segunda-feira, 12 de junho de 2017

SUPERAÇÃO ALBINA


Dia Mundial do Albinismo reflete sobre preconceito e afirmação perante a sociedade


Milhões de pessoas convivem com a situação de serem observadas diferentemente das outras pessoas, de conviver com o preconceito mas, acima de tudo, de saber superá-lo.

Show danieljordano



Paulo André NunesManaus (AM)


No próximo dia 13 será celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Albinismo, que é a incapacidade de uma pessoa produzir melanina, filtro solar natural e que dá cor à pele, cabelos e olhos. Em todo o mundo milhões de pessoas convivem com a situação de ser observado diferente pelas outras pessoas, de conviver com o preconceito mas, acima de tudo, saber superar isso se impondo como pessoa dentro da sociedade.

Uma dessas pessoas é o jornalista Daniel Jordano da Silva Miranda, 31. Tendo passado a infância e adolescência driblando o preconceito.
“Tudo que é diferente acaba tendo disso; hoje em dia nem tanto, mas na época de infância e adolescência tinha bullyng, tinha preconceito; é por pura falta de conhecimento de saberem que isso é característica da herança genética familiar, depende da hereditariedade”, garante Jordano.

“Hoje em dia não sofro mais preconceito, até porque criei um bloqueio mental quanto a isso. Hoje, na fase adulta, é mais tranquilo e as pessoas encaram com mais naturalidade, mas claro que quando anda nas ruas as pessoas olham, tem aquele olhar diferente. Nem muito pelo lado preconceituoso, mas é porque dizem ‘aquele cara tão branco’, e comentam”, ressalta. 
A situação hoje é bem diferente da época de escola, quando ele sofria preconceito, sim, num tempo em que esse tipo de comportamento irracional não se chamava bullyng.

“Minha mãe teve que conversar com professores, e foi pedido intervenção da diretoria, que reuniu os pais para explicar o que era o albinismo. Ela disse pra mim que, naquela época, pensavam que o albinismo era doença. Foi feita uma conscientização com pais. Comigo, ou os alunos tinham medo ou não chegavam perto. Acho importante que isso seja feito nas escolas, pois acredito que ainda deve haver isso hoje em dia, em termos de bullyng”, destaca ele.

O jornalista ressalta a importância da data. “Esse dia é preciso ser lembrado no aspecto de combate ao preconceito, assim como tem preconceito racial, infelizmente. A data serve para colocar na sociedade que o albinismo é uma característica genética como qualquer uma. Essa questão deveria ser mais difundida, e matérias como esa colaboram para esse processo. Há, por exemplo, o dia 20 de maio, da luta contra o racismo. Da mesma forma queremos que os albinos sejam lembrados para políticas públicas que os contemplem”, declarou. 

Jordano confirma que tem cuidados redobrados por conta dos efeitos do Sol. “O protetor solar não pode faltar, bem como o chapéu, óculos escuros, camisas de mangas compridas. É um cuidado que qualquer pessoa precisa fazer para se proteger, só que redobrado, um cuidado natural para todos, ainda mais em Manaus”, frisa Daniel Jordano. 

Frase

"Hoje em dia nem tanto, mas na época de infância e adolescência eu sofria bullyng, preconceito” (Daniel Jordano, 31 anos, jornalista)

Hermeto Paschoal se orgulha de ser 

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2015, o dia 13 de junho, também Dia do Albino, quer sensibilizar a condição dos albinos, que em todo mundo enfrentam preconceitos e até superstição, decorrentes da pouca ou nenhuma pigmentação da sua pele. 

O albinismo é a incapacidade de um indivíduo em produzir melanina, que é um filtro solar natural e que dá cor à pele, pelos, cabelos e olhos. O albino não consegue se defender da exposição ao sol e a consequência imediata é a queimadura solar, principalmente na infância quando o controle é mais difícil. Sem a prevenção, os portadores envelhecem precocemente e desenvolvem cânceres da pele agressivos e precoces.

Estima-se que a incidência mundial do albinismo seja 1 em cada 20 mil pessoas no mundo, sendo a maior número de casos na África: 1 albino para cada 1.500 pessoas. Apenas uma, em cada 20 mil pessoas no mundo, apresenta alguma forma de albinismo, o que torna essa característica algo raro. 

Para celebrar o Dia Mundial de Conscientização do Albinismo, em 13 de junho, a Sociedade Brasileira de Dermatologia lança campanha nas redes sociais e realiza evento com associações de portadores de albinismo.

Em vídeo, o conhecido compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro Hermeto Pascoal, 80, que é albino, manda um recado para a sociedade a fim de diminuir o preconceito vivido pelos albinos.

“Eu gosto muito da minha cor, eu acho que ela que me influencia para fazer muitas coisas. Nunca senti preconceito, porque quem sente preconceito não se sente feliz com si próprio. Os momentos que são aparentemente mais difíceis, para mim são os mais maravilhosos. Porque são a provação. O mundo é provação, meu amigo”, encerra o artista. Você pode assistir ao depoimento de Hermeto Pascoal na íntegra.
http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/dia-mundial-do-albinismo-vale-para-reflexao-sobre-preconceito-e-afirmacao-perante-a-sociedade

CAIXA DE MÚSICA 269

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Roberto Rillo Bíscaro

Há que louvar a resiliência e longevidade de Debbie Harry e sua trupe. Quando a maioria das herdeiras diretas de Blondie está sepultada no alzaimer da memória coletiva cultural de massa, o grupo ainda tem forças pra pegar a estrada e lançar álbuns. Depois da escorregadela do LP duplo de 2014 (resenha aqui), os norte-americanos voltaram com Polinator, 11º trabalho de estúdio, lançado dia 5 de maio. 
Louvável a sede de renovação de Ghosts Of Download, mas o álbum falhou em produzir alguma faixa memorável. Polinator equilibra tradição sônica com pitadas de contemporaneidade na produção e canções escritas por queridinhos de agora, tipo Sia, cuja Best Day Ever não se encaixa na categoria memorável, mas interessa como constatação retroativa de como intérpretes como Siouxsie Sioux foram influenciadas por Debbie. No quesito lembráveis pra sempre, ouça a guitarra funkeada de Fun e veja se não dá vontade de sair desfilando pela Quinta Avenida; pura ferveção Blondie. O queridinho de outrora Johnny Marr prova que ainda consegue estruturar melodias soberbas e refrães circulares e grudentos, cheque My Monster, um dos ápices do play.  
A Nova York do Blondie é o berço da disco music, hip hop e do punk e o poder maior do grupo foi mastigar esses e outros elementos e cuspi-los como algo novo, sem blablablá chato-pedante-chiclete-bananeiro pra tentar dar originalidade a um traço essencial ao bom pop. Blondie ia lá e fazia, f***-se.
Polinator obviamente não tem o poder de criar outra revolução estilística, mas o pop canibal urgente que caracterizou o auge do grupo está presente, inclusive se autorreferenciando como em Long Time, que lembrará os mais antigos do clássico disco Heart Of Glass.  Já a abertura é rockão com Joan Jett e tudo. Em Gravity a voz pesadamente processada de Harry recebe petardos roqueiros da percussão e chuva de granizo fininho de electronica.
Nessa altura do campeonato é isso que se espera de Blondie: manter a tradição com laivos de (pós-)modernismos. Aos 71 anos, sejamos realistas, nem garantia há de próximo álbum, mas se Polinator for o derradeiro, é boa coda. 

domingo, 11 de junho de 2017

UNIPLAN DISCUTE ALBINISMO

A professora de linguagem visual Kesy Valverde, do curso de Design de Interiores, da UNIPLAN (Centro Universitário Planalto do Distrito Federal), propôs a seus alunos um trabalho sobre preconceito.
O grupo de estudantes composto por Asenate Rodrigues de Souza Touret, Erika Aparecida Fontes Alves, Karen Joyce Miclos de Paiva, Rafael Cardoso dos Santos e Yorrane Alencar dos Santos optou por abordar o tema envolvendo pessoas com albinismo. 
Asenate contatou Nemézio Ribeiro Neto, universitário maranhense com albinismo, que, por sua vez, perguntou-me se gostaria de colaborar com a iniciativa, que resultaria na criação de um folder. Topei na hora e o resultado você confere abaixo.
Parabenizo e agradeço a todos envolvidos no projeto, porque somente através deste tipo de ação conscientizadora, seremos capazes de disseminar conhecimento sobre as características, problemas e potencialidades das pessoas com albinismo. 








CONSCIENTIZAÇÃO ALBINA EM MACEIÓ

Grupo de albinos da SMS celebra dia de conscientização


albinismo

Celebrado neste domingo (11), o Dia Mundial de Conscientização do Albinismo será comemorado pela Gerência de Atenção à Pessoa com Deficiência (GAPD) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) na segunda-feira (12), durante a reunião do Grupo de Albinismo.
Com início programado para as 8h30, o encontro – que também tem o objetivo de celebrar o Dia Municipal do Albino, aprovado no ano passado pela Câmara de Vereadores para ser comemorado sempre no dia 13 de junho – será aberto com a palestra “Câncer de Pele”, que será ministrada pela dermatologista Mariane Resende, que atua no Centro Especializado em Reabilitação (CER) do PAM Salgadinho.
No segundo momento da reunião, a terapeuta ocupacional Taís Sarmento, da Apse Audiovisual, fará uma explanação sobre o tema “Informações Básicas sobre Orientação e Mobilidade (OM), seguida do esclarecimento de dúvidas dos participantes.
De acordo com a assistente social Luciana Ferreira, técnica da GAPD, o grupo – que reúne cerca de 60 albinos e foi criado em 2009 com a finalidade de compartilhar orientações e informações sobre saúde e direitos dessa população – terá avanços a comemorar. Desde o último mês de março, a SMS garantiu à população de albinos do município o acesso facilitado ao atendimento em dermatologia na rede pública, assim como o encaminhamento adequado em reabilitação visual, que passou a ser feito pelo CER da Pestalozzi e pela Apae Audiovisual.
“O albinismo provoca muitos problemas, especialmente na pele e na baixa visão, daí a importância desse atendimento. Além disso, Maceió, que já tinha o fornecimento de protetores solares para esses usuários desde 2012, teve esse direito assegurado, por meio da aprovação da Lei Municipal nº 6.605/2017, na Câmara Municipal”, afirma Luciana.
Albinismo
Apenas uma em cada 17 mil pessoas no mundo apresenta alguma forma de albinismo, o que torna essa característica rara. O albinismo é a incapacidade de um indivíduo em produzir melanina, que é um filtro solar natural e que dá cor à pele, pelos, cabelos e olhos. O albino não consegue se defender da exposição ao sol e a consequência imediata é a queimadura solar, principalmente na infância, quando o controle é mais difícil. Sem a prevenção, os pacientes envelhecem precocemente e desenvolvem cânceres de pele agressivos e precoces.
O Dia Mundial do Albino foi instituído pela ONU no dia 13 de junho, a partir de 2015.

sábado, 10 de junho de 2017

PROGRAMAÇÃO BAIANA


MEMES DO BEM

A Sociedade Brasileira de Dermatologia mergulhou de cabeça na celebração do Dia Mundial de Conscientização do Albinismo, dia 11 de junho. 

A campanha nas redes sociais envolve diversos memes, que merecem ser baixados e viralizados por aí.

O endereço da SBD no FAcebook é:
https://www.facebook.com/SociedadeBrasileiradeDermatologia/







sexta-feira, 9 de junho de 2017

SBD

"Albinismo: além do que se vê”

Sociedade Brasileira de Dermatologia Comemora o Dia Mundial de Conscientização do Albinismo, faz campanha nas redes sociais e reúne grupo de pacientes na Faculdade de Direito da Cidade do Salvador

O evento da Sociedade Brasileira de Dermatologia, em parceria com o Congresso Dermato Bahia 2017 e com a Associação das Pessoas com Albinismo na Bahia (APALBA), exalta os talentos e conquistas das pessoas com albinismo e a união à luta contra os desafios que os portadores enfrentam. Também antecipa as comemorações do Dia Mundial do Albino, instituído pela ONU no dia 13 de junho, a partir de 2015.
“Albinismo além do que se vê” é o nome da comemoração que será realizada numa manhã de palestras e confraternização com um grupo de 100 portadores, na Faculdade de Direito da Cidade do Salvador. O projeto conta com o apoio da L'Óreal , Balyhoo, Beleza Natural, Bleymed, UV Line e Faculdade de Direito da Cidade do Salvador.
O evento e a conscientização da população sobre o albinismo da Sociedade Brasileira de Dermatologia tem como embaixador o gênio da música brasileira, Hermeto Pascoal. Em depoimento ao projeto, Hermeto declara: “Eu gosto muito da minha cor, eu acho que ela que me influencia para fazer muitas coisas. Nunca senti preconceito, porque quem sente preconceito não se sente feliz com si próprio. Os momentos que são aparentemente mais difíceis, para mim são os mais maravilhosos. Porque são a provação. O mundo é provação, meu amigo”, encerra o artista.
Assista ao depoimento de Hermeto Pascoal na íntegra: www.youtube.com/watch?v=IRL-vYO4fAA
Apenas uma, em cada 20 mil pessoas no mundo, apresenta alguma forma de albinismo, o que torna essa característica algo raro. O albinismo é a incapacidade de um indivíduo em produzir melanina, que é um filtro solar natural e que dá cor à pele, pelos, cabelos e olhos. O albino não consegue se defender da exposição ao sol e a consequência imediata é a queimadura solar, principalmente na infância quando o controle é mais difícil. Sem a prevenção, os portadores envelhecem precocemente e desenvolvem cânceres da pele agressivos e precoces.
Dra. Carolina Marçon, médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Coordenadora do Programa Pró-Albino, reforça que “com orientação e cuidados adequados, as queimaduras solares e demais danos causados pelo sol na pele, podem ser prevenidos, melhorando muito a qualidade de vida futura dos pacientes albinos”.
Durante o encontro acontecerão palestras multidisciplinares com médicos acerca dos cuidados dermatológicos, oftalmológicos e de inclusão social. Os direitos dos albinos também serão abordados. Logo após a abertura oficial do evento, haverá apresentação do “Pagode da Galera Albina”.
A Bahia é um dos estados brasileiros que concentra maior número de albinos, e não é sem razão que conta com inúmeros profissionais médicos, das mais
diferentes especialidades, preparados para os cuidados que os portadores demandam. Alguns destes profissionais estarão representados no evento pelos palestrantes: Dra. Shirley Cristina Moreira, dermatologista, Dra. Lília Maria de Azevedo Moreira, geneticista, e Dra. Ludmila Freitas de Almeida, oftalmologista".

quinta-feira, 8 de junho de 2017

CAIM MOÇAMBICANO

Polícia prende cidadão acusado de tentar matar irmão albino

Um indivíduo está a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM), em Manica, e outros dois encontram-se foragidos, acusados de tentativa de matar um irmão albino, para depois vender os seus órgãos a pessoas não identificadas.

Elsídia Filipe, porta-voz do Comando Provincial da PRM, em Manica, disse que se está no encalço dos dois irmãos fugitivos. Segundo ela, é curioso que três pessoas tenham traçado um plano para assassinar o próprio irmão com o intuito de vender os seus órgãos. Este é mais um de vários casos de perseguição aos albinos.

Em Tete, por exemplo, um casal está a contas com a PRM, indiciado de tentativa de venda do próprio filho de dois anos de idade, com problemas de albinismo, por quatro milhões de meticais, em conluio com cinco indivíduos, também presos.

Antes deste acontecimento, uma outra criança, do sexo masculino, de apenas três anos de idade, também com problemas de pigmentação da pele, foi raptada por pessoas ainda não identificadas, após introduzirem-se na residência a mãe, no distrito de Angónia.
http://www.verdade.co.mz/newsflash/62401-policia-prende-cidadao-acusado-de-tentar-matar-irmao-albino-

TELONA QUENTE 189

Resultado de imagem para filme vida 2017
Roberto Rillo Bíscaro

Alien, o Oitavo Passageiro (1979) é tão influente que quase 40 anos ainda saem produtos associados à franquia e cópias abundam. O monstro babador de ácido e a Tenente Ripley viraram ícones que podem ser gostados até por intelectuais sérios, depois que a Biblioteca do Congresso norte-americano selecionou o filme de Ridley Scott como preservável, devido a sua relevância histórico-cultural.
Em março, saiu Life (no Brasil, Vida), do diretor sueco-chileno Daniel Espinosa, produção estadunidense que vez mais coloca faminto monstro alienígena numa estação espacial, comendo os tripulantes. Orbitando a Terra, a estação internacional abriga amostras de terra marciana, contentora de células que desabrocham em criaturinha gelatinosa etérea, batizada de Calvin, através de concurso infantil. Tudo muito florzinha até que um cientista estimula Calvin via eletrochoque. Daí a comilança começa e à medida que Calvin come, cresce meio anêmona com cérebro. Life está engatilhado pra virar franquia; tudo dependerá do retorno comercial que tenha agora.
A função de Life é divertir e exceto por alguns momentos onde alguém lê um livro infantil (como essa droga foi parar numa estação espacial adulta, onde espaço pra armazenamento deve ser vital?!), o filme desliza redondo. Trilha-sonora excelente, cinematografia e efeitos aproveitando muito bem o orçamento não tão alto, personagens quase sem individualidade, então, dá pra curtir as divertidas mortes sem sentimento culposo. E é bem legal ver as personagens flutuando o tempo todo, porque a tecnologia hoje permite o realismo da gravidade zero. Uau, só que som ainda se propaga no vácuo...
Só não entendi bem, porque uma criatura de Marte necessita de oxigênio pra sobreviver. Talvez tenha havido alguma explicação “científica”, mas me escapuliu. Vai ver que é porque a célula se desenvolveu no ambiente oxigenado da nave? Vale ver ainda que seja apenas pra explicar isso a este blogueiro.

terça-feira, 6 de junho de 2017

TELINHA QUENTE 262

Resultado de imagem para merli segunda temporada

Roberto Rillo Bíscaro

Quando os alunos fizeram uma espécie de corredor polonês pra recepcionar sob aplausos a volta das férias do professor Merlí, no início da segunda temporada da série que leva o nome do docente de filosofia, temi que o sucesso da primeira significasse que o tiozão voltaria ainda mais histriônico e problemático. Afinal, não são muitas séries catalãs que têm os direitos de exibição compradas pela poderosa Netflix.
Desconheço se a segunda temporada já se encontra no serviço de streaming, mas afianço que a personagem voltou um bocado mais aparada na fornada de capítulos do ano passado. Ainda romantizam a docência e Merli aparece lidando sempre com os mesmos alunos, prontos a obedecerem-no, sentarem-se, calarem-se ao seu menor comando e mesmo quando interrompem a aula pra fazer as típicas piadinhas de adolescente, não atrapalham a explicação, porque é só uma intervençãozinha rápida, ninguém perde o foco. Bem se vê que nunca deram aula, né roteiristas? 
Mas, Merlí agora divide mais o tempo com as demais personagens, não tem a palavra final mágica pra tudo e encontra até um projeto de Nêmesis, na professora de história Coralina, uma Merlí de saias. Só que a série se chama Merlí, então ela é a antipática, ele não. Um bom ponto pra discussão em uma série que continua gritando por projeto de estudo com alunos de ensino médio. Por que ele pode ser desbocado ao ponto da inconveniência e ela não? Mulher não pode, só homem?
Abordando até gente contemporânea como Judith Butler e suas discussões sobre a construção dos gêneros, no capítulo onde aparece um professor transexual, Merlí segue com seus pensadores servindo de base pros problemas de cada capítulo. Nesse ponto é uma série teen bem inteligente, ainda que os ataques genéricos do professor contra os políticos sejam infantiloides e baseados no senso-comum, tipo “todo político é corrupto”. Mas não é a filô que nos ensina a questionar o senso-comum, como pode Merlí? Além do quê, ele leciona numa escola pública, resultado de políticas públicas, então, se todo político é ruim... Ah, vá te catar Merlí!
Acidezes a parte, Merli entretém, porque seus personagens são de carne e osso, os atores não são Barbies e Kens de plástico; têm verruguinhas e há uma até meio cheinha. Nada daquela diversidade de cor e orientação sexual, onde todo mundo é meio modelo da Elite, cancelando a noção de diversidade.
Cortadas as asas do professor, a série ficou bem melhor.

Cabe o lembrete outra vez, porém: geralmente nós professores não temos tempo de nos envolver com os problemas pessoais dos alunos, porque os temos em excesso e demais provas e reuniões e papelada pra preencher. Veja sem romantizar e querer nos transferir tarefas que são da família, psicólogo, enfermeira, babá etc!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

CAIXA DE MÚSICA 268

Roberto Rillo Bíscaro

Semana passada comemorou-se com merecido foguetório o cinquentenário do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, que irrigou parte do pop contemporâneo, especialmente uma vertente que amo, o rock progressivo. Parabéns aos Fab Four pela conquista, mas passei a semana ouvindo os Beatles da música eletrônica, o Kraftwerk.
Infinitamente menos conhecidos do grande público, o quarteto germânico virou o cromossomo K do genoma da música pop eletrônica. Não há subgênero que escape à influência de Ralf Hütter, Florian Schneider, Karl Bartos e Wolfgang Flür, que se espraia também pelo punk e várias subdivisões da música negra, como o hip hop. Não é exagero dizer que não passa mês sem que a batida de Tour de France ou Numbers não seja sampleada. Decerto há jovem fazendo electro meio sem saber quem é o Kraft, mas usando suas inovações tecnológicas e/ou samples.
Em semana tão simbólica pro cancioneiro pop, escutar os alemães ao invés dos veneráveis/venerados britânicos não foi birrinha infantil ou desejo de fazer heresia cultural. É que o Kraftwerk lançou dia 26 de maio uma supercaixa em vários formatos, chamada Kraftwerk 3-D: The Catalogue.
Da formação clássica resta apenas Ralf Hütter, quem dá as cartas pra Henning Schmitz, Fritz Hilpert e Falk Grieffenhagen. Homem de negócios de primeira e cônscio de que o Karftwerk é instituição, Hütter decidiu que entre 2012-16, tocariam a discografia completa em respeitosos museus, óperas e centros culturais ao redor do globo. Duas observações:
a)       Por completa, entenda-se que a banda há décadas desconsidera Kraftwerk I (1970) e II (1972) e Ralf und Florian (1973), assim a discografia oficial inicia-se em 1974, com Autobahn. Nem sei se os 3 LPs rejeitados encontram-se em catálogo.
b)       Por completa, entenda-se que Hütter reduziu o tempo de faixas e fundiu outras, porque se tratava de encaixar o material em shows.
Foram séries de espetáculos elogiados como extravagâncias tecnológico-visuais em 3-D, em locais badalados como o MoMA (Nova York), o Tate Modern Turbine Hall (Londres), as óperas de Sydney e Oslo, a Fundação Louis Vuitton (Paris) e a Neue National Galerie (Berlin), porque eles sabem que não estão podendo, tá? No repertório, os álbuns:  Autobahn (1974), Radio-Activity (1975), Trans Europe Express (1977), The Man-Machine (1978), Computer World (1981), Techno Pop (1986), The Mix (1991) and Tour De France (2003). O material realmente seminal corresponde ao período de 74-81, quando os reservados teutônicos influenciavam até o Camaleão do Rock.
Incapaz de enxergar em 3-D e sem saco pra show em vídeo, optei pelo formato de 8 CDs. São 42 faixas, única coisa que ouvi a semana toda desde a última resenha. Poderiam ser menos CDs, uma vez que o mais longo não passa de 38 minutos, mas certamente a banda desejou manter a simbologia dos álbuns individuais. E o departamento comercial da Parlophone, cobrar mais.
Puristas sonoros, as reações da plateia foram eliminadas das gravações, inclusive aplausos, então é como se fosse um ao vivo no estúdio. Melhor, a tecnologia mais avançada de hoje permite algumas filigranas e efeitos impossíveis à época dos álbuns. Além disso, algumas canções estão com arranjos distintos; outras mesclam a versão original com a constante no álbum The Mix, caso de Radioactivity; outras mais rápidas, como Airwaves.
Fãs mais idosos poderão estranhar um bocadinho os vocais, que tentam soar como os originais, mas mesmo bem parecidos, diferem um pouco, mas qual trabalho ao vivo soa idêntico? Isso é procurar pelo em ovo, porém, porque tudo que amamos está lá: as vozes robotizadas; aquelas lambadas agudas de sintetizador fustigando deliciosamente o tímpano; a percussão seca e eletrônica, mas com o sangue quente africano; o rigor inexorável metalizado da música simulando trem; as minissinfonias eletrônicas; a repetição hipnótica de arranjos minimalistas ou complexos; contadores Geiger e estática alçados à condição de música e, sobretudo, aquela visão, hoje fracassada, de como soaria um futuro atômico-espacial de metrópoles de neon.
Kraftwerk 3-D: The Catalogue é necessário e pertinente companheiro diversificador para os álbuns originais. Serve como catálogo de bolso pela redução dos tempos de execução; serve como introdução pras gerações desconhecedoras da Luz e da Verdade da Usina de Força.
Serve, porque é Kraftwerk.  

domingo, 4 de junho de 2017

DIA DA CRIANÇA EM ANGOLA

Associação angolana aproveita dia da criança para lamentar esquecimento de albinos

A Associação de Apoio dos Albinos de Angola denunciou hoje [4 de junho] "a discriminação" e o "esquecimento da criança albina" nas atividades comemorativas institucionais e lamentou a "falta de registo e a fuga à paternidade" a que muitas são sujeitas.

Em declarações à agência Lusa, no âmbito do dia internacional da criança, que hoje se comemora, o presidente daquela associação, Manuel Vapor, disse haver falta de interesse das autoridades em integrar a criança albina no meio de outras crianças.

"Nessas ocasiões [comemorações] a criança albina é esquecida. Se não fossem esquecidas, este momento seria de contacto permanente com a associação para saberem do estado delas e inseri-las nessas comemorações, mas infelizmente isso não acontece", lamentou o responsável.

Manuel Vapor diz mesmo que são as instituições públicas "que não dão qualquer interesse à criança albina nestes períodos festivos", algo que a associação quer ver revertido.

Constituída em 2013, a Associação de Apoio dos Albinos de Angola continua a registar casos de fuga à paternidade e falta de registos de crianças albinas, além da rejeição de crianças órfãs no seio das famílias.

"Temos na associação crianças que até ao momento não estão registadas, estamos a procurar formas de encontrar soluções para o registo delas. São cerca de 10 crianças que continuam sem registo", sublinhou Manuel Vapor.

O albinismo é um distúrbio congénito caracterizado pela ausência completa ou parcial de pigmento na pele, cabelos e olhos, caraterísticas que em algumas culturas são invocadas para práticas de superstição e de feitiçaria.

Em Angola, adultos e crianças, segundo a associação, continuam a ser vítimas sobretudo de estigma e discriminação.

"A associação não tem grande peso para poder dar mais ou menos soluções pontuais a essas situações, muitas crianças órfãs continuam à deriva porque há familiares que não aceitam cuidar dessas crianças quando perdem os pais", admitiu ainda o responsável.

A Associação de Apoio dos Albinos de Angola conta mais de 500 albinos inscritos como sócios e realiza atividades de sensibilização social e convivência com a pessoa albina há 11 anos.

sábado, 3 de junho de 2017

ALBINO GOURMET 230

sexta-feira, 2 de junho de 2017

METAMORFOSE

Nayara Rattacasso realiza sonho de fã albina

A youtuber Nayara Ratacasso participou do desafio Revele-se com Maxton e convidou as suas seguidores a se revelarem e compartilharem histórias incríveis. E a escolhida foi a Rayane, que passou por uma supertransformação e se revelou uma mulher ainda mais bonita, confiante e uma ruiva misteriosa. Confira o vídeo.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

WEAH BANGURA

Em seu povoado queriam matar este menino albino, hoje ele conquista as passarelas da moda!

Existe algo nas pessoas que faz que temam, e até odeiem, todo o desconhecido e todo o incomum, mesmo se se trata de outra pessoa. Assim viveu Weah Bangura, de 19 anos, um modelo albino radicado na Austrália que quando cresceu esteve à beira de ser assassinado pelo seu próprio povoado.
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Weah nasceu em Serra Leoa, em um povoado ainda apegado às tradições, e quando nasceu os curandeiros do lugar estavam certos que ele era mágico pelo seu albinismo. Mas em vez de enchê-lo de presentes e favores, queriam matá-lo, pois acreditavam que com seu sangue poderiam realizar poções e encantamentos.
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Foi então quando explodiu a guerra civil em Serra Leoa e a família Bangura teve que escapar, indo à Sidney, Austrália. Com apenas 6 anos, Weah tinha crescido em meio ao terror, mas não mais, em Sidney ninguém o julgava por sua cor da pele, já que ele nem sequer era a pessoa mais branca. Lá também encontrou talento no atletismo e no futebol.
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Mas o que mais chamou sua atenção foi a modelagem quando tinha 9 anos, depois de ver um programa especial na TV. Ele ficou fascinado com as cores, a criatividade, as infinitas possibilidades de fazer arte com a roupa e decidiu que seria modelo. Enquanto crescia se encarregava de estar em forma, fazia exercícios para ser mais alto e não deixava de estar atento à moda.
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Aos 18 anos foi chamado para ser modelo de cabelo para Evo e todos acharam que ele era um ótimo profissional. Depois de mostrar seu talento, as portas se abriram e hoje ele se tornou um dos jovens mais proeminentes nas passarelas e revistas australianas e, futuramente, do mundo.
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TELONA QUENTE 188

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Roberto Rillo Bíscaro

Com os olhos ainda não lavados, porque acabara de despertar e apenas pegara o celular pra fazer a vistoria dos sites diariamente acessados antes mesmo de levantar, atraiu-me a expressão Hounds Of Love na manchete do The Guardian. Pensei que fosse sobre o álbum de 1985 de Kate Bush, por isso, fui ao banheiro lavar os olhos pra poder botar os óculos e ler sem franzir a cara.
O Hounds Of Love do título era o filme deste ano do roteirista e diretor australiano estreante Ben Young, que tem feito sucesso em festivais e atraído atenção da crítica especializada. Os elogios justificam-se: sem mostrar violência explícita, a película tem cinematografia crua e mostra perturbador estudo psicológico sobre um amor bandido, com atuações de arrepiar.
Nos anos 80, um casal sequestra garotas em Perth para que o marido se divirta violentando-as, matando-as e enterrando nas vastas florestas australianas. Oito entre dez fitas que assisto daquele país têm imagens feitas por drones sobrevoando matas de eucaliptos (acho; não entendo nada de plantas. Só conheço bananeira e olhe la!) cortadas por uma estrada.
A vítima da vez é a adolescente Vicki Maloney, fruto de lar desfeito e que escapole da supervisão materna uma noite pra ir a uma festa. Somando a esse deslize, ela aceita carona dos simpáticos estranhos John e Evelyn White, fuma baseado e consome álcool na casa deles. Como em filmes de horror e thrillers, menina que faz “coisa errada” se ferra, a bebida tem remédio pra dormir e quando Vicki desperta está amarrada a uma cama, sob o jugo do psicopata e sua esposa cega de paixão.
O diferencial do roteiro de Young é a construção de Evelyn, atormentada entre saber que faz algo errado, inconscientemente perceber que o amor por John é unilateral, mas ser tão viciada no cara, que persiste no relacionamento abusivo. Sabe aquele dito bem vulgar, “amor de pica, fica”? Sei lá se tem equivalente na cultura australiana, mas quando Evelyn ajoelha em frente a John, não pra rezar, me veio à cabeça na hora. Vicki poderá ser o elemento perturbador dessa zona de conforto desconfortável do casal.
Boa parte de Hounds Of Love é lenta, porque constrói as tensões psicológicas, mas o terço final é de roer unhas. Além disso, como no melhor horror, abre-se pra discussões muito calcadas no cotidiano, como a maneira como a sociedade julga uma mulher que decidiu abandonar o marido e não o contrário. É o caso de como a mãe de Vicki é tratada quando reporta o sumiço da filha.
Jasons e Freddies não incomodam, porque são ostensivamente mentira, mas o material de que é feito Hounds Of Love é bem concreto. E consegue isso tudo sem mostrar nada gráfico. Os abusos são sugeridos por portas fechadas, pulsos machucados e manchas de sangue no chão (se você é tão amante de cachorríneos, que até isso te faria chorar, evite).
Há quem equipare essa estreia ao igualmente estreante/australiano The Babadook (2014). Exagero, porque, tirante os segundos finais, o filme de Jennifer Kent é uma das coisas mais arrasantes que vi no gênero em anos. Mas, Hounds Of Love não fica muito atrás. Coincidentemente, o final também não me convenceu tanto, mas deixo isso pra você decidir e comentar no blog.

terça-feira, 30 de maio de 2017

TELINHA QUENTE 261

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Roberto Rillo Bíscaro

Devo ter ouvido falar em Bette Davis e Joan Crawford, no início dos anos 80. A segunda, devido à contestada e controvertida autobiografia de sua filha adotiva e a primeira por causa do sucesso Bette Davis Eyes, de Kim Carnes.
Ainda nos 80’s, vi Jezebel (1938) numa daquelas sessões da madrugada de quarta-feira na Globo, que só exibiam “clássicos”. Que feia a olhuda Davis! Não entendi porque tanta babação de ovo. Vi também Vitória Amarga (1939) e a simpatia começou a nascer; que dramalhão. Nos 90’s, em VHS, vi Pérfida (1941), e adorei Bette. Não a vira atuar em inglês e aquela personagem proto-JR Ewing, da Lilian Hellman, me agradou em cheio. Ainda recomendo.
Crawford demorei muito pra conhecer. Antes assistira à leitura cinematográfica da autobiografia Mommie Dearest. Faye Dunaway ensandecida e canastrona, espancando a menina com cabide de arame; clássico camp, amo demais. No wire hangeeeeeeeeeeeeeeeers! Quando vejo esses objetos lembro da cena e rio. Sabia da rixa com Davis; da decadência nada glam que a levou a fazer cine trash, tipo Trog (1970), que nem este fã de podreira sci-fi/horror teve coragem de ver ainda. Finalmente, nos 2000’s conferi alguma coisa da garota-propaganda da Pepsi e amei Mildred Pierce (1945; olha a delícia do título em português: Alma em Suplício), base de parte do roteiro do sucesso global oitentista Vale Tudo. Achei Crawford tão boa e a película tão absorvente, que desisti da minissérie de 2011 estrelada por Kate Winslet, logo na metade do capítulo 2.
Davis e Crawford desenvolveram ódio competitivo durante suas carreiras, especialmente, nos seus picos, os anos 1930 e pedaço dos 40. Coestrelaram em apenas uma produção, o clássico cult O Que Terá Acontecido a Baby Jane (1962), que também custou-me ver, acreditam? Sabia a história, vira cenas, mas sei lá, vi só com os 2000’s bem avançados em idade, como as duas.
Na década de 1960, as duas ex-deusas estavam envelhecidas e não conseguiam papéis. O estouro de Psicose (1960) fez com que os estúdios voltassem seus olhares cúpidos pro terror, mas estrelas que se prezassem ainda o desprezavam. “Arte” era drama, filme “sério”, história de amor, essas coisas. Desesperadas por atenção e dinheiro, Davis e Crawford se aliaram fugazmente pra botar o projeto de pé, mas muito antes da conclusão das filmagens a trégua rompera-se e o feudo reincendiou colunas de fofocas, incentivadas pelo próprio estúdio. Cada farpa entre Bette e Joan rendia pauta pra jornais e promoção pro filme. Que fossem 2 mulheres de meia-idade desesperadas não fazia a menor diferença; o que importava eram os lucros e o entretenimento.
Ryan Murphy – onipresente atualmente, junto com Shonda Rhimes – é o criador da série Feud, pro canal FX, cujos 8 excelentes capítulos da primeira temporada tematizaram a discórida entre as atrizes, desde a concepção do projeto Baby Jane, até o falecimento de Crawford, em 1977. Feud tinha todos os elementos pra se transformar num grande tabloide retrô filmado, mas Murphy calibrou com maestria os necessários momentos de pura mesquinhez narcisista das desbotadas estrelas, com profunda compreensão/compaixão pelos motivos que as levaram a ser destrutivamente competitivas e resilientemente duras.
Como se não bastasse a carreira naufragada pela implacável idade – nos 1950’s ambas não eram mais nada – cada uma lutava com seus demônios pessoais, muitos insuflados pelo próprio sistema de estúdios, contratos e estrelato de Hollywood. Crawford era insegura com relação a sua capacidade interpretativa e Davis quanto à aparência. Durante seu reinado, Joan fora paparicada pela beleza; Bette, pelo talento dramático. O roteiro também aponta pra horrível história de vida de Crawford, que comeu o pão que o diabo amassou antes de virar símbolo sexual.
Feud apresenta mais do que 2 velhas caricatas disputando migalhas num mundo onde já eram peças de museu freak há uma geração. São pessoas multifacetadas e fascinantes, incrivelmente fragilizadas por um sistema brutal, onde o sol não nasce pra todos; pelo contrário, é ultrasseletivo. E, claro, há as brigas e discussões deliciosas, a manobra de Crawford pra estar na festa do Oscar, que nenhum ficcionista faria melhor, e muito vestidão, carão, glamour pretendido, mas datado e de dar pena. E é esse o ponto fulcral da superficialmente divertida Feud: apesar dos milhões e da boa vida, os egos daquelas mulheres eram buracos-negros de necessidade de atenção e validação; provavelmente nem durante o período áureo conseguiram realmente ser felizes. Feud é de uma tristeza avassaladora.
Era preciso um par excelente de atrizes pra não cair na caricatura ou imitação barata, mesmo com roteiro tão bom. Jessica Lange (Crawford) e Susan Sarandon (Davis) chefiam um elenco soberbo, onde estão Catherina Zeta-Jones, Steven Tucci, entre tantos outros destaques. Na batalha entre Lange e Sarandon, a primeira leva vantagem. Ela está o tempo todo impecável; a segunda de vez em quando escorrega prum nível menos bom.
Feud é daquelas séries viciantes, pra ver de maratona e ficar ansioso à espera da segunda temporada, que abordará a rusga entre Charles e Diana. Promete. E já aviso, sou Diana!
E com relação a Joan e Bette, quem sou? Crawford, sempre muito mais caruda.