sábado, 24 de setembro de 2016

ALBINO GOURMET 212

Cada vez mais na moda os canais de receitas diet, veganos, fit. Um deles é o da Lucilia Dinis, do qual separei 5 receitas, mas há mais, basta clicar no nome dela. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

CIRURGIÃO ROBÓTICO

Robô realiza a primeira cirurgia intraocular para restaurar visão


Cirurgiões usaram pela primeira vez um robô em uma operação dentro de um globo ocular, para recuperar a visão de um paciente.

Os médicos do Hospital John Radcliffe, em Oxford, na Inglaterra, esperam que o procedimento abra caminho para cirurgias oculares mais complexas do que atualmente é possível com as mãos humanas.
Cirurgias com robôs são frequentes, mas não haviam sido usadas em operações dentro do olho.
"Operar na região da parte de trás dos olhos requer muita precisão, e o desafio foi criar um sistema robótico que fizesse isso através de um orifício minúsculo na parede ocular sem causar danos enquanto se move", disse o professor Robert MacLaren, da Universidade de Oxford, que liderou a pesquisa.
A BBC teve acesso exclusivo ao procedimento.
O paciente, Bill Beaver, de 70 anos, disse que se sentiu em "um conto de fadas".
"Tenho tanta sorte de ser o primeiro a passar por isso", afirmou.

O robô


Robô PreceyesImage copyrightBART VAN OVERBEEKE FOTOGRAFIE
Image captionO robô é controlado por um joystick

O robô cirúrgico Preceyes foi desenvolvido por uma empresa holandesa, braço da Universidade de Tecnologia Eindhoven.
O cirurgião usa um joystick e uma tela sensível para guiar uma agulha dentro do olho, enquanto monitora o progresso através de um microscópio.
O robô, que funciona como uma mão mecânica, tem sete motores e é capaz de eliminar os tremores comuns da mão de um cirurgião humano.
Grandes movimentos no joystick resultam em pequenos movimentos no robô, e quando o cirurgião solta o aparelho, o movimento é congelado.

O paciente


Bill Beaver
Image captionO paciente Bill Beaver disse que a cirurgia parecia 'um conto de fadas'

Bill Beaver era pároco oficial de uma comunidade na Inglaterra até ano passado. Em julho, um oftalmologista identificou uma membrana crescendo na parte de trás do seu olho direito. A pressão criou um furo na sua retina, algo que começou a prejudicar sua visão central.
"Quando seguro um livro, tudo o que vejo é um amontoado no centro, e minha visão naquele olho é restrita à parte mais periférica", disse ele antes da cirurgia, realizada no fim de agosto.
"Normalmente quando fazemos essa operação de forma manual, nós tocamos a retina e sempre há hemorragia. Mas, com o uso do robô a membrana foi retirada de forma limpa", disse MacLaren.
Como resultado, a visão central de Beaver foi restaurada.
Por conta de ma bolha de gás nos olhos, ele enxerga melhor de perto, mas a visão a uma distância normal vai voltar em alguns meses.
"A degeneração da minha visão foi assustadora e eu fiquei com medo de perdê-la completamente. O fato de a cirurgia ter acontecido sem percalços é realmente algo divino", disse Beaver.
Doze outros pacientes irão passar por procedimentos com o mesmo robô, em um teste financiado pelo Centro de Pesquisas Biomédicas NIHR Oxford.
Outra parte do financiamento vem da Zizoz, uma ONG holandesa que apoia de pacientes que sofrem de coroidermia - uma espécie de cegueira genética que deve ser o próximo alvo de tratamento com o robô.

Outro nível

Os testes são desenvolvidos como uma espécie de prova de conceito, ou seja, para estabelecer se o robô consegue fazer o que um cirurgião faz, porém com mais precisão.
Mas o objetivo principal é levar a cirurgia robótica a outro nível.
"Não há dúvidas de que presenciamos uma cirurgia ocular do futuro. Certamente podemos melhorar as operações atuais, mas esperamos que o robô nos permita realizar cirurgias ainda mais complexas, que são impossíveis com as mãos humanas", disse MacLaren.
Oxford é apenas um dos centros ao redor do mundo que estão testando a terapia genética na retina - um novo tratamento para evitar a cegueira.
Atualmente esse procedimento é feito à mão, mas intervenções futuras envolvendo injeções de células-tronco requerem que as células sejam infiltradas nos olhos lentamente. O robô pode permitir que os cirurgiões injetem as células na retina por um período de dez minutos, algo que não seria possível com as mãos.
A empresa holandesa responsável pelo desenvolvimento do robô acredita que a tecnologia poderá ser usada fora das salas de cirurgia.
"No futuro, vemos esse aparelho sendo usado como em um escritório, onde somente o robô encoste no olho e tudo seja automatizado, o que melhoraria a eficiência e reduziria os custos", disse Maarten Beelen, da Preceyes.
O sistema robótico é um protótipo e a empresa ainda não revelou quanto ele custará.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

TELONA QUENTE 171

Roberto Rillo Bíscaro

Representações dinamarquesas nos noticiários dão conta dum país com elevado índice de qualidade de vida. A onda Nordic Noir mostrou uma Escandinávia mais violenta, mas o subgênero é altamente estilizado. Não dá pra negar que Forbrydelsen ou Bron/Broen sejam violência de butique, por mais densos e bem feitos os roteiros. Em 2012, resenhei Broderskab, que mostra que a rica península não é arco-íris de rosas pros gays. Chega a vez de Nordvest (2013), que mostra uma face de Copenhague ausente dos estilosos Nordic Noir.
Michael Noer roteirizou e dirigiu a ascensão e queda de Caspar, jovem que começa numa gangue dirigida por um descendente de árabe pra acabar numa comandada por um dinamarquês “puro sangue”. Embora a ênfase de Nordvest seja no lado pessoal do jovem careca, não dá pra escapar da leitura étnica, porque nem na pobreza escandinava, todo mundo é igual. Raios, nem a miséria dinamarquesa é tão suja quanto a nossa ou mesmo a norte-americana. O distante bairro Nordvest é tão limpinho, a despeito da modéstia das habitações...
Na tradição do Neorrealismo, Cinéma Vérité e do conterrâneo Dogma, Nordvest é filmado em estilo documental, então por mais limpo que seja o subúrbio, se o mané faz cocô na calça, a merda aparece. Pena que já vimos essa história mais de uma vez e a ênfase em Caspar deixe as demais personagens meio unidimensionais.  
Nordvest não consegue arranhar a alta criatividade de seus irmãos televisivos chiques, mas pra interessados em distintas facetas da complexa Escandinávia e cinema fora do circuito crime de luxe pode ser boa pedida.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

CONTANDO A VIDA 164

SUICIDIO: o estranho adeus entre o direito individual e o coletivo.

José Carlos Sebe Bom Meihy

O dia 10 de setembro último, como os anteriores, passou em brancas nuvens. É triste, isso, tristíssimo, pois muitos nem se lembram de que esse é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Existem, na realidade, fatores que orientam tal esquecimento, tornando o assunto polêmico, pouco digestível e incômodo E há mesmo aspectos paradoxais, aparentemente contraditórios trançando argumentos sempre evitados. Em uma ponta, temos ativistas que relacionam o suicídio aos desdobramentos do debate sobre o direito à vida em sentido amplo. No outro extremo, tem-se os que defendem, desde o feto até a morte natural, a vida como dom divino e por isso intocável. De um lado, os independentes, defensores da razão e lógica da vida segundo vontade própria, individual, autônoma, soberana em si mesma. Os contrários, considerando o sentido da vida na coletividade, comunitariamente, e assim protestam com veemência contra a morte não natural. Para os cristãos, todos se salvam em conjunto e a morte provocada é pecado irreparável. Os judeus, ainda mais radicais, enterram seus suicidas em campo diferente dos demais.

No primeiro caso, crescem os grupos militantes que acham que o viver depende de cada um, e que não há motivos para se pensar em leis ou regras que regulamentem decisões. Assim, como o aborto seria prioritariamente opção da mãe ou do casal, a conclusão sobre a morte autodeterminada caberia ao próprio vivente que poderia dizer se quer ou não continuar sua trajetória. De modo diferente do tirar a vida de quem não quer morrer, a resolução sobre seu próprio destino seria exclusiva de cada um. Afetando tal vertente, a eutanásia e a chamada morte assistida seriam medidas racionais, amparadas em fundamentos morais e éticos individuais, de direito privado e não coletivo ou público. Os religiosos em particular, em qualquer orientação, são terminantemente contra, avessos às intervenções que cerceiem a luta pela sobrevivência até o limite máximo. Para eles, a vida é um bem maior, supremo, dado por Deus e só ele pode tirar.  

A par de partidarismos, temos alguns números que levam a discutir o tema em outra chave, mais problemática do que simplesmente ser a favor ou contra, por esse ou aquele motivo. Quando se constata, por exemplo que temos no Brasil um montante assustador de 32 pessoas que se suicidam por dia, no mínimo resta-nos alarmar e questionar dos porquês. Figuramos entre os 10 países com maior número de autoimolados em uma lista de 107 outros. Sabe-se que o tema é complexo e que em muitos casos não está ligado à pobreza/riqueza, violência contextual ou posição e status. Os suicídios são “democráticos” e atingem todos os segmentos sociais, gêneros e faixas etárias (ainda que no Brasil predominante entre jovens até 25 anos). De toda forma, mata mais do que vítimas da AIDS e demais patologias conhecidas. Outro número alarmante nesses casos é que de cada 10 casos, 9 poderiam ser evitados.

Mas o que fazer, pergunta-se. É praticamente inexplicável que tenhamos mais suicidas que a Suécia, país campeão, e para o qual só perdemos em números relativos/proporcionais à população total. Mas, também é difícil entender como e por que não falamos do assunto. As igrejas são naturalmente posicionadas e por tanto não se veem convidadas a tocar no tema – quem já ouviu um sermão sobre o assunto? As escolas não tangem o problema, pois aparentemente não lhes compete. Em círculos sociais nem fica bem abordar o assunto. Resultado: silêncio sepulcral e muita perplexidade quando constatamos casos sempre vistos como tragédia. A favor ou contra, na linha da moral individual ou do bem coletivo, temos que quebrar silêncios. Não existe forma mais eficiente de tomar consciência desses casos sem a coragem de falar. Fracionar dogmas, alimentar ideias sobre o assunto é um jeito de tomar pulsos de casos e partir para esclarecimentos necessários, em particular junto aos jovens. Comecemos, então: qual seu posicionamento?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

TELINHA QUENTE 230

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Roberto Rillo Bíscaro

Há anos lia o nome Devious Maids em sites sobre séries e meio que me interessava pelo devious, algo como safado, tortuoso. Por sinopses, sabia tratar-se duma mistura de soap com telenovela mexicana, porque a série da Lifetime baseou-se na novela Ellas Son...La Alegria Del Hogar, da Televisa. O título da adaptação ianque me animava mais, porque supunha sordidez. Demorei, mas agora que a série foi cancelada ao final da quarta temporada, assisti aos 49 episódios e me diverti sobremaneira.
Downton Abbey encontra Melrose Place encontra Maria Del Barrio encontra Hot In Cleveland. Isso é Devious Maids. 4 empregadas latinas trabalhando em mansões em Beverly Hills são o centro desse delicioso show abarrotado de frases de efeito sensacionais. O relacionamento delas com os patrões, os inter-relacionamentos desses últimos e em toda temporada um mistério compõem o miolo da meada dramática. Como em toda boa soap, as personagens principais intercambiam de posição às vezes, mas os culpados pelos mistérios sempre são personagens novatos, porque essa é realmente sua função: poupar o núcleo duro.
Como o tom é de ferveção cômica/farsesca/paródica, não há verdadeiramente um vilão no conjunto. Mesmo quem sempre torce pra mocinhos/as, não odiará Adrian e Evelyn Powell, porque são muito engraçados. A canalhice desses ricaços é distinta da de JR Ewing ou Alexis Morel Carrington Colby Dexter. Os das soaps clássicas são malvados sérios, os Powell são tão caricatos que rimos apenas. Como amo quem não presta, apesar de Devious Maids ser das mucamas, meus favoritos foram Adrian e Evelyn. Adrian 4ever! A picardia também nos deixa aceitar que uma mansão com 9 quartos tenha apenas uma faxineira.
Sonho que dificilmente realizarei é ver na íntegra uma das soaps clássicas exibidas no período vespertino nos EUA. Mesmo em tempos de acesso digital, ainda considero distante a possibilidade de ver os 40 anos de All My Children, por exemplo. As daytime soaps – hoje combalidas e condenadas à extinção nesse formato geracional – são instituições do folclore televisivo estadunidense e geraram ícones como Susan Lucci, a Erica Kane, de All My Children, entre 1970 e 2011. Imagine passar praticamente uma vida profissional inteira num único show; envelhecer vivendo uma só personagem (Lucci é sempre ela mesma, anyway). Se os gurus do capitalismo dizem que a era dos empregos de décadas já era, no mundo das soaps há de ser o mesmo.
O que importa aqui é que mesmo inabilitado pra ver All My Children, vi Lucci nas 4 temporadas de Devious Maids. Que sonho! Nêmesis de Victoria Chase, em Hot In Cleveland, Lucci interpreta Genevieve (pronunciado Janviév) Delatour. Com esse nome, preciso dizer o quê sobre a ricaça? Luxo só. Confirmando o pedigree soap, Grant Show, o Jake Hanson, de Melrose Place e a linhagem sitcom, Ana Ortiz, a irmã de Ugly Betty.
Guilty pleasure é o termo que pseudoculturetes encontraram pra justificar alguma bobagem muito ostensiva de que gostem. Não tenho tais veleidades, não vi Devious Maids com culpa; é puro entretenimento é besteirol e é uma delícia.  

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CAIXA DE MÚSICA 236

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Roberto Rillo Bíscaro

TVs e rádios mais comerciais (a maioria) não dão espaço pro que não seja vendável e atraia a audiência pra seus patrocinadores. Assim, predominam o sertanejo isso ou o arrocha aquilo. Não escondo que não vejo essas TVs (não vejo TV nenhuma, na verdade), tampouco escuto rádio, porque desgosto dos subgêneros ora hegemônicos.
A internet tem sido canal privilegiado pra artistas de qualquer estilo lançarem seu som. Se não há gravadora interessada, pode rolar produção independente e depois divulgação e venda online. Cada vez mais artistas disponibilizam seus álbuns gratuitamente e/ou pode-se ouvi-los sem gasto. Spotify, Deezer, Bandcamp, Soundcloud, Youtube são apenas alguns canais onde se consegue/ouve música grátis. Lembro-me de já ter resenhado trabalhos de Karina Buhr, Theo, 5 A Seco, Thieves’ Kitchen, Not Blood Paint, Silhouette e Paradigm Shift, além do projeto As Mulheres de Péricles, que podem ser ouvidos/adquiridos/baixados (de graça ou não) num desses canais.
Pra nós que vivemos longe de grandes centros e não podemos ir a shows facilita; pra artistas longe do eixo Rio-SP, no contexto brasuca, alarga horizontes estar disponível na internet. Como eu conheceria o belo álbum homônimo d’A Troça Harmônica se não fosse pela rede (e eu não fosse curioso)? A estreia em LP pode ser baixada gratuitamente no site do quarteto.
Chico Limeira, Gustavo Limeira, Regina Limeira e Lucas Dourado estrearam seu som, influenciado por Chico Buarque e o Clube da Esquina, nos palcos de João Pessoa, em 2013. Gravado e mixado na capital paraibana, o álbum A Troça Harmônica saiu ano passado. A boniteza dalgumas melodias, as harmonizações vocais aliadas a boas letras honram as citadas influências, que se confluem em Dúvida, onde um trecho diz “não tem governo, nem nunca terá”, parafraseando O Que Será, dueto de Milton e Chico.
Num álbum cheio de belas canções, vou logo pra jugular: Maria Vem, Barbante Prateado e Mel de Sal. A primeira é o nome mais cantado de nosso cancioneiro e é melodia mansa de corda, que vira guitarrinha, mas sempre mansa. Barbante Prateado poderia tranquilamente estrelar em qualquer álbum da fase áurea de qualquer mineiro da esquina; um milagre de cantos, contracantos e palmas. Mel de Sal, além da estupenda metáfora de imaginar o mar como mel de sal, dá vontade pular ondas jongando e desejando boa sorte pros pescadores.
A Pele vai dar banzo nos oitentistas quando o Roupa Nova ainda não bregueara e gravava delícias como Bem Simples. Não Deixe o Passo Se Quebrar é partido alto e Vertigem da Inocência traz o gosto da tradição do psicodelismo nordestino, na inquieta guitarra, mas que nunca transforma o regionalismo em rock. O momento menos inspirado é a piada de Rapaz Solucionado, com sua instrumentação e letra cômicas. Chistes perdem a graça depois de poucas audições, mas tá valendo.

sábado, 17 de setembro de 2016

15 ANOS DA APALBA

População albina comemora 15 anos de entidade representativa

O plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) sediou no dia 2 de setembro, em Salvador, uma sessão especial pela passagem dos 15 anos de fundação da Associação das Pessoas com Albinismo do Estado da Bahia (Apalba). O evento, que também discutiu a garantia de direitos para o segmento, contou com a participação das secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS).

A titular da Sepromi, Fabya Reis, destacou que no conjunto das prioridades da pasta está o fortalecimento de políticas públicas para a visibilidade de grupos identitários e tradicionais, bem como a promoção da qualidade de vida da população albina. “A Sepromi se mantém à disposição para as articulações, dentro da estrutura governamental, no sentido garantir o cuidado necessário para com este segmento, que inclui medidas efetivas nas áreas da educação, saúde, acessibilidade, lazer, além da geração de trabalho e renda”, afirmou.

Proponente da sessão especial, o deputado estadual Rosemberg Pinto afirmou que a assistência integral em saúde deve ser uma das prioridades do Estado brasileiro no atendimento a este público. "É direito de todos os albinos a ampliação da rede de atendimento médico, o acesso gratuito a lentes corretivas", disse. Uma das lideranças do segmento, Maria Helena Machado, reforçou a necessidade da inclusão social. "É difícil para um albino viver numa sociedade em que não é enxergado", enfatizou a diretora executiva da Apalba.

Medidas - Dentre as prioridades de ação da Sepromi, segundo a secretária Fabya Reis, estão as providências, junto ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura (SecultBA), para cessão de imóvel que sediará a Apalba, no Centro Histórico de Salvador. A discussão será aprofundada nos próximos dias, entre reuniões que acontecerão entre equipes dos dois órgãos. A SJDHDS foi representada pelo superintendente dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Alexandre Baroni. A atividade contou com a presença de albinos dos municípios de Novo Triunfo, Macaúbas, Santo Antônio de Jesus, Crus das Almas, Inhambupe Alagoinhas e Ipirá.







sexta-feira, 16 de setembro de 2016

CÂNCER DE PELE É VILÃO EM MOÇAMBIQUE

Cancro da pele mata mais pessoas com albinismo em Moçambique do que os ataques
Após visitar Moçambique, a perita independente das Organização das Nações Unidas(ONU) sobre os direitos humanos das pessoas que vivem com albinismo reconheceu que o plano multi-sectorial criado pelo Governo de Filipe Nyusi é um dos melhores que já viu porém “não dispõe de um orçamento especifico, nem um método de responsabilização e prestação de contas”. Ikponwosa Ero constatou que embora se acredite que os mandantes da caça aos moçambicanos com albinismo não sejam nacionais “não há evidências que os estrangeiros estejam sempre envolvidos (…) Portanto enquanto não forem encontrados os mandantes a segurança das pessoas que vivem com albinismo continuará precária”. Por outro lado faltam cuidados de saúde para os moçambicanos que vivem com esta deficiência na produção de melanina pelo organismo, “o cancro da pele mata mais pessoas com albinismo do que os ataques” revelou.
Ikponwosa Ero visitou o nosso País entre os dias e constatou que as centenas de casos de ataques a pessoas que vivem com albinismo, reportados pelas autoridades, não são todos os que terão ocorrido. “Há percepção que os casos reportados estão muito aquém dos que realmente terão acontecido devido ao secretismo em que está envolta a feitiçaria. Do ano passado para cá diminuíram os casos reportados porém continua a existir a perseguição às pessoas que vivem com albinismo, último registo de que disponho é de Junho passado. Houve outro caso registado há algumas semanas mas não foi possível verificar. Como consequência os moçambicanos com albinismo vivem aterrorizados, pois até familiares estão envolvidos em muitos dos casos o que os leva a desconfiar até dos parentes” afirmou a perita ONU em conferência de imprensa em Maputo.
“Estima-se que o número de moçambicanos que vivem com albinismo ronda os 20 a 30 mil, o número não é preciso pois na verdade nunca foram contabilizados, espero que o Censo (Recenseamento Geral da população) do próximo ano traga números precisos” disse Ero.
A nigeriana que também vive com albinismo manifestou o seu agrado em relação ao plano multi-sectorial de acção do Executivo moçambicano porém lamentou que o mesmo “não dispõe de um orçamento especifico, nem um método de responsabilização e prestação de contas, e não é de domínio público”.
Ikponwosa Ero destacou ainda pela positiva o novo Código Penal vigente em Moçambique, “é abrangente para a responsabilização dos crimes contra as pessoas que vivem com albinismo, por exemplo penaliza o tráfico de partes do corpo humano e não apenas o tráfico de órgãos e pessoas. É também encorajador o facto de Moçambique possuir o maior número de casos que tiveram seguimento a nível judicial. Segundo o Relatório que me foi apresentado pelo Tribunal Supremo 65 processos foram instaurados, 36 na província da Zambézia, 15 em Nampula, 4 em Tete, 4 em Cabo Delgado, 3 em Sofala, 2 em Niassa e 1 em Inhambane. Trata-se de uma excelente notícia, a priorização do julgamento destes casos, é um factor de desencorajamento aos criminosos” frizou.
Menos de 2% de pessoas com albinismo vivem para além dos 40 anos de idade
Foto cedida pelo PNUD
Todavia, e após visitar unidades sanitárias, Ero lamentou a pouca disponibilidade no País de cremes de protecção da pelo contra a acção do sol e a ausência de tratamento para o cancro de pele que afecta a maioria das pessoas que vivem com albinismo. “O cancro da pele mata mais pessoas com albinismo do que os ataques, estudos realizados em vários países revelam que menos de 2% de pessoas com albinismo vivem para além dos 40 anos de idade, morrem devido ao cancro da pele. Actualmente não está disponível o fornecimento contínuo de cremes protectores de pele para as pessoas com albinismo, não há também tratamento de radioterapia para os doentes com cancro da pele em Moçambique. Quem viva com albinismo e não tenha condições financeiras para procurar tratamento fora de Moçambique acabam por morrer devido ao cancro”.

Ikponwosa Ero recomendou “veementemente que Moçambique inicie a produção local destes cremes de protecção de pele, acontece na Tanzania por exemplo e na fábrica trabalham pessoas com albinismo, há distribuição regular do creme de protecção solar até as zonas mais recônditas”.
“De igual modo não há óculos e outros dispositivos para auxiliar a visão das pessoas que vivem com albinismo, o que é crucial pois as pessoas com albinismo precisam de arranjar empregos decentes e em locais interiores e não ao sol onde são propensos a contrair o cancro de pele. Neste contexto as políticas de educação também devem ser inclusivas”, apelou a perita independente das Nações Unidas.
Para Ikponwosa Ero “o empoderamento das pessoas que vivem com albinismo é importante e com particular foco nas suas mães. Até a data nenhuma das pessoas envolvidas nos crimes contra pessoas com albinismo são mães biológicas, por isso empodera-las é conseguir um aliado para defender a criança”.
“A situação das pessoas que vivem com albinismo é um teste à inclusão social”
Perpetraram os crimes contra pessoas que vivem com albinismo, reportados entre 2014 à esta parte, cidadãos moçambicanos que na sua generalidade disseram ter cometido o crime para traficar as vítimas ou vender as partes do seu corpo a alegados compradores estrangeiros. Ero questionou afinal “quem efectivamente está por detrás destes ataques, onde estão os mandantes”.
“Foi me revelado que as partes do corpo de uma pessoas com albinismo está estimada em vários milhões de meticais, é complexo apurar quem está a demandar por eles. Muitas pessoas em Moçambique acreditam que os mandantes são estrangeiros, mas não há evidências que os estrangeiros estejam sempre envolvidos. O que sei é que todos os que foram detidos e acusados são moçambicanos, com a excepção de um caso. Portanto enquanto não forem encontrados os mandantes a segurança das pessoas que vivem com albinismo continuará precária” lamentou a perita da ONU sobre os direitos humanos das pessoas que vivem com albinismo. Na perspectiva de Ero o actual contexto sócio-político e económico é outra razão da precariedade com que vivem as pessoas com albinismo no nosso País, “existe o risco de por isso ignorarem o drama das pessoas que vivem com albinismo, não obstante, tendo em conta o dimensão da população (de pessoas que vivem com albinismo), não há desculpas políticas ou económicas, não faz também sentido abandonar os êxitos alcançados”.
Ikponwosa Ero, que visitou Moçambique entre 21 de Agosto e 3 de Setembro, para avaliar a situação dos direitos humanos das pessoas que vivem com albinismo, concluiu que “há necessidade de mais cooperação entre os Países da África Austral” e deixou mais um recado para o Governo de Nyusi que as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas têm o objectivo fundamental de não deixar ninguém para trás e “a situação das pessoas que vivem com albinismo é um teste à inclusão social”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

CONTANDO A VIDA 163

CRIANÇAS MORTAS: fotografia e moral cidadã.

José Carlos Sebe Bom Meihy

Muitas vezes, depois que escrevo uma crônica, costumo enviá-la para alguns colegas e ex-alunos, pessoas que conhecem meus dilemas frente a questão do uso da arte na sociedade contemporânea. A generosidade de amigos críticos invariavelmente me ajuda a melhorar o texto, corrigir equívocos, propor novos ângulos. Foi exatamente isso que aconteceu com o texto intitulado “A cara da América Latina sem rosto”. A proposta era mostrar certa tendência presente nas séries feitas por fotógrafos proeminentes, artistas que preferem valorizar paisagens acidentadas, desertos, florestas, nuvens com desenhos dramáticos, mares agitados ou bichos e plantas, tudo em detrimento dos registros dos rostos da população. Sim, a América Latina ainda habita o imaginário universal como um polo estranho e exótico.

Por lógico, nesses exames rápidos, tramito entre as funções da fotografia feita para público, com duas possibilidades mais importantes: de denúncia ou alienação. No primeiro caso, temo que os efeitos visuais – sempre muito bonitos – se prestem à estetização inútil, reduzindo a arte e o motivo da fotografia à mera técnica ou discussão sobre luz, efeito e forma ou composição. No segundo caso, sofro com o excesso de didatismo filtrado por lentes ideológicas demais, sempre atentas à denúncia. Sem dúvida, como tantos, busco o equilíbrio oportuno que esquadrinha combinações pertinentes. No caso da invisibilidade dos rostos da população latino-americana tem sido o “apagamento” que me deixa perplexo e é pela falta que me frustro. Foi, contudo, diante de problemas que avento, sobre a relevância das mostras fotográficas, que uma colega alertou sobre o significado de certas imagens que tem pautado o fotojornalismo em nível internacional. De maneira contundente, disse a interlocutora “ora, professor, veja as fotos das crianças que morrem na travessia do norte da África para a Europa”, e, numa sequência trágica foram anexadas algumas cenas das crianças mortas, tomadas como emblema do drama avassalador que cobre de luto a moral globalizada.  Não bastasse a punhalada crítica, junto a alguns retratos veio o bilhete publicado, mensagem do socorrista alemão, professor de música, de nome Martin, que disse ter visto, dias passados, um bebê boiando na água e o corpo estava “como um boneco, com os braços esticados”. Em continuidade afirmava o voluntário “Peguei o bebê pelo antebraço e puxei seu corpinho para os meus braços na mesma hora para protegê-lo... os braços dele, com aqueles dedinhos, balançaram no ar, o sol bateu nos seus olhos, brilhantes, acolhedores, mas sem vida". E em lágrimas, concluía: “só seis horas antes, essa criança estava viva".

A associação foi imediata, com outra foto, do menino sírio Aylan, de 4 anos, trazido sem vida pelas ondas, numa praia turca, no ano passado. Há outras como o do menino de 5 anos, salvo, mas ferido, em explosão no dia 18 de agosto último em Aleppo, na Siria. A foto rodou o mundo e doeu em muita gente. Frente a tudo isso me permito perguntas que envolvem o fazer fotojornalístico: pode a fotografia dimensionar a notícia fazendo-a cumprir o papel de divulgação? Qual a moral ou o limite expresso pelo apelo à dor? Vale mostrar os corpos infantis em detrimento de outros, de velhos, mulheres grávidas, pessoas com limitações físicas? Antes de provisórias conclusões, lembremos que por trás de cada caso existe um sistema que permite isso, que sabe de traficantes, de violência de toda ordem, de estupros e até de venda de órgãos para pagar o trânsito. E vejam que estamos falando de um total, só neste ano, de 3.171 mortes. Nesse contexto, qual o significado das fotografias dos meninos afogados? E desdobrando a questão volto ao ponto de partida: qual o sentido da construção da invisibilidade dos rostos latino-americanos? Tomara que analistas de fotografia consigam responder. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

TELINHA QUENTE 229

Resultado de imagem para lightfields
Roberto Rillo Bíscaro

A iTV contentou-se tamanho com a audiência de Marchlands (2011), que em 2013 exibiu outra minissérie de casa mal-assombrada, cuja história se passa em 3 épocas. Apesar de haver gostado de Marchlands e saber da existência da sucessora Lightfields, demorei anos pra vê-la. Poderia ter tardado mais uma geração que não teria feito a menor diferença. Irrecomendável.
Em 1944, uma linda campesina morre incinerada no incêndio dum celeiro, depois de haver perdido a virgindade prum soldado norte-americano. Lightfields é o nome da casa que será palco de eventos sobrenaturais em 1975 e 2012, quando residentes de algum modo conectados à morte de Lucy lá se instalam. O fardo do espectador é esperar 5 capítulos em sua maior parte tediosos e desnecessários (daria pra contar a história em 2, estourando, 3) pra resolução insatisfatória duma historinha sem história.
Quando o fantasma garante sustos e/ou suspense, perdoamos aquelas infantilidades de mensagens desconexas escritas em espelhos, mas no mundo de Lightfields, desprovido de suspense ou drama, temos de ser implacáveis. Se a maldita assombração era capaz de compor meia folha em máquina de escrever, porque diabos já não disse logo quem era culpado e quem inocente? A tostada Miss Felwood é bem rápida pra castigar quem a comeu, como se ele fosse o culpado. Por que então esperou 60 anos pra eximir o pobre irmãozinho da culpa que carregava? No fim das contas, Lightfields é tão moralista quanto um slasher oitentista: quem paga é quem transa.
Se você curte casa mal-assombrada, fuja de Lightfields e fique com Marchlands, The Enfield Haunting ou mesmo The Secret Of Crickley Hall, que dá de 10, mesmo não sendo tão boa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

CAIXA DE MÚSICA 235

Il Castello Di Atlante Arx Atlantis album cover

Roberto Rillo Bíscaro

Resiliente é adjetivo apropriado para Il Castello Di Atlante (ICDA). Formada em 1974, quando o rock progressivo era hegemônico culturalmente – e até desfrutava de certo sucesso comercial – a banda não conseguiu gravar nos 70’s. Estreou em LP apenas em 1992, quando nem mais o outrora soberano Yes importava. Desde então, a cada 4, 5 anos reaparece com material novo.
Em abril, saiu o sexto álbum, Arx Atlantis, que encontra o ICDA com a seguinte formação: Aldo Bergamini (guitarra e vocais), Andrea Bertino (violino), Davide Cristofoli (piano e teclados em geral), Paolo Ferrarotti (vocais, teclados e bateria), Dino Fiore (baixo) e Mattia Garimanno (bateria). Ao longo desses mais de 40 anos, não houve significativas alterações na formação. Fiore e Ferraroti, por exemplo, são fundadores.
Arx Atlantis tem cinco longas faixas de prog sinfônico remetendo diretamente ao período áureo. A intenção do ICDA não é descobrir nova pólvora, apenas seguir a tradição italiana de bandas influenciadas pelos ingleses, tipo Genesis, com instrumentação e vocais dramáticos.
As duas faixas iniciais são o que realmente vale a pena. Nom Ho Mai Imparato tem teclados genesianos, com pitadinha de ELP e guitarra granulada com piano Romântico. Os dois instrumentos estão balanceados ao longo do álbum, agradando a fãs de ambos. Antes de ter faixas memoráveis e viciantes já de primeira audição – como os recentes trabalhos do Big Big Train e da The Neal Morse Band – Arx Atllantis tem trechos bonitos, abundantes nesta faixa e na segunda, Il Vecchio Giovane, que inicia vibrante e tem show de violino, trazendo à mente os conterrâneos 70’s do Quella Vecchia Locanda.
Pena que daí adiante, o ICDA perca o fôlego. Ghino E L’Abate de Gligni abre em clima de trilha de western espaguete para tornar-se convencional prog midtempo e media boca. Il Tempo Del Grande Onore tem eficiente guitarra hackettiana, mas demora demais para achar uma melodia linda, que chega muito tarde para salvá-la. Os 16 genesianos minutos de Il Tesoro Ritrovato tem brilhosos trechos de guitarra, insuficientes para um todo derivativo demais, que só pode ser classificado como legal.
Il Castello de Atlante não é uma grande banda e Arx Atlantis um álbum soberbo, mas para amantes de bons momentos de progressivo sinfônico, em um ano de boa safra, dá para ouvir de boa, salvar canções e saudar a continuidade do rock progressivo.