quarta-feira, 23 de outubro de 2019

CONTANDO A VIDA 286


UM BELO DIA TAUBATEANO EM PARIS. 


José Carlos Sebe Bom Meihy 

Para Luis Issa, pelos resgates 

Certa feita, corria o mês de julho de 2016, aconteceu uma remarcação de passagens motivada por problemas da companhia aérea e, no meio da surpresa, me sobrou um dia livre em Paris. O que fazer restou ser um doce dilema. Passada a temporada de trabalho com intervalos suficientes para museus, restaurantes, teatros, aquele presente do acaso merecia cuidado especialíssimo: mas como bem aproveitar? Por lógico, não cabia pensar em compras ou cinema (imagine), nem passeio pelas cercanias sempre tão convidativas como a Giverny de Monet, o Castelo de Cantilly, a adorável Catedral deChartres, ou o Palácio de Fontainebleau ou Versailles. 

Absolutamente perdido entre mil alternativas lembrei-me de tantos que decantaram a Cidade Luz e declinei lembranças literárias que me viajaram por Victor Hugo, sugerindo a vivacidade perigosa de “Os miseráveis”; pensei em percorrer as ruas descritas por Nerval indicando o terror dos becos; supus o Marquês de Sade preso na Bastilha. E, um depois do outro, fui me lembrado de Apollinaire, Rimbaud, Zola. Foi assim que, de repente, me senti como no filme “Meia noite em Paris” e, via Woody Allen, me convidei às aventuras experimentadas por Madame de Stäel junto com toda a Geração Perdida: Hemingway, Fitzgerald, Ezra Pound, James Joyce. E então me era dado confirmar se “Paris é uma festa” por mais um dia inesperado. Tomei tento para me deixar ao leu, sem destino e descuidado da eloquência do relógio. Foi como – outra vez pela literatura – melhor pude entender Baudelaire no significado do verbo “flanar”. E não há como deixar de ligar Baudelaire a Walter Benjamin, ambos aquilatando a alegria de se soltar livre por Paris. Pronto, estava decidido iria ser flaneur e nos limites conjugar o tal verbo que significa, antes de mais nada, absorver a atmosfera da cidade. 

Decidido que andaria, restava caminhar, caminhar e andar ainda mais... E eis que, de repente, Taubaté me veio à cabeça. Estava na Place d’ètoile... Ah, que sensação! Com a certeza da força do instinto, não mais que num zap, lá estava eu naquele entroncamento fervilhante, em frente ao Arco do Triunfo. Senti-me, juro, como dentro da melhor estrela urbana. Outra vez sem pensar, flanava pela Avenue Foch com uma sensação tão estimulante como se isso me fosse familiar. Caminhei bastante, passei pelas lojas de marcas famosas, tomei sorvete na inigualável Bertillon (badalada como a melhor sorveteria da cidade), e por fim resolvi sentar-me à sombra e tentar alguma relação entre a Place d’étolie dos franceses com a nossa Praça da Estrela, de Taubaté. 

Difícil aproximação. Buscando conexões restou o traçado, posto que a atmosfera era, fatalmente, outra. A ideia de progresso incutida nas duas praças, contudo, se mostrou denominador comum, mas qual seria a relação fatal que projetava uma na outra? A história diria, e fui a ela. A Place d’étoile parisiense é de 1777 e despontou como resposta da vibração local que pretendida superar o passado modesto e problemático, antigo reduto boêmio e de prostituição; o nosso surgiu do nada, pois foi obra de um visionário, Felix Guisard, que tendo morado em Paris resolveu reeditar um pedaço daquele desenho urbano, em 1894. Que sonho lindo! Ainda que não dê para comparar escalas, é notório que a modernização da nossa então modesta urbe estava na cabeça brilhante de um dos pioneiros da indústria têxtil brasileira. É exatamente esta a chave que atua a beleza do fato urbanístico. Cabe contextualizar a intervenção que ganha condição estelar real na medida em que a ousadia se impunha como aventura. Taubaté, como cidade, era até o começo do século XIX um local sem expressão. Por mais que os românticos tentem ver dinâmica, éramos apenas um centro burocrático, pequeno, inscrito no roteiro das cidades do café. Interessava aos fazendeiros a ligação direta entre suas unidades produtivas e os portos, condição que fazia das tropas e dos tropeiros, agentes de trânsito. Monteiro Lobato, muito mais tarde inventou o termo “cidades mortas”, mas, na realidade, nossos rincões, até recentemente, nunca tiveram pujança ou função. A constatação da proposta vibrante de Felix Guisard e de seus sócios, ao implantar a fábrica de tecidos, correspondeu à superação da linhagem colonial. 

Como me foi revelador pensar nisso tudo estando em Paris. Entendi melhor o velho Guisard, pois supor Paris em Taubaté era muito mais do que imitar, equivalia a indicação de uma radical virada de página na nossa história. Despir a roupagem de um passado escravocrata, restrito às tradições agrícolas decadentes, e no lugar propor nova aventura econômica era um desafio marcante. E não era apenas o traçado da Praça que impunha isto. Não, não mesmo. Junto vieram as vilas operárias, o trabalho feminino, a parafernália das máquinas, organizações de trabalhadores. Enfim a modernização. Sabe que mais pensei naquele então? Lembrei-me – por irônico que pareça – da ausência de memória de nossos concidadãos. Pois é, passamos pela nossa Praça da Estrela e nem notamos o tempo das utopias que nos permitiram ser o que somos. Sou grato a José Eugênio Guisar Ferraz por ter escrito um livro sobre sua família em Taubaté. O “Sol da manhã” ilumina uma página da história que merece ser visitada. Tomara que nossa estrela brilhe e que não percamos o direito de ver uma Praça na outra, e nas duas a beleza de dar matéria aos sonhos.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 385


Roberto Rillo Bíscaro

Anniversary 1978-2018: Live in Hyde Park London foi lançado em CD e DVD para comemorar o aniversário de uma das bandas-ícone dos anos 80.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

TELONA QUENTE 307



Chuck Norris vs. Communism (Netflix) analisa a proibição da mídia ocidental imposta pelo ditador romeno Nicolae Ceaușescu e como o contrabando de filmes mudou o país.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

TELINHA QUENTE 379


Roberto Rillo Bíscaro

Quanto detetive problemático há nesse mundão ficcional de mon Dieus! E quantos têm como parceiros informais, civis, que no mundo real seriam usados pelos advogados do criminoso como formas de anular o processo, sob alegação de que evidências foram contaminadas ou confissões obtidas fora dos procedimentos-padrão. Mas, nada disso importa perante nossa fome por mistérios e diversão, desde que o produto seja bem-acabado.
É o caso dos 3 episódios de Lanester, do canal France 2, presentes no catálogo oda Amazon Prime. Tramas de 90 minutos cada, centradas no detetive dos romances da escritora Françoise Guérin.
Como são inúmeros os detetives, há que lhes prover com alguma característica diferenciadora. Eric Lanester é comandante maduro, que fica cego em meio a uma investigação sobre serial killer que arranca os olhos de suas vítimas. Seu médico diz tratar-se de cegueira causada por reprimidos traumas infantis vindos à superfície, quando o policial viu animais de pelúcia sobre a cama duma das assassinadas. Lanester pega um táxi conduzido por Gabrielle, jovem esperta, urbana e atrevidinha, contraponto perfeito pro reservado e algo sombrio Lanester. A partir de então, iniciam parceria e amizade sui generis. No episódio seguinte, a cegueira ameaça voltar cada vez que o caso reemerge uma das muitas neuras infantis. No episódio três, o subtexto de saúde mental vem completamente à tona e a história se passa no hospital psiquiátrico, onde o irmão de Lanester vive desde a adolescência.
Lanester, a série, é pura baboseira psicológica de botequim, ou melhor, de bistrô ou café, porque se passa em Paris. Os assassinos estão tão obviamente dados, que chega a ser meio engraçado. Não só não há tantos personagens fora do grupo de policiais (todos meio anônimos), como a necessidade de freudianizar tudo os entrega pela lógica da narrativa, que qualquer fã mais experiente pega em 3 minutos.
Lanester às vezes parece In Treatment encontra .... (complete com seu detetive problemático predileto) e tem aquelas delícias tipo, a namorada da taxista é hacker nas horas vagas e entra no sistema do hospital.
Talvez pareça que esteja preparando conclusão negativa, né? SQN. Amei Lanester! É eficiente, tem gente bonita, o clima é mais sombrio do que o do brilho dos dentes branqueados norte-americanos e o mais importante: por mais inverossímil, dá pra gostar muito de Eric Lanester e sua parceira informal Gabrielle. Richard Berry e Emma de Caunes estão ótimos. Talvez o roteirista tenha sacado (inconscientemente, já que estamos em território Freud bubblegum, tipo anos 40, 50) que o material não era dos mais geniais e caprichou no par central.
O que quer que tenha sido, funciona que é uma belezura.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 384


Roberto Rillo Bíscaro

Uma raridade deliciosa da soul music agora facilmente encontrável, devido aos serviços de streaming.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

CONTANDO A VIDA 285

SER PROFESSOR NO BRASIL EM TEMPO DE CÓLERA.
J
osé Carlos Sebe Bom Meihy 

Fiquei curioso: qual a origem do dia dos professores? Foi fácil achar a resposta no Google e assim aprendi que existe até um livro publicado pela UNESCO sobre a data (“World Teachers' Day”). Senti-me mais importante, pois pensava que isto seria coisa de brasileiro que inventa data para tudo. Imagine que dia desses achei indicação de que há homenageados todos os dias do ano, e que no mês de outubro, além dos professores existem também algumas referências bem exóticas como: dia nacional do vereador (1), do representante comercial (10), do guarda noturno (19). Há, é claro, destaques mais conhecidos como: dia do dentista (3), do engenheiro agrônomo (12), dia do médico (18) e até dia da dona de casa (31). Desde logo, sem exceção, parabéns a todos, mas com ênfase quero falar do dia dos mestres. 

Aprendi que há um calendário diferente para cada país, pois a aceitação das figuras docentes difere muito de cultura para cultura. Os critérios gerais para a celebração variam, uns optam por natalícios de professores notáveis, outros escolhem segundo a estação do ano. Sempre na primavera – e há requintes como na Coréia do Sul que comemora no dia 15 de maio quando começam a florir os cravos vermelhos. De um modo geral, porém, o 5 de outubro é conhecido, desde 1994, como o dia internacional dos professores pela UNESCO. O Brasil variou. A efeméride foi estabelecida oficialmente sob o governo de João Goulart em 1963. Desde então a data foi oficializada pelo decreto federal nº 52.682, com validade para todo território nacional. Diz o texto em seu art. 3º, “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”. A origem, porém, é remota, e se deve ao fato de, na data de 15 de outubro de 1827, o imperador D. Pedro I ter instituído um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, com a instituição das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país. O mais notável, porém, é que já ficavam estabelecidas as condições trabalhistas dos professores. 

O tempo passando, as coisas mudam com velocidade assombrosa. No correr dos fatos, porém, repontam questões que precisam de ângulos históricos para explicar o ponto trágico em que chegamos no terreno educacional. Nosso processo de formação foi bem distinto do resto dos países colonizados. No caso da América espanhola, desde logo algumas universidades foram fundadas e já em 1551, em Lima no Peru, a Universidade Nacional de São Marcos figurava como pioneira. A ela seguiram-se, na Nova Espanha, outras que combinavam apoio do estado e zelo eclesial. No Brasil, deu-se algo diferente, não apenas pela vastidão territorial, mas sobretudo pelo conceito de colônia agrícola. Apenas com a vinda da família real, em 1808, surgiram as Faculdades de Cirurgia da Bahia e de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1827, fundaram-se as Faculdades de Direito de Olinda e de São Paulo e em seguida, em Ouro Preto inauguram-se duas instituições, a Faculdade de Farmácia (1839) e Escola de Minas (1876). No final do século XIX, surgiram mais cinco instituições no país: Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro (1891); Faculdade de Direito de Belo Horizonte (1892); Escola Politécnica de São Paulo (1893); Escola de Engenharia Mackenzie de São Paulo (1896); Faculdade de Direito de Goiás (1898). 

O sucesso do nosso sistema universitário primeiro decorreu de avanços localizados, e em função da economia possibilitada pela borracha, surgiu a Escola Universitária Livre de Manaus (1909); em seguida despontou a Universidade Federal do Paraná (1912), que se justificava pelo surto de imigrantes estrangeiros que inflava a população daquele estado. Em seguida, a Universidade Federal do Rio de Janeiro espontou como resposta da Capital Federal (1920). Foi Vargas que, em 1930, unificou o comando das escolas sob o crivo do Ministério da Educação e Saúde Pública. Desde então, centralizou-se o processo de ensino que, no nível superior reconhece três ramos de exercícios: as unidades federais, estaduais e privadas (inclusive as confessionais). Em paralelo à orientação unificada pelo estado, um problema surgiu exigindo autonomia das decisões de gerência de cada unidade, pois o perfil acadêmico demandava governo próprio. No Brasil, pela Constituição Federal de 1988, no art. 207, estabeleceu-se que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica”. 

Foi graças ao ensino público e apoio de entidades privadas que superamos a fase de dependência dos avanços estrangeiros, colocando-nos em condição de diálogo. Crescemos muito e rapidamente, mesmo tendo passado pela ditadura militar que durou 21 anos. Prova disto é que temos oito universidades classificadas pelo World University Ranking entre as 50 melhores do mundo (a USP figura entre as 100 mais pontuadas). Este sucesso, contudo, está seriamente ameaçado. Como uma praga bíblica anunciada, eis que o atual governo infesta com o que pior existe o panorama escolar brasileiro em todos os níveis, traindo inclusive o que ele próprio erigia como prioridade em campanha. E onde situa-se o motor deste desmonte? Exatamente na ignorância combinada com o sequestro da autonomia universitária. A expressão disso é a privatização dos educandários, tidos como inoperantes. Com um Presidente que trata mal o vernáculo, sem domínio elementar de problemas, desaparelhado de conselheiros capazes, o que temos é uma ladainha de malditos, de frases agressivas e ferinas, e um sombreamento de religiões obscuras e moralistas. Resultado dimensionado por um Ministro coerente com a política: cortes de verbas, propostas de ensino militar nas escolas, revisão ideológica de conteúdos. Tempos de cólera. Vamos aceitar isso? Até quando?

terça-feira, 8 de outubro de 2019

PRIORIDADE ALBINA NO RIO DE JANEIRO

Albinos podem ter prioridade nos hospitais municipais

O vereador Petra (PDT) quer ampliar a proteção a portadores de albinismo e apresentou à Câmara do Rio o Projeto de Lei nº 1.422/2019, que determina a prioridade nas marcações em consultas dermatológicas e oftalmológicas na rede pública de saúde para pessoas portadoras da doença.

Os cidadãos portadores do distúrbio terão que comprovar a condição mediante apresentação de laudo médico – contendo a Classificação Internacional de Doenças (CID), a assinatura e o carimbo com o número do Conselho Regional de Medicina (CRM) do médico responsável – para ter direito à prioridade na marcação de consultas.

De acordo com o parlamentar, “a acromatose – também chamada de acromia, acromasia ou albinismo – é uma condição de natureza genética que aparece também em animais e vegetais, em que faltam alguns compostos corantes, como o caroteno. É um distúrbio congênito, caracterizado pela ausência total ou parcial de pigmento na pele, cabelos e olhos, devido à ausência ou defeito de uma enzima envolvida na produção de melanina. Ela está associada a um número de distúrbios oftalmológicos como a fotofobia, o nistagmo e o astigmatismo. A falta de pigmentação da pele faz com que o organismo fique mais suscetível a queimaduras solares e câncer de pele“.

REENCONTRO ALBINO

Reencontros: irmãos albinos ainda enfrentam dificuldades
Os três irmãos albinos, moradores de Olinda, foram descobertos pelo fotógrafo Alexandre Severo, em 2009
Em 2009, o Jornal do Commercio publicou matéria do jornalista João Valadares e repórter fotográfico Alexandre Severo contando a história de três crianças albinas de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A publicação mudaria a vida da família. A quarta matéria da série Reencontros revisita os irmãos albinos.

Dez anos depois, o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação foi ao encontro de Rute Carolaine, Estefane Caroline e Kauan José. 

A matéria do repórter João Valadares e do fotográfico Alexandre Severo, que faleceu em 2014 no mesmo acidente aéreo que vitimou o ex-governador Eduardo Campos, correu o Brasil. Muita gente ficou comovida com o drama dos irmãos. Ao saber que Kauan, Estefane e Rute viviam sem ver a luz do sol, muita gente resolveu ajudar. 

Ser albino é ter o sol como uma constante ameaça. A infância sem dinheiro obrigou os irmãos de Olinda a permanecerem dentro de casa. O sol era um inimigo e, sem condições de comprar protetor solar, a vida era no escuro, sem luz.

Depois da publicação da reportagem em 30 de agosto de 2009, Kauan, Rute e Estafane começaram a receber a chave para o mundo lá fora. Os três irmãos têm uma dívida de gratidão toda especial para com a pessoa que mais lutou, e ainda luta, por eles: a mãe, Rosemere Andrade. 

E assim, rompendo barreiras, enfrentando às dificuldades, os três irmãos seguem cultivando sonhos para o futuro.

Confira os detalhes na reportagem de Ivan Junior:

TELINHA QUENTE 378

Roberto Rillo Bíscaro

Em um presente paralelo, o uso de androides é comum. Os hubots, são usados ​​como trabalhadores e companhia. Enquanto algumas pessoas abraçam esta nova tecnologia, outras estão assustadas com o que pode acontecer quando seres humanos são substituídos como trabalhadores,, pais e até mesmo amantes

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 383


Roberto Rillo Bíscaro

O trio volta mais incisivo em seu denso segundo álbum, incluindo elementos de rock a sua MPB.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

PAPIRO VIRTUAL 146

Roberto Rillo Bíscaro

O brutal assassinato de um chefe de polícia revela uma Suécia meio distante do ideal bem-estar social, neste clássico da literatura policial escandinava.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

TELONA QUENTE 306

Roberto Rillo Bíscaro 

A fãs de qualquer subgênero deve doer no coração, quando presenciam oportunidades desperdiçadas. Como apreciador de cine de horror/suspense psicológico/sci fi, lamentei que In Extremis (2017) tenha falhado em se adequar plenamente a qualquer das categorias mencionadas. 

Escrito e dirigido por Steve Stone e também conhecido como Point Of Death, In Extremis começa com um bem-sucedido executivo de meia-idade tirando a tarde livre e dirigindo-se a sua suntuosa casa no campo inglês, onde vive idilicamente com suas lindas filha e esposa. Logo dá pra perceber que algo está errado ali e espectadores mais sazonados matam boa parte da charada na hora. 

A mansão se vê cercada por densa a apavorante nuvem negra, que pode ter sido causado por explosão nuclear, invasão alien? Parte da exposição de In Extremis joga com as diferentes possibilidades subgenéricas onde poderia atuar. Daí, aparecem espectros negros, que deveriam assustar; daí, ele acorda num hospital abandonado. Tudo é juntado num mambo-jambo bem filmado, mas pobremente dialogado, que não dá suspense, porque não nos conectamos a nenhuma convenção ou conseguimos empatizar com qualquer personagem. 

Nos dez minutos finais, aprendemos todas as simbologias e acontecimentos do que poderia ter sido uma daquelas histórias de terror psicológico de destruir corações, mas não consegue comover.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

CONTANDO A VIDA 284

FIGO, MAÇÃ OU BANANA: 

Que folha cobriu as vergonhas de Adão e Eva? 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Além do misterioso e excitante caso de Lilith - a suposta primeira mulher criada por Deus - há outra passagem bíblica que me atiça: qual o fruto e a folha usada por Adão e Eva, depois da expulsão do Paraíso, para “esconder as vergonhas”? Nem interessa saber se a tentação de “comer o fruto” teria valido a pena (pelo menos para justificar o pecado que se chamou “original”). Em complemento, fico me perguntando sobre as alternativas capazes de explicar a espécie da árvore – e o tipo de folha – do fruto fatídico. Nas primeiras traduções da Bíblia em voga até o século IV, falava-se de uma figueira, mas há dúvidas relativas ao tamanho das folhas e à força dos galhos, pouco robustos para suportar uma serpente capaz de seduzir pela oferta do tal fruto irresistível. O correr dos séculos, contudo, consagrou outra versão que, segundo o sábio São Jerônimo, seria a real árvore, fruta e folha: a macieira. Aliás, esta foi a versão que atravessou séculos e que tomou conta do imaginário fermentado por pintores, escultores, poetas e sermonistas. Sem entrar no mérito da questão, cá entre nós, esteticamente a maçã é bem mais fotogênica e de fácil reconhecimento que o figo. Além de tudo, a maçã tem sido assimilada como fruta-pretexto, seja na lenda de Guilherme Tell, seja na Branca de Neve. Como “fruto proibido”, não faltam referências, poemas e canções saudando a maliciosa “fruta do amor”. 

De toda forma, segundo exegetas, a mudança da figueira para a macieira se deveu a um equívoco de tradução. São Jerônimo, ao se deparar com o termo hebraico “malum” em latim, confundiu as palavras homônimas “mal” com “maçã”, ambas com a mesma ortografia. Foi o que bastou. Por séculos, a maçã foi a escolhida. Não pensem, porém que esse predomínio ocorreu sem contestação. Não, mas de tal maneira foi aceito que se vulgarizou em outra polêmica, não menos interessante, o chamado “pomo de Adão”. Sim, também desprezada a prioridade no pecado – quem teria comido o fruto proibido antes, Adão ou Eva – a polêmica merece retomada, pois diz a tradição que o homem comeu primeiro e, por isto, sua garganta foi amaldiçoada com o gogó ou “pomo de Adão”. Entre lembranças e apagamentos, o caso da folha continuou, e o termo “pomar” ganhou significado especial, de plantação de frutas, pois seria resultado do “suor do rosto” de quantos pagam pela farra de Adão e Eva. 

Recentemente, contudo, uma nova substituição tem atormentado a tradição. Além de a figueira ter sido trocada pela macieira, cogita-se que a verdadeira folha teria sido de bananeira. A “nova” escolha deve-se ao reconhecimento registrado em um artigo escrito por Dan Koeppel, autor de um livro irresistível chamado “Banana: o destino da fruta que mudou o mundo (“Fate of the Fruit that Changed the World”). Este curioso texto mereceu atenção pública e foi complementado por outro, igualmente provocante, também dedicado a interpretar os símbolos e metáforas bíblicas “A Linguagem Secreta das Igrejas e das Catedrais: Decifrando o Simbolismo Sagrado dos Edifícios Santos Cristãos” (“The Secret Language of Churches and Cathedrals: Decoding the Sacred Symbolism of Christianity’s HolyBuildings”), de autoria de Richard Stemp. Seguidores desta proposta alegam que a banana é mais próxima do símbolo fálico que, por sua vez, serviria de sugestão ao ato sexual transgressivo. Mas, os argumentos progridem também por outras variantes. Sabe-se que as bananeiras são originárias do Sudeste Asiático, local que se imagina ter sido o Paraíso. Além do mais, a banana é tida como o mais antigo dos frutos e, por ser rizoma, depois de dar frutos em cachos vai renascendo progressivamente. Existe uma corrente que professa ser a banana o fruto “da ciência do bem e do mal”, nomeada em latim como “Musa Sapientum” e que, assim, como divindade do conhecimento, seria responsável pela consciência do ato transgressor que quebrou o pacto de Deus com o primeiro casal. 

Frente a este debate instigante, resta ver a atualização das escolhas. As feministas criticam a aceitação da banana como eleita porque, pelo tamanho e formato da fruta, privilegiaria os homens. Além disso, mais um fator atua nesta controvérsia: seria a mulher a agente do engodo, e o homem sua vítima? Enfim, me pergunto, por que estas questões não entram nas aulas de religião? Qual a razão dos sermões evitarem tais polêmicas? Não seriam ganchos úteis para a discussão de gênero e poder na sociedade atual? Ou é melhor ficar quieto e continuar navegando pelo mar obscuro das certezas definidas? Figueira, macieira ou bananeira? Silêncio ou debate?

terça-feira, 1 de outubro de 2019

TELINHA QUENTE 377

Roberto Rillo Bíscaro

As cinco temporadas de Jane, a Virgem são explosão de humor, criatividade, comédia e emoção. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

PAPIRO VIRTUAL 145

Roberto Rillo Bíscaro

O detetive particular Varg Veum quase é atropelado e desconfia que não foi acidente. Ao investigar a respeito, descobre que um antigo caso de pedofilia voltou para assombrá-lo. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

TELONA QUENTE 305

Roberto Rillo Bíscaro

Em Cidade Maldita (Amazon Prime), um avião militar exposto à radiação nuclear faz um pouso de emergência, mas ele está cheio de "zumbis".

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

CONTANDO A VIDA 283

LILITH E EVA, OU A PRIMEIRA DAMA DO PARAÍSO: “BÍBLIA ALTERNATIVA” 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Tem brilhado no plano das novidades literárias um gênero provocante e desafiador dos parâmetros estabelecidos. A chamada “história alternativa” permite que alguns fatos históricos ganhem versões desviadas do curso dos acontecimentos consagrados pelo saber convencional. Trata-se uma narrativa não do que aconteceu, mas do que poderia ter sido. O jornalista e biógrafo de Rondon, o norte-americano Larry Rother, por exemplo, prepara um texto sobre as possibilidades diversas que teriam o Brasil se, no Nordeste, a invasão holandesa (1624 – 37) houvesse triunfado. A proposta alarga alternativas sobre a imaginada vitória do exército de Nassau. Pensando nesse viés, numa outra chave, imaginei alguns episódios bíblicos iluminados de maneiras desviadas. E dei um voo algo delinquente sobre aspectos desprezados pelo senso comum. Sondei episódios diferentes, a começar pelo Paraíso e pela criação da humanidade. É justo dizer, de saída, que não sou iconoclasta e que, mesmo não sendo especialista em Bíblia, minha curiosidade cristã permitiu buscar alguma nesga de ventilação heterodoxa e isso, respeitosamente – sempre respeitosamente, é claro – me permitiu invadir territórios nuviosos, quase sempre dogmatizados. 

A começar pela história da criação da mulher, a Bíblia se mostra plataforma de dúvidas. No caso de Lilith, a possível primeira esposa de Adão, convém lembrar que ela realmente teria existido, segundo registros contidos na Épica de Gilgamesh, poema mesopotâmio de 2100 a.C. Este, aliás, é considerado um dos mais remotos documentos da História humana e tem ramificações em várias culturas ancestrais. Também o Talmude, livro sagrado do judaísmo, guarda referências a essa mulher rebelde, a primeira a contestar, desde a raiz, os mandos da dominação masculina (se preferirem poder “patriarcal” ou “machista”). Há ainda outros fragmentos relativos a tal existência apagada das tradições vigentes, mas, segundo a fabulação, reza-se que a primeira mulher fora feita ao mesmo tempo, e da mesma “poeira” de seu parceiro homem, nossos progenitores. Na raiz, de acordo com o bíblico estabelecido, tudo foi criado à imagem e semelhança de Deus. A simultaneidade e a matéria original daquele par de humanos garantiriam, portanto, a ambos, os mesmos direitos e poderes. A continuidade mítica, no entanto, revela que a primeira mulher de Adão não aceitou ser submissa a ele, e exigindo igualdade de tratamento, não se sujeitava a ficar sob o homem no ato sexual. A insistência no controle corporal teria motivado a primeva companheira a fugir do Paraíso e, num gesto de vingança, se tornar figura satânica, inimiga do companheiro que permaneceria solitário no Jardim das Delícias. Atendendo o pedido do entristecido e solitário Adão, Deus teria criado, logo depois, uma nova companheira, Eva. Na nova tentativa do Criador, corrigindo o erro de produção, fez a nova mulher, a segunda, a partir da extração de uma costela do macho, gerando um ser “carne da minha carne, osso do meu osso”. Por ter saído do corpo do homem, a submissão feminina seria natural. Assim, com toda inventividade bíblica, estaria justificado o domínio masculino, inaugurado o patriarcalismo, e, pela mulher, submetido ad seculum seculorum o pontificado do homem. 

Segundo a tradição, Lilith foragida do poderio masculino, em andanças pelo mundo, se encontrou com Samael, um demônio que a acolheu e deu liberdade para tentar impor o prazer sexual como regra. E Adão e Eva viviam felizes, ela obedecendo as regras dele. Inquieta Lilith, porém, libidinosa, teria se transformado em uma cobra, o símbolo fálico animal, e invadindo o Paraíso, provocado a passiva companheira. Deve ter sido expressivo o argumento usado para que a submissa Eva caísse em tentação e convencesse o parceiro a pecar junto. Comido o fruto proibido, o resto da história, como todos sabem, virou o trajeto da humanidade falível, mortal e que, sobretudo, haveria de ganhar o pão com o suor de seu trabalho. 

Há aspectos inquietantes nesta fabulação que volta a reluzir agora. Com força incrível, o perfil de Lilith reaparece como argumento de direito. É claro que o vigor do movimento feminista se impõe e nada mais conveniente que a rebeldia da primeira dama bíblica como metáfora. Mas, há algo mais a ser considerado neste jogo de poder entre o feminino e o masculino: o acesso ao prazer da mulher e as limitações do exclusivismo machista. Fico pensando no sucesso oportuno de quantas lutam por carreiras igualitárias, distribuição de tarefas domésticas, acesso político representativo numericamente, e insisto no direito comum ao prazer. É lógico que a Bíblia remete ao ato sexual como condição de reprodução, mas o espírito de Lilith reclama mais, muito mais. Será que não é hora de celebrar a rebeldia doméstica e questionar mais do que posições femininas na sociedade civil? Fico imaginando a oportunidade da “história alternativa” e penso no veneno positivo de outras versões da Bíblia.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

TELINHA QUENTE 376


Roberto Rillo Bíscaro

Uma jovem é acusada de falsa denúncia de estupro. Anos depois, duas investigadoras encaram casos assustadoramente parecidos. Série inspirada em fatos.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 382

Roberto Rillo Bíscaro

Tallies é um quarteto de Toronto, que transporta o ouvinte ao mundo das guitarras jangling e climas oníricos do indie, do início dos anos 90. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

TELONA QUENTE 304


Um renomado advogado assume o caso de uma mulher acusada de matar o amante. Quanto mais eles tentam desvendar a verdade, mais obscura a situação fica. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

CONTANDO A VIDA 282


ANTI-INTELECTUALISMO, CENSURA E OS “IDIOTAS DA ALDEIA” 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Comecemos pela expressão cunhada por Umberto Eco “idiota da aldeia”. É forte, bem sei, mas traduz com nitidez o perfil de quantos se presentificam pela internet, e no galope iconoclasta apedrejam tudo que não lhes é espelho. E na saudação explícita à ignorância se valem de ataques pessoais, morais, familiares, corporativos - qualquer coisa para consagrar o estabelecido e manter inalterada a velha ordem. Nada de renovação; nada de mudança; nada de inteligente. Só se permite repetir ad nauseam. Assumindo pressupostos risíveis, tais idiotas garantem que a Terra é plana, que Lacan e Foucault são falsários, que vacinas são nocivas, que Darwin estava errado ao propor a evolução, e até que não vivemos o aquecimento global. Tendo o dinheiro público como álibi e a anticorrupção como ponta de lança, sem bem saber em que guerra combatem, os tais alucinados acusam, abatem, calam tudo que é diferente, se posicionando com defensores da moral e dos bons costumes. Inventam causas, planejam pretextos, usam Deus como mandatário e espumam ódio, raiva, intolerância, preconceito. 

É claro que a pátria, a família, a proteção dos menores são evocados como pólos vulneráveis e passíveis da tutela deles, guardiães heróicos. Como donos de um poder inquestionável, sempre exercido como missão redentora e de inspiração divinal, tais santos não suportam diálogos, atacam com virulência expressões de tudo que lhes é diferente, detratando o saber e a estética como se fosse algo condenável por imoral, cara e satânica. E de nada valem os juízos instruídos, nem a noção de cultura continuada, ou a aceitação da obra de arte como elixir da vida ou o avanço científico. Como apetrechos dispendiosos expressões do livre pensar lhes é sempre um entrave caro e imoral. A pesquisa científica, por exemplo, é dinheiro jogado fora, aliás, lhes é odorante e bem pode ser desenvolvida alhures, sem assinatura nacional. O importante para essa gente é quebrar, desprezar, desmoralizar e se possível demonizar a inteligência como se ela não se explicasse na inerência humana ao direito, à beleza e ao aperfeiçoamento inteligente. Nesse impulso aniquilador da crítica ao estabelecido, nada deve ser poupado, principalmente os agentes artísticos, científicos, o jornalismo. Tudo em nome de dogmas nutridos em mentes bem pouco dadas à democracia. 

Umberto Eco no impulso definidor do “idiota da aldeia” foi além, diagnosticou a oportunidade do problema delegando à internet a responsabilidade pela disseminação de opiniões transmitidas por essa “legião de imbecis”. Como que inconformado com a velocidade do aumento das barbaridades, o intelectual italiano apontou o impacto atual dessa gente que sempre existiu, mas que agora ganha poder outra vez. Antes, mais atomizados, agiam “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”. Desdobrando argumentos garante Eco que “normalmente, eles (os imbecis) eram imediatamente calados, mas agora têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”. É fácil, atualmente, identificar isso, basta ligar as redes sociais e lá estão eles de plantão, acusando os gastos públicos com escolas, com arte e informação instruída. Idem lastimável com os avanços científicos. Sem nenhuma sofisticação ou sensibilidade, rasos, sem preparo algum para debater argumentos, quase sempre se valendo do “ilumina e cola”, os ventríloquos da eletrônica, se prestam como soldados de um exército destruidor da dinâmica do mundo, contra o saber e a beleza (musical, cinematográfica, de exposições de arte, de livros, de escolas públicas, museus, instituições e programas de incentivo à cultura). Nada de pensamento crítico, esta é lei única dos arautos burrice patrioteira. 

Mas, que fique claro, há uma metodologia neste desmonte. Sejamos avisados que o veneno que circula pelo corpo social empoderado obedece a procedimentos progressivos, carregando propostas cada vez mais virulentas que visam detratar o fundamento de toda e qualquer cultura elaborada, principalmente se for transgressora. É aí que obram os novos ideólogos, gente desprovida de formação e que precisam gritar, usar palavrões, falar sem interlocução, esconder-se em cursos online pagos por seguidores pouco versados em diálogos. Numa moldura ampliada, convém lembrar que essa postura se alimenta das fake news e do combate incessante à liberdade de expressão. É quando a censura entra em cena para “sanear” os males provocados por Satãs decantados em músicas, obras de arte, livros escolares, romances e até gibis. 

A correnteza dessa destruição tem matrizes históricas e, dentre tantas, o modelo mais acabado nos foi dado por Hitler que em maio de 1933 promoveu em Berlin a grande queima de livros, em praça pública – entre os autores com obras incineradas estavam Einstein, Thomas Mann, Brecht, Freud, e, claro Marx. Aquela atitude patrocinada pelo poder não parou aí. Além de se desdobrar em leis redentoras da suposta pureza germânica, em 1937 e os nazistas promoveram a primeira grande exposição onde seriam exibidas, de maneira pedagógica, obras de pintores e escultores tidos como subversivos como Van Gogh, Matisse, Picasso. Sob o título “Arte Degenerada”, para demonstrar de maneira ridícula as correntes modernistas, depois de confiscadas mais de 5 000 obras famosas das quais 600 foram selecionadas, fez-se mostra para mostrar a cultura exótica como deformadora do caráter. 

Eis que, entre nós, eco da sanha nazista, emerge com fulgor o anti-intelectualismo. Nada mais oportuno para os agentes do obscurantismo do que detratar professores, artistas, jornalistas, gente que cria, critica e educa. Tenhamos juízo enquanto é tempo, lembremo-nos que tivemos Machado de Assis, Clarice Lispector, Vila Lobos, Tom Jobim e que temos ainda Chico Buarque de Holanda dizendo Amanhã há de ser outro dia... Abaixo os “idiotas da aldeia”, pelo fim dos ventríloquos das redes sociais, e combatamos a censura.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 381


Roberto Rillo Bíscaro

O terceiro álbum dos norte-americanos abunda em sofisticação em um prog sinfônico muito atual.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

PAPIRO VIRTUAL 144

Roberto Rillo Bíscaro

Em Knife (2019), o detetive Harry Hole sofre perda dilacerante, além de ter que lidar com a volta de seu arqui-inimigo, o estuprador em série Svein Finne.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

TELONA QUENTE 303


Roberto Rillo Bíscaro

Já se especulava imenso sobre Marte nos anos ’50, especialmente nos escalões mais baixos da ciência (mas não só). Cria-se que poderia haver vegetação e mais dum livro foi escrito a respeito da provável exploração marciana, que viria logo. Em 1949, saiu The Conquest Of Space; em ’48, Das Marsprojekt; em 1956, The Exploration Of Mars.
Com o estouro dos filmes de ficção-científica “séria” da década, iniciado, em 1950 com Destination Moon, em 1955, a Paramount decidiu investir suas centenas de milhares de dólares numa película do subgênero. The Conquest Of Space compartilha o nome do livro de 1949, assim como vários traços de Destino Lua, o que o torna item dispensável do catálogo sci fi cinquentista, a não ser que seja entusiasta.
A trama é simplérrima: preparativos pruma viagem espacial, viagem a Marte, pouso no planeta, entrevero, final feliz com umas 2 mortes no processo. A despeito de não ser detalhado como Destination Moon no ato inicial, que neste descreve os preparativos, e em Conquest é um monte de trololó sonífero, o filme se pretende realista. Mas só consegue impressionar pela credibilidade dos efeitos especiais, pros padrões da época, sempre bem lembrado. A chupada de Destino Lua é tão descarada, que há até uma personagem equivalente ao ignorante bonachão Joe, que toca até gaita.
Mas, para entusiastas mais cirúrgicos da produção sci fi 50’s, The Conquest Of Space oferece rara personagem nipônica positiva, que vai ao Planeta Vermelho com os norte-americanos pra expiar as atrocidades cometidas na 2ª Guerra (claro que o roteiro tinha que justificar porque havia um japa nas telonas cinemascope!).
Outro dado assaz interessante é que já então, preocupava o impacto psicológico que tamanha empreitada na psique humana. O capitão literalmente pira e busca no fundamentalismo religioso perigoso refúgio e arma pro seu medo de ter se embrenhado espaço sideral adentro. Meio século antes da badalada série netflixiana Mars advertir sobre o perigo.
The Conquest of Space não foi bem de bilheteria (1 milhão nos EUA e Canadá) e o produtor George Pal afastou-se da ficção-científica um par de anos, além de desistir duma continuação pra When Worlds Collide.
Bem-feito. Ninguém mandou aceitar  roteiro tão preguiçoso.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A LONTRA BRANQUINHA

Lontra albina é registrada às margens do rio Aquidauana


Às margens do Rio Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, é fácil observar diversas espécies da fauna pantaneira. Desde aves, como biguás e garças, até serpentes, como as sucuris, os flagrantes surpreendem turistas que visitam a região.

Entre tantas expedições no Pantanal, porém, um grupo de turistas tirou a sorte grande: o flagrante foi de uma lontra albina.

De corpo inteiro branco e focinho cor de rosa – muito diferente das lontras e ariranhas que desfilam couro em tons de cinza - o indivíduo foi observado apenas duas vezes pelos guias de uma pousada, no mês de agosto.

“Durante um passeio de barco o guia avistou a lontra, mas só quando chegou mais perto viu que era diferente. Quando foi fotografada estava sozinha, se alimentando de um peixe”, conta Joana Tatoni, administradora da pousada.

O pouco tempo em que a lontra se exibiu, porém, foi suficiente para marcar o momento, uma vez que lontras albinas são raríssimas na natureza.

“São casos raros, frutos de genes recessivos. Existem casos relatados na Escócia, com outra espécie de lontra. Aqui no Brasil, temos conhecimento de apenas uma, no Parque Zoobotânico de João Pessoa”, explica o oceanógrafo Oldemar Carvalho.

De acordo com o especialista, a raridade dessas mutações prejudica os estudos sobre o fenômeno. No entanto, acredita-se que a lontra albina tenha desvantagens no ambiente. “Por conta da camuflagem, que é prejudicada, e do incômodo com os raios solares nos olhos, que dificultam a visão em dias claros”, diz.

Além disso, o animal pode ter dificuldades para acasalar e o filhote albino pode ser rejeitado pela mãe.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

CAIXA DE MÚSICA 380


Roberto Rillo Bíscaro

O álbum de estreia desta dupla nova-iorquina combina o pop dos anos 60 com a brevidade e energia do indie pós-punk.

domingo, 8 de setembro de 2019

ALBINOS DISCRIMINADOS EM CONCURSOS EM ANGOLA

Albinos denunciam discriminação e limitação aos concursos públicos


O presidente da Associação Provincial do Cuanza-Norte de Apoio aos Albinos disse, em Ndalatando, haver na região discriminação e limitações dos associados no acesso aos concursos públicos.

Em entrevista ao Jornal de Angola, António Mateus Sidónio explicou que no Cuanza-Norte a perseguição aos albinos é prática corrente e em muitos casos tudo começa na família, onde alguns chegam a ser acusados de feiticeiros. Revelou que os albinos continuam a enfrentar dificuldades de integração na sociedade, bem como a inserção nos serviços públicos. Acrescentou que um dos problemas que os afecta é o de saúde, designadamente consultas de dermatologia e oftalmologia, devido à necessidade de protecção da pele e olhos, pelo que sugere facilidades para consultas grátis nos hospitais.
António Sidónio lamenta a existência de poucos albinos a exercer cargos no Governo e instituições da província.
Em reacção, o chefe de departamento da Acção Social, Família Igualdade do Género, Severino Chivala, avançou que os programas da instituição visam atender grupos mais carenciados, podendo estar abrangidos albinos em situação precária. No Cuanza-Norte, a Associação de Albinos existe desde o passado dia 7 de Julho deste ano, e controla cerca de 110 membros, nos municípios de Cazengo e Lucala. Dados da ONU dão conta que centenas de pessoas com albinismo, na sua maioria crianças, já foram atacadas, mutiladas ou mortas em pelo menos 25 países africanos.

Causa do albinismo

O albinismo é uma anomalia pigmentar que torna a cor de pele, de pêlos e de olhos muita clara. Devido a factores genéticos (aos genes recessivos dos pais), no albinismo ocorre a ausência total de pigmentação na pele, sistema piloso e íris.
O albinismo não é considerado uma doença, mas podem surgir problemas na visão e haver mais risco de cancro da pele. O Dia Mundial de Consciencialização do Albinismo acontece anualmente a 13 de Junho, celebrado pela primeira vez em 2015, proclamado pela ONU, para divulgar informação sobre o albinismo e para evitar a discriminação, combatendo ao mesmo tempo a perseguição aos albinos.

sábado, 7 de setembro de 2019

ALBINO DE PROVETA

Cientistas criam lagarto albino com edição genética

Uma poderosa tecnologia de edição de genes conhecida como CRISPR levou a recentes descobertas em camundongos, plantas e humanos, mas fazer com que a tecnologia funcionasse em répteis tinha se mostrado impossível devido a importantes diferenças reprodutivas.

Uma equipe de cientistas da Universidade da Geórgia superou esses desafios e criou com sucesso lagartos anolis albinos. Os pesquisadores dizem que o experimento pode nos ajudar a entender melhor os problemas de visão em humanos com albinismo.

"Há algum tempo lutamos para encontrar uma forma de modificar genomas de répteis e manipular genes em répteis, mas ficamos presos no modo como a edição de genes está sendo feita nos principais sistemas-modelo", disse Doug Menke, coautor de um artigo que descreveu a pesquisa na revista Cell Press nesta terça-feira.

Os principais sistemas modelo se referem a organismos comumente estudados em laboratório, como ratos e peixes-zebras.

A edição de genes CRISPR geralmente é realizada em óvulos recém-fertilizados ou zigotos de célula única, mas a técnica é difícil de aplicar a animais que põem ovos: por um lado, o esperma é armazenado por um longo tempo dentro dos ovidutos das fêmeas e é difícil saber quando a fertilização ocorrerá.

Menke e colegas, no entanto, notaram que a membrana transparente sobre o ovário lhes permitia ver quais óvulos seriam fertilizados a seguir, e decidiram injetar os reagentes CRISPR neles pouco antes disso ocorrer.

Não apenas funcionou, mas, para sua surpresa, as edições genéticas acabaram nos DNAs de linha materna e paterna, e não apenas no primeiro, como haviam previsto.

Mas por que eles escolheram tornar os lagartos albinos?

Primeiro, disse Menke, eliminar o gene da tirosinase, que resulta em albinismo, não é letal para o animal.

Em segundo lugar, os humanos com albinismo geralmente têm problemas de visão e os pesquisadores podem usar os pequenos lagartos como um modelo para estudar como o gene afeta o desenvolvimento da retina.

"Humanos e outros primatas têm uma característica no olho chamada fóvea, uma depressão na retina que é essencial para a visão de alta acuidade. A fóvea está ausente na maioria dos sistemas modelo, mas está presente nos lagartos anolis, dado que eles confiam na visão de alta acuidade para atacar insetos", diz Menke.

A equipe diz que a técnica também pode ser aplicada a aves, que foram editadas geneticamente no passado, mas usando processos mais complexos.

Desde que entrou em cena há mais de uma década, a CRISPR (também conhecida por seu nome completo CRISPR-Cas9) tem sido usada para várias aplicações potencialmente revolucionárias: desde a redução da severidade da surdez genética em ratos até a criação controversa de bebês humanos imunes ao HIV.

Menke argumentou que era essencial expandir o escopo dos animais nos quais a técnica poderia ser aplicada.

"Cada espécie, sem dúvida, tem algo a nos dizer, se dedicarmos algum tempo para desenvolver os métodos para realizar a edição de genes", disse.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

TELONA QUENTE 302

Nesse suspense psicológico, a vida do pintor Lorenzo sai do controle quando ele começa a achar que sua esposa está tentando distanciá-lo de seu filho.