quarta-feira, 25 de novembro de 2009

HISTÓRIA DO JAILTON

Outra pessoa com albinismo decidiu compartilhar um pouco de sua história de vida conosco.

Minha História de Vida

Meu nome é Jailton Santana, tenho 43 anos, sou albino, professor de língua portuguesa, graduado pela Universidade Federal de Sergipe em 2001. Nasci em Estância, conhecida como cidade jardim de Sergipe. Moro em Santa Luzia, considerada uma das povoações mais antigas de Sergipe, aliás, é aqui que considero como minha terra natal, onde cresci, aprendi as primeiras letras e atualmente trabalho.
O meu conhecimento a respeito do albinismo, ou seja, a minha consciência do que era ser albino se deu mais ou menos por volta dos 14 ou 15 anos. Foi difícil, posto que, além das limitações impostas pela natureza ao indivíduo albino, temos que enfrentar o pior de todos os problemas: o preconceito. Minha infância e adolescência foram marcadas por esse preconceito que infelizmente ainda povoa a mente das pessoas. Os meus pais sempre me apoiaram; alguns poucos amigos de infância também me apoiaram muito. Entretanto, gostaria de ressaltar o apoio incondicional que tive de minha mãe, separada de meu pai, teve muita fibra e coragem para criar três filhos menores. Sou o mais novo dos irmãos e o único albino da família.
Confesso que as maiores dificuldades que tive e ainda as tenho, são aquelas pertinentes a todos os albinos: não se expor ao sol e a baixa visão. Contudo, essas limitações nunca foram empecilhos demasiados a ponto de me privar de algumas idas à praia ou de sair de casa pelo dia. Tenho uma vida social como qualquer outra pessoa de pigmentação normal. Quando era adolescente pensava muito em ser de outro jeito, ou seja, ter nascido com a pigmentação da pele normal, mas perdi o medo de viver e me considero um vencedor por ter chegado aonde cheguei. Os estudos sempre foram a minha meta principal para vencer qualquer obstáculo e graças a Deus, com o apoio que tive de minha família e aos meus esforços, fiz a graduação aos trinta e três anos de idade. Ainda vou fazer pós-graduação e com disposição, o mestrado.
No tocante à condição de ser albino, acredito que a melhor coisa que temos é mostrar às pessoas e ao mundo que os diferentes podem ser iguais, somos privados de pigmentação da pele, mas somos humanos que agimos e pensamos, temos sentimentos e sonhos como qualquer outra pessoa.


(Abaixo, um vídeo com a história da Universidade Federal de Sergipe, tão importante na formação do Jailton.)

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