quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CONTANDO A VIDA 131

Nosso chiquérrimo historiador-cronista está em turnê acadêmica por países europeus, mas deixou um gracioso texto sobre a sexualidade e felicidade na estereotipadamente regrada Suíça. Diz que lá o pessoal está muito feliz com sua vida sexual. Mais do que no Brasil. Será? Como? Por que? 

UM LUGAR NO MUNDO PARA SER FELIZ?

José Carlos Sebe Bom Meihy

Estas análises sobre os locais onde as pessoas são mais felizes sempre me pareceram surrealistas e fora de propósito. O curioso, porém, é que elas funcionam e me seduzem como um esdruxulo polo de atração. Acontece o mesmo com horóscopos, invariavelmente eu os leio, ainda que imediatamente os despreze. Mas no caso dos tais “países mais felizes do planeta”, algo me inquieta muito, sei lá porque. Recentemente li uma reportagem que inscrevia a Suíça entre os locais mais afortunados, também em termos de satisfação de viver. Sempre gostei muito da Suíça e reconheço suas belezas em plena sintonia com a calma e civilidade da população. Os campos suíços são perfeitos, as vaquinhas iguais às das propagandas de leite, o chocolate é imbatível, e os queijos insuperáveis. E há vinho bom, culinária deliciosa e flores belíssimas. Mas, em termos de realização, sempre achei o povo muito protocolar, tipo certinho demais, até quadrado, tudo seria muito previsível, sem grandes acontecimentos. De toda forma, algumas de minhas cidades favoritas na Europa são suíças: o trato dado ao passado histórico, em particular às ruinas medievais é fascinante. Que dizer dos museus e praças sempre tão aprimorados e em funcionamento irrepreensível? Aliás, tudo dá certo na Suíça, principalmente as indicações de lugares, distâncias e custos. Pois bem, vivia o paradoxo da beleza versus a rotina da funcionalidade absoluta suíça quando li que agora aquele país figura entre os mais felizes do mundo, inclusive sexualmente falando. Confesso que fiquei espantado, pois em meu repertório de julgamentos, os suíços figuravam como seres quase inanimados. Parece que fui injusto e que errei feio. As estatísticas provam o contrário segundo diz uma pesquisa que consultou 26 mil pessoas de 24 países. A conclusão é que a Suíça está no pódio, em primeiro lugar, segundo a satisfação dos parceiros sexuais. E olhem que o quesito mais celebrado remete ao item “frequência”. Vendo a lista dessa bizarra classificação, logo fui procurar nosso lugar. Por lógico, fiquei desapontado em ver que nós brasileiros, não estamos em primeiro lugar, apesar de nossa reputação que convidaria a supor primazia. Mas, também não fiquei de todo frustrado ao constatar que antes de nós, além da decantada Suíça, estão apenas a Espanha e Itália. Devo registrar que me satisfez muito pensar que países como os Estados Unidos e a Inglaterra amargam, respectivamente, o décimo primeiro e décimo segundo lugar. A lista seguinte ao nosso terceiro lugar compreende, por ordem, Grécia, Holanda, México, Índia, Austrália, Nigéria, Alemanha e China.
 A pergunta que não quer calar, porém, remete ao questionamento lógico: o que faria o suíço tão pleno de suas potências sexuais: Seria a estabilidade econômica? A tranquilidade da vida sem a violência rotineira dos demais países? O clima? A ausência de pobreza extrema? Dando asas à imaginação vislumbrei algumas possibilidades: a educação sexual nas escolas; a profissionalização regulamenta da prostituição; a leniência com a pornografia e, sobretudo, o respeito às diferenças e orientações. Vislumbrando essas informações recordei de um velho e estereotipado mote que rezava que, tomando a Europa como cenário, no céu os mecânicos seriam alemães; os cozinheiros franceses; os amantes italianos, os policiais ingleses, e, finalmente, os banqueiros suíços. Se fosse levado em conta o reverso, no inferno os banqueiros seriam italianos, os mecânicos franceses; os cozinheiros ingleses e os amantes suíços. Então, pergunta-se o que mudou? E creio que a melhor resposta é um convite para verificar in loco o que se passa. Notem que eu sugerir verificar, sem a obrigatoriedade da comprovação experimental.

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