, a não por ser por fanáticos pela década de 80.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

TELONA QUENTE 395


Crítica do filme Cela 211 (Amazon Prime)

Juan Oliver sofre um acidente em uma prisão, pouco tempo antes do início de uma rebelião no setor onde estão os presos mais perigosos, liderada pelo bandido Malamadre. Os seus companheiros fogem para se salvar e abandonam Juan desacordado na cela 211. Quando Juan acorda e entende o que aconteceu, passa a se fingir de presidiário perante os amotinados. Agora, ele corre perigo e terá que contar com muita astúcia para sobreviver a base de mentiras.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

CONTANDO A VIDA 375

ROBERTO CARLOS, OUTRA VEZ...


José Carlos Sebe Bom Meihy

Sabe, tenho relação pendular de admiração e crítica ao “Rei Roberto Carlos”. Não chega a ser algo na base do “amor ou ódio” ou do “ame-o ou deixe-o”, mas causa perplexidade e me faz pensar. Antes de mais nada, deixe-me dizer que sou apreciador do gênero brega, não perco os “especiais de fim de ano” e enlevado em frente da televisão espero o lançamento das rosas vermelhas no final dos shows. Cafonices à parte, gosto daqueles lances meio estranhos como “sou amante a moda antiga, do tipo que ainda manda flores” e devo confessar inclusive que chego às lágrimas com algumas canções pop/religiosas como “Nossa Senhora, me dê a mão” e até me pego balbuciando “Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui”. E como não ver graça quando apela para “os erros do meu português ruim” ou se posiciona “debaixo dos caracóis dos seus cabelos”. Mesmo aquela passagem dos “botões da blusa que você usava e meio confusa desabotoava”, até isto, eu deixo passar impunemente.

Mas – sempre tem um “mas” fatal, né?! – Mas, no meu caso, o que pega é a encrenca que ele armou com o excelente biógrafo e admirador, com o maior estudioso de sua vida, o analista mais arguto de sua produção musical, Paulo Cesar de Araújo. Tenho motivos de sobra para defender o autor do “Roberto Carlos em detalhes”, livro lançado em 2006. Sobretudo, por se tratar de obra exemplar sob o ponto de vista editorial e com conteúdo irretocável, esse livro se coloca entre os melhores textos analíticos de nossa cultura tão pouco dada às biografias. Confesso que o quilate do livro do Paulo Cesar não me causou surpresa, pois dele já conhecida uma publicação anterior “Eu não sou cachorro não: música cafona e ditadura militar”, de 2002. Desde então, acompanho as peripécias deste pesquisador incansável que, aliás, situa-se entre os melhores críticos musicais do Brasil.

É muito difícil compreender por que o “Roberto Carlos em detalhes” virou complicação. O fato é que a contenda do poderoso Rei provocou o maior e mais consequente processo sobre autoria biográfica da nossa história. Todos devem se lembrar da polêmica que se arrastou por anos – durou até 2015. Foi grande o nó atado pelo Rei, amarrando-o definitivamente ao seu súdito mais devotado. Tudo porque, Roberto Carlos se viu acima da lei, poderoso suficiente para achar que poderia usar a tesoura própria para censurar um texto produzido para homenageá-lo. Argumentando “invasão de privacidade”, e dizendo-se “dono da própria vida”, o Rei não conteve fúria para impedir a circulação do livro que, apesar de retirado de circulação pode ser acessado gratuitamente pela internet. E aquele foi um embate desigual: de um lado o biografado contando com o melhor aparato “de defesa”, advogados famosos, apoios prestigiados, e de outro o biógrafo que precisou ir ao Tribunal - de Niterói onde mora para São Paulo onde a ação fora ajuizada - de ônibus por não ter como arcar com as despesas.

O notável é que, mesmo assim, Paulo Cesar ganhou a causa em parecer importantíssimo exarado pela Ministra Carmem Silvia do Supremo Tribunal Federal. Convém lembrar que, desmedido, o Rei demandava indenização exorbitante, além de pedir a prisão do biógrafo por dois anos. Isso aos brados, alardeando “vocês pensam que podiam mesmo publicar essa biografia sem minha autorização? Com eu(sic) aqui, vivo?”

Algo teimoso, para nossa felicidade de leitores, isso motivou Paulo Cesar a registrar seu ponto de vista, e em 2014 lançou “O réu e o rei – minha história com Roberto Carlos, em detalhes”, páginas tradutoras de rara fineza explicativa. Para gaudio do público, agora, o mesmo Paulo Cesar coloca nas livrarias dois volumes de nova façanha biográfica, intitulada “Roberto Carlos, outra vez”, páginas escritas a partir de canções testemunhais da vida do Rei. Enquanto espero a oportunidade de leitura, pensando na trama que implica os dois lados dessa moeda agridoce me vem à cabeça uma espécie de trilha sonora, que certamente inspirou o biógrafo a se apropriar da canção que serve de mote ao título, composta pelo Rei com Isolda Bourdot, e que acompanha o roteiro que, tomara, continue iluminando os dois: “você foi o maior dos meus casos/ de todos os abraços/ o que eu nunca esqueci/ Você foi, dos amores que eu tive/ o mais complicado e o mais simples pra mim/ Você foi o melhor dos meus erros/ a mais estranha história/ que alguém já escreveu/ E é por essas e outras/ que a minha saudade faz lembrar/ de tudo outra vez...