terça-feira, 1 de dezembro de 2020

TELINHA QUENTE 426

 

A vida real encontra a ficção neste drama documental sobre a jornada de uma equipe que embarca em uma missão para colonizar o planeta vermelho no ano de 2033.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 432



Roberto Rillo Bíscaro

A cantora pernambucana Isabela Moraes esbanja vida num álbum com vocais poderosos e melodias lindas.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

TELINHA QUENTE 425




Roberto Rillo Bíscaro

Nesta temporada e The Crown, os explosivos e recessivos anos 80, com a Princesa Diana e Margaret Thatcher causando muito!

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 431

 


Roberto Rillo Bíscaro

Em seu segundo álbum, os meninos do Profissão de Urubu voltam com seu indie-pop calmo, com influências de MPB e folk.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

PAPIRO VIRTUAL 169



Roberto Rillo Bíscaro

De férias em um luxuoso resort exclusivo para membros do Partido Comunista, o Inspetor Chen se envolve com uma ativista ecológica acusada de assassinar o diretor de uma companhia que polui o belo lago da cidade.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

CONTANDO A VIDA 321

 DESTAQUES DO ANO, 


José Carlos Sebe Bom Meihy 



Quem diria, mas é verdade, o ano se aproxima do fim. Uma enxurrada de memes, piadas, reflexões engraçadas ou não, todas espelham o 2020 como o mais complexo e tenso de nossas vidas. Unanimidade. Seremos rememorados de maneira trágica pela pandemia do tal “novo coronavírus”. Sozinhos ou em conjunto torcemos pelo sucesso da vacina que há de nos redimir e assim esperamos, sem muita paciência, que as voltas dos ponteiros sejam céleres para essa virada. Que os deuses, oxalás e encantados se harmonizem para a superação desta página. Precisaremos de séculos para avaliar danos, medir consequências e ajuizar impactos. Resta, por enquanto, ponderar sobre o presente. Fico, então, pensando com meus botões, em nomes que merecem destaque neste pedaço de tempo azedo. Por lógico, mais do que sair elegendo pessoas, em nível de responsabilidade crítica, desenho critérios. O mar de possiblidades tende ao infinito, pois não faltaram tipos lutadores: pessoal da saúde, garis, serviçais de vários setores. Isto obriga a pensar na dupla face da moeda que negocia valores humanos, humanitários e humanísticos. Pronto, está dado o sentido da análise que de um lado ampara questões gerais, do mundo, e de outro do Brasil, ou pelo menos dos brasileiros que buscam se entender além dos limites da própria ideologia. Claro que há riscos e que facilmente pode-se argumentar que tudo é político, mas o teor das mensagens qualificadoras de cada caso pode explicar os fundamentos das escolhas. 



E começo por distinguir a figura do Papa Francisco. É bom iniciar pelo aspecto religioso, colocando a espiritualidade como fator institucional da busca de paz e fraternidade entre os complicados seres humanos. A renovação da Igreja Católica é missão mais do que difícil. Como uma das mais antigas formas de comando histórico, o espaço de negociação da Igreja tem que ser plástico e flexível, capaz de acatar e se exibir dona de erros. Não fora assim não teria sobrevivido. O que na aparência é virtude, porém se veste de desafio quando se leva em conta a atualização dos limites. Há alguns aspectos que merecem luzes ao valorar o Papa: a coragem de acolhimento de fieis antes apartados dos sacramentos. Refiro-me especificamente a duas atitudes: 1- a permissão de acesso à comunhão aos casais em segundas núpcias, e, 2- a abertura ao pertencimento comunitário católico de casais do mesmo sexo. Queiramos ou não, são atos de bravura e solidariedade e abertura. O simples fato de mexer neste vespeiro clama o maior respeito ao diálogo. Por certo há outros itens que podem ser sublinhados: o ataque à pedofilia no âmbito da comunidade eclesial, o saneamento da corrupção do Banco do Vaticano, mas tudo o mais fica suplementar. 



José Mojica, o Dom Pepe do Uruguai. Que figura humana! Agricultor, em sendo jovem fez valer suas utopias e pagou caro por supô-las viáveis. Depois de anos dolorosos de reclusão, purificado, se transforma em político chegado às polêmicas do nosso tempo. Mojica não mediu esforços para por em prática debates que levaram, entre tantas outras, a institucionalização das relações de casais do mesmo sexo e, sobretudo, o combate valente com as forças do mercado de drogas. Ao ordenar o consumo público do uso da maconha, Dom Pepe, enfrentou o ostensivo cartel de drogas do sul continental. E conseguiu. Há algo mais na biografia deste latino-americano destemido. Eleito senador, ciente de seus limites de saúde e de participação na arena política, sem medir temores, pediu sua renúncia. E encerra sua carreira pública pobre e falando de amor. 



Do exemplo de velhos, para novos, do cosmo ampliado para o brasileiro, quero deixar minha homenagem a Carol Solberg, atleta do voleibol de praia, moça que inconformada com o ambiente político soltou um sonoro “fora Bolsonaro”, em pleno ato de desabafo, na vitória de sua equipe. Representando o avesso de outros atletas que se declararam favoráveis ao capitão presidente, ela ousou se expressar. Tudo ficaria neutralizado, não fosse o estapafúrdio destaque dado em favor de sua punição como se ela fosse exceção. Imbuídos de poder, comitês autoritários optaram por adverti-la, agindo de maneira diferente de casos como Ronaldinho Gaucho, Felipe Melo, Diego Souza. Exaltada, alegando liberdade de expressão, a jovem tem sido elevada a condição de símbolo de coragem e posicionamento feminino em falar da democracia. 



O padre Júlio Lancelotti, chamado “anjo das ruas”, há 35 anos atua em favor dos mais desprovidos da sociedade brasileira. Só em São Paulo temos cerca de 35 mil moradores de rua. O padre Lancelotti estabeleceu um parâmetro fundamental para atuação em favor dos excluídos: lutar pela dignidade, mas não em sentido amplíssimo, e sim a partir de uma causa concreta: os sem teto. E dai o desdobramento da causa em prol dos negros, indígenas, migrantes e das comunidades rebaixadas na consideração social: cadeirantes, lgbt, violentadas e violentados, excluídos políticos. Tudo a partir da pobreza e do abandono dos miseráveis. Dono de uma audácia quase que inexplicável, o “padre dos pobres” não mede limites para exposições públicas. Por certo, isto lhe custa muito, inclusive (imaginem) um processo de Bolsonaro que teve seu pedido acatado por um juiz. Entre tantos exemplos edificantes, sem dúvidas o padre Lancelotti é, para mim, o mais destacado como “personalidade do ano”. 



Lembrei-me para finalizar de uma frase dita por Camus em discurso sobre a humanidade: há nos seres humanos mais coisas a admira do que a diminuir a condição. Os nomes acima, bem provam isso. E que venham novos exemplos. E que vá a pandemia com os maus governantes.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

TELONA QUENTE 337

 

Em O Que Ficou Pra Traz (Netflix), um jovem casal sudanês foge da guerra para recomeçar a vida na Inglaterra, mas é atormentado por uma força sinistra que vive em sua nova casa.



quarta-feira, 11 de novembro de 2020

CONTANDO A VIDA 320

À ESQUERDA, MAS COM LÍRICA FILOSÓFICA... 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Aconteceu!... Em uma das poucas redes sociais à que me ligo, alguém querendo me saudar, gratuitamente, disse que me respeitava apesar de ser “de esquerda”, posição que segundo o enunciador eu assumiria “erradamente”. Sem bem entender do porquê, a afirmativa que caberia na moldura de pintura legítima me enquadrou com certa fatalidade. Fiquei pensando nos limites da classificação e, inquieto, troquei ideia com um confidente, algo na base do “você viu?”. Insatisfeito ainda, sem conformidade, resolvi divagar. Logo me veio à lembrança uma frase esperta por certeira, do psicólogo James Hillman “nós não nos conhecemos, nós nos descobrimos”. Foi um bom começo. Permiti-me vislumbrar um abismo íntimo e resolvi visitá-lo em mergulho: por que afinal uma afirmativa ingênua, dita em situação trivial, teria me atingido tanto? O que conteria de tão venenoso a palavra “esquerda”? Quais as implicações ofensivas dessa percepção que, afinal, responde sim, a um juízo cabível? É claro que não sou de direita e que maldigo aquela catilinária tosca. Juntei fragmentos e propus contraste: acredito na redondeza da terra, aposto na vacinação obrigatória, me devoto à cultura e à ciência, considero a Constituição e as regras estabelecidas, e prezo demais os protocolos da boa educação, da política avessa às milícias e sou contra ódio ideológico, fake news, gabinete do crime. Mais: vivo inconformado com figuras que se ufanam por ser conservadoras, defensoras de supostos autoritários e ferrenhos detratores de tudo que diz respeito às mudanças e diferenças. Então?... Então por que minha impaciência em ser taxado de esquerda? Por que, se considerando as brutalidades da direita, não me contento em ser esquerda? 

Sou – e espero continuar sendo – contra simplificações. Gosto de causas complexas, de sinuosidades, de detalhes vistos no conjunto, de nuanças, de semitons, de teses elaboradas. Sim, devo admitir: há algo de barroco em minha interpretação pessoal e, pior, aprecio isso. Acatar tais variações, creio, me permitiu achar o fio da meada explicativa deste meu mal estar: sou muitos em sendo eu somente. E assim me redimo em Fernando Pessoa pensando nos meandros de seus heterônimos que, aliás, me ajudam explicar os muitos que há na singularidade de cada qual. Pessoa, “o poeta dos vários”, se manifestava em três vozes distintas, e, ainda que assinasse mais de 70 pseudônimos, três marcaram sua “poesência”, Alberto Caieiro, Ricardo Reis e Álvaro Campos, deste aliás brotou a joia na qual mais me pauto “não sei quem sou, que alma tenho/ quando falo com sinceridade, não sei com que sinceridade”, e, em “Tabacaria” pontificou “não sou nada/ nunca serei nada/ não posso ser nada/ à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”. 

Ser múltiplo em um é dilema frequente em poetas que não fogem de argúcias. Neruda se situou num plural conveniente aos “muitos homens que sou, e nós somos/ não podemos nos assentar em apenas um/ eles estão perdidos em mim”. E como deixar a recorrência a Mario de Andrade se declarando “sou trezentos, trezentos e cinquenta”. Não será fátuo imaginar que todas essas menções exalam perfume filosófico derivado de Nietzsche que, na “A Gaia Ciência”, declarou-se “eu sou vários! Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo” e, de maneira matreira, completava “Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou”. Como que dialogando com minha busca de exatidão política, o próprio filósofo continuou “entre tantos, um dia me descubro”. Sabe, é isso que perscruto, me descobrir e levo em conta a frase de Clarice que me redime “não sou sempre flor/ às vezes espinho me define tão melhor/ mas só espeto os dedos de quem acha que me tem nas mãos”. Pois é, sou daqueles que duvidam da existência de uma esquerda efetiva no Brasil – basta olhar os lucros bancários – mas, mesmo desajeitado no que seria padrão simples, assumo estar à esquerda de tudo que a direita brasileira impõe. E quero ferir quem me simplifica. Busco então me situar na escalada de reflexões que vão além de polos que são antagônicos por extremos, sem mediações. Ainda bem que a poesia me salva e me ajuda entender a cromática variada em nuanças. Talvez não por opção pessoal, mas pelo exagero populista dado pela própria direita, a cada momento mais, vou me assumindo à esquerda. Esquerda sim, mas em movimento. Em construção. Entendo o mesmo Nietzsche quando dizia “é preciso ter asas, quando se ama o abismo”. E me atiro na busca de um lugar político complexo e carente de explicações que não cabem no simplismo elementar contido em ser de esquerda. 

terça-feira, 10 de novembro de 2020

TELINHA QUENTE 424

 

Depois de se envolver em uma série de acontecimentos inexplicáveis, um médico cético se torna uma autoridade em investigações paranormais, mesmo contra sua vontade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 430

Roberto Rillo Bíscaro

Em seu quarto álbum, os italianos do LogoS usam um mar de tecladaria sinfônica para contar a história de uma menininha, que sobreviveu à bomba de Hiroshima.
 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

PAPIRO VIRTUAL 168


Roberto Rillo Bíscaro

Uma velha e inofensiva professora recebe flechada fatal, na idílica cidadezinha canadense de Three Pines. Entra em ação o Inspetor-Chefe Armand Gamache.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

TELONA QUENTE 336

 

Uma nova família se muda para a casa em Elm Street, e logo os garotos estão tendo pesadelos com Freddy Krueger, o falecido assassino de crianças. Desta vez, ele tenta tomar o corpo de um adolescente para continuar matando no mundo real.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

CONTANDO A VIDA 319

PRESENTE PARA VIÚVO NO DIA DOS PROFESSORES. 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Em circunstâncias de epidemia coisas estranhas acontecem, às vezes de maneira provocativa. Foi assim com o meu dia dos professores. Não bastasse a abstinência de desejáveis abraços, beijos estudantis e de colegas, o isolamento ainda provocou uma estranheza extra. Antes de contar esta história, devo confirmar o recebimento de muitos abraços e menções carinhosas... Mas foram saudações virtuais... Gostei, é claro, mas achei meio chato, indicativo de sinais dos tempos. Acatei todas efusivas lembranças e até as potencializei na chave do reconhecimento acho que merecido. Ser lembrado é bom, e ser homenageado é melhor ainda. No dia dos professores me permito exageros e deixo que a vaidade me assuma por inteiro. Pois bem, houve uma exceção nessa nova proposta comemorativa. Foi assim: o interfone tocou, o responsável pela portaria disse que havia um pacote me esperando, e que deveria buscá-lo. “Só um pacote”, proclamou o interlocutor. 

Desci correndo, mas não alcancei o presenteador (ou seria presenteadora?). Entre eufórico e frustrado, depois de higienizar o pacote com o álcool em gel disposto no elevador, abri furiosamente o invólucro, adivinhando que seria um livro. Com toda maldade que me permito nesse dia, logo fui reclamando: mas que falta de imaginação, dar um livro para um professor, no seu dia. Não seria mais adequado uma garrafa de vinho, flores, frutas, uma camiseta de time de futebol que fosse... Enquanto me livrava do papel e do barbante insistente em nós bem dados, minha imaginação, num zênite, se interessou pelo tema do regalo. Seria um livro de história, de análise política, um romance, um compêndio de poesia? Pois bem, em fração de segundos aposentei as reclamações e se me abriu um céu de possibilidades. Qual não foi minha surpresa quando, vi fechada a porta do elevador, o título do presente: “Como falar com um viúvo”, capa linda e colorida, com texto de Jonathan Tropper. Pronto, o curto caminho até o meu apartamento se transformou em uma jornada longa e interminável. Venci, porém. Entrei, já sem sapato – sou daqueles que preferem ler descalço. Com o livro aberto, sentei-me em minha cadeira de leitura, fisgado, tendo remetido para minha pré-história todos os questionamentos anteriores. 

O livro começa com a descrição de uma fatalidade: a morte da esposa Hailey em um trágico acidente de avião. Doug Parker, o marido/personagem, seria um desses tipos que não nasceram para casar, mas, por armação da vida, conhecera a mulher de seus sonhos, dez anos mais velha que ele. Mais velha, mas linda, loira, de olhos faiscantes nos seus 10 anos a mais do que ele. A diferença etária, contudo, não se fez empecilho para a felicidade do personagem que, afinal, encontrara na esposa o porto seguro, a parceira ideal, a tal mulher dos sonhos. O fato dela ter um filho adolescente, fruto de relação anterior, em vez de problema mostrou-se solução, pois aprendera a amar o garoto como legítimo pai. E sua vida de insucessos, seria coisa do passado, e no pretérito ficara sua condição de jovem desastrado, aluno medíocre, frustrado, dono de várias tentativas de ingresso em universidades reputadas. 

Adulto, até a chegada de Hailey, Doug fora um eterno buscador de empregos nos quais não se adaptava. Em dois anos era outro homem, o mais feliz do planeta, e tanto que até bonito se tornara. Depois desse convívio mágico, por um desastre, sem mais nem menos, encontramos nosso herói transformado no melhor modelo de triste mortal. Sem seu par perfeito, restou-lhe pouco, no máximo assumir uma coluna do jornal de sua cidade, no interior britânico, onde escrevia conselhos capazes dar vasão à mais chorosa agonia. Detalhar a vida de um enlutado chegado à bebidas e ao pessimismo mais escalafobético, era sua missão. A coluna chamada “como falar com um viúvo”, contudo, seria sua tábua de salvação. Seria... Seria se não houvesse uma soma hilária de circunstâncias complementares. 

Penalizada com a viuvez do pobre Doug, considerando a depressão progressiva, sua irmã gêmea resolvera mudar-se para sua casa. Ela que antes era a sensata e a mais ajustada familiar, agora, em plena gravidez, agia como reformadora do mundo, e, pior que tudo, revelara que conhecera o pai da criança, um amigo fiel do clã, em pelo funeral da esposa. Isso era imperdoável para o viúvo. Inda mais agora, que estava prestes a se separar. A chegada da irmã com futuro rebento, implicava adaptações da casa e assim anunciava-se uma guerra fraticida: ele queria deixar tudo do mesmo jeito e ela impunha mudanças drásticas. Encrencas familiares se multiplicavam: o pai teve um AVC com sequelas graves, inclusive com perda de memória. A mãe alienada optou por representar papeis teatrais do tempo de moça e vivia em performaces dramáticas, paramentada para apresentações hipotéticas. O rapaz, o tal amado filho postiço, se metia em confusões sérias e não era mais o jovem candidato à perfeição. E que dizer dos namoros propostos pela irmã? E das imaginadas alternativas sexuais imaginadas para tirar Doug do vazio? 

“Como falar com um viúvo” é um texto de redenção. O contorno da dor, o sofrimento atroz é abalado por um humor fino, crescente. A leitura dessas deliciosas páginas permite evocar Freud nos ensinamentos derivados de outro livro importante, de 1905, chamado “Os chistes”. A transgressão é uma das dimensões capazes de transformar condições mórbidas em discursos aptos a requalificar a vida. Talvez seja exatamente isto que Caetano Veloso sintetizou na passagem da canção “Vaca Profana”, de 1984 “Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada". O dia do professor passou. Passou, deixando uma lição: há jeitos de se comunicar com um viúvo, principalmente se for um viúvo professor. 

Não sei quem deixou o livro na minha portaria. Um dia aparecerá, mas tenho que dizer que há sim modos de falar com viúvos. Em certos casos como o meu, deixar dúvidas é boa alternativa. Se houver interessados é só pedir o endereço. 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

TELINHA QUENTE 423

 

Roberto Rillo Bíscaro
Um plebeu que vive na Grécia antiga descobre que é filho de Zeus e que seu propósito é salvar o mundo de um exército demoníaco.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

ESPÍRITO SANTO DISCUTE ALBINISMO

 

Direito das pessoas com albinismo em debate no ES

Os direitos e as necessidades das pessoas acometidas pela acromatose, desordem genética mais conhecida como albinismo, são tema central da reunião ordinária da Comissão de Saúde da próxima terça-feira (3). O assunto é um dos pontos na agenda de trabalhos da Assembleia Legislativa (Ales) durante a semana que, por conta do feriado de Finados na segunda-feira (2), será um pouco mais curta.

O encontro vai tratar de questões como a situação dos albinos no Espírito Santo e o acesso dessas pessoas a tratamentos específicos para a condição genética caracterizada por deficiência de pigmentação na pele, cabelos e olhos. Por isso, o colegiado presidido pelo deputado Doutor Hércules (MDB) convidou pessoas que nasceram com tal condição para conhecer as demandas do segmento. Entre elas estão a criação de uma associação voltada exclusivamente para pessoas com acromatose e atendimento mais direcionado no sistema de saúde.

Também deve participar da reunião a geneticista Lilian Kimura, que deve explicar as condições necessárias para que pessoas albinas vivam com conforto.

CAIXA DE MÚSICA 430

 


Roberto Rillo Bíscaro

John Frusciante, guitarrista do Red Hot Chili Pepper, sai de sua roqueira zona de conforto e se aventura na selva jungle britânica dos 90's, em um álbum dedicado a uma gata.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

PAPIRO VIRTUAL 167

 

Roberto Rillo Bíscaro

Korede está acostumada a limpar os traços deixados por sua irmã-serial-killer, Ayoola. Mas, o que pode acontecer quando ambas se interessam pelo mesmo homem? Sarcástica estreia da autora nigeriana.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

TELONA QUENTE 335

 

Roberto Rillo Bíscaro

Em, The 27th Day (1957) cinco cidadãos “comuns” de distintas nacionalidades são abduzidos por nave espacial duma civilização agônica, mas que não quer recorrer à violência invasiva pra evacuar seu planeta e se salvar. Eticamente impedidos de colonizar nosso planeta, os ETs transferem a batata-quente pra nossas mãos. Cada terráqueo é presenteado com arma letal, que pode obliterar a espécie humana, sem danificar a infraestrutura ou outras formas de vida. Os pacíficos alienígenas não são violentos, mas contam com o potencial autodestrutivo humano pra fazer o serviço sujo por eles. Algo como dar facas pra crianças brincarem na creche, mas não assumir a culpa pelo massacre resultante.

Um alemão, um norte-americano, uma inglesa, uma chinesa e um soviético são os portadores da provável extinção da espécie humana. Sendo produto tipicamente Guerra-Fria, da família de Red Planet Mars, assim que Moscou constata que pode dominar o mundo, não poupa chantagens, torturas e ultimatos não apenas para remover os EUA da Europa e Ásia, mas também os estadunidenses do mundo.

A mensagem de “paz” final de The 27h Day é assustadora, porque não prevê alternativa de convivência harmônica entre os povos, a não ser que aqueles que pensem distinto sejam literalmente exterminados. Mas, tudo vem (mal-)disfarçado em mambo-jambo cristão.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

CONTANDO A VIDA 318

AVISO AO PAPAI NOEL EM TEMPOS DE COVID 19 

José Carlos Sebe Bom Meihy 

Meu caro Papai Noel 

Pois é, nem sei se este ano, em plena cultura de cancelamento, você virá segundo reza a tradição dezembrina. Mas precisamos tanto de Natais; como nunca “bom velhinho”. Nossa! Mesmo com todo aparato fake que nos envolve, com neve de brincadeirinha, roupa de veludo, capuz com pompom branco, botas, com todo aquele visual impróprio, queremos cantar jingle bell. Até a Simone repetindo então é Natal a gente engole com alegria. Juramos respeitar a carestia, e nem importa se o saco de presentes vier magro. Se decidir pela visita, faça boa viagem, mas não se iluda com a propaganda enganosa: a Terra continua redonda, apesar da insistência de débeis terraplanistas. E, por favor, cuidado com a fumaça das queimadas de nossas florestas e do Pantanal. São tantos focos meu querido Papai Noel, só até setembro deste 2020 foram quase 50 mil. Mesmo assim gostaria que viesse porque precisamos de alguma alienação, a realidade está dura demais. Venha de máscara, porém, para se proteger, pois é preciso cuidar de si, até porque o pessoal de Brasília é negacionista, não acredita na covid, que já levou mais de 153 mil brasileiros para a cova real. 

Insisto que venha, precisamos compensar a falta de entusiasmo das pessoas. E nem estranhe a modéstia das cerimônias: o real tão desvalorizado, o dólar tão alto. Isso, aliás, é convite para a compreensão de improvisos criativos. E por falar em dinheiro, caso queira dar algum para alguém, faça segundo a prática da família presidencial, em cash, e só último caso deposite, mas melhor em parcelas como ensinou o Queiroz que já doou 89 mim para a primeira dama. Papai Noel, tudo está tão caro, olha só o preço do arroz, do feijão, que dirá do peru! Pelo visto nem mesmo chester com farofa disfarçará a carestia. Como não se deve deixar de brindar, quem sabe valorizaremos a caipirinha, a batida de maracujá, coco. Prosecco, espumante, champanhe, vinhos, nem pensar, né!? Talvez dê para uma sidra, dessas bem baratinhas, daquelas que “cabem no orçamento”... 

E por falar em festa, penso nos docinhos finos, aqueles de nozes, tâmaras, avelãs, esses, por certo, cederão espaço para as cocadas, suspiros, doce de leite, paçoca. Acho, teremos panetone, pois se não sobrar dinheirinho para isto, os amigos cobrirão a lacuna - até imagino o amigo secreto trazendo um em embrulhado com enfeite. Com certeza, suponho que em termos de recrudescimento de nativismo nacionalista, em vez de roupas de marca, qualquer coisinha seja compensação possível. Nem ouso pedir um par de cuecas resistentes às batidas da Polícia Federal, mas, em havendo exceção para as crianças, não se esqueça de discernir entre o rosa e o azul; rosa para elas e azul para eles, pois há recomendação de autoridade vigilante. Devo, aliás, sugerir que não traga “arminhas” para as crianças, pois do jeito que andam as coisas em vez de brincar de carrinhos, bonecas, piões ou joguinhos lúdicos, os rebentos podem pensar em obedecer o mandatário mor. 

Papai Noel, nem acredita: a escola da violência tem propalado lições que começam nos Palácios da capital federal e o que chamávamos de velha política rejuvenesceu e está ainda muito mais presente. Aliás, o exemplo familiar também vem de cima: uma fraternidade abençoada por um papai nada ficcional. Se houver alguma sobrinha, meu bom velhinho, deixe um livro de Paulo Freire, pois anda tão mal tratado por ignorantes que, imagine, querem cancelá-lo do imaginário pedagógico. 

Venha prevenido para surpresas, por favor, e não estranhe a ausência da árvore de Natal. Com as queimadas ficamos temerosos que supusessem alguma que representasse afronta à vigilância. Também vamos prender os cachorros e esconder os gatos, pois na eventualidade de sua chegada, a memória dos animais queimados pode causar suspeita. Aviso: não venha de trenó puxado por renas, não venha, pois o ministro do meio ambiente pode não gostar, e, imagine o que faria... Ao sobrevoar os campos queimados, finja não ver os bois agora alçados à condição de bombeiros. Sim, a ministra da agricultura tem ensinado que eles comem as gramas excessivas, protegendo assim contra incêndios. Sábia, não? 

Papai Noel, você, como eu e tantos outros queridos coetâneos, estamos no grupo de risco. Oscile com cuidado entre sua valentia e medo, mas se romper os circuitos da pós-modernidade e insistir em vir, traga uma senha. Será necessário ter certeza de que é quem é, pois em tempo de eleição antecipada – sim, já estamos em campanha para 2022 – é possível que o confundam com candidatos de esquerda, imagine chegando de vermelho... Além do mais, não estranhe se o chamarem de comunista, pois qualquer ser diferente do modelito é punido. Não sei se a vacina – qualquer uma delas, chinesa, britânica, brasileira – estará disponível, caso não, sugiro não trazer cloroquina ou hidroxicloroquina, porque o risco de ser assaltado é enorme. Mas venha, meu bom velhinho. Venha, para compensar as desgraças que vivemos. Venha sim, precisamos acreditar em você. 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

TELINHA QUENTE 422


Na segunda temporada da série The Alienist/O Alienista, o foco passa para Sara Howard, agora detetive particular investigando a abdução e morte de crianças.



segunda-feira, 26 de outubro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 429


Roberto Rillo Bíscaro

O grupo escocês Fiction Factory só é lembrado pelo sucesso da faixa (Feels Like) Heaven, mas, seu álbum de estreia, de 1984, tem muito mais coisas, até melhores.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

TELONA QUENTE 334

 

Enola Holmes só tem 16 anos, mas vai fazer de tudo para encontrar a mãe desaparecida, inclusive despistar o irmão Sherlock e ajudar um jovem lorde fugitivo.



quarta-feira, 21 de outubro de 2020

CONTANDO A VIDA 317

 PAULO COELHO NA FOGUEIRA. 


José Carlos Sebe Bom Meihy 

É estranho. Estanho demais, bem sei, mas gosto de personagens públicos problemáticos, de gente complicada, pessoas capazes de agitar a pasmaceira da regularidade. Meu olhar menino se alinha quando miro seres que se pontuam fora da curva. Por certo, esforço-me para separar o joio do trigo, e assim desprezo produtos fabricados para render likes, como “mulheres frutas”, celebridades instantâneas, políticos populistas, afff... Procuro originalidades autênticas e nelas entender os trejeitos de pessoas que se abalizam de maneira singular e continuada, até mesmo sem perceber. Admiro caras que incomodam pela distinção exótica, desafiadores da opinião pública, ou por presença quase escandalosa. Eu disse quase!... E coleciono, com certa ansiedade, manifestações idiossincráticas, exageradas, disparates que repontam ao longo da vida social. Seja para o bem ou para o mal, sinto brilhar a frase de Sartre garantindo que “da vida só valem os excessos”. Excessos bons, desses exuberantes, e até permito excesso meu, incluindo esta intrigante observação algo voyeur. 

Em diferentes quadrantes, essas pessoas marcantes animam a vida, causam estranhezas e, sob olhar antropológico poderíamos dizer que em seus descomedimentos nos ajudam pensar os limites da normalidade convencional e os padrões médios. Na sociedade do espetáculo (Debord) aqueles que conseguem superar os 15 minutos de fama (Andy Warhol) provocam algo próximo de uma “indignação desafiadora”, e por isto motivam sensações incômodas. E seres bizarros não faltam no céu cultural brasileiro. Isso em todos os setores como no esporte (Neymar que o diga), na televisão (no momento Fabio Assunção empata com José Abreu), na literatura (o lugar de honra é de Nelson Rodrigues, mas tem o imortal Rubem Fonseca coladinho). Pois é, como não se trata propriamente de um concurso, resolvi dilatar a lista de possibilidades com um dos meus problemáticos favoritos: Paulo Coelho. E para começo de conversa destaco a frase que o tem distinguido nos jargões vulgares: “não li, não gostei”. Não é engraçado?! Engraçado ou lamentável, pois estamos falando de um dos autores mais vendidos em todo mundo, traduzido para 81 línguas, e presente em mais 150 países. Fenômeno, não só entre nós – ou melhor, apesar de antipatias nacionais gratuitas. Eu gosto muito, leio o que consigo sobre ele e mesmo o que dizem as más línguas. E, pasmem, aprecio o que escreve. Perdão, mas gosto mesmo... “Onze minutos” é um dos meus livros favoritos. 

Gosto tanto que o saúdo como cidadão do mundo, escritor que versa sobre feitiçaria com a mesma facilidade de abordagens sobre islamismo, xamanismo, ou outra religião, seita, credo. Há algo de metafísico, de teor transcendental pretenso, alguma coisa próxima de um “divino popularesco”, sinal que o caracteriza no ambiente pós-moderno. E como personagem, Paulo Coelho carrega uma história incrível e tortuosa: ex-usuário de drogas, subversivo torturado em 1974, esotérico, Paulo Coelho é um pouco de tudo o que foi numa versão midiática. Mas como esse ser esquisito se converteu no escritor pop, pergunta-se. Respostas demandam entender método coelhiano de produção artística que, aliás, foi fascinante desde o princípio. Ele mesmo conta “aprendi a escrever com Raul Xeixas. Foi fazendo música para ele que eu descobri como ser conciso e direto, sem ser superficial”, e, dono de peculiar arrogância conclui “senão estaria até hoje escrevendo coisas dificílimas que ninguém entende”. Mas houve aperfeiçoamento entre o pretenso empresário de talentos que tentava lugar no capitalismo e o escritor – Coelho tentou ser produtor musical. Um dia, procurou o “maluco beleza” para uma entrevista e do encontro saiu parceiro de série musical. É verdade que o futuro os poria em campos opostos, mas não há como negar o começo. Diria que a universalização, foi o legado de Rauzito para Paulo Coelho que se globalizou, formulando uma literatura sem marcas de brasilidade. Sim, mais do que ninguém no planeta, ele soube assumir a dialética da modernidade universal. Talvez isto explique seu destaque que, óbvio, não poderia deixar de ser também polêmico. 

Em termos cronológicos, o sucesso literário levou Coelho ser um gauche, mas um gauche estranho pois em 2002 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Entre as razões para tanto nariz torcido é o resultado surpreendente da publicação dos primeiros livros: Arquivos do inferno (1982), O manual prático do vampirismo (1985) até chegar n’O diário de um mago (1987). Da longa série de sucessos, sem dúvida, a reputação de Coelho se divide em antes e depois d’O Alquimista, publicado em 1990. Pois bem, é este personagem fascinante, este cara incrível, que teve seus livros queimados por seguidores do capitão Bolsonaro. E por quê? Porque, junto com personalidades como Leonardo Di Caprio, Sting, Madonna, Cher, entre muitos outros, inclusive uma plêiade de brasileiros, Coelho chama a atenção do mundo contra a política deste governo negacionista, em particular em relação ao meio ambiente. 

Numa postagem nas redes sociais, um casal idoso, marido e mulher, em nome da defesa de Bolsonaro, dia 29 de setembro último, queimou as páginas arrancadas de um livro de Paulo Coelho. Dizendo tratar-se do décimo, o espetáculo macabro recriou no Brasil o ritual nazista de 10 de maio de 1933. Sim na Alemanha de Hitler, fanáticos fizeram uma fogueira pública de escritos contra o regime, lá como cá, isso atesta o significado da intolerância e da incapacidade de convívio com a crítica, seja ela qual for. Em escala mínima, a memória desse feito abominável teve dimensões alarmantes e esclarecedora e por isto merece atenção. De um lado, esta queima revela uma política de ataque à cultura, de agressão à opinião pública livre e independente, mas de outro – e isto é terrível – permite iluminar a resistência aos desmandos que nos colocam como devastadores de florestas. E Paulo Coelho então se apresenta como baluarte de uma luta que, afinal, o traz de volta ao Brasil e aos temas brasileiros no universo. À propósito, e para terminar, vale considerar a conformidade rebelde do próprio Coelho que respondeu: pois é: primeiro compraram e depois puseram fogo. 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

TELINHA QUENTE 421




Contextualizando a emocionante trajetória pessoal e artística de Elis Regina, a minissérie traz cenas originais do filme "Elis", material documental e novas cenas de ficção.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 428

 

Roberto Rillo Bíscaro

A dupla Young Gun Silverfox faz pop, que parece saído de 1980.



quinta-feira, 15 de outubro de 2020

TELONA QUENTE 333

 



Roberto Rillo Bíscaro

Em 1990, um solteirão solitário, chamado David, procura uma forma de escapar da labuta diária de cuidar de sua mãe idosa. Enquanto procurava uma parceira por meio de um serviço de namoro por vídeo, ele descobre uma fita VHS estranha chamada Rent-A-Pal. Apresentada pelo carismático Andy, a fita oferece a ele a tão necessária companhia. Mas a amizade de Andy tem um custo, e David luta desesperadamente para pagar o preço da admissão.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

CONTANDO A VIDA 316

 A LÓGICA DAS FRASES SOLTAS.

José Carlos Sebe Bom Meihy


Sou leitor de jornais! Sim, entre os rituais de iniciação do dia – café, redes sociais, e-mails – o mais prezado se reduz a abrir a porta e colocar o jornal pra dentro de casa. Inevitavelmente me vem à cabeça – dia sim e outro também – o texto “O homem nu”, do cronista mineiro Fernando Sabino. O temor de ficar fora, com ou sem a pouca roupa, me apavora. Mas isso passa logo. A cerimônia das viradas de páginas exige devoção e os preparativos prévios são apenas os essenciais relativos à higiene: bexiga vazia, dentes escovados, banho, tudo nesta ordem. Café preparado, a mesma velha xicara acompanha em goles medidos o tempo da leitura silenciosa e sempre sem pressa. Tudo pode esperar. Tudo.... E, na cadeira preferida – ah minha cadeira de leitura, mal sabe do prazer que seu colo me provoca. Orgasmos múltiplos.

Tal é o requinte que devoto à essa prática que as notícias, por piores que sejam – e têm sido – correm como rio sobre um leito paciente e que desemboca no mar agitado dos afazeres seguintes. Com tanto aperfeiçoamento, desenvolvi um jeito próprio de ler jornal. A linha editorial apenas funciona como pano de fundo, uma espécie de cenário, e dela destaco a seleção dada por partes. Primeiro as notícias gerais, depois as internacionais, econômicas, culturais, esportivas. Isso provoca a seleção de cadernos, condição depurada de anos. Sabe, leio anúncios fúnebres, ofertas de supermercados, previsão do tempo, a opinião dos leitores e a flutuação do dólar. Só dispenso – não sem remorso – as fatigantes propagandas de automóveis... Credo!

Pois bem, aos domingos alargo ainda mais o tempo em coerência com o tamanho ampliado do jornal. Parece que os braços do relógio também se movimentam mais preguiçosos e o silêncio de minha insistente viuvez fica ainda mais soturno. Devo confirmar que sou daqueles leitores que tem sempre uma tesoura às mãos. Recorto artigos, notícias e até propagandas. Nunca as aproveito, e depois até me irrito com o amontoado dessa prática insana. Foi assim que juntei sobre minha mesa de trabalho alguns destaques que me chamaram a atenção e que revisei antes de exterminá-los. O primeiro foi um anúncio (será que a ainda usam esta palavra? Sei lá, sou do tempo do “reclame” ou “proclamas”, credo!), eis o “convite”:

“É COM GRANDE PESAR QUE (NOMES) CONVIDAM PARA A MISSA NA PARÓQUIA (NOME) ÀS 12H DE SEXTA-FEIRA (DATA). CONFIRME SUA PRESENÇA NO CEL (NÚMERO) OU ASSISTA A TRANSMISSÃO ON LIVE PELO CANAL DO YOUTUBE DA PARÓQUIA (ENDEREÇO ELETRÔNICO)”.

Precisei reler! Repeti a operação. Respirei fundo. Senti-me arcaico. Notei que as pessoas continuam morrendo e que ainda são celebradas missas, mas o script mudou demais. Missa ao meio dia? Nossa, pensei. Mas, de verdade meu queixo caiu (lembram-se desta expressão “queixo caído”) quando aprendi que o RSVP poderia ser dado por celular e que a cerimônia seria transmitida por canal do YouTube. Por certo seria por conta da pandemia, supus. Uma curiosidade impertinente, porém, me assolou. Resolvi acessar o endereço eletrônico da Paróquia e por telefone ousei pedir explicações. Tive que me segurar ao saber que essa prática “está em vigor” (sim eles usaram esta expressão “em vigor”) há mais de dois anos. Mediante meu silêncio, como que evocando uma ressureição, ouvi da voz do outro lado da linha a cruel sentença “meu senhor, Deus é onipresente, onipotente e onisciente”. “Bati o fone no gancho” (ou melhor, “desliguei”). Desliguei e conclui que daqui a alguns anos não mais terei o prazer de ler jornal. Pior: creio que serei lido por ele, graças à evolução.

 

Juro que essa experiência me abalou. Tanto fiquei chocado que me vi ressuscitado por outra chamada, do mesmo jornal, no mesmo dia:

“VOCÊ PODE NÃO SE APAIXONAR NA AMAZON, MAS PODE NUMA LIVRARIA”.

Aqui, o argumento é reverso: a mediação eletrônica atrapalharia a circunstância do encontro. O apelo passional direto merece destaque pela intransferência, e, pelo contrário, apelaria para necessidade intransferível de contatos presenciais. No caso da missa, era Deus o agente unificador, abstrato, poderoso, anulador de entraves. Já na livraria o livro justificaria junções. Dando asas a voos desvairados, pensei no paradoxal posto entender que Deus é o Verbo Divino encardo e, assim, no caso da igreja poderia promover uniões virtuais, mas no caso das palavras escritas, dos livros, tudo teria que ser cara a cara, ou seja, parodiando o verbo seria humano. E as horas correram. Eu, entre uma coisa e outra, voltava a pensar nas ambiguidades da eletrônica. Se cheguei a um termo? Creio que sim: continuo sem entender os caminhos da humanidade e da mediação eletrônica. É bom que siga assim, até que eu morra apaixonado pelo livro da vida. Depois, depois Deus explicará os contatos virtuais. Ah! Se alguém se comover com minha morte, se não puder me velar presencialmente, pode fazer pelo canal virtual...

terça-feira, 13 de outubro de 2020

TELINHA QUENTE 420

 

Três crianças descobrem que o orfanato onde vivem não é nada do que pensavam. Agora, têm que liderar o grupo todo num arriscado plano de fuga.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 427

 


Roberto Rillo Bíscaro

Compositora de alguns dos sucessos de Ariana Grande, Victora Monét lança material próprio, sofisticado, empoderado e moderno, mas sem esquecer a rica tradição do R'n'B.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

TELONA QUENTE 332



Em O Fascínio (Netflix), durante uma viagem ao sul da Itália para conhecer a mãe do noivo, uma mulher luta contra forças misteriosas que ameaçam sua filha.