segunda-feira, 14 de setembro de 2009

ALBINISMO NO PROGRAMA DOMINGO ESPETACULAR

O caso dos 3 irmãos albinos de Olinda continua a gerar pautas. Continua também a mostrar que a informação sobre albinismo é geralmente baixa, visto prevalecer o tom de surpresa pelo fato das crianças serem de família negra. Ainda não vi nenhuma matéria dizendo que o albinismo é justamente mais comum entre afro-descendentes. E também continua a mostrar que a mídia, de modo geral, ainda não acordou para o fato de encaminhar as pautas para que políticas púbicas de saúde sejam pensadas. Onde quer que seja, registra-se o drama vivido por aquela família, como se fosse caso isolado, quando sabemos perfeitamente que não é. A matéria geralmente esgota-se no drama familiar e não propõe discussões ou procura indicar caminhos pra solução dos problemas à longo prazo e coletivamente.

Outro dia escrevi sobre isso e repito agora que não se trata de investida de minha parte contra a mídia. Muito pelo contrário. Podemos afirmar, sem dúvida, que o ano de 2009 é o ano em que mais pautas sobre albinismo apareceram no país. Raramente passa um dia sem que o Google me alerte pralgum texto sobre albinismo. Este blog obviamente está auxiliando nesse aumento. Portanto, com relação à mídia, não se trata de criticá-la à esmo, mas sim de encará-la como aliada e, na medida do possível, fazer chegar a ela nossos pontos de vista como albinos, afinal, sabemos melhor do que ninguém onde nos apertam os sapatos. Percebo uma genuína vontade de ajudar por parte dos profissionais da mídia com os quais tenho entrado em contato desde a fundação do blog. Por isso, peço que leiam esse post como dica e não como crítica destrutiva.

Ontem, o programa Domingo Espetacular, da Rede Record, também exibiu sua matéria sobre os irmãos albinos olindenses. Ótimo isso; o programa tem vasta audiência aqui e no exterior e isso chamará a atenção de muito mais gente para os problemas que enfrentamos.

O repórter mostrou as lindas crianças em casa, na escola e até na praia. Achei excelente isso porque mostrou que, passando protetor solar, podemos sim nos divertir como qualquer outra pessoa. Na escola, a matéria destacou o fato de as crianças não sofrerem qualquer tipo de atraso mental devido ao albinismo. Uma das professoras salientou que o atraso na alfabetização que uma delas apresenta, deve-se ao fato de não possuir óculos, ou seja, o problema é sócio-econômico. A diretora relatou que quando as crianças entraram na escola, realizou-se trabalho de conscientização de sua diferença junto às demais crianças. Em época quando se fala tanto em inclusão, isso é importante. Não adianta jogar as crianças na escola e deixa-las entregues à própria sorte. O bullying é realidade que está aí e não pode ser menosprezada. Até novela já tratou do tema.

Sugiro à equipe do Domingo Espetacular que não deixe o assunto morrer aí, na exibição da curiosidade. Que tal agora uma matéria sobre medidas que poderiam ser tomadas pra aliviar o sofrimento que outros albinos enfrentam pelo país todo?

Já enviei diversos emails à produção do programa divulgando o blog, os vídeos no You Tube e o Projeto de Lei 683. Assim que acabei de ver a matéria, fui ao site da Rede Record e enviei novo email, desta vez com o texto do post COLETIVO À LONGO PRAZO, publicado aqui no dia 03 de setembro.

Torçam pra que dessa vez, eu obtenha alguma resposta. O email foi recebido porque obtive resposta automática confirmando a recepção.
(Abaixo, o grupo The Sundays, cantando Summertime.)

6 comentários:

  1. Tramitou na Câmara dos Deputados o PL 3638/2004, que propunha assegurar "às pessoas portadoras de albinismo o exercício de direitos básicos nas áreas de educação, saúde e trabalho". O projeto não foi rejeitado, mas arquivado, ao final da legislatura passada, por um dispositivo regimental. Não tenho conhecimento para avaliar a proposta, mas talvez seja interessante um contato com o autor, Dep. Pastor Pedro Ribeiro. Tanto os dados do projeto, quando do deputado estão disponíveis na página da Câmara dos Deputados, em www.camara.gov.br. Talvez a matéria e o ensaio fotográfico, a propósito muito bonito, do Jornal do Comércio, sejam a oportunidade para se levantar novamente a discussão no Congresso Nacional.

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  2. Dr. Albee:
    Sou sua fã.
    Meu nome é Maria de Lourdes. Também sou albina.
    Sou psicóloga e pedagoga. Apesar das dificuldades, sou uma pessoa realizada.
    Um grande abraço.

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  3. Maria de Lourdes,
    obrigado por gostar do trabalho que venho realizando. Tb sou fã de todo mundo que vence dificuldades. No seu caso, pra ter 2 profissoes!!!

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  4. Oie gente eu sou Iamili de Manaus sou Pedagoga amo ser albina apesar da baixa visão, sou casada não tenho filhos e amo fazer novos amigos

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  5. jhnifer katherine joseph jackson dies19 de novembro de 2009 20:50

    ser albino é só um condição dificiu mais tudo bem pelo menos não é deficiente. eu não sou mais não ligo se meu amigo for.

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  6. Tenho uma irmã albina e presenciei muitas cenas de preconceito em relaçaõ a cor dela. Mas ela é determinada e linda, conseguiu dar uma guinada em sua vida, estudou, passou num concurso e entrou como deficiente fisico, não por conta de sua cor mas pela baixa visão que apresenta. Hoje é a grávida mais feliz que eu conheço, sua auto-estima está elevadíssima, fez um book mostrando uma barriga linda. Ela com certeza é um exemplo de determinação e superação.

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