terça-feira, 19 de setembro de 2017

TELINHA QUENTE 277



Roberto Rillo Bíscaro

Concluindo o comentário sobre as 2 temporadas primeiras de Bron/Broen, afirmei que não perderia tempo vendo a releitura anglo-francesa (The Tunnel), porque ela não conseguiria “replicar o intoxicantemente sublime”. Como sou meio mentiroso e tenho crises de abstinência mastodônticas, não resisti e testei-a há alguns meses. Não passei do segundo capítulo: não fui com a cara do elenco (bom, mas Saga e Martin são como marca de cigarro pra fumante; outra não tem o mesmo sabor, por isso, não satisfaz) e decidi que não compensava o trabalho de ler legenda, quando se falava em francês.
Há algumas semanas, nova crise de abstinência e a comodidade de a versão norte-americana estar na Netflix brasileira fizeram-me tentar The Bridge, cujas 2 temporadas foram ao ar pela FX, entre 2013 e 14. Justifiquei o salto no escuro até didaticamente: daria pra treinar inglês e espanhol num show só; olha que prático e proveitoso. E deu mesmo, pelo menos na primeira temporada.
The Bridge usa a premissa do original sueco: um corpo dividido em 2 é encontrado na ponte que liga El Paso a Juaréz e logo se descobre que metade pertence a um mexicano, metade a um norte-americano. Isso justifica que a detetive ianque meio autista Sonya Cross e o mexicano bonachão Marco Ruiz trabalhem juntos pra resolver essa ode sangrenta à monogamia (e o original é da “liberada” TV sueca, não do Vaticano ou da evangélica Record...).
A fronteira entre EUA e México fervilha de diferenças e possibilidades de assuntos em nível pessoal, político, econômico, social, cultural, enfim, muito mais diversa do que a fronteira Suécia-Dinamarca, embora países escandinavos estejam longe de serem iguais (o fato do sátiro ser o dinamarquês Martin na produção sueca é acerto de contas simbólico na perene batalha cultural entre as 2 nações). The Bridge não perde as oportunidades e na versão da FX temos imigração ilegal, carteis de narcotraficantes, até com subtramas inexistentes no original. Até aí nada demais, o problema é que vemos muito da violência, pobreza, corrupção e “atraso” apenas do lado mexicano, como se a terra do Trump fosse idílio que sofre com a violência e invasão do sul. Mas quem compra a droga em massa é playboyzinho, playboyzinha, playtiozinho e playtiaizinha ianque, né? Não que o show jamais reconheça isso, mas basta atentar pro que é mostrado no lado de El Paso e o que é no lado de Juarez e você entenderá a diferença de ênfase.
Por ser feita primeiro pro público norte-americano, The Bridge deve ter querido mostrar mais a alteridade pobre dos desafortunados estrangeiros. Certamente pro mais europeu norte, a explosão de tons fortes, calor e deserto do sul do Texas/norte do México pareça “exótica” e essa estranheza The Bridge capta bem, mas qual programa passado no sul não tem as mesmas imagens de deserto, com aquela guitarrinha blues? Aqui aproveito pra dar opinião desavergonhadamente subjetiva, já que isso é blog e não site imparcial (hahahaha) de crítica: acho um saco esse visual True Detective, Breaking Bad ou sei lá que raio, que na verdade remonta há décadas: gostei e maratonei The Bridge, mas a ambientação gélida e o tom insistentemente depressivo de Bron/Broen dão de zilhões a zero.
Apesar disso e embora Sonya não faça sombra à representação do possível Asperger, como sua original sueca, a temporada 1 é bem boa, prende a atenção, Demián Bichir é muito bom, assim como sua colega Diane Kruger. Passei logo pra segunda, curioso pra ver se seguiriam a trama de Bron/Broen, que envolve bio e ecoterrorismo. Na fronteira México-EUA, pensei, como?
Os produtores devem ter se perguntado o mesmo e a série começou a seguir caminho próprio, mantendo similaridade com a sueca apenas na subtrama dos demônios pessoais de Marcos. O foco dessa fase seria um assassinato em série de centenas de garotas e um túnel usado pra tráfico de pessoas/narcóticos. Que sono! Mais do mesmo de tantas outras produções. Aí sim o chavão da representação do sul com fundo musical de guitarrinha de blues pegou pesado e desisti no terceiro capítulo, acho, sem sequer terminá-lo. A Wikipedia conta que 42% do público televisivo fez o mesmo, quando da exibição pelo FX, levando ao cancelamento da série. Nota: Bron/Broen vai pra sua quarta temporada, enquanto sua cópias foram todas canceladas.
The Bridge funcionou apenas enquanto não se distanciou muito da grande estória do original original (repetição proposital). Os assinantes da Netflix deveriam exigir que a empresa comprasse os direitos de Bron/Broen pro Brasil, assim como detém os da cópia semi-bem-feita.

SOM ALBINO

O novo caldeirão do bruxo albino


Após um hiato de 15 anos, o compositor e instrumentista Hermeto Pascoal lança o CD duplo "No Mundo dos Sons"


Após um hiato de 15 anos sem lançar um disco de estúdio com seu próprio grupo musical, Hermeto Pascoal volta ao mercado discográfico com o álbum duplo "No Mundo dos Sons." Produzido pelo Selo Sesc, o novo trabalho do compositor, arranjador e multi-instrumentista reúne 18 faixas autorais, muitas delas compostas em homenagem a amigos como Tom Jobim, Astor Piazzolla e Miles Davis, entre outros. Aclamado pela crítica especializada, o repertório do disco é apontado como reflexo do auge criativo que o músico alagoano que ganhou projeção internacional atravessa aos 81 anos de idade.
Popularmente conhecido como o "bruxo dos sons", Hermeto assina a direção musical e os arranjos do novo álbum que foi gravado em fevereiro deste ano no estúdio Gargolândia, em São Paulo. Na produção do disco lançado pelo Selo Sesc, Pascoal é acompanhado de seu grupo que tem como integrantes o baixista Itiberê Zwarg, o baterista Ajurinã, o pianista André Marques, o flautista e saxofonista Jota P, e o percussionista Fábio Pascoal, filho do artista. Além de compor todas as faixas do disco, Hermeto mostra toda a sua virtuose tocando com maestria apitos, escaletas, berrantes, teclados, chaleiras, colheres e piano. 


A genialidade nada protocolar do multi-instrumentista albino se faz presente no repertório do álbum gerado em tons afetivos. As homenagens prestadas pelo músico são expostas nos títulos das canções. O set list conta com faixas como "Viva São Paulo", "Para Miles Davis", "Viva Piazzolla", "Forró da Gota para Sivuca", "Carlos Malta Tupizando" e outras. Algumas foram compostas por ele há mais de 30 anos, mas só gravadas agora. 

Autodidata e livre de rótulos, Hermeto ganhou notoriedade internacional e respeito dos maiores músicos do planeta que enaltecem o experimentalisto, a excelente capacidade de improviso e o processo criativo totalmente intuitivo do brasileiro. Em maio deste ano, o alagoano recebeu o título de doutor honoris causa pela New England Conservatory, em Boston, nos Estados Unidos. 

Apesar do longo período longe dos estúdios com seu grupo, o músico nunca deixou de produzir. Nesse intervalo de 15 anos, gravou trabalhos em duo, compôs e fez shows. Lançou em 2010 o CD Bodas de Latão, em duo com Aline Morena, comemorando sete anos de união na vida e na música. Esse CD contém duas faixas multimídia. Atualmente, Hermeto Pascoal tem feito shows dentro e fora do Brasil com cinco formações: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal e Aline Morena, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band e Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica. 



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

POR UM TRIZ, EM MOÇAMBIQUE

Criança albina escapa a tentativa de rapto em Balama

Um menor de nome Édio, 10 anos de idade, portador de albinismo, residente no Posto Administrativo de Mavala, distrito de Balama, província de Cabo Delgado, escapou esta semana de uma tentativa de rapto.

Apercebendo-se da situação, os pais do menor, trataram de denunciar o caso às autoridades policiais, que de imediato detiveram o indivíduo, que recolheu para as celas da Polícia da República de Moçambique, naquele distrito.

Segundo contou o pai do menor, aos microfones da Rádio Comunitária local, quando a criança encontrava-se a brincar fora do quintal, apareceu o individuou em causa dizendo que o menino era uma “bolada”.

“A criança estava a brincar e nós vimos ele chegar à casa a correr. Quando lhe perguntámos o que se passava, ele disse que estava sendo perseguido, por uma pessoa que queria “bolada”. Foi dai que optámos por denunciar o caso à Polícia”, disse o pai.

Por sua vez, o menor em causa, contou que o cidadão chegou e começou a chamá-lo para sair donde estava a brincar. “Estava-me a perseguir e corri para dentro. Me dizia que eu era “bolada”. Depois, ele me chamou e eu neguei”, disse o menor.

O suposto raptor de nome C. Paulo, em entrevista à Rádio Mpharama, negou todas acusações contra si. Paulo disse que passou por ali porque estava atrás de um amigo com quem consome juntos bebidas alcoólicas.

“Eu apenas passei pela zona à procura do meu amigo Cochoco, porque nessa região temos bebido muito álcool. Ás tantas, apareceu o pai do menor, fazendo-me acusações. Por isso deixei aquele lugar. Depois, fui detido, alegando que eu sei da tentativa do rapto dum menor albino”, contou o acusado.

Por sua vez, Sauale Assane, cidadão que testemunhou a tentativa de rapto do menor com albinismo, confirmou serem verdadeiras as palavras dos pais.

O chefe das operações do Comando Distrital da PRM, em Balama, Mamudo Abibo, admitiu que, as averiguações da corporação indicam haver tentativa do rapto. Por isso, foi elaborado um auto criminal que vai ser remetido ao Ministério Público para devidos procedimentos.

Mamudo Abibo apela à população do distrito para manter maior vigilância sobre as crianças nas comunidades e denunciar imediatamente às autoridades locais todos os casos suspeitos, tal como se fez neste caso.

CAIXA DE MÚSICA 283


Roberto Rillo Bíscaro

Ano passado, revistas online hipsters, como Pitchfork e Consequence of Sound entoaram loas à Jamila Woods, cujo LP de estreia apareceu na lista de melhores das também descolados Spin e Pop Matters. Em se tratando duma cantora de Neo Soul/R’n’B isso incendiou minha curiosidade, afinal sou meio metido a hipster, de vez em quando. Ouvi alguma coisa de HEAVN, no SoundCloud e enlouqueci quando vi o vídeo de Blk Girl Soldier – que voz, que letra, que arranjo! Mas, se passaram muitos meses até que finalmente consegui botar os ouvidos em HEAVN, inteirinho, pra ouvir no fone de ouvido, prestando bem atenção.
Jamila Woods é atuante poeta, cantora e agitadora cultural independente – pelo menos era na época do lançamento de HEAVN, em julho de 2016 – de Chicago, metrópole que ganha mais destaque pela criminalidade e pelo vento, do que pela potencialidade de seus artistas e sua beleza. Não poucos norte-americanos, a chamam de “New York without an atitude”. Woods quis traçar panorama identitário da afrodescendência e também prestigiar os músicos de sua cidade. Conseguiu ambos objetivos e mais.
Apesar de multiproduzido e com referências caleidoscópicas - hip hop, trap, quase qualquer sub-estilo de soul/R’n’B, jazz, folk, indie pop são as mais evidentes – HEAVN é de consistência sônica e de qualidade de impressionar. As 13 faixas são excelentes, assim, compensa mais comentar o disco no atacado e não no varejo, até porque em termos estilísticos, as influências estão moídas e os farelos recombinados pra moldar um som moderno, descolado e elegante pra chuchu.
Quem entende inglês ganhará um “plus à mais”, porque as letras são sacadas poéticas sobre violência policial; aceitação da negritude; fetichização da negra como objeto animalesco de sexualidade; problema em aceitar a própria pele, clareando; timidez como forma de ficar longe de problemas, porque implica não envolvimento. Mas, também há a linda letra sobre memória, de Breadcrumbs – as migalhas de pão pedidas como marcador do caminho – onde ela canta que a avó amava seu avô, mesmo quando este já não mais se recordava quem era sua família. O político e o pessoal intercalando-se em letras que jamais dão a sensação de “aulas”.
Mas, como dito, isso seria adendo, porque se você não manja inglês, a belezura das canções e da doce voz de Jamila bastarão mais do que demais. Doçura, sim, porque apesar de toda constatação da opressão experienciada até hoje pelos afrodescendentes, HEAVN jamais escolhe o tom da raiva traduzida em vocais duros ou arranjos ásperos. É tudo bem melódico e leve. Também não há ódio ao reverso, isto é, claro que os brancos têm sido responsáveis por séculos de injustiças, mas Woods não hesita em pinçar o que presta dessa cultura. A própria faixa-título cita e brinca com a letra e melodia de Just Like Heaven, do branquelo inglês The Cure.

Jamila Woods e seus colegas artistas de Chicago lapidaram um álbum antenado, acessível, lindo, ativista, esperançoso, sensível, invejável. 

domingo, 17 de setembro de 2017

CINE ALBINO PREMIADO

A obra 'The Albino's Trees', de Masakazu Kaneko, venceu o prémio de melhor longa metragem de ficção no festival de cinema Figueira Film Art, anunciou a organização.

A segunda longa metragem do realizador japonês de 38 anos foi considerada pelo júri, presidido pelo encenador e cenógrafo Andrzej Kowalski, o melhor filme do festival que se realiza na Figueira da Foz, distrito de Coimbra, e que terminou com a exibição dos trabalhados vencedores.

Segundo o Figueira Film Art, 'The Albino's Trees' fala do dilema ético de um caçador que 'aceita um contrato lucrativo para matar um veado branco raro' cuja presença destrói o turismo da região, mas que é venerado por uma comunidade local.

Durante a cerimónia de entrega de prémios, que decorreu na noite de sábado, Masakazu Kaneko arrecadou ainda os prémios de melhor realizador e melhor fotografia.

sábado, 16 de setembro de 2017

MAIS MORTE ALBINA

Jovem com albinismo é assassinado em Moçambique

Malfeitores ainda a monte assassinaram quarta-feira um jovem moçambicano de 17 anos de idade, com problemas de albinismo, para a extração de partes de seu corpo, incluindo cabelo e cérebro, no distrito de Moatize, em Tete, região centro de Moçambique.

O facto foi revelado à agência de notícias AIM por um líder comunitário, que pediu anonimato por recear represálias dos criminosos, pois reside na mesma zona onde ocorreu aquele ato macabro.


“Foi estranho. O jovem, que respondia por Chinguirai João foi raptado de dia e morto no período da noite, numa altura em que os pais estavam à sua procura por causa da demora do seu regresso à casa”, explicou o líder comunitário.

“Este crime aconteceu no povoado de Nhambaluwalu, aqui em Benga. O corpo foi achado depois de buscas, mas sem vida e sem alguns órgãos; criminosos tiraram os ossos dos braços e pernas, cabelo e partiram a cabeça para tirar o miolo (cérebro). Este crime está a deixar todos nós preocupados”, disse.

O líder comunitário afirmou que a população do povoado exige a captura dos criminosos para que sejam severamente penalizados como forma de evitar a ocorrência de novos casos.

A porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Tete, Lurdes Ferreira, disse que “este caso ainda não consta das ocorrências policiais, porque ainda não foi reportado pela Esquadra (posto policial) que abrange aquela área”.

“Mesmo assim, vamos iniciar as averiguações no terreno onde ocorreu o crime, para apurarmos em que circunstâncias o jovem foi raptado e posteriormente assassinado e ao mesmo tempo lançarmos uma operação de busca e captura dos responsáveis por crime macabro”, garantiu Ferreira.

Este caso ocorre quatro meses depois de uma tentativa frustrada de venda de uma criança albina, perpetrada pelos próprios pais em Moatize.

Refira-se que no ano passado foram reportados naquela província de Tete vários casos de rapto e assassinato de albinos, criando pânico no seio dos residentes.

Os assassinatos, exumações ilegais ou agressões a albinos, em alguns países da África Austral, representam um problema grave, que os especialistas têm dificuldade em dimensionar.

Estes crimes estão vinculados a crenças segundo as quais as poções preparadas com partes dos corpos dos albinos trazem sorte e riqueza.

https://africa21digital.com/2017/09/14/jovem-com-albinismo-e-assassinado-em-mocambique/

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

GRÁTIS EM MOÇAMBIQUE

MAIS DE 100 ALBINOS RECEBEM CONSULTAS GRATIS EM OFTALMOLOGIA


Mais de 100 pessoas portadoras do albinismo vão beneficiar de consultas grátis de oftalmologia nas cidades de Maputo, capital do país, e cidade de Nampula, na província nortenha do mesmo nome.


Para o efeito, uma nota de imprensa da Associação de Apoio às Pessoas com Albinismo em Moçambique (ALBIMOZ), recebida pela AIM, explica que uma equipa de médicos especialistas portugueses em oftalmologia foi trazida de Portugal para o efeito.

“A equipa vai assistir gratuitamente oitenta pessoas com albinismo, em Nampula e igual número na Cidade de Maputo, com enfermidades na visão, incluindo cataratas”, lê-se na nota.

As consultas em alusão serão feitas no âmbito de uma campanha organizada pela ALBIMOZ que decorre desde o dia 6 de Setembro e termina no domingo.

“Esta campanha vai encerrar no próximo domingo, dia 10 de Setembro, no Complexo Tinyko, no Zimpeto com a distribuição de protectores solares a todas as pessoas com albinismo que estiverem na ocasião”, refere a nota.

Em Agosto do ano em curso, a ALBIMOZ ofereceu protectores solares creme a cerca de 20 albinos na cidade de Maputo. 

A ALBIMOZ é uma organização sem fins lucrativos e de solidariedade social,e foi fundada a 13 de Junho de 2014. 

A sua missão é promover a protecção e assistência social às pessoas com albinismo e suas famílias, em situação de pobreza e de vulnerabilidade, incluindo mulheres, crianças, idosos, pessoas desfavorecidas e portadoras de doenças crónicas e degenerativas.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

JURISPRUDÊNCIA ALBINA

No final da manhã, recebi email do Flávio da Silva Azevedo Junior, advogado pós-graduando em Direito da Seguridade Social, contando que seu artigo intitulado "Albinos: uma reflexão sob o prisma do estigma social e consequente incapacidade laborativa frente ao benefício de prestação continuada", foi publicado na revista online Âmbito Jurídico.

Vocês não fazem ideia de quão feliz me sinto com o crescente interesse pelo albinismo e seus temas correlatos dentro da área acadêmica das Humanidades, onde somos ainda quase tão invisíveis quanto no Censo que nos desconsidera. Mas, aos poucos essa situação vai mudando e é mais rejubilador ainda saber que o trabalho do blog tem contribuído pra isso.

Muito obrigado, Flávio, por mais essa contribuição à causa albina. 

Eis o resumo do artigo:

O artigo apresenta o estigma sofrido pelos albinos e suas consequências frente as possibilidades laborativas. Destaca-se ainda, as dificuldades enfrentadas quanto a qualificação profissional, bem como os requisitos exigidos para a concessão de benefício de prestação continuada, com a apresentação de precedente importante quanto a concessão do beneficio de prestação continuada ao albino, bem como, um paralelo com a decisão proferida no processo n° PEDILEF 200783005052586, que concedeu a um portador de HIV, a aposentadoria por invalidez frente a incapacidade social gerada pela patologia.

Albinos: uma reflexão sob o prisma do estigma social e consequente incapacidade laborativa frente ao benefício de prestação continuada está disponível no link abaixo:

  

TELONA QUENTE 202


Roberto Rillo Bíscaro

Não faz muito, declarei meu apreço por filmes de suspense espanhol com tramas exageradas. Na imprensa de lá, é comum a complexo de vira-lata com gente detonando as produções, mas elas geralmente me divertem deveras e isso me basta. Não foi o caso com O Guardião Invisível (2017), que escolhi no menu da Netflix, numa tarde friazinha.
Trata-se da adaptação do primeiro romance duma trilogia de sucesso duma tal Dolores Redondo. Depois da perda de tempo e desperdício de minha já baixa visão com parte do primeiro volume de Game Of Thrones, nem informação sobre tais produtos procuro, portanto, ater-me-ei (baba Temer!) à adaptação do diretor Fernando González Molina, seguindo roteiro de Luiso Berdejo.
Uma série de assassinatos de garotas desponta numa região florestal, perto da fronteira francesa, e a policial Amaia é enviada a sua aldeia natal, que guarda lembranças traumáticas de sua infância, além duma criatura mitológica da floresta, provavelmente o guardião do título (que não guarda nada, vide as garotas mortas). Com 3 níveis narrativos pra lidar, O Guardião Invisível fracassa em todos. Nenhum decola ou gera interesse, porque nenhuma das histórias é forte e desenvolvida; pelo contrário, é tudo clichê, mas se tivessem tido tempo de fermentar talvez divertissem.
O noir do século XXI foi revitalizado pela frente fria escandinava, com suas mulheres-protagonistas e ambientes sombrios.  Aqui temos uma inspetora, mas como empatizar com a sofredora-sem-graça Amaia? Na verdade, como se importar com qualquer personagem nesse universo de papelão? O Guardião Invisível não é a primeira produção espanhola que usa o norte do país pra fugir da luminosidade incandescente do sol meridional. Bajo Sospecha, a minissérie, fizera isso, leia resenha aqui. A província de Navarra é representada como sob perpétua escuridão, névoa e chuva, traindo a predominância do puramente estético em detrimento de qualquer consistência.
Quando o suspense é envolvente, estamos dispostos a aceitar inconsistências e até algum absurdozinho maior. Como O Guardião Invisível não emociona, o racional fica alerta pra detectar cenas inúteis como os papos entre Amaia e seu “mentor”, que não servem pra nada, ou melhor, apenas ao propósito “estético” de contrapor a escuridão de Navarra com o jorro de luz tropical donde quer que essa personagem inútil esteja. Eu ri. Parte do ritual do serial killer é deixar um biscoito local no meio das pernas da vítima. Pois não é que mesmo com a descomunal umidade, a bolacha mantém-se seca e crocante? E você não vai acreditar, como constatamos isso!
A precipitação pluviométrica em O Guardião Invisível é tão grande que aguou ou mofou o roteiro, a direção, a atuação e, sobretudo, a emoção. Há suspense espanhol bem melhor pra ver.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

CONTANDO A VIDA 203

UM CACHORRO E UMA FAMÍLIA DESFEITA.

José Carlos Sebe Bom Meihy
Para meus netos: Manuela, Gabriel e Anna Elisa

Era um casal exemplar. Na altura dos 50 anos, com vivazes filhos adolescentes, sempre sorrindo e dispostos, corriam na praia, saíam para passeios no final de semana e tinham um cachorro simpático chamado Marley. Todos no prédio gostavam deles e a admiração e apreço eram expressos nas escolhas, por exemplo, para o comando de um ou outro nas reuniões de condomínio, ou nas decisões comunitárias. Nunca se ouviu uma queixa deles, ou sequer um comentário negativo sobre o comportamento do cão que, na verdade, era o complemento perfeito para o clichê da “família-margarina”. Pois bem, um belo dia a notícia caiu como uma bomba que, sem piedade, atingiu o equilíbrio dos moradores vizinhos: decidiram se separar.
Como rastilho de pólvora, a notícia se espalhou causando espanto e até indignação, pois, afinal, como aqueles quase anjos, modelos exemplares, iam se deixar? Juntei minha indignação a dos demais moradores e precisei tomar fôlego para não acrescentar esse evento à soma de desgraças que se nos abatem como cidadãos brasileiros: crise política; financeira; moral; depravação ética, escândalos institucionais, homofobia, feminicídio... Houve um segundo momento na intimidade coletiva dos vizinhos: como vai ser agora? Alguém, um deles, continuará no prédio? E os filhos, com quem ficarão? Como se tratasse do primeiro casal da Terra a se separar, os comentários ganharam colorações que abalaram a tranquila aparência comunitária. Alguém despertou suspeita que envolvia moradora nova, moça bonita e recém-formada em veterinária. Pronto, estava dada a largada para uma historinha que progredira velozmente. O “senhor” se apaixonou pela vizinha. “Mas, logo pela moradora do mesmo prédio”?, questionou um morador do andar de baixo. A senhora do andar de cima foi criativa e lembrou-se que um dia Marley passou mal e ele, o pai, foi até o apartamento dela em busca de socorro para o cão. Esse fato provável, logo virou a chave para um drama que ganhava tons de caso novelesco.
Tudo corria solto e cheio de alternativas até que alguém lançou uma pergunta realmente inquietante: e o Marley, com quem ficará? Nossa!... O tema virou questão social, moral e cívica e mesmo de direito dos animais. Ficava claro que os filhos ficariam com a mãe, de acordo com a tradição brasileira. E quanto a isso não restava dúvidas pois, além de tudo, ela havia se convertido em espécie de vítima de uma cilada amorosa. Corroborava com a imagem de atraiçoada a discrição que manteve, inclusive quando subia ou descia no elevador com os demais condôminos, que antes a viam sempre sorridente. Não preciso dizer que a tal veterinária, a “outra”, foi desprezada por (quase) todos e que sobre ela pesou uma sensação ruim, algo que a aproximava de uma Messalina reinventada em Copacabana. Ele, o senhor, viu encolhidos os cumprimentos antes dadivosos e também se fechou chegando a esbarrar no mal visto. Restou aos filhos a piedade dos olhares gerais. Mas o que aconteceria com Marley?
Foi assim que a população do prédio começou a considerar o papel do cachorro na separação do casal: coitado do cãozinho que, mesmo sendo de porte médio para grande, mereceu a referência no diminutivo. Uns achavam que Marley deveria ficar, junto da mulher e dos filhos. Os argumentos eram taxativos, pois ele era da família e quem estava deixando tudo era o pai. Uma minoria, contudo, com ênfase, insistia que deveria ir com o pai porque ele deixaria com a mulher os filhos e os demais bens, e, certamente, a presença do cão o ajudaria na nova vida. As contendas se acirraram e, sinceramente, acredito que o cãozinho (veja que já me posicionei) parecia sintetizar a aflição generalizada. Quando aparecia em público, notadamente nas áreas comuns do prédio, Marley nos olhava com enternecida angústia e, com a língua para fora, pedia justiça.
Há um detalhe que, talvez, possa enriquecer a compreensão do contexto que ambientou o caso: o escândalo dos irmãos Batista, os tais delatores da Lava-jato. Pois bem, nem isso superou o ibope dos comentários do prédio. O destino de Marley era muito mais importante. Sem comparação. Como todo processo de desligamento marital, o relatado nesta crônica, obedeceu ao ritual da saída o marido. Soube-se que ele levou suas malas numa madrugada, sem se despedir dos amigos. Meses depois, também sem noticiar nada a ninguém a tal veterinária se mudou. Por lógico, não faltaram ilações... Como se esperava, a mãe ficou com os filhos no apartamento, e Marley também. Foi com muita apreensão que toda a comunidade acompanhou a rotina de pais de fim de semana. Religiosamente, a cada sexta-feira à noite o pai buscava os filhos... Só os filhos, Marley não ia junto. Pobre Marley. Concordo com o veredito comunitário: o cãozinho tomou partido e resolveu escolher a mãe. Quer exemplo mais humanizado? Como sempre acontece com amigos que se separam, temos que optar com quem vamos prosseguir com a amizade. No nosso caso, Marley facilitou a escolha.

“Os cães são o nosso elo com o Paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz."

terça-feira, 12 de setembro de 2017

TELINHA QUENTE 276

Roberto Rilo Bíscaro

Geopoliticamente, a Austrália vive se equilibrando entre sua histórica aliança com os Estados Unidos, com quem divide a pátria colonizadora Inglaterra, idioma e supremacia caucasiana e sua interdependência econômica com a muito mais próxima China, sua maior parceira comercial e não muito amiga do Tio Sam. Essa tensão grita pra ser tematizada em produções de suspense. Foi isso que os criadores da minissérie Secret City (2016) usaram pros 6 capítulos, exibidos pela australiana Foxtel.
A jornalista política Harriet Dunkley inteira-se de trama subterrânea, que colocará sua liberdade/vida em perigo e envolverá espiões, políticos entreguistas querendo implantar medidas de cerceamento da liberdade de expressão e, claro, mortes. Pra fomentar mais a discórdia, isso ocorre num momento especialmente delicado entre as relações sino-ianques.
Secret City é passatempo decente pra quem curte thrillers políticos. Seu pecadilho não é a falta de originalidade – se esse fosse o critério, quase não veríamos TV – mas certa vagueza nos 2 episódios iniciais. Uma série de suspense obviamente não pode entregar o jogo de início, senão não haveria porquê prosseguir vendo, mas se pudéssemos entender alguma coisinha mais, teria sido mais eficiente. Não duvido que certa sensação de “coisa muito no ar” dos capítulos iniciais tenha custada a Secret City alguns telespectadores.
Depois que engata a marcha, é até bem legal ver a pouco divulgada Camberra (vocês não têm a impressão, às vezes, que a continental Austrália é só Sydney?) e perceber como a TV de lá segue o padrão da inclusão e diversidade, como a de sua irmã estadunidense. Tem personagem asiática e até transexual, plenamente incluída. Claro que é necessário atentar pras funções e destinos dessas personagens em relação a seus pares caucasianos pra não cair no simplista “apareceu já tá bom “.
Essa análise deixo aos leitores que decidirem dar chance a essa produção que sai do eixo central EUA-Europa (leia-se Inglaterra).

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

CAIXA DE MÚSICA 282

Roberto Rillo Bíscaro

A maioria dos críticos musicais torce o nariz quando artista/banda não “evolui” de álbum a outro. De acordo com essa perspectiva, deveria haver linha progressiva de maturação no labor artístico, que positivamente refletiria suposta maturidade psicológica. É a arte percebida biologicamente, ou, como se supõe que indivíduos se desenvolvam. Quando um LP segue igual ao outro, frequentemente é criticado, porque falhou em exibir essa tal maturidade. Claro que o mesmo escriba que critica a repetição num álbum, pode declarar os Ramones como gênios, mesmo fazendo a mesma coisa a carreira toda. Argumentos são usados de acordo com a conveniência, já sabemos.
Se gosto do som, não me importo que seja mais do mesmo; até me reconforta que Stock, Aitken & Waterman soassem sempre iguais. Era tão bom ligar a FM entre 1987 e 89 e escutar aquela sonoridade, que agora me reconforta ainda mais, porque me transporta praquele tempo. Mas esse conforto de sapato sônico velho me pregou peça com o segundo álbum do Tuxedo, lançado em março, exatos 2 anos após o delicioso primeiro.
A exata similitude entre os 2 trabalhos me encantou, mas tornou-me indulgente no resenhar. Em alta frequência em meu celular, desde o dia que saiu, tenho postergado escrever sobre o II precisamente por ser quase igual e gostoso como o de estreia. Parece que sempre há algo novidadeiro sobre o que escrever e a produção de Jake One e Mayer Hawthrone fica relegada a segundo plano, porque não há muito a acrescentar à resenha do primeiro álbum, cuja leitura recomendo, porque esclarece melhor este LP, inclusive.
2nd Time Around promete que desta vez será melhor, mas é exagero. É muuuuuuuuuuito bom e totalmente dançável, mas é igual à estreia. A maioria esmagadora das 11 faixas dá vontade de sobrepor camadas de acessórios, roupas multicores, polaina, bandana e ir dançar de passinho numa flash mob pra viralizar no Youtube. Eletrofunk de alta rotação, tributário de Delegation, Saint Tropez et ali.
Só que dessa vez, tenho reclamação: Scooter’s Groove tem a linha de baixo mais perversamente descadeirante do ano e os caras me fazem uma faixa com menos de 2 minutos?! Carai, daria uma paulada desencadeadora de ataques cardíacos em série em remanescentes dos 80s que tentassem dançar 4 minutos disso. Será que temeram acusações de assassinato?
Tuxedo II não traz nadinha de novo ao fervente caldeirão do duo, mas você nem vai ter tempo de pensar nisso, quando estiver dançando como se não existisse dia seguinte.

domingo, 10 de setembro de 2017

SUPERAÇÃO EM ITAPAJÉ

Itapajé é uma cidade no Ceará, onde vive uma jovem, que mesmo com limitações físicas, está concluindo o ensino superior. 

sábado, 9 de setembro de 2017

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

TANZÂNIA PUNINDO

Tanzânia: Tribunal condena três homens por crime contra albino

Dar es Salaam - Um tribunal tanzaniano condenou em separado esta terça-feira, em Dar es Salaam, a 18 anos de prisão efectiva, três homens por mutilar uma criança albino, episódio que se repete actualmente ao drama terrível que sofre esta população africana, noticiou a Prensa Latina.


A Alta corte declarou-os culpados de conspiração por assassinato e tentação de homicídio à Andius Songoroka, Mihambwe Kamata e Ureta Shing Kawilu, por cortar a mão direita de Baraka Cosmas, segundo informou o diário local Daily News, na sua edição desta terça-feira.

O tribunal alegou que os três indivíduos cometeram o crime a 08 de Março de 2014, na área de Kikonde, distrito de Sumbawanga (oeste).

A Organização das Nações Unidas calcula que pelo menos 75 albinos foram assassinados na Tanzânia entre 2000 e 2015, mas essas cifras poderiam ser superiores.

O albinismo é um transtorno congénito que causa falta de pigmento na pele, cabelo e olhos. É mais comum na África subshariana, e na Tanzânia afecta aproximadamente à um em cada mil 400 pessoas.

De acordo com estatísticas, a Tanzânia possui uma concentração de albinos 15 vezes maior em relação à média mundial.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

TELONA QUENTE 201


Roberto Rillo Bíscaro

Road Movies (ou filmes de estrada, na pouco usada tradução pra português) é um subgênero em que a história se desenrola durante uma viagem. Na maioria das vezes, o filme não é regido por uma única situação-problema como é convencional, mas por várias que surgem e são resolvidas conforme e história transcorre. Em termos simbólicos é um dos tipos mais explícitos de metaforizar as mudanças passadas por um indivíduo ou grupo. O deslocamento geográfico, a mudança de um espaço a outro, com seus contratempos equivalem à alteração no arco comportamental da(s) personagem(ns).
A Netflix disponibiliza um exemplo natalino francês, chamado 10 Jours En Or (2012), dramédia escrita e dirigida por Nicolas Brossette. Bajau Marc é caixeiro-viajante bon-vivant, que superfatura suas notas de despesas e vive apenas pra si, porque não possui laço familiar algum. Depois de acobertar e dormir com uma imigrante ilegal, o elegante senhor de meia-idade se descobre cuidador dum garoto de 6 anos, que tem que levar prum endereço no sul do país.
Nessa jornada pseudo-dickensiana, à medida que Marc vai se despojando de seus confortos e comportamentos egoístas, aparecem acompanhantes que cumprem papeis similares aos fantasmas natalinos do escritor inglês. Pierre é o ancião que mostra a Marc, como é horrível ser solitário na velhice e a jovem Julie vê nos 2 homens que ainda é tempo de consertar seu futuro e ter uma família.
Com personagens improváveis e essa ênfase quase patológica na valorização da família, que no fundo, é vista como "investimento" pra garantir companhia na velhice (mas, tá cheio de idosos sozinhos, apesar de terem constituído família), 10 Jours En Or é facilmente detonável, mas escolho perceber e anotar isso e ainda assim curtir esse passatempo simpático.
Num planeta superlotado de notícias horrendas de garotinhos afogados em praias, o destino do pequeno Lucas amornou o coração numa fresca noite invernal.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

CONTANDO A VIDA 202

A AMAZÔNIA (AINDA) É NOSSA!?... DILEMA OU PROBLEMA?

José Carlos Sebe Bom Meihy

Sabe-se que há uma diferença crucial entre dois conceitos que, vulgarmente, se confundem: “problema” e “dilema”. Problema tem solução, por difícil que seja. Dilema, por sua vez, se multiplica em descaminhos e aponta para labirintos sem saídas. Foi pensando nessas variações, ditadas aliás, pelo jornalista e dramaturgo romeno Matéi Visniec, que coloquei em prisma o atual caso envolvendo a Amazônia Brasileira e nele as propostas de sua utilização temerária. E por falar em governo Temer, é bom lembrar que uma das estratégias mais praticadas pela gestão corrente consiste em disparar uma espécie de bomba noticiosa, sempre de efeito espetaculoso, e depois, do aguardo da reação do público, retomar o projeto para, por fim, refazê-lo conforme suas intenções iniciais, exatamente na medida dos conteúdos planejados. Essa artimanha responde, em primeiro lugar, a interesses hegemônicos e grupais, privativistas, camuflados, endereçados a negócios com megaempresas, aquelas que favorecem propinas bem fartas. Isso tem acontecido rotineiramente com o atual governo que, depois de incendiar os noticiários, “cede”, refaz a proposta, e promulga os desmandos em nome do diálogo aberto e franco. Em relação ao recente decreto acabando com a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), publicado no último dia 23 de agosto pelo gabinete presidencial, repetiu-se a mesma lenga: soltaram o rojão, esperou-se o estouro da pólvora, e saíram à cata da vara entreguista. Tudo segundo uma festança calhorda.
De toda forma, parte da população instigada pelo descalabro do decreto presidencial produziu repercussão maior do que se esperava. Corroborou para isso o eco contrário ao script governamental resultante, em parte, dos desastrosos efeitos da recente visita presidencial à Rússia e Noruega. Lembremos, à guisa de passagem, o semblante do nosso mais alto mandatário que engoliu “na cara”, críticas pesadíssimas, exatamente sobre o tratamento dado às nossas florestas. Frente à fartura de objeções da sociedade civil, como seria previsível, o governo “atencioso” revogou o primeiro decreto e, acolhendo o clamor público e a voz dos ambientalistas, promulgou “novo” decreto que, contudo, em pouco supera o anterior, insistindo na extinção da reserva, deixando a área aberta à mineração empresarial. Como se comportasse grandes mudanças, o novo documento especifica num detalhado “ponto a ponto” os supostos critérios para a preservação ambiental. Uma das pérolas do documento diz, por exemplo, que não é dado haver exploração mineral em unidades indígenas, como, diga-se, reza a Constituição. Aliás, é cabível lembrar que cabe exclusivamente ao Congresso Nacional “autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais”. Mesmo assim, os palacianos definiram, em nome da modernidade, regras para a execução da maior ofensiva contra a floresta desde a não menos desastrosa interferência dos militares.
Tudo apavora nessa medida temerárea, a começar pelo tamanho da área indicada: cerca de 47 mil quilômetros quadrados estão liberados para extração de ouro e outros minerais e pedras nobres. Segundo ambientalistas, essa extensão é maior que a Dinamarca, tem o tamanho equivalente ao do estado do Espírito Santo, ou oito vezes a dimensão do Distrito Federal. A completar o descalabro, vale lembrar danos inevitáveis para o mais importante conjunto de florestas tropicais do mundo: Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque; Florestas Estaduais do Paru e do Amapá; Floresta Nacional do Amapá; Reserva Biológica de Maicuru; Estação Ecológica do Jari; Reserva Extrativista Rio Cajari, e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru. E o que dizer das populações que vivem em tais espaços com suas culturas integradas ao ecossistema? E as terras indígenas demarcadas, como ficarão?
Ao longo da história, a Amazônia tem sido conhecida por dualidades extremas. De um lado, como “pulmão da humanidade”, uma espécie de “jardim botânico da humanidade”, que mesmo sendo a maior e mais importante floresta do planeta padece da ineficácia de projetos políticos contextualizadores. Sem ação inteligente, a área mantém-se aberta a ataques, é abatida, diminuída, incendiada, saqueada de todas as formas vis, e, portanto, vítima de medidas sempre alheias ao significado real de seu papel em qualquer escala. Ao mesmo tempo, causa espécie o desequilíbrio entre a atenção estrangeira e a nacional. Enquanto “lá fora”, atualmente estudiosos, ambientalistas, artistas, ativistas e militantes da preservação da natureza esbravejam em favor dos cuidados com nossas matas, entre nós, afora honrosos nomes de destaque e bravas instituições de defesa, pouco tem sido feito. Por certo, na era das redes sociais, isso tende a mudar, mas desde Euclides da Cunha, para o bem, quase nada tem se alterado em termos de um programa de atenção nacional.
Na outra ponta das loas românticas, por incrível que pareça ainda presidem mitos que mostram a impossibilidade de controle da formidável região também denominada “inferno verde”. Como território traiçoeiro, inconquistável, selvagem e indomado, toda a extensa área se situa numa espécie de redoma inatingível. Exatamente porque não a contemplamos com olhos atentos para um diagnóstico desejável, científico, alguns pensam que a solução está na perpetuação da intocabilidade daquele ecossistema. Sim, na memória coletiva prevalece o pressuposto que apregoa o paradoxo do isolamento como política, e assim se perpetuam bordões alienantes que dizem ser melhor não tocar, supondo que preservar é deixar como está. Como respostas, na intermitência de governos mais ou menos democráticos, tem-se as sempre desastrosas investidas que, ironicamente, apostam na integração – como se a floresta não fosse parte do nosso corpo geográfico e político. Tratando a Amazônia como separada do circuito do progresso, muitos almejam costurá-la nos programas nacionais, transformando sua natureza florestal em “terras produtivas”. Faca de gumes fatais, tanto o isolamento dito preservacionista como as supostas políticas integracionistas são equivocadas. No primeiro caso, deixa-se tudo legado ao banditismo, aos saques e desmandos, à sanha dos madeireiros e mineradores, garimpeiros e pecuaristas. No segundo, obedecendo as leis que colocam o progresso econômico imediato em primeiro lugar, pensa-se integrá-lo por meio de multiplicação de empresas de exploração mineral.   

Tudo se iniciou, diga-se, com a proposta de Juscelino que programou a Belém-Brasília em 1959, mas nada se compara à façanha desdobrada pela ditadura militar. Sob o slogan (ah! Os slogans da ditadura!) “integrar para não entregar” e “exportar é o que importa” – lembrando que à época propalavam-se ameaças de invasões estrangeiras – tornava-se imperioso fazer com que aquele pedaço de terra florestal se comunicasse com o resto do país. Assim foi, por exemplo, que se iniciou a interminável aventura da estrada que sintomaticamente leva o nome Transamazônica, segundo o sonho de Mario Andreazza. Estava dada a largada às ações das grandes empreiteiras, exatamente essas que abriram as torneiras da corrupção. Segundo os ideais governantes, a estrada ligaria as entranhas do interior do Norte às áreas de escoamento e até às demais regiões do país. No mesmo projeto, aliás, se explicam as inacabadas: Cuiabá-Santarém; Cuiabá-Porto Velho; Perimetral Norte; Porto Velho-Boa Vista, entre outras, em cujas margens rasgadas haveriam de se abrir férteis fazendas e pastos, cidades e polos de desenvolvimento, tudo anulando os “espaços vazios”. Cirne Lima, ministro da Agricultura no governo Médici, em 1969, pensando nos devaneios dessas investidas criou a expressão “conquista da selva”. Essa herança maldita foi mais ou menos deixada de lado nos governos que evoluiram para a debil democracia que vivenciamos. Agora, contudo, novamente se refaz o projeto autoritário que nos ameaça sem piedade. Frente a isso, inevitavelmente cabe a pergunta: a Amazônia é um problema ou não passa de dilema? Tenhamos urgência nas respostas, pois o que está em jogo é a soberania nacional e o dever participação de cada um de nós.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

TELINHA QUENTE 275


Roberto Rillo Bíscaro

Como professor, raramente vejo algo sem pensar em supostos valores pedagógicos. Séries como Merlí ou Rita; filmes como 7 Años podem complementar aulas ou serem utilizados como iniciadores de discussões. O que jamais advoguei foi o puro e simples “ensinar História” através de vídeos. Sabe aquele lance de botar o DVD, alunato assistir e acriticamente achar que todo mundo na Idade Média tinha dentões simetricamente branquinhos e torsos sarados, além de lutar por seus amores e sonhos como hoje, só porque apareceu num filme? Ao longo de décadas de profissão, vi isso repetidas vezes e desprezo como puro a simples matar aula.
Lembrei disso ao ver os 3 divertidos, mas totalmente abilolados, capítulos da minissérie ianque-canadense Tut (2015), produzidos pelo canal Spike. Por ter morrido jovem demais e ter seu governo provavelmente quase todo ditado por tutores, Tutancâmon foi faraó menor na história egípcia, mas a espetacular descoberta de sua excelentemente-preservada tumba em 1922, seguida de hype duradouro sobre suposta maldição, catapultaram-no ao superestrelato no imaginário ocidental. Há poucos anos, exames de DNA revelaram que o faraó-menino tinha sérios problemas congênitos devido a sucessivos casamentos incestuosos entre irmãos na família imperial. Provavelmente nem ficar em pé sozinho, o adolescente conseguia.   
Tut, se assistido como biografia, não apenas manterá a inflação da importância do monarca, como deixará a impressão dum jovem forte, lindo e sábio estrategista pra muito além de sua mui tenra idade cronológica. Rebelando-se contra a influência de seu tutor-vizir e do clero, Tut prova ser valoroso comandante do exército egípcio, apaixona-se por moça de sangue misto com inimigo histórico, enfim, faz e acontece antes de falecer aos 19 anos.
Como História, Tut é caca. Aquele cara poderia se chamar Mut, Cut, Put e a trama na Basiléia do B ou na Botswana Meriodinal do Norte; há que ser muito crédulo pra achar que roteiro tão batido de intriga palaciana tenha se passado de verdade. Mas, tem gente que ainda crê na planície da Terra, não é mesmo?
Como estória, Tut é mais batida que bife de terceira, mas mantém o espectador entretido. E que bapho ver Sir Ben Kingsley usando delineador pesado??!! Super fim de carreira e paródia de título de música do Saint Etienne: Ghandi in Eyeliner!

Tem na Netflix; é só saber que não é pra se aprender nada e se jogar no thrash que é Tut!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

CAIXA DE MÚSICA 281


Roberto Rillo Bíscaro

Embora com o avançar dos anos muitos de nós nos tornemos menos rápidos/interessados em aceitar novidades ou modismos, existe a opção de não cair no casmurro discurso do “não se fazem mais... como antigamente”. Afeito a subgêneros como black music (especialmente cantada por mulheres) ou oitentismos em geral, priorizo em me inteirar dos lançamentos nessas áreas. Por isso, demoro pra saber de “novidades” tipo Foster The People: porque tô cavucando chãos de rock progressivo, por exemplo.
Amo de paixão o prog sinfônico setentista, mas não dá pra fechar os ouvidos pra produção contemporânea e ranhetar que “não tem mais prog como antigamente”. Tem como de hoje; tem como de antigamente com produção de hoje; tem porcaria, como antigamente e tem brilhante – em menor escala – como antes (e como hoje).
Nessa última categoria encaixa-se o Ingranaggi della Valle (IDV), fundado em Roma, no ano de 2010 e cuja primeira formação contava com Igor Leone (vocais), Mattia Liberati (teclados), Flavio Gonnellini (guitarra e violão), Marco Gennarini (violino) e Shanti Colucci (bateria).
Sua expertise chamou a atenção do selo Black Widow que os contratou e em 2013 saiu o LP conceitual de estreia, In Hoc Signo (Por Este Sinal), em alusão ao lema supostamente adotado pelo imperador romano Constantino. As 11 faixas são tour de force que mescla espetacularmente prog sinfônico com jazz rock, algo como alguma obscura gema ítala da década de 70 tocando com Jean Luc Ponty, porque o violino de Gennarini faz misérias.
Os dramáticos vocais em italiano tematizam sobre a primeira Cruzada, em um banho de instrumentação variada, de primeira, onde todos os músicos têm oportunidade de brilhar em mais de um momento, com especial destaque pra criativa bateria de Shanti Colucci. In Hoc Signo está lotado de boas ideias, mudanças no andamento, descargas de teclados e guitarras, intercalação de momentos sinfônicos com jazz-rock e em várias passagens perfeita simbiose entre os 2 subgêneros. Esse é um daqueles álbuns pra ouvir sempre e descobrir novidades, porque, sem exagero, nasceu clássico.
Por ser homogeneamente consistente e brilhante, não compensa destacar faixas, mas dá pra dizer que o inteiro de In Hoc Signo está contido na Introduzione e na seguinte, Cavalcata: após brevíssima vinheta acústica, o IDV solta os cavalos na exuberante cavalgada, que, em menos de 6 minutos, vai de galope sinfônico a jazz rock, parando em pastoralidades medievais e com cada jovem músico tocando como se sua vida dependesse disso. E dependiam mesmo, porque fãs sérios do jazz-rock e prog sinfônico dificilmente conseguem resistir a essa isca e são obrigados a ouvir o material com atenção.

Como se não bastasse a qualidade das composições e execução, a produção é antípoda da assepsia de muito prog contemporâneo. Mesmo mantendo a alta qualidade possibilitada pela atual tecnologia, o som tem bordas e alguma “sujeira” setentista. Enfim, irretocável, daqueles pra dar nota 10 e meio.

Quando o Ingranaggi Della Valle retornou, em 2016, parecia outra banda e em certo sentido o era. Antonio Coronato tocava baixo em tempo integral e Alessandro di Sciullo contribuía com guitarra, teclados e vocais. Igor Leone saíra e foi substituído por Davide Savarese, cujos vocais são bem menos dramáticos e em inglês pro segundo álbum, Warm Spaced Blue, inspirado pela atmosfera sobrenatural do escritor norte-americano H. P. Lovecraft. Talvez motivados pelo aspecto mais sombrio do tema, talvez desejosos de não adquirirem reputação de revivalistas de rock progressivo italiano (RPI é um subgênero próprio no planeta prog) sinfônico anos 70, o IDV abandonou o saudosismo e embarcou num som instigante, contemporâneo, bastante atento à paciente construção de ambientações, diluindo drasticamente seu jazz-rock em favor de um prog eclético, construído à base de detalhes, ruídos, não sem influência de bandas escandinavas como o Anglagard e o Anekdoten, ou conterrâneas como o Goblin. Não é à toa que músicos do Anglagard e do Goblin estejam no LP.
Em Warm Spaced Blue não há espaço pra virtuosismos de fogo de artifício, o que desagradará fãs do estilo do álbum de estreia. Embora faixas como Lada Niva provem que os italianos ainda sabem compor uma bela melodia, Call For Cthulhu: Through The Stars escancara o caráter experimental de trabalhar mais com texturas e Call For Cthulhu: Orison atesta a madureza de ir construindo o clima com paciência, bem diferente da afoiteza deliciosa de In Hoc Signo, que já soltava os cavalos em disparada espalhafatosa no primeiro segundo de canção.
Sem dúvida, Warm Spaced Blue situou o IDV na linha de frente do rock progressivo contemporâneo, por ter elevado o nível de expertise técnica e criativa e pelo simples fato de tamanha mudança de um trabalho a outro não nos deixar prever pronde seguirá a banda, embora o que tudo indica é que a trilha seja a da modernidade vanguardeira do segundo LP.
Falando em tom puramente pessoal, não posso esconder que apesar de achar Warm Spaced Blue de uma competência e criatividade ímpares, prefiro o fogo juvenil e espalhafatoso de In Hoc Signo, mas os leitores mais astutos já se deram conta de que minha preferência jaz no rock progressivo sinfônico.

Resta esperar o terceiro LP e ver o que rola. Por enquanto, ouçamos com atenção e repetidamente os 2 LPs do IDV, porque sempre há algo pra atentar.

domingo, 3 de setembro de 2017

PEDAGOGA DA SUPERAÇÃO

Isabella teve que passar por vários obstáculos para conseguir realizar seu sonho de cursar Pedagogia!

sábado, 2 de setembro de 2017

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

SOLIDARIEDADE LUSA

Portugueses pedem protetores solares para albinos

Os cidadãos que residem em território português são convidados a oferecer protetores solares com um factor de proteção superior a 50 e capacidade cicatrizante. Os artigos oferecidos serão encaminhados para Moçambique, onde serão entregues a crianças e adultos com albinismo.

A campanha de angariação destes produtos decorre até ao próximo dia 30 de setembro. Para participarem, os cidadãos devem entregar estes bens nos centros do Wall Street English, parceiro da ação de solidariedade, que decorre com o mote «Este sorriso precisa de proteção».

A iniciativa é promovida pelos responsáveis da «Associação de Apoio ao Albinismo – Kanimambo», que se dedicam a proteger as pessoas com albinismo, através de ações de sensibilização e de informação sobre a doença, assim como campanhas de angariação de bens e de verbas.

A LADY DI ORIGINAL

A trágica história da lady Diana Spencer do século 18

Lady Diana Spencer era alta, bonita e gostava de música. Por causa de sua linhagem, ela tinha os atributos vistos na época como ideais para ser a esposa perfeita de qualquer aristocrata, mas estava prometida ao príncipe de Gales.

No entanto, desde cedo ela sofreu com a perda de entes queridos e estava destinada a morrer jovem. E seu nome só voltaria a ser lembrado 190 anos depois de sua morte.

Lady Diana Spencer, nascida em 1710, foi antepassada da lady Diana Spencer que 750 milhões de pessoas em todo o mundo viram casar-se com Charles, o príncipe de Gales, em 1981, e cuja morte em um acidente de carro foi lamentada no mundo todo há 20 anos, em 1997.

A lady Di do século 20 foi batizada de Diana em homenagem à antepassada do século 18, mas a história de sua parente distante ainda é pouco conhecida.


Avó poderosa


Diana, a do século 18, era a mais nova dos cinco filhos do conde e da condessa de Sunderland, Charles e Anne Spencer. A "querida e pequena Di", como era chamada carinhosamente, perdeu a mãe quando tinha 6 anos (no século 20, a segunda Lady Diana deixou de viver com a mãe aos 7 anos, quando seus pais se divorciaram).

Seu pai, que voltou a se casar e teve outros três filhos que morreram na infância, faleceu quando Diana tinha apenas 12 anos.

Pouco depois morreu também seu avô, o duque de Marlborough, e Diana ficou sob os cuidados de sua avó, a duquesa Sarah Churchill - uma das mulheres mais poderosas da Inglaterra e amiga íntima da falecida rainha Anne. Diana era sua neta favorita.

Com o passar dos anos, ela se tornou uma jovem alta, atraente e encantadora, inseparável de sua influente avó, de quem cuidava.

Com isso, Diana se tornou a noiva mais cobiçada do Reino Unido na época. Todas as propostas de casamento que recebeu, no entanto, foram rejeitadas por sua avó, que tinha planos mais ambiciosos.

Aproveitando que o filho mais velho do rei George 2º, o príncipe de Gales, Frederick, estava endividado, a avó de Diana ofereceu a ele cerca de 100 mil libras - uma soma extravagante na época - para que se casasse com sua neta em uma cerimônia secreta.

O príncipe aceitou e tudo corria como o planejado, até que espiões do primeiro-ministro, Robert Walpole, o alertaram. O governo preferia que o futuro rei se casasse com uma europeia, e a eleita era a princesa Augusta de Saxe-Coburgo-Gota (um ducado do Sacro Império Romano-Germânico), que tinha apenas 16 anos.

Por razões diplomáticas, Lady Diana Spencer acabou não se casando com o príncipe - diferentemente de sua descendente, dois séculos depois.

Má sorte
A "pequena Di" se casou com o lorde John Russell, e eles se tornaram o duque e a duquesa de Bedford.

Por causa de um acidente com uma carruagem, seu primeiro filho nasceu prematuro e morreu um dia depois de seu batizado. Em registros da época, foi revelado que outro bebê foi colocado no lugar do filho de Diana até que ela tivesse "força suficiente" para saber de sua morte.

Em sua segunda gravidez, Diana sofreu um aborto espontâneo, e a ansiedade do duque por um herdeiro fez com que ela se sentisse cada vez mais sob pressão.

Em 1735, a duquesa começou a ter enjoos matinais, que acreditava significarem uma terceira gravidez. Mas ela começou a perder peso rapidamente, em vez de ganhar.

Logo ficou claro que Diana havia contraído tuberculose. Ela morreu pouco depois, aos 25 anos.

A exemplo do que ocorreu com a lady Di no século 20, a morte da duquesa de Bedford foi profundamente lamentada pelos que a conheciam. Seu caixão desfilou pelas ruas em uma carruagem antes do enterro.

Só em 1765, 30 anos depois de sua morte, o rei George 3º - filho do príncipe Frederick - criou o título de earl Spencer, ou conde Spencer - para a família.

Das várias gerações que se seguiram, a 8ª, do conde John Spencer, o pai de Diana, foi a primeira a usar o nome para uma menina.

Isso ocorreu no dia 1º de julho de 1961, quando John Spencer e Frances Roche resolveram homenagear a antepassada no nascimento de sua quarta filha. Esta, sim, acabaria se casando com o príncipe de Gales do século 20 e tendo dois filhos, William e Harry. O casamento, no entanto, acabou em divórcio.