quinta-feira, 11 de março de 2010
VITÓRIA ALBINA NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO
Na reunião da Comissão de Saúde e Higiene, ocorrida no dia 9 de março, na Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei 683/09, do deputado Carlos Giannazi, que obriga a Secretaria Estadual de Saúde, através de seus postos de saúde e mediante encaminhamento médico, a distribuir mensalmente protetor e bloqueador solar para as pessoas portadoras de albinismo residentes no estado de São Paulo, recebeu parecer favorável do relator.
Após eventuais ajustes e aprovação final nesta Comissão, o PL deve seguir para a Comissão de Finanças e Orçamento para aprovação definitiva, onde se tornará lei no estado de São Paulo.
É ou não é pra saltar de alegria? Demais saber que tanto esforço está prestes a se concretizar em benefício para todo um grupo de pessoas.
Continuemos a luta, contando nossas histórias, divulgado os blogs sobre albinismo, escrevendo pra parlamentares e não perdendo nenhuma chance de aparecer e botar a boca no trombone!
(Pra celebrar essa vitória, dancemos com os norte-americanos do Kool and the Gang!)
quarta-feira, 10 de março de 2010
BLOG LITERATURA PARA O VESTIBULAR
Sempre fico com a sensação de que falta algo na apostila ou, mais comumente, de que falta tempo pra falar tudo o que julgo importante pro vestibular.
Por isso, disse aos estudantes que elaboraria um blog e nele colocaria todo o material que encontrasse na internet a respeito dos tópicos de literatura exigidos nos vestibulares. Desse modo, todos teriam acesso fácil e rápido a vídeos e links.
Por acreditar que outros estudantes possam usufruir do blog, compartilho o endereço
http://literaturaparaovestibular.blogspot.com/
Não se trata de nada muito elaborado. A idéia é apenas juntar em um só local, material de consulta pra alunos de segundo grau ou interessados em literatura em geral, mas, sempre tratando de obras e autores exigidos nos exames vestibulares.
Conto com os leitores pra divulgarem essa iniciativa, a fim de que o maior número possível de alunos possa se beneficiar, não apenas os meus.
PRODUTOS ALBINOS


SALADA DE FRUTAS
Uma laranja é apenas uma laranja?
Xiita da Inclusão09/03/2010
Fábula crítica mostra como algumas pessoas acham impossível conviver com algumas das suas variedades
Fábio Adiron
Mariana era louca por laranjas. Não qualquer laranja, era louca por laranja pera.
Era tão fanática que costumava comprar no atacado. Toda semana ía ao Ceasa e comprava um saco de laranja pera.
Delas fazia suco, saladas de frutas de uma fruta só, as chupava puras. Fazia doces, bolos e tortas.
Nem sempre todas as laranjas vinham perfeitas, algumas chegavam mais secas, outras um pouco amassadas. Mesmo assim Mariana aproveitava todas, de uma forma ou de outra.
Até o dia em que, no meio do seu saco de laranjas pera veio um exemplar de laranja bahia. Para muitos seria apenas mais uma laranja, não para Mariana que ficou perplexa e confusa com um tipo de laranja diferente.
A casca era mais fina, o tamanho maior, o suco com teores diferentes de açúcar e de ácido cítrico.Ela não estava preparada para isso. Não sabia nem por onde começar. Fez uma busca na Internet sobre a tal da laranja estranha. Só encontrou informações sobre os aspectos fenotípicos do citro. Isso não ajudava.
Começou a ligar para amigas. O máximo que descobriu foi que essas laranjas não tinham sementes. Pior foi ter de ouvir da melhor amiga que era uma laranja, e laranjas são laranjas. Que diferença isso ia fazer?
Concluiu que não teria outra alternativa a não ser partir em busca de especialistas. Como iria descascar aquela pele mais fina? Se eram mais doces, como procederia no açúcar da sua famosa compota de laranja? Os gomos maiores não enroscariam no seu processador?
Descobriu várias pessoas que se dedicavam ao estudo e manuseio de laranjas bahia. Uma mulher que era descascologista, com doutorado em bahias. Um agrônomo que tratava de distúrbios de desenvolvimento de citros e até um chef compoteiro que tinha uma instituição dedicada ao desenvolvimento da tal laranja.
Pensou em mandar seu exemplar de laranja bahia para um desses especialistas. Mariana, no entanto, era uma mulher persistente, não poderia admitir que tinha sido derrubada por uma laranja.
Matriculou-se num curso à distância, de capacitação em laranjas. Na primeira aula descobriu que a bahia era só uma das dezenas de espécies de citrus sinensis: Lima, Westin , Rubi, Valencia, Hamlim e Kinkan. O curso não lhe ensinou o que fazer com as diferentes laranjas, mas abriu seus olhos para todo um mundo diverso do que ela conhecia. Também contatou que só com prática de uso de tanta variedade é que ela descobriria como tirar o melhor de cada um dos tipos.
Não perdeu seu amor antigo pela laranja pera, mas descobriu que a vida era muito mais interessante quando as laranjas se misturavam. Era possível fazer sucos usando combinações de frutos mais ácidos com outros mais doces e, até mesmo enriquecer seu bolo de laranja com calda de uma laranja diferente.
Empolgadas partiu para o estudo de tangerinas, depois limões e até mesmo grapefruit.
E, assim como fazia com a laranja pera, Mariana nunca desperdiçou nenhum dos seus cítricos.
Uma verdadeira mestra.
(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi¶metro=28154)
(Falando em cítricos, que tal ouvirmos Limão, do Djavan?)
terça-feira, 9 de março de 2010
EROTISMO Y DISCAPACIDAD
Erotismo y discapacidad
Este martes se inaugura en la ciudad de Sevilla, España, una exposición fotográfica sobre el tema 'Erotismo y discapacidad'. Los prestigiosos fotógrafos Rasso Bruckert (Alemania) y Belinda Mason (Australia) han aportado fotografías que integrarán la exposición y que se realizará en el Centro Cívico Casa de las Sirenas. A través de sus imágenes se pretende romper tabúes y desmontar falsos mitos en torno al erotismo en las personas con discapacidad.
La exposición “Erotismo y discapacidad” es una de las actividades que forman parte de la programación de Artes Plásticas del IV Festival Escena Mobile. Se trata de un novedoso ensayo fotográfico que pretende explorar el erotismo, la discapacidad y la imagen corporal. Además pretende cuestionar los mitos e ideas imperantes acerca de la belleza que nos muestran los medios de comunicación o la moda.
El objetivo de la misma es desnudar prejuicios y desmontar tabúes mostrando la realidad erótica y sensual perteneciente a las personas con discapacidad. Belleza y sensualidad se aúnan para demostrarle al espectador que el ámbito de la discapacidad no está exento de un sentimiento común al ser humano. A través de las fotografías seleccionadas se crean nuevos mensajes sobre el erotismo, la sexualidad y discapacidad. Y son mensajes basados en la realidad que viven los integrantes de este colectivo. Los protagonistas de estas imágenes son personas con discapacidades físicas, intelectuales, de aprendizaje, psiquiátricas y neurológicas. Son modelos que desafían la creencia de lo que es o no “sexy” y desafían al espectador. Entre éstos se encuentran profesionales de las artes, del mundo académico, deportistas… Activistas que luchan por el derecho de ser personas sexuales al margen de limitaciones, estereotipos y barreras.
(Encontrado em http://www.elcisne.org/ampliada.php?id=1407)
(Não consigo imaginar outro vídeo pra ilustrar esta postagem...)
NYEUPE
Encontrei no You tube o trailer pruma animação chamada Nyeupe – La Historia de um Niño Negro que Nació Blanco. Segundo informações no vídeo, a história estreará em breve nos cinemas.
Não achei informação alguma na net a não ser um blog homônimo, em espanhol, onde existem diversas fotos e vídeos do desenho, além de postagens diversas a respeito de albinismo e, particularmente, do problema enfrentado pelas pessoas com albinismo em algumas regiões africanas.
Aos interessados em pesquisar o blog, eis o endereço
http://nyeupe.blogspot.com/
Ficarei de olho pra ver se consigo informações mais consistentes e também conto com a colaboração dos leitores, caso encontrem mais coisas relacionadas.
segunda-feira, 8 de março de 2010
PROTETOR SOLAR ATÉ EM DIAS NUBLADOS!
Proteção solar: saúde da pele
1. Evite exposições prolongadas e repetidas ao sol. Queimaduras solares acumuladas durante a vida predispõem ao câncer da pele.
2. Evite se expor ao sol nos horários próximos ao meio-dia. O horário entre 10 e 16 horas tem grande incidência de raios ultra-violeta B, principais responsáveis pelo surgimento do câncer da pele. Procure a sombra neste período.
3. O bronzeamento ocorre gradativamente, após os primeiros dias de exposição. A pele leva 48 a 72 horas para produzir e liberar a melanina, pigmento que dá cor à pele. Portanto, não adianta querer se bronzear em um só dia. Ficar muito no sol não vai acelerar este processo. Você só vai se queimar e as queimaduras promovem danos irreversíveis para a pele.
4. Use sempre barracas de praia, bonés, viseiras ou chapéus. Cerca de 70% dos cânceres da pele ocorrem na face, proteja-a sempre. Não se esqueça de proteger os lábios e as orelhas. As barracas devem ser grossas, para bloquear bem a passagem do sol.
5. Aplique generosamente o filtro solar, 20 a 30 minutos antes de sair ao sol. Este é o tempo necessário para a estabilização do protetor solar na pele, de modo que sua ação ocorra com maior eficácia. Faça isso de preferência em casa, sem pressa. Lembre-se de reaplicar o filtro a cada 2 horas ou após mergulhar.
6. Use filtro solar com FPS 15 ou maior. FPS é a abreviação de Fator de Proteção Solar e significa que usando um filtro com fps=15 sua pele levará 15 vezes mais tempo para ficar vermelha do que sem proteção. Pessoas de pele muito clara ou que tenham sardas, devem usar filtros com FPS 25 ou maior para garantir uma melhor proteção.
7. Peles claras e pessoas ruivas exigem maiores cuidados, pois são mais propensas ao câncer da pele. Pessoas de pele muito clara raramente se bronzeiam, portanto não insista em querer se bronzear, você só vai se queimar e danificar sua pele.
8. Mormaço também queima. Não se engane. Mesmo nos dias nublados, até 80% da radiação ultravioleta pode atravessar as nuvens e chegar à Terra. Portanto, use filtros solares também nestes dias.
9. Filtro solar deve ser usado diariamente. Se você se expõe ao sol diariamente, mesmo que não seja na praia, use filtro solar nas áreas expostas para evitar o dano solar que se acumula durante os anos de vida.
10. A proteção das crianças é responsabilidade dos pais! Proteja as crianças e estimule os adolescentes a se protegerem. Este é um hábito que deve ser formado desde cedo. Cerca de 75% da exposição solar acumulada durante a vida ocorre até os 20 anos de idade, sendo muito importante a proteção solar nesta época da vida.
(Encontrado em http://www.dermatologia.net/novo/base/manual/m_protecao.shtml)
(Vamos trilhar um pouco os caminhos do sol, com a mágica Zizi Possi?)
domingo, 7 de março de 2010
ENTREVISTA COM O POETA FLÁVIO ANDRÉ SILVA
O GRÃO
Mundos distantes se tocam
E se cruzam o tempo todo,
Mas eis que agora
Os nossos se chocaram numa colisão tamanha
Que nossos pensamentos se misturaram
E fomos colocados frente a frente...
Fitando, tocando, coexistindo!
Sinto toda sua vontade de gritar;
Ouve todo meu desejo de correr;
Impressiona-me essa força singular
E livre igual a você desejo ser.
Enquanto sou o principal
Grão de areia do castelo
De sua vida,
Você é a rainha de meu castelo
Sem a qual tudo enegrece.
Num universo de possibilidades
Só enxergo um grão de areia
A favor de nós dois...
E é o grão mais lindo que existe.
Conforme prometido, eis a entrevista que fiz com Flávio:
Roberto - Quando você começou a escrever? O que te levou a isso?
Flávio - Comecei a escrever criativamente muito cedo, entretanto posso figurar os doze anos de idade como um ponto-marco, pois foi a partir daí que comecei a fazê-lo com mais frequência. Acredito que o que me levou a escrever mais foi ter começado a jogar RPG: viver histórias diferentes, com vários personagens; isso me lançou no mundo das tramas. Sempre amei ler, mas a partir daquele momento, comecei a tecer meus próprios personagens fixos e tramas mais complexas do que o usual e esperado para alguém daquela idade, mas com menor empenho.
Roberto - Há poetas que você sente que influenciam seu trabalho diretamente?
Flávio - Gosto de Carlos Drummond de Andrade, apesar de ter recebido uma crítica (muito bem escrita por um amigo meu) comparando a estrutura escolhida para A ÚLTIMA LUZ DE NARCISO a uma obra de Augusto dos Anjos. Entretanto, acredito que também bebi de outras fontes, como é o caso do Ultra-Românticos Álvares de Azevedo e o próprio Lord Byron, passando pelo incrível Fernando Pessoa e desejando um dia alcançar a singeleza de Clarice Lispector.
Roberto - Seu livro é dividido em três partes distintas. Quais os critérios utilizados para estabelecer essa divisão?
Flávio - O livro traça, através de seus três capítulos, uma trajetória ascendente em direção ao íntimo humano. O primeiro capítulo (BANDEIRAS RASGADAS E PLANOS EM VOLTA DA FOGUEIRA DO TEMPO) fala sobre planos, conquistas e desejos. O segundo capítulo (PÁGINAS MANCHADAS POR CANÇÕES SILENCIOSAS E PALAVRAS QUE NÃO DEVERIAM SER DITAS), depois de mergulhar em si, retrata as dores e tristezas ante o mundo que nos cerca. O terceiro e último capítulo (O FAROL E A SINGELEZA DO SER QUE NÃO É) vem trazer nova luz e esperança para a busca de algum sentido na vida, falando de amor; não apenas o amor real, mas também o platônico, o fraternal e o amor puro e sem reservas.
Depois de tanto ler meus escritos, ficou de certa forma fácil notar a semelhança temática entre alguns deles, justamente por causa da época, ou motivo pelos quais os escrevi. Pensei em várias outras formas de separação, mas esta me pareceu a mais sensível e direta, justamente por conta desta história de ascensão: desde o momento quando se fazem muitos planos para o futuro e para a vida sem a necessidade de prazos, passando pela derrocada, quando tudo parece ruir porque algo deu errado, levando o mundo consigo, até o momento atual, quando é preferível focar uma direção (o farol) e lembrando-se dos planos que construiu e das coisas que já passou ao cair, decide-se levantar, dar a volta por cima e fazer a vida ter mais cor, mais um sentido pessoal. Sei que parece prólogo de livro de auto-ajuda, mas é o que fiz comigo: olhei para trás e gostei de me ver envolvido nos planos adolescentes de outrora e decidi deixar para trás as coisas ruins que passei. Prefiro vê-las como os degraus que me trouxeram até aqui.
Roberto - Você tem algum processo próprio pra escrever seus poemas? Quero dizer, você os escreve de uma vez só, ou frases vão aparecendo e você vai guardando até compor um poema, enfim, qual é seu processo de criação?
Flávio - Aprendi com o teatro, que ás vezes - repito: às vezes - o processo é mais satisfatório que o produto final. Como isto se aplica? Estar em processo de um texto é maravilhoso, empolgante, frustra de vez em quando, mas sempre o resolve e, por fim, conclui a obra. Chegado a este ponto, pouco se tem a fazer, além de começar outro texto para experimentar aquele processo novamente.
Creio que cada fase da vida favoreça um processo criativo diferente: quando mais novo, buscava as rimas que completassem minha idéia e só me levantava quando estivesse satisfeito com tais versos. Cheguei em uma fase em que as rimas perderam o status de "condição básica" para se ter um poema, passei portanto a priorizar a poesia, embora nunca tenha abandonado de vez as rimas, e nesta época ainda me frustrava se não conseguia terminar um poema/poesia numa só sentada. Hoje meu processo é mais livre no sentido em que decidi não ignorar nenhuma linha de pensamento; decidi não tolher nada. Se a ideia que me veio só contempla uma frase, então é ela que vou registrar e guardar. Já me flagrei escrevendo três poemas simultaneamente, dados os ritmos e temas diferentes para, em outra ocasião, pegar novamente aquela folha e extrair as conexões, e, se o clima vier, preencher as lacunas de cada um. Um rapaz certa vez me disse que este processo faz de meus textos poemas, 'prosa em verso' ou mesmo poesia marginal, mas nunca poesia pura, pois eu não sentia, eu apenas juntava frases. Isso de juntar frases não está errado, entretanto não escrevo uma só linha (um só verso) que não me traga algum sentimento e não concluo um só texto que não me comunique algo. Ainda ocorre de sentar e escrever algo do princípio ao fim, mas se não ocorre, não me frustro. Simples assim. Priorizo a poesia sobre o poema.
Roberto - Qual o impacto do albinismo na sua escrita?
Flávio - Não seria sincero ao dizer "todo", da mesma forma que não posso dizer "nenhum", pois quando escrevo não imagino que são mãos albinas que seguram e arrastam a caneta pela superfície do papel, ou que contraem as teclas do computador em busca de um resultado legal. Mas, é inegável que o fato de ser albino me encheu de características (que estão longe de ser específicas a este grupo), deixam claro minha história de vida, dificuldades e superações. Não tento ser exemplo de nada, mas adoro quando reconhecem minhas vitórias, acima de minhas limitações.
Todavia me perguntei sobre o porquê de não tentar escrever algo focado no "universo albino", assumindo, com ressalvas, que isso exista. Vou, então, escrever algo cujo protagonista ou um dos protagonistas seja um personagem albino e posto aqui no blog, seja conto, seja capítulo de uma coisa maior, para que me deem suas opiniões.
A Última Luz de Narciso pode ser adquirido diretamente com Flávio. Funciona assim: a pessoa interessada manda um e-mail pro Flávio com seu endereço, ele o responde com seus dados bancários e assim que houver a confirmação do depósito, o livro é enviado pelo correio.
AUTOR: Flávio André SilvaE-MAIL: sorrisoalbino@hotmail.com TEL.: (11) 6683-3293
(Outra pérola do Flávio Venturini pra ilustrar esta postagem sobre o poeta Flávio André.)
sábado, 6 de março de 2010
UM WOODY ALLEN QUE NÃO FUNCIONA
Requentando temas recorrentes em sua filmografia, Allen abre o filme com o protagonista 60tão, Boris, conversando com amigos e supostamente com a audiência. Depois de descartar a validade de narrativas explicativas e totalizadoras como o marxismo e o cristianismo, Boris – físico que se considera um gênio – expõe sua misantropia e descrença no universo, o qual, segundo ele, é brutalmente determinado pelo caos, pela estupidez e pela gratuidade errática dos eventos. Perante esse estado de coisas, ele conclui que o indivíduo deve agarrar qualquer oportunidade de ser feliz, mesmo que por uma fração temporal porque é o máximo que se pode almejar da vida.
Boris é a repetição de várias personagens de filmes anteriores do diretor. Sua hipocondria e sarcasmo niilista me remeteram a Mickey, de Hannah and Her Sisters (1986) e suas elocubrações sobre física quântica a Lloyd, de September (1987); isso pra citar apenas 2 personagens!
Pouco depois, Melody, jovem sulista que fugira do repressivo ambiente religioso caseiro, pede comida e abrigo ao físico, que quase foi indicado ao Nobel. A diferença de idade e de educação das 2 personagens não impede que a exuberante jovem se apaixone e case com o mal vestido e manco Boris. Relações intergeracionais entre parceiros cujo desnível educacional e temperamental são abissais, também é velho tema de Allen. Frederick e Lee em Hannah... são exemplos disso.
Um ano se passa e os pais de Melody, cada um por sua vez, descobrem a filha vivendo em Nova York e vão para a cidade, onde têm suas antigas convicções conservadoras totalmente alteradas pelo contato com a cosmopolita Nova Roma. É Allen com sua eterna mania de glorificar o cosmopolitismo de Manhattan (NYC pra ele é Manhattan, ou não?), dialeticamente transformando-o em provincianismo... Uma personagem vira fotógrafa, outra assume suas tendências homossexuais, tudo fácil e rapidamente! Em Nova York tudo voa e tudo acontece!! Ela torna as pessoas “melhores”...
Ao final, como nas comédias-românticas, todo mundo tem seu par, todos estão aproveitando como podem os fugazes momentos de prazer da vida. Nada de errado com essa idéia; cada um deve mesmo ser feliz como pode e da maneira como funciona melhor pra ele/ela (daí o título do filme).
Acontece que os fatos narrativos desmentem a premissa tautologicamente pontificada durante a película: longe de representar um universo brutal e caótico, a simetria final acaba descambando pruma espécie de noção de auto-ajuda de que “o universo conspira a seu favor”.
Quase nada funciona em Whatever Works. Antes, autor de tiradas engraçadas (as “one-liners”, em inglês), desta vez Allen se saiu com diálogos repetitivos, que terminam por cansar. O melhor do filme fica por conta das atuações, especialmente da atriz Patrícia Clarkson, que interpreta Marietta, mãe de Melody.
Em tempo: a cena final é a chegada do Ano Novo, com todos os casais celebrando, inclusive o casal gay. Os heteros se beijam, ao passo que os gays trocam fortuito abraço no fundo do cenário. Nossa Glória Perez é mais cosmopolita que Woody Allen! Pelo menos, ela fez a cena do beijo gay pra novela América; se não foi ao ar, a culpa não é dela...
(Woody Allen também toca jazz.)
A VIDA DOS ALBINOS EM PARTES DA ÁFRICA
São fotos interessantes de pessoas com albinismo em algumas partes da África, enfatizando as dificuldades que enfrentam.
Eis o link pra acesso
http://www.castrodigital.com.br/2010/02/vida-negros-albinos-africa.html
sexta-feira, 5 de março de 2010
LEMBRANDO DOS HOUSEMARTINS
Em 1987, passava férias do trabalho em casa dum tio em São Paulo. Fazia isso desde guri. Quando mais jovem, via muita TV pra aproveitar a maior quantidade de canais do que a que havia no interior. Na adolescência e juventude, preferia escutar algumas FMs paulistanas pra ficar por dentro das novidades do rock/pop inglês, sobre o qual lia numa famosa revista de musica da época. Ouvia umas 2 ou 3 estações apenas; só as “alternativas”, nada dessas rádios que tocavam o hit parade!
Certo dia, ouvi uma canção chamada Me and the Farmer. Foi paixão instantânea. Recém-órfão dos Smiths, que se separaram naquele ano, babei pelo curto e rápido rockinho e pelo vocal delicado. Melodia grudenta, levada por baixo, bateria e guitarra. O nome da banda: Housemartins. Lembrei-me de que já lera o nome na revista de música que assinava; haviam estado nas paradas de singles e álbuns independentes inglesas. Em 1987, isso pra mim era sinônimo indiscutível de qualidade!!
Enquanto permaneci em Sampa, não ouvia outra estação de FM a não ser aquela que tocara Me and the Farmer pra poder escutá-la tantas vezes quanto pudesse.
Fiquei meses sem ouvir a canção novamente porque o álbum demorou a sair no Brasil. Creio mesmo que só foi lançado em 1988, pouco antes duma canção dos Housemartins estourar nas rádios do país todo, porque foi tema da novela Bebê à Bordo, da Globo. Era a balada Build, que ficou conhecida como Melô do Papel, na época.
Quando os Husemartins estouraram no Brasil, a banda já não mais existia; desintegrara-se poucos meses antes. O vocalista Paul Heaton adicionou alguns elementos mais sofisticados de jazz pop e formou o Beautiful South, popular na Inglaterra nos início dos anos 90. O baixista Norman Cook estava interessado em dance music. Primeiro fundou o Beats International, que lançou um par de álbuns criticamente aclamados e depois partiu pra discotecagem e remixagem solo, transformando-se no todo-poderoso Fatboy Slim.
Ao longo das décadas, jamais esqueci dos Housemartins e frequentemente ouço os 2 álbuns e a coletânea de singles e raridades, que constituem seu legado. Injustamente acusados de cópia ou derivativo dos Smiths, os meninos da pequena Hull eram mais do que isso. Embora as guitarrinhas jangle e os vocais evoquem por vezes os garotos de Manchester (especialmente no primeiro álbum), os Housemartins tinham elementos de Motown e gospel que não eram proeminentes nos Smiths. Isso sem contar as ácidas letras abertamente mais pró-trabalhistas do que as de Morrissey (não direi mais anti-monarquistas porque os Smiths tem um álbum chamado The Queen is Dead!).
É justamente o assombroso impacto e influência dos Smiths na música pop há mais de 25 anos, que fizeram com que os Housemartins caíssem num semi-esquecimento injusto. Ninguém tira de Morrissey, Marr, Joyce e Rourke o cetro de guardiões do guitar pop numa era infestada de sintetizadores. Deus os abençoe por isso!
Entretanto, não podemos esquecer dos momentos divertidos e politicamente antenados proporcionados por 4 garotos ingleses de aparência tão comum, tão cotidiana, o quê aliás, era parte refrescante da postura da banda, nos cabeludamente armados e gelidificados anos 80...
Quem viveu a década de 80, que relembre. Quem é jovem demais, que conheça. Mas, não podemos deixar que caiam no esquecimento.
ALBINISMO E ESPIRITISMO
Agradeço ao colaborador Miguel Naufel pela generosidade em ceder seu tempo pra escrever o texto abaixo.
O espiritismo é o conjunto de princípios e leis reveladas pelos espíritos superiores, contidas nas obras de Allan Kardec, que constituem a codificação do espiritismo. Seus livros: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gêneses.
O espiritismo é uma doutrina que divulga a reencarnação, a volta do Espírito - o Principio inteligente no ser - em outro corpo.
Finalidade da reencarnação:
Expiação - expiar significa remir, resgatar, pagar.
A volta do espírito ao mundo corpóreo é conhecida desde tempos remotos.
A reencarnação ocorre em algumas situações um tanto especiais. Para concluir o que não conseguimos concluir numa vida ou para repararmos males praticados. Em verdade, ainda que não houvesse nenhuma afirmação a respeito da pluralidade das existências ela seria entendida como necessidade absoluta para o aperfeiçoamento do espírito.
De quantos milênios vamos precisar para pormos em pratica um ensinamento de Jesus:- Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam?
A reencarnação opõe-se frontalmente à salvação gratuita. Ela dignifica o espírito imortal, que vai galgando os degraus do aperfeiçoamento moral.
A diferença moral não depende de capricho divino, mas sim, do esforço de cada um em se aperfeiçoar moralmente.
A matéria é apenas o envoltório do espírito, assim como a roupa é o envoltório do corpo físico. O espírito, ao se unir ao corpo, conserva o que é de sua natureza moral.
Pode-se ainda comparar a ação da matéria do corpo físico sob o espírito como a ação de uma água lamacenta que tira o movimento dos corpos nela mergulhados.
Toda ação negativa do espírito reflete no modelo de um novo corpo físico, material.
Para se ter uma noção do grau de evolução em que nos encontramos, basta que verifiquemos nossas tendências.
Hoje, eu estou Miguel José Naufel, sofro de baixa visão e albinismo. Luto pelos direitos de deficientes em geral.
Deus me castigou ou estou retornando para reparar?
Miguel_naufel@hotmail.com
(Eu não poderia deixar escapar a oportunidade de colocar uma de minhas canções favoritas...)


