Chegou o grande dia! Hoje publico o primeiro relato de uma pessoa com albinismo. O C@STRO gentilmente dedicou parte de seu tempo para nos contar um pouco de sua trajetória. Aliás, ele é um dos colaboradores mais entusiastas do blog, dando sugestões, comentando os posts. Enfim, é uma daquelas pessoas com albinismo que vão à luta!
Espero do fundo do coração que o exemplo dado pelo C@STRO seja seguido por outras pessoas com albinismo. Vez mais afirmo: é super-importante que nós albinos e também nossos amigos e familiares contemos nossas experiências. Afinal, se a gente não botar a boca no trombone, quem vai ouvir? Lembrando aos interessados: o email para contato e/ou envio de relatos é brazilianrobcol@bol.com.br Há um roteiro para facilitar a escrita que pode ser encontrado no post HISTÓRIAS II. Qualquer dúvida, não tenham receio de me contatar!
História do C@STRO
Meu nome é Raimundo de Castro, mas prefiro ser chamado simplesmente de Castro. Tenho 25 anos, moro em Bacabal, uma cidade do interior do Maranhão, mas antes já morei em Paulo Ramos e Vitorino Freire, ambas também no Maranhão e nessas cidades morava na zona rural.
Terminei o ensino médio em 2001 e fiz logo vestibular, sendo aprovado em 7º colocação. Sou formado em Pedagogia pela Universidade Estadual do Maranhão. Entrei na faculdade em 2002 e conclui em 2006. Tenho diversos outros cursos como web designer, montagem, manutenção e configuração de computadores e de redes e outros ligados a educação e informática.
Atualmente trabalho como desenvolvedor web, crio e desenvolvo aplicativos para web, e monitor no Centro Familiar de Formação Por Alternância Manoel Monteiro. Monitor é como é chamado o professor que trabalha nesse tipo de instituição. Para saber mais acesse http://www.pedagogiadaalternancia.com - site que fiz para divulgação da metodologia educacional que trabalho, a Pedagogia da Alternância. Lá dou aulas de português, inglês e informática para todos os anos do ensino médio. O CEFFA Manoel Monteiro é uma escola de ensino médio que oferece formação técnica integrada a educação profissional, curso técnico em agropecuária. Também desenvolvo a tarefa de monitorar os alunos, eles vivem em regime de semi-internato. Atualmente estou estudando de forma autodidata programação em linguagens Php e Css.
Meu conhecimento de que era albino foi ainda criança, não lembro a idade exata que tinha. Achava que era a única pessoa com a pele branca no mundo. Até então não conhecia a palavra "albino", as pessoas aqui no nordeste chamam gente como eu de "gazo", "fogoió" ou "galego". Só quando fui estudar é que conheci o termo albinismo e a explicação cientifica de porque isso acontece. E só quando vim morar em Bacabal vi outras pessoas albinas como eu, embora antes já tenha ouvido falar de outras pessoas albinas.
Minha familia inteira sempre me apoiou, sempre ficou do meu lado. Mas ao lembrar de apoio, o maior e mais importante veio da minha mãe, Maria Diva de Castro. Ela sempre lutou e fez tudo por min!
Discriminação e preconceito estão entre as dificuldades de um albino. Mas para min, e acredito que para muitos, a maior é o problema de visão. Tenho miopia e uso óculos desde os 7 anos de idade, grau muito forte. Só ainda não fiz cirurgia porque não tenho dinheiro suficiente para isso, mas assim que puder farei! É uma das metas de minha vida. Quando era criança já pensei em não ser albino, mas depois não pensei mais nisso.
Tem gente que acha que só porque alguém tem um problema de visão, não enxerga. Uma das coisas mais irritantes é quando alguem coloca os dedos na frente do nosso rosto e pergunta "quantos dedos tem aqui?". Dá vontade de quebrar os dedos dessa pessoa. Isso já aconteceu muito comigo e com certeza com outras pessoas também.
Ser albino tem lá suas vantagens e desvantagens. A maior vantagem é ser conhecido. Dificilmente um albino é confundido com outra pessoa, embora isso já tenha acontecido comigo. Um dia vinha da faculdade, passava por uma rua meio escura e uma menina saiu da calçada da casa dela e veio em minha direção "hei fulano...". Uma das piores coisas de ser albino é o problema de visão que já falei e o sol. Albinos não se dão muito bem com sol, embora eu já tenha tomado muito sol quando criança. Nessa época nem sabia o que era cancer, apesar de meus pais sempre brigarem comigo para não andar no sol, mas sabem como são as crianças né? Atualmente evito ao máximo o sol, só ando pela manhã e a tardinha.
Muitas pessoas discriminam os albinos, e as vezes até nós mesmos fazemos isso. O mundo precisa saber que a única coisa que temos diferente é a ausencia de melanina. O resto somos absolutamente normais. Nós albinos não temos que nos envergonhar de nossa situação, temos que ir à luta e lutar pelos nossos objetivos. Hoje sou formado, graduação e tudo, mas para isso passei por diversas dificuldades, só que nunca desisti, e nem desisto. Quero ainda mais e mais!
Sou um apaixonado por informática e tecnologia em geral. Por causa disso criei o site http://www.castrodigital.com.br - informática, tecnologia e afins. Futuramente quero me especializar numa área da informática mas não quero sair da educação. Principalmente porque na escola que trabalho, meu contato com os alunos vai além da sala de aula. Devido eu dar aulas de inglês, alguns alunos me chamam de "Decastro" (pronuncie: Dikéstrou). E ano passado, um de meus alunos concludentes passou no vestibular, aí ele chegou para min e falou: "Decastro, uma das questões da prova tinha um texto que tu já tinha trabalhado com a gente nas aulas de português, e eu 'matei a pau'." Isso foi uma das maiores alegrias para min.
Bom pessoal, essa é a minha história que ainda não acabou, está sendo construida a cada dia. Se querem saber mais acessem um dos sites que mencionei acima e entrem em contato comigo.
quarta-feira, 25 de março de 2009
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