terça-feira, 20 de outubro de 2020

TELINHA QUENTE 421




Contextualizando a emocionante trajetória pessoal e artística de Elis Regina, a minissérie traz cenas originais do filme "Elis", material documental e novas cenas de ficção.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 428

 

Roberto Rillo Bíscaro

A dupla Young Gun Silverfox faz pop, que parece saído de 1980.



quinta-feira, 15 de outubro de 2020

TELONA QUENTE 333

 



Roberto Rillo Bíscaro

Em 1990, um solteirão solitário, chamado David, procura uma forma de escapar da labuta diária de cuidar de sua mãe idosa. Enquanto procurava uma parceira por meio de um serviço de namoro por vídeo, ele descobre uma fita VHS estranha chamada Rent-A-Pal. Apresentada pelo carismático Andy, a fita oferece a ele a tão necessária companhia. Mas a amizade de Andy tem um custo, e David luta desesperadamente para pagar o preço da admissão.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

CONTANDO A VIDA 316

 A LÓGICA DAS FRASES SOLTAS.

José Carlos Sebe Bom Meihy


Sou leitor de jornais! Sim, entre os rituais de iniciação do dia – café, redes sociais, e-mails – o mais prezado se reduz a abrir a porta e colocar o jornal pra dentro de casa. Inevitavelmente me vem à cabeça – dia sim e outro também – o texto “O homem nu”, do cronista mineiro Fernando Sabino. O temor de ficar fora, com ou sem a pouca roupa, me apavora. Mas isso passa logo. A cerimônia das viradas de páginas exige devoção e os preparativos prévios são apenas os essenciais relativos à higiene: bexiga vazia, dentes escovados, banho, tudo nesta ordem. Café preparado, a mesma velha xicara acompanha em goles medidos o tempo da leitura silenciosa e sempre sem pressa. Tudo pode esperar. Tudo.... E, na cadeira preferida – ah minha cadeira de leitura, mal sabe do prazer que seu colo me provoca. Orgasmos múltiplos.

Tal é o requinte que devoto à essa prática que as notícias, por piores que sejam – e têm sido – correm como rio sobre um leito paciente e que desemboca no mar agitado dos afazeres seguintes. Com tanto aperfeiçoamento, desenvolvi um jeito próprio de ler jornal. A linha editorial apenas funciona como pano de fundo, uma espécie de cenário, e dela destaco a seleção dada por partes. Primeiro as notícias gerais, depois as internacionais, econômicas, culturais, esportivas. Isso provoca a seleção de cadernos, condição depurada de anos. Sabe, leio anúncios fúnebres, ofertas de supermercados, previsão do tempo, a opinião dos leitores e a flutuação do dólar. Só dispenso – não sem remorso – as fatigantes propagandas de automóveis... Credo!

Pois bem, aos domingos alargo ainda mais o tempo em coerência com o tamanho ampliado do jornal. Parece que os braços do relógio também se movimentam mais preguiçosos e o silêncio de minha insistente viuvez fica ainda mais soturno. Devo confirmar que sou daqueles leitores que tem sempre uma tesoura às mãos. Recorto artigos, notícias e até propagandas. Nunca as aproveito, e depois até me irrito com o amontoado dessa prática insana. Foi assim que juntei sobre minha mesa de trabalho alguns destaques que me chamaram a atenção e que revisei antes de exterminá-los. O primeiro foi um anúncio (será que a ainda usam esta palavra? Sei lá, sou do tempo do “reclame” ou “proclamas”, credo!), eis o “convite”:

“É COM GRANDE PESAR QUE (NOMES) CONVIDAM PARA A MISSA NA PARÓQUIA (NOME) ÀS 12H DE SEXTA-FEIRA (DATA). CONFIRME SUA PRESENÇA NO CEL (NÚMERO) OU ASSISTA A TRANSMISSÃO ON LIVE PELO CANAL DO YOUTUBE DA PARÓQUIA (ENDEREÇO ELETRÔNICO)”.

Precisei reler! Repeti a operação. Respirei fundo. Senti-me arcaico. Notei que as pessoas continuam morrendo e que ainda são celebradas missas, mas o script mudou demais. Missa ao meio dia? Nossa, pensei. Mas, de verdade meu queixo caiu (lembram-se desta expressão “queixo caído”) quando aprendi que o RSVP poderia ser dado por celular e que a cerimônia seria transmitida por canal do YouTube. Por certo seria por conta da pandemia, supus. Uma curiosidade impertinente, porém, me assolou. Resolvi acessar o endereço eletrônico da Paróquia e por telefone ousei pedir explicações. Tive que me segurar ao saber que essa prática “está em vigor” (sim eles usaram esta expressão “em vigor”) há mais de dois anos. Mediante meu silêncio, como que evocando uma ressureição, ouvi da voz do outro lado da linha a cruel sentença “meu senhor, Deus é onipresente, onipotente e onisciente”. “Bati o fone no gancho” (ou melhor, “desliguei”). Desliguei e conclui que daqui a alguns anos não mais terei o prazer de ler jornal. Pior: creio que serei lido por ele, graças à evolução.

 

Juro que essa experiência me abalou. Tanto fiquei chocado que me vi ressuscitado por outra chamada, do mesmo jornal, no mesmo dia:

“VOCÊ PODE NÃO SE APAIXONAR NA AMAZON, MAS PODE NUMA LIVRARIA”.

Aqui, o argumento é reverso: a mediação eletrônica atrapalharia a circunstância do encontro. O apelo passional direto merece destaque pela intransferência, e, pelo contrário, apelaria para necessidade intransferível de contatos presenciais. No caso da missa, era Deus o agente unificador, abstrato, poderoso, anulador de entraves. Já na livraria o livro justificaria junções. Dando asas a voos desvairados, pensei no paradoxal posto entender que Deus é o Verbo Divino encardo e, assim, no caso da igreja poderia promover uniões virtuais, mas no caso das palavras escritas, dos livros, tudo teria que ser cara a cara, ou seja, parodiando o verbo seria humano. E as horas correram. Eu, entre uma coisa e outra, voltava a pensar nas ambiguidades da eletrônica. Se cheguei a um termo? Creio que sim: continuo sem entender os caminhos da humanidade e da mediação eletrônica. É bom que siga assim, até que eu morra apaixonado pelo livro da vida. Depois, depois Deus explicará os contatos virtuais. Ah! Se alguém se comover com minha morte, se não puder me velar presencialmente, pode fazer pelo canal virtual...

terça-feira, 13 de outubro de 2020

TELINHA QUENTE 420

 

Três crianças descobrem que o orfanato onde vivem não é nada do que pensavam. Agora, têm que liderar o grupo todo num arriscado plano de fuga.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 427

 


Roberto Rillo Bíscaro

Compositora de alguns dos sucessos de Ariana Grande, Victora Monét lança material próprio, sofisticado, empoderado e moderno, mas sem esquecer a rica tradição do R'n'B.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

TELONA QUENTE 332



Em O Fascínio (Netflix), durante uma viagem ao sul da Itália para conhecer a mãe do noivo, uma mulher luta contra forças misteriosas que ameaçam sua filha.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

DESCASO EM UÍGE

Albinos queixam-se de abandono e discriminação


A Associação dos Albinos do Uíge, em Angola, queixa-se da falta de apoio e atenção das autoridades locais em função das dificuldades do dia-a-dia.


“Precisamos do apoio do Governo porque os produtos para o tratamento da pele deles está a ser difícil de adquirir pelo fato dos preços serem mais altos nas farmácias”, disse o pai de um albino que pediu o anonimato, enquanto outro se queixou da falta de “condições para pagar”.

O presidente da associação David Paulo Bunga lembra que os albinos têm sido vítimas de exclusão e de estigmatização em vários setores, como no acesso ao emprego na função pública, aquisição de habitação e a participação em organizações juvenis.

“O albino não e visto como pessoa, não tem acesso ao emprego na função pública, não tem direito uma casa nos grandes projetos habitacionais do Governo, quando há reunião somos colocados de lado”, Bunga.

Diante dessas dificuldades, ele disse ser obrigado a pedir uma audiência ao ao governador Sérgio Luther Rescova para em conjunto analisarem o problema dos albinos na província.

A associação tem registados 123 albinos na província.

CONTANDO A VIDA 315

“ACONTECÊNCIAS”: RUTH GUIMARÃES E AS INGRATIDÕES VALEPARAIBANAS.

José Carlos Sebe Bom Meihy

A palavra acontecência é criação de Ruth Botelho Guimarães... De quem? Ruth Guimarães, mas quem é ela afinal? De onde vem, o que fez, por que destacá-la? Sei que estas questões são frágeis para alguns, exatamente para prezadores de romances, contos, textos drenados das listas de sucessos. Ruth Guimarães é dessas figuras apagadas dos arranjos talhados por quantos esculpem seus deuses segundo a própria imagem e semelhança. Mas, haveria razão subjetiva para isso? E não escapam explicitações capazes de nutrir esquemas preconceituosos, desqualificadores de tipos desiguais como, aliás, demonstra Eduardo de Assis Duarte. Ruth era mulher, negra, do interior do estado de São Paulo – de Cachoeira Paulista – e nunca pretendeu trocar seu rincão por qualquer capital, mesmo tendo cursado Filosofia na USP. Em 1983, na Bienal Nestlé de Literatura, apresentou-se dizendo sou “mulher, negra, pobre e caipira”, e a isso poder-se-ia acrescentar “disjuntada”. Por paradoxal que pareça, Ruth se considerava tributária de Mário de Andrade, e mesmo tendo sido saudada por críticos como Nelson Werneck Sodré, Érico Veríssimo, Edgard Cavalheiro, tais loas nunca a apensaram além de escassas citações marginais.

Seu livro de estreia Água funda, publicado em 1946, foi prefaciado por Antônio Cândido, aliás, isto não deixa de ser irônico posto argumento vazado de alguém que pontificava um olhar menor à consideração dos regionalistas. De toda forma, da mina de Ruth despontaram ainda outros escritos de fôlego como Os Filhos do medo, de 1950, pesquisa original sobre a figura do diabo; Crônicas valeparaibanas, de1992, considerações sobre o folclore regional, e a ficção Contos de cidadezinha de 1996, a respeito dos modos de vida no interior. Pode-se dizer que esse conjunto de trabalhos representa, juntamente com Lobato e outro valeparaibano – igualmente esquecido – Valdomiro Silveira, a essência genuína do gênero regionalista do Vale. Sugere-se, contudo, e não sem sentido, que a própria Ruth foi a escritora que, de maneira mais exuberante, furou a bolha do exclusivismo localista. Fundamenta-se tal indicando que além de trabalhos respeitáveis sobre aspectos universais, Ruth foi tradutora audaciosa de clássicos como Balzac, Dostoievski e Daudet. Não bastasse, escreveu peças memoráveis e de abrangência, como: As Mães na Lenda e na História; Líderes Religiosos; Lendas e Fábulas do Brasil; e com justo destaque, o audacioso Dicionário de Mitologia Grega; isso além de Grandes Enigmas da História; Medicina Mágica: as simpatias; Lendas e Fábulas do Brasil...

É verdade que a profícua produção lhe rendeu Cadeira na Academia Paulista de Letras, mas, isso é raso em vista de merecimentos. A garantia de perplexidade induz perguntar: mas afinal quais os entraves para o reconhecimento ampliado desta autora? Mesmo entre as mulheres (Raquel de Queiroz, Cecília Meireles, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector) a figuração de Ruth é diminuta; seria por ser negra? Em termos de combate ao racismo, com certeza cabe outra observação fatal, pois nos limites da justiça, tem tocado atenção a Machado de Assis como afrodescendente, e então, por que motivos Ruth não figuraria nesta almejada redenção? Será por ser mulher e, sobretudo, mulher negra do interior? Aposta-se que sim, supondo o formidável esforço para requalificar, em paralelo, Carolina Maria de Jesus. Moradora da capital paulista, a dúvida sobre os destaques entre ambas corre por conta de dois aspectos complementares: 1- o alinhamento estilístico e temático e 2- a leitura política do gênero “diário”. Ruth foi dona de vernáculo escorreito e coerente com os assuntos em voga na intelectualidade convencional. Isso, por certo a constelou em vez de distingui-la, como ocorreu com Carolina. E diário de favelada era algo testemunhal, urbano e explicável na era da “cidade que mais cresce no mundo”. Supõe-se então o paralelo contextualizado, pois mais que enquadramento no rótulo “mulher”, ou “negra”, Ruth insistia em ser “caipira”, aliás, orgulhosa de seu espaço original. Isolou-se e foi isolada, tudo segundo conveniências. Sintetizando de outra forma, Ruth se inscreveu no “popular” sem representá-lo, no sentido da diferença de classe, estilo, modo de pesquisa, filiação literária.

Há, contudo, um fator a mais a ser considerado: a não requalificação de Ruth Guimarães pelos quadros regionais. O que tem feito o Vale para a projeção de sua maior estrela feminina no campo das letras? Nada, absolutamente nada. E neste diapasão recupero certo tique do meu Vale: a ingratidão vestida de silêncio. Sim, o Vale do Paraíba não se olha no espelho do reconhecimento local. Tomando Taubaté como outro exemplo, perguntemos: onde estão homenagens às figuras maiúsculas da expressão local: o que tem sido feito em relação a Mazzaropi, a Hebe Camargo, ao Tony e Cely Campelo? Outra vez me valho do “nada” e ressalto no lamento choroso o brado ignorante e injusto a figuras detratadas como Monteiro Lobato. Tudo isto é triste, mas fica ainda mais lúgubre quando notamos que é crônico, institucional, algo encalacrado na memória valeparaibana. É assim, aliás, que volto a Ruth para repensar a “acontecência”. Acontecência sinônima da falta de respeito. É tempo para acordar?  

 

 

 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

RECUPERANDO A AUTOESTIMA ALBINA

Ofensa, traumas e invisibilidade: como albinas estão recuperando autoestima

Bianca Paulino, que cresceu em uma cidade pequena e só foi à escola aos 11 anosImagem: 


Lika Almeida

Colaboração para Universa

Beleza rara, que se destaca e é vista ao longe, e que, depois de muito tempo, aprendeu ver o pôr do sol como seu melhor amigo. É assim que hoje Josiane dos Santos, 38, se define, após passar mais da metade da vida enfrentando sozinha a dor do preconceito por ser albina.

Ela acorda todos os dias tentando cicatrizar as marcas físicas e psicológicas que a doença que provoca mutações genéticas lhe causou. Nascida em Vitória, ela conta que, na infância, passou por situações difíceis. "Ainda me lembro das vezes em que, na escola, fui chamada de diabo loiro, cobra-cega, entre outras ofensas. Aos 7 anos, além da deficiência visual, minha pele feria muito em decorrência da sensibilidade constante, então eu ia para a aula com algumas manchas de sangue na roupa e ninguém entendia, achava que era descuido", conta.

O albinismo é uma desordem genética, que causa uma produção diminuída ou ausente da melanina - o pigmento que dá cor à pele, formação e funcionamento dos olhos e proteção da cóclea, uma região do ouvido responsável pela audição, e tem a função de proteção ao dano causado pelo ruído.

"Fui muito isolada e enfrentei problemas dentro e fora da escola. Fui impedida de fazer muitas coisas, principalmente ir à praia, não sabia que existia um horário em que não me machucaria", diz Josiane.



Josiane fundou um grupo de apoio a albinos para troca de experiências e ajuda mútua 
Imagem: Arquivo Pessoal

Para que as novas gerações não passem pelo que passou, Josiane criou um coletivo chamado Albinos ES, que conta hoje com 25 membros. A ideia é que homens e mulheres se apoiem, troquem experiências e recebam atendimento gratuito de médicos e psicólogos parceiros.

"Eu encontro muitas mulheres com albinismo cuja autoestima está no chão. Muitas não gostam de se arrumar, cuidar da aparência, pois acreditam que podem chamar ainda mais atenção. O albinismo afeta a gente de uma maneira que nos diminui. Uma de nossas companheiras está em depressão e passa por acompanhamento psicológico e conversas em grupo. Sempre damos dicas, desde maquiagem até como resgatar dentro de si a autoestima", conta.

Enclausuramento

Foi também com muita luta que Bianca Cristina Paulino, 27, conseguiu recuperar o amor-próprio ainda na adolescência. Ela mora em Potim, no Vale do Paraíba (SP), e acredita que crescer com albinismo em uma cidade de 25 mil habitantes foi um processo enclausurado.

"Quem me vê agora sendo feliz e engajada, não imagina a minha infância. Fui criada sozinha, com minha mãe e avó, que, desde meu nascimento, sabiam da minha condição e, por medo da reação das pessoas, me superprotegeram. Não brincava na rua, quase não tinha amigos e era muito tímida", conta.

Por causa do desconhecimento da família em como lidar com a doença, Bianca só ingressou na vida escolar aos 11 anos. "Foi, então que meu castelo se quebrou. Ouvia apelidos que me faziam chorar. Fiquei anos sem entrar em qualquer supermercado, por exemplo, depois de sofrer bullying aos 15 anos. É doloroso e impactante", lamenta.

Bianca não aceitava a aparência e tentou algumas técnicas para se sentir melhor. "O grande problema era o cabelo, achava ele horrível, passei 12 anos usando química para alisar. É muito difícil lutar contra algo que é o padrão que a sociedade impõe. Em 2010 não tínhamos essa liberdade de hoje e eu queria sempre me adaptar ao outro, à onda", explica.

"Não temos identificação entre as blogueiras, por exemplo. Nós albinos, de certa forma, somos invisíveis. Se eu tivesse uma referência na adolescência, talvez minha vida tivesse sido outra. O que me ajudou foi a terapia que fiz pelo SUS, onde me libertei", lamenta a educadora social que hoje procura ajudar outras meninas por meio de conversas em suas redes sociais.
Empresas precisam de olhar inclusivo

Aos 16, enquanto construía um lugar seguro psicologicamente para sua autoestima, Josiane teve um relacionamento no qual o namorado não a assumia publicamente. "Quando tivemos uma filha, todos ficaram sabendo e minha casa na comunidade se encheu de gente, parecia que tínhamos uma artista entre nós. Todos só queriam ver a cor dela, que no fim das contas nasceu morena como o pai. Foi a curiosidade do bairro todo", comenta com um sorriso de quem hoje leva o assunto com mais leveza.

Mais tarde, no mercado de trabalho, obteve bons resultados até ser promovida. Mas, em seis anos de empresa, tentava todos os dias provar que não tinha nenhum tipo de problema para desempenhar suas funções, apesar de enxergar menos de 10% e ter consultas periódicas com dermatologista.

"Por me esconder, desenvolvi crises de ansiedade sem ninguém perceber", lamenta. Josiane foi demitida após uma cirurgia para correção de estrabismo, pois, segundo ela, a empresa acreditava que a limitação da visão pudesse comprometer o trabalho. "Essas coisas mexem com a gente, porém hoje entendo que as pessoas também não eram educadas para lidarem com isso. Precisamos mudar este pensamento na sociedade", explica.
Estima-se que 10 mil pessoas sejam albinas no país

De acordo com Carolina Marçon, dermatologista coordenadora do Programa Pró-Albino da Santa Casa de São Paulo, além do preconceito sofrido pela falta de conhecimento sobre essa condição, o próprio albino às vezes desconhece como lidar com ela.

"Nasce albina a pessoa que tem um gene vindo do pai e um da mãe e só se manifesta quando os dois estão juntos. Com a falta de melanina e em decorrência da baixa proteção aos danos causados pelos raios solares, os albinos têm sérios problemas na pele e alta suscetibilidade ao câncer precoce, que pode começar ainda bem jovem, com 20 ou 30 anos e é a maior causa de morte e comorbidades nesta população", diz Carolina. "Por isso é tão importante a conscientização, para que tenham cuidados e acompanhamento periódico e esse câncer seja removido, principalmente em crianças."
Onde buscar ajuda

O Programa Pró-Albino oferece prevenção, detecção precoce e tratamento das doenças dermatológicas e oftalmológicas gratuitos pelo SUS, desde 2012, e atende hoje 350 pacientes, sendo 30% crianças. De acordo levantamento da Santa Casa, no Brasil, estima-se que haja cerca de 10 mil albinos -pelo menos 1.000 no Estado de São Paulo.

Outra fonte de informações e apoio ao albino é o Instituto Nóbrega, que tem sistematizado informações para influenciar políticas públicas, como o fornecimento de protetor solar para prevenção medicamentosa.

O Brasil conta também com a Apalba (Associação de Pessoas com Albinismo na Bahia), que atende 570 pessoas diretamente, vindas de 100 municípios do Estado. Fundada há 20 anos, começou com o objetivo de cuidar da fragilidade da pele dos albinos em um dos estados mais ensolarados do país.


Reunião da Associação de Pessoas com Albinismo na BahiaImagem: Divulgação

Composta por sua maioria de mulheres, a associação faz reuniões mensais, onde contam suas experiências e expõem a maneira como são tratadas pela sociedade, seus anseios e vivências como uma pessoa com albinismo. "A associação tem o trabalho de levar à mulher e à criança palavras e abordagens positivas, auxiliando as mães a lidarem com a condição das filhas e elevando a autoestima de ambas", diz Maria Helena Machado Santa Cecília, assistente social, membro da comissão de ética da Apalba.

"Elas chegam se achando muito feias e nós tentamos mostrar que o bonito é o que sentimos dentro da gente, não o que os outros veem. Essa troca entre acaba contribuindo e mudando esse cenário, tanto que mulheres que entravam nas reuniões mudas e saíam caladas e que hoje são palestrantes. Elas desenvolvem a autoconfiança e evoluem", conta Maria Helena.

Segundo estudo internacional realizado pelo Instituto Nacional de Saúde, dos Estados Unidos, uma em cada 20 mil pessoas em todo o mundo nasce com albinismo e estima-se que uma a cada 70 carregue os genes associados à doença, mas não são afetadas pelas mutações, independentemente de etnia, sexo ou classe social.

TELINHA QUENTE 419

 

Uma policial investiga um predador sexual e acaba descobrindo um casal com um segredo horrível e um esquema de corrupção sinistro.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 426

 

Roberto Rillo Bíscaro

Como fãs de um pequeno país asiático fizerem com que uma joia oitentista britânica não se perdesse nas areias do tempo. Conheça essa história e o rebuscado som do Care.

8 c

terça-feira, 29 de setembro de 2020

TELINHA QUENTE 418

 

Um crime de ódio provoca comoção popular, protestos violentos e transforma o jovem policial Kurt Wallander em detetive. Conheça o primeiro caso do lendário investigador.



segunda-feira, 28 de setembro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 425

 



Roberto Rillo Bíscaro

A complexidade sutil da MPB jazzificada do mineiro Rafa Castro é um dos pontos altos de 2020.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

TELINHA QUENTE 417

 

A astronauta Emma Green comanda uma perigosa expedição rumo a Marte e deixa para trás o marido e a filha por três anos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 424

 



Roberto Rillo Bíscaro

Second Still é mais um grupo norte-americano navegando nas gélidas e escuras águas da cold /dark wave.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

CONTANDO A VIDA 314

NEGRINHA, LOBATO E O RACISMO ESTRUTURAL BRASILEIRO.

José Carlos Sebe Bom Meihy

“tenho notado que muitos dos personagens das minhas histórias já andam aborrecidos de viverem toda a vida dentro delas. Querem novidade... Andam todos revoltados, dando-me um trabalhão para contê-los”.

Monteiro Lobato

 

Sou daqueles que acham que José Bento Monteiro Lobato não precisa de defesa alguma. Também me perfilo entre os muitos leitores e que flanam na magia de sua produção criativa, polêmica, atravessadora de tempos, proponentes de temas de debates apaixonados. Então me engalo de ser daquela geração que José Roberto Withaker chamou de “Filhos de Lobato” e sigo leitura que dá alma a entendimentos cabíveis no corpo de seu tempo. Busco mais compreender do que explicar, diga-se, e assim me solto no embalo que vai além de citações escolhidas fora do ambiente germinal, perversas por mal intencionadas, ignorantes e historicamente desinformadas. Investindo-me do direito de ler em perspectiva, optei por trocar argumentos apedrejadores pelo outro lado de uma moeda que negocia interpretações encolhidas na capacidade de ver além de argumentos isolados, caracterizados em frases mal recortadas, rearranjadas segundo critérios extemporâneos e dirigidos. E não precisei de muito exercício, pois no lampejo da memória logo me veio o conto Negrinha. Atenção: não se pretende com um novo “detalhe” saudar qualquer exceção, mas, pelo reverso, por ele, supor a complexidade do todo. Interessa, diria, contemplar a floresta e não explica-la pela singularidade de única árvore.

Para início aclaramento desta conversa, devo dizer que “Negrinha” é, de Lobato, meu escrito favorito no quesito “conto”. E que história foi dada à menina pobre e órfã que desde os quatro anos fora “criada” como encosto em casa de família “proba”! O ambiente, aliás, se trama desde a apresentação da personagem alvo do caso “Preta?? Não. Fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados”. O retraço biográfico dessa qualificação diz que Negrinha, como era chamada, sem ter nome específico ou referenciado, “nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos de vida, vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre farrapos de esteira e panos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças”. A senhora “dona”, por sua vez, fora assim comparecida “excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada pelos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo no céu”. Não bastasse a sutileza – talvez até explícita demais – Lobato completava o perfil senhoril prá lá de patético: “entaladas as banhas no trono uma cadeira de balanço na sala de jantar, - ali bordava, recebendo as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora, em suma”. Sem economizar deboches o enredo matizava a crueldade de uma matrona branca, inclemente, culturalmente estabelecida em pressupostos escravocratas da qual “o 13 de maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava, pois, Negrinha em casa como remédio para os frenesis”. Vivificava-se o que na cultura popular ficou conhecido como “saco de pancadas”, ou seja alguém negro destinado a apanhar ou levar bordoadas capazes de promover a catarse dos senhores.

Poucas passagens da literatura brasileira – pouquíssimas – alçaram tanto vigor no relato dos maltratos dados aos negros, escravos ou libertos e aos seus descendentes. Talvez o limite máximo desse tipo de constatação resida internado neste conto, “Negrinha”, que afinal detalha o monstruoso castigo perpetrado pela senhora Inácia depois da menina deferir a palavra “peste”. Tomando um ovo, o requinte da atrocidade foi vazada da seguinte forma “D. Inácia mesma pô-lo na chaleira de água a ferver e, de mãos à cinta, gozando-se na prelibação da tortura, ficou de pé uns minutos, à espera. Seus olhos contentes envolviam a mísera criança que, encolhidinha a um canto, trêmula, olhar esgazeado, aguardava alguma coisa de nunca visto. Quando o ovo chegou a ponto, a boa senhora exclamou: — Venha cá!! Negrinha aproximou-se. — Abra a boca!!”. E como sofreu a menininha que, creiam, era criada como favor aos olhos caritativos, culturalmente dominantes.

A sequência desta contação revela outra aventura da menina negrinha que morreu, por fim, aos sete anos, depois de ser acatada pelas duas sobrinhas que, em mês de férias, na casa da titia encantada com a prole branca, saudava, em contraste perfeito, a vivaz euforia das “pequenotas, lindas meninas louras, ricas, nascidas e criadas em ninho de plumas”. E foram essas mesmas “pequenotas” que permitiram a episódica aceitação de Negrinha no triângulo branco. Foram as crianças e, sem entender de preconceitos, admitiram que a estranha e deslocada personagem, Negrinha, também tocasse em uma boneca que, aliás, era reprodução feita à imagem e semelhança das sobrinhas visitantes: alvinhas e de cabelos alourados e que, além de angelical, deitada pronunciava “papa”. Fora essa, diga-se, a visão do Paraíso para a rejeitada Negrinha que, afinal com 15 quilos. Magrinha sim, mas sonhando com anjos brancos e de olhos claros, como os da boneca, ou das meninas visitantes.

Voltemos à epígrafe: que Lobato quis transmitir? Preconceito gratuito? Denúncia? Seria simples “causo”? Ou caberia melhor inteligência e sugerir que menos vale um exemplo recortado de um contexto amplo do que a miséria de um “defensismo” sem paisagem analítica? Vale, para encerrar, contextualizar este conto no ambiente eugenista daquele então. Na altura do amadurecimento da crítica cultural brasileira, não resta dúvida da ampla aceitação do mito da superioridade racial branca. É exatamente nesta ordem que se pretende discutir o significado de Negrinha no universo nacional que estruturou o racismo.

FOFA FOCA

 


RARA FOCA ALBINA AVISTADA EM ILHA RUSSA. BIÓLOGOS TEMEM PELO SEU FUTURO


Uma foca albina foi avistada nos últimos dias numa ilha russa, sendo considerada um exemplar muito raro desta espécie.

A foca bebê, de olhos azuis e pêlo ruivo, foi vista no meio de uma dezena de outras focas. Após a divulgação das imagens do animal, numa ilha no mar de Okhotsk, na Sibéria, vários biólogos manifestaram a sua preocupação com o futuro do animal.

De acordo com o Independent, por se tratar de uma vertente muito rara da espécie, a foca em causa corre o risco de viver uma vida solitária, dado que haverá tendência para os outros animais da sua espécie a rejeitarem.

Situação semelhante aconteceu, no mesmo local, há dez anos, onde uma outra foca bebê foi resgatada e levada para um aquário na costa do Mar Negro da Rússia. Neste caso, os biólogos ponderam fazer o mesmo, caso se verifique uma mudança de comportamento que possa influenciar o bem estar do animal. 

Os profissionais têm acompanhado o seu dia-a-dia e observam que pela sua constituição a foca poderá estar sendo bem alimentada pela sua progenitora e que para já, a foquinha está tendo um comportamento sociável.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

TELINHA QUENTE 416



Três crianças descobrem que o orfanato onde vivem não é nada do que pensavam. Agora, têm que liderar o grupo todo num arriscado plano de fuga.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

CAIXA DE MÚSICA 423



Roberto Rillo Bíscaro

Com mais de quatro décadas de estrada, os norte-americanos do Kansas ainda fazem rock com fôlego.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

ESPINHO ALBINO

 



Raro ouriço albino é resgatado e sobrevive graças a menino de 6 anos

Tudo começou quando o garoto Ruben Wiggins, de 6 anos, estava saindo de casa com sua mãe, em Yorkshire – Inglaterra. Ao entrar no carro, ele percebeu que havia um animal embaixo do automóvel e foi resgatá-lo. A surpresa veio ao notar que se tratava de um ouriço albino, espécie rara. E então, depois de resgatá-lo, a família conseguiu entrar em contato com um refúgio da região, que conseguiu salvar o animal.

Ouriços não costumam aparecer na região, o que fez Ruben se preocupar com o animal, sobretudo porque ele estava visivelmente assustado e machucado. Ao notar que ele precisava de ajuda urgente, sua mãe entrou em contato com o Prickly Pigs Hedgehog Rescue, um refúgio dedicado a estes animais. Ao enviar uma mensagem através do Facebook, Diane Cook – que administra a instituição, ficou impressinada com a descrição do animal. “Quando recebemos a mensagem por meio de nossa página no Facebook, ficamos inicialmente perplexos com a descrição e pensamos que era possivelmente um ouriço pigmeu africano que havia fugido da casa de alguém”, explicou.

No entanto, a perplexidade maior veio ao vê-lo ao vivo e notar que estava diante de um verdadeiro ouriço albino, que, infelizmente corria o risco de morrer, já que estava gravemente desidratado, desnutrido e infestado de carrapatos, pulgas e ovos de mosca que os veterinários levaram horas remover.

Depois de ser alimentado e receber todos os tratamentos necessários, o ouriço agora está bem e, uma vez totalmente recuperado, será solto de volta à natureza. Sucesso absoluto no local, ele até recebeu um nome: Jack Frost. E tudo isto, graças a um garotinho de 6 anos que já sabe a importância da preservação das espécies.








TELINHA QUENTE 415

 

Em 1994, uma quadrilha executa roubo bilionário ao Banco Central da Colômbia. Inspirada em fatos. Será esta série a nova Casa de Papel?

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

RAPTADA?

Bebê canguru albino desaparece de zoo na Alemanha e pode ter sido furtado


Um filhote de canguru albino desapareceu de um zoológico na Alemanha e acredita-se que o animal possa ter sido furtado, de acordo com o que foi divulgado hoje por autoridades locais. 
O canguru tem o nome de Mila, é do sexo feminino e nasceu no mês passado no zoo Kaiserslautern, no sudoeste do país, sendo uma das principais atrações, diz a agência Associated Press.
Mila foi vista pela última vez em seu recinto na manhã de quarta-feira (19) e não estava mais lá quando os tratadores do zoológico encerraram as operações, à noite, informou a polícia. 
"Estamos investigando em todas as direções", disseram os policiais. "Não podemos descartar que ela foi furtada."
O diretor do zoológico, Matthias Schmitt, fez um apelo ao público para que ajude a rastrear o filhote, que raramente se afastava da mãe.
Schmitt disse que parece improvável que o pequeno marsupial tenha sido caçado por uma raposa selvagem ou outro predador, já que não foram encontrados vestígios de sangue.
O zoológico está usando dois caçadores com cães farejadores para procurar o canguru, mas até agora eles não tiveram sucesso. 
"Toda a equipe do zoológico espera que Mila seja encontrada novamente e esteja com boa saúde", disse ele.

CAIXA DE MÚSICA 422


 Roberto Rillo Bíscaro

O compositor paulistano Rodrigo Campos apresenta seus sambas desafiadores e complexos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

CONTANDO A VIDA 313

MÚSICA SERTANEJA: SOFRÊNCIA E GRAÇA. 


José Carlos Sebe Bom Meihy. 

Pensando bem, é muito estranha a percepção do cancioneiro sertanejo em nosso mundão cultural urbano. Visto com mais cuidado, o denso conteúdo expresso por gêneros musicais variantes da raiz caipira, de regra, é interditado, ou ao menos rebaixado como se fosse produto menor, de consumo de um grupo meio esquisito, coisa de suburbano mal adaptado. Foi pensando nisto que se procurou alguma dimensão valorativa, buscado perceber mais do que significados recortados de um plantel hierárquico ou polarizador em um “gosto x não gosto”. A consideração dos temas mais frequentes logo expôs a combinação da dicotomia sofrimento X picardia. Argumento constantes desses cancioneiros, a dor de amor e o gracejo se mostram fatores capazes de dar sentido existencial a uma legenda usualmente reduzida ao breguismo tosco ou, no máximo, à cafonália chic. Mas, pergunta-se, há sentido articulado implícito nesse verso e reverso que mistura aflição e graça, ou, mais contundente: há moral na experiência musical sertaneja? 



Num esforço justificado, pretendeu-se marcar a vocação para um viés filosófico invisível, silenciado na recepção dessa expressão musical. E é prudente oferecer caminho histórico para tal vista. Como se fora contrapartida de um passado de deslocamento territorial mal resolvido, a transferência de contingentes do campo para a cidade sugere um longo processo de adaptação. Mal compreendida a inversão demográfica do meio rural revela uma peleja pela sobrevivência, e assim indica incômodos e desencontros negociados em busca de um estilo sertanejo de vida urbana. Nessa linha, não seria exagero sublinhar o sofrimento recortado nos repetidos desencontros amorosos. Sim, amores não correspondidos se formulam em razão metafórica de cantares que somam uma saudade nostálgica do campo e suas coisas todas. Junto com passarinhos, alvoradas, campos, são compostas loas a amores impossíveis, traições de afetos incompreendidos, enfim um novo e claro mal-estar civilizatório inconciliável. De modo geral, as músicas sertanejas cantam saudade e tristezas, e nelas se recheiam de frustrações, mágoas e desafetos chorados em simpatias remotas e notas musicais lamuriosas. Nesse sentido, aliás, resulta uma explicação básica para o que tem sido conhecido como sofrência. Sim, a percepção dramática dos desacertos é o denominador comum para tantas passagens de desgraças vertidas em desejos de má sorte para os ingratos pares. É como se o campo não se desse bem com a cidade e, em expressão cantada, isto se revelasse como lamento público e personalizado. 



Como resultado surdo de uma espécie de épica cabocla, as entregas apaixonadas e mal resolvidas se mostram como dimensão de desesperos dramatizados na fatalidade de uma realização impossível. É nesse diapasão que emerge a memória desesperada que tem a ruína amorosa como ponto inevitável de extravasamento. Mas, para consolo geral, esta moeda tem outra cara, um reverso compensatório: o chiste ou gracejo. Sim, os melodramas amorosos não anulam paralelos de continuidade, o lado insistente do gracejo gozador. Diria que para cada dor há uma piada musical na mesma medida em que para cada frustração corresponde uma promessa de risada vertida em “causo”. A soma dessas oposições - choro e matreirice - se formula na integração de mensagens que, afinal, juntas, amarram respostas de tipos migrados do ambiente rural para os centros urbanos que, afinal, têm na inviabilidade de realização amorosa a dimensão pândega, e por isto promotora de risos. São graças que vão além da aparente simplicidade narrativa e que merecem ser contempladas como vingança da incompreensão. Os dois aspectos complementares, a desgraça e o pitoresco, resultam em espécie de épica acaboclada e de difícil captação. 



O entendimento da dor afetiva pode ser avaliado pela crescente feminização das intérpretes que, solo ou em duplas, tem revelado o incômodo do acolhimento pelo ambiente dominante, masculino. Por outro lado, a memória da anedota fácil e sutil se dimensiona no masculino, como se coubesse à mulher a sofrência e para o homem o revide. O resultado é a percepção trágico-cômica de experiências não explicitadas, mas vertidas em sucessos de público crescente. Penso, pois em ensinamentos enunciados para um segmento importante, consumidores do mercado que não se contenta em ouvir, mas que em shows multiplicados ganham plateias cada vez mais “sertanejadas”. As letras de canções, em conjunto, revelam um estilo de vida muito mais completo e complexo do que se pensa. E tudo se torna muito teatral, exigente de figurinos, penteados, caras e bocas. O inerente uso de roupas, chapéus, o aferro ao xadrez desenhado em camisas, a permanência das botas como saudade das botinas, o crescente prestígio das festas juninas – agora inscritas em programas de turismo – e a aceitação dos “docinhos da roça”, paçoca, quentão, revalidam uma saudade reprimida, pouco explicada, mas que não se furta à luz e som. É no quesito mnemónico que atua a essência e originalidade do ser sertanejo urbano. Confesso que o exagero da positividade analítica contida nestas linhas responde a um apelo pessoal, esforço de ver uma beleza onde o gosto burguês insiste em negar o cadim de meu mundim que queiram ou não existe e se mostra de uma boniteza que veio para desafiar o futuro.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

ACUSAÇÃO FALSA

Albinos e deficientes acusados de bruxaria em todo o mundo. Porquê?


Em pleno século XXI continua a haver pessoas acusadas de bruxaria que são perseguidas e até mortas em várias partes do mundo, sobretudo em África, no Sudeste Asiático e na América Latina.


A perseguição às bruxas é um problema muito antigo: Na Europa, a época da caça às bruxas durou do século XV até ao século XVIII e atingiu o seu pico entre 1560 e 1630, de acordo com o historiador alemão Wolfgang Behringer.

O professor da Universidade do Sarre estima que entre 50 e 60 mil pessoas foram mortas nesse período, apenas na Alemanha.

Hoje em dia o problema persiste, mas sobretudo no hemisfério sul, segundo o professor Behringer:

"Na Tanzânia, entre 1960 e 2000, aproximadamente 40 mil pessoas foram assassinadas acusadas de suposta bruxaria. Bruxaria não é crime na Tanzânia, segundo o direito penal, mas muitas vezes são os tribunais de aldeia que decidem que certas pessoas devem ser mortas."

Albinos e deficientes são alvo

Pouco se sabe sobre o número de vítimas antes de 1960. Na Tanzânia, as vítimas são principalmente pessoas com albinismo, pois há quem acredite que certas partes do corpo de albinos podem ser usadas como remédios.

No Gana e noutros países, sobretudo da África Ocidenal, verifica-se outro fenómeno sinistro: algumas comunidades atribuem o nascimento de uma criança deficiente a supostas práticas de bruxaria por parte de vizinhos que recorrem à bruxaria.

Crianças negligenciadas

No Congo, as chamadas crianças bruxas são expulsas pelas suas famílias. Na cidade de Bukavu, no leste do país, uma ONG, de que faz parte Thérèse Mapenzi, cuida dessas crianças.

Mapenzi, nomeadamente, ajuda essas crianças a lidar com o seu trauma, colocando-as em orfanatos e tentando encontrar vagas em escolas para elas.

Thérèse Mapenzi afirma: "Ouvimos falar de vários casos em que crianças são violadas e depois não são mais aceites pelas suas famílias. Ou nasceram fora do casamento e têm que viver com um pai que não as aceita.”

"Essas crianças muitas vezes foram espancadas até sangrar. Sempre ficamos chocados ao ver essas crianças sem proteção, que foram marcadas como feiticeiras. Como pode isto acontecer em pleno século XXI?" – questiona Mapenzi.

TELINHA QUENTE 414



Com a carreira em ascensão, o juiz Micha Alkoby vê tudo se complicar quando seu filho se envolve em um acidente, cuja vítima pertence a uma família criminosa.

sábado, 29 de agosto de 2020

JOGOS MORTAIS

 Ambientalista é morto por leoas albinas das quais cuidava desde filhotes


O ambientalista West Mathewson, de 68 anos, morreu na quinta-feira (27) após se atacado por duas leoas albinas. Ele cuidava das felinas desde filhotes. De acordo com testemunhas, West estava brincando de luta com Demi e Tanner quando uma delas levou a diversão a sério e o atacou. A outra leoa o atacou em seguida.

West chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Em 2017, as felinas já haviam atacado um funcionário da fazenda do ambientalista em Kruger, na África do Sul. O homem também morreu, mas West manteve as leoas na fazenda e continuou cuidando delas, acreditando que elas nunca o atacariam.

Ao jornal The Sun, um porta-voz da fazenda afirmou que as leoas não serão sacrificadas. “West amava esses felinos como amava os seus filhos. Foi um trágico acidente”, afirmou.

https://istoe.com.br/ambientalista-e-morto-por-leoas-albinas-das-quais-cuidava-desde-filhotes/