segunda-feira, 14 de julho de 2014

CAIXA DE MÚSICA 134

Pouca gente sabe ou se importa, mas o Yes está lançando álbum novo, Heaven & Earth. O último havia sido Fly From Here (2011), que elogiei em resenha que indico pra referências históricas, aqui.
O Yes em seu apogeu foi tão marcante e idiossincrático que veta a possibilidade de não se estabelecer comparações. Mesmo que se pudesse avaliar o atual trabalho sem referenciar águas passadas, os caras clamam por comparações a colocarem um vocalista que soa como filho do clássico Jon Anderson. David Benoit foi substituído por Jon (será que é o nome de batismo dele mesmo?) Davison.
Na quase totalidade, Heaven & Earth parece uma banda de jovens Neo Prog sem muita perícia imitando o Yes nos anos 90 (em seu mais moderno!). Mas, na formação atual remanescem músicos incríveis: o baixista Chris Squire, o baterista Alan White e o guitarrista Steve Howie, responsáveis por pérolas como Roundabout, Astral Traveler e Gates of Delirium (seria covardia citar o perfeito Close to the Edge).
Heaven & Earth é fofo como um coala, mas quem disse que o simpático animalzinho pode gravar um álbum? Mal se ouvem o baixo e a bateria, os teclados são infantis com timbres de karaokê e as canções não têm as mudanças de andamento que tornavam o Yes tão fascinante e amado/odiado. Basta ouvir Believe Again ou Step Beyond pra entender.
Posso imaginar um fã 50tão de FM de música faceless pegando seu conversível a caminho duma convenção sobre o poder curativo de cristais e curtindo o clima tchap tchura de The Game ou In a World of Our Own numa freeway californiana.
O começo de It Was All We Knew chegou a me fazer lembrar ABBA, aquela prova de que a Suécia definitivamente está longe da perfeição.
Boa parcela de Light of the Ages poderia ser definida como uma canção em busca de melodia. Salva-se a plangência de Howie em trechos.
O único indicativo da majestade perdida do Yes é Subway Walls, que encerra o álbum com 9 minutos onde o baixo de Squire brilha, o teclado finalmente tem momentos adultos e está em instigante interplay com o resto. O minuto e meio final dão vontade de chorar de saudades do ápice.  O Yes deveria ter lançado um single!
Os vovôs têm potencial pra coisa melhor, por isso se algum jovem me perguntasse se vale a pena ouvir Heaven & Earth, responderia que, se fosse pra escutar genérico, tratasse de conhecer cópias setentistas tipo Druid ou Starcastle.

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