segunda-feira, 1 de outubro de 2018

CAIXA DE MÚSICA 334



Roberto Rillo Bíscaro

Atribuí a excelência do álbum de estreia do Native Construct a sua formação acadêmica. Ricardo Borges compartilha tal expertise com seus colegas: o menino cursava bacharelado em violão, na Universidade Federal de Santa Maria, quando gravou seu primeiro álbum, ano passado.
As semelhanças entre o gaúcho e os norte-americanos terminam no esmero da formação e na execução, porém. Enquanto Native Construct é esporro virtuoso de prog metal, o violão de Borges lembra a doçura neoclássica de Steve Hackett, nos álbuns em que deixa a guitarra pelo primo acústico. É o caso de Ariana, faixa de abertura de seu curto álbum Inverso.
São seis canções outonais, onde o violão e a doce voz de Ricardo ocupam posição central, mas não estão sós. Cada faixa traz instrumentação acessória, provavelmente executada por colegas graduandos: Márcio Kbcinha (percussão), Vagner Uberti (bateria), Lucas Almeida e Pedro Bagesteiro (contrabaixo e baixo fretless), Gabriel Opitz (bandolim), Helio Abreu (trombone), Maria Paula Rodríguez (flauta e voz), João Kanieski (voz), Diego Zanini (teclado e sintetizador), Pedro Issler (violão 7 cordas) e Elias Rezende (acordeão).
O resultado é um daqueles álbuns que dá vontade de ouvir no ocaso da luz. Experimente iniciá-lo ao escurecer e experimente o anoitecer ao som de Inverso. Não há canção fraca nessa MPB, que tem respingos de seresta, erudito, música campestre. Na verdade, há momentos sublimes, como a faixa-título.
Inverso agradará a fãs desde Clube da Esquina a Renato Teixeira; aos jovens seguidores do atual Flávio Tris ou nós que vivemos a popularidade de Claudio Nucci, pouco antes de o rock oitentista suplantar a MPB.
No site de Ricardo Borges, você baixa Inverso grátis. Esse menino merece divulgação.

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