quinta-feira, 20 de junho de 2019

TELONA QUENTE 293

Roberto Rillo Bíscaro

A Garota (ou Mulher, conforme a fonte consultada) Diabólica de Marte é curioso. Produção independente na empobrecida Grã-Bretanha de 1954, devia ser pobre até se comparada a congêneres ianques. The Devil Girl From Mars (TDGFM) realmente o é: o robô é lento e desengonçado, parece uma geladeira com braços e pernas. Daria pra escapar de seus raios desintegrantes muito facilmente, mas as personagens preferem se encolher de medo e morrer.
Além disso, as atuações são atrozes, os diálogos forçados, enfim, uma coleção de pontos negativos nessa história de espaçonave marciana tripulada por fêmea fatal gélida vestida de proto-dominatrix, que veio à Terra catar machos pra repovoar seu agonizante planeta. Erro de cálculo faz com que tenha que aterrissar nos confins das terras altas escocesas, justo ao lado duma hospedaria, que reúne personagens tão críveis quanto uma modelo londrina, um cientista, um fugitivo da cadeia, que se expressam melodramaticamente. Tem até menininho que fala “gee”, como o pivete de Invasores de Marte.
E não é que por causa dessa precariedade toda, TDGFM é muito legal de assistir? Virou cult, mas não naquele estilo de roteiro sem sentido ou continuidade, à Robot Monster ou Mesa Of Lost Women. TDGFM tem trama com começo, meio e fim, só é camp e amador pra burro.
Isso não significa que devamos vê-lo com superior olhar paternalista, porque há um par de boas ideias nele. A nave é feita de metal orgânico, portanto, dotado da capacidade de regeneração. A falta de dinheiro e a teatralidade (literalmente, porque o roteiro é adaptado duma peça) do roteiro impedem que seja mostrado, mas esse conceito só reapareceria no imaginário sci fi de cultura de massa décadas depois.
Outra coisa bem destacável é o protagonismo feminino, raridade nos anos doirados. Não poucas narrativas após TDGFM abordam a vinda de marcianos buscando terráqueas. O bordão “Mars needs women” figurou até em canções de metal e acid house. Esse temporão exemplo inglês já subverte o lugar-comum, colocando a fêmea como predadora; buscando sexo reprodutor na cara dura, nada de amor. É óbvio que a marciana Nyah será vilã e derrotada, mas isso não necessariamente precisa ser lido como punição pelo protagonismo feminino, porque qualquer invasor alienígena é vencido.
Falando nisso, qual personagem você acha que dará a vida pra salvar a espécie humana da dominação? Basta verificar a “ocupação” de cada um; qual o/a prescindível? Veja legendado e tente descobrir. Escolados em convenções fílmicas sheherazádicas disfarçadas, acertarão.

CONFERÊNCIA ALBINA

Angola: 1ª Conferência Nacional sobre Albinismo

A 1ª Conferência Nacional sobre Albinismo em Angola realizou-se quinta-feira (13.06) em Luanda. Evento decorreu no âmbito do Dia Mundial de Consciencialização do Albinismo, minoria ainda muito discriminada em Angola.
No Dia Mundial de Consciencialização do Albinismo, albinos ouvidos pela DW África ainda se queixam de discriminação em Angola. O Governo já anunciou a implementação de um projeto-piloto de cadastro dos albinos ao mesmo tempo que apela a implementação de convenções internacionais para implementar mais medidas.



Testemunhos

À margem da conferência, a DW África conversou com alguns albinos. Um dos participantes falou sobre a discriminação que enfrenta no seu dia-a-dia.

"Sentimos uma grande dificuldade de inserção no campo social, mas também na escolaridade e empregabilidade. Por outro lado, ainda há discriminação no relacionamento (amoroso) ".

Ângela Eduardo, outra participante no evento diz que mais da metade da sociedade ainda discrimina as pessoas que sofrem de albinismo. Questionada sobre se também existia em Angola casos de pessoas que matam os albinos por suposta "procura de sorte" como ocorre em países africanos como a Tanzânia e Moçambique, disse que desconhecia. Mas aponta pequenos mitos que também a preocupam.



"Os mitos mais frequentes são: (a sociedade) diz que o albino não morre, mas desaparece, dizem também que o albino não pode comer feijão, nem fritar peixe se não sai rebentos. São apenas mitos".


Manuel Vapor responsável da Associação Nacional de Apoio a Pessoa com Albinismo tem um desejo. "Queremos elevar o nível de escolaridade das pessoas com albinismo a partir do ensino primário até ao ensino superior. Dentro dos manuais desejamos que sejam colocados retratos e explicações detalhadas sobre pessoas com albinismo".

Informação sobre esta minoria é prioridade

Guilherme Santos, responsável do Movimento Pró-Albino criado em Angola, em outubro de 2015, escreveu recentemente na sua conta do Facebook que ainda não se sabia exatamente quantos albinos existiam no país.

No seu discurso da abertura da conferência, Ruth Mixinge secretária de Estado da Promoção da Mulher fez saber que o Governo está a levar a cabo um projeto-piloto de cadastro de albinos em três províncias: Uige, Bié e Moxico. Mas defende a necessidade de se fazer mais, por exemplo, a cooperação entre instituições para se resolver os problemas das pessoas vivendo com albinismo como a discriminação e exclusão social.


"Porque nós ouvimos aqui e bem dito, quer a saúde, quer a educação ou outros serviços devem ter a disponibilidade e devem ter mecanismo de estabelecer para que efetivamente todos os cidadãos incluindo este grupo de pessoas em condições de vulnerabilidade possam ter acesso a estes serviços. Para efeito precisamos de identificar e mapear as famílias que estão, que entregam ou que têm sob seus cuidados crianças com albinismo".


Na mesma ocasião, Ana Celeste Januário, secretária de Estado dos Direitos Humanos e Cidadania do Ministério da Justiça defendeu a aplicação da Constituição angolana, da Convenção Contra Todas as Formas de Discriminação e do Pacto Internacional dos Direitos Civis, Políticos, Económicos e Sociais na conceção das políticas públicas.

"Pensamos que são instrumentos importantes para ajudar na elaboração das políticas do Estado relativamente as pessoas com albinismo”.

Esta 1ª Conferência Nacional sobre Albinismo foi uma iniciativa do Movimento Pró-Albinismo em parceria com Associação Nacional de Ajuda ao Albino e discutiu temas como "albinismo e a dimensão sócio-psicológicas, lesões pré-cancerosas e cancerosas da pele em albinos” e "albinos em Angola – medidas de políticas do Estado” entre outros.

O evento enquadrou-se no âmbito das reflexões do 13 de junho, dia Mundial de Consciencialização do Albinismo, instituído pelas Nações Unidas e contou com a presença de mais de cinco secretários de Estados, entre eles Celso Malavoloneke, uma das poucas pessoas com albinismo no Governo angolano, académicos e jornalistas.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

DIFERENTES MAS IGUAIS – “SER ALBINO EM ÁFRICA”

A Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje casos de discriminação e estigmatização a crianças portadoras de albinismo na província de Tete, alertando para as consequências psicológicas da rejeição de albinos naquela província do centro de Moçambique. Em Angola, os albinos continuam a enfrentar “problemas e barreiras” que vão desde a dificuldade de inserção no emprego e no sistema de ensino, à falta de assistência social e medicamentosa.


“As crianças que vivem com o albinismo na província central de Tete são amplamente discriminadas, estigmatizadas e frequentemente rejeitadas na escola, na comunidade e, por vezes, pelas suas próprias famílias”, lê-se num relatório daquela organização não-governamental, divulgado hoje.

Além do estigma e discriminação, segunda a HRW, há casos de crianças albinas na província de Tete que não possuem material escolar adequado, principalmente os menores com problemas de visão.

“Os estudantes com albinismo que também têm baixa visão não têm acesso a materiais de aprendizagem apropriados, como livros escolares grandes, tempo extra para exames ou lugares junto ao quadro”, refere o documento.

Para a organização, apesar de os casos de raptos e assassínios de portadores de albinismo terem reduzido no país, entre as famílias das crianças albinas o medo ainda existe e algumas proíbem os filhos de frequentarem as aulas.

O relatório da Human Rights Watch lembra que o caso mais recente ocorreu em Maio, quando uma criança albina de 11 anos foi raptada e assassinada em Murrupala, na província de Nampula, e, dias depois, o seu corpo foi encontrado sem membros, numa mata.

A onda de ataques contra portadores de albinismo teve o seu pico em Moçambique entre 2014 e 2015. Durante aquele período, a HRW diz ter recebido relatos de pelo menos 100 ataques registados em 2015, casos cujas causas estão associadas à superstição.

“Ao tomar medidas para garantir que as crianças com albinismo possam receber educação enquanto continuam investigando e processando os responsáveis pelos ataques, Moçambique tem a oportunidade de demonstrar ainda mais seu compromisso em garantir a segurança, a inclusão e a dignidade das pessoas com albinismo”, lê-se no relatório, que destaca, no entanto, passos significativos do Governo na luta pelos direitos das pessoas com albinismo.

No relatório, elaborado entre Julho de 2018 e Maio de 2019, a Human Rights Watch entrevistou perto de 60 pessoas, entre portadores de albinismo, activistas sociais, directores de escolas e representantes de organizações baseadas em Moçambique, além de quadros do Governo moçambicano.
E como é em Angola?

Os albinos em Angola continuam a enfrentar “problemas e barreiras” que vão desde a dificuldade de inserção no emprego e no sistema de ensino, à falta de assistência social e medicamentosa, advertiu há um ano a Associação de Apoio aos Albinos de Angola.

A informação foi transmitida pelo presidente da Associação, Manuel Vapor, durante uma palestra realizada no dia 13 de Junho de 2018, em Luanda, a propósito do dia mundial para a consciencialização sobre o Albinismo.


De acordo com aquele responsável, ainda há casos de discriminação no país e grande parte dos albinos em Angola não tem emprego e encontra dificuldades para adquirir cremes de protecção da pele, pedindo por isso ao Ministério da Saúde a subvenção desses fármacos.

“Porque o protector solar nas farmácias, o preço, é elevadíssimo e então gostaríamos que também ficassem naqueles produtos a custo zero e subvencionados pelo Governo. Por isso é preciso que o ministério ponha a mão neste caso, porque principalmente os adultos que não trabalham têm grande dificuldade”, disse.

Manuel Vapor referiu, igualmente, que o país “carece de uma política virada à pessoa albina”, que no seu entender deveria ser superintendida pelo Ministério da Saúde, exemplificando que as consultas nos hospitais ainda são feitas “graças ao bom senso dos dermatologistas”.

As consultas, acrescentou, são feitas com recurso às “parcerias” que a associação criou junto dos dermatologistas, no sentido de responderem às “necessidades diárias” da pessoa albina.

Durante a sua intervenção, o presidente da Associação de Apoio aos Albinos de Angola, considerou também que a falta de informação sobre o albinismo faz persistir o preconceito na sociedade angolana.

“Porque se desde tenra idade e sobretudo nos manuais escolares do ensino de base se começar a ministrar matérias sobre o albinismo, essas situações não deveriam colocar-se e a criança já não veria o albino como um fantasma e haveria melhor familiarização”, realçou.

No capítulo do emprego, aquela associação defende que o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTESS) encontre mecanismos que “pelo menos reservassem vagas exclusivas” para a pessoa albina.

“Reconhecemos que o emprego no país está difícil, mas é possível o ministério adoptar esse mecanismo, porque muitos associados estão vulneráveis e isso agrava ainda mais a sua condição de saúde, devido à falta de cuidados”, adiantou.

A consciencialização à pessoa com albinismo e o albinismo no campo científico foi o tema desta palestra, animada pelo dermatologista e director do serviço de Dermatologia e Venereologia do Hospital Américo Boavida, Juliano Isaías.

Na ocasião, o responsável lamentou a situação de carência de albinos para aquisição de cremes de pele, tendo revelado que a unidade hospitalar acompanha regularmente cerca de 300 doentes albinos, na sua maioria com cancro de pele.

“E os nossos serviços ambulatórios continuam a registar novos casos, sobretudo ligados a lesões de pele em crianças e adultos”, explicou.

A Associação de Apoio aos Albinos de Angola conta com cerca de 600 associados e tem representações em seis das 18 províncias do país.
Nada pior do que ser africano e albino

ATanzânia viveu nos finais de 2016 uma onda de ataques contra albinos, considerados por alguns a cura de doenças e, por outros, o símbolo do azar, da maldição e da bruxaria.

Said Abdallah, uma menina de 10 anos, teve os braços cortados depois de ser tacada por homens que a acusaram de ser uma “bruxa amaldiçoada”. Mas o real motivo pela qual Said foi agredida foi ser albina. A Tanzânia é o país de África com o maior número de albinos.

Principalmente nas áreas rurais, acredita-se que a ausência de melanina na pele, no cabelo e nos olhos, principais causas que levam ao albinismo, são sinais de maldição e azar. A intensificação dos problemas de intolerância fez com o que o governo da Tanzânia passasse a abrir centros de acolhimento a albinos por todo país. Muitos são expulsos de suas próprias casas porque as suas famílias têm vergonha de criá-los.

De acordo com a Associação de Albinismo da Tanzânia, foram registados em 2016 oito mil albinos no país, entre homens, mulheres e crianças. Acredita-se, contudo, que essa população é muito maior já que a maioria dos albinos se esconde ou não se declara albina com medo da repressão.

“Muitos albinos fogem das suas vilas com medo de serem esquartejadas e terem os seus órgãos vendidas por traficantes”, explicou a jornalista Ana Palacios ao jornal britânico “Metro”. De acordo com a jornalista, alguns acreditam que “os órgãos de albinos podem ser usados em poções mágicas”.

Enquanto para alguns a doença é vista como uma maldição; para outros, os albinos são milagrosos. “Eles são estuprados porque alguns acreditam que eles carregam a cura da Sida. Eles são alienados da sociedade por serem considerados mágicos”, enfatiza Ana Palacios.

Algumas famílias africanas acreditam que as crianças brancas são um “estigma” e, dessa forma, eles passam a ser “maltratados” e “menos alimentados”. Muitos, inclusive, não recebem o tratamento necessário e acabam como vítimas do cancro de pele.

terça-feira, 18 de junho de 2019

TELINHA QUENTE 365


Roberto Rillo Bíscaro

Lavoisier dizia que no mundo nada se cria, tudo se transforma. O apresentador de rádio e TV, Abelardo Barbosa, o Chacrinha, afirmava que na TV nada se cria, tudo se copia.
Lembrei do Velho Guerreiro, enquanto via os oito capítulos de Gidseltagningen (2017), internacionalmente conhecida como Below the Surface, produção do Kanal 5. Séries com reféns estão de moda, como atestam Hostages e La Casa de Papel, pra ficar nas resenhadas aqui.
Desde que o conteúdo seja bom e/ou divertido, não há problema nessa transmigração cultural. A minissérie dinamarquesa usa um sequestro de passageiros no metrô de Copenhague de forma eficaz e dá seu toque de originalidade ao problematizar de leve o papel que países ditos centrais e amantes da paz desempenham no terrorismo internacional. Isso sem perder o suspense, que é porque escolhemos ver esse tipo de produção.
Quando 15 pessoas são mantidas reféns no subterrâneo da capital dinamarquesa, imediatamente assumimos que os captores sejam de determinada etnia/religião, mas reviravolta em meados da trama põe esse estereótipo em xeque.
Gidseltagningen não decepcionará fãs de Scandi Drama, mesmo nós meio enfezados com a internacionalização: pra incorporar diversas nacionalidades e se tornar mais atraente pros mercados anglohablantes, produções escandinavas cada vez mais se apoiam no inglês, produzindo atuações abaixo da média, porque os pobres atores não estão operando em suas línguas nativas. Em Below the Surface, há motivo intraenredo pro idioma ser utilizado e assim mesmo, de vez em quando. Não se trata de botar um policial da Lapônia trabalhando com uma do Burundi num caso forçado.
Há tensão; há empatia com alguns passageiros devido a suas histórias pregressas; há bem-intencionado fazendo caca; há policial com problema pessoal sobrepondo-se ao caso e há certa noção de que nem na equitativa Dinamarca a lei é pra todos.

FOMENTO BAIANO

Ação visa fomentar políticas públicas para pessoas albinas na Bahia

A urgência na elaboração e criação de uma política sistemática integrada de assistência e atenção às demandas e necessidades de albinos no estado pautou a “Ação pelo Dia Mundial de Conscientização do Albinismo” promovida hoje, dia 13, pelo Ministério Público estadual na sede da Instituição no CAB. Ocorrido em uma data simbólica para a população albina, o evento se insere em uma atuação mais ampla e estratégica do MP baiano para promover os direitos da comunidade albina em todas as áreas sociais, principalmente nas de educação e saúde. Segundo dados da Associação das Pessoas com Albinismo da Bahia (Apalba), existem pelo menos 540 albinos no estado. 
O albinismo é uma condição genética caracterizada pela ausência total ou parcial de pigmentação da pele, dos pelos e dos olhos, que afeta com maior frequência a população negra. Por conta disso, os albinos possuem limitações físicas: têm dificuldade de enxergar e são sensíveis à exposição solar, sendo mais suscetíveis ao câncer de pele. Mas o principal obstáculo é o preconceito e a falta de políticas públicas especificamente voltadas a essas pessoas. Foi o que destacou a diretora-executiva da Apalba, Maria Helena Machado. “Esse dia vai ficar marcado para nós. Pela primeira vez, concretizamos esse sonho de fazer nossa campanha de conscientização”, disse em referência ao material de divulgação elaborado e produzido pelo MP, incluindo cartazes, vídeos e peças para redes sociais online. “A qualidade de vida de um albino não é somente o cuidado com os olhos e a proteção da pele. Queremos nos sentir parte da sociedade. É muito difícil para o albino. Muitas vezes, ele vive com medo, escondido, por conta do preconceito”, completou. 
A atuação do MP é conduzida pela promotora de Justiça Lívia Vaz, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação (Gedhdis). Ela destacou a necessidade da construção de políticas de assistência aos albinos. “Vários obstáculos se colocam quando não há políticas públicas específicas. Os albinos têm dificuldades de acesso à educação e à saúde, o que implica também no acesso ao mercado de trabalho. Em última instância, está em jogo o direito de ir e vir”, afirmou. Ela explicou que o MP tem o objetivo de impulsionar a articulação entre o órgão, a sociedade civil e o Poder Público, sobretudo para que esse se engaje na efetivação dos direitos desse público. Lívia Vaz lembrou que os albinos não são contabilizados no censo do IBGE e o INSS não viabiliza a distribuição gratuita de protetores solares por considerá-los um produto estético. 
Lívia Vaz informou que já foram expedidos ofícios às secretarias de Saúde do Estado e do Município para diagnosticar a situação dos programas e políticas públicas para albinos. Segundo informações de representantes do Estado da Bahia e do Município de Salvador, há distribuição gratuita de protetor de solar à população albina no interior e na capital. Em Salvador, há uma unidade de saúde, localizada no Vale das Pedrinhas, que faz atendimento especializado aos albinos. Mas existem dificuldades estruturais, incluindo o desconhecimento oficial da população albina no estado, em razão da falta de uma notificação sistematizada nas redes de saúde e de educação.
O evento foi realizado no gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, com a participação da procuradora-geral de Justiça Adjunta Sara Mandra Rusciolelli. Ela destacou a iniciativa. “Essa ação passa agora ser mais efetiva, porque envolve a parceria de pessoas engajadas, com articulação do Poder Público”, afirmou. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Direitos Humanos (Caodh), promotora de Justiça Márcia Teixeira, ressaltou que a articulação inaugura um “novo ciclo” (ela contribuiu para a constituição da Apalba, há dez anos) em defesa dos direitos dos albinos na Bahia. “Vamos avançar ainda mais”, disse. Participaram também o secretário municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre), Léo Prates; o coordenador de Centro de Apoio Operacional de Defesa da Educação do MP (Ceduc), promotor de Justiça Valmiro Macedo; o coordenador de Promoção da Equidade em Saúde da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), Antônio Purificação; o assessor do superintendente da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, André Luís Effigem; o coordenador da Diretoria de Atenção à Saúde, Bruno Viriato e coordenadora da Atenção Especializada, Anne Larissa Maia, ambos da Secretaria Municipal de Saúde. 

segunda-feira, 17 de junho de 2019

PRÓ-ALBINO PREMIADO

Programa Pró-Albino recebe Prêmio de Responsabilidade Social da L’OrealEntre 

123 projetos de todo o mundo, doutoranda da FCMSCSP ganhou como representante da América Latina e América Central
Carolina Reato Marçon (segunda da dir. para a esq. na foto), doutoranda da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e Universidade de Bordeaux, recebeu, pelo Projeto “Pró-Albino Program: Prevention, Diagnosis and Treatment of Actinic Skin Damage, Emotional Support and Social Inclusion in Albinism Discover”, o Prêmio de Responsabilidade Social da L’Oreal. Entre 123 projetos de todo o mundo participando, o projeto ganhou como representante da América Latina e América Central.

A entrega foi no Congresso Mundial de Dermatologia, que acontece em Milão (Itália) de 10 a 15 de junho. O evento ocorre a cada quatro anos. É o maior e mais importante encontro da especialidade e reúne os grandes nomes da dermatologia mundial e tem mais de 15 mil dermatologistas inscritos esse ano.

A tese de mestrado de Carolina foi sobre o Programa, desenvolvido pelo Departamento de Dermatologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; e o doutorado, em andamento, é sobre diagnóstico molecular no albinismo.
https://fcmsantacasasp.edu.br/premio-loreal/

CAIXA DE MÚSICA 370

O primeiro álbum da Patience é totalmente informado pelo synthpop dos anos 80, cheio de lindas melodias e voz de fadinha. Confira a resenha.

ALBINA VALIOSA

Tartaruga albina de duas cabeças pode ser vendida por R$ 105 mil

Possíveis compradores, no entanto, temem pela sobrevivência do animal. 'Acho que viverá por muito tempo', afirmou a atual dona do réptil


Uma tartaruga albina rara de duas cabeças nasceu em Bangkock, na Tailândia e pode ser vendida por até R$ 105 mil. No entanto, possíveis compradores estão receosos em relação a expectativa de vida do animal

Noon Ausanee, a atual dona, afirmou ao tabloide britânico Daily Mail acreditar que o réptil ainda viverá por muito tempo. "A tartaruga já está com dois meses e continua muito forte. Ela come muito bem todos os dias. Acho que viverá por muito tempo e trará boa sorte para quem comprá-la", contou.

Ausanee está confiante em uma possível negociação. "Me sinto muito sortuda por ter presenciado o nascimento dessa tartaruga. Espero encontrar um comprador rapidamente. Já recebi alguns telefonemas e ofertas, mas as pessoas ainda estão com muito medo", concluiu.

sábado, 15 de junho de 2019

PAPO COM HERMETO

“O dinheiro é a desgraça do mundo”: conversamos com o mestre Hermeto Pascoal

Ele é conhecido como o mago ou o bruxo e é basicamente isso mesmo. O que Hermeto Pascoalfaz com sua música é magia. Com a ideia de uma musicalidade livre, as canções do lendário músico alagoano parece que fazem parte da natureza, como uma extensão do ambiente onde são criados.

Esse show vai poder ser visto no Rio Montreux Jazz Festival e por isso, mandamos algumas perguntas para ele que nos respondeu por áudio em seu jeitinho de poucas palavras e muita poesia e bom humor.


TMDQA!: Você é um artista que sempre me pareceu muito inquieto, buscando sempre algo novo, buscando surpreender. Essa reinvenção e elemento de surpresa é parte do seu processo criativo?

Hermeto Pascoal: Você fez uma pergunta muito afirmativa, muito inteligente. E é verdade tudo isso. Eu me considero 100% intuitivo.

TMDQA!: Desde 2008, você tem uma postura muito diferente em relação a direitos autorais, deixando suas músicas livres para chegarem a mais pessoas. Essa seria uma busca para uma música livre de verdade, não só na parte musical?

Hermeto Pascoal: O dinheiro é a desgraça do mundo. Quem ganha mais parece que tá com um câncer da alma. E eu não quero entrar nessa. Nunca quis desistir de muita coisa para ganhar muito dinheiro dinheiro. Sempre me pareceu que seria o dinheiro que iria me ganhar. Eu não recebo direito autoral. Ele sempre ficava na mão de quem deveria me pagar e não chegava em mim. Aí quando algum coitadinho queria gravar, cobravam mil reais. Por isso eu liberei a gravação. O que quiserem gravar meu, é só gravar. Se precisar assinar algo, eu assino também.

TMDQA!: Você vai se apresentar no Rio Montreux. Você acha que esse tipo de evento pode abrir novas portas aqui no Rio?

Hermeto Pascoal: Deus quando fez o mundo, deixou muitas portas abertas para quem quer evoluir. Um festival desses é uma oportunidade para quem tem o que apresentar, mas o público é maior que os artistas, eles querem sentir e curtir. É nossa função entregar algo para o público. E confia em mim pois eu sou doutor, Doutor Hermeto! (risos)

Nota: Hermeto está se referindo ao título de Doutor Honoris Causa que recebeu do New England Conservatory, nos Estados Unidos.

TMDQA!: E o que você está preparando de surpresas para esse show?

Hermeto Pascoal: Sempre faço assim, eu não premedito nada. Eu não preparo nada, com antecedência. Até pra comida é assim. Teve um tempo atrás que fui fazer uma pipoca e não tinha me preparado e quase taquei fogo na casa! (risos) Eu subo no palco para eu mesmo me surpreender.

TMDQA!: Você é um daqueles artistas que sempre pareceram vislumbrar o amanhã. Como você vê a música brasileira hoje e, para você, o que nos aguarda para o futuro?

Hermeto Pascoal: O futuro só a Deus pertence e eu não tenho mais tempo pra isso. Uso o passado de alicerce e sigo firme no presente. O Brasil tem muitos músicos bons. Eu acabei de gravar um disco com uma banda que acho que 20 anos atrás não encontraria. Temos muitos bons músicos.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

PAPIRO VIRTUAL 136

Um time de investigadores noruegueses investiga um serial killer que parece matar indiscriminadamente.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O ALBINISMO

Sociedade Brasileira de Dermatologia adere ao #tbt para alertar sobre o Dia Mundial de Conscientização do Albinismo

Campanha relembra depoimento do músico Hermeto Pascoal, que conta como é viver com a doença, e publica novos vídeos de conscientização


Em clima de #tbt, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) adere ao Dia Mundial de Conscientização do Albinismo (13 de junho), relembrando o vídeo do músico brasileiro Hermeto Pascoal, que conta como é viver com a doença (https://bit.ly/2wAb4uj). A entidade também realiza uma campanha nos stories da SBD no Facebook e Instagram com vídeos depoimentos de conscientização de outros albinos do Brasil.

O albinismo é uma doença genética, não contagiosa, que ocorre a partir de uma deficiência/incapacidade de produção da melanina, pigmento que dá cor à pele, cabelo e olhos e protege a pele contra a radiação ultravioleta. Dessa forma, os albinos são altamente propícios aos danos causados pelo sol. “São pessoas que podem apresentar envelhecimento precoce, danos actínios e câncer da pele ainda muito jovens. É justamente a prevenção do câncer da pele, muito frequente entre os albinos, a maior preocupação dos médicos dermatologistas. Quanto mais cedo e regular o cuidado para evitar lesões cancerosas, melhor a condição de vida dos albinos.”, explica Sérgio Palma, Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Além disso, como a principal fonte de vitamina D é proveniente da exposição solar, os albinos precisam fazer suplementação para evitar problemas decorrentes da deficiência dessa vitamina, como alterações ósseas e imunológicas. A alteração genética também modifica a estrutura e o funcionamento ocular, gerando possíveis problemas visuais.

Os pacientes albinos podem e devem levar uma vida normal, apenas precisam ter mais cuidados no dia a dia para evitar complicações decorrentes das suas condições genéticas. É necessário se proteger muito bem do sol com medidas fotoprotetoras (protetor solar, roupas que cubram áreas do corpo que ficam expostas aos raios solares e óculos escuros com proteção contra os raios UVA e UVB, por exemplo) e se consultar periodicamente com um médico dermatologista associado à SBD (https://www.sbd.org.br/associados). De forma simultânea, é importante que passem por consultas com médicos oftalmologistas.

Confira trechos dos depoimentos dos albinos

“As dificuldades de um albino começam pela baixa visão e a falta de pigmento da pele. Sabe como é difícil você estar no ônibus ou numa sala de aula e ser ignorada por todos? Assim foi a minha trajetória até hoje” - Verônica Melo

“Ser albina é conviver com uma sociedade cheia de preconceitos e admirações também, pois infelizmente muitos ainda não entendem sobre o albinismo” - Viviane Ferreira

“Nós necessitamos de respeito e dignidade de toda e qualquer pessoa com e sem melanina, pois temos direito à vida, ao trabalho e às relações humanas, assim como qualquer outra pessoa” - Andreza Aguida

“Gostaria que o Governo Federal e todas as esferas lançassem um olhar para a população albina do Brasil e começassem a fazer políticas públicas. É disso que a gente precisa” - Roberto Rillo Biscaro

Acompanhe as redes sociais da SBD para conferir a campanha completa

Facebook: Sociedade Brasileira de Dermatologia
Instagram: @dermatologiasbd
Youtube: sbdonline

TELONA QUENTE 292

Roberto Rillo Bíscaro

Provavelmente, o único interesse que o primeiro filme da franquia Leprechaun ainda pode ter, é que se tratou da estreia de Jennifer Aniston. Diversos fatores sempre me afastaram da série de filmes, em português conhecidos como O Duende:
a) É “terrir” e não sou fã de terror com comédia ou vice-versa, porque agua o horror. Tirada cômica ali, outra acolá, beleza, mas descaradamente cômico não desperta meu interesse.
b) É anos 90, período cuja produção de terror me é menos cara.
c)   No caso específico do primeiro Duende, nunca me importei com Aniston e sequer sei os nomes dos personagens e atores de Friends. No início do milênio, vi maratona de episódios num dia de inverno nevado em Baltimore e achei mais interessante cavar a neve dos pneus do carro pra podermos ir jantar.
A Amazon Prime, porém, oferece o mais antigo e o mais recente item da franquia em seu catálogo. Tão facinho, que arrisquei, afinal, se odiasse, era só parar.
O Duende (1993) é uma espécie de Brinquedo Assassino folclorizado, tipo Chucky goes folk. Leprechauns são os gnomos sapateiros irlandeses, avaros em sua insaciedade aurífera. Pai e filha, que se mudam pruma cabana no meio do quase nada, se veem às voltas com uma dessas criaturinhas. Com um grupo composto por um bofe-galã, um gordinho mentalmente comprometido e um daqueles meninos com inteligência artificial de roteiro, Aniston tenta deter a criaturinha, que faz gracejos como Chucky, só que trocando “my” por “me”. Esse estereótipo gramatical é supertípico pra indicar britânicos/irlandeses. Só que o ator mantém seu sotaque ianque...
A começar de Aniston, tudo é ruim em O Duende, como sempre suspeitei. As mortes são chinfrins e poucas; restam as tentativas de graça do leprechaun andando de bicicleta e outras bobeiras de horror-comédia. Tem filme que é bom de tão ruim. O Duende só é ruim.
Ano passado, ressuscitaram a franquia, com O Retorno Do Duende. A mesma cabana será usada como república pra universitárias (longe pra burro do campus, por que elas quereriam viver naquele buraco?) e vez mais o duende ataca. Ao estilo Halloween 2018, este filme é continuação direta do primeiro, desconsiderando o resto da franquia. Tanto é que os eventos se passam 25 anos depois e o simpático Ozzy reaparece. A heroína é a filha da personagem de Aniston, que, claro, é cara demais pra ser contratada agora. Se ainda Leprechaun tivesse o mesmo status que Halloween, que consegue que Jamie Lee Curtis retorne de quando em vez...
O Retorno do Duende não é nenhuma obra-prima, mas suas mortes ao estilo Premonição são bem legais e criativas. Dessa vez o humor vem mais bem-calibrado e o leprechaun é mais maligno e assustador, embora solte suas pérolas de humor-negro nada politicamente correto. Sem contar as inúmeras alfinetadas e piadas infames com a hipocrisia da conservação ambiental e que tais.
Se quer diversão inconsequente, veja esse. E pode deixar o primeiro no esquecimento.

terça-feira, 11 de junho de 2019

TELINHA QUENTE 364



Roberto Rillo Bíscaro

Ao comentar a série polonesa Ultravioleta, da Netflix, apontei que a necessidade de tornar o grupo de detetives amadores infinitamente superior à tosca polícia resultou em roteiros algo simplórios, onde tudo dá certo muito rápido pros sherlocks internéticos. É como se um defeito puxasse outro.
Enquanto via a dezena de episódios de Vlucht HS13, vinha-me à cabeça amiúde como uma trama tão estapafúrdia, cheia de decisões estúpidas, pôde ser tão bem camuflada com ação e reviravoltas constantes, gente (muito) bonita e suspense, de modo a prender o espectador tão bem.
Minha única (acho e até agora) experiência com série holandesa for frustrante. Consegui, na marra, terminar a primeira temporada de Nieuwe Buren (tem na Amazon Prime). Não transfiro pra todo um país a responsabilidade pela chatice duma produção, mas quando percebi a estonteante Katja Schuurman na cena inicial, dei-me ultimato: se não levantar voo até o próximo episódio, vou parar nele.
Flight HS13, de acordo com o título pro mercado anglofalante, decola não apenas nominalmente, mas logo no capítulo um, e mais de uma vez. Liv e Simon Kraamer tem vida familiar de comercial de margarina num lindo, verde e afluente condomínio. Ela tem seu próprio negócio com o cunhado; Simon é médico do bem, até labutou anos no Irã, com os Médicos Sem Fronteiras. Na cena do almoço familiar que inicia a mini dá pra perceber algumas tensões entre aquela gente bonita, mas qual família não as tem? Logo depois, aprendemos que o maridón irá à Barcelona, no voo HS13, que cai em região montanhosa da França. Daí, Liv faz desconcertantes descobertas, que repercutirão nas vidas de toda a família e até em Teerã (e como!).
Usando a velha fórmula de desvendar segredos e neuras de família, Flight HS13 tem trama absurda na quantidade de decisões estúpidas tomadas pelas personagens e pelo alcance do inexplicado poder dum vingador. Mas, é tudo tão divertido e lotado de truques pra manter-nos fisgados á trama, que flui de boa.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

CAIXA DE MÚSICA 369

Sting resolveu remodelar alguns dos clássicos do Police e de sua carreira-solo. O resultado é o álbum My Songs, lançado dia 24 de maio.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

PAPIRO VIRTUAL 135

Um serial killer aterroriza mulheres em Copenhague e em cada vítima deixa um homúnculo feito de castanhas.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

TELONA QUENTE 291

Roberto Rillo Bíscaro

Já daria pra fazer disciplina de pós-graduação apenas sobre slasher films. Dividiria o curso tipo, a) antecedentes; b) Halloween; (fase áurea 78-84); c) Pânico e, daí, por diante, daria pra discutir cada convenção slasher usando um filme contemporâneo que as expusesse ou subvertesse ou zombasse. O que Scream fez no atacado, roteiristas têm esmiuçado à ponto de crer que não há mais pedra alguma a ser virada.

Todo semestre, saem uns 2 filmes divertidamente enfocando algum lugar comum slasher. Hell Fest é sobre o anonimato do assassino; Terror Nos Bastidores problematiza a final girl e olha que nem lembro mais quantos já resenhei.  

No finalzinho do ano passado, saiu You Might Be The Killer, resultado de uma série de tweets entre os escritores Sam Sykes e Chuck Wendig, que discutiam convenções dos filmes slasher. Brett Simmons, com mais duas mãos, escreveu roteiro em cima da ideia e acabou dirigindo a película. Não é à toa que boa parte da exposição em You Might Be The Killer (YMBTK) é feita por conversa telefônica entre as duas personagens centrais Sam e Chuck. Até aí a metalinguagem predomina.

No acampamento Camp Clear Vista, supervisores começam a morrer como moscas nas mãos de um serial killer mascarado. O chefe dos monitores, Sam, liga pra Chuck, sua melhor amiga e experta em convenções slasher, e os dois chegam á conclusão de que o próprio Sam pode ser o assassino. Desta vez, a convenção enfatizada é a da identidade secreta do maníaco mascarado.

Subverter/Trazer à berlinda uma convenção não significa abandonar outras e YMBTK é enciclopédia de referências. Chuck explica cada um dos lugares-comuns slasher e a trama, nomes das personagens e produção aludem a tudo quanto é slice’n’dice digno de nota, especialmente os passados em acampamentos, dois quais Sexta-Feira 13 é a matriz.

Nesse jorro autorreferente e paródico, há personagens chamadas Fred, Nancy e Jamie, que, para espectador leigo pode não significar nada, mas para fãs slasher são Freddie Kruegger e sua final girl mais famosa e Jamie é, claro, a Lee Cutis, de Halloween. Aliás, Laurie Strode é citada nominalmente, bem como Nancy. Só não espere individualidade; a maioria está no roteiro apenas pra ser morta. É desculpa pra morte slasher e não gente, o que não seriam mesmo, anyway, porque é só um filme.

Só não há alguém chamado Jason, mas nem é necessário, porque a máscara, roupa, modo de caminhar e matar e até o característico kikikiki mamama estão na composição do assassino, que, então, desde logo sabemos quem é.

Visualmente, YMBTK remete tanto ao ápice oitentista desse tipo de filme, como aos vídeos de body counts, encontráveis aos montes no Youtube. A cada personagem morta, aparece o número na tela. Será que hoje não dá mais pra fazer slasher que não explicite sua autoparódia?

Há mortes bem legais e gruesome, como amamos, mas, a ênfase na forma e nas convenções, como sempre, tira o suspense e o terror. Como levar susto se há alguém prevendo o que acontecerá? Por mais divertidos que sejam esses metaslashers sempre dão a impressão de masturbação mental de conhecedor enciclopédico.

You Might Be The Killer serve pra se entreter numa tarde/noite, com amigos ou, como prefiro, com saquinhos de amendoim ou queijo nozinho.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

CONTANDO A VIDA 275


MÚSICA BREGA E O ESPELHO DO NARCISO (1)


José Carlos Sebe Bom Meihy

Com estranha insistência tem me vindo à cabeça uma frase fatal, escrita por Thomas Mann em um dos meus livros favoritos “José e seus irmãos”. Diz o autor alemão, filho de mãe brasileira: “é muito fundo o poço do passado. Não seria melhor dizermos que é um poço sem fundo? Quanto mais fundo sondamos... Quanto mais longe nos aventuramos nas sondagens, mais distante nos parece o fundo do poço e, à medida que vamos descobrindo novos pontos de apoio e atingindo aparentes metas, mais longe temos de levar a nossa sonda, que se estira e se aprofunda cada vez mais, como se tudo quanto encontramos e investigável estivesse preparado para zombar das nossas laboriosas pesquisas... Há, portanto origens provisórias...”. Confesso que esta passagem dói em mim, em especial quando alguém ilumina um caminho escuro retraçado pela memória de minha geração. Sim, é difícil ser brasileiro e a eternidade desta nossa sina grita forte quando olhamos o passado recente, aquele que ambientou um grupo de jovens que ousou sonhar com um Brasil diferente daquele que temos em mãos. E exatamente quando ataques virulentos se manifestam com o conhecimento filosófico ou humanístico, a dor chega a convocar desilusões.
Diria que entre os dilemas que aturdem nossas dúvidas está a qualidade da consciência de classe. Vivemos propalando que somos brasileiros acima de tudo e esquecemos que alguns são brasileiros acima de todos os outros, como se não fossem brasileiros, não tivessem os mesmos direitos e oportunidades. A cultura formal, o acesso à educação neste país tem sido dos privilegiados, dos brancos, cidadãos urbanos e proprietários, de uma minoria que podemos chamar de elite. E assim vamos vivendo como se todos nascêssemos iguais, homogêneos socialmente, e partilhamos supostos falsos como a valorização da meritocracia. Nada mais melancólico do que supor igualdades a partir de pontos de partida diferentes. Os vivas dados à meritocracia se entoam considerando os mesmos níveis de partida, desprezando lugares diversos de saídas. Penso nos interiores de estados como Piauí, Maranhão, Pará. E mesmo sem ir tão longe considero as periferias das grandes e médias cidades, e nelas situo legiões de jovens desfavorecidos, também os negros e pardos, e então, mais do que indignado com o apagamento das diferenças, me sondo do juízo lógico da nossa classe média. E como não falar de exclusão silenciosa e perversa? E como suportar a ignorância de uma elite minúscula que teve seu passado constituído pelo trabalho, durante 400 anos, pelo maior contingente de escravos negros da história? E que essas vítimas da servidão foram libertadas sem um projeto de participação na sociedade? Arde em mim pensar que ao mesmo tempo em que compusemos uma sociedade de classe ainda tenhamos uma das mais berrantes diferenças de condições do planeta.
Mas como já sabemos que o entendimento do Brasil não é matéria para iniciantes, convido a uma visita a um tema que nos afeta de maneira contundente: a música popular. Motivado por busca de compreensão do que seria nossa cultura popular, provoquei alguns debates em minhas redes sociais. E com viço insuspeitado vi aflorada uma determinação interessante: o olhar desprezível sobre algumas manifestações sonoras do “outro”. O termo estética aqui é usado propositadamente, até porque é complicado entender que os chamados subalternos, o tal “povão”, a classe C ou D detenha alguma lógica próxima do bom gosto elegante, das manifestações ditas apuradas. Ressalta assim o nosso poder julgador e os tais outros viram bregas, cafona, sem gosto.
A par desta constatação emerge outro constrangimento. A cultura brasileira em geral simplesmente apagou da consideração de estudos sobre o passado este tema que aos poucos foi sendo esquecido e até visto como exótico, coisa quase que folclórica. A desqualificação é uma das estratégias de apagamento de um pretérito que foi imperfeito na configuração da modernidade brasileira. E no lugar, novos figurantes – Roberto Carlos, por exemplo – foram se constituindo com base de novos acordes e entonações. Posto isto, fica estabelecido um pressuposto aberto às análises: música brega deixou de existir e foi esquecida, ou, no processo de constituição de uma nova elite urbana deu lugar à outra estética, evoluída daquela antes negada? Traduzindo de maneira mais simples, Roberto Carlos e correlatos seriam adaptações da breguice? Afinal, há acertos em se considerar a MPB uma variante da cafonália? Caso haja concordância, a não consideração da música brega seria justificada? Apelando para Caetano, “Narciso acha feio o que não é espelho”?
Por incrível que pareça, os mais importantes autores de história da nossa música e de antologias da chamada nossa música popular não levaram avante o registro da soma de canções que, afinal, se constituíram no mais aceito gênero pelas camadas numericamente mais populosas do país. Note-se que nesse caldo estão autores como Zuza Homem de Melo, Tarik de Souza, Nelson Mota, Sergio Cabral e mesmo o pessoal de esquerda como José Ramos Tinhorão ou Ruy Castro tiveram a sensibilidade de relevar tal gênero que foi à época o mais vendido, tocado e considerado na alma brasileira.
   
ARAÚJO, Paulo Cesar de. Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar. Rio de janeiro: Record, 2010. 7ª. Ed. 458p.

terça-feira, 4 de junho de 2019

SAI ANO, ENTRA ANO...

Novos casos de rapto e assassinato de albinos em Moçambique

Moçambique volta a registar o rapto e assassinato de pessoas com albinismo. São os primeiros casos reportados este ano. A Associação de Apoio a Albinos de Moçambique pede ao Governo para agir.


O Ministério Público confirma que este ano foram registados novos casos de rapto e assassinato de crianças com albinismo na província de Nampula, norte de Moçambique.

"Tivemos duas situações", diz a procuradora-geral adjunta Amabélia Chuquela.

Em março, um menino de seis anos desapareceu no distrito de Larde e, este mês, uma menina de 11 anos foi raptada no distrito de Murrupula e depois encontrada morta, com os membros cortados.

Estes são os primeiros casos de rapto e assassinato de pessoas com albinismo reportados nos últimos meses no país, depois de um período crítico em que foram registados 60 casos só em 2015.

Chuquela confessa que está preocupada e diz que é preciso "perceber porque estão a surgir novamente essas situações".

"Governo está a fazer pouco"

O presidente da Associação de Apoio a Albinos de Moçambique (ALBIMOZ) adianta uma possível causa para o ressurgimento destes casos: a falta de coordenação entre o Governo e as organizações no terreno.

"O Governo precisa de respeitar as organizações", afirma William Savanguane. "As organizações é que estão no terreno, conhecem as pessoas. Trabalham diretamente com elas. Então, para as podermos proteger, é preciso que haja reconhecimento dessas organizações. Não que o Governo não faça isso, reconhece, só que está a fazer pouco."

As autoridades já estão a investigar os dois casos reportados este ano, informou a procuradora-geral adjunta, Amabélia Chuquela.

"No primeiro processo de Larde ainda não são conhecidos os autores, ainda está em investigação, mas no segundo processo, em Murrupula, já há três arguidos presos", diz Chuquela.

Associação pede lei específica

O assassinato de pessoas com albinismo é praticado por indivíduos que acreditam em poderes mágicos de poções e amuletos produzidos a partir de partes do corpo daquele grupo de pessoas.

Tal prática é alegadamente promovida por médicos tradicionais. Para William Savanguane, que tem defendido a criação de uma lei específica de proteção das pessoas com albinismo, é necessária uma ação enérgica do Governo junto da Associação de Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO).

"Tem que haver a realização de campanhas de consciencialização sobre o papel da AMETRAMO e a denúncia de práticas que não se enquadram no exercício normal da medicina tradicional", alerta Savanguane.

A ALBIMOZ defende ainda uma maior "consciencialização sobre o albinismo, e, nos diferentes meios de comunicação, é preciso combater fortemente os mitos que resultam em discriminação e exclusão."