terça-feira, 15 de julho de 2014

TELINHA QUENTE 128


Ray Bradbury foi um escritor norte-americano de ficção-científica e de horror, que obteve certo respeito entre círculos intelectualizados no Brasil, porque o engajado François Truffaut filmou seu Fahrenheit 451, em 1966.
A produção de Bradbury foi intensa, destacando-se As Crônicas Marcianas. Muitas adaptações pra cine e TV, vários roteiros. Entre 1985-92, Ray roteirizou os 65 episódios de The Ray Bradbury Theater, muitos adaptados de contos e romances.
Em algumas temporadas, o autor conta como se inspirou pros enredos, mas na maioria só aparece seu escritório, repleto de objetos, e ele dizendo que é deles donde saca inspiração. Frustrante: seria legal ter tido mais penetração em seu processo criativo.
Misto de ficção-científica e suspense/horror, Bradbury se sai melhor no primeiro gênero, especialmente nos vários episódios ambientados em Marte (onde a atmosfera é igual a da Terra, apenas o tom das coisas é avermelhado...)
Muitas historietas sem graça – os episódios são curtos, cerca de 25 minutos – não fazem de The Ray Bradbury Theater o filé mignon que supunha, mas as ótimas sobre máquina do tempo e questões interplanetárias valem a garimpada; há bastante coisa boa.

Exemplos:
- uma equipe terráquea chega a um planeta que em si é organismo vivo e concede benesses aos que percebe respeitá-lo, mas detona o que o tenta explorar ou ferir.
- sonda tripulada chega a Marte e os astronautas se deparam com seus queridos mortos e cidades da infância. Seria o paraíso, eles estariam mortos ou?...
- comovente o episódio do homem que, só em Marte, reconstrói sua família sob forma de androides.
- uma história, que então já contava mais de 20 anos, em que o protagonista se irrita com o excesso de barulho e intromissão na privacidade provocados pelas máquinas, em especial os telefones de lapela, predecessores de nossos onipresentes celulares. Bradbury acertou em cheio na descrição de nossa sociedade plugada às últimas consequências, que às vezes torna o relacionamento humano menos importante do que atualizar nossos status em redes sociais ou conversar com grupos no Whatsapp, ao invés de darmos atenção a quem está ao nosso lado.
Típico dessas antologias, é possível localizar famosos em diversos episódios.
Leslie Nielsen em um muito interessante sobre homem que compra um clone pra poder fugir da esposa e demais chatices do cotidiano, mas o marionete se apaixona pela mulher e percebe que ela era como era devido à indiferença do marido.
Drew Barrymore em episódio-homenagem a Tales From the Crypt, onde ela escuta uma mulher enterrada gritar. Será que naquela época a menininha já enchia a cara de álcool e drogas? E como era forçada a interpretação!
Gordon Thomson, o Adam Carrington, de Dynasty em poética história sobre menina afogada. Nunca o tinha visto em nada além do novelão oitentista.
Josh Saviano, o Paul Pfeifer de Anos Incríveis, na  poética história dum garoto que não envelhecia e cuja função era trazer alegria a quem não tinha garotos em casa, mas ele mesmo não era tão alegre porque a eternidade traz perdas.
Esses são apenas algumas das estrelas participantes em The Ray Bradbury Theater, que, mesmo sem ser antologia antológica tem episódios interessantes a oferecer.

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