sábado, 13 de fevereiro de 2010

UM DELEITE DE LUXO


Roberto Rillo Bíscaro

Em 1984, o synth-pop dominava o mercado fonográfico. Cascatas de teclados inundavam rádios e pistas de dança ao redor do planeta. Eis que ao final daquele ano, era lançado na Inglaterra o primeiro álbum de Sade. A canção Smooth Operator voou alto nas paradas britânicas e, em 1985, nas norte-americanas. No Brasil, foi tema de novela e também tocou muito nas rádios.

Um memorável solo de sax, percussão latina, melodia suave, letra que fala sobre um homem que perambula pelos EUA vendendo seu amor (seria um playboy? um garoto de programa?) fizeram da canção uma surpresa entre os hits sintetizados da época. Pairando soberana sobre tudo isso, a voz aveludada e quente e a figura misteriosa, elegante, às vezes gélida, às vezes, não, de Sade Adu. Podre de chique, a cantora anglo-nigeriana virou diva instantânea.

O álbum de estréia, Diamond Life, vendeu horrores e colocou outras faixas nas paradas de sucesso. No ápice do glamour jeca de Dynasty, Sade aparecia clean, discreta, fina, um deslumbre. Estudara moda, trabalhara como modelo, a cantora era a materialização do sonho yuppie.

Devido às influências de jazz, soul, R’n’B, música latina e pop, a imprensa musical inglesa logo a classificou como New Bossa, uma espécie de conceito saco de gatos, que reunia grupos como Style Council, Matt Bianco, Everything But the Girl, Swing Out Sister. Em comum, todos eram sofisticados e alguns tinham influência de Bossa Nova.

Particularmente, sou fã de todos e de Sade tornei-me vassalo desde Smooth Operator... Ouvi a canção milhares de vezes, e continua tão excitante e esplendorosa como da primeira vez em que a escutei, há um quarto de século!

Sucederam-se os álbuns e Sade manteve-se bem sucedida nas vendagens e turnês. Sempre sofisticada, elegante, contida. Diva? Total. Mas diva reclusa, low profile. Misteriosa e arredia. Com exceção de uma multa por excesso de velocidade na Jamaica, nenhuma outra aparição nos tablóides. Sade nunca deu escândalo. Cuidadosamente, construiu uma imagem de diva pop/jazz pop que foge das badalações e nunca dá baixaria em público. Nas raras entrevistas, fala sedosa, baixa, contida. Sade É luxo!

Na econômica discografia (apenas 6 álbuns de estúdio, em 26 anos!), verdadeiros milagres. O grito de desespero final em Is It a Crime, depois de mais de 5 minutos e meio de contenção. A dramaticidade hispânica de Fear. Kiss of Life, que dá vontade de espojar-se e perder-se entre lençóis e almofadas de cetim... A dor abissal do relacionamento por terminar e da vida sem perspectiva de King of Sorrow (I'm crying everyone's tears /I have already paid for all my future sins...)
Em novembro de 2000, Sade lançou Lover´s Rock e depois 10 anos de silêncio, exceto pelo ao vivo Lover’s Live. No mundo pop 10 anos é uma eternidade, que vê artistas irem e virem. Quase toda geração anos 80, hoje não passa de nomes lembrados por quarentões como eu. Ano passado, uma aluna me perguntou se “um tal de George Michael” tinha sido famoso. Normal, eu também faria a mesma pergunta acerca dalgum artista dos anos 60...

No final do ano passado, ouvi que Sade lançaria álbum novo. Esperei ansioso pelo lançamento, dia 08 de fevereiro. Li que o álbum estava sendo aguardado com ansiedade por muita gente. Semana passada ou retrasada, Soldier of Love era o segundo álbum na lista de pré-ordens na Amazon! A faixa-título estava tocando nas rádios, não apenas nas voltadas pra quarentões, mas nas jovens também! Como boa diva, Sade era aguardada com avidez.

Vi algumas fotos, assisti a um par de entrevistas; ela continua linda, esbelta, chique, misteriosa, quieta.

Na nublada tarde do dia seguinte ao lançamento de Soldier of Love, apertei a tecla play e me deitei pra ouvir o tão aguardado álbum da agora cinquetona Sade.

Começa o álbum: guitarra plangente, flutuando sobre um naipe de cordas, entra um teclado agudo ao fundo, baixo gorducho, percussão tipicamente Sade. Aos trinta segundos, uma voz que soa por uma fração de segundos um pouco mais madura do que eu estava acostumado, mas imediatamente assume o tom aveludado de antes. Sade em plena forma e colocando o coração pra fora em uma letra sobre a dor do amor, tema que predomina no álbum. The Moon and the Sky – que me remeteu a King of Sorrow – é, disparada, minha faixa predileta do álbum até agora. Clássico instantâneo da banda (Sade Adu é o nome da moça e Sade o da banda).

Soldier of Love, a faixa-título, é a coisa mais moderna e menos Sade que Sade já fez! Perfeita simetria entre forma e tema. A letra estabelece diversas comparações entre o amor e um campo de guerra. A música abre com uma corneta que lembra algum toque do exército; a batida da percussão é seca, quadrada, militar. Lembra um pouco trip hop. Por isso tocou nas rádios pra jovens!

O resto do álbum é pura Sade! Influência de reggae, pop, jazz, soul, spiritual norte-americano e até uma batida que lembra um sambinha na abertura da fofa e aerada Baby Father.

A maioria das letras fala sobre a dor do amor e relacionamentos doloridos, o que faz Soldier of Love um álbum algo sombrio, mas não sem esperança de que um novo amor nasça.

Economia nos arranjos, letras reveladoras, a maturidade da voz enfumaçada de Sade, os toques modernos de algumas canções e a idiossincrasia de não se render á pasteurização ou ao saudosismo são alguns dos elementos que tornam Soldier of Love um deleite de luxo, que só podia ter vindo de Sade!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A PICADURA DO MIGUEL

Chegou o Carnaval e milhões vão aos clubes e ruas pra brincar e se divertir.

Em Mococa (SP), uma das marchinhas que embalará o Carná 2010 tem o dedo e a voz de uma pessoa com albinismo.

Nosso colaborador Miguel Naufel, juntamente com Du Cirielli e Kimura, compuseram uma marchinha irreverente de duplo sentido, daquelas que fazem a alegria dos foliões. Aproveitando a picada do mosquito transmissor da dengue, os rapazes se saíram com a seguinte letra:

tô com a picadura
tô com a picadura
desse jeito ninguém segura

foi minha vizinha
quem me deixou assim
não cuidou do seu quintal
agora é dengue no carnaval

tô com a picadura
tô com a picadura
e desse jeito ninguém segura

todo mundo agora
acha que eu tô com ela
foi minha vizinha
que me deixou com a seqüela.

Quem canta a divertida canção é Du Cirieli e o Miguel faz a segunda voz.

Quem quiser conferir, basta acessar o vídeo no You Tube e boa diversão!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ALBINISMO X LEUCISMO

Repetidas vezes tenho afirmado que a mídia dá mais atenção a animais com albinismo do que a seres humanos albinos. Inúmeras as reportagens postadas aqui a respeito de animais albinos em todos os cantos do planeta.

Entretanto, mesmo esses animais tornados estrelas instantâneas, algumas vezes não são albinos, mas leucísticos.

O termo leucismo origina-se do grego leucos, que significa "branco", "luminoso", "alvo" (daí, por exemplo, a palavra leucócito, designando as células brancas do sangue).

O leucismo é uma característica genética que confere cor branca a algum animal usualmente escuro.

Diferentemente do que ocorre com animais albinos, os leucísticos não são mais sensíveis ao sol do que seus semelhantes escuros. Pelo contrário, são um pouco mais resistentes, porquea a cor branca apresenta albedo mais elevado.

Albedo é a medida da quantidade de radiação solar refletida por um corpo ou uma superfície, sendo calculado como a razão entre a quantidade de radiação refletida e a quantidade de radiação recebida.

(Como cantava Elis Regina, as aparências enganam!)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

ALUNO COM ALBINISMO NA CLASSE REGULAR – III

Terceira e última parte do artigo O Aluno com Albinismo na Classe Regular, escrito pela norte-americana Julia Robertson Ashley.

Aprendizado especializado com professor especializadoOs alunos com albinismo devem receber certas orientações específicas, que os ajudarão a compensar suas limitações visuais. O professor especializado irá instruí-los em práticas como o uso do teclado da máquina de datilografia, a audição, a orientação e mobilidade (viajar e utilizar o meio ambiente) e as atividades da vida diária. O conhecimento do teclado é importante, porque o aluno pode, assim, preparar seus deveres de casa, de modo menos cansativo, reproduzindo-os, depois, em tipos ampliados. A escrita pode ser uma atividade muito difícil para alunos com visão limitada. Gravações, que são utilizadas por qualquer aluno, são especialmente importantes para os deficientes visuais. Muitas das informações que as outras crianças captam pela visão, o deficiente visual só terá acesso pelos ledores e/ou pelas fitas de áudio.
O tamanho das letras nos impressos usados com os alunos deficientes visuais buscará satisfazer, sempre, às necessidades individuais, assim como o uso ou não do Sistema Braille, normalmente desnecessário ao aluno albino. Quanto ao aprendizado pelo Sistema Braille, a Divisão de Deficientes Visuais, Conselho para Crianças Excepcionais, escreveu: “não pode haver meio de leitura arbitrário e predominante para todos os alunos de uma categoria, devendo ser reafirmado o princípio de educar-se a cada um de acordo com suas necessidades e capacidades individuais” (Koenig; Sanspree & Holbrook, 1990:10). E ainda: “cada aluno com uma deficiência visual deve ter certeza de que as decisões sobre o meio utilizado para leitura estejam baseadas na observação de seu desempenho sensorial, e não em critérios arbitrários como a acuidade visual do aluno ou definições legais de deficiência visual” (Koenig; Sanspree & Holbrook, 1990:11).
O professor especialista deverá também orientar seu aluno no conhecimento das estruturas e das divisões setoriais da escola. É bom lembrar que os pontos distantes e as áreas extremamente claras são os locais que geralmente apresentam as maiores dificuldades para uma criança albina.



(Finalmente, a Julia dos Beatles pra encerrar nossa série de Julias musicais.)

Recursos óticos e não-óticosAs necessidades de uma criança com albinismo serão supridas com vários recursos óticos e não-óticos, que poderão ser recomendados por um oftalmologista, um optometrista, um especialista em baixa visão ou um professor especializado.
Os suportes de livros, que permitirão à criança posicionar o material de leitura próximo dos olhos, serão, geralmente, inclinados de um certo ângulo, sobre a sua carteira. Se a criança não tem este suporte, tente colocar um dicionário grosso ou vários livros sob o material de leitura para deixá-lo mais próximo dos olhos.
Os livros impressos em tipos ampliados têm o mesmo conteúdo dos textos escolares. A legibilidade da impressão é muito importante. O adequado espaçamento entre linhas e letras é uma garantia de qualidade de impressão. Infelizmente, alguns materiais acabam sendo apenas ampliações dos impressos padrões e podem manchar facilmente.
Folhas que possuem linhas muito escuras e mais espaço entre elas podem facilitar a escrita de alunos com albinismo. O professor pode experimentar diferentes cores de papel, a fim de ver qual a de melhor resultado com cada criança. Os professores já devem ter ouvido ou lido o termo “preferencial”, usado com alunos deficientes visuais. Um assentamento ou uma seleção preferencial não estão baseados em capricho ou temperamento, mas significa, tão-somente, que o aluno tem algumas técnicas visuais próprias que funcionam melhor para ele, tornando-se uma preferência sua.
Os alunos devem usar óculos especiais, do tipo bifocal, para leitura. Estas lentes devem ser coloridas, a fim de ajudar a reduzir o brilho. Uma criança extremamente sensível à luz deve usar óculos escuros, dentro e fora da sala de aula. As crianças com albinismo podem apresentar flutuações na acuidade visual de um dia para outro. Mas cada uma delas tem muitas características particulares, sendo impossível classificar todas num único grupo visual.
Equipamentos telescópicos, como monóculos, devem ser usados para a leitura do escrito no quadro e para o alcance de objetos distantes. Os monóculos são pequenos telescópios manuais que podem ser ajustados pelo aluno. Óculos binoculares, que possuem telescópios em suas lentes, também podem ser utilizados para visão à distância em atividades como cinema, jogos escolares ou eventos esportivos.
Pode ser desejável o uso de canetas e lápis bem escuros. Os materiais escritos com canetas de ponta grossa e cor escura são mais fáceis de ler. Se tiver de usar lápis, tente o que tem o grafite mais escuro.
Folhas de acetato, de filme ou plástico colorido, colocadas sobre uma página, podem facilitar a leitura. O professor deverá experimentar qual cor do acetato é melhor para o seu aluno.
O material manuscrito pode ser de leitura difícil para a criança albina, devendo seus testes serem datilografados ou escritos no quadro-negro.
Aplicação de testes
A maioria das escolas usa testes padrão durante o ano. O aluno visualmente limitado poderá fazê-los, obtendo-os pelo meio que lhes convier: tanto por impressos em tipos ampliados, quanto por letras de tamanho normal, mediante o uso de auxílio ótico. Os alunos com visão reduzida têm, geralmente, o tempo normal mais a metade para realizar tais testes, contando os intervalos de descanso ocular.

A fotofobia e o ofuscamento
As crianças com albinismo geralmente possuem fotofobia, que é uma extrema sensibilidade à claridade, e o professor deve colocar a criança distante de janelas e luzes intensas. Saiba, também, que a visão da criança pode variar de um dia para outro e ser afetada por fadiga, emoções e medicamentos.
O ofuscamento é um problema distinto para crianças com albinismo. Visores ou protetores para os olhos podem ser úteis para reduzir a luz e o brilho. O professor deve evitar parar em frente à janela na sala de aula, pois o clarão que dela provém dificulta a criança a olhar para ele. É, normalmente, difícil para uma criança com albinismo sustentar o foco ocular; tentar mantê-lo com um clarão, compondo a cena, é, virtualmente, impossível.
Atividades extra-classe
Seu aluno com albinismo estará pronto para participar da maioria das atividades, com pequenas modificações, mas algumas considerações especiais devem ser feitas, por medida de segurança.
Em reuniões ou apresentações de grupo – A maioria das escolas posiciona os alunos menores nas primeiras e os maiores nas últimas filas de um auditório ou local similar. Mas o aluno albino pode necessitar sentar-se perto do palco ou usar um monóculo para ver adequadamente. Permitir que um amigo o acompanhe, ser-lhe-á mais agradável, especialmente se o aluno estiver sentado próximo das crianças mais novas. Não insista em mudar a criança de lugar, se ela prefere permanecer com os colegas de turma.
Passeios – Informe aos funcionários de museus e teatros que você tem um aluno com deficiência visual. Se forem previamente avisados, algumas providências especiais podem ser tomadas para que tenha uma visão mais aproximada ou possa tocar em algumas peças. Em ambientes desconhecidos, uma criança com baixa visão fica em grande desvantagem; assim, é indispensável que se informe disto a pessoa responsável por seu grupo.
Aulas de Educação Física e aulas externas – As atividades externas podem ser difíceis para a criança com albinismo. Aulas de Educação Física que envolvam esportes como softball ou basquete, podem causar-lhes problemas, em virtude de suas condições visuais. Outras atividades, como track, natação e aeróbica, podem ser agradáveis às crianças com albinismo e elas podem atuar bem nestas áreas. A fotofobia pode causar desconforto em atividades externas, mas o uso de bonés, viseiras, lentes coloridas e filtros solares pode ajudá-las a desfrutar delas. Entretanto, Janice Knuth, Presidente da N.O.A.H., assinala que existe um porém no uso de lentes coloridas – a cor reduz o desconforto da claridade, mas reduz, também, a nitidez e a clareza dos detalhes. As pessoas com albinismo podem, às vezes, resistir ao uso de óculos de sol, porque, segundo elas, não vêem tão bem com eles.
Treinamentos para incêndios – Não peça a outro aluno que assista à criança com albinismo durante treinamentos ou incêndio real. O aluno visualmente limitado pode necessitar de ajuda numa emergência, e a outra criança pode entrar em pânico. Não é recomendável esperar que um aluno seja responsável por um companheiro. Um adulto sempre deve manter a responsabilidade por crianças com necessidades especiais.

Alguns pensamentos finais
Sua escola e sua sala de aula serão partes do mundo da criança, e você, professor, não deve sentir pena dela, pois isto só pode prejudicá-la grandemente. Feitas as adequações e as adaptações indispensáveis, o aluno com albinismo não lhe tomará demasiado tempo, e você não terá que negligenciar os demais alunos para atender as suas necessidades. Muitas crianças com necessidades especiais estão, hoje em dia, em escolas regulares. Uma criança com albinismo deve ser capaz de divertir-se e aprender como qualquer criança.

Bibliografia1. ASHLEY, J. R. The student with albinism in the regular classroom. U.S.A.: NOAH/NAPUI, 1992.
2. BARRAGA, N. & ERIN, J. Visual handicaps and learning, revised edition. Austin, TX: Pro-Ed Publishing Co., 1991.
3. BAILEY, I. L. & HALL. Visual impairment. New York: American Foundation for the Blind, 1990.
4. EFRON, M. Efron visual acuity test. Columbia, SC: Marvin Efron (West Columbia Optometric Group, P. O. Box 4045, West Columbia, SC 29171), 1980.
5. HAEFEMEYER, J. W. et al. Facts about albinism. Minneapolis: University of Minnesota International Albinism Center, 1986.
6. KOERING, A. J.; SANSPREE, M. J. & HOLBROOK, M. C. Determining the reading medium for students with visual handicaps. DVH Quarterly, 36 (1):10-11, 1990.
7. SCHOLL, G. Foundations of Education for the blind and visually handicapped children and youth. New York: American Foundation for the Blind, 1986.
8. SORSBY, A. Noah—an albino. British Medical Journal. 12:1587-1589, 1958.
9. TORRES, I. & CORN, A. When you have a visually handicapped child in your classroom, second edition. New York: American Foundation for the Blind, 1990.
10. WAUGH, J. The human aspect of albinism. Unpublished Masters thesis, University of California at Hayward, CA., 1988.

Julia Robertson Ashley tem mais de 20 anos de experiência no magistério em Educação Especial (área da deficiência da visão) pela Universidade da Carolina do Sul e é Mestra em Educação pela Nova University, FT. Lauderdale, Flórida, U.S.A. Tradução de Paulo Felicíssimo Ferreira, adaptação de Sonia Maria Dutra de Araújo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ALUNO COM ALBINISMO NA CLASSE REGULAR – II

Segunda parte do artigo O Aluno com Albinismo na Classe Regular, de autoria de Julia Robertson Ashley. Lembrando que esse texto foi escrito no contexto dos EUA.

O que significa cegueira legal?
As crianças com albinismo têm uma faixa larga de acuidade visual, variando de 20/80 a 20/800. Você deve saber a acuidade e as habilidades funcionais individuais do seu aluno. Uma criança albina típica pode ter uma acuidade medida como 20/200, que é considerada cegueira legal. Cegueira legal é um termo definido pela Associação Médica Americana, em 1934, e adotada, em 1935, pelo Congresso dos Estados Unidos, para definir elegibilidade a serviços especiais para cegos. A cegueira legal é definida como “acuidade visual central de 20/200 ou menos no melhor olho, com lentes corretivas, ou acuidade visual central maior do que 20/200 se existe um defeito de campo visual no qual o campo periférico é de forma que o diâmetro maior do campo visual atinge uma distância angular menor que 20 graus no melhor olho” (Scholl, 1986:26).
Em termos simples, isto significa que se sua visão é classificada em 20/200, o aluno pode ver a 20 pés de distância o que os outros, com visão normal, vêem a 200 pés. Sua visão para perto (para leitura) pode (ou não) ser muito melhor; a criança deve possuir habilidade normal de leitura para perto, segurando o livro a três ou quatro polegadas dos olhos.


(Desta vez, o nome da autora me lembrou de Los Hermanos e seu estrondoso sucesso, Ana Júlia.)

Disciplina/comportamento em classe e a criança com albinismoVocê deve esperar que a criança com albinismo siga as regras da sala de aula e os códigos de disciplina exatamente como qualquer outro aluno seguiria. Encoraje o aluno a mover-se em silêncio pela sala para obter a melhor visão das atividades. Se ele precisar mudar-se de lugar para obter melhor foco visual de um filme, painel ou do quadro-negro, deve fazê-lo independentemente; os alunos mais velhos já sabem como é melhor para eles e devem ser encorajados a utilizar seus próprios métodos para compensar suas dificuldades visuais. A criança pode necessitar de assistência para saber onde se colocar e não atrapalhar a visão dos outros.
O aluno com albinismo, às vezes, parece não reagir a comunicações visuais ou sinais, a certa distância, tal como um aceno de cabeça, indicando quem deva responder a uma pergunta. Isto se dá, provavelmente, porque ele não pode vê-los! Pode ser difícil para esta criança reconhecer expressões faciais e gestos com as mãos. Use sugestões verbais tanto quanto físicas.

As crianças muito pequenas com albinismo
Quando se trabalha com crianças albinas, são apropriadas as mesmas atividades motoras e estratégias de aprendizagem usadas, regularmente, com alunos de visão normal na pré-escola. As atividades externas devem ser incluídas, assegurando-se, porém, de que estejam sendo utilizados filtros solares e óculos escuros, mesmo com as crianças menores. A Ashkosh B’gosh fabrica chapéus de condutores de trem em tamanho bem pequeno, que servem em bebês de poucos meses de idade. Outro produto útil é a linha de óculos Baby Optica. Eles fabricam tamanhos para recém-nascidos, bebês e crianças. Estes possuem um alto nível de proteção a raios UV, custam menos que US$ 15,00 e foram recomendados por uma mãe que os utilizou desde quando seu filho tinha menos de um ano de idade. Estes produtos são encontrados em muitas lojas especializadas em materiais para crianças. O uso de lentes coloridas deve ser discutido com os pais, que devem decidir-se consultando o oftalmologista de seu filho.
Quando a criança chega à idade da pré-escola, pode ser útil conversar sobre o albinismo com ela, pois julga que suas diferenças não serão compreendidas. De acordo com a Dra. Anne L. Corn, uma técnica efetiva para se usar com um pré-escolar seria permitir à criança o uso de uma lente de aumento e falar sobre Sherlock Helmlock, o detetive personagem da Vila Sésamo. A Dra. Corn recomenda começar logo aos quatro anos o uso de um monóculo (um telescópio manual, pequeno) pela criança. Isto não significa que a criança deva ser responsável pelo seu uso, mas que os pais devam mostrá-lo à criança e permitir-lhe que o use em viagens para praticar a visão aproximada de objetos distantes. Se uma criança estiver habilitada a usar auxílios óticos para baixa visão e, logo cedo, aprender as vantagens de usá-los, haverá uma menor resistência a eles na escola, de acordo com Dra. Corn.

Alunos em idade escolar
O espaço de uma mesa adicional pode ser necessário para permitir ao aluno o uso apropriado de materiais como livros impressos em tipos ampliados, aparelhos para baixa visão, lentes de aumento ou estantes inclinadas para leitura. O aluno deve trazer auxílios óticos para a sala de aula.
Os alunos com albinismo, como as outras crianças, não querem parecer “diferentes”, muito menos evitáveis. Quando se mostram relutantes no uso de recursos óticos, como um monóculo (um pequeno telescópio manual) ou uma lente de aumento, você deve discutir esse fato com o professor especializado na área da deficiência visual.
Muitos alunos com albinismo são capazes de ler livros escolares em padrões comuns de impressão, mas também, algumas vezes, precisam do auxílio de recursos óticos. A criança deve consultar um especialista para determinar que recursos óticos lhe serão úteis. Se ela necessitar de livros em tipos ampliados, estes serão obtidos pelo professor especialista. Se são necessários mapas ou cartazes de sala, este professor sempre pode ajudar o professor regular a adaptar os materiais para o aluno. A impressão em tipos ampliados é sempre usada nos graus elementares, mas seu uso na escola pode ser interrompido no 2º grau, devido ao desejo de o aluno usar o mesmo material que os outros. No 2º grau, os livros gravados e de tipos ampliados são utilizados em casa para leitura. Os livros de impressão regular são lidos na escola com lentes de aumento. São usados, também, textos gravados em fitas. Aparelhos de áudio com fitas cassete e gravadores podem ser usados para gravar lições e observações, se necessário.
O nistagmo e a reduzida acuidade visual podem causar fadiga ao aluno durante a leitura; é importante permitir freqüentes pausas durante períodos de leitura e exames escritos. As pausas não precisam ser longas, podem ser o suficiente para o aluno olhar ao redor da sala por alguns minutos. Você pode precisar encorajá-lo a usar os materiais adaptados e a responder a qualquer questão de outros alunos sobre seu uso.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ALUNO COM ALBINISMO NA CLASSE REGULAR - I

Hoje iniciarei a postagem seriada do artigo O aluno com Albinismo na Classe Regular, da norte-americana Julia Robertson Ashley. Não tenho dúvidas de que sua leitura será valiosa para educadores e interessados em inclusão e albinismo. A extensão do texto explica sua postagem em série.

O aluno com albinismo na classe regular
Julia Robertson Ashley


RESUMO
Este artigo, retirado do folheto “O aluno com albinismo na classe regular”, é destinado a responder às questões mais recorrentes de professores e educadores sobre as necessidades específicas de alunos com albinismo, mas é também muito útil para pais, médicos, enfermeiros e outros profissionais que geralmente se relacionam com eles. O trabalho oferece informação, conselho e uma análise superficial numa linguagem simples. Começando com a definição e a caracterização de albinismo, o autor discute alguns problemas sociais e emocionais enfrentados por pessoas albinas, sugerindo soluções.


Introdução
Uma criança com albinismo está inscrita em sua turma, e você sabe que ela tem séria dificuldade visual, razão por que se pergunta até onde suas reais necessidades diferem das demais. Este trabalho, professor, foi preparado como resposta a possíveis dúvidas suas em relação a este aluno, devendo ser adaptado às circunstâncias e ao seu estilo de lecionar.
Duas leis Americanas dos anos 90, uma sobre os direitos das pessoas deficientes e outra sobre sua educação, deram aos professores, a um só tempo, a oportunidade e a responsabilidade de prover uma educação apropriada para alunos com deficiências visuais, num meio o menos restritivo possível, embora a maioria dos que lecionam em escolas regulares tenha pouca ou nenhuma experiência neste campo. Se lhe for dito que terá um aluno legalmente cego (muitas crianças albinas o são), isto poderá, de início, ser intimidador. As crianças com albinismo possuem visão remanescente útil para leitura e aprendizado, podendo precisar, apenas, de meios alternativos que as auxiliam em, efetivamente, usar a visão. Este trabalho foi pensado exatamente para ajudá-lo a entender que as crianças albinas apresentam grande variedade de visão funcional, necessitando de orientação e oportunidade para adaptarem-se às classes regulares.
A fim de ajudá-lo a suprir as necessidades especiais desta criança, a escola deve ter o suporte de um professor especializado, conhecedor das particularidades educacionais de cada tipo de deficiência visual que, por isso, saberá que alternativas sugerir-lhe nos procedimentos de sala de aula. Prepare uma lista das dúvidas que você tenha tido durante o ano e converse com este especialista, que, segundo as necessidades da escola, poderá ser um professor de sala de recursos, um itinerante ou um consultor. Vocês dois poderão trabalhar juntos, criando um ambiente estimulante e apropriado às especificidades de cada aluno.

O que é albinismo?
Albinismo é uma hipopigmentação congênita (falta de pigmentação), que pode ocorrer em plantas, animais e seres humanos, afetando, nestes, os olhos, sob as formas de nistagmo e redução da acuidade visual, causando deficiência de moderada a séria. Muitas pessoas têm visto indivíduos com pele e cabelos extremamente claros, e pode ter-lhes sido dito que tais pessoas eram “albinas”. Mas, em geral, poucos sabem que todos os albinos apresentam, também, sérias dificuldades visuais. Esta condição é inerente aos genes recessivos. Isto significa que ambos os pais devem carregar o mesmo gene raro de um tipo particular de albinismo. É possível que muitas crianças de uma família tenham albinismo, mas existem só 25% de chances de que cada gravidez resulte numa criança com esta condição (Haefemeyer, 1986). Esta condição é encontrada em, aproximadamente, uma para cada 17.000 pessoas nos Estados Unidos. Mesmo com as limitações da visão, os indivíduos com albinismo podem viver normalmente, se tiverem apoio e recursos apropriados. Quando adultos, possuem famílias, empregos e participam das atividades comunitárias.
As características comuns de indivíduos albinos incluem nistagmo, estrabismo, fotofobia, perda da percepção de profundidade, e pele extremamente sensível ao sol. Nistagmo é o movimento rápido e involuntário dos olhos na horizontal, que causa uma redução de acuidade visual. Estrabismo é a falta de coordenação entre os dois olhos (eles não parecem “retos”). Existe, também uma falta de percepção de profundidade. O aluno encontrará muita dificuldade em julgar distâncias e conceitos espaciais, mas sempre pode compensar estas dificuldades. Fotofobia é uma extrema sensibilidade à luz, que pode causar redução da acuidade visual.

A criança com albinismo em sala de aula
Trate a criança albina como você trataria outra qualquer. Não se sinta embaraçado, usando termos como “olhe” e “veja” – estas são palavras normais do vocabulário da criança também. Um aluno, mesmo classificado como legalmente cego ou deficiente visual, pode possuir, ainda, uma boa reserva de visão útil para propósitos educacionais (Brailey & Hall, 1990). Não deixe que a terminologia atrapalhe. A criança sabe se é amada e aceita, e não vai ofender-se com um professor, só por este lhe fazer perguntas ou lhe pedir que olhe e descreva o que vê. Isto pode, até, ser o modo mais prático de que você disponha para avaliar seu campo e/ou sua acuidade visuais. Uma fonte excelente para acessar rapidamente acuidades visuais para perto e para longe é o teste de Quadros Visuais Efon (1980), um conjunto de cartões que podem ser usados por crianças, a partir dos três anos e com pessoas de qualquer idade, que não falam inglês e podem ser administrados pelo professor especializado dos alunos com dificuldades visuais. É um excelente teste de quadros usando cartões e pôsteres de parede. A distância do teste é de 10 pés, mas as medidas de acuidade são feitas em padrão Snellen (20/20 etc.) Uma vantagem principal deste teste é que ele é capaz de medir acuidade até a faixa de 20/100 e 20/200.
Há alguns anos, os alunos com problemas visuais, que não eram funcionalmente cegos, eram conhecidos como de “visão parcial”. A terminologia atualmente aceita pela área educacional é “baixa visão”, o que significa visão insuficiente para realizar uma dada tarefa. As crianças com baixa visão, ainda que bastante limitada, podem, não raro, utilizá-la para fins educacionais, ao contrário das funcionalmente cegas (Barraga & Erin, 1991), que se valem dos outros sentidos para a leitura e o aprendizado acadêmico.
Apresente-as à turma do mesmo modo como apresentaria qualquer criança recém-chegada. Se outras crianças ou professores quiserem fazer perguntas, encoraje o aluno albino a responder. Algumas pessoas são muito abertas ao discutir albinismo, enquanto outras podem sentir-se menos à vontade para falar de suas condições aos colegas. O professor pode, ainda, necessitar informar-se com o orientador da escola acerca de possíveis meios alternativos.
O professor pode ter de lidar com os elementos implicância e apelidos. As crianças albinas podem ter aparências que levem outras a caçoarem delas ou a delas dizerem coisas indelicadas. Quase sempre, as caçoadas resultam do não-entendimento das diferenças e das dificuldades dos albinos por parte das outras crianças, o que tende a desaparecer com o esclarecimento, de forma que as crianças deixam de ser ofensivas e podem tornar-se úteis aos colegas albinos. Infelizmente, as crianças negras albinas podem estar sujeitas a maior implicância do que as caucasianas, devido a extremas diferenças na pigmentação da pele (Waugh, 1988).
O professor, normalmente, irá ajudar às crianças e a seus companheiros no relacionamento com as diferenças, e o albinismo é só um aspecto de uma diferença. O objetivo é desenvolver nas crianças uma atitude positiva e de aceitação quanto às diferenças dos outros. As crianças com albinismo são, como quaisquer outras com dificuldades, dependentes de ajuda e podem ajudar no desenvolvimento da auto-estima de outras crianças. Deve-se usar de tato, claro. Algumas crianças preferem dizer ao professor que algo está ajudando, a fim de evitar magoá-lo, quando, de fato, a criança só não sabe como explicar-lhe que a tentativa por ele feita não funcionou.
A criança pode, também, não compreender como seus olhos realmente parecem aos outros. Algumas crianças têm ouvido que seus olhos se movem para trás e para frente, e podem imaginar que seja mais sério do que parece aos outros. A Dra. Anne L. Corn, professora da Universidade do Texas, em Austin, sugere que haja um instrumento ao alcance da criança para que ela veja os efeitos do nistagmo em seus olhos. A doutora relatou que, ao fazer isto com um aluno, este lhe disse nunca ter pensado que seus olhos “parecessem tão grandes”.
Inclua estes alunos em todas as áreas do currículo escolar de que todos os demais alunos deveriam participar: arte, música, educação física (EF), biblioteca e outras atividades especiais são apropriadas para a criança com albinismo. O professor especialista pode sugerir modificações que sejam necessárias nestas áreas (por exemplo, provavelmente, seria sugerido que em atividades externas durante EF, o aluno usasse um boné, óculos escuros e protetor solar. Jogos diferentes com bolas maiores e mais lentas podem ser apropriados).

(O nome da autora me remeteu à sublimidade etérea de Julia, do Eurythmics...)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

ALBINISMO E DIVERSIDADE HUMANA

Nos dias 11 e 12 de dezembro, aconteceu o 1º Encontro Temático de Pessoas Albinas e Inserção Social, em Vitória da Conquista (BA). O evento foi promovido pela Universidade Estaudal do Sul da Bahia (UESB).

Dentre os particpantes, estava a Madá, ativista dos direitos das pessoas albinas no estado de Mato Grosso. Com as fotos tiradas no evento, Madá pediu a ajuda do blogueiro David, que montou um vídeo, à disposição no You Tube.

Transcreverei o email enviado pela Madá, porque ele expicita o modo coletivo como esse projeto foi realizado.

É com grande satisfação que apresento a todos com este vídeo sobre o encontro de pessoas com albinismo acontecido em Vitoria da Conquista, em dezembro passado. Engraçado como se deu a articulação para que ele fosse confeccionado:os paritcipantes do encontro fizeram as imagens e a Ivany me mandou. Contactei o David, lá em Estância Velha, RS, e ele montou o vídeo a partir das imagens enviadas de MT por mim e de falas do Roberto, em Penápolis, SP ,onde se destaca, também, o pioneirismo baiano e da Apalba no trato da questão. Realmente, uma produção coletiva, interativa, Ficou muito bacana, adorei o resultado, mais ainda em saber que todos participaram, cada um dentro do seu campo de atuação, talentos e possibilidades. Parabéns ao David, pela generosidade, carinho, competência. Parabens ao Roberto, que 'quase' sem querer, alinhavou tudo isto aqui. Parabens Prof Nivaldo e Ivany, pela iniciativa e empenho pessoal, pela competência. Parabéns ao pessoal da Apalba, que há dez anos iniciou esta caminhada. Parabéns a todos que apóiam esta causa e dedicam boa parte de suas vidas a ela. O caminho é esse: uma construção coletiva! Obrigada a todos, sempre. Repassem a todos os seus contatos! Estamos juntos!

Fico lisonjeado de que minhas entrevistas estejam sendo úteis pra alguma coisa! Agradeço ao David e à Madá pela lembrança.


PROTETOR SOLAR EM PÍLULA

Obrigado à Adelaidinha por ter despertado minha atenção pra esse assunto!

Pílulas contra o sol
Lançamento de protetor solar em comprimidos divide especialistas

Luísa Gockel
Especial para o JB


A dificuldade em aplicar uniformemente o filtro solar na pele e a pouca resistência do produto à agua são as principais queixas de todos os que se expõem ao sol regularmente. Um lançamento no Congresso Anual da Academia Americana de Dermatologia, realizado em Washington, em fevereiro, promete mudar esse quadro: especialistas apresentaram, pela primeira vez, uma fórmula oral de fotoproteção.
Além do frisson causado pela novidade, que levou especialistas a se acotovelarem por uma amostra das pílulas, o produto vem dividindo profissionais da área. Segundo o dermatologista Alexandre de Almeida Filippo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, os trabalhos publicados sobre o tema são de universidades tradicionais, como Harvard, e merecem credibilidade.
- Esta nova tendência vai chegar ao mercado com muita força, visando principalmente a ser ingerido a longo prazo para atuar como antioxidante, prevenindo o fotoenvelhecimento. Além disso, se forem tomadas duas cápsulas por dia, o produto previne o eritema (vermelhidão) por até duas horas e meia de exposição solar intensa - explica Filippo.
Segundo o dermatologista, este protetor oral foi lançado depois de vários estudos científicos que comprovaram sua eficácia, mas só agora foi colocado no mercado. A previsão do médico é de que até o fim do ano o produto chegue ao Brasil. Um funcionário da Melora, representante brasileiro do laboratório espanhol responsável pelo produto, garantiu que, devido à grande expectativa de profissionais e consumidores, em poucos meses as pílulas estarão disponíveis nas farmácias.
A arquiteta Diana Galender, 45 anos, está ansiosa pela chegada do produto ao país. Para cuidar da pele, ela não pega sol no rosto ''de jeito nenhum'', usa maquiagem com proteção e só sai de casa depois de passar filtro solar. Conta com a pílula inovadora para abandonar esse ritual.
O presidente da regional Rio da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Abdiel Figueira Lima, explica que o protetor é feito à base de uma substância batizada de extrato de leucotomos de polipódio (PLE), extraída de uma planta nativa da América Central. O extrato é considerado um poderoso agente antioxidante, que combate os radicais livres liberados pelo organismo após a exposição solar.
- É mais um parceiro que vem colaborar com a fotoproteção. É um exagero, no entanto, dizer que temos um protetor solar via oral. Sua ação, na verdade, é no sentido de condicionar a pele para a exposição ao sol, com menor prejuízo para as células - acredita o presidente.
O dano celular a que Lima se refere são as mutações induzidas pelos raios ultravioletas decorrentes da exposição excessiva ao sol. Estas células com o DNA alterado são as causadoras do envelhecimento precoce e do câncer de pele.
- Não acho que o protetor solar tradicional deva ser completamente abandonado. Mesmo assim, quem fizer uso do produto oral diariamente está investindo no futuro, porque as lesões na pele só são sentidas muito tempo depois. Além disso, pessoas que não podem pegar sol por causa de alguma doença, como o lúpus, ou que fazem tratamentos de pele, como o peeling, também terão essas pílulas como fortes aliadas - explica.
A eficácia do uso tópico do PLE é unanimidade entre dermatologistas. O uso via oral do extrato, no entanto, requer um cuidado maior, de acordo com a coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Dóris Hexel.
- Há uma certa confusão em relação aos fitoterápicos. Só porque são extratos feitos a partir de plantas não significa que sejam naturais. Temos de avaliar antes a sintetização e a metabolização do produto antes de prescrevê-lo - alerta Dóris.
Esses anti-radicais livres, segundo Dóris, dão uma proteção maior contra os raios ultravioletas, mas ainda não dispensam completamente o filtro solar. O dermatologista Alexandre Filippo, apesar de grande defensor da eficiência do PLE, também recomenda cautela quando o assunto é fotoproteção:
- Para prevenir queimadura solar, os estudos mostram excelentes resultados, mas devemos ter mais confiança no produto antes de trocar um protetor solar de uso tópico por um de uso oral. Com a combinação dos dois, poderemos ter uma proteção mais segura - aconselha.
(Encontrado em http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2004/04/10/jorbra20040410007.html )

(Uma de minhas canções favoritas de minha primeira "ídala", Gal Costa)

PARANAENSES INCLUSIVOS

Projeto de inclusão digital de brasileiros vence prêmio do BID

O projeto F123org foi criado em meados de 2008 e tem por objetivo popularizar tecnologias de baixo custo que auxiliem pessoas com deficiência visual e motora


Um projeto brasileiro desenvolvido pelos paranaenses Fernando Botelho e Flávia de Paula foi o vencedor do Prêmio A World of Solutions, promovido pelo BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento. O projeto F123org foi criado em meados de 2008 e tem por objetivo popularizar tecnologias de baixo custo que auxiliem pessoas com deficiência visual e motora.
Fernando é deficiente visual desde os 17 anos por uma doença chamada Retinose Pigmentar. Apesar das dificuldades iniciais ele se formou em Sociologia, na Cornell University, nos Estados Unidos; e posteriormente realizou um mestrado em Relações Internacionais, na Georgetown University. Já realizou trabalhos para o setor privado e público em cidades como Nova York, Genebra e Zurique.
Com sua experiência de vida, Fernando, em parceria com Flávia, percebeu a necessidade de ajudar outros deficientes no acesso ao mundo digital. Segundo a World Blind Union há 180 milhões de cegos e deficientes visuais no mundo todo.
Fernando e Flávia desenvolveram uma forma fácil e barata de instalar em pen drives todo o software que uma pessoa com deficiência visual precisa para usar um computador, incluindo sistema operacional, aplicativos, tecnologias assistivas como leitor de tela ou teclado virtual.
"Uma pequena modificação na sequência de inicialização do BIOS de um computador permite que a pessoa com deficiência use praticamente qualquer computador sem a necessidade de instalar nada", revela o sociólogo.
O pen drive denominado F123org é o disco que contém tudo que o usuário precisa para navegar na Internet e trabalhar com documentos, planilhas eletrônicas, e-mails e mensagens instantâneas. "Normalmente pessoas com deficiência visual em países em desenvolvimento são forçadas a usar softwares gratuitos extramamente limitados, já que uma única cópia de um leitor de tela convencional pode chegar a custar o equivalente a três ou quatro computadores", explica Fernando. Uma pequena minoria, como ele, tem a oportunidade de ter acesso e aprender a usar softwares caros e assim que tenta encontrar emprego ou fazer um estágio descobre que o preço dessa tecnologia adiciona mais uma barreira em um processo que já é difícil.
"O F123org quebra um círculo de dependência e vulnerabilidade, facilitando o acesso às tecnologias baratas e de fácil uso", revela Flávia. Por meio do prêmio, a Botelho & Paula, consultoria que presta serviços de assessoria técnica em desenho e gestão de projetos nas áreas de redução de pobreza, tecnologia, e deficiência - será contratada do BID para transferir essa tecnologia para seis países de língua espanhola: Argentina, Costa Rica, El Salvador, Equador, Peru e Uruguai. Segundo Flávia, no Brasil, o projeto F123org está em fase inicial de implementação, por meio de uma parceria com a Ong Mais Diferenças.
"Com este projeto, escolas, universidades, empresas e governos preocupados com a inclusão digital de pessoas com deficiência terão uma ferramenta de inclusão fácil e barata que poderá ser utilizada em grande escala,já que software caro deixou de ser um obstáculo," finaliza Fernando.

(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27895)

(Pinheiros do Paraná, que bom, tê-los como areia no mar...)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

TERMINOLOGIA

Não muito antigamente, aprendíamos que policial em inglês era “policeman” e o feminino, “policewoman. Modernamente, professores que ainda ensinam assim estão defasados. O mais adequado é ensinar “police officer”, porque indica policiais dos dois gêneros. O movimento feminista foi um dos responsáveis por essa mudança no idioma. Muitas palavras deixaram de ser sexistas. Outros grupos, como negros e os GLBTT, também pressionaram e pressionam a língua a fim de serem representados menos preconceituosa ou negativamente.
Verificaram-se mudanças vocabulares não apenas em decorrência direta dos movimentos pelos direitos civis. Termos como “blind” foram questionados e novas terminologias foram propostas, como, por exemplo, “visually challenged”.
Em que pese algum exagero politicamente correto em alguns casos, alterações terminológicas têm sua importância, mormente no que concerne à auto-estima dos grupos e indivíduos designados pelos novos termos.
Palavras são realmente importantes. Pensamos através delas, nos explicamos e construímos nossas identidades por meio delas, interagimos com os outros especialmente pelo meio verbal. Destarte, o vocabulário usado pra nos referir a nós mesmos e que os demais utilizam para se pronunciarem sobre nós é arma conseqüente na luta interna e externa que travamos pra obter (auto-) respeito.
Vejamos alguns exemplos, com relação a nós, pessoas com albinismo.
PESSOA COM ALBINISMO
Frequentemente, procuro usar essa expressão ao invés de apenas “albino”, a não ser quando fica estranho, como no nome do blog ou em orações carregadas de palavras ou preposições. A tendência de se usar a expressão “pessoa com” antes do nome da característica genética é precisamente para tornar patente que somos PESSOAS com essa peculiaridade, mas, somos mais do que isso. “Albino”, “diabético”, “aidético” e afins nos reduzem a uma essência única! Parece que somos “albinos” o tempo todo e somente albinos, quando não é verdade.
Na maior parte do tempo, sequer me recordo de que sou albino, porque possuo uma miríade de outras identidades! Sou professor, amigo, filho, cliente, ciumento, fã roxo da Princesa Diana (viram? Quando se trata de Lady Di, viro até colorido!).
Proponho que em português adotemos também a variante “pessoa albina”. Sem a preposição, talvez fique mais fácil para falar ou inserir em orações escritas. Não temos que esperar que criem palavras ou expressões definidoras para nós; somos perfeitamente capazes e livres pra fazê-lo.
SOFRO DE...
Essa deveria ser riscada do mapa e esquecida para todo o sempre! “Sofrer de albinismo”, sofrer de diabetes”? Humillhantemnte melodramático... Quando era moleque havia um desenho animado onde havia um leão e uma hiena. Essa última, passava o tempo todo dizendo “ó dia, ó vida, ó azar!” Sofrer de...” parece expressão dessa hiena!
Geralmente, não “sofremos” por conta do albinismo e sim porque não há políticas púbicas de saúde específicas para nós, porque muitos não conseguem trabalho ou apenas arrumam sub-empregos, porque vivemos numa sociedade não preparada para nossas especificidades.
“Sofrer de albinismo” tem o insidioso poder nefasto de desviar a atenção do problema mais premente! Além do mais, nos coloca em posição de pobres objetos indefesos de piedade. Respeito a gente conquista, se dando ao respeito primeiro!
VÍTIMA DO....
Vítima? Onde foi o terremoto, enchente ou erupção vulcânica? “Vítima do albinismo”, “vítima da AIDS”... Mais melodrama constrangedor!
A não ser que você queira se sentir como a hiena do desenho animado, não se descreva ou deixe que o descrevam assim! “Vítima” nega nossa capacidade de ação. Para os que gostam de filosofia, existe razão mais séria para rechaçarmos o termo, segundo nos ensina a norte-americana Susan Sontag: “vítimas (referindo-se ao vocábulo e não à pessoas) sugere inocência. E inocência, pela inexorável lógica que governa todos os termos relacionais, sugere culpa.” (SONTAG, Susan. Illness as metaphor and AIDS and its metaphors. New York: Anchor Books, 1990. p. 99)
PORTADOR DE...
Essa expressão na lista de indesejáveis talvez pegue muita gente de surpresa. Tenho visto inúmeros sítios, matérias de jornais, projetos de lei e textos acadêmicos – todos repletos de boas intenções, às quais agradeço de coração! - com essa infeliz expressão: “portador disso ou daquilo”.
Por que não “pessoa”? Por que essa objetificação? Já pensaram a respeito? Porta-copo, porta-CD, porta-avião... Quer dizer que sou um “porta-albinismo?” Se ainda fosse porta-avião, tudo bem; venderia a aeronave e ficaria rico!
A gente porta arma, RG e sei lá mais o quê.
Somos pessoas com albinismo, seres humanos multifacetados e capazes e não objetos/receptáculos para guardar albinismo!
Nas quase 650 postagens, certamente devo ter caído em alguma das armadilhas agora denunciadas. Reconheço ser difícil cambiar arraigados hábitos vocabulares, mas, devemos tentar.
Especialmente nós, pessoas com albinismo. Enquanto nos auto-definirmos como “vítimas”, “sofredores” ou “portadores”, os outros continuarão a nos perceber dessa forma.

(O que quer, o que pode esta língua?)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

LEITURA INCLUSIVA

As novas tecnologias da informação em sala de aula e as políticas inclusivas no cenário educacional brasileiro
Boletín REDEM04/02/2010

Uma reflexão a respeito da necessidade de se repensar a leitura no processo de inclusão do aluno com (e sem) deficiência visual
Saulo César da Silva


A leitura é considerada, na visão da Língüística Aplicada, como uma ação social na qual os falantes interferem em suas realidades, agindo uns sobre os outros. Esse conceito está relacionado com os estudos a respeito de letramento, particularmente pela pesquisadora Magda Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Em seus estudos, defende que os indivíduos de uma determinada sociedade, mesmo sendo analfabetos, no sentido tradicional, podem ser letrados à medida que têm contato com o mundo da leitura em diferentes contextos sociais. Isso demonstraria a sua importância como prática social, em detrimento ao conceito de leitura apenas como decodificação do signo lingüístico.
A presença cada vez mais constante da leitura no cotidiano social, com um volume intenso na troca de informações pelos mais diversos meios como: televisão, rádio, internet entre outros, exige um outro olhar sobre a importância a sua importância (e também a relevância da escrita).
Partindo dessa perspectiva, lanço uma reflexão a respeito da necessidade de se repensar a leitura no processo de inclusão do aluno com (e sem) deficiência visual, nos diferentes níveis da educação brasileira, com o uso das novas tecnologias da informação (TI) em sala de aula.
A partir de meados de 1990, com desenvolvimento dessas novas tecnologias, houve uma verdadeira revolução na realidade de sala de aula, pois o professor deixou de ser o "centro do saber", passando, então, a desempenhar um papel de orientador na busca de um conhecimento que está disponível para todos.
Portanto, levando-se em consideração que o avanço tecnológico está cada vez mais presente nas mais diversas tarefas cotidianas, atingindo cada vez mais diferentes segmentos sociais, não se pode ignorar sua presença na realidade escolar. É preciso reavaliar a eficácia de instrumentos pedagógicos tradicionais como, por exemplo, o quadro negro e o livro didático impresso.
Se para o aluno sem deficiência, o livro eletrônico (e-book) poderia se apresentar como uma ferramenta eficaz de inclusão escolar nesse novo contexto informatizado; por outro lado, os ganhos seriam inestimáveis para o aluno com deficiência visual, pois o livro eletrônico é uma das diferentes formas de livro acessível que está ganhando espaço no meio acadêmico há algum tempo. Agora começa a ser pensado na realidade dos níveis escolares: fundamental e médio.
Porém deve-se observar que esses recursos não substituiriam o uso do Braille para os leitores com deficiência visual, mas tornar-se-iam ferramentas complementares, ampliando-se, portanto, as possibilidades de instrumentos de leitura para esses alunos. Justifica-se isso, porque a impressão de livros em Braille, na realidade social e econômica do Brasil, ainda é muito custosa e restrita, realizada somente por algumas instituições especializadas como: a Fundação Dorina Novwil, na cidade de São Paulo.
Para que o leitor deste artigo, que ainda não conhece o que é um áudio-livro, disponibilizei trechos do livro que publiquei em dezembro de 2009, baseado em minha pesquisa de doutorado, cujo título é: Percebendo o ser: a manifestação das identidades sociais do aluno deficiente visual nas conversas sobre textos. Esses trechos foram organizados da seguinte maneira:
1- Dados Catalográficos;
www.youtube.com/watch?v=dfzfMUPZaxg
2- Dedicatória e Apresentação;
www.youtube.com/watch?v=c6zhMMuWnHc
3- Prefácio;
www.youtube.com/watch?v=uknAHd94n6g
A efetivação no uso dessas novas tecnologias requer da sociedade, e não apenas da Instituição Escolar, uma mudança cultural que está relacionada com a construção de um novo paradigma. É preciso também ressaltar que isso só será, realmente, viável com o compromisso das três esferas de governo (municipal, estadual e federal) na consolidação de políticas públicas que atendam às diferenças de uma sociedade marcada pela diversidade e pelo antagonismo socioeconômico.
(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27875)

(Jimmy Somerville, pedindo pra lermos seus lábios.)

ARTE CONSTRÓI - SÃO LUIZ DO PARAITINGA

Quem estiver em Sampa entre os dias 5 e 7 de fevereiro poderá ajudar a minimizar os efeitos do desastre ocorrido em São Luiz do Paraitinga. Veja como e divulguem:

A produtora Mundo Pensante se uniu ao Coletivo Loungetude46 e criou o Arte Constrói – São Luiz do Paraitinga. Acontece nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro, na Vila Madalena, no recém reformado casarão que abrigou a primeira versão do famoso StudioSP (Rua Inácio Pereira da Rocha, 170). O evento tem início às 22h00 do dia 5 (sexta-feira) com um show do Coletivo Loungetude46 e contará com dois ambientes com atividades simultâneas. A festa acaba no domingo, dia 7, com uma reunião do bloco carnavalesco Unidos Venceremos e a galera do cordão Kolombolo Diá Piratininga no meio da rua em frente à casa.
É importante ressaltar que todos os artistas, a produção e parceiros estão abrindo mão de qualquer remuneração para contribuir com o desastre em SLP. O custo da entrada do evento será de 10 reais por dia. Uma vez pago, o visitante será carimbado e poderá retornar, desde que no mesmo dia. No domingo não será cobrada entrada.

Mais informações no site
http://www.arteconstroi.com.br/

(Documentário sobre a tragédia, produzido por Diego Migotto, Luiza Carelli e Mariana Moraes.)


O FAVORITO


Até camarão albino já apareceu em novela global no horário nobre. Seres humanos albinos? Nada!

Agora que as novelas brasileiras estão ganhando até Emmy, será que não se arriscariam a inovar e pôr uma personagem albina numa de suas tramas? Qual autor quer entrar pra Historia como pioneiro?

Novela da Globo destaca camarão Albino da Gruta do Lago Azul

A novela das oito da Rede Globo “A favorita” deu destaque em seu capítulo de sábado (14), sobre o camarão albino que no Brasil é somente encontrado na gruta do lago azul em
Bonito.
O camarão albino é uma espécie de crustáceo cavernícola, Potiicoara brasiliensis, uma das três espécies conhecidas da ordem Spelaeogriphacea, e a única descrita para o Brasil, é endêmica da Gruta do Lago Azul, em
Bonito (MS).
(Encontrado em http://bonitopantanal.wordpress.com/2008/06/17/novela-da-globo-destaca-camarao-albino-da-gruta-do-lago-azul/ )

(Vídeo original de Pa’Bailar, tema de abertura de A Favorita. A canção é dos eletrotangueiros argentinos do Bajofondo.)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

PAIS E FILHOS

Roberto Rillo Bíscaro

Ontem terminei de assistir ao aclamado Vozvrashcheniye (2003), longa de estréia do diretor russo Andrei Zvyagintsev. Incoomdou um pouco, a ponto de eu não conseguir ver o filme duma só vez.
Inicialmente, vemos um grupo de meninos púberes em cima de um mirante localizado num píer. Um dos garotos incita os outros a pularem nas águas escuras, sob pena de serem percebidos como covardes. O valentão é Andrei, irmão de Ivan, que amedrontado, recusa-se a pular. O menino tem que engolir a humilhação da vergonha, além da violência do irmão metido a macho.
A seguir, a mãe informa aos irmãos que seu pai reaparecera do nada, após ausência de 12 anos. Criados pela mãe e pela avó, o recém-chegado não significava nada pros filhos. Não havia conexão afetivo-emocional entre eles. Pai era apenas uma palavra, cujo efetivo significado, Andrei e Ivan desconheciam.
Os roteiristas escolheram deixar os meninos e a audiência no mesmo nível de informação a respeito do homem. Jamais descobrimos absolutamente nada a respeito do misterioso pai regresso.
Alegando querer recuperar o tempo perdido com os filhos, o homem leva os meninos a uma viagem de pesca, que, a princípio, duraria dois dias, mas acaba se estendendo pra mais. O pai recebe uma ligação e parte em busca de alguma coisa em uma ilha. Também nunca saberemos do que se trata, apenas o veremos desenterrar uma espécie de arca ou baú.
A escassez de informações sobre o passado e as motivações do pai, nos leva a prestar atenção ao relacionamento entre eles e os guris. O sujeito tenta impor-se à força, por exemplo, obrigando que o chamem de pai. Também passa a infligir uma série desagradável de castigos físicos e emocionais nos meninos.
O relacionamento dessas três personagens – as únicas na maior parte do filme – é tenso, cheio de silêncios rancorosos e, especialmente seca. Secura emocional que contrasta com a abundante presença da água, quer sob forma de escuros lagos ou mares internos russos, quer sob forma de chuva torrencial.
Pontuando o elemento sinistro da relação entre pai e filhos, vemos uma cinematografia repleta de cores tristes e frias, como negro, cinza, azul-marinho. Lindas imagens, por sinal.
O outrora valentão Andrei rende-se ao pai facilmente, querendo agradar a todo custo e suportando as humilhações sofridas. O “covarde” Ivan é a figura questionadora dos reais motivos do regresso paterno e opositora à sua tirania. Particularmente, esse foi o elemento que mais me agradou em Vozvrashcheniye. Ivan provou ser forte e valente frente a uma situação realmente conseqüente. Pular dum mirante não é valentia, é risco desnecessário e não prova nada a ninguém.
A reviravolta que marca a transição pro epílogo, fará com que Andrei e Ivan finalmente tenham que cooperar fraternalmente, sinalizando que daí em diante jamais serão os mesmos. De modo não planejado, o pai consegue ensinar algo aos moleques...
O ritmo lento e os diálogos e faces crispadas de Vozvrashcheniye fazem dele uma película um tanto difícil. Por outro lado, mostram enorme madureza do estreante Andrei Zvyagintsev.
(Achei um vídeo com imagens do filme, ao som da maravilhosa música de Pachelbel e Albinoni.)

BOAS NOVAS PROS DEFICIENTES VISUAIS

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Ministério da Saúde investe R$ 39,1 milhões em serviço para pessoas com cegueira e baixa visão

O recurso será para implantar unidades de reabilitação visual, que tratarão pacientes desde o diagnóstico ao fornecimento de recursos ópticos de reabilitação
Os brasileiros com baixa visão ou cegueira vão contar com novo serviço no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde liberou recurso de R$ 1,9 milhão para implementar as primeiras cinco unidades de reabilitação visual do país, que vão atender, em média, 7,5 mil pessoas por ano. Serão 75 unidades no país distribuídas em todos os estados, até 2011, um investimento de R$ 39,1 milhões. Essas unidades terão o papel de acompanhar a pessoa com deficiência visual para que ela desenvolva habilidades que a auxilie em suas atividades diárias. O acompanhamento especializado também vai permitir a adaptação delas aos recursos ópticos fornecidos no SUS, como óculos especiais, sistemas telescópicos, lupas, próteses visuais e bengalas.
Outra novidade no tratamento da pessoa com deficiência visual é a ampliação da oferta de equipamentos para auxiliar na reabilitação visual, que passou de 4 para 10 tipos (veja lista abaixo). Agora, o SUS vai fornecer óculos com lentes filtrantes para controle da iluminação. Esse recurso óptico evita a fotofobia causada pela ausência de pigmentos de melanina, no caso de albinos, por exemplo. Também serão financiados sistemas telescópicos monoculares e binoculares, utilizados para ampliar a imagem para distâncias longas, intermediárias e curtas. Também foram incluídos dois tipos de lupa, uma manual com ou sem iluminação e uma de apoio (para pessoas que têm tremores nas mãos), com ou sem iluminação. Antes, era fornecida um tipo de lupa, a comum.
As primeiras unidades estão localizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro (veja lista abaixo). São hospitais, associações, institutos ou clínicas que já fornecem algum tipo de serviço em oftalmologia, mas receberão recursos para oferecer a reabilitação visual. Eles passarão a ser credenciados ao SUS. O investimento vai custear avaliação e acompanhamento oftalmológicos, tratamento terapêutico especializado, acompanhamento com equipe multiprofissional para a reabilitação do paciente e a concessão dos onze recursos ópticos, dos quais sete são novos.
O usuário será acompanhado por oftalmologistas, pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais e técnicos em orientação e mobilidade. A atenção especializada e integral a essas pessoas é uma novidade na rede pública de saúde. Com o novo serviço, um deficiente visual que é atendido em ambulatórios de oftalmologia receberá o diagnóstico de baixa visão ou cegueira e poderá ser encaminhado para uma unidade de reabilitação.
"O serviço é um avanço na implantação da Política Nacional de Saúde para Pessoa com Deficiência. Nele será oferecido o atendimento necessário para que a pessoa com baixa visão ou cegueira desenvolva suas potencialidades e enfrente com maior autonomia as dificuldades no seu dia-a-dia", afirma Érika Pisaneschi, coordenadora da Área Técnica Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde.
Uma pessoa que fica cega, por exemplo, pode adquirir habilidades para caminhar na rua e movimentar-se em casa com maior autonomia. Pacientes com baixa visão muitas vezes não sabem utilizar os recursos ópticos com destreza. A adaptação aos equipamentos faz parte do processo de reabilitação que irá, por exemplo, orientá-lo a focar melhor seu campo visual. Há aqueles, ainda, que não aceitam sua nova condição e resistem o uso dos recursos ópticos. O trabalho do psicólogo, neste caso, será crucial para conscientizá-lo da importância do uso dos equipamentos para melhor qualidade de vida.
As outras unidades serão implantadas no país conforme adesão dos estados e municípios, que devem identificar nas cidades as unidades capazes de oferecer o serviço e encaminhar processo de habilitação do serviço ao Ministério da Saúde.
ESTATÍSTICA – De acordo com a Organização Mundial da Saúde, no Brasil, a prevalência de cegueira na população é de 0,3% e de baixa visão, 1,7%, A pessoa com baixa visão é aquela que mesmo após tratamentos ou correção óptica apresenta diminuição considerável de sua função visual. A maior parte da população considerada cega tem, na verdade, baixa visão e é, a princípio, capaz de usar sua visão para realizar tarefas. Para cada pessoa cega há em média, 3 ou 4 com baixa visão. Já o paciente com cegueira é aquele que perde totalmente a visão por diversas causas, que vão desde traumas oculares até doenças congênitas.
A prevalência de doenças oculares que levam ao comprometimento da visão cresce com o avanço da idade. As taxas maiores de cegueira e baixa visão são observadas com o aumento da vida média da população. Na população com mais de cinqüenta anos de idade as principais causas de cegueira são: catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética e a degeneração macular (perda da visão no centro do campo visual, a mácula) relacionada a idade.
POLÍTICA NACIONAL – A Política Nacional da Pessoa com Deficiência criada pelo Ministério da Saúde busca proteger a saúde e reabilitar a pessoa com deficiência. Os recursos para a política tiveram acréscimo de R$ 115 milhões em 2009, sendo que R$ 75,5 milhões já foram repassados aos municípios. Os 39,1 milhões restantes serão destinados a implantação dos serviços de reabilitação visual.
De 2002 a 2009, foram implantadas 53 unidades em reabilitação física, totalizando 156 existentes no país. Hoje o país já conta com 142 unidades de saúde auditiva, implantadas a partir de 2004. Essas unidades, que promovem a reabilitação e a aquisição de órteses e próteses para pessoas com deficiência física ou deficiência auditiva atendem entre 280 a 300 mil pessoas por ano.
A redução da fila de espera por órteses e próteses e a melhora na qualidade do atendimento a pessoas com deficiência é uma das metas do programa Mais Saúde do Ministério e da Agenda Social de Inclusão das Pessoas com Deficiência do Governo Federal. Lançada em 2007 (Decreto 6.215 de set/07), a Agenda tem o objetivo de promover maior cobertura das ações para os 14,5% da população que possuem algum tipo de deficiência.

Novos recursos ópticos a serem oferecidos no SUS
- Óculos com lentes esferoprismáticas: serve para aproximar a visão de objetos em uma distância mais próxima.

- Óculos com lentes asféricas positivas: serve para enxergar objetos de forma tanto mais próxima quanto mais distante.
- Lupa manual com ou sem iluminação: utilizada para leitura e ampliação de imagens.
- Lupa de apoio com ou sem iluminação: também é usada para leituras e para ter uma visão mais de perto. A diferença é que serve para pessoas que têm tremor ao segurar objetos e/ou dificuldades de sustentar um objeto com as mãos.
- Sistema Telescópico manual monocular com foco ajustável: é um mini telescópio monocular que serve para visualizar objetos a distância. É ajustável para ampliar a imagem para distâncias longas, intermediárias e curtas.
- Sistema Telescópico manual binocular com foco ajustável: utilizado para aproximar a visão. É montado para evitar a movimentação e fixar melhor a imagem.
- Óculos com lentes filtrantes: utilizadas para controle da iluminação, para diminuir o desconforto visual, diminuir o ofuscamento, aumentar o contraste e a resolução da imagem. Evita a fotofobia causada pela ausência de pigmentos de melanina como no caso das pessoas com albinismo.
Agência Saúde

(Encontrado em http://farolcomunitario2.blogspot.com/2010/02/ministerio-da-saude-investe-r-391.html )
(Canta forte, canta alto, a vida vai melhorar...)

CASCUDO ALBINO

Não cessam de aparecer notícia sobre animais albinos. Vejam a descrição duma edição do Globo Repórter, onde um cascudo albino ganha destaque.

Produtores do Globo Repórter, quando vocês farão um programa sobre seres humanos albinos?

Raridade das profundezas

Mergulhadores de cavernas se preparam para entrar em ação vestindo roupas especiais para um trabalho de pesquisa nos subterrâneos da Serra da Bodoquena. Foi a aventura da ciência em busca de novos segredos da natureza. Já foi comprovado que na região vivia o elefante brasileiro da Pré-História, o mastodonte. O animal era um pouco menor e muito mais forte do que os elefantes da África e da Ásia.
Outra descoberta da nossa ciência: o Brasil tem a maior fauna de peixes do mundo, entre 4 mil e 5 mil espécies de água doce e pelo menos 1,3 mil espécies marinhas. Grande parte dessa riqueza de nossas águas ainda é desconhecida. Daí, a missão destes mergulhadores, que foi acompanhada pela equipe do Globo Repórter.
E não foi à toa. O lugar escolhido parece um aquário gigante, uma vitrine de peixes de todos os tamanhos e cores. A mata inteiramente preservada na Serra da Bodoquena é o local da nascente do Rio Formoso. A água sai da pedra cristalina. Em uma caverna vive um peixe desconhecido, que não tem visão.
“A equipe vai procurar esse bicho a partir dos 25 metros de profundidade, onde ele começa a ser encontrado”, anuncia Edmundo Cosat Júnior, biólogo da Universidade de São Paulo (USP).
O biólogo Edmundo Costa Júnior foi quem achou o cascudo albino.
"Pelo menos até onde a ciência conhece esse peixe só existe nessas cavernas”, diz o biólogo.
Eles foram arás do cascudo albino. Logo depois da entrada da caverna, a equipe ficou na mais completa escuridão. Foi preciso recorrer à luz das lanternas. As fendas por onde passaram eram muito estreitas. A previsão era descer a até metros de profundidade. Mas os pesquisadores encontraram o cascudo albino logo aos 20 metros.
Lá estava ele, o raríssimo peixe albino, que só existe nas cavernas da nascente do Rio Formoso. O peixe não é grande. Com a luz, se torna cor-de-rosa. É completamente cego. Quando a câmera aproximou, foi possível perceber que ele não tem olhos. Vive exclusivamente na escuridão das cavernas. Só agora o cascudo albino está sendo estudado pela ciência.
O Rio da Prata é um aquário natural, o paraíso das piraputangas, piaus, dourados, corimbas, pacus, peixes de todas as espécies. Em uma área ainda selvagem do rio, a câmera passou pelos galhos submersos e fez uma grande descoberta. O primeiro contato foi assustador.
Na margem do Rio da Prata foi encontrada uma sucuri, com cerca de cinco metros de comprimento. Ela estava lenta porque comera um animal e a parte central do corpo estava muito dilatada, dificultando a locomoção por dentro d’água.
A serpente nadou ao lado do barco. Seu corpo dourado brilhava com os raios de sol. A sucuri é a anaconda brasileira, a maior cobra dos nossos rios e florestas. Ela chega a medir 12 metros.
A sucuri não conseguia mergulhar porque ainda não tinha digerido o animal que comera, provavelmente, um porco selvagem. Por isso, estava nadando com dificuldade e se refugiou mais uma vez na beira do rio.
A câmera chegou bem perto da sucuri. Ela estava enroscada em um tronco de árvore, onde se sentiu mais protegida. A equipe do Globo Repórter acreditou que a cobra não ia atacar porque estava bem alimentada e aproximou ainda mais a câmera. Ela quase tocou na lente com a língua. Nunca uma sucuri fora vista tão de perto. Mas eles a deixaram em paz, no leito do rio, que é a sua casa.
"É uma janela de absoluta visualização, de um contato íntimo. São raros os locais da natureza que anda restam para que as pessoas possam ter um contato tão sincero e profundo com a natureza de forma recíproca, pois os bichos também não sentem medo, eles chegam bem perto", diz o biólogo José Sabino, professor da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal (Uniderp).
O entusiasmo do pesquisador é do tamanho da curiosidade. O professor José Sabino é um descobridor dos tesouros destes rios tão cheios de vida.
"Em geral, os peixes têm orientação regida pela visão durante o dia. À noite, eles se guiam principalmente pelos barbilhões, um tipo de bigode, e pelo sentido do tato. Eles tateiam o fundo do rio e sentem quimicamente o ambiente, percebendo-o por gosto e cheiro. Algumas espécies aproveitam a escuridão para se alimentar. Os predadores aproveitam a desorientação dos peixes diurnos. Um peixe do dia começa a se desorientar com o lusco fusco e um peixe noturno aproveita a situação para atacá-lo. A pouca luminosidade favorece o momento de ataque do peixe noturno", explica o biólogo.
Experiências em um laboratório vivo! Os pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) usaram descarga elétrica para recolher amostras de peixes. Roupas de borracha evitaram o choque. A descarga elétrica não é muito forte e deixa os peixes apenas atordoados. Eles são recolhidos por redes.
"Com esta técnica de coleta, conseguimos fazer uma amostragem boa da faunda de peixes que existem no lugar. O peixe fica tonto com o choque, bóia e a gente captura alguns. Os peixes que a gente não captura não morrem, eles se recuperam depois", esclarece o biólogo Ricardo Corrêa e Castro, da USP.
A captura dos peixes é necessária para a ciência, faz parte da descoberta do mundo submerso. É preciso conhecer para proteger.
"Quando se fala de peixe, a maior parte das pessoas pensa em dourado, jaú, corimba, pintado, peixes grandes. Porém, a gente estima que mais da metade da diversidade de peixes da fauna de água doce da América do Sul é de peixes pequenos, como lambaris, bagres, cascudinhos", acrescenta o biólogo.
Se os peixes pequenos têm imenso valor, imaginem os mamíferos gigantes. Na Serra da Bodoquena vivia o nosso elefante pré-histórico, o mastodonte. As ossadas foram retiradas da caverna a uns 50 metros de profundidade. Os fósseis dos animais pré-históricos retirados pelos pesquisadores na região estão agora no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
A partir dos ossos, utilizando recursos de computação gráfica, foram criados o que seria o animal pré-histórico brasileiro.
"Ele tem diferenças marcantes se comparado aos elefantes africano e asiático. Apesar de ser um elefante mais baixo, é muito mais robusto. Um adulto pesava me torno de quatro toneladas e podia atingir quase cinco metros de comprimento. Ele era mais comprido do que alto. Nosso elefante do cerrado brasileiro era um bicho atarracado e forte”, revela o paleontólogo Leandro Salles, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Dez mil anos se passaram. Do nosso mastodonte, só restaram os ossos. Mas os peixes ainda estão vivos. E só dependem das pesquisas e dos cuidados de todos nós.
(Encontrado em
http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-4030-1-63087,00.html )

(Os ingleses Steve Morris e Gillian Gilbert, respectivamente, baterista e tecladista da minha amada New Order, decidiram formar o duo The Other Two e, em 1991, se saíram com essa delícia de single. Realmente, o peixe mais saboroso que já vi. Quando toca isso no mp3, tenho vontade de sair pulando na rua!)


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A ÁFRICA NÃO É SÓ A TANZÂNIA

Sempre que posto artigos sobre os assassinatos de pessoas com albinismo na Tanzânia, me policio pra escrever “em partes da Tanzânia”, uma vez não ser correto afirmar que albinos sejam caçados e mortos no país todo.

Por isso, minha implicância quando leio textos que tratam da perseguição a albinos “africanos”. Temos que tomar muito cuidado pra não reduzir tudo a algum infrutífero mínimo denominador comum! A África é vasta e pluricultural, multiétnica.

Mesmo que exista preconceito em todo continente (e não afirmo que haja), não é justo ou produtivo tecer imagem medonha de um continente inteiro por algo que ocorre sistematicamente em uma pequena fração dele, que, por sinal, é gigantesco!

Leiam a notícia abaixo e vejam como uma das regiões mais pobres do planeta está conseguindo reverter o quadro de preconceito enfrentado pelas pessoas albinas. É um grande exemplo pra nós, brasileiros!

República Centro Africana

Albinos mais integrados na sociedade

É um dos países mais pobres do mundo. Mas, é um exemplo para outras nações africanas na luta contra a discriminação dos albinos. Registraram-se grandes melhorias, nos últimos quatro anos
Campanhas desenvolvidas pela Associação Nacional dos Albinos da República Centro Africana (ANACA) têm contribuido para a integração dos portadores da doença. A mudança de mentalidades, baseada numa maior compreensão do que é o albinismo, diminuiu a discriminação sobre os mesmos. Trata-se de uma alteração genética que afecta pigmentação das pessoas. Os albinos possuem um tom de pele, cabelos e olhos invulgar, o que era encarado como um fenómeno paranormal ou resultado de bruxarias por muitos, noticia a agência Syfia.

Agora, as falsas crenças deram lugar ao respeito e admiração, em algumas escolas da capital do país, Bangui. Yann-Loïck Kémba é o vice-presidente do departamento de jovens da organização. O jovem de 17 anos explica: «Todos querem ser meus amigos». E não é o único a testemunhar a diferença. «Gosto de brincar com ele. Mesmo tendo um tom de pele diferente, não deixa de ser como eu», afirma Pascal Yangakola, acerca de outro albino. Este discurso há apenas dois anos era impossível. Nas escolas, os albinos eram tratados de «fantasma ou descendente de sereias», informa a mesma agência. Alguns alunos eram obrigados a desistir dos estudos e até os professores os consideravam pouco inteligentes.
Contudo, em muitos países africanos, os albinos continuam a ser objecto de violência. A ANACA foi criada em 2002, precisamente para combater os preconceitos existentes em relação à doença. Com a ajuda das Nações Unidas, tem desenvolvido inúmeras campanhas de sensibilização e seminários em Bangui. Em 2003, organizou o primeiro Dia Nacional dos Albinos a 11 de Novembro. A data é pretexto para uma divulgação mais intensa da doença e discriminação a ela associada. O próximo passo é a adopção de uma lei que proteja dos direitos dessa população, nomeadamente nas instituições de ensino.
Cristina Santos FÁTIMA MISSIONÁRIA01-02-2010 • 12:20

(Encontrado em http://www.fatimamissionaria.pt/noticia3.php?recordID=30034&seccao=3 )

(Um pouco de música e de imagens da República Centro Africana.)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ANIVERSÁRIO DO BLOG

Há exatamente 1 ano nascia o Blog do Albino Incoerente.
http://www.albinoincoerente.com/2009/02/sobre-lua-e-incoerencia.html

Nos primeiros dias, dominei a arte de postar, adicionar fotos e vídeos. Recém-saído do berço, o blog era como tantos e tantos outros; fazia gracinhas, falava de minhas coisas e pessoas favoritas, contava historietas.

A militância albina online nasceu no dia 11:
http://www.albinoincoerente.com/2009/02/tigre-albino.html

Além de começar a reunir num mesmo lugar o máximo de links, reportagens, sites, vídeose histórias sobre albinos, lancei-me a um descomunal trabalho de divulgação. Foram meses descobrindo e enviando emails literalmente pro planeta inteiro! Queimei pestana nesse processo, doeram as costas...

O primeiro resultado de peso veio no dia 17 de fevereiro. 2 semanas após sua criação, o blog ganhava destaque num dos jornais mais importantes do país!
http://www.albinoincoerente.com/2009/02/tigre-albino.html

Animei-me ainda mais pra divulgação e intensifiquei a divulgação. Milhares de emails, não, isso não é exagero, foram milhares MESMO! Tive minhas contas do GMail suspensas 3 vezes por exceder o número de emails permitidos pra envio e recebidos de volta. O sistema me identificou como spammer!!!

Valia a pena, porém. Matérias sobre meu trabalho pipocavam no Brasil todo, em sites, jornais grandes e pequenos, revista, rádio e TV. Repercutiu na Argentina, Portugal, Angola...

Abri espaço pra que outros albinos publicassem suas experiências, afinal, a proposta deste espaço é ser coletivo e democrático. O primeiro albino a compartilhar suas vivências conosco foi o maranhense Raimundo C@STRO, que se tornou parceiro do blog, sendo responsável, inclusive, pela transformação em endereço do albinoincoerente.com
http://www.albinoincoerente.com/2009/03/historia-do-cstro.html

A história do C@STRO não só se tornou a postagem com o maior número de comentários até hoje, mas, em menos de um mês foi usada por uma rádio portuguesa como roteiro pruma entrevista que fizeram com o jovem.

Dei diversas entrevistas, divulguei a causa albina o melhor que pude, nunca me esquecendo do pioneirismo da Associação das Pessoas com Albinismo da Bahia (APALBA). Jornais, rádio e TV... O Blog me trouxe o prazer inédito de visitar o Rio de Janeiro....

Além da viagem, tive o prazer de entrar em contato com uma série de pessoas iluminadas, divertidas, simpáticas e interessantes. Não citarei nenhuma nominalmente sob risco e medo de cometer o pecado de esquecer nomes tornados tão queridos.

Auxiliei mais de uma pesquisa escolar em diversos níveis, dei indicações de pessoas e endereços pra projetos diversos que me pediam auxílio, coloquei pessoas em contato, atendi solicitações, sempre tendo o prazer de contatar mais gente interessante no processo.

Botei a cara no You Tube com vídeos reivindicatórios. Falei aos 4 ventos sobre a necessidade de o governo distribuir bloqueador solar gratuitamente aos albinos. Com tanta falação e em tantos lugares, alguém tinha que me escutar, né?

Em agosto, o deputado estadual paulista Carlos Giannazi apresentou projeto de lei que obriga o estado de SP a nos dar protetor solar. O PL está tramitando na ALESP...
http://www.albinoincoerente.com/2009/08/projeto-de-lei-n-683-de-2009.html

Sem quere dizer que foram inspirados em mim, mas de qualquer modo, logo depois apareceram projetos similares em Mato Groso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco (vetado como inconstitucional, que vergonha, é inconstitucional ajudar quem precisa!!??)

Em outubro, Giannazi, Andreza Cavalli, o historiador da USP José Carlos Sebe Bom Meihy e eu estávamos na ALESP pruma audiência pública sobre o Projeto de Lei.

Depois, fui clicado, juntamente com outros albinos, pelo fotógrafo Gustavo Lacerda, que organiza uma exposição de fotos só com pessoas albinas.
http://www.albinoincoerente.com/2009/10/sessao-de-fotos.html

Esses foram apenas alguns fatos marcantes ocorridos desde a criação do blog. 2009 foi ano significativo pros albinos brasileiros, e não apenas devido ao Albino Incoerente, diga-se.

Entretanto, não vou ser falso modesto; parte do que aconteceu em 2009, fração importante da visibilidade que ganhamos ano passado foram frutos de nosso trabalho no blog. Dos leitores que ajudam a divulgar e enviam sugestões e críticas, dos colaboradores que sugerem pautas,mandam links e enviam suas histórias de vida.

Não sou falso modesto porque não reclamo a honra apenas pra mim. O blog está sendo construído coletivamente na medida do possível.

Adoro trabalhar em sua elaboração, dedico prazeirosamente parte de meu tempo procurando assuntos pra postar, acho o máximo quando alguém pedindo alguma indicação ou quando consigo colocar pessoas em contato e daí nasçam faíscas criativas.

O entusiasmo está na estratosfera e o gás longe de acabar. Atualmente, o Albino Incoerente está envolvido em 2 grandes projetos que ainda não podem ser revelados sob pena de gorarem. Caso vejam a luz do dia, tais projetos nos trarão ainda mais visibilidade.

Espero continuar contando com a colaboração e confiança dos amigos e aliados angariados até agora. Almejo aumentar esse número exponencialmente (sim, penso alto!).

A luta da causa albina mal começou e o aniversário do blog é apenas uma gota no mar de anos que espero que dure!

Feliz aniversário pra todos nós, participantes deste espaço, a festa é de todos nós!

(E o parabéns pro blog vem na versão mais sexy que essa canção jamais conheceu!)