segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CAIXA DE MÚSICA

Seguindo a renovação do blog, o assunto “música” terá seu espaço nas segundas-feiras. Até agora, as postagens têm sido erráticas e dependem de eu escutar algum álbum ou ter vontade de falar sobre algum artista/grupo. Agora, além do dia fixo, abriremos espaço pra dicas, notícias rápidas sobre o mundo fonográfico, shows internacionais no Brasil, bandas e artistas novos, lançamentos, artistas e bandas do passado etc. Os leitores que quiserem sugerir pautas, indicar vídeos, artistas, bandas ou o que for, sintam-se à vontade. Vamos tornar o blog mais interativo?

MPB Argentina
Victor Biglione, instrumentista argentino radicado no Brasil desde criança, acaba de lançar o CD “Tangos Tropicais”. O músico pegou clássicos da MPB, como “Esse Cara”, de Caetano Veloso e “Se Eu Quiser Falar com Deus”, de Gilberto Gil ”, e os misturou com elementos de tango. O resultado está muito criativo, basta conferir a bela releitura instrumental de “Trocando em Miúdos”, de Chico Buarque. Produzido por Nelson Motta (que, dentre outros, descobriu Marisa Monte), Tangos Tropicais não segue a tendência electrotango e apresenta arranjos acústicos, que incorporam instrumentos novos ao tango, como pandeiro. Quem estiver no Rio de Janeiro, dia 03 de setembro, poderá conferir o resultado disso ao vivo, na Sala Funarte.

Electrotango Entre Nós
Lembram da canção de abertura da novela A Favorita?

O nome da música é Pa’Bailar e é do grupo Bajofondo, tangueiros eletrônicos uruguaio-argentinos. Dia 16 de outubro, eles tocarão em Sampa, no Festival Natura Nós. Para comprar ingressos e ver outros artistas que participarão do evento, acesse http://www.naturamusical.com.br/festivalnaturanos/

Ar Puro
Outra atração do Natura Nós é a dupla francesa Air, que lançou o álbum Love 2, em outubro. Eles fazem som eletrônico, mas bem relaxante e algumas canções até tem elementos acústicos. Não é bate-estaca. Vejam que delícia a canção “Sing Sang Sung”, que, além de fofa é boa pra memorizar alguns verbos irregulares em inglês!

Não tem um quê de anos 70? E os vocais são tão delicados... Amo muito!

Tango Francês
Quem começou com essa moda de electrotango foi o trio franco-argentino Gotan Project. Em 2001, eles lançaram La Revancha del Tango, fundindo o ritmo com eletrônica, hip hop e afins. O álbum estourou e suas faixas foram usadas como trilha sonora pra comerciais, filmes e desfiles de moda. Este ano, o GP lançou Tango 3.0 que mescla eletrônica com Nuevo Tango, tango dos anos 30, jazz de várias procedências e tem narração de futebol (um gol de Maradona, claro!) e Julio Cortazar lendo um trecho dum de seus livros com acompanhamento de crianças e piano jazzificado. Um luxo!
Confiram De Hombre a Hombre, mistura de tango com surf music (ouçam a guitarrinha...), jazz e poderia ser trilha de filme noir ou do David Lynch.

domingo, 15 de agosto de 2010

RAPEL SOBRE RODAS

Hoje, inicio um novo marcador no blog: Superação. Todo domingo, trarei histórias de pessoas que, a despeito dos revezes da vida, deram a volta por cima e para cima!

A estréia do novo marcador também marca um direcionamento mais amplo com relação aos assuntos tratados pelo blog. Mudar é preciso, especialmente no mundo virtual, sempre em transformação. A idéia é tornar nosso espaço ainda mais inclusivo e aberto a temas que possam interessar à maior gama possível de leitores/aliados.

Nossa primeira história de superação é o incrível caso de um atleta do interior do estado de São Paulo. Depois de sofrer um grave acidente automobilístico, que o deixou paraplégico, Psiu foi à luta e, através do esporte e da política, está fazendo coisas que muito não-cadeirante sequer ousaria!

BLOG DIVERSIDADE E ALBINISMO

Dia 25 de novembro, publiquei a história de vida do Jailton Santana, professor albino de português, de Sergipe. http://www.albinoincoerente.com/2009/11/historia-do-jailton.html

Há pouco menos de uma semana, Jailton fundou o blog DIVERSIDADE E ALBINISMO, para somar forças à luta por visibilidade e políticas públicas de saúde para as pessoas albinas. Pelo que se pode notar, a proposta de Jailton também é a de abrir o blog para assuntos diversos, o que é muito bom. Afinal, queremos integração com o mundo e não clubinhos fechados!

O endereço é
http://diversidadeealbinismo.blogspot.com/

Desejo boa sorte ao trabalho do Jailton, deixo o conteúdo deste blog à disposição e peço aos leitores que visitem, sigam e divulguem essa nova ferramenta de visibilidade.

(Como diz a canção, Sergipe também tem sua aquarela.)

O VOO DO TAPETE PERSA


Roberto Rillo Bíscaro

Gabbeh é um tipo de tapete persa, tecido com lã colorida, cujas figuras narram uma história. Também pode ser um nome de mulher, que dá título ao filme de 1996, do diretor iraniano Mohsen Makhmalbaf.

Um casal de anciãos dirige-se a um rio para lavar seu gabbeh, que apresenta a figura de um homem e uma mulher sobre um cavalo branco. Durante a lavagem, a figura feminina sai do tapete e, vestida identicamente á anciã, conta a história de como teve que esperar muito tempo e enfrentar enormes dificuldades até que finalmente pudesse se casar com o homem que amava e a seduziu com seu uivar de lobo.

A família nômade de Gabbeh pastoreava ovelhas e a perda de um membro da família provavelmente pesaria nas tarefas. Talvez fosse essa uma das razões para que o pai da moça vivesse protelando a autorização para as bodas. Nesse contexto, a utilização da figura do lobo lança uma dimensão de fábula à narrativa.

Os menos de 70 minutos do filme são guiados pela perspectiva mítica, onde a passagem do tempo não linear, é marcada mais pelo tempo natural, da tosquia e da hora de migrar, do que pelo tempo do relógio das sociedades industrializadas.

O tom mítico é realçado pelas interpretações não-realistas e pelos belos interlúdios líricos, num filme densamente povoado por imagens que permanecem na memória do espectador por longo tempo, devido a sua suntuosidade.

Num dos momentos mais belos, uma das personagens afirma que “vida é cor”. A cinematografia de Gabbeh é luxuosa no uso que faz das cores, desde as encontradas na natureza, até aquelas presentes nos figurinos e adereços das personagens femininas. São tons variados, que por vezes se combinam para criar outros. Nesse sentido, Gabbeh lembra muito a também deslumbrante fotografia do posterior Rang-e-Khoda (1999), do diretor Majid Majidi. http://www.albinoincoerente.com/2009/03/rang-e-khoda.html

A estreita relação entre homens e animais, parte do tema de Gabbeh, também se faz presente em nível formal. A simbiose entre a trilha sonora composta pelo homem e aquela oferecida pelos animais proporciona momentos arrepiantes, especialmente porque estão embalando cenas de beleza impar.

Gabbeh, o tapete do filme, pode não voar como os seus símiles das historias de mil e uma noites. Entretanto, Gabbeh, o filme, faz a imaginação do espectador atingir as alturas mágicas do lirismo.
Gabbeh foi cortado em 7 partes e colocado no You Tube, com legendas em inglês.

sábado, 14 de agosto de 2010

ALBINO INCOERENTE NA GLOBO.COM

Há algum tempo, descobri que o programa Altas Horas abriu espaço para o combate ao bullying. O site permite que o público envie vídeos na seção Você no Altas Horas.

Acionei meu sobrinho Lucas Casella, que me ajudou a elaborar um depoimento sobre bullying e albinismo, o qual mandei pra Globo.

Desde segunda-feira, o vídeo encontra-se no site da emissora, à qual agradeço por ter aberto seu espaço novamente para a questão do albinismo.

Se a gente estiver atento às possibilidades e correr atrás, as coisas acontecem!

LUCIANA VENDRAMINI FALA SOBRE ANDALUZ













Ontem, publiquei postagem afirmando que Luciana Vendramini é uma das protagonistas de Andaluz, telefilme do roteirista e diretor Guilherme Motta, que terá protagonista albino. A musa fala sobre o filme na matéria abaixo:

"Não seguro a onda de posar totalmente nua"

Luciana Vendramini, que acaba de fazer fotos sensuais para o Paparazzo, afirma que não aceitaria o convite para posar totalmente nua novamente (ela foi capa da "Playboy" duas vezes: em 1987 e em 2003). A atriz e ex-paquita contou ao blog de Patricia Kogut que "não seguraria a onda" de tirar a roupa de novo.
- Fico muito tímida. Tem gente que é mais escolada para isso. Tenho um lado careta que não consigo superar nem na terapia - conta.
Terapia, aliás, é algo de que ela não abre mão de jeito nenhum. A atriz, que em 2003 revelou sofrer de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), diz que, se pudesse, faria com que "toda a população tivesse dinheiro para pagar um analista".
- Acho que fazer terapia deveria ser obrigatório para todo mundo, que tem ou quem não tem TOC. A pessoa já devia nascer com uma carteirinha de habilitação à terapia. Você só tem uma vida e não tem direito de conhecê-la bem? - questiona a atriz. - É porque eu não tenho a mínima vocação para política, porque, se eu tivesse, botaria terapia no SUS (Sistema Único de Saúde) para todo mundo desde o nascimento. Gostaria de batalhar isso para o povo - filosofa.
Luciana conta ainda que pretende lançar um livro sobre o assunto até o fim do ano.
- O livro está pronto há três anos, mas sempre tive medo de lançá-lo e depois as pessoas ficarem achando que eu estava querendo me promover com a doença - diz ela, que, com medicamentos e terapia conseguiu superar o TOC. - Muita gente me procura para saber mais sobre a doença, como tratá-la. Como não é algo visível, o TOC assusta muita gente.
A atriz diz ainda que só pensa em trabalho no momento. E ela está cheia de planos até o fim do ano. Além de estar filmando "Andaluz", de Guilherme Mota, Luciana ensaia a peça, "A Senhora de Dubuque”, de Edward Albee, com Alessandra Negrini no elenco e direção de Leonardo Medeiros, e o seu primeiro monólogo, "S.A.R.A.H", que falará sobre o matricídio ("O texto é muito forte, chocante", adianta ela). A direção e o texto são de Jaqueline Vargas.
Sobre o filme, a atriz explica que "Andaluz" contará a história de um menino albino. Ela interpretará uma veterinária que cuidará do cachorro do protagonista da história.
- Os albinos ainda são vistos com muito preconceito pela sociedade. E esse filme é lindo. Até um santa que aparece nos sonhos do menino vai se feita por uma mulher albina
- diz Luciana, que está sendo sondada para fazer a série "As cariocas", da Globo.

(Encontrado em http://tvediversao.blogspot.com/2010/08/luciana-vendramini-nao-seguro-onda-de.html)

A COBRA ALBINA DO TRÁFICO

Depois de enrolar o ex-BBB Serginho num ensaio fotográfico pruma revista erótica, descobriram novo uso pras cobras albinas...

Traficantes italianos usam cobra rara para proteger cocaína

A polícia italiana apreendeu uma cobra albina rara durante uma operação em Roma, nesta quarta-feira, contra traficantes de drogas que utilizavam a serpente para guardar cocaína e intimidar clientes em dívida.
A cobra de 3 metros atacou um policial quando ele invadiu um apartamento onde os traficantes aparentemente preparavam a cocaína para distribuição. A polícia florestal precisou ser acionada para capturar o animal.
"Quando nós entramos, encontramos o animal bem atrás da porta, esperando por nós como se fosse um cão de guarda", disse o tenente Luca Gelormino.
"Ficamos surpresos ao encontrar 200 gramas de cocaína muito pura debaixo da cobra. Ela estava guardando. Por nossa investigação, podemos dizer que ela era treinada para cuidar das drogas."
O animal estava sem comer há sete dias para ficar bastante agressivo, mas acalmou depois que recebeu um pedaço generoso de frango, de acordo com a polícia.
A serpente, que de acordo com a polícia florestal é de Guiné e tem um alto valor no mercado negro de animais, foi levada para um zoológico de Roma. A polícia prendeu 12 pessoas na operação.

(Encontrado em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/08/11/traficantes-italianos-usam-cobra-rara-para-proteger-cocaina-917369956.asp )

(Depois dessa, só curtindo Eric Clatpon!)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

GUIA 4 RODAS

Sou deficiente físico e quero comprar um carro

Muitos deficientes que podem dirigir não sabem como proceder para obter isenções de tributos e descontos na compra de um carro. Veja as dicas.
Marco Quintarelli
Sou deficiente físico e quero comprar um carro. É verdade que existe desconto ou isenção para deficientes? João Marcelo Silva


Acredito que você tenha Carteira de Habilitação com observação de como seu carro deve ser, automático ou adaptado. Caso não a possua, este será seu 1º passo. Procurar uma auto-escola especializada e emitir a sua carteira especial. Você deverá portar também laudo médico para condutor. Estes documentos são a base dos requerimentos para obter as isenções de impostos na compra de seu automóvel.
Dependendo do caso, o veículo pode ser isento de ICMS, IPI , IOF e até IPVA. As isenções de ICMS, IPI, IOF e IPVA são para deficientes condutores habilitados e há também desconto do IPI para não condutores com deficiência visual e deficiência mental.
Munidos destes documentos, e outros que serão solicitados pela Receita federal, você deverá preencher o formulário de requerimento e entregar na Delegacia Regional da Receita de sua cidade solicitando as isenções. Seu requerimento sendo deferido, você poderá com este documento adquirir seu automóvel com as isenções ou suspensões solicitadas.
Somados, os descontos ou isenções de tributos para deficientes podem girar em torno de 25% a 30% do valor do automóvel, mas limitados aos veículos que custam até R$ 70.000,00. O tempo de espera de todo o processo pode chegar a 3 meses.
Marco Quintarelli é Consultor de Varejo do Grupo Azo

(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=29726)

(Banda inglesa pouco divulgada no Brasil, curtamos essa canção do Prefab Sprout, que fala sobre carros e garotas. Uma delícia de fofa!)

ALBINISMO NO MASP - II

Quarta-feira, ocorreu a abertura da exposição da coleção Pireli de fotografias, no Museu de Arte de São Paulo (MASP). 3 fotos de pessoas albinas, clicadas pelo fotógrafo Gustavo Lacerda, foram escolhidas para compor o acervo do importante museu. São elas:



















Foto da Patrícia.

















Esse é o Igor. Além de fazer parte do acervo do MASP, o garoto está rodando um filme. Ele será o personagem Andaluz, no filme homônimo dirigido por Guilherme Motta. Andaluz terá um protagonista albino, vivido por um ator albino (Flávio André Silva) e conta, entre outros, com Luciana Vendramini no elenco.


















Andreza Cavalli


Viajei a São Paulo especialmente para prestigiar o evento e em breve contarei

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ALBINO GABRIELA

Mamãe conta que, quando criança, havia uma mulher famosa na cidade porque nunca parava em casa. Andava todo o tempo, e, por isso, sabia de tudo o que acontecia. Como acontece em cidadezinhas, tornou-se figura folclórica. Chamava-se Gabriela. O nome próprio transformou-se em verbo na comunidade e gabrielar virou sinônimo pra bater perna. 60/70 anos depois, mamãe ainda diz que alguém está gabrielando, ou que alguém parece a Gabriela. Agora, ela tem que contextualizar o termo senão ninguém entende.

Semana passada, gabrielei um bocado. Além das viagens à Birigui pra lecionar, tive que ir à Araçatuba, na quinta, pra renovar o passaporte. Sorte que na Argentina aceitam o RG de brasileiros, caso contrário estria frito. Percebi que o passaporte estava vencido apenas na véspera da viagem!

Araçatuba é a cidade grande da região e fica a uns 50 minutos daqui. Quase nunca vou lá, então, não fazia idéia donde fica a Polícia Federal. Essas coisas não me metem medo mais, porém. Antes, ficava aflito e receoso de como encontraria o caminho. Sempre se dá um jeito. Todo mundo fica um pouco ansioso quando tem que ir a locais com os quais não tem familiaridade. Visão baixa é empecilho, mas não é motivo pra não sair de casa. Na verdade, quando desci na rodô, vi um cego saindo do prédio. Se ele estava lá botando a cara no mundo, por que eu, que ainda enxergo, recearia?

Meu plano era pegar um moto-táxi. Sempre há algum perto de rodoviárias no interior, e, mesmo que não houvesse, alguém sempre tem o fone de algum.

Não precisei. No caminho, enviei mensagem a um amigo que vive na cidade e ele me respondeu que estava em um hipermercado ao lado da rodô; eu que fosse até lá encontrá-lo. Oba, vou ganhar carona até a PF, pensei. Quando o busão parou, Carlos Eduardo estava me esperando na plataforma. Não sou bobo de negar que me facilitem a vida: se não tive que procurá-lo, melhor. Se bem que mesmo que tivesse ido ao mercado, certeza que seria ele a me achar, afinal, chamo mais a atenção! Melhor pra mim...

Enquanto conversávamos na frente do prédio, um moto-taxista estacionou pruma moça descer. Imediatamente, pedi o cartão dele com o celular. Pronto, tudo resolvido. Quando tiver que retornar pra buscar o documento já tenho moto-táxi pra chamar, quando terminar.

E sabem do que mais? Quando o ônibus entrou na cidade, vi que passa em frente ao prédio da Polícia. Não precisarei ir à rodô; pedirei ao motorista do ônibus que dê uma paradinha pra eu descer. Se ele o fizer, economizarei uma corrida de moto-táxi...

Na hora de tirar a foto pro passaporte, grata surpresa. Um funcionário se aproximou da moça que me atendia e instruiu-a sobre como regular a luminosidade do programa de computador pra tirar fotos de pessoas albinas. Ele me explicou que em experiências passadas com albinos, o programa recusava as fotos com a luminosidade padrão porque devido á nossa alvura, o fundo branco e à própria luz da câmera, os rostos albinos ficavam indistinguíveis. O simpático jovem me confidenciou que aos poucos aprendeu a regular a luz corretamente pra peles muito brancas. Não que o programa ofereça tal possibilidade, fiquei sabendo. Mas, ele descobriu que botando a mão numa das lâmpadas, a foto fica adequada. É o famoso jeitinho brasileiro, concluiu sorrindo. E eu sorri de volta e agradeci. Bom ter nossas especificidades reconhecidas e tratadas como se deve. Melhor ainda, sair bonito na foto!

Esta semana também gabrielei muito e na próxima gabrielarei mais porque tenho que buscar o passaporte.

Em breve, contarei tudo sobre todas as gabrielices, mas antes, fiquemos com Gal Costa cantando a Modinha pra Gabriela. Super brejeira!

A (DES)SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA

Roberto Rillo Bíscaro

Edith Wharton é conhecida especialmente por suas descrições dos costumes e repressões da alta sociedade nova-iorquina de fins do século XIX/início do XX.

Ethan Frome (1911), noveleta ambientada na rural Nova Inglaterra, a princípio parece uma mudança radical da escritora. As finas e reprimidas madames e educados e recalcados cavalheiros da então provinciana Nova York (a julgar pela irônica pena de Wharton, ela mesma nascida na fina flor da elite da cidade) dão lugar a fazendeiros puritanos, com seus desvios linguísticos da norma culta e vida dura, encravada na aldeia, longe de qualquer contato com as últimas modas dos salões parisienses.

Se a ambientação é distinta dos demais romances e contos da escritora, o tema da repressão sexual e dos prejuízos causados ao indivíduo que se deixa subjugar pelas convenções sociais irmanam essas personagens economicamente pobres àquelas socialmente elevadas, de The Age of Innocence (1920), talvez a obra mais conhecida da escritora norte-americana.

Ethan Frome era um jovem interessado em ciência, que é obrigado a abandonar a universidade pra voltar á estéril e remota fazenda do pai, que falecera. Pouco depois, a mãe da personagem-título surta e passa a viver em silêncio quase contínuo, pra poder escutar as vozes que a perturbam. Inapto e sem tempo pra cuidar da doente, Frome chama a prima Zeena para ajudá-lo. Aterrado pela perspectiva de solidão, Frome se casa com a prima assim que a mãe morre. Pouco menos de um ano após as bodas, a esposa, entediada com a vida isolada na fazenda gelada, começa a mostrar sua faceta hipocondríaca. A chegada duma prima de Zeena, Mattie Silver, jovem efusiva e bonita, desperta novamente a vontade de viver em Ethan, mas a pobreza, aliada ao rígido sentido moral puritano, conduzem a história a um final trágico.

O destino inexorável das personagens remete à tragédia grega, onde os deuses determinam a queda dos protagonistas, sempre pertencentes às mais elevadas esferas sociais. Escrito nos EUA cristãos e monetaristas, Ethan Frome, a novela, não pôde escapar do pathos de seu tempo. A nobreza ática dá lugar à pobreza estóica e à limitação provocada pela falta de recursos em um mundo governado pelo dinheiro. A sina das personagens, que pagam pelos seus pecados – na tragédia grega não existe o conceito de pecado, mas sim o de falha trágica – revela o trágico sendo filtrado pelo dogma cristão.

A tragédia de Ethan Frome é narrada por um engenheiro, que, antes do primeiro capítulo, nos relata como soube dos detalhes da história, um pouco à moda de alguns trabalhos acadêmicos, que prestam conta ao leitor de seu percurso de pesquisa. Ao final, uma testemunha da história se sente aliviada por ter se livrado do segredo que carregara por tantos anos. Nas últimas 2 páginas da novela, epígrafes ou citações que cairiam como luva na enxurrada contemporânea de textos sobre memória e relatos de eventos traumáticos.

O inverno e a morte permeiam a narrativa de Wharton. Os fatos cruciais tem lugar no gelado inverno puritano da Nova Inglaterra. Abundam termos referentes à frialdade, tornando a estação morta, personagem central do livro. O próprio Ethan, cujo sonho de se tornar engenheiro perecera, administra uma decrépita serraria, ou seja, seus parcos recursos provêm de cadáveres de árvores.

No mundo trágico de Ethan Frome, o retorno anual de Perséfone à superfície perdeu qualquer poder de trazer de volta a vida da primavera, e, consequentemente, da vida. A esterilidade do inverno gelado e da falta de dinheiro conquistaram o mundo ficcional de Edith Wharton.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ALBINISMO NO MASP
















O Museu de Arte de São Paulo (MASP) e a Pirelli têm uma parceria que resultou na constituição de um dos mais importantes acervos fotográficos do país.

Segundo o site da Coleção Pirelli/MASP de Fotografia, “constituir uma coleção de fotografias representativas da produção contemporânea brasileira e firmar condições para seu estudo e divulgação são em última instância a razão de ser da Coleção Pirelli / MASP de Fotografia. Ela parte do reconhecimento do valor da fotografia brasileira em si e na consideração da Fotografia enquanto forma de representação e sistema de conhecimento.” Para maiores informações sobre a coleção, acesse http://www.colecaopirellimasp.art.br/apresentacao

Este ano realiza-se a 18ª edição, com um evento no MASP, dia 11 próximo. A abertura ao público acontece no dia seguinte.

Esta edição tem significado especial para as pessoas com albinismo. Dentre os diversos fotógrafos que tiveram trabalhos escolhidos para integrar o acervo do MASP, encontra-se Gustavo Lacerda. Desde o ano passado, ele tem fotografado pessoas albinas. Os resultados já surgiram: suas fotos viraram capa de revista http://www.albinoincoerente.com/2010/05/garota-albina-da-capa.html

Como se não bastasse a alegria de ver o trabalho de Gustavo cada vez mais reconhecido, as pessoas albinas têm mais a comemorar. As 3 fotos de Lacerda escolhidas para integrarem o acervo do museu mais importante do Brasil são de albinos!

Isso mesmo, nós albinos conquistamos mais um importante espaço de visibilidade e reconhecimento de que nosso visual não fica a dever nada ao de ninguém! E quem diz isso são os exigentes curadores do acervo.

Em nome das pessoas com albinismo, agradeço à iniciativa do Gustavo e o parabenizo de todo coração por mais essa conquista.

Agradeço igualmente a gentileza de ter sido convidado para a abertura da exposição. Estarei lá, com minha câmera fotográfica mais do que amadora para registrar tudo e postar no blog.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

FINAL FELIZ

Lembram do Paulo César, que precisava de ajuda pra conseguir uma daquelas cadeirinhas que se acoplam a assentos de veículos? http://www.albinoincoerente.com/2010/07/ajudando-paulo-cesar.html

Uma pessoa leu o apelo no blog e doou o equipamento. A mãe do Paulo me contou, agora há pouco, por email.

Agradecemos à generosidade da pessoa, que prefere manter-se anônima.

(Perante tal solidariedade, só nos resta agradecer pela vida, né?)

TEDx SANTOS & REGIÃO ATRAVESSANDO O OCEANO

Dia 28 de setembro, participarei como palestrante do TEDx Santos e Região http://www.albinoincoerente.com/2010/07/albino-incoerente-em-evento.html

Grandes novidades sobre o evento internacional!

Antonio Carlos Vargas, coordenador geral do TEDx Santos, comunica que foi estabelecido um acordo de colaboração com o curador do TEDx Lisboa, Manuel Forjaz.

Pelo acordo, o TEDxSantos será transmitido via streaming ao vivo para os TEDxters portugueses, que se reunirão na capital para assistir aos palestrantes do TEDxSantos.

O acordo também prevê uma colaboração contínua entre as localidades e a indicação e intercâmbio de palestrantes. Isso não apenas ampliará fronteiras e discussões, mas trará soluções comuns para a melhoria de ambas as edições.

Para a causa albina, isso significa que o blog vez mais atingirá a população lusa. Portugal é o segundo país que mais visita o Albino Incoerente. Já marcamos presença em blogs, no rádio e TV portugueses. Essa nova inserção poderá significar maior interesse lá pelas pessoas com albinismo. Vamos em frente!

(Em homenagem à pátria-mãe, uma das canções mais divinas do meu amado Madredeus.)

PÓS-NOIR BÚLGARO

Roberto Rillo Bíscaro

A Bulgária faz parte da Europa pobre e desglamurizada. Após a queda do regime comunista, o país passou a exportar mão de obra barata para a abastada parte ocidental do continente e também para a parte rica da América. De certa forma, pode-se falar numa espécie de preconceito contra o país balcânico, como de resto contra os países do Leste Europeu, também campeões de imigração. Essa implicância contra a Bulgária não vem de hoje, porém. Só pra citar um exemplo, o termo vulgar em inglês pro verbo sodomizar (bugger) vem do adjetivo Bulgarian.
O preconceito contra o país é aludido de raspão em uma cena de Zift (2008), longa de estréia do diretor búlgaro Javor Gardev.
Condenado por um assassinato que não cometeu durante um assalto do qual participava, Moth consegue a liberdade antes do tempo, porque finge haver se convertido à doutrina comunista. Ao sair da prisão, insulta um dos guardas e é nocauteado por ele. Colocado desacordado na calçada em frente á cadeia, Moth é capturado por 2 militares que começam a torturá-lo a fim de que revele onde escondeu um valioso diamante negro, objetivo do assalto que culminou no assassinato do dono da pedra preciosa. Essa é a premissa pruma história que se desenrola na oprimida Sofia da década de 60.
Zift tem influências dos filmes noir: é narrado pelo protagonista e tem sua femme fatale, marca registrada da misoginia dos filmes de detetive norte-americanos. Gardev pontua sua narrativa com referências aos filmes hollywoodianos da década de 40, como na cena em que Ada, travestida como a cantora Gilda, canta uma versão em búlgaro pra Put the Blame on Mame, originalmente presente no clássico estrelado por Rita Hayworth. A bela cinematografia em branco e preto apenas realça o tom noir do filme, narrado em diversos flashbacks.
O diretor não está imune, porém, ás referências contemporâneas, como Quentin Tarantino, cuja presença se faz sentir nas historietas contadas por diversas personagens e também na alucinante sequência de perseguição dentro duma casa de banhos públicos, onde o protagonista é caçado enquanto persegue um olho de vidro! Ótima cena adrenalinada, diga-se de passagem.
Insetos e excrementos são os leitmotifs de Zift. As personagens centrais têm apelidos de insetos. A femme fatale, por exemplo é Louva-a-Deus, que serve como pretexto pruma comparação entre a devoração da cabeça do macho pela fêmea durante o coito insetívoro e a relação sexual entre homem e mulher (eu poderia ter vivido sem isso...). Diversas historietas e a própria localização do diamante envolvem excrementos (argh!). Zift, entre outras coisas, é uma gíria pra merda, em búlgaro. Não há com o que se preocupar, porém: as fezes são apenas citadas e compõem a “moral da história”, jamais somos brindados com elas (viva!).
A despeito de um par de cenas que não contribuem pro andamento da trama, Zift é uma promissora estréia de Javor Gardev.
Todos os elementos não passam de desculpa pra alegorizar o totalitarismo do regime comunista e o imperialismo soviético. Não pode ter sido outro o motivo que levou o diretor a encerrar o longa com uma marcha militar patriótica que diz num trecho “a Bulgária é um grande país, mas a Rússia é o maior de todos”.
Pra quem ficou curioso com a cover de Put the Blame on Mame, ei-la (não tem um clima de Tarantino e David Lynch? Talvez Angelo Badalamenti também?...)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

ALBINO INCOERENTE NA FOLHA DE LONDRINA









Há algumas semanas fui entrevistado pelo repórter Diogo Cavazotti, da Folha de Londrina (PR). O resultado foi publicado na edição de ontem do jornal, reproduzida abaixo.

Agradeço ao Diogo e toda a equipe da Folha de Londrina pela oportunidade de divulgação da causa albina.

Uma vida cercada de cuidados
Uso de protetor solar é fundamental para os albinos, mas necessidade esbarra no preço; faltam políticas públicas


Curitiba - Pessoas de diferentes raças podem nascer albinas. Isso ocorre quando há uma herança genética rara e o indíviduo não tem pigmentação na pele e nos olhos. O problema é a falta de melanina e a consequência é a aparência bem clara, incluindo cabelos brancos desde o nascimento. Essa condição exige cuidados especiais. O uso de protetor solar é fundamental, já que a incidência de câncer de pele é muito maior nos albinos. Porém, o preço é um complicador.

O preço do filtro solar com fator de proteção 30 varia de R$ 28,80 a R$ 139,00. Em média, um albino deve passar o protetor a cada duas horas. Isso faz com que ele gaste aproximadamente quatro tubos por mês. Nem todos conseguem desembolsar em torno de R$ 150,00 mensais apenas para a compra do produto, além dos gastos com óculos de grau e de sol.

O professor universitário de literatura e inglês Roberto Biscaro, 43 anos, que atualmente vive no interior de São Paulo, é militante pelos direitos dos albinos e criou um blog (www.albinoincoerente.com). ''O fato de ser albino afetou durante muitos anos minha autoestima. Hoje isso não ocorre. As pessoas continuam me olhando, mas temos que ter maior visibilidade''.

São, no mínimo, quatro tubos de protetor solar por mês. O gasto mensal varia entre R$ 100,00 e R$ 150,00. ''Muitas pessoas não conseguem pagar e não usam. Um albino exposto ao sol pode sofrer queimaduras de terceiro grau. Não é difícil encontrar pessoas que tiveram câncer de pele antes dos 30 anos'', relata. Por não haver políticas preventivas do Ministério da Saúde nem dos governos locais, a estrutura pública acaba gastando muito mais para tratar dos doentes.

Apelidos
Cristiano Rocha de Lima, 33 anos, também albino, tem problemas de saúde, não pode trabalhar e recebe R$ 510,00 por mês do governo. Com este valor sustenta a mulher e mais três filhos. Apenas com protetor solar gasta R$ 90,00 mensais. Se fica muito tempo exposto ao sol, o lábio começa a sangrar. Ele tem problemas de visão que não são amenizados com óculos ou cirurgia. Quando o dinheiro e o protetor solar acabam, o jeito é não sair de casa e evitar o sol ao máximo.

Mas o que mais incomoda Lima são os apelidos que recebe. ''Todo dia alguém me chama de carneiro, cabeça de couve-flor e até de Ana Maria Braga.'' O maior medo era que algum filho nascesse albino, mas nenhum dos três teve a alteração genética. O bisavô de Lima também era albino.

A aposentada Maria dos Santos Vieira, 58 anos, vive com R$ 510,00 por mês e também sustenta o marido. Para economizar, passa bem pouco protetor. Assim, consegue gastar apenas dois tubos mensais, que custam R$ 29,00 cada. Além disso, ainda precisa comprar um hidratante para a pele, no valor de R$ 45,00 e mais um remédio para fibromialgia, que custa R$ 60,00.

''Tem muita gente que tira sarro de mim.'' Maria tem três irmãos. Um deles é albino. ''Meus pais são negros. Quando eu nasci, meu pai achou que eu não era filha dele''. Caso recebesse o protetor gratuitamente, poderia usar o dinheiro para outras necessidade, como adquirir o medicamento para fibromialgia.

Distribuição é gratuita na Bahia
A Bahia é o único Estado a distribuir gratuitamente protetor solar e óculos aos albinos. Isso foi possível através de um termo de acerto de conduta feito pela Associação de Pessoas com Albinismo da Bahia. Em São Paulo, um projeto de lei está em votação na Assembleia Legislativa para que o mesmo seja realizado no Estado. No Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul existem projetos semelhantes, mas nenhum projeto foi aprovado.

O objetivo é que os projetos locais sejam aprovados para que o assunto ganhe atenção em todo o País. Assim, existiriam mais chances do Governo Federal incluir o protetor na relação de medicamentos entregues gratuitamente para a população que precisa. Mas há outro problema. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) coloca o filtro solar na categoria de cosméticos, e não de medicamentos. Se isso fosse alterado, os impostos diminuiriam e o preço final ao consumidor também.

Faltam estudos no Brasil
Não há um estudo sobre a quantidade de albinos no Brasil, já que o Censo demográfico não inclui esta categoria na pesquisa. ''Sabemos quantas televisões e máquinas de lavar roupa cada família tem, mas não o número de albinos do País'', reclama o professor Roberto Biscaro. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, diferentes pesquisas apontam que, em média, uma a cada 17 mil pessoas nasce albina.

Na Tanzânia, país muito pobre da África, há uma superstição envolvendo o assassinato de pessoas albinas. Diz a lenda que rituais de magia negra com pedaços do corpo de albinos trazem sorte e sucesso. Na região, existem caçadores que vivem de procurar e matar os portadores de albinismo. Como cada membro do corpo chega a valer milhões de dólares, os rituais são feitos, na maior parte das vezes, por pessoas com alto poder aquisitivo. (D.C.)

Mutação de genes é a causa do albinismo
Curitiba - Albinismo é a definição de diversas doenças com a característica em comum de ser congênita (adquirida antes do nascimento) e hipopigmentar (perda da cor da pele). Isso ocorre devido a mutações de genes que regulam vários processos, provocando alterações de cor na pele, cabelo e olhos. O processo pode ser completo ou parcial.

Segundo o dermatologista Aguinaldo Bonalumi, o albinismo pode ocorrer em todas as raças. Entretanto, existem várias formas diferentes da doença e alguns tipos são mais frequentes em regiões específicas. O albinismo oculocutâneo tipo 2, por exemplo, é mais comum em africanos, e o tipo 4 é encontrado com mais facilidade no Japão. Uma síndrome associada ao albinismo, chamada Hermansky-Pudlak, é considerada rara, mas em Porto Rico a incidência é de um caso para cada 1,8 mil pessoas.

De acordo com o profissional, a orientação terapêutica primordial ao albino é evitar ao máximo a exposição solar, inclusive com mudanças de hábitos, como optar por um emprego noturno. ''É necessário fazer uso de bloqueador solar, chapéu, roupas de manga comprida e óculos escuros, para evitar catarata precoce e câncer cutâneo (pele). Os albinos devem ser avaliados pelo dermatologista e oftalmologista para exames anuais durante toda a vida'', explica Bonalumi.

Além de queimaduras na pele e até câncer, algumas formas de albinismo também podem apresentar alteração hepática e hematológica (hemorragias), surdez e deficiência imunológica.

Filhos de casais albinos também apresentam a alteração genética. Mas se apenas um dos pais possui a doença, o filho não será obrigatoriamente albino. Existe um exame genético pré-natal para identificar o albinismo.

Diogo Cavazotti
Equipe da Folha


(De Londrina, vem o compositor Arrigo Barnabé, com o qual homenageio todos os londrinenses, cidade querida, onde tenho parentes e amigos.)

CÉREBRO NADA DESPREZÍVEL

Escritor com paralisia cerebral lança seu terceiro livro
Ficção "O Desprezível" tem como cenário a época do Movimento Diretas Já


"O Desprezível", obra de ficção que tem como cenário a época do Movimento Diretas Já, é o mais recente trabalho de Eduardo Montans de Sá (Dado), escritor com paralisia cerebral e jornalista formado com louvor pela Universidade de São Paulo. O livro será lançado na próxima segunda-feira, (09/08) na Galeria Cidade Jardim, à avenida Tajurás, 236.
A história gira em torno do filho de um grande empresário do ramo de plásticos que é capaz de tudo para desviar os bens da família, até mesmo colocar a vida do pai em jogo.
Eduardo Montans de Sá teve grande parte de seus movimentos comprometidos devido à paralisia cerebral mas, aos 40 anos, mantém uma mente criativa não afetada pela deficiência. Ele agora convida a todos para o lançamento do seu primeiro livro de ficção. Antes de "O Desprezível", já foram publicados, de sua autoria, "Magia Poética (1994) e "Abrindo o Baú" (biografia - 1999).

Serviço:
Lançamento do livro "O Desprezível"
Autor: Eduardo Montans de Sá
Editora: Com Art
Data: 9 de agosto
Horário: a partir das 18 horas
Local: Galeria Cidade Jardim - Avenida Tajuras, 236, Cidade Jardim
(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=29609)
(Para o Eduardo Montans, aqui vai o Eduardo Gudin.)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

DE VOLTA À TERRA DO GIANE

No começo do ano, arrumei emprego numa faculdade em Birigui (SP), cidade-natal do Reinaldo Gianechini. Isso rendeu um par de postagens. http://www.albinoincoerente.com/2010/02/quem-tem-boca-vai-terra-do-gianecchini_17.html e http://www.albinoincoerente.com/2010/02/quem-tem-boca-vai-terra-do-gianecchini_18.html

Descontente com as condições de trabalho, demiti-me pouco antes da viagem de férias á Argentina. Ao fazê-lo, porém, tinha conseguido aulas em outra facul birigüiense. Uma que paga melhor; albinos ou não, temos sempre que procurar caminhos ascendentes na vida. Nada de ficar dormindo no ponto. Auto-estima elevada também significa buscar melhores empregos e condições mais adequadas em todos os aspectos da existência. Engolir sapos faz parte da vida de qualquer um, mas quando o anfíbio é venenoso, não compensa engoli-lo! Faz mal pro estômago...

Ontem, começaram as aulas, mas tive que ir bem mais cedo pra acertar a papelada da contratação e fazer exame admissional. Como não posso dirigir por conta da visão baixa e fotofobia, dependo de transporte público e de caronas, sempre bem vindas. Não dirigir tem seus inconvenientes, mas jamais me privou de fazer tudo o que quero.

Saí de Penápolis no ônibus das 14:00. Devido ao forte calor e sol abrasante, tomei um banho de protetor solar e vesti camisa de manga comprida. Tinha que estar elegante pro primeiro dia com os alunos. Primeiras impressões são importantes... Além do mais, gosto de me vestir bem e me sentir bonito.

Sim, sou um pouco vaidoso. Por que não? Em excesso acho babaquice escravizante, mas na dose certa me parece sinal de auto-estima pra cima. Até porque, se não nos sentimos belos e atraentes, fica difícil que outros nos percebam assim.

Como tenho cartões de 2 moto-taxistas em Birigui, nem me preocupei em como chegar á faculdade. Bastaria ligar prum deles assim que chegasse à rodoviária. Foi o que fiz. Ao sair da estação pro local combinado pra esperar a moto, uma surpresa. Um ex-aluno da outra facul me cumprimentou. Por pouco não economizei a grana da corrida de moto-táxi: o cara estava motorizado e me ofereceu carona. Tarde demais, fazer o quê?

Tinha tudo planejado pra depois que acertasse a papelada na faculdade: informei ao moto-taxista que o chamaria assim que necessitasse is ao médico. Nada disso foi necessário. Um funcionário da instituição me levou a todos os lugares pros quais precisava ir. Além do conforto e da economia, tive alguém pra papear o tempo todo.

Em tempo: vocês acreditam que me esqueci de levar a carteira de trabalho?! Sim, é isso mesmo que vocês leram! Fui a uma contratação sem levar o documento mais importante! Eita, albino estúpido! Tinha até alfajor na mochila, mas nada da carteira...

Findo os procedimentos burocráticos, me restavam mais de 2 horas de espera até às 2 aulas que daria à noite. Pedira que marcassem tudo pro primeiro dia de aula a fim de fazer tudo duma só vez. Daí, das próximas vezes, posso ir normalmente, com o ônibus dos estudantes, às 18:15.

Como sempre carrego meu mp3 á tiracolo, a espera não me incomodou. Na verdade, usei o tempo pra mapear o novo território. Zanzei pelo prédio e aprendi tudo o que necessitava. Onde são as salas de aula onde trabalharei, além de vistoriar cada canto da sala de professores, biblioteca, secretaria, enfim, tudo.

Sinto-me mais confortável assim. Evita que seja pego de surpresa e tenha que encontrar caminhos às pressas e me garante maior independência. É o que sempre digo: não tenho pudor em pedir ajuda pra enxergar caminhos e ler placas, mas se puder fazê-lo por mim mesmo, melhor. É mais uma questão de guardar os pedidos de ajuda pra quando realmente preciso do que de orgulho bobo.

Dadas as 2 aulas, mais uma hora e meia de espera pelo ônibus de estudantes, que me pegaria em frente á facul. Dessa espera não poderei escapar porque na segunda terei apenas essas 2 aulas. Se pudesse dirigir, bastaria pegar o carro e chegaria em casa mais cedo. Mas, não fico chorando por isso. Sempre haverá o que fazer e, mesmo que não haja, pra que serve meu mp3?

Como poderia ficar entediado esperando enquanto ouvia Chrisette Michele? O álbum Epiphany (2009) tá bombando no meu ouvido! (Quem disse que só gosto de coisas da década de 80?)

CUADERNOS DEL INADI

Quando estive de férias em Buenos Aires, proferi palestra sobre o uso de blogs como ferramentas para conferir visibilidade aos grupos vulneráveis. O evento foi promovido pelo INADI, Instituto Nacional contra la Discriminaciòn, la Xenofobia y el Racismo. Foi o início do que promete ser uma longa amizade, como diriam em Casablanca.

É com prazer que divulgo a publicação do número 2 dos Cuadernos Del INADI, que traz artigos de interesse pros envolvidos na área de inclusão e luta contra preconceitos. Eis um resumo de cada artigo:

Paula Sibilia - ¿Cómo ser un cuerpo contemporáneo? Los requisitos de los
cuerpos del nuevo milenio para adecuarse a otros ritmos y moldes. Lograrlo, “manteniendo bajo control los inevitables desmadres del lastro demasiado carnal que cada uno carga consigo”.
Horacio González - El lenguaje de la comunicación. El lenguaje en la “era
de los medios de comunicación”. La tecnología y el desbalanceo entre El orden técnico y el orden lingüístico, la imagen y la palabra. Ideas y conceptos sobre las que se crearon las carreras de ciencias de La comunicación en la Argentina. La nueva Ley de Medios y el desafío de no perder un estilo cultural y un lenguaje heredado de la crítica.
Patricia Willson - Las otras traducciones. Papel sociopolítico de traductores e intérpretes. Surgimiento del método de la traducción
simultánea como señal de que las necesidades de comunicación son las que desencadenan los avances tecnológicos. El derecho a la no discriminación lingüística y el papel de traductores e intérpretes como mediadores en
relaciones desiguales de poder.
Micaela Cynthia Libson - Parentalidades gays y lesbianas: una mirada sobre la discriminación y la exclusión. Estudio en base a entrevistas a parejas gays y lesbianas con hijos/as o proyectos de tenerlos/as. Como consecuencia de los procesos de discriminación social, simbólica y jurídica las familias compuestas por parentalidades gays y lesbianas son
desprotegidas y afectadas por desigualdad económica y genérica.
María Ignacia Massone - Las comunidades sordas y sus lenguas: desde los márgenes hacia la visibilización. El mundo simbólico de las comunidades lingüísticas formadas por grupos de sordos. Papel de la articulación en el cuerpo y en el espacio y los rasgos no manuales en el lenguaje de señas. La comunidad sorda argentina en etapa de descolonización de su propia subjetividad, una entrada en la libertad y un mecanismo de resistência étnica.
Poemas de: Charles Baudelaire, Joaquín Giannuzzi, Salvador Díaz Mirón y Fernando Pessoa.


O link pra acessar a revista é:
http://www.cuadernos.inadi.gob.ar/

(Um pouco de electrotango com o Ultratango.)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

DEVER DO ESTADO

O veto do governador do Mato Grosso, Sinval Barbosa, ao projeto do protetor solar pros albinos do estado, continua gerando revolta.

O governo do Estado do Mato Grosso vetou um projeto de lei, encaminhado pela Assembleia Legislativa, que previa a distribuição gratuita de protetores solares para pessoas albinas de baixa renda.
Entre as alegações para o veto está o fato de que a lei criaria novas despesas aos cofres públicos, e que não houve indicação de recursos para colocá-la em prática. O defensor público Carlos Gomes Brando afirma que, em caso de prescrição médica, é dever do Estado suprir o produto.
Em Mato Grosso os albinos correspondem a 1% da população.

(Encontrado em http://www.topnews.com.br/noticias_ver.php?id=1373)

As eleições estão aí. As pessoas com albinismo, seus parentes e amigos, além de todas as outras entidades relacionadas com grupos minoritários terão o poder de voto nas mãos pra escolher quem se interesse por seus problemas e necessidades. Com alianças, somos muito mais de um por cento da população e teremos forças pra excluir dos cargos públicos quem nos quer alienar do direito á saúde.

POBREZA Y DISCAPACIDAD

Cifras alarmantes sobre discapacidad y pobreza
Entre el 15 y 20% de los pobres que viven en países en desarrollo son personas con discapacidad, colectivo que registra niveles educativos, de actividad laboral, de vivienda y de atención sanitaria inferiores a los de la población general. Estas cifras alarmantes fueron dadas a conocer recientemente en la jornada 'Discapacidad y Pobreza en España'.

Con el recrudecimiento de la crisis económica global en varios países europeos, las ayudas y programas sociales ya han comenzado a presentar serios recortes. Esto ha impulsado a distintos organismos para debatir acerca de un panorama sombrío que acecha a países desarrollados y que continúa golpeando duramente a muchos en desarrollo.

Según declaró en su exposición Luis Cayo Pérez Bueno, presidente del Comité Español de Representantes de Personas con Discapacidad (Cermi), con este panorama actual “las personas con discapacidad que encuentran restricciones a la participación o al acceso en condiciones de igualdad de oportunidades, tendrán más posibilidades de encontrarse en una situación de pobreza”.

Profundizando en el panorama, se pudo establecer que sumado a la baja cualificación de este grupo social cuya capacidad de ahorro es prácticamente nula, la vulnerabilidad y la exposición a la exclusión se profundiza si se añaden factores de género, de minoría étnica, de inmigración o por contexto medio rural.

(Encontrado em http://www.elcisne.org/ampliada.php?id=1604)


TESTEMUNHANDO A AIDS

Filme de época é um termo que designa produções ambientadas em épocas passadas. Uma historia que se desenrola no século XIX é de época simplesmente porque “retrata” o período, com suas roupas, mobiliário e costumes Se bem analisada a designação é vazia de sentido: afinal, qual filme não é “de época”? Filmes produzidos hoje, são de nossa época. Ou não?

De qualquer modo, domingo assisti a um filme de época, Les Témoins (2007), dirigido pelo francês André Téchiné. Curioso constatar que uma história passada nos anos 80 seja considerada “de época”. Foi o período de minha adolescência, então devo crer que sou uma pessoa “de época”!

Manu, jovem da província, muda-se pra Paris e conhece Adrien, médico de meia-idade, que se apaixona pelo rapaz. Embora rechaçado sexualmente, Adrien, algo masoquistamente, concorda com um relacionamento platônico com Manu.

Paralelamente, desenvolve-se a história de um casal heterossexual (mas, não muito...). Sarah é filha de família de posses, escritora de livros infantis que detesta crianças, incluindo o próprio filho. Isso causa tensão com seu marido, o policial Mehdi, de ascendência moura e classe social inferior. Ambos têm um relacionamento aberto, mas não isento de neuras.

A ligação entre os 2 núcleos se dá porque Adrien é amigo do casal Sarah/Mehdi. Num fim de semana, o médico leva seu jovem protegido pra casa de praia da família de Sarah, onde Manu conhece Mehdi.

Mehdi é membro dum esquadrão da polícia que combate prostituição, inclusive realizando batidas no hotel-prostíbulo onde Manu vive com sua irmã, aspirante a uma carreira operística. Obrigatoriamente conservador quando em serviço, o marido de Sarah mostra-se bem mais liberal e liberado quando começa a ter um caso com Manu, sem que ninguém mais saiba.

Todos os arranjos secretos do grupo vêm à tona e necessitam ser explicitados quando Manu apresenta os sintomas da AIDS. O filme se passa em 1983/4, quando não se sabia quase nada sobre a síndrome, que era então sentença de morte. A França é lócus perfeito pra trama, visto que o país, juntamente com os EUA, esteve na vanguarda das pesquisas sobre a síndrome.

A notícia da doença de Manu causará conseqüências em todas as demais personagens. Mehdi tem que assumir sua bissexualidade perante a esposa, Adrien se torna um paladino na luta contra a epidemia que se agiganta a cada dia, Sarah encontra nova inspiração pra escrever (o filme é narrado pela personagem).

Téchiné evita passar julgamentos morais sobre suas personagens, ambíguas e fluidas, que assumem distintas identidades conforme as diversas situações e ambientes em que se encontram. Apesar do tema propício a um dramalhão lacrimoso, Les Témoins não se compraz na morbidez, graças a seus diálogos e cenas ágeis. O ritmo da película é bem menos pesado do que o de um drama. Na verdade, é fluido como a água e os vôos matinais de avião, figuras recorrentes na narrativa. Fluido também como a sexualidade e comportamentos das personagens.

As personagens de Les Témoins são testemunhas de um evento avassaladoramente triste, que terminou por influenciar em algumas mudanças com relação à sexualidade e até ao modo como alguns grupos passaram a ser tratados. A questão do testemunho é vital no filme, posto que Manu decide registrar sua vida em fita cassete como testemunho do que viveu. O pessoal que lida com medicina narrativa deveria ver o filme. Mas não só eles.

Dividido em 3 partes, Les Témoins termina com a certeza de que a vida segue seu curso, sem lições de moral, mas com o reconhecimento de que a experiência dos que se foram alimenta e informa a existência dos que ficaram.

Eis o trailer:

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

MIGUEL NAUFEL NO SUPERMERCADO

Nosso cronista com albinismo, Miguel Naufel, retorna ao blog com mais um bocado de suas memórias.

A menina do caixa

Eu e minha mãe sofremos muito com a chuva de janeiro de 2007.
A casa ficou totalmente destruída depois de uma terrível enchente que castigou toda a parte baixa da cidade.
Pessoas que moram no bairro há mais de 40 anos nunca haviam visto coisa igual.
Depois do desastre, mudamos para a parte alta da cidade.
Logo que nos instalamos em um confortável apartamento, um vizinho do mesmo andar me disse que o supermercado daquele bairro tinha o melhor pão francês da cidade.
No outro dia, entrei no supermercado às 7h da manhã.
Andei alguns corredores repletos de estantes com mercadorias e, finalmente, deparei-me com a padaria. Depois de alguns minutos de fila, tinha em minhas mãos meia dúzia de pães quentinhos, um pacote de manteiga Mococa e um pacote de café.
Voltei pelos mesmos corredores e o caixa bem a minha frente estava sem fila.
Coloquei os pacotes na esteira do balcão do caixa, e logo observei a garota loirinha com um rosto lindo. Era a menina do caixa...
A garota passou minhas compras e logo em seguida apertou alguns botões na maquina registradora e puxou o ticket que saiu da maquina.
Então, a menina esticou o braço, abaixou a cabeça e me entregou o ticket com o valor de minha compra.
Normalmente, não enxergo os números do ticket, ainda mais aqueles, que estavam tão clarinhos... E eu ainda por cima estava de óculos escuros!
- Por favor, quanto é? Eu não enxergo aqui.
A garota simplesmente continuou com a cabeça baixa e não respondeu.
Enquanto eu tirava moedas do bolso, alguém me bateu levemente no ombro e falou:
- Ela não escuta. Só entende a linguagem de sinais.
Respondi:
-Eu não consigo falar por sinais porque são muito rápidos e minha baixa visão não me permite distingui-los. Tem mais, devido aos óculos escuros, não enxergo o valor destas moedas.
O garoto que bateu em meu ombro resolveu tudo: ele era funcionário do supermercado.

Miguel José Naufel
Miguel_naufel@hotmail.com

(Recordando os ingleses do The Clash e sua “Perdido no Supermercado”)

KATE BUSH FRANCESA


Roberto Rillo Bíscaro


A francesa Emilie Simon lançou uns 2 álbuns em seu país antes de ganhar reconhecimento mundial pela trilha sonora do documentário A Marcha dos Pingüins. Sua voz doce e algo infantilizada servia de complemento pra canções meio trip-hop, indie rock, pop. Agradável e bonitinho.
Há algum tempo, deu a louca na moça e ela se mudou pra Nova York (Chinatown) e gravou um álbum inteiro em inglês. O resultado dessa mudança pode ser ouvido em The Big Machine (2009), provavelmente uma alusão à Big Apple. A alteração de local, porém, veio acompanhada de uma viagem no tempo. Parece que Simon se mudou pra Londres do inicio dos anos 80!
The Big Machine soa como uma coleção de out-takes e B sides de Kate Bush. Já ouvi gente comparando-o a Tori Amos, mas quem faz isso esquece ou não sabe que a norte-americana também foi influenciada pela inglesa (embora no caso de Amos não se possa falar em cópia porque a artista tem seu caráter particular) .
A despeito de pitadas de contemporaneidade em algumas faixas, a cantora inglesa era mais moderna em 1985 (ano do soberbo The Hounds of Love) do que a francesa em 2009. Na verdade, a sonoridade de Emilie Simon remete aos álbuns de Bush de 79/80. Basta conferir a faixa Nothing to Do With You, que abre com teclados saídos do Genesis de Three Sides Live (1982) e clima e vocais que poderiam tranquilamente pertencer a Never For Ever, álbum de 1980, de Bush.
Imagino se Kate Bush não ganharia a causa em um processo de plágio contra Simon, porque os vocais por vezes são idênticos aos da mestra britânica. Aliás, Simon faz uso de alguns maneirismos vocálicos que Kate abandonou faz tempo.
The Big Machine me agradou de maneira bastante estranha. Gostei porque de certa forma me veio como uma dose inesperada (e deteriorada, claro) de Kate Bush, uma de minhas artistas favoritas. Entretanto, essa me parece uma razão equivocada pra se gostar de um álbum. É como se algum amigo 60tão me dissesse que gosta de minha amada Joy Division porque lhe lembra Elvis Presley! Quem não conhece a banda inglesa não se engane, os 2 artistas nada tem a ver um com o outro. Foi apenas um exemplo... Os vocais pós-punk de Ian Curtis são bem distintos da voz mais “certinha” de Presley. E eu sou da geração pós-voz certinha... Eu curto mesmo quando os mais velhos acham que Joy Division “não é música”! Me faz sentir pertencente a uma geração distinta da deles. Questões identitárias...
Fico imaginando a qual público The Big Machine se dirige. Mesmo gostando do álbum, não há comparação com a obra original e complexa de Bush, afinal, tudo o que Emilie Simon fez, a inglesa fizera há 30 anos! Será que a moçada mais jovem se interessará por essa sonoridade tão datada, que La Bush deixou pra trás há tantas décadas?
O problema não é meu, é de Emilie, mas, por mais que o álbum tenha me agradado, ele é um passo atrás. Talvez a moça devesse aposentar a máquina do tempo (será que é essa a tal Big Machine?) e buscar inspiração na cena nova-iorquina de agora ao invés de se refugiar numa Londres que deveria existir apenas na memória de 40tões como eu!

domingo, 1 de agosto de 2010

TEXTO DO VETO AO PROJETO DE LEI EM MATO GROSSO

Abaixo, o texto do veto ao projeto de lei que garantia aos albinos de Mato Grosso, o fornecimento de bloqueador solar gratuito.

Excelentíssimos Senhores Integrantes
do Poder Legislativo Mato-grossense.

No exercício das prerrogativas contidas nos artigos 42, § 1º, e 66, inciso IV, todos da Constituição do Estado de Mato Grosso, levo ao conhecimento de Vossas Excelências as RAZÕES DE VETO TOTAL aposto ao projeto de lei que “dispõe sobre o fornecimento de protetor e bloqueador solar para as pessoas portadoras de albinismo residentes do Estado de Mato Grosso e dá outras providências”, de autoriza do nobre do Deputado Riva, aprovado pelo Plenário desse Poder Legislativo, na Sessão Ordinária do dia 22 de junho de 2010.

Pelo projeto de lei em tela, fica a Secretaria de Estado de Saúde obrigada a fornecer protetor solar
gratuitamente às pessoas de baixa renda, portadoras de albinismo, devidamente comprovados por laudo médico do Sistema único de Saúde que residam no Estado de Mato Grosso.

O projeto ainda informa que as despesas decorrentes da execução do projeto correrão à conta das dotações orçamentárias da Secretaria de Estado de Saúde.

A idéia do projeto de lei é humana, nobre e apropriada, mas não pode ser sancionada por ser
formalmente inconstitucional.

Inicialmente, cabe ressaltar que a Constituição do Estado de Mato Grosso, no artigo 25, inciso IX, em simetria ao disposto na Constituição República, artigo 48, inciso XI, determina que cabe à Assembléia Legislativa, por meio de lei, dispor sobre a criação, estruturação e atribuições das Secretarias de Estado e órgãos da Administração Pública, inclusive a Secretaria de Estado de Saúde.

Adiante, ao discorrer sobre o processo legislativo, a Constituição do Estado preceituou, em seu artigo 39, parágrafo único, inciso II, alínea “d”, que são de iniciativa privativa do Governador do Estado as leis que disponham sobre a criação, estruturação e atribuições das Secretarias de Estado e órgãos da Administração Pública.

Tal disposição coaduna-se com aquela contida na Carta Magna (art. 61, § 1º, inciso II, alínea “e”), e nem poderia deixar de ser observada na organização estadual, visto consagrar a separação dos Poderes, que como princípio constitucional, o Estado-membro deve obrigatoriamente acolher em atenção ao disposto nos artigos 2º, 18 e 25, caput, da Constituição da República de 1988.

Desta forma, trata-se de matéria que se encontra sob a reserva constitucional da iniciativa privativa do Governador do Estado para desencadear o processo legislativo, como determina o artigo 39, parágrafo único, inciso II, alínea “d”, da Constituição do Estado, em simetria com as determinações vinculativas contidas no art. 61, § 1º, inciso II, alínea “e”, da Constituição da República, com a redação dada pelas Emendas Constitucionais n.º 18/98 e n.º 32/01.

E esta é precisamente a hipótese aqui em destaque, onde, extravasando sua competência constitucional, esse Legislativo Mato-grossense votou e aprovou matéria cuja iniciativa para o processo legislativo está assegurada com exclusividade, pela Constituição do Estado, em simetria com a Constituição da República, ao Chefe do Poder Executivo.

O artigo 197, da Constituição da República de 1988, enuncia que são de relevância as ações e serviços de saúde, “cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle”.

Portanto, trata-se de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo Estadual desencadear o processo legislativo referente à competência e atribuição da SES/MT, na organização do complexo sistema de fornecimento de produtos e remédios voltados à saúde e viola frontalmente o art. 2º da CF/88, que é cláusula pétrea segundo o art. 60, § 4º, III, também da Constituição da República.

Além disso, os efeitos financeiros decorrentes do presente projeto de lei geram despesas ao erário público e portanto devem ser processados de acordo com o disposto no artigo 167 Constituição de 1988, bem como os artigos 16 e 17 da Lei Complementar n.º 101/2002 (Lei de Responsabilidade Fiscal).

O projeto de Lei não veio instruído com os requisitos exigidos pelos dispositivos acima citados.

Desta forma, o presente projeto consiste em exercício do poder discricionário do Governador, sob
pena de, editando-se norma legal acerca da matéria, promover-se desatenção ao princípio da separação dos Poderes, constante no artigo II da Constituição da República.

Diante disso, Senhores Parlamentares, por absoluta inconstitucionalidade, veto integralmente o projeto de lei apresentado para o autógrafo constitucional, submetendo-o à apreciação dos membros dessa Casa de Leis, aguardando sua acolhida nos termos das razões expostas.

Nesta oportunidade, reitero aos ilustres Deputados protestos de alta consideração e distinguido apreço.

(Encontrado em http://www.iomat.mt.gov.br/ler_pdf.php?edi_id=2645&page=2 )

MISS MINA TERRESTRE






¿Reivindicación o burla?
Polémica por concurso “Miss Mina Terrestre”
La última ganadora de un particular concurso de belleza camboyano acaba de finalizar su gira por Afganistán, donde brindó charlas y asistencia a las víctimas mutiladas por las bombas terrestres. Hasta aquí pareciera ser una habitual labor altruista a las que se dedican tantas otras “misses” en todo el mundo. La gran diferencia con esta reina es que ella misma ha sufrido mutilaciones y que el título que ostenta es el de 'Miss Mina Terrestre'.


Camboya, Angola y Afgansitán son precisamente los países que encabezan los rankings de víctimas discapacitadas por bombas terrestres.
La idea original de este certamen fue arrancarles una sonrisa a mujeres de Camboya que perdieron alguno o ambos miembros como consecuencia de las minas. Las polémicas desatadas por el nombre y el tratamiento del certamen, que prometía como premio una pierna ortopédica de última generación, llevó a que el propio gobierno intentara prohibirlo por considerarlo una burla ofensiva contra las personas con discapacidad.
La cabeza que está detrás de esta insólita propuesta es la del cuestionado productor de teatro noruego Morten Traavik, quien busca demostrar que una mina no puede arrancarle a una mujer ni su belleza ni su dignidad, además de generar conciencia sobre este drama que perpetúa las peores consecuencias de las guerras, aún las terminadas. “Este tipo de concursos, me permiten presentar a las personas afectadas por las minas como positivas y fuertes, y no como personas a las que se les debe tener lástima, como lo hacemos habitualmente”, explicó Traavik, que ya había dirigido el año pasado el primer certamen Miss Mina Terrestre en Angola, con fondos de la Unión Europea y también en medio de un debate ético y estético. Mientras la última galardonada continúa con su mandato y su labor concientizadora, el certamen 2010 aún no ha sido anunciado.
(Encontrado em http://www.elcisne.org/ampliada.php?id=1603)