terça-feira, 5 de março de 2013

TELINHA QUENTE 72


Quando amo algo, busco saber o máximo a respeito, a ponto de relegar muitas coisas a quarto plano. Vida curta e atarefada, não dá pra acompanhar filmes do Oscar, por exemplo, se me interessam mais as soaps oitentistas. Na noite do Oscar, assisti ao capítulo Primetime Soaps, da série Pioneers of Television, do canal PBS. O programa pode ser visto aqui, em inglês sem legendas.
Não se trata da história das soap operas, dramas geralmente semanais, aparentados das nossas telenovelas quase diárias. A ênfase recai em entrevistas com atores de 3 soaps oitentistas fundamentais – DALLAS, Dynasty e Knot’s Landing (Falcon Crest caiu no esquecimento)-, década em que o gênero tornou-se produto de exportação cultural número 1 da TV norte-americana, especialmente na primeira metade. A rainha da Inglaterra pedia que Joan Collins ou Larry Hagman revelassem o que estava por vir em suas respectivas novelas.
O termo soap opera nasceu pejorativamente em alusão à alta incidência de marcas de sabão patrocinando o produto, que migrou do rádio pras tardes televisivas, antes de ganhar seu primeiro espaço no horário-nobre, em 1964, com Peyton Place (morro de vontade de ver!), que revelou Mia Farrow e Ryan O’Neal.
Larry Hagman, Patrick Duffy, Linda Gray, Charlene Tilton (DALLAS); Joan Collins (Dynasty), Donna Mills (Knot’s Landing, filhote classe-média da ricaça DALLAS, que também morro por ver) e outros tentam explicar o sucesso, a longevidade e a influência que seus shows exerceram. Por mais que tentem negar, fãs de séries modernetes têm que engolir que clifffhangers são herança das soaps. Seja em Dexter, seja em Ugly Betty; Hagman, Collins & Cia. deixaram marcas indeléveis na história da TV.
Já que iniciara jornada na série da PBS, por que não ver mais episódios que me interessavam? Em memória de Batman e da Mulher Maravilha, 2 favoritos de quando petiz, vi Superheroes, que você também poderá, se clicar aqui e entender inglês.

Aprendi bastante e adorei ver Adam West (Batman), Burt Ward (Robin), Lynda Carter (Mulher Maravilha) contando trivias. Descobrimos porque Batman falava tão pausadamente, porque o tom feminista dos primeiros episódios da Mulher Maravilha foi amenizado e que Joan Collins foi vilã em Batman. O psicodélico Batman da TV sessentista me é tão caro que jamais consegui aceitar outro. A empoderadora Mulher Maravilha setentista fez tanto sucesso que ganhou versão paródica nacional: alguém se lembra de Beth Faria e sua Maria Maravilha, em algum programa de humor global do fundo do baú?
Superheroes também traz uma série que sempre odiei: O Incrível Hulk. Sabia que o papel do brutamontes verde fora cogitado pra Arnold Schwarzeneger antes de ser de Lou Ferrigno? Xuarza só não levou porque não era bastante alto pro papel.
Marcados pelos papéis de heróis – para o bem e para o mal – os atores contam casos, revelam truques e gambiarras de produção. Tudo com muita cena de arquivo pra deleite de velhos fãs e instrutivo pras novas gerações. Marmanjos perguntarão: e a Mulher Gato, Julie Newmar, aparece? Claro, e poderosa!
Estou lutando contra a infantilidade de Perdidos no Espaço, série sessentista de estrondoso sucesso durante 3 temporadas. Estou na derradeira e logo escreverei s obre o show, por isso também vi o episódio Science Fiction, que pode ser baixado aqui. Uma das coisas que aprendi foi que o QI diminuiu e as cores aumentaram em Lost in Space pra fazer frente ao estouro de Batman.
Science Fiction não poderia deixar de abordar o fenômeno Jornada nas Estrelas (Star Trek), influente até hoje. A ambientação num futuro intergaláctico sci-fi foi o jeito que seu criador encontrou pra tentar tratar de temas mais maduros na TV. Funcionou por alguns episódios, mas quando a rede percebeu o estratagema e exigiu subida na audiência, o material teve que ser modificado.

 
Falando em função social da TV, se você gosta do tema não pode deixar escapar o capítulo sobre minisséries, especialmente o longo segmento dedicado à Raizes, mini sobre o processo de escravidão nos EUA, que redefiniu a percepção sobe o assunto de toda uma geração, além de garantir o nível de audiência mais elevado jamais alcançado por um programa de TV (é por Raizes que DALLAS não é número 1 nesse quesito). Por outro lado, pros crentes em demasia na TV preocupada com causas sociais, os atores atestam que o sucesso esmagador de Roots não lhes garantiu convites posteriores.
Minisséries foram muito populares nas telas da Globo e do SBT nos anos 80. Outro dia, um amigo comentava sobre uma, cujo nome não lembrava. Quando ele falou o enredo, disparei: “a moça chamava Tara Wells!” Fácil, invocamos São Google e em poucos segundos tínhamos a ficha completa da mini. Era muito comum serem adaptações daqueles best sellers que contavam histórias de conquista do poder ou voltas por cima. O canal do Sílvio Santos exibiu à exaustão a melodramática Pássaros Feridos, que nunca quis ver, mas sei da influência. Thorn Birds é uma das minisséries discutidas no programa, onde a atriz Rachel Ward conta que a surra de críticas destrutivas a sua atuação ainda dói. Espero que ela não leia português, porque, pelos clipes que vi, ela está realmente péssima!
Os depoimentos dos atores, criadores e diretores, intercalados com as imagens de arquivos e alguma narração, tornam Pioneers of Television absorvente e fascinante, especialmente quando aprendemos fofocas sobre rivalidades ou gente roubando cenas. Também deve despertar ira e sensação de incompleutde quando seu show favorito não é mencionado... (como DALLAS e Dynasty foram, pra mim tá ótimo!)
Encafifei com uma coisa, porém: entendo que programas até a década de 1960 enquadrem-se na categoria de pioneiros, mas, DALLAS e Dynasty? Estou tão velho a ponto de coisas de minha puberdade/adolescência ja se enquadrarem nessa categoria? Santa casa de repouso, Batman!

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