terça-feira, 25 de abril de 2017

TELINHA QUENTE 256

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Roberto Rillo Bíscaro

Lá pela metade do segundo capítulo de Doctor Foster (2015) anotei mentalmente: se escrever sobre a série da BBC, não cair no chavão de dizer que nem no inferno existe fúria tão descomunal quanto a de uma mulher desprezada. Não se passaram 10 minutos e a própria protagonista Gemma Foster lê a citação da peça de William Congreve. Além de me permitir ser clichê, o uso da batida fala de Zara, em The Mourning Bride (1697), marca bem a linha fina pela qual caminham os 5 capítulos: vontade de ser inteligente, mas frequentemente resvalando pro já muitas vezes visto e pro melodramático. E isso não significa que seja ruim, apenas não é o Cenas De Um Casamento que aspira a ser. Doctor Foster é um drama pra TV muito do assistível; o último capítulo então, é uma cacetada. 
Gemma Foster (Suranne Jones, perfeita) é uma médica trabalhadeira e praticamente sustentando a casa, porque o marido Simon está envolvido num grande projeto imobiliário na pequena cidade onde vivem. Gemma é meio arrogante, não tem tanto tempo pro filho, mas é competente e aparenta estar sempre no controle. Mas, o casal se ama. Ate que... Até que ela acha um fiozão de cabelo loiro num cachecol do marido. No começo o espectador fica em dúvida se não é coisa da cachola da médica. Isso não importa muito e nem o desenrolar, algo óbvio. O que conta é a reação da Doutora Foster e é aí que reside um dos pontos mais fracos. Em um momento ela é racional e intelectualizada, nem bem instaura-se a suspeita e já a vemos tornar-se íntima duma paciente que quer remédios pra dormir (ela troca medicamentos por informações) e dirigir desvairada pela urbe.
Talvez fosse proposta mostrar como nossa capa de razão é facilmente esgarçável. Se for isso, precisaria resolver melhor no roteiro, mas não duvido que espectadores vários devam ter utilizado essa abordagem. O que não dá pra disfarçar é o determinismo moral simplista do tipo “homem trai; mulher tem vontade, mas consegue segurar” e nem a tendência do criador Mike Bartlett de verbalizar mais as supostas “faltas” de Gemma. Ainda bem que isso é relativizado no desenlace, especialmente na reação do filho, ao final do capítulo derradeiro.
Defeitos há, mas quem gosta de um bom drama com lances noveleiros domesticados e boas atuações com sotaque britânico, sucumbirá perante Doctor Foster. Infantis ou não, é engajador observar as reações e maquinações de Gemma; a cumplicidade de quem supõe manter-se neutro, mas ao silenciar escolhe um lado; a facilidade com que reputações são manchadas. Doctor Foster é muito sobre instabilidade rondando superfícies aparentemente tranquilas, em mais de uma esfera. E a cena em que Gemma solta os cachorros é pra se ver mais de uma vez.

A BBC anunciou segunda temporada, mas enquanto ela não chega, a primeira está até na Netflix, com dublagem em português e tudo, pra quem não curte legenda. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

CAIXA DE MÚSICA 262

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Roberto Rillo Bíscaro
Regina Belle começou a destacar-se em 1987, com singles-solo e duetos. Foi nessa modalidade que teve seu reconhecimento maior: a canção A Whole New World (1992) - interpretada com Peebo Bryson e tema do desenho da Disney, Aladdin – faturou um Grammy. Seu décimo álbum, The Day Life Began saiu há mais de um ano e devido a seu tom mais passadista (urban soul fortemente enraizado nos 80’s e 90’s), sequer arranhou paradas oficiais ao redor do mundo. Isso não significa que devamos ignorar a dezena de delícias na voz forte da norte-americana.
A faixa-título abre com voz e piano meio lamentosos, mas quando a letra chega no momento em que a vida começou, porque o eu-lírico encontrou o amor, tudo muda prum clima midtempo com palmas e dedos estalando, que dão vontade de cantar junto sorrindo. The Day Life Began, o álbum, é desbragadamente “comercial” (algum artista lança trabalho pra não vender?) no sentido retro-90’s, e em baladas quiet storm, soul e urban jazzy como Imperfect Love, You, You Saw The Good In Me ou A Night Of Love fica quase impossível não pensar no passado Disney de Belle. Sem problema, tudo é executado com extremo gosto, sensibilidade e perícia.
Regina Belle não fica querendo experimentar, seu negócio é cantar muito bem, sobre bases R’n’B bem-comportadas, como em Live 4 You. He’s Alright parece que vai ficar invocada com seu começo agressivinho-fake e uh hu, mas que nada, é gospel profano potente. You Know How To Love Me e Open Your Eyes nos jogam na pista de dança em climas meio 90’s, mas a primeira tem umas flautinhas disco (sabe aquela coisa Elisângela, Pertinho de Você?) e a segunda, apito de futebol, também coisa acústica mais disco do que sintetização noventista.
Be Careful Out There fecha com violão e percussão mais acústica, numa letra sobre a preocupação materna de soltar os filhos do ninho. Será que dava pros pais pararem de desejar que seus rebentos mantenham a inocência pro resto da vida? Querem o quê, que a moçada seja enganada e tenha o coração partido até a morte? Eu, heim!

domingo, 23 de abril de 2017

PAS DE DEUX DA SUPERAÇÃO

Conheça a história do Jonatas Soares, o bailarino que se formou pela Escola Petite Danse, através do Projeto Social Dançar a Vida, superou diversas dificuldades e atualmente é bailarino trainee da companhia Dutch National Ballet.

sábado, 22 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

PRÓ-ALBINO NA REVISTA VEJA


Programa inédito no país ajuda albinos a tratarem da saúde

O projeto também ensina a lidar com o preconceito social

Por Mariana Zylberkan


Colaborou Sara Ferrari

Em 2011, quando estava grávida de sua filha Beatriz, a professora Fernanda Quintiliano ouviu uma frase aterradora de uma médica que a acompanhava na gestação. “Ela me disse que eu não deveria pôr filhos albinos no mundo, pois havia um risco imenso de eles contraírem câncer de pele”, relembra.

Ela e o marido, o técnico em segurança do trabalho Flavio André Silva, possuem o distúrbio genético do albinismo e o transferiram às duas filhas — a caçula, Clarice, tem 1 ano. O único integrante da família de Osasco, na Grande São Paulo, que não apresenta a condição é Augusto, 6, adotado em 2011. “Eu sabia que nossos filhos biológicos seriam albinos, e não via problema nisso, mas esse comentário me deixou bastante assustada”, conta ela.

Quando a criança completou 3 anos, Fernanda encontrou o Programa Pró Albino, que funciona há seis anos na Santa Casa de Misericórdia com o objetivo de oferecer atendimento médico e psicológico gratuito a portadores de albinismo. Hoje, o casal e as duas meninas fazem consultas a cada três meses na instituição, para a realização de exames e acompanhamento clínico.


O albinismo é uma condição genética associada à deficiência de melanina, pigmento que dá cor à derme, aos olhos e aos cabelos. Além de possuir características físicas próprias (veja o quadro na pág. 50), quem é portador dessa mutação está sujeito a ter doenças cutâneas, como tumores, e deficiência visual.

Estima-se que existam 1 000 albinos no Estado de São Paulo. Para receberem tratamento específico, todos deveriam se dirigir ao instituto da Santa Casa, o único centro médico do Brasil voltado para esse público. No entanto, apenas 220 pacientes estão cadastrados no programa.

Em 2011, quando foi lançado, eram 22. “No começo, pedíamos aos pacientes para nos indicar outros albinos”, conta a dermatologista Carolina Marçon. A médica faz parte de uma equipe de nove especialistas, entre eles oftalmologista e geneticista, pronta para atender a uma gama de necessidades, desde a detecção do nível de melanina até o aconselhamento genético e o suporte para exigir auxílio por invalidez em caso de deficiência visual.

Os beneficiados são ainda orientados a proteger-se dos efeitos nocivos do sol com o uso de protetor solar com fator 30, no mínimo, e ingerir suplementos de vitamina D, substância que não são capazes de produzir naturalmente. Uma vez detectada alguma lesão mais grave na derme, o procedimento de internação e cirurgia é realizado no próprio hospital.


A ideia de criar o programa surgiu nos departamentos de dermatologia e oftalmologia da Santa Casa para prevenir casos de câncer de pele precocemente. “Muitas pessoas chegavam aqui com a doença em estágio avançado”, explica Carolina. Um dos motivos é a falta de conhecimento sobre essa condição por parte dos próprios médicos.

“Na minha infância, passei por vários pediatras e nunca me disseram nada”, diz Fernanda, que só recebeu o diagnóstico correto aos 17 anos. Além dos problemas de saúde, essa população enfrenta diariamente o preconceito social. A assistente de produtos Rafaela Rosário relata que atrai olhares curiosos quando está ao lado do namorado, Livyston Fernandes, também albino.

Os dois se conheceram em uma rede social há dez anos. O casal procura levar a situação na esportiva. “A gente tira sarro e até manda um ‘joia’ ”, diverte- se. Há ainda ajuda para resolver problemas práticos.

O aposentado Miguel José Naufel teve de entrar na Justiça contra a prefeitura de Mococa, cidade a 270 quilômetros da capital, onde mora, para conseguir retirar um frasco de protetor solar por semana em um posto de saúde local. “Alegaram que era cosmético, mas para nós é como um medicamento. Preciso usar todo dia”, explica.

Há dois anos, o Programa Pró Albino foi reconhecido pela Associação Paulista de Medicina como uma das principais iniciativas sociais da área médica na capital. O plano agora é expandir o trabalho a outros hospitais do país. “O Estado do Rio de Janeiro e Brasília estão implantando projetos semelhantes”, diz Carolina. “Eles vão facilitar a vida de quem necessita viajar milhares de quilômetros para vir a São Paulo para o tratamento.”

OS GRAUS DO ALBINISMO

Tipo 1: é a versão mais intensa da condição genética. Tem como características cabelos brancos, pele pálida e olhos claros. A deficiência visual, causada pela incapacidade de produção da proteína que forma os nervos ópticos, é mais acentuada.

Tipo 2: os indivíduos têm cabelos loiros ou castanhoclaros e pele menos pálida.

Tipo 3: a pigmentação da pele e dos cabelos é avermelhada e os olhos são castanhos, mas existem problemas de visão.

Tipo 4: essa variação se assemelha fisicamente ao tipo 2, mas as dificuldades de enxergar são mais amenas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

BRANCA DE NEVE DA SIBÉRIA



‘Branca de Neve’ da Sibéria: garotinha albina vira sensação da internet

Nariyana, de 8 anos, já recebe convites de agências de modelos. A mãe recusa todos.

À primeira vista, Nariyana parece ter saído de um legítimo conto de fadas. Com os olhinhos apertados e longos cabelos quase brancos, a menina albina de oito anos é conhecida como “Branca de Neve” em Iacútia, na Sibéria, onde vive com a família. As irmãs de Nariyana têm os cabelos escuros, bem como a mãe da garota.

O albinismo é uma anomalia genética que afeta a pigmentação da pele, olhos, cabelos e pelos do corpo. No caso da pequenina, a condição lhe dá ares de realeza das neves, como contou o fotógrafo russo Vadim Rufov em entrevista ao Siberian Times.

“Ela é muito artística e posou por quase 2h para as nossas câmeras. Seus olhos claros parecem emanar luz nas fotos”, disse ele. Apesar do talento para a brincadeira, a mãe de Nariyana conta que precisa recusar inúmeros convites de agências de modelos interessadas na filha.

“Acho que ela é muito nova para trabalhar ou fazer qualquer coisa do tipo. Ela gosta de aproveitar o tempo livre dançando e desenhando e quero que continue assim”.

Veja algumas fotos na galeria abaixo:














quarta-feira, 19 de abril de 2017

CONTANDO A VIDA 186

A BONECA EMÍLIA E A LAVA-JATO.

José Carlos Sebe Bom Meihy

Para Marisa Lajolo, em abril, como sempre.

É abril e não há de como deixar de falar de Lobato. Desta feita, de Lobato e da boneca Emília, “sua mais completa tradução”... Passados mais de 80 anos da invenção da personagem que, gradativamente, integra nossa moderna mitologia, vale reestabelecer seu DNA, isto é, ver suas origens e reinventá-la à luz dos dias atuais, em particular desse tenebroso tempo da Lava-Jato e d’outras desgraças que contaminam o humor político brasileiro. Seria possível desvelar as origens da boneca, acompanhar sua evolução ou crescimento como “gente”? O que diria hoje aquele inquieto ser feito de pano, com olhos de botões costurados com retrós? Cabe tal devaneio, ou devo estar sob o efeito do pó-de-pirlimpimpim? Sei lá, de toda forma, vou começar a viagem que, afinal, espero me leve a algum lugar explicativo deste nosso presente infeliz.

É verdade que o próprio Lobato cuidou de deixar rastros sobre suas criações. As cartas ao amigo Rangel, juntadas às centenas de entrevistas, por exemplo, fornecem atalhos prometedores. Além disso, não são poucos os curiosos que buscam as raízes emilianas para além do Paraíso Terrestre, ou melhor, do Sítio do Pica Pau Amarelo... Com sensibilidade aflorada, aliás, uma autora cearense, Socorro Acioli, ousou retraçar a trajetória da boneca de pano, e escreveu um livro precioso para quantos não deixam de se inquietar com a evolução da Emília “Emília: uma biografia não-autorizada da Marquesa de Rabicó” (Casa da Palavra, Rio de Janeiro, 2014). Por meio de leitura atraente, a autora reacende o debate sobre as mudanças da sempre insatisfeita boneca, mas a meta é mostrá-la mais popular, engraçada e, por contraste, menos venenosa e politizada. Claro: ela não perdeu o tom irônico, ou irreverente, mas mudou o comprometimento social.

É verdade que tudo na criação lobateana interessa, mas muito vale lembrar que a própria boneca cuidou de nos deixar suas “Memórias da Emília”. Caso me fosse perguntado o que mais me chama a atenção nessas “Memórias”, não teria dúvida em responder: é a definição da imagem pública deixada para a posteridade, vejamos:

Bem sei que tudo na vida não passa de mentiras, e sei também que é nas memórias que os homens mentem mais. Quem escreve memórias arruma as coisas de jeito que leitor fique fazendo uma alta ideia do escevedor. Mas para isto ele não pode dizer a verdade, porque senão o leitor fica vendo que era um homem igual aos outros. Logo, tem de mentir com muita manha, para dar ideia de que está falando a verdade pura.
A simples leitura desse enunciado, num arco histórico, convida à transposição para o caso da atualíssima Lava-jato. Basta uma olhada nas retomadas biográficas que nossos parlamentares usam em defesa própria: “é tudo mentira”, “sou inocente”, “quem acompanha minha trajetória tem conhecimento de quem sou”... Relacionando as coisas, há algo que me inquieta na vida pública de Lobato/Emília. A boneca no começo era muito mais maquiavélica, ousada, até inconveniente. Mas, mudou. Deixe-me explicar melhor: aos poucos, nas edições sequentes, há uma variação no tratamento da boneca com seu público. Crescendo, ela vai ficando cada vez mais engraçada, mas, apenas mais engraçada. De maneira sutil, o teor político inaugural é trocado por troças pândegas. Veja-se, por exemplo, a explicação que ela dá ao Anjinho caído do céu, quando resolveu explicar o termo “discurso”, referindo-se aos parlamentares:
- que é discurso?
- é uma falação em voz alta, de pé, na tribuna, diante de uma porção de ouvintes. Existe uma casa chamada Congresso, onde uns fabricantes de discursos, chamados deputados e senadores são pagos para falar. Lá dentro tudo é nobre. Só se ouve: “O nobre deputado... O nobre senador...” Mas quando brigam, a nobreza fica das mais engraçadas porque só se ouvem coisas assim: “O nobre deputado é um ladrão” ou o “O nobre senador é um canalha!”
- chegam até esse ponto? Exclamou o anjinho assustado.
- se chegam! Não há ponto onde o homem não chegue. Eu leio sempre os jornais e me arregalo com o que se passa no mundo. Que bagunça Anjinho!
- quem dirige os homens na terra?
- eles mesmos. Os mais fortes, ou mais espertos governam os mais fracos, ou mais bobos. Os espertos estão sempre de cima: e os mais bobos, sempre debaixo. Mas como os expertos abusam demais, muitas vezes os bobos que são em maior número, desesperam e fazem revoluções, botando abaixo os expertos.
- que é revolução?
- é isso. É uma grande multidão de bobos botando abaixo os expertos. Uma espécie de mudanças de moscas. Você já viu como em redor de certas coisas se juntam moscas? Pois é assim. Quando as moscas que estão de fora – as bobas – ficam muitas magras, elas se juntam e fazem uma revolução, isto é, é, espantam as gordas e tomam seu lugar. Mas imediatamente entre as bobas surgem as expertas, que vão fazendo o parigato e botando as fora as bobas, para ficarem sozinhas no gostoso.

Mas, o que isso tem a ver com a questão da Lava-jato? Tudo. Tem tudo a ver, pois não apenas nos faz pensar na perenidade da corrupção política nacional, nos jargões de tratamento jurídicos que encobrem falcatruas, na imagem que congressistas têm do povo, mas sobretudo permite pensar no apagamento de determinadas práticas discursivas que poderiam sim instruir leitores – mirins ou adultos – a temas penetrantes. Por que será que Lobato retirou essa passagem tão fértil das demais edições? Será que ele a manteria hoje, frente a Lava-jato? Ou será que também se deixou corromper pelo sucesso público de seu personagem que, aos poucos, foi se tornando mais de acordo com os consumidores, mais dóceis e apenas mais interessantes? 

terça-feira, 18 de abril de 2017

TELINHA QUENTE 255

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Roberto Rillo Bíscaro

Os últimos quadrinhos que li foram do Sandman, na primeira metade dos 90’s. Filmes de super-herói feitos pra cinema apenas conseguem me entediar, quando tento vê-los. No início do ano, o amigo argentino Carlito visitou e pediu pra ver uns do lucrativo subgênero. Nem o estelar Stellan Skarsgard em vários me fazia esquecer completamente do celular, onde jogava Best Fiends. Justiça seja feita: consegui ver O Homem Formiga inteiro, porque é tão ruim que é bom; os demais, pelo blá blá blá ouvido e cenas espiadas, são apenas ruins.
O exposto nem é pra chocar (muito); é pra pontuar minha falta de familiaridade com genealogias heroicas e novos rumos e tendências. Tenho na cabeça os tipos de histórias da época dos desenhos dos Superamigos, embora saiba por cima que hoje há heróis gays, alguns morrem, outros são bem ambíguos. Por ter curtido a instrução obtida com a maratona de versões do Homem-Aranha pras telinhas, dei uma sacada em como a Liga da Justiça, aquela dos velhos Super-Amigos, é imaginada pra gurizada do século XXI. Como são episódios de 20 minutos, não enferrujam meu saco como a charanga de 2 horas do Homem de Ferro na telona.
Vi 5 temporadas de Justice League e Justice League Unlimited, exibidas pela Cartoon Network no início deste século. Já velhuscas, portanto! Deu pra perceber que adicionaram o Unlimited, porque na terceira temporada a Liga da Justiça inflaciona-se drasticamente com penca de heróis, que nós leigos e espectadores casuais sequer conseguimos decorar os nomes. Parece que tem até uma brasuca, de cabelo verde. Não tencionava verdadeiramente aprender o nome de nenhum; já me bastam os tradicionais Super-Homem, Mulher Maravilha e meia dúzia mais. Estava mesmo interessado no teor e tratamento das histórias, então foi de boa, mas se quisesse ter aprendido nomes, há gente demais pra oportunidade de menos pra que todos se destaquem, porque os produtores não podiam se dar ao luxo de histórias sem o Flash, Lanterna-Verde e outras estrelas.
No novo milênio, a relação da Liga com a terra é bastante dúbia; até setores do governo querem coibi-los. Como no Homem-Aranha, bobo do coroa que vier com aquele papo de “não se fazem mais desenhos como antigamente” comparando com a Liga setentista. Essas histórias são muito mais adultas e intricadas do que as de minha infância, caraca! Os heróis são torturados, se machucam e gemem pra burro durante as lutas. Já não é mais tão apolíneo e fácil como outrora.
Prum coroa acostumado com o Batman camp dos 60’s e o positivo dos desenhos dos Super-Amigos, dá dó dessas versões melancólicas desde que lhe quitaram seu Boy Magia, oops, Menino Prodígio, Robin. Deixem Bruce ser feliz e tragam o garotão de volta, roteiristas invejosos!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

CAIXA DE MÚSICA 261

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Roberto Rillo Bíscaro

Nos anos 1980, bandas de jazz-funk fervilhavam no underground britânico. Elas originariam o acid jazz da década seguinte e naquela primeira metade dos 80’s houve quem tentasse encaixá-las no termo guarda-chuva New Bossa. Alguns desses grupos alcançaram sucesso internacional, como o Level 42, mas a maioria não passava do estatuto de cult band, o que por si só não é desabonador caso dê pra pagar as contas no fim do mês.
O Shakatak desfrutou de status meio intermediário, porque embora tenha tido algumas inserções nas paradas inglesas – uma delas chamada Brazilian Dawn – jamais estourou maciçamente. Formado em 1980 por Bill Sharpe e Nigel Wright (teclados), Keith Winter (guitarra), Steve Underwood (baixo) e Roger Odell (bateria), o combo logo trocou o baixista por George Anderson e essa passou a ser a formação clássica. Com discografia farta e especialmente popular no leste asiático, o Shakatak segue na ativa, exceto por Winter que teve de abandonar a guitarra por motivos de saúde, mas continua envolvido com o grupo, dentre outras coisas, responsável pela página na internet. 

O baixista George Anderson desenvolve carreira paralela, colaborando com outros músicos e lançando álbuns-solo. O mais recente é Body And Soul, que saiu dia 10 de março, pela Secret Records. A versão padrão tem 15 músicas e já dura mais do que deveria, imagine a edição de luxo, com 19, sendo que as 4 bônus são remixes da melhor delas, mas que nada acrescentam. Cansativamente desnecessário.
Body And Soul obviamente tem boas linhas de baixo, mas parece LP de saxofonista, aquela preciosidade da saxodécada, de onde vem Anderson. Trata-se de coleção de jazz urbanos e suaves, variando na velocidade, mas sempre bem-comportados, harmônicos, polidos com palha de aço, bem FM. Joys Of Life, All Or Nothing, Miracle, It’s Our World variam um bocadinho no andamento ou “peso”, mas são da mesma matriz. Já ouvimos incontáveis canções parecidas, com moças convidadas pra cantar gostoso, sem grandes destaques. Miller Time é a mesma coisa, só que sem vocais. Não é ruim, mas quando chega lá pela faixa 13, soa tudo igual.
Festival de la Vida é samba-jazz funkeado com metais salerosos e vocais femininos pa ria pa pa ria. Promised Land é baladinha jazz. Beautiful também é lenta, mas mais intensa e com toques soul também e vocal marcante; a melhor balada de Body And Soul. E tem sax meio anos 90 e baixo solando.
O ponto alto está bem no começo. G Funk – a remixada demais na Deluxe Edition – é bem início dos 80’s, homenageando o pequeno titã de Minneapolis e não esquecendo o também-falecido-ano-passado Maurice White, do Earth, Wind And Fire. Já vale o álbum se você é fã do que Quincy Jones & Cia. faziam há 35 anos.

domingo, 16 de abril de 2017

SUPERAÇÃO VASCAÍNA

A Vasco TV Premiere exibiu reportagem especial sobre a batalha de Karina, que contou com a ajuda do Vasco para vencer a leucemia. Recuperada, ela voltou a São Januário e hoje pede para que você seja um doador de medula óssea e possa salvar vidas, como a dela foi salva.

sábado, 15 de abril de 2017

DOCUMENTÁRIO ALBINO EM CUIABÁ

Documentário mostra dificuldades e superações vividas por albinos em Cuiabá

Intenção da diretora é dar visibilidade a quem tem albinismo.

Um documentário  mostra as dificuldades e superações vividas por albinos na capital mato-grossense. A obra, 'Filhos da lua na terra do sol' tem duração de 20 minutos, foi produzida em 2016 e dirigida por Danielle Bertolini.

"Quis dar visibilidade à pessoa albina porque eles estão relegados na sociedade. Muitas pessoas não têm noção do que as pessoas albinas passam. Mas o mais importante é a superação, a força de vontade que eles têm, de a cada dia fazer algo que eles teoricamente não conseguem, como alguns tipos de trabalho. E, principalmente, ter uma alegria de viver nessa condição de ser albino, e gostar do que eles são", disse a diretora em entrevista à TV Centro América.

O albinismo é uma condição causada pela deficiência na produção de melanina devido a uma condição causada pela genética. A pele e os olhos não têm pigmentação, ou tem bem pouca. Além de dar o tom da pele, a melanina é uma produção natural contra a radiação solar. A visão dos albinos também é afetada.

Dois dos albinos mostrados no documentário são o agente de endemias Hélio de Almeida e a técnica judiciária Laudisseia Figueiredo. Ambos funcionários públicos, eles dizem que precisam usar protetor solar constantemente e procuram sombra para se proteger do sol, que agride a pele e os olhos delicados de quem tem albinismo.

“Procuro lugar com sombra para andar na rua, procuro usar uniforme com camiseta de manga comprida para sair”, disse Hélio. "Protetor solar para nós é como se fosse um remédio", disse Laudisseia.

Os familiares de agente de endemia e da técnica judiciária não tinham muito conhecimento sobre a doença. Hélio relembrou um episódio em que, na casa de parentes, passaram óleo de bronzear nele, com a intenção de mudar a cor da pele. "Passou 11h, meio dia quase e eu não aguentei de desespero. Graças a Deus não aconteceu nada de anormal, de insolação", contou.

“Falaram para a minha mãe que eu tenho albinismo e deficiência visual. Ela percebia que eu não enxergava direito, mas nós não tínhamos conhecimento do termo deficiência, das pessoas com deficiência", relembrou Laudisseia.

Por causa do albinismo, tanto Hélio como Laudisseia têm a visão limitada. Ainda assim, os dois conseguiram estudar e passar em concursos públicos. No caso da servidora, que trabalha no Tribunal Regional do Trabalho, foram feitas adaptações. A sala em que ela trabalha tem quatro lâmpadas, mas só duas ficam acesas. Ela também usa uma lupa com ampliação de 15%.

“A lupa permite eu fazer leitura de letras pequenas. Tenho também uma smart TV de 32 polegadas, meu teclado é especial e se eu preciso de ler alguma coisa, tenho suporte para colocar o livro. A impressora fica mais próxima de mim também”, disse Laudisseia.

No caso de Hélio, como ler por muito tempo é um desafio, a solução foi prestar mais atenção às aulas. "Eu ficava muito atento com a apresentação dos professores, com aquilo que eles iam passar. Lia alguns capítulos, mas o livro todo, não. Porque eu não consigo ler. Se eu leio duas ou três páginas, o olho já embaça”, explicou.

Os albinos tentam formar uma associação em Mato Grosso. Para a médica Otília Teófilo, que acompanha um grupo em Cuiabá, a organização vai ajudar na conquista de direitos. “Eles precisam de dar visibilidade para o albino e suas necessidades. Então, por exemplo, tem que ter facilidade para ser atendido pelo médico de vista, pelo médico de pele, com frequência, regularmente”, opinou.

Para quem tem albinismo, o pedido é para que a sociedade tenha mais conhecimento sobre eles. “O que eu penso é que para quem não conhece o albinismo, procure melhor conhecer, procure conhecer a baixa visão. Um pouquinho mais de respeito”, disse Hélio.

Nota do Dr. Albee: No link abaixo, você encontra também uma ótima reportagem da Globo Mato-Grosso.