segunda-feira, 13 de março de 2017

CAIXA DE MÚSICA 256

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Roberto Rillo Bíscaro
A maior parte do tempo, desde sua fundação, em 1990, o Big Big Train (BBT) percorreu trilho independente no prog rock, o que significa que tendia a ser ainda menos conhecido do que as já pouquíssimo divulgadas bandas atreladas às pequenas gravadoras que atendem o subgênero. Sorte que há a fiel comunidade progressiva ao redor do globo – cheia de blogs, newsletters, fanzines – mas quem não assina mailing lists ou visita sites especializados regularmente, corre o risco de não os conhecer.
Incluo-me entre esses até o lançamento de Folklore, ano passado, que me tirou do eixo. Se eu tivesse me juntado a alguma newsletter prog antes... Embora tenha meus grupos favoritos de todos os tempos, tipo Genesis, Yes, Smiths (Morrissey odiaria, mas ele que aprenda a lidar com isso), há muito não tenho banda predileta da atualidade. Acho que uma das últimas foi Belle And Sebastian. Canções estupendas de Folklore, como The Transit Of Venus Across The Sun e Brooklands me encheram de esperança de que o BBT viesse a preencher esse lugar. O páreo não era assim tão simples, porque o Farmhouse Odissey igualmente me encantara.
Busquei a discografia e imediatamente antes de Folklore havia os 2 volumes de English Electric, lançados, respectivamente, em 2012-3. Experimente digitar o nome no Google pra ver como o Big Big Train é minusculamente reconhecido. Aparece muita matéria sobre o LP homônimo de 2013, do OMD. Nada contra os synth-poppers oitentistas - amo Enola Gay e Electricity (e não ouvi o English Electric deles) – mas não há quase nada sobre seus conterrâneos progressivos.
O núcleo-duro da parte 1 do English Electric do Big Big Train foi gerado pelo Genesis, mais especificamente por Trespass (1970) e Nursery Cryme (1971). Tamanha minúcia mostra como os ingleses dominam bem o subgênero em que operam e a perícia para operar dentro de escopo bem definido e reduzido de escolhas e mesmo assim não soar caricato ou repetitivo. A abertura, The First Rebreather, põe todas as cartas genesianas à mesa: depois de solo de flauta gabriélico e virada de bateria típica de Collins, entra austero e certeiro solo de guitarra digno de Steve Hackett sentado, lendo partitura. É bem Trespass, mas aí entra o toque de subversão apenas possível pra conhecedor profissional da tradição prog: usar maneirismos do baterista e guitarrista empregando sonoridade de um álbum em que ambos ainda não se haviam juntado ao Genesis. Harmonias vocais, muita coisa lembra o Genesis, só falta na na na na na ao final (ouça Upton Heath, que há!). Mas, como English Electric é pra quem tem paciência pra detalhes de fone de ouvido, o ouvinte também fluente em idioma prog notará arpejos e barulhitos tomados de outros quadrantes.
Quem ama aqueles preciosos anos do início dos 70’s, quando o prog folk gestou pérolas infelizmente quase esquecidas como Amazing Blondel e Gryphon, não deixará de sorrir com a doçura dos banjos de Uncle Jack. Seu tamanho reduzido, lembra banda prog da época tentando fazer single pra encravar no Top Ten.
Britânico, adjetivo inseparável de English Electric. Não é à toa esse título. A sonoridade e as letras recheadas de referências a sebes (o álbum termina com Hedgerow...Sebe!), campinas, ravinas, igrejas, sinos, remetem àquela sonoridade imagética típica do prog lá produzido. Peter Gabriel conta que durante as gravações de Selling England By The Pound – em uma propriedade rural no interior da Inglaterra – a banda parava pra tomar chá. Como não reconhecer esses estereótipos pelo passeio paisagístico de Winchester From St. Giles’ Hill? È nela que está o melancólico madrigal trançado por flauta árcade e piano gotejante, que precede o momento mais rock de guitarra e teclado. Feche os olhos e imagine caminhada colina acima, o atingir o cume e a descida.
Outro estratagema comum pro Genesis eram as historietas sobre gente estranha. O BBT tem falsificadores de obras de arte e garotos na escuridão, além do bucolismo pastoril. A vigorosa e viciante Judas Unrepentant encaixa-se nas categorias de historinha e de grande canção prog de todos os tempos.
Em um álbum repleto de tubas, bandolins, pistões, violinos e trombones – além dos teclados da sonoridade do prog clássico – não se corre perigo de cair no marasmo. Em Summoned By Bells, quando parece que a coisa vai ficar repetitiva, o clima muda, meio que prevendo o caminho de algumas canções mais Genesis anos 90 de Folklore, tudo ganha musculatura, o piano ganha tons jazzy e David Longdon canta pelas estranhas, o que se repete em A Boy In Darkness. Aqui, o BBT prova vez mais que não é mera cópia neo prog do Genesis; a orquestração épica tem umas flautas iradas à Jethro Tull, mas os contemporâneos proggers ingleses não são amadores: usam elementos da tradição pra criar um som só deles.
São 8 faixas de qualidade técnica e artística irretocável:


A parte 1 de English Electric saiu em setembro, de 2012 e a 2, em março do seguinte ano. A homonímia e o reduzido intervalo entre os lançamentos qualificam-nos como álbum duplo, projeto do qual muitos artistas saem chamuscados. Manter a criatividade num LP simples já é barra, imagine preencher dois. Foi nessa brincadeira que o Yes despencou do favor da crítica, com Tales From Topographic Oceans (1973). Mas, o BBT estava num frenesi de ideias, porque as 7 canções mantêm o alto nível da parte 1
Quintessencialmente britânico outra vez, o folk por vezes evoca hinos religiosas em igrejas anglicanas rurais, como em Swan Hunter, mesmo que as letras dessa parte invoquem mais uma Inglaterra pós-Revolução industrial, com suas minas de carvão, estaleiros e ferrovias. Mas, não se preocupem que há agricultores e sebes! Os músicos estavam transbordando de melodias lindas na cabeça, a ponto de rechearem Keeper Of Abbeys com fragmentos de música viciantes, além de um duelo sensacional de cítara, flauta, guitarra e violino. Um dos pontos altos, pra se ouvir repetidamente. E quer coisa mais British que abadia? Downton Abbey gritando, Jane Austen e sua Northanger Abbey imperando. Já sei a letra de cor, de tanto que ouço. A derradeira Curator of Butterflies é pra não dizer que BBT é clone de Genesis. Sua emocionante garota que talvez tenha se jogado do penhasco é prog contemporâneo da melhor qualidade, com DNA próprio.
Tudo muito bom, mas exceto por Keeper Of Abbeys, tudo é ultrapassado pela monumental East Coast Racer, que abre English Electric Pt 2 com seus quase 15 minutos e meio e é uma das grandes canções progressivas da história. Sobre um lorde que bateu um recorde de velocidade em Maria-Fumaça – quer mais britânico do que trem, na terra do Trainspotting? – a canção tem dinâmica e estrutura irretocáveis. Os trechos que representam o ganhar de velocidade do trem são levados por percussão e pianos fluidos; dá pra imaginar o movimento, e vez mais o BBT prova que tem seu próprio estilo de prog rock. Conhecedores sabem que estamos na tradição corrediça de The Cinema Show, mas reprogramada por uma geração contemporânea ao Radiohead.
Recipientes como melhor álbum e banda ano passado do equivalente ao Grammy do rock progressivo (o que significa que pouquíssima gente sabe deles, porque onde esse prêmio é divulgado?) e com data prevista de lançamento do próximo álbum (fim de abril), o Big Big Train é minha banda preferida da atualidade.
Demorou, mas finalmente tenho uma de novo. Com orgulho. E ainda que não cópia, apenas possível devido a minha favorita de todos os tempos: Genesis.
Quer conhecer mais? Acesse a página deles no Bandcamp, tá tudo lá:

domingo, 12 de março de 2017

SUPERAÇÃO SANFONEIRA

Cego de nascença, Evanilson Vieira enche de orgulho os sergipanos e emociona a todos, ao falar da sua história de superação através da música, de onde tira o seu sustento. Há 6 anos, ele é maestro da orquestra sanfônica de Aracaju.

sábado, 11 de março de 2017

TAMANHO É DOCUMENTO?

Videoclipe com rapaz albino pelado cria polêmica por causa de seu pênis avantajado

A banda Braves, de Los Angeles, lançou no fim do mês de Fevereiro o videoclipe da música “Dust”, que causou polêmica nas redes sociais ao trazer um modelo albino nu e mostrar seu pênis enorme. O vídeo de três minutos e meio mostra a parte superior do corpo do modelos em movimento dentro do mar. É só nos instantes finais que a câmera desce devagar para revelar um membro com muito mais de 30 centímetros. 

O modelo que faz parte do clipe é Shaun Ross, que já participou de editoriais da Vogue Italiana e fez participações nos videoclipes de “E.T.”, da Katty Perry e “Pretty Hurts”, da Beyoncé. Ele é mundialmente conhecido por ser o primeiro modelo albino masculino. 

Depois de muita especulação se o pênis daquele tamanho seria real ou não, Ross decidiu falar sobre em suas redes sociais. Ele contou que não é real e que usou uma prótese, tudo por solicitação do diretor do vídeo, que quis trazer um caráter chocante para a obra e para agregar mais valor de arte ao produto final. Se você está curioso com o tamanho, confira o vídeoclipe até o final. Nunca a expressão “terceira perna” caiu tão bem:

http://revistaladoa.com.br/2017/03/noticias/assista-videoclipe-com-rapaz-albino-pelado-cria-polemica-por-causa-seu-penis

sexta-feira, 10 de março de 2017

PEQUENINO CÃO ALBINO

Cachorro albino usa óculos de sol especial para proteção e é a coisa mais fofa

A dona de Lucky é muito orgulhosa da força que seu animal possui

Lucky é um sobrevivente de uma ninhada de três filhotes. Seu antigo dono tinha certeza de que ele não iria sobreviver, pois era um cachorro albino, o menor e mais fraco da ninhada. Não havia esperança para esse pet. 

Certo dia, Clanay Reza viu um post no Facebook pedindo ajuda. A pessoa contou nessa publicação que seu vizinho tinha filhotes, mas a mãe havia morrido e não sabiam o que fazer. Reza decidiu oferecer ajuda. O proprietário entregou os animalzinhos para a ela, em Riverside, Califórnia e contou que dois deles, incluindo Lucky, eram cachorros albinos.

Lucky e seus três irmão ainda flihotes
Os filhotes eram bem pequenos, cabiam na palma da mão, mas Reza não notou que algo estava errado com eles até começarem a ter problemas de respiração e cuspir sangue. Quando isso aconteceu, a jovem se apressou para levar os animais ao veterinário. O profissional tratou da saúde deles e removeu os diversos carrapatos do corpo. 
Mas mesmo com a ajuda do veterinário, os filhotes estavam em mal estado. Infelizmente, nas próximas 48 horas daquele dia, dois filhotes morreram e Lucky era o único que restava. "Mas ele sobreviveu, e eu fiquei tão chocada, ele era um pequeno lutador", disse a dona ao site The Dodo.

O cachorro albino foi o único que sobreviveu de três filhotes

Ao longo dos dias, o animalzinho ia se fortalecendo e cerca de duas semanas depois, Lucky abriu os olhos, e foi quando Reza percebeu que seu olho direito estava infectado. Eventualmente, ele precisaria ser removido. Ele era parcialmente cego.
Apesar de seus problemas de saúde, Lucky continuou a crescer e melhorar. Agora ele tem 11 meses de idade. O cachorrinho não só tem sorte de estar vivo, mas também é extremamente sortudo por ter sido adotado por Reza. 
Lucky ainda tem vários problemas de saúde, seu olho restante e sua pele são extremamente sensíveis à exposição ao sol por causa de seu albinismo. Mas nada o impede de aproveitar a vida. 

Os óculos de sol são necessários para a proteção na rua


Para ajudar a proteger o bom olho do sol, Reza coloca óculos de proteção especiais protegidos contra raios UV quando ele sai. "Eu tento limitar a exposição lá fora, porque o veterinário disse que ele está mais em risco de câncer de pele", disse Reza. "Mas não dá para evitar, ele simplesmente adora sair, então usa seus óculos e protetor solar."

A jovem adora o pet por sua garra e superação. Nada o deixa cair, nem as doneças constantes. "Eu já vi cães de necessidades especiais antes , e eu sempre amei, mas nunca os tive. É um vínculo especial que você tem com eles", disse ela. "Com Lucky, isso só me mostra que você pode ser diferente, mas você ainda pode ser um cão feliz e amoroso."
Para finalizar, Reza completa dizendo: "as pessoas só sorriem quando o vêem, podem estar tendo o pior dia de sempre, e só vão olhar para ele e se tornarem tão felizes".
Lucky, o cachorro albino, tem um perfil no Instagram com mais de 12 mil seguidores: luckysecondchanceatlife_

quinta-feira, 9 de março de 2017

COBRA ALBINA EMOJI

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Cobra albina chama atenção por marcas em formato de emojis



Uma cobra píton albina que parece ter o corpo coberto por emojis está chamando atenção na internet pelo visual exótico. Criada pelo especialista em cobras Justin Kobylka, que é morador no estado da Geórgia (Estados Unidos), a píton dessa espécie geralmente é encontrada em regiões da África subsaariana. 

Os pigmentos em formato de emoji, que parecem ter sido escolhidas no teclado de um celular, são, na verdade, geradas pelos genes do réptil. 

Ao publicar um vídeo do animal no YouTube, o norte-americano explicou que essas marcas são tão raras que ele acredita que ela seja a primeira cobra com emojis.

Embora tenha sido publicado em agosto do ano passado, o vídeo que mostra a píton começou a chamar atenção nesta semana e chegou a mais de 16 mil visualizações no site.

quarta-feira, 8 de março de 2017

ANIVERSÁRIO ALBINO


Bebê albino ganha festa de aniversário de um ano no 'Domingo Show'

O garotinho da região de Guarulhos (SP), que chamou a atenção por nascer albino em uma família de negros, retornou ao programa comandado por Geraldo Luis, no dia 22 de janeiro.

Rian Lucca completou um ano de vida e está saudável, esperto e se desenvolvendo cada vez mais. O garotinho da região de Guarulhos (SP), que chamou a atenção por nascer albino em uma família de negros, retornou ao Domingo Show no último domingo (22).
Mas desta vez não foi apenas para mostrar sua história, e sim ganhar uma festa surpresa de aniversário. Para celebrar esse dia, a família abriu o baú de fotos do pequeno com exclusividade para o site oficial.
O seu nascimento foi cheio de surpresas, pois ninguém esperava um bebê tão branquinho já que todos os parentes são negros ou morenos. A primeira vez que o programa contou sua história, ele tinha apenas dois meses.
A produção investigou o caso, um médico o avaliou e concluiu: Rian tem um tipo raro de albinismo, que é quando o organismo produz pouca melanina — uma proteína capaz de pigmentar, dar cor à pele.
Na ocasião, o menino ganhou um quartinho todo decorado com muitas roupinhas e brinquedos.
Por causa do contraste, ele chama a atenção por onde passa e as pessoas ficam curiosas sobre sua aparência. Mas isso não significa nada na convivência com a família, pois ele é muito amado e tem traços que lembram os papais Jadson e Jéssica;
Agora, dez meses se passaram, o tempo voou e o bebê albino já está arriscando os primeiros passinhos e mostra que o bom humor também é a sua marca!

CONTANDO A VIDA 181

ENCONTROS E DESENCONTROS ELETRÔNICOS

José Carlos Sebe Bom Meihy
Sinceramente, do fundo do meu coração: não tenho certeza se gosto ou não do andamento das novas tecnologias e do impacto na vida social moderna. Como professor, pesquisador, ou mesmo curioso, não há como desprezar os avanços permitidos pela eletrônica. Nossa!... O que o Google facilita a vida! E os GPSs e o Faceook? Os chamados telefônicos gratuitos e os efeitos do WhatsApp, então, nem se fala. Isso sem falar da internet e dos desdobramentos permitidos por ferramentas insondáveis que facilitam a vida, cortam caminhos. Tudo é fantástico e parece perfeitamente integrado aos hábitos modernos. Entre os jovens, um novo grupo surge e está circulando por todos os cantos se reconhecendo como “geração digital” e nem imaginam como era o mundo antes. Dia desses, visitava uma amiga que tem uma filhinha de dois anos de idade e que, frente a um supercelular, já deslizava o dedinho pela tela como se buscasse contatos. Fiquei inquieto e assustado com o ato mecânico da fedelha. A realidade é que não há como deixar de lado essa parafernália toda, mas...
Mas, na altura de meus dias, não tenho como deixar de lado algumas inquietações que andam me enlouquecendo. Confesso que há momentos em que penso que estou fora do mundo, que sou ser de outro planeta ou pelo menos de outras eras. Explico-me: não troco os contatos humanos por facilidades maquinadas. Não mesmo. Gosto de gente, do tom de vozes audíveis, de troca de olhares expressivos, de gestos, ruídos familiares. Sinto falta de toques, de insinuações verbais, da oralidade expressa na navegação da fala livre.
Mesmo aposentado, o prazer de dar aulas me é vital. Gostaria de morrer ensinando, ainda que saiba ser isso aterrador para os eventuais alunos, para a direção da escola e mesmo para familiares. Mas nada compensa o olhar atento dos estudantes, sentir efeitos de interações construídas em torno do conhecimento. Perceber os resultados de aulas preparadas é algo de dimensão inestimável, é como entrar no céu rodeado de anjos. Acontece que atualmente, tem doído muito entrar em sala com todo o script arrumadinho e... e deparar com alunos que trocam a dedicação do preparo pela telinha, fria e quase sempre convidativa de distâncias. Por lógico, sou daqueles professores que exercitam broncas. Não deixo de protestar e até negociei alguma abertura, permitindo que os alunos/digitadores saiam da aula, para resolver contatos fora da classe.
O pior, porém, é quando isso afeta o andamento familiar. Não suporto ver pessoas à mesa deixando o prazer do convívio, e mesmo da comida, em favor do desligamento exigido pela maquininha eletrizante. Nem menciono o que sinto ao ver crianças à mesa com tablets, vendo desenhos animados. Devo dizer que sou incontrolável quando me submeto a tais situações. Peço atenção, fecho a cara, chamo à realidade da experiência direta, enfim, aconteço até que se reestabeleça a base da pura e simples troca humana. É verdade que às vezes, de retorno, não consigo muito mais do que caras feias, mas elas são intensamente mais queridas do que as fugas virtuais.
Preocupa-me o futuro. Devo dizer que estou alerta para ver o que há de acontecer. Vejo-me ameaçado como professor pelos ameaçadores cursos ditos “à distância”, os tais EaD. Tomara que ainda em vida eu nunca perca a alegria presencial da relação aluno-professor-sala de aula. Tomara. Enquanto aguardo o futuro mediado pelas máquinas espero que saiam novos manuais de boas maneiras, algo que fale de ética do convívio nos dias atuais. Sim, acho que há de haver alguém mais que trate da mediação eletrônica como caso de educação ou mesmo de saúde pública, pois, afinal, quem será o doente? Os internautas ou eu?... 

terça-feira, 7 de março de 2017

TELINHA QUENTE 249

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Roberto Rillo Bíscaro

Apreciadores de séries policiais velozes e furiosas, com tiras sorridentes de propaganda de dentífrico, felizes e contentes por resolverem seus casos, mantenham segura distância das 3 temporadas de The Fall (2013-16). Os 17 capítulos da coprodução anglo-irlandesa chegam a ser excruciantemente lentos, mas no seu melhor (as 2 temporadas iniciais) oferecem minucioso painel de procedimentos policiais e psicologia de personagens, emoldurado pelo gris de Belfast e representado por um elenco cuja água devia conter Prozac.
A detetive inglesa Stella Gibson é chamada pela polícia da capital norte-irlandesa para supervisionar as investigações sobre assassinatos de mulheres de cabelos negros na faixa dos 30 anos. Quase de cara fica claro que The Fall não se interessa em descobrir quem comete os crimes, porque Paul Spector é revelado como assassínio em série. A ênfase recai em vários comos: como ele será capturado, os efeitos que os crimes têm na vida de muitas personagens, como é o trabalho da polícia, não apenas o da captura, mas aquele mais tedioso de ser mostrado, como ficar de campana. Acompanhar os detalhes da operação Music Man (muitos personagens foram batizados com nomes de marcas de guitarra), tentar entender o funcionamento da cabecinha doente de Paul e perceber que outras cacholas são também muito enfermas, embora não se expressem da mesma forma, são o diferencial desta série de diálogos baixos e acabrunhados.
A terceira temporada peca um pouco pela redundância e poderia ter os mesmos 5 episódios da primeira. Além disso, o capítulo inicial parece mais ER (em câmera lenta, bem dito) do que thriller psicológico. Pela primeira vez há trechos chatos nessa fornada, ainda que o eletrizante final compense, porque toda a violência reprimida dos capítulos anteriores, inesperada e espetacularmente, irrompe numa sequência magistral.
Também foi nessa temporada que erros mais graves de roteiro aconteceram. Pruma série que pretendia ser o mais fidedigna possível à rotina policial e não apenas aos momentos espetaculosos, The Fall derrapa quando bota enfermeira trintona de longos cabelos negros pra cuidar dum psicopata que ataca mulheres com esse biótipo. De todo modo, é interessante também ver como é feita a construção do caso pra ser apresentado ao promotor, as maquinações da defesa (difícil pro espectador ficar ao lado desses advogados, porque sabemos da barbárie que Paul sabe engendrar).
No centro de tudo, Gillian Anderson (a Lady Deadlock, de Bleak House) e Jamie Dornan, que nesse meio tempo estourou no cinema com os 50 Tons de Cinza, por isso descontinuou sua participação em possível quarta temporada. Acertado; já começava a encher, embora o par esteja ótimo, assim, como o resto do elenco.

segunda-feira, 6 de março de 2017

PROCON NELES!

Perita sobre albinismo quer fim de "propaganda enganosa" em Moçambique

Relatório recomenda regras contra "promoção de bruxaria" em jornais; propostas incluem cargos no governo e quota para empregar pessoas com a condição; Ikponwosa Ero elogia África do Sul por condenar mandante de crime.


Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.
A relatora sobre os direitos humanos das pessoas com albinismo apelou esta sexta-feira a regras contra o que chamou de "propaganda enganosa que promove a bruxaria" em jornais de Moçambique.
No Conselho de Direitos Humanos, Ikponwosa Ero encorajou ações da associação de médicos tradicionais do país, Ametramo, para a mudança de consciência e a denúncia pública de práticas fora da "medicina tradicional e da cura normal".
Famílias
Ao governo de Maputo, a recomendação é que garanta que seja prestada assistência psicossocial, médica e jurídica às pessoas com albinismo que sofrem ataques e às suas famílias.
Para a especialista, a discriminação dos que vivem com a condição é um "fenómeno profundamente enraizado", que afeta a sociedade moçambicana em todas as fases e aspetos da vida.
Alto cargo
A sugestão é que aumente a consciencialização contra mitos que resultam na discriminação e na exclusão de pessoas com albinismo. Para ela, a iniciativa deve ter pelo menos dois anos, ser abrangente e incluir comunidades rurais e remotas.
A outra proposta é promover indivíduos com a condição que seriam modelos que incentivariam o fim da prática, daí o seu apoio à nomeação de uma pessoa com albinismo para um cargo de alto nível no governo.
As recomendações de medidas especiais incluem ações na área de emprego como "a adoção de uma quota de 5% de cargos no setor público reservados a pessoas com deficiência."
África do Sul
Em nota separada, a especialista saudou a condenação na África do Sul de um homem que orquestrou a mutilação das partes do corpo de uma mulher com albinismo.
Em fevereiro, o Tribunal Supremo na região de Kwazulu-Natal declarou o réu culpado de homicídio premeditado. O condenado ofereceu "grandes somas" a dois recrutados para garantir as partes do corpo da mulher assassinada.
Feitiçaria
A vítima, de 20 anos, foi encontrada morta após ter sido sequestrada em agosto de 2015 numa aldeia da província sul-africana. As partes do seu corpo foram recolhidas e usadas pelo condenado na medicina tradicional ou em "rituais de feitiçaria para trazer riqueza".
Ero afirmou que muitas vezes somente intermediários e pessoas contratadas são presos e levados ao tribunal. Para a perita, a sentença é muito importante por condenar um organizador e recrutador das pessoas que cometeram o crime.

CAIXA DE MÚSICA 255

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Roberto Rillo Bíscaro

Ke$ha, Kimbra, Kiesza, Rumer, Lira, NAO, Iyeoka; os nomes das cantoras de hoje dão trabalho pra resenhistas cinquentões acostumados com Kate, Cindy, Lisa. De vez em quando aparecia uma Basia ou Sade, mas eram poucas; agora é tudo difícil pra escrever, como AhSa Ti Nu. Não é reclamação, é constatação. Tempos mudam, nomes artísticos também. Se o conteúdo for bom, apanhamos um pouco, usamos “cola”, mas grafamos.
Queixas ficam pra dificuldade de encontrar informações sobre artistas negras independentes, que fazem som old school, caso de AhSa Ti Nu. Atuando como atriz e cantora no eixo San Francisco-Los Angeles, a norte-americana lançou seu primeiro CD, no começo do ano passado. Reborn é pra quem curte jazz, R’n’B, soul e um bocadinho de rock, tudo bem anos 60/70/80, ou seja, é indicado pra público mais maduro ou pros jovens que apreciem sonoridades “clássicas” (aspas, porque esse som já foi considerado moderno em relação a outro “clássico”).
O afrojazz Give What You Get abre à capela pra mostrar que a moça tem gogó. Mas AhSa jamais exagera; temos no álbum todo uma voz forte e segura, que às vezes até poderia ter se dado o luxo de fazer mais, como em Glory, faixa derradeira, R’n’B rockado com jeitão de Come Together, dos Beatles e solão de guitarra. A parte final poderia ser mais gritada um bocadinho, com produção menos bem-comportada. E olhe que essas sugestões não querem dizer que a canção seja ruim; apenas poderia ser ainda mais incendiária.
Boa parte de Reborn é composta por urban jazz sofisticado pra ouvir com vinho, namorada(o) ou simplesmente dando carão. Love Jazz é lento com sax bem chique; I Can Feel You também é jazz pop vagaroso, bem pra fãs de Maysa Leak; My Pharaoh é do tipo de jazz funk do início dos anos 80 – Chakha Khan fazia isso – que a galera acid jazz aproveitaria depois.
As dez faixas de Reborn estão temperadas não apenas com jazz, especialmente na segunda metade. Believe In You abre pop de bater palminha ou estalar dedos; Keep a Positive Mind abre gospel com voz sobre órgão, pra se transformar em jazz chique; Whole God tem aroma de reggae, clima soul e lindo coro spiritual. By The People é funk jazz muito gostoso, a única coisa estranha é a voz metalizada no final, que soa como uma criança extraterrestre. Embora a letra engajada trate de temas importantes para a consciência negra, dentre eles a homofobia dentro da comunidade, o reggae Wade In The Water quebra o ritmo do álbum, porque depois de algumas ouvidas, fica apenas uma faixa falada dentre canções tão deliciosas.
Mesmo não sendo um álbum tão fácil pra se encontrar, Reborn compensa o esforço da busca.

domingo, 5 de março de 2017

SUPERAÇÃO CARNAVALESCA

Conheça a história da Débora, que tem Síndrome de Down, mas faz aulas de dança, é cheia de amigos e quis ser rainha da bateria no CArnaval!

sábado, 4 de março de 2017

ALBINO GOURMET 223

quarta-feira, 1 de março de 2017

ARTERITE TEMPORAL

Como identificar sintomas da doença que causa cegueira repentina


Todos os anos no Reino Unido, a vista de pelo menos 3 mil pessoas é danificada por uma doença chamada arterite de células gigantes, também conhecida como arterite temporal.

Os sintomas podem aparecer de repente e resultar em cegueira irreversível se a doença não for diagnosticada e tratada de forma rápida.

A reumatologista Saleyha Ahsan disse à BBC que alguns pacientes confundem os sintomas com os de uma enxaqueca e descrevem "uma dor de cabeça como se o cérebro estivesse sendo espremido". Ela disse ser necessário ficar atento "a dores no couro cabeludo ao pentear o cabelo".

Além das dores de cabeça e da sensibilidade aumentada no couro cabeludo, outros sintomas são dor na mandíbula e problemas de visão.

A doença é causada por uma inflamação da parede de artérias da cabeça (têmporas) e do pescoço, causando estreitamento dos vasos, acúmulo de células de grande tamanho (daí o nome 'arterite de células gigantes') e redução do fluxo de sangue pelo local.

Se a artéria afetada fornecer sangue para o nervo ótico, que transmite informações da retina para o cérebro, o bloqueio pode causar cegueira, temporária ou permanente.
Mulheres com mais de 50

A arterite de células gigantes atinge principalmente pessoas com mais de 50 anos - e, em especial, mulheres.

Para lidar com o problema, o sistema de saúde público britânico (NHS na sigla inglesa) criou um esquema para que a doença possa ser diagnosticada o mais rápido possível.

As clínicas públicas foram instruídas e treinadas para agendar consultas com um reumatologista, em casos suspeitos, dentro de 24 horas.

Se o paciente estiver sob risco, ele é imediatamente examinado por ultrassom - se o paciente tiver a arterite temporal, o exame revelará uma faixa preta, uma "auréola negra", ao redor da artéria temporal.

O paciente é tratado com esteroides.

Este sistema de resposta rápida, acabou salvando a visão de Roger Keay. "O médico reconheceu a condição imediatamente. Fez um teste de ultrassom e me mostrou na tela. Salvou a minha vista. Eu sou um homem de sorte. Se eu tivesse 1 milhão de libras daria a ele", disse Keay.

Com a abordagem, foi possível reduzir o número de casos de perda de visão parcial e total no país.
Os sintomas da arterite de células gigantes geralmente se desenvolvem de forma rápida, mas pode haver sinais preliminares - tais como perda de peso, suores, cansaço, febre leve, perda de apetite e depressão.

A reumatologista Saleyha Ahsan explica que a arterite pode ser consequência de outra doença menos grave chamada polimialgia reumática, que gera dor muscular e até imobilidade. As condições podem aparecer de forma independente, mas muitas vezes juntas.

A arterite de células gigantes atinge cerca de um décimo das pessoas com polimialgia reumática no Reino Unido.
Sintomas:
Dor de cabeça repentina não aliviada por analgésicos (tende a afetar um lado)
Dor no couro cabeludo (escovar o cabelo pode ser doloroso)
Inchaço nas artérias temporais visível a olho nu
Dor na mandíbula especialmente quando se fala e se mastiga
Problemas de visão, incluindo visão dupla, turva e perda de visão em um ou ambos os olhos