segunda-feira, 12 de novembro de 2018

CAIXA DE MÚSICA 339

Roberto Rillo Bíscaro

O Sertanilia caracteriza sua música como sertanesa, feminino do sertanês utilizado nas obras de Elomar Figueira Mello. Segundo o trio, o neologismo foi criado para se diferenciar de "sertanejo", palavra que foi perdendo o real significado e se distanciando do universo do sertão à proporção em que foi empregada pelo mercado musical das grandes gravadoras.
Formado em 2010, o Sertanilia é composto por Aiace (vocais), Anderson Cunha (violão, bandolim e viola) e Diogo Flórez (percussão). São sempre acompanhados por João Almy (violão), Fernanda Monteiro (violoncelo), Mariana Marin (percussão) e Raul Pitanga (percussão). Essa profusão de instrumentos traduz-se em riqueza sônica inspirada nas diversas manifestações culturais do sertão, como cocos, maracatus, sambadas e ternos de reis. Sem sucumbir a folclorismos anacrônicos na produção, os baianos mesclam com destreza boa dose de contemporaneidade às tradições que querem registrar.
Premiado e com diversas apresentações em países como Portugal, Holanda e Espanha, o Sertanilia tem dois álbuns, que podem ser baixados gratuitamente no link:
O primeiro álbum, Ancestral (2012), foi apoiado pelo Conexão Vivo e Governo do Estado da Bahia. São 14 faixas, onde o grupo apresenta canções autorais e releituras. Traz convidados especiais, como Bule-Bule, Xangai e os percussionistas pernambucanos Nego Henrique e Emerson Calado, que fizeram parte do Cordel do Fogo Encantado e Gilú Amaral, da Orquestra Contemporânea de Olinda.
Além das regravações e do material próprio, o Sertanilia salpica Ancestral com vinhetas extraídas de material autêntico dos grupos de Folia de Reis que pesquisa. É o caso de Areia do Mar, Canto de Chegada e Canto de Despedida. Em Eu Vou Embora Daqui, a música sertanesa autêntica é misturada com efeitos de estúdio, como sinos, choros e contracantos meio clérico-góticos.
Polida produção e simbiose entre tradição e ruptura garantem o apelo universalizante do Sertanilia. Tome-se o caso de Ciranda do Fim do Mundo. Inspirada no ritmo do título, a canção é porém, tensa, densa; espécie de neurótica ciranda urbana, em consonância com a letra-denúncia da roda-viva do consumismo contemporâneo.
Felizmente, porém, existe muito tempo e espaço pra lirismo e felicidade em Ancestral. Sambada de Reis e Nobre Folia são pura ferveção de Reis; Pombinha do Céu é catirento coco, ritmo que também informa Pras Bandas de Lá. Mas, note como os momentos finais da canção orientalizam-se num clima 1001 Noites. E quem disse que a ibérica Folia de Reis não tem influência mourisca?
A linda voz de Aiace incandesce o clima sertão-carcará de Incendeia e emociona na longa Meus Buritizais Levados de Verde, lamento fúnebre, que tem recitação de trecho decisivo de Grande Sertão: Veredas. 

Em 2017, o Sertanilia voltou com Gratia, 14 faixas, contando com as vinhetas extraídas de reinados autênticos do alto sertão baiano e trechos de puro depoimento de História Oral.
Exceto pela faixa-título, Gratia vem menos brejeiro e bem mais épico, como atesta O Mundo de Dentro da Minha Cabeça. A poderosa percussão contribui pra epicização do sertão, como a da galopante Balada Para Uma Vingança. Os baianos não se rendem à folclorização ingênua de jeito nenhum: veja como a embolada de Corre Canto é urbana e modernamente urgente e nervosa e a letra de Gado Manso fala muito mais do que dos bovinos, mas de massificação e manipulação midiáticas. Como não se vive apenas de ápices, Confissão é lamento embalado por violão e violoncelo.
A tradição de reis é fruto do encontro da herança ibérica das festas da Natividade - vindas com o imigrante galego-português - com a cultura dos descendentes dos africanos cativos no sertão, resultado numa expressão popular única. Gratia veio cheio de referências hispânicas: a espanhola Gaudi Galego dueta com Aiace em Devagar; há linda faixa chamada Castela; musicalização de parte da cantiga de amigo Flores do Verde Pinho, de D. Dinis; além de referências instrumentais à musica galega no decorrer do álbum.

domingo, 11 de novembro de 2018

ORGULHO ALBINO

A afirmação do orgulho albino

Qualquer reflexão ou alusão à coloração da pele, ainda constitui um assunto constrangedor, apesar do paradoxo existente em que, por um lado, algumas pessoas, inclusivamente famosas, aparentam ter branqueado a sua pele escura mas, por outro lado, os albinos são repudiados pela sua cor clara. Com efeito, em todo o mundo, as pessoas com albinismo continuam a enfrentar ataques ou sofrem uma terrível discriminação, estigmatização e exclusão social, o que mostra quão desumano e intolerante pode ser o homem, relativamente ao outro e à diferença.

Daí a condenação da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, dos "assassinatos e ataques cruéis contra os albinos, que são cometidos em circunstâncias particularmente horríveis e que envolvem o desmembramento de pessoas, incluindo crianças". Estes crimes são muitas vezes ligados à feitiçaria.

Alguns praticantes acreditam que o feitiço é mais poderoso quando a vítima grita durante a amputação, o que explica que os corpos muitas vezes sejam cortados enquanto as vítimas estão vivas. O Conselho de Direitos Humanos da ONU adoptou uma resolução que condena ataques e a discriminação de pessoas albinas. Este órgão também solicita medidas para garantir a proteção deles. A resolução, proposta pelas nações africanas e apoiada por outros países, obteve consenso.

A mesma prevê, outrossim, que seja garantido o acesso das vítimas e das suas famílias a medicamentos apropriados e à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Todavia, para além dos procedimentos legais e administrativos é fundamental a educação das pessoas contra os estereótipos que rodeiam estes seres inocentes. É que algumas famílias das crianças com albinismo muitas vezes negligenciam a sua educação e as que frequentam a escola sofrem grave assédio moral.

ORGULHO ALBINO

Paulatinamente, os portadores deste problema congénito têm estado a desencadear uma série de acções no sentido do respeito pelos seus direitos humanos, normalização do seu quotidiano, ostentando orgulho por aquilo que são. É o caso de alguns nomes do mundo artístico e da Moda internacional, em que sobressai Shaun Ross, modelo profissional, actor e dançarino, mais conhecido por ser o primeiro modelo albino masculino.

Tem sido destaque nas principais publicações de moda, incluindo a britânica GQ, Vogue Italiana, i-D Magazine, Paper Pagazine e Another Man. Está igualmente ligado ao cinema e televisão e participou de vários vídeos musicais, incluindo os clips da cantora californiana Katy Perry e da afro-americana Beyoncé. De nacionalidade sul-africana, Thando Hopa também é modelo apesar de possuir um diploma de advocacia.

Nunca se sentiu em perigo por ser albina, mas está consciente de que nem todos têm a sua sorte. É essa consciência que motiva o seu desejo de servir de referência para os menos afortunados. " Quero fazer a diferença, mas não apenas em relação à percepção. Quero ajuda prática para os albinos, para que consigam apoio para a aquisição do protector solar e auxílio para a sua visão" declarou à Sky News.

Com a mesma inenção, Diandra Forrest, modelo albina afroamericana tem-se empenhado nesta luta contra os preconceitos. O cantor maliano Salif Keita, descendente directo do fundador do Império do Mali, Sundiata Keita, foi ostracizado devido ao seu albinismo, sinal de azar na cultura Mandinga .

Mudou-se para Paris em 1984 com o objectivo de prosseguir a sua carreira e o seu êxito contribuiu para diminuir a discriminação existente um pouco por toda a parte. Embora servindo-se do humor, o comediante americano Nate Hurd, albino, também está envolvido nesta luta contra os estereótipos sociais.

O brasileiro Roberto Rillo Bíscaro, doutorado em dramaturgia norte-americana, é conhecido pelo seu blog "Albino Incoerente", que trata para além de assuntos diversificados, do tema do albinismo, pouco divulgado nos meios de comunicação social. São numerosos, por conseguinte, em todo o mundo os que assumem o seu albinismo e encetam um combate cerrado visando a melhoria das suas condições sociais e humanas, tanto individualmente como em associações. 


ALBINOS DESTACADOS EM ANGOLA

É cada vez mais comum, encontrar pessoas com albinismo nas ruas de Luanda. Um dos mais mediáticos é o comunicólogo Celso Malavaloneke, que com a sua visibilidade e simpatia, a que acresce alguma polémica, contribuiu muito para a quebra dos estereótipos e por um maior respeito pelas pessoas com falta de melamina.

Outra figura importante é Guilherme Santos, presidente da ADRA e de reconhecida competência. Entre a juventude é de realçar o artista Lombadas. Protagonista de vídeos que se tornaram populares nas redes sociais no país, o criador da expressão "Issekévida" é actualmente uma das mais conhecidas e mediáticas figuras da Internet em Angola. Antigo "bailarino de Kuduro" do cantor angolano Puto Prata, estreia-se também como cantor e torna-se um dos rostos da campanha publicitária da TV ZAP, sobre o Mundial.

O jovem Lombadas manifesta a também a sua intenção de representar os "Kilombos" porque na sua opinião, os albinos "não se assumiam como hoje em dia, agora eu vejo na rua muitos a assumir o que são, porque me viram a assumir sem preconceitos aquilo que sou". Praticamente em todos os ramos profissionais, estes angolanos têm dado a sua contribuição com dedicação e competência.

A DISCRIMINAÇÃO EM ÁFRICA

Porém, em África, especialmente na parte oriental, pessoas com albinismo correm permanentemente risco de vida. São diversas as razões, sendo a principal a superstição que lhes atribuiu poderes super-naturais. Muitos acreditam que eles, são criaturas de "sorte", daí que sejam mortos para que os seus órgãos sejam utilizados em práticas de bruxaria ou então para que o autor do crime "herde a sorte" do malogrado.

As pernas e as mãos amputadas são vendidas a pessoas que os usam como talismãs, para, de acordo com às suas crenças, dar sorte ou afastar maus espíritos. Pescadores colocam cabelos de albinos na sua rede para ter sucesso na pescaria. Mineiros penduram no pescoço amuletos feitos com seus ossos moídos e acreditam que o pó daí resultante, depois de algum tempo enterrado, se transforma em diamantes Quem consegue beber o sangue ainda quente de um albino "tem sorte a dobrar", sobretudo se se tratar de uma criança, pois consideram que a pureza infantil intensifica o poder do feitiço.

A pele é usada para revestir amuletos. Os órgãos genitais são usados em poções para cuidar de disfunção erétil. A procura de albinos aumentou imenso depois da propagação da SIDA na Tanzânia Há a crença de quem tiver relações sexuais com albinos ou albinas ficará curado do HIV. Por este motivo, as mulheres muitas vezes são estupradas. Também há uma crença nalguns locais que expressa que a ingestão de órgãos genitais secos elimina a doença. Os que morrem são sepultados pelos seus parentes em locais onde os restos mortais não possam ser desenterrados pelos fornecedores dos feiticeiros.

Um relatório publicado pela ONU, afirma que os albinos "são considerados fantasmas e não seres humanos". Há zonas em que são também mortos e enterrados com os chefes tribais falecidos para que estes não fiquem sós nas suas covas. Alguns políticos querem obter um amuleto para garantir a sua vitória nas eleições. Grupos de Especialistas da ONU têm-se pronunciado e alertado contra estes comportamentos. Um deles é Christof Heyns, Relator Especial sobre Execuções extra-Judiciais, Sumárias e Arbitrárias.

OS ALBINOS E A ÁFRICA ORIENTAL

Os cientistas ainda não foram capazes de explicar claramente as causas do percentual elevado de albinos na África Oriental. Admitem a hipótese de que a Tanzânia e a África Oriental possam ser o berço da mutação genética que cria o albinismo.

Por outro lado, por causa da discriminação e exclusão social, as pessoas com albinismo tendem a casar-se entre si, o que aumenta a probabilidade de terem filhos também albinos. A vida das crianças albinas está praticamente em risco desde a sua nascença devido a todas as crenças atrás referidas. Segundo a ONU, a Tanzânia é o país com mais ataques, seguindo-se o Burundi, Quénia, República Democrática do Congo, Suazilândia, África do Sul e Moçambique.

ALBINISMO, DESPIGMENTAÇÃO E CLAREAMENTO DA PELE

Para além do albinismo, distúrbio congénito caracterizado pela ausência completa ou parcial de melamina pode ocorrer uma situação de despigmentação da pele, isto é, de perda da pigmentação normal da pele, quer de forma espontânea ou intencional. A espontânea consiste numa distribuição anómala de melanina, como por exemplo o Vitiligo, que se caracteriza pelo aparecimento de manchas brancas em certas áreas do corpo.

Já a intencional tem por objectivo o clareamento da pele, motivada por razões psicológicas e sociais, uma prática generalizada nalguns países de África especialmente entre as mulheres. Com a globalização, muitas nações pós coloniais têm visto um aumento da procura de cremes de clareamento da pele visando obter uma aparência eurocêntrica.

No entanto, esses produtos clareadores de pele, geralmente, contêm três ingredientes perigosos: mercúrio, hidroquinona e / ou corticosteroides, que podem ser extremamente perigosos e fatais. A cor da pele tem forte influência sobre as expectativas conjugais, emprego, estatuto e aceitação social.

Indivíduos de pele mais escura são sociais e economicamente desfavorecidos e as mulheres são preteridas. Isto talvez possa ajudar a explicar a atribuição dos poderes especiais aos albinos, já que a cor clara é garantia de sucesso, bem como a quase obsessão, pela eliminação intencional da melamina do seu organismo verificada em muitos países de África.

"COLORISM" E "PIGMENTOCRACIA" NOS ESTADOS UNIDOS

Ao contrário do que seria de esperar, dada a longa luta contra a segregação, pelos direitos cívicos e a acção de Martin Luther King, nos Estados Unidos também existe a preocupação pelo clareamento da pele entre os afro-americanos. Pode ser entendida como sequela do colonialismo europeu que criou um sistema de supremacia branca, em que as diferenças biológicas na cor da pele foram usados como justificativa para a escravidão e a opressão dos africanos, bem como para o desenvolvimento de uma hierarquia social que colocou os brancos no topo e os negros na parte inferior.

O Dr. Ronald E. Hall, da Michigan State University, no início da década de 1990, considerou como " síndroma de branqueamento" este processo de tentativa de clarear a pele. Existe, assim, um conflito psicológico, fazendo com que alguns afro-americanos desenvolvam um desdém para a com pele escura, uma vez que contraria os ideais culturais dominantes.

Num artigo intitulado "Colorism: um tom mais escuro de Pele", Taunya Lovell Banks discute o conceito de "colorism" e como foi interiorizado pela comunidade negra, levando a uma hierarquia que privilegia as peles mais claras dentro das suas próprias comunidades. Esta discriminação interna baseada na cor da pele é uma forma de preconceito ou discriminação em que os seres humanos são tratados de forma diferente com base nos significados sociais ligados à cor da pele.

O termo "Colorism", cunhado pela escritora Alice Walker em 1982, não é sinónimo de racismo. Este está relacionado com o significado social atribuído a uma raça. Já o " colorism" consiste na dependência de estatuto social da cor da pele apenas. Comportamentos ligados ao "colorism" ocorrem em todo o mundo. Pode ser considerado uma consequência da prevalência global da "pigmentocracia", um termo recentemente adoptado por cientistas sociais para descrever sociedades em que a riqueza e o estatuto social são determinados pela cor da pele.

Uma das evidências consiste no clareamento da pele ostensivo de alguns artistas afro- americanos de sucesso que, com a sua prática, tornam o slogan americano dos anos 60, "Black is Beautiful", obsoleto. É o que se depreende comparando as imagens do passado com as actuais da Beyonce, Rihana, Tyra Banks, Nik Minaj, Iman, além de Michael Jackson que teria sido por razões de saúde. Para o psiquiatra antilhano Frantz Fanon em "Peles Negras Máscaras Brancas" " a cor não deve de forma alguma ser sentida como uma tara...uma outra solução é possível.... Ela implica uma reestruturação do mundo..."

O ORGULHO ALBINO EM ANGOLA

Angola é um dos poucos países onde os preconceitos contra os portadores de albinismo não é tao forte quando comparado com outros países de Africa. Estes levam uma vida normal, alguns ocupando cargos de responsabilidade dentro da sociedade. Por outro lado, não faz parte da cultura angolana a utilização de produtos para clareamento da pele, apesar de alguns casos inexpressivos de angolanos provenientes da RDC, e há um forte índice de mistura entre os povos.

Com estas características, Angola acaba por ser um país peculiar no contexto africano. Tem de ser reconhecido o comportamento dos angolanos em relação ao respeito pela diferença no que concerne aos albinos. Isto permite que se encontrem albinos orgulhosos do que são e com uma alta auto-estima.

Nem tudo é perfeito como exprime Guilherme Santos, Presidente da ADRA. Porém, acrescenta que muitas vezes a hostilização, a discriminação e os estereótipos surgem por parte de familiares. Assim, persiste na sociedade algum preconceito, construído psicologicamente, que pode ser ultrapassado se todos estiverem envolvidos em dar apoio psico-social aos familiares de pessoas com albinismo. Para dar o seu apoio, surgiu, de uma forma natural e espontânea, o Grupo Voluntário de Apoio a Pessoas com Albinismo em Angola (GVAPAA), de que fazem parte alguns fotógrafos.

São um grupo de cidadãos de várias nacionalidades, sem personalidade jurídica e sem fins lucrativos, que se juntaram com o intuito de dar apoio de modo sustentável a pessoas com albinismo em território Angolano. Acreditam que que a educação e (in)formação das pessoas com albinismo, das suas famílias e comunidade a que pertencem, é a melhor e mais sustentável forma de ajudar.

Na mesma linha de intervenção, a Associação de Apoio aos Albinos de Angola (AAAA), representada pela sigla " 4As" integra todas as pessoas que queiram associar-se para o bem da Associação. É uma organização filantrópica, de caráter Nacional e não lucrativa. Pretende trabalhar com o Governo de Angola na divulgação de dados estatísticos de existência de pessoas albinas em Angola, educar a população albina com base nos argumentos científicos, em detrimentos de algumas crenças e tabus, promover campanhas de sensibilização da população nos órgãos de comunicação social, rádios, TVs, jornais, revistas, e outros. Advoga também a formação de médicos especialistas para atender os albinos angolanos.Ainda há um longo caminho a percorrer mas pode-se afirmar que em Angola há condições para que os albinos tenham orgulho da sua condição e levem a sua vida normalmente.

A palavra albinismo vem do termo em latim albus, "branco". É um distúrbio congénito caracterizado pela ausência completa ou parcial de pigmento na pele, cabelos e olhos, devido à ausência ou defeito de uma enzima envolvida na produção de melanina. Muitas formas de albinismo estão associadas à sensibilidade à luz (fotofobia) e ao movimento rápido dos olhos (nistagmo).

A falta de pigmentação da pele faz com que o organismo fique mais suscetível a queimaduras solares e ao cancro da pele. Também aparecem equivalentes do albinismo nos vegetais, em que faltam alguns compostos corantes, como o caroteno e nos animais. Para prevenir problemas de saúde, as pessoas com albinismo devem: evitar a exposição solar direta ou indireta; fazer visitas periódicas ao dermatologista e ao oftalmologista; estudar ou trabalhar em salas onde a incidência de luz não seja prejudicial; usar óculos escuros com prescrição médica para proteção para os raios solares; usar acessórios como chapéus com abas, sombrinhas e blusas de manga comprida; protetor solar (pele e lábios) de elevado índice de proteção, (Fator de Proteção Solar (FPS) superior a 50, contra os raios ultravioletas UVA e UVB.

sábado, 10 de novembro de 2018

TOKI

A incrível jornada de Toki, a Jiboia albina doada à caridade sem querer

NOTA DO EDITOR: por se tratar de um slideshow, melhor visitar o site original pra conhecer a história:

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

ANITTA ALBINA

Anitta troca foto do perfil por imagem de modelo presente em seu clipe
Como de costume nos trabalhos de Anitta, a cantora busca colocar diversidade no que faz, seja nos clipes ou nos palcos. Conhecida por trabalhar com dançarinas negras e gordas, a funkeira agora convidou uma modelo albina para seu novo vídeo.

Dia 1 de novembro, Anitta trocou a foto do seu perfil no Instagram – onde tem mais de 30 milhões de seguidores – pela imagem de Ana Nery. A modelo estará no seu novo projeto, nomeado “Solo”, que será lançado no dia 9 de novembro.

Apesar de já ter bastante experiência, Ana tem apenas 18 anos e é contratada da agência Rock MGT, de São Paulo, que conta na sua cartela com profissionais de diferentes perfis, como modelos com vitiligo e albinismo, segundo informações do portal iBahia.

“Temos um casting diferenciado. A produção da Anitta pediu modelos com perfis diferentes e, ao todo, 15 profissionais da agência foram selecionados para o clipe“, explicou Clóvis Pessoa, diretor da Rock MGT.

Esse não é o primeiro clipe de Nery. Ela já participou de uma gravação da banda Scalene, “Caveira digital”, além de atuações em campanhas publicitárias.

TELONA QUENTE 261

Roberto Rillo Bíscaro

Puristas geralmente são pessoas muito bobas (e perigosas também), porque pureza de gêneros é duro de alcançar, se é que existe. Grosso modo, chamamos os anos 1950 de era dourada da ficção-científica, mas esse subgênero vinha misturado com horror, drama, aventura, comédia.
When Worlds Collide (1951) – que no Brasil chamou-se O Fim do Mundo – traz todos elementos típicos do cine-catástrofe, como preparar terreno pra quem vamos gostar ou não e torcer pra perecer ou não; decisões tomadas com o coração, porque motivadas por crianças ou cãezinhos e até personagem que se sacrifica, neste caso, pelo bem da espécie humana, porque When Worlds Collide (WWC) é do sub-subgênero apocalíptico.
Um cientista sul-africano (?!) descobre que a estrela Bellus está em inevitável rota de colisão com a Terra, mas existe esperança de salvar pelo menos um punhado, através da construção duma nave que levaria uns 40 – além de animais – até Zyra. Esse planeta orbita Bellus, portanto, antes que a estrela incinere nosso mundo haveria chance de aproveitar a passagem de Zyra perto de nossa órbita e ir pra lá colonizá-lo. Só não se explica o que aconteceria com um planeta cujo sol estivesse se deslocando pelo espaço sideral e trombando com outros corpos celestes. Se a passagem de Zyra por aqui causaria destruição maciça, por que não em Zyra?
Ninguém acredita nos cientistas, nem no ONU, que tem delegado do Brasil, falando com sotaque levemente lusitano. Mas, um ricaço prepotente e cadeirante financia a espaçonave. Alguma dúvida sobre seu fim? Assim, começa a construção da arca espacial, que levará 40 sortudos a Zyra, sob as bênçãos divinas. Só não fica claro porque a espécie humana teria que agradecer à divindade o sacrifício de bilhões pra se começar do zero com um bocadinho de “inocentes”.
WWC é a Arca de Noé da era atômica. Mas, enquanto a lenda bíblica coloca o dilúvio como castigo divino, o filme situa o choque dos corpos celestes como algo apenas físico. Então, por que ficar grato ou compreender um Deus que permite isso? Mas, nos anos 1950 questionar seria subversivo, literalmente antiamericano.
Então, a ciência de WWC existe a serviço de Deus. Dê uma olhada na cena da microfilmagem dos livros salvos pra iniciar a nova vida em Zyra. A Bíblia Sagrada é o primeiro da fileira, seguido por obras de matemática, anatomia e um volume relativamente fino de História Geral. Quem não curte discurso religioso, não se assuste, porque WWC não faz proselitismo. Ao contrário do que creem ingênuos ou mal-intencionados, não é necessário vomitar ideologia pra todo canto pra se propagar uma.
Alude-se à construção de naves similares em outros países, mas nada sabemos do resultado. Se depender dos Estados Unidos, porém, a nova civilização em Zyra será inteiramente branca, como nos condomínios suburbanos que pipocavam por todo o país, que proibiam aluguel/compra por negros. Veja se consegue localizar algum afrodescendente, quando o foguete levanta voo ou no desembarque no novo mundo, que, por falta de verba, é nitidamente uma pintura.
Pros padrões sci fi de então, WWC teve até orçamento polpudinho: uns 950 mil dólares. Filmado em Technicolor, com um monte de extras, dá pra ver de boa ainda hoje, especialmente se você cresceu com produções que gastavam 1 hora com a preparação e apenas na meia hora final acontecia efetivamente a catástrofe.
Comparando com primos bem mais pobres, WWC fracassou na bilheteria: faturou apenas 1,6 milhões nos EUA, enquanto O Homem do Planeta X, do mesmo ano e que custou pouco mais de 50 mil, amealhou 1,2 milhões de dólares. Compensava ser B de drive in.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

ALBINO DESNUTRIDO


Jardim Zoológico na Nigéria acusado de crueldade depois de visitante partilhar fotografia de animal

Tunde Sawyerr, depois de ter visitado um jardim zoológico na Nigéria, decidiu partilhar uma fotografia no Twitter onde denunciava o estado de subnutrição de um camelo.

Segundo a CNN, o homem foi ate ao jardim juntamene com a sua filha de três anos, sendo que a criança não conseguiu identificar o animal que estava a ver devido a este estar bastante magro e subnutrido.

O diretor do zoológico, Aminu Muhammed recusou quaisquer acusações e disse ainda que o animal sofre de um problema de pele que está a ser tratado. O diretor acrescentou que o camelo é albino e que não se está a conseguir adaptar a clima.

Contudo, de acordo Justin Williamson, cientista ambiental e investigador na International Animal Rescue Foundation Africa, citado pela CNN, este animal é “um dromedário, um camelo árabe juvenil, e da para ver que está muito doente e subnutrido”.

CONTANDO A VIDA 255

O QUE (DES)APRENDI COM AS ELEIÇÕES.

José Carlos Sebe Bom Meihy

É mais ou menos consagrado que depois de certa idade, considerando-se a vivência do tempo, podemos nos dar por satisfeitos com a certeza de que pouca coisa nos surpreende. Pois é, pensei que tivesse visto tudo da vida, e tendo a História como bússola do entendimento do passado, achava que nada mais se mostraria espetacular ou formidável no mar da sociedade. Ledo engano. Errei feio. Por mais preparado que achava estar, eis que me vejo diante de enigmas para os quais precisarei de pelo menos uma década para entender. 

Quando alguém se vê frente a situações confusas, é recomendável que se estabeleça uma ordem de prioridades, recurso eficiente para que se possa analisar a situação com calma. Em termos de método analítico, o melhor que se faz é dar destaque às complexidades. Sim, é sábio partir do pressuposto de que tudo não se explica simplesmente, numa relação imediata de causa-efeito. Outro comando sugere o estabelecimento de uma hierarquia de perguntas das quais as afeitas ao poder exercem importância. Munido desses supostos me coloquei em questão inquerindo o significado das eleições brasileiras, para Presidente da República, neste ano de 2018. A gravidade do tema, desde que verbalizado, me pareceu uma sentença com cheiro de fatalidade. Fiquei estarrecido não só pelo emaranhado de temas que se perdem na distância da origem, mas também, e principalmente, pelo impacto das propostas enunciadas.

Por ordem, o tema “poder” demandou escala. De que poder falamos? Da altura da democracia, poder-se-ia argumentar sobre razões que levam o povo a se seduzir não por propostas construtivas, mas sim por rejeição aos contrários. Depois de mais de 20 anos de um cruel golpe militar, passadas décadas de vivência no sistema eleitoral livre, não mais que de repente, emergem ameaças de retrocessos extraordinários. O poder que emerge da condição de liberdade constitucional, porém, implica direitos que garantem inclusive o atraso. O voto soberano é mandatário e mandatório. A ele toda gloria da liberdade de escolha, seja ela qual for. É exatamente sob esta premissa que defrontamos com o sutil paradoxo da escolha. Mesmo que seja para o retrocesso, para o atraso no tempo sequencial esperado pela democracia, a liberdade decisória acolhe o reconhecimento da contradição. É claro que isso exige legitimação do direito positivo, e a eleição é a maneira representativa por excelência, mecanismo capaz de garantir o desejo universal da maioria.

A existência de dois turnos de votação é ato complementar garantidor da soberania do voto popular, universal e intransferível. Todos somos iguais perante a lei, e pronto. No caso presente, o resultado de dois turnos eleitorais, se polarizou em dois programas opostos. Não se trata pois e apenas de dois candidatos, mas de duas propostas extremas de poder. De um lado, tem-se uma bandeira vencedora, que defende com autonomia de voo a prerrogativa da força, do mando irrestrito do personalismo presidencial, algo próximo a um autoritarismo anulador de mediações. De outro, a democracia e o direito de minorias que sempre foram vitimadas por discriminações eivadas de seletividades. Em termos populares, dizendo de outra forma, o que se viu um segmento votando mais contra o outro do que propriamente de apoio. Esta, para mim, aliás é a grande novidade. 

Como argumento, a corrupção posou como divisor de águas. Esta mancha horrível do mais crucial dos pecados políticos se colocou como corte simbólico de tudo, mas não se fez sozinho. Emblemando outras marcas, junto ao combate à corrupção vieram sintomas de uma sociedade adoecida pelo desemprego, pela insegurança e pela judicialização inexplicavelmente emergente de um dos três poderes. Mas, isso não é tudo. Há sim um lado novo nesta questão: a perda da inocência. De cultura pacífica, vimo-nos violentos; de país da miscigenação e convívio harmônico de etnias, vimo-nos racistas; de tolerantes, mostramos nossa força de inclemência contra os mais fracos – e para a defesa desse ameaçador inimigo, propaga-se o uso de armas, o elogio à tortura e até o banimento dos contrários. Não para por aí a ciranda de ódio: o machismo patriarcal se viu revelado em discriminação contra a mulher e homossexuais, e, nesse quesito exibe-se a surpresa de pessoas inteligentes e de gays que desculparam as intempéries de um candidato temperamental e despreparado para as funções de comando democrático.

Temo. Temo muito o propalado apagamento da história. A restrição a direitos duramente conquistados na área de educação me assusta e me faz cativo de condições que garantem a correção de erros históricos. Por certo, a dose de veneno promovida pelos governos anteriores serviu de potência para o teor eufórico de vingança triunfantes. Pois bem, sintam-se desagravados todos os que apoiaram o triunfo de uma direita embebecida na indignação contra os desfavorecidos que, afinal, conquistaram algum lugar na brasilidade cidadã. Com a certeza de que perdemos a inocência, resta aguardar o futuro próximo para ver o que a chamada realidade dos fatos nos tem a dizer. Se não for banida, a história dirá... Se não for banida, pois não é conveniente a quantos emergem de uma cultura de mando vertical.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

TELINHA QUENTE 334

Roberto Rillo Bíscaro

Em meados do ano passado, pesquisa revelou que o Partido Democrata sueco tinha alcançado cerca de 24% das intenções de voto numa possível eleição. Conservadora anti-imigração, a agremiação já obtivera bom desempenho no pleito de 2014, o que serviu de inspiração pra minissérie Blå ögon, traduzida para o inglês como Blue Eyes, quando exibida na Inglaterra pelo More 4, subdivisão do Channel 4.
Os 10 capítulos desse thriller político apresentam o mal-estar do Estado do Bem-Estar sueco, com sua escalada de xenofobia, antissemitismo e homofobia à medida que a política multicultural do reino aprova a entrada de mais e mais imigrantes e refugiados. Em 2016, o dinamarquês Kim Bodnia afirmou a um site israelense que um dos motivos pelos quais largou Bron/Broen foi o antissemitismo que enfrentava, quando tinha que gravar na sueca Malmo.
Blå ögon começa com 2 tramas paralelas, que no final se cruzam em desfecho desanimador, que não deixa espaço pra surpresa pelo crescimento dos Democratas, representados pelo ficcional Security Party, que, com sua ideologia nacionalista, atrai gente muito mais extremista, que quer “purificar” a Suécia através de porrada e bomba. E a isso que aludem os Olhos Azuis do título.
Elin Hammar é jovem burocrata que retorna a seu posto de chefe de gabinete do ministro Gunnar Elvestad, mas logo percebe que sua antecessora havia se dado muito mal por alguma tramoia de alto escalão. Durante boa parte do tempo, essa é a trama menos interessante, porque a transformação da desencantada e furiosa jovem Sofia Nilsson em extremista de direita é bem mais movimentada e fascinante.
Agredida pelo ex-marido e se sentindo injustiçada por ralar tanto, Sofia só precisava dum empurrão pra radicalizar. Isso acontece, quando sua mãe – membro menor do Security Party (em sueco, Trygghetspartiet) – e assassinada, no mesmo dia em que profere discurso conservador. A partir de então, Sofia e o irmão Simon envolvem-se com turma da pesada, que começa com o discursinho típico: eliminar os desonestos, aproveitadores e corruptores do sistema, tipo quem lucra com a queda na qualidade no serviço de proteção aos idosos ou pedófilos. Mas, como sempre, os alvos passam a ser qualquer um de que não gostem, inclusive suecos, também de olhos azuis.
Sem proferir palestra, Blå ögon coloca na construção das personagens e em dados da trama, algumas das contradições de membros do grupo. Filhinho de papai que diz odiar o capitalismo; membro de partido supremacista soft que é filho de imigrante e tem pele bem menos alva que seus companheiros loirérrimos.
Preocupada em elaborar porque ideologias eugenistas podem se tornar atraentes numa sociedade que se percebe em decadência devido ao influxo de muita diferença, Blå ögon não se dedica a nem pelo menos tocar de leve nos motivos que levam tantos a quererem se refugiar na afluente Suécia. Será que os países desenvolvidos são apenas “vítimas indefesas” do processo?
A percepção do cidadão comum, incapaz de entender a complexidade dum mundo globalizado, está competentemente representada e a culminação da trama de Elin, que descobre grande trapaça governamental, enevoa ainda mais alguma possibilidade de compreensão.
Blå ögon nem de longe é otimista ou redentora, mas seu clima não é o sombrio do Nordic Noir. É uma história bem contada, com suspense, que mostra uma Suécia ainda limpa e lindíssima, mas confusa pelo medo, com mulher que leva porrada do ex. Tipo, há algo de podre nesse reino de cartão postal. 

A NOIVA ALBINA




Meninas, o dia não poderia terminar hoje sem a gente dividir com vocês tudo sobre o novo Editorial Sublime.

Ele já está em sua 2º edição, que bacana, né? O primeiro editorial Sublime também foi idealizado pela super beauty artist Rebecca Orsida, e foi totalmente inspirado em mulheres negras, crespas e/ou cacheadas. Ficou lindo, vocês com certeza viram, né? Para esta edição ela preparou uma surpresa mais legal ainda!

“Trabalhamos com a beleza albina e foi tudo registrado na Casa da Don’Anna , que, com sua arquitetura do começo do século 20, tem tudo a ver com o clima que a gente queria.O albinismo é uma desordem genética na qual ocorre um defeito na produção da melanina, pigmento que dá cor a pele, cabelo e olhos.” 

Para complementar esta beleza tão singular, a Rebecca Orsida usou acessórios delicados em tons de branco e nude do Atelier Girardi para cada penteado.

“O objetivo é trazer beleza e identidade para a vida da mulher, contribuir para o aumento de sua autoestima, a partir de uma experiência em que ela veja quão única e especial ela é, por meio da arte. É um processo de libertação da sua autoimagem, gerando empoderamento com sutileza, generosidade e olhar gentil.”

A Noiva

As albinas têm características bem marcantes, cor da pele, cabelo e olhos claros. A opções de maquiagem e o penteado foram feitos para a valorizar todos estes traços e realçar ainda mais a sua beleza.

“Para o cabelo trabalhei com ondas naturais que valorizam o brilho e a cor linda e natural do seu cabelo, o toque especial ficou por conta dos acessórios marcantes do Atelier Girardi. Para a maquiagem, optei por não utilizar cílios postiços e nem máscara de cílios, o objetivo foi valorizar o tom claro e natural de seus cílios com leveza e romantismo.”

A harmonização da noiva ficou completa com os vestidos de toque boho e muito românticos, e o buquê orgânico com flores e folhagens secas, realçando ainda mais os tons da noiva.

NOTA DO EDITOR: PARA VER AS FOTOS, ACESSE:

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

ROBEN X, O RAPPER ALBINO


Rapper norte-americano Roben X usa música para superar bullying
Robdarius Brown, nome artístico Roben X, conhece a solidão. Ele nasceu há 18 anos, filho de pais amorosos, em Memphis, Tennessee, nos Estados Unidos. Sua família nunca o tratou de forma diferente. O mundo, no entanto, não foi tão gentil.

Ele nasceu com albinismo oculocutâneo, uma condição genética rara e não contagiosa que, mais comumente, resulta na falta de pigmentação no cabelo, na pele e nos olhos. Brown acaba de se formar no Ensino Médio e encontrou seu espaço — é artista, modelo e ativista sobre albinismo e contra o bullying.

Robdarius Brown, nome artístico Roben X, conhece a solidão. Ele nasceu há 18 anos, filho de pais amorosos, em Memphis, Tennessee, nos Estados Unidos. Sua família nunca o tratou de forma diferente. O mundo, no entanto, não foi tão gentil.

Brown nasceu com albinismo oculocutâneo, uma condição genética rara e não contagiosa que, mais comumente, resulta na falta de pigmentação no cabelo, na pele e nos olhos. Ele conta que o sol machuca seus olhos, dificultando a visão; sua pele é branca porque não possui proteção para o sol e que um dia de praia o queima; ele vive com medo de câncer de pele. Sofreu bullying durante toda a juventude, e se sentiu triste durante maior parte de sua infância.

Há alguns anos, Brown foi entrevistado por uma emissora de TV em sua cidade natal sobre seu amor pela música e sobre os ataques e bullying que sofria por conta de seu albinismo. Ele queria compartilhar sua história com o mundo. Acaba de se formar no Ensino Médio e encontrou seu espaço — é artista, modelo e ativista sobre albinismo e contra bullying.

“O que me fez falar pelos jovens e por pessoas com albinismo foi tentar dar a eles alguém para se mirar caso precisassem de uma direção ou ajuda. Eu queria fazer a diferença, porque sei como é estar sozinho, sentir que você é a única pessoa na sala mesmo quando está cercado por uma multidão”, diz.

A música é parte essencial da vida de Brown. Quando era mais novo, ouvir música era uma forma de aliviar a dor. Ele diz que ter se tornado um rapper o ajudou a ganhar autoconfiança e, por sua vez, fazer amigos. “Eu me conectei com canções que me ajudaram durante minhas dificuldades”.

Brown frequentemente visita escolas para dar palestras motivacionais contra bullying para jovens estudantes. Durante estes encontros, também tenta informar pessoas sobre o albinismo.

“Enquanto eu estava falando em uma das escolas, uma jovem me perguntou se eu me identificava como branco ou negro. Disse simplesmente: ‘chocolate branco’, porque sinto que isto não deveria importar. Me identifico como afro-americano, mas todos somos parte da mesma raça, a raça humana”, diz com um toque de humor.

Brown diz compartilhar muitos dos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completa 70 anos neste ano. “Como o Artigo 19, que fala sobre todos terem liberdade para se expressar. Eu concordo firmemente com isso, embora tenha havido vezes neste país em que isso foi jogado pela janela, mas não muda o fato de que concordo”.

Em 2015, Brown já havia mostrado seu comprometimento com os valores da Declaração Universal ao se tornar um defensor do albinismo para a ONU. Ele foi parte de uma campanha de conscientização sobre direitos de pessoas com albinismo pelo mundo.

Para Brown, a mudança começa consigo mesmo. “Para mudar sua comunidade e para mudar seus colegas, você precisa ter aquela energia que irá mostrar para as pessoas que: ‘ok, esta pessoa está tentando sair da lama, está tentando ir além’”, diz. “Eventualmente, pessoas irão se juntar à sua causa porque veem que você é apaixonado. Você pode criar esta imagem para elas”

CAIXA DE MÚSICA 338


Roberto Rillo Bíscaro

Desde os Segundos Verões do Amor (o de 1988 e 9 são assim denominados por não poucos), a cena britânica da música eletrônica tem sido mais criativa que a do rock. Enquanto nos 90’s, o Oasis recopiava maneirismos dos Beatles, moçadinha tipo Underworld fazia electronica com inteligência. Não iniciados chama(va)m tudo de techno, mas artistas como Chemcial Brothers, Aphex Twin e The Prodigy sempre foram bem além da mera repetição bate-estaca pra ficar maluco em rave ou malhar na academia.
Fã da repetição de barulhinhos, do Kraftwerk, percebi que Orbital era coisa fina, quando ouvi o “Álbum Marrom” (1993), na década passada. Claro que a dupla prioriza elementos rítmicos e percussivos, mas não descuida de melodia, harmonia e forma musical. Ainda ouço Orbital 2 regularmente e me entusiasmo com o que conseguiram.
Orbital surgiu em 1989, formado pelos irmãos Paul e Phil Hartnoll. Até o nome é associado à subcultura das raves, nascida com a acid house. O nome oficial da rodovia M25 é Grande Via Orbital de Londres, e era ao longo dela que ocorriam as diversas festas (legais e ilegais) frequentadas pelos irmãos Hartnoll no final dos anos 80.
Paul e Phil produziram gente como Bjork; viraram queridinhos da crítica; popularizaram a música eletrônica através da inserção de suas canções em trilhas de filmes, comerciais e games.
A partir de 2004, sua história ficou chata de narrar, porque é um tal de acaba e retorna, que enche os pacová. Suficiente dizer, que dia 14 de setembro, os mano Hartnoll lançaram seu nono álbum de estúdio, o primeiro em meia dúzia de anos. A edição convencional tem 9 faixas, mas no Spotify só tem a deluxe, com 17. Ainda que 84 minutos de electronica instrumental possam ser overdose pra neófitos, pra fãs, Monsters Exist matam a fome.
Desistindo do formato das longas canções abrangendo antigos lados inteiros de LPs, o Orbital não passa agora dos 8 minutos. Bom sinal pra desacostumados, porque mais acessível. A qualidade não caiu muito; claro que o período imperial ficou pra trás há tempos, mas o Orbital fez um trabalho bastante rigoroso.
Os monstros existentes no título do álbum e da faixa-título podem ser nossas criações ou mitos trumposos externos; irmãos Hartnoll não fugiram de alusões políticas.
Tudo começa com a excelente faixa-título. Gotas de teclado, sucedidas por baixo lúgubre e percussão eletrônica seca e marcialmente austera. Momento de certa calma e fluxo continuo de várias melodias nos teclados. Ainda não é o melhor Orbital, mas já inquieta pelo método e rigor.
Hoo Hoo Ha Ha é Orbital no seu mais típico; timbres puláveis, espertos, que brotam e somem e reaparecem ao longo dos concisos 4 minutos, cuja cereja do bolo é uma cômica linha de cornetinha. Aciiiiiiiiiiiiid!
Esse aparecer e reaparecer de estruturas é frequentemente despercebido por detratores da música eletrônica, que a acusam de repetitiva. Há mesmo aquelas que só batem estaca e enchem, mas profissionais como Orbital, netos do Krafftwerk, recheiam seu som de mudanças estruturais, que o ouvinte precisa prestar atenção. Exemplo é a parcialmente saltitável P.H.U.K, que tem baixo rebolante e barulhinhos à Pocket Calculator. Os já na meia-idade netos ingleses aprenderam muito bem com o vô germano a fazer soar igual, apresentando alterações sutis, que tornam esses 7:25 minutos quase frustrantes, porque a faixa merecia mais uns dez. Orbital em forma, yeaaaah!
A belezoca Tiny Foldable Cities tem cherim de Daft Punk, mas identidade Orbital. Ideal pra perceber a complexidade desse som: note como por trás de vários timbres cristalinos e agudos, espreita tecladão surdo, grave, ameaçador. Música não precisa ter letra pra contar história.
The End Is Nigh é a coisa mais modernete de Monsters Exist. Óbvio que Phil e Paul não podem/querem mudança radical, afinal, já bateram a casa dos 50. Mas os teclados nessa faixa são totalmente encaixados nos padrões cool da moçada nova que faz techno meio pantanoso. Orbital sem perder sua vibe, mas se adaptando.
Com um título desses, o álbum não podia evitar momentos densos/tensos. The Raid nem parece do duo, com aquele vozeirão à Darth Vader falando coisas deprês; gritos estilizados, discursos inflamados, tudo embalado por moroso instrumental ameaçador, tipo gothic electronica, encharcado por torrentes geladas de teclado sombrio.
Pra provar que são cientificamente sérios e fechar com chave d’ouro, os Hartnolls convidaram o físico britânico Brian Cox (xará do meu amado ator, sim), que fala durante minutos a fio sobre o fim do universo, de como a vida é fugaz, sobre instrumental que lembra fantasmagoria ambient, às vezes.
Nesses momentos mais lúgubres e “sérios”, Orbital resvala um pouquinho pro comum: qualquer um faria tais faixas. Mas, é a minoria num álbum muito bom.
As 8 faixas-bônus trazem pelo menos uma pérola, Kaiju. Carnaval techno, acessivelmente pop, com mocinha gemendo e vocalizando por trás do bate-cabelo. Tudo.
Não há nada de realmente brilhante, mas quem curte barulhinhos eletrônicos vai se regozijar com a dançabilidade superbem editada de To Dream Again e números mais lentos, mas igualmente criativos com relação ao uso de efeitos e synths, como Anallogue Test Oct 16 e Fun With The system, cujos próprios títulos sugerem que os irmãos testavam possibilidades, sonidos e timbres, por isso o caráter bônus das canções.
Embora bela, supérfluo apenas o minuto e pouco de A Long Way From Home, cuja acusticidade de violão combina mais com Steve Hackett do que com o Orbital.
Com relação ao álbum oficial há duas referências: a versão sem falação, de There Will Come a Time, que, infelizmente não é toda composta pela fantasmagoria melancólica dos momentos iniciais e Tiny Foldable Cities (Kareful Remix), que altera para mais convencional a canção. Não acrescenta nada.
Orbital não mais tem poder pra estabelecer tendência, mas Monsters Exist é acima de decente. Pra iniciantes em electronica, ótima pedida: comece pela maior acessibilidade das faixas menores desse álbum e depois procure as longas gemas preciosas dos anos 90 e início dos 00.

domingo, 4 de novembro de 2018

GAME ALBINO

Lenin – The Lion retrata a depressão de um leão albino em emocionante game nacional


A depressão se tornou a principal causa de problemas de saúde e incapacidade ao redor do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram com o transtorno. Ainda há muito o que se compreender, aprender e discutir sobre a depressão, e é esta a proposta de Lenin – The Lion: game desenvolvido por uma equipe brasileira independente liderada por João Bueno.

“Lenin – The Lion conta a história do Lenin, um leão albino que, por conta dessa característica física, não é tão bem aceito socialmente – nem por parte da família e nem por parte dos colegas de escola. De tanto sofrer bullying, acaba desenvolvendo um quadro de depressão“, contextualiza o membro da equipe Rodolfo Davoglio em uma conversa com o A Casa do Cogumelodurante a BGS 2018.

Para conscientizar sobre a depressão, o game propõe jogadores a tomar suas próprias decisões quanto ao quadro de Lenin, podendo ocasionar desfechos narrativos diferentes a partir das escolhas feitas. “Com o passar do jogo, você poderá escolher tratar ou não desses sintomas. Cada uma dessas decisões irá alterar o meio e o final do jogo“, afirma Davoglio.

Também é nas questões de jogabilidade que Lenin – The Lion se mostra um ponto fora da curva. Mesmo se tratando de um RPG, o jogo não apresenta batalhas e prefere focar em puzzles e escolhas dos jogadores para concluir a jornada do leão albino. Há ainda muito espaço para “referências à depressão, seus efeitos e tratamentos, itens para superar situações desconfortáveis e conversas para encontrar novas formas de agir“.

Inspirado por clássicos como Earthbound, João cumpre as principais camadas do game design de Lenin – The Lion sozinho, incluindo programação, roteiro, ilustração, pixel art e animação. O desenvolvedor iniciou um projeto de financiamento coletivo em setembro de 2017 e atingiu a meta proposta em apenas dois meses, totalizando R$ 13.485 para finalizar o game.

Por tratar de um assunto delicado, João e sua equipe foram atrás de psicólogos para buscar recursos que não comprometam o estado psicológico e emocional dos jogadores, focando somente na conscientização e na elevação de espírito dos mesmos. “Não que exista uma diretriz real da OMS, mas eles sugeriram evitar determinadas coisas, como citar o suicídio. A gente quer que o jogador tenha uma boa sensação, ao invés de sofrer com um gatilho pesado“, explicou.

Davoglio também salienta que não se trata de um game medicinal, mas sim uma obra lúdica que oferece conscientização sobre o transtorno. “Serve para criar empatia para aqueles que não sofrem de depressão. Se você não tem depressão, que o jogo te traga um pouco de empatia. Se você tem, que ele te deixe um pouco mais aliviado ao saber que pessoas estão falando do tópico, que ainda é um tabu.”

Visualmente belo, o game também consegue resgatar nostalgia em jogadores mais familiarizados com RPG’s que fizeram sucesso nos anos 90, como Chrono Trigger e The Legend of Zelda – além do mencionado Earthbound. A falta de batalhas dão espaço para escolhas morais e éticas, sempre priorizando ou não o estado emocional do protagonista.

A trilha sonora composta por Alan e Jon Shárper é outro fator que eleva a experiência proposta por Lenin – The Lion. Ao invés de focar em tons melancólicos, a dupla prefere guiar jogadores com notas suaves, mas não menos enérgicas – fator que também evita gatilhos emocionais negativos.

Com inúmeras referências à depressão, conscientização, quebra-cabeças e escolhas que determinam futuros eventos na vida de Lenin, o mundo antropomórfico do game consegue engolir jogadores em uma experiência emocionante e pessoal, seja para quem sofre ou sofreu de depressão, assim como para os que desejam uma obra lúdica com poderes de conscientização sobre o transtorno.

Uma demo do game está disponível no Game Jolt, e você também pode ajudar o projeto a ganhar conteúdos adicionais sendo um apoiador no Patreon.

Vencedor do Big Festival 2018 na categoria “Questões Sociais” e considerado o melhor game independente da BGS 2018 pelo GameSpot Brasil, Lenin – The Lion tem lançamento previsto na plataforma Steam durante o primeiro semestre de 2019. Versões para o Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox Onetambém são cogitadas pela equipe.
http://www.acasadocogumelo.com/2018/10/bgs-2018-lenin-the-lion-retrata-a-depressao-de-um-leao-albino-em-emocionante-game-nacional.html

sábado, 3 de novembro de 2018

MISS ANGOLA ALBINA

Andreia foi eleita Miss Angola Supranacional. "Algumas crianças chamavam-me fantasma"


Andreia Muhito, de 22 anos, foi eleita Miss Angola Supranacional e quer aproveitar para fazer uma campanha contra a discriminação dos albinos no país.

Na escola, algumas crianças chamavam-lhe "fantasma", por ter a pele tão clara. Agora, Andreia Muhito, de 22 anos, acabou de ser eleita Miss Angola Supranacional. Estudante no quarto ano do curso de Gestão e Turismo, a representante da província de Cuango-Cubango foi a eleita entre as oito concorrentes e vai disputar a final que se realiza a 7 de dezembro na Polónia.

Para já, Andreia Muhito ganhou cursos de língua inglesa e francesa, um tratamento dentário e um telemóvel. Mas também ganhou visibilidade e diz que vai aproveitá-la para trabalhar numa campanha contra a discriminação dos albinos. "Já passei por situações de constrangimento, por conta do meu tom de pele. Recordo-me que, quando mais pequena, aos nove anos, e frequentava o ensino primário, tive uma professora que me dizia que eu não podia frequentar uma escola normal. Chegava ao ponto de me pressionar, alegando que eu não estava em condições de frequentar o ensino normal", contou em entrevista ao Jornal de Angola. "Felizmente, tive a sorte de não ter muitas dificuldades na infância, tendo em conta que não cresci em Angola. Ainda assim, enfrentei "bullying" na escola onde algumas crianças chamavam-me fantasma."

Além destes episódios, diz, nunca teve constrangimentos que a afetassem de forma a derrubá-la: "Consigo enfrentar qualquer coisa, principalmente, em pleno século XXI, onde não deveria existir discriminação contra ninguém, quer seja pela cor da pele, quer pelo género ou orientação sexual. Acredito que Angola está pronta para dar este grande passo".

Andreia Muhito, que já no ano passado tinha ganho o título de 2ª dama de honor no concurso Miss Cuando-Cubango, cresceu fora de Angola mas conhece os problemas que os albinos enfrentam no país: "Sei, por exemplo, que uma das dificuldades dos albinos prende-se com a falta do protetor solar, uma necessidade básica para quem tem a pele muito sensível. Infelizmente, este protetor é extremamente caro no mercado angolano. Além disso, normalmente, precisamos de ajuda para adquirir os cremes. Outra realidade dura que enfrentamos é a discriminação de amigos, colegas de escola e de trabalho e até mesmo dos empregadores. Há pessoas que não percebem muito bem essa questão do albinismo e os mitos tomam conta destas pessoas. Elas acreditam que, se empregarem alguém com albinismo, podem ter má sorte e uns creem que um encontro entre albino e gémeos resultaria em conflito. São mitos que estão à nossa volta e não permitem uma convivência normal na nossa sociedade."

Em países africanos como a Tanzânia, o Malawi e Moçambique, partes do corpo da pessoa com albinismo são usadas em rituais difundidos pela crença popular para atrair sorte. A situação chegou a merecer, em 2016, uma menção do então secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon que apelou ao fim da discriminação contra os albinos em África. Mas em Angola, de acordo com a Associação de Apoio de Albinos do país, não há queixas desta natureza. No entanto, os albinos angolanos ainda são alvo de discriminação e enfrentam dificuldades de integração na sociedade: têm mais dificuldades em conseguir emprego e, às vezes, não são atendidos nos hospitais.

Ao Jornal de Angola, a modelo diz que gostava "de ver mais pessoas com albinismo destacadas na sociedade". E acredita: "Devemos aprender a contribuir para a elevação da autoestima das pessoas, para que se sintam amadas e inseridas na sociedade, dando-lhes a oportunidade de mostrar o seu real potencial."

Ela vai continuar a lutar pelos seus sonhos: "O meu maior sonho é ser uma modelo internacionalmente reconhecida, fazer publicidades e desfilar para grandes nomes do mundo da moda. Também gostava de ser uma atriz. Considero-me uma pessoa amante das artes e palcos. Enquanto estive no ensino médio, sempre participei das peças teatrais. Gostava imenso de estar no palco e influenciar pessoas contando histórias.

O concurso organizado pela empresa World Beauty Association (WBA), conta com a participação de mais de 80 candidatas de vários países, que competem todos os anos pela coroa do Miss Supranational, considerado um maiores concursos internacionais de beleza feminina, depois do Miss Universo e do Miss Mundo. A coreana Jenny Kim, eleita a 1 de dezembro de 2017, é a atual detentora do título.