quarta-feira, 31 de julho de 2013

RAFAEL INCLUINDO

Projeto criado por professor melhora desempenho de alunos com deficiência em escola pública de SP e amplia inclusão

Luiz Alexandre Souza Ventura

Além de melhorar o desempenho desses estudantes, o trabalho também despertou o interesse dos colegas de classe sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e ampliou a inclusão.
Desde 2009, Rafael leciona matemática, português, inglês, artes, educação física, sociologia, filosofia, química, física, biologia, história e geografia. Tudo em Libras. Com base em sua experiência na sala de aula, ele desenvolveu um método no qual músicas, poesias, vídeos e imagens são usados para ensinar.
O professor trabalha na Escola Estadual Dom João Maria Ogno, na zona leste da capital paulista, onde tem quatro alunas com deficiência auditiva severa, com idade entre 16 e 18 anos, que cursam o primeiro ano do ensino médio. “Além da dificuldade em aprender, havia o problema da frequência e da falta de interação com professores, a direção e os outros estudantes”, diz Rafael. 
Desempenho - Em conjunto com outros professores, Rafael passou a usar a nova metodologia. E as notas dessas alunas começaram a melhorar. “Em inglês, história e química, subiram de 2 para 7. Também houve muita melhora em português e filosofia”, conta.
O desafio, no entanto, segundo o professor, não está somente em conseguir ensinar aos alunos Libras e português, simultaneamente, mas em incluí-los na comunidade escolar. “Observando minhas aulas, os estudantes ouvintes ficaram interessados em aprender Libras para se comunicar com os amigos. Daí surgiu a ideia de estender o programa para alunos ouvintes, professores e outros funcionários da escola”, explica Rafael.
Batizado de Língua Brasileira de Sinais: Um Universo Silencioso, o projeto é dividido em três vertentes: formação continuada dos professores pela Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) – para traçar estratégias de aprendizado para os alunos surdos -, sensibilização dos alunos ouvintes para o aprendizado de Libras e, finalmente, o trabalho prático que inclui visitas a museus, institutos, entre outras atividades pedagógicas e culturais.
Rafael Dias Silva também ministra aulas gratuitas de Libras na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na USP Leste, para professores e pedagogos, nos temas astronomia, geologia, biologia, física e química.

PUNK ALBINO

Havia uma banda de punk rock chamada Papai Noel Não é Albino. Sei nada a respeito, a não ser que estavam ativos no início da década passada.
No You Tube dá pra ouvir e baixar o CD Demo da banda, com umas 4 músicas.

terça-feira, 30 de julho de 2013

LANA ALBINA II

No início do mês, postei fotos do novo clipe de Lana Del Rey, onde a cantora aparecerá com o modelo albino Shaun Ross. Veja aqui.
Surgem novas informações e a divulgação da arte do que será um curta-metragem dirigido por Anthony Mandler.
O curta terá 3 canções do álbum Born To Die (leia minha resenha aqui).

DINAMARCA

Em minha autobiografia, Escolhi Ser Albino, escrevi que nutria sonhos escandinavos sem efetivamente jamais ter cogitado abandonar nosso país solar.  Nestas férias, realizei o sonho de conhecer a Escandinávia, percorrendo capitais de seus países e desfrutando de paisagens sensacionais. Começo a compartilhar com os leitores, alguns desses belos momentos. Viajei com o amigo argentino Carlito.
Começamos pela Dinamarca e Copenhague resultou ser minha cidade favorita de toda a viagem. 
Cidade lindíssima, limpa e com residentes que falam inglês e são solícitos e simpáticos pra dar informação. Na verdade, isso se aplica a todas as capitais escandinavas, mas Copenhague me seduziu por uma vibração e beleza que apenas se repetiu em Estocolmo, ainda que um pouquinho menos.
Voltarei a Copenhague numa visita específica.
A sereiazinha é a coisa mais meia boca de Copenhague.

Arredores de Copenhague. Castelo que supostamente inspirou Shakespeare a ambientar seu Hamlet na Dinamarca. 
Pra mim a temperatura estava ótima; a blusa de frio nos braços era pra emergência e a manga comprida pelo sol. Mas, os turistas tropicais quase sempre estão de blusa, mesmo no verãozão danês.
Já ouvi queixas de que tudo é muito igual em Copenhague. Até é, mas amei! Só não sei como seria um deficiente visual vivendo lá, mas acho que deve ser mais fácil do que aqui.
Sol em Copenhague. Turista albino precisa ter os mesmos cuidados lá também, porque o sol queima, disfarçado pelo vento e frescor,
Isso é um shopping. 
A Dinamarca é repleta de castelos.
Pegamos um trem e conhecemos uns 3 castelos ao redor de Copenhague.
O hotel ficava dobrando a esquina dessa rua colorida, lotada de bares e restaurantes, cheio de gente aproveitando os dias mais longos de verão.
A cidade é muito tranquila, até porque parte da população estava em viagem de férias. Bicicletas, metrô, ônibus, inclusive elétrico. Transporte caro, mas carro acaba sendo desnecessário.
A Dinamarca é o país escandinavo mais liberal na venda de bebidas alcoólicas. Suecos, por exemplo, vêm ao país só pra beber. Um sueco bêbado nos deu informações muito legais e divertidas em Kromborg. Dica: cerveja em bares e restaurantes é bem mais cara, então o negócio que eles fazem é comprar em quiosques ou supermercados e beber na rua. Eles chapam o coco!
Pra terminar, suecos e dinamarqueses são como brasileiros e argentinos...


segunda-feira, 29 de julho de 2013

TRISTEZA

A triste história dos albinos da Tanzânia

A vida é difícil para os albinos em toda a África, mas especialmente na Tanzânia, cuja população tem uma proporção anormalmente elevada de albinos -15 vezes maior que a média mundial-. Na melhor das hipóteses, eles são discriminados pela falta de cor; na pior, são caçados por sua carne, resultado de crenças supersticiosas centenárias.
Os cientistas ainda não foram capazes de explicar claramente por que nessas áreas o percentual de albinos é tão alto. Mas parece haver, pelo menos, um par de razões para este fenômeno. Em primeiro lugar, há o efeito “fundadores”. Os cientistas acreditam que a Tanzânia e África Oriental pode ser o berço da mutação genética que cria o albinismo.
Em segundo lugar, os albinos são tratados como párias da sociedade e por causa da discriminação e exclusão social, pessoas com albinismo tendem a se casar com outro, o que aumenta a probabilidade de que os filhos também sejam albinos.
O assassinatos de albinos são relatados em uma dúzia de países africanos, desde a África do Sul até o Quênia, mas eles são piores na Tanzânia do que em qualquer outro lugar. Mais de 100 albinos foram violentamente atacados no país nos últimos anos, 71 morreram e 31 escaparam, embora a maioria tenha sido de uma forma ou outra mutilado. Os ataques são tão descarados que o governo abriu escolas para as crianças albinas para a sua própria proteção.
O assassinatos de albinos são relatados em uma dúzia de países africanos, desde a África do Sul até o Quênia, mas eles são piores na Tanzânia do que em qualquer outro lugar. Mais de 100 albinos foram violentamente atacados no país nos últimos anos, 71 morreram e 31 escaparam, embora a maioria tenha sido de uma forma ou outra mutilado. Os ataques são tão descarados que o governo abriu escolas para as crianças albinas para a sua própria proteção.
O elevado número de “consumidores de albinos” no mercado negro parece regulamentado, literalmente! Pelo menos há cinco séculos existe uma crença de que o corpo albino é a cura, e os “caçadores” vendem seus corpos ou partes para feiticeiros ou charlatães pelo equivalente ao que um tanzaniano médio recebe de salárioem dois anos.
A demanda por albinos aumentou drasticamente depois da propagação da AIDS na Tanzânia. Há uma crença local de que a ingestão de órgãos genitais secos elimina a doença.
Até recentemente, a caça aos albinos era pouco ou nunca punida: muitos desses coitados eram apenas declarados “desaparecidos” com a conivência da força policial local -há mesmo uma crença comum que os albinos não morrem, eles desaparecem como fantasmas-. Mas a opinião pública ocidental, indignada com as práticas brutais na Tanzânia, forçou as autoridades locais, que ainda relutam em assumir a busca e punição dos canibais.
A maioria dos tanzanianos não entende, por exemplo, que albinos devem proteger sua pele pálida, com mangas compridas, chapéus e protetor solar para evitar o câncer de pele, que mata 98% dos albinos da Tanzânia antes de chegarem ao seu 40º aniversário.
E se já não bastasse serem caçados como bichos, sua pele e olhos são particularmente sensíveis à luz ultravioleta, então é bem comum que quase 60% deles fique sem a visão entre os 16-18 anos, o mesmo percentual tem chance de desenvolver câncer de pele até os 30
Nas salas de aula, os professores muitas vezes desconhecem que albinos têm problemas de visão que os impede de ler como as outras crianças, os alunos albinos muitas vezes ficam para trás na escola por ignorância do próprio professor.
Menos mal que o Ministério da Educação da Tanzânia providenciou uma introdução ao albinismo para os professores de escolas públicas e professores da faculdade. E no ano passado, a Liga Internacional das Sociedades Dermatológicas começou a oferecer roupas, chapéus e protetor solar para albinos na África Oriental.
Em 2009, a Tanzânia viu o primeiro julgamento dos assassinos de um albino. Três homens pegaram um garoto albino de 14 anos de idade, e esquartejaram em pequenos pedaços para vender como medicamento. O tribunal condenou os criminosos à morte por enforcamento.
A partir disso, os canibais se tornaram mais inventivos: deixaram de cometer assassinatos de albinos e agora “apenas” cortam seus membros. Mesmo que o autor seja capturado, eles serão capazes de evitar a pena de morte e enfrentarão penas de apenas 5-8 anos por lesão corporal grave
Nos últimos três anos, pelo menos 90 albinos tiveram algum membro amputado e 3 deles morreram em decorrência disso.
Aumentar a qualidade e expectativa de vida desta gente sofrida por meios de medidas se saúde não parece muito difícil: basta um protetor solar e usar óculos de sol. Entretanto o estigma do albinismo deve demorar mais tempo a dissipar.
albinos tanzania 02 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 03 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 04 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 05 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 06 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 07 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 08 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 09 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 11 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 12 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 13 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 14 A triste hístoria dos albinos da Tanzâniaalbinos tanzania 15 A triste hístoria dos albinos da Tanzânia

domingo, 28 de julho de 2013

sábado, 27 de julho de 2013

O ALBINISMO E A MAGIA NEGRA

Em certas regiões da África é assim:

As crianças albinas são particularmente vulneráveis. Enquanto as outras crianças acusadas de feitiçaria são «apenas» torturadas (para alegadamente exorcizar os demónios que nelas habitam) e eventualmente rejeitadas, indo parar às ruas ou a lares, no caso das crianças albinas é a própria vida que fica em risco. 
Devido às crenças que parte do seu corpo dá protecção a quem as possuir, ou de que mantendo relações sexuais com elas cura a SIDA, a sua vida está em risco praticamente desde a nascença. São alvos preferenciais, não só dos adeptos da magia negra, como de toda a sorte de gente sem escrúpulos, desde aqueles que se dispõem a comercializar partes do corpo de albinos morto ou roubados dos cemitérios como daqueles que acreditam nestas coisas. 
O Mundo ainda lembra chocado cenas na Tanzânia onde mãos e pés de albinos eram decepados na rua em pleno dia por pessoas que depois iam comercializa-los, ao ponto que o governo tanzaniano teve que criar leis especiais pra proteger os albinos que literalmente não mais podiam andar nas ruas.
 Celso Malavoloneke.

DEPOIMENTO DE LUCIANA

Luciana Ferreira é uma assistente social de Maceió, que há anos desenvolve inestimável trabalho de inclusão com as pessoas com albinismo da capital alagoana. Conheci-a ano passado em Salvador e constatei o amor com que realiza o projeto.
Ela generosamente compartilhou suas impressões sobre minha autobiografia Escolhi Ser Albino e autorizou a publicação no blog.
Obrigado pelas palavras elogiosas e pelo carinho que você tem pelos albinos, Luciana.

Minhas impressões sobre o livro “Escolhi ser albino”
Devo dizer que foi muito prazerosa a leitura do livro do Roberto! Ele nos fez
conhecer sua história pessoal e familiar. É como estarmos vendo um filme, quando ele coloca a
história da imigração italiana de sua família, nos idos de 1900, é ver a história do Brasil. De
imigrantes que vieram trabalhar em fazendas de café, e o quão sacrificado foi! Mas nisso, a força e
energia florescem em pessoas fortes, decididas, que foram ímpares em sua formação. Assim, ele bem
homenageia a sua avó e a sua mãe -, uma mulher trabalhadora, destemida e a frente de seu tempo!
A ambiência relatada da cidade de São Paulo nos anos 50, 60 é muito rica, pois
perpassa os aspectos sociais, econômicos, de trabalho, lazer – que as famílias experienciavam.
Se destaca como aluno pelo conhecimento, e pela sua cor.
Fala que pouco sabia aos 40 anos sobre albinismo, que não conhecia outra pessoa
albina. É fato concreto, alguns albinos dizem isso mesmo. Mas por que será? Entretanto, quando
estão num grupo, com seus pares, gostam, trocam experiências enriquecedoras.
A questão dos direitos já adquiridos, como provas especiais, com maior tempo, letras
ampliadas, fato que você pleiteou, ainda aqui na minha cidade, é difícil se concretizar.
Então, caro Roberto, seu livro, acredito, dará um belo filme, torço por isso!

Luciana Ferreira
Grupo de Pessoas com Albinismo e Baixa Visão de Maceió

sexta-feira, 26 de julho de 2013

CRAZY BRUXO ALBINO


Hermeto Pascoal. O crazy albino de Miles Davis
Clara Silva

O "bruxo" dos sons brasileiro toca em Sines, no Festival Músicas do Mundo, neste sábado. Antes de morrer, Miles Davis disse que se voltasse à Terra gostava de ser como ele


Hermeto Pascoal escapou-se ao trabalho na roça por ser albino e não poder apanhar sol. Entreteve-se a tocar instrumentos que criava com ferro para os animais de Lagoa de Canoa, em Alagoas, no Brasil, onde a electricidade só chegou quando ele se foi embora. O músico multi-instrumentista e um dos mais importantes nomes do jazz brasileiro é um dos cabeças de cartaz do Festival Músicas do Mundo de Sines deste fim-de-semana. Ao telefone de um hotel em Londres, fala de intuição, dos porcos que levava para estúdios de gravação e de quando conheceu Miles Davis: "Pensei que ele era gay."


De onde é que veio a sua alcunha de bruxo?
Foi em 1970 ou 80 que nasceu esse nome. Veio de uma jornalista brasileira maravilhosa, a Maria Baiana, que morava nessa época no Rio e escreveu isso. Lá na minha terra, no Estado de Alagoas, temos muito aquela influência de Portugal e as mães diziam para os filhos não saírem de noite para o escuro porque vinha a bruxa. Quando ela falou isso eu fiquei: "Meu Deus, que será isso?" Sabia que era uma coisa boa mas falei com ela para saber o que dizer nas entrevistas, assim como com você agora.

Afinal que lhe disse a jornalista?
Disse que bruxo era da magia boa que faço com o meu trabalho. Foi uma coisa que pegou, o mundo inteiro gostou. Para mim a música é mágica, está em todos os bons contextos da vida.

Começou a tocar no meio da natureza?
Fiquei até aos 14 anos de idade em Lagoa da Canoa e a luz só chegou quando eu saí de lá. Isso foi muito bom porque o meu público eram os animais: pássaros, peixes, galinhas, cavalos, até as cobras vinham para escutar a minha música. Era uma coisa mágica, divina. O meu avó trabalhava com coisas de ferro e eu pegava nos restos de ferro, pendurava numa corda e ficava batendo, fazendo música só com a intuição. Foi daí para a frente que vi que era músico.

E hoje em dia ainda toca com instrumentos pouco convencionais, como a água dum lago ou a sua barba?
Já sou assim desde criança. Pego nas coisas de cozinha para tocar, na chaleira,? Mas a natureza não é só matos e rios. É juntar aquilo tudo e até dez mil pessoas falando no meio da rua, carros andando, uma pessoa dirigindo bem, um comboio, tudo isso é natural. Transformo tudo isso em música universal.

Através da intuição?
Sou 100% intuitivo. Só aprendi a teoria a partir dos 42, 43 anos. Sei como usar a teoria, mas a teoria não me ensina. Primeiro senti e depois veio o saber. Sou um autodidacta puro. Tenho professores de intuição que não conheço, eu sinto. Não estou falando de religião. Se tiver religião, a minha religião é a música e é através dela que respeito as outras todas.

Já compôs mais de cinco mil músicas. Como é que consegue lembrar-se delas quando não tem papel para escrever?
Se fosse contar as músicas que invento a cada show são muito mais do que cinco mil? Em cada um componho uma música na hora, mas escritas já devo ter passado as cinco mil, sim. Estou sempre criando novas. Às vezes peço às pessoas para gravarem com os telefones para não me esquecer. Agora com a internet é mais fácil, todo o mundo anda com um telefone que dá para gravar. Até no avião eu gravo músicas, só se tiver com muito sono é que não. Mas a música até me tira o sono.

Voltando aos animais, costumava levar porcos para os estúdios de gravações.
Até para festivais. Uma vez quis levar os animais para um, achei que ia ser uma coisa nova, mas na época não foi muito compreendido, a polícia não deixou. Uma pessoa que trabalhava na televisão é que imitou perfeitamente na hora do show. Era um porco e quatro galinhas, era lindo o som. Logo na hora eu mudei o jeito do arranjo com a orquestra. Todo o mundo falou disso, foi uma coisa muito famosa.

Há aquele mito de que tentou levar doze porcos para o festival de Montreux, em 1979. É verdade?
Não foi verdade. Aqui na Europa encontro porcos tão bons ou melhores do que lá [no Brasil]. Saiu [nos jornais] que eu queria levar porcos e que não deixaram, mas isso é mais um bocadinho de sensacionalismo dos media. Nossa Senhora, eu não ia trazer doze porquinhos e gastar esse dinheiro, quando pela metade podia comprar porco aqui e botar no festival. Nesse festival nunca usei porco. Foi outra coisa.

Também conheceu o Miles Davis nos anos 70?
Foi um presente lindo de Deus conhecê-lo pessoalmente. Uma pessoa que tinha saído das drogas e que estava numa fase muito linda, muito bacana. Eu acredito muito nessas coisas do destino e conheci assim, quando fui assistir um show dele nos Estados Unidos. Estava lá com o Airto Moreira, que tocava percussão com ele. Estava sentado numa cadeira e chegou aquele moreno lá falando no meu ouvido, bem vestido, um cara que até desconfiei: "Será que é gay?"

Que lhe disse ele?
Tinha combinado com o Airto Moreira para ele me vir socorrer, porque eu não falo inglês e ele veio correndo para mim dizendo que era o Miles Davis e que ele nunca fazia isso com ninguém, que aquilo 'tava cheio de músicos e que ele nunca falava com ninguém?

E foi falar consigo?
Ele chegou para o Airto e perguntou quem eu era. Não sabia o meu nome, porque na altura eu ainda era desconhecido nos Estados Unidos. Disse que não sabia como tinha vindo falar comigo, que tinha sido uma coisa muito forte que o tinha trazido. Daí para a frente conhecemo-nos pessoalmente e ele quis conhecer a minha música. Ficámos amigos, mas era uma coisa mais espiritual, era difícil eu ir na casa dele ou ele na minha.

O Miles Davis chamava-lhe "crazy albino".
Sim, foi tudo tão bom, esse amor e esse carinho, que perto de falecer ele deu uma entrevista na Radio France em que lhe perguntaram o que é que ele gostaria de ser quando voltasse à terra depois de morrer. Ele respondeu: "Queria ser uma pessoa como aquele albino louco." Ele me chamava assim na brincadeira. Fiquei muito orgulhoso e feliz.

Neste momento toca com quantos grupos?
Tenho quatro formações, a Sinfónica, a Big Band, o Grupo [com o qual vai tocar no Músicas do Mundo de Sines] e o duo com a Aline Morena, a minha esposa. Mas ela faz parte dessas outras formações todas também. Você vai ver com o grupo como ela é uma grande cantora. Era uma coisa que nos faltava, quando ela entrou, o grupo ficou mais coeso.

Como é que se conheceram?
Conheci-a em Paraná, na cidade de Londrina. Fui fazer um workshop ao ar livre e falei: "Gente, queria ver quem é que tem coragem de subir ao palco e fazer um som comigo." Ela não me conhecia e subiu com um pedaço de madeira. Pensava que fosse fazer percussão, mas ela perguntou se podia cantar a minha música "Montreux". No final fiquei com aquela voz no pensamento.

E encontraram-se depois do concerto?
Ia fazer um festival noutra cidade próxima, Maringá, e ia convidá-la para fazer uma canja com o meu grupo, mas ela já tinha saindo correndo do camarim que nem uma louca com as tralhas. Quando cheguei a Maringá, ela me ligou perguntando se podia subir no meu quarto. Eu estava esperando uma entrevista duma jornalista e pensava que era ela. Quando percebi disse: "Menina era você que 'tava esperando."

Estão juntos há quanto tempo?
Há dez anos. Na altura que a conheci já estava viúvo e o meu filho Flávio até falou: "Pai, essa menina é muito nova." Estamos muito felizes, ela é muito mais nova do que eu, fez 34 anos e eu fiz 77, mas parece que somos da mesma idade através da música e do amor. Espero durar muito mais tempo para ser feliz com ela, com a música e com o público.
Queria dizer outra coisa também: "Este canto vem de longe/ A distância não sei dizer/ Salve, salve a toda a gente/ Que vive e deixa viver/ Aqui vai o nosso abraço/ Com o som e o saber/ Tirando de nossas mentes/As palavras pra dizer/ A Música segura o mundo/Enquanto a gente viver/ É a maior fonte sem fim/De alegria e prazer/ Toquem, cantem, minha gente/Até o dia amanhecer."
http://www.uol.com.br/

terça-feira, 16 de julho de 2013

LUTO ALBINO


O esquilo albino do video era mascote duma universidade no Texas. Voces nem imaginam a comocao causada pela morte do animal
Para mais informacoes e comentarios, visite
http://www.dailytexanonline.com/blogs/the-update/2013/07/11/storify-rip-albino-squirrel

(Ainda estou em ferias no exterior, por isso a postagem sem acentos ou tils e cedilhas...)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

COM A MALA PRONTA

Hora de sair de férias. O blog ficará sem postagens até a última semana do mês.
Há farto material sobre assuntos diversos pra manter leitores ocupados durante esse tempo.
Depois conto pronde fui e postarei fotos.
 

MELHORES DE 2013 – PARTE I

Virou tradição separar a eleição dos melhores do ano em 2 partes, pra facilitar minha vida.
Este semestre estive tão televisivo que nem haverá as categorias cine e música.

LITERATURA:
Filoctetes e Édipo em Colono, de Sófocles – algumas tragédias gregas ainda têm o que dizer 25 séculos depois.
http://www.albinoincoerente.com/2013/01/papiro-virtual-45.html

TELEVISÃO
Scandal (2ª temporada) – thriller político com tempero de novelão.
http://www.albinoincoerente.com/2013/06/telinha-quente-82.html
Modern Family (4a temporada) – deve ser a melhor sitcom até agora.
http://www.albinoincoerente.com/2013/06/telinha-quente-81.html
Revenge (1a temporada) - Soap opera sem medo algum de exagerar. Uma delícia.
http://www.albinoincoerente.com/2013/05/telinha-quente-80.html
DALLAS (2a temporada) - o duro adeus a Larry Hagman/JR Ewing
http://www.albinoincoerente.com/2013/04/telinha-quente-74.html
Ringer - pena qu’esse novelão com gente rica tenha fracassado!
http://www.albinoincoerente.com/2013/04/telinha-quente-73.html
Forbrydelsen – derradeira temporada dessa excelente série policial dinamarquesa. Bom parar enquanto se está em forma.
http://www.albinoincoerente.com/2013/01/telinha-quente-65.html  

  

NECROFILIA ALBINA

Cadáver dum albino desenterrado e roubado num cemitério no Ruanda

O corpo dum albino foi desenterrado no cemitério duma localidade de Nyamasheke (sudoeste do Ruanda) por desconhecidos e levado sem dúvida por práticas de feitiçaria, soube-se, Terça-feira (2), de fonte oficial em Kigali.

"Pensamos que se trata dum roubo ligado aos crimes rituais onde alguns membros ou órgãos do corpo dos albinos são utilizados por feiticeiros nalguns países da sub-região", indicou Jean Baptiste Habyarimana, responsável administrativo de Nyamasheke.
O Burundi e a Tanzânia são citados entre os países onde a vida dos albinos estaria ameaçada devido a estas práticas desumanas.
http://www.verdade.co.mz/africa/38058-cadaver-dum-albino-desenterrado-e-roubado-num-cimiterio-no-ruanda

OLHAR TELESCÓPICO

Lentes de contato dão visão telescópica a usuário

De acordo com especialistas, parte mais difícil do projeto é fazer com que lentes permitam oxigenação do olho

Pesquisadores dos Estados Unidos e da Suíça estão criando lentes de contato que - uma vez combinadas com óculos especiais – podem fornecer uma visão telescópica para seus usuários.

A combinação das lentes com os óculos consegue ampliar 2,8 vezes o tamanho de uma imagem visualizada pelo usuário.
Filtros polarizadores permitem à pessoa mudar de uma visão normal para telescópica ajustando o óculos.
Esse sistema de visão telescópica foi desenvolvido para ajudar pessoas que sofrem com a cegueira provocada pela idade, mas também pode ter aplicações militares.
A degeneração macular relacionada à idade é uma das formas mais comuns de cegueira. Ela danifica a mácula, a parte do olho que lida com o detalhamento da imagem. Quando a mácula se degenera, a pessoa sofre uma perda na capacidade de reconhecer rostos e de realizar algumas tarefas, tais como dirigir e ler.
Controle preciso
As lentes de contato criadas pelos pesquisadores têm uma região central que permite a entrada de luz para uma visão normal. O elemento telescópico fica em um anel em volta da região central. Pequenos espelhos de alumínio, montados segundo um padrão específico, atuam como um aplificador que lança a luz para o anel ao menos quatro vezes antes de direcioná-la para a retina.
Durante o uso normal, a imagem ampliada é bloqueada por filtros polarizadores, e por isso não é vista. O usuário pode ligar o aparelho alterando esses filtros, posicionados no óculos, de forma que apenas a imagem ampliada é lançada sobre a retina.
Os pesquisadores Joseph Ford, da Universidade da Califórnia, e Eric Tremblay, da EPFL (Escola Politécnica Federal de Lausanne), na Suíça, construiram o sistema que filtra a luz adaptando óculos fabricados usados em televisores 3D.
Sua característica original era criar um efeito 3D ao bloquear de forma alternada as lentes esquerda e direita.
O protótipo produzido pela equipe tem oito milímetros de diâmetro, um milímetro de espessura na região central e 1,17 mm no anel ampliador.
"A parte mais difícil do projeto foi tornar as lentes ‘respiráveis’”, disse Tremblay à BBC. “Se você quiser usar as lentes por mais de 30 minutos é necessário que elas permitam que o olho respire".
Segundo ele, a lente deve permitir a entrada de gases para que a córnea não fique sem oxigênio.
'Encorajador'
A equipe de pesquisadores resolveu esse problema produzindo lentes com pequenos canais que permitem ao oxigênio fluir para o olho.
Porém, isso tornou o processo de fabricação das lentes muito mais difícil.
As versões das lentes permeáveis aos gases devem passar pelos primeiros testes clínicos em novembro, segundo ele. O objetivo é que portadores de deficiência visual consigam usar o equipamento o dia inteiro.
O projeto é uma evolução de tentativas anteriores de resolver o problema. Algumas delas envolviam implantes de lentes telescópicas e uso de óculos volumosos com estruturas de lentes de aumento.
Clara Eaglen, gerente de ações de saúde da organização RNIB, que auxilia pessoas com problemas de visão, afirmou que a pesquisa é interessante e elogiou o foco em degeneração macular.
"É encorajador que produtos inovadores como as lentes de contato telescópicas estejam sendo desenvolvidos, especialmente quando melhoram a visão que sobrou nos pacientes. Qualquer coisa que ajude a maximizar a visão funcional é muito importante, porque as pessoas com deficiência readquirem alguma independência e ficam menos isoladas".
As lentes podem porém ser empregadas em outras áreas. Isso porque a pesquisa está sendo financiada pelo Darpa, o braço de pesquisas das Forças Armadas dos Estados Unidos.
Analistas dizem que os militares buscam na iniciativa uma forma de criar uma "super visão" e não resolver o problema da degeneração macular.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130702_lente_telescopio_lk.shtml?print=1

terça-feira, 2 de julho de 2013

TELINHA QUENTE 84


Roberto Rillo Bíscaro

Escrevendo sobre a minissérie Marchlands, afirmei que ninguém como os ingleses pra contarem histórias de casa mal-assombrada. Sugiro a leitura do texto, como complemento deste.
Ano passado, a BBC saiu-se com The Secret of Crickley Hall, narrada em 2 tempos: hoje e durante a Segunda Guerra.
Uma família perde o filhinho. Na véspera da tragédia completar um ano, o pai aceita emprego no interior e a família se muda pra vasta Crickley Hall (fantasma só mora em mansão?) e descobrem que a propriedade guarda segredos duma tragédia com crianças na década de 1940.
Crickley Hall aloca crianças, mulheres e animais como mais sensitivos. Mais longe da razão e mais próximos do instinto, do natural. Mais próximos do primitivo, portanto, passíveis de dominação pelo racional macho.
Mórbida de doer e compartilhando similaridades narrativo-temáticas com Marchlands, os 3 capítulos de The Secret of Cricley Hall são irregulares e o roteiro-fórmula não consegue nenhuma surpresa como em Marchlands, mas entretém. Acho que 2 capítulos seriam suficientes ou que as personagens fossem um pouco mais fáceis de empatizar. Detesto criancinha inteligente como adulto!

LANA ALBINA

Lana Del Rey foi fotografada na Califórnia, semana passada, enquanto gravava um clipe. Parece que vai ter modelo albino.



http://www.portalitpop.com/2013/06/com-lingerie-vermelha-e-modelo-albino.html

segunda-feira, 1 de julho de 2013

CAIXA DE MÚSICA 98


Roberto Rillo Bíscaro

Passei boa parte dos anos 90 colecionando material do Genesis e seus (ex-)membros ou seguindo a carreira em declínio de ídolos oitentistas. Alguma coisa nova, tipo Cramberries e artistas dance passsageiros, até registrei, mas a maior parte passou silente. Brit Pop nem de longe me interessou, porque quando ouvi o todo-poderoso Oasis me pareceu Beatles, que respeito demais da conta, mas nunca amei. Do Oasis, só mesmo Don't Look Back in Anger, puro Liverpool, diga-se sem ser de passagem.
Mas, quando achei o documentário Live Forever - The Rise and Fall of Brit Pop (2003), de graça e completo no You Tube, vi, porque me interessa a história da música pop. Muito bom.
Parte da geração crescida nos 80's não curtia o som sintetizado da década - daí o sucesso alternativo de bandas como Smiths, desconsiderada no documentário -, nem a americanização da Inglaterra, atribuída ao namoro sério entre os Tories e os Republicanos.
Os Stone Roses morrerem na praia do superestrelato não ajudou o rock britânico, que nos anos iniciais dos 90's se viu subjugado pelo ianque grunge, que ensurdeceu o planeta com Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e afins (também fiquei alheio por opção).
A operária Oasis, a classe-média Blur, o teatral Pulp estouraram depois do suicídio de Cobain e vieram com guitarras estridentes e bandeiras inglesas por todo lado. Britpop foi nacionalismo britânico embalado ao som do norte-americano rock'n'roll.
Live Forever - The Rise and Fall of Britpop não sabe o que fazer com os eletrônicos Massive Attack e Portishead, influentes no cenário muiscal noventista, mas sem guitarras. A impressão que dá é que eles ficam à margem narrativa do documentário, que traz entrevistas com membros de diversas das bandas seminais do movimento. 
Aprendemos como o New Labour de Tony Blair capitalizou em cima dum movimento ocorrido basicamente durante o governo de John Majors; como alguns dos meninos fizeram precisamente aquilo que tanto criticavam e como a morte da Princesa Diana influenciou no declínio do Britpop. 
Não aprendemos a real razão pro feudo Oasis-Blur. Damon Albarn afirma que há babado forte, mas escolhe ocultar.
Pertinente citar Robbie Williams e as girl e boy bands que surrupiaram o cetro dos Gallagher & Cia, mas deixar de lado as Spice Girls foi erro. As meninas usaram bastante da iconografia nacionalista incentivada pelo Britpop.
Live Forever - The Rise and Fall of Britpop traz 90 minutos de entrevistas e trechos de clipes muito elucidativos sobre esse importante momento da música pop-rock britânica. Não me deu vontade de sair baixando álbuns do Oasis, mas quiçá num momento de falta do que fazer, eu experimente o Pulp.