sábado, 26 de maio de 2018

ALBINISMO NO CONEXÃO BAHIA - ASSISTA

No Conexão Bahia de sábado, 26, o programa colocou em pauta o albinismo, bateu um papo com pessoas que tem esse distúrbio congênito e com a associação que promove conscientização sobre o assunto.

O programa mostra o trabalho da Apalba, Associação de Portadores de Albinismo da Bahia, que busca conscientizar os albinos acerca dos cuidados e peculiaridades dessa condição, além de promover aceitação e melhora da autoestima.

Você assiste à matéria, no link:


https://gshow.globo.com/Rede-Bahia/conexao-bahia/noticia/reveja-os-videos-do-conexao-bahia-de-sabado-265.ghtml

sexta-feira, 25 de maio de 2018

NEM TUDO QUE É BRANQUINHO...



Albinismo não é a única alteração genética que deixa as cobras brancas

Na natureza outras situações alteram a cor e a pigmentação dos répteis. Cor dos olhos indica se é albinismo ou não.


Com certeza você já ouviu falar no albinismo, uma alteração genética que pode ocorrer entre os seres vivos e consiste na ausência completa de melanina. A maioria das cobras albinas tem em comum a cor dos olhos, eles são vermelhos, uma vez que falta pigmentação suficiente para ter olhos de outras cores. A cor branca é predominante, mas o que pouca gente sabe é que existe uma variedade de padrões e cores que as cobras albinas podem ter. Algumas são mais amarelas e pálidas, outras puramente brancas.

Além dessa condição outros nomes explicam fenômenos parecidos, mas não relacionados geneticamente com o albinismo. É o caso do xantismo, piebaldismo e leucismo. Esse último, por exemplo, apesar de visualmente parecido com o albinismo, se diferencia por pequenas características. Enquanto o albinismo é a falta exclusivamente da melanina, o leucismo é a falta de pigmentação no geral, podendo ter fundo genético hereditário ou não. Nesse caso pode ocorrer de todo corpo ser branco ou apenas algumas partes. Para diferenciar visualmente as duas condições é necessário observar o olho da espécie, nos animais com leucismo os olhos tem a coloração normal enquanto os albinos têm olhos rosados ou vermelhos.

Já o xantismo consiste na presença exclusiva do pigmento amarelo conhecido como xantina. Assim como as outras condições, resulta em uma coloração diferente na pele, nesse caso amarelada. Curiosamente essa anomalia não é comum em répteis silvestres, uma vez que gera perda da camuflagem, mas é possível que aconteça, como é o caso dessa cascavel fotografada pelo biólogo Cezar Santos.

Nas espécies com piebaldismo a pele branca se mistura com a pigmentação natural. Isso resulta uma combinação exótica e chamativa. Essa desordem genética causa despigmentação apenas em certas áreas do corpo ou pelagem do animal e pode aparecer em diferentes espécies, desde cobras até mamíferos.


quinta-feira, 24 de maio de 2018

TELONA QUENTE 237


Roberto Rillo Bíscaro

Em 2011, a Dinamarca levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, com Em Um Mundo Melhor, da diretora Susanne Bier. Em um mundo onde até a ex-idílica Escandinávia teme a violência, a produção faz questionamentos liberais, cujas respostas, claro, funcionam só pruma minoria.
A trama envolve 2 famílias entrecruzadas pela amizade de 2 garotos, o dentuço Elias e Christian, que perdera a mãe recentemente e era uma bomba pronta a (literalmente) explodir. O pai de Elias é um médico sueco que atende em campo de refugiados na África, sabe-se lá em qual país, afinal, tudo é “África”, é tudo igual (SQN). A comunidade no local é aterrorizada por gangue que estripa grávidas, dentre outras gentilezas.
Na Dinamarca, seu filho é vítima de bullying muito pesado na escola, não apenas pelos dentes, mas por ser sueco, porque a Escandinávia também não é uma coisa só, harmoniosa, como forasteiros fantasiam. Viram como todos temos nossas “Áfricas”? Mesmo que sejam ricas...
Quando Christian começa a frequentar a instituição e também bullynado, sua reação é de arrancar sangue da fuça do agressor. Assim, nasce a amizade entre os discriminados e infelizes garotos.
Um dia, ambos presenciam o pai de Elias, o Dr. Anton, ser humilhado e agredido publicamente por um mecânico dinamarquês (Kim Bodnia, o Martin Rohde, de Bron/Broen). Como o sueco é adepto da não-violência, vira a outra face, mas os meninos ressentidos não gostam e começam a tramar algo. Enquanto isso na África, o médico terá que confrontar novamente sua atitude supercristã de apanhar e ficar quieto, quando o líder da facção que assombra o acampamento chega de surpresa, cheio de capangas e com a perna podre. 
Com problemas paralelos na “África” e na Dinamarca, Em Um Mundo Melhor é cristalinamente claro nas perguntas que propõe e em seu propósito parabolizante. Faz isso de maneira competente, bem atuada, com suspense e drama, mas sua lógica interna tende a enxergar como violentos mais os povos e pessoas “primitivos”: os africanos e o mecânico, o qual Anton paternaliza que não teve escolha, que não se consegue se controlar. Uau, tão próximo de animais, tadinho, SQN.
Outro nó é que as decisões tomadas por Christian/Elias e Anton pra reagir à violência na Dinamarca e na “África” são problematizadas e têm desdobramentos apenas na primeira. É como se na “África” valesse fazer qualquer coisa. Como os colonizadores d’outrora.
Esses questionamentos não inviabilizam Em Um Mundo Melhor. Pelo contrário, colocam mais lenha pra discussão, afinal, quem já não teve vontade de se vingar na porrada dalguma das constantes violências que sofremos?

quarta-feira, 23 de maio de 2018

ALBINISMO NO CONEXÃO BAHIA'

Sábado, 26: associação luta pela conscientização de albinos

albinismo se caracteriza pela ausência total ou parcial de melanina, pigmento que dá coloração à pele. O Conexão Bahia deste sábado, 26, conversa com pessoas que têm esse distúrbio congênito e podem se entender e aceitar através da Apalba. A associação luta pelos direitos e pela conscientização dos albinos, especialmente nos cuidados que precisam ter para evitar problemas de pele e visão, característicos da condição.

terça-feira, 22 de maio de 2018

TELINHA QUENTE 310

Roberto Rillo Bíscaro

Tente imaginar versão bossa-nova de God Save the Queen, dos Sex Pistols. Versos como God save the queen/The fascist regime/They made you a moron/A potential H bomb malemolementemente sussurrados e acompanhados por minimalista violão joãogilbertiano. Não dá, né? É algo desse quilate o desastre em câmera lenta e som baixo da minissérie francesa Le Chalet (2017), que a Netflix incorporou a seu catálogo bem discretamente. Dessa vez há que agradecer a fortuidade: diminui a chance da meia dúzia de capítulos entediarem em escala viral.
Numa aldeia propositalmente isolada por um acidente (única cena legal de todo o show), pessoas indistinguíveis umas das outras são eliminadas e aos poucos descobrimos o segredo do passado que deflagra o massacre. Provavelmente por timidez orçamentária, a TV francesa (a Netrlix deveria se envergonhar de chamar isso de ’série original’) pegou conteúdo slasher e formatou-o como drama interpretado por atores que anunciam que alguém está morto como se dissessem que vão à vendinha da esquina comprar duzentos gramas de provolone.
Slasher precisa gerar suspense, mesmo que inflacionado, e ter mortes legais. Le Chalet não tem nada: numa das mortes, a guria tropeça, cai pra trás e bate o coco numa pedra; parece fan video dalguma franquia slasher de sucesso. A música de abertura é ótima, voz de criancinha cantando canção de ninar que fala em massacre. Mas, a trilha incidental causa tanto suspense, quanto a versão bossa-nova dos Pistols causaria.
Além de toda a sensaboria e canastrice, Le Chalet ainda dá trabalho mental pra separar o que se passa no presente e o que ocorreu, que explicará o ocorrente. Portanto, quem quiser investir tempo nisso, já se sinta avisado. E preparado pra descobrir quem são os assassinos lá pelo terceiro capítulo. Mas isso não ajuda muito, porque não sabemos qual(is) do grupo é/são e nem se está(ão) lá. Mérito pra minissérie que poderia ter sido muito legal caso tivesse injeção de capital pra adrenaliná-la.
Francamente, a tal “linda aldeia nas montanhas” não foi a mesma que vi, mas um monte de casa de madeira no meio do mato. Qualquer produção nórdica tem florestas muito mais sensacionais e séries francesas como Le Mystère du Lac (2016) são ambientadas em locais que dão de dez.
Sem qualquer traço redentor, aguentei Le Chalet até o fim, porque sou viciado em slasher e já havia visto Scream e Slasher, do catálogo netflixiano. Por que a Netflix não usa melhor o dinheiro de minha mensalidade e compra direitos de séries francesas decentes, como Missions ou Lanester?

segunda-feira, 21 de maio de 2018

CAIXA DE MÚSICA 315

Roberto Rillo Bíscaro

Enfadonho o mimimi de gente preguiçosa que não sai do pior das redes sociais e sintoniza apenas a macromídia mais peba e se lamuria de que não há mais música boa no Brasil.
Há fartura de projetos e carreiras musicais em tudo quanto é estilo. Existe grupo baiano de bluegrass, selo independente de noise eletrônico em Porto Velho, shoegaze em Sampa, stoner no sul, lo-fi em Minas.
Pros apreciadores da MPB mais “tradicional” (o que quer que isso signifique, mas neste blog é a que soa meio como a produzida nos 70’s e 80’s iniciais) a oferta também não é escassa; é só querer procurar na rede, porque ela abunda em sites, inclusive oferecendo muito material grátis.
Trabalho excelente da safra atual é o do compositor e multi-instrumentista Flávio Tris, que, felizmente, abandonou a advocacia pra se dedicar em tempo integral à música. Há uma década fazendo trilhas-sonoras e espetáculos, o paulistano lançou EP independente, em 2011. Cinco faixas compostas por Tris e executadas por ele, mais Tchelo Nunes, Maurício Maas e Gianni Dias, participando na guitarra da canção Pra Ver a Voz. As instrumentações são densas e lindas, com violino, harmônio (espécie de órgão), acordeão e percuteria.
A hibridez de subgêneros é um dos traços característicos da sigla MPB, criada lá pelos fins dos anos 60 pra dar conta, dentre outras coisas, da acelerada fusão de ritmos, estilos e influências na música popular feita por aqui, a partir da geleia geral tropicalista e da fusão bem mais subcutânea do pessoal do Clube da Esquina. É a isso que me refiro ao afirmar que o som de Tris vai agradar em cheio a fãs de MPB setentista: ele funde estilos diversos, mas sem chegar à contemporaneidade hip-hop ou electro. E claro que não seria defeito se o fizesse.
Alento Noturno abre só no violão pra se transformar em tango seresteiro valsificado. Asa de São João inicia com “quando olhei...”, como sua ancestral Asa Branca. E quem disse que fãs de Belle and Sebastian também não podem amar a pegada de violão bem semelhante à de If You’re Feeling Sinister? Escócia do baião! Em Pra Ver a Voz, a guitarra, que em sua maior parte segue acobertada pelo violão, rebela-se bem no finalzinho, quase ensaiando um noise básico.
A hipnótica Brisa Boa, Vento Leste é a única que não aparecerá no primeiro álbum de Flávio, mas o EP não é obrigatório só por isso. Mesmo as repetidas mais tarde, virão com arranjos diferentes.


Em 2013, saiu a estreia em álbum homônimo com 9 inéditas, além de 4 já constantes do EP. Nestas últimas, não dá pra dizer que são melhores ou piores; estão diferentes: Pra Ver a Voz ficou mais djavaneada; Alento Noturno tem cantar um bocadinho menos enfático e por aí vai. Qualquer colecionador (e Flávio merece ser colecionado) quererá ter ambas versões.
Nas inéditas, só material bom, como a faixa de abertura, com seus violões de madrigal e flautas misteriosas. Selva sassarica maliciosamente num clima jazzy anos 1920. Super Miss Fisher's Murder Mysteries! No bolero Sejas Tu, o sotaque de classe-média paulistana de Tris encontra o de Tulipa Ruiz. Este álbum tem uns balanços bons, tipo De Manhã com seu funk jazzificado e a marchinha final, Tudo, que acaba ligando Tris a seus coetâneos Pitanga em Pé de Amora. Os “efeitos sonoros” como pássaros cantando e macacos na xotosa Pandora e o clima épico de música de Festival sessentista suavizar-se-ão deveras no trabalho seguinte.


Entre 19 e 22 de dezembro, de 2016, Tris gravou Sol Velho Lua Nova, lançado ano passado e que representou bombástica novidade silenciosa. Despindo os arranjos ao mínimo necessário, sua poesia por vezes rosiana e voz quente à Dori Caymmi sobressaem-se em 9 faixas de calma e/ou mistério. O EP e o álbum primeiro são ótimos, mas faixas como a título, por exemplo, possuem aura de delicadeza até então inédita em sua carreira.
Não que seja álbum de, mas na pátria da bossa nova, Tris parece mais ligado a ela nesse trabalho, como mostra a primeira parte de Quinze Mil Eras, que também serve de exemplo pra dizer que o fato de Sol Velho Lua Nova ser mais minimalista e centrado na voz e violão, não significa que seja “música de barzinho”, em seu acepção mais breguinha. Há outra instrumentação e efeitos sonoros, no caso, chuva em Quinze Mil. O que ocorre é que o violão toma o centro e em seguida algum outro instrumento o acompanha.   
Difícil ouvir o louvor Terra Terra e não catalogá-la como canção-irmã daquela de Caetano, mas sem ser cópia. Em In Silence, o cantor-compositor adentra terreno folk sessentista; soa como se a qualquer segundo a gaita de Bob Dylan vá entrar. As influências afoxentas nordestinas ainda informam Flávio, como em Okiri ou Uma Canção, mas é tudo mais minimalista; às vezes primeiramente sinalizado no cantar, antes do que na esparsa instrumentação.
Inacessibilidade para ouvir essa maravilha não é desculpa, porque a excelente discografia de Flávio Tris sai de graça em seu site.
E vamos parar de dizer que a MPB morreu e outras sandices preguiçosas? Procura, que tem! 

sábado, 19 de maio de 2018

sexta-feira, 18 de maio de 2018

PAPIRO VIRTUAL 126


Roberto Rillo Bíscaro

Quando Policarpo Quaresma cisma em aprender a tocar violão, sua reputação de home sério começa desmoronar perante os vizinhos. À época de Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915), fino era tocar piano. Violão era coisa de seresteiro vagabundo. O instrumento era associado às classes populares pardas e pretas.
Naquele tempo, muito do que hoje é considerado tipicamente “brasileiro” era marginalizado. Mais ou menos a partir dos anos 1930, o populismo de Getúlio Vargas começa a valorizar, violão, samba, feijoada, miscigenação, carnaval, futebol.
Segundo determinado viés explicativo, esses e outros elementos da influência afro em nossa cultura são apropriados pelos brancos, num crescente processo de branqueamento da cultura.

Em 2008, Patrícia Fátima Crepaldi Bento da Silva defendeu dissertação de mestrado na PUC paulista intitulada As transformações na música popular brasileira: um processo de branqueamento, na qual defende que o movimento da Bossa Nova foi o grande catalisador da exclusão dos músicos negros do panteão dos grandes da MPB.
Os meninos e ninas brancos da zona sul carioca, envoltos no afã modernizador dos anos JK, propuseram-se a refinar nossa música popular, despindo o samba de sua negritude e excluindo afrodescendentes, como Alaíde Costa e Johnny Alf. Segundo a autora, Jobim & Cia desprezavam o sambão suburbano e transformaram-no em algo mais “branco”, palatável para a classe-média ansiosa em ser cosmopolita. Com isso, o violão e a própria profissão de músico passaram a ser valorizadas e influenciaram todo o desenvolvimento histórico de nossa música popular, que passaria a se chamar MPB alguns anos depois.
Nessa mesma perspectiva, a socióloga defende que todos os “movimentos” musicais até o Tropicalismo fizeram o mesmo, a saber, a canção de protesto, a jovem guarda e os festivais da canção.
Partindo do arcabouço crítico de José Ramos Tinhorão, que sempre teve má vontade com tudo que não seja “popular”, a dissertação peca por não problematizar seus referenciais teóricos, até porque Tinhorão não morreu de amores pelo Tropicalismo só porque Gil é negro. Na verdade, ele afirmou que era “uma boa malandragem”. Nem o “autêntico” Cartola escapou da metralhadora tinhorânica: As Rosas Não Falam seria um plágio. E Cartola era negrérrimo e não-bossanovsita.

A autora tem razão quando denuncia as tentativas de minimizar ou desconsiderar os reclames dos afrodescendentes como vitimismo ou apresentando as exceções confirmadoras da regra da exclusão. Seria o caso do icônico Milton Nascimento, que aliás, também não escapou de Tinhorão. Um breve passeio, que fosse, pelas principais posturas do controverso crítico enriqueceria o trabalho.
As transformações na música popular brasileira: um processo de branqueamento está disponível para leitura/download no site:


quinta-feira, 17 de maio de 2018

TELONA QUENTE 236


Roberto Rillo Bíscaro

Os filmes com orçamento parco eram – não sei se ainda são - informalmente chamados de cheapies (do adjetivo barato) nos anos 1950, quando muito da produção de ficção-científica se encaixava nessa categoria.
Produzidos por estúdios independentes – mas nem sempre – essas películas reciclavam cenários de outras produções, faziam muitas cenas noturnas ou brumosas pra disfarçar a pobreza do cenário e também pra poder gravar em estúdios, onde era fácil conseguir tal ilusão. Externas são mais caras, porque implicam, dentre outras coisas, pagar logradouros, obter permissões, sem contar o deslocamento de equipes e equipamentos.
Dessa categoria é O Homem do Planeta X (1951), que se aproveitou, como diversos outros, do temor causado pela explosão de relatos de aparições de discos-voadores. O orçamento de pouco mais de 50 mil dólares era escasso mesmo pros padrões da época. Por exemplo, Rocketship X-M, onde já se nota mambembice, custou quase o dobro.
Os minguados recursos determinam que os enredos dessas produções amiúde se desenrolassem em localidades remotas, assim se poupava com extras. Daí, ocorre aquela contradição muito engraçada de tantos filmes de invasão alienígena. Civilizações supostamente ultra-avançadas, poderosas e inteligentes escolhem começar seu domínio da Terra numa aldeia perdida no meio do nada, com apenas uma espaçonave tripulada por um ET. Não diferente da “vida real”, com relatos de OVNIs que aparecem pra zé-ruelas que não influem nem na família, mas recebem mensagens de ETs tecnologicamente séculos-luz adiante de nós.
No caso de The Man From Planet X, o mundo estava a poucas horas de estar o mais próximo possível do tal planeta X, quando numa afastada ilha escocesa, nave com seu respectivo tripulante misterioso são descobertos. Nada de debochar da inocência do roteiro a partir de suposta superioridade contemporânea: ano passado mesmo, um maluco inglês (note que não foi de país “subdesenvolvido) disse que o mundo acabaria, porque se chocaria com o tal de Nibirú. Vai vendo a patetice...
O ET é capturado, mas um cientista do mal o agride pra tirar-lhe os segredos. O mais importante deles é que os habitantes do planeta X tencionavam colonizar a Terra, porque seu planeta estava em processo de congelamento. A criatura tinha o poder de zumbificar as pessoas, submetendo-as a sua vontade, mas parece que esta não era muito forte, porque as informações sobre a invasão são arrancadas de um hipnotizado com a maior facilidade. Bastou perguntar e o suposto dominado deu a ficha completa.
Com atores norte-americanos nem sempre se saindo bem no sotaque escocês, The Man From Planet X não é essencial prum panorama dos anos 50, mas cultores de obscuridades e de sci fi da década poderão apreciar.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

VIOLÊNCIA CONTRA ALBINO NO MALI



Corpo de albino encontrado sem cabeça nem membros a leste de Bamako


O corpo de um albino adolescente foi encontrado completamente mutilado sábado em Fana, na região de Koulikoro, a leste de Bamako, soube a PANA de fonte oficial no local.

A descoberta deste corpo sem cabeça nem membros muito menos os órgãos genitais suscitou a ira dos habitantes de Fana que consequentemente vandalizaram, domingo último, uma brigada de gendarmaria, de acordo com a fonte.

As populações furiosas incendiaram igualmente três veículos e uma dezena de motorizadas, libertaram supostos detidos da brigada da gendarmaria antes de destruírem hóteis e bares da cidade considerados como “ninhos” de bandidos, indica a mesma fonte, acrescentando que que não houve perdas de vidas humanas.

As populações de Fana, localidade situada a cerca de 120 quilómetros a leste de Bamako, na estrada de Segou (centro), organizaram uma manifestação de protesto para exprimir o seu descontentamento face aos múltiplos crimes no local e à passividade da gendarmaria.

Informado, o administrador da circunscrição de Dioila, Dedeou Bagna Maiga, que tutela Fana, mobilizou elementos das forças de segurança e da proteção civil a fim de proteger edifícios públicos antes da chegada do governador da região de Koulikoro, e acalmar os espíritos.

Uma mulher e seu filho foram encontrados decapitados nesta mesma localidade, há um pouco mais de um mês.

Segundo algumas fontes, estes crimes odiosos obedecem a sacrifícios recomendados por feiticeiros e por outros iluminados para necessidade de enriquecimento ou de busca de poderes malignos. (Panapress)

CONTANDO A VIDA 232


VELHOS AMIGOS VELHOS

José Carlos Sebe Bom Meihy

Acostumados a ver tudo pelo momento presente, por vezes esquecemo-nos da fatalidade implacável do tempo e, assim, deixamos escorrer da memória lembranças explicativas do que nos tornamos. Pensando a vida familiar, por exemplo, visitando o passado, indago do significado dos antigos encontros festivos. Aliás, mesmo frente ao dia a dia, sintonizo mudanças e me encanto com pormenores que espantam o perverso esquecimento. Como eram nossas refeições diárias, as dificuldades da cozinha sem a panela de pressão, sem o fogão a gás, os quitutes preparados com muito menor número de temperos e variantes!... Mesmo a água ou o leite não industrializados, a inexistência de refrigerantes, as sobremesas do tempo da vovó, tudo vai ficando reduzido a sensações. Só. Nossa, como as coisas mudaram... Aprender lidar com dinheiro era muito mais complicado, pois não se falava em mesada e tudo era contadinho, com prestação de contas: tanto para o ingresso do cinema, tanto para bala, pipoca, e o troco dado para mamãe ou papai... Os Natais eram celebrados sim, mas com medidos gastos, tudo bem mais simples. Os aniversários tinham bolos e docinhos, mas feitos em casa e com receitas copiadas à mão, em cadernos domésticos. Eu tinha roupa de domingo e lembro-me bem do cuidado que deveria ter com os sapatos e meias novos. Falando dessas coisas, parece que os séculos se sucederam em infinitos mais perdidos do que supomos, contudo não foi bem assim.

Pois é, a geração que hoje passa dos sessenta anos tem apagados os sentidos das alterações. O consumismo foi se instalando tão sutilmente que nem notamos que, aos poucos, às vezes sem querer, deixamos de ter pouca coisa e multiplicamos produtos trocados velozmente e que perdem valor de estima. Nessa onda, os descartáveis viraram mania e nos viciamos em novidades que carecem de apreço. Falar dessas coisas soa saudosista e até melancólico, mas é importante avaliar como em uma geração deixamos de ser modestamente cuidadosos para nos tornar modernos e pródigos. Quem não se surpreendeu perguntando como vivia sem televisão, internet, telefone sem fio ou celular? Ser do tempo da “máquina de retrato”, dos “cursos de datilografia”, do “footing na praça”, virou coisa de “novela de tempo”. Causa espécie a facilidade com que nos atualizamos e então, ver essas coisas como curiosidades se transformou quase em poesia diletante. Por favor, não pensem que estou no time dos que evocam o passado como um programa de vida. Busco me atualizar, mas historiador, me resta convocar o sentido das mudanças para propor entendimento dos processos. Em países como o Brasil, as alterações são muito bruscas e até sinistras.

Sabe por que estou retomando tudo isso? Aconteceu em minha vida pessoal algo inusitado. Há duas semanas, depois de 19 anos, resolvi voltar a um lugar que fez parte da história de minha geração. Interiorano, integrante de uma classe média que se fez no processo de industrialização apressada no Vale do Paraíba, o litoral era perfeita alternativa de férias, um paraíso que, além das belezas, promovia aventuras ousadas, dessas experimentadas pela juventude que crescia na evolução econômica do país. Coincidentemente, minha família, por força do comércio, funcionou um pouco como pequeno agente dessas alterações. Investindo no ramo hoteleiro, desde logo o papel familiar se repartiu entre promotores e usufrutuários de tudo. E me afeiçoei às praias, às mudanças de sintonia entre a pacatez da cidade original e os avessos permitidos nas férias. Como consequência dos negócios, meu pai acabou por propor a construção de um edifício de apartamentos onde mantivemos algumas unidades. Casado eu, minha mulher e filhos aproveitamos muito do nosso quinhão, até que uma reforma completa se fez projeto de minha mulher que morreu em seguida. Viúvo, retornei uma vez ao local, e me propus a não mais repetir a experiência. Doeu muito. Demais. Tanto que optei por evitar voltas. E por longos anos cumpri minha promessa pessoal. Passado tempo considerável, porém, resolvi enfrentar o problema. Intuitivamente medroso, convoquei um amigo querido e saudoso para um encontro lá. Amável, o colega convidou dois outros e, não mais que de repente estávamos os quadros em torno de uma mesa. É preciso dizer que a cidade praiana se tornou refúgio de alguns aposentados e cheia de restaurantes modernizou-se aprazível, também como lócus de pós-aposentados, como os colegas.

O inédito da situação provocou revisões de cada qual. O primeiro tema foi saúde. Diria que demoramos muito tempo conferindo debilidades. Todos tínhamos uma historinha para contar. Um falou da próstata, outro de deficiência imunológica, outro de coluna, e eu do coração. Celebramos, contudo, os anos passados e retraçamos trajetos: filhos, dilemas familiares, perspectivas para a velhice que nos resta. É preciso dizer que os componentes do pequeno grupo têm severas diferenças ideológicas. Vivemos, contudo, o pressuposto científico que garante que os opostos se atraem. Diria mais até: se completam, e são até mesmo capazes de gerar luz. Foi assim que nos entreolhamos, nos abraçamos na hora da foto e permanecemos emocionadamente unidos pelos séculos e pelas diferenças. Amém...  

VELHOS AMIGOS VELHOS José Carlos Sebe Bom Meihy Acostumados a ver tudo pelo momento presente, por vezes esquecemo-nos da fatalidade implacável do tempo e, assim, deixamos escorrer da memória lembranças explicativas do que nos tornamos. Pensando a vida familiar, por exemplo, visitando o passado, indago do significado dos antigos encontros festivos. Aliás, mesmo frente ao dia a dia, sintonizo mudanças e me encanto com pormenores que espantam o perverso esquecimento. Como eram nossas refeições diárias, as dificuldades da cozinha sem a panela de pressão, sem o fogão a gás, os quitutes preparados com muito menor número de temperos e variantes!... Mesmo a água ou o leite não industrializados, a inexistência de refrigerantes, as sobremesas do tempo da vovó, tudo vai ficando reduzido a sensações. Só. Nossa, como as coisas mudaram... Aprender lidar com dinheiro era muito mais complicado, pois não se falava em mesada e tudo era contadinho, com prestação de contas: tanto para o ingresso do cinema, tanto para bala, pipoca, e o troco dado para mamãe ou papai... Os Natais eram celebrados sim, mas com medidos gastos, tudo bem mais simples. Os aniversários tinham bolos e docinhos, mas feitos em casa e com receitas copiadas à mão, em cadernos domésticos. Eu tinha roupa de domingo e lembro-me bem do cuidado que deveria ter com os sapatos e meias novos. Falando dessas coisas, parece que os séculos se sucederam em infinitos mais perdidos do que supomos, contudo não foi bem assim. Pois é, a geração que hoje passa dos sessenta anos tem apagados os sentidos das alterações. O consumismo foi se instalando tão sutilmente que nem notamos que, aos poucos, às vezes sem querer, deixamos de ter pouca coisa e multiplicamos produtos trocados velozmente e que perdem valor de estima. Nessa onda, os descartáveis viraram mania e nos viciamos em novidades que carecem de apreço. Falar dessas coisas soa saudosista e até melancólico, mas é importante avaliar como em uma geração deixamos de ser modestamente cuidadosos para nos tornar modernos e pródigos. Quem não se surpreendeu perguntando como vivia sem televisão, internet, telefone sem fio ou celular? Ser do tempo da “máquina de retrato”, dos “cursos de datilografia”, do “footing na praça”, virou coisa de “novela de tempo”. Causa espécie a facilidade com que nos atualizamos e então, ver essas coisas como curiosidades se transformou quase em poesia diletante. Por favor, não pensem que estou no time dos que evocam o passado como um programa de vida. Busco me atualizar, mas historiador, me resta convocar o sentido das mudanças para propor entendimento dos processos. Em países como o Brasil, as alterações são muito bruscas e até sinistras. Sabe por que estou retomando tudo isso? Aconteceu em minha vida pessoal algo inusitado. Há duas semanas, depois de 19 anos, resolvi voltar a um lugar que fez parte da história de minha geração. Interiorano, integrante de uma classe média que se fez no processo de industrialização apressada no Vale do Paraíba, o litoral era perfeita alternativa de férias, um paraíso que, além das belezas, promovia aventuras ousadas, dessas experimentadas pela juventude que crescia na evolução econômica do país. Coincidentemente, minha família, por força do comércio, funcionou um pouco como pequeno agente dessas alterações. Investindo no ramo hoteleiro, desde logo o papel familiar se repartiu entre promotores e usufrutuários de tudo. E me afeiçoei às praias, às mudanças de sintonia entre a pacatez da cidade original e os avessos permitidos nas férias. Como consequência dos negócios, meu pai acabou por propor a construção de um edifício de apartamentos onde mantivemos algumas unidades. Casado eu, minha mulher e filhos aproveitamos muito do nosso quinhão, até que uma reforma completa se fez projeto de minha mulher que morreu em seguida. Viúvo, retornei uma vez ao local, e me propus a não mais repetir a experiência. Doeu muito. Demais. Tanto que optei por evitar voltas. E por longos anos cumpri minha promessa pessoal. Passado tempo considerável, porém, resolvi enfrentar o problema. Intuitivamente medroso, convoquei um amigo querido e saudoso para um encontro lá. Amável, o colega convidou dois outros e, não mais que de repente estávamos os quadros em torno de uma mesa. É preciso dizer que a cidade praiana se tornou refúgio de alguns aposentados e cheia de restaurantes modernizou-se aprazível, também como lócus de pós-aposentados, como os colegas. O inédito da situação provocou revisões de cada qual. O primeiro tema foi saúde. Diria que demoramos muito tempo conferindo debilidades. Todos tínhamos uma historinha para contar. Um falou da próstata, outro de deficiência imunológica, outro de coluna, e eu do coração. Celebramos, contudo, os anos passados e retraçamos trajetos: filhos, dilemas familiares, perspectivas para a velhice que nos resta. É preciso dizer que os componentes do pequeno grupo têm severas diferenças ideológicas. Vivemos, contudo, o pressuposto científico que garante que os opostos se atraem. Diria mais até: se completam, e são até mesmo capazes de gerar luz. Foi assim que nos entreolhamos, nos abraçamos na hora da foto e permanecemos emocionadamente unidos pelos séculos e pelas diferenças. Amém...

terça-feira, 15 de maio de 2018

TELINHA QUENTE 309



Roberto Rillo Bíscaro

O fenômeno classe-média de abandonar os centros urbanos e se refugiar em áreas ao redor, chamadas suburbs intensificou-se a partir da bonança econômica do pós-Segunda Guerra, nos EUA. Depois, irradiou-se para o mundo, inclusive em países que cabem dentro de pequenos estados ianques, como a teteia Holanda.
Atualmente, tais aglomerados urbanos são rodeados por muros e protegidos por guaritas, a fim de manter os bichos-papões para fora. Mas, e se as cercas servirem para mantê-los dentro, pergunta-se personagem de Safe, minissérie disponibilizada no catálogo da Netflix, dia 10 de maio.
Criada pelo escritor norte-americano Harlan Coben, coproduzida com o canal francês C8 e ambientada majoritariamente num condomínio em algum lugar inespecificado da Inglaterra, Safe prende e permite maratona, mas é tão genérica quanto o sotaque britânico de laboratório de Michael C. Hall. Críticos têm atacado o ator de Dexter por isso, mas no fim, tem tudo a ver com a produção. Não se sabe onde na Inglaterra se passa a história; não se sabe de que mundo real sairia o sotaque de Hall. Suspeito que ele não tenha pensado nisso, mas daria bom argumento para justificar a artificialidade. Vi no original, porque sou professor do idioma e amo treinar listening, mas se você não tem esse compromisso, veja dublada (ou, que tal treinar espanhol?).
Nem a canastrice atroz de Hall consegue estragar Safe, porque o roteirista domina bem as convenções. Há suficientes revelações, desmentidos e reviravoltas para garantir aderência à telinha e ansiedade pelo próximo capítulo, ainda que não dê realmente para se importar com ninguém. Dá até meio medinho de quão mecanicamente Safe consegue nos enredar.
Em seguro condomínio de classe média-alta murado, vigiado por câmeras e trancado por portões, a adolescente Jenny Delaney desaparece. Seu pai, o Dr. Tom, começa investigação paralela e desenreda cadeia de segredos do passado, porque todo mundo tem algo a esconder, inclusive ele. Safe é descendente de influente série britânica, que se for citada em resenha, acaba por entregar o/a assassino(a). Não se preocupe, não estou contando que no fim Jenny esteja morta; há um assassinato numa piscina logo no começo.
Como de gosto na contemporaneidade, o espectador precisa se ajustar ao vaivém temporal, que acontece, especialmente no início dos capítulos, quando ações são repetidas em flashbacks para que percebamos detalhes ou simplesmente para nos fornecer informações sonegadas. Mas, é bem tranquilo essa calibragem, porque já fomos bem domes/sofisticados para isso por tantas séries e filmes.
O elenco é eficiente, com destaque para Amanda Abbington (a Miss Mardle, de Mr. Selfridge, owww!), como a DS Sophie Mason e o sempre competente para papeis de falastrão vulgar, Nigel Lindsay, como Jojo. O negócio é tão bem fechadinho, que quando se resolve a trama e o mundo recebe justiça, você entende porque há um(a) personagem tão inútil, como.... melhor não dizer, senão entrega o jogo.