quinta-feira, 18 de abril de 2013

TELONA QUENTE 72

Ficção-científica não se restringe a espaçonaves, guerras interestelares ou cyborgs totalitários derrotados por humanos tecnologicamente subdesenvolvidos. Também não são necessários orçamentos cheios de zeros à direita do vírgula e efeitos especiais georgelucanos.
Domingo à noite, vi Transfer (2010), produção alemã, que, se não genial ou inquietante, pelo menos oportuniza discussões sobre racismo, tráfico de pessoas, (gen)ética.
Um casal de idosos, Hermann e Ana - a esposa é cancerosa terminal - procura uma empresa que promete vida eterna: as informações do cérebro velho são transpostas pra cabeças e corpos jovens. Os jovens são voluntários, em sua maioria imigrantes ou não-caucasianos, que por livre e espontânea pressão da necessidade econômica concordam em borrar suas existências. Apenas durante 4 horas por dia – mas, somente nos três meses iniciais de adaptação – as consciências dos jovens podem “acordar”. O altíssimo preço da transfusão de cérebros obviamente permite acesso apenas a europeus afluentes.
Transfer foca muito nos casais envolvidos no procedimento, mas é interessante ao mostrar como um branco inconsciente pro racismo e pra possiblidade de agência social começa a alterar sua opinião, quando, literalmente, na pele do oprimido/explorado. Claro que o ideal seria a desnecessidade disso, afinal, não carecemos pisar no caco de vidro pra saber que corta.
O tom pode ser sóbrio ou quieto demais pros desesperadamente acostumados a certo cinema norte-americano que apela pra emoção mais baratinha, mas essa distopia germânica pode ser pedida boa.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

UM CERTO COTIDIANO ALBINO

Fotógrafo registra rotina de 3 crianças albinas filhas de pais negros


O que é melanina? Se você está entre aqueles que já ouviram falar disso por aí, mas não faz ideia do que se trata, fique atento a esta explicação simples: melanina é um pigmento natural que, no corpo humano, é responsável pela coloração e proteção da pele, dos olhos e do cabelo.
É por causa da melanina que você consegue ir à praia e não ter problemas com a grande quantidade de luz – tanto aquela que chega até seu corpo como a que reflete nas areias brancas. A coloração do seu cabelo, dos cílios e sobrancelhas só existe porque a melanina está presente.
E o que acontece se alguém não tiver essa substância? Existem pessoas sem melanina? Existem. A maioria delas sofre de uma condição chamada albinismo. São pessoas com a pele extremamente clara, olhos muito sensíveis e cabelos de coloração quase branca. Elas precisam de cuidados especiais, principalmente quando o assunto é a exposição à luz do dia.
O fotógrafo Alexandre Severo passou alguns dias com uma família nordestina brasileira, a qual é composta por pais negros e cinco filhos, sendo dois negros e três albinos.
O albinismo, nesse caso, apareceu devido à combinação genética dos pais, que são heterozigotos, ou seja, possuem pares de genes que apresentam genes diferentes um do outro. Essa foi a explicação dada por Valdir Balbino, professor do Departamento de Genética da Universidade Federal de Pernambuco.
Ele explica também o que muita gente pode ter problema para entender: como é possível que pais negros tenham filhos “brancos”? De acordo com ele, “pelo caso apresentado, se os pais são negros, os meninos são tão negros quanto eles. Etnicamente e geneticamente. Só não produzem melanina”.
O site Hypeness publicou uma sessão de fotos feitas por Alexandre Severo, que acompanhou a rotina dessa família. A ideia é tentar ajudar a família, que tem dificuldades para comprar o protetor solar ideal para os filhos – custa R$ 96 e acaba em três semanas.
Enquanto não podem usar o protetor para sair ao sol, as crianças se escondem em casa.
http://gazeta24horas.com.br/portal/?p=24675

Veja as fotos em
http://www.hypeness.com.br/2013/04/fotografo-registra-filhos-albinos-de-uma-familia-negra-que-sobrevivem-fugindo-da-luz/

terça-feira, 16 de abril de 2013

TELINHA QUENTE 74


Quem Matou JR Ewing?

Roberto Rillo Bíscaro

Dia 23/12/12, surpreendemo-nos com o falecimento de Larry Hagman, ator-símbolo de DALLAS. Octogenário e com um histórico de sérios problemas de saúde, deveríamos ver o que nos aguardava, mas quem acreditava que JR Ewing pudesse morrer de câncer?
O sucesso da primeira temporada determinou o início da segunda já no despertar de 2013. Quando Larry se foi, gravara 6 episódios. Apesar de sua participação não se igualar à da encarnação oitentista, JR é ícone e seu passamento teria que desencadear maciça avalanche de revelações que reverberassem pelo resto da temporada, culminando em cliffhanger. Era o que esperávamos e a garantia de audiência continuada. Desse modo, a segunda temporada da nova DALLAS, terminada ontem nos EUA, pode ser seccionada em antes e depois da morte de JR Ewing. Temporada duríssima pra nós fãs xiitas. E não é que Cynthia Cidre e a TNT fizeram um bom trabalho?
A primeira temporada delineou os perfis de John Ross, malvado filho da víbora JR e de Christopher, filhão bonzão do legalzão Bobby. Também revitalizou o clássico feudo das famílias Ewing e Barnes, com a reviravolta fantástica vivida por Pamela Rebecca, que se tornou deliciosamente sombria no final da temporada. Mas, não se enganem: sou Ewing de coração e quero ver os Barnes esmagados!
A segunda temporada começou mais furiosa, veloz e melhor do que a inaugural. Parecia a velha DALLAS em seu apogeu. Chantagens, falcatruas, tentativas de assassinato, disputa por custódia, complexo de Édipo muito mal resolvido, menina viciada em antidepressivos e outras químicas, menino retornando pra família e trazendo confusão, John Ross e Christopher brigando. Felizmente, minha adorada Sue Ellen começou a aparecer mais e brilhou a temporada toda e a enfadonha Elena não muito (mas, pode ressuscitar na terceira). Pamela Rebecca não voou tão alto quanto prometia, afinal, DALLAS continua falocêntrica.
E então, chegou o episódio da despedida de JR Ewing, morto a tiros num hotel. Chorei com Sue Ellen – bêbada, delícia! – no funeral em Southfork e depois embarquei(camos) pra descobrir quem assassinara nosso anti-herói. JR estava no México pra armar contra Cliff Barnes e Harris Ryland, saboroso vilão semipsicopata. Chamado de Obra Prima de JR, o plano envolvia localizar Pamela Barnes Ewing, última vez vista com cara nova após cirurgia plástica necessária pra reconstruir o corpo destruído numa colisão de automóvel, no final de 1987, quando a atriz Victoria Principal saiu de DALLAS. Ressuscitar o nome de Pamela atiçou fãs renitentes da personagem, que passaram a discutir freneticamente em redes sociais sobre seu retorno. De minha parte, se é pra trazer alguma personagem da antiga, preferiria Katherine Wentworth, irmã maluca e malvada da sem sal Pam.
Alguns erros de lógica com relação ao DALLAS original não passaram despercebidos. Como Rebecca Wentworth poderia ter deixado um terço da Barnes Global pra cada um de seus filhos, se a empresa não existia quando ela morreu no acidente de avião?
Josh Henderson totalmente convence como herdeiro do diabolismo e da promiscuidade de papai JR. John Ross tem estilo e solta frases antológicas tipo “meu pai derrubou 3 senadores, 2 governadores e um vice-presidente. Ele me ensinou tudo que sei. Sua cabeça ficará ótima sobre minha lareira, governador”, ameaça júnior o governador do Texas, mancomunado com Ryland e Cliff pra destruir os Ewings.
Sinto falta das refeições em família em Southfork, mas o ritmo televisivo de 30 anos atrás era distinto do de nossa era da simultaneidade. A ação hoje tem de ser a jato, se não o público não tem saco.
Patrick Duffy disse que a TNT renovou DALLAS pruma terceira temporada. Esperando confirmação oficial da emissora. A despeito duma excitante segunda temporada, a série perdeu quase metade dos telespectadores da primeira. E pensar que o episódio oitentista revelando quem atirou em JR foi visto por 360 milhões de telespectadores. Outra era.
E agora, quem terminou o trabalho tentado por Kristin há 30 anos? Não revelarei quem matou JR, mas garanto: os roteiristas escolheram a única pessoa capaz de fazê-lo nesse mundão sem porteira de meu Deus.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

CAIXA DE MÚSICA 93


Roberto Rillo Bíscaro

No economicamente recessivo final dos anos 70, um porão londrino virou Meca pra fashionistas e candidatos a descolados: o Blitz Club. Toda terça, Steve Strange ficava na portaria escolhendo pela roupa e visual, quem podia entrar. Barrar Mick Jagger foi boa estratégia; o clubinho começou a ganhar fama.
Esse ambiente que misturava moda, música, ambiguidade sexual e cabelos armados é o ninho do New Romantic, que influenciou demais o meio cultural pop na primeira metade dos anos 80. O documentário The Blitz Kids – disponível sem legendas no You Tube – delineia a trajetória dessa meninada glam; anti-rockers que acabaram na armadilha do excesso de muitos roqueiros e hoje são associados ao economicismo direitista da defunta Dama de Ferro (embora diversos new romantics tenham sido anti-Thatcher).
Os meninos e meninas do Blitz Club tomaram a noção punk de que qualquer um podia fazer música e virar artista e combinaram-na com moda, vontade de sair da classe operária/do salário-desemprego e, claro, com disco music e David Bowie. O Camaleão foi o deus-todo-poderoso dos New Romantics, mas o documentário o hiperboliza a única influência. Duvido que Roxy Music, Giorgio Moroder, Kraftwerk, T. Rex e o glam rock (talvez o Queen) não façam parte do rol de inspirações. Mas, Spandau Ballet & Cia. não se interessavam em parecer roqueiros de camisa aberta, cabelão desgrenhado e jeito de quem fede cecê. Eles se maquiavam pesado, investiam em roupas e penteados mirabolantes.

Em questão de meses, essa estética ganhou paradas de sucesso, páginas de revistas e MTVídeos. Mesmo quem não era New Romantic investia grande no visual, como os “esquerdistas” do Style Council. Todo mundo era fashion ou meio andrógino na primeira metade dos anos 80, que amou opulência. Como explicar melhor o sucesso de DALLAS e Dynasty, dear?
O documentário entrevista ícones oitentistas como Boy George, que, com sua androgenia-família (minha mãe sempre o amou) tomou o planeta de assalto por uma trinca de anos até se envolver em escândalos policiais por conta das drogas. A traveca Marylin – lôka, lôka – e o uma-vez influente Steven Strange (ele teve um par de sucessos com o Visage) também, estão lá, além de membros do Spandau Balllet e mais. Os depoimentos são repletos de farpas, ironia e complexo de superioridade – mas também de certo patetismo quando alguns pensam que podem voltar a ser relevantes.    
Os anos 80 foram de dominação do pop inglês, inclusive no hermeticamente xenófobo mercado norte-americano. Quem curte synth pop, DuranDuran, Culture Club, enfim, qualquer subgênero pop daquele período, deve ver o documentário. Também serve pra entender a importância do contra-ataque dos Smiths, a partir de 82.   

sábado, 13 de abril de 2013

ALBINO GOURMET 92

Nosso tema hoje é o espinafre.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

TECNOLOGIA CEARENSE

Cearenses criam "mouse" para cegos

O Projeto Portáctil investe em dispositivos que facilitam a leitura, em braile, de conteúdos digitais e impressos.

Olfato, paladar, tato, audição. Quando a experiência do "olhar" não está ao alcance físico, são os outros sentidos do ser humano que possibilitam uma comunicação eficiente em sociedade. No Brasil, segundo o Censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, cerca de 35,7 milhões de pessoas têm algum nível de deficiência visual, sendo mais de 506 mil efetivamente cegas. Diante desse número, o investimento em acessibilidade torna-se uma prioridade sócio-educacional, mobilizando programas de tecnologia como o Projeto Portáctil, desenvolvido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).
A vontade de investir em tecnologia assistiva inquietava, desde 2002, o professor e pesquisador do IFCE, Anaxágoras Maia Girão. "Como engenheiro, eu gosto de pensar em sistemas de automação que dão maior conforto para pessoas com deficiência visual", afirma. Junto a essa inquietação, surgiu, em 2009, uma parceria com a empresa AED Tecnologia, incubada no IFCE, que possibilitou a criação do Projeto Portáctil.

A ideia inicial do projeto visava construir um dispositivo em forma de caneta, que possibilitasse a transcrição de conteúdo impresso para o braille. A partir do aperfeiçoamento das pesquisas e da apresentação do projeto ao Ministério da Educação, em 2010, algumas mudanças foram estabelecidas. Com o recurso financeiro do governo federal, o projeto passou a ser desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento em Automação (Lapada) do IFCE, sob a coordenação do professor Anaxágoras Girão. A cela braile existente na caneta - um dispositivo com oito pinos móveis que formam os caracteres em braile - deu lugar a um dispositivo portátil de navegação, semelhante a um mouse, com três celas na parte superior. Os dispositivo também armazena arquivos de texto, cujo conteúdo é transcrito em braile para o usuário.
Na configuração atual, o dispositivo de navegação braile atua no dedo do usuário, proporcionando o entendimento e a fluência dos caracteres. Abaixo das celas, seis botões atuam com funções auxiliares na navegação. Nas laterais, ficam os botões para voltar e adiantar as linhas do texto. Já na porção inferior, fica localizado o leitor óptico e o sensor para direcionamento.

O usuário cego também pode gerar o próprio conteúdo, utilizando tablets ou smartphones. A conexão com esses dispositivos é feita através de Bluetooth. Nos tablets, o Portáctil admite um teclado de silicone, semelhante aos teclados de computadores convencionais. A digitação permite ao usuário retorno auditivo, facilitando o processo de produção textual.
Desafios
Mesmo facilitando a digitação e a leitura, o sistema ainda se encontra em fase de desenvolvimento desde 2010. Segundo o coordenador do projeto, Anaxágoras Girão, a primeira etapa de concepção e usabilidade junto aos usuários já foi vencida. O desafio agora é o apoio financeiro para distribuir o serviço.

O financiamento concedido pelo Ministério da Educação, no valor de R$ 1 milhão, possibilitou a criação de 136 equipamentos (tablets com película de silicone, que serve como teclado, e o mouse especial). Além desse recurso, em fase inicial, o projeto contou com R$ 90 mil do Banco do Nordeste. Segundo Heyde Leão, diretor executivo da empresa AED Tecnologia, os 136 equipamentos já foram entregues à Prefeitura de Fortaleza. Para a finalização do projeto, ainda é preciso produzir 64 equipamentos e realizar a capacitação de professores e alunos nas escolas municipais. "É preciso dar atenção a esse sistema, que só vai para frente a partir de duas coisas: suporte e acompanhamento", afirma Leão.
O professor Anaxágoras reconhece que o projeto já poderia estar beneficiando os estudantes, mas a burocracia e a recente transição no governo municipal atrasaram o processo. "Com a mudança de gestão, o investimento ficou preso. Então, precisamos esperar um pouco mais para concluir os equipamentos e liberar para as escolas", explica.

Mesmo com a conquista de alguns avanços, o Portáctil ainda precisa de aperfeiçoamento. Segundo Anaxágoras Girão, hoje, o sistema já permite ao aluno ter acesso em braile a um material que o professor disponibiliza em formato digital. No entanto, as expectativas são maiores. "Queremos torná-lo um leitor de livros. A gente quer que o aluno possa levar para casa, escrever uma nota, uma redação, com autonomia", conta o professor.
Para a leitura a partir de materiais impressos, os pesquisadores estão investindo em um aplicativo denominado OCR (reconhecimento ótico de caracteres, na sigla em inglês), que transforma o tablet em um scanner, a partir de fotos tiradas por sua câmera. O posicionamento das folhas impressas ainda representa uma dificuldade para as pessoas com deficiência visual e, nesse sentido, o projeto reconhece a necessidade de melhoramento do software.

Avanço
O revisor braile Martonio Torres Carneiro tem deficiência visual desde pequeno e já teve a oportunidade de testar o sistema, quando o projeto foi apresentado à Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência, do governo do Estado. "De início eu senti um pouco de dificuldade, como toda coisa nova. Mas como sou muito curioso e já tinha contato com meu iPhone, facilitou mais", comenta. O revisor demonstra encantamento com a invenção. "O mais interessante é a navegação com cursor. É um salto tecnológico avançadíssimo. Com esse sistema você pode ter uma biblioteca braile na mão", revela.
Martonio reconhece ainda a importância do equipamento para a formação das crianças. "Com o Portáctil, as crianças têm acesso ao braile e ao computador. E essa base é fundamental, já que o braile é nosso método mais eficaz de escrita e leitura", afirma o revisor.

A coordenadora especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência, Isabel Pontes, integra o grupo de trabalho que pretende levar o sistema para todas as cidades do Estado. "Precisamos chamar a sociedade para conhecer essa tecnologia assistiva. O usuário e sua família são os focos do nosso trabalho", diz. Para Isabel, acolher iniciativas como essa é um dever governamental. "Nossa participação nada mais é do que o Estado cumprindo a sua responsabilidade no sentido de dotar as escolas de tecnologia assistiva".
Solução reduz custos para adaptar obras
O professor Anaxágoras Girão diz que tinha vontade de investir em tecnologia assistiva desde 2002, com o objetivo de auxiliar deficientes visuais

Os investimentos no Projeto Portáctil são mínimos diante dos custos comerciais gerados nos processos de transcrições comuns para o braile. Totalizando um gasto de cerca de R$ 4 mil na obtenção do equipamento completo - formado por um tablet, um teclado de silicone e um mouse especial desenvolvido pelos cearenses envolvidos no projeto -, o sistema Portáctil valoriza a comodidade e a economia da produção.
De acordo com levantamentos oficiais realizados junto à Gráfica Braille da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Ceará e à Gráfica Civiam, especializada neste tipo de produção, uma página em tinta de um livro convencional gera de três a quatro páginas em braile, após o processo de transcrição.

Tomando como exemplo o clássico infanto-juvenil "Harry Potter e a Pedra Filosofal", de autoria de J.K. Rowling, obtém-se um custo unitário de R$ 4,80 por página transcrita. A obra totaliza aproximadamente 2.160 páginas em braile, que devem ser acondicionadas em 18 volumes com 120 páginas cada, a um custo final de R$ 10.368 por unidade transcrita.
Os números inviabilizam a produção do material em escala suficiente para atender ao público alvo, bem como dificultam a logística de armazenamento, uma vez que os volumes ocupam bastante espaço. Além disso, o próprio material em braile, com o uso frequente e o passar do tempo, perde suas características de impressão e percepção tátil por parte do usuário.

Bibliotecas acessíveis
A acessibilidade é um desafio em muitos setores da educação. Espaços como bibliotecas, referências pedagógicas na aprendizagem através da leitura, em sua maioria, não contam com o suporte necessário para atender pessoas com deficiências visuais. De acordo com o 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais do Brasil, de 2009, apenas 9% das bibliotecas públicas municipais oferecem serviços de audiolivros ou livros em braile, ou ainda, estações de trabalho adaptadas. No Nordeste, 95% das bibliotecas municipais não possuem serviços para cegos e 96% não oferecem serviços para pessoas com outras necessidades especiais.
Em Fortaleza, a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência já se articula com a Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel. "Estamos procurando disseminar ainda mais a leitura em braile, transcrevendo exemplares na gráfica do governo e passando para as bibliotecas", afirma a coordenadora Isabel Pontes. "Do ponto de vista tecnológico, ainda não temos resultado, mas já buscamos um diálogo nesse sentido", diz.
Na Praça do Centro de Artesanato do Ceará (Ceart), um vagão de trem é um espaço de leitura e acessibilidade. Doado pela Rffsa, o vagão está preenchido por de cerca de 2.500 livros, dentre os quais destacam-se exemplares da literatura cearense, de política e de legislação, transcritos para o braile.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1251544

quinta-feira, 11 de abril de 2013

TELONA QUENTE 71

Roberto Rillo Bíscaro

Não sei se sou cinéfilo, como dizem. Não sigo lançamentos ou diretores, quase nem leio críticas de filmes. Escolho o que ver pelo elenco, enredo ou mesmo procedência. Outro dia, interessei-me por um filme paraguaio, porque jamais vi algo de lá.
Sábado passado, vi 360 (2011). O arquivo estava em meu HD externo há meses, talvez pela presença de Anthony Hopkins, mas só cogitei tal possibilidade quando ele apareceu na telinha, porque se trata dum desses filmes onde o nome dos atores aparece no final (detesto!). A direção do brasileiro Fernando Meireles só foi descoberta depois de finda a película (se bem que isso não teria feito diferença, porque Cidade de Deus é só mais um filme e não essa oitava maravilha como querem alguns)
Se sou cinéfilo, devo pertencer à falange anárquica.
O que me cativou em 360 foi a plurinacionalidade do elenco e da ambientação. Personagens e histórias em diversas cidades em 2 continentes se cruzam, tangenciam, complementam e chocam, embaladas pela noção da globalização (que mostra bem seu lado de falácia numa narrativa onde apenas certas partes do mundo se conectam). Por vezes a situação soa forçada demais e a determinista lei de causa e efeito desmonta a tentativa de parecer moderninho e “caótico”. Formalmente, a tela multidividida de várias cenas ecoa a aparente forma livre do roteiro, que não deixa de encerrar no mesmo ponto em que começara, apontando prum dos limites do aparente rompimento com a forma dramática (o roteirista é o mesmo d’A Rainha...).
Com tantas nacionalidades e culturas no tabuleiro, alguns estereótipos aparecem. Seria refrescante, por exemplo, que num relacionamento entre um muçulmano e uma ocidental, fosse o Ocidente que desse pra trás por receio de quebrar algum tabu.
Isso, porém, não azedou meu prazer de ver atores carregando com tanto carisma e competência o filme, apesar do roteiro! Russos, eslovacos, brasileiros, ingleses, norte-americanos, falando em suas línguas nativas e ainda em francês.
Continuarei a ser algo aleatório pra eleger o que vejo.

ZOOFILIA EM MADAGASCAR

Esse filhote albino de lêmur foi avistado na ilha africana de Madagascar. Aprendi que esses animais tão fofos estão quase na lista dos ameaçados de extinção. Eita bicho homem, viu!!
Saiba um pouco mais sobre os lêmures aqui:
http://jolusi.blogspot.com.br/2013/04/lemur-albino-nasce-em-madagascar.html

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O GRANDE DEBATE

O Governo Deve Ser Responsabilizado pelos Assassinatos de Pessoas Com Albinismo?

Esther Kibakaya
(Tradução: Roberto Rillo Bíscaro)

O assassinato de pessoas com albinismo na Tanzânia, nos últimos anos, é um dos pontos mais tenebrosos da história do país, uma vez que está associado a crenças supersticiosas. As mortes têm despertado assombro local e internacional, pois pessoas inocentes são caçadas para que partes de seus corpos sejam conseguidas.
Embora diversas pessoas tenham sido presas por tais crimes, há quem pense que o governo não esteja fazendo o bastante. Alunos da escola primária em Haradali organizaram um debate para discutir se o governo tem feito o suficiente para parar os assassinatos.

ANTIGOVERNO
Shalom Gerald: acredito que o governo deva ser responsabilizado pela matança de albinos, porque até agora nenhuma medida efetiva foi adotada para reduzir, se não para parar completamente, os assassinatos. Já é hora de eles encararem o problema com seriedade, pois, enquanto os gananciosos estiverem em liberdade isso não vai ter fim.
Joseph Anael: nossos líderes não fazem nada para impedir os assassinatos de albinos. O governo possui todos os meios para garantir a captura de todos os responsáveis, mas até agora isso não aconteceu. Isso demonstra que o problema não tem sido encarado seriamente. Por isso, os assassinos voltaram outra vez.  
Violet Donasian: O governo deve ser responsabilizado pelo contínuo assassinato de pessoas com albinismo. Afirmo isso, porque até agora nenhuma medida de segurança foi adotada para assegurar a proteção dos albinos. A polícia não tem proporcionado a proteção especial de que essas pessoas precisam.   

PRÓ-GOVERNO
Sarah Manase: Acho que a culpa deveria recair sobre a comunidade, porque quem utiliza as partes dos corpos dos albinos são os curandeiros e a maioria deles vive em nossas comunidades.  Podemos identificá-los facilmente, e se não o fazemos é prova de que falhamos em fazer justiça pelos albinos. O governo tentou fazer a sua parte: em alguns locais onde as mortes eram muito comuns, as crianças eram escoltadas para a escola.    
Esther Alex: a comunidade - não o governo – deveria ser responsabilizada por esses crimes, pois é o nosso povo que está à procura dessa riqueza maléfica. Acreditam que se matarem ou roubarem alguma parte do corpo de albinos, enriquecerão; por isso as partes são vendidas aos curandeiros. O governo vem tentando ajudar, recenseando as pessoas albinas, a fim de protege-las.      
Sandra Stambuli: algumas comunidades ainda não aceitaram que os albinos são seres humanos normais, como nós, por isso, eles têm sido mortos pela sociedade, porque são vistos como maldição, má sorte. Somos culpados por isso, enquanto comunidade, pois falhamos em cuidar e proteger os albinos daqueles que os caçam.     

terça-feira, 9 de abril de 2013

TELINHA QUENTE 73

Roberto Rillo Bíscaro

Em janeiro do ano passado, na volta de minha quinzena de férias em Washington, vi os 2 episódios iniciais de Ringer, no avião.
A ex-drogada, ex-garota de programa Bridget Kelly, testemunha de assassinato, temendo ser eliminada se ajudar o FBI, vai ao encontro de sua irmã gêmea, Siobahn (“que raio de nome é esse?”, espanta-se uma garçonete), com a qual não mantinha contato há anos. Siobahn Martin casara-se com um inglês rico e vivia no glamur nova-iorquino. As 2 vão velejar, Bridget adormece e ao acordar, a mana desaparecera. Bridget assume o lugar de Siobahn, acreditando que estaria mais segura temporariamente. Mas, descobre que a vida da irmã não era nada honesta e que a alta-sociedade pode ser mais perigosa e não muito diferente do crime organizado, do qual, incidentalmente, não consegue se livrar. Ao final do primeiro episódio, descobrimos que Siobahn não morrera. Antes, estava em Paris, sedenta de vingança!
Com uma premissa dessas – super soap opera! – e ambientação no meio de gente rica que não vale nada, óbvio que me apaixonei instantânea e perdidamente. Os Hamptons, Park Avenue, óculos de sol que tampam a cara toda, reviravoltas a cada 5 minutos, revelações bombásticas, coincidências mais do que improváveis; prato cheio prum fanático pelo distante climão do horário-nobre norte-americano dos anos 80.
Se Drummond fosse vivo e gostasse de novelão poderia escrever “Mr. Carpenter, que traiu Juliette, que traiu Andrew, que traiu Katherine, que traiu Tessa...”
Cheio de flashbacks, detalhes e informação modificadora da trama dada a conta-gotas, Ringer (sósia) é o tipo de show que se o espectador perde um capítulo, pode boiar. Também é refratário à entrada de incautos depois que o motor (melo)dramático é ignificado.
A rivalidade da gêmea boa (mas que viva na lama) e da má (que aparentemente levava vida honesta) granjeou status de cult a Ringer. Mas, TV vive de índices de audiência e, a despeito de abaixo-assinado online, o público escasso determinou o cancelamento do drama, no fim da primeira temporada. 
Ciente de que se tratava duma trama sem conclusão, vi os 22 episódios estocados desde o ano passado. Mesclaria Ringer com outras séries que ora sigo. Ingênuo... Não desconectei o pendrive da TV enquanto não dei fim aos arquivos!
Valeu a pena seguir uma série sem resolução? SIIIIIM! A parte do envolvimento de Bridget com o crime organizado é resolvida e a segunda temporada lidaria com questões como a descoberta, pela irmã, de que Siobahn não morrera. Mesmo a frustração de jamais saber o que viria pela frente, não eclipsou a diversão de presenciar tanta maldade em velocidade alucinante e a ótima atuação de Sarah Michelle Gellar como Bridget/Siobahn (amei o nome!).  

segunda-feira, 8 de abril de 2013

CLAUDE, O CROCO ALBINO

Semana passada, a croocodila albina Luna foi destaque. Mas não foi apenas ela. Claude, um croco albino que vive numa academia científica na Califórnia também ganhou texto e fotos.



http://joannemolivieri.hubpages.com/hub/Claude-The-Albino-Alligator-At-The-California-Academy-Of-Sciences#

domingo, 7 de abril de 2013

PARA NÃO PASSAR EM BRANCO

A crescente luta das pessoas com abinismo brasileiras precisa ser registrada. Pensando assim, submeti artigo à revista Oralidades, do Núcleo de Estudos em História Oral (NEHO), da USP.
O artigo foi aceito e posso dizer que tenho a honra e o prazer de ter deixado para a posteridade o primeiro registro de nossa luta.
O texto pode ser acessado no link
 http://diversitas.fflch.usp.br/files/9.%20B%C3%8DSCARO,%20R.R.%20Albinos%20do%20Meu%20Brasil%20-%20a%20luta%20para%20n%C3%A3o%20passar%20em%20branco2_0.pdf

Agradeço a quem puder divulgar e adianto que versão atualizada foi enviada a outra publicação.

sábado, 6 de abril de 2013

TERRA DO NUNCA SER FELIZ

Conheça a história dramática da família que inspirou Peter Pan

Estátua de Peter Pan (Foto BBC)
Estátua de Peter Pan nos Jardins de Kensington
 
Uma nova peça de teatro sobre Peter Pan acaba de estrear em Londres, levantando o debate sobre a vida dramática das figuras reais que inspiraram o escocês J.M. Barrie a escrever seu famoso clássico sobre o menino que não queria crescer.

A peça Peter and Alice conta a história do encontro fictício entre Alice Hargreaves, inglesa que teria inspirado Lewis Carroll a escrever Alice no País das Maravilhas, e Peter Llewelyn Davies, que teria inspirado a criação de Peter Pan segundo alguns rumores, embora o próprio Barrie diga que na realidade sua fonte de inspiração foram cinco irmãos.
Na narrativa fictícia de Barrie - lançada em 1904 como uma peça de teatro que obteve sucesso imediato - Peter Pan faz amizade com os irmãos Wendy, John e Michael e os leva para um passeio na Terra do Nunca - um mundo mágico povoado por piratas, fadas, sereias e índios.
Na vida real, a história que levaria a criação do personagem Peter Pan começou em 1897, quando Barrie tinha 37 anos e já era um escritor casado e bem sucedido.
Segundo seu biógrafo, Andrew Birkin, o autor encontrou três irmãos da família Llewelyn Davies passeando pelos Jardins de Kensington e se encantou com eles.
"Na época, Barrie era o escritor mais rico do país, mas não tinha filhos", disse Birkin à BBC."Ele encontrou em Kensington o jovem George Davies, que tinha 4 anos, e passeava com seus irmãos mais novos, Jack e Peter, e sua babá, Mary Hudson, e começou a conversar com eles."
Como um avô
Os três meninos eram então os únicos filhos do advogado Arthur Llewelyn Davies e sua mulher, Sylvia, filha de um escritor. Mais tarde, porém, o casal teria mais dois filhos, um deles chamado Peter - para alguns a maior fonte de inspiração para Peter Pan.
Barrie fez amizade com os Llewelyn Davies. "Para ele era quase como ser um avô. Ele podia aproveitar a convivência com a família Llewelyn Davies sem ter que assumir responsabilidade pelas crianças", diz Birkin.
Quando era jovem, o criador de Peter Pan perdeu o irmão mais velho em um acidente de patins, o que devastou sua família e teria contribuído para sua depressão.
"As pessoas podiam ter a impressão de que ele era um homem triste e sozinho, mas na minha opinião durante 80% do tempo era uma pessoa bem humorada e em apenas 20% era melancólico", contou Nicholas, um dos cinco irmãos Llewelyn Davies, em uma entrevista para a BBC em 1978.
Os meninos se referiam ao escritor como "tio Jim". Em 1907, o pai dos cinco meninos morreu de câncer, aos 44 anos, e, três anos depois, sua mãe também faleceu, deixando os garotos órfãos.
Barrie, que na época havia acabado de se separar da mulher, tornou-se uma espécie de "guardião informal" dos irmãos Llewelyn Davies, pagando boa parte dos custos de seus estudos.
"George, Michael e Nicholas gostavam muito de Barrie e lhe escreviam frequentemente. Michael chegou a escrever 2 mil cartas para ele", diz Birkin. "Já Peter tinha uma relação um pouco mais complicada com o escritor."
Fins trágicos
George morreu nas trincheiras da 1ª Guerra Mundial em 1915, com apenas 21 anos. Seis anos mais tarde, Michael morreu afogado em Oxford, aos 20 anos. Alguns dizem que ele teria se suicidado. Para Birkin, porém, tratou-se de um acidente.
Uma questão que tem sido levantada por alguns estudiosos hoje é se haveria algum "elemento sexual" no interesse do escritor pelos cinco meninos.
Quem defende essa hipótese aponta algumas passagens do conto O Pequeno Pássaro Branco, escrito por Barrie em 1902, que fala sobre a relação de amizade entre um menino e um soldado aposentado e sem filhos.
Mas o biógrafo afirma que o escritor era apenas um homem "frustrado" por não ter tido o "privilégio" de ter filhos. Birkin diz não identificar qualquer "elemento sexual" nem nos seus textos nem em sua relação com os irmãos Llewelyn Davies.
Nicholas também acredita que o "tio Jim" era "um inocente" e diz nunca tê-lo visto manifestar qualquer interesse por temas sexuais.
Barrie morreu em 1937, mas nunca se recuperou da morte de George e Michael. Na época, Peter Davies estava trabalhando como editor. Em 1960, porém, ele se matou se jogando na frente de um trem em movimento, em Londres.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/04/130404_peter_pan_ru.shtml?print=1

ALBINO GOURMET 91

Pratos doces e salgados feitos com pêssego.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

PAPIRO VIRTUAL 50

O primeiro livro ambientado no reino mágico de Narnia foi The Lion, The Witch and The Wardrobe (1950), segundo na minha lista de leituras das crônicas infantis escritas pelo britânico C. S. Lewis.
Imaginou o luxo de ter um clássico da literatura dedicado a você? Lucy Barfield teve essa honra. A afilhada de Lewis não apenas recebe dedicatória, mas também dá nome à personagem desencadeadora das aventuras.   
Por ocasião dos ataques aéreos nazistas a Londres, 4 crianças são evacuadas prum vasto casarão no campo, onde vive um Professor recluso. A caçula Lucy descobre passagem secreta pra outro mundo no fundo dum guarda-roupa. Desacreditada pelos irmãos, pouco a pouco eles descobrem Narnia e começam a crer na irmãzinha. A terra vive em inverno perene devido à tirania da Bruxa que tem o poder de transformar seus inimigos em pedra.
Uma profecia diz que quando os 4 tronos de Cair Paravel (achei o nome tão “indiano”.) forem ocupados, o reinado da bruxa terminará. Pra tornar o futuro ainda mais promissor, o leão Aslan está voltando pra ajudar a resgatar Narnia das mãos malvadas da Bruxa.
Se The Magician’s Nephew era parte do Gênesis transformada em livro infantil, o livro inicial das crônicas narnianas tem forte influência da Paixão de Cristo, que rende uma cena quase cruel demais pra estar num livro infantil.
Anões, seres mitológicos predominantemente gregos e animais de toda espécie estão à espera de humanos que os governem em um mundo onde a cor branca muito frequentemente é associada à maldade e à doença.
Não entendi porque The Lion, The Witch and the Wardrobe é tão badalado. Alguém me explica?

MINHA CASA, MINHA VIDA


Essa é a Luna, crocodila com albinismo que vive num parque aquático norte-americano. Ela virou notícia nesta semana, porque ganhará casa nova e 3 companheiros.
 http://www.starnewsonline.com/article/20130403/ARTICLES/304034000/1177?Title=Luna-the-albino-alligator-to-get-new-digs

quinta-feira, 4 de abril de 2013

DANÇA DA INCLUSÃO

Grupo de dança dos EUA se destaca com integrantes idosos

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/04/130401_cia_danca_.shtml

TELONA QUENTE 70

Roberto Rillo Bíscaro

Em 1901, o nobelizado Thomas Mann estreou no mundo do romance com Buddenbrooks, obra meio autobiográfica que relata o apogeu e a decadência duma família de mercadores no norte alemão do século XIX.
Vi a adaptação pra cine, com jeitão de minissérie, rodada em 2008. Fazia tempo que não via filme europeu, com ar meio distanciado e solene.
Os Buddenbroooks, na década de 1830, tornam-se os equivalentes mercantis da velha nobreza. Decisões, especialmente os casamentos, são tomadas em nome das responsabilidades e tradição familiares. Mas, os germes de sua queda já estão no patriarca da vez, que na velhice se declara inapto pra tomar decisões comerciais corretas e passa o cetro pro filho mais velho – como tem de ser numa dinastia. Segue-se a decadência familiar, atribuída muito em função de iinclinações artísticas e certo ennui congênito (influência schopenhauriana?)
Se a endogenia do filme falha em mostrar claramente as razões econômicas por trás da ciranda sucessória de famílias poderosas, não deixa de ser muito eficaz em escancarar a brutal reificação imposta pelo capital. Toni – a “princesinha” Buddenbrook – destrói qualquer chance de felicidade ao tomar decisões matrimoniais pensando no bem dos negócios.
Armin Mueller-Stahl – já incensado no blog (leia aqui) – garante a parte mais empática de Buddenbrooks; quando sai de cena, a narrativa fica mais gélida.
Com cenários e figurino caprichados, a sobriedade e dramaticidade dessa triste história servem como belo painel duma fase já ultrapassada do capitalismo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

NO SEMINÁRIO

Ontem foi minha participação na mesa-redonda Narrativas em Situação Liminar, no Seminário Internacional Conhecimentos Compartlhados, no Memorial da Améria Latina, em São Paulo.
Aprendi muito sobre tráfico de pessoas e imigração, além de ter dado uma boa pincelada no desenvolvimento do movimento das pessoaas com albinismo no Brasil, já destacando o recém-criado Grupo das Pessoas com Albinismo do Rio de Janeiro, sobre o qual planejo e espero publicar a respeito logo, logo..

PERUÍBE

Na sessão de 27 de março, o vereador André de Paula, da cidade de Peruíbe (SP), pediu para que se determine ao Departamento competente para que estude, programe e viabilize a distribuição gratuita de protetor solar pela rede municipal de saúde para as pessoas com albinismo carentes, que residaam no município.   
 http://www.oexpressoregional.com/tag/albinismo/