quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

TELONA QUENTE 224


Roberto Rillo Bíscaro

A terceira temporada de Ash Vs. Evil Dead está prestes a estrear (sabiam que a primeira está na Netflix?), talvez por isso tenha me dado crise de A Morte do Demônio. Saída? Procurar documentário no Youtube, claro! Achei The Evil Dead: One by One We Will Take You - The Untold Saga of the Evil Dead (2007).
Os anos 1970 foram ainda dourados para os cines drive in: 25% da produção cinematográfica destinava-se a eles, infames por absorverem filmes trash de qualquer subgênero, dentre eles o horror. Assim, meninos talentosos com pouco dinheiro e câmera na mão produziram com baixíssimo orçamento clássicos como O Massacre da Serra Elétrica e Halloween (este último não pra drive in, porque a pegada é mais intimista).
Um desses moleques era o hoje megafamoso e nadando em verba Sam Raimi, que em 1981 desceu com sua diminuta equipe pruma cabana em ruinas no meio duma floresta norte-americana no gélido outono e lá rodou seu Evil Dead (1981), que, graças ao mercado de aluguel de fitas VHS dos anos 80 e 90 tornou-se cult e influenciou um bocado de diretores.
The Evil Dead: One by One We Will Take You - The Untold Saga of the Evil Dead reúne elenco (menos Bruce Campbell), equipe técnica e de produção (exceto Raimi) e influenciados, como Eli Roth (diretor de Cabin Fever) e Edgar Wright (de Shaun Of The Dead) pra discorrer sobre a concepção, escolha de elenco, efeitos especiais e o legado desse filme que ainda impressiona, com relação ao fluido uso da câmera percorrendo a floresta e se aproximando do casebre, representando o ponto de vista dos espíritos.
As atrizes relatam como sofreram pra gravar cenas e foram “enganadas”, no caso do infame (mas clássico, delicioso, impagável) estupro pelos arbustos. Como alguém lembra: “naquela época podia-se fazer muito mais com as mulheres do que agora”. Ellen Sandweiss e Betsy Baker não reclamam, porém. Afinal, era realmente outro mundo e meu, estão em um clássico indiscutível.
É o típico documentário congratulatório, que nós fãs esperamos: Sam e Bruce são maravilhosos, talentosos, gostosos e gentis (mas não toparam participar do projeto, sei) e saboreamos várias anedotas das condições precárias de gravação, além das condições de produção e recepção da época.
Democracias onde a liberdade de expressão impera sacrossantamente, como a Suécia e a Alemanha, proibiram The Evil Dead e na Grã-Bretanha, Sam Raimi foi levado aos tribunais. Na época das locadoras de vídeo, parte do Reino estava em cruzada contra os video nasties, ou seja, filmes nojentos, repulsivos de qualquer espécie. Tanta censura e proibição só ajudou no marketing boca a boca d’A Morte do Demônio, que na época parecia ter status de filme que vinha do próprio inferno. Lembro-me bem, porque meninos, eu vi em VHS e a reação da plateia na pequena Penápolis foi igual à descrita no documentário, em Nova York, França ou Espanha: povo gritando coisas tipo “mata ela, mata ela” ou rindo muito.

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