sexta-feira, 20 de março de 2020

PAPIRO VIRTUAL 159


Roberto Rillo Bíscaro

Em sua segunda aventura, o Capitão Wyndham e o Sargento Surrender-Not investigam assassinatos na família real de um reino na península indiana, em 1920. Outro romance histórico de detetive, do escritor anglo-indiano.

domingo, 15 de março de 2020

ESTRELA ALBINA

Line é albina e foi perseguida em África. Agora é estrela de TV

Line Banty é apresentadora de televisão e quer mudar mentalidades acerca das pessoas que têm albinismo.

Line Banty tem albinismo e vive no Burkina Faso. Escapou a duas tentativas de rapto motivadas pela sua condição física e, enquanto dormia, um antigo namorado chegou a cortar-lhe pedaços de cabelo para dar sorte. Agora, é uma inspiração para as pessoas que vivem com albinismo: há cerca de um ano que apresenta um programa diário de entretenimento no seu país.
O albinismo consiste na falta de pigmentação na pele, cabelo e olhos. No Burkina Faso, há quem acredite que partes do corpo de pessoas albinas dão poder e boa sorte, o que as torna vítimas e vulneráveis a ataques violentos. Desde 2006, a plataforma Action on Albinism contabiliza 700 ataques contra pessoas com albinismo em 28 países africanos.
Como uma mulher albina, Banty relatou à agência Reuters que teve que superar vários obstáculos durante a sua carreira. Primeiro, o de ser uma mulher com emprego num país onde isso não é comum. No Burkina Faso, quase metade de todas as mulheres casam antes dos 18 anos. Banty também lida com as críticas e insultos por ser uma mulher albina no Facebook, condenado publicamente quem o faz.

Ao mesmo tempo, Banty recebe várias mensagens de outras pessoas com albinismo que dizem ter ganhado coragem para o assumirem graças à sua personalidade positiva e à sua abertura em fazer o mesmo. À Reuters, a apresentadora diz que aborda o albinismo no seu programa, também convidando várias pessoas que sofram do mesmo.

Para Banty, o segredo do sucesso consiste em trabalho duro e na crença de que vai vencer. Um dia, quer abrir uma fundação.

quinta-feira, 12 de março de 2020

TELONA QUENTE 325 (ALBINA)

Roberto Rillo Bíscaro

A lista de representações negativas/sobrenaturais das pessoas com albinismo é extensa em várias artes. Vai de clássico da literatura de ficção-científica à porcaria obscura cinematográfica.
O blog jamais se propôs a patrulhar manifestações artísticas atrás de albinos malucos ou malvados e compilá-las, por mais útil que possa ser. Entretanto, quando me deparo com uma, comento, como é o caso de The Mole People (1956).
Enquanto a maioria das ficções-científicas cinquentistas voava para o espaço sideral, essa produção de baixo orçamento mergulha no misterioso subsolo num roteiro absurdo, mas até que divertido, não fosse o final abrupto e a pobreza geral.
O título de “doutor” deslumbra muita gente e a TV sempre adorou usar quem o possui pra dar confiabilidade às frequentes bobagens apresentadas. Nos anos 50/60 Frank C. Baxter ficou famoso como “cientista”, porque apresentava shows relacionados e tinha opiniões formadas sobre tudo. Que fosse doutor em inglês e entendesse de ciência provavelmente tanto quanto eu (também um doutor....) não importava; ele era dotô e dotô tem otoridade!
Pois bem, The Mole People tem introdução algo longa sobre teorias intraterráqueas pra dar sustância à trama. O Dr. Baxter faz apanhadão até interessante sobre malucos que criam que a Terra era oca. Não ria dos antigos: numa convenção terraplanista da “desenvolvida” Inglaterra, os panelistas decidiram que a lei da gravidade não existe e a Austrália é habitada por robôs.
Corta pros confins mesopotâmicos montanhosos da Ásia, onde pequeno grupo descobre civilização subterrânea, que vive segundo preceitos da deusa Ishtar. O roteiro passa diversos minutos tentando estabelecer mitologia própria, num mambo-jambo sobre dilúvios, arcas e outras crendices.
Inexplicavelmente, essa civilização consegue produzir tecidos, material pra instrumentos musicais, embora esteja fadada a comer ratos e cogumelos. Eles se assustam com a lanterna dos visitantes da superfície, mas quando gigantesca porta se abre e descomunal facho luminoso ilumina donzelas a caminho do sacrifício, elas sequer franzem os lindos rostos. Essas coisas, claro, não tem a menor importância, afinal, são esses absurdos que nos motivam a aguentar esse tipo de filme. E tá cheio do tolice e roupa de monstro mal feita.
Falando em monstro, o tal povo-toupeira do título é uma comunidade mais intraterrestre ainda, dominada pela tal civilização sumeriana, que é albina e teocrática. Faz sentido serem despigmentados se não há sol lá embaixo (mas há uma claridade vinda das rochas ou algo assim), mas nem todos são e os pigmentados são inferiores e serviçais da elite albina. Guardas albinos (mal maquiados pra burro) chibatam as pobres toupeiras, mas claro que a situação mudará, afinal, chegaram heróis da superfície.
Só não se sabe pra quê, porque no final... bem, assista, mas saiba que rumores dão conta que aquele desfecho foi imposto pelo estúdio pra não estimular uniões inter-raciais, naquele momento proibidas em alguns estados norte-americanos.

terça-feira, 10 de março de 2020

TELINHA QUENTE 398

Crimes brutais na fronteira entre a Alemanha e a Áustria colocam dois detetives em busca de um assassino em série.

segunda-feira, 9 de março de 2020

CAIXA DE MÚSICA 405



Roberto Rillo Bíscaro

O quinteto mineiro Carpiah mantém a tradição do rock rural da década de 70.

sexta-feira, 6 de março de 2020

PAPIRO VIRTUAL 158


Roberto Rillo Bíscaro

Na Índia colonizada pelos britânicos, em 1919, o Capitão Wyndham e o Sargento Surrender-Not investigam a morte de um alto funcionário da coroa imperial. Terrorismo? Vingança pessoal? Romance policial histórico de estreia de Abir Mukherjee. 

quinta-feira, 5 de março de 2020

TELONA QUENTE 324

Roberto Rillo Bíscaro

No feriado de Natal, pessoas começam a morrer numa república estudantil feminina. Um filme de horror feminista.

terça-feira, 3 de março de 2020

TELINHA QUENTE 397

Nos anos 1920, quando o sucessor da família Sormani chega de Paris depois de receber uma carta misteriosa, as revelações sobre segredos mantidos por décadas vão alterar os destinos da família para sempre.

segunda-feira, 2 de março de 2020

TEATRO ALBINO EM ANGOLA


Grupo Excesso de Cor estreia "Ingratidão"

Encenada pelo director de teatro Walter Cristóvão e produzida pelo projecto Cena Livre Teatro, a obra inspira-se na história de jovens albinos que enfrentaram diferentes situações de estigma.

Pretende-se com o trabalho, de acordo com Walter Cristóvão, combater o preconceito racial e facilitar a inclusão dos albinos na sociedade.

Trata-se, na verdade, de um grupo social bastante marginalizado em alguns países de África, no geral, e em algumas zonas de Angola, em particular.

Dados das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde (OMS) referem que um em cada 18 mil cidadãos no mundo tem um tipo de albinismo, taxa que, nalgumas regiões de África, pode ser de um para cada mil e 500.

É também no continente africano onde a discriminação e a perseguição aos albinos são mais acentuadas, atingindo, muitas vezes, níveis macabros.

Em Angola, as autoridades oficiais ainda não dispôs de estatística real para precisar o número de cidadãos albinos espalhados pelo país.

"O projecto é contra todos os que maltratam pessoas albinas, desde os familiares até aos agentes empregadores e as pessoas nas ruas ou táxi", expressou Walter Cristóvão, que disse pretenderem mudar a consciência das pessoas em relação ao albinismo.

Para tal, o encenador disse ter optado pela inclusão exclusiva de actores albinos.

"Antes de escrever a obra, tive uma espécie de terapia com eles. São sete e cada um contou-me a sua história. Fiquei mais sensibilizado", sustentou.

É pretensão do projecto Cena Livre Teatro apresentar a peça noutras localidades fora de Luanda, como as províncias do Huambo, de Benguela e Malanje, onde prevê promover uma temporada entre Maio e Julho, para exibir o trabalho uma vez por semana.

Para mais informações sobre o assunto, acesse os links:



CAIXA DE MÚSICA 404


Roberto Rillo Bíscaro

O álbum de estreia da banda grega Chain Cult é vibrante cavalgada pós-punk/hardcore, apropriadíssima para fãs e órfãos dos anos 80..

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

PAPIRO VIRTUAL 157


Roberto Rillo Bíscaro

A escritora britânica homenageia e adiciona possibilidades ao clássico A Outra Volta do Parafuso, de Henry James. Em uma remota mansão na Escócia, uma babá tem sua sanidade mental desequilibrada pouco a pouco. São as crianças? Seriam fantasmas? Ou?...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

TELONA QUENTE 323


Numa fazenda isolada, William realiza o seu trabalho. Ele dá um fim nos cadáveres trazidos por gangues locais. Sua filha Gloria já está acostumada a ver gente morta mas acredita que a casa está assombrada por alguns deles. Tudo muda quando William encontra uma moça viva.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

TELINHA QUENTE 396

Roberto Rillo Bíscaro

Depois de ano desaparecida, Alice Webster reaparece e inicia-se um drama policial complexo, desenvolvido em mais de um local e tempo.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 403


Roberto Rillo Bíscaro

Em seu segundo álbum, a britânica apresenta boas melodias, emolduradas em sons eletrônicos provenientes do eletropop, house, techno e synthpop.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

CONTANDO A VIDA 300

QUAL O VERBO DO CARNAVAL: BRINCAR, PULAR OU DESFILAR? 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Para Carl Schmertmann 

Na velocidade dos acontecimentos, na vertigem das comunicações aceleradas pelos avanços eletrônicos, as ciências humanas têm exercitado um verbo transitivo que poderia parecer doido até pouco tempo: “ressignificar”. Pois bem, vou tentar dar novo significado para uma antiga discussão: o papel do carnaval dividido entre a alegria e o julgamento político. Antes do bla-bla-bla acadêmico, preciso dizer que mandei o artigo “A VERDADE VOS FARÁ LIVRE: e então é carnaval, eh?!” para uma lista de ex-alunos estrangeiros. Para encurtar a longa história, trata-se de uma turma de então jovens norte-americanos, estudantes na USP há 40 anos. Imagine... Foi postar o texto e uma pergunta repontar instigante “JC, você quer dizer que o tom do Carnaval mudou?”, E sagaz, não satisfeito, prosseguiu “A crítica social e política continua (por ex. no enredo da Mangueira), mas o bom humor, os comentários irreverentes, e um certo espírito comunal já passaram?”. E me crucificou com um fatal “É isto?”. Gelei... Gelei, mas depois de ruminar ideias, ajustar teorias, me vi pronto para responder. E não poderia ser por whatsapp... 

As duas propostas mais vigorosas em termos de interpretação cultural do nosso carnaval remetem ao significado implícito do evento no calendário. Lembremos com Jorge Amado que somos assinalados como o “País do carnaval” (o “cacau” e o “suor” vêm depois). E convém lembrar que a relevância da festa no calendário nacional independe das possíveis origens, da estrutura festiva, das variedades de manifestações. Roberto DaMatta é o mais popular tradutor da visão dos dias momescos como o inverso do cotidiano. Renato Ortiz valoriza o avesso disto, professando que, pelo contrário, o carnaval reafirma o cotidiano, não desmente nada. No primeiro caso, a permissão, a licença irreverente, a picardia têm todo espaço para exercer a função crítica, livre e democrática, sem censura. Sob outra chave, o alvará analítico de Ortiz desafia situações e fatos sem que, contudo, deixem de existir as instituições que autorizam tais fórmulas. Para DaMatta cria-se um espaço de absoluto livre-arbítrio, onde o não limite é o limite das coisas. Ortiz, muito mais severo, demonstra que o Estado continua existindo, as instituições de controle e atendimento também (policiamento, hospitais, meios de transportes, turismo...). Então, delineadas as matrizes problematizadoras da relevância sóciocultural da programação carnavalesca, resta perguntar, mas e daí? Crítica ou irreverência; gozação ou teor político? Certamente não vale empatar o jogo e cair na simplificação “ah, os dois” ou “no Brasil tudo pode”. 

O famoso jeitinho (outra vez Roberto DaMatta) é saída fácil e até histórica. Quando não nos damos o direito de profundidade abrimos a comporta do vale tudo ou do tudo junto e misturado. Pensando na responsabilidade de uma resposta algo mais rigorosa, levando em conta o momento político que atravessamos, optei por hierarquizar os argumentos. Para mim, em primeiro lugar, independentemente da irreverência inerente às manifestações de rua (portanto aos blocos que se multiplicam espantosamente), as Escolas de Samba têm assumido o tal tom crítico, político, ácido e eficaz em sua abrangência. Vive-se um pouco um jogo de atacado e varejo. No geral, no atacado, para significar o Carnaval em sua legitimidade brasileira é o enredo das Escolas de Samba que vale mais, que manda o recado, que diz o que quer dizer. No fanfarrão, na alegria isolada do varejo, sem se constituir em proposta organizada, previamente articulada e com enredo, são os cordões, as bandas, os corsos dão conta e se bastam. 

Interessa neste ponto considerar o uso corriqueiro dos termos “brincar carnaval”, “pular carnaval” e “desfilar em Escola de samba”. Veja que não são sinônimos. Não!... Brincar, se brinca em blocos, nas ruas, sem muito ordenamento ou pontos a serem somados em concursos, julgados por jurado especializado e em tempo regulado. Pular, se pula em salões fechados, em clubes e com controle institucional apenas. Desfilar, ah desfilar... Desfilar é em Escola de samba, com enredo escolhido e planejado ao longo de meses, com investimento de cartolas, carnavalescos profissionais. E aqui vale a porosidade cívica que se traveste de deboche para dizer o que tem que ser dito e, tomando o Rio de Janeiro como padrão, mostrado mundialmente. 

Pode-se pular ou brincar o carnaval, mas em termos de saliência e pertencimento comunal, é a Escola de samba que dá o tom. Viva a Mangueira manda o recado “A VERDADE VOS FARÁ LIVRE”.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

TELONA QUENTE 322


Neste faroeste clássico, um ex-pistoleiro determinado a evitar confusão enfrenta barões do gado que ameaçam um grupo de pequenos produtores rurais.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

TELINHA QUENTE 395


Roberto Rillo Bíscaro

Na Austrália dos anos 1950, a chegada de Sarah Adams mudará para sempre a poderosa família Bligh.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 402


Roberto Rillo Bíscaro

O veterano Marc Almond reaparece com linda coleção de canções cheias de temas "góticos".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

PAPIRO VIRTUAL 156


Roberto Rilo Bíscaro 

Nile Rodgers compôs e produziu canções e discos que transformaram a música pop e estão entre os maiores sucessos de todos os tempos. Le Freak narra a incrível história de como um dos grandes gênios do pop transformou sua vida dramática - de garoto negro, magricelo e asmático nascido no gueto - na brilhante e alegre playlist de várias gerações.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

TELONA QUENTE 321

Roberto Rillo Bíscaro

Quando O Planeta Proibido completou 50 anos, em 2006, a edição comemorativa em DVD foi tão laudatória que trouxe de brinde o documentário Watch the Skies!: Science Fiction, the 1950’s and Us, onde Steven Spielberg, George Lucas, Ridley Scott e James Cameron contam como a produção sci fi cinquentista informa seus trabalhos. Sem exagero, Forbidden Planet talvez seja o ápice da ficção-científica filmada na década e merece ser visto mesmo hoje.
Produzido com orçamento de quase 2 milhões de dólares, pela MGM, Forbidden Planet (FB) acumula série de “primeiros” e como se isso não fosse suficiente pra garantir-lhe os selos de “filme merecedor de preservação” e “dez mais entre os filmes de filme de ficção-científica de todos os tempos”, pelo American Film Institute, a película é inteligente e literalmente shakespeariana.
Trata-se do primeiro filme a sair de nosso manjado sistema-solar, mais especificamente dos já então batidos Marte, Lua e Vênus. Em FB, a missão viaja além da velocidade da luz num disco-voador ao planeta Altair IV, pra descobrir o que houve com expedição terráquea enviada há duas décadas. Isso no século XXIII e ao som de música eletrônica.
Uma das contradições mais engraçadas dos filmes de exploração espacial cinquentistas é a pretendida modernidade das tramas, vestuários e cenários em contraposição com a caretice da trilha-sonora, exatamente igual à executada nas rádios da época. FB contratou casal nova-iorquino que experimentava com sons eletrônicos e o resultado é vanguarda total, instigante até hoje. Anos antes da invenção do Moog, Louis & Bebe Barron inventaram trilha que influenciaria toda uma geração de músicos eletrônicos e progressivos.

Em Altair IV, os astronautas descobrem que restara apenas o Dr. Edward Morbius e sua bela e ingênua filha, Altaira. Um ser invisível matara toda a expedição. Para explicar isso, o roteiro inteligentemente amarra o Shakespeare d’A Tempestade à popificação das teorias freudianas, de id e subconsciente.
É tanta geração de influência, que hoje muitos perdem a referência pop que o robô do Perdidos no Espaço original é reciclado de Robby, the Robot, por si só um “primeiro”. Nunca um autômato fora tão autônomo.
Forbidden Planet tem efeitos especiais envolvendo animação, de primeira pra época e foi lançado em CinemaScope. Hoje isso não significa nada a não ser uma palavra, mas nos anos 50 a introdução dessa tecnologia alargou – e muito – as telas das casas de exibição.
Concessões tiveram que ser feitas, como personagem-alívio cômico (ela se ferra, hihihi: me irritam essas personagens) e aquelas capas que nada têm a ver pra chamar atenção. O negro robô carrega a mocinha alva. Isso era recorrente nos 50s e 60’s pra conferir mais noção de perigo ao filme. Não só não acontece isso, como essa constante repetição de criaturas escuras ameaçando mocinhas branquíssimas, é fetiche racista.
Mesmo que meio lento pra hoje e com um segundo ato comprometido pela boboquice de Altaira – mas eram os 50’s, mulheres eram tratadas assim mesmo – Forbidden Planet não pode ser olvidado por qualquer um que se diga sério fã de ficção-científica ou música eletrônica/progressiva. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

CONTANDO A VIDA 299

A VERDADE VOS FARÁ LIVRE: e então é carnaval, eh?! 


José Carlos Sebe Bom Meihy 

Nossa!... nem vi o tempo passar. Ainda ontem era Natal, depois veio o Ano Novo, dia de Reis e o calendário já pontifica os dias de carnaval. Meu Deus, o que aconteceu com os marcadores do tempo? Aceleraram demais, perderam o controle? Ou eu que desaprendi que uma coisa vem depois da outra, que as datas se sucedem obedecendo a rituais diferentes? É tanta coisa que começo a me confundir, a misturar tudo e não saber mais onde guardei a máscara de “antigos carnavais”. 

Lembro-me dos tempos em que pelas ondas do rádio as marchinhas irreverentes se sucediam e por concursos elegíamos a melhor do ano; e a briga para saber quem seria a rainha do carnaval movimentava opiniões. João Roberto Kelly se superava nas irreverências alongando a presença de tantos como Ary Barroso. Como o mundo ainda era redondo (ah, os terraplanistas!) nos giros do globo, a Globeleza sem roupa brilhava nas telas com vinhetas das escolas de samba. Sabia-se que a folia estava próxima e era contagiante. Como tudo mudou! Sabe, me vem a cabeça triste profecia de Carlos Lyra em parceria com Vinícius de Moraes: “acabou nosso carnaval/ ninguém ouve cantar canções/ ninguém passa mais brincando feliz/ e nos corações/ saudades e cinzas foi o que restou”. Pior mesmo, é a continuidade fatalista desta “Marcha da quarta-feira de cinzas”: “pelas ruas o que se vê/ é uma gente que nem se vê/ que nem se sorri/ se beija e se abraça/ e sai caminhando/ dançando e cantando cantigas de amor”. Triste, né?... 

Mas se fosse questionado sobre o que mais me abate na consideração sobre este nosso carnaval de 2020, não titubearia em responder que é a falência do humor. Independentemente das origens variadas da celebração momística (africana, indígena, europeia, ou todas juntas), o abraço do humor com a graça é o que mais me acabrunha. Carnaval é/era irreverência pura e a permissão de homem se vestir de mulher e vice-versa, de pobre virar rico (“rei, pirata ou jardineira” como queriam Vinícius e Jobim) dimensionava picardia engraçada. E então tínhamos “nega maluca”, “índio quer apito”, “touradas em Madri” “o rala, rala, rala, coitado do Abdala”, “Maria sapatão”, e éramos mais felizes na irreverência que não ofendia e fazia rir. No reino de permissão (não permissividade) o devaneio da liberdade vestia a fantasia do possível e todos brincavam (“brincar carnaval”, lindo não?!). O quê e como tudo mudou? Tenho um palpite: a falsa moralidade, aquela que não permite mais o “teu cabelo não nega” ou a “mulata bossa-nova”. É claro que professo todas as causas feministas, as orientações sexuais, o respeito a todos cultos, sem dúvida alguma, mas peço licença para manter o pressuposto da pândega carnavalesca, da sátira democrática, irreverente, provocativa. E é exatamente nesta bifurcação moral que atua o azedo dos detratores da alegria picante. A sátira é essencial no tempo do carnaval, é a alma da folia, é graça. Sem este entendimento fundamental, as velhas autorizações para humanizar deuses e orixás correm o risco da censura. Censura burra, hipócrita, ridícula e agressiva. E penso nas batinas irreverentes de padres; nos hábitos provocantes de freiras lascivas, nos turbantes de aiatolás e nas vestes de rabinos. E saúdo o humor do Bloco da Carmelitas e entoo feliz da vida “Alá, meu bom Alá” (Lamartine), e junto festejo os trajes de anjos e diabos, tudo numa brincadeira que pretende inverter o duro cotidiano tão cheio de regras de moralismo falso, patriotices tolas, zangas politiqueiras. 

Virando a chave da crítica, devo reverenciar o samba da Estação Primeira de Mangueira que, aliás, retoma o teor crítico inerente ao carnaval e sob o título “A verdade vos fará livre”, na composição de Luiz Carlos Máximo / Manu da Cuíca, legitima o ensinamento cristão. Evocando passagens bíblicas diz a letra elaborada: “Senhor, tenha piedade/ Olhai para a terra/ Veja quanta maldade” e progride “Mangueira/ Samba, teu samba é uma reza/ Pela força que ele tem” e desdobra “Mangueira vão te inventar mil pecados/ mas eu estou do seu lado/ e do lado do samba também”. Talvez o que fira a visão medíocre de críticos é a identificação com o Cristo popular de “rosto negro, sangue índio, corpo de mulher/ moleque pelintra no buraco quente”, isto para concluir um “Jesus da Gente” com perfil legítimo e biografia de excluído “nasci de peito aberto, de punho cerrado/ meu pai carpinteiro, desempregado/ minha mãe é Maria das Dores Brasil”. Sem subterfúgio, num desafio explícito o samba-oração continua “favela, pega a visão/ não tem futuro sem partilha/ Nem messias de arma na mão”. 

Aposto na Estação Primeira, na Mangueira querida. Satírica, mordaz, picante, explicando a carência da alegria pândega, ela permite retomar o princípio ditado por Vinícius e Carlinhos Lyra “E no entanto é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade”... Alegrar a cidade e calar a boca de fieis à opressão, ao mau humor e à ignorância.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 401

Roberto Rillo Bíscaro

O músico sírio Omar Souleyman usa instrumentos tradicionais para fazer dabke delirantemente dançante.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

A PERCEPÇÃO ALBINA DE ANDREZA AGUIDA

Albina, artista faz de sua autoimagem uma forma de ativismo

A artista e modelo Andreza Aguida apresenta, nesta quinta, 6, no Sesc Rio Preto, a performance '....percebendo...'



A performance é a plataforma da artista e modelo Andreza Aguida, de São Paulo, para incitar reflexões sobre a diversidade dos corpos humanos, buscando, sobretudo, romper com estereótipos e preconceitos que marginalizam pessoas que não se encaixam nos padrões físicos impostos por diferentes instâncias da sociedade. Mulher, albina e pessoa com baixa visão, ela transcende aquilo que muitos julgam ser uma limitação, fazendo de sua autoimagem uma forma potente de ativismo.

"Acho que estamos evoluindo [para uma sociedade que não julga os corpos]. No entanto, mesmo na moda, em que tive uma trajetória que me levou para a São Paulo Fashion Week, para a Casa de Criadores e para um desfile de Ronaldo Fraga [estilista mineiros que evidencia a diversidade dos corpos nas apresentações de suas coleções], a beleza ainda é algo almejado; não se aceita imperfeições. São questões que nos levam a crer que a palavra 'inclusão' não é totalmente compreendida", comenta Andreza, que apresenta, nesta quinta-feira, 6, no Sesc Rio Preto, a performance "...percebendo...", dentro da programação do projeto Corpos Dissidentes, que busca justamente criar um espaço de discussão sobre as várias formas de configuração dos corpos.

Obra que marcou o seu ingresso no universo performático, em 2013, após abandonar a carreira na área de Engenharia Elétrica - em que sentiu na pele mais o preconceito por ser mulher do que por ser albina -, "...percebendo..." é uma performance inspirada no fluxo das pessoas com deficiência visual por estruturas arquitetônicas de diferentes espaços, sejam eles abertos ou fechados. A artista busca por meio dessa criação questionar o que realmente dá acesso e o que limita quando o sentido da visão é privilegiado.

"...percebendo..." é fruto das inquietações de uma mulher com baixa visão que frequenta diversos espaços públicos, evidenciando a importância da construção de espaços acessíveis para a uma integração verdadeiramente inclusiva em sociedade, independentemente das diferenças existentes entre seus cidadãos.

Andreza é uma pessoa com "albinismo óculo-cutâneo tirosinase negativo" (tipo I), identificado pela sigla OCA1, uma condição genética que faz com que o organismo seja incapaz de produzir uma proteína chamada de melanina. Ela pode se manifestar na pele, cabelos e/ou retina. Sem a melanina, a pele fica branca (alva) - daí surge o nome dado a essa condição. Sendo assim, a falta de pigmentação na retina faz com que o olho fique extremamente sensível à claridade (fotofobia), ocasionando a baixa visão, também conhecida como visão subnormal (VSN). O indivíduo fica capaz de identificar as imagens globais, porém os detalhes à distância passam despercebidos pelos olhos e a percepção de profundidade também é perdida.

Desde quando deixou a profissão de engenheira elétrica, ingressando no curso de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP), Andreza mantém diálogo com diferentes linguagens artísticas - entre elas o audiovisual, a música, o canto (ao qual ela se dedica há cerca de 15 anos) e a dança. Também se tornou uma figura que dá voz para a comunidade albina brasileira - ela foi a criadora do grupo "Albinos do Brasil" no extinto Orkut, mídia social em que encontrou, em 2004, inúmeros grupos que destilavam seu desprezo a pessoas com esse tipo de condição genética.

Para ela, a inclusão é um ideal ainda a ser atingido, pois nem todas as pessoas têm a sensação de pertencer aos espaços. E é justamente esse ideal que ela busca com suas criações artísticas.

Outras atividades

A programação do projeto Corpos Dissidentes ainda prevê para esta quinta, 6, a realização do bate-papo "Belezas em Divergência", que, além de Andreza, terá a participação da fotógrafa e viodemaker Marcela Guimarães e da modelo e blogueira Rebeca Costa, uma das representantes do movimento brasileiro de pessoas com nanismo. 

Nesta roda de conversa, as convidadas vão refletir sobre a beleza e o padrão normalizado a partir de questões de acessibilidade e diversidade na arquitetura, moda e estética, além de circulação e veiculação de imagens de corpos dissidentes na publicidade.

A programação ainda é marcada pela intervenção "Uma Foto Para Todo Corpo", com Bruna Ferreira, fotógrafa de retratos femininos que exploram um olhar mais generoso e carinhoso sob o corpo da mulher. A partir da vivência da fotografia, ela propõe um trabalho com questões do corpo, celebra histórias e inicia um processo de autoconhecimento.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

TELONA QUENTE 320



Depois de cancelar a viagem de seus sonhos à Califórnia, uma adolescente ingênua tem de enfrentar a dura realidade da adolescência e a doença do tio a quem adora.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

CONTANDO A VIDA 298


50 TONS DE AMIZADE. 


José Carlos Sebe Bom Meihy 

Sempre me encantei com o sentido da amizade em nossas vidas. Pensando nisto, com curiosidade aguçada retomei o estudo da barcelonesa Natàlia Cantó, pesquisadora do comportamento, com ênfase em cuidados afeitos às emoções no mundo contemporâneo, em particular nas sociedades industriais. Instruída por investidas sobre relacionamentos, diz a socióloga que “depois dos 30 anos torna-se muito mais difícil fazer amigos”. O fundamento desta condição remete aos comprometimentos que assumimos com a maturidade: casamentos, filhos, trabalho. Sob esta perspectiva, o tempo disponível torna-se fator fundamental para a limitação do convívio e trocas que, segundo Cantó, “fica reservado ao cumprimento de deveres e tarefas da vida ordinária”. Atribuindo, portanto, às circunstâncias inerentes aos papeis sociais que temos que gerenciar, as soluções de doação de si ficam sujeitas a alguns fatores que antes da maturidade seriam mais soltos, menos dependentes de “necessidades práticas”. 

A relação do tempo com a amizade é pendência antiga, com raízes na antiguidade clássica. Aristóteles foi pioneiro ao vincular fases da vida com este sentimento por ele definido como “a forma mais satisfatória de convivência”. Garantindo substância instintiva, Aristóteles elevou a amizade a uma sofisticação que a qualifica “acima de qualquer outra manifestação”. Fundamentando o elogio ao convívio afável e civilizado, diz Aristóteles que “como animais sociais” que somos, torna-se inerente à condição humana desenvolver sentimentos de reciprocidade afetiva formulados por meio de pactos não necessariamente explícitos. No livro “Ética de Nicômaco” são delineadas três fases desse relacionamento incondicional. Na infância dá-se a busca natural de convívio que se realiza espontaneamente na vizinhança, escola, clubes. Numa segunda etapa, mais seletiva, na adolescência, o filtro é triado por escolhas afins, pela gostosura do convívio e, finalmente, na maturidade, pela consciência, respeito, conferência de mutualidades. 

De modo geral, as correntes filosóficas dedicam menções ao tema “amizade”, mas ninguém superou Voltaire ao dizer que “todas as grandezas do mundo não valem um bom amigo”. Por certo, há detratores e entre esses, nenhum é mais negativo que Freud ao conceber a amizade como “amor inibido”, portanto, “um sentimento menor”. Britânico, o filósofo Winnicott, porém, rebate implicando o conceito em “reconhecimento da alteridade” e, portanto, “potencializador das melhores virtudes humanas”. 

Tendo o plantel de definições e juizos filosóficos abalizados, joguei minha sonda pessoal no sentido analítico da amizade em minha própria experiência. Depois de garantir que sim, de reconhecer que posso me dizer alguém que tem amigos, declinei alguns temas desafiadores: mas amigos não se hierarquizam? Pensando a questão de outra forma formulei: todos os amigos ocupam o mesmo nível de consideração? Pronto, bastou isto para me sentir na selva de escolhas qualificativas. Logo me veio à mente a lindíssima canção composta por Renato Teixeira e Dominguinhos “amizade sincera” (amizade sincera é um santo remédio/ É um abrigo seguro/ É natural da amizade/ O abraço, o aperto de mão, o sorriso...). E foi exatamente este o ponto de partida para emprestar o mote desta reflexão: 50 tons de amizade. E então, no espelho de minha perplexidade me perguntei: existe amizade que não seja sincera? Bastou isto para desabrochar outra série de variações: há “mehor amigo”, “amigo virtual”, “primeiro amigo”, “amizade colorida”, enfim... 

Foi assim que ampliou o quilate do livro da inglesa Erika Leonard James “50 tons de cinza”. Mesmo sem ter lido o livro ou visto os filmes me permiti pensar na meia centena de possibilidades de enquadramento de amigos. Mas, me exigi certo rigor, não fui tão impulsivo e cheguei ao ponto de estabelecer critérios para julgamentos. Reconheci que a base de tudo é o afeto, admiti que amizade decorre de um ato voluntário e recíproco, e que é possível ter amigos acima de diferenças de gênero (tenho muitas amigas), de credo, raças e até de ideologia (aliás...). Elogiar a amizade, contudo, me pareceu saudável nesta altura da vida, pois inscrito no conceito de terceira idade, me permito repetir com Aristóteles que “sem amigos ninguém escolheria viver, mesmo que tivesse todos os outros bens”. Verdade, tenho ombros amigos quando preciso chorar. E olhe que tenho chorado muito. E mais consigo agora, ao mesmo tempo, ter amigos como na infância, adolescência e maturidade. Tudo ao mesmo tempo, ainda que em tons diferentes.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

TELINHA QUENTE 394


Roberto Rillo Bíscaro 


Considerado um dos primeiros romances de investigação policial, A Mulher de Branco ganhou movimentada adaptação na TV britânica.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 400

Roberto Rillo Bíscaro

O terceiro álbum apara as arestas mais cortantes da minimal wave com gosto de pós=punk, de Chris Stewart.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

PESTANAS ALBINAS

Esta Marca de Beleza Criou Pestanas Falsas Especialmente Para Mulheres Albinas
A Ivoree Beauty procura responder às necessidades de pessoas com esta rara condição de pele.

Rihanna pode ter aberto o caminho para uma maior representatividade na indústria da beleza, quando lançou a Fenty Beauty – e um espetro de tonalidades de base nunca antes visto -, mas não é a única a dar passos nesta direção. Jennifer Rhodes, a americana que se auto-intitula de primeira influencer albina, criou a Ivoree Beauty, uma marca que procura responder às necessidades de mulheres que sofrem da mesma condição de pele que esta.

Unindo a sua vontade de ajudar pessoas com esta rara condição e o amor por maquilhagem, Rhodes, também conhecida por J. Renée, desenvolveu uma linha de pestanas falsas, pensadas especialmente para mulheres com albinismo.

«Ao longo dos anos, muitos seguidores com albinismo, assim como modelos e atrizes, que têm de estar à frente da câmara, fizeram-me questões relativamente a extensões de pestanas loiras e brancas. Temos bastante dificuldade em encontrar produtos que correspondam à nossa cor natural. Por isso, passei o último ano a procurar uma forma de inverter isto e a torna-lo realidade através da minha nova marca, Ivoree Bauty», conta nas redes sociais. De momento, existem apenas em dois tons: umas loiras, as Blondee, e outras brancas, as Icee.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

PAPIRO VIRTUAL 155


Roberto Rillo Bíscaro

As duas primeiras aventuras do atormentado jornalista Henning Juul, que resolve crimes na capital da Noruega.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

CONTANDO A VIDA 297

NOSSO MEDO DE CADA DIA: fobias e silêncios.

José Carlos Sebe Bom Meihy

Fiquei muito curioso. Vi uma cena de divulgação de nova novela televisiva na qual uma personagem urbana, a contragosto reclusa numa fazenda, apavorada, corre de medo de uma galinha (alectrofobia). Que, coisa estranha, pensei. Será que isto existe mesmo? Foi quando então declinei alguns pânicos mais identificáveis na população em geral, como asco de: barata (catsaridafobia), cobra (ofidiofobia), aranha (aracnofobia), baleia (cetafobia). Alguns temores são ambíguos e polarizados na chave da cultura como o avesso da paixão por cachorros (cinodobia), e, imaginem, fiquei espantado ao saber que Hitler e Napoleão tinham aversão a gatos (ailurofobia). Exagerados, ampliando o leque, existem os que são “zoofóbicos”, pessoas que temem todos os animais.

Há casos mais graves como aqueles que se apavoram frente aos gordos (cacomorfobia), ou entram em desespero ao perceber roupas com botões ou abotoadas (koumpounophobia). Confesso que não sabia de medo de coisas pequenas (microfobia), e não desconfiava que objetos ou espaços grandes aturdiam (macrofobia). Estava envolvido no entendimento de tais pânicos, quando me permiti pensar numa ladainha pessoal. Parti do suposto que há profundidades insondáveis nessas manifestações. Talvez – de maneira clemente comigo mesmo – tivesse sido muito defensivo ao me vangloriar de não ter medo de altura (aerofobia) como tem 5% da população. Estranhei ter notícias que temor a trovão é mais comum do que supunha, pois acho a tal “tinotrofobia” espetacular. Pareceu-me esquisito a “monofobia”, ou medo de ficar, comer, se alimentar ou beber sozinho. Senti-me aberração ao notar que existe a “antropofobia” que também é conhecida como “demofobia”, ou seja, medo de multidões, ah! gosto muito de estar em estádios de futebol, na assistência de escolas de samba, de ver o público denso saindo de metrôs.

Nunca padeci da tal “cacorrafiofobia”, ou medo do sucesso, até pelo contrário sem exagero, gosto de ser reconhecido pelo meu trabalho. E tenho outros contrastes, pois sempre gostei de pássaros oposto a tantos que são “ornitofóbicos”, seres que nem podem pensar em asas, penas, bichos que voam. Talvez por ser do signo de peixes, também não me conformo com quantos temem água (aquafobia), e nem mesmo com “gefirobóbicos”, pessoas que têm temor a pontes. Quase tive um ataque quando soube que existem “triscaidecafobia”, ou seja, tipos que têm horror ao número 13, sinceramente, quase gargalhei ao lembrar que nos Estados Unidos os elevadores não tem o tal número azarado. É possível que muitas pessoas também custem a acreditar que existam pessoas que padecem de “hipopotomonstrosesquipedaliofobia”, ou seja, medo de palavras longas demais. Fiquei exultante ao saber que não sou “nictofóbico”, não tenho aversão a escuro e nem sou “agrorafóbico”, ou seja, quem tem aversão a espaços abertos. Aliás, o reverso disto é “claustofobia”, ou temor a espaços pequenos e apertados como elevadores e locais fechados. Acho, diga-se que “misofobia”, pavor de bactérias e germes – as tais pessoas que exageram muito na higiene pessoal. “Tripofobia”, ou seja, medo de buracos me afigura excêntrico, mas bastante comum e nem podem ouvir a palavra precipício. Na mesma linha devo salientar que tenho conhecidos que são “cancinofóbicos” e que acham que mais cedo ou mais tarde serão vítimas da doença. Reconheço com facilidade a cultura anti “tanafóbica”, avessa à vasta legião dos seres que têm medo da morte. Há graus menores destes receios, como os “tripanófobos” que temem agulhas e também os “hemófibos” que não podem ver sangue. Tudo sugere que ter medo de ser abandonado (autofobia) é mais frequente do que se pensa. Quase não acreditei quando me veio a notícia de “kinemortofobocos”, ou seja, medo de virar Zumbi. De todas as fobias, creio, a mais comentada hoje é “homofobia” e, combinemos, nada mais oportuno para exame de nossa cultura patriarcal e velha. 

Mas, nem pensem que a lista parou por aí. Os dicionários guardam mais de 300 palavras relacionadas a pânicos, ascos, nojos, medos crônicos. Imaginem que existe até um que explica todos, ou seja a “phobophobia”, o rei dos receios, aquele que guarda o conteúdo maior dos pânicos ou o medo de ter medos.

Mas é preciso ir além da curiosidade ou do pitoresco. Cabe pensar nas razões dos temores. É dito pelas linhas psicanalíticas que em muitos casos ter fobias é uma forma defensiva de se arriscar ou se expor aos perigos. Sem dúvidas há verdades nisto, mas o que se estranha é a pouca referência que damos a esses detalhes de nossa vida. Meditando sobre essas coisas, me surpreendi ao questionar pessoas bem próximas e ver que, além dos receios comuns – baratas, cobras, aranhas e escorpiões - não sou único a desconhecer detalhes que são importantes para seres tão próximos. Já que abri esta crônica falando de curiosidades, gastei um tempo considerável supondo as fobias de pessoas que amo. Fui além, me diverti imaginando o que parentes e amigos pensariam das minhas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

TELINHA QUENTE 393

Roberto Rillo Bíscaro

Adaptação do clássico romance de E. M. Forster, sobre o difícil relacionamento entre classes sociais na Inglaterra eduardiana.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 399


Roberto Rillo Bíscaro

A dupla britânica se mantém relevante e criativa, mesmo após décadas de carreira.

AS ALBINAS DO CAZAQUISTÃO

Irmãs albinas com 12 anos de diferença fazem ensaio estonteante


Você conhece o Cazaquistão? Muita gente provavelmente sequer lembrava da existência desse país tradicionalíssimo que fica entre a Mongólia e o Mar Cáspio, mas hoje falaremos sobre uma modelo cazaque que tem quebrado padrões com sua beleza estonteante.

Asel Kalaganova tem 14 anos e é albina. Ela já começou sua carreira de modelo pelo Cazaquistão, mas conquistou as redes sociais com um ensaio com sua irmã Kamila Kalaganova, de apenas 2 anos. As irmãs, que nasceram com albinismo, fizeram uma série de fotos que exaltam a beleza do albinismo e que quebram padrões de beleza.

A diferença de 14 anos entre as irmãs foi explorada no ensaio

“Pessoas ficam muito surpresas ao saberem que nós somos albinas. Muita gente sequer faz ideia do que é albinismo”, afirmou Asel ao jornal britânico The Daily Mail.

O albinismo se caracteriza como uma desordem genética em que a pessoa não produz melanina, pigmento que dá cor à pele. Dessa maneira, a pele e os pelos do albino não possuem pigmentação, sendo extremamente claros.

Asel combina os traços cazaques com o albinismo

“Quando eu dei a luz ao meu mais velho, a genética não era um dos nossos maiores conhecimentos. Agora entendemos melhor. [Quando ela nasceu] os médicos ficaram chocados, e eu comecei a acreditar que ela fosse russa. Depois, comecei a ler sobre o assunto e descobri que minhas filhas são albinas”, afirmou a mãe de Asel e Kamila em entrevista ao site Bored Panda.

A prevalência do albinismo varia entre 1 para cada 3 mil e 1 para 20 mil pessoas. A raridade da condição, no entanto, não é um limite para a sua beleza, que vem cada vez mais ganhando as passarelas e sendo aceita como uma alternativa ao padrão.

Confira as fotos do ensaio de Asel e Kamila: