domingo, 15 de novembro de 2015

TRAVESTI DA SUPERAÇÃO

O PROJOVEM URBANO é um programa do governo federal, que tem por objetivo, elevar a escolaridade de jovens com idade entre 18 e 29 anos, que saibam ler e escrever e não tenham concluído o ensino fundamental, visando à conclusão desta etapa por meio da modalidade de Educação de Jovens e Adultos integrada à qualificação profissional e ao desenvolvimento de ações comunitárias com exercício da cidadania.
Conheça a história de superação d Alessandra Rodrigues, 29 anos, aluna da Escola Estadual Bonifácio Camargo Gomes, do município de Bonito, que cursa o PROJOVEM URBANO e representou o Mato Grosso do Sul em uma Conferência Nacional com tema “Avanços e perspectivas”, do ministério da Educação, agorinha, no começo de novembro.

sábado, 14 de novembro de 2015

LEVE DEMAIS

Comissão dos Direitos Humanos considera insuficiente punição de crimes contra albinos em Moçambique

Comissão dos Direitos Humanos considera insuficiente punição de crimes contra albinos em Moçambique

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) de Moçambique considerou hoje que o recurso a medidas punitivas contra os ataques a albinos não será suficiente para travar o problema, defendendo a aplicação de ações preventivas.

O presidente da CNDH, Custódio Duma, advogou a necessidade de o país se mobilizar para a prevenção contra a perseguição aos albinos, falando na conferência de imprensa de lançamento da Campanha Contra o Ataque, Tráfico e o Assassinato de Pessoas com Albinismo.
"Há, por parte das instituições do Estado, ações coordenadas contra os ataques aos albinos no âmbito da ação legal, são ações do lado criminal, mas não será só com a punição que se irá travar esta situação", afirmou Duma.
O combate à onda de violência contra albinos no país, assinalou o presidente da CNDH, passa também por ações de prevenção e conhecimento das causas por detrás do fenómeno.
"O maior combate não é através da reação criminal, é a prevenção, é necessário que se retirem as causas que estão na raiz do problema", frisou Custódio Duma.
O presidente da CNDH apontou a cooperação com a Tanzânia, país indicado como local de origem dos ataques a albinos, como essencial para o estancamento do problema.
"É verdade que a cooperação com a Tanzânia é essencial para que o combate a este mal seja eficaz, é por isso que a CNDH está em contacto com a sua congénere tanzaniana, porque eles estão avançados no conhecimento deste fenómeno", frisou Custódio Duma.
No âmbito da campanha hoje lançada, a CNDH vai distribuir cartazes promovendo mensagens sobre a dignidade dos albinos, maioritariamente nas províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, no norte do país, a primeira por registar a maioria dos casos de ataques a albinos, e as duas últimas porque fazem fronteira com a Tanzânia.
O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos de Moçambique, Abdurremane Lino de Almeida, disse na semana passado no parlamento que 47 albinos foram alvos de ataques este ano em Moçambique, alguns dos quais resultaram em morte, tendo sido indiciadas 91 suspeitos de envolvimento e condenados oito acusados.
Almeida afirmou que a repressão aos crimes contra albinos está a ser dificultada pelo facto de a maioria dos indiciados não denunciar os mandantes.
As autoridades moçambicanas dizem que os autores dos ataques contra albinos procuram partes do corpo das vítimas para fins supersticiosos, acreditando que podem enriquecer por passarem por ritos em que são usadas órgãos daquelas pessoas vítimas de problemas de pigmentação da pele, olhos e cabelo.

ALBINO GOURMET 188

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MÃO ELETRÔNICA BEM MAIS EM CONTA

Prótese 3D criada na UFG é 30 vezes mais barata que produtos similares


Peça custa R$ 5 mil; aparelhos que estão no mercado chegam a R$ 150 mil. 
Pesquisadores já estão testando ‘mão eletrônica’ em paciente com síndrome.

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Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) em Catalão, no sudeste do estado, estão desenvolvendo uma prótese 3D destinada a pessoas que tiveram a mão amputada ou nasceram com má formação. O grande atrativo da peça é o preço, que chega a ser até 30 vezes menor que os produtos similares encontrados no mercado. A ideia é oferecê-la a pessoas de baixa renda.
Os equipamentos são feitos em impressoras 3D. O material usado é chamado de polímero, uma espécie de polímero. Segundo o coordenador do projeto, Marcelo Stoppa, a ideia é colocar micromotores na palma da mão de forma que a prótese seja leve e fique confortável.
“A prótese eletrônica comercial custa em torno de R$ 150 mil. A gente consegue fazer no laboratório por menos de R$ 5 mil, já com motor e a parte eletrônica toda funcionando”, explica.
Um aplicativo de celular é usado para mover a mão eletrônica. Porém, outro modelo, que não é eletrônico, também foi criado e é indicado para crianças. Ela se mexe através da força do punho.
A primeira pessoa a testar a prótese vai ser uma estudante da própria UFG. Aluno de pós-graduação, Semebber da Silva Lino possui Síndrome de Moebius, distúrbio raro que compromete a expressão facial, gera dificuldades na fala e deficiência nos pés e mãos.
“Com a prótese, a gente vai ter melhores condições de fazer alguns tipos de movimentos, tipo jogar dama. Quem sabe pegar as peças de dama e brincar com as duas mãos, como qualquer pessoa que não tem deficiência física”, espera.
Participante do projeto, o aluno Lisias Carneiro Camargo está animado com o projeto, principalmente por ver a teoria virando realidade. “A empolgação é essa. Você ver em prática aquilo que só tinha na mente, até então só planejado. Aqui você coloca em prática”, diz.
protese

FIRMAS DO MAL

Empresários tanzanianos por detrás do rapto de albinos


A Polícia da República de Moçambique (PRM), neutralizou um garimpeiro de 40 anos de idade, em Cabo Delgado, que teria ordenado a três indivíduos indiciados de terem desenterrado ossadas de um albino falecido em 2011, em Massinga, província de Inhambane.
As ossadas foram encomendadas por um empresário tanzaniano, através do moçambicano ora neutralizado, encontrando-se desde esta quarta-feira nas celas da PRM em Massinga. O neutralizado refere que o empresário tanzaniano pagaria cerca de quatro milhões de meticais pela ossada.
O Comandante da PRM em Massinga, diz que as investigações prosseguem visando a localização de outro empresário tanzaniano, alegadamente, considerado principal mandante.
http://noticias.mmo.co.mz/2015/11/empresarios-tanzanianos-por-detras-do-rapto-de-albinos.html#ixzz3rMtUuZJg

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

TELONA QUENTE 134

Roberto Rillo Bíscaro

A televisão pôs fim às longas matinês de sábado nos cinemas norte-americanos, pronde iam milhões, predominantemente jovens, ver filme, mas antes havia o noticiário, um desenho e um serial, pais das atuais séries de TV. 12 ou 15 capítulos de uma história cuja trama necessariamente era simples, porque não se podia contar com assiduidade ou mesmo concentração por longo tempo do público. Qualquer que fosse o sub-gênero a que se filiasse, na maioria dos capítulos tudo se resumia a correrias de gato e rato atrás de algo.
Em 1952, quando a Columbia Pictures destinou migalhas de orçamento pra produzir Blackhawk (Falcão Negro), os serials agonizavam. A TV se popularizava rapidamente nos economicamente bem-sucedidos Anos Dourados (SIC) e a telinha já produzia suas séries. Além disso, a maciça movida aos subúrbios residenciais e a crescente atomização da diversão esvaziaria progressivamente os cinemas.
Blackhawk é baseada em personagens de quadrinhos muito populares nos 40’s e começo dos 50’s. Os Falcões Negros eram ases da aviação que realizavam altas proezas durante a II Guerra. Outra desvantagem pra esse serial: a ficção-científica e os discos-voadores e invasões alienígenas tornaram-se a bola da vez na década, afinal, os novos inimigos eram os comunistas e não mais os nazis.
Malgrado desvantagens, os 15 capítulos em branco e preto oferecem diversão e aqueles momentos preciosos que a “cultura de massa” oferta como nenhuma outra: um sujeito é feito refém numa cabana de 2 cômodos, está sob vigilância o tempo todo e fica lá por não muito tempo, mas consegue deixar na parede uma mensagem em código Morse aos demais falcões. Se você curte isso, esconderijos vários que parecem o mesmo (e são porque a produção não tinha grana), muita luta corporal toscamente coreografada e de ser “enganado” nos cliffhangers, então Blackhawk é pra você.
O enredo é as idas e vindas dos Blackhawks e de inimigos pela posse dum combustível poderoso, o Elemento X. Jamais nomeados como comunistas, a produção descreve os últimos como “vermelhos”, “subversivos”, “cegos de devoção a um partido e não a causas individuais”, então nos paranoicos 50’s, todo mundo entendia que os malvados eram comunas. E o que dizer de nomes como Boris e Laska?
Blackhawk tem quase todas as características formais de um serial “ideal”, inclusive um chefe-vilão cuja identidade só conhecemos no derradeiro capítulo. Não há, todavia, aquele capítulo onde muito da trama é relembrado pra situar os eventuais desavisados na plateia, mas também pra economizar nos gastos – e essa era a principal razão, não se iludam. No serial em resenha, o orçamento era tão débil que a maioria da ação se passa no chão, apesar dos protagonistas serem aviadores de combate.
O blackhawk principal e que por conseguinte ganha o direito de ser chamado Blackhawk é interpretado por Kirk Alyn e a antagonista, por Carol Forman, respectivamente o Super-Homem e sua inimiga glacial no primeiro registro cinemático do Homem de Aço (resenhado aqui).

Não dá pra indicar como essencial, mas se você é fã do Super-Homem, Anos 50 ou é completista, Blackhawk mereceria sua atenção. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CONTANDO A VIDA 131

Nosso chiquérrimo historiador-cronista está em turnê acadêmica por países europeus, mas deixou um gracioso texto sobre a sexualidade e felicidade na estereotipadamente regrada Suíça. Diz que lá o pessoal está muito feliz com sua vida sexual. Mais do que no Brasil. Será? Como? Por que? 

UM LUGAR NO MUNDO PARA SER FELIZ?

José Carlos Sebe Bom Meihy

Estas análises sobre os locais onde as pessoas são mais felizes sempre me pareceram surrealistas e fora de propósito. O curioso, porém, é que elas funcionam e me seduzem como um esdruxulo polo de atração. Acontece o mesmo com horóscopos, invariavelmente eu os leio, ainda que imediatamente os despreze. Mas no caso dos tais “países mais felizes do planeta”, algo me inquieta muito, sei lá porque. Recentemente li uma reportagem que inscrevia a Suíça entre os locais mais afortunados, também em termos de satisfação de viver. Sempre gostei muito da Suíça e reconheço suas belezas em plena sintonia com a calma e civilidade da população. Os campos suíços são perfeitos, as vaquinhas iguais às das propagandas de leite, o chocolate é imbatível, e os queijos insuperáveis. E há vinho bom, culinária deliciosa e flores belíssimas. Mas, em termos de realização, sempre achei o povo muito protocolar, tipo certinho demais, até quadrado, tudo seria muito previsível, sem grandes acontecimentos. De toda forma, algumas de minhas cidades favoritas na Europa são suíças: o trato dado ao passado histórico, em particular às ruinas medievais é fascinante. Que dizer dos museus e praças sempre tão aprimorados e em funcionamento irrepreensível? Aliás, tudo dá certo na Suíça, principalmente as indicações de lugares, distâncias e custos. Pois bem, vivia o paradoxo da beleza versus a rotina da funcionalidade absoluta suíça quando li que agora aquele país figura entre os mais felizes do mundo, inclusive sexualmente falando. Confesso que fiquei espantado, pois em meu repertório de julgamentos, os suíços figuravam como seres quase inanimados. Parece que fui injusto e que errei feio. As estatísticas provam o contrário segundo diz uma pesquisa que consultou 26 mil pessoas de 24 países. A conclusão é que a Suíça está no pódio, em primeiro lugar, segundo a satisfação dos parceiros sexuais. E olhem que o quesito mais celebrado remete ao item “frequência”. Vendo a lista dessa bizarra classificação, logo fui procurar nosso lugar. Por lógico, fiquei desapontado em ver que nós brasileiros, não estamos em primeiro lugar, apesar de nossa reputação que convidaria a supor primazia. Mas, também não fiquei de todo frustrado ao constatar que antes de nós, além da decantada Suíça, estão apenas a Espanha e Itália. Devo registrar que me satisfez muito pensar que países como os Estados Unidos e a Inglaterra amargam, respectivamente, o décimo primeiro e décimo segundo lugar. A lista seguinte ao nosso terceiro lugar compreende, por ordem, Grécia, Holanda, México, Índia, Austrália, Nigéria, Alemanha e China.
 A pergunta que não quer calar, porém, remete ao questionamento lógico: o que faria o suíço tão pleno de suas potências sexuais: Seria a estabilidade econômica? A tranquilidade da vida sem a violência rotineira dos demais países? O clima? A ausência de pobreza extrema? Dando asas à imaginação vislumbrei algumas possibilidades: a educação sexual nas escolas; a profissionalização regulamenta da prostituição; a leniência com a pornografia e, sobretudo, o respeito às diferenças e orientações. Vislumbrando essas informações recordei de um velho e estereotipado mote que rezava que, tomando a Europa como cenário, no céu os mecânicos seriam alemães; os cozinheiros franceses; os amantes italianos, os policiais ingleses, e, finalmente, os banqueiros suíços. Se fosse levado em conta o reverso, no inferno os banqueiros seriam italianos, os mecânicos franceses; os cozinheiros ingleses e os amantes suíços. Então, pergunta-se o que mudou? E creio que a melhor resposta é um convite para verificar in loco o que se passa. Notem que eu sugerir verificar, sem a obrigatoriedade da comprovação experimental.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

TELINHA QUENTE 185

Roberto Rillo Bíscaro

O sub-sub-gênero Shark Movie segue crescendo e o canal SyFy é o principal propagador dessa cadeia trash, da qual assisto apenas a ponta das barbatanas. Se fosse ver todos os [Mega-]Tubarão Versus Não-Sei-Quem/Que, desperdiçaria mais de meu tempo livre do que conveniente. Junto com a produtora Asylum, o SyFy constrói a mina d’ouro pros futuros caçadores de lixo e defeitos especiais.
Falando em detritos, a “história” de 3-Headed-Shark Attack (2015) está entupida deles. Devido à poluição marinha, o temido tubarão branco muta-se em monstrengo de 3 cabeças regenerativas do tamanho duma baleia. Mesmo tão grande o peixão consegue esgueirar-se por aberturas numa estação científica submarina, que, claro, consegue destruir. Só não dá conta de abalroar o barquinho onde os protagonistas fogem, mas consegue eliminar um iate 3 vezes maior. Tem hora que ele parece um cetáceo mesmo, pra de repente pular tal peixe-voador e cair certinho no convés duma pequena embarcação, cabendo perfeitamente lá. Sem unidade de ação? Cara, trata-se dum tubarão de 3 cabeças que toma overdose de lixo, o que você espera?
Esses filmes saem barato, porque é tudo à base de computação gráfica e próteses (ambas vagabundas) e o elenco é de “atores” qualquer nota. Sempre tem uma celebridade decadente ou ator de segundo escalão. Neste, o septuagenário mexi-americano Danny Trejo, reprisando seu papel de durão pela enésima vez.
2-Headed-Shark Attack foi mais “original”, mas se você não conseguir a matriz, este 3 entretém numa tarde chuvosa, nem que seja só pra caçar os inúmeros erros da produção.


A moda dos zumbis, tão popular que informa até Game of Thrones e redefine Razão e Sensibilidade, não podia ficar de fora do salgado mundo dos tubarões. O SyFy vez mais se superou e exibiu Zombie Shark (2015), produção tão vagabunda que faz algumas outras da emissora parecerem superprodução.
Tentando desenvolver um modo de recuperar partes amputadas de soldados, uma cientista testa seu medicamento num tubarão batizado de Bruce. Algo sai errado, o peixão – que também ficou mais inteligente devido ao produto químico – escapa, morre, mas revive como zumbi. Começa a morder tudo que encontra, e, como bom zumbi, transfere sua zumbidade pros mordidos.
O deflagrador da aventura é a viagem que 4 jovens fazem a uma ilha supostamente isolada, na qual ficam sitiados por causa duma tempestade. Mas, vemos um monte de casas não muito ao longe, o cais está repleto de embarcações, repórter chega ao local, um sargento também e, pior, jamais vemos qualquer sinal de tempo nublado de chuvinha sequer. A computação gráfica deve ter sido feita num zumbificado 486. Guardadas as limitações tecnológicas dos anos 50, diversos filmes daquela década são melhores que Zombie Shark, que sequer consegue ser divertido. Esses tubarões do SyFy Channel literalmente nadaram no lodo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

CAIXA DE MÚSICA 191

Roberto Rillo Bíscaro

Em 1996, apaixonei-me pelo estrondoso sucesso de Un-Break My Heart, de Toni Braxton, demolidora balada R’n’B que tornou a norte-americana um dos ícones da black music nos 90’s. À parte um par de outras informações/canções, nunca soube de Braxton – a não ser que faliu. Sabia que era diva, famosa, vendedora de milhões de álbuns, mas só isso; quase jamais penso nela. Até que no início do mês passado vi o nome Tamar Braxton numa lista semanal de lançamentos.  
Ao pesquisar se valia a pena arriscar pelo sobrenome, teria me surpreendido com o quanto não sei sobre celebridades, se já não estivesse cônscio disso há mais dum decênio. Em 3 minutos, aprendi que Tamar é a irmã caçula de Toni, tem reality show, linha de moda (sei lá se roupa ou acessórios) e que Calling All Lovers era já seu quarto álbum e que estava muito bom. Decidi ouvir pelo Braxton, por ser R’n’B e por ser diva gritona. Não me arrependi. Tamar não é discreta como Lizz Wright ou Maysa Leak; Baby Braxton berra.
A Deluxe Edition tem 16 canções e se padece de defeito é que como a maioria é balada, a produção é meio igual e estão muito próximas, às vezes são meio indistintas umas das outras. Tamar tem em comum com K.Michelle o griteiro, a fama nos reality shows e um álbum sem música dançável. Momentos mais animados aparecem na funky Must Be Good To You e na deslizante Catfish. Quase todo o resto é balada R’n’B contemporâneo com destaques pro vocal desesperado de If I Don’t Have You e King, com sua melodia ao piano.
Calling All Lovers entrega o conteúdo pelo título que remete mesmo a romantismo, mas a frase que nomeia o álbum está em Angels & Demons, meio reggae/dancehall. Outra das raras variantes rítmicas é Simple Things com seu apelo gospel no instrumental quase retrô. Pena que no final, Braxton tenha colocado um monólogo tão tontinho, dizendo que não é preciso se matar por bens materiais. Até aí tudo bem (mesmo descontando a ironia do que li a respeito de sua personalidade), mas quando começa a dizer que o casal deveria se contentar por ter um telefone pra se falarem toda hora, tive que rir.
Intensas canções de amor, um par de delícias deslizantes e vocais esfuziantes fazem de Calling All Lovers imperdível pra amantes de divas negras. Se jogue.

domingo, 8 de novembro de 2015

CASAL SUPERAÇÃO

Conheça a história de Aumeria e Elivaldo; ele nasceu com glaucoma e ela com paralisia infantil, mas superaram obstáculo atrás de obstáculo e se casaram. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ESPETANDO BINO

ESCOLAS PRIVADAS E DEFICIÊNCIA

A negativa de matrícula em instituições privadas de ensino: uma conduta ilegal conduz a uma reflexão necessária

Roda de bonecos brancos, um vermelho destaca-se.
Por Rosângela Machado *

É recorrente a situação da conduta ilegal e atentatória aos direitos
fundamentais da pessoa humana praticada por diversas escolas particulares do
Brasil, que têm recusado matrícula a estudantes com deficiência. Isso requer a
urgência de esclarecimentos e de providências para que o direito à educação
dessas pessoas seja garantido na rede regular de ensino, seja ela gratuita ou
da iniciativa privada.
Não são poucos os familiares que se manifestam por vivenciaram a
recusa de matrícula de seus filhos em estabelecimentos de ensino da rede
privada, recorrendo aos órgãos de defesa de direitos com a finalidade de
encontrar apoio e acolhimento.
Muitas escolas particulares têm dificuldades de reconhecer os benefícios
da educação inclusiva. Ainda continuam presas a um conceito de deficiência
ligado a incapacidade, conceito esse que resultou em décadas de práticas de
exclusão e de segregação. Por essa razão, faz-se necessário instituir um
contexto de influência no pensamento dos gestores e professores dessas
escolas com a finalidade de desencadear mudança de paradigmas e de
perspectivas que levem esses profissionais a conceber as pessoas com
deficiência de outra maneira, sem as amarras do preconceito e da
discriminação.
A mudança de pensamento acontece, principalmente, quando se
convive com as pessoas com deficiência. A melhor forma de se preparar e
conhecer o outro é o encontro com ele. A escola é esse espaço: de encontros,
de formação humana, de exercício dos valores humanos e de interação.
Em que momento se terá a oportunidade de romper com os medos, a
falta de preparo, a insegurança, à fantasia, se não a oportunidade de conviver
com essas pessoas em um espaço coletivo, público e, por excelência de
formação humana, como a escola?
Não se vive mais um tempo em que pessoas com deficiência eram
mortas e eliminadas da sociedade, como na Antiguidade; perseguidas e
julgadas como pecadoras como no período medieval, sendo enclausuradas e
separadas dos ambientes comuns da sociedade ou queimadas na fogueira da
inquisição. Como resultado deste processo histórico de exclusão e de
segregação, solidificou-se uma concepção de deficiência relacionada à
inferioridade e à incapacidade que leva a atitudes sociais de discriminação e
preconceito daqueles que não tiveram a oportunidade de conviver com
pessoas com deficiência.
Muitas escolas da rede privada reforçam essa atitude de discriminação e
preconceito, alegando inúmeros motivos para não receber estudantes com
deficiência em seu ambiente educacional. Vale destacar que, muitas vezes,
nem sequer conhecem o estudante e suas potencialidades, imaginando,
tão somente, as dificuldades que possam ter em função da deficiência.
Sem dúvida, a sociedade apresenta uma dívida histórica para com as
pessoas com deficiência que nasceram dentro de uma sociedade, dentro de
uma família e que, nós mesmos, membros do mundo, as excluímos e as
segregamos.
A escola não deveria ser o local de negação de um direito fundamental,
impedindo o encontro e a convivência de estudantes com e sem deficiência. Ao
contrário, deveria ser a primeira instituição a dar exemplo de inclusão, de
acolhimento e de confiança na possibilidade de desenvolvimento dessas
pessoas por mais que os resquícios do passado, ainda, estejam presentes no
pensamento dos sujeitos.
É nesse sentido que se instalou no Brasil e no mundo o movimento que
visa romper com a exclusão e a segregação, considerando as pessoas com
deficiência como pessoas de direitos, possibilitando o surgimento de um novo
paradigma que indica a necessidade de acesso dessas pessoas aos ambientes
comuns a todos. A escola é um deles, que tem o dever de intensificar a
participação e atuação dos estudantes com deficiência nas atividades
escolares comuns e na construção do conhecimento. De outra forma, não seria
a escola um espaço de formação humana, diga-se, novamente, por excelência.
Não é fácil, mas é possível forjar mudanças atitudinais, combater o
preconceito e a discriminação e promover o direito dessas pessoas de conviver
com seus pares em igualdade de direitos.
Todo estudante é capaz de aprender. Esse é um dos princípios que rege
a formação continuada de professores e está em documentos políticos e legais
educacionais. Os estudantes com deficiência são contemplados nesse
princípio. Só ele justificaria a defesa do direito de todos à educação.
Os argumentos históricos, filosóficos e educacionais são suficientes para
defender o direito à educação. São eles que inspiram a legislação nacional e
internacional atrelados aos movimentos de pessoas com e sem deficiência que
lutam pela inclusão social e escolar. Além do mais, a legislação expressa uma
conquista desses movimentos que lutam pelo direito à educação, de todos,
sem exceção.
Sobre as irregularidades ao direito à educação em algumas escolas
particulares, há que se discutir os equívocos na compreensão desse direito;
clarificar os conceitos de público, gratuito e privado, esclarecer o conceito de
sistema educacional, irrompendo, assim, com argumentos equivocados que
justificam a negativa de matrícula por parte de alguns estabelecimentos de
ensino da iniciativa privada. Vale destacar alguns estabelecimentos de
ensino da iniciativa privada pelo fato de que muitas escolas particulares
entenderam o direito à educação e os benefícios da educação inclusiva.
Primeiramente, vale ressaltar que as escolas particulares são
delegatárias de serviço público, através de autorização do Estado. Serviço
público porque executam serviço de interesse público, com grande relevância e
utilidade, próprias da atividade do Estado (substrato material), além de estarem
vinculadas ao regime jurídico administrativo (elemento formal).
O ensino é livre à iniciativa privada que deve cumprir as normas gerais
de educação nacional e verificada a exigência de autorização e avaliação
de qualidade pelo Poder Público. De fato, as escolas privadas fazem parte
do SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO que segue os atos normativos
determinados para educação, previstos na Constituição Federal, no Estatuto da
Criança e do Adolescente – ECA, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional – LDBEN, dentre outras legislações, bem como portarias da
autoridade administrativa competente como o Ministério da Educação,
Conselhos e Secretarias de Educação, não podendo abnegar-se dos
DEVERES QUE SÃO COMUNS ÀS ESCOLAS GRATUITAS E PRIVADAS.
Saviani (1999) esclarece que:
O conceito de sistema denota como um conjunto de atividades que
se cumprem tendo em vista determinada finalidade, o que implica
que as referidas atividades são organizadas segundo normas que
decorrem dos valores que estão na base da finalidade preconizada.
Assim, sistema implica organização sob normas próprias (o que lhe
confere um elevado grau de autonomia) e comuns (isto é, que
obrigam a todos os seus integrantes).
Ainda para reforçar a ideia de que a escola particular não está fora do
Sistema Educacional Brasileiro, regido por normas e regras gerais, Saviani
(1999) afirma:
Por outro lado, nas sociedades modernas a instância dotada de
legitimidade para legislar, isto é, para definir e estipular normas
comuns que se impõem a toda a coletividade, é o Estado. Daí que, a
rigor, só se pode falar em sistema, em sentido próprio, na esfera
pública. Por isso as escolas particulares integram o sistema quando
fazem parte do sistema público de ensino, subordinando-se, em
consequência, às normas comuns que lhes são próprias. Assim,
é só por analogia que se pode falar em “sistema particular de
ensino”. O abuso da analogia resulta responsável por boa parte das
confusões e imprecisões que cercam a noção de sistema, dando
origem a expressões como sistema público ou particular de ensino,
sistema escolar, sistema de ensino superior, primário, profissional
etc. Em verdade, a atitude que tem prevalecido entre os educadores
em geral e especialmente entre os legisladores tem sido a de evitar a
questão relativa ao esclarecimento preciso do conceito de sistema,
considerando-o como algo constantemente referido, mas cujo sentido
permanece sempre implícito, supostamente compreendido, mas
jamais assumido explicitamente. (grifo nosso).
Desta forma, está esclarecido o equívoco de que somente as escolas
regulares públicas e gratuitas têm a obrigação de matricular estudantes com
deficiência. Essa obrigação é, também, da escola particular.
O Sistema Educacional Brasileiro, aos quais as escolas da rede privada
fazem parte, tem a finalidade de ser um Sistema Educacional Inclusivo.
A afirmação feita por sindicatos de escolas particulares que “não
obstante os estabelecimentos privados de ensino prestem serviço de interesse
público, regem-se também pelos princípios da livre iniciativa, da propriedade
privada e da livre concorrência”, esses princípios não devem se sobrepor as
normas e regras do Sistema Educacional Brasileiro. Do contrário, não seria
escola ou estabelecimento de ensino! Por essa razão, não se admite que os
estabelecimentos de ensino da rede privada não cumpram as obrigações que
são impostas à rede pública gratuita de ensino pela política nacional de
educação inclusiva adotada pelo Estado brasileiro, sob as alegações de
afronta aos princípios da livre iniciativa, da propriedade privada ou da
livre concorrência.
De fato, não existe uma Constituição Federal para a rede de escolas
privadas e outra para a rede de escolas gratuitas.
O texto constitucional, em seu art. 206, prevê a garantia da igualdade de
condições para o acesso e permanência na escola para todos, sem restrição. O
artigo 208 estabelece que o Estado deve conceder atendimento educacional
especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente, na rede regular
de ensino.
Há muitos equívocos na compreensão do que seja o atendimento
educacional especializado, preferencialmente, na rede regular de ensino.
Fávero (2004), Procuradora da República e Procuradora Regional dos
Direitos do Cidadão no Estado de São Paulo, sendo referência na defesa dos
direitos das pessoas com deficiência, esclarece essa questão quando afirma:
Atendimento educacional especializado é complemento à
escolarização ou educação escolar, conforme definida no artigo
21 da LDBEN. Nos termos desse artigo, a educação escolar
compõe-se de: I – educação básica, formada pela educação
infantil, ensino fundamental e ensino médio; II – educação
superior. A Educação Especial é modalidade de ensino, tratada
na LDBEN em capítulo não compreendido entre aqueles que
cuidam dos níveis de ensino. Como modalidade, o atendimento
especializado perpassa todos os níveis de ensino, mas não se
confunde com eles. Se este atendimento especializado fosse
exatamente o mesmo que escolarização, a Constituição não
teria inserido a sua garantia, além do acesso aos ensinos
infantil, fundamental e médio. Portanto, o atendimento
educacional especializado é complemento e refere-se ao que é
necessariamente diferente do ensino escolar, para melhor
atender às especificidades dos alunos com deficiência,
abrangendo, principalmente, instrumentos necessários à
eliminação das barreiras que esses alunos têm para relacionar-
se com o ambiente externo. Exemplo: ensino da Língua
Brasileira de Sinais – LIBRAS, do braile, do uso de recursos de
informática, e outras ferramentas e linguagens. (p. 82 e 83)
Os estudantes com deficiência têm o direito à educação, exercendo-o
sem discriminações, de serem recebidos em escolas da rede regular de ensino.
Se necessitarem de atendimento educacional especializado, a escola deve
procurar parcerias ou implementar políticas desse atendimento em seu próprio
estabelecimento, mas a falta dele jamais poderá impedir um estudante com
deficiência de frequentar a sala de aula comum.
Continua Fávero (2004):
O atendimento educacional especializado não é escolarização
plena. Esta só pode ser oferecida pela rede regular de ensino
(LDBEN, arts. 19 e 20). (p. 83)
Muitas instituições de ensino da rede privada alegam que não há como
obrigá-las a oferecer o atendimento educacional especializado quando não
possuem a estrutura física adequada e os profissionais habilitados para tanto.
Fica evidenciado o desconhecimento quanto ao ordenamento jurídico
brasileiro. A inclusão de pessoas com deficiência no sistema regular de ensino
não se restringe ao âmbito da rede pública e gratuita. Aplica-se, integralmente,
na rede privada de ensino que está sujeita à autorização e fiscalização pelo
Poder Público quanto ao cumprimento das normas gerais da educação
nacional (art. 209 da Constituição Federal). As escolas da rede privada de
ensino, além de não poderem recusar matrícula por motivo de deficiência,
devem possuir acessibilidade arquitetônica, devem disponibilizar atendimento
educacional especializado para os estudantes com deficiência, material
pedagógico acessível entre outros serviços e recursos de acessibilidade. É
fundamental destacar que, aliás, uma escola privada só pode ser autorizada a
funcionar pelos respectivos Conselhos de Educação quando atende às normas
de acessibilidade previstas na legislação brasileira.
Além do direito à educação de todos na esfera constitucional e
infraconstitucional, ainda se tipificou como crime sujeito a pena de reclusão de
01 (um) a 04 (quatro) anos e multa as hipóteses de recusa, procrastinação,
cancelamento, suspensão ou cessação da inscrição de aluno em
estabelecimento de ensino de qualquer nível, etapa ou modalidade de ensino,
público ou privado, por motivos derivados da deficiência que possui (art. 8º, Lei
nº 7.853/89).
Observe-se que negar a matrícula e a participação de qualquer
estudante com deficiência à Educação na escola regular por ele escolhida é
ferir princípios e normas de natureza fundamental, construídos no campo
internacional e interno, é bloquear direitos arduamente conquistados e,
sobretudo, é destruir sonhos, negando dignidade à pessoa humana.
No movimento de educação inclusiva, o Brasil tornou-se signatário de
documentos internacionais, como a Convenção de Guatemala de 1999,
ratificada e promulgada no Brasil pelo Decreto n. 3.956/2001, que proíbe
qualquer diferenciação que implique exclusão ou restrição de acesso aos
direitos fundamentais – a educação é um deles, e a Convenção das Pessoas
com Deficiência de 2006, que garante às pessoas com deficiência o direito de
não serem excluídas do sistema educacional regular. Por meio do Decreto n.
6.949/2009, foi promulgada a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30
de março de 2007, que garante a inclusão, incondicional, das pessoas com
deficiência no sistema regular de ensino, ou seja, nas redes regulares de
ensino públicas, gratuitas e privadas. Em seu art. 24, item 2, “a”, a Convenção
estabelece que os Estados-Partes deverão assegurar que “as pessoas com
deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de
deficiência. Não é adequado, no mínimo, pensar que toda essa legislação
só teria validade para as intuições de ensino gratuitas.
A educação deve ser compreendida como direito fundamental do ser
humano. Um direito do individuo perante a sociedade. A escola, privada ou
gratuita, é o espaço onde se faz ensino para todos, logo, o pressuposto para
ser escola é consolidar o ensino coletivo. Para não ser discriminatória,
preconceituosa e excludente deve ser o local onde todos estudam,
independentemente, de suas condições físicas ou intelectuais.
A recusa de matrícula necessita ser condenada e a escola deve
enfrentar os desafios das diferenças com a finalidade de ser um local que
proporcione atitudes de cooperação, de acolhimento e de desenvolvimento
humano.
Alguns estudantes com deficiência necessitam de serviços e recursos de
acessibilidade que atendam suas necessidades específicas para a plena
participação nas atividades escolares. No entanto, a identificação dessas
necessidades não pode significar a recusa de matrícula ou o seu confinamento
em instituições que os deixem longe dos demais estudantes.
Mesmo que existam locais e profissionais especializados em estudantes
com deficiência, eles não substituem o direito à educação escolar comum a
todos e toda a riqueza de interações e vivências que esse direito pode
proporcionar.
No âmbito do direito, para não mencionar os equívocos que alguns
profissionais fazem sobre o dever do Estado, é inegável o acesso à educação
escolar como direito indisponível, o que revela a importância de lembrar as
escolas privadas que negam a matrícula de estudantes com deficiência, que
toda escola deve habilitar-se para receber todos os estudantes. Do
contrário não é escola! Definitivamente, a característica individual, física ou
intelectual, do estudante não pode ser considerada um problema
delegado a família que é convidada a procurar outro estabelecimento
“preparado” para aquela deficiência.
O Ministério Público e os Conselhos de Educação podem e devem ser
órgãos articuladores para garantir aos estudantes com deficiência o direito à
educação nas escolas regulares de ensino, sejam elas gratuitas ou privadas. O
Ministério Público é instituição autônoma e defensora da ordem jurídica, dos
interesses sociais, difusos e coletivos, conforme dispõe a Constituição Federal.
Os estabelecimentos de ensino da iniciativa privada que recusam a
matrícula devem ser orientados a cumprir o que estabelece a legislação
brasileira e normas internacionais, sendo deferida a imediata matrícula dos
estudantes com deficiência a que venham requerer matrícula em seus
estabelecimentos.
Aos Sindicatos das Escolas Particulares – SINEPEs, principalmente o de
Santa Catarina, em oposição à carta aberta à comunidade escolar, competem:
por fim as práticas abusivas e discriminatórias de recusa de matrícula de
estudantes com deficiência; orientar os estabelecimentos de ensino da
iniciativa privada a cumprirem o que estabelece a legislação brasileira e
normas internacionais, sendo deferida a imediata matrícula dos estudantes
com deficiência a que venham requerer matrícula em seus estabelecimentos,
compreender os princípios e fundamentos da educação inclusiva, reconhecer a
grandeza de ter um escola aberta as diferenças humanas e trabalhar em prol
de uma educação promotora de valores humanos em oposição a expressões
de rejeição a todo aquele que se opõe a norma ou ao padrão.

Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5
de outubro de 1988 / obra coletiva de autoria de Antonio Luiz de Toledo Pinto,
Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt e Lívia Céspedes. 37. ed. atual. e ampl.
– São Paulo: Saraiva, 2005.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n.9.394. Brasília:
Centro Gráfico, 1996.
BRASIL. Decreto 5.296 de dezembro de 2004. Brasília, 2004.
BRASIL. Decreto 3.956/2001. Brasília, 2001. Convenção interamericana para a
eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras
de deficiência, 1999.
BRASIL. Decreto n. 6.949/2009. Brasília, 2009. Convenção sobre os Direitos
das Pessoas com Deficiência. Nova Iorque, 2007.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.
Inclusão: revista da educação especial, v. 4, n 1, janeiro/junho 2008. Brasília:
MEC/SEESP, 2008.
FÁVERO, Eugênia A. G. Direitos das pessoas com deficiência: garantia de
igualdade na diversidade. Rio de Janeiro: WVA, 2004.
SAVIANI, Dermeval. Sistemas de ensino e planos de educação: o âmbito dos
municípios. In: Revista Educação & Sociedade. Campinas/SP, Unicamp, nº 69,
dez./99. p. 119-135.
______________________
* Doutora em Educação pela Unicamp. Gerente de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis/SC. Email: rosangela_machado@hotmail.com
http://www.inclusive.org.br/?p=28502

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

CONTANDO A VIDA 130

Quando já começa o frenesi pró e contra Olimpíadas, nosso historiador-cronista- desportista-corinthiano fala sobre alguns dos percalços que a autora do livro Atletas Olímpicos Brasileiros encontrou para escrever a alentada obra. Um dos maiores deles? As mentiras de quem disse que foi, mas não foi...

MENTIRAS OLÍMPICAS.

José Carlos Sebe Bom Meihy

A imprensa não poupou críticas. Aliás, justifica-se a atitude feroz de quantos gostam de esportes. Explico-me, tudo decorre de análises do livro Atletas Olímpicos Brasileiros, de Katia Rubio, especialista em exames do contexto esportivo brasileiro. O volumoso texto de 646 páginas se justifica no momento em que se inaugura a temporada da 31ª edição dos Jogos Olímpicos, em 2016. Como chave capaz de dignificar nossa participação, a obra teria aceitação natural, justificada pela tiragem de 5 mil exemplares, disposta aos leitores desde o dia 25 de agosto de 2015. Graças, contudo, a motivos alheios e inesperados, a obra alçou destaque ainda maior, motivado pela notícia de casos curiosos, alguns pitorescos, outros chocantes, polêmicos e decepcionantes. Todos, porém, desafiadores de entendimento e juízo da crítica esportiva.
A intenção inicial de Rubio, remetia à reunião dos perfis dos nossos atletas, desde a primeira participação olímpica em 1920 na Bélgica. No total, tratar-se-ia de um conjunto de 1796 micro- histórias compiladas, resultado acumulado de cerca de 15 anos de pesquisas. No caso de atletas vivos, a proposta se valeu de entrevistas gravadas em áudio, constituindo um valioso acervo. O projeto inicial visava a combinação de informações factuais - registros de datas, locais, trajetórias e desdobramentos pós-participação – elementos que foram agrupados segundo cada modalidade. Em relatos sobre o que chamou de making of, várias situações reveladas durante as entrevistas se mostraram inusitadas. Entre tantas, vale destacar o caso de uma pessoa que se passou por outra para descrever a saga alheia, assim Rubio se expressou em comentário “esse caso emblemático nos colocou diante dessa humanidade imperfeita que somos, que mobiliza a imperfeição pelo desejo não realizado de algo”. Na continuidade dos argumentos, outro caso despontou e foi assim narrado: “Uma semana antes do lançamento do livro, checando a lista de olímpicos e convidados quase desfaleci quando acusamos uma convidada cujo verbete não constava do livro... ao buscar nossos consultores daquela modalidade veio enfim o veredito: a atleta participou de toda a preparação, inclusive dos pré-olímpicos, mas no último corte, em duas edições olímpicas, ela ficou de fora da seleção.” Mas, estas não foram as únicas e nem as mais complexas situações críticas que compuseram a experiência do livro. Pelo contrário, problemas maiores despontaram projetando o livro no cenário crítico que trança tratamento metodológico que abrange as áreas de história oral, direito, filosofia. Diria que a ética funcionou como denominador comum a todos os lances que afinal, implicaram, de forma cabal, dois atletas, ambos da modalidade natação.

O primeiro caso surgido foi de José Claudio dos Santos, Zequinha que nunca foi às Olimpíadas, apesar das declarações afirmativas. Entre outros, em três dos mais conhecidos blogs esportivos, a questão apareceu em sequência, apontando a gravidade do problema. O caso do Zequinha não foi o único, e nem o mais alarmante. Outro ainda mais grave e consequente ocorreu em função do nome de Christiane Paquelet, ex-atleta que ocupava, nada mais nada menos, que o cargo de Diretora Cultural do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Exatamente por ser representante de setor responsável pela organização documental da memória do evento, museóloga há mais de duas décadas atuando no COB, este episódio ganhou largura exemplar, sendo que, inclusive, ela, depois que o caso veio à público, foi forçada a pedir demissão, quebrado assim o vínculo com a instituição. Antes, porém, a história foi fermentada com lances reveladores de que a ex-nadadora carioca, que na ocasião, em 1972, teria apenas 16 anos, não participara da edição de Munique. A razão alegada para o corte pré-olímpico teria sido uma lesão, ocorrida pouco antes da definição oficial da lista de participantes. O alerta da não-presença do nome de Paquelet no rol daquela equipe Olímpica brasileira foi denunciado por integrantes - Lucy Burle, Christina Bassani Teixeira e Maria Isabel Vieira –, fato que levou Rubio a verificação nos arquivos de onde concluiu pela confirmação do registro da entrevista, gravada e autorizada. A ratificação da notícia e seu desmentido chocou sobremaneira a opinião pública e pôs os analistas esportivos em campo crítico. O grande choque, porém, é: há atenuantes, pois além da verdade, essas mentiras olímpicas se explicam pela frustração. Pensemos.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

TELINHA QUENTE 184

Roberto Rillo Bíscaro

O canal TV Land era famoso por exibir séries antigas, tipo Batman e Jeannie É Um Gênio, até que em 2010 começou a produzir a sitcom Hot in Cleveland, que no Brasil parece ter o título No Calor de Cleveland (que não dá a ideia exata do título, BTW), Não deve ter sido surpresa que o primeiro produto do canal especializado em vintage tenha sido uma atualização das clássicas Super Gatas oitentistas. Vi os 128 episódios (mais os especiais), divididos em 6 temporadas dessa delícia que terminou dia 3 de junho, ainda com boas histórias e sem a sensação de show decadente. HIC parou quando estava no topo do jogo, talvez pudesse ter ido uma temporada mais. Nesse ponto ganha de The Golden Girls, cuja temporada derradeira despencou em qualidade. No geral, porém, as senhoras de Miami têm a vantagem da originalidade.
3 amigas estão voando a Paris pra cumprir uma das indicações do livro de Melanie Moretti, que listava coisas a fazer antes de morrer (ou algo assim). As senhoras de meia-idade altamente preocupadas com botox e dietas e cronicamente mentirosas no tangente à idade, passam grande susto quando uma pane faz o piloto pousar em Cleveland, cidade de terceiro escalão no contexto ianque. Passadas pra Los Angeles obcecada com magreza e juventude, as 3 ficam surpresas, lisonjeadas e morrendo de T, quando se percebem cobiçadas na urbe interiorana, onde homens e mulheres podem ser obesos e calvos e não ligam tanto pra caras e corpos plastificados. Como as carreiras em LA também estavam em decadência, decidem ficar em Ohio, afinal, é melhor ser realeza lá do que ninguém na ensolarada Califórnia. Daí o título: elas é que são “quentes” e não a fria Cleveland. Alugam casa enorme e passam a viver juntas, numa premissa tão improvável quanto a das Supergatas – imagine se daria certo um bando de tias narcisistas coabitando.
Elas são Melanie Moretti, que faz a linha ingênua; não é Rose Nyland, mas é a versão com PHD da loira de Saint Olaf. Joy Scroggs, expatriada britânica que vai pra cama com meio mundo; uma Blanche Devereaux com sotaque diferente. E Victoria Chase, egocêntrica atriz de soap vespertina, cuja carreira está em decadência; em termos de voz grave, a Bea Arthur do conjunto. I have a major announcement: La Chase e a atriz Wendie Mallick são minhas favoritas absolutas. Ainda mais que a personagem se envolve sentimentalmente com Sir Emmett Lawson, interpretado pelo neo-zelandês Alan Dale, que também adoro. Pena que não o aproveitaram na conclusão do enredo. Como o fim de HIC foi planejado, os roteiristas tiveram como armar final feliz pra todo mundo (não é spoiler; alguém acha que alguma delas morreria no fim?).
As Golden Girls eram 4 e uma delas uma velhotinha de língua ferina, Sofia Petrillo. Então, toca pôr uma personagem assim como administradora do sobrado. E se a velhinha for ninguém mais, ninguém menos do que uma das Super Gatas, a única viva, a nonagenária Betty White? Pois ela completa o quarteto, como Elka Ostrovsky, polonesa fugida do nazismo, chegada numa vodka e em causar entre os caras do centro pra pessoas idosas (mas não só eles). A lasciva e venenosa Sue Ann Nivens, de Mary Tyler Moore encontrou Rose Nyland (ambas vividas por White) combinada com Petrillo e garantiu outra interpretação/personagem arrasa-quarteirão pra venerável Betty, sem dúvida, o mais precioso tesouro vivo da TV mundial. Alguém pode disputar a importância dessa mulher?
4 mulheres maduras sexualmente ativas tentando provar que superficialidade pode ser profunda, muitas confusões, humor autodepreciativo, constantes duplo-sentidos, atrizes conhecidas de outras séries de sucesso, música-tema com papapapa (pra mim isso conta!), muita alegria e simpatia só resultariam em sucesso e HIC teve-o merecidamente. Um deleite de sitcom, que sabia não poder se apoiar em linguagem inovadora ou tema inédito. Tudo fora testado por outras séries; HIC investiu no carisma do elenco e das situações algo insanas e, até com uma pitada de nonsense de humor britânico às vezes, conquistou corações e fãs devotos. Eu incluso.
Sei lá se pelo calibre do elenco, mas HIC foi coalhada de participações especiais, especialmente de astros vintage, como Carol Burnett e Robert Wagner, o Jonathan Hart, de Casal 20. Astros antigos e atores canadenses, britânicos, australianos. Será a fama vintage da TV Land ou por que ambas as categorias são mais baratas de contratar? Cinismo do resenhista à parte, TVmaníacos terão frêmitos de prazer caçando as participações ao longo da mais de centena de episódios.
O oitentista Huey Lewis como roqueiro velhusco que não aguenta mais a vida de sexo, drogas e rock. Wayne Knight, o Don Orville de 3rd Rock From the Sun, novamente vivendo um cara que tem um caso com uma mulher bonita demais pra ele. Incrível, parece que o tempo não passou pro gordinho! Dan Lauria, o pai do Kevin Arnold, de Anos Incríveis.
Chamou-me atenção que Mark Indelicato, Michael Urie (o Justin e o Mark, de Ugly Betty) e Jesse Tyler Ferguson (o Mitchell de Modern Family) tenham sido escalados pra personagens gays, como em suas séries de origem. Estariam tipificados? Se sim, cadê a tão decantada modernidade da TV ianque?
Em meio a tantas aparições de famosos de outrora, o episódio que reuniu todo o elenco feminino de Mary Tyler Moore foi arrepiante, com direito a miado no final e tudo. Quando Ed Asner aparecera bem mais discretamente, já vibrara, imagine ver Mary, Rhoda, Phylis, Georgette e Sue Ann ao redor da mesma mesa. HIC era gravado em frente a uma plateia; conta-se que o diretor de cena teve que pedir que parassem de aplaudir. Eu abriria o bocão! Dos vivos só faltou Gavin MacLeod. Sem Mary Tyler Moore HIC não teria sido possível; sem MTM a sitcom contemporânea não existiria, simples assim.
Além do prazer e da graça intrínsecos dos episódios, a miríade de referências a outros shows, atuais e antigos faz de HIC um prazer de ver. Quando Joy e Elka mencionam um lugar chamado Shady Pines, fãs das Golden Girls já lembram do asilo do qual Sofia fugira. E os impagáveis episódios onde maneirismos de House of Cards e Scandal foram parodiados? A posuda Downton Abbey fez mesmo sucesso em terras do Tio Sam, mesmo exibido pelas públicas PBSs. A série inglesa é mencionada várias vezes e até Lesley Nicol – a Mrs. Patmore! – aparece num episódio de Natal.
Para as pessoas com albinismo cumpre destacar que na sexta temporada um episódio apresentou o filho de Joy saindo com uma albina sem que isso parecesse de outro mundo. Claro que um par de piadas foi feita, mas nada ofensivo. Pena que a atriz não era albina, tava pintada, daí não fica legal.
HIC não entrará pro rol de clássicos televisivos, mas tem fôlego pra ser reprisado por décadas. Certamente, a TV Land se incumbirá disso; não deixe de ver.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

CAIXA DE MÚSICA 190

Resultado de imagem para nad sylvan courting widow
Roberto Rillo Bíscaro

Não muitos músicos experimentam a emoção de conhecer seus ídolos e influências e muitos menos logram tocar com suas inspirações. Imagine a emoção de Nad Sylvan, quando Steve Hackett ligou pra ele em abril de 2012, convidando-o para cantar em 3 faixas de Genesis Revisited II, onde o ex-guitarrista regravou faixas de sua clássica banda prog. A colaboração foi mais além e Sylvan viajou o mundo em shows com Mestre Hackett.
O parentesco vocal com Peter Gabriel e Phil Collins deve ter pesado deveras para o convite. Fã confesso do Genesis, à semelhança vocal some-se forte influência sonora, ambas presentes no álbum Courting the Widow, trabalho solo de Nad Sylvan, lançado em outubro. A maior parte do álbum pode ser descrita como uma banda prog em fins dos 70’s homenageando o Genesis. Basta escutar a abertura midtempo de Carry Me Home para ser transportado à época do lançamento de Duke. A voz do norte-americano criado na Suécia certamente causará a mesma celeuma entre fãs genesianos, quando a enxurrada de grupos Neo Prog de outrora emulava o cantar de Gabriel/Collins. Cópia ou acaso de semelhança, é preciso algum tempo para se acostumar, porque a comparação (desfavorável para Sylvan) é inevitável.
Os teclados são puro Tony Banks; atente para aquele som assobiado das teclas na faixa-título. As guitarras são maciçamente Hackett; confira os 9:41 sublimes minutos de Echoes of Ekwabet, com solos de flauta e guitarra capazes de emocionar montanhas. Ponto everéstico de Courting the Widow; saudosistas do Genesis progressivo chorarão.
Há até uma tentativa de Supper’s Ready. To Turn the Other Side é uma suíte de mais de 22 minutos, cheia de mudanças de ritmo e tempo, instrumentação variada, epítome do prog sinfônico. Mas, jamais consegue elevar-se ao patamar de Echoes of Ekwabet. Canções quilométricas como Close to the Edge, do Yes; Remember the Future, do infelizmente esquecido Nektar e, claro, Supper’s Ready conquistam o interesse logo no início. To Turn the Other Side não e jamais ultrapassa o nível de boa. Até arrepia imaginar o que Nad teria conseguido se tivesse recheado a melodia superior de Echoes e fizesse dela o épico do álbum.
Nas 4 canções finais a sombra genesiana é menos evidente e Sylvan exerce um prog ainda setentista, mas mais genérico no bom sentido. Ship’s Cat é uma fofura que conquistará gateiros e a derradeira Long Slow Crash Landing abre como marcha de bolero raveliano pra incorporar a guitarra de Mestre Hackett em pessoa, costurando com elegância pela faixa sisuda.
Courting the Widow suscitará amores e ódios: será visto como homenagem ou usarão o velho clichê “melhor álbum que o Genesis não fez”, será acusado de cópia barata. Muito mais homenagem que cópia, Sylvan deveria trazer sorrisos aos fãs de Genesis por vermos o legado ainda importando, 40 anos depois do período que influencia mais o álbum.