segunda-feira, 29 de setembro de 2014

ZOOFILIA DOMÉSTICA



Raro guaxinim albino filmado em quintal nos EUA

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

GOZO

Síndrome faz homem ter mais de cem orgasmos por dia

"Imagine a si mesmo nessa situação: é o enterro do seu pai e você está ajoelhado ao lado do caixão, se despedindo para sempre dele. De repente, tem nove orgasmos. Bem aí, com a família toda de pé atrás de você."
Esse é um dia na vida de Dale Decker, um americano de 37 anos que sofre da síndrome da excitação sexual persistente, conhecida pela sigla em inglês PSAS.
Ele desenvolveu o transtorno em 2012, quando feriu uma vértebra em uma pequena queda.
Em uma entrevista ao canal de internet Bancroft TV, Decker afirmou que a síndrome o faz ter cerca de cem orgasmos por dia em situações importunas, como em público, no trabalho ou em frente aos filhos.
"Não há nada de prazeroso nisso porque apesar de se sentir fisicamente bem, você fica mal pelo que está acontecendo", disse ele.
"A tal ponto que você não quer ter um orgasmo nunca mais."

Mais conhecida em mulheres

O caso de Decker expõe uma síndrome que até agora só era atribuída a mulheres.
"Não conheço nenhum caso documentado do transtorno em homens", disse à BBC em espanhol Francisca Molero, vice-presidente da Federação Espanhola de Associações de Sexologia e autora de um estudo sobre o tema.
"Mas isso não quer dizer que não os afete, pois há uma lacuna de conhecimento sobre a conexão entre o cérebro e a resposta genital", afirmou.
"O caso de Dale Decker se encontra dentro das probabilidades e tem uma interpretação teórica clara", disse.
Segundo ela, as ereções espontâneas nos homens "existiram sempre e nunca foram vistas como algo negativo, mas como sinal de poder masculino". Já a excitação feminina é vista como algo a se esconder.
Segundo a especialista, até 2013, havia entre 400 e 500 casos da síndrome documentados no mundo, mas a incidência deve ser ainda maior.

Causas ignoradas

A síndrome é descrita como uma sensação de excitação genital sem um desencadeante sexual prévio, que persiste por períodos prolongados.
As causas do transtorno não são conhecidas, mas as investigações apontam para um leque de possibilidades: fatores neurológicos, vasculares, hormonais ou como efeitos secundários de medicamentos.
Não tem, portanto, a ver com a hipersexualidade ou com o aumento extremo da libido ou com orgasmos múltiplos.
A situação não desemboca sempre em um orgasmo e, mesmo que isso ocorra, a sensação não desaparece, explica a sexóloga.
Além disso, o fato de a sensação ser percebida pelo paciente como algo intrusivo, alheio a seu próprio desejo e, portanto, negativo pode intensificar a resposta.
Molero explica o caso com uma analogia: "É como quando alguém tem um pensamento desagradável e quer tirá-lo da cabeça. Quanto mais tenta, mais fixa atenção nele".
A consequência é que a culpa se torna inerente à síndrome, na maioria dos casos.
O tratamento mais eficaz é a terapia cognitiva-sexual, enfocada em objetivos claros, soluções no presente, e 'tarefas de casa' que auxiliem os pacientes a lograr a mudança desejada.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140923_sindrome_orgasmo_lk

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

CONTANDO A VIDA 80

O rol de escolhas para essas eleições está tão variado - negros, mulheres, deficientes, evangélicos, mulheres - que nosso historiador-cronista resolveu problematizar algumas questões de identidade grupal.
Será que ele revelará seu voto? Leia e descubra...  


MEU VOTO VAI PARA...

José Carlos Sebe Bom Meihy
Faltam poucos dias para as eleições. Sobram dúvidas e perplexidades, pois afinal é tempo de definir em quem votar. O “voto nulo” não cabe, pois temos que respeitar nosso direito de participação, arrancado que foi por anos de interdição política. Por todos os motivos, no entanto, o atual pleito se mostra dos mais difíceis. E não faltam motivos que vão desde acasos – e o mais fatal foi o desastre que matou o candidato Eduardo Campos – até o congestionamento de causas. Nunca antes na história deste país apareceram tantas bandeiras defendendo segmentos menos privilegiados. São negros, mulheres, “deficientes”, religiosos de várias filiações, representações de categorias de trabalho e orientação sexual. Nem faltam defensores da natureza nos diversos reinos: animais, vegetais e minerais. É tanta coisa que nos perdemos em alternativas que, contudo, reclamam posições. É bom lembrar que todo este universo variado é positivo. A democracia representativa tem que ser realmente atestado das diferenças e todas devem caber no espaço político eleitoral. Sem limites, diga-se. A jovialidade do nosso processo – ressuscitado depois da morte imposta pelos ditadores por duas décadas – ainda não permitiu depurações críticas. Sem dúvidas, isso confunde o eleitor que se vê perdido entre tantas possibilidades.
Constitucionalmente, somos um Estado Laico. Esta constatação elementar coloca na pauta do dia um dilema central: como explicar a existência de 327 candidatos crentes, concorrendo a diversos cargos? Devemos lembrar que estes números se somam aos três senadores e 70 deputados já estabelecidos, constituindo-se na terceira maior bancada da Câmara. Direito eles têm – e temos que respeitá-los. Na mesma senda, porém, cabe reconhecer que eles são ativos e interferem em pautas importantes como o direito da mulher optar por gestação, casamento de homossexuais, uso de experiências com células tronco etc. Tudo bem que eles podem brigar por suas causas e, exatamente por vivermos o tal Estado Democrático, temos que lutar por isso, mas até onde este caráter militante não ganha foros de “voto de cabresto”? Enquanto não amadurecemos estas questões, assistimos políticos cortejando templos, comungando ostensivamente, evocando o santo nome de Deus em vão.
Com o “voto negro” o processo não é muito diferente. Segundo os registros no TSE, cerca de 55% dos eleitores são negros ou pardos e isso nunca ocorreu com tal intensidade e na mesma ordem, nem tantos candidatos se apresentaram para representar seus pares. Respeitando a premissa que reza que “democracia não tem cor”, sabe-se da importância da luta para o pertencimento desse segmento. No caso dos negros há um elemento a mais a ser considerado: a questão de classe e a violência histórica que se reflete, por exemplo, na cifra absurda da morte provocada de tantos jovens “de cor”. O pressuposto “negro vota em negro” abriga ambigüidades sérias, do tipo: e se o negro for evangélico?
Esta questão, aliás, joga o problema para um poço ainda mais movediço: e se ao fato de ser evangélico e negro, for mulher? O contingente feminino nesta eleição repete a cifra multiplicada de “minorias votantes”. Será que o fato das mulheres representarem tantos sufrágios alterará o metabolismo da escolha? Qual o impacto das três candidatas à presidência serem mulheres? Onde estão – pergunta-se - as pautas femininas? Entre os muitos estranhamentos desta campanha a ausência de discussão sobre a saúde da mulher chega a chocar. Mas, não bastassem estes dilemas – raciais, religiosos, de gênero – há ainda uma fato a mais: os chamados erroneamente “deficientes físicos”. A demonstrar a carência de agenda para elementos que compõem este grupo, ressalta-se a confusão comum entre “doença” e “funcionalidade”. Esta, salienta-se, deveria ser uma pauta defendida por tantos que têm algum tipo de inibição funcional. Porque não respeitamos devidamente este tipo de “minoria”, acabamos nos confundindo e prestando atenção maior às demais características,  que catalisam votos. Finalmente, chego a um ponto importante. Pensemos no direito de grupos que historicamente não ganharam dimensão representativa. Meu voto então vai para... 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

TELINHA QUENTE 135


Brasileiro é cordial e gosta de futebol e samba; francês não gosta de banho e se recusa a falar inglês com turistas; japonês é inteligente. Estereótipos são reduções que supostamente ajudam a entender a complexidade do real, mas também apagam nuanças.
A Islândia tem fama de ser supersticiosa. Há histórias de estradas cuja rota de construção foi desviada porque uma pedra ou árvore no caminho era casa de elfo ou considerada sagrada pela população. O drama policial com toques de sobrenatural, Hamarinn (2009) – no Brasil exibido por canal pago com o título O Penhasco – usa esse estereótipo com propriedade, afinal, a minissérie em 4 capítulos foi produzida na pequena ilha da Europa setentrional.  
Numa noite misteriosa, onde luzes estranhas são vistas no céu, um acidente rural deixa um jovem campesino entre a vida e a morte. Um detetive da capital vem ao interior pra ajudar na investigação, que adquire tons sobrenaturais devido a poderes do penhasco, que corre o risco de desaparecer pra dar lugar a uma represa. Paralelamente, o lado humano das picuinhas da vida em regiões isoladas também apimenta e torna complexa a investigação.
Hamarinn é lenta e não muito barulhenta e ao final do primeiro capítulo já sabemos se o lado humano ou o sobrenatural é o responsável pelo crime. Mesmo assim, há interesse, porque as 2 dimensões estão muito bem integradas, como se fizessem realmente parte do cotidiano islandês, ou, pelo menos, do majestoso interior da ilha, lindamente fotografado.
Pena que a resolução do conflito seja algo atropelada e uma das sub-tramas inconclusa. O Penhasco evita fingir que tem orçamento de TV norte-americana e foca nas interpretações e na psicologia das personagens, embora haja uma cena digna de série endinheirada.  
Vale a pena conferir pra conhecer um Nordic Noir produzido fora da tríade Dinamarca/Suécia/Noruega. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

ABERTURA INCLUSIVA

Mercado está cada vez mais aberto para pessoas com deficiência, diz Senai

Mariana Tokarnia
O mercado está se abrindo cada vez mais para as pessoas com deficiência, segundo a coordenadora do Programa de Ações Inclusivas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Adriana Barufaldi. As contratações, em alguns casos, chegam a ultrapassar o percentual estipulado em lei. "A gente percebe que, em algumas situações, a empresa começa [a contratar] para atender a lei e depois que desenvolve a cultura inclusiva, dispõe-se a abrir postos de trabalho para essas pessoas", diz.
O Senai ainda não tem dados oficiais dessa procura, mas relata que cada vez mais empresários têm buscado a entidade para adequar o ambiente de trabalho à inclusão. Pela Lei 8.213/1991, de 2% a 5% dos cargos de empresas com 100 ou mais empregados devem ser ocupados por pessoas com deficiência.
Desde 2007, cerca de 80 mil pessoas com algum tipo de deficiência passaram pelo programa do Senai. Só no ano passado, foram 30 mil. Para a coordenadora, "existe uma eficiência, e não uma deficiência. Esses alunos são capazes de responder à qualificação e responder ao mercado de trabalho tanto quanto qualquer outra pessoa".
Mulheres com formação técnica são maioria no mercado de trabalho
Robótica pode despertar interesse de estudantes por exatas
No entanto, uma condição necessária para a inserção é um ambiente acessível e, nisso, ainda há carências. "Não são só as empresas que têm problemas de acessibilidade. O Brasil é um país que ainda está se construindo na cultura da acessibilidade. O que a gente percebe nas empresas é a situação de um cotidiano e de uma sociedade que precisa rever seus padrões e seus valores", explica.
Na Olimpíada do Conhecimento, 45 pessoas com algum tipo de deficiência competem em costura, panificação, mecânica de automóveis e tecnologia da informação.
Jonathan Inácio é de Londrina, no Paraná. Cego, ele disputa em tecnologia da informação. "O deficiente visual, para ser inserido no mercado de trabalho, ainda tem que lutar muito. É muito difícil. Mas a gente vai caminhando aos poucos. " Para garantir uma vaga, ele aposta na formação. "Quanto maior a profissionalização, mais fácil fica."
Luciano Ferreira é paraplégico. Ele era metalúrgico e sofreu um acidente de trabalho há sete anos. Para não ficar fora do mercado de trabalho, buscou formação em mecânica de automóvel e está na Olimpíada entre os melhores do país. "Não sei qual a posição, mas um lugar no pódio será meu", diz com segurança o competidor natural de Campina Grande, que representa a Paraíba na etapa nacional.
"A gente tem encontrado dificuldade no mercado de trabalho, mas a barreira é arquitetônica. Não temos limite intelectual. O maior problema é a acessibilidade", analisa.
Minas Gerais tem competidores nas quatro áreas da Olimpíada deste ano. A chefe de equipe, Natalia Trindade, diz que apesar do aumento das vagas no mercado de trabalho, elas ainda não são criadas na proporção suficiente. A dica para as pessoas com deficiência é buscar uma boa formação para se destacar. Desde a última edição, em 2012, a Olimpíada tem modalidades voltadas para pessoas com deficiência. "O espaço é bom para mostrar o trabalho."
Ontem (6), no último dia de competição, Nelcy Andrade, mãe de João Marcos de Andrade, assistiu o filho em uma das provas de panificação. Ele representa o Rio de Janeiro. "Eu sempre eduquei ele para ser independente. Ele vai para escola, pega dois ônibus, paga contas. Sempre eduquei ele pra isso", diz sobre o filho com síndrome de Down. "O João já recebeu até algumas propostas de emprego, mas teve que recusar por causa da olimpíada. Mas ele quer trabalhar, quer montar a própria padaria", revela a mãe.
A Olimpíada do Conhecimento, a maior de educação profissional das Américas, é realizada de dois em dois anos pelo Senai. O evento está na oitava edição e ocorre em Belo Horizonte. Hoje (7), será a premiação. Participam mais de 700 jovens.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-09/mercado-de-trabalho-esta-cada-vez-mais-aberto-para-pessoas-com-deficiencia

sábado, 20 de setembro de 2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

MAIS ALBINISMO NO CÂMERA RECORD

Em 2009, o Câmera Record fez uma edição sobre albinismo, da qual participamos Gustavo Lacerda, Andreza Cavalli e eu. Parte do programa enfocou a Ilha de Lençois (MA), famosa pela incidência alta de albinismo entre a população. Hoje, a Record volta à ilha, veja

 Conheça a "Ilha dos Albinos" no Câmera Record

 
Cinco anos depois do Câmera Record ter apresentado esta região isolada ao País, os reporteres do programa voltam ao lugar que ficou conhecido como "A Ilha dos Albinos", uma área de paisagens espetaculares, mas de difícil acesso e ainda pouco conhecido pelos brasileiros.
Você vai poder conhecer os vários mistérios da ilha. Um homem que reconstrói a própria casa a cada dois anos. Por que será que ele não consegue morar no mesmo lugar por muito tempo?
Uma ilha isolada é o lugar perfeito para se viver uma grande história do amor. Telma, por exemplo, é albina e deixou o filho nas dunas em busca de um grande amor. 
O programa reencontrou o seu Macieira, um homem albino de quase 80 anos que foi obrigado a deixar a ilha e, com ela, o neto querido. A equipe acompanhou a luta de Seu Macieira para resgatar a criança. 
A repórter Vanessa Liborio mostra como é possível um albino sobreviver a tanta exposição ao Sol e a tanto calor e a luta para se alimentar e ganhar dinheiro num lugar tão afastado.
Não perca o Câmera Record desta quarta-feira (17), logo após A Fazenda.
http://noticias.r7.com/camera-record/conheca-a-ilha-dos-albinos-no-camera-record-15092014

Que tal relembrarmos o programa de 2009?

 

CONTANDO A VIDA 79

Nosso cronista-historiador fala sobre a implicância com e a importância do horário eleitoral gratuito.

MAIS DO MESMO: sobre o horário eleitoral.

José Carlos Sebe Bom Meihy.

Houve um tempo em que eu detestava o período eleitoral. Por lógico, isto se deu antes da instalação do regime militar. A ditadura fez ver meu engano e como seria fértil o tempo de escolhas e de direito de manifestação livre e democrática. Foram longos os 21 anos de imposição de silêncios e afastamento dos cidadãos comuns das decisões que lhes dizem respeito. O cala-boca eleitoral, contudo, foi dos mais eficientes recursos usados por personagens que não seriam eleitos fora daqueles mandos. Mas era tudo muito sutil e disfarçado, pois tínhamos “presidentes” eleitos, só que por colégios eleitorais, fato que, de certa maneira, camuflava o sagrado direito de escolhas de nossos representantes. Quantos se sentiam aviltados com a censura eleitoral aprenderam a cultivar o respeito às oportunidades de escolha. O tempo passou e ainda que as cicatrizes da interdição democrática não tenham se fechado – pelo contrário, ainda sangram e nos colocam na espreita de achar nossos mortos e desaparecidos – vemo-nos ante nova etapa da construção da liberdade. É difícil admitir, mas o frio ditatorial praticamente envenenou os nutrientes que poderiam ter alimentado árvores mais frondosas. Passado aquele inverno, desde a Abertura Política dos anos de 1980, vivemos uma espécie de aprendizado forçado, onde o infantilismo das campanhas chega a nos diminuir enquanto cidadãos maduros. Com freqüência ouvimos brados, às vezes até inconformados, com os “famigerados horários políticos”. Sei de pessoas que “aproveitam” esse tempo para as tais “outras coisas” como cozinhar, navegar na internet, tirar uma soneca. Não poucos são os que desligam os aparelhos eletrônicos e pouco mais fazem que reclamar o atraso do horário das novelas. Até entendo tais atitudes em jovens que não vivenciaram o drama de espera eleitoral. É, contudo, necessário ver o outro lado da questão. Há vantagens.
Aprendi a gostar do horário político. Mais: acolho com fervor a sucessão muitas vezes ridícula de falas rápidas, figuras incríveis, vexatórias, alcunhas inacreditáveis. Antes de me irritar, creiam, respeito profundamente o direito de representação, seja qual for sua matriz. É exatamente pela variedade de tipos e propostas que meço a busca desesperada de uma democracia mais constituída. Temos que pagar e é custoso o preço de termos suportado por tanto tempo o autoritarismo quartelesco. Tamanha foi a força desse processo que tivemos figuras como Pelé que, em 1972, no auge da tirania bradava que “povo não sabe votar”. Aliás, vale lembrar que esta “preciosa” máxima, cunhada pelos ideólogos da ditadura vigora até hoje. E não são poucos os que reptem sem critério algum o jargão excludente. E as lições do passado nos assaltam de maneira surpreendente. Não sabemos votar? Como assim? Quais os patamares que garantem isso? Historicamente, o Brasil sempre aliou o voto aos donos do poder. Agentes que “compram” eleitores nunca deixaram os despossuídos ter voz e quando estes aparecem na cena supõem enganá-los com facilidade. Foi assim até 1988, quando finalmente a Constituição permitiu direito ao voto aos analfabetos. Conclui-se então que ao invés de ser artifício de integração, o poder votar sempre foi marginalizador. Sim, democracia se aprende. Não nascemos sabendo como lidar com a representação civil. O voto é a grande escola da liberdade negociada e temos que aliar o direito ao respeito à opinião alheia. Centremos nossos argumentos no direito de representação. É por ele que temos que declinar a imposição de nossas ideias sobre a escolha dos outros. Seja qual for o candidato, valha qualquer que seja o artifício usado para atrair seu eleitor, vale tudo na democracia. Tudo. Inclusive e principalmente o direito de ser diferente e até “comprado”.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

TELINHA QUENTE 134

Pow! Sock! Wham!

Roberto Rillo Bíscaro

Quando eu tinha uns 10, 12 anos, adorava o seriado do Batman. Creio que a última vez que assisti a um episódio, devia ter essa idade, depois nem sei se as emissoras transmitiam a Dupla Dinâmica. Na época, percebia o show como de aventura, sem nenhum toque de humor.
35 anos mais tarde, vi os 120 episódios que constituem as 3 temporadas, originalmente transmitidas pela ABC, entre 1966-68. Que díspar a recepção agora que estou cerca de completar meio século. Deu pra entender um par de coisas sobre esse fenômeno de audiência.
A série tinha o poder de agradar crianças e adultos. Agora compreendo que nós maiores somos fisgados pelo humor impagável que flerta com o nonsense.  Imagine: Batman e Robin entram numa boate e uma moça aproxima-se do morcegão pra xavecá-lo e ele diz que quer passar despercebido. Com aquela roupa? É um disparate atrás do outro; as lições de moral que pra adultos funcionam como piadas, porque dadas em situações fora de cabimento, enfim, como Bruce Wayne e Dick Grayson, Batman, a série, tem 2 identidades.
Astros de cine com carreiras em baixa participavam como vilões. Na época, a TV estava longe de ter o status atual. Ator ”sério” fazia sucesso no teatro ou no cine, mas quando a carreira não decolava ou estava a despencar, ganhar uma graninha na TV era opção boa. A relação de famosos de então é extensa:

George Sanders como Mr. Freeze, Ann Baxter como Zelda, ambos do clássico A Malvada. Burgess Meredith deixava a Broadway de vez em quando pra faturar uns trocos como Pinguim. Quem lembra que nos anos 90, Burgess ressurgiria como o pai de Jack Lemmon, em 2 Velhos Rabugentos?
David Wayne, o primeiro pai de Pamela Barnes Ewing foi o Chapeleiro Maluco, vilão q apareceu pouco. E não é que Alexis Morel Carrington Colby Dexter Rowan também foi vilã, a Sereia? 
As 2 primeiras temporadas lembram serials muito concisos. Histórias divididas em 2 capítulos, sendo que ao final do primeiro os heróis encontravam-se em situação de perigo mortal e no episódio seguinte safavam-se no último instante, de forma estapafúrdia.
As interpretações vão ficando cada vez mais canastronas. Será que os produtores perceberam que o público adulto via Batman pelo seu caráter cult de quanto pior, melhor? Ou os atores eram ruins mesmo? Nunca vi Burt Ward em outro papel que não fosse Robin, então não tenho parâmetro de julgamento. Mas, meu instinto insiste que ele era mau ator mesmo.
Impagável como as identidades secretas de Batman e Robin não foram reveladas um sem número de vezes. Bastaria arrancar a máscara de Robin, que aliás, não cobria nada! Se bem que o Super-Homem tinha apenas óculos como disfarce...

E o bat-fone chamando a atenção na mansão de Bruce Wayne? E a voz idêntica de Bruce e do Homem-Morcego, será que o Comissário Gordon nunca se tocou? Episódios há em que ele fala com as 2 personagens em sucessão!
O cinto de utilidades é legendário e motivo de escárnio devido aos desatinos que carrega, mas não é que Batman se saiu melhor do que muita ficção-científica “séria” no quesito antecipação de porvir tecnológico? O computador da bat-caverna, mesmo cuspindo aqueles papeizinhos primitivos, muitas vezes cumpre funções hoje realizadas pela internet ou pelo Google e um par de vezes um telefone móvel mostrou aos sessentistas o que seria um celular, que viria ao mundo apenas nos 80’s.  
As cores são superlativadas, os diálogos hiperbólicos em trocadilhos, assonâncias e aliterações. Tudo em Batman é psicodelia sem o menor pé no real.
Mas, toda piada perde a graça e exagero enjoa. Lição que aprendi vendo Batman como adulto: o público deve ter saturado de 2 episódios por semana e na terceira temporada as aventuras resumiam-se a episódio único. Como o orçamento despencou, as aventuras constituíam-se num trololó sem fim, e nem a adição da Batgirl salvou a série do cancelamento.    
Santa overdose, Batman! Jamais terei saco pra ver outro episódio, mas a canção-tema provou ser mesmo um clássico. Ouvi o surf-rock, que foi até regravado pelo punk The Jam, as 120 vezes e nada de enjoar!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ABRANGÊNCIA


Projeto cria política nacional para pessoas com albinismo
 
A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7762/14, do Senado, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Albinismo. Entre as ações da política estão a criação de um cadastro nacional de pessoas com albinismo e a capacitação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).
A proposta pretende assegurar aos albinos acesso a atendimento dermatológico (incluindo protetor solar e medicamentos essenciais), a tratamento não farmacológico e a terapias para tratar lesões na pele. Os albinos também terão direito, segundo o projeto, a atendimento oftalmológico especializado, incluindo lentes especiais e tratamento da baixa visão e da fotofobia.
O texto original do projeto, apresentado pelo senador Eduardo Amorim (PSC-SE), previa apenas a distribuição gratuita de protetores e bloqueadores solares pelo SUS aos portadores do distúrbio genético. A proposta foi alterada pelo relator, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que ampliou os objetivos e as ações do projeto.
Tramitação
A proposta será analisada conclusivamente pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

sábado, 13 de setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

RARIDADE CAPTURADA

Raras lagostas albinas e amarela são apanhadas nos EUA



Três lagostas extremamente raras, sendo duas albinas e uma amarela, foram apanhadas com poucos dias de diferença no estado do Maine (EUA).
Três lagostas extremamente raras, sendo duas albinas e uma amarela, foram apanhadas com poucos dias de diferença no estado do Maine (Foto: Elizabeth Watkinson/Owls Head Lobster Company/AP)Três lagostas extremamente raras, sendo duas albinas e uma amarela, foram apanhadas com poucos dias de diferença no estado do Maine (Foto: Elizabeth Watkinson/Owls Head Lobster Company/AP)

Segundo especialistas, a incidência de uma lagosta albina é de uma em 100 milhões. No caso da lagosta amarela, a probabilidade é de uma em 30 milhões.
Raras lagostas albinas foram apanhadas por Bret Philbrick e Joe Bates (Foto: Elizabeth Watkinson/Owls Head Lobster Company/AP)Raras lagostas albinas foram apanhadas por Bret Philbrick e Joe Bates (Foto: Elizabeth Watkinson/Owls Head Lobster Company/AP)
"Eu fiquei surpreso. Chocado, na verdade ", disse o pescador Joe Bates, que pegou uma das lagostas albinas a 1,5 km da costa de Rockland.
A outra lagosta albina foi fisgada pelo pescador Bret Philbrick. As duas lagostas albinas têm cerca de 5 ou 6 anos de idade.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/09/raras-lagostas-albinas-e-amarela-sao-apanhadas-nos-eua.html

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ZOOFILIA COM LONTRA

Lontra albina completa um ano morando em parque de João Pessoa

Data foi celebrada com um bolo feito a base de carnes para a lontra.
Animal chegou na Bica com dois meses por estar em situação de risco.

Lontra albina comemorou um ano na Bica com bolo de carnes (Foto: Fabiana Zermiani/Bica)Lontra albina comemorou um ano na Bica com bolo de carnes (Foto: Fabiana Zermiani/Bica)

A lontra albina do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa, comemora nesta quarta-feira (10) um ano que está morando na nova casa. A data foi celebrada com um bolo feito a base de carnes, uma mistura de frango e peixes.
 O animal foi encaminhado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/PB) à Bica porque estava em situação de risco. O animal, que é um macho, chegou ao parque com aproximadamente dois meses de idade.

Lontras albinas são raras (Foto: Fabiana Zermiani/Bica)Lontras albinas são raras, segundo a Bica
(Foto: Fabiana Zermiani/Bica)
Ele estava na fase de amamentação e passou a ser alimentado com dieta adequada às necessidades da espécie e acompanhada pelos técnicos do Zoológico, segundo informações da Bica. Os maiores cuidados ficaram com o Setor de Neonatologia. Por se tratar de um filhote, os técnicos tiveram cuidado redobrado também com a higienização.
 Hoje, a lontra albina se alimenta sozinha, com uma dieta balanceada, pesada diariamente, na qual são oferecidos, tanto peixe vivo como abatido, carne bovina, fígado, coração e frango, além da suplementação com vitaminas. As presas vivas, no caso de peixes e esporadicamente, caranguejos, são utilizados para estimular o nado e para não perder o comportamento natural, que é a caça.
 A lontra albina, condição caracterizada pela falta de melanina no corpo, é rara pois esses animais geralmente têm coloração marrom a parda. A que mora na Bica tem a pelagem bastante clara e olhos avermelhados. Só se tem conhecimento do registro de um caso de albinismo em lontras - na Escócia - de acordo com a Bica.
 A bióloga do Parque, Fabiana Zermiani, explica que a condição de albinismo dificulta a camuflagem na natureza e torna o animal vulnerável aos predadores e que o fato dele ter chegado ainda filhote na Bica, fez com que precisasse de cuidados especiais dos técnicos. "Ele foi encontrado por um pescador, estava sozinho, perdido da mãe, e como ainda era filhote em fase de amamentação, não poderia ser deixado lá, pois se tornaria presa fácil ou alguém poderia capturá-lo. Então a Polícia Ambiental foi solicitada e o trouxe pra cá", explicou a bióloga.
 O animal é da espécie Lontra longicaudis, uma das menos conhecidas no mundo. Ele está ameaçado de extinção em alguns estados como Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, principalmente pela redução da mata ciliar, degradação do seu habitat e a procura por sua pele.

Recinto
O recinto onde vive o exemplar foi pensado, inicialmente, para um primata, por isso foram necessárias algumas alterações para ficar o mais próximo do que seria o habitat natural de uma lontra. Foram criadas elevações para correr e se exercitar, toca para se esconder e dormir. Além disso o tanque com água foi aumentado, ficando mais profundo. No tanque sempre são colocados troncos e brinquedos para ele não ficar ocioso. Por ser um animal que passa boa parte do tempo nadando, existe em andamento o projeto da construção de um recinto feito especialmente para ele, com uma área maior de água.

http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2014/09/lontra-albina-completa-um-ano-morando-em-parque-de-joao-pessoa.html

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MAL CRESCENTE

Tráfico de pele motiva caça a albinos na África
Albina durante ritual tribal na África do SulAlbina durante ritual tribal na África do Sul

É crescente na Tanzânia o número de ataques a albinos desde agosto deste ano. A prática violenta é fruto de uma relação entre preconceito e magia negra. Isso porque existe no país um intenso mercado negro de tráfico de pele albina, motivado principalmente pela crença de que partes do corpo de pessoas com albinismo possuem benefícios místicos e mágicos. As informações são da Vice.
Dois casos específicos chamaram mais atenção em agosto. No dia 5, três homens armados com facões arrancaram o braço de uma garota albina de apenas 15 anos. A família não teve reação, pois foi ameaçada de morte. Entre os três estava um curandeiro local que informou que o braço valeria até US$ 600 no mercado negro. Já no dia 14, um jovem albino foi encontrado totalmente mutilado, com boa parte de sua pele removida do torso.
“Na África Subsaariana existe uma crença significativa em bruxaria, que geralmente envolve partes de corpos humanos. Esse é o caso na região há muito tempo, bem antes da colonização. É parte de uma prática cultural, histórica e espiritual profundamente arraigada. Esses curandeiros são influentes há muito tempo nas comunidades, mas agora eles querem ganhar dinheiro, não apenas ser profissionais idosos e respeitados", afirmou Peter Ash, chefe de um grupo de direitos albinos, à Vice.
Para resolver o problema, escancarado para o mundo em 2008 em relatório feito pela BBC, a ONU aposta em educação da população. Aos poucos, crianças albinas são introduzidas em escolas e são mais aceitas em hospitais. A situação, porém, está longe de ser resolvida. Parentes de albinos, por exemplo, ainda são adeptos de diversas práticas de proteção aos seus familiares. Por exemplo, enterram os albinos em covas sem marcação com medo de que os corpos sejam removidos em busca da pele
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https://br.noticias.yahoo.com/tr%C3%A1fico-de-pele-motiva-ca%C3%A7a-a-albinos-na-%C3%A1frica-115346204.html

CONTANDO A VIDA 78

Depois de um hiato, nosso cronista favorito,o Prof. José Carlos Sebe Bom Meihy, volta a colaborar no Blog do Albino Incoerente. Historiador de renome mundial, o Prof. Sebe trata das eleições presidenciais e questiona qual é a da mulherada, uma vez que ao que tudo indica teremos mulher na presidência novamente. 


ELEIÇÕES: PARA ONDE QUEREMOS IR? ou A PRESIDÊNCIA É DAS MULHERES?

José Carlos Sebe Bom Meihy

Sem dúvida alguma, vivemos uma eleição sui generis. Poderíamos dizer sem medo de erro que a mão trágica do destino pesou sobre o andamento morno e até rotineiro proposto por quantos supunham o mesmo andar da carruagem. A morte surpreendente e trágica do candidato pelo PSB, Eduardo Campos, promoveu uma reviravolta capaz de nos tirar da letargia ou ressaca da Copa do Mundo e nos jogar no calor intenso da escolha eleitoral, principalmente da indicação do novo mandatário/a nacional. É muita coisa, diga-se.
Independentemente dos candidatos, temos fatos históricos à nossa frente. Analisando friamente a lista de políticos que se mostra, cabe reclamar da absoluta falta de nomes convincentes ou pelo menos novos. Mas é o que temos, deve-se repetir com base na garantia de que democracia se faz com votos objetivos e não em suposições utópicas. E o que se nos apresenta? Mais do que declinar nomes, cabe nesta breve análise estabelecer critérios capazes de permitir decisões consequentes, pois o dia da votação está aí. Por lógico, não cabem esforços tendenciosos ou tentativas de convencimentos. Claro que não. Mas é aceitável convocar critérios que ajudem decisões. Somos inteligentes o suficiente para admitir que não há inocência em opiniões expressas e que no máximo os argumentos apresentados devem servir de estímulo ao juízo que tem que ser individual e intransferível. Gosto da máxima que garante ser o “voto secreto”. Assim, deixa-se de lado o falso paradoxo que aponta a indução argumentativa. O jornal hoje é um veículo democrático e atua na troca de opiniões. Sim, esta mensagem apenas tem o tom crítico geral.
Mas, então quais seriam os pontos relevantes a serem tomados para a consideração ampla? Um primeiro decorre da concretude numérica, relativo ao voto feminino. Temos três candidatas mulheres, fato que merece destaque vibrante: Dilma Roussef, Marina Silva e Luciana Genro. Pelas estatísticas há fortes indícios que teremos um segundo turno com duas mulheres concorrendo ao posto político máximo da nossa democracia. Outro dado importante é que o total de votantes mulheres perfaz 52% como eleitoras regularmente registradas, o que pode fazer a diferença. O impactante nessa relação é que as candidatas não apresentam pautas claras e atentas a causas femininas ou feministas. Aliás, convém salientar que este silêncio é mais do que estranho.
Outro aspecto relevante diz respeito ao engajamento religioso e às ligações (in)desejáveis com o universo clerical. Temos que preservar o estado laico e não basta enunciar a independência da política com a religião. É na prática que se resolvem estas coisas e a prática se expressa pelos programas apresentados e defendidos. Os tais itens programáticos têm que ter coragem de expressar posicionamentos que ecoam na razão das escolhas. Temas decorrentes de preceitos morais como: pesquisas com células tronco, casamento entre pessoas do mesmo sexo, direito ao uso do corpo e reprodução, aborto, são pautas que precisam ser explicitadas. E não é suficiente enunciar posicionamentos. Carecemos de posições que superem a fase eleitoral. Voto de mulheres e preceitos religiosos ou morais devem pesar nas escolhas. Por certo, o silêncio ou a negligência de clareza nestes itens provocam indignação. Afinal, pergunta-se, porque a preferência nacional tende a colocar a disputa entre duas mulheres se elas não assumem posicionamentos que as qualificam como representantes de um gênero? 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ALBINISMO NO CANAL FUTURA

O Jornal Futura, do canal homônimo, exibiu esclarecedora reportagem sobre as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com albinismo. A matéria contou com a participação de membros do grupo de albinos do Rio de Janeiro, como Nereida Santos e Mirian Dias.  

TELINHA QUENTE 133



Roberto Rillo Bíscaro

No século VIII da era cristã não existia Inglaterra; havia uma coleção de reinos constantemente em guerra externa e entre si. Perto da última década do século, a primeira incursão naval vinda da pagã Escandinávia inauguraria uns 2 séculos e meio de lutas contra dinamarqueses e noruegueses, que invadiriam, conquistariam e colonizariam diversas regiões das Ilhas Britânicas.


Os vikings causaram na história inglesa, gente! Pilharam monastérios pra roubar a riqueza sacra e no processo destruíram muito do trabalho dos escribas, quase os únicos que sabiam ler e escrever na Alta Idade Média. A influência nórdica está na etnia e na língua (palavras terminadas em -thorp, por exemplo, devem ter raiz escandinava). Assim, a construção da ideia duma nação inglesa passou pelo processo de reconquista e assimilação do invasor nórdico.
Pra inaugurar sua produção de séries, o canal History contratou Michael Hirst pra criar Vikings, que já teve 2 temporadas (a primeira estreou em 2013), as quais vi. O roteirista centrou a trama no provavelmente lendário Ragnar Lothbrok, figura de diversas sagas e narrativas nórdicas. A questão dum canal que provavelmente pretende "ensinar" História usar protagonista que pode ser imaginário, sem problematizar isso, deixo aos profissionais da área, aos quais também deixo a discussão das liberdades artísticas, sempre necessárias, num show que se quer "histórico".
A co-produção Irlanda-Canadá interessou-me pela temática e claro que dá pra aprender um costume ou outro dos "bárbaros", assim como estabelecer comparações com a cultura cristã das ilhas inglesas. Sem ser uma montanha-russa de adrenalina e nudez, Vikings é beneficiada com certo grau de realismo das peles e caras sujas e cenas de lutas bem feitas; sem contar as intrigas palacianas.
Ragnar é um fazendeiro empreendedor que sonha encontrar o caminho pro Ocidente, onde jazem tesouros mil nos ricos monastérios e cortes. Desacreditado pelo mandatário local (interpretado por Gabriel Byrne, o Dr. Paul Weston, de In Treatment), o valente recruta amigos e bem ao estilo pequenas empresas, grandes negócios, sai-se bem e desperta o interesse - igualmente a ira e a inveja - de chefes locais e externos.
As 2 temporadas de Vikings centram-se, portanto, nas aventuras e algumas desventuras do protagonista e membros de cortes no que hoje conhecemos como Dinamarca, Suécia, Noruega e Inglaterra. História novelizada, a série traz o coquetel usual de traições, vinganças e amores que desafiam posição social.
Ponto fraco são algumas atuações forçadas, especialmente na construção dum sotaque como se fosse de escandinavo falando inglês. Há horas em que parece teatrinho de escola.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ZOOFILIA NA CALIFÓRNIA

Naja albina é capturada na Califórnia após atacar cão

Uma naja albina foi capturada pelo serviço de controle de animais do condado de Los Angeles, no estado da Califórnia (EUA), após ser flagrada em uma área urbana de Thousand Oaks.
Naja albina foi capturada em Thousand Oaks (Foto: Ian Recchio/Los Angeles Zoo/AP)Naja albina foi capturada em Thousand Oaks (Foto: Ian Recchio/Los Angeles Zoo/AP)
Um especialista disse que a cobra de 1,5 metro estava com as glândulas de veneno intactas.
Nativa da Ásia, a naja tinha sido vista na noite de quarta-feira em Thousand Oaks depois que atacou um cão, e as autoridades montaram um operação para capturá-la.
O réptil será levado para o zoológico de San Diego.
   Autoridades tinham feito operação após cobra ser vista na noite de quarta-feira em Thousand Oaks  (Foto: Chuck Kirman/Ventura County Star/AP)Autoridades tinham feito operação após cobra ser vista na noite de quarta-feira em Thousand Oaks (Foto: Chuck Kirman/Ventura County Star/AP)

 

CAIXA DE MÚSICA 140


Tamo Junto!

Os anos 90 estão de moda e a “coincidência” com o retorno da dupla inglesa Basement Jaxx não podia ser mais apropriada.
Felix Buxton e Simon Ratcliffe são titios se comparados com os artistas das tendências atuais da dance e da electronica. Há 2 décadas discotecando, remixando e lançando álbuns, o Basement Jaxx já cumpriu seu papel de inovar e popularizar o gênero, agora pode dar-se a luxo de ficar 5 anos sem lançar CD e de relaxar, porque os louros já são devidamente deles.
Junto foi lançado na última semana de agosto e é um safari pelos anos 90 e início deste século. Sem faixa fraca, é ideal pra quem curte house music e derivados sem a enrolação de repetições maçantes de 8, 9 minutos. O álbum serve pra ouvir no carro, caminhar e pruma boa festa de gente animada e amante de dance, mas não necessariamente aficionada por novidades underground.
A curta Intro tem percussão e vocal afros, afinal, como os Chemical Brothers nos ensinaram há 12 anos, tudo começou naquele continente. Depois, começa a pauleira, primeiro em clima Soul II Soul de diva em Power to the People, seguida da também divada Unicorn, que transportará o ouvinte à primeira metade dos 90’s com todos os maneirismos da produção da época.
Buffalo é puro nervo drum’n’bass com hip hop meio ragamuffin ou gangsta; Rock the Road é tão house que não sei como não batizaram de Jack the Road; a globalização da letra da acid house Sneakin’ Toronto combina com o flamenco sambado da salerosa Mermaid of Salinas.
As 13 faixas trazem vocalistas tão distintos quanto desconhecidos, mas a familiaridade com a sonoridade das vozes te fará jurar que você sempre os escutou.
Consiga Junto, marque uma festa com amigos, aumente o som e se acabe de dançar e se divertir, porque o Basement Jaxx voltou pra animar qualquer parada!

domingo, 7 de setembro de 2014

A SUPERAÇÃO DE MARCOS ROSSI

Vítima de síndrome rara, advogado conta sua história de superação no Congresso NJE/Ciesp

Ariett Gouveia
Superar limites, habilidade fundamental para um empreendedor, é uma constante na vida do bacharel em direito Marcos Rossi, um dos palestrantes do 11º Congresso Estadual de Empreendedorismo, realizado pelo Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), nesta quinta-feira (04/09), em Santo André.
Por causa de uma síndrome rara, ele nasceu sem os membros superiores e inferiores. Mas como faz questão de ressaltar, nunca ficou questionando os motivos pelos quais isso aconteceu. Ele enfrentou os desafios e se arriscou a fazer tudo que sempre teve vontade.
“Quantas vezes a gente questiona as coisas que acontecem na nossa vida e são aparentemente ruins? Esquecemos que existe um propósito maior”, disse Rossi. “Meu primeiro conselho é: abra a sua mente, preste atenção às oportunidades que estão a nossa volta. Todos os recursos que precisamos para resolver as adversidades estão ao nosso lado.”
O palestrante contou que, desde criança, nunca deixou de fazer o que gostava. Mesmo com a deficiência, encontrou maneiras de brincar de pega-pega, jogar futebol, entrar no mar. Aos 15 anos, outro problema de saúde apareceu no seu caminho e foi preciso fazer uma cirurgia na coluna para implantar uma haste, por causa de uma escoliose.
Mas a superação dos limites passou a ser um vício. “O impossível só existe até que alguém faça. E quando você faz, isso vira combustível para várias e várias realizações”, declara Rossi, que coleciona feitos que podem parecer impossíveis para alguém com sua deficiência.
Seja surfe, mergulho, skate, bateria de escola de samba, integrante de uma banda, profissional de um grande banco, ser pai, ele conquistou todos os objetivos a que se propôs.
“Comecei na escola de samba tocando ganzá, um instrumento quase que exclusivo de mulheres. Mas minha meta era não parar de tocar. Na hora de escolher outro instrumento, não me perguntei “o que a minha deficiência vai permitir que eu toque?”, mas sim “qual o instrumento que eu mais gosto”, lembra ele que há 14 carnavais desfila pela X-9 Paulistana.
Na área musical, além do samba, ele também é vocalista do grupo Sem Limites e é DJ. “Você contrataria um DJ sem mãos para a sua festa?”, brinca Rossi, que conta com a tecnologia para manejar o equipamento.
O palestrante diz que mais do que conquistar os seus sonhos, ele busca dividir suas conquistas com quem precisa. No caso do skate, por exemplo, usando os recursos que tinha a sua volta, ele fez as adaptações para que conseguisse fazer as manobras e, quando conseguiu, criou o “Skate sem Limites”, para que outras pessoas com deficiências pudessem sentir a mesma emoção.
Como conselhos para o sucesso, Rossi diz que, primeiro, é preciso acreditar que é possível, parar de reclamar e saber que todos são dotados de capacidades ilimitadas. “Limitação é um conceito que está dentro da cabeça das pessoas. Cada dia é a oportunidade de tornar sua vida o que você quer que ela seja”, garante ele.



sábado, 6 de setembro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

PAPIRO VIRTUAL 80


Roberto Rillo Bíscaro

Há algumas semanas vi um thriller dinamarquês que não mereceu resenha, mas não me desgostou. Era a adaptação do primeiro livro de Jussi-Adler Olsen sobre o Departamento Q, especializado em resolver casos arquivados sem solução.

Acabei de ler o quarto da série, em dinamarquês intitulado Journal 64 (2010), que li na tradução inglesa, The Purity of Vengeance (2013). Não negarei que Revenge tenha influído na escolha, afinal, até comecei a ler O Conde de Monte Cristo, inspiração pra vingança de Emily Thorne, mas desisti pela chatice.



O livro tem como tema social motivador da vingança, a eugenia, que não desapareceu da Europa com a derrota nazi de 45. Em 1987, Nete Hermansen planeja acertar as contas com aqueles que fizeram de sua vida um inferno estéril, após mandarem-na a uma ilha-reformatório, onde mulheres muito sexualmente ativas ou com (suposta) deficiência intelectual eram operadas contra a vontade.
A narrativa passeia por 3 ou 4 décadas num movimento de vai e volta que não confunde, porque bem marcado. Basicamente, temos a infância e adolescência de Nete, quando a jovem analfabeta é enganada por um monte de gente. Depois, de meados dos anos 80 pra frente, quando Nete se ferra pela deradeira vez e resolve matar todo mundo e finalmente, o ano de 2010, quando Carl, Rose e Assad investigam e desvendam os crimes.


Eugenia e os traumas gerados pela exclusão social e pelos partidos supremacistas são tão amedrontadores e nojentos que empalidecem a vingança de Nete. Pena que esse não seja a única falha de Journal 64.
O detetive-protagonista Carl é tão menos interessante que seu assistente Assad que fica difícil entender como a série chegou ao volume 4 sem que ele tenha assumido o centro dos holofotes. Será por causa da etnia?



As referências a um caso que deve permear os demais volumes emperra a leitura, porque queremos progredir na trama de Nete e do malévolo Curt Wad, mas somos atrasados por velhos fantasmas de Carl, que além de não elucidados, não contribuem pro avanço de The Purity of Vengeance.

A reviravolta final é forçada demais e a transformação do frio octogenário Curt Wad em psicopata fortão no desfecho é indigesta. E a ex-professora de Nete aparecendo do nada apenas pra deixar o livro com mais cara de roteiro pra TV? Me deu meda!
Não posso dizer que as referências a diarréias e sintomas de gripe tenham me agradado; desnecessário tanta informação sobre o cheiro corporal de Carl, que sequer conseguimos imaginar como seja.
Se for pra começar a série por este livro, não recomendo.