terça-feira, 8 de setembro de 2015

DE VOLTA PRA CASA

Primeira Jovem Albina Com Prótese Volta Para Casa
VERENA DOBNIK
(Tradução: Roberto Rillo Bíscaro)
1st of Tanzanian albino kids with missing limbs goes home photo

Kabula Nkarango Masanja retornou para a Tanzânia com uma nova prótese de braço, substituindo o membro decepado com um machado por adeptos da feitiçaria africana.
Ela é uma das crianças tanzanianas com albinismo, condição que deixa as pessoas com pouco ou nenhum pigmento na pele, cabelo e olhos. As partes cortadas de seus corpos são usadas em poções que os curandeiros creem trazer riqueza e boa sorte. A jovem de fala mansa, de 17 anos, agora é uma das afortunadas.
Médicos de um hospital infantil na Filadélfia recentemente criaram novos membros artificias para Kabula e 4 outros jovens. A nova-iorquina Elissa Montanti forneceu acomodações a 2 horas de viagem, em Staten Island, e providenciou todas as necessidades médicas e de transporte.
Kabula embarcou para Dar es Salaam, capital da Tanzânia, na terça. Ela estava nos EUA desde junho com 4 outas crianças, com idades entre 5 e 15 anos, que também foram beneficiadas com próteses. 
“Fique com Deus até nos vermos novamente”, escreveu a menina em um bilhete para Montanti e a instituição de caridade por ela fundada, o Fundo Global de Alívio Médico. Há anos, Montanti traz para os EUA crianças com membros amputados, de diversas zonas de conflito, como Bósnia, Haiti, Iraque, Afeganistão e Síria. “Mas, nunca me comovi tanto como com essas crianças”, desabafa a ex-técnica em radiologia, de 62 anos de idade. 
1st of Tanzanian albino kids with missing limbs goes home photo
Enquanto as mais ou menos 200 crianças ajudadas por Montanti eram vítimas de minas terrestres, terremotos, tsunamis e outros desastres, “esses casos são intencionais”, ela disse sobre as vítimas de feitiçaria.
Carentes de pigmentação natural, albinos parecem quase brancos – fantasmas de seres humanos que se foram, segundo os curandeiros, que encomendam partes de seus corpos. Mais de 200 curandeiros foram presos até agora pelos assassinatos de albinos na Tanzânia. O governo ilegalizou os curandeiros ano passado. 
Mesmo assim, os ataques continuam; pelo menos 8 foram registrados na Tanzânia no ano passado. Há, porém, um dado ainda mais cruel.
Alguns pais são colaboradores, porque creem que seus filhos são amaldiçoados, revela Ester Rwela, assistente social que acompanha as crianças e atua como tradutora de Swahili, língua utilizada pelos menores.
O pai de Baraka Cosmas Lusambo, de 5 anos, foi preso depois que parte do braço direito de seu filho foi decepada em março, em meio a gritos lancinantes.
Negociantes de diamantes, políticos e empresários tanzanianos têm pago quantias que chegam a 75 mil dólares por essas poções. Rwela conta que eleições são períodos lucrativos para curandeiros. “Os albinos vivem com medo”, conta.
As crianças, no entanto, não se encontram consumidas pelas monstruosidades.
“Sabe, elas ainda são capazes de amar”, emociona-se Montanti, que constantemente lhes segura as mãos e as abraça.
Elas cantam na van que as transporta à Filadélfia para terem as próteses ajustadas e aprenderem a usá-las.
1st of Tanzanian albino kids with missing limbs goes home photo
Emmanuel Festo Rutema, um garoto de 13 anos que perdeu o braço esquerdo e diversos dedos da mão direita, também vai ao dentista para substituir os dentes da frente, os quais também perdeu no ataque. Os agressores tentaram também cortar sua língua, mas só conseguiram danificá-la.
Em uma tarde de verão, no abrigo em Staten Island, as salas estão vivas com risadas. "Baraka Obama!" Esse é o apelido que os companheiros deram para o garotinho. Ele sorri timidamente e revela: “Não sei quem é Obama.”
No sofá, Emmanuel joga baralho com Mwigulu Matonange Magesa, 12, que usa uma extensão com gancho em seu braço esquerdo, pra pegar as cartas. É mais fácil do que com a prótese, que ele ainda não domina totalmente.
Kabula está estudando para os exames escolares que terá que enfrentar depois que voltar a Dar es Salaam, onde ela e os outros 4 vivem em um abrigo distante de suas aldeias miseráveis.
1st of Tanzanian albino kids with missing limbs goes home photo
“Deus diz para perdoarmos nossos inimigos, mas, como ser humano, não consigo perdoá-los, porque eles podem fazer isso de novo”, conta a adolescete, que teve o braço direito cortado na altura da axila. Ela quer se tornar uma advogada especializada em direitos humanos.
No aeroporto, Kabula enxugava as lágrimas, desanimada com a perspectiva de deixar seus amigos e a segurança de Nova York. “Eu disse a ela, que aquilo não era o fim, apenas um brilhante recomeço”, conta Montanti.
As outras crianças partirão no final de setembro, mas retornarão ano que vem para experimentar novas próteses. 

TELINHA QUENTE 176

Roberto Rillo Bíscaro

A Inglaterra foi em parte responsável pelo sucesso mundial do Nordic Noir/Scandi Drama. Depois que shows escandinavos como Forbrydelsen e Borgen tornaram-se fenômenos cult forçando a classe-média britânica a ler legendas, a tendência espalhou-se pra outros países e desde meados da década passada a Europa setentrional dita as normas do melhor em séries policiais.
Hoje, a TV inglesa exibe até sitcom norueguesa (Dag, logo verei a primeira temporada) e comerciais de produtos islandeses, como o delicioso iogurte Skyr, além de adquirir direitos de transmissão de séries ainda em produção, caso da islandesa Trapped. A exibição da minissérie norueguesa Mammon (2014), no primeiro semestre, pode ter sido a pedra inicial no caminho florido e aprioristicamente aclamado do Nordic Noir em solo britânico. Os 6 capítulos são só clima; substância, praticamente nada. Quase penso que se tratou de oportunismo de gambiarra pra aproveitar a boa fase de exportação de produtos culturais nórdicos.
Um jornalista investiga fraude financeira e descobre que seu irmão mais velho é um dos pivôs. Pouco depois dum confronto fraterno, Daniel estoura os miolos na frente de Peter, que desconsolado, transfere sua área de atuação pro jornalismo esportivo. Cinco anos se passam – e todo mundo está idêntico, alguns até com a mesma roupa – e a viúva de Daniel recebe uma caixa com instruções, que leva Peter e ela a um rio. No momento em que os cunhados estão lá, um carro despenca n’água, o motorista é salvo por Peter, apenas pra se suicidar em seguida, não sem antes gritar Abraão! Como Daniel podia saber que 5 anos após sua morte outro cara de sua turminha estaria sob investigação e no precioso instante em que seus familiares estivessem cumprindo suas instruções, jogaria o automóvel no rio, blá, blá, blá? Visto que nada é encontrado nas águas, assume-se que o objetivo de fazer as personagens irem lá era pra presenciar o suicídio. Arbitrariedade grosseira, heim? E essa é apenas uma dum roteiro que deixa fios soltos bastantes pra tricotar uns 3 suéteres pra Sara Lund.
Mistura teoria da conspiração, segredos familiares e mambo jambo religioso; afinal, o título é a palavra hebraica pra dinheiro, presente na Bíblia. Há toda uma pseudo-sub-trama envolvendo Abraão e sacrifícios de infantes; há versículos do Gênesis no verso de quadros e, sobretudo, muita desonestidade com o telespectador. 5 capítulos nos deixam no escuro inverno norueguês e a explicação no derradeiro é pífia, nem de muito longe compatível com o suspense armado. Se é que se pode chamar de suspense, aquele monte de informações desconexas.
Mammon é despida de qualquer qualidade redentora; nem as tomadas na belíssima Bergen são bem aproveitadas. Certamente a série reforçará o estereótipo da alta incidência de suicídios na Escandinávia, não apenas pela taxa de praticamente um por episódio, mas também pelo tédio suicida que a narrativa causa. Um embuste a ser evitado. Considerem-se alertados.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

CAIXA DE MÚSICA 182

Roberto Rillo Bíscaro

Tanta música boa a mulherada tem lançado que tenho que fazer dobradinha – e talvez semana que vem – pra não ficar mais defasado ainda nos comentários sobre coisas que ouvi e me despertaram, nestes casos, positivamente. A dose dupla da vez é de cantoras norte-americanas; uma veterana, outra estreante (semana que vem será nesse mesmo tema, mas sobre inglesas, vamos ver...)
Gravando desde o ano 2000, Jill Scott lançou Woman, seu quinto álbum, em julho. Sua voz quente literalmente empresta Soul (alma) pra dozena de canções, dos mais variados estilos, que compõem esse trabalho que não abre espaço pra rapper falando e fazendo uh hu uh hu. Talvez o mais “moderno e vanguardista” seja a guitarra psicodélica de Say Thank You sobre fundo meio trip hop. Intelectualmente muito criativo, mas pouco engajante. Não se engane, porém, Woman não soa retrô.
O bom mesmo são as ondulações sensuais de Can’t Wait e Fool’s Gold; o fogo vocal dançável de R’n’B sessentista de Run Run Run e Coming to You, que também lembra funkaço à James Brown. A gritaria abençoada com base no spiritual resultando em balada diz presente em You Don’t Know e Back Together.
Chatinhos são as falações e interlúdios que cortam o T depois de um par de ouvidas; já deletei, quero música não papagaiada.
Não escutei por aqui, mas no canal aparentemente oficial da Jill, há o álbum completo.

Se você busca sonoridade retrô, seu oásis está em Cheers to the Fall, estreia de Andra Day, lançado dia 28 de agosto. Em 2012, ela postou alguns covers no Youtube, que fizeram o maior sucesso. Logo estava fisgada pela Warner. Esse apelo cyberpunk D.I.Y., mais a esperança das gravadoras de acharem a sucessora de Amy Winehouse e/ou a nova Adele jogaram a favor da moça, que não escapará, porém e por isso, das comparações inevitáveis com as 2 vozonas inglesas.
Inevitáveis referências, porque em diversos momentos o álbum beira à clonagem, mas não sejamos apressados em atirar o pau na gata; Andra tem muito charme e carisma próprios. Only Love soa realmente como Amy, mas também mostra seu potencial pra gravar uma canção-tema pro James Bond; parece que estamos ouvindo alguma música bondiana dos 60’s, mas há uma sub-camada de scratches transformados em instrumentos. Outros momentos Amy são Goodbye Goodnight e Gin & Juice; enquanto Rearview, Rise Up e Red Flags têm mais jeitão de composições pra/de Adele. Escrevendo assim, parece que estou querendo definir Andra Day negativamente. Não mesmo; é só pra dar uma ideia de como ela soa. Longe de ser mero fantoche ou cópia barata, o resultado dessa estreia é de alguém procurando sua voz, seu nicho. As 13 canções trazem o pathos de um talentão, percorrendo rhythm’n’blues, easy listening, baladas derramadas; soando antiquada como Amy, mas paradoxalmente moderna como a falecida. Se bobear entrará pra minha lista dos melhores do segundo semestre.

ALIMENTO ALBINO

Com um tiro de espingarda, caçador mata paca albina raríssima no rio Macauã

Paca albina é rara de ser encontrada

"Ele não sabia que tinha matado um animal tão raro”, disse um amigo do caçador

A necessidade de alimentar a família levou um morador de uma comunidade localizada no rio Macauã a sair à noite para caçar. Acostumado a matar tatu, paca, cotia e outros animais que são encontrados com facilidade nas proximidades das margens dos rios e igarapés, o caçador voltou para casa com o almoço do dia seguinte, uma paca.
Ao matar o animal com um tiro de espingarda, ele ainda não sabia que se tratava de uma raríssima paca albina. Somente quando direcionou o foco da lanterna é que percebeu algo diferente em seu pelo. Tratava-se de um animal raro, e que talvez ele nunca mais volte a se encontrar com outro igual.
“A vida de quem mora na zona rural é muito dura, e o nosso supermercado é a mata. Quando os nossos filhos choram com fome temos que caçar, pescar, colher frutas e outros alimentos que a floresta nos oferece. Ele não sabia que tinha matado um animal tão raro”, disse um amigo do caçador.

domingo, 6 de setembro de 2015

CASTELOS

Em julho, passei alguns dias na bela, limpa e verde Escócia. Uma das coisas que mais tem lá é castelo. A maioria cobra ingresso e é bem legal visitar essas fortalezas militares, que também serviam como moradia. Mas, depois de 3 ou 4, tudo passa a ser mais do mesmo, até porque eu já estivera em castelos na Dinamarca e Suécia. As pessoas definitivamente eram mais baixas no medievo, que baixinhas são as passagens de uma sala pra outra, um saco! Depois de algumas cabeçadas e de ver tanta pedra, enjoei e passei a apreciar os castelos apenas por fora, mas ficam aqui registros de alguns belos lugares. 
Deficientes visuais precisam tomar muito cuidado com as escadas íngremes, os tais portais anões; cadeirantes nem sempre terão acessibilidade, afinal, essa não era uma preocupação medieval, concordam?
Depois posto mais castelos!





















PREOCUPAÇÃO MOÇAMBICANA

Foto de arquivo

Nampula luta contra tráfico de albinos

A violência contra os albinos começa a ganhar contornos preocupantes em Nampula, onde foram registados nos últimos meses nove casos de tráfico.
Adelicia Nicocora, da Associação Amor à Vida, constituída maioritariamente por pessoas com problemas de pigmentação na pele, disse que os seus associados vivem com muito medo.
"Se esta situação prevalecer, nunca mais será visto um albino na rua", disse Nicocora, que alertou que, por terem medo de raptos, as crianças estão a abandonar a escola.
Mitos e costumes que indicam que parte dos órgãos de pessoas com albinismo são fontes de riqueza são as principais causas dos ataques aos albinos.
A população acusa alguns praticantes de medicina tradicional de fomentarem os mitos.
Mas para o presidente da Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique - Nampula, Evaristo Jacinto, isso não é verdade. "A medicina tradicional em nenhuma parte do Mundo reconhece a pessoas com albinismo como fonte de riqueza," disse.
A Igreja Católica, através do vigário geral, padre Jacinto António Augusto, defende que o Governo deve aplicar a lei e respeitar os direitos humanos, porque os albinos são pessoas com direito à vida.
O Governo da província criou uma equipa para combater o fenómeno, que já iniciou actividades educativas.
Há um excelente áudio na matéria, com entrevistas e explicações, mas não consegui incorporar à postagem. Ouça-o no link:

REENCONTRO DA SUPERAÇÃO

Dois primos empinavam pipa perto da fiação elétrica. Quando ela enroscou num fio, o acidente grave. Ambos perderam os 2 braços e depois de meses de hospitalização e da amputação, finalmente se reencontram. Assistam:

sábado, 5 de setembro de 2015

DESEDUCADORES MOÇAMBICANOS

Professores indiciados de tráfico de albinos em Namialo
Oito indivíduos, dois deles professores, foram detidos na passada terça-feira, no posto administrativo de Namialo, distrito de Meconta, na província de Nampula, indiciados de envolvimento num esquema que visava o rapto de dois cidadãos portadores de albinismo para venda ao preço de três milhões de meticais.
Segundo o procurador Cristóvão Mondlane, que esteve em frente da operação que culminou com a neutralização dos indiciados-confessos, os albinos que seriam traficados respondem pelos nomes de Fania João, de 35 anos, e Samito Wazize, de 12 anos de idade.
Uma fonte da direcção distrital de Educação em Meconta confirmou ao jornal Notícias a detenção dos dois professores. Ainda segundo o matutino os dois presumíveis traficantes de seres humanos confessaram que seriam apenas intermediários na referida “operação” e que o rapto estava a cargo de um terceiro indivíduo, por sinal parente do cidadão albino.

ALBINO GOURMET 184

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

VENDA MACABRA

Pai tenta vender filho albino em Gaza

Um cidadão encontra-se a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM) na província de Gaza, acusado de tentar vender o próprio filho de 10 anos de idade, com albinismo, e simulou o desaparecimento do mesmo. O processo-crime contra o visado, cujo nome não foi revelado, está a seguir os trâmites legais para que ele possa responder em juízo.
Consta que o progenitor fez desaparecer a criança e manteve-a num esconderijo à espera de compradores, com os quais ele já tinha estabelecido contactos para o efeito. Dias depois, ao aperceber-se de que os clientes nunca mais manifestavam interesse, o indiciado dirigiu-se ao Posto Policial da Praia de Bilene, em Gaza, para alertar à Polícia sobre um hipotético desaparecimento do filho.
Jeremias Langa, porta-voz da PRM em Gaza, disse à Rádio Moçambique que uma investigação culminou com a localização do menor, que revelou ter sido o próprio pai a levá-lo ao referido esconderijo.
Refira-se que o Executivo moçambicano anunciou na terça-feira (01), no fim da 30ª Sessão do Conselho de Ministros, a criação de um grupo multissectorial de trabalho, liderado pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, com vista a encontrar medidas de protecção a pessoas com uma anomalia orgânica caracterizada por ausência ou grande falta de pigmento na pele nos olhos, nos pêlos e no cabelo, um problema que tende a ser notório na província de Nampula, onde dos oito casos já registados este ano pelo menos duas pessoas morreram.

PAPIRO VIRTUAL 96


Roberto Rillo Bíscaro

Li o terceiro romance da série policial protagonizada pela enfermeira Nina Borg. Coincidentemente, meu 3º é o número 3 duma sequência que nem fiz questão de seguir. Lene Kaaberbøl e Agnete Friis lançaram Nattergalens Død, em 2011, na Dinamarca, mas como não leio a língua, optei pela tradução pro inglês de Elizabeth Dyssegaard, publicada em 2013 com o título Death of a Nightingale (DOAN).  The Invisible Murder e The Boy in the Suitcase (clique nos links pra ler as resenhas) ganharam traduções em português, respectivamente Morte Invisível e Menino da Mala. Semana passada, meu endocrinologista contou do amor de sua esposa pelo norueguês Jo Nesbø, enfim, Nordic Noir segue tendência forte.
Em DOAN, as autoras apontam os holofotes pra Natasha e Rina, refugiadas ucranianas no campo da Cruz Vermelha, onde Borg é enfermeira e que haviam aparecido secundariamente em não lembro qual livro da série. Natasha estava presa acusada de tentar matar seu abusivo ex-marido dinamarquês. No dia da audiência com o juiz, Natasha foge dos guardas pra ir atrás da filhinha Rina. Nesse interim, o maridão agressor é encontrado morto e as suspeitas recaem sobre a jovem imigrante ilegal. Mas, não é apenas a sorridente polícia danesa (nos termos irônicos do narrador) que fareja Natasha e Rina. Há policiais ucranianos e um par de malvados do submundo também atrás dela, que fora casada com um jornalista escritor de artigos desagradáveis a certas pessoas. Intercaladas a esse tronco aparentemente central, correm as narrativas duma família na Ucrânia dos anos 30, dominada pelo jugo stalinista e dizimada pela fome e das cenas felizes ou não do casamento de Natasha com o Sapo Encantado Pavel. Claro que no final entenderemos como a história das irmãs Olga e Oxana cruzará a reta da pobre e sofredora Natasha.
As partes dedicadas ao período stalinista são infinitamente mais fascinantes do que a história policial mal contada de DOAN. Este é o livro menos interessante da série. Além de o desfecho ser anticlimático, a trama tem mais marmeladas do que nossa suspensão de descrédito consegue relevar. Natasha precisava dum carro e encontra numa casa onde houvera uma festa um jovem saindo bêbado com as chaves na mão. Há pessoas na porta, mas o narrador diz que o moço espera que elas entrem pra entrar no carro. Nem lembro a pífia desculpa pra isso, mas foi algo que me fez rir. Sem contar os repetidos dribles que a polícia dinamarquesa e um sistema de câmeras leva de Natasha e até duma garotinha asmática de 8 anos! E será que basta ligar pro 0800 duma megaoperadora de cartões de crédito que a mocinha vai falar pro chefona que alguém não identificado tem uma mensagem vital pra dona???
Se as autoras tivessem optado por escrever um drama social com final surpreendente sobre a sub-trama na Ucrânia dos anos 1930, provavelmente teria resultado numa história muito mais interessante. Crítica social faz parte do repertório delas, que não poupam de ironia a rica e liberal Dinamarca, mas o contraponto com locais tão qualitativamente mais deteriorados acaba reforçando a visão da península jutlândica como porto mais seguro, a despeito de seus defeitos, afinal, é lá que as personagens encontram pelo menos a possibilidade de viverem melhor.
DOAN sendo meu terceiro livro das escritoras, percebi que sua ambientação climática parece férias de professor: ou a Dinamarca está fervendo no verão ou congelando no inverno, caso desta narrativa. Não existe meia estação, como em nossas oportunidades de viagem, apenas em janeiro/julho. Lógico que isso Romanticamente reforça o drama.


Não que DOAN seja destituído de interesse em seguir lendo; apenas este não reside no foco supostamente central, que seria o policial. Com isso em mente, dá pra curti-lo legal. Mas, meu favorito continua The Invisible Murder

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

TELONA QUENTE 127

Roberto Rillo Bíscaro

Quando se historiciza o sub-gênero slasher, é obrigatório citar o italiano A Bay of Blood (1971), o canadense Black Christmas (1974) e há quem remonte ao hitchcoquiano Psicose (1960) pra desencavar características temático-formais do tipo de filme “inventado” por Halloween (1978), popularizado (detratores escreveriam bastardizado) por Sexta-Feira 13 (1980) e replicado à exaustão na fase áurea 80tista. Menos frequente é a menção ao obscuro The Town That Dreaded Sundown (1976). Slashermaníaco, há anos tencionava ver a produção. Há um par de fins de semana, aproveitei o ensejo de ver a homenagem do ano passado e fiz sessão dupla.
O diretor Charles B. Pierce, em plena América desencantada pós-Vietnã/Watergate/Crise do Petróleo, jogou balde de água gelada na tola idealização do Pós-Guerra, como período de inocência e paz. Entre fevereiro e maio de 1946, um assassino em série, conhecido como Phanton Killer, chacinou 5 pessoas na região de Texarkana, cidadezinha perdida na fronteira do Texas e Arkansas. Naquele ano, a comunidade se armou até os dentes, trancafiou-se em casa e literalmente abandonou Texarkana às dúzias devido ao pânico. Os ataques cessaram tão repentinamente quanto começaram e nunca se capturou o matador.
Mentindo que os fatos narrados são fidedignos aos acontecimentos, The Town That Dreaded Sundown quase não conseguiu molhar ninguém com seu banho de água gelada, mas isso não deve ser motivo de pesar: é bem ruim. Com elenco péssimo – o oscarizado Ben Johnson amargando decadência, protagoniza -, uma personagem horrível como alívio cômico que apenas enche o saco e problemas de ritmo, The Town That Dreaded Sundown vale mesmo pra fãs de Jason Voorhees verem seu “papai”. Não sei se o oportunista Sean S. Cunningham assistiu a isso, mas o Jason do segundo Sexta-Feira (onde 2 mortes são cópias de A Bay of Blood, diga-se) usa o mesmo tipo de roupa (até a cor!), o saco na cabeça e anda devagarzinho na floresta (e alcança a vítima que corre!), como o Phanton Killer.
A cena mais antológica é o assassinato com trombone, que o Phanton consegue assoprar mesmo com a fronha na cabeça! Notem como ele respira pesado (como em Black Christmas), prestem atenção às roupas, música incidental; puro Friday the 13th.

Muito, mas muito mais legal é a meta-homenagem homônima dirigida ano passado pelo estreante Alfonso Gomez-Rejón. 6 décadas após os assassinatos, o temor/culto ao Phanton Killer ainda assombra/fascina Texarkana. Todo Halloween, o drive in local reprisa o filme de 76. Durante uma dessas exibições, um mascarado mata uma mocinha e o pesadelo recomeça. Mas, quem seria o serial killer dessa vez? Teria alguma conexão com o verdadeiro Phanton? Poderia ter algo a ver com o filme? Pós-moderna e inteligentemente, o filme manipula ficção, realidade e “realidade”, além de não sucumbir à fórmula dos slahshers. Nada errado se o fizesse, mas diverte pensar que o primeiro pode ter dado algumas ideias ao sub-gênero e este, inserido portanto, numa tradição avolumada, não se submeteu ao conforto de segui-las. The Town That Dreaded Sundown 2014 obviamente apresenta lugares-comuns do horror, como mocinha traumatizada desacreditada e perseguida e reviravolta-surpresa na conclusão, mas é tudo tão bem-feitinho que nos absorve na história.  Até dinossauro de volta o filme traz, como tantas produções de horror têm feito. Veronica Cartwright faz a avó da mocinha.
Vai ver que o número de espectadores do filme de 76 aumentou devido ao de 2014. Não sei; tudo que sei é que pro público geral, recomendo apenas o mais recente. Que o outro fique pros fãs roxos de Sexta-Feira 13.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

CONTANDO A VIDA 121

Um dos baluartes da Nouvelle Vague está de filme novo na praça. Nosso cronista-historiador foi ver o novo Godard e saiu tão "cabeça", que escreveu lindo texto sobre o trabalho dese francês octogenário, que adora comunicar a impossibilidade da comunicação.
E, será que se leva pipoca e refri a um filme do Godard? Consultemos nosso assessor pra etiqueta-cabeça, o Professor Sebe!

PARA VER GODARD...
José Carlos Sebe Bom Meihy

Tem filme novo de Jean-Luc Godard na praça, e isso se torna acontecimento notável em agendas gerais. Sou admirador dele e, confesso, sempre que me lembro, ainda fico impactado com Nossa Música, 2004, e principalmente com o Filme Socialismo, 2010. Como ele inova e é radical na audácia e frescura dos 84 anos de vida! Só mesmo Godard para me fazer virar a esquina dos filmes fáceis, óbvios, comédias românticas com finais felizes. Todos sabem, sou fã da tradição que consagra “cinema como a melhor diversão”, portanto, de regra, “abaixo os filmes cabeça”. Como se trata de Godart, cuidei de ver logo a peça, pois já nos dias de estreia o afamado Adeus à Linguagem tem provocado tanta polêmica que optei por formular meu próprio juízo, além da usual prática que recomenda uma espécie de manual de instrução para o entendimento da filmografia godardiana. Pois bem, arrumei minha melhor fantasia de intelectual e lá fui à sala repleta de pessoas que pareciam esparramar inteligência. Mediante tanta solenidade, abdiquei da pipoca e do refrigerante, pois não me parecia bem compor meu figurino com apetrechos tão prosaicos. É lógico que fui no melhor cinema e não admitiria ver o filme sem o recurso da terceira dimensão, do som refinado, condições coerentes com a indicação do diretor que não permitiu inclusive que todas as falas fossem traduzidas.
No caso de Adeus à Linguagem, a sutil chave do entendimento foi dada pelo próprio Godard que desde o título, ludicamente brinca com as palavras: “ah Deus” que vira “Adeus”, e “au langage” que se transforma em “à Linguagem”. Fica assim dada a partida para exigentes decifrações que se alongam por rápidos 70 minutos. O jogo, o tal trato lúdico, é ferramenta essencial para o entendimento do enredo. Enredo? Eu disse enredo?... Há um vestígio de trama: um casal que aparentemente se ama, mas não consegue se comunicar e que tem um cão. Na aparência tudo é fragmentado, interrompido, quebrado, e sugere não haver conexão entre cenas de um cotidiano absurdo, naturalizado na ilógica da vida moderna. Diria mesmo que um dos exercícios de Godard é indicar caminhos para a recepção de mensagens fraturadas, mas, ao mesmo tempo, trata de formular ciladas que exigem do espectador ligações sempre provisórias e titubeantes. Os poucos protagonistas humanos se compõem principalmente com a televisão que passa filmes antigos e com o cachorro. O cão, aliás, é apresentado, segundo evocação darwiniana, como “o único ser vivo que ama mais seu dono do que a si próprio” e a mensagem subliminar que percorre todo o filme conduz à fatalidade, à solidão, ao egoísmo e desencontro. A aludida perda da linguagem acontece em meio à inviabilidade da comunicação. Chegando a esse entendimento, o filme alça graça e beleza, condições para a sobrevivência no caos.
A narrativa fílmica de Adeus à Linguagem é atrevida, cheia de ângulos e animada por alternâncias de cores exageradas e preto e branco destacado em retratos primorosos. Em várias passagens há apelos impressionistas e Monet não passa despercebido, assim como breves frases musicais de Beethoven. Como um todo, o filme é um ensaio experimental, montado com imagens das mais diversas texturas e se vale de citações que se repetem na busca de nexos. Contrastando com o nonsense das cenas, pensadores selecionados e dizeres explicadores da filosofia transparecem costurando imagens com a memória dos espectadores. Tudo é criativo e desafiador. Com mais esta joia do cinema contemporâneo, Godard revoluciona a linguagem audiovisual e nos leva a admitir a contradição enunciada no título do filme. Nada de Adeus à linguagem. Ela é viva e se refaz. O filme é difícil de ver, mas imperdível.  

terça-feira, 1 de setembro de 2015

SALIF KEITA PROMOVENDO INCLUSÃO ALBINA

Símbolo da luta contra o preconceito, cantor albino desabafa: “Tive que batalhar muito para ser aceito”

Conhecido como “voz de ouro da África”, Salif Keita foi rejeitado pelo pai na infância

Nem mesmo o sangue azul de Salif Keita, membro de uma família que descende do fundador do Império Mali, foi suficiente para livrá-lo do preconceito devido à cor de sua pele. Assim como muitos outros albinos africanos, Keita foi rejeitado pelo pai quando criança e vítima de preconceito na aldeia onde morava.
Sem nunca se abalar com qualquer forma de discriminação que passasse por seu caminho, Keita quebrou com a tradição familiar ao apostar na carreira de cantor e, hoje, é conhecido como a “voz de ouro da África”. O músico ficou famoso em todo o mundo ao participar da trilha sonora do filme Ali, estrelado por Will Smith, com a cançãoTomorrow.
Aos 65 anos, Keita é um dos maiores símbolos da luta contra o preconceito e a perseguição a albinos. Em entrevista ao R7, ele contou um pouco de sua vida e da Fundação Salif Keita, criada em 2005 para ajudar pessoas com albinismo na África.
R7: Como o senhor descobriu sua condição genética?
Salif Keita: Eu descobri que tinha albinismo quando eu tinha uns cinco ou seis anos. Foi muito dramático saber que eu era diferente, já que eu era o único da minha aldeia. Eu tive que batalhar muito para ser aceito.
R7: O senhor teve alguém algum problema dentro da família ou na escola devido ao albinismo?
Keita: A princípio, eu fui negado pelo pai quando nasci, mas depois ele mudou de ideia, me aceito e me criou. Já na escola, eu fui expulso de uma e me disseram que era porque eu havia assustado os outros alunos e o professor.
R7: Como o senhor lidou com a discriminação?
Keita: Acho que sempre tive uma força muito grande para ser discriminado, eu construí um caráter e uma personalidade fortes. Sempre pensei que as veriam Salif e não o albino, então, não dou a chance de me discriminarem.
R7: O fato de o senhor pertencer à linhagem real do Mali o ajudou a conseguir aceitação social?
Keita: Uma vez aceito pelo meu pai, toda a família me aceitou também. Eles não entendiam minha diferença, mas sabiam que era a vontade de Deus que eu fosse dessa maneira e sabiam também que eu tinha um grande destino.
R7: E como eles reagiram quando o senhor resolveu ser músico?
Keita: Como minha família é nobre, era proibido tocar música. Eles não queriam que eu rompesse essa tradição e ficaram muito chateados quando eu me tornei um músico. Depois de um tempo, quando eles viram o sucesso que eu tinha ao redor do mundo, começaram a mudar de ideia, mas eu sei que eles ainda gostariam que eu tivesse outro tipo de sucesso.
R7: Além da sua música, como o senhor luta pelo fim do preconceito contra os albinos?
Keita: Com certeza com a minha imagem, eu quero ser um exemplo de como lidar com a sua diferença, aceitar e amar a si mesmo. Assim, os outros vão te amar também.
R7: Por que o senhor criou a Fundação Salif Keita?
Keita: Eu sou albino e é meu dever de ajudar os outros com essa condição.
R7: Qual mensagem o senhor mandaria para os albinos que ainda sofrem preconceito pelo mundo?
Keita: Nunca desista, você é perfeito do jeito que é.
Fundação Salif Keita
Casada com Keita desde 2008 e mãe de dois filhos do cantor, Coumba Makalou é diretora executiva da Fundação Salif Keita, criada em 2005 para ajudar pessoas com albinismo na África, e também conversou com R7 sobre o trabalho que eles desenvolvem na África.
R7: Como a fundação ajuda essas pessoas?
Coumba: Nós fazemos campanhas para informar as pessoas sobre a condição genética, damos assistência médica gratuita aos que têm problemas de pele ou feridas, nós fornecemos filtros solares gratuitos, chapéus e óculos de sol.
R7: Quantas pessoas já foram ajudadas por vocês?
Coumba: Temos cerca de 3.000 membros registrados albinos no Mali, recebemos entre 10 a 15 novos membros a cada semana e todos estes recebem os benefícios listados acima. Temos também levado pacientes com ferimentos graves para outros países para melhor atendimento e coberto todas as despesas.
R7: No seu contato com vítimas de preconceito, qual história mais te tocou?
Coumba: No ano passado, nós recebemos uma menina albina de 12 anos e a mãe, que era viúva. Quando seu marido morreu, os moradores da aldeia onde elas moravam as expulsaram, dizendo que elas eram amaldiçoadas.  A menina tinha um grande ferimento na cabeça e elas não tinham para onde ir.
A mãe sabia da Fundação do meu marido, Salif Keita, e decidiu vir a pé desde a aldeia para tentar encontrá-lo, porque ele iria ajudá-las. Elas não tinham dinheiro, nem lugar para dormir ou comida.
Nossa equipe levou as duas para um hospital, mas ninguém iria tocar a menina albina. Eu fiquei tão chateada que, no dia seguinte, fui para o hospital com jornalistas internacionais para intimidar os funcionários do hospital. E, claro, eles decidiram começar a ajudá-la.
Isso partiu meu coração, saber que sem as câmeras ela seria tratada como nada e deixada sofrendo para morrer.
R7: Em geral, como é a vida dos albinos na África?
Coumba Makalou: Muito difícil. Albinos na África tem que lidar com a discriminação devido à ignorância sobre a sua condição. As pessoas são, na sua maioria, analfabetos e não entendem como um bebê branco pode vir de pais negros.
R7: Quais são as maiores dificuldades que eles enfrentam na vida?
Coumba: O sol é o maior inimigo para as pessoas com albinismo, porque eles não têm a melanina, que atua como protetor solar na pele e nos olhos. Muitas pessoas com albinismo morrem antes dos 30 anos por causa de câncer de pele.
R7: Como é a inclusão deles no mercado de trabalho?
Coumba: As oportunidades são limitadas porque muitos albinos não recebem educação seja por serem pobres ou devido a problemas de visão. E mesmo os que conseguem estudar são preteridos, porque a maioria dos empregadores prefere contratar os negros.
R7: Na sua opinião, qual é a melhor forma de combater o preconceito?
Coumba: Por meio da sensibilização para o fato de que o albinismo é uma condição simplesmente genética, que ocorre em todas as raças. É apenas uma falta de produção de melanina que deixa a pele dos albinos branca, independentemente da raça. Portanto, devemos nos concentrar no fornecimento de informações sobre a doença e criar imagens que mostram a beleza de albinismo para que outros possam apreciá-los como seres humanos e não 'fantasmas' ou 'intocáveis'.
R7: Quais os objetivos da Fundação para o futuro?
Coumba: Temos de planos de arrecadar ainda mais fundos para construir uma escola especializada para albinos, uma clínica médica e expandir nossa produção de protetor solar.

TELINHA QUENTE 175

Roberto Rillo Bíscaro

No início de junho, a Netflix colocou no ar os 12 episódios da primeira temporada de Sense8, criada pelos idealizadores de Matrix. Indicada por um amigo recente e alinhada com meu gosto por ficção-científica e interesse por produções de plataformas novas como Netflix (House of Cards) e Amazon (Transparent; Grace and Frankie), passei a série na frente da quilométrica fila que tenho em HDs. A policulturalidade/localidade também contou pra essa decisão, que, se não errônea, também não entusiasmou tanto.
Os sensate possuem conexão jamais claramente explicada. Essa ligação permite que compartilhem emoções e habilidades, comuniquem-se e até interajam mesmo habitando locais tão díspares como Quênia, Inglaterra, Coreia do Sul ou EUA. Assim, quando a transexual de San Francisco está em perigo, o policial de Chicago transfere a ela sua habilidade em violar algemas; quando o moço em Nairóbi está em apuros, a lutadora coreana pode ajudá-lo na briga e até pode rolar uma suruba com o ator mexicano gay.
O conceito é realmente interessante, resultando em cenas e situações lindas, instigantes e inteligentes. As histórias individuais de cada um dos 8 sense8 variam em nível de interesse, mas são dramas com os quais podemos nos identificar.
O problema é que fica tudo muito no ar. As perguntas abundam: mas, só de uma hora pra outra – já meio tardinho na vida, né bebé? – eles começam a perceber a manifestação desses poderes? Por que os caçadores de sensates não começaram a caçá-los antes? A própria opção por não explicar muitas coisas resulta em interesse morno na maior parte da série. A gente demora pra se importar com a DJ islandesa que vive em Londres e, quando conhecemos sua terrível história, nem o incrível cenário da ilha de Bjork salva o anticlímax final.

Não diria que foi perda de tempo, mas Sense8 é mais fama e expectativa do que cumprimento e satisfação desta última. Com o volume de ofertas de séries, fica a dúvida se verei futuras temporadas. Passar na frente da fila já está claro que não vai rolar.