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domingo, 18 de agosto de 2024

ALBINISMO PRA GAROTADA

Livro infantil usa a música para levar informações sobre albinismo à garotada



O albinismo é uma condição genética hereditária rara que atinge aproximadamente 21 mil brasileiros, conforme estimativa da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps). Embora não tenha cura, com uma abordagem multidisciplinar para tratar os sintomas, como o acompanhamento dermatológico e oftalmológico, essas pessoas garantem qualidade de vida. Os cuidados, no entanto, devem começar desde cedo.


No livro “Maria Clara, a musicista Albina”, que será lançado pela Colli Books Editora, a escritora Isa Colli se propõe a desmistificar o desconhecimento que existe em torno da doença. O título será apresentado ao público no dia 10 de agosto (sábado), às 10h30, em uma conversa virtual com a participação de convidados. Também será uma oportunidade para celebrar o Dia do Estudante, já que na história a protagonista vivencia situações com os amigos da escola, mostrando a importância da inclusão. A transmissão será pelo Facebook da editora @collibooks.


“Espero todos e todas neste bate-papo para refletirmos sobre amizade, solidariedade e empatia com a dor do próximo. A Maria Clara é uma menina fantástica, inteligente, esforçada e, como toda criança, adora brincar e fazer amizades. Como ela tem albinismo, precisa de alguns cuidados, principalmente evitar a exposição ao sol. No entanto, essa condição não a impede de estudar, se divertir e lutar para conquistar seus sonhos, como o de se tornar musicista. Com apoio dos pais, a menina busca o seu espaço. Com esse livro, espero trazer uma mensagem de acolhimento para as famílias que passam por essa situação e, ao mesmo tempo, compartilhar informações sobre o tema”, diz a autora.


Sobre a história


Maria Clara nasceu com albinismo, uma condição que trouxe desafios únicos à pequena. Sua pele, cabelos e olhos extremamente claros demandavam cuidados especiais, mas isso não a impediu de ter uma vida feliz. A jovem enfrenta os obstáculos com determinação, transformando cada desafio em uma oportunidade para crescer.

Dotada de um talento excepcional e um amor profundo pela música desde a infância, a menina mergulhou de cabeça neste universo. Com grande entusiasmo, ela transformou sua paixão em profissão, conquistando sucesso e o carinho do público. Esta história não se limita à abordagem do albinismo, mas sim à jornada emocionante de autodescoberta e crescimento pessoal da personagem através da profissão de musicista.

“Maria Clara, a Musicista Albina” é um convite para todos que enfrentam adversidades a nunca desistirem de seus sonhos.

Para mais informações sobre o livro e a autora, visite o site www.collibooks.com.

Prestação de serviço

Pessoas com albinismo apresentam hipopigmentação, ou seja, a falta de pigmentos que podem causar maior sensibilidade na pele, além de problemas visuais, como a baixa visão. A Atenção Primária à Saúde oferece cuidado integral e preferencial pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos albinos desde o diagnóstico, além de acompanhamento e prevenção de doenças associadas. Informações podem ser obtidas pelo Disque Saúde 136, que funciona 24 horas e a ligação é gratuita. De segunda a sexta-feira, das 7h às 22h, aos sábados e domingos das 8h às 18h, o cidadão pode falar diretamente com um operador.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

PAPIRO VIRTUAL 211 (ESCRITOR DE TERROR ALBINO)




Helder Maia nasceu em Manaus, capital do Amazonas, em 22 de junho de 1971. Mudou-se com os pais para o Estado do Ceará em 1986. É graduado em Letras - Inglês, pela Universidade Federal do Ceará.

Desde criança é fascinado pelo mundo do Cinema, Literatura, Quadrinhos e Séries de TV. Aprecia todos os gêneros narrativos, mas tem especial paixão pelo Terror, o Suspense e a Ficção Científica.

Já roteirizou e dirigiu dois curta-metragens de Terror e escreveu vários contos deste gênero. Contribuiu com resenhas de livros, filmes e séries de TV para o blog Relatório da Situação.

Ele reside em Caucaia, Ceará, com sua esposa.


Fúria Albina
Desde que nasceu com albinismo, Pedro foi vítima de zombarias constantes e das limitações de sua condição. Após uma tragédia familiar, ele acaba morando nas ruas, onde se envolve com o crime organizado, se tornando um matador frio e cruel. Siqueira é um policial próximo a se aposentar que tem como missão pessoal destruir o líder da gangue para a qual Pedro trabalha. Mauro é o líder da quadrilha, um sujeito sem escrúpulos, capaz de tudo para obter sucesso financeiro. Estes três homens irão se confrontar em um desfecho cheio de ação e violência.Fúria Albina é um drama policial rápido e instigante, que mostra como uma pessoa desprezada pela sociedade, apenas por ser difente, pode se tornar uma grande ameaça à mesma. Assim como uma obra que fala de uma minoria ignorada e abandonada pelo Estado.


Abaixo, você encontra links para acessar outras obras de Helder Maia



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

CONTANDO A VIDA 377

 PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MODERNISMO!


José Carlos Sebe Bom Meihy

Pois é, a Semana de Arte Moderna de 1922 é o assunto da vez. Se o tema é festivo para grande parte da audiência interessada em arte e literatura, para outros é desafio que mexe com o bom senso analítico e com a reserva de argumentos críticos. E vou logo abrindo o jogo, pois mesmo sendo cauteloso frente àquele evento, não consigo despregar certa admiração comum aos que só fazem aplaudir a turminha que, de modo diverso da rotina, alardeou o carnaval de 22. Para o bem ou para o mal, reivindicando liderança e prestígio, foram os arrogantes dandies reunidos naquela São Paulo, que se propuseram a acertar os ponteiros do nosso relógio cultural, então descompassado do resto do mundo dito civilizado.

Não resta dúvida que o espalhafatoso barulho em torno dos acontecimentos iniciados no fatídico dia 13 – e repetido dias 15 e 18 – potenciava veneno poderoso contra o passadismo cultural, identificado na tradição parnasiana e na literatura puxada à Coelho Neto ou Olavo Bilac. Sob pauta analítica, porém, cabe jogar luzes em complexidades que convidam definir a partir de quando, onde, e por quanto tempo, vigeu a tal modernidade dos modernistas. E falamos de modernismo ou de modernismos?

Fermentando argumentos, propõe-se estabelecer a diferença entre modernidade e modernismo. Entende-se por modernidade – no caso da cultura brasileira dos inícios do século passado – o processo de atualização das expressões de vida sociocultural, formatado segundo conjeturas hegemônicas, colonizadas no sentido da leitura do mundo no pós-Primeira Guerra Mundial. Modernismo, por sua vez, seria um movimento específico, produção articulada, síntese crítica e teatral do patrimônio herdado, submetido a um programa arbitrário de renovação radical. Dizendo de outra forma, a Semana corresponderia à oficialização dos fundamentos modernizadores sempre em curso, ainda que difusos e sem fundamentação teórica conceitual.

A diferença crucial entre modernismo e modernização decorre da consciência e aplicação de pressuposições estéticas assumidas racionalmente e derivadas de regras sobre a superação de tudo que estava estabelecido como valor artístico. A mera qualificação dessas diferenças suscita três rotas significativas para a compreensão da Semana de Arte Moderna: 1- o recorte paulistano; 2- a espontaneidade do movimento, e 3- a recepção das propostas de pretensões revolucionárias.

O primeiro ponto a ser considerado na definição do espaço modernista remete à sua paulistanidade, ou seja, à centralidade na/da capital do estado. O argumento sustentado pelos defensores da vanguarda paulistana, por certo, vai além dos valores assumidos localmente, condição que consagraria aquele evento como uma espécie de modelo referencial da nossa produção artística. Muito mais que arte, porém, fala-se da liderança política e do poder econômico que a São Paulo dos imigrantes – e da nascente indústria – passava a ter na Federação. Neste sentido, a reputação de moderno caberia como virada de um passado colonizado, agrário, dependente de continuidades vencidas.

Um segundo ponto importante para o entendimento da Semana exige medi-la em sua temporalidade. Se recortados aqueles dias como detonadores do longo processo seguinte autenticar-se-ia a liderança paulistana sobre um andamento corrente – muitos percebem o início em 1917 e como ramificação de atualizações europeias. Seria então a Semana um produto, momento justificado localmente, ou expressão de procedimentos que já vinham acontecendo cá e lá? E será que, no recorte brasileiro, o tempo paulistano daria conta de incluir outros espaços, em particular o Rio de Janeiro, Minas e Pernambuco?

O terceiro argumento significativo implica entender a projeção do Movimento no devir histórico, posto que passadas as consequências estéticas imediatas – o advento dos Manifestos e das Revistas – o que se viu foi a reclusão dos argumentos que apenas refloresceram depois de 1945 com a morte de Mario de Andrade e principalmente durante o regime militar que precisou de uma base nacionalista, e assim buscou inspiração naqueles pressupostos. Mais tarde, descaracterizado de políticas, depurados os personagens escolhidos como baluartes, valorizado o teor festivo/artístico, apenas recentemente a Semana se notabilizou formulando uma pauta vista agora com destaque.

O saldo da reflexão presente, nesta sonora celebração do centenário da Semana de Arte Moderna, convida à retomada histórica do evento e de suas possíveis novas abordagens. Sem incorrer em revisionismos fáceis, o que se busca é a quebra de pressupostos dominantes e valorizar outros ângulos capazes de projetar a Semana como uma oportunidade para a problematização de questões indagadoras do papel, da função e alcance da cultura nos dias de hoje. E fico pensando como ela será vista depois deste seu centenário.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

PAPIRO VIRTUAL 210

José Lins do Rego (José Lins do Rego Cavalcanti) foi romancista e jornalista. Nasceu no Engenho Corredor, Pilar, PB, em 3 de junho de 1901, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de setembro de 1957.

Filho de João do Rego Cavalcanti e de Amélia Lins Cavalcanti, fez os primeiros estudos no Colégio de Itabaiana, PB, no Instituto N. S. do Carmo e no Colégio Diocesano Pio X de João Pessoa. Depois estudou no Colégio Carneiro Leão e Osvaldo Cruz, no Recife. Desde então revelaram-se seus pendores literários. É de 1916, o primeiro contato com O Ateneu, de Raul Pompéia. Em 1918, aos 17 anos, José Lins travou conhecimento com Machado de Assis, através do Dom Casmurro. Desde a infância, já trazia consigo outras raízes, do sangue e da terra, que vinham de seus pais, passando de geração em geração por pessoas ligadas ao mundo rural do Nordeste açucareiro.

Passou a colaborar no Jornal do Recife. Em 1922 fundou o semanário Dom Casmurro. Formou-se em 1923 na Faculdade de Direito do Recife. Durante o curso, ampliou seus contatos com o meio literário pernambucano, tornando-se amigo de José Américo de Almeida, Osório Borba, Luís Delgado e Aníbal Fernandes. Sua amizade com Gilberto Freire, na volta em 1923 de uma temporada de estudos universitários nos Estados Unidos, marcou novas influências no espírito de José Lins, através das ideias novas sobre a formação social brasileira.

Foi nomeado em 1925 promotor em Manhuçu, MG, lá não se demorando. Casado em 1924 com D. Filomena (Naná) Masa Lins do Rego, transferiu-se em 1926 para a capital de Alagoas, onde passou a exercer as funções de fiscal de bancos até 1930 e fiscal de consumo de 1931 a 1935. Em Maceió, tornou-se colaborador do Jornal de Alagoas e passou a fazer parte do grupo de Graciliano Ramos, Raquel de Queirós, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Valdemar Cavalcanti, Aloísio Branco e Carlos Paurílio. Ali publicou o primeiro livro, Menino de engenho (1932), obra que se revelou de importância fundamental na história do moderno romance brasileiro. Além das opiniões elogiosas da crítica, sobretudo de João Ribeiro, o livro mereceu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Em 1933, publicou Doidinho, o segundo livro do “Ciclo da cana-de-açúcar”.

Em 1935, já nomeado fiscal do imposto de consumo, José Lins do Rego transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a residir. Integrando-se plenamente no ambiente carioca, continuou a fazer jornalismo, colaborando em vários periódicos com crônicas diárias. Revelou-se, então, por essa época, a faceta esportiva de sua personalidade. Sofrendo e vivendo as paixões desencadeadas pelo futebol, o esporte de sua predileção, foi grande torcedor do Flamengo. Exerceu o cargo de secretário-geral da Confederação Brasileira de Desportos de 1942 a 1954.

Romancista da decadência dos senhores de engenho, sua obra baseia-se em memórias e reminiscências. Seus romances levantam todo um sistema econômico de origem patriarcal, com o trabalho semiescravo do eito, ao lado de outro aspecto importante da vida nordestina, ou seja, o cangaço e o misticismo. O autor desejaria que a sua obra romanesca fosse dividida: “Ciclo da cana-de-açúcar”: Menino de engenho, Doidinho, Banguê, Fogo morto e Usina; “Ciclo do cangaço, misticismo e seca”: Pedra Bonita e Cangaceiros; “Obras independentes”: a) com ligações nos dois ciclos: O moleque Ricardo, Pureza e Riacho Doce; b) desligadas dos ciclos: Água-mãe e Eurídice.

Recebeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha, pelo romance Menino de engenho (1932); o Prêmio Felipe d’Oliveira, pelo romance Água-mãe (1941), e o Prêmio Fábio Prado, pelo romance Eurídice (1947).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

CONTANDO A VIDA 374

 UMA VIAGEM E TRÊS LIVROS.


José Carlos Sebe Bom Meihy

Para meu filho Pedro.


Como a maioria das pessoas, procurei fazer o melhor que pude durante a pandemia. Obedeci às regras de prevenção, critiquei o governo central, busquei consolar amigos e parentes machucados por perdas. Fiquei muito em casa e busquei aproveitar o tempo para arrumar meus interiores, pessoal ou não. Deixei o lar um brinco, reavaliei meus objetos de adorno e cuidei dos livros como fosse deixá-los prontos para uma exposição. Em termos de agrado pessoal, fiz o que mais gosto: cozinhei bastante, atualizei correspondência, li e escrevi muito. Escrever e ler, aliás, esteve entre as melhores ocupações.

O tempo passou, lento e tenso, mas foi indo. Procurei distrações gerais como consertos domésticos, mas minha tendência mascate fermentava andanças. Procurei não tocar em malas e nem em roupas próprias para saídas. Consegui em parte, ainda que desse escapadelas em buscas pelo Google. Felizmente, o milagre das vacinas se anunciou e os resultados propuseram o que se chamou de “novo normal”. Progressivamente, fui me deixando provocar por viagens mais possíveis a cada dia.

Devo dizer que, em março de 2019, eu tinha passagem comprada exatamente para a China, país que cobiçava conhecer há anos. O adiamento foi obrigatório, ficando, porém, crédito para outras aventuras. Tentei várias que sucessivamente foram canceladas, mas por fim uma deu certo: a travessia do Atlântico, partindo da Espanha. O itinerário me era algo estranho, com destino em Santo Domingo, na República Dominicana. Fazer o caminho de Colombo foi desafiante. Usei a imaginação para pensar no que teria sido o mesmo trajeto cinco séculos atrás, e em condições completamente diversas da que fiz em confortável navio.

Houve, contudo, um acontecimento corriqueiro que me arrebatou mais que outros: a leitura de três livros. Já havia passado pela delícia de ler em pleno mar, mas desta vez experimentei uma espécie de êxtase. Comecei por um texto que já conhecia, a “Filosofia da viagem” escrito por Jelson Oliveira. Trata-se de um périplo sobre o incessante movimento humano. Situado entre os temas menores da filosofia, a reflexão atravessa uma das metáforas mais conhecidas de todos os tempos: a vida como trânsito. Depois de rápida passagem pela história, o autor declina visões de vários autores que vivenciaram a questão dos deslocamentos humanos: Sêneca, Hans Jonas, Descartes, Montaigne, Rousseau, Voltaire, Schopenhauer, Nietzsche, Camus e Derrida... Se pudesse resumir em uma palavra diria que se trata de um livro incrível. Discutindo temas como o estado de espírito para viagens, a busca de surpresas e controle das emoções em trânsito, as reações às despesas e hospedagens, tudo nos convida à compreensão de travessias em sentido histórico. Desde a expulsão do Paraíso, da desavença de Caim e Abel, passando pelos penitentes da Antiguidade e da Idade Média, prezando o significado das Grandes Navegações até a Modernidade turística, tudo se ativa como motor explicativo do estágio atual dos movimentos humanos.

Mal terminei esse, abri-me para outro, igualmente fascinante. Sabe a sensação do “não li, já gostei”? Pois é, foi assim com “O Voyeur” de Gay Talese, o inventor do jornalismo literário. E a história é para quem não teme rasgos moralistas. As aventuras de um personagem, que existe na vida real, garantem o tom de reportagem do premiado autor, que revela um tal senhor Gerald Foos, personagem que, por 25 anos, “observou” o comportamento de hóspedes de um motel no estado do Colorado, cuidando de anotações sobre as atividades sexuais dos frequentadores. Construído um posto de observação secretíssimo, manteve um diário que enviou a Talese então articulista do The New York Times. E que histórias registrou! Todas com boa pitada de pretensão científica, pois dizia-se pesquisador do comportamento humano, porém, com uma variante inexorável: via a intimidade das pessoas sem que elas soubessem. Mas não é só a “sacanagem” que intriga neste livro. Talese retraçou a biografia de Foos, revelando um personagem único e apaixonante.

Deste, passei a um terceiro intitulado “Quase autor”. Depois das leituras anteriores achava que nada superaria meu deleite. Engano cruel. Eis que o texto assinado por John Colapinto me captou desde as primeiras páginas. E como! O livro surpreende o leitor a cada página, tirando o fôlego pela sucessão de fatos incríveis. O relato conta as peripécias de Cal Cunningram, jovem que, pretendendo ser escritor, mudara-se para New York onde dividia apartamento com um colega, Stewart, estranhíssimo estudante de Direito, também obcecado por Literatura. Buscando histórias reais, Cal revelava ao confidente o uso da cidade como uma espécie de laboratório para eventual trama, mas, no entanto, a frustração se lhe abateu depois de dois anos sem conseguir produzir uma página. Foi assim que, um dia, meio por acaso, aproveitou que o companheiro deixara o computador ligado e resolveu mexer em seus escritos, e eis a grande revelação: Stewart redigira excelente romance, contando as loucuras sexuais que ele, Carlo, lhe confidenciava. Não bastasse, por coincidência, Stewart morre atropelado naquele mesmo dia. A continuidade dos acontecimentos autorizou Cal a oferecer o livro para uma editora. que faz dele estrondoso sucesso. Tudo corria bem quando, já rico, no auge da fama, lhe aparece uma desconhecida, namorada do falecido, que detinha os originais do livro. Pronto, o problema estava criado. Pressionado, restava a Cal resolver a questão que impulsionou o fraudador a pensar em matar a concorrente. Não vou contar o final da história, mas não posso deixar de recomendar a leitura.

O que aprendi com esta viagem? Muito! E mesmo para quem não está viajando sugiro usar as três indicações como passagem para uma viagem inesquecível.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

PAPIRO VIRTUAL 209

Vinicius de Moraes, nascido Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro. Poeta essencialmente lírico, o que lhe renderia o apelido "Poetinha", que lhe teria atribuído Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

CONTANDO A VIDA 373

POESIA E ALIENAÇÃO.

José Carlos Sebe Bom Meihy

Minha hora favorita é a madrugada, mas a madrugada dos que começam o dia, não dos que alongam a noite. O silêncio, a mansa espera da luz, o café quente... Arrumado, aguardo o jornal chegar. O intervalo entre o despertar e a leitura das notícias sugere meditações sutis, coerentes com a cena. Hoje não foi diverso, dei céu a uma pergunta que, afinal, faz sentido na altura de nossas vidas políticas: que tempo vivemos?! E colocando a questão coletiva no presente do indicativo me olhei com uma dúvida fatal: estou sendo correto comigo mesmo?!

Devagar, no pulso dos minutos mais recônditos, veio-me à cabeça um poema de Brecht “eu vivo em tempos sombrios”, e minha memória fez repetir versos que fugiam do esquecimento “uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez/ uma testa sem rugas é sinal de indiferença/ aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia”. E a sequência me desafiava “que tempo são estes, quando falar de flores é quase um crime/ pois significa silenciar sobre tanta injustiça”. Pronto, estava dada a música para dançar à beira do abismo.

Confesso que tentei mudar de trilha, mas não deu certo. Drummond se me avassalou com “nosso tempo” e passei a ritmar soturno “esse é tempo partido/ tempo de homens partidos/ em vão percorremos volumes/ viajamos e nos colorimos/ a hora pressentida esmigalha-se em pó na rua/ os homens pedem carne, fogo, sapatos” e doía prosseguir “as leis não bastam/ os lírios não nascem da lei/ meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra”. E então vi alargada a pergunta: qual meu posto neste tempo de “homens partidos”? Dei um giro em meu passado recente e comecei uma briga que implicava a palavra “silenciar”. Ah, como é intragável o veneno que se esconde na combinação de letras que contornam o “eu” e o “outro”. Silenciar, recolher-se, no mínimo me aproxima da alienação, e então como me conciliar?

O historiador que mora em mim exigiu a costura do passado, e nessa estrada resenhei minhas atitudes com pretéritos presentes. Tenho me silenciado para evitar mais rompimentos, e calado me retiro de absurdos imponderáveis. Caminho quieto, apartado de oposições, só falando com meus pares, mas a trança dos dois poemas mais e mais me provocava: estou certo? É correto deixar os acontecimentos como estão? Que posso mudar ficando comigo mesmo?

Respirei fundo quando jornal chegou e fui a ele ainda com as palavras de Drummond gemendo versos “escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana/ a falsificação das palavras pingando nos jornais”. Ilusão tola achar que teria fugas, pois, pelo reverso, constatei pelas notícias, umas depois de outra, que o meu recolhimento me justificava. Foi assim que cheguei às páginas de cultura e li artigo sobre Clarice Lispector, ela acusada de alienação. A sequência do texto puxava outra menção, agora devotada a uma referência feita pelo “irmão Henfil”. O traço radical do chargista desenhava um enterro de apoiadores do golpe civil militar de 1964. Entre os “mortos” alguns ícones maltratados pelo inesquecível pincel: Elis Regina – pelo famoso episódio em que cantou o Hino Nacional nas Olimpíadas Militares – o próprio Drummond e Clarice, ambos acusados de alheamento e enterrados com a assinatura de Henfil.

Conclui que mesmo sem me opor de maneira desbragada tenho marcado meu território, e assim me vacinei contra a loucura do mundo enfrentando os mesmos versos de Brecht “dizem-me: come e bebe/ fica feliz por teres o que tens/ mas como posso comer e beber/ se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?/ se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?/ mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo”. Sabe, se pudesse dialogar com Brecht diria que é o que me resta, e se pudesse mandar recado para Henfil pediria para não me enterrar ainda. Preciso de um tempo comigo mesmo, é questão de respiro. Silente, sim; alienado, não!


sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

PAPIRO VIRTUAL 208

 

Crítica do livro A Princesa de Gelo (2010), de Camilla Lackberg
Retornando à sua cidade natal, Fjallbacka, após o funeral de seus pais, a escritora Erica Falck encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte de sua amiga de infância, Alex, é apenas o começo. Seus pulsos cortados, seu corpo congelado em uma banheira gelada. Parece que ela se suicidou, mas... será?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

CONTANDO A VIDA 372

PODE UM HOMEM, BRANCO, PROFESSOR, FALAR DE MULHER, NEGRA, SEMIANALFABETA?

ou

MEDITAÇÕES SOBRE ESTUDOS DE CAROLINA MARIA DE JESUS.


José Carlos Sebe Bom Meihy

Não dá mais para adiar o enfrentamento do polêmico axioma expresso no título deste desabafo. Não mesmo! E torna-se difícil contornar a indignação paradoxal que exige, antes de mais nada, a liberdade de expressão e o direito de crítica. São anos de pesquisa – pelo menos 35 – que resultaram estudos vertidos em quatro livros e mais de 50 artigos (alguns, inclusive, traduzidos para cinco línguas estrangeiras). Remeto-me aos trabalhos ligados à Carolina Maria de Jesus, escritora que rasgou cânones e desestabilizou certezas sobre o conceito literatura, mobilidade social de segmentos marginalizados, e que assim mexeu com o prestígio identitário brasileiro como um todo. Antes da mineira que transitou em vários níveis da excludência, poucas vozes testemunhais comprometiam a positividade de um país culturalmente arrumadinho e exibido sem preconceitos explícitos e crueldades raciais.

É preciso dizer de saída que perfilo entusiasmado a crescente onda de defensores de reparações históricas em favor de indígenas, negros e de vulneráveis de todos os matizes. Nesta linha, aliás, sinto-me convidado a saudar as cotas universitárias, de trabalho, de representação parlamentar. Todas as cotas são oportunas. Compomos um país injusto, cruel e elitista, que precisa revistar suas políticas de integração. Endosso atitudes condizentes com as pautas progressistas listadas nas agendas ativistas dos direitos humanos. Isto aliás, serve de introdução ao argumento do direito de fala. Sem exceção, cada pessoa ou segmento deve se manifestar. Muito mais que lugar, todos têm direito de expressão.

Perfilo princípios que se assentam em um pressuposto democrático elementar: o reconhecimento e a valorização da diferença. De todas as diferenças. Busco perfilar-me entre aqueles que percebem a democracia como espaço coletivo, sobretudo com reconhecimento e respeito aos socialmente desiguais. Na evidência do significado da diferença emendada na equiparação, ou no direito de oportunidades sem distinções, coloco-me na luta que afina a interação de pretos com brancos, de mulheres com homens, de detentores da educação formal com os não privilegiados. E isto não é mera preferência, é luta. É opção consciente e dever intelectual que impõe argumentos.

Uma das mais aclamadas autoras da crítica literária, a indiana Gayatri Chakravorty Spivak, assinou texto intrigante justificado no universo teórico da pós-modernidade global. Em artigo de 1985, delineou o corrosivo dilema afeito às relações de classe sociais e suas expressões. Sob o título “Can the subaltern speak?”, publicado em português com o título “Pode o subalterno falar?”, a autora apresenta um argumento que atinge em cheio as expressões identitárias no que ficou conhecido como “direito de fala”. Com apelo moral sobre a autodeterminação, a premissa spivaquiana busca responder o dilema da representação e da autoria de visões pessoais, particularmente em vista do direito à própria experiência. A competência, o treinamento técnico, o domínio de fortunas críticas filtradas por séculos de cuidados filosóficos, tudo, absolutamente tudo, ficaria angulado pelo direito – dever mesmo – de todos se enunciarem. Como se uma atitude anulasse a outra, na insensatez da busca de compensação da marginalização efetiva, radicais apagam trajetos de quantos percebem na cultura e na ciência ideais de aproximações que, ironicamente, podem favorecer diálogos desejáveis e mudanças políticas viáveis.

Sob a vista do conhecimento universitário, o problema é complexo e político. Complexo porque tange questões que se fundamentam na essência libertadora do saber crítico que deve ser revisto sempre. Complexo porque toca na subalternidade de quem fatalmente sente-se visto e explicado pelo outro, não por si ou por seus “iguais”. Emerge deste axioma uma questão moral de consequência grave. A história entra como fator matriz na constatação de que a norma culta, o preparo aprimorado e os meios de produção de resultados acadêmicos têm sido dirigidos por uma minoria branca, elitista, selecionadora do que deve, pode e é divulgado. Isso como se não houvesse desvios. A consciência da subalternidade aqui funcionaria como denúncia de injustiças estruturais que, afinal, aparelham uns e desqualificam outros. Uns seriam os explicadores capacitados, únicos, e os demais apenas motivo de observação, coisificados como objeto de estudos.

É lógico que numa projeção futura – otimista e distante – o problema aflitivo projetado na diminuição das desigualdades tenderá ao alívio das distâncias. Ainda que esta perspectiva caiba melhor no campo da utopia, é de se motivar passos garantidos pelas políticas afirmativas. Enquanto isso não acontece, contudo, cabe verificar correção de rotas que, se corrigidas, podem ajudar a causa democrática integrando o almejado direito de todos se contarem em histórias silenciadas.

Vivo um dos mais dramáticos dilemas de minha vida acadêmica. Perfilando-me entre os pioneiros da recuperação da imagem de Carolina Maria de Jesus na cena pública brasileira, padeço esforços de exclusão que, com toda segurança, enfraquecem a recepção da obra daquela autora que precisa ser vista, lida e assumida como causa de todos, não apenas de um grupo que se apropria de seu legado valendo-se das mesmas armas usadas por quem as refuta. Volto à saudação do direito de fala – não do lugar de fala – e reivindico diálogos úteis ao entendimento democrático do saber. É preciso distinguir valores culturais e buscar algo que não seja reduzido a “racismo reverso”, “machismo intelectual”, “perda de poder”. Nada disso. De minha parte, não cederei um milímetro em favor de conformações. Pelo contrário, continuarei buscando parcerias e construindo pontes que liguem o que de melhor a cultura pode oferecer: diálogo instruído e aberto.

Anuncio, em favor de estudos sobre Carolina Maria de Jesus, três livros que virão endossados pela Editora Ática. Tudo em favor da garantia de que homem branco e acadêmico pode, sim, falar de mulher negra e de baixa formalidade educacional. Fora excludências dispensáveis, viva a causa democrática absoluta, em particular a favorecida pela cultura acadêmica. E vamos continuar a luta pela garantia de uma educação pública aberta a todos. E que Carolina Maria de Jesus sirva de elo de união, revertendo assim a repetição do que tem sido praticado na excludência em especial de mulheres negras.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 207

Erico Lopes Verissimo foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 206

Rachel de Queiroz foi uma tradutora, romancista, escritora, jornalista, cronista prolífica e importante dramaturga brasileira. Autora de destaque na ficção social nordestina, foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras em 1977.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 205

Graciliano Ramos de Oliveira foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX, mais conhecido por sua obra Vidas Secas.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 204

Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi uma jornalista, pintora, poeta, escritora e professora brasileira.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 203

Murilo Monteiro Mendes foi um poeta e prosador brasileiro, expoente do surrealismo no movimento modernista brasileiro.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 202

Oswald de Andrade foi poeta, escritor, ensaísta e dramaturgo. Um dos promotores da Semana de Arte Moderna, que ocorreu em 1922, na cidade de São Paulo, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro. Ficou conhecido pelo seu temperamento irreverente e combativo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

PAPIRO VIRTUAL 201

Mário Raul de Morais Andrade foi um poeta, romancista, musicólogo, historiador de arte, crítico e fotógrafo brasileiro. Um dos fundadores do modernismo no país, ele praticamente criou a poesia brasileira moderna com a publicação de sua Pauliceia Desvairada em 1922.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

CONTANDO A VIDA 366

DESASSOSSEGADO COM FERNANDO PESSOA.

José Carlos Sebe Bom Meihy

Como as artes ajudam! Sempre. Salvam-nos pelo reencantamento do mundo, pela alternativa ao real, pela beleza sensibilizada. Vale perguntar o que seria de nosso agora sem o convívio com a música, filmes, novelas, leituras, pequenos clips que sejam. Não sou exatamente do tipo que relativiza tudo e se vale da lenga do copo meio cheio, meio vazio. Não mesmo. A carapuça de pessimista veste bem minha personalidade que, aliás, só não me envenena graças às catarses permitidas por devaneios estimulados. E choro pelo negacionismo que tudo anula, despreza, desalenta. E domestico a grandiosidade do perigo anunciado pela política aprendendo a esperar. Mas não é alheamento passivo. É aguardo instruído. Poetado. 

Em meio a um tecido de lamúrias contidas, um escrito de Fernando Pessoa soou-me como pretexto. O mais amado dos poetas portugueses contemporâneos, quase sempre evocado pelo seu lado mais tangível, acabou por provocar em mim um alívio filosófico motivador de certa alienação do bem. Dono de heterônimos (21, 72, 127?) ele abrigou um sem-número de outros “eus” guardados pelo denominador comum contido no “poeta fingidor”. Nas delícias de rimas enigmáticas, porém, esquecemo-nos de uma de suas dimensões mais lustrosas, esta sim, dona de dificuldades provocantes. Falo especificamente de um dos conjuntos mais inquietos da poética ocidental, exatamente do “Livro do desassossego”.

Ah, o “Livro do desassossego”!... Lembremos, são 500 entradas, não dispostas em ordem sequente e que, fragmentadas, oferecem articulação exigente da organização interpretativa do leitor. Foi pensando nesses cacos soltos que fiz uma ligação pessoal e oportuna. Creio que a primeira informação que desafiou essa minha travessia, quando ainda menino, foi causada pela prática que exercitou escrevendo cartas para si mesmo. Outro lance que me fisgou foi a dimensão da frase de Plutarco “navegar é preciso, viver não é preciso”. Guardo bem a sensação desconfortável sobre incerteza do verbo “precisar”: precisar como necessidade; precisar como exatidão. Desde então, aprendi a navegar no mar Pessoa exatamente sem exatidões.

É claro que da coleção de detalhes intrigantes, minha leitura desnorteada não poderia deixar o registro da demora da colocação pública do tal “Livro do desassossego”. Morto em 1935, apenas em 1962 alguns fragmentos foram lançados, sendo que se esperou até 1982 por uma edição integral. E como as entradas, como se diário fossem, são desconcertantes. Confesso que fiz uma pequena lista de ligações, mas me detive em um quesito que se ajusta perfeitamente ao meu ânimo atual. Reuni duas passagens que falam contra ativismos desesperados. A primeira delas leva o título de “Maneira de bem sonhar” e aconselha:

Adia tudo. Nunca se deve fazer hoje o que se pode deixar de fazer também amanhã.

Nem mesmo é necessário que se faça qualquer coisa, amanhã ou hoje. Nunca penses no que vais fazer. Não o faças. Vive a tua vida. Não sejas vivido por ela. Na verdade, e no erro, no gozo e no mal-estar, sê o teu próprio ser. Só poderás fazer isso sonhando porque a tua vida real, a tua vida humana é aquela que não é tua, mas dos outros... Despreza tudo, mas de modo que o desprezar te não incomode. Não te julgues superior ao desprezares. A arte do desprezo nobre está nisso.

 

Em outra passagem intitulada “A inacção consola de tudo” Pessoa completa a mensagem anterior e prossegue a lição:

Não agir dá-nos tudo. Imaginar é tudo, desde que não tenda para agir. Ninguém pode ser rei do mundo senão em sonho. E cada um de nós, se deveras se conhece, quer ser rei do mundo. Não ser, pensando, é o trono. Não querer, desejando, é a coroa. Temos o que abdicamos, porque o conservamos, sonhando, intacto eternamente à luz do sol que não há, ou da lua que não pode haver.

 Pois é, comecei falando da beleza da arte como válvula de tantas incertezas e crueldades que nos são cenários. Aconteceu de, pela poesia, pelas mãos de Pessoa, ler que devo adiar o meu desespero mutante do presente. O poeta mandou esperar. Resta obedecer. Deixemos para amanhã o que fatalmente vai acontecer. Vivamos a tal alienação do bem. Vivamos lendo desassossegadamente...  

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