quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

TELONA QUENTE 318


Na época anterior ao streaming, as videolocadoras foram fundamentais para o início da experiência de assistir filme em casa. O documentário narra a história das videolocadoras de São Paulo, desde o seu surgimento até a superação dessa plataforma. Donos, funcionários, clientes, cinéfilos e críticos falam sobre a experiência de locar um filme.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

TELINHA QUENTE 391

Um policial vai a Londres atrás de seu irmão mafioso, quando uma guerra da yakuza ameaça tomar conta de Tóquio.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 397


Roberto Rillo Bíscaro

Relembrando o trabalho mais pop e comercialmente bem-sucedido do artista inglês.

domingo, 12 de janeiro de 2020

XUXINHO

Xuxa posta foto com menino albino em Angola, e Junno comenta: "Xuxinho"
Xuxa Meneghel postou hoje, no Instagram, uma fofíssima imagem em que aparece brincando carinhosamente com um menino albino em Angola, país em que realiza uma missão solidária.
"Milagre é um albino da aldeia, sonhe com eles, ajude a manter esse lindo projeto", escreveu a apresentadora como legenda, divulgando o trabalho do instituto Aldeia Nassi, que ajuda crianças no país. 
Xuxa recebeu muitos comentários elogiosos e, entre eles, um se destacou. O namorado da apresentadora, Junno Andrade, escreveu: "Quase um Xuxinho, hein, Milagrosa! Te amo". 
A atriz Bruna Marquezine, que também realizou trabalho voluntário no local, por sua vez, postou: "Que saudade dele!".
Xuxa apoia a ONG Baluarte, que nasceu há dois anos com o objetivo de dar assistência a crianças carentes em Angola. Atualmente, a Baluarte atende cerca de 300 crianças do bairro Capolo, na cidade de Poro Amboim.
No ano passado, Sasha, filha de Xuxa, e os jogadores palmeirenses William Bigode e Raphael Veiga estiveram na sede da entidade para fazer trabalho voluntário.

QUÁDRUPLA ADOÇÃO ALBINA

Casal adota 4 crianças albinas: “elas preenchem nossos corações”

A família adotou cinco filhos, sendo quatro crianças com albinismo

Elizabeth Grabowski já tinham duas crianças quando o sonho de um terceiro filho apareceu. Como casal vivia uma fase bem confortável na vida com bons empregos, casa, carro e os dois filhos; a terceira gestação acabou ficando para trás.

Com o tempo, a ideia da adoção tomou forma e eles deram entrada no processo. O sonho era uma menininha chinesa. Foi então que uma longa espera começou. Os estimados seis meses se transformaram em cinco longos anos.

“Aos poucos o termo necessidades especiais começou a parecer menos assustador”, afirmou Grabowski ao site Love What Matters. Logo depois de mudarem a ficha de cadastro, chegou um e-mail com uma recém-nascida para a adoção. Ao abrirem o anexo, eles viram a pequena Lily. Uma garotinha de cabelos brancos como a neve. “Nossa pequena filha tinha uma condição médica muito visível, albinismo, e nos apaixonamos por ela naquele momento”, afirma.

Um mês depois a família cresceu novamente. O plano era outra menininha de olhos claros e cabelos platinados, mas eles foram surpreendidos com Mae, uma chinesinha com lindos olhos e cabelos castanhos. A pequena nasceu com uma deficiência no braço direito, que limitava sua função.

Enquanto estavam na China, o casal não parava de pensar em um menino albino. Ao retornarem, entraram em contato com a agência de adoção e uma hora depois o telefone tocou. Natanael, um menino de três anos com albinismo, estava pronto para entrar na família.

Com cinco filhos, o casal sentiu um novo desejo de adoção. “O albinismo foi um diagnóstico com o qual nos sentimos muito à vontade, então queríamos uma menina entre cinco e sete anos”, conta Grabowski. Apesar da agência dizer que não seria tão fácil, três dias depois Kaelyn foi adotada.

Ao contrário dos outros irmãos, a menina de 5 anos tinha uma história envolvendo muitas formas de abandono, que resultaram em atrasos no desenvolvimento mental e físico. “Quando a conhecemos na China, ela ainda tinha muito a aprender. Sua melhora nos anos seguintes foi milagrosa! Sabemos que nunca será independente, mas ela é muito amada e feliz”, reconhece a mamãe que também adotou a pequena Emily, meses depois.

Agora sim, o casal sentia que a família estava completa! Rodeados por sete filhos, os desafios não são poucos. A doença dos quatro também acarreta deficiências visuais em graus variados. Mas com auxílio de óculos, lupas e bastões todos são capazes de brincar e aprender como qualquer criança. “A vida com quatro filhos com albinismo tem sido uma grande aventura. Elas preenchem nossos corações”, garante Grabowski.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

PAPIRO VIRTUAL 153

Roberto Rillo Bíscaro
Personagens presas em armadilhas de diferentes tipos, logo após o colapso econômico da Islândia.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

TELONA QUENTE 317


Roberto Rillo Bíscaro

Um grupo de amigos decide visitar uma penitenciária abandonada e assombrada, mas isso pode não ser uma boa ideia...

FAIXA ALBINA

De olho nas Paralimpíadas, judoca de MS inicia ano em competição no Canadá
Luan Simões Pimentel está concentrado com a seleção brasileira de judô paralímpico no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo (SP). O sul-mato-grossense participa, junto a outros 12 judocas, dos últimos preparativos da delegação verde e amarela convocada pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), para a disputa da IBSA Judo American Championship. A competição, correspondente ao Parapan-Americano da modalidade, ocorrerá em Montreal, no Canadá, de 10 a 15 de janeiro.

O evento é o primeiro do ano valendo pontos para o ranking mundial, que definirá os participantes do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Verão 2020, em Tóquio, no Japão. O torneio internacional multiesportivo mais esperado pelos atletas acontecerá de 25 de agosto a 6 de setembro.

Atual campeão brasileiro e parapan-americano (em Lima, no Peru, de 23 de agosto a 1º de setembro de 2019) na categoria até 73 quilogramas, o judoca, natural de Camapuã, a cerca de 140 quilômetros de Campo Grande, é uma das apostas de medalha do Brasil em competições internacionais. Em Montreal, o objetivo é largar bem na temporada.

“A IBSA Judo American Championship é uma competição muito importante para todos nas Américas, pois é a última no continente e vale pontos preciosos para o ranking paralímpico nesta reta final de classificação às Paralimpíadas”, destaca o camapuanense de 22 anos, um dos favoritos a integrar a seleção tupiniquim em Tóquio daqui há sete meses.

Para o atleta do Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos “Florivaldo Vargas” (Ismac), de Campo Grande, o torneio canadense logo no início do ano é benéfico para todos os judocas. “Nossos clubes ainda estão de férias e não estão tendo treinos. Então, isso será muito importante para chegarmos bem preparados e com ritmo para o Pan [IBSA Judo American Championship] e para as outras competições ao longo deste ano”.

“Espero lutar bem, venho de boas atuações e pretendo me manter com a mente limpa para competir e conseguir expressar a evolução que está sendo buscada nos treinos”, completa o judoca, que tem baixa visão (classe B3) por conta do albinismo. Além da parada no Canadá, as etapas da Inglaterra (em abril) e Azerbaijão (em maio) do Grand Prix, da Federação Internacional dos Desportos para Cegos (IBSA), contarão pontos na disputa pelas vagas paralímpicas no judô.

O camapuanense é um dos contemplados pelo programa Bolsa Atleta, na categoria pódio complementar, criado e oferecido pelo Governo do Estado, por intermédio da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte). No último dia 30, Pimentel também foi selecionado pelo Bolsa Atleta federal, na categoria internacional, da Secretaria Especial do Esporte, e é um dos 93 sul-mato-grossenses beneficiados.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

CONTANDO A VIDA 296

E O PRÊMIO VAI PARA: DAMARES OU WEINTRAUB

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Desde muito cedo aprendi que não devemos diminuir nossos opositores e que, pelo reverso, respeitá-los é maneira sadia de reconhecer a estatura de quem se faz contraste do que pensamos ou consideramos correto. Chamar o inimigo de burro, otário, besta quadrada, ignorante, ou quaisquer outras variantes é simples, ainda que pouco explicativo. Também é cautelar a lembrança dos riscos em conversas exclusivas, trocadas com pessoas afins, com grupos que comungam nossas idéias e pronto. Promover o diálogo, compartilhar comentários que se enquadrem nas molduras da democracia, é meta que deve orientar os cidadãos de boa vontade. É claro que não é fácil achar o desejado “ponto médio”, mas é importante mantê-lo no horizonte. Ponderação, nesses casos, é como canja de galinha, sempre recomendável por não fazer mal. Mas, as sandices estão por aí e por doídas que sejam, por serem exaradas por figuras públicas, se afiguram como ameaças aos cidadãos comuns. O desafio está no teor oculto na pândega e na procura de seus entendimentos, além da perplexidade. Lembremo-nos, atitudes assim podem até divertir, mas não resultam construtivas se esgotarem na constatação e nos recortes isolados. O problema ganha contornos críticos quando elas se naturalizam e não mais espantam. É quando então, num gesto de bom senso, se faz válido elencá-las como maneira de entender a balburdia verborrágica que assola o país. 

Em termos filosóficos e analíticos recomenda-se corrigir a velha divisão entre forma/conteúdo. Modernamente, ambos componentes são unos, um determinando o outro. Não é cabível pensar que há uma forma (que pode ser ridícula) independente de seu conteúdo (que pode ser sadio). É evidente que há deslizes pontuais, escorregões frequentes e que ocorrem por diversas razões, mas quando eles se juntam e dimensionam questões consequentes, em particular nas instâncias de poderes políticos, tais dizeres devem ser entendidos como propostas programáticas de efeitos graves. Tiremos, portanto os eventuais lapsos de fala, as roupas erradas (gravatas, cortes de cabelo, sapatos). Interessam mesmo, isto sim, as repetições da relação forma/conteúdo articulados, em particular quando estas se inscrevem em demandas que afetam causas nacionais. 

Isto tudo vale como preâmbulo para a consideração de um encontro entre dois personagens inacreditáveis do atual governo: Damares Alves (Direitos Humanos) e Abraham Weintraub (Educação), que juntos, dia 20 de novembro último, protagonizaram a materialização do que pode ser considerado um atentado político educacional. O “espetáculo” dado foi levado à público por ocasião do esforço governamental que visa criar um canal que viabilizasse pais de alunos que quiserem denunciar professores que ofendessem “a moral, a religião e a ética familiar”. É lógico que a proposta inspirada no Tribunal do Santo Ofício, vulgarmente conhecido como Inquisição, não tem consistência além de exceções que não chancelam o absurdo da regra generalizada. Porque a proposta da dupla ministerial não estabelece competências sobre quem controla o quê, onde e como, ela é falha. Mas a reunião de duas pastas é algo sério e aí sim vale a consideração sobre forma/conteúdo discursivos continuados. 

Convém lembrar que desde o momento de estreia (estreia é boa palavra para quem se especializou em dar shows de sandices), a Pastora Damares tem nos premiado com pérolas que já entraram na antologia anedótica. A “chave de ouro”, a que abriu todo repertório que, aliás tem notabilizado a atual equipe, pontificava que “meninos vestem azul, meninas vestem rosa”, e, no nível das equiparações, convém não esquecer que com a autoridade outorgada pela presidência, ela foi ungida por seus vínculos divinais, pois à soi disant Jesus reencarnou-se. e se fez presente em uma iluminação onde pairava sobre uma de goiabeira. Delírios a parte, a poderosa senhora afirmou, na linha de interferência na Educação, que na Holanda os professores ensinam que os meninos devem ser masturbados desde os sete anos de idade e que as meninas precisam ser manipuladas desde cedo para que tenham, na fase adulta, prazer na vida sexual. Mas passando do inacreditável para o consequente, a criativa pastora/ ministra afirma categoricamente que no nordeste do país dá-se distribuição escolar de “manuais de bruxaria” e, não bastasse, indicou a existência de hotéis fazenda onde turistas se valem de animais para transar. A soma destas falas convida a vê-las articuladas, e reveladoras de posturas ministeriais. Tudo é agravado – e muito – quando se perfila outro cabedal de barbaridades derivadas do ministro responsável pela Educação que, em resposta, numa “twitada”, declarou que a ofensa deferida a ele por uma adolescente devria ser proferida à mãe “égua sarnenta e desdentada”. A par de linguajar, digamos chulo, o mandatário declarou, frente a visita do presidente que “em Israel, o Jair Bolsonaro tem um monte de parcerias para trazer tecnologia aqui para o Brasil. Em vez de as universidades do Nordeste ficarem aí fazendo sociologia, fazendo filosofia no agreste fazer agronomia, em parceria com Israel”. Também deixemos os preconceitos pontuais e assinalemos a precariedade analítica de quem se propõe controlar a sala de aula, e vejamos, o que disse em relação a um mundialmente reconhecido educador: “se o Brasil tem uma filosofia de educação tão boa, Paulo Freire é uma unanimidade... Por que a gente tem resultados tão ruins comparativamente a outros países? A gente gasta em patamares do PIB igual aos países ricos”. Reduzindo os efeitos do ensino público, em particular das universidades o ministro declarou, nomeando três delas: “Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”. Repete-se que não é válido apenas salientar os deslizes que no caso do ocupante da pasta da Educação seria sério demais (os repetidos erros gramaticais, inclusive a troca de Kafka por kafta), mas o que pesa mesmo é pensar que tais personagens estão ditando regras que afetarão gerações. E por falar em controle, sem uma crítica coletiva, sem pensar nesses dizeres além das bobagens risíveis, onde está o nosso bom senso cidadão? Onde? Até quando vamos deixar esta gente nos controlar?

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

TELINHA QUENTE 390



Em busca de justiça, uma comunidade online de detetives amadores descobre na tecnologia uma ferramenta para solucionar crimes. E também para fazer amigos bem peculiares.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 396


Roberto Rillo Bíscaro

Profissão de Urubu soa meio estranho como nome dum grupo tão melódico e delicado como o formado por Bruno Jefter (voz, violão e guitarra), Paulo Mello (voz e guitarra), Adolfo Neto (baixo e teclados), Pedro Araújo (guitarra) e Guilherme Maranhão (bateria).
Os brasilienses se inspiraram em Tom Jobim, que admirava a pobre ave com fama de agourenta a ponto de nomear um de seus álbuns em sua homenagem. Diz que em entrevista nos 70’s, o Maestro afirmou que “profissão de urubu é ser alegre e tristonho”.
O álbum homônimo de estreia saiu em 2015 e exceto por umas 3 ou 4 faixas, o resto é adjetivável com um sonoro cuti-cuti/nóxa-nóxa. Tudo muito fofo e inspirado por indie ou twee pop. Cheio de assobios, corinhos infantis, lálálás e láláláiás, faixas como Até, Setembro, Pinheiros, De Verdade, Par, Para Sempre e Embora serão irresistíveis para fãs de Marcelo Jeneci, Belle and Sebastian, pop influenciado por country, easy listening, cheio de teclados soando como cornetinhas. Dá vontade de cantar junto, pulando amarelinha. “Bom dia, bom dia, bom, dia láláiáláiá!”
Os números mais introspectivos também são deliciosos, graças às vozes doces de Bruno e Paulo. Vide o samba-canção bossa-novado que abre meio psych, de Cigarro na Orelha e a canção de ninar, meio pós-rock Fala, que tem até barulhinho de chuva.
E não dá de jeito nenhum pra dizer que é inacessível, pra poucos, não toca na mídia etc. Tá aqui, de graça, ó!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

TELONA QUENTE 316



Após o auge de sua carreira, um boxeador tenta reconstruir a relação com sua filha ao enfrentar o início de uma doença terminal.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

MELHORES DE 2019 – PARTE II

Roberto Rillo Bíscaro

Não importa ano de lançamento; para constar na lista de melhores do ano, basta ter aparecido nas seções de música, TV, cinema ou literatura.

Para relembrar a relação dos melhores do primeiro semestre, acesse:



MÚSICA

– Alexandre Andrés, Bernardo Maranhão e André Mehmari: Um álbum deslumbrante e diverso da nova geração da nossa rica MPB.

Psychocandy – The Jesus and Mary Chain: Há 35 anos, quatro escoceses mudaram a história do rock, por isso é importante celebrá-los.


Nattfiolen – Jordsjø: Os noruegueses fazem um som elaborado, com influências de rock progressivo dos anos 70, folk e trilhas de filme de horror também dos anos 70.

Sossego – Pietá: O trio volta mais incisivo em seu denso segundo álbum, incluindo elementos de rock a sua MPB.

Fertile Ground - de Farmhouse Odissey: O terceiro álbum dos norte-americanos abunda em sofisticação em um prog sinfônico muito atual.

Gryphon – Reinvention: Prog folk britânico, que se reinventou e permanece preciso e precioso.

América - Bedibê: O segundo trabalho dos paulistas une diversos estilos num som melódico, que agradará tanto a fãs de MPB, quanto de indie pop.

Careful - Boy Harsher: O duo norte-americano faz um eletro fascinante, com vocais que transmitem depressão e desejo ao mesmo tempo.



TV
Sebastian Bergman - Um perturbado psicólogo ajuda a polícia sueca a desvendar crimes brutais.

De Dag - Um assalto a banco na Bélgica é analisado sob diversos pontos de vista, durante e depois da ação, cheia de reviravoltas.

DCI Banks - O Detetive Inspetor-Chefe Alan Banks e sua equipe investigam casos, baseados nos romances de Peter Robinson.

Chernobyl – O desastre na usina nuclear soviética nos anos 80 contado em excruciante detalhe.

Äkta Människor - Em um presente paralelo, o uso de androides é comum. Os hubots, são usados ​​como trabalhadores e companhia. Enquanto algumas pessoas abraçam esta nova tecnologia, outras estão assustadas com o que pode acontecer quando seres humanos são substituídos como trabalhadores, pais e até mesmo amantes.

Jane, a Virgem – As cinco temporadas de Jane, a Virgem são explosão de humor, criatividade, comédia e emoção.

Inacreditável - Uma jovem é acusada de falsa denúncia de estupro. Anos depois, duas investigadoras encaram casos assustadoramente parecidos. Série inspirada em fatos.

The Looming Tower - The Looming Tower acompanha a crescente ameaça de Osama Bin Laden e da Al-Qaeda no final dos anos 90 e como a rivallidade entre o FBI e a CIA durante essa época pode ter, de forma não intencional, definido o caminho para a tragédia do 11 de setembro. 

CINEMA
Peranbu - A jornada emocional e geográfica de um pai, que precisa aceitar sua filha com severo caso de paralisia cerebral.

A Transfiguração - Milo é um jovem fascinado por vampiros. Quando ele conhece Sophie, os dois forjam um vínculo que desafia a obsessão de Milo e sua percepção do que é fantasia ou realidade.

Badla - Um renomado advogado assume o caso de uma mulher acusada de matar o amante. Quanto mais eles tentam desvendar a verdade, mais obscura a situação fica.

Border - Um filme sueco fascinantemente estranho e estranhamente fascinante.

Temporada - Juliana deixou a cidade natal para trabalhar como inspetora de combate à dengue. Com a mudança, ela embarca numa jornada inesperada rumo à independência.

LITERATURA
Stagestruck, de Peter Lovesey: Uma história de detetives às antigas, sobre uma estrela pop, que tem o rosto queimado em pleno palco de um tatro.

The Abominable Man, de Maj Sjöwall e Per Wahlöö: O brutal assassinato de um chefe de polícia revela uma Suécia meio distante do ideal bem-estar social, neste clássico da literatura policial escandinava.

The Caveman, de Jorn Lier Horst: Dois corpos quase mumificados são encontrados em dois pontos de uma pequena cidade norueguesa. O detetive William Wisting e sua filha jornalista começam a investigar as duas histórias separadamente. Mas, será que são casos independentes?


segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 395


Roberto Rillo Bíscaro


Num ano cheio de retornos, os norte-americanos não poderiam deixar de comparecer com um sólido trabalho cheio de funk e influências de jazz.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

TELONA QUENTE 315


Uma historiadora tem que provar no tribunal que o Holocausto aconteceu depois de ser acusada de difamação por um homem famoso por negar isso. Drama baseado em fatos.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

CONTANDO A VIDA 295


ENTÃO É NATAL: tema para fim de ano. 


José Carlos Sebe Bom Meihy 

Não gosto de escrever quando estou triste. Dizem os sábios que escrever chorando contagia os leitores. Hoje, além do mais, o dia amanheceu iluminado com sol ardendo luzes e, dezembro reinando na atmosfera de “boas festas”. Pensei de início em falar de amenidades, algo do tipo “momentos prazerosos do ano”, alguma coisa próxima de um “apesar de tudo, valeu a pena”, “vejamos o outro lado da moeda”, ou ainda “as limonadas feitas com limões muito azedos”. Desisti. Desisti mantendo a proposta de assegurar que em tempos natalinos cabe não sufocar a esperança e nem evitar a gostosura do verão próximo ao mar. Cabe, isto sim, valorizar o gosto de frutas de época e o povo nas ruas, praças, praias. Portanto, em vez de falar do passado ou chorar pitangas conhecidas, optei por relativizar o que tanta dor tem causado a muitos. Depois de trato nas ideias, imaginei alternativa prometedora, um balanço aberto do aprendizado do nosso presidente da república. Imagine... Sim, na modéstia de minha insignificância, a fim de justificar o tal espírito de fim de ano, resolvi olhar o lado positivo do capitão legitimado como mandatário máximo do país. Sabia do cuidado nas escolhas que instruiriam os argumentos, pois não posso ser traidor de postulados que mantenho, acredito e pelos quais luto. Tratos à bola, descartei logo as críticas fáceis à Damares, ao Sales, ao Moro, ao Weintraub, ao Guedes e ao estranho Ernesto Araújo. Da família, nem pensar: filhos, mulher e ex mulheres. Bico calado em relação ao Queiroz e aos vizinhos (caladíssimo). É claro, que não vou mencionar fatos constrangedores como “golden shawer”, ofensas à Pirralha e nem ao respeitado Paulo Freire. É óbvio que preferi pensar que Olavo de Carvalho não existe e que o terraplanismo foi brincadeira surreal. Machismo, ditadura, sexismo, preconceitos: nem pensar. E não poderia ser de outro jeito, pois a trilha sonora imaginária e que se presentifica na redação corre por conta da inefável Simone, repetindo a versão da letra feita por John Lenon e sua amada Yoko Ono: “então é Natal, e o que você fez? O ano termina e nasce outra vez/ Então é Natal, a festa Cristã/ Do velho e do novo, do amor como um todo”... 

Consciente da nova proposta, aos poucos me vi pesquisando as atitudes humanizadoras do presidente, e, fato por fato, fui “aladainhando” situações mais simpáticas, temas que pudessem fazer o nosso chefe de estado mais aceitável como ser social, quiçá cabível na conveniente imagem de político que aprende com o posto. Foi assim que revisitei alguns pontos capazes de trocar a percepção raivosa e pouco instruída do chefe de estado. E achei. Por incrível que pareça, achei. Como critério nessa busca ansiosa, resolvi partir do geral para o particular, não sem antes reconhecer que nossos deputados e senadores, bem como o Supremo Tribunal de Justiça, em que pese tudo de ruim que os ambienta numa política de continuidades, têm salvado a pátria. E ajudado o presidente. 

Numa ordem decrescente, pois a questão com a China cintila forte. Lembremos que na campanha o nosso maior parceiro econômico foi demonizado e no verbo eleitoral insanamente ameaçado de ser empurrado para fora. A China era comunista e queria comprar o Brasil. Mudou. Mudou felizmente e num gesto de deslize exagerado, quando visitou a China até a classificou como “capitalista”. Vivas! O presidente aprendeu, e mudou. 

No mesmo entusiasmo – ainda que a ingenuidade se fizesse sombra – buscando apoios originais, o presidente se entregou a saudações com Israel. Sem ser alertado dos riscos de apoio (não ao estado, mas ao primeiro ministro Nethanyahu, acusado de corrupção) o presidente se empenhou na transferência de nossa embaixada da capital do Estado de Israel, de Tel-aviv para Jerusalém. Foi preciso que parceiros econômicos do porte do mundo árabe mostrassem sua zanga para que a dispendiosa e inútil atitude fosse deixada de lado, pelo menos temporariamente. Novamente o presidente aprendeu alguma coisa. 

Bolsonaro tem sido considerado “pé-frio” e dois exemplos servem de faróis para tanto: 1- no apoio a Macri, numa interferência agressiva à política interna de país estrangeiro e ao factóide montado para projetar o filho futuro/ex/candidato a embaixador do Brasil nos Estados Unidos. No primeiro caso, depois de bater o pé e dizer que não ia à posse do nosso terceiro maior parceiro econômico, ou sequer mandaria representante, se retratou e enviou o vice-presidente. Aprendeu, outra vez. Mas falando da inicial devoção aos Estados Unidos, o presidente se achava alinhado fraternalmente ao grande amigo do norte continental, os Estados Unidos. Sem entender bem o desenho da aquarela internacional, sugerindo-se íntimo da família presidencial, com filho supostamente freqüentando o lar dos Trump, deu-se muito mal quando constatou que não estávamos entre os indicados para lugar no sonhado OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico). Nosso presidente ficou quieto frente a escolha da Argentina e da Romênia. De maneira prudente e com elogiosa discrição, a mágoa foi contida pelo silêncio continuado. Sábia decisão. E estamos pagando com subsídios pesados sobre o aço e alumínio a subserviência inicial. Mas sem dúvidas, nosso senhor de Brasília aprendeu. 

Com estas lições postas, com a esperança compatível com as festas, na redondeza dos anos que espelham dois 20, desejo a todos boa sorte no ano que vem. E que as lições aprendidas pelo presidente sirvam de mote para que tenhamos também paciência, humildade e resignação...

   

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

TELINHA QUENTE 389


Roberto Rillo Bíscaro

Um perturbado psicólogo ajuda a polícia sueca a desvendar crimes brutais.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 394

Roberto Rillo Bíscaro

Um álbum deslumbrante e diverso da nova geração da nossa rica MPB.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

TELONA QUENTE 314


Roberto Rillo Bíscaro

A jornada emocional e geográfica de um pai, que precisa aceitar sua filha com severo caso de paralisia cerebral.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

CONTANDO A VIDA 294


PEQUENAS GRANDES MUDANÇAS. 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Que o tempo passa não resta dúvida alguma. Nossos corpos denunciam: cabelos embranquecem, músculos ficam plácidos, a vista se debilita, o cansaço insiste, debilidades mil... Quando chegamos lá, num piscar de olhos, vemos que as coisas também mudam. Árvores envelhecem, animais domésticos morrem, modelos de carros tornam-se obsoletos, aparelhos elétricos queimam e perdem validade. O efeito dos álbuns fotográficos nos surpreende com flashes de registros hoje inimagináveis. Até o clima padece alterações e deixa avisos ameaçadores de novas mudanças. A moda dita regras que se opõem às antigas, e o consumismo reafirma as configurações dos novos tempos. Ser moderno é um pouco desmentir o passado disfarçando as marcas do pretérito. 

Há duas formas de constatação do tempo, uma abrupta, outra mansa, ambas perversas. A primeira me faz lembrar o filme do italiano Federico Fellini “E la nave vá”, feito em 1983. A película narra a história do funeral de uma cantora de ópera que tem suas cinzas carregadas, em patético séquito, em um navio no qual os fiéis fãs as espalhariam no mar. A encomenda da falecida mandava que se buscasse o rumo de uma ilha, local de seu nascimento. A intenção do grupo muda de qualidade quando se descobre que o capitão teria acolhido clandestinamente um bando de refugiados e, em consequência, se daria um ataque de navio inimigo, situação que transformava os amigos da falecida em prisioneiros cúmplices. O tom surrealista do encaminhamento da história permite pensar que a vida é um delírio e que o inesperado exerce papel crucial na existência. 

Queiramos ou não a única certeza que nos resta é a morte. Mas, antes dela envelhecemos. Sou daqueles que acham que fazer 60 anos é – para os que lograram chegar até essa idade – a mais importante celebração de qualquer vida. “Sessentar” implica fazer uma opção decisiva: que tipo de velho se quer ser? Serei um desses ranzinzas, chatos, irritadiços, ou pelo contrário, um velhinho simpático, gentil desses que tem vocação para Papai ou Mamãe Noel? Pois bem, pensando no fluir do tempo, dia destes, dei conta das transformações que se operam em surdina, na intimidade da chamada “realidade geracional”. Sim, é bom olhar os mais jovens e notar como as pequenas coisas, os detalhes de nossos cotidianos mudaram. É preciso certa perspicácia para medir a vida por alterações sutis implicadas nas formas de viver. Notei, por exemplo, que não se vê mais crianças com braços ou pernas quebradas, que os jovens não têm mais espinhas na cara, que as vidraças não são mais quebradas e não são vistas mais brigas de alunos nos portões das escolas, nem vendedores de balas caseiras, de quebra-queixo ou maria-mole. Estranho, não?! Não é que alguns objetos que faziam parte do erário infantil são desconhecidos hoje? E podemos começar pelas velhas enciclopédias que instruíam nossos saberes curiosos: Tesouro da Juventude, Barsa, Larousse... 

Fiquei estarrecido dia desses quando tive que explicar para um menino o que era estilingue e bolinha de gude. Máquina de escrever exerce poder de maravilhar esta geração que já nasceu no reino dos eletrônicos. Nem se fala mais de coisas como “cair a ficha”, “virar o disco” ou “tirar retrato”. Entendi melhor quando, em conversa com um jovem, exaltei o tamanho de um bolo de aniversário dizendo que “era tamanho família” e minha surpresa se explicava pela presença no mesmo evento de pais separados, mas com seus novos pares, sendo inclusive que o pai estava junto com seu novo marido. Então, “tamanho família” não fazia mesmo sentido, nem “pegar o bonde”. 

Dando corda (ai meu Deus, “dando corda”, imagine) a essas reminiscências lembrei-me de sambas antigos onde “Amélia era mulher de verdade, não tinha nenhuma vaidade” e as mulatas podiam ser “Bossa nova e cair no hully gally” e só dava ela, como queria João Roberto Kelly, e, para espanto meu, vi que Lamartine Babo seria censurado se apresentasse hoje “O seu cabelo não nega mulata”. Tudo muda e a aceleração do tempo torna o vertiginoso sutil. Nem notamos... 

Fazendo pálido inventário dessas coisas, filosofei sobre a fatalidade das transformações, Elas podem ocorrer de duas formas: pela surpresa de um evento ocasional (outra vez Fellini reponta mostrando o impacto das interferências externas e inesperadas), ou pela mansidão natural dos desgastes. Somando tudo, entende-se melhor a insistência no uso contemporâneo do termo “memória”. A seletividade das lembranças é mágica e nos faz presentificar tudo, mas será que memória também não se inscreve no processo de mudanças totais? Hoje é fácil constatar o avanço do chamado mal de Alzheimer e, então, resta esperar que as pequenas grandes lembranças da vida continuem a fazer de nosso momento existencial algo mais aceitável. Senão, senão é melhor esquecer tudo...        

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

TELINHA QUENTE 388


Roberto Rillo Bíscaro

Um assalto a banco na Bélgica é analisado sob diversos pontos de vista, durante e depois da ação, cheia de reviravoltas.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 393

Roberto Rillo Bíscaro

Em seu primeiro álbum, a dupla de São Francisco faz dançar com funks caprichados, além de chamar convidados mais do que especiais pra muito soul e jazz. Há momentos em que a vibe é bem anos 80.

domingo, 15 de dezembro de 2019

DESEDUCADORA

Professora pára no tribunal por discriminar albino em Nampula

Nampula (IKWELI) – Uma professora em exercício na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, está sendo acusada de ter discriminado a um cidadão com falta de pigmentação da pele e, em consequência, a 4ª Secção do Tribunal Judicial da cidade de Nampula está a dirimir um processo a respeito, cujo julgamento teve palco na última sexta-feira (6).

O denunciante chama-se José Rosário, um dos mais famosos albinos do maior centro urbano do norte de Moçambique, e durante a sessão de julgamento, disse ao juiz da causa que a referida professora que lecciona na mais populosa escola do país, a Escola Primária de Mutomote, tem o descriminado há bastante tempo, uma acção que se resume em proferir palavras ofensivas.

No entender da vítima, a atitude da autora representa uma forma de dissuadi-lo em continuar a cobrar ao seu marido, quando em vida, uma dívida contraída quando este vendia frangos.

“Eu era grande amigo do marido dela. Num belo dia, ele veio pedir vale de frango”, explicou Rosário, assegurando que o não pagamento começou a representar-se por palavras injuriosas vindas da professora.

A recusa no pagamento da dívida originou em uma discussão entre as partes, o que a esposa do devedor viu-se obrigada a entrar em defesa do seu marido, atiçando um mau ambiente que, também, envolveu outros moradores do bairro de Muatala, sendo que o mais representativo desentendimento surgiu no momento da reabilitação de uma via de acesso.

“Ela veio no local onde estávamos a reabilitar a estrada e disse que eu me fazia na zona como se fosse do município”, prosseguiu a vítima durante a audiência, para depois avançar que “também, disse que eu era um albino de merda e pobre”.

Numa outra abordagem, o queixoso disse que “perguntei porque ela estava a tratar-me daquela maneira, e ela disse que eu não devia dizer mais nada, uma vez que sou pobre e sem condição para pagar um advogado para fins de defesa em tribunal”.

Chamada em sua defesa em acto de perguntas, a visada negou as acusações que pesam contra si, apontando que a vítima foi quem a ofendeu.

“Nesse dia ele chamou-me de puta e que contraí HIV/SIDA porque segundo ele o meu marido terá morrido vítima da mesma doença. Ele sempre propalou essa mensagem para as pessoas com quem convive lá no bairro. Então, ele quando começou a me dar esses nomes apenas chamei-lhe de burro. Não lhe chamei de outros nomes porque eu sei que todas as pessoas com problemas de pigmentação da pele merecem respeito, e nunca lhe chamei de albino de merda”, defendeu-se a senhora, cuja identidade omitimos por presunção de inocência, entendendo que o caso ainda está sendo dirimido em sede de tribunal e não existe sentença transitada em julgado.

A discriminação de pessoas com falta de pigmentação da pele em Nampula tem atingindo proporções alarmantes, incluindo casos de rapto, assassinato e tráfico de partes do corpo dos albinos.

As autoridades judiciais têm se destacado no combate a estes males, punindo exemplarmente os que protagonizam actos de violação dos direitos das pessoas desfavorecidas, incluindo os albinos.

Para este caso, a leitura de sentença ficou marcada para o próximo dia 17 do corrente mês de Dezembro. (Constantino Henriques)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

PAPIRO VIRTUAL 152


Roberto Rillo Bíscaro


No terceiro volume da trilogia de Lewis, Fin Mcleod tem que desvendar o mistério sobre a morte de um amigo, dezessete anos antes.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

CONTANDO A VIDA 293

SAL, SALÁRIO, SALADA, SOLDO, SOLDADO... 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Calcula-se que cerca de 800 palavras, na língua portuguesa, se iniciam com a raiz “sal”. É muito diriam alguns; outros, porém enviesarão o exagero para salientar os males que esse produto acarreta e, neste quesito, não faltam críticas, pois algumas até o colocam entre “os três pós brancos malditos”, juntamente com a cocaína e o açúcar. Sem dúvida alguma, o sal virou uma espécie de veneno e é condenado por especialistas que inscrevem o sódio entre os maiores inimigos da humanidade. E nem falta quem o enquadre como “problema de saúde pública”. Progressivamente caminhando para a negação, há milhares de referências ao sal, condição que não deixa de temperar debates. Os goumerts, claro, o exaltam e de regra evitam ataques diretos, tratando de mostrar as diversas e sutis variedades, supostamente menos perigosas: sal do Himalaia; sal rosa; sal de lagoas chilenas secas, hidratados, iodificados. Os prós e contras, contudo, seguem uma escalada sem precedentes e isso acende mais e mais debates, digamos, “salgados”. 

As crendices populares, por exemplo, estão cheias de sal, e vão desde o conhecido “sal grosso”, recomendado para “tirar o mau-olhado”, até a fatalidade de derrubá-lo sem querer, como presságio de má sorte e, sob essa eventualidade, aconselha-se que seja jogado um tanto maior por cima do ombro direito para compensar. Até a benção no batismo católico inclui o sal, quando o celebrante faz o sinal da cruz na testa do neófito. Há muito mais diga-se, e chega a ser surpreendente o repertório sobre o sal nas reminiscências gerais de todos os povos da Terra e nas mandingas familiares, inclusive das nossas. Em diversos níveis, do popular ao científico, do religioso à pândega, é difícil dizer o que seria a vida sem o sal. Diz-se, na linha folclórica, inclusive, que a cada grão caído há de ser derramada uma lágrima. E isto não é só coisa de países de fundo ibérico onde aliás, o maior poeta, Fernando Pessoa, escreveu “ó mar salgado, quanto do teu sal, são lágrimas de Portugal!/ por te cruzarmos, quantas mães choraram/ quantos filhos em vão rezaram!/ quantas noivas ficaram por casar/ para que fosses nosso, ó mar!”. E nem é só lá: os japoneses quando vão a um funeral devem levar um pouco de sal nas roupas; na Argentina, diz-se que alguém com má sorte está “salgado”; na Itália recomenda-se que os saleiros não passem de diretamente de mão em mão, e que sejam colocados à mesa para que os solicitantes os peguem; na Jordânia, a noiva deve dar um sache de sal para o marido antes do casório; no México um pacote de sal deve ser deixado ao lado dos túmulos no dia dos mortos; na Irlanda recomenda-se que à cada mudança de casa, seja colocado um pote de sal antes da entrada dos pertences. E por que será que no Brasil colonial era recomendado que mulheres virgens não servissem sal? Lembremos do bordão “será que salguei a Santa Ceia” na boca do personagem Félix Khoury, o vilão interpretado por Matheus Solano na novela Amor à Vida de Walcyr Carrasco... Aliás, uma das obras mais famosas do Renascimento, A Santa Ceia de Leonardo da Vinci mostra o sal derrubado por Cristo como anúncio de mal auguro. Nenhuma referência seria completa sem falar do sal nas músicas, seja com Nando Reis e principalmente com Elis Regina cantando “Água vira sal lá na salina/ quem diminuiu água do mar/ água enfrenta o sol lá na salina/ sol que vai queimando até queimar/ trabalhando o sal” 

Seguramente, a Bíblia é a fonte mais generosa para informações sobre o sal e no Cristianismo, pois são 25 os versículos encontrados, sendo o mais famoso o contido na passagem em que Jesus, depois de nomear as “bem-aventuranças” diz publicamente “vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” (Mateus 5:13). A par das discussões sobre o sentido do sal para abençoar ou excomungar, bendizer ou amaldiçoar, há uma passagem espetacular quando num gesto de castigo, o Deus Todo Poderoso, no ato de destroço de Sodoma e Gomorra, transforma a mulher de Ló em estátua de sal (Juizes 9, 45). 

Mas, independente de juízos, historicamente o sal sempre foi importante, fundamental mesmo. Conta-se até que era deixado em testamento como bem, já na antiguidade romana quando servia para conservar alimentos. Salário seria o ganho de mercenários nas guerras – soldados – e, depois virou pagamento de trabalho alongando metaforicamente o resultado de jornadas. Salada é a mistura de legumes e demais produtos salinizados; e salgadinho os aperitivos gerais servidos antes de refeições ou nas festas. É possível que no futuro o sal seja recriminado como componente alimentar, mas jamais saíra de nosso imaginário e de nossa boca que, é bom lembrar, o testa pela saliva. Pois, é será que o sal tem salvação? Ou é melhor saltar deste debate salteado?