terça-feira, 30 de abril de 2013

TELINHA QUENTE 76


Roberto Rillo Bíscaro

Satisfeita com o estouro de Revenge (tô demorando pra ver), a ABC escalou 666 Park Avenue pra exibir depois do novelão ryko, a partir de setembro do ano passado. O sucesso de American Horror Story na TV paga e a audiência maciça de Revenge certificavam sucesso à nova série de terror, ambientada no setor mais caro de Nova York. Casava certinho com Revenge. Mas... Vamos à sinopse antes.
O casal de namorados Harry e Jane vêm da interiorana Indiana pra cosmopolita Grande Maçã. Ele quer vencer na vida como político. No começo, ela está mais lá por causa do bofe e pra usar o colar herdado de vovó. Encontram apartamento no número 999 (que de cabeça pra baixo...) da abastada Park Avenue. Narcisa provavelmente venderia a alma pra viver no Drake. Os donos do antigo e elegante prédio, Gavin Doran e Olivia, apadrinham os novatos e logo aprendemos que o velho bilionário está de olho em Harry. Jane é contratada pra renovar o sisudo edifício, que, desde a cena de abertura sabemos ser do Demo. Gavin é o representante do Coisa Ruim, concedendo aos desesperados e ambiciosos aquilo que mais desejam, em troca de suas almas. Aquela relação bem da burguesia comercial faustiana.
Logo, Jane (perfeita pra ser Samantha, num remake da Feiticeira!) começa a ter visões, Harry a progredir na carreira e os cadáveres e esquisitices a se empilharem. 666 Park Avenue pede que compactuemos com incongruências típicas de histórias de horror: o demônio suga gente pra dentro de paredes ou do chão, mas precisa de alguém pra efetuar algo tão simples como decidir pela liberação de venda duma propriedade. Como verossimilhança funciona internamente, se o roteiro for bem feito – e formos fãs de terror – aceitamos, até porque, o que queremos é morte e que o Bem vença (eu nem sempre, mmm, ok, quase nunca, vai!...)
Só que a série foi exibida numa grande rede, após um campeão de audiência, prum publicão não necessariamente devoto ou tolerante a roteiro de horror demorado (os capítulos iniciais são mais lentos do que uma soap) e com tendência a ser errático, furado ou a não responder indagações (como Gavin tornou-se representante comercial do Tinhoso?). A ABC cancelou-a ainda no nono episódio, ainda que 13 tenham sido gravados. Os norte-americanos não viram a conclusão, mas como canais estrangeiros já exibiram tudo, pode-se baixar pela internet.
Quem curte sobrenatural em grandes edifícios e belos edifícios, divertir-se-á. A reviravolta final tem mais cara de indecisão do roteiro ou de fracasso do protagonista masculino do que de surpresa, mas me agradou (adivinha quem vence?).
E como resistir ao loosho, ao elenco lyndo e, sobretudo, ao casal Doran? Ainda que muito frequentemente sem peso dramático, Olivia – interpretada pela fervida Vanessa Williams – age em momentos decisivos e é puro glam. Gavin - estelarmente corporificado por Terry O’Quinn - é daqueles arquivilões que amo: papaizão chique, poderoso, afável, e que empurra desafeto pro poço do elevador. Como eu poderia não gostar?

PREDADOR ALBINO

O "simpático" boneco chama-se Albino Predator, personagem dum filme do Batman feito por fãs.
http://bloody-disgusting.com/news/3230733/sdcc-13-neca-reveals-albino-predator-comic-con-exclusive/

segunda-feira, 29 de abril de 2013

APOSENTADORIA CANINA

Aposentadoria de cães-guias deixa deficientes visuais apavorados
Jairo Marques

O problema é que, com isso, terão de enfrentar longas filas de espera para ter um novo "orientador".
Há no país cerca de 80 deficientes visuais com cães-guia. Quase todos os bichos, segundo o Instituto Íris, de apoio aos deficientes visuais, vieram de outros países, sobretudo dos Estados Unidos.
Apesar de haver tentativas nacionais de formação de animais, elas esbarram na falta de boas linhagens e de treinamentos corretos.
Projeto do Sesi-SP criado no ano passado para entregar 32 cães-guias, por exemplo, enfrentou problemas na formação. A perspectiva, agora, é que apenas 11 cachorros estejam preparados para trabalhar, até o meio deste ano.
Como grupos de cegos trouxeram seus cães de fora quase ao mesmo tempo, com ajuda de instituições nacionais e internacionais, agora há o problema do envelhecimento dos cães, que devem trabalhar por, no máximo, oito anos.
SOFRIMENTO DUPLO
Alberto Pereira, 36, do Instituto Laramara, trouxe o labrador amarelo Simon dos EUA há seis anos. O bicho está com nove anos e dá sinais de cansaço. Aos poucos, está parando de trabalhar.
"Está sendo muito difícil para mim ter de levar o dia a dia sem a ajuda do Simon, mas ele já está com problemas na visão, fica cansado muito rápido. É um sofrimento para mim e para ele."
Os cães treinados conseguem desviar os cegos de obstáculos, atravessá-los na rua com segurança, encontrar caminhos e dar-lhes mais autonomia de ir e vir.
Misty, o "anjo de quatro patas" da professora Olga Solange Herval Souza, 53, foi trazida de Nova York há nove anos. Está bem de saúde, mas a dona está preocupada.
"Uso transporte público e enfrento a rua ao lado da Misty, que tem dez anos.
Fico sempre tensa e ansiosa porque não sei como ela irá acordar amanhã", afirma.
O Instituto Íris arrecada fundos para levar pessoas aos EUA para que consigam cães, mas o processo é demorado. A fila de espera tem 4.000 inscritos. O treinamento de um cão no exterior custa R$ 40 mil.
http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=37785

CAIXA DE MÚSICA 95


Lá por meados dos anos 80, começamos a ouvir/ler sobre as bandas de Brasília. Depois do estouro dos paulistas e cariocas Titãs, Ultraje a Rigor, Kid Abelha, sopraram ventos pós-punk do Planalto Central. Os Paralamas do Sucesso vieram de lá, mas soavam mais caribenhos, mais ska. O som de Brasilia vinha com fama de mais politizado; a sonoridade angulosa do punk e da cold wave britânicas, tipo Sex Pistols, The Clash, Siouxsie & the Banshees, Gang of Four (que muitos de nós, sem grana e/ou no interior não conhecíamos, mas amávamos porque a Bizz jurava que eram bons e “sérios”).
O documentário Rock Brasília – Era de Ouro (2011), do diretor Vladimir Carvalho apresenta parte da história da cena roqueira brasiliense do final dos 70’s em diante. O cineasta escolheu o grupo Aborto Elétrico como ponto de partida e suas bandas-filhote (Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial) pra representarem esse período dourado (nos termos do título). Se por um lado essa escolha implica no apagamento de bandas como Finis Africae, Detrito Federal, Escola de Escândalos e Arte no Escuro (surgidas depois da pioneira Aborto), por outro, permite um aprofundamento nas trajetórias daqueles grupos, sem dúvida, os comercialmente mais bem sucedidos da cidade. Surgidas em famílias de classe-média intelectualizada, Legião, Capital e Plebe tomaram o sul maravilha de assalto, e, consequentemente, fizeram sucesso em todo o país.

As quase 2 horas de documentário são compostas de entrevistas e imagens de arquivo, que deleitarão as testemunhas dos anos 80, mas também quem veio depois. Optando por não trilhar o caminho da caça às influências de cada banda, Carvalho buscou familiares, amigos, (ex)integrantes, produtores e gente como Caetano Veloso e o antropólogo Hermano “irmão-do-Herbert” Vianna. O mentor Renato Russo não poderia ficar fora e aparece em entrevistas antigas, muito bem adequadas. Claro que há menções ao The Cure e aos Pistols, mas o enfoque é mesmo na história e nas curiosidades sobre cada formação musical.
Conhecemos a construção da iconicidade de Russo, habilmente burilada pelo próprio desde bem cedo; divertimo-nos com a perplexidade de Chico Buarque de Holanda perante os passos de dança do vocalista da Legião Urbana, quando de sua apresentação no programa global Chico e Caetano (imagine que o Velho Chico sabia quem era a inspiração Ian Curtis!); somos informados da decadência e ressurreição do Capital Inicial.
Rock Brasília – Era de Ouro não cansa ou entedia, porque os depoimentos não são mecânicos e cheios de informações técnicas sobre gravações ou instrumentos musicais. É gente narrando sua história ou a de seus filhos, amigos, irmãos.
Vi cópia baixada do You Tube, mas quando procurei o link pra postar no blog constatei que a ora existente não tem som. Uma grande pena, mas, se eu fosse você, faria de tudo pra assistir. Não será tempo perdido.
E que venham mais projetos do tipo, pra eternizar parte da história de nossa juventude 40tona.

domingo, 28 de abril de 2013

BLOG DA SUPERAÇÃO

História de superação de uma cadeirante vira blog

sábado, 27 de abril de 2013

ALBINO GOURMET 94

Vamos cozinhar pratos com vagem?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

PAPIRO VIRTUAL 52

Voltei ao universo narniano, lendo The Horse and his Boy (1954), cujo título intrigou-me. Nos livros anteriores, C. S. Lewis apresentara um mundo criado por um leão, habitado por animais falantes, mas dado pros humanos governarem. Como no quarto livro da série, ele inverte a relação de posse colocando o garoto como propriedade do cavalo? Cri que fosse mais artifício estilístico do que algo incrustrado na narrativa.  Não deu outra. O cavalo falante Bree perde toda a importância nem bem chegada a metade do livro e os humanos assumem a supremacia. Mas, não qualquer humano...
Antes de esmiuçar esse ponto, pincelemos o enredo.
Shasta vive numa remota choupana à beira-mar com seu desagradável pai. Um dia, recebem a visita dum homem importante. O garoto escuta o pai combinando de vendê-lo ao visitante. Cogitando como escaparia, recebe oferta de ajuda do corcel falante do homem. Shasta não sabe cavalgar, mas a prática de galopar Bree o treina. O destino: Narnia, rumo à liberdade do norte, torrão natal de Bree, onde ambos serão livres. No caminho, encontram uma égua também narniana, galopada por Aravis, menina-princesa, treinada nas artes da batalha, fugindo de casa, porque não se casar com um repulsivo puxa-saco mor do mandatário da poderosa Calormen, cujos sonhos imperialistas incluíam anexar a pequena Narnia. A luta de Golias e Davi dos 2 reinos é o fulcro da estória, mas a nobreza inata (do homem, claro) também pesa muito. Na hora do vamos ver, nada do treinamento de Aravis pode fazer frente ao sangue azul de Shasta, filho sequestrado dum rei.
Shasta é alvo, diferenciando-o muito dos morenos habitantes de Calormen. Quando Lewis estabelece a diferença entre a etnia de Shasta  e a dos Calormen, cujos nomes, títulos e descrição física e temperamental remetem a estereótipos árabes/indianos é latente o tom de superioridade caucasiana. Exagero seria dizer que Lewis é um porco chauvinista, tadinho. Ele genuinamente tenta ser parcimonioso, mas é duma época/cultura que inexoravelmente empodera o macho branco. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

NET ALBINA

Vejam uma pessoa com albinismo neste comercial. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

TELINHA QUENTE 75

Roberto Rillo Bíscaro


O sucesso de Revenge ressuscitou tramas novelescas ambientadas em comunidades elegantes. Ringer, infelizmente, não sobreviveu. Nem por isso as redes deixariam de tentar a sorte. Entre janeiro e março, a NBC exibiu os 11 capítulos de Deception. Revenge (Vingança) também deflagrou a minitendência de títulos gritantes e escancaradores, tipo Scandal. Deception significa trapaça, fraude, enganação. E depois zoam as novelas mexicanas, gente!
A bilionária (amo, delícia!) família Bowers é dona dum complexo farmacêutico e no primeiro capítulo é abalada com o assassinato de Vivian, a filha/irmã junkie vagabunda ao estilo Laura Palmer, da noventista Twin Peaks. A melhor amiga da moça é agora policial, por isso o FBI a designa pra se infiltrar no clã e descobrir informações. Mesmo sem contato com os Bowers há mais de 15 anos, Joanna é convidada pelo patriarca Robert Bowers a ficar na mansão, assim, sem mais nem menos. A afrodescendente-protagonista (deu certo em Scandal, tentemos em Deception!) é filha duma ex-empregada, por isso tanta ex-intimidade com Vivian. Implausível pros diabos e isso é apenas o desencadeador da ação.
A inverossimilhança poderia ter sido contornada se o roteiro nos fizesse amar, odiar, amar odiar ou odiar amar alguém. Novelão de sucesso funciona na base da empatia, algo perto de impossível de suceder em Deception, onde tudo funciona no piloto-automático.
Todos os elementos duma soap estão na trama, mas sua exposição e a urdidura das personagens não deixam que nos importemos com ninguém. Chega a ser quase incrível como um roteirista pode apresentar tantos golpes folhetinescos sem o menor jeito. No primeiro episódio já aprendemos que a adolescente Mia não é irmã, mas filha de Vivian. A cena tem tanta emoção quanto o anunciar do nome de pacientes num posto de saúde.
E olha que temos uma família com potencial icônico de Ewings ou Carringtons. Irmão mais velho com um suposto assassinato manchando seu passado, irmão mais jovem pleiboizinho que poderia sofrer tanto ainda, madrasta com sotaque britânico, encharcada de vinho e com macho-bandido na cadeia, uma adolescente que em uma semana tem mais traumas do que gente décadas mais velhas (ela descobre que Vivian era sua mãe num desses sites tipo TMZ; em um par de dias sabe que seu pai é o malvado senador Haverstock, que a procura porque precisa dum transplante de medula!). E um patriarca chique, galã, que humilha, coage, chantageia e manda matar com um sorriso angelical. Meu favorito, claro! Robert Bowers could rule! Mas daí, sempre tive fraco por papaizões caucasianos diabólicos.
A audiência foi baixa e os 13 episódios planejados pra temporada 1 transformaram-se em 11. Todo mundo prediz o cancelamento de Deception. O veredito sai mês que vem. Se renovarem, assistirei à reencarnação, porque sou soapopeiro. Mas, se Deception permanecer no limbo, não me importarei.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

CAIXA DE MÚSICA 94

Roberto Rillo Bíscaro

A primeira vez que ouvi falar em New Romantic foi quando Roberto Carlos lançou Amante à Moda Antiga – de seu álbum de 1980 – e o Fantástico erroneamente associou o cara que apesar do velho tênis e da calça desbotada ainda chama de querida a namorada à garotada pesadamente maquiada do Blitz Club londrino.
Passados 30 anos do auge do “movimento”, as coisas podem ser vistas dentro de seu contexto, mas também ocorre que gatos de tons pardos discordantes sejam colocados no mesmo saco Louis Vuton. No You Tube você pode ver um documentário tipo Top Ten, com as principais bandas supostamente New Romantic (em inglês, sem legenda). Que Boy George – influente no movimento – apresente o programa não significa muito. Ávido por exposição, duvido que O’Dowd se importe que Adam Ant e David Sylvyan tenham negado filiação néo-Romântica, no ápice da moda.
Top Ten 80’s New Romantics pode ser encarado como instrutivo apanhado introdutório/rememorativo sobre bandas synth pop importantes no final dos 70’s/primeira metade dos 80’s. Nos interlúdios, menções a nomes hoje lembrados/conhecidos apenas por oitentistas radicais. Howard Jones, A Flock of Seagulls, Kajagoogoo...
Dentre as 10 Mais, grupos responsáveis por canções-símbolo da década, como o Culture Club e sua Karma Chameleon, Spandau Ballet e True, Human League e Don’t You Want Me. Bandas pouco conhecidos por aqui, como o seminal Japan, tão world music quanto o brasileiramente badalado Talking Heads, mas muito mais carão. Combos cuja popularidade nunca entendi, como Adam & The Ants (megapoderosos na Inglaterra por alguns meses); além de sucessos que só vim a desfrutar décadas depois, como o soul branco sintetizado do ABC.
Gravado há alguns anos – Boy George tá “magro” e “jovem” demais – o programa serve como delineador de carreiras de artistas outrora relevantes e desperta curiosidade pra se aprofundar na trajetória d’alguns.
E adivinha qual banda New Romantic ficou em primeiro no Top Ten? Minha favorita, claro!

domingo, 21 de abril de 2013

PIANO DA SUPERAÇÃO

Conheça o pedreiro que virou pianista.

sábado, 20 de abril de 2013

ODOR INCLUSIVO

Deficientes visuais se especializam em avaliar fragrâncias para perfumes

Mariana Palma

A paulista Bruna de Freitas Aguilar, de 30 anos, sempre foi apaixonada por perfumes. Deficiente visual desde os 27 anos por causa da diabetes, ela acabou encontrando uma oportunidade de desenvolver seu gosto pelos aromas em um curso de avaliação olfativa na Fundação Dorina Nowill para Cegos, em São Paulo. Sua baixa visão, conta, acabou aumentando sua percepção dos outros sentidos, o que a ajudou muito em sua formação.
“Uma pessoa que enxerga normalmente, ao prestar atenção em algo que não precisa da visão, automaticamente fecha os olhos. É apenas isso que acontece, precisei ficar mais atenta aos outros sentidos”, explica Bruna. Segundo o oftalmologista Emerson Castro, isso acontece por uma necessidade do organismo. “Se a pessoa tem 10% de visão no olho direito e perde os 100% de visão que tem no olho esquerdo, essa porcentagem no direito pode aumentar em até 40%”, exemplifica o médico.
Para o aluno Silvano Brito, de 28 anos, que perdeu a visão por causa de um glaucoma congênito, o deficiente visual tem que usar muito a memória dos sentidos no dia a dia, o que ajuda no curso. “O ser humano é visual para tudo e, se você não tem mais essa percepção, você começa a prestar atenção na voz, no perfume, tudo que pode ajudar a reconhecer a pessoa”, analisa. Silvano lembra que, uma vez, chegou a reconhecer uma mulher pelo perfume. “Ela pegava ônibus comigo e, na primeira vez que ela me ajudou, senti seu perfume. Depois, quando sentia aquele cheiro, sabia que era ela”, lembra.
Além de ver no curso uma oportunidade de carreira, ele diz que se especializar em avaliação de perfumes e fragrâncias pode trazer benefícios também para seu bem-estar. “Tem a questão da independência, de se sentir útil por trabalhar, além do lado social que desenvolvemos muito com os outros alunos”, avalia.
Segundo a perfumista e coordenadora Renata Aschar, o curso, iniciado em 2011, tem como objetivo capacitar profissionalmente pessoas cegas e com baixa visão para selecionar e avaliar fragrâncias profissionalmente.
Para participar, são feitas entrevistas com jovens, entre 18 e 28 anos, que já concluíram ou estão concluindo o ensino médio, com independência de mobilidade e autonomia para participar das atividades propostas pelo curso. Na primeira turma, a prioridade da seleção foi para o interesse dos alunos. "Escolhemos pessoas que viam no curso um novo caminho, uma nova profissão”, conta Renata.

A perfumista acredita que, nesse caso, a deficiência visual é um fator positivo. “O aluno não vê marca e não se influencia por corpos e formas para criticar um cheiro”, avalia. O curso, que dura um ano e meio, está em sua segunda turma - a primeira teve como encerramento uma festa de formatura, com os professores e pais dos alunos.
Junto com Bruna na primeira turma, estava Marina Yonashiro, de 19 anos, que perdeu a visão aos 11 anos por causa de um tumor na região do cerebelo. "A formatura foi muito emocionante. Saber que os professores e meus pais estavam lá de pé me aplaudindo foi muito legal", lembra.
A jovem diz que viu no curso uma oportunidade para lidar com a deficiência de um lado bom e favorável para seu trabalho. “Perdi 95% da visão e tive que fazer uma readaptação, fui retomando minha vida gradativamente. Como era criança na época, acho que consegui lidar bem com isso”, lembra.
Atualmente trabalhando na empresa Symrise, de aromas e fragrâncias, a jovem diz que ainda aprende muito sobre a rotina do avaliador olfativo. “Eu não tinha ideia de como era esse mundo de fragrâncias e hoje ajudo em pequenos projetos onde trabalho”, conta.

Também empregada, Bruna diz que o trabalho do avaliador olfativo não é apenas cheirar uma fragrância e dizer se é boa ou não, pois envolve diversas outras áreas. “Um avaliador demora em torno de 5 anos para se especializar. Precisa de muita prática porque ele é a ponte entre o cliente e o perfumista”, diz. Ela conta que trabalha na área de perfumaria fina, que envolve perfumes, sabonetes e loções corporais. “O curso dá uma ótima base, mas a prática mesmo é só quando entra no mercado de trabalho”, afirma.
De acordo com a coordenadora Renata, a preocupação com a prática esteve presente desde o começo. “Discutimos com as empresas a grade curricular que montaríamos e o que deveríamos ensinar aos alunos”, lembra. Nos 18 meses de curso, 6 meses são focados para o estágio em alguma dessas empresas. “É aí que eles colocam em prática o que aprenderam e são avaliados também onde trabalham, o que ajuda sempre a melhorar”, avalia.
Para Erika Torriani, coordenadora de Recursos Humanos da empresa Symrise, onde Marina trabalha, a avaliação das alunas do curso é bastante positiva. “A Marina trabalha conosco junto com outra estudante e elas são muito empenhadas, vieram do curso com uma bagagem teórica excelente e isso traz benefícios para nós e para elas”, avalia.
Erika ressalta que, para trabalhar nessa área, é preciso muita dedicação e treinamento, não apenas a formação. “Elas trouxeram interesse e encantamento, e tê-las conosco é muito importante porque são pessoas que gostam do que fazem”, analisa a coordenadora.
No caso do aluno Silvano, que ainda está no meio do curso, a expectativa é muito grande. “Estou adorando porque é um universo totalmente novo. Dura apenas um ano e meio, mas o conhecimento que adquirimos é muito grande, não só sobre perfumaria, mas também sobre química e sobre os óleos que são usados para fazer as essências”, conta. Com a entrevista de estágio agendada para agosto e a formatura prevista para dezembro de 2013, ele se mostra ansioso. “Quero colocar em prática o que estou aprendendo e conhecer o dia a dia da empresa. Fora isso, estou na expectativa de voltar ao mercado de trabalho depois de tanto tempo afastado”, espera.
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/04/deficientes-visuais-se-especializam-em-avaliar-fragrancias-para-perfumes.html

ALBINO GOURMET 93

Jiló enfrenta bastante resistência, mas, pelo jeito dá pra fazer receitas bem gostosas, viu? Até geleia...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

PAPIRO VIRTUAL 51


Roberto Rillo Bíscaro

Não dei conta de permanecer no reino encantado de C. S. Lewis e refugiei-me temporariamente no “real” mundo eduardiano d’outro inglês, E. M. Forster. Li A Room With a View (1908), que se pertencesse a nossa literatura seria teleologicamente catalogado como pré-modernista, pois apresenta uma heroína bem mais comum do que as d’antanho, mas formal, estrutural e linguisticamente não contém as rupturas modernistas.

Disfarçando tenuamente seu esnobismo bloomsburiano – grupo do qual realmente nunca fez parte mais do que periférica – o cunhador dos termos personagem redonda e plana delineia a historieta de amor e busca por independência da jovem da classe média remediada Lucy Honeychurch (ai que sobrenome docemente simbólico).
Na Itália, um grupo de turistas ingleses compartilha a pensão Bertolini. Dentre os hóspedes, Lucy e sua prima solteirona Miss Bartlet, amarga defensora da moral e dos bons costumes vitorianos e única personagem interessante. . Também papai Emerson e seu filhotão George. Durante o jantar, os xarás do transcendentalista norte-americano ouvem que Lucy a Charlote não estão felizes com a vista de seus quartos. Intrometendo-se, o velho Emerson oferece publicamente seus quartos às reservadas damas, cometendo tremenda impropriedade social, ao querer alargar a visão das inglesas. Ler esse tipo de livro hoje pode gerar certa raiva, porque dá ganas de doar um bom tanque de roupa suja pr’essa gente se ocupar. De qualquer modo, não deixa de ser útil caso resulte em (auto)avaliação de nossos costumes e pequenezas sociais contemporâneas.
Lucy está na Itália pra “adquirir cultura”. Pertence àquela categoria de viajante associada à ascensão burguesa e ao barateamento do viajar: o turista, que munido com seu guia segue os pontos turísticos ou insiste em ser diferente pra conhecer o país “de verdade”, aquele não constante dos roteiros. Se a nobreza tinha seu Grand Tour – quando passeava pela Europa continental pra conhecer seus costumes, reafirmar a superioridade inglesa e voltar pra casa sem ter mudado nada – a classe média inventou e desfrutou dos grupos de excursão e protótipos de cartão de crédito, tudo inventado por ingleses no século XIX.
Miss Honeychurch está programada pra matrimônio com Cecil, jovem culto e enfastiado com o mundo, de excelente família e conexões adequadas. Sempre à procura de opiniões e gostos aprovados socialmente, Lucy sente suas aspirações sócioculturais tremerem quando conhece a sinceridade aberta de George e seu pai. De volta à Inglaterra, Lucy se conformará em viver o matrimônio e as opiniões que se esperam duma menina de sua posição (presunção, posto os Honeychruch estarem longe da riqueza)?
Claro que a independência de Miss Honeychurch ocorre dentro dos limites de possibilidade permitidos a uma mulher de sua classe social; A Room With a View foi escrito quando mulher nem sonhava em votar.
Louvado pela sutileza, Forster compôs uma sátira leve duma fração de classe, que ostenta mais ares do que a quantidade de oxigênio que realmente tem.
Meu problema com o livro é que não é crível o enamoro de George e Lucy. Será que é sutil demais ou realmente é difícil se importar com George, um zero a esquerda? Eles se apaixonam do nada. Katherine Mansfield escreveu em seu diário algo como Forster apenas esquentar a água, mas nunca apresentar um chá. Tenho que concordar com ela no caso de A Room With a View.
Mr. Emerson e sua sinceridade manifestam-se em momentos públicos, arbitrários e inverossímeis, algumas vezes as atitudes em total contraste com algumas das ideias. Não se sabe quem é mais chato, ele ou as pessoas que sua inconveniência discursiva pretendem criticar.
Freddy, irmão de Lucy, é outro dos ineptos jovens estudantes de E. M. Forster. Como não ligá-lo ao estúpido Tibby, de Howard’s End? Claro que isso não é defeito, como as 2 implicâncias acima.
O estilo mordaz de Forster garante momentos deliciosos de ironia, mas A Room With a View provavelmente agrade mais a estudiosos de certo tipo/período da literatura ou do período eduardiano do que a alguém atrás duma narrativa excitante e que entretenha.
O livro foi adaptado pra telona e pra telinha mais duma vez. No You Tube, voce pode ver em inglês sem legendas:
1 - A versão pra telona dirigida por James Ivory, de 1985, com Maggie Smith e Denholm Elliot roubando todas as cenas onde estão

2 - A versão da iTV, de 2007, com Elizabeth McGovern (a Lady Grantham, de Downton Abbey) no elenco

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ALBINISMO NA REVISTA TRIP

A revista Trip publicou excelente matéria sobre o movimento das pessoas com albinismo no Brasil. O Programa Pró-Albino, o  trabalho do fotógrafo Gustavo Lacerda, a APALBA, Andreza Cavalli e o trabalho deste blog mereceram destaque.


WHITE POWER

A luta por direitos e por visibilidade de um grupo que vive praticamente à margem da sociedade: os albinos

Em um mundo em que, com um pouco de articulação, toda causa consegue reverberar, Trip foi atrás de entender como tem evoluído a luta de um grupo que antes vivia escondido: o dos albinos

O galego destoava totalmente dos outros garotos de 13 anos de Lagoa da Canoa, município de 18 mil habitantes no sertão de Alagoas. Era estrábico, enxergava mal, tinha a pele e os cabelos brancos. Mas era ele – justo ele, o principal alvo de chacotas dos colegas, chamado de “cego”, “zarolho” e “instalação trocada” – quem namorava a menina mais bonita da escola. “A professora me perguntava se eu queria que ela castigasse os que me incomodavam. Eu dizia que não porque eles tinham inveja de mim.

Eu me vingava de outro jeito. Na frente dos moleques, perguntava a minha namorada: ‘O que você acha de mim?’. Ela respondia: ‘Te acho um pão. É o mais lindo de todos’. Aí não tinha pra ninguém”, conta o próprio, dando risada mais de 60 anos depois.

O galego, no caso, é Hermeto Pascoal, um dos maiores gênios da música instrumental, com turnês realizadas por Estados Unidos, Japão e Europa e cuja atenção internacional foi despertada ao gravar com Miles Davis, no início dos anos 70. Aos 76 anos, o “bruxo”, como é chamado, mantém intacto o talento para conquistar mulheres: há dez anos é casado com a cantora Aline Morena, 43 anos mais nova que ele. O casal mora em Curitiba, onde o sol castiga menos a pele de Hermeto. O mais famoso albino do Brasil é um exemplo de sucesso e autoafirmação para muitos que, como ele, nasceram com essa rara condição genética que afeta a produção de melanina e causa a falta de pigmentação nos olhos, na pele, nos cabelos e nos pelos.

A vida é dura para os albinos. Em primeiro lugar, no Brasil nem se sabe quantos são. Na Europa, estima-se que haja um a cada 17 mil habitantes, mas aqui não há qualquer levantamento. “É como se eles fossem invisíveis. Não existem dados sobre albinos no IBGE, já que não há a variável no Censo: quando questionados, alguns se identificam como negros porque os pais são negros, outros como pardos. Se o funcionário do cartório olha, registra como branco”, afirma Shirlei Moreira, fundadora da Associação das Pessoas com Albinismo na Bahia (Apalba), única do gênero no Brasil. Não é por acaso que o único grupo organizado dessa minoria tenha surgido na Bahia, estado com a maior população negra do país. “A maior incidência de albinismo ocorre justamente entre afrodescendentes”, explica o dermatologista Marcus Maia, coordenador do Programa Nacional de Controle de Câncer de Pele e responsável pelo Pró Albino, programa da Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo, que oferece atendimento de saúde gratuito a 71 albinos. A cada três meses, Maia e o oftalmologista Ronaldo Yuiti Sano fazem avaliações nesses pacientes para evitar que desenvolvam problemas como câncer de pele, envelhecimento precoce da pele e perda da visão.


Gustavo Lacerda



Andreza Cavalli, do grupo Albinos do meu Brasil

Os problemas de saúde surgem cedo. “Logo que nascem, muitos já apresentam baixa visão por causa da falta de pigmentação na retina. Na infância, têm dificuldades para acompanhar a escola porque não conseguem enxergar a lousa. Há muita evasão escolar. Muitos não sabem ler ou escrever, o que os deixa ainda mais isolados”, conta Shirlei, da Apalba. Também há o problema da pele, que envelhece muito rapidamente. “Já vi garotos de 20 anos com a pele de alguém de 60 anos. Dependendo do grau de exposição ao sol, podem desenvolver câncer de pele.”

Para se proteger, a estudante de educação física Andreza Cavalli, de São Paulo, procura usar calças e camisas de mangas compridas. Todos os dias, passa protetor solar com fator 60 nas regiões descobertas do corpo. “Além disso, uso óculos escuros e chapéu. É uma obrigação, não tenho escolha. Vira um hábito como escovar os dentes”, explica a moça, que criou um grupo no Facebook chamado Albinos do meu Brasil e do Mundo para trocar dicas e informações sobre o tema. Um grupo de 20 deles se reúne periodicamente para conversar.

Albino incoerente

Existem no mercado roupas e chapéus com proteção contra raios ultravioleta, mas os preços são altos. “Uma camisa custa R$ 200. É cara e as cores e os modelos são limitados”, explica o professor universitário Roberto Bíscaro, autor do blog Albino incoerente – perspectivas albinas de vida. Criada em fevereiro de 2009, a página recebe 300 visitas por dia. “Não existia praticamente nada sobre albinismo em português. Criei o blog na tentativa de preencher essa lacuna e acabou virando uma referência. Tem agências de propaganda que me procuram em busca de personagens albinos para comerciais.”

A falta de estatísticas dificulta a criação de políticas públicas voltadas para a minoria. “É um círculo vicioso. É difícil definir ações de governo porque você não sabe quem é o público-alvo, quantos são e onde vivem”, afirma Roberto. Campanhas contra o preconceito também são necessárias. “Conheço muitos albinos que não conseguem emprego por causa da aparência”, diz o professor. A questão da autoestima é um dos temas mais delicados. Autor da série “Albinos”, da qual fazem parte as imagens espalhadas por estas páginas, o fotógrafo mineiro Gustavo Lacerda conta como lidou com isso. “Eu queria imagens posadas e não ‘roubadas’ na rua. Convidava as pessoas, elas vinham, eram maquiadas e tinham um figurino. Elas eram o centro de atenção, mas não de uma maneira negativa como estão acostumadas. Pelo contrário, a ideia era ressaltar a beleza”, afirma o artista, que começou o trabalho em 2009. Desde então, o ensaio recebeu o prêmio Conrado Wessel de Arte 2011, foi exposto na mostraEuropalia, em Bruxelas, e será exibido em setembro no Museu do Quai Branly, em Paris. Além disso, um livro com as imagens será publicado pela editora Madalena, do fotógrafo Iatã Cannabrava.

A ideia de melhorar a autoestima funcionou. Pelo menos no caso de Patrícia de Matos Cardoso, a escoteira que aparece na abertura desta reportagem. As fotos da adolescente de 16 anos e de Andreza Cavalli foram adquiridas pelo Museu de Arte de São Paulo para fazer parte da Coleção Pirelli. “Eu era insegura com tudo. Não me achava bonita. O ensaio mudou minha visão sobre mim mesma.” Quando foi ao estúdio de Gustavo Lacerda, Patrícia só queria uma foto. Nem sonhava que aquilo iria para tantos lugares. “Foi uma ótima surpresa”, ela conta.

Gens Grossman/LAIF


Crianças da Tanzânia

IMAGINE NA TANZÂNIA

Em algumas regiões do continente africano, a situação dos albinos é ainda pior do que no Brasil. O caso mais grave é na Tanzânia, onde em algumas tribos acredita-se que partes dos corpos dos albinos têm poderes mágicos, o que leva ao assassinato e à mutilação de centenas deles. Há também os casos de garotas albinas que são estupradas por homens portadores do vírus HIV por causa da crença de que elas curariam a Aids. Para lutar contra essas atrocidades, existe uma ONG canadense chamada Under the Same Sun, que dá assistência aos albinos na região. O site da organização é www.underthesamesun.com


Vai lá:

Apalba: www.apalba.org.br
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo: www.santacasasp.org.br
Blog do albino incoerente: www.albinoincoerente.com
Albinos do meu Brasil e do mundo: www.facebook.com/groupsalbinosdomeubrasiledomundo
http://revistatrip.uol.com.br/revista/220/reportagens/white-power.html#0

TELONA QUENTE 72

Ficção-científica não se restringe a espaçonaves, guerras interestelares ou cyborgs totalitários derrotados por humanos tecnologicamente subdesenvolvidos. Também não são necessários orçamentos cheios de zeros à direita do vírgula e efeitos especiais georgelucanos.
Domingo à noite, vi Transfer (2010), produção alemã, que, se não genial ou inquietante, pelo menos oportuniza discussões sobre racismo, tráfico de pessoas, (gen)ética.
Um casal de idosos, Hermann e Ana - a esposa é cancerosa terminal - procura uma empresa que promete vida eterna: as informações do cérebro velho são transpostas pra cabeças e corpos jovens. Os jovens são voluntários, em sua maioria imigrantes ou não-caucasianos, que por livre e espontânea pressão da necessidade econômica concordam em borrar suas existências. Apenas durante 4 horas por dia – mas, somente nos três meses iniciais de adaptação – as consciências dos jovens podem “acordar”. O altíssimo preço da transfusão de cérebros obviamente permite acesso apenas a europeus afluentes.
Transfer foca muito nos casais envolvidos no procedimento, mas é interessante ao mostrar como um branco inconsciente pro racismo e pra possiblidade de agência social começa a alterar sua opinião, quando, literalmente, na pele do oprimido/explorado. Claro que o ideal seria a desnecessidade disso, afinal, não carecemos pisar no caco de vidro pra saber que corta.
O tom pode ser sóbrio ou quieto demais pros desesperadamente acostumados a certo cinema norte-americano que apela pra emoção mais baratinha, mas essa distopia germânica pode ser pedida boa.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

UM CERTO COTIDIANO ALBINO

Fotógrafo registra rotina de 3 crianças albinas filhas de pais negros


O que é melanina? Se você está entre aqueles que já ouviram falar disso por aí, mas não faz ideia do que se trata, fique atento a esta explicação simples: melanina é um pigmento natural que, no corpo humano, é responsável pela coloração e proteção da pele, dos olhos e do cabelo.
É por causa da melanina que você consegue ir à praia e não ter problemas com a grande quantidade de luz – tanto aquela que chega até seu corpo como a que reflete nas areias brancas. A coloração do seu cabelo, dos cílios e sobrancelhas só existe porque a melanina está presente.
E o que acontece se alguém não tiver essa substância? Existem pessoas sem melanina? Existem. A maioria delas sofre de uma condição chamada albinismo. São pessoas com a pele extremamente clara, olhos muito sensíveis e cabelos de coloração quase branca. Elas precisam de cuidados especiais, principalmente quando o assunto é a exposição à luz do dia.
O fotógrafo Alexandre Severo passou alguns dias com uma família nordestina brasileira, a qual é composta por pais negros e cinco filhos, sendo dois negros e três albinos.
O albinismo, nesse caso, apareceu devido à combinação genética dos pais, que são heterozigotos, ou seja, possuem pares de genes que apresentam genes diferentes um do outro. Essa foi a explicação dada por Valdir Balbino, professor do Departamento de Genética da Universidade Federal de Pernambuco.
Ele explica também o que muita gente pode ter problema para entender: como é possível que pais negros tenham filhos “brancos”? De acordo com ele, “pelo caso apresentado, se os pais são negros, os meninos são tão negros quanto eles. Etnicamente e geneticamente. Só não produzem melanina”.
O site Hypeness publicou uma sessão de fotos feitas por Alexandre Severo, que acompanhou a rotina dessa família. A ideia é tentar ajudar a família, que tem dificuldades para comprar o protetor solar ideal para os filhos – custa R$ 96 e acaba em três semanas.
Enquanto não podem usar o protetor para sair ao sol, as crianças se escondem em casa.
http://gazeta24horas.com.br/portal/?p=24675

Veja as fotos em
http://www.hypeness.com.br/2013/04/fotografo-registra-filhos-albinos-de-uma-familia-negra-que-sobrevivem-fugindo-da-luz/

terça-feira, 16 de abril de 2013

TELINHA QUENTE 74


Quem Matou JR Ewing?

Roberto Rillo Bíscaro

Dia 23/12/12, surpreendemo-nos com o falecimento de Larry Hagman, ator-símbolo de DALLAS. Octogenário e com um histórico de sérios problemas de saúde, deveríamos ver o que nos aguardava, mas quem acreditava que JR Ewing pudesse morrer de câncer?
O sucesso da primeira temporada determinou o início da segunda já no despertar de 2013. Quando Larry se foi, gravara 6 episódios. Apesar de sua participação não se igualar à da encarnação oitentista, JR é ícone e seu passamento teria que desencadear maciça avalanche de revelações que reverberassem pelo resto da temporada, culminando em cliffhanger. Era o que esperávamos e a garantia de audiência continuada. Desse modo, a segunda temporada da nova DALLAS, terminada ontem nos EUA, pode ser seccionada em antes e depois da morte de JR Ewing. Temporada duríssima pra nós fãs xiitas. E não é que Cynthia Cidre e a TNT fizeram um bom trabalho?
A primeira temporada delineou os perfis de John Ross, malvado filho da víbora JR e de Christopher, filhão bonzão do legalzão Bobby. Também revitalizou o clássico feudo das famílias Ewing e Barnes, com a reviravolta fantástica vivida por Pamela Rebecca, que se tornou deliciosamente sombria no final da temporada. Mas, não se enganem: sou Ewing de coração e quero ver os Barnes esmagados!
A segunda temporada começou mais furiosa, veloz e melhor do que a inaugural. Parecia a velha DALLAS em seu apogeu. Chantagens, falcatruas, tentativas de assassinato, disputa por custódia, complexo de Édipo muito mal resolvido, menina viciada em antidepressivos e outras químicas, menino retornando pra família e trazendo confusão, John Ross e Christopher brigando. Felizmente, minha adorada Sue Ellen começou a aparecer mais e brilhou a temporada toda e a enfadonha Elena não muito (mas, pode ressuscitar na terceira). Pamela Rebecca não voou tão alto quanto prometia, afinal, DALLAS continua falocêntrica.
E então, chegou o episódio da despedida de JR Ewing, morto a tiros num hotel. Chorei com Sue Ellen – bêbada, delícia! – no funeral em Southfork e depois embarquei(camos) pra descobrir quem assassinara nosso anti-herói. JR estava no México pra armar contra Cliff Barnes e Harris Ryland, saboroso vilão semipsicopata. Chamado de Obra Prima de JR, o plano envolvia localizar Pamela Barnes Ewing, última vez vista com cara nova após cirurgia plástica necessária pra reconstruir o corpo destruído numa colisão de automóvel, no final de 1987, quando a atriz Victoria Principal saiu de DALLAS. Ressuscitar o nome de Pamela atiçou fãs renitentes da personagem, que passaram a discutir freneticamente em redes sociais sobre seu retorno. De minha parte, se é pra trazer alguma personagem da antiga, preferiria Katherine Wentworth, irmã maluca e malvada da sem sal Pam.
Alguns erros de lógica com relação ao DALLAS original não passaram despercebidos. Como Rebecca Wentworth poderia ter deixado um terço da Barnes Global pra cada um de seus filhos, se a empresa não existia quando ela morreu no acidente de avião?
Josh Henderson totalmente convence como herdeiro do diabolismo e da promiscuidade de papai JR. John Ross tem estilo e solta frases antológicas tipo “meu pai derrubou 3 senadores, 2 governadores e um vice-presidente. Ele me ensinou tudo que sei. Sua cabeça ficará ótima sobre minha lareira, governador”, ameaça júnior o governador do Texas, mancomunado com Ryland e Cliff pra destruir os Ewings.
Sinto falta das refeições em família em Southfork, mas o ritmo televisivo de 30 anos atrás era distinto do de nossa era da simultaneidade. A ação hoje tem de ser a jato, se não o público não tem saco.
Patrick Duffy disse que a TNT renovou DALLAS pruma terceira temporada. Esperando confirmação oficial da emissora. A despeito duma excitante segunda temporada, a série perdeu quase metade dos telespectadores da primeira. E pensar que o episódio oitentista revelando quem atirou em JR foi visto por 360 milhões de telespectadores. Outra era.
E agora, quem terminou o trabalho tentado por Kristin há 30 anos? Não revelarei quem matou JR, mas garanto: os roteiristas escolheram a única pessoa capaz de fazê-lo nesse mundão sem porteira de meu Deus.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

CAIXA DE MÚSICA 93


Roberto Rillo Bíscaro

No economicamente recessivo final dos anos 70, um porão londrino virou Meca pra fashionistas e candidatos a descolados: o Blitz Club. Toda terça, Steve Strange ficava na portaria escolhendo pela roupa e visual, quem podia entrar. Barrar Mick Jagger foi boa estratégia; o clubinho começou a ganhar fama.
Esse ambiente que misturava moda, música, ambiguidade sexual e cabelos armados é o ninho do New Romantic, que influenciou demais o meio cultural pop na primeira metade dos anos 80. O documentário The Blitz Kids – disponível sem legendas no You Tube – delineia a trajetória dessa meninada glam; anti-rockers que acabaram na armadilha do excesso de muitos roqueiros e hoje são associados ao economicismo direitista da defunta Dama de Ferro (embora diversos new romantics tenham sido anti-Thatcher).
Os meninos e meninas do Blitz Club tomaram a noção punk de que qualquer um podia fazer música e virar artista e combinaram-na com moda, vontade de sair da classe operária/do salário-desemprego e, claro, com disco music e David Bowie. O Camaleão foi o deus-todo-poderoso dos New Romantics, mas o documentário o hiperboliza a única influência. Duvido que Roxy Music, Giorgio Moroder, Kraftwerk, T. Rex e o glam rock (talvez o Queen) não façam parte do rol de inspirações. Mas, Spandau Ballet & Cia. não se interessavam em parecer roqueiros de camisa aberta, cabelão desgrenhado e jeito de quem fede cecê. Eles se maquiavam pesado, investiam em roupas e penteados mirabolantes.

Em questão de meses, essa estética ganhou paradas de sucesso, páginas de revistas e MTVídeos. Mesmo quem não era New Romantic investia grande no visual, como os “esquerdistas” do Style Council. Todo mundo era fashion ou meio andrógino na primeira metade dos anos 80, que amou opulência. Como explicar melhor o sucesso de DALLAS e Dynasty, dear?
O documentário entrevista ícones oitentistas como Boy George, que, com sua androgenia-família (minha mãe sempre o amou) tomou o planeta de assalto por uma trinca de anos até se envolver em escândalos policiais por conta das drogas. A traveca Marylin – lôka, lôka – e o uma-vez influente Steven Strange (ele teve um par de sucessos com o Visage) também, estão lá, além de membros do Spandau Balllet e mais. Os depoimentos são repletos de farpas, ironia e complexo de superioridade – mas também de certo patetismo quando alguns pensam que podem voltar a ser relevantes.    
Os anos 80 foram de dominação do pop inglês, inclusive no hermeticamente xenófobo mercado norte-americano. Quem curte synth pop, DuranDuran, Culture Club, enfim, qualquer subgênero pop daquele período, deve ver o documentário. Também serve pra entender a importância do contra-ataque dos Smiths, a partir de 82.   

sábado, 13 de abril de 2013

ALBINO GOURMET 92

Nosso tema hoje é o espinafre.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

TECNOLOGIA CEARENSE

Cearenses criam "mouse" para cegos

O Projeto Portáctil investe em dispositivos que facilitam a leitura, em braile, de conteúdos digitais e impressos.

Olfato, paladar, tato, audição. Quando a experiência do "olhar" não está ao alcance físico, são os outros sentidos do ser humano que possibilitam uma comunicação eficiente em sociedade. No Brasil, segundo o Censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, cerca de 35,7 milhões de pessoas têm algum nível de deficiência visual, sendo mais de 506 mil efetivamente cegas. Diante desse número, o investimento em acessibilidade torna-se uma prioridade sócio-educacional, mobilizando programas de tecnologia como o Projeto Portáctil, desenvolvido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).
A vontade de investir em tecnologia assistiva inquietava, desde 2002, o professor e pesquisador do IFCE, Anaxágoras Maia Girão. "Como engenheiro, eu gosto de pensar em sistemas de automação que dão maior conforto para pessoas com deficiência visual", afirma. Junto a essa inquietação, surgiu, em 2009, uma parceria com a empresa AED Tecnologia, incubada no IFCE, que possibilitou a criação do Projeto Portáctil.

A ideia inicial do projeto visava construir um dispositivo em forma de caneta, que possibilitasse a transcrição de conteúdo impresso para o braille. A partir do aperfeiçoamento das pesquisas e da apresentação do projeto ao Ministério da Educação, em 2010, algumas mudanças foram estabelecidas. Com o recurso financeiro do governo federal, o projeto passou a ser desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento em Automação (Lapada) do IFCE, sob a coordenação do professor Anaxágoras Girão. A cela braile existente na caneta - um dispositivo com oito pinos móveis que formam os caracteres em braile - deu lugar a um dispositivo portátil de navegação, semelhante a um mouse, com três celas na parte superior. Os dispositivo também armazena arquivos de texto, cujo conteúdo é transcrito em braile para o usuário.
Na configuração atual, o dispositivo de navegação braile atua no dedo do usuário, proporcionando o entendimento e a fluência dos caracteres. Abaixo das celas, seis botões atuam com funções auxiliares na navegação. Nas laterais, ficam os botões para voltar e adiantar as linhas do texto. Já na porção inferior, fica localizado o leitor óptico e o sensor para direcionamento.

O usuário cego também pode gerar o próprio conteúdo, utilizando tablets ou smartphones. A conexão com esses dispositivos é feita através de Bluetooth. Nos tablets, o Portáctil admite um teclado de silicone, semelhante aos teclados de computadores convencionais. A digitação permite ao usuário retorno auditivo, facilitando o processo de produção textual.
Desafios
Mesmo facilitando a digitação e a leitura, o sistema ainda se encontra em fase de desenvolvimento desde 2010. Segundo o coordenador do projeto, Anaxágoras Girão, a primeira etapa de concepção e usabilidade junto aos usuários já foi vencida. O desafio agora é o apoio financeiro para distribuir o serviço.

O financiamento concedido pelo Ministério da Educação, no valor de R$ 1 milhão, possibilitou a criação de 136 equipamentos (tablets com película de silicone, que serve como teclado, e o mouse especial). Além desse recurso, em fase inicial, o projeto contou com R$ 90 mil do Banco do Nordeste. Segundo Heyde Leão, diretor executivo da empresa AED Tecnologia, os 136 equipamentos já foram entregues à Prefeitura de Fortaleza. Para a finalização do projeto, ainda é preciso produzir 64 equipamentos e realizar a capacitação de professores e alunos nas escolas municipais. "É preciso dar atenção a esse sistema, que só vai para frente a partir de duas coisas: suporte e acompanhamento", afirma Leão.
O professor Anaxágoras reconhece que o projeto já poderia estar beneficiando os estudantes, mas a burocracia e a recente transição no governo municipal atrasaram o processo. "Com a mudança de gestão, o investimento ficou preso. Então, precisamos esperar um pouco mais para concluir os equipamentos e liberar para as escolas", explica.

Mesmo com a conquista de alguns avanços, o Portáctil ainda precisa de aperfeiçoamento. Segundo Anaxágoras Girão, hoje, o sistema já permite ao aluno ter acesso em braile a um material que o professor disponibiliza em formato digital. No entanto, as expectativas são maiores. "Queremos torná-lo um leitor de livros. A gente quer que o aluno possa levar para casa, escrever uma nota, uma redação, com autonomia", conta o professor.
Para a leitura a partir de materiais impressos, os pesquisadores estão investindo em um aplicativo denominado OCR (reconhecimento ótico de caracteres, na sigla em inglês), que transforma o tablet em um scanner, a partir de fotos tiradas por sua câmera. O posicionamento das folhas impressas ainda representa uma dificuldade para as pessoas com deficiência visual e, nesse sentido, o projeto reconhece a necessidade de melhoramento do software.

Avanço
O revisor braile Martonio Torres Carneiro tem deficiência visual desde pequeno e já teve a oportunidade de testar o sistema, quando o projeto foi apresentado à Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência, do governo do Estado. "De início eu senti um pouco de dificuldade, como toda coisa nova. Mas como sou muito curioso e já tinha contato com meu iPhone, facilitou mais", comenta. O revisor demonstra encantamento com a invenção. "O mais interessante é a navegação com cursor. É um salto tecnológico avançadíssimo. Com esse sistema você pode ter uma biblioteca braile na mão", revela.
Martonio reconhece ainda a importância do equipamento para a formação das crianças. "Com o Portáctil, as crianças têm acesso ao braile e ao computador. E essa base é fundamental, já que o braile é nosso método mais eficaz de escrita e leitura", afirma o revisor.

A coordenadora especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência, Isabel Pontes, integra o grupo de trabalho que pretende levar o sistema para todas as cidades do Estado. "Precisamos chamar a sociedade para conhecer essa tecnologia assistiva. O usuário e sua família são os focos do nosso trabalho", diz. Para Isabel, acolher iniciativas como essa é um dever governamental. "Nossa participação nada mais é do que o Estado cumprindo a sua responsabilidade no sentido de dotar as escolas de tecnologia assistiva".
Solução reduz custos para adaptar obras
O professor Anaxágoras Girão diz que tinha vontade de investir em tecnologia assistiva desde 2002, com o objetivo de auxiliar deficientes visuais

Os investimentos no Projeto Portáctil são mínimos diante dos custos comerciais gerados nos processos de transcrições comuns para o braile. Totalizando um gasto de cerca de R$ 4 mil na obtenção do equipamento completo - formado por um tablet, um teclado de silicone e um mouse especial desenvolvido pelos cearenses envolvidos no projeto -, o sistema Portáctil valoriza a comodidade e a economia da produção.
De acordo com levantamentos oficiais realizados junto à Gráfica Braille da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Ceará e à Gráfica Civiam, especializada neste tipo de produção, uma página em tinta de um livro convencional gera de três a quatro páginas em braile, após o processo de transcrição.

Tomando como exemplo o clássico infanto-juvenil "Harry Potter e a Pedra Filosofal", de autoria de J.K. Rowling, obtém-se um custo unitário de R$ 4,80 por página transcrita. A obra totaliza aproximadamente 2.160 páginas em braile, que devem ser acondicionadas em 18 volumes com 120 páginas cada, a um custo final de R$ 10.368 por unidade transcrita.
Os números inviabilizam a produção do material em escala suficiente para atender ao público alvo, bem como dificultam a logística de armazenamento, uma vez que os volumes ocupam bastante espaço. Além disso, o próprio material em braile, com o uso frequente e o passar do tempo, perde suas características de impressão e percepção tátil por parte do usuário.

Bibliotecas acessíveis
A acessibilidade é um desafio em muitos setores da educação. Espaços como bibliotecas, referências pedagógicas na aprendizagem através da leitura, em sua maioria, não contam com o suporte necessário para atender pessoas com deficiências visuais. De acordo com o 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais do Brasil, de 2009, apenas 9% das bibliotecas públicas municipais oferecem serviços de audiolivros ou livros em braile, ou ainda, estações de trabalho adaptadas. No Nordeste, 95% das bibliotecas municipais não possuem serviços para cegos e 96% não oferecem serviços para pessoas com outras necessidades especiais.
Em Fortaleza, a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência já se articula com a Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel. "Estamos procurando disseminar ainda mais a leitura em braile, transcrevendo exemplares na gráfica do governo e passando para as bibliotecas", afirma a coordenadora Isabel Pontes. "Do ponto de vista tecnológico, ainda não temos resultado, mas já buscamos um diálogo nesse sentido", diz.
Na Praça do Centro de Artesanato do Ceará (Ceart), um vagão de trem é um espaço de leitura e acessibilidade. Doado pela Rffsa, o vagão está preenchido por de cerca de 2.500 livros, dentre os quais destacam-se exemplares da literatura cearense, de política e de legislação, transcritos para o braile.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1251544