terça-feira, 14 de agosto de 2012

CACHOEIRA

Pra finalizar as férias, dei uma passada nas Cataratas de Iguaçu. Carlito e eu visitamos as quedas pelo lado argentino. O parque está muito bem estruturado e é exemplar no quesito acessibilidade.
Trilhas seguras levam a muitos lugares e oferecem vistas diversificadas do aguaceiro. Pra quem curte caminhada é um prato cheio.
O parque está altamente populado por quatis, lindinhos, mas que podem roubar sua comida.
Um trenzinho leva a umas 3 estações, mas preferimos percorrer tudo a pé mesmo. É passeio pro dia todo.
Mesmo sendo dia de inverno e com sol não t]ao forte, fui de manga comprida (camisa de tecido especial anti radiação UVA e UVB), guarda-sol também com tecido mais resistente e o frasco de bloqueador solar no bolso! Dá pra turistear, mas há que se cuidar.
Obviamente que as cataratas são maravilhosas, mas senti que na verdade a gente acaba mais vendo-as por detrás da máquina fotográfica! Havia tanta gente que não dava tempo pra permanecer nos mirantes e desfrutar. Era tirar fotos rapidamente e sair. ou seja, é a Natureza consumida como programa de TV, quase. Maldição da pós-modernidade...
Nem o som da natura pode ser apreciado. No lado brasileiro, passeios de helicóptero são oferecidos, então, é aquele barulhão o dia todo. Na Argentina, proibiram isso pelos pássaros.
Vale a pena o passeio, mas turismo também implica senso crítico!    






















segunda-feira, 13 de agosto de 2012

DA PÁGINA DO GIANNAZI


Mandato organiza debate sobre políticas públicas aos albinos
04 de agosto de 2012
Bíscaro, Giannazi ( organizador da audiência pública) e Marmo
Autor de dois projetos de lei (PL 683/2009, que já tramitou em todas as comissões, está pronto para ser votado e obriga a Secretaria Estadual de Saúde a distribuir protetor e bloqueador solar compatíveis com a necessidade especificada por profissional da área médica, para as pessoas portadoras de albinismo residentes no Estado; e o PL 649/2011, este ainda em tramitação e que assegura às pessoas portadoras de hipopigmentação congênita, direitos básicos nas áreas de educação, saúde e trabalho), o professor e deputado Carlos Giannazi organizou uma audiência pública na ALESP no dia 3 de agosto para abrir espaço ao debate acerca das demandas dessa população. Albino, o professor Roberto Bíscaro — criador do blog ‘albino incoerente’ — participou da mesa, bem como o psicólogo e sanitarista Rafael Marmo.
O deputado parabenizou a militância de Bíscaro e seu importante trabalho de conscientização, destacando que os projetos de lei foram elaborados em conjunto com albinos como ele. O curador do blog assinalou que os albinos são mais do que um “par de azinhos’ — referência aos genes recessivos ‘aa’ das aulas de Biologia; “somos pessoas, detentoras de direitos, sem pigmentação, ainda escassas no mercado de trabalho e sem reconhecimento pelo governo, já que nem o Censo nos conta”, disse Bíscaro, que questionado por Giannazi sobre políticas públicas aos albinos em outras partes do país respondeu que na Bahia há um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que obriga o governo estadual a distribuir o protetor solar, mas que há irregularidades na prestação desse serviço, principalmente no interior do estado.
Marmo salientou a importância do caráter de ‘equidade’ dos PL´s como forma de combater o preconceito. O psicólogo disse que levantamentos indicam haver, no estado de São Paulo, cerca de 120 mil albinos sem que se preste a eles pouca ou nenhuma assistência pública. “O PL corrige essa distorção”, opina.
Outros albinos presentes à reunião destacaram as necessidades peculiares que têm para sobreviverem, como bloqueadores solares, óculos e roupas adequadas, tudo muito caro e invariavelmente inacessível. Trabalho, oportunidade e renda também são prioridades.
Giannazi disse que a ALESP tem que tentar transformar tais demandas em políticas públicas. “O mandato, através de iniciativas como esta audiência pública, está empenhado para sensibilizar e buscar apoio na aprovação destes projetos de lei”, argumentou.

ZOOFILIA NA ARGENTINA



Buenos Aires sempre tem alguma peça teatral que me interessa, quando estou de férias por lá. Em julho vi minha segunda obra de Edward Albee encenada na capital argentina. A primeira foi Quem Tem Medo de Virginia Wolf, há alguns anos. Quando soube que meu adorado Júlio Chavez dirigia e estrelava La Cabra, tive que ir.
De 2002, The Goat, or Who is Sylvia? é outra martelada na parede do Sonho Americano. Um famoso arquiteto de meia-idade com um casamento e família quase perfeitos – o filho é gay, mas é “aceito” pelos pais (será?) – apaixona-se por uma cabra.
A sala de estar ainda é o ambiente pra desconstrução – neste caso, bastante literal – mordaz de Albee, via zoofilia e incesto homossexual. Curioso o relato do dramaturgo contando que muita gente abandonava o teatro na discreta cena de sedução entre pai e filho, mas não durante as descrições de bestialidade.
A despeito das limitações dramatúrgicas impostas pela ambientação na velha sala de estar, La Cabra consegue ser perturbadora ao provocar risos nervosos e incomodados devido ao tema forte, que serve como metáfora para certa desconstrução da hipocrisia social.
A montagem argentina está muito bem dirigida e interpretada. Viviana Saccone sai-se muito bem no papel da esposa traída.
Júlio Chavez talvez seja o melhor ator argentino do momento, com grandes filmes e séries de TV no currículo. Poderia tranquilamente montar peças de fácil digestão pra capitalizar em cima de seu prestígio internacional, mas escolheu um texto inquietante e difícil, com o qual brilha. Sentei-me na primeira fila pra desfrutar o mestre o mais perto possível.
Em cartaz no Teatro Tabaris, na Avenida Corrientes, La Cabra merece ser vista caso você vá a Buenos Airese esteja disposto a ver um espetáculo desafiador.

domingo, 12 de agosto de 2012

O QUE COMEREMOS EM 20 ANOS?


Insetos/Getty
No Ocidente, muitos resistem à ideia de comer insetos, hábito comum em outras culturas
Projeções de especialistas indicam que o aumento populacional, dos preços dos alimentos e a limitação na disponibilidade de recursos vão mudar os hábitos alimentares humanos nas próximas décadas.
Alguns analistas calculam que o preço dos alimentos pode dobrar nos próximos cinco a sete anos, tornando itens hoje comuns, como carne, em artigo de luxo.
Veja abaixo algumas alternativas que, embora estranhas à primeira vista, são apontadas como caminhos prováveis para resolver lacunas na demanda por alimentos.

Insetos

O governo holandês já investiu um milhão de euros em pesquisa sobre como inserir carne de insetos nas dietas de seus cidadãos e preparar leis para regulamentar sua criação.
Insetos fornecem tanto valor nutricional quanto carne de mamíferos, mas custam e poluem muito menos. Cerca de 1, 4 mil espécies poderiam ser consumidas pelo homem, compondo salsichas ou hambúrgueres.
Boa parte da humanidade já come insetos, especialmente na Ásia e África. Mas os mercados ocidentais devem resistir à ideia e vão ser necessárias grandes campanha de marketing para tornar aceitável ideia de incluir insetos como gafanhotos, formigas e lagartas no cardápio.

Uso de som

Já é bem conhecida a influência que aparência e cheiro podem ter sobre o que comemos, mas uma área em expansão que pode render descobertas interessantes é a dos estudos sobre o efeito do som sobre o paladar.
Um estudo da Universidade de Oxford descobriu que é possível ajustar o gosto der determinados alimentos através da música que se ouve ao fundo.
A música pode, por exemplo, fazer uma comida parecer mais doce do que ela é. Esse recurso pode ajudar a reduzir o consumo de açúcar.
Outro exemplo: Sons graves de instrumentos de sopro de metal (como saxofones ou tubas) acentuariam o gosto amargo de alimentos.
Empresas podem passar a recomendar listas de músicas para melhorar a "experiência" do consumo de seus produtos.

Carne de laboratório

Cientistas holandeses criaram carne em laboratório usando células-tronco de vaca e esperam desenvolver o primeiro "hambúrguer de proveta" até o fim de 2012.
A produção de carne artificial poderia trazer grandes benefícios ao meio ambiente, pela redução no número de cabeças de gado - grandes emissores de CO2 - e nas áreas de floresta desmatada para a criação de pastos. A carne de laboratório poderia ser manipulada para ter níveis bem mais saudáveis de gordura e nutrientes.
Os pesquisadores holandeses dizem que a meta é fazer a carne in vitro ter o mesmo gosto que a tradicional - coisa que ainda está longe de ter.

Algas

Elas podem alimentar homens e animais, oferecer uma alternativa em graves crises alimentícias e ainda abrem mão do gasto de terra ou água potável para seu cultivo.
Cientistas ainda apontam para o potencial de algas como fontes de biocombustíveis - o que reduziria a dependência dos combustíveis fósseis.
Alguns especialistas preveem que fazendas de algas poderiam se tornar a mais promissora forma de agricultura intensiva.
Elas já existem em países asiáticos como o Japão.
Como os insetos, elas poderiam ser introduzidas em nossas dietas sem que soubéssemos. Cientistas na Grã-Bretanha estudam a substituição de sal marinho por algas em pães e outros alimentos industrializados.
Grãos têm um forte sabor, mas com baixo índice de sal, sendo portanto, mais saudáveis.
Com informações de Denise Winterman da BBC News

PRÓ MIGUEL NAUFEL

Acontece na Santa Casa de São Paulo o programa Pró Albino, de registro e acompanhamento médico das pessoas com albinismo no Brasil.
Nosso cronista albino, Miguel Naufel, consultou-se e está encantado. Leiam seu relato:

Você já imaginou chegar em um hospital publico e receber atendimento cinco estrelas?
Digo cinco estrelas mesmo, como um hotel de primeira classe. Foi isso o que aconteceu comigo na Santa Casa em São Paulo, capital. Cheguei às 8 da manhã e me informei onde se localizava o departamento de retina; me encaminharam ao terceiro andar de um prédio dentro da instituição. Ao entrar na sala, dirigi-me ao guichê de atendimento e perguntei:
- Tem um programa chamado Pró Albinos e gostaria de falar com o médico responsável. Pediram que me sentasse e aguardasse... Depois de uma hora  - em que conheci vários albinos, inclusive uma família na qual uma mãe, um irmão e uma sobrinha são albinos - e muito papo entrou um médico, que se dirigiu a mim:
- Olá Miguelzinho, venha comigo.
Na realidade, me espantei. Nos últimos anos, tenho vivido em hospitais públicos e não vemos esse tratamento pessoal com ninguém! O médico pegou em minha mão e levou-me até o quinto andar, entrou comigo na sala do dermatologista e disse ao médico que estava lá dentro:
- Doutor, este é o Miguel. Ele veio do interior e precisa passar pela triagem.
Fizeram vários exames médicos em minha pele, que nem sei identificar... Tiraram fotos, olharam meus hematomas e cirurgias realizadas no hospital em Barretos... Depois, me entrevistaram sobre minha vida particular, sobre albinismo e me informaram que não existem estudos sobre albinismo e que toda informação que eu fornecesse seria muito útil.
Depois de duas horas, o médico que me atendeu na recepção desceu comigo ao terceiro andar. Ele é o oftalmologista, fez mapeamento de retina, exame de fundo de olho e muitos outros exames, cujos nomes não sei. Esse médico me disse que estão testando uma nova lente de contato e que eu me enquadrava no perfil de um paciente albino que eles precisavam para testá-la.
Retornar ao hospital em setembro com meu histórico médico de Barretos e testarei as novas lentes de contato...
O atendimento para albinos é na sexta feira das 9h da manhã ao meio dia. Não precisa marcar consulta.
Atenção, atenção albinos, as coisas estão mudando!

Miguel José Naufel
miguel_naufel@hotmail.com

Ok, Miguelito, estamos esperando pelo desdobramento desse lance da lente de contato. Você contará pra gente?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

VEJA O ESTILO ALBINO

O blog Veja os Estilos fez uma rica postagem com fotos e vídeos sobre Shaun Ross, um modelo norte-americano com albinismo. Confira aqui

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

TELONA QUENTE 52

Novamente, assisti a uma animação devido à presença duma personagem com albinismo. Lembram quando vi o meio filme/meio animação Copito de Nieve? Não faz meu gênero, mas noblesse oblige.
Piratas Pirados 2012) é um desenho inglês que conta a história dum capitão perdedor, desejoso de ganhar o prêmio de pirata do ano. Além de concorrentes muito mais fortes, ele tem que se haver com a Rainha Vitória, odiadora de piratas e devoradora de animais raros e que está de olho no dodô que os tripulantes pensam ser um papagaio gordo. Também no caminho do capitão, um Charles Darwin de cara imberbe e que quer o extinto dodô pra ganhar reputação científica e... uma namorada.
Piratas Pirados coloca personagens históricas em situações inusitadas – quem pensaria num Darwin meio vilão? Ou numa Rainha Vitória sentada num trono donde controla geringonças? Hmmm, os criadores de South Park já haviam pensado em algo semelhante na sua (per)versão de Great Expectations...
Claro que a monarquia britânica não detestava os piratas que minavam seus concorrentes continentais no comércio colonial e claro também que esculachar o evolucionista Darwin numa época fértil de criacionismo tem suas consequências ideológicas. Também não me passou despercebido a insistência de que simpatizemos com ladrões – piratas são o que mesmo, heim? Depois reclamam que eu torça pro Jason no Sexta-Feira 13...
E o tal pirata albino? Olha, é supersecundário e não faz diferença pra trama. Está lá porque diversidade é bonitinho. Não que eu esperasse aulas sobre albinismo. Longe disso. Mas, os olhos vermelhos, as roupas tão descoloridas quanto a pele e a inexistência de qualquer referência à limitação visual ou à pele só me fizeram concluir que perdi meu tempo; ver o desenho serviu apenas como necessidade profissional, por causa do blog.
Sem grandes sacadas ou diálogos divertidos/sagazes, só não digo que Piratas Pirados é tão sem cor quanto pessoas albinas, porque isso nos desprestigiaria.
Aí, poderão me dizer: “ah, mas, pelo menos nesse filme não fazemos o vilão!” E pirata é o que, bebê? 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

EDUCATUBE

Gosto muito do blog Educatube, que indica vídeos de e para educadores, além de sugerir recursos tecnológicos com fins educacionais.  Peguei muitas dicas legais deste blog, que traz filmes também, não apenas vídeos pedagógicos.

SUPERAÇÃO OLÍMPICA

"Nasci com talento e não posso desperdiçá-lo"
MARINA NOVAES
Com ou sem medalha, o velocista sul-africano Oscar Pistorius fará história na Olimpíada de Londres. Único atleta com as duas pernas amputadas a conseguir índice para participar dos Jogos Olímpicos, o corredor competirá individualmente nos 400 m rasos e com a equipe de seu país no revezamento 4 X 400 m - e ainda voltará à capital britânica no próximo mês para competir também na Paraolimpíada.
Aos 25 anos, Pistorius - ou "Blade Runner" (corredor sobre lâminas, na tradução livre), como ficou conhecido - fala com uma serenidade e otimismo surpreendente sobre a doença congênita que o fez ter suas duas pernas amputadas abaixo dos joelhos com apenas 11 meses, e sobre a importância que seus pais tiveram ao não trata-lo como "diferente".
"Quando nós éramos crianças minha mãe costumava dizer ao meu irmão: 'você, vá calçar os sapatos', e 'Oscar, vá colocar as suas pernas", contou, sorrindo.
O atleta conversou com o Terra em uma sala reservada do centro de imprensa do Parque Olímpico, acompanhado de dois assessores. Sorridente, ele cumprimentou cada um da equipe com um aperto de mão, e disse não "ver a hora" de poder competir no Rio de Janeiro, ao se lembrar que o grupo era brasileiro. "Já fui para o Brasil várias vezes", disse, descontraído.
Lançado à fama em 2008 após ser proibido de disputar a Olimpíada de Pequim apesar de ter conseguido índice para correr, o atleta sul-africano fica sério apenas quando questionado sobre a polêmica em torno das próteses de fibra de carbono que utiliza para correr, que já foram alvo de briga judicial após a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, da sigla em inglês) entrar com ação. Ele ganhou a briga na Justiça contra a associação, ao provar que as próteses que usa não o favorecem na pista, mas admite que as perguntas sobre a polêmica já o cansaram. Com isso, aproveita o discurso para levantar a bandeira do "orgulho paralímpico" e da inclusão social.
Leia os principais trechos da conversa:

Terra - Como você começou a correr?
Oscar Pistorius - 
Eu tive uma infância muito livre e sempre tive a oportunidade de competir em vários esportes. Quando criança, eu não era muito bom na maioria deles, mas gostava só de poder tentar participar. Em 2003 eu sofri um acidente jogando rúgbi e comecei a correr para voltar a recuperar minha forma. Foi quando meu treinador começou a me inscrever para algumas competições pequenas e, quando percebi, eu já estava preso à corrida.

Terra - Você menciona muito sua família em entrevistas. Qual o papel que os seus pais tiveram na sua formação como atleta?
Oscar - 
Meu irmão é um ano e meio mais velho que eu, e minha irmã é mais nova. Então, quando nós éramos crianças, minha mãe costumava dizer ao meu irmão, de manhã: "você, vá calçar os sapatos", e "Oscar, vá colocar as suas pernas, e essa é a última vez que eu quero ouvir você reclamar disso" (risos). Então eu cresci sem pensar que eu tinha uma deficiência, nem achar que a minha deficiência estava me atrapalhando. Ter pena não ajuda. É isso que você tem e a vida continua, então aproveite a vida. Tem tantas coisas a se agradecer em vez de se preocupar com coisas tão pequenas, que não precisam ser um problema.
Terra - E vem alguém da sua família torcer por você em Londres (a mãe dele morreu quando Pistorius tinha 15 anos e os familiares moram na África do Sul)?
Oscar - 
Sim! Meu irmão e minha irmã chegam na sexta-feira (dia 3), e a minha avó de 89 anos também vem. E também vem meus tios, um primo, dois amigos... Eu tenho uma família grande, então é legal que alguns deles conseguem vir. Eu estou muito entusiasmado. Para qualquer atleta esse é um momento muito importante, e eu tenho sorte de ter tantas pessoas me dando apoio.
Terra - Qual foi sua reação quando soube que finalmente poderia participar de uma Olimpíada e da Paraolimpíada também?
Oscar - 
Foi algo inacreditavelmente maravilhoso. Esse é um objetivo que eu vinha buscando alcançar há seis anos, e eu consegui o tempo para classificação na temporada passada (na Itália, quando alcançou índice de 45s07 nos 400 m, e foi convidado pela Federação de Atletismo da África do Sul a participar da Olimpíada). Esse era um objetivo que eu realmente tinha que alcançar. E aí algumas vezes eu me senti mais confiante (de que se sairá bem em Londres), outras não muito... Então tem sido um sobe e desce de emoções o tempo todo desde então.
Terra - Mas se você tivesse de escolher entre participar da Olimpíada ou da Paraolimpíada, qual seria sua escolha? Se isso fosse realmente necessário...
Oscar - 
As duas competições são igualmente importantes. Mas no fim das contas, o que importa não é a competição, mas o desempenho. Eu quero correr a melhor corrida que eu puder conseguir. Eu quero ser o mais forte que eu conseguir ser naquele dia. Eu prefiro, em qualquer competição, chegar por último, mas alcançar meu melhor tempo, que ganhar com um tempo ruim. Então as duas competições são muito importantes.
Terra - E como é sua rotina de treinamentos? Você tem algum cuidado especial com a saúde?
Oscar - 
Meu dia é todo programado de acordo com os meus treinamentos. Eu treino todos os dias, mas eu descanso bastante também. E eu sempre tento pesquisar sobre formas de ficar mais saudável, sobre dietas que fazem bem, o que ajuda a recuperar meus músculos mais rapidamente... Então eu tento sempre pesquisar sobre levar uma vida melhor mesmo. Então eu como bem, só bebo água ou chá, e eu acredito que em 2016 (na Olimpíada do Rio), eu provavelmente vou estar lá e na minha melhor forma.
Terra - Parece uma vida sacrificante, não?
Oscar - 
Muito sacrificante! (risos). Mas ninguém faz nada que não queira na vida. Eu fui abençoado, eu nasci com um talento e não posso desperdiçá-lo. Então sim, são muitos sacrifícios, e não é só em relação à dieta, mas também na vida pessoal, a gente viaja muito, fica muito longe da família. Mas os sacrifícios fazem parte, e poder participar de uma Olimpíada e da Paraolimpíada é um dos melhores momentos, um dos mais orgulhosos, na vida de qualquer atleta.
Terra - Você frequentemente é questionado sobre as suas próteses, se elas o favorecem ou não na pista (em relação aos concorrentes). Isso te cansa? Como você lida com as críticas?
Oscar - 
Essa pergunta aparece de vez em quando mesmo. É uma daquelas coisas (da vida), eu sempre prefiro focar mais na corrida. Nós fizemos em 2008 vários testes, quando fomos ao Tribunal de Esportes (contra a IAAF), e eles decidiram que as próteses que eu uso não me davam vantagem alguma. As próteses que eu uso tem sido usadas há 16 anos e milhares de pares já foram fabricadas, mas nenhum outro atleta jamais conseguiu chegar perto do tempo que eu consegui atingir. E o meu objetivo não é correr em nenhum equipamento novo. Eu tenho essas próteses que tenho, e já foi provado que não dá nenhuma vantagem. Então se houve qualquer melhora, foi no meu próprio desempenho na corrida. E não sou só eu, muitos atletas usam as mesmas próteses que eu. Mais de 70% dos atletas paraolímpicos usam o mesmo modelo. Então eu só tento correr e tento ser o melhor que eu posso.
Terra - E o apelido "Blade Runner" (corredor sobre lâminas, na tradução livre) te incomoda?
Oscar - 
(Ri) Eu não ligo. Os apelidos são coisas que pegam nos atletas. Não é o apelido que eu escolhi pra mim mesmo, mas não é ruim. Desde que não tenha uma conotação negativa, não há motivo para eu não gostar.
Terra - Apesar da polêmica, você é considerado uma inspiração por muitos. Qual você acha que será o impacto da sua participação na Olimpíada de Londres entre os atletas paraolímpicos?
Oscar - 
Eu sempre fui uma pessoa muito orgulhosa de ser um atleta paraolímpico. E eu realmente acho que alguns dos paraolímpicos são alguns dos esportistas mais inspiradores do mundo. O fato de eu estar aqui me deixa feliz por saber que eu tenho um grande time por trás de mim.
Terra - E quais suas expectativas em relação à Olimpíada do Rio? Você espera competir lá também nos dois Jogos?
Oscar - 
Eu já fui ao Brasil algumas vezes, já passei férias em Florianópolis, conheci São Paulo, o Rio... E eu acho que os brasileiros são muito parecidos com os sul-africanos. São muito, muito humildes, muito apaixonados pela vida, muito empolgados. Então eu não posso esperar para ir lá. Eu sei que quando eu chegar lá será uma experiência incrível, de virar a cabeça. E eu espero poder encerrar a minha carreira lá, em frente a uma multidão no Brasil.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

TRIUNFO NA ALESP


Dia 3 de agosto, houve audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo a fim de conscientizar sobre a importância da aprovação dos Projetos de Lei 683/2009 e 649/2011, de autoria do deputado Carlos Giannazi (PSOL). Inspirados por este blog, os PLs garantem vários direitos às pessoas com albinismo, como distribuição grátis de bloqueador solar e óculos e cotas em universidades estaduais.
Além de Giannazi e de mim, a mesa foi composta pelo Dr. Rafael Marmo . Da plateia, algumas pessoas com e sem albinismo participaram ativamente narrando experiências e sugerindo.
O evento foi transmitido pela TV Assembleia, teve cobertura no Diário Oficial do estado e foi ao ar ao vivo via internet, ou seja, conseguimos dar ampla visibilidade aos projetos e à causa albina. Agora, é torcer para que os deputados paulistas aprovem os PLs, quando de sua votação.
Agradeço ao Luiz Ferreirinha, assessor de Giannazi, pelo esforço e pela atenção à causa albina, e a todos os que compareceram à ALESP na sexta á noite. Foi muito especial.
Fotos:









segunda-feira, 6 de agosto de 2012

PRECONCEITO NO FUTEBOL ANGOLANO - III

Em abril postei algumas notícias a respeito da discriminação enfrentada pelas pessoas com albinismo no futebol angolano. Vez mais, o preconceito mostrou sua feia face no esporte daquele país.

Distúrbios, insultos e um caixão levam Libolo a queixar-se dos adeptos do Kabuscorp de Rivaldo 
O Recreativo do Libolo, campeão e líder do campeonato de Angola, emitiu hoje um comunicado em que acusa os adeptos do Kabuscorp, onde joga Rivaldo, de desordem, vandalismo e superstição antes do jogo entre as duas equipas, esta tarde, no Calulo, ganho pelo Libolo (2-0).
«Os adeptos do Kabuscorp perturbaram, toda a noite, o descanso da população, com batuques, vuvuzelas e trompetes», começa por se referir. Mas o Libolo denuncia mais situações:
Esta manhã, os mesmos adeptos lançaram «insultos aos jogadores do Libolo, quando estes abandonaram o hotel onde pernoitaram, chegando mesmo a bater no vidro do autocarro e ameaçando os jogadores».
Por último, «a superstição não ficou de parte» e os adeptos «encarregaram-se de fazer um caixão em madeira onde colocaram a imagem de um albino», referindo-se o Libolo ao facto de um dos seus roupeiros ser, de facto, albino, o que já chegou a causar tensão entre os dois clubes, exatamente por questões de superstição de quem acredita que os albinos são vistos como símbolo do azar. 
Como existem muitos congoleses no bairro do Palanca, onde está sedeado o Kabuscorp, o Libolo até acredita que «a maioria destes adeptos nem angolanos devem ser».
http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=345588

domingo, 5 de agosto de 2012

SUPERANDO A TOCOFOBIA

Britânica conta como superou fobia a gravidez e teve três filhos

Fran Benson, jornalista com Tocofobia
A jornalista Fran Benson conseguiu superar a Tocofobia.(Foto: Arquivo Pessoal)
Uma britânica mãe de três filhos falou à BBC de sua luta para vencer uma fobia até recentemente não reconhecida por médicos: o pavor do parto.
Muitas mulheres sentem medo e ansiedade em relação ao parto, especialmente na primeira gravidez.
Mas para as que sofrem de tocofobia – transtorno psicológico identificado em 2000 pela psiquiatra Kristina Hofberg – esse medo natural se transforma em um pavor irracional e profundo que as leva a evitar o parto.
"Eu sentia um temor incontrolável, como se o parto fosse algo impossível", disse à BBC Brasil a jornalista Fran Benson. "Eu achava que se tivesse um filho meu corpo iria se partir pela metade e eu morreria".
Um estudo feito recentemente no Akershus University Hospital da Universidade de Oslo, na Noruega, concluiu que os partos de mulheres que sentem medo de parir são em média 90 minutos mais longos.

Pânico

Quem vê a foto de Benson sorrindo ao lado dos filhos dificilmente imagina o inferno emocional que ela teve de superar para que suas crianças viessem ao mundo.
A jornalista contou que, desde pequena, sentia desconforto na presença de mulheres grávidas e evitava conversas sobre gravidez e partos. Se havia cenas envolvendo gravidez e partos na TV, ficava nervosa e tinha de sair da sala. Também evitava visitar amigas na maternidade.
Seu marido, no entanto, queria ter filhos.
"Evitei a gravidez por um longo tempo".
Quando finalmente engravidou, Benson teve de confrontar seu medo profundo. Ela disse que sofreu cinco ou seis ataques de pânico.
"O ritmo das minhas batidas cardíacas se acelerava e eu sentia um frio na barriga. Se eu não me retirasse daquela situação, começava a chorar e ficava histérica".
"Uma vez, no início da gravidez, durante um jantar, minhas amigas começaram a falar de seus partos e dos cortes que sofreram. Pedi que parassem, mas continuaram. Comecei a hiperventilar e chorar".

Estudo

Um total de 2.206 mulheres participaram do estudo norueguês. Todas pretendiam ter partos normais.
Os especialistas constataram que as que tinham medo de parir passaram, em média, uma hora e 32 minutos a mais em trabalho de parto do que as que não tinham esse medo.
"Encontramos uma relação entre o medo de parir e a duração mais longa do parto", disse Samantha Salvesen Adams, co-autora do estudo. "De maneira geral, a duração maior do trabalho de parto aumenta os riscos de partos instrumentais (fórceps) e de cesáreas de emergência".
Ela ressaltou, no entanto, que a grande maioria das participantes que tinham medo do parto conseguiu ter seu filho por parto normal.
Em artigo publicado na revista científica de ginecologia e obstetrícia BJOG, Adams e seus colegas disseram que, de maneira geral, entre 5 e 20% das mulheres grávidas têm medo do parto. (Nem todos esses casos seriam classificados como tocofobia.)
Eles explicam que vários fatores estão associados ao medo de parir. Entre eles, falta de suporte social, histórico de abuso ou de problemas associados ao parto, a pouca idade da mãe, o fato de se tratar de uma primeira gravidez e problemas psicológicos.
E o problema parece estar aumentando, disse Adams.
"O medo do parto parece estar um tema cada vez mais importante em obstetrícia. Nossa descoberta de que partos demoram mais entre mulheres com medo de parir é uma nova peça nesse quebra-cabeças que é uma intersecção entre psicologia e obstetrícia".

Pesadelo

Fran Benson teve a sorte de conhecer a psiquiatra Kristina Hofberg, do St. George's Hospital em Stafford, Inglaterra.
Especialista no assunto, Hofberg diagnosticou a tocofobia da paciente na primeira gravidez.
A jornalista começou então a se preparar para o parto utilizando, entre outros recursos, CDs de relaxamento. Baseados em técnicas de hipnose, os CDs, nas palavras dela, tinham o objetivo de "reprogramar seu cérebro", convencendo-a de que ela era capaz de parir e de que o parto não iria matá-la.
No entanto, após algumas horas na mesa de operações, seu parto se complicou. Terminado o seu turno de trabalho, o primeiro grupo de parteiras - que já conhecia Fran e sabia do seu diagnóstico de tocofobia - foi substituído por um outro grupo.
Benson explicou que antes de entrar em trabalho de parto havia pedido à equipe que acompanhava sua gravidez que evitasse fazer cortes em seu períneo ou o uso de instrumentos (como os utilizados em partos fórceps).
Mas a nova equipe não havia lido o prontuário da paciente e começou a considerar o uso desses recursos. Sem o suporte psicológico necessário, Fran Benson viveu seu pior pesadelo. Ela sofreu uma crise de pânico na mesa de cirurgia.
Agitada e sem controle, começou a gritar, dizendo que preferia morrer e que não se importava com o bebê.
Benson acabou recebendo uma injeção epidural que a anestesiou parcialmente e a equipe teve de usar instrumentos para auxiliar o parto. Seu primeiro filho, Sam, nasceu saudável, mas ela acha que o trauma do parto poderia ter sido evitado.

Conselhos

Ao longo de três gravidezes, Fran Benson aprendeu a lidar com sua fobia.
Ela acha importante que equipes médicas estejam conscientes de que o problema existe. Mas muito pode ser feito pelas próprias mulheres.
Além dos CDs de relaxamento, um bom grupo de apoio é fundamental, ela recomendou.
"Eu sugiro que você se cerque de profissionais com quem se sente confortável".
Suporte na sala de cirurgia também é essencial - e não apenas por parte da equipe médica.
"Escolha alguém de confiança para te apoiar durante o parto - seu marido, um amigo, alguém que pode ser seu porta-voz se você começar a entrar em pânico".
Benson também é a favor de partos em casa - especialmente para mulheres que têm fobia de hospitais -, mas reconhece que essa nem sempre é a opção mais adequada.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/08/120731_tokophobia_mv.shtml?print=1

ALBINO INCOERENTE NO DIÁRIO DE PENÁPOLIS

ALBINISMO: Penapolense acompanhará a aprovação de projetos na Alesp
Rafael Machi
O professor Roberto Bíscaro é albino, e defende a criação de políticas públicas para todos os albinos do país

DA REPORTAGEM
O professor penapolense Roberto Bíscaro, criador do blog Albino Incoerente – que ganhou grande projeção nacional pela defesa de políticas públicas para albinos – participará  hoje, à noite, de audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo – Alesp - na defesa da aprovação de dois projetos de leis consideradas muito importantes para as pessoas portadoras de albinismo em todo o Estado, ou seja, a distribuição gratuita de óculos, bloqueador solar e a criação de cotas em universidades estaduais. Bíscaro atua na elaboração da Lei desde 2009, a convite do deputado estadual Carlos Gianazzi, do PSOL. “Na oportunidade, o deputado havia visto os meus trabalhos na mídia e me convidou para ajudar a montar estes projetos, que acredito ser de grande significância para as pessoas que possuem o albinismo”, comentou. Ele esclarece que a maioria das pessoas que possue o albinismo têm dificuldades para enxergar, e por isso o acessório seria muito importante. Em relação ao bloqueador solar, se trata de algo fundamental para o albino, uma vez que o indivíduo não tem pigmentação na pele, a exposição ao sol por muito tempo, pode causar-lhe câncer de pele. “Infelizmente, os albinos, de forma geral, são tratados de forma preconceituosa por empresários que não oferecem um oportunidade de emprego para elas,  e assim ficam sem condições de comprar os produtos para sua proteção”, disse. Se a lei for aprovada, o governo terá um custo menor com a distribuição do bloqueador solar, do  que o tratamento contra o câncer de pele, explicou.
Cotas
Em relação à instituição de cotas para pessoas com albinismo, Bíscaro diz que o albinismo não é considerado uma deficiência, mas muitos devido à visão fraca, têm o direito garantido no sistema de cotas. “Alguns albinos não possuem esta deficiência visual, o que lhe impede de conseguir a cota na universidade e ingressar numa faculdade com qualidade”, comentou.  “ Pretendemos que seja aprovada a criação de cotas específicas, para que os albinos de forma geral tenham seus direitos garantidos”, ressaltou. Para o professor, é muito gratificante trabalhar numa Lei como esta, pois há a oportunidade de levar aos demais, a chance que ele mesmo teve na universidade. “Estudei em universidades públicas e hoje leciono numa faculdade, agora quero que mais pessoas com albinismo tenham acesso à universidade, uma vez que o mercado de trabalho infelizmente tem restrições com estas pessoas, mas elas têm outras qualidades para ser bons profissionais”. O professor Roberto Bíscaro é graduado em Letras pela Funepe - Fundação Educacional de Penápolis, e também lecionou nesta instituição por mais de 10 anos. Atualmente é professor na universidade federal de Birigui. (Rafael Machi e Tânia Pinheiro)


O que é albinismo?
É uma anomalia genética, na qual ocorre um defeito na produção de melanina (pigmento), esta anomalia é a causa da ausência total ou parcial de pigmentação da pele, dos olhos e dos cabelos. O albinismo é hereditário e aparece com a combinação dos dois pais portadores do gene recessivo. O albinismo, também conhecido como hipopigmentação, recebe seu nome da palavra latina “albus” e significa branco. Esta anomalia afeta todas as raças. Existem três tipos principais de albinismo: o tipo 1 é caracterizado pelos defeitos que afetam a produção da melanina (cabelo branco, pele rosada, olhos cor violeta ou azuis, ausência de sardas). O tipo 2 ocorre em função de um defeito do gene “P”. As pessoas com este tipo de albinismo têm uma pigmentação clara ao nascer (cabelo branco, amarelo, ou mais escuro em pessoas da raça negra, pele rosada, presença de sardas, olhos azuis ou castanhos em pessoas da raça negra). A forma mais grave deste distúrbio é denominada albinismo oculocutâneo e as pessoas afetadas têm cabelos, pele, cor da Íris brancos e problemas de visão.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

BENTO

Pra ir de Penápolis a Avaré, a segunda parada é São Manuel. Como tínhamos uma hora e meia entre um bus e outro, exploramos um bocadinho e descobrimos esta linda igreja.





quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ARAÇATUBA INCLUINDO

Deficientes de Araçatuba (SP) são estrelas de campanha publicitária. Mercado de trabalho é cada vez maior para portadores de deficiências.


Mesmo com um tipo de deficiência, algumas pessoas mostram que isso não é barreira para ter uma vida normal, um emprego. É o que uma campanha do Ministério Público do Trabalho tem mostrado em Araçatuba (SP).
Aos 18 anos, o analista jurídico Sérgio Henrique Rosa sofreu um acidente de carro e perdeu os movimentos das pernas. Foi assim que ele descobriu que era capaz de prosseguir. “Se eu ficasse com pena de mim mesmo, fugindo dos problemas, eu estaria fazendo mal a mim e à minha família”, afirma.
Já a musicista Ana Laura Zago é uma jovem deficiente visual que se acostumou desde cedo a se guiar pela superação. “A gente não tem de usar a deficiência para falar que não é capaz, muito pelo contrário”, diz.
O auxiliar geral Rinaldo Vieira é um cara que nasceu para felicidade geral, especialista em produzir sorrisos. E ele, junto com o Sérgio e a Ana Laura, tem em comum uma vida marcada pela superação. Pela vontade de vencer. Todos estudam, trabalham há um bom tempo. E hoje são personagens da nova campanha do Ministério Público do Trabalho de uma causa muito importante: a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
A última pesquisa do IBGE, realizada em 2010, apontou que quase 24% da população brasileira, tem algum tipo de deficiência. São mais de 45 milhões de pessoas, com sonhos, objetivos. Por lei, toda empresa com mais de 100 funcionários precisa reservar vagas para esse público. “A nossa missão é que aquele empregador que não seja obrigado, também contrate um deficiente, que faça valer a função social da propriedade”, afirma a procuradora do ministério Guimar Pessotto Guimarães.
A chance de trabalho é fundamental, mas é preciso que a pessoa com deficiência também compreenda que é capaz. Ana Laura aos 30 anos, já é uma profissional realizada. A cantora dá aulas de música para crianças de Araçatuba. “Procuro passar o que sei, dentro de repertório, muitos com força de vontade. Sempre falo do meu problema para eles, para que tenham força de vontade”, diz.
O Sérgio passou em um dos concursos mais concorridos do Brasil, o de analista do Tribunal de Justiça de São Paulo, e como de costume não parou de sonhar. “Pretendo prestar concurso e buscar um melhor que estou hoje”, afirma.
Já o Rinaldo há dez anos é o faz tudo na Ciretran de Araçatuba. Sobe, desce escadas, abraça, carimba é amigo do patrão, braço direito do delegado. “Inclusão é muito importante , não só para ele, como para todos os outros funcionários”, afirma Getúlio Sílvio Nardo, delegado da Ciretran e chefe de Rinaldo.
E os três personagens estão famosos em Araçatuba. Além dos outdoors espalhados pela cidade, eles estão pintando na telinha em um vídeo publicitário. Na página da campanha, você encontra explicações sobre a lei da participação de deficientes no mercado de trabalho e também os locais onde é possível cadastrar o currículo para tentar uma vaga de emprego.

SANDUBA

Passei o fim de semana com amigos na estância turística de Avaré (SP). Pra se chegar lá desde Penápolis é necessário pegar 3 ônibus! A primeira parada é na cidade de Bauru, terra do famoso sanduíche homônimo. Vejam que fofa a estátua na rodoviária baurense em homenagem ao lanche..