domingo, 19 de maio de 2013

A SUPERAÇÃO DE JOSINALDO

DIPLOMADO Josinaldo da Silva no Posto de Saúde de Santa Maria. “Quando soube que passei no vestibular, demorei a acreditar” (Foto: Celso Junior/ÉPOCA)
A trajetória do primeiro índio formado em medicina pela UnB

Ao chegar a Brasília há sete anos, Josinaldo da Silva tinha apenas R$ 900 de mesada da Funai e um currículo escolar tão pobre quanto o bolso
FLÁVIA TAVARES

CAPÍTULO 1
DE COCAR NO DIA DA FORMATURA

Josinaldo da Silva esperava com ansiedade sua vez de receber o pedaço de papel que coroaria sete anos de sua vida. Mal enxergava a família, que, após deixar Petrolina, em
Pernambuco, e voar 1.550 quilômetros, acomodara-se discretamente no fundo do auditório do Quartel-General do Exército, em Brasília. Seus olhos divisavam apenas quem, nas primeiras fileiras, lhe entregaria o canudo em instantes. Quando o mestre de cerimônias pronunciou seu nome, Josinaldo viu o pajé Álvaro Tukano soerguer-se, orgulhoso. Carregava nas mãos um enorme cocar de penas de gavião, similar ao que ostentava na própria cabeça. Aproximou-se de Josinaldo, tirou-lhe o capelo, substituiu-o pelo cocar, pôs as mãos no ombro do pupilo e – súbito – encostou sua testa na dele. Josinaldo ficou sem reação: não esperava esse gesto. Nem o que aconteceria depois. A plateia e os outros 39 formandos ficaram de pé para aplaudir o primeiro índio formado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB).
A noite de 1º de fevereiro deste ano encerrou a improvável jornada que começara em 18 de abril de 2006, quando Josinaldo, da etnia aticum, chegara a Brasília. Chegara graças a seus esforços e a uma parceria entre a UnB e a
Funai, pela qual ele obtivera sua vaga na UnB. Josinaldo vivia, com os cerca de 5 mil índios aticuns, na Serra do Umã, sertão de Pernambuco. Ao chegar a Brasília, tinha apenas R$ 900 de mesada da Funai e um currículo escolar tão pobre quanto o bolso. Mal conseguira um teto, já tinha de vestir o jaleco branco. Começara as aulas com a disciplina mais temida pelos novatos: anatomia. “Levaram a gente para uma sala com cadáveres, foi a primeira vez que vi, um choque. Entrar num ambiente cheio de corpos é para saber se você quer mesmo estar ali”, diz.
Josinaldo se sentia estrangeiro em Brasília. Pela primeira vez, sentiu o que é ser diferente dos outros. Não conseguia fazer amizades. A solidão lhe doía. Nos primeiros meses de aula, tinha apenas um amigo: Jânio, da etnia baré, do Amazonas, também estudante de medicina. Os dois dividiam um quartinho e as angústias. A família de Jânio, porém, estava com muitos problemas – a mãe doente, o pai alcoólatra. A pressão foi grande para que ele voltasse à aldeia. Jânio voltou. Um mês depois, matou-se. “Foi como perder um irmão. A gente conviveu pouco tempo, mas intensamente”, diz Josinaldo.
No primeiro semestre, Josinaldo foi reprovado em duas matérias. E depois em mais uma. Quando pensou em desistir das aulas de imunologia, difíceis demais, foi motivado a continuar pelos companheiros. “Fiz poucos amigos na universidade, mas os que fiz foram de verdade”, diz. Foram eles que bancaram os dois primeiros estetoscópios de Josinaldo – os equipamentos custavam R$ 150 cada um, uma pequena fortuna para ele. E o ajudavam quando o dinheiro da Funai atrasava. “A hombridade dele sempre me impressionou. Ele é reservado, mas fala de suas raízes com orgulho e nunca deixa de cumprir um compromisso”, diz Felipe Machado, um dos amigos da faculdade.
Josinaldo é um dos cinco indígenas formados até aqui na UnB pela parceria firmada em 2004 com a Funai. Hoje, há 63 alunos indígenas na universidade. São estudantes de 31 etnias diferentes, distribuídos em cursos como administração, sociologia e agronomia. O convênio não é exatamente uma cota, como no caso dos alunos negros. Desde 2006, a UnB cria dez vagas por semestre exclusivamente para os índios. Os alunos que entram pela cota de negros ocupam 20% das vagas já existentes nos cursos. No quinto semestre, a solidão dos tempos de calouro deu lugar ao reconhecimento orgulhoso da identidade. Josinaldo e os demais índios da UnB dançavam pelos corredores da universidade, em manifestações “contra o preconceito”.
CAPÍTULO 2
DE COCAR NO RITUAL DA ALDEIA

A dança que Josinaldo fazia no campus, sem camisa, de calça jeans e cocar, andando em círculos e batendo o pé no chão, chama-se toré. É a mesma que praticava quando era criança. Josinaldo adorava participar do ritual que acontecia a cada 15 dias. Era o escape de sua rotina de roça. Terceiro de seis irmãos, ele mal conheceu o pai, que os abandonou e, anos mais tarde, foi assassinado numa briga. Com 6 anos, já ajudava a mãe a capinar as plantações de mandioca, milho, abóbora e feijão. Nos dois meses do ano em que chovia, o trabalho era diário. A família largava a casinha de pau a pique da aldeia sem saneamento para subir a serra. Lá, Josinaldo se instalava com a mãe e os irmãos numa palhoça, dormindo no chão. Também colhia algodão nas fazendas da região. Estudar não era prioridade. Mas Josinaldo queria tanto aprender que dava um jeito de recuperar as aulas perdidas na única escola da aldeia, que só chegava à 4ª série. Quando terminou, em 1989, queria continuar estudando. Refez o ano três vezes. “Virei pós-doutor em 4ª série”, diz Josinaldo, rindo.

Em 1995, surgiu a oportunidade: construiu-se uma escola de 5ª a 8ª série no quilombo Conceição das Crioulas, vizinho ao povoado de Mulungu. A história das seis negras libertas que fundaram o quilombo, no comecinho do século XIX, se mescla com a dos aticuns – e a herança está no rosto mestiço de Josinaldo. Ele percorria todo dia, de jumento ou bicicleta, rodeado de outras crianças, os 6 quilômetros até o quilombo. Para fazer o ensino médio, o caminho era mais longo, de ônibus: 48 quilômetros até a cidade de Salgueiro. Depois de estudar e ainda ajudar a mãe na roça, Josinaldo se reunia com os familiares. A aldeia não tinha luz. Eles acendiam uma fogueira e ouviam os mais velhos contar histórias.
Já crescido, Josinaldo começou a trabalhar como agente de saúde, cuidando de sua aldeia. “A gente sabia que era ruim, mas, indo de casa em casa, é que vi”, diz. O chão batido dos casebres sem esgoto, sem comida, inundados durante os meses de chuva... Josinaldo conta que visitou uma mãe que amamentava um bebê e notou que as costelinhas do menino estavam à mostra, marcadas na pele fina. “Aquilo foi o que mais me doeu. Foi quando comecei a sonhar em ser médico. Era a utopia da utopia.”

Em 2005, Josinaldo soube do convênio entre a Funai e a UnB. Fez o vestibular no ano seguinte.“O pessoal da Funai ligou para dizer que eu havia passado. Achei que era trote. Demorei a acreditar.” Com cinco mudas de roupa, meia dúzia de livros e o aval de seu povo, que recomendou seu nome para a Funai, Josinaldo partiu para Brasília. Foram sete anos até o jaleco branco com o bordado no bolso: “Dr. Josinaldo Silva”.
CAPÍTULO 3
DE JALECO BRANCO NO POSTO DE SAÚDE

Numa tarde escaldante de março, a salinha do Posto de Saúde do distrito de Santa Maria, em Flores de Goiás, a 210 quilômetros de Brasília, está cheia. Dona Orica, de 59 anos, está ansiosa por ser atendida, depois de meses em que o posto ficou sem médico, pelo doutor novo que chegou na semana anterior. Josinaldo sai da sala com uma prancheta nas mãos e chama dona Orica. Depois outro, e outro... Atende sem parar, das 7 às 16 horas. No fim do expediente, dorme num quartinho minúsculo no fundo do próprio posto. Josinaldo está lá por causa do Provab, programa do governo federal que oferece R$ 8 mil de salário a médicos recém-formados que topem trabalhar nesses rincões sem estrutura. Ele ficará em Santa Maria por um ano. Depois, seguirá para Planaltina, na periferia de Brasília, para fazer a residência de dois anos em medicina de família, área que escolheu.

Josinaldo se sente na obrigação de voltar daqui a três anos para sua aldeia, para retribuir a confiança que seu povo lhe deu. O convênio da Funai com a UnB não prevê oficialmente a contrapartida da volta – ela é firmada entre o índio e as lideranças de suas aldeias. A aldeia Mulungu de hoje é bem diferente da aldeia Mulungu da infância de Josinaldo. A luz chegou em 2001, todo mundo tem televisão e celular, e as famílias agora constroem fossas sépticas com a ajuda do governo. Josinaldo também mudou. Comprou um carro e arrumou uma namorada, estudante de psicologia. Sua família não vive mais lá. Partiram para ganhar a vida em outras cidades de Pernambuco e em São Paulo. “Saí de lá com um propósito. Teve um povo que disse para eu vir. Quero voltar, me sinto nessa dívida”, diz Josinaldo. “Espero que daqui a três anos eu continue pensando isso.” 
http://revistaepoca.globo.com//tempo/noticia/2013/05/trajetoria-do-primeiro-indio-formado-em-medicina-pela-unb.html

sábado, 18 de maio de 2013

ALBINO GOURMET 97

ZOOFILIA COM URUBU

Internauta fotografa urubu albino em plantação de milho em Tietê, SP

Há aproximadamente 15 anos uma família recebe frequentemente a visita de um urubu albino próximo a sua propriedade rural em Tietê (SP). De acordo com a secretária Daniela Deliberali Marson, que registrou a ave e enviou fotos através da ferramenta colaborativa VC no G1, o urubu começou a ser visto mais próximo da propriedade há três meses.

Imagens enviadas mostram o urubu albino perto de outros animais da mesma espécie em uma plantação de milho.
Segundo a mulher, ela descobriu que o animal era albino através de uma reportagem exibida pelo Globo Rural em que explicava que casos como esse são raros, mas que são causados pela ausência de melanina, pigmento responsável pela coloração.
Ainda segundo ela, o animal não frequenta a propriedade todos os dias. “Tem períodos que ele chega pela manhã e fica por aqui o dia todo, mas em alguns dias que ele não aparece”, explica a internauta
Procurada pelo G1, a jovem de 29 anos afirmou que nunca percebeu comportamento agressivo do pássaro e confessa que acha a cena bonita. “Sempre que percebemos que eles estão sobrevoando perto de casa paramos para ver a cena. Sem dúvida, é muito bonito”, comenta.

Nota da Redação: O G1 procurou o especialista em aves de Itapetininga (SP), Marcelo Nanini. Segundo ele, trata-se realmente de uma espécie albina. "Pelas características físicas observadas o animal encontrado em Tietê é um urubu albino", diz.
Ele comenta que todos os albinos possuem dificuldades de se defender de predadores, pois não enxergam tão bem e não possui velocidade ao alçar voos. Por esse motivo, é comum encontrar aves albinas no meio de um bando e raramente sozinhas.
Ainda segundo Nanini, pássaros considerados diferentes, principalmente os albinos, possuem alto valor no mercado negro e, por isso, é comum caso de contrabando desses animais. “Esses animais são raros, a cada mil aves apenas uma nasce com a doença", explica.
O especialista afirma também que são raros os casos de ataques das aves contra os humanos, mas alerta que é necessário ter cuidado. “É bom tomar cuidado e não se aproximar muito. Por defesa ou medo elas podem se esquivar e atacar. O ideal é que a Polícia Ambiental ou algum órgão de defesa especializada nesse tipo de animal sejam acionados ”, diz.
Procurada pelo G1, a jovem de 29 anos afirmou que nunca percebeu comportamento agressivo do pássaro e confessa que acha a cena bonita. “Sempre que percebemos que eles estão sobrevoando perto de casa paramos para ver a cena. Sem dúvida, é muito bonito”, comenta.

Nota da Redação: O G1 procurou o especialista em aves de Itapetininga (SP), Marcelo Nanini. Segundo ele, trata-se realmente de uma espécie albina. "Pelas características físicas observadas o animal encontrado em Tietê é um urubu albino", diz.
Ele comenta que todos os albinos possuem dificuldades de se defender de predadores, pois não enxergam tão bem e não possui velocidade ao alçar voos. Por esse motivo, é comum encontrar aves albinas no meio de um bando e raramente sozinhas.
Ainda segundo Nanini, pássaros considerados diferentes, principalmente os albinos, possuem alto valor no mercado negro e, por isso, é comum caso de contrabando desses animais. “Esses animais são raros, a cada mil aves apenas uma nasce com a doença", explica.
O especialista afirma também que são raros os casos de ataques das aves contra os humanos, mas alerta que é necessário ter cuidado. “É bom tomar cuidado e não se aproximar muito. Por defesa ou medo elas podem se esquivar e atacar. O ideal é que a Polícia Ambiental ou algum órgão de defesa especializada nesse tipo de animal sejam acionados ”, diz.

http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2013/05/internauta-fotografa-urubu-albino-em-plantacao-de-milho-em-tiete-sp.html

sexta-feira, 17 de maio de 2013

ALBINISMO EM SOUTH PARK

(Photo Credit: Quinn Sherrill)
Que graça este veado albino, clicado em South Park, perto de Pittsburgh, nos EUA.


(Photo Credit: Quinn Sherrill)

(Photo Credit: Quinn Sherrill)

Veja mais fotos em
http://pittsburgh.cbslocal.com/photo-galleries/2013/05/14/albino-deer-seen-in-south-park/#photo-314641

terça-feira, 14 de maio de 2013

TELINHA QUENTE 78



Não tenho investimento emocional em Perdidos no Espaço, série sci fi cômica, sucesso modesto em suas 3 temporadas (1965-8), mas que se tornou cult, especialmente devido ao robô e ao Dr. Smith e seu amiguinho Will Robinson, pra não dizer pelo nonsense e camp das tramas, ambientação, figurino e tudo o mais. Quando vivia em São Paulo, lá pelos meus 6, 7 anos, lembro-me de ter visto episódios e as figuras do Dr. Smith e do robô acionam vagas campainhas mnemônicas.
Acho que no inicio de 2012 ou no fim de 2011, comecei a ver as temporadas. Demorei, porque Lost in Space enjoa. O quase meio século que nos separa da exibição pela CBS faz diferença. Personagens repetitivamente planos e caricatos; tempo demais pra cada episódio, arrastados num blá blá blá sem sentido e ações bobocas.
A história era pra ser um Robinson Crusoe espaço-familiar. A família Robinson parte em 1997 pra colonizar o espaço sideral. Mas, um malvado clandestino – o Dr. Smith – faz a nave se desgovernar e todos ficam perdidos no espaço. Ao longo dos 3 anos de aventuras, os viajantes deparam-se com caubóis, soldados espaciais vestidos como revolucionários ianques da guerra pela independência, cavaleiros medievais e uma variedade de monstros interpretados por dublês vestindo roupas de borracha ou pintados de prateado/verde/doirado... O universo fala inglês e isso jamais foi problema pro público norte-americano, que não fica enchendo o saco, como fazem com Glória Peres. Coisa de quem se sente confortável como império.

Jonathan Harris, o pérfido bufão Dr. Smith, foi escalado pra poucos capítulos, mas roubou a cena espetacularmente e ainda na primeira temporada os demais eram seus coadjuvantes. Junto com o enfático Will Robinson e o robô tornou-se o emblema do show com seus bordões e, sobretudo, sua afetação (se ele tivesse um animal de estimação, seria o Leão da Montanha). Vendo Perdidos no Espaço na língua original, saquei que Harris impregnou o Dr. Smith com todos os estereótipos usados pra criar vilões veladamente gays. Seus gritinhos de medo são impagáveis. Mas, por mais engraçado que seja, enjoa, porque a estupidez do Dr. Smith permanece inalterada nas 3 temporadas. Curiosamente, a única personagem que registra arco de mudança é o robô, que se humaniza – ainda que tolamente - conforme a série se desenrola.
A primeira temporada é em branco e preto. A segunda vem em cores espalhafatosas, mantidas até o fim. A canção-tema também se altera na segunda e fica um tiquinho mais perto do surf rock de Batman, série rival que estourava na audiência e inspirou o câmbio emPerdidos no Espaço.
Curiosidade: vi inclusive o episódio-piloto, não exibido na época. Nele não há o Dr. Smith ou o robô, tornando-o uma das coisas mais sem sal que já vi!
Podem argumentar que Perdidos no Espaço tem o charme d’outra era ou louvar seu mambembismo e infantilidade. Podem se encantar com o vaudeville de Jonathan Harris e seu enrustido Dr. Smith. Reconheço os argumentos e não há dúvidas de que a série é ícone da face careta dos anos 60. Mas, não é boa TV, por isso deve ter virado cult: por ser trash.
Indicada pra jovens de hoje, cujos pais jogam na cara o mentiroso argumento de que “antigamente sim é que havia coisa boa na TV”.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

ALBINISMO PREMIADO

A TV inglesa BBC ganhou diversos prêmios One World Media, por sua cobertura jornalística dos países em desenvolvimento.
O documentário Albino Witchcraft Murders levou o prêmio máximo em sua categoria. O programa segue a trajetória de 2 albinos tentando buscar seus sonhos em meio ao preconceito e ao medo que cercam as pessoas com albinismo na Tanzânia.
   http://realscreen.com/2013/05/08/albino-witchcraft-murders-wins-one-world-media-doc-award/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=albino-witchcraft-murders-wins-one-world-media-doc-award

domingo, 12 de maio de 2013

XEPA JAPA

Maria veio com os pais do Japão e não tinha muito dinheiro. Através de seu trabalhado nas feiras, ela cresceu no ramo e hoje emprega 40 funcionários, além de ser motivo de orgulho para os quatro filhos. Assista!

http://videos.r7.com/dona-xepa-da-vida-real-conheca-a-historia-de-superacao-da-dona-maria-do-pastel/idmedia/518d8b130cf2797b4d608bbb.html

sábado, 11 de maio de 2013

ALBINO GOURMET 96

Grão de bico é tão bom, né?

sexta-feira, 10 de maio de 2013

BEBÊ-FOCA REJEITADO

Different: Junior was shunned by her mother because she was considered ugly. Her chances of survival without her mother were very low
Rara Foca Albina Abandonada pela Mãe por Ser “Feia Demais” Recupera Saúde em Santuário Animal
Going from strength to strength: The albino pup has doubled in weight and now interacts well with other pups
Sara Smyth
(Tradução e adaptação: Roberto Rillo Bíscaro)

Há 2 meses, Junior foi abandonada pela mãe e estava à beira da morte, pesando apenas 20kg e faminta por companhia e atenção.
Agora, o bebê-foca albino está saudável e adorando atrair todas as atenções no santuário de focas em Linconshire.
A foca de 9 meses tem olhos vermelho-sangue e pelagem branca como leite. Acredita-se que sua aparência incomum tenha levado sua mãe a abandoná-la e a tornado uma pária.
Ela foi descoberta pelo dono do santuário, Dennis Drew, numa praia em março.
“Nós a pusemos em um engradado e o acomodamos na traseira da van. Nós a embrulhamos em uma toalha e fomos bem cuidadosos, porque focas podem morder de vez em quando.”
O Dr. Stephen Mowat explicou: “Devido a falta de pigmentação, focas albinas podem enfrentar problemas na natureza, como problemas visuais e sensibilidade à luz solar, tornando-as mais suscetíveis a predadores.”
Junior pesa agora 40 kg e poderá ser devolvida à natureza no fim do ano.
Ugly ducking: Junior the Albino seal was shunned for looking different. The pup was left to fend for herself by her mother
Distinctive eyes: Junior's blood-red eyes and milky coat have attracted visitors to the sanctuary, where she has been recuperating
Thriving: Junior is much stronger than when Mr Drew found her two months ago. She is expected to be ready to be released into the wild by the end of the year
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2322002/Albino-seal-abandoned-mother-ugly-nursed-health.html

PAPIRO VIRTUAL 54

Intercalar textos “adultos” às Crônicas de Nárnia foi a solução pr’eu dar conta dos 7 volumes infantis de C. S. Lewis. Esta semana li a quarta obra: Prince Caspian (1951).
Voltam Peter, Susan, Edmund e Lucy, de The Lion, The Witch and the Wardrobe. Um ano depois de regressarem de Narnia, as crianças são chamadas ao reino, novamente em graves apuros. O ano inglês equivaleu a centenas em Narnia. Nesse ínterim, o território caíra nas déspotas mãos dos telmarinos, descendentes de piratas terráqueos. Eles destruíram os animais falantes e mesmo a História narniana, suprimida para evitar que os bons tempos fossem tidos como verdadeiros.
Esse apagamento das tradições e a invenção de novas foi o que mais me interessou. Também a constatação de que não é tarefa simples tentar tal empreita. Meio nos moldes da Resistência durante a Segunda Guerra, fresquíssima na cabeça de Lewis, remanescentes de animais falantes, centauros, gigantes e anões – muitos miscigenados com humanos – espalhavam-se pelos cafundós de Narnia, apenas aguardando um líder,
Tal condutor seria o príncipe Caspian, telmarino que tivera o direito ao trono usurpado pelo tio Miraz. A crença de Lewis na função divinamente outorgada ao homem como dominador absoluto da Natureza – ainda que a respeitando – determina o jeitinho final, de explicar os telmarinos como descendentes da prole de Adão.
 Com a ajuda dos reis e rainhas ingleses – e a aparição do leão/Cristo/Aslan – imagino que dê pra adivinhar quem vence.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

BOWIE ALBINO?

Impressão minha ou há uma garota albina linda no novo clipe de David Bowie?

MENINA VENENO

Britânica relata luta contra vício em tomar veneno
Amy Ratnett
 
A britânica Amy Ratnett tinha 21 anos quando tomou veneno pela primeira vez, numa tentativa de suicídio. Por sorte ficou apenas na tentativa, mas seis anos depois ela tenta se recuperar do que se tornou um vício - o autoenvenenamento.
"A primeira vez foi uma tentativa de suicídio. Eu realmente queria morrer, mas depois disso comecei a tomar overdoses como forma de autoagressão", conta Ratnett à BBC.
"Eu chegava em casa do trabalho no fim do dia na sexta-feira, tomava uma overdose, chamava a ambulância, passava o fim de semana no hospital e voltava ao trabalho na segunda-feira como se nada tivesse acontecido", relata.
Segundo ela, o tratamento médico para desintoxicação do veneno a deixava em agonia, o que por sua vez a levava a repetir suas ações.
Dados do sistema de saúde público britânico indicam que o número de internações no país pelo consumo deliberado de veneno aumentaram 50% na última década.
Durante o ano de 2011, houve mais de 114 mil casos na Inglaterra, no País de Gales e na Irlanda do Norte.
Segundo o Royal College of Psychiatrists, o consumo intencional de veneno é a forma mais comum de autoagressão atendido em hospitais.
Especialistas advertem que o consumo de veneno pode levar à falência de órgãos e em alguns casos pode ser fatal.
Ajuda
O problema levou a Cruz Vermelha Britânica a lançar uma campanha para orientar jovens a ajudar amigos nessa situação, com dicas de primeiros socorros.
Segundo Paul Donnelly, diretor de campanhas da organização, uma das questões importantes ao encontrar alguém que possa ter consumido substâncias nocivas é "descobrir o que eles tomaram, quando tomaram e quanto tomaram" e chamar imediatamente os serviços de emergência.
"Se a pessoa não consegue dizer o que tomou, é possível verificar se há algum frasco ou embalagem vazia próxima. Essa informação pode realmente ajudar a salvar a vida de alguém", afirma.
Para Amy Ratnett, é importante saber que existe ajuda ao alcance para superar o problema.
"Não quero nunca mais passar por aquela dor, ou submeter minha família a isso novamente", diz.
"É bom saber que você não está sozinha, que existe apoio do outro lado. Você não precisa enfrentar tudo isso sozinha", observa.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130507_viciada_veneno_depoimento_rw.shtml?print=1

quarta-feira, 8 de maio de 2013

ZOO INCLUSIVO

Alunos com deficiência visual descobrem animais pelo tato

 


Uma ave de asas leves, com bico quase de plástico e muito colorido. É assim que Gabriel Fernando Silva, de 18 anos, enxerga o tucano, bicho que nessa segunda-feira (6) segurou pela primeira vez.
Thais Leitão
Totalmente cego desde que nasceu, ele garante que não precisa dos olhos para saber como é a beleza da natureza.
"É um mundo incrível, encantador, que eu vejo com as mãos. Achava que o tucano era um pouco maior do que isto, mas agora eu vi como ele é de verdade", disse.
Gabriel é um dos 12 alunos do Centro Educacional Setor Leste, uma escola pública de Brasília, que participaram nessa segunda-feira de uma visita guiada ao zoológico, por meio do Projeto Zoo Toque. Ansioso, assim que chegou ao local, o jovem que sonha ser jornalista, perguntou: "Cadê o tucano que eu não vi?".
Um mundo muito colorido
Igualmente encantado com a ave, Giovani Alziro, de 20 anos, contou que mesmo antes de conhecê-la de perto, já tinha sua imagem construída na mente. "Na minha cabeça, o mundo das aves já estava todo formado. É um mundo muito colorido e, por isso, lindo. O tucano que eu peguei hoje, por exemplo, é azul e amarelo. Então sei que ele tem as cores do céu e do sol. Foi uma sensação incrível", descreveu.
Além do tucano e da arara-canindé, recuperados do tráfico de animais e condicionados desde pequenos para não se assustarem com o toque das pessoas, os alunos do grupo também conheceram o elefante, o hipopótamo e a girafa. Com a ajuda de monitores capacitados, estes dois últimos animais foram alimentados pelos jovens.
Ao segurar a alfafa, que serve de comida para o elefante, Andrea Lívia, de 19 anos, ficou surpresa com a aspereza do vegetal. "Achava que era mais fofinho. É estranho, muito áspero", disse, intercalando sorrisos com uma careta por causa do cheiro forte do bicho. "O cheiro dele que não é bom. É muito marcante, não gostei muito", completou ela, que nasceu com deficiência visual em razão de uma rubéola contraída pela mãe durante a gestação.
Tainara de Almeida, de 17 anos, logo percebeu que o local onde o elefante dorme tem pé-direito alto. "Pelo eco que faz aqui, dá para ver que o teto é bem distante", observou. Segundo funcionários do zoológico, que confirmaram a percepção da menina, o lugar chamado de recinto do elefante tem, pelo menos, 5 metros de altura.
Bicho faminto
Para Jéssica Gomes, de 19 anos, o que mais chamou a atenção foi a fome do hipopótamo. "A gente dava comida e ele sempre abria a boca de novo. Que bicho faminto", disse a jovem, que já tinha visitado o zoológico com a família, mas pela primeira vez alisou o pelo dos bichos.
"Achei o pelo dele gelado e molhado. Deu um nervosinho, mas foi muito gostoso", contou que também gostou de segurar o tucano. "Esse foi o bicho que achei mais bonito. Ele é lindo porque sei que come frutas. Como as frutas são lindas, ele também é", concluiu.
O professor Renato Soares, um dos que acompanharam o grupo, explicou que conhecer de perto os animais, principalmente os selvagens, entender o local onde vivem, do que se alimentam e observar suas dimensões enriquece o processo de aprendizagem, estimulando o interesse e aguçando a curiosidade dos alunos. Segundo ele, exatamente da forma como ocorre com qualquer estudante.
"Ensinamos o que está nos livros, mas quando vamos até o objeto do estudo e vemos de perto, tudo se torna mais real, mais concreto e mais encantador. É assim com os alunos que têm deficiência como com qualquer aluno", enfatizou.
Ele explicou que, para orientar a observação, são feitas comparações com elementos já conhecidos pelos adolescentes. Para ajudá-los a compreender o tamanho do elefante, por exemplo, o professor disse que era quase como uma van.
"Eles podem não enxergar com os olhos, mas enxergam com os outros sentidos e veem tudo, só que da maneira deles", acrescentou.
Visitas mensais

Ao longo de todo o ano, esses alunos farão visitas mensais ao zoológico. Na programação, desenvolvida por biólogos, zootecnistas e educadores ambientais da instituição, estão incluídas noções de fisiologia animal e de conscientização ambiental, além de observação do borboletário e do serpentário. A cada ano, o zoológico firma parceria com uma escola para desenvolver o projeto.
A coordenadora da iniciativa, Marcelle de Castro, explicou que o zoológico conta com estrutura para receber pessoas com deficiência em qualquer dia da semana, mas enfatizou que para visitas orientadas é preciso fazer agendamento prévio por meio do telefone (61) 3445-7013.
A especialista em inclusão Claudia Werneck ressaltou que o direito ao lazer é previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e que deve ser assegurado com ampla e diversificada oferta.
"O direito ao lazer vale para para qualquer criança, com ou sem deficiência, e significa que elas devem não apenas estar nos espaços, mas participar e usufruir deles em plenas condições de acessibilidade. Isso deve valer para todas as crianças, em todos os espaços e em todos os momentos", disse a especialista, que é fundadora da Escola de Gente, organização não governamental que trabalha pela disseminação de políticas públicas inclusivas.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existem 600 milhões de pessoas com deficiência no mundo, mais da metade delas vivendo nas regiões pobres dos países em desenvolvimento, como o Brasil.
http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=37886

terça-feira, 7 de maio de 2013

ONU PREOCUPADA

Ataques ritualísticos contra pessoas com albinismo na Tanzânia preocupam especialistas da ONU
Uma mulher albina na Tanzânia, que foi brutalmente atacada devido a rumores sobre seus poderes mágicos. Estes rumores trazem conseqüências mortais para os que possuem a anomalia. Foto: UNTV

Uma mulher albina na Tanzânia, que foi brutalmente atacada devido a rumores sobre seus poderes mágicos. Estes rumores trazem conseqüências mortais para os que possuem a anomalia. Foto: UNTV
Um grupo de especialistas independentes da ONU pediu atenção neste sábado (4) para a discriminação contra pessoas com albinismo na Tanzânia, na África, onde são vítimas de ataques ritualísticos e rotineiramente maltratadas.”Elas são vistas como fantasmas, e não seres humanos, que podem ser varridos do mapa mundial”, disse o grupo em uma mensagem marcando o Dia Nacional do Albinismo na Tanzânia.
Em vários países africanos, acredita-se que partes do corpo de albinos possuem poderes mágicos capazes de trazer riquezas se usados em poções produzidas por curandeiros. Alguns até acreditam que a bruxaria é mais poderosa se a vítima gritar durante a amputação, de modo que as partes do corpo são muitas vezes cortadas quando a vítima está viva.
Organizações não governamentais que trabalham na área documentaram 186 ataques deste tipo contra as pessoas com albinismo desde 2000. Sequestros e assassinatos foram registrados em 15 países africanos.
O Relator Especial sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias, Christof Heyns, pediu que todos os atos de violência contra os albinos acabem e seus responsáveis sejam levados à justiça sem demora. O Relator Especial sobre Tortura, Juan E. Méndez, afirmou que “sob a lei internacional dos direitos humanos é dever do Estado proteger as pessoas com albinismo contra tais atrocidades”.
O albinismo é uma anomalia rara, não contagiosa, herdada geneticamente e que ocorre em ambos os sexos, independentemente da etnia, e em todo o mundo. Entre as consequências dessa condição estão a falta de pigmentação na pele, cabelo e olhos, causando vulnerabilidade à exposição do sol e luz brilhante.
http://www.onu.org.br/ataques-ritualisticos-contra-pessoas-com-albinismo-na-tanzania-preocupam-especialistas-da-onu/

TELINHA QUENTE 77


Quando criança, meus pais estabeleciam horário de dormir pra que eu estivesse disposto pras aulas de manhã. Acho que a partir da quarta/quinta série, eu podia ficar em pé até depois da novela das 8. Por isso, pude ver sucessos como O Astro, Pai Herói e Dancin’ Days. Programação das 22:00 nem pensar. Pesada demais pra minha idade, diziam.
Por isso, não vi Ciranda Cirandinha, série exibida em 1978, quando a Globo engatinhava no formato. Vi os DVDs com os 7 episódios e acredito que nem que pudesse teria me interessado na época, porque os temas eram muito adultos prum guri de 11 anos.
Parece que a fraca audiência determinou a exclusão do programa. Não esqueçamos que a emissora atingia níveis de ibope estratosféricos, quando TV a cabo e internet sequer eram sonhadas por aqui.
Determinada a tratar de temas relevantes pra juventude, os produtores reuniram a estrela Lucélia Santos, o promissor Fábio Júnior, a cinematográfica Denise Bandeira e o estreante Jorge Fernando pra interpretarem jovens que saem de casa e dividem um apê no Rio de Janeiro, meio na ressaca da onda das comunidades hippies do paz e amor e da macrobiótica, sacou bicho?
Quantos percalços Ciranda Cirandinha não enfrentou, ponderei, terminado o derradeiro episódio do programa que tem muito valor histórico pra nossa TV.
A censura era rigorosa: num dos episódios percebe-se que a doideira da personagem de Eduardo Tornaghi encaixava-se mais com drogas do que com o álcool mostrado (discretamente), mas a ditadura não deixava explicitar.
Os roteiros nem sempre primavam pela perícia, porque Ciranda Cirandinha serviu de ponto de partida pra gente como Euclydes Marinho. Falta ligação a algumas cenas, outras aparecem numa ordem meio esquisita, diálogos podem soar palavrosos ou demasiadamente artificiais (típico de jovens querendo passar “mensagens”). Uma festa de bacana é especialmente constrangedora.

No fim dos anos 70, como nos EUA - mas mais acentuadamente, claro -, não havia tanta grana nas produções televisivas e as atuações podiam ser menos profissionais do que as de hoje.
Esses senões não descreditam Ciranda Cirandinha, porém. Violência urbana, pais solteiros, famílias estendidas, amor intergeracional, sustentabilidade e educação são discutidos/aludidos no seriado que propunha TV pra pensar. Como não aprovar isso?
Pra quem cresceu vendo TV nos 70’s e 80’s é tudo de bom ver os rostinhos jovens de Kadu Moliterno, Lidia Brondi, Maria Zilda ou os já coroas Raul Cortez, Milton Moraes, Mauro Mendonça (na época, coma minha idade de hoje!) e tantos outros, alguns ausentes deste planeta.
Há momentos que a gente pensa que vivia em outro planeta, há 35 anos. Precioso ver uma cena em que uma adulta dialoga com um menor, fumando e segurando o maço pra fazer merchandising. Hoje, cena assim provavelmente geraria mais protestos do que uma em que o menor levasse um balaço na cabeça.
E finalmente pude ver/ouvir a canção Pai, de Fábio Jr, executada no contexto do episódio do qual fez parte e não apenas citada no Vídeo Show. Quem viveu a época de Pai Herói entenderá o que digo: Fábio Júnior virou viral.
Será que Malu Mulher foi lançada em DVD? Mais do que na hora d’eu penetrar na produção adulta da TV setentista brasuca.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

“FUI A NOIVA MAIS LINDA QUE JÁ VI!”

Em janeiro de 2010, a fluminense Mirian Dias foi a primeira mulher com albinismo a enviar sua história pra ser publicada no blog. Ela pode ser lida aqui.
Desde então, o envolvimento de Mirian com a causa albina aumentou a ponto de ela ser uma das líderes da associação de pessoas com albinismo no estado do Rio de Janeiro.
Mirian compartilhou mais um pouco de sua experiência conosco. Dessa vez, escolheu um momento-chave para muitas mulheres: o casamento.


Desde muito nova, nunca gostei da cor branca. Não só da cor, mas a palavra “branca” já me causava arrepio, quando ouvia na rua ou no ônibus, porque quase sempre as pessoas estavam se referindo a mim, com aquele espanto costumeiro, de ver uma criança tão alva... Nem sempre era de mim que estavam falando, mas isso não fazia diferença nenhuma, porque me sentia constrangida, da mesma forma.
Vestir branco? Só a blusa da escola, usei por anos! Minha tortura. Sentia ficar mais branca ainda. Se é que isso é possível.
Os anos passaram e aos 29 anos, de casamento marcado, me deparei com esse dilema: qual a cor do meu vestido de noiva? Pra dizer a verdade, eu não queria me casar na Igreja. Nunca tinha me sentido no direito de me casar, muito menos numa cerimônia religiosa, com toda “pompa e circunstância”.
Mas, para agradar a família, me propus a esse “sacrifício”. Todos os planos que envolviam essa data estavam sendo cumpridos, desde a decoração ao bolo. Mas, e o vestido? Pensava que ia parecer um fantasma, vestida de branco. Que ia ficar mais apagada ainda, que ficaria horrível e serviria de motivo de chacota para a maioria.
Depois que confidenciei meus medos a dois amigos do trabalho, um deles me disse que de vestido de cor champanhe sim, eu ficaria esquisita. Que eu não tinha motivos para escolher o azul e que de branco eu ia parecer uma “bonequinha”. Ri dessa comparação, claro. Eu? Boneca?
Acho que no fundo eu tinha o sonho que a maioria das mulheres tem: casar na Igreja, com um lindo vestido. Acredito que o albinismo me roubou esse sonho, durante muitos anos da minha vida, mas que ele aflorou, porque decidi encarar o desafio: casar de branco!
Um vestido branco, com calda, saia bem rodada detalhes dourados nas duas bainhas, porque tinha um babado. A parte superior do vestido, de crochê, sem manga, trabalhado com pedras douradas e brancas. Diferente, original e surpreendente, assim como eu!
Casei numa tarde de outono, uma cerimônia simples e bonita. Lá estavam minha família e poucos amigos. Eu não parecia a menina espantada, querendo fugir de todos, com vergonha de mim mesma. Eu era o centro das atenções. Fui muito elogiada! Primeira vez que fiz uma maquiagem. E foi a primeira vez que fui popular.
Mas, preciso confessar que não fui tão forte assim: pintei meus cabelos, numa mistura de dois tons de loiro. Como resultado, fiquei com os cabelos loiros, porém mais escuros, o que contrastou muito bem com o vestido e a minha pele branquinha. Foi isso que disseram e concordei. Fui a noiva mais linda que já vi!

domingo, 5 de maio de 2013

MÃO ALBINA DECEPADA

Tanzânia: Suspeitos Capturados por Posse de Mão de Criança Albina

(Adaptado do inglês por Roberto Rillo Bíscaro)
A polícia de Rukwa prendeu 9 pessoas suspeitas de deceparem a mão esquerda de uma criança albina de 9 anos. Elas foram presas enquanto tentavam vender o membro.
Os suspeitos deceparam a mão do menor, que vive com um de seus pais, e fugiram. A prisão efetuou-se graças a uma denúncia anônima e ao trabalho de uma unidade especial da polícia, criada recentemente para investigar crimes relacionados à compra e venda de órgãos de pessoas com albinismo.   
Os suspeitos serão levados a julgamento assim que as investigações preliminaries sobre o caso estiverem concluídas.  
http://allafrica.com/stories/201305040079.html

sábado, 4 de maio de 2013

DICA PARA PREFEITURAS

DPS2000 - Dispositivo para identificação de linhas de ônibus
 
Cristiana Mello Cerchiari
Recentemente estive na Reatech, Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade. Fiquei impressionada com o DPS2000, dispositivo comercializado pela empresa geraestec. O Dps2000 é um “Sistema pioneiro, concebido para tornar possível a cadeirantes e deficientes visuais o uso dos serviços de transporte urbano de forma autônoma e segura, através do uso de transmissores de radiofrequência” (ver http://www.geraestec.com.br/produto/index.php). Escrevi para a empresa, que rapidamente enviou a resposta que segue.
“Para realizar a implantação do DPS2000, o melhor caminho costuma ser apresentá-lo à prefeitura através do órgão do poder público municipal que cuide diretamente das políticas para a pessoa com deficiência. Por exemplo, algumas cidades possuem alguma Coordenadoria, Assessoria ou, até mesmo, uma Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que existem justamente para avaliar o que o município pode fazer para melhorar a qualidade de vida destes cidadãos.
Caso a prefeitura da sua cidade não disponha de nenhum organismo dessa natureza, é possível apresentar a tecnologia diretamente à Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana. Nesse caso, é interessante que a demanda pelo DPS2000 seja endossada por alguma entidade que represente as pessoas com deficiência, como o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência, para garantir que a pasta dos transportes dê a devida atenção à solicitação.
Apesar do custo de implantação do DPS2000 ser baixo, muitas prefeituras costumam justificar a não implantação da solução devido à falta de verbas. No entanto, existem programas dos governos Federal e Estadual para ajudar a viabilizar financeiramente projetos de acessibilidade dos municípios. No Estado de São Paulo, uma opção muito interessante é a Linha de Acessibilidade Urbana (LAU), da Agência de Desenvolvimento de São Paulo (Desenvolve SP): http://desenvolvesp.com.br/portal.php/lau
Aproveito para manifestar nossa disponibilidade para apresentar o DPS2000 em breve à prefeitura da sua cidade, caso venha a haver o interesse. Até lá, estaremos à sua disposição para lhe municiar de quaisquer informações de que você venha a precisar, ok?
Cordialmente,
Geraes Tecnologias Assistivas Ltda.
(31) 3495-1497
(31) 9193-2105
www.geraestec.com.br

Fica a sugestão de impulsionarmos a implantação desse dispositivo em
nossas cidades.

http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=37862

ALBINO GOURMET 95

A ênfase de hoje é no gengibre.
 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

ZOOFILIA JAPONESA


Filhotes de tigresa albina se exibem no Japão

Filhotes de uma tigresa albina roubaram a cena na primeira aparição pública no zoológico de Saitama, no Japão, nesta quinta-feira (2). São três machos e uma fêmea, que têm 46 dias apenas. Uma pequena multidão se reuniu em frente à jaula do animal para ver as novas atrações do complexo.  (Foto: Koji Sasahara / AP Photo)Filhotes de uma tigresa albina roubaram a cena na primeira aparição pública no zoológico de Saitama, no Japão, nesta quinta-feira (2). São três machos e uma fêmea, que têm 46 dias apenas. Uma pequena multidão se reuniu em frente à jaula do animal para ver as novas atrações do complexo. (Foto: Koji Sasahara / AP Photo)
Tigres com pele branca e olhos claros são raros na natureza. Uma anomalia genética faz com eles percam a tradicional cor laranja. Em todo o mundo, existem cerca de 250 tigres albinos. (Foto: Koji Sasahara / AP Photo)Tigres com pele branca e olhos claros são raros na natureza. Uma anomalia genética faz com eles percam a tradicional cor laranja. Em todo o mundo, existem cerca de 250 tigres albinos. (Foto: Koji Sasahara / AP Photo)http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/05/filhotes-de-tigresa-albina-se-exibem-no-japao.html

PAPIRO VIRTUAL 53

Anglocêntrico demais chamar H. G. Wells de “pai da ficção científica”. E Jules Verne? Também não curto a noção burguesa de que alguém tenha que ser sozinho o PAI d’alguma coisa.
Polêmicas a parte, li texto fundamental pro universo sci fi: The Time Machine (1895). Wells não apenas deu o nome que todo autor usaria pra geringonças capazes de deslizar no tempo, como se esse fosse a quarta dimensão, mas esbarrou numa das obsessões de seus colegas do futuro modernismo, a passagem do tempo.  
Um cientista-cavalheiro vitoriano viaja ao futuro, ao ocaso da humanidade, polarizada entre os dançantes e estúpidos Eloi e os subterrâneos e estúpidos Morlock (cuja extrema alvura e fotofobia são objetos de nojo, espanto e ódio por parte do narrador. Albinismo não é nomeado, mas intuído).
Wells não comungava da noção positivista de que a ciência traria paz, ordem ou felicidade. Pelo contrário, a vitória do homem sobre a natureza – gerando um mundo sem perigos, doenças, necessidade de luta ou esforço (pruma parcela) – levou à decadência da espécie humana.
O viajante temporal assume que sua explicação pro que viu pode estar errada. O leitor experimenta muitas de suas dúvidas e vai descobrindo junto com ele. No começo, o comunismo é percebido como causador da decadência. Depois, a divisão entre os abastados Elois e os escravizados Morlocks é entendida como real problema. Depois ainda, descobrimos que os Morlocks não são necessariamente escravos, mas começam a dominar os Eloi, trazendo o medo de volta e fazendo-os de comida.
Essa corrosão da onisciência do narrador obviamente põe em xeque seus julgamentos e nos faz duvidar até mesmo do que ele provavelmente não supunha que duvidássemos. Por exemplo, a explicação que dá pra decadência da espécie humana implode, mas talvez ele nem haja percebido. Ele afirma que a degeneração ocorreu porque Elois e Morlocks atingiram a harmonia, ou seja, esses trabalhavam praqueles, cada grupo assumindo tais traços como segunda natureza. Ora, isso não é harmonia, é exploração, divisão brutal de classes e total alienação, dai o problema apocalíptico da humanidade.
Nos termos de Wells, a necessidade é a mãe de todo progresso, mas parece que os infantilizados Eloi já haviam passado do ponto de reação contra a matança Morlock, porque os capítulos finais d’A Máquina do Tempo brilhante e assustadoramente descrevem o fim da jornada da Terra. Mas, talvez coubesse a problematização: a necessidade, afinal, não seria mãe tão poderosa quanto parecia querer o evolucionista Wells, afinal, os Elois necessitavam fazer algo, mas isso não os impeliu a uma retomada do progresso humano.
Divertido notar o limite que a tecnologia do tempo impôs à imaginação de Wells (e a de qualquer escritor, claro). Ao descrever um museu em ruínas, ele não consegue imaginar nada além de livros, como registro dos tempos transformados em pó pela indolência Eloi.
Menos de 20 anos depois, as bombas despencando sobre cidades europeias, tornavam obsoleta a maior parte da realidade criada por H. G. Wells, em The Time Machine. A influência do romance, porém, deve ter excedido qualquer prognóstico futurista sonhado pelo autor. Não está escrito em gibi algum o tanto que foi adaptado, plagiado e/ou serviu como base pra filmes, séries, programas de rádio. Eis um exemplo: