segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CAIXA DE MÚSICA 236

Resultado de imagem para a troça harmonica album
Roberto Rillo Bíscaro

TVs e rádios mais comerciais (a maioria) não dão espaço pro que não seja vendável e atraia a audiência pra seus patrocinadores. Assim, predominam o sertanejo isso ou o arrocha aquilo. Não escondo que não vejo essas TVs (não vejo TV nenhuma, na verdade), tampouco escuto rádio, porque desgosto dos subgêneros ora hegemônicos.
A internet tem sido canal privilegiado pra artistas de qualquer estilo lançarem seu som. Se não há gravadora interessada, pode rolar produção independente e depois divulgação e venda online. Cada vez mais artistas disponibilizam seus álbuns gratuitamente e/ou pode-se ouvi-los sem gasto. Spotify, Deezer, Bandcamp, Soundcloud, Youtube são apenas alguns canais onde se consegue/ouve música grátis. Lembro-me de já ter resenhado trabalhos de Karina Buhr, Theo, 5 A Seco, Thieves’ Kitchen, Not Blood Paint, Silhouette e Paradigm Shift, além do projeto As Mulheres de Péricles, que podem ser ouvidos/adquiridos/baixados (de graça ou não) num desses canais.
Pra nós que vivemos longe de grandes centros e não podemos ir a shows facilita; pra artistas longe do eixo Rio-SP, no contexto brasuca, alarga horizontes estar disponível na internet. Como eu conheceria o belo álbum homônimo d’A Troça Harmônica se não fosse pela rede (e eu não fosse curioso)? A estreia em LP pode ser baixada gratuitamente no site do quarteto.
Chico Limeira, Gustavo Limeira, Regina Limeira e Lucas Dourado estrearam seu som, influenciado por Chico Buarque e o Clube da Esquina, nos palcos de João Pessoa, em 2013. Gravado e mixado na capital paraibana, o álbum A Troça Harmônica saiu ano passado. A boniteza dalgumas melodias, as harmonizações vocais aliadas a boas letras honram as citadas influências, que se confluem em Dúvida, onde um trecho diz “não tem governo, nem nunca terá”, parafraseando O Que Será, dueto de Milton e Chico.
Num álbum cheio de belas canções, vou logo pra jugular: Maria Vem, Barbante Prateado e Mel de Sal. A primeira é o nome mais cantado de nosso cancioneiro e é melodia mansa de corda, que vira guitarrinha, mas sempre mansa. Barbante Prateado poderia tranquilamente estrelar em qualquer álbum da fase áurea de qualquer mineiro da esquina; um milagre de cantos, contracantos e palmas. Mel de Sal, além da estupenda metáfora de imaginar o mar como mel de sal, dá vontade pular ondas jongando e desejando boa sorte pros pescadores.
A Pele vai dar banzo nos oitentistas quando o Roupa Nova ainda não bregueara e gravava delícias como Bem Simples. Não Deixe o Passo Se Quebrar é partido alto e Vertigem da Inocência traz o gosto da tradição do psicodelismo nordestino, na inquieta guitarra, mas que nunca transforma o regionalismo em rock. O momento menos inspirado é a piada de Rapaz Solucionado, com sua instrumentação e letra cômicas. Chistes perdem a graça depois de poucas audições, mas tá valendo.

sábado, 17 de setembro de 2016

15 ANOS DA APALBA

População albina comemora 15 anos de entidade representativa

O plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) sediou no dia 2 de setembro, em Salvador, uma sessão especial pela passagem dos 15 anos de fundação da Associação das Pessoas com Albinismo do Estado da Bahia (Apalba). O evento, que também discutiu a garantia de direitos para o segmento, contou com a participação das secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS).

A titular da Sepromi, Fabya Reis, destacou que no conjunto das prioridades da pasta está o fortalecimento de políticas públicas para a visibilidade de grupos identitários e tradicionais, bem como a promoção da qualidade de vida da população albina. “A Sepromi se mantém à disposição para as articulações, dentro da estrutura governamental, no sentido garantir o cuidado necessário para com este segmento, que inclui medidas efetivas nas áreas da educação, saúde, acessibilidade, lazer, além da geração de trabalho e renda”, afirmou.

Proponente da sessão especial, o deputado estadual Rosemberg Pinto afirmou que a assistência integral em saúde deve ser uma das prioridades do Estado brasileiro no atendimento a este público. "É direito de todos os albinos a ampliação da rede de atendimento médico, o acesso gratuito a lentes corretivas", disse. Uma das lideranças do segmento, Maria Helena Machado, reforçou a necessidade da inclusão social. "É difícil para um albino viver numa sociedade em que não é enxergado", enfatizou a diretora executiva da Apalba.

Medidas - Dentre as prioridades de ação da Sepromi, segundo a secretária Fabya Reis, estão as providências, junto ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura (SecultBA), para cessão de imóvel que sediará a Apalba, no Centro Histórico de Salvador. A discussão será aprofundada nos próximos dias, entre reuniões que acontecerão entre equipes dos dois órgãos. A SJDHDS foi representada pelo superintendente dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Alexandre Baroni. A atividade contou com a presença de albinos dos municípios de Novo Triunfo, Macaúbas, Santo Antônio de Jesus, Crus das Almas, Inhambupe Alagoinhas e Ipirá.







sexta-feira, 16 de setembro de 2016

CÂNCER DE PELE É VILÃO EM MOÇAMBIQUE

Cancro da pele mata mais pessoas com albinismo em Moçambique do que os ataques
Após visitar Moçambique, a perita independente das Organização das Nações Unidas(ONU) sobre os direitos humanos das pessoas que vivem com albinismo reconheceu que o plano multi-sectorial criado pelo Governo de Filipe Nyusi é um dos melhores que já viu porém “não dispõe de um orçamento especifico, nem um método de responsabilização e prestação de contas”. Ikponwosa Ero constatou que embora se acredite que os mandantes da caça aos moçambicanos com albinismo não sejam nacionais “não há evidências que os estrangeiros estejam sempre envolvidos (…) Portanto enquanto não forem encontrados os mandantes a segurança das pessoas que vivem com albinismo continuará precária”. Por outro lado faltam cuidados de saúde para os moçambicanos que vivem com esta deficiência na produção de melanina pelo organismo, “o cancro da pele mata mais pessoas com albinismo do que os ataques” revelou.
Ikponwosa Ero visitou o nosso País entre os dias e constatou que as centenas de casos de ataques a pessoas que vivem com albinismo, reportados pelas autoridades, não são todos os que terão ocorrido. “Há percepção que os casos reportados estão muito aquém dos que realmente terão acontecido devido ao secretismo em que está envolta a feitiçaria. Do ano passado para cá diminuíram os casos reportados porém continua a existir a perseguição às pessoas que vivem com albinismo, último registo de que disponho é de Junho passado. Houve outro caso registado há algumas semanas mas não foi possível verificar. Como consequência os moçambicanos com albinismo vivem aterrorizados, pois até familiares estão envolvidos em muitos dos casos o que os leva a desconfiar até dos parentes” afirmou a perita ONU em conferência de imprensa em Maputo.
“Estima-se que o número de moçambicanos que vivem com albinismo ronda os 20 a 30 mil, o número não é preciso pois na verdade nunca foram contabilizados, espero que o Censo (Recenseamento Geral da população) do próximo ano traga números precisos” disse Ero.
A nigeriana que também vive com albinismo manifestou o seu agrado em relação ao plano multi-sectorial de acção do Executivo moçambicano porém lamentou que o mesmo “não dispõe de um orçamento especifico, nem um método de responsabilização e prestação de contas, e não é de domínio público”.
Ikponwosa Ero destacou ainda pela positiva o novo Código Penal vigente em Moçambique, “é abrangente para a responsabilização dos crimes contra as pessoas que vivem com albinismo, por exemplo penaliza o tráfico de partes do corpo humano e não apenas o tráfico de órgãos e pessoas. É também encorajador o facto de Moçambique possuir o maior número de casos que tiveram seguimento a nível judicial. Segundo o Relatório que me foi apresentado pelo Tribunal Supremo 65 processos foram instaurados, 36 na província da Zambézia, 15 em Nampula, 4 em Tete, 4 em Cabo Delgado, 3 em Sofala, 2 em Niassa e 1 em Inhambane. Trata-se de uma excelente notícia, a priorização do julgamento destes casos, é um factor de desencorajamento aos criminosos” frizou.
Menos de 2% de pessoas com albinismo vivem para além dos 40 anos de idade
Foto cedida pelo PNUD
Todavia, e após visitar unidades sanitárias, Ero lamentou a pouca disponibilidade no País de cremes de protecção da pelo contra a acção do sol e a ausência de tratamento para o cancro de pele que afecta a maioria das pessoas que vivem com albinismo. “O cancro da pele mata mais pessoas com albinismo do que os ataques, estudos realizados em vários países revelam que menos de 2% de pessoas com albinismo vivem para além dos 40 anos de idade, morrem devido ao cancro da pele. Actualmente não está disponível o fornecimento contínuo de cremes protectores de pele para as pessoas com albinismo, não há também tratamento de radioterapia para os doentes com cancro da pele em Moçambique. Quem viva com albinismo e não tenha condições financeiras para procurar tratamento fora de Moçambique acabam por morrer devido ao cancro”.

Ikponwosa Ero recomendou “veementemente que Moçambique inicie a produção local destes cremes de protecção de pele, acontece na Tanzania por exemplo e na fábrica trabalham pessoas com albinismo, há distribuição regular do creme de protecção solar até as zonas mais recônditas”.
“De igual modo não há óculos e outros dispositivos para auxiliar a visão das pessoas que vivem com albinismo, o que é crucial pois as pessoas com albinismo precisam de arranjar empregos decentes e em locais interiores e não ao sol onde são propensos a contrair o cancro de pele. Neste contexto as políticas de educação também devem ser inclusivas”, apelou a perita independente das Nações Unidas.
Para Ikponwosa Ero “o empoderamento das pessoas que vivem com albinismo é importante e com particular foco nas suas mães. Até a data nenhuma das pessoas envolvidas nos crimes contra pessoas com albinismo são mães biológicas, por isso empodera-las é conseguir um aliado para defender a criança”.
“A situação das pessoas que vivem com albinismo é um teste à inclusão social”
Perpetraram os crimes contra pessoas que vivem com albinismo, reportados entre 2014 à esta parte, cidadãos moçambicanos que na sua generalidade disseram ter cometido o crime para traficar as vítimas ou vender as partes do seu corpo a alegados compradores estrangeiros. Ero questionou afinal “quem efectivamente está por detrás destes ataques, onde estão os mandantes”.
“Foi me revelado que as partes do corpo de uma pessoas com albinismo está estimada em vários milhões de meticais, é complexo apurar quem está a demandar por eles. Muitas pessoas em Moçambique acreditam que os mandantes são estrangeiros, mas não há evidências que os estrangeiros estejam sempre envolvidos. O que sei é que todos os que foram detidos e acusados são moçambicanos, com a excepção de um caso. Portanto enquanto não forem encontrados os mandantes a segurança das pessoas que vivem com albinismo continuará precária” lamentou a perita da ONU sobre os direitos humanos das pessoas que vivem com albinismo. Na perspectiva de Ero o actual contexto sócio-político e económico é outra razão da precariedade com que vivem as pessoas com albinismo no nosso País, “existe o risco de por isso ignorarem o drama das pessoas que vivem com albinismo, não obstante, tendo em conta o dimensão da população (de pessoas que vivem com albinismo), não há desculpas políticas ou económicas, não faz também sentido abandonar os êxitos alcançados”.
Ikponwosa Ero, que visitou Moçambique entre 21 de Agosto e 3 de Setembro, para avaliar a situação dos direitos humanos das pessoas que vivem com albinismo, concluiu que “há necessidade de mais cooperação entre os Países da África Austral” e deixou mais um recado para o Governo de Nyusi que as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas têm o objectivo fundamental de não deixar ninguém para trás e “a situação das pessoas que vivem com albinismo é um teste à inclusão social”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

CONTANDO A VIDA 163

CRIANÇAS MORTAS: fotografia e moral cidadã.

José Carlos Sebe Bom Meihy

Muitas vezes, depois que escrevo uma crônica, costumo enviá-la para alguns colegas e ex-alunos, pessoas que conhecem meus dilemas frente a questão do uso da arte na sociedade contemporânea. A generosidade de amigos críticos invariavelmente me ajuda a melhorar o texto, corrigir equívocos, propor novos ângulos. Foi exatamente isso que aconteceu com o texto intitulado “A cara da América Latina sem rosto”. A proposta era mostrar certa tendência presente nas séries feitas por fotógrafos proeminentes, artistas que preferem valorizar paisagens acidentadas, desertos, florestas, nuvens com desenhos dramáticos, mares agitados ou bichos e plantas, tudo em detrimento dos registros dos rostos da população. Sim, a América Latina ainda habita o imaginário universal como um polo estranho e exótico.

Por lógico, nesses exames rápidos, tramito entre as funções da fotografia feita para público, com duas possibilidades mais importantes: de denúncia ou alienação. No primeiro caso, temo que os efeitos visuais – sempre muito bonitos – se prestem à estetização inútil, reduzindo a arte e o motivo da fotografia à mera técnica ou discussão sobre luz, efeito e forma ou composição. No segundo caso, sofro com o excesso de didatismo filtrado por lentes ideológicas demais, sempre atentas à denúncia. Sem dúvida, como tantos, busco o equilíbrio oportuno que esquadrinha combinações pertinentes. No caso da invisibilidade dos rostos da população latino-americana tem sido o “apagamento” que me deixa perplexo e é pela falta que me frustro. Foi, contudo, diante de problemas que avento, sobre a relevância das mostras fotográficas, que uma colega alertou sobre o significado de certas imagens que tem pautado o fotojornalismo em nível internacional. De maneira contundente, disse a interlocutora “ora, professor, veja as fotos das crianças que morrem na travessia do norte da África para a Europa”, e, numa sequência trágica foram anexadas algumas cenas das crianças mortas, tomadas como emblema do drama avassalador que cobre de luto a moral globalizada.  Não bastasse a punhalada crítica, junto a alguns retratos veio o bilhete publicado, mensagem do socorrista alemão, professor de música, de nome Martin, que disse ter visto, dias passados, um bebê boiando na água e o corpo estava “como um boneco, com os braços esticados”. Em continuidade afirmava o voluntário “Peguei o bebê pelo antebraço e puxei seu corpinho para os meus braços na mesma hora para protegê-lo... os braços dele, com aqueles dedinhos, balançaram no ar, o sol bateu nos seus olhos, brilhantes, acolhedores, mas sem vida". E em lágrimas, concluía: “só seis horas antes, essa criança estava viva".

A associação foi imediata, com outra foto, do menino sírio Aylan, de 4 anos, trazido sem vida pelas ondas, numa praia turca, no ano passado. Há outras como o do menino de 5 anos, salvo, mas ferido, em explosão no dia 18 de agosto último em Aleppo, na Siria. A foto rodou o mundo e doeu em muita gente. Frente a tudo isso me permito perguntas que envolvem o fazer fotojornalístico: pode a fotografia dimensionar a notícia fazendo-a cumprir o papel de divulgação? Qual a moral ou o limite expresso pelo apelo à dor? Vale mostrar os corpos infantis em detrimento de outros, de velhos, mulheres grávidas, pessoas com limitações físicas? Antes de provisórias conclusões, lembremos que por trás de cada caso existe um sistema que permite isso, que sabe de traficantes, de violência de toda ordem, de estupros e até de venda de órgãos para pagar o trânsito. E vejam que estamos falando de um total, só neste ano, de 3.171 mortes. Nesse contexto, qual o significado das fotografias dos meninos afogados? E desdobrando a questão volto ao ponto de partida: qual o sentido da construção da invisibilidade dos rostos latino-americanos? Tomara que analistas de fotografia consigam responder. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

TELINHA QUENTE 229

Resultado de imagem para lightfields
Roberto Rillo Bíscaro

A iTV contentou-se tamanho com a audiência de Marchlands (2011), que em 2013 exibiu outra minissérie de casa mal-assombrada, cuja história se passa em 3 épocas. Apesar de haver gostado de Marchlands e saber da existência da sucessora Lightfields, demorei anos pra vê-la. Poderia ter tardado mais uma geração que não teria feito a menor diferença. Irrecomendável.
Em 1944, uma linda campesina morre incinerada no incêndio dum celeiro, depois de haver perdido a virgindade prum soldado norte-americano. Lightfields é o nome da casa que será palco de eventos sobrenaturais em 1975 e 2012, quando residentes de algum modo conectados à morte de Lucy lá se instalam. O fardo do espectador é esperar 5 capítulos em sua maior parte tediosos e desnecessários (daria pra contar a história em 2, estourando, 3) pra resolução insatisfatória duma historinha sem história.
Quando o fantasma garante sustos e/ou suspense, perdoamos aquelas infantilidades de mensagens desconexas escritas em espelhos, mas no mundo de Lightfields, desprovido de suspense ou drama, temos de ser implacáveis. Se a maldita assombração era capaz de compor meia folha em máquina de escrever, porque diabos já não disse logo quem era culpado e quem inocente? A tostada Miss Felwood é bem rápida pra castigar quem a comeu, como se ele fosse o culpado. Por que então esperou 60 anos pra eximir o pobre irmãozinho da culpa que carregava? No fim das contas, Lightfields é tão moralista quanto um slasher oitentista: quem paga é quem transa.
Se você curte casa mal-assombrada, fuja de Lightfields e fique com Marchlands, The Enfield Haunting ou mesmo The Secret Of Crickley Hall, que dá de 10, mesmo não sendo tão boa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

CAIXA DE MÚSICA 235

Il Castello Di Atlante Arx Atlantis album cover

Roberto Rillo Bíscaro

Resiliente é adjetivo apropriado para Il Castello Di Atlante (ICDA). Formada em 1974, quando o rock progressivo era hegemônico culturalmente – e até desfrutava de certo sucesso comercial – a banda não conseguiu gravar nos 70’s. Estreou em LP apenas em 1992, quando nem mais o outrora soberano Yes importava. Desde então, a cada 4, 5 anos reaparece com material novo.
Em abril, saiu o sexto álbum, Arx Atlantis, que encontra o ICDA com a seguinte formação: Aldo Bergamini (guitarra e vocais), Andrea Bertino (violino), Davide Cristofoli (piano e teclados em geral), Paolo Ferrarotti (vocais, teclados e bateria), Dino Fiore (baixo) e Mattia Garimanno (bateria). Ao longo desses mais de 40 anos, não houve significativas alterações na formação. Fiore e Ferraroti, por exemplo, são fundadores.
Arx Atlantis tem cinco longas faixas de prog sinfônico remetendo diretamente ao período áureo. A intenção do ICDA não é descobrir nova pólvora, apenas seguir a tradição italiana de bandas influenciadas pelos ingleses, tipo Genesis, com instrumentação e vocais dramáticos.
As duas faixas iniciais são o que realmente vale a pena. Nom Ho Mai Imparato tem teclados genesianos, com pitadinha de ELP e guitarra granulada com piano Romântico. Os dois instrumentos estão balanceados ao longo do álbum, agradando a fãs de ambos. Antes de ter faixas memoráveis e viciantes já de primeira audição – como os recentes trabalhos do Big Big Train e da The Neal Morse Band – Arx Atllantis tem trechos bonitos, abundantes nesta faixa e na segunda, Il Vecchio Giovane, que inicia vibrante e tem show de violino, trazendo à mente os conterrâneos 70’s do Quella Vecchia Locanda.
Pena que daí adiante, o ICDA perca o fôlego. Ghino E L’Abate de Gligni abre em clima de trilha de western espaguete para tornar-se convencional prog midtempo e media boca. Il Tempo Del Grande Onore tem eficiente guitarra hackettiana, mas demora demais para achar uma melodia linda, que chega muito tarde para salvá-la. Os 16 genesianos minutos de Il Tesoro Ritrovato tem brilhosos trechos de guitarra, insuficientes para um todo derivativo demais, que só pode ser classificado como legal.
Il Castello de Atlante não é uma grande banda e Arx Atlantis um álbum soberbo, mas para amantes de bons momentos de progressivo sinfônico, em um ano de boa safra, dá para ouvir de boa, salvar canções e saudar a continuidade do rock progressivo.

sábado, 10 de setembro de 2016

ALBINO GOURMET 211

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

VOZ DE PRISÃO

Especialista da ONU pede que autoridades de Moçambique prendam autores de crimes contra albinos

A especialista independente da ONU sobre os direitos humanos dos albinos, Ikponwosa Ero, disse na semana passada (3) que, apesar de todo o sucesso alcançado no combate a crimes contra pessoas com albinismo em Moçambique, a situação continua precária e as autoridades do país precisam identificar eprender os autores responsáveis por esses delitos.
"Acredita-se que os autores intelectuais dos crimes operem em uma rede transfronteiriça secreta, no entanto poderosa, semelhante às ligadas ao narcotráfico. Até o momento, nenhum responsável foi preso ou processado, e novas redes podem ainda ser identificadas”, disse Ikponwosa Ero, ao final da sua visita oficial ao país sul africano.
De acordo com o comunicado emitido pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH), Ikponwosa alertou que as investigações devem ser feitas com cautela, de modo a evitar sentimentos xenófobos, especialmente contra os refugiados e migrantes no país.
Durante sua visita a Moçambique, a especialista visitou as cidades de Maputo, Nampula e Beira, e se reuniu com famílias das vítimas dos ataques, com pessoas com albinismo e acusados de crimes contra pessoas com albinismo.
Ela também testemunhou um julgamento em curso envolvendo a tentativa de venda de uma parte do corpo de uma pessoa com albinismo.
Ero ainda elogiou a resposta do governo de Moçambique à crise até agora enfrentada por pessoas com albinismo, ressaltando especialmente o plano de ação contra ataques e o uso de mecanismos pré-existentes, tais como grupos de referência. No entanto, ela advertiu que o plano precisava ser totalmente implementado, a fim de ter um impacto duradouro.
“Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas têm a meta fundamental de não deixar ninguém para trás. Isso certamente significa não deixar nenhuma pessoa com albinismo para trás. Espero que a dinâmica alcançada por Moçambique continue, para proteger os direitos das pessoas com albinismo, mesmo em face dos desafios econômicos e políticos.”
Após a visita a Moçambique, a especialista irá produzir um relatório completo com suas observações, que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em março de 2017.
De acordo com as Nações Unidas, a discriminação e a estigmatização das pessoas com albinismo existem em diferentes graus em todo o mundo. O albinismo é muitas vezes submetido à mistificação, provocando crenças e mitos.
Em 2013, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou uma resolução apelando para a prevenção de ataques e discriminação contra as pessoas com albinismo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

CONTANDO A VIDA 162

MEU BRASIL BRASILEIRO...

José Carlos Sebe Bom Meihy
Para Eliana Malta.

Seria difícil imaginar o que Ary Barroso quis dizer com a frase “meu Brasil, brasileiro”. O samba gravado para o carnaval de 1939, exatamente no momento da tensão que se arrebentaria na eclosão da Segunda Guerra Mundial, interna um conteúdo nacionalista inegável e coerente com o tempo. Por lógico, justificava-se naquele então o uso de bandeiras e a sagração do verde/amarelo como forma de expressão de amor à pátria. Isso me veio à cabeça por ocasião das manifestações políticas recentes e em particular pela retomada “patrioteira” encerrada no slogan do atual governo do PMDB. O lema “ordem e progresso”, derivado do esvaído positivismo comteano, me leva de volta ao significado “cívico” dos velhos tempos. Sim, é importante insistir nos chamados “velhos tempos”, e trazer à baila algumas incompatibilidades entre o passado e o presente.

O mundo moderno, com seus avanços eletrônicos, sugere vivência das mudanças. Nem dá para imaginar nossas vidas sem computadores, celulares, internet. Enfim, em tão pouco tempo assimilamos algumas situações que pareciam loucas há trinta anos. Outro dia conversava com meu filho que se lembrou, por exemplo, da primeira vez que viu um código de barras ou usou o controle remoto para a televisão. Parece que séculos foram acelerados com um toque de botão forward.  Mas então, como conciliar tantos arrojos técnicos com retomadas culturais e políticas tão conservadoras? Foi pensando nisso que retomei o teorema central da vida brasileira hoje: desafios modernos com conservadorismo tacanho. Confesso que me é difícil supor que as duas pontas sejam do mesmo novelo, contudo, meu dever de historiador implica entender os fatos para explicá-los. Munido do dever de clareza, lembro que abrigamos em nosso país as maiores polarizações do planeta. Tendo em conta o Índice de Gini – o mais importante instrumento matemático para mensuração das condições de renda e qualidade de vida das populações – nota-se que o Brasil compreende ao mesmo tempo o índice mais elevado e a média mais baixa da Terra, tudo junto. Há em muitas de nossas cidades e até no campo, algo igualável ao padrão de vida dos países escandinavos, com atendimento médico e escolar, com soluções de mobilidade e moradia comparáveis a Suécia, mas... mas, há também bolsões de miséria em equiparação aos dramas de Niger, na África, pior país avaliado no ranque de 188 países avaliados pela ONU.

Mesmo para nós brasileiros é quase imperceptível constatar tais abismos. De tal maneira estamos acostumados com a indigência que mal a enxergamos. Nos é muito mais glamoroso notar o progresso e o desenvolvimento arremedado dos ditos “países desenvolvidos” ou do “primeiro mundo”. E assim também não vemos que nossas elites são constituídas majoritariamente de homens, brancos, de alta renda, integrados nos esquemas da norma culta. A tal ponto chegamos que hoje a judicialização da política rebaixa os poderes executivos e legislativo. Ainda que a maioria da população seja constituída de mulheres, pagamos o vexame de ser um dos poucos países sem representação no primeiro estágio de governo. E o que dizer dos negros, banidos das lideranças, inclusive das forças armadas e do clero católico? Tudo, diga-se, em nome da meritocracia. A chamada competência tem se mostrado incompetente para reconhecer que democracia é lugar de todos. De todos, sem distinção de gênero, raça, credo, orientação sexual, nível de ensino. Aliás, vale recordar que até a constituição de 1988, analfabeto não podia votar. Caberia a eles pagar impostos, serem sujeitos às penalidades legais, mas votar não. O avesso dessa condição também intriga, pois se ter “cultura” significasse algo, séculos de dominação governamental comandada pela tal elite nos teria colocado no suposto “berço esplêndido”.  

Vale notar que muitos decantam a pluralidade como virtude da cultura brasileira. A “mistura” emblemada na “democracia racial” seria como nossa digital, marca única no mundo tão homogêneo, mas, na prática, em termos políticos, na realidade das representações, temos o inverso. É exatamente essa contradição que me faz perguntar do “Brasil, brasileiro” onde foi parar o “mulato inzoneiro”, e, sem poder “cantá-lo em meus versos”, dirijo a pergunta exatamente para os que se ufanam de usar o verde/amarelo e saúdam um governo que não foi eleito pelo povo: é esse mesmo o tal “Brasil, brasileiro?”

terça-feira, 6 de setembro de 2016

PERIGOSO PRA ALBINOS

Mais de cem ataques contra pessoas com albinismo em Moçambique
Especialista sobre direitos de pessoas com albinismo disse hoje em Maputo que se estima terem ocorrido em Moçambique mais de cem ataques contra esta minoria desde 2014, mas o número real é uma incógnita e pode ser superior.

Falando em conferência de imprensa no final de uma visita de trabalho a Moçambique, Ikponwosa Ero, nigeriana e ela própria portadora de albinismo, disse ter chegado a essa estimativa a partir de relatos dos contactos com organizações não-governamentais, em crimes associados a tráfico e venda de partes do corpo.
Em 2015, segundo dados oficiais apresentados pelo Governo, 47 albinos foram alvo de ataques em Moçambique, tendo sido indiciados 91 suspeitos de envolvimento e condenados oito acusados.

TELINHA QUENTE 228

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Roberto Rillo Bíscaro

Atores são meu chamariz primeiro pra selecionar o que ver. (Sub-)Gêneros também são de importância e admito xodó por alguns países, que deixo pra vocês fazerem as estatísticas na seção de TV e concluírem por si sós. Os 3 capítulos da minissérie Fallen Angel (2007), da ITV, caíram no meu colo, porque Charles Dance estrela. Ele entrou pro meu panteão, quando vi BleakHouse e muito da motivação pra enfrentar as 5 temporadas de Game of Thrones veio pelo britânico. Em Fallen Angel ele está ótimo como o pai da protagonista psicopata.
Baseada numa trilogia que não li e nem tenciono, Fallen Angel me interessou porque subverte o subgênero dos romances passados em pacatas cidades provincianas ao redor da casa pastoral. Já resenhei um romance sem graça dessa estirpe (leia aqui), com suas senhoras dedicadas a levantamentos históricos da comunidade e narrador levemente irônico, mas sobretudo disposto a contar sobre os casamentos das moçoilas de família.
Fallen Angel tem todos esses elementos, mas a mocinha de família, filha do pároco, vira psicopata nesse ambiente idílico, ao redor duma catedral, cercada por casas senhoriais, solteironas querendo seu papai e clérigos. Mas, por trás daquela vida calma idealizada mesmo pelos narradores cuja maior “rebeldia” é a ironia, reside um clima de frieza, convenções, tédio e falsidade que pode acionar o gatilho dos predispostos a se tornarem sócio ou psicopatas.
Outro ponto de interesse é que a história é contada de trás pra frente, como se a forma replicasse a subversão do tema tão familiar. Pena que o capítulo primeiro, com Rosie já psicopata adulta seja o mais fraco; isso pode espantar espectadores dos seguintes, bem melhores.
Com um Dance distinto em cada capítulo, Fallen Angel interessa mais pela inversão que proporciona, mas vale mesmo pros não iniciados em cultura inglesa. A construção – ou desconstrução? – da personalidade de Rosie absorve.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

ZOOFILIA COM ORCA


Orca albina, espécie considerada rara, é encontrada após quatro anos sumida


Uma orca albina, espécie considerada rara por cientistas, foi encontrada, nesta semana, nadando perto das Ilhas Curilas, que formam um arquipélago vulcânico no extremo oriental da Rússia, após quatro anos sem ser vista. O mamífero marinho, batizado de Iceberg, foi fotografado pelo pesquisador americano Erich Hoyt, que faz um trabalho com animais da espécie. As informações são do jornal "Daily Mail".
De acordo com especialistas, apenas uma em cada 10 mil orcas são completamente brancas - neste caso, albinas. Por isso, cientistas sempre quiseram acompanhar o crescimento de Icerberg, um macho visto pela primeira vez quando tinha 16 anos, em 2010. Em 2012, o animal desapareceu e pesquisadores temiam que ele pudesse ter morrido. Por isso, ficaram felizes com o reencontro.
Segundo Hoyt, os cientistas pretendem agora ficar de olho no animal e saber como ele tem sobevivido todo esse tempo. "Queremos descobrir mais sobe Iceberg. Queremos saber como ele conseguiu sobreviver como uma orca albina", disse Hoyt.
Em uma rede social, o pesquisador divulgou fotos do animal raro. Veja:

CAIXA DE MÚSICA 234

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Roberto Rillo Bíscaro

Ter passado a adolescência/juventude ouvindo inglesas como Helen Terry, Anne Lennox, Lisa Stansfield e Alison Moyet abriu meus ouvidos pro rhythm’n’blues, soul e gospel, dentre outros subestilos de música negra. Essas branquelas morriam de vontade de ser Aretha Franklin ou Chaka Khan. A paixão com que cantavam frequentemente contrastava com a gelidez dos teclados new wave/synthpop e esse descompasso é um dos traços formais mais interessantes de grupos como o Yazoo, por exemplo, além de provavelmente ter contribuído pra sua dissolução.
A quantidade de divas negras na Caixa de Música testemunha e corrobora esse amor por gritaria. De blues mais rasgado nunca consegui ser tão fã e se é cantado por varão, acho até chato (embora reconheça a importância). Mas, se é rhythm’n’blues e mulher, procuro conhecer. Foi o caso de JJ Thames, que nasceu na Motowniana Detroit, mas faz um som super Delta do Mississippi, mas com influxinho pop às vezes.
A biografia de Thames é cheia de lances-pratos-cheios pra construção da figura da cantora sentida de blues: já morou em abrigo pra sem-teto com os filhos, cantou no metrô de Nova York, teve que largar a carreira pra ganhar trocados como gerente de restaurante pra sustentar as crias. Enfim, a ainda jovem JJ já demonstra na rica voz a carga de poucas e boas por que tem passado.
Longe dos badalados centros musicais de LA e NYC, JJ Thames vive em Jackson, Mississippi e grava pela independente Dechamp Records, por isso não frequenta a mídia grande, mas nos sites de blues e blogosfera alternativa, é considerada forte promessa de dama.
Em abril de 2014, JJ estreou no mundo fonográfico com Tell You What I Know, cuja faixa-título encerra em tom autobiográfico um álbum composto de blues e souls lentos, em sua maioria.
A abertura, Souled Out, não deixa dúvidas sobre a história de e tradição na qual Thames se insere: mencionando Motown (Detroit) e Mississippi e dizendo que contará sua história, a cantora já mostra do que é vocalmente capaz num gospel, sucedido por Hey You, blusão com gaita rasgada e tudo, daqueles que dá pra constatar bem por que o rock veio dessa matriz. A sexy I Got What You Need também tem gaita envenenada e é rhythm’n’blues com banjo, o que dá gostinho bluegrass no fundo. My Kinda Man é soul, cuja letra é meio estranha em 2016, por se inserir na tradição da adoração ampla, total e irrestrita pelo soberano macho. Mas, tudo bem, deve ser só postura estética, pela bio de JJ Thames. Can You Let Somebody Else Be Strong é linda balada gospel, enquanto I’Ma Make It tem seu espírito funk no blues.
Tell You What I Know é visceral sem exagerar na gritaria (e JJ Thames tem tórax pra isso) e mistura diversos elementos de black music sem soar datado, porque a produção é moderna, mas é cru demais pra púbico estritamente pop. 
Mês passado, saiu o segundo álbum, Raw Sugar, mais diversificado, porque apresenta algumas canções mais energéticas e agitadas e com uma JJ Thames ainda mais senhora de seu poderio vocal; soltando a voz onde precisa, mas ainda sem cacoetes de diva esgoelante  (não que eu tenha algo contra). A crueza do açúcar titular pode ser comprovada no bluesão à BB King da faixa-título e de Bad Man, I Don’t Feel Nothing ou Woman Scorned, esta não desagradando nem a fãs de Lisa Stansfield. Um dos trunfos de Thames é manter a “crueza” do blues, mas temperá-lo com aquela diversidade que parte do público mais popificado tanto preza. Nessas e em outras faixas, sobressai a guitarra do também produtor Eddie Cotton, mas jamais perde-se o foco: o destaque está na multinuançada voz de JJ.
Como no predecessor, Raw Sugar abre com um spiritual clamando por proteção divina a uma jornada. Na origem escrava do blues, essas letras sempre tiveram duplo sentido. A viagem pode ser a vida, mas também conta-se que nas plantações de algodão sulistas, os escravos usavam tais canções para combinar ou se referirem a planejadas fugas. Mito ou verdade, não sei, mas é bonito o significado.
Ao lado desse blues mais tradicional, lufadas Motown em I Wanna Fall In Love ou a deslizante brisa What’s Going On(ica) de Leftovers, puro Marvin Gaye. A letra dessa contrapõe-se à subserviência ao macho do álbum anterior, posto que Thames canta que quer um bofe só dela, não se contenta com restos de outra. Essa assertividade já se manifestara no bluesão I’m Leavin’, onde abandona um relacionamento destrutivo. O quinhão autobiográfico revela-se na balada Plan B (Abortion Blues), sobre a dureza de se decidir pela interrupção duma gravidez. Hold Me é uma valsa soul super 70’s e Hattie Pearl é rhythm’n’blues de orgulhar Ike and Tina Turner. E o rock veio do blues! Entre tanta coisa boa, o arraso fica pra balada soul gospel Only Fool Was Me, onde Thames e o saxofone estraçalham.
Se seguir na linha ascendente indicada pelo par de álbuns, JJ Thames virará diva do blues, independentemente de a grande mídia badalá-la. 

domingo, 4 de setembro de 2016

SUPERAÇÃO PELA ESCRITA

Ter como diagnóstico uma doença como o câncer, é para muitas pessoas uma oportunidade de renascer para a própria vida. Acompanhe a história da publicitária, Eliana Locatelli, que escreveu um livro que conta como ela superou a doença. Assista ao vídeo: