quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A DESCOBERTA DE FERNANDA

O programa Encontro com Fátima Bernardes destacou o trabalho Albinos, de Gustavo Lacerda, livro de fotos de pessoas albinas, lançado há poucas semanas. 
Fui convidado a estar no Encontro, mas não pude aceitar, devido à lei eleitoral, visto que sou candidato a deputado estadual por São Paulo. 
O casal albino Flávio e Fernanda estiveram e mandaram muito bem no papo com Fátima, confiram:
http://globotv.globo.com/t/programa/v/fernanda-so-descobriu-o-albinismo-aos-17-anos/3558297/

terça-feira, 12 de agosto de 2014

TÉCNICA DA SUPERAÇÃO

Experiência com estudante estimula escola a incluir mais pessoas com deficiência em cursos técnicos

A estudante Fabrícia de Souza Lopes (18) há um ano e seis meses realiza um novo sonho: ser a primeira pessoa da família a concluir um curso de qualificação profissional. A aluna, com deficiência física, é uma das primeiras pessoas com essa característica a ingressar em curso da unidade educacional do Serviço Nacional da Indústria (SENAI) em Araripina, município localizado na região do Sertão do Araripe, em Pernambuco. Fabrícia se prepara para se tornar técnica em segurança do trabalho e já planeja ingressar no ensino superior.

A estudante Fabrícia de Souza Lopes (18) em reunião com representantes da SDH/PR e direção do SENAI
Mesmo morando na zona rural de Araripina, a dificuldade de locomoção nunca foi impedimento para Fabrícia que sempre buscou qualificação profissional. Navegando de site em site, viu um anúncio de cursos gratuitos oferecidos pelo Senai no âmbito do programa nacional de qualificação técnica e tecnológica.
“Meus pais sempre precisaram trabalhar na roça e não conseguiram estudar, mas eu sentia vontade. Quando vi o anúncio de matrícula dos cursos profissionalizantes e soube que, ao me matricular, teria direito a transporte para ir estudar, pensei que seria a oportunidade perfeita”, explica a estudante.
Por ser aluna vinculada ao programa nacional, Fabrícia recebe R$ 2 por hora aula, como auxílio para transporte e alimentação. Por estar em um curso de 160 horas, e já que utiliza o transporte municipal gratuito para moradores de áreas rurais, o recurso foi usado para melhorar a qualidade de vida da família.
“Minha família percebeu que eu podia melhorar de vida mais rápido com os estudos. Hoje eu falo em fazer faculdade, também na área de segurança do trabalho e ninguém mais me critica. Tudo o que penso atualmente é em continuar nessa carreira”, explica a estudante.
Inclusão
O empenho da estudante foi determinante para incentivar os profissionais da unidade educacional do Senai – Araripina a realizar busca ativa de pessoas com deficiência aptas a ingressar em cursos profissionalizantes oferecidos na região.
A ação será realizada em parceria com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), por meio do Programa Nacional de Atenção à Pessoa com Deficiência, que articulou uma rede de mobilização na cidade com a participação de associações comunitárias, secretarias e escolas municipais.
Atualmente, o Senai de Araripina possui 14 alunos com deficiência num universo com cerca de dois mil estudantes. Em janeiro desse ano, era oito alunos em cursos profissionalizantes oferecidos de acordo com a vocação econômica do municípios, responsável por 95% da produção industrial de gesso no país.
“Para o Senai é uma situação muito desconfortável, principalmente, porque os exemplos que temos refletem o quanto a formação contribuem para o desenvolvimento pessoal dos alunos com deficiência. Se chegam tímidos e cheios de medo, aos poucos se tornam alegres e cheios de planos”, explica Fernando Olegário, psicopedagogo da unidade do Senai Araripina.
Podem entrar em cursos tecnológicos todas as pessoas que tenham concluído os Ensinos Fundamental e Médio. De acordo com dados do Censo Escolar, existem 60 pessoas com deficiência com Ensino Médio completo na cidade e outras 302 com Ensino Fundamental. A redução deste déficit é o principal objetivo da parceria, que teve como articulador o consultor da SDH/PR que atua na região, Roberto Paulo do Vale Tiné.
As entidades e instituições farão a identificação e abordagem de pessoas com deficiência com Ensinos Médio e Fundamental completos, para incentivar a inclusão nos cursos. O Senai de Araripina será responsável por realizar as matrículas.
Quem trabalha não perde benefício
De acordo com Ana Lúcia Rodrigues Lima, gestora da Secretaria de Assistência Social do município, a principal dificuldade enfrentada para mudar o índice de ocupação das vagas é a resistência das pessoas com deficiência que já possuem benefícios assistenciais.
“O problema é a desinformação, mas também o medo de perder a renda. Medo de ir para o mercado de trabalho e não dar certo, perder o emprego e sem o benefício. Temos trabalhado para explicar que isso não ocorre, mas nem sempre acreditam em nós”, explica Ana Lúcia.
A pessoa com deficiência que entra para o mercado de trabalho tem benefício suspenso, mas nunca cancelado, podendo ser reativado no momento em que ficar sem emprego novamente.
A representante da Associação Comunitária da Bela Vista, Irene Gomes Leite, essa desinformação somente ser combatida com a participação de pessoas com deficiência e troca de experiência entre esse público. Deficiente física e com outros familiares também deficientes, ela acredita que entidades representativas devam atuar como multiplicadoras dessas políticas.
“Nosso papel é levar exemplos até esse público, para que percebam que a realidade é outra e não aquela que eles temem. Muitas vezes, o benefício é a única renda da família e é preciso também tratar desse problema considerando essa característica, do deficiente como provedor de renda doméstica”, explica Irene.
http://www.inclusive.org.br/?p=26753

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CAIXA DE MÚSICA 136


Quando criança e durante a maior parte da adolescência, ouvi radio AM, nos anos 70/80. Naquela época, FM tocava música pra classe média e AM era mais povão. Pelo menos, na região noroeste do estado de São Paulo era assim. Lilian, Kátia, Julia Graziela, Marcio Greyck, Ovelha, Adriano, Harmony Cats, eu poderia citar uma página. Esse pessoal também tocava nos programas de auditório do Sílvio Santos, Barros de Alencar, Bolinha, Chacrinha (pro qual Gal & Cia não recusavam convite, quando o Velho Guerreira estava na Globo).
Gosto musical é uma arena de combate por hegemonia e demarcação de território pra certas frações de classe. O que o sujeito ouve e o que gosta são marcas de pertencimento a determinado grupo. Por isso que Fernando Mendes é brega pra certos setores, mas quando Caetano Veloso regrava Você Não me Ensinou a Te Esquecer autoriza esses rincões a gostarem da canção, “refinada” pelo baiano.
Nunca tive problema em admitir que amo certas canções “brega” e jamais necessitei da chancela de medalhão da MPB (que me importa o que Adriana Calcanhoto indica ou diz?), mas sempre me interessei pelo assunto da “música brega”, especialmente dos 70’s. Por isso li com interesse a dissertação Eu Não Sou Lixo: música “brega”, indústria fonográfica e crítica musical no Brasil nos anos 1970, de Sílvia Oliveira Cardoso. O texto pode ser acessado aqui e baixado em pdf.


Inspirada pelo já clássico Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo, Sílvia se embasa em referenciais teóricos importantes, como a noção de gosto, do sociólogo Pierre Bourdieu, segundo a qual o gosto é forma de marcação de um lócus social e o materialismo histórico de Raymond Williams, que vê a cultura entremeada em todas as instâncias e não apenas como reflexo mecânico na desgastada fórmula da base e superestrutura.
O termo brega teve seu significado pejorativo meio esvaziado pelo uso da palavra pelos próprios músicos, pelo menos das gerações mais jovens, pra designar um bem sucedido estilo, o tecnobrega, que floresceu no norte e nordeste e gerou artistas nacionalmente conhecidos como Gabi Amarantos.
A autora defende que a substituição da emotividade dos boleros e sambas-canções dos anos 40 e 50 pela contenção classe-média da Bossa Nova relegou o excesso no canto e nas letras às classes populares.
Nos anos 60/70, a necessidade de artistas da Jovem Guarda de reorientarem suas carreiras com o declínio do movimento; a reestruturação musical de Roberto Carlos, que passou de roqueiro veloz a moço romântico e nos anos 70, cada vez mais apimentado; o surgimento de artistas oriundos das classes populares, que se utilizavam de ritmos valorizados por elas, como o samba, bolero, balada, somando-se ao desenvolvimento da indústria cultural de massa, o estouro de audiência de programas de auditório na TV, da popularização do LP como suporte mais difundido do que o compacto, constituíram terreno mais do que fértil pro sucesso de vendas de artistas bregas como Nelson Ned e Odair José.

A autora discorre sobre a liberdade concedida a artistas da chamada MPB pelas gravadoras, que não se preocupava tanto com suas vendagens – até porque músicos como Milton Nascimento vendem seus álbuns anos depois de lançados, diferentemente de artistas fabricados, cujas vendagens têm prazo bem menor de vencimento – e investia vultosas somas nas capas e produção dos LPs, ao passo que a galera brega não tinha como experimentar ou ter produtos de boa qualidade gráfica.
 Os 3 capítulos de Eu Não Sou Lixo: música “brega”, indústria fonográfica e crítica musical no Brasil nos anos 1970 demonstram como os gêneros musicais mais identificados com as classes populares foram desvalorizados ou encarados de forma paternalista por setores da imprensa. Os críticos musicais sistematicamente desvalorizavam a produção de artistas como Waldick Soriano, que vendiam alto, chegavam ao topo das paradas, mas não tinham respaldo na imprensa “séria” por serem “bregas”.
Embora a gente espere mais críticas extraídas do jornal coberto pelo longo período do recorte adotado por Cardoso, seu trabalho deve ser lido por interessados em música “brega” ou não. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

PAPIRO VIRTUAL 77



Roberto Rillo Bíscaro

Li meu segundo Nordic Noir, Paganinikontraktet (O Pesadelo na tradução pro português, lançada pela editora Intrínseca), segundo livro de Lars Kepler, pseudônimo dum casal sueco.
Uma jovem é encontrada morta num barco. Ela morreu afogada, mas como explicar que estivesse seca e na cama da embarcação? No dia seguinte, um funcionário graúdo responsável pelo controle das exportações de armas da Suécia – que diz ser neutra e amar a paz, mas está entre os 10 maiores exportadores de armamentos – é achado pendurado no teto de seu elegante apartamento. Pouco a pouco, a trama nos faz perceber a conexão entre os 2 ocorridos, aos quais muita carnificina é adicionada.
O detetive que literalmente sequestra a investigação é o finlandês Joona Linna, sabichão intuitivo um passo a frente dos colegas, no mais das vezes. Ele tem que aprender a trabalhar com uma parceira, Saga Bauer, dada a complexidade do caso, que envolve a segurança nacional do Reino da Suécia.
Com capítulos curtos e pluralidade de sub-tramas e personagens secundários, O Pesadelo diversas vezes tropeça no ritmo e perde o caminho dentro de seu próprio labirinto de ideias. Romances policiais têm que despertar comichão por leitura ininterrupta, mas isso é quebrado com demasiada frequência, tornando a obra irregular e com momentos que bem poderiam ter sido editados.
O relacionamento (?) de Joona e Disa não diz nada; a perseguição na floresta a um casal de namorados além de demorada culmina num encontro com uma celebridade esquecida de TV que os força a um jogo pretendido maluquete, mas que resulta apenas tolo. As constantes reminiscências sobre ativismo em Darfur chateiam pela procrastinação provocada. A ligação com música, Paganini e um vilão italiano que força a assinatura dum contrato (ao qual alude o título original) que se quebrado será pago com a realização do maior pesadelo do traidor é forçada demais. E o 50tão que só consegue dormir abraçado a uma garota com deficiência mental de 14?
Daria pra cortar um terço d’O Pesadelo e ficaria muito bom. Como está, é apenas mediano.  

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

GUSTAVO LACERDA NO DIÁRIO DO GRANDE ABC

Albinos são tema de livro de Gustavo Lacerda
Dizia Caetano Veloso que "Narciso acha feio o que não é espelho". Mas o fotógrafo Gustavo Lacerda e seu ensaio Albinos, agora reunido em livro pelas editoras Madalena e Terceiro Nome, mostra o contrário: o que sai do comum desafia e encanta. Há cinco anos, ele viu no parque do Ibirapuera, em São Paulo, um albino - não era a primeira vez, mas foi sim a primeira em que ele olhou com olhos de fotógrafo: os traços físicos, a delicadeza, a timidez de "um ser quase invisível", conta em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo por telefone.
A partir daí, o mineiro iniciou uma pesquisa na internet e conheceu o blog de Roberto Biscaro, O Albino Incoerente. Um contato levou a outro e em cinco anos realizou o ensaio Albinos, que já foi vencedor do Prêmio Conrado Wessel em 2011 e do Porto Seguro Fotografia em 2010. "A ideia de iniciar o trabalho veio quando percebi que, além da riqueza estética, havia ali questões importantes, como a invisibilidade social e a fotofobia - sendo que fotografia é essencialmente luz", explica.
O passo seguinte foi encontrar albinos e convencê-los a posar em seus estúdios montados em São Paulo, Rio e Maranhão. Foram 50 os retratados e 35 as imagens selecionadas para o livro. "Quando pensei em fotografá-los, decidi ir atrás dos tecidos que serviriam de fundo, uma lembrança dos antigos retratos de álbuns de família", comenta Lacerda. E dessa forma o livro foi criado, como um álbum de família, um diário.
O volume inclui em suas páginas uma carta manuscrita de uma mãe ao descobrir que suas gêmeas nasceram albinas. Foi também essa emoção da descoberta que Gustavo Lacerda usou no seu ensaio. O resultado é uma série de retratos de homens, mulheres e crianças registrados com extrema delicadeza, nos quais a beleza se impõe. Retratos clássicos que buscaram referencias em dois fotógrafos aparentemente antagonistas: Diane Arbus, que nos anos 1950 e 1960 procurava fotografar os que viviam à margem em Nova York, e Richard Avedon, conhecido por seu trabalho com moda, mas que nos anos 1980 fez um ensaio famoso retratando pessoas desconhecidas no oeste americano.
E se todo retrato é também um autorretrato, nas imagem de Lacerda quem aparece é o próprio fotógrafo. "Agora percebo que sempre trabalhei com a dualidade do que é feio e do que é bonito, de quem define esses padrões", comenta o fotógrafo. "Quando optei por produzir e de alguma maneira tirar a naturalidade do retrato, também optei por criar personagens, criar uma ficção."
Quando se veem os retratos de Albinos, percebe-se que os personagens criados têm vida própria, e como todo retratado só deixaram ser registrado o que eles queriam que fosse percebido. Há aqui uma relação de reconhecimento em que um se apresenta ao outro, em que um funciona e se constitui a partir do olhar do outro.
"Nem todos, a princípio, gostaram do resultado, mas com o tempo essa percepção mudou", diz Lacerda. "Eles gostaram de ser ver na exposições, no livro, de alguma forma se tornarem mais visíveis."
O retrato é um registro sempre fascinante e ao mesmo tempo difícil: apresenta, ou quer apresentar, a identidade de um indivíduo e quando realizado de forma séria, fugindo dos modismos dos "selfies", quase sempre impõe uma percepção inquisidora. Lacerda, embora seguindo uma linguagem clássica e conhecida, conseguiu fugir dos clichês e apresenta agora uma galeria de belos personagens, que por meio de seus olhares e do olhar do fotógrafo, se apresentam para o leitor/espectador. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

CAIXA DE MUSICA 135/TELINHA QUENTE 130



Roberto Rillo Bíscaro
Quando o rock’n’roll surgiu nos longínquos anos 50, era um fenômeno eminentemente jovem, feito por eles, destinado a eles e que muitos julgavam passaria rápido como uma adolescência. Não passou e hoje temos roqueiros já 70tões como Sir Mick Jagger, capaz de lotar estádios com os Stones.
Tão adolescente era o rock que quando os Beatles estouraram, já eram contraponto a uma geração de ”velhos”, como o The Shadows, cujos membros ainda estavam na primeira metade de seus vinte e poucos anos!

O significado do envelhecimento dos artistas do rock é o tema do competente documentário Forever Young: How Rock 'n' Roll Grew Up (2010), da BBC. Lembro-me que nos anos 80, quando de minha adolescência, Bowie, Elton John, Paul McCartney et al já eram “velhos” pra nós. Gostávamos deles até, mas, claro que não tanto quanto de Smiths, Culture Club, Duran Duran, que falavam mais nossa língua com sua sonoridade e visuais mais adequados a nossa faixa etária.

O documentário estabelece relações entre o amadurecimento dos artistas e do público e o florescimento do formato álbum ou a ascensão e sucesso do rock progressivo. Também ressalta outra faceta reacionária do movimento punk, ao voltar ao estágio excludente da galera mais velha, situação corrigida a partir dos anos 80, quando “os de mais idade” constituíram-se em nicho de mercado, fato astutamente escancarado por Iggy Pop (acha que ele ficaria de fora dum documentário?)
Mesmo sendo parte dum nicho com rádios e programas próprios, nós maduros, temos espaço na mídia musical de hoje dominada por Biebers e Lovatos cada vez com mais cara de bebês? Isso Forever Young: How Rock 'n' Roll Grew Up também questiona, em inglês sem legendas, no You Tube.

MAIS ZOOFILIA COM GAMBÁ

Gambá albino é encontrado em Vargem Alta

Valdinei Guimarães




Um gambá diferente dos outros membros da espécie apareceu na manhã desta sexta-feira (1º) em Vargem Alta. O animal tem o corpo totalmente branco e foi encontrado por um agricultor na localidade de Capivara, na área rural do município. Ele foi resgatado pela equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Animal será solto em área de preservação - Foto: Divulgação
O mamífero tem pelagem totalmente clara. Ele estava no quintal da casa do agricultor quando foi encontrado. De acordo com especialistas, a causa da coloração branca provavelmente é genética. “O albinismo é uma característica que, geralmente, não prevalece nas espécies. No caso deste animal, tanto o macho quanto a fêmea que o reproduziram tinham um elemento genético que o fez ter essa falta de pigmentação. É algo natural, mas raro de acontecer” explica Claudia Sampaio, analista ambiental do Núcleo de Fauna do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema).
O gambá está recebendo cuidados especiais e será devolvido ao seu habitat natural no próximo domingo (03). Ele será solto na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mata da Serra, também em Vargem Alta.


domingo, 3 de agosto de 2014

ALBINISMO NO CANAL SAÚDE

O programa Canal Saúde, da Fiocruz, exibiu edição dedicado ao albinismo, com a participação de uma dermatologista, um oftalmologista e a albina Mirian Dias, ativista do Rio de Janeiro, que já contou sua história aqui no blog.  
O Canal Saúde aborda cuidados com as pessoas albinas, preconceito, superação, educação, além de muita explicação científica sobre a condição genética. 

sábado, 2 de agosto de 2014

ILUMINANDO ALBINOS

Dia 31 de julho, o fotógrafo Gustavo Lacerda lançou o livro de fotos Albinos, resultado dum projeto de fotografar pessoas com albinismo, que vem desde 2009, e que me teve como um dos modelos. O Portal Imprensa entrevistou Gustavo. 

“Achei que seria interessante trazê-los para luz”, diz autor do ensaio “Albinos”

Gabriela Ferigato

Devido à falta de pigmentação e a sensação de fotofobia, é comum associar a ideia de que pessoas albinas “fogem” de qualquer tipo de luz. Fazendo o movimento contrário, o fotógrafo Gustavo Lacerda lança nesta quinta-feira (31/7) o livro “Albinos” (Editora Madalena/Editora Terceiro Nome), selecionado pela Coleção Pirelli/Masp em 2010 e vencedor dos principais prêmios de fotografia do país.
Crédito:Gustavo Lacerda
Ensaio do fotógrafo Gustavo Lacerda com fotografias sobre albinos brasileiros vira livro
Fruto de cinco anos de projeto, Gustavo fotografou cerca de 50 personagens com albinismo em seus estúdios localizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Maranhão. “Achei que seria interessante esse movimento contrário de trazê-los para luz, inclusive no sentido de se tornarem protagonistas”, conta.

Vencedor de prêmios como Conrado Wessel, em 2011, Gustavo acredita que não apenas os albinos, mas “todas as pessoas que convivem com o estigma de serem diferentes, sofrem muitos preconceitos e vivenciam situações de desrespeito”. “Apesar de vivermos num mundo com tanto acesso à informação, ainda somos, em geral, quase 'bárbaros' nessa questão do respeito às diferenças”, opina.

IMPRENSA - Quando e como surgiu a ideia de produzir esse ensaio? Quanto tempo durou? 
Gustavo Lacerda - Na verdade, sempre tive interesse em fotografar pessoas que não costumam ser fotografadas. Acho bonito a sutileza dos tons de pele e pêlos dos albinos, me remetem a algo quase etéreo, sutil. E o fato deles terem fotofobia e não possuírem melanina faz com que sejam pessoas que, naturalmente, “fogem” do sol. Achei que seria interessante esse movimento contrário, de trazê-los para luz, inclusive no sentido de se tornarem protagonistas.  
Como se deu a escolha dos personagens? 
Muitos deles eu encontrei por meio das redes sociais. Outros, descobri nas ruas, ao acaso. Boa parte das pessoas foi surgindo ao longo do projeto, no “boca a boca”: amigos, parentes e amigos de amigos das pessoas que eu fotografava. Todas as pessoas tornaram-se muito especiais para mim. Mesmo as inúmeras fotos que acabaram não entrando no livro, todas trazem tantas lembranças desses encontros, histórias que ouvi, silêncios que diziam tanto, às vezes tensões e sempre muita delicadeza. 
Como foi a recepção do convite? Todos aceitaram na primeira vez?    
Não, imagina. É natural que haja resistência quando se convida para um retrato alguém que normalmente não é escolhido para tirar fotografias; surge uma pergunta automática: “Por que eu?”. Por isso foi um projeto longo, um processo de pesquisa para encontrar essas pessoas, depois o convite e a conquista da confiança de cada um deles até chegar o momento de fotografar.
Existe alguma história, em especial, que marcou a produção desse ensaio? 
São muitas histórias marcantes. No pequeno texto do livro, por exemplo, cito o encontro com a Raimunda. Uma moça muito tímida que encontrei totalmente por acaso numa lojinha, dessas pequeninas tipo bazar, quando estava de passagem por Cururupu, interior do Maranhão. Ela estranhou aquele insólito convite de posar para uma fotografia que sairia num livro, mas acabou aceitando e me procurou no fim da tarde quando saiu do trabalho. Raimunda era de uma timidez extrema, mas trazia uma pureza que a tornava elegante, única.  Nas quase duas horas em que estivemos juntos, ela nada falou comigo, mas me disse tanta coisa com seus gestos sutis e seu olhar cheio de brilho. Muitas vezes as histórias mais comuns são as inesquecíveis.
Quais foram os principais cuidados na produção das imagens? 
Procurei trabalhar com uma luz difusa, que não afetasse tanto a fotofobia dos albinos, mas, ao mesmo tempo, trouxesse bastante brilho à pele e aos cabelos. Optei por intervir na escolha das roupas e nos fundos de tecido. Dessa forma tive mais domínio sobre a estética de cada fotografia. E, o mais importante, aquele ritual da pessoa escolher uma roupa que foi pensada especialmente para a foto, tornava o momento muito mais especial para eles e catalisava um turbilhão de sentimentos tão presente nas imagens: vaidade, tensão, orgulho, desconforto. Tive também a sorte de trabalhar com parceiros que abraçaram o projeto com tanta intensidade quanto eu, como a figurinista Zsa-Zsa Fantini que, em alguns casos, confeccionou a roupa especialmente para a pessoa que a usaria.
Em sua opinião, como os albinos são vistos pela sociedade? 
Acho que não apenas os albinos, mas todas as pessoas que convivem com o estigma de serem "diferentes”, sofrem muitos preconceitos e vivenciam muitas situações de desrespeito. Apesar de vivermos num mundo com tanto acesso à informação, ainda somos, em geral, quase “bárbaros” nessa questão do respeito às diferenças. O que pode ser feito para incentivar a inclusão de albinos na sociedade? Acho que o principal é investir em educação e em uma educação mais humanista, que preze valores e não apenas resultados e números.
http://www.portalimprensa.com.br/noticias/brasil/67215/achei+que+seria+interessante+traze+los+para+luz+diz+autor+do+ensaio+albinos

quinta-feira, 31 de julho de 2014

TELONA QUENTE 96


A partir de 1991, a Iugoslávia começou a desmoronar, tornando a península balcânica uma colcha ensanguentada de retalhos. Muitas etnias, religiões, idiomas e recalques, esses últimos materializados em tiro, porrada e bomba na Bósnia e adjacências.
O diretor sérvio Srdan Golubovic explorou os efeitos do conflito na vida de pessoas “comuns”, 12 anos após seu término, no solene Krugovi (2013). O filme baseou-se num fato pra exibir como ações funcionam como círculos concêntricos formados na água a partir do lançamento duma pedra.
Em 1993, um jovem soldado sérvio de licença na Bósnia salva um muçulmano de ser linchado por 2 soldados sérvios. Corte pra 12 anos adiante sem que saibamos o que aconteceu com o soldado salvador.
O muçulmano vive agora na Alemanha e é procurado por uma compatriota que quer salvar o filho do pai abusivo. Na Bósnia, o pai do soldado sérvio dedica-se à construção duma igreja e recusa violentamente um jovem que procura emprego. Em Belgrado, o muçulmano agredido é cirurgião de sucesso e é jogado no dilema de ter que salvar (ou não) a vida do chefe de seus agressores.
Revelando apenas no final o que aconteceu com o soldado sérvio ao salvar o vendedor muçulmano, Krugovi desvela aos poucos as inter-relações entre os diversos núcleos dramáticos. Não demora pra conjecturarmos o que passou com o soldado Marku e as relações, mas isso não importa: Krugovi não é suspense; é drama sobre consequências das ações e a possibilidade de perdão.
Lento, sem apelações de cine comercial, Krugovi é sério sem ser sombrio e o final deixa esperança no ar.  

quarta-feira, 30 de julho de 2014

ALBINO INCOERENTE NA CULTURA FM

Há pouco fui entrevistado por telefone pela repórter Cirley Ribeiro, da Cultura FM. 
Falei sobre o livro Albinos, do fotógrafo Gustavo Lacerda, que será lançado amanhã, em São Paulo. Também conversamos sobre superação, preconceito e albinismo de forma geral.
A entrevista irá ao ar no programa RadioMetrópolis, que começa às 9:00.
Você pode escutar a Cultura FM pela internet no endereço:
 http://culturafm.cmais.com.br/radiometropolis

GATO

Homem que sofreu transplante de rosto está 'inegavelmente atraente', diz revista


Richard Norris (Dan Winters/GQ)
Richard Norris estampa a capa da edição de agosto da publicação de moda GQ
Richard Lee Norris escondeu seu rosto desfigurado por 15 anos, até passar por um transplante facial que substituiu seu nariz, dentes e mandíbula. Dois anos depois, seu novo rosto estampa a capa de uma das revistas de moda masculina mais importantes do mundo.
Ele é o principal entrevistado da edição de agosto da GQ, revista sobre estilo e cultura que é conhecida por ter rostos bonitos nas capas.
Norris, de 39 anos, vivia em reclusão após ter sido gravemente ferido por um acidente com uma arma de fogo em 1997. Até o transplante, ele só saía à rua usando máscara.
Ele havia perdido seus lábios e seu nariz no acidente e tinha movimentos limitados na boca.
Agora, Norris, segundo a GQ, é "inegavelmente atraente". "Barbeado, jovem, o tipo de cara que você contrataria para ser o garoto-propaganda da sua empresa".
O transplante gerou polêmica, à época, porque a chance de sobreviver era de apenas 50% --e, ao contrário de outros tipos de transplantes, ele não precisava passar pelo procedimento para continuar vivo.
BBC
Norris antes e logo após a cirurgia
A revista afirma que, atualmente, ele não pode se queimar no sol, pegar um resfriado, beber, cair ou arriscar seu sistema imunológico de forma alguma.
Ele precisará tomar medicamento para não rejeitar o rosto pelo resto da vida. Até agora, já foi internado duas vezes devido a rejeições - que podem ser fatais.
À revista, Norris disse que tudo sobre seu novo rosto era ótimo. "Ele recebeu milhares de cartas de fãs. Uma das fãs agora é sua namorada. Ela mora em Nova Orleans. Ele disse que planeja conhecê-la pessoalmente", diz a publicação.

terça-feira, 29 de julho de 2014

TELINHA QUENTE 129


Ano passado, enfureci-me e frustrei-me com a série espanhola Imperium (saiba o motivo, aqui). Sabendo que a razão não se repetiria com Hispania, vi os 20 capítulos, exibidos entre 2010-12.
Hispania é derivada mais pobre do sucesso Roma (resenha aqui). Os produtores aproveitaram a figura de Viriato, lusitano que lutou contra os invasores romanos no século II AC, e esbanjaram imaginação folhetinesca numa série que ressalta o nacionalismo espanhol. Hispania deve ser encarada como diversão, jamais como aula de História.
O Pretor Galba é enviado à Península Ibérica pra manter e supervisionar a paz com seus habitantes, mas ao invés disso, comete descalabros, não apenas contra os hispanos, mas mesmo entre seus comandados. A ferocidade do comandante faz com que o pastor Viriato (fontes indicam que ele era de classe bem mais elevada) se subleve e aos poucos arregimente um exército que dá muito trabalho aos invasores.
Repleta de incongruências espaço-temporais (Roma parece situar-se a apenas algumas horas da Espanha; as personagens vão e vem duma cena pra outra) e situacionais (imagine que a esposa do pretor, uma patrícia, ficaria no acampamento durante o período de conquista), Hispania agradará apenas os dispostos a suspender a descrença a alturas siderais e curtir as traições e reviravoltas que acabam sempre no mesmo lugar.
Irava-me a constante música melodramática pra bombar emoção onde em realidade não havia e também os constantes açoites de chibata pra deixar costas em carne viva e meia hora depois a personagem estar vestida, lampeira ou deitada de barriga pra cima.
Mas, meus leitores sabem como me encantam emoções bem baratas e gente malvada na ficção. Como não amar a pérfida Claudia e, sobretudo, o delicioso Pretor Galba, interpretado por Lluis Homar (El Dia Más Dificil Del Rey). Sendo a série uma patriotada conveniente quando a Espanha chafurda em pântanos recessivos, a vilania de Galba quase sempre dá errado, mas é possível se se divertir muito com o malvado. Quem curte mocinhos e mocinhas, Hispania os oferece de sobra do lado hispano.

Novelão, sinta-se alertado quem não gosta!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

CAIXA DE MÚSICA 134


Roberto Rillo Bíscaro


5 anos de ausência no mundo pop pode custar caro a um artista, que corre sério risco de ser soterrado pelas areias do tempo, sempre em movimento de tempestade nesse ambiente onde a descartabilidade e a novidade imperam.
La Roux demorou essa eternidade pra lançar Trouble in Paradise. Elogiei sem reservas o revivalismo anos 80 do duo britânico, em resenha que pode ser conferida aqui. O referencial oitentista permanece na sonoridade, capa do álbum e no cabelão. A diferença é que agora La Roux é apenas Elly Jackson.
O synth pop continua dando as cartas, como atesta a viciante Uptight Downtown, que abre o álbum. Kiss and Not Tell e Sexotheque dão vontade de fazer coreografia com as mãos e sair saltitando; delícias cheias de barulhinhos e bugigangas oitentistas.
Silent Partner- aparentada a Shock the Monkey, de Peter Gabriel – tem mais de 7 minutos e não pode ser coincidência que duração e diversos cacoetes sejam os dos tão populares extended mixes de minha década favorita.
Em Let Me Down Gently o ritmo diminui dando lugar a uma melodia mid tempo acarpetada com sintetizadores, culminando numa explosão saxofônica, instrumento de sopro símbolo dos 80’s.
O único deslize é Paradise is You, balada sintetizada bem sem graça. Se alguém me dissesse que sou o paraíso homenageando-me com essa canção, ficaria desapontado achando ser ironia.
Evocando Prince, Bananarama (argh!) e um caleidoscópio liquidificado e atualizado de lugares-comuns dos anos 80, Trouble in Paradise está longe de ser um problema; é solução.

domingo, 27 de julho de 2014

ALBINOS CATARINENSES

O jornal catarinense Notícias do Dia publicou extensa reportagem com albinos do estado, discutindo seus problemas e realizações. Não pude copiar o texto, que pode ser acessado no link:

http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/186037-albinos-precisam-driblar-os-problemas-de-saude-e-o-preconceito.html

A SUPERAÇÃO DE REGINA

Em terra de quem quer viver, ser cego não é obstáculo

 A professora Regina Célia Ribeiro, de 46 anos, é uma assídua frequentadora da biblioteca Louis Braille, localizada no Centro Cultural São Paulo. Aos cinco anos de idade perdeu a visão decorrente do glaucoma, mas nunca desistiu de estudar e aproveitar a vida ao máximo.

Regina é formada em psicologia, pós-graduada em psicanálise e está cursando outra pós-graduação em filosofia. Conseguiu concluir todos estes cursos com ajuda dos materiais da biblioteca, tais como os livros em braille, leitura de voluntários e recentemente, o scanner que reproduz em áudio o texto escrito. “Aqui na biblioteca tenho a maior autonomia, faço tudo sozinha. Trago minhas revistas e fico aqui escutando quase o dia inteiro.”, falou Regina.
Alfabetizada em escola regular, Regina sempre foi a única da turma com deficiência visual, e por esse motivo, sempre precisou batalhar para ter acesso aos textos e conteúdos ministrados nas aulas. “Existem diversos recursos para tornar acessíveis os livros e textos, basta a pessoa querer aprender”, disse sorridente.
Apesar de ser cega, Regina tem uma vida muito ativa e não se incomoda em possuir esta deficiência. Adora sair para shows de música, barzinhos e até em ensaios de escola de samba. “Minha rotina é agitada, tenho a agenda mais ativa que diversos amigos que não possuem deficiência. Claro que tenho minhas adaptações, mas a deficiência não me atrapalha em nada, pelo contrario, me dá outras oportunidades”, fala com alegria.
Regina trabalha como professora readaptada em uma escola pública estadual há 22 anos. Adora seu trabalho, mas seu sonho é montar um consultório de psicologia. “Quero atuar na minha área de formação, sou apaixonada por psicologia. Quero ajudar pessoas com deficiência como eu, já que sempre superei e briguei para ter autonomia”, completa.

sábado, 26 de julho de 2014

ALBINO GOURMET 144

sexta-feira, 25 de julho de 2014

PAPIRO VIRTUAL 76

Formada em letras conta em livro sua história de prostituição; leia trechos

'O prazer é todo nosso', de Lola Benvenutti, sai no dia 11 de agosto.
Prévia exclusiva ao G1 fala de 'cura gay' e casal de meia idade em crise.


Literatura e sexo foram as atividades principais de Gabriela Natalia Silva, 22 anos, durante a graduação em letras. Ela se dividia entre o curso na Universidade Federal de São Carlos (SP), e a atividade de garota de programa. Ao se formar, começou a escrever na web sobre a experiência de prostituição, com o pseudônimo Lola Benvenutti. É assim que a garota de programa assina o livro em que volta a unir as duas atividades. "O prazer é todo nosso" (Editora MosArte) sai no dia 11 de agosto.
Em entrevista ao G1, Lola defendeu a escolha pela prostituição. "Tem uma categoria nos sites de acompanhantes de universitárias e fazem isso porque fazem faculdade particular e precisam pagar, mas eu nunca precisei disso, sou inteligente, fiz faculdade, optei por isso, qual o problema?". Ela rejeitou comparação com Bruna Surfistinha, que narrou a experiência em blog e livro. “Ela teve uma vida diferente da minha, com outras oportunidades."
No novo livro, a jovem nascida em Pirassununga (SP) conta sobre "momentos marcantes de sua vida como garota de programa, incluindo suas experiências com a alta sociedade", ela diz ao G1. A pré-venda começa no dia 30 de julho, no site da editora.
Leia abaixo trechos exclusivos de "O prazer é todo nosso":
'O prazer é todo nosso', livro de Lola Benvenutti (Foto: Divulgação)'O prazer é todo nosso', livro de Lola Benvenutti
(Foto: Divulgação)
'Nossa essência não tem 'cura''
"Em função de minha profissão, dia a dia sou colocada diante de questões que me fazem pensar cada vez mais sobre as barreiras fortíssimas de nossa sociedade em relação à sexualidade e, sobretudo, em relação à liberdade sexual dos indivíduos.
Embora eu não seja formada em psicologia, o fato é que muitas pessoas me procuram crendo que eu posso ajudá-las. Um desses casos aconteceu com Juno. Ele me ligou tímido, a voz triste quase não saía e eu mal podia escutar o que ele me dizia. Explicou-me que era gay, como se isso devesse ser justificado de alguma maneira, e logo demonstrou que não se conformava com isso. Em linhas gerais, ele queria sair comigo para ver se gostava de mulheres, queria sair com uma puta para tentar provar que era “macho”.

Sua súplica fez com que eu me compadecesse e cedi ao seu pedido. Foi um dos atendimentos em que fiquei mais tensa, pois eu queria realmente ajudá-lo, mas não acredito que se possa exorcizar o lado gay de uma pessoa, justamente porque esse dado não é uma doença, embora “psicólogos” sem ética vendam “curas” por aí, principalmente nas portas das igrejas

O que eu queria era que Juno percebesse que viveria em conflito até que conseguisse enfrentar seus medos, seus anseios e seus desejos. [...] Conversamos muito e percebi que se ele não entendesse e aceitasse sua orientação sexual, em um esforço de se enganar, ele seria muito infeliz.
Como não podia deixar de ser, embora haja exceções, Juno vinha de uma família ultraconservadora: o pai era um médico tradicional e a mãe uma dona de casa voltada exclusivamente às vontades do marido. O pai exaltou seu primeiro filho homem e determinou que o criariam para que fosse um macho capaz de “comer” uma menina por dia. Para isso não faltavam rituais: o doutor o levava a puteiros constantemente e, quando Juno finalmente ia para o quarto com uma garota, ficava tão inquieto e sem jeito que as garotas, entendendo sua situação, simplesmente se deixavam ficar no quarto, apenas esperando a hora combinada terminar.
O jeito como ele falava sobre as garotas evidenciava certa aversão em relação ao ambiente e ao próprio corpo feminino. Era um bloqueio e eu percebi isso quando tentei me insinuar algumas vezes. Juno fingia não me ver diante dele. Seu olhar fugia de mim, direcionando-se para o teto, os móveis, o quadro na parede... [...] Cada vez que ele se dava conta de que estava “fugindo” de mim, seus olhos começavam a lacrimejar [...] Então bolei uma estratégia [...]"

Gabriela Natália da Silva, ou Lola Benvenutti, se formou no curso de letras em São Carlos, SP (Foto: Felipe Turioni/G1)Lola Benvenutti se formou no curso de letras em São
Carlos, SP (Foto: Felipe Turioni/G1)
'A reinvenção dos prazeres'
"O número de homens de meia idade, e casados, que vêm até mim com a queixa de que suas mulheres não os desejam mais, ou que eles não as desejam mais, é realmente elevado. Mas nem todos estão dispostos a ouvir o que tenho a dizer: que devem conversar com suas parceiras, que um casamento pode ser renovado apesar do tempo e que contratar uma prostituta para “amenizar” uma frustração – embora me renda lucros – não vai resolver o problema conjugal que eles têm. Assim como os corpos mudam com o tempo, também os desejos seguem esse movimento de transformação e precisam ser redescobertos a todo o momento.
Nossos desejos são subjetivos e dizem respeito a cada um [...] Em uma relação conjugal, se o casal for realmente sincero entre si, os parceiros conhecerão as necessidades e os desejos sexuais um do outro na medida em que se relacionam sexualmente. Tenho prazer em descobrir nos corpos com que me deito o que lhes dá prazer e o que neles me dá tesão. Sexo é, portanto, sempre um ato de constante aprendizado já que os corpos se transformam diariamente, natural ou artificialmente, havendo sempre algo por se desvendar e experimentar.
Numa manhã de sexta-feira, recebi a ligação de Lúcia.
— Você é a Lola que é... – Tentava perguntar com uma insegurança que lhe fazia tremer a voz.
— Garota de Programa? Puta? Sou eu sim.
— ...
— Posso ajudar?
— É que... Acho que meu marido não sente mais tesão por mim. E eu até entendo, porque já não tenho mais 20 anos, não tenho mais um corpo lindo e jovem como o seu... Mas estamos casados há um bom tempo e... Desculpa por te falar essas coisas!
— O que é isso, querida. Fale mais, vai que posso ajudar vocês.
— Eu já tentei de tudo, Lola. Até o que eu não gosto, que é aquilo por trás, já deixei meu marido fazer, mas acho que ele quer se separar porque não tem mais desejo por mim. Mas a gente se ama, sabe? Ou se acostumou a se amar assim.
— O que acha de combinarmos um dia para conversarmos pessoalmente. Se você está me ligando é porque acho que deseja fazer alguma surpresa para ele...
— Você pode almoçar comigo hoje?
E lá fui eu, Lola, almoçar com essa mulher misteriosa. Conversamos muito e a estranheza que ela sentia diante de algumas coisas que eu falava era nítida, afinal, sexshops, sextoys, ménage à trois, etc. não eram expressões comuns para ela. O legal é que a curiosidade persistia e ela concordou em experimentar coisas novas com seu parceiro. No início, ela queria me “dar de presente” para seu marido, mas depois de horas de conversas resolveu que eu seria a encarregada de presentear os dois com uma noite inesquecível e renovadora.
Na noite esperada, o casal chegou ao quarto do motel. Ele mostrava-se sisudo e muito desconfiado de tudo e a Lúcia estava em nervos. Chamei-os para perto da cama, servi-lhes vinho, petisco com queijos e torradinhas temperadas, e me dediquei a conhecê-los melhor.
Alguns casais que atendo são verdadeiramente safados, não há descrição melhor. Alguns acabam comigo em poucas horas e se divertem horrores, já outros ficam assim, tímidos, receosos com a forma como seu parceiro reagirá caso toque o meu corpo.
Depois de algumas taças de vinho comecei a puxar assunto sobre sexo e aí a coisa foi ficando interessante [...]"

quinta-feira, 24 de julho de 2014

NÃO PASSANDO EM BRANCO!

Série de fotografias sobre albinos brasileiros vira livro

Trabalho do fotógrafo Gustavo Lacerda teve início em 2009.
Ensaio 'Albinos' recebeu os principais prêmios de foto do país.


O trabalho "Albinos" do fotógrafo Gustavo Lacerda, vencedor de prêmios como Conrado Wessel, em 2011, e parte do acervo do MASP ganha agora o formato de livro. O lançamento acontece dia 31 de julho, com uma projeção de imagens e a presença de protagonistas, no Madalena CEI, em São Paulo

Apesar de manter seu trabalho comercial, Gustavo sempre foi fascinado por fotografar quem não costuma ser "o escolhido para a foto". Há tempos, ele viu um albino no Parque do Ibirapuera e ficou observando os traços físicos, a delicadeza e a timidez do rapaz; era como se fosse alguém invisível ali. “A ideia de iniciar o trabalho só veio em 2009, quando percebi que além da riqueza estética havia questões importantes, como a invisibilidade social, a fotofobia, sendo que a fotografia é essencialmente luz. Fui me envolvendo e o projeto foi crescendo, não imaginava aprofundar tanto”, conta Gustavo.

Foram fotografados cerca de 50 albinos durante cinco anos. No livro, são 35 imagens. As fotografias foram feitas no estúdio do artista, em São Paulo, e também no Rio de Janeiro e no Maranhão, em lugarejos próximos à ilha de Lençóis, conhecida pela alta concentração de albinos.

Sobre as fotografias feitas fora do contexto onde vivem estas pessoas Gustavo revela, “no início cheguei a experimentar esse caminho, mas logo percebi que, ao convidá-los para um ambiente formal de estúdio, eu mexia diretamente com a autoestima, já que estava lidando com pessoas que normalmente não vivem a posição de protagonistas”, daí a opção por intervir nos figurinos, nos cabelos, na maquiagem e nos fundos de tecido cenográfico. “Além de me oferecer mais controle estético, a produção tornava o momento especial para eles. Acredito que venham daí os sentimentos tão presentes nesses retratos: misto de orgulho e vaidade, desconforto e incômodo”.

Em uma das páginas do livro, o leitor pode manusear uma carta, escrita pela mãe de duas irmãs gêmeas albinas. “Ela conheceu meu trabalho pela internet, enquanto pesquisava informações sobre albinismo, pois não havia casos em sua família. Mandou um email para mim, agradecendo, porque viu um lado poético nas imagens. As meninas eram muito pequenas ainda e ela não estava segura se seria uma escolha delas serem fotografadas. Mas quando tinham quase dois anos, fui ao Rio pela primeira vez clicá-las. Mantivemos contato. Em uma exposição em Tiradentes, tive a ideia de incluir uma carta desta mãe contando sobre a experiência ao perceber que as filhas eram albinas."
Livro "Albinos"
Fotografias e textos: Gustavo Lacerda
Editora Madalena, Editora Terceiro Nome
Preço: R$ 90
Thifany, fotografia do livro Albinos (Foto: Gustavo Lacerda/Divulgação)Thifany, fotografia do livro Albinos (Foto: Gustavo Lacerda/Divulgação)
Fotografia das gêmeas Helena e Mariana (Foto: Gustavo Lacerda/Divulgação)Fotografia das gêmeas Helena e Mariana (Foto: Gustavo Lacerda/Divulgação)http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/07/serie-de-fotografias-sobre-albinos-brasileiros-vira-livro.html

TELONA QUENTE 95

Jeitinho Romeno

A Romênia vive sua Nova Onda cinematográfica. Em 2007, por exemplo, Cristian Mungiu ganhou a Palma de Ouro por seu realista e deprimente 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, sobre uma garota que tenta um aborto na era Ceuasescu. Resenhei o filme de estreia do diretor, Occident (2002), texto que você pode ler aqui.
Ano passado, o Urso de Prata do Festival de Berlim foi pra Poziția Copilului (Institnto Materno, em nossos cinemas),  drama dirigido por Călin Peter Netzer. A trama se passa na atualidade e apresenta um setor da classe-média que age de modo muito semelhante ao dum país latino-americano famoso pelo decantado “jeitinho”.
Cornelia é cenógrafa e loira oxigenada, mãe superprotetora de Dinu. Quando o filho se envolve em um atropelamento fatal, que vitima um adolescente pobre, ela ativa sua rede de contatos pra fazer de tudo pra livrar o trintão das consequências.
O tema do sufocamento materno salta aos olhos, porque o roteiro insiste – um tanto exageradamente – na vontade ditatorial de Cornelia, que apenas conseguiu criar um filho tão insensível ao outro, inclusive à própria mãe, como ela. A atriz Luminita Gheorghiu dá um banho de interpretação, seja transmitindo a antipática soberba de quem se acha no direito de levar vantagem em tudo, seja desabando em frente ao pai do garoto atropelado. Mas, sem a condução emocional de trilha sonora incidental e com atuações sóbrias, Poziția Copilului transmite todo o calculismo frio das relações humanas reificadas.
A dimensão social penetra no relacionamento paternalista com a empregada, a qual Cornelia presenteia com um sapato usado e chama pra tomar café juntas apenas pra poder reclamar do filho ou na relação com os policiais, que não demoram a querer tirar casquinha das possíveis conexões sociais de Cornelia. Enfim, Poziția Copilului trata de níveis de corrupção que permeiam desde o relacionamento familiar até as instituições.