segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O FREVO E O PATO DE BORRACHA



Roberto Rillo Bíscaro

A banda mineira Pato Fu recém lançou um álbum de covers. Nada demais se não houvesse um detalhe muito especial: é tudo tocado com instrumentos ou brinquedos infantis. Daí, o nome do álbum, Música de Brinquedo.
Brincadeira que resultou em um trabalho que é a essência do espírito pop: irreverente, divertido, criativo, alegre, grudento e antropofágico. Pop é assim mesmo, que nem Pac Man, vai comendo tudo o que vê pela frente, sem medo de misturar Beethoven com Donna Summer, Shakespeare com biscoito verde de monstrinho. Afinal, nós que temos abaixo de 50 geralmente crescemos expostos a tudo, de Mazzaroppi a Monet; aquela coisa Beatles que misturava Bach com blues... E a gente acaba gostando de tudo um pouco.
O Brasil é macaco velho nessa mistureba de chiclete com banana, vide a Antropofagia Modernista, a Tropicália, o Mangue Beat, o trabalho dos contemporâneos como Zeca Balero, que citam com desenvoltura/desinibição Cartola e hip hop.

Roberto Rillo Bíscaro

Música de Brinquedo é mistureba criativa. Os músicos escolheram repertório que vai de Love me Tender, de Elvis Presley, a Pelo Interfone, sucesso oitentista de Ritchie, inglês radicado no Brasil. Tem desde a cafonice gostosa de Rock and Roll Lullaby aos descolados japas do Pizzicato Five. Mas, peraê! O P5 era descolado justamente porque havia boa dose de glamour kitsch em sua mistureba! A seleção de canções reflete muito bem nossa geração de 40tões, que curte tanto My Girl quanto o Frevo Mulher, da Amelinha!
Os arranjos seguem o mais perto possível as versões originais, mas a criatividade está em fazê-los soar bem com mini-instrumentos e toda sorte de bonequinhos e bugigangas que fazem barulhinho. São bichos de borracha que apitam, os sons do Genius (que não é oitentista, procure no Google ou veja o making of do álbum, que coloquei na postagem!), xilofones, cornetinhas de plástico e tantas coisas mais.
Além de criativo, Música de Brinquedo arranca gargalhadas, basta comparar os sax ensandecidos da versão original de Ska, dos Paralamas, na versão do Pato Fu. Mas não é piada que perde a graça passada a primeira audição. Cada ouvida traz á tona um novo detalhe e as canções se sustentam depois que perdem a graça, por um motivo simples: são bem tocadas, os arranjos são criativos, os instrumentos bem tocados e a voz de Fernanda Takai continua etérea, puro twee pop.

Mistura de público também é a tônica do CD. Porque, se a abordagem é infantil e há até um delicioso acompanhamento de 2 crianças fazendo backing vocal, o repertório não é “infantil’. Em uma entrevista, Fernanda contou que uma das crianças perguntou o que significava o verso “outonos caindo secos na palma da minha mão” . A vocalista disse pra garota “não se preocupe, a gente também não entende o que quer dizer”. Quem entende? Quem se importa? A gente curte Frevo Mulher desde 1979 e nunca se preocupou mesmo em querer saber o significado da letra. A música é uma diliciaaaaa, pronto!
Mas, então, o álbum é pra crianças ou adultos? Música de Brinquedo é pra todo mundo que curta pop de verdade, independente de idade. Outro grande mérito do Pato: criar um álbum que pode ser curtido por pais e filhos, tios e sobrinhos. O dia das crianças está aí, o CD mais recente do Pato Fu é dica moderna, esperta e brasileira de presente pra baixinhos e altinhos, que tenham senso de humor e curtam pop ousado, criativo e ainda assim, acessível.

CAIXA DE MÚSICA 6

Cheirosa
A partir de 2012, estará disponível a linha de perfumes com a marca Lady Gaga. Depois de Jennifer Lopez, Beyoncé e Kate Moss, a gigante dos cosméticos, Coty, assinou com a cantora norte-americana, que muitos acreditam ser a nova Madonna. Tomara que não haja a fragrância ”carne crua” entre os cheiros, né? Imagina como o vestido de carne que ela usou no MTV VMA deve ter fedido. Bluergh, Lady!

Marco Zero
Dia 12 de março, Elba Ramalho fez show no Marco Zero de Recife, onde duetou com Alcione, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Lenine. Em outubro, a Biscoito Fino lançará o CD Marco Zero – Ao Vivo, com 14 faixas. O álbum inclui Morena de Angola e O Meu Amor (Chico Buarque), Admirável Gado Novo e Frevo Mulher (Zé Ramalho), dentre outras.

Dueto
Dia 06 de outubro sai o segundo álbum solo do dramático Antony Hegarty, vocalista do Antony and the Johnsons. O disco se chama Swanlights e terá um dueto com Bjork. Hegarty participara do CD Volta, da islandesa. Hegarty contou que a canção Flétta foi gravada na Jamaica, na mesma época de sua particpação no álbum da ex-vocalista dos Sugarcubes. Ela alugou um piano e os dois passaram a noite trabalhando: Bjork improvisando vocais e Hegarty editando-os e estruturando-os em forma de canção.

On Broadway?
A sessentona Cher, que duetou com Lady Gaga no último MTV Vídeo Music Awards, terá sua vida transformada em musical pra teatro. A notícia foi confirmada pelo escritor e diretor Andy Fickman, que a considera um dos grandes ícones de todos os tempos. Enquanto a obra não fica pronta, os fãs de Cher podem se preparar pro lançamento do filme musical Burlesque, no qual a veterana coadjuva pra Christina Aguilera.

Casa Progressiva
Os ingleses do The Orb, pioneiros do ambient house, juntaram-se ao compatriota David Gilmour, guitarrista do Pink Floyd, legendária banda de rock progressivo. Nada surpreendente, posto que uma das influências do ambient house é o Tangerine Dream, banda prog alemã. O casamento The Orb/Gilmour resultou no álbum Metallic Side, que será lançado no próximo dia 4. Trata-se dum álbum conceitual, que dura 48 minutos e tem apenas 2 faixas. Ou seja, mais prog impossível! Há um aperitivo no You Tube.

ANDREZA CAVALLI INDICA

Convido todos a participarem da vivência sobre Educação Ativa com Margarita Valencia. Nesta etapa focaremos no estudo prático de ambientes preparados e elaboração de jogos de aprendizagem para crianças.

Público: pais, futuros pais, educadores, estudantes, tias, vovós, artistas, políticos, médicos...
Livre de pré-requisito
Investimento à vista 200,00 ou 2 x 115,00
Data: 02 de Outubro - Sábado
Local: Sítio Olho D’Água
Rod. Dom Paulo Rolim Loureiro 67,5Km Mogi das Cruzes -SP
Contato: Gisele Ross (11) 6742-9274
Consultas familiares diretamente com Margarita
marvalencia321@yahoo.es ou (11) 7325-0483

ADOLESCENTES PORTUGUESES

Encontrei um artigo sobre adolescentes portugueses com problemas visuais. Dentre eles, Francisco, uma pessoa albina, cuja parte destaquei em vermelho.

As cores invisíveis dos adolescentes

As mudanças impostas pelo crescimento geram angústia, medo e revolta, principalmente para quem está privado da visão.

Por entre o tumulto das horas, o sol dos dias quentes de Verão aquece a face de Inês, a quem a franja criteriosamente cortada e o laço no cabelo embelezam o rosto de boneca. Sentada num banco de cimento, num recanto do recreio barulhento do Centro Helen Keller, em Lisboa, Inês tenta descobrir uma voz familiar no burburinho. Dos dias claros de outrora restam as sombras desfocadas que só o treino dos sentidos é capaz de conhecer. Os óculos que lhe enfeitam a cara pouco acrescentam à visão residual, mas engrandecem o ego já beliscado pelos sentimentos contraditórios da adolescência.
"O facto de não ver atrapalha. Os outros vêem-me como diferente. Gostava de ver melhor", deixa escapar. Ana, o ombro amigo "dos bons e maus momentos", não partilha o mesmo sentimento. "Eu não mudava nada. Temos que nos aceitar como somos".
A sabedoria das palavras é já uma vitória do seu crescimento, um processo ainda pouco claro para quem a completa ausência da visão serve de mote para a angústia dos dias. "A adolescência está a ser horrível em tudo. Nem consigo descrevê-la. São problemas meus", atira a seco Ana, a menina quase mulher, de madeixas no cabelo e sandálias de salto alto. Sente desconforto perante a indiferença dos colegas que não encontra com o olhar, mas detecta com o coração. "A relação com os colegas é má porque tento-me aproximar deles e eles, muitas vezes, não deixam. Não há colegas cem por cento verdadeiros. Não gosto de pessoas que falam comigo e depois me criticam nas costas. Vale mais só do que mal acompanhada".
A REVOLTA
"A adolescência é uma fase em que os jovens se querem afirmar, querem marcar a sua identidade e perder a visão é complicado, principalmente perante os colegas. Uns manifestam rejeição, revolta de forma mais notória, noutros a revolta é mais camuflada", assegura Arménio Silva, professor de braille no Centro Helen Keller, instituição que acolhe 650 alunos, 80 dos quais com deficiências visuais. A longa experiência valeu-lhe o dom de captar as angústias dos seus alunos mesmo sem lhes pousar o olhar.
"Os alunos de reduzida visão que vão perdendo a capacidade de ver gradualmente nem sempre aceitam o braille de bom grado. Para muitos, o braille e a bengala são sinónimos de cegueira. Em termos práticos não são cegos mas não conseguem ver a tinta", diz.
Já Maria do Carmo, directora pedagógica da instituição, garante que o grau de aceitação de uma nova condição é variável de aluno para aluno. "Uns alunos aceitam muito bem e lidam bem com as suas limitações, mas para outros a situação não está bem resolvida, mesmo a nível familiar. Os que não aceitam e se debatem com essas questões criam ali um parasita que não os deixa progredir". Como tal, "é preciso desenvolver um trabalho cuidado e contínuo para se aceitar a deficiência".
Ana e Inês também aprenderam a expressar-se através do braille. Hoje são capazes de conferir à brancura do papel mensagens perceptíveis apenas à sensibilidade dos dedos, com uma perícia quase tão exímia quanto aquela com que talham projectos para um futuro ainda pouco concreto. Partilham o mesmo sonho: serem psicólogas porque gostam de ajudar os outros.
O QUE VALE A AMIZADE
Num dos corredores do Centro Helen Keller está João. Os caracóis rebeldes que lhe enfeitam a cara, já marcada pelos sinais da puberdade, dão-lhe a alegria de um jovem de treze anos. Os seus olhos espreitam timidamente por entre as lentes dos óculos que usa, tentando decifrar quem o interpela.
"Gostava de ser arquitecto", revela. "Gosto de ver as casas e sou bom a matemática. Penso que é possível", afirma, crente. Quanto ao braille, esse surgiu logo no primeiro ano, a par da escrita impressa pela tinta. "Usei-o uma vez. Mas ainda vejo alguma coisa. Se tiver que usar braille ainda tenho que melhorar, não sei escrever bem. Usá-lo seria um pouco diferente mas também podemos dizer que se é preciso, se é a forma de escrever, temos que tentar". A lição, tal como o caminho a seguir, parecem estar estudados a preceito. Quanto às dúvidas, essas espreitam em cada palavra, em cada desabafo súbito perante a expressão pouco notória da amizade.
"Não tenho muitos amigos. Há pessoas que não gostam de mim, não percebo porquê. Às vezes costumo estar com alguns rapazes mas como não gosto muito de jogar à bola não estamos muito tempo juntos. Gosto mais de ler", confessa. Júlio Verne e Fernando Pessoa são, assim, os seus confidentes. É com eles que procura alento quando não encontra quem goste de estar consigo, numa clara prova de amizade. "Talvez eu seja um pouco diferente dos meus colegas. Mas não costumo pensar muito nisso", afiança.
João sente-se a crescer; sabe que ainda há muito a aprender para além daquilo que os livros, que vai lendo já com algum esforço, lhe podem ensinar. Para já, prefere vislumbrar os tons vivos do céu e do mar enquanto o seu intenso azul não se perde em memórias.
Francisco prefere o vermelho, talvez em tributo ao seu Benfica. Quis o destino que o seu cabelo fosse mais claro do que os raios de sol ao amanhecer e a sua pele quase rosada de tão sensível. É albino, facto que lhe trouxe ‘apenas’ algumas complicações a nível visual. ‘Apenas’ porque essa parece ter sido uma contrariedade já ultrapassada. "Um dia talvez venha a precisar do braille. Já vejo as letras um pouco juntas mas aceitei bem as minhas limitações. Sinto-me igual aos meus colegas, não tenho problemas com isso", diz, sem hesitações o jovem de treze anos. É certo que "gostava de ser futebolista mas, como não é possível devido aos meus problemas visuais, já ultrapassei isso. Talvez siga computadores".
Ao olhar para si, Francisco não encontra grandes diferenças, excepto algumas mudanças físicas que a idade foi conquistando. "Os meus pés estão a crescer muito", confessa, entre sorrisos. "Mas não tenho medo de crescer", avisa em tom desafiante. A ausência do medo perante o desconhecido ultrapassa a barreira do seu corpo. Para este jovem adolescente existem sentimentos que ainda não cabem nas palavras. "Não sei muito bem o que é o amor. Neste momento não gosto de ninguém. Ainda não tive uma namorada a sério. Mas não estou a pensar muito nisso", facto que não o impede de ser o rapaz mais popular na turma, "talvez seja por não parar quieto".
(Encontrado em http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/domingo/as-cores-invisiveis-dos-adolescentes )

(Talvez os adolescentes tugas de hoje nem curtam mais os Delfins, mas houve uma geração que curtiu.)

domingo, 19 de setembro de 2010

LIBERDADE DE IMPRENSA

Roberto Rillo Bíscaro

Uma jornalista denuncia um descaso do governo, que levou ao ataque a um país inocente. O serviço secreto exige que a repórter divulgue sua fonte, mas ela se nega a fazê-lo, pois isso abriria perigoso precedente pra relação ética e de confiança entre jornalistas e fontes. Pela constituição, ela tem o direito de não revelar quem lhe contou o segredo, mas é coagida e presa, porque o assunto é de segurança nacional. Desrespeito á liberdade de expressão e individual. Típico de países autoritários e “atrasados” lá da África, não é mesmo? Pois a história acima parecida com uma repórter do New York Times, durante a guerra contra o terror do presidente George W. Bush, lá na terra da liberdade, os Estados Unidos.
Embora não seja a história dessa repórter, o filme Nothing But the Truth (no Brasil, A Verdade é Só a Verdade), de 2008, narra história semelhante, deixando claro de onde retirou sua inspiração e a crítica á administração do predecessor de Obama.
Mistura de suspense político com drama de tribunal, o filme critica o Executivo que se mete na vida pessoal do cidadão, ainda que caracteristicamente se esqueça de que o governo foi votado e não imposto via golpe. Também defende a liberdade de imprensa, mas apenas toca muito de raspão na manipulação midiática e sequer investiga o papel da imprensa pra ascensão do governo em questão.
De qualquer modo, A Verdade é só a Verdade centra-se na obstinação da repórter em não revelar sua fonte. É a velha história que o cine já contou n vezes: alguém com um ideal que enfrenta tudo e todos. Dentro desse gênero, o filme é bastante competente e prende a atenção.
Filmado em cenas longas e eminentemente dialógicas, a narrativa se apóia no excelente elenco encabeçado por Kate Beckinsale, Matt Dillon, Vera Farmiga, Ângela Bassett e Alan Alda. Todos estão ótimos, especialmente Vera e Kate. Mas não posso esquecer Alda, minha motivação pra ver o filme. O monólogo perante a Suprema Corte é uma das melhores cenas que já vi com ele.
Cinematografia e enquadramentos convencionais pra não chamar a atenção pra forma, mas sim pra trama, que é o que interessa em Nothing But the Truth. Enfim, produto de qualidade técnica e artística; diversão e discussão garantidas.
O crítico de cine do New York Times desceu a lenha no diretor Rod Lurie, depois de começar sua resenha afirmando que gostaria de ter visto na tela a história de sua colega de jornal. Ponto pra imparcialidade da imprensa!

ENCONTRO NA BAHIA

A Secretaria de Desenvolvimento Social promove, no dia 22 de setembro de 2010, o I Encontro Municipal de Pessoas com Albinismo em Serrinha. O evento será realizado na Unidade Básica de Saúde Luís Eduardo Magalhães, das 08h às 18h.
 

A LUTA PELA SUPERAÇÃO

Nossa história de superação de hoje é sobre Rosinete, ex-bóia-fria, que superou inúmeros obstáculos pra se tornar campeã de boxe. Na entrevista, ela dá detalhes da infância difícil na roça, sem qualquer conforto, mas com muita dignidade e garra. Mesmo depois de estabelecida na profissão, as adversidades não cessaram, mas a lutadora fez jus à profissão e batalhou contra tudo. Confira a emocionada e emocionante saga de Rosinete.  

sábado, 18 de setembro de 2010

A CASAMENTEIRA ATACA OUTRA VEZ

Roberto Rillo Bíscaro

O cinema e a TV não se cansam de adaptar as obras da escritora inglesa Jane Austen. Pensemos no romance Emma. Sem pesquisar, posso citar as adaptações da BBC em 1972 e 1996; a versão de Hollywood com a etérea Gwyneth Paltrow, também de 96; além da modernização da história, no filme As Patricinhas de Beverly Hills (1995).
Por que tantas? Creio que a resposta é simples: porque há público. As pessoas não se cansam de buscar refúgio na ruralidade algo aristocrática e irônica da Inglaterra de inícios do século XIX. Pra muitas pessoas, personagens como Mr. Woodhouse, Mr e Mrs. Elton, Jane Fairfax, Mr Weston e Frank Churchill são quase como velhos amigos. Sabemos o que dirão, como reagirão, conhecemos seus defeitos, mas, mesmo assim não enjoamos deles e sempre queremos sua companhia. Sentimos sua falta quando ausentes por algum tempo; por isso, às vezes, os procuramos pruma revisitada. Eles nos trazem o conforto dum mundo que já nos é familiar e onde nos sentimos e “em casa’.
Ano passado, a BBC exibiu outra mini-série baseada na historia da mimada, fofoqueira, inteligente e ingênua Emma. Pra alguns, nova chance de encontrar velhos amigos ficcionais, pra outros, oportunidade de conhecê-los e provável garantia de querer reencontrá-los de tempos em tempos.
A rica Emma Woodhouse decide que não quer se casar pra poder cuidar do pai, hipocondríaco. Pra compensar a solteirice, planeja atuar como cupido, com resultados desastrosos. O romance narra o amadurecimento da jovem, que tem o amor embaixo do nariz, mas não o enxerga.
À parte o tão celebrado amadurecimento da heroína, Austen caracteristicamente nos dá lição de mestre sobre o desejável das relações amorosas se manterem o mais dentro possível dos limites de cada classe social. O desastroso experimento matrimonial que Miss Woodhouse faz com a bastarda e pobre Harriet Smith, tentando casá-la com Mr. Elton, é exemplar. Emma persuade Harriet a recusar o pedido de casamento do fazendeiro Robert Martin, considerado simplório demais. Mr. Knigthley tenta em vão abrir os olhos de Emma pro abismo social entre Harriet e Elton. Segundo o Knightley, o “simples e honesto” Martin é bom demais pra Miss Smith, que não possui “renda ou conexões”. Ao final, cada macaco fica no seu galho: Smith e Martin ficam juntos: os 2 sobrenomes são os mais comuns da língua inglesa.
Sandy Welch, roteirista dos 4 capítulos desta Ema 2009 obviamente respeita a historia clássica de Austen, mas insere muitas cenas não escritas pela autora, o que alarga e aprofunda algumas personagens, mas pode ter despertado a ira dos austenmaníacos mais radicais, que cobram total fidelidade ao livro.
Romola Garai transmite com muito olho e boca a inteligência ainda imatura e ingênua de Emma. Embora bom ator, a aparência jovial de Jonny Lee Miller (Mr. Knightley) não combina com a diferença de 18 anos que separa o par romântico. Sir Michael Gambon - o Albus Dumbledore dos filmes de Harry Potter – está perfeito como Mr. Woodhouse, que ganhou mais espaço nessa adaptação. De quebra, o elenco sempre competente, prata da casa da BBC.
As produções inglesas, porém, deveriam adotar uma lei proibindo a filmagem duma grande árvore no meio dum campo vazio. Pelo menos por uns 10 anos. Todo filme inglês tem essa cena. Já devo ter visto todas as grandes árvores solitárias do campo inglês sem jamais ter pisado no país!
Novamente, essa inglesada, com trajes antiquados e rodeios intermináveis pra falar, veio pra conquistar corações e matar saudades. Pelo jeito, enquanto metade do planeta ainda mantiver os mesmos sonhos românticos dos contemporâneos de Jane Austen, continuarão retornando. E eu verei de novo, afinal, esses velhos conhecidos ficcionais fazem parte da minha história. E de muita gente mais, que ri e se emociona com eles.

(Parece que alguém picotou a série e a disponbilizou. Não garanto que esteja completa, porque não a vi no You Tube. Mas, deve estar. Sem legendas.)

ANIMAÇÃO ALBINA BRASUCA

Há alguns dias, o multifuncional blogueiro Bissigo Ricco (http://bissigoricco.blogspot.com/ ) brincava com um programa pra criar animações. Como tinha à mão um texto sobre albinismo, resolveu fazer um vídeo-teste educativo sobre o tema.

O simpático resultado pode ser visto aqui:

ALBINO GOURMET 4


O Albino Gourmet traz hoje um prato salgado pra comer com arroz branco e salada e depois, a sobremesa.

Frango na cerveja Malzebier
Ingredientes
Pedaços de frango (coxinha da asa e sobrecoxa) temperados (pode comprar temperado ou temperar em casa, à gosto)
1/2 pacote de creme de cebola
1/2 garrafa long-neck de cerveja Malzebier
Um pouco de óleo para fritar
Ps: A cerveja tem que ser a Malzebier porque ela é doce
Modo de fazer
Numa panela coloque os pedaços de frango para fritar em um pouco de óleo, deixe que frite um pouco até ficar branquinho em todos os lados.
Faça o creme de cebola da seguinte forma : coloque metade da embalagem em meio litro de água fria e leve ao fogo baixo mexendo sempre até que engrosse. Coloque esta sopa de cebola na panela em que está o frango, abaixe o fogo e deixe cozinhar mais um pouco.
Quando o caldo do frango estiver grosso e já tiver evaporado metade, coloque meia garrafa (long neck) da cerveja Malzebier no caldo do frango e deixe cozinhar por mais um tempo ou até que o caldo esteja bem grosso.
Sirva com arroz branco e salada.

BOLINHO DE CHOCOLATE COM PERA
Ingredientes
3 peras cortadas em cubos
1 colher de chá de canela em pó
1 xícara de chá de leite desnatado
2 colheres de sopa de chocolate em pó
4 colheres de sopa de adoçante
1 colher de sopa de amido de milho
2 colheres de sopa de água
2 colheres de sopa de leite em pó desnatado
1 gema
3 claras em neve
Modo de preparo
Coloque as peras no fundo de 6 forminhas individuais para bolo. Polvilhe a canela e reserve. Em uma panela, coloque o leite desnatado, o chocolate em pó, o adoçante e o amido de milho. Retire e espere amornar. Misture a água, o leite em pó e a gema e junte ao creme. Acrescente as claras delicadamente. Distribua a massa nas forminhas e leve ao forno médio (180º C) até crescer, aproximadamente 20 minutos. Sirva ainda quente.

(Ai, esse vídeo é covardia, fala a verdade?)

GRADUAÇÃO 3D

Luxottica lançará primeiros óculos de grau 3D do mundo

A fabricante de óculos italiana Luxottica informou nesta quarta-feira que lançará até o fim do ano a primeira linha de óculos 3D com lentes de grau através de sua marca americana Oakley.

A Oakley "obteve uma incomparável claridade visual ao ampliar a visão periférica do usuário, fornecendo ângulo e um alinhamento mais real de imagens tridimensionais", declarou a Luxottica em um comunicado.
A empresa italiana informou que está utilizando oficinas da gigante americana DreamWorks Animation para testes.
"A nova linha será a primeira do mundo de óculos 3D com lentes de correção óptica", acrescentou a companhia.
Os primeiros óculos de grau 3D já estarão disponíveis nos Estados Unidos no fim do ano e serão lançados no resto do mundo em 2011.
"Sentimo-nos muito orgulhosos deste avanço tecnológico", disse Andrea Guerra, chefe executiva da Luxottica.
(Encontrado em http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100915/saude/it__lia_eua_cinema_tecnologia_d3&printer=1)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O PRESENTE ALBINO DE ADELAIDE

Há alguns meses, minha amiga Adelaide viajou a San Francisco, na Califórnia. Enquanto visitava o museu de história natural da cidade, ela viu a capa acima na loja de presentes e me trouxe o livro. É curto e fácil de ler, mas, mesmo assim, demorei todo esse tempo pra fazê-lo, por isso a demora em agradecer.

O livro se chama Albino Animals e a autora é Kelly Milner Halls, que se diz fascinada por albinismo desde criança. A obra apresenta grande variedade de animais, que vão de mamíferos, como cangurus e gorilas à crustáceos, peixes e aves.

Kelly pesquisou e entrevistou cientistas e funcionários de zoológicos ao redor do mundo, para colher dados sobre cada um dos animais presentes no livro. O interessante é que ela conta o modo como os animais foram capturados ou localizados, conferindo aspecto humanitário e não apenas científico e informativo à obra. Ficamos sabendo os nomes dos bichos e suas histórias, como, a do pingüim Snowdrop, do zôo britânico de Bristol, que causou preocupação na população local, quando uma onda de calor excessiva atingiu a Europa em 2003. As pessoas temiam pela vida da ave e inquiriram à instituição a respeito das medidas tomadas para garantir seu bem estar.

De leitura fácil, garantindo o entendimento de crianças e jovens, o único porém é que Kelly usa o termo “normal” ao se referir a seres não-albinos.

Adelaide, em agradecimento pelo presente, dedico a você essa canção dos anos 80, sobre uma xará sua.

PAPIRO VIRTUAL 4

Nossa seção de literatura traz um conto com um clima kafkaniano, de autoria de Carlos Eduardo Marotta Peters, doutor em História pela UNESP. O professor universitário já tem em seu currículo as seguintes publicações: Mutações: 20 contos soturnos; História do Cinema, Cinema da História e Seres Fantásticos do Brasil".


O PÊNDULO
A mulher aproximou-se do guardião e pediu uma audiência com o magistrado. Disse que queria falar sobre seu marido, que há anos fora preso injustamente e que nunca tivera direito a um julgamento. O guardião mostrou à mulher um grande pêndulo, que se projetava do teto escuro da sala de espera. Disse a ela que acionaria o mecanismo e que, quando o pêndulo parasse seu movimento, o magistrado a receberia.

E assim foi feito. A maquinaria matou o silêncio do recinto com seu ruído ventoso e com o ranger de suas engrenagens. A mulher passou dias naquela sala, sem que o pêndulo perdesse a velocidade. Logo, os dias se transformaram em semanas, e as semanas em meses. Aqueles que passavam pela porta do grande edifício logo se solidarizaram com a mulher. Alguns trouxeram para ela alimento e água, e outros, trapos e cobertores. Ela emagreceu na sala de espera. Sua pele enrugou e suas juntas ficaram frágeis. Logo, as pessoas se esqueceram dela. Todos já tinham garantido um lugar no Paraíso.

Quando os negros cabelos da mulher já se acinzentavam, um rosto conhecido entrou pela porta. Era uma de suas vizinhas. Ela trazia notícias de sua terra e de seus filhos. Disse que eles adoeciam sem ela, e que não conseguiam mais extrair alimento da terra. A mulher, desesperada, abandonou a sala de espera e voltou para os seus. Ficou com eles longos dias; dias suficientes para estocar alimentos, tecer novas roupas e curar as feridas.

Quando finalmente voltou à sala de espera, encontrou o pêndulo parado. Chamou pelo guardião e ele matou suas esperanças. Disse que o pêndulo parara por ela; mas que ela, esposa pouco devotada, não estava presente para requisitar o perdão do magistrado.

(Linda canção de Egberto Gismonti pra ilustrar o conto.)

NÃO FOI DESTA VEZ

Mês passado, inscrevi o blog no 2º Prêmio Blog Books. http://www.albinoincoerente.com/2010/08/premio-blog-books.html
O resultado da seleção da primeira fase foi divulgado dia 15. Apesar dos quase 400 votos que o Albino Incoerente conseguiu, não obtivemos número suficiente pra passar pra segunda.
Agradeço o empenho dos leitores em votar e divulgar a participação do blog. Valeu mesmo! Não tem problema, sigamos em frente e tentemos outras oportunidades, quando surgirem.
Como diz Raulzito, temos que seguir tentando.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

DÁLMATA ALBINA PRA ADOÇÃO


Convive bem com crianças
Linda cadela dálmata albina procura um novo lar em SP
16 de setembro de 2010
Fabiana

ghatyh@yahoo.com.br
Adote uma cadelinha dálmata albina, ela tem 1 ano e 2 meses. É completamente surda. Jea está castrada e com as vacinas em dia. Ela é muito meiga, linda e cheia de graça.

Ela é muito ativa, adora correr e brincar. Se dá muito bem com crianças.
Contato: Miriam – (11) 9620-3600 

(Encontrado em http://www.anda.jor.br/2010/09/16/linda-cadela-dalmata-albina-procura-um-novo-lar-em-sp/ )

"SUA ESTUPIDEZ NAO LHE DEIXA VER..."

Estudante perde 95% da visão após pingar vodca no olho

Jovem de 23 anos vai ser submetido a um transplante de córnea


Um estudante de 23 anos ficou com apenas 5% da visão após pingar vodca em um dos olhos e terá de passar por um transplante de córnea (a parte transparente do olho).
A prática, chamada de eyeballing, serviria para potencializar o efeito do álcool. O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas (SP), aguarda a redução da inflamação ocular do estudante, que cursa economia e é de classe social alta, para fazer a cirurgia.
O rapaz, que não quis se identificar, disse que "foi uma burrice". Ele afirmou ter visto a prática na internet e resolveu testá-la em uma festa.
– Dois amigos colocaram a garrafa direto no olho. Eu coloquei com a colher. Tive a infelicidade de o álcool queimar a córnea.
O jovem disse que estava alcoolizado e não percebeu na hora o mal que causou a si próprio, pois usa óculos e pensou que a visão estava turva por causa de sua deficiência. Ele se diz arrependido e resolveu falar para servir de exemplo para outros jovens.
Esse é um dos dois casos de lesão ocular por queimadura com vodca atendidos por Queiroz Neto no mês passado. O médico afirma que, além de causar danos muitas vezes irreversíveis à visão, a prática tem um objetivo infundado.
– O olho não tem condições de absorver álcool. Essa prática na superfície do olho sempre vai causar queimadura.
(Encontrado em http://noticias.r7.com/saude/noticias/estudante-perde-95-da-visao-apos-pingar-vodca-no-olho-20100915.html )

Prática de jogar vodca nos olhos é sinal de baixa autoestima
Brincadeira com bebida alcoólica pode levar à cegueira


Jogar vodca sobre o olho para potencializar os efeitos do álcool é uma moda que já chegou ao Brasil. A brincadeira, que pode levar à cegueira segundo os oftalmologistas, popularizou-se por meio de vídeos publicados na internet. Para os especialistas que estudam o comportamento juvenil, a prática, conhecida como "eyeballing", é um sinal de baixa autoestima dos jovens.
O psicoterapeuta Marco Antonio Tommaso, psicólogo pela USP (Universidade de São Paulo), diz que "não há uma teoria única para explicar esse tipo de comportamento, mas a autoestima tem de estar lá embaixo para o jovem se prejudicar a esse ponto".
– Geralmente, o jovem vê uma moda como essa e se pergunta se isso é bom para ele. Se não for, ele não usa ou não pratica. Mas precisa estar seguro para isso.
A coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, Albertina Duarte Takiuti, afirma que já tinha ouvido falar sobre essa prática com tequila, outra bebida destilada com alto teor alcoólico.
– Os adolescentes não têm a mesma lógica dos adultos. Fazem algumas coisas para se enturmar. Para eles, turmas são fundamentais e fazem rituais para se tornarem parte de um grupo. Os pais devem ficar atentos aos primeiros sinais de que o adolescente está bebendo e não ter medo de negociar.
Para a psicopedagoga Maria Irene Maluf, a prática pode representar para o adolescente também um ritual "para sentir-se vivo". Ela também aponta falhas na autoestima como motivo para os jovens adotarem modas tão perigosas na balada como a "eyeballing".
– Se ele não tem perspectiva nem autoestima, cria um ritual para se sentir vivo. É como ele quisesse sentir-se, ver que não está morto. São pessoas com baixa autoestima e frustradas. A família tem de trabalhar para que o jovem valorize as coisas que ele tem.
( Encontrado em http://noticias.r7.com/saude/noticias/pratica-de-jogar-vodca-nos-olhos-e-sinal-de-baixa-autoestima-20100910.html )

TELONA QUENTE 4

Lulas Inglesas
Em 1968, um grupo de operárias da indústria automotiva da cidade inglesa de Dagenham, entrou em greve contra a discriminação sexual que sofriam, exigindo equiparação salarial e condições de trabalho iguais às de seus pares masculinos. Estréia em outubro na Inglaterra e novembro nos EUA, Made in Dagenham, dramatização do evento. O elenco conta com Bob Hoskins e Miranda Richardson. O filme foi dirigido por Nigel Cole, o mesmo de Calendar Girls (As Garotas do Calendário, no Brasil).

Gandalf Entrega o Ouro do Anel
Após o sucesso da trilogia do Senhor dos Anéis, muito se tem falado sobre a filmagem de The Hobbit, que explica a origem do anel. Rumores dão conta de que seriam 2 filmes e que o diretor poderia ser Peter Jackson. Tudo vago e não oficial. O certo é que a produção está envolvida em confusão desde o início. Guillermo Del Toro chegou a ser anunciado como diretor, mas mandou o projeto às favas, não muito depois do carnaval de mídia que se armou a respeito de sua contratação. Agora, Ian McKellen bota mais lenha na fogueira especulativa. Em entrevista ao jornal Bolton News, confirmou que os filmes começarão a ser rodados em janeiro e ele será novamente o mago Gandalf. A MGM ainda não fez qualquer anuncio oficial.
Alta Velocidade
Dia 12 de novembro, chega aos cinemas nacionais o documentário Senna, sobre a trajetória do herói nacional. Dirigido por Asif Kapadia, o filme narrará a história do piloto a partir de depoimentos de familiares, amigos e colegas. Também traz cenas de sua vida pessoal, com direito a Xuxa e Adriane Galisteu. Contendo cenas inéditas, o longa teve o apoio do Instituto Ayrton Senna. Viviane Senna, irmã de Ayrton, chorou muito ao ver os 40 minutos de pré-exibição que a produtora proporcionou à família. Segunda ela, o diretor compreendeu quem foi Senna. Idolatrado no Japão, o documentário terá sua premiere mundial naquele país, onde a procura por ingressos é febril.

Au Revoir, Claude Chabrol (1930-2010)
Um dos cineastas mais influentes da França faleceu dia 12 de setembro. Juntamente com Jean-Luc Godard e François Truffaut, Chabrol foi um dos construtores da Nouvelle Vague, que, nos anos 60, propôs uma nova forma de montagem, minando a linearidade narrativa. Mestre dos filmes de mistério, o diretor deixou  vasta obra, recheada de críticas à burguesia.

ROUGINE

O blog Dex Land http://dexland.blogspot.com/ , mantido por um artista plástico e tatuador, de Fortaleza, apresentou ao mundo uma nova personagem albina, a Rougine. O blogueiro apresenta-a assim:

Personagem criada por mim, uma garotinha albina que adora tudo que é bizarro e escuro, gosta da noite e não curte programas de tv coloridos pra crianças, fã de filmes de terror, adora vermelho e preto(mas não é flamenguista) e tem como um bicho de estimação um gato preto.
Seu boneco de pelúcia preferido tem uma pequena caveira no lugar da cabeça e as vezes cria um mundo imaginário só dela, por que acha nosso mundo real colorido demais.
Notem que em cada desenho mudei o estilo dela, ainda não sei qual me chama mais atenção, por isso vou continuar tentando até achar um estilo próprio pra ela, e sim, ela terá umas historinhas curtas de quadrinhos, só falta eu ter tempo pra isso. Rsrs...
Se vocês tiverem sugestões e gostarem mais de um estilo dela em si, é so dizer. Espero que gostem da Rougine.


O SOL SEMPRE BRILHA NA NORUEGA

Roberto Rillo Bíscaro

Em 1985, a escandinava Noruega passou a constar na cartografia da música pop, graças ao trio A-Ha. Morten Harket, Pal Waaktaar e Magne Foruhomen venderam mais de 10 milhões de cópias de seu álbum de estréia, Hunting High and Low. 5, de suas 10 faixas escalaram as paradas. O inovador vídeo de Take On Me, com sua mistura de animação e cenas reais, garantiu alta rotatividade na MTV. A boa aparência dos meninos completou a receita do sucesso global.
O álbum é uma pérola do eletropop comercial. O disco repousa no equilíbrio entre o drama orquestral, quase operístico de tão exagerado, e na pulsão dos teclados herdados da fase inicial da new wave, orientados pras pistas de dança. Nos momentos em que ambos os elementos se coadunam, Hunting High and Low atinge a estratosfera pop, como os vocais de Harket.

Take On Me, faixa de abertura, é clássico do synth-pop dançante da década de 80. Começa com uma percussão alegrinha, sintetizadores discretos, até que, aos 17 segundos, entra um dos riffs de teclado mais conhecidos e grudentos de uma geração. Só quem vivia embaixo duma pedra na época não reconhece o toquinho. Outro momento alto, literalmente, é quando Morten atinge o incrível falseto. Truque de estúdio ou não, que importa?
Outras pedradas dançantes são Train of Thought e Love is Reason. Essa última, evoca os primeiros álbuns do Depeche Mode, mas também indica o caminho que parte do pop inglês oitentista estava tomando com o furacão Stock, Aitken and Waterman, que, naquele ano conquistava seu primeiro ouro na parada britânica com You Spin me Round (Like a Record), do Dead Or Alive.
Em termos de canção dançante, porém, tirando Take on Me, nenhuma outra faixa obscurece os 5:00 minutos de The Sun Always Shines on TV. O primeiro minuto é melancólico, com teclados imitando piano e orquestração suave, até o primeiro falseto de Morten. Depois, ergue-se uma intransponível muralha de guitarras, sintetizadores, bateria eletrônica e vocais. Todo o drama dançante que grupos posteriores, como os maravilhosos Pet Shop Boys engendrariam, está codificado ali. Basta conferir a escarrada de sintetizadores que acontece aproximadamente aos 4:05 minutos, antes do berro final do vocalista. O epílogo, retorno necessário à quietude, com seus teclados em tons mais graves e sisudos, apenas reforça a exuberância e frenesi de The Sun Always Shines on TV.

No setor baladas, o álbum tem a impressionante faixa-título. Violões e percussão iniciam o tom marítimo, de navegação e procura, evocado pela letra. Tem até som de gaivota... Pouco depois do gorjeio dos pássaros marinhos que a canção atinge seu ápice. Tudo se agiganta: percussão se torna mais pesada, a orquestração se adensa, teclados inundam a melodia, feito vagas, e o vocal de Morten, majestoso, (sing)ra o mar tempestuoso e o dominando por completo. Até que chega o fim, calmo, como onda quebrando na praia.
Em meio à vibração dançante e ao lirismo sintetizados de Hunting High and Low há espaço pra suntuosidade mid-tempo de Living a Boy’s Adventure Tale, oscilando entre a delicadeza dos vocais e dos teclados, que por vezes assumem tons clássicos e a força martelada da bateria eletrônica, característica da sonoridade da década. A história de aventura do garoto da letra é composta de momentos sutis e da fortaleza urgente da juventude.

Em comemoração às bodas de prata da estreia do A-Ha, a Rhino Records relançou Hunting High and Low este ano, em edição dupla, remasterizada e estendida. O CD 1 traz o álbum original, que, agora, na era digital, pode ser melhor desfrutado em todo seu esplendor eletropop.
O CD 2 está repleto de novidades. São diversas faixas menos conhecidas do grande público, uma vez que foram lados B dos singles originais ou de outras fontes. Os fãs radicais afirmam que o grupo é muito mais do que apenas Take On Me. E é, mas, o material apresentado no segundo CD, embora agradável por vezes, está longe do brilhantismo de Hunting High and Low. Destaque pra levada dance de Never Never, com suas citações a The Sun Always... Quase todo o resto não é pra fãs casuais.

Há ainda versões estendidas dos hits. Não se trata daqueles remixes onde um DJ pega uma linha da canção e a usa como desculpa pra entupir a faixa de batucadas de 20 minutos. São apenas versões mais longas e rearranjadas de Take on Me ou Living a Boy’s.., que faziam nossa alegria quando tocadas no rádio.
Há também, demos de diversas canções. É escutando essas versões preliminares que se percebe a importância de um bom estúdio de gravação e dos produtores Tony Mansfield, John Ratcliff e Alan Tarney pro sucesso do álbum. A demo de Take On Me é reveladora: o potencial está lá, mas o timbre dos teclados é mambembe, os vocais são imaturos e não-profissionais e a fórmula de composição dum sucesso pop ainda não estava ao alcance dos garotos. Isso não depõe contra eles. Ou alguém acha que os Beatles seriam o que foram, sem o produtor George Martin? Pop é indústria e há profissionais especializados pra burilar talentos.
Ainda bem que o A-Ha conseguiu bons produtores. Quem lucrou foram os fãs de música pop, que poderão desfrutar pra sempre do êxito de Hunting High and Low.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ZOOFILIA COM GAMBÁ

Gambá Albino chama a atenção em Supermercado

No dia 27 de agosto de 2010, uma guarnição do 2º Pelotão Ambiental de Torres se deslocou até Arroio do Sal, onde, em um supermercado, apareceu um gambá albino. O animal chamou atenção das pessoas do local por ser diferente.
Segundo o Biólogo Benedito Ataguille, trata-se de um fator genético. O animal nasceu sem melanina, que é um pigmento que dá coloração à pele e/ou ao pêlo. Devido a sua cor pode-se tornar uma presa mais fácil aos predadores, porém este animal não terá maiores problemas visto ter hábitos e alimentação noturnos.
Animais albinos são relativamente comum, sendo que na reserva do Taim existe algumas espécies como Jacaré, Tarã e quero-quero albinos.
O animal foi solto no seu habitat natural, na reserva ambiental Parque Tupancy, em Arroio do Sal.

CONTANDO A VIDA 5

Em meio a tanta propaganda eleitoral diversa e, por vezes, engraçada, perdemos o foco do que interessa de verdade: o respeito á diferença, e, por conseguinte, à democracia. Na crônica de hoje, o professor Sebe nos ajuda a botar ordem na casa.


O CUSTO DA DEMOCRACIA
José Carlos Sebe Bom Meihy

Com certeza, a melhor definição de democracia diz que “é o convívio social, articulado com a diferença”. E como é complicado admitir, aceitar, gerenciar a diferença dos “outros”. Sartre dizia “o inferno são os outros” e a cada momento nos deparamos com desafios que convocam a tolerância. O período eleitoral, em particular o nosso “horário eleitoral”, convida nossa paciência e tolerância a um teste realmente exigente. Vejamos alguns exemplos que colocam em nossas mãos os limites do suportável. Se olharmos sem cuidados cidadão, tudo nos parece próximo das latas de lixo.
Vale começar pelo Tiririca. Com vestes típicas de sua profissão, palhaço, exibe-se com rimas pobres e dizeres do tipo: “pior do que está não fica, vote no Tiririca”. O candidato pelo PDT, a deputado federal, João Dado, ousa dizer que foi aprovado duas vezes pelo programa CQC. Ao lado da mulher Pêra, Cameron Brazil, convoca seus partidários para que “votem com prazer”. Candidato a deputado federal, Aguinaldo Timóteo, levanta a bandeira da “continuidade aos projetos do Clodovil”. Na mesma linha, Ronaldo Esper demonstra que “vaso ruim quebra” e, enigmaticamente, ofende o falecido concorrente, também modista, sugerindo sua eternidade. Não faltam rimas para exaltar causas, mas, na linha político-partidária não resta dúvida de que o PSTU é imbatível. Que tal: “contra burguês, vote 16” ou “quem joga bomba em professor, não merece ser governador”? Na seara, não faltam bispos, pastores, padres, mas, imbatível mesmo é Mara Maravilha, que, despudoradamente apresenta seu marido como candidato. Que dizer do Kiko, componente mais velho do trio vocal KLB, que pelo DEM, disputa uma vaga como deputado federal? Neste caso, sinceramente, pelo menos teríamos uma vantagem: o conjunto poderia se calar. Há um candidato de nome Peroba, que figura na tela como um óleo contra cupim. Não faltam também: Messias, o “garoto bombom”, Pedro da Geladeira, André da Farmácia, o Jarbas da Reciclagem, o Nei “Bombeiro amigo do povo”, o Claudio Henrique Barak Obama, estes do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Sei que esse desfile de nomes evoca delírios. É lógico que, para estrangeiros, essa relação pode parecer um time de loucos dignos de requintados hospício. É preciso dizer, no entanto, que é exatamente na consagração do direito à diferença que reina a democracia. Tomara que cada um saiba respeitar os candidatos, entendendo suas plataformas. Sim, temos que garantir o direito de todos e lutar pela livre expressão. E vale repetir que cada povo tem o governo que merece. Vamos criticar, sim. Vamos também manter a dignidade de ouvir.
Duas coisas não podem acontecer: cercear o direito de cada qual se apresentar com as características que lhe convém e, ao mesmo tempo, temos que ter claro que nem todos são iguais. Em meio a tanto nome sem sentido político, há gente boa, honesta, capaz de merecer o seu e o meu voto. Tomara que o exercício da democracia valorize nossas escolhas em favor de um mundo melhor. E nada de desânimo ou desatino. Lutamos tanto para o direito de votar que seria injusto com a História jogarmos fora o que melhor conquistamos: o direito de escolher nossos representantes. A pior coisa que pode acontecer é votar nulo ou branco. A melhor, com segurança, será o aprendizado solidário do aperfeiçoamento democrático. Que vençam o melhores.

(Em 1985, houve um dia de eleição que atingiu o topo das paradas.)

UM AMOR DE FAMÍLIA MODERNA



Sitcoms familiares estavam em baixa nos EUA. O escritório tomara o lugar da sala de estar, que fora tantas vezes central, como em Steps (anos 90, estrelando Patrick Duffy, recém saído de DALLAS), Family Ties (exibido no Brasil como Caras e Caretas, nos anos 80), Eight is Enough (Oito é Demais, no Brasil, anos 70), Father Knows Best (Papai Sabe Tudo, anos 50). Mais recentemente, Ugly Betty não deixou de lado o lar, mas isso era apenas parte, não o todo.
Em setembro do ano passado, importantes jornais norte-americanos, como o The New York Times e o Variety, despejaram chuvas de elogios ao episódio-piloto de uma das novidades da temporada de outono, Modern Family. Quase por unanimidade, a série foi aclamada como a melhor estréia. O hype inicial e as excelentes qualidades da produção contribuíram pro estouro de Modern Family (da rede ABC), que levou os Emmys de melhor comédia, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante (Eric Stonestreet).
O programa revolve em torno de 3 núcleos duma mesma família. O 60tão Jay, casado com Glória, imigrante colombiana 30 anos mais jovem, que traz na bagagem, além dos grandes seios, um menino do primeiro casamento, que idolatra o pai e custa a acostumar-se com o padrasto norte-americano, tão distinto da idealizada figura heróica que tem o progenitor latino.
Jay tem 2 filhos do primeiro casamento – Claire e Mitchell - , que constituem as demais famílias. Claire é casada com Phil e tem 3 filhos. Phil se esforça pra ser o pai moderninho que fala as gírias dos filhos e quer ser amigo, antes de educador. Os resultados são quase sempre desastrosos... Mitchell é o filho gay, que, com o parceiro Cameron (Cameron Mitchell?!),adota uma menininha vietnamita.

Todas as personagens são estereótipos exagerados, porque o objetivo obviamente é fazer rir, mas o show marca gol ao apontar para arranjos familiares que podem funcionar, mesmo sendo diferentes do convencional, porque mais inclusivos. Entretanto, mesmo a construção estereotipada de algumas personagens não cai no estereótipo! O casal gay, embora tenha todas as características do estereótipo para fácil identificação do público, não é um par de jovens sarados de academia. Cameron é um homem obeso de meia idade, que cresceu numa fazenda e sabe fazer “papel de homem”, quando quer/precisa. De modo sub-reptício, Modern Family mostra que comportamentos, trejeitos, tons de voz e gestos são mais escolhas pessoais e constructos sociais, do que imposições biológicas.
As famílias não mais vivem sob o mesmo teto (ou cenário) e estão abertas à absorção de membros latinos, gays ou asiáticos. Mesmo a noção de ligação sanguínea não é tão forte como outrora, porque a família aceita filhos adotivos e de uniões prévias. Mesmo assim, essa aceitação só ocorre sob a chancela da institucionalização do grau de parentesco, quer dizer, o programa ainda não trabalha com o conceito de família estendida no sentido de dispensar papéis garantido a participação de alguém em um grupo familiar. A bebê asiática é legalmente adotada, o garoto latino é filho do primeiro casamento. Moderno, mas não exageremos; no fundo a mensagem é sempre a mesma...
Os roteiristas adotaram um espírito de mockumentary, quer dizer, um documentário falso. As personagens sempre falam sentadas em um sofá, olhando pra câmera, como se estivessem dando depoimento prum documentário. Modern Family é moderninho na forma também... Teve até episódio que utilizou flashbacks pra ir agregando novos elementos ao enredo e construir situações que ocorriam simultaneamente, mas o espectador ia recebendo as informações a cada novo flash back. Dos 24 episódios da primeira temporada, apenas 2 me pareceram sem inspiração ou me fizeram rir menos.
O elenco é de primeira e é difícil destacar alguém. Minha preferência pessoal recai em Ed O’Neil, mas é porque sou fá de Married... With Children (no Brasil, exibida pela Band como Um Amor de Família), onde o ator interpretava o eterno pai-perdedor Al Bundy. Se em Ugly Betty virei fã instantâneo de Mark Indelicato (o Justin), em Modern Family arrumei outro ator-mirim pra ídolo: Rico Rodriguez, o enteado de Jay. Ele é jóia, basta ver qualquer das entrevistas no You Tube, especialmente a do programa da Ellen deGeneris.

Sitcom, pra virar hit, precisa de timing e bom texto, e isso Modern Family tem de sobra. Repletos de one-liners, auto-depreciação e ironia, os diálogos são rápidos e pontiagudos e o show ainda tem boa dose de fisicalidade, com quedas, correrias e tropeções. Não é minha parte favorita, porque sou mais verbal, mas não dava pra não rir quando Phil tropeçava no maldito degrau quebrado da casa.
Modern Family mereceu toda a adulação recebida na primeira temporada. O elenco está faturando alto e aparece em tudo quanto é evento. Claro que Rico Rodriguez estava no lançamento mundial do último Toy Story, afinal o latininho é celeb! A ABC já garantiu outra temporada, que começa dia 22 de setembro (o episódio se chamará Earthquake). Todo esse sucesso deve garantir pelo menos umas 4 temporadas, como ocorreu com Ugly Betty, que também estourou nos dois primeiros anos e depois despencou.
Será que as sitcoms familiares voltarão à crista da onda devido ao sucesso dessa família moderna? Talvez até já tenham e eu não sei, porque, atualmente, só quero ver Modern Family!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

PALAVRAS DIFÍCEIS

Após enxaqueca, britânica acorda falando com sotaque francês

Em janeiro deste ano, após uma grave crise de enxaqueca, a britânica Kay Russell acordou falando de um jeito que soa como um sotaque francês.
Ela sofre de uma desordem neurológica extremamente rara, a Síndrome do Sotaque Estrangeiro.
No mundo todo, há apenas 60 casos conhecidos de vítimas da síndrome.
Partes do cérebro que controlam a fala são danificadas, normalmente por um derrame ou algum ferimento.
A condição é na realidade um problema na fala, interpretado pelos ouvintes como um sotaque estrangeiro.
“Algumas pessoas me dizem também que meu sotaque parece o de alguém do leste europeu ou da Rússia”, comenta Russell.

Sem cura
Segundo o neurologista Nick Miller, da Newcastle University, um dos únicos especialistas no mundo sobre a síndrome, não existe nenhuma cura conhecida para ela.
Miller afirma que os efeitos do problema podem ser devastadores.
“Muitos pacientes com a síndrome falam sobre a perda de seu sotaque antigo, quase como um luto. Eles perderam parte de si mesmos, parte de sua personalidade se perdeu”, explica.
O impacto da síndrome sobre Russell também foi grande. Ela perdeu seu emprego e diz que perdeu sua confiança em público e parte de sua identidade.
“Não sou mais a mesma pessoa. Acho que vou colocar um anúncio na seção de achados e perdidos. Talvez alguém possa me encontrar. Luto com muita dificuldade para me encontrar de novo”, diz
(Encontrado em http://www.bbc.co.uk/portuguese/lg/noticias/2010/09/100913_britanica_sotaque_frances_rw.shtml)

(Como diz a canção, as palavras não vêm facilmente...)

TRÊS OLHARES SOBRE O ALBINISMO

O blog modobulb (http://modobulb.wordpress.com/  ) publicou texto bastante sensível e elucidativo sobre o trabalho de 3 fotógrafos, que, em países diferentes, escolheram desenvolver pesquisas sobre o albinismo. São eles, o brasileiro Gustavo Lacerda, o italiano Diego Ravier e o sul-africano Pieter Hugo. Propositalmente, deixei as fotos de fora desta postagem para que os leitores se sintam mais curiosos pra conhecer esse blog tão interessante. http://modobulb.wordpress.com/2010/09/12/albinos-tres-pesquisas-uma-breve-introducao/

Albinos: três pesquisas, uma breve introdução
setembro 12, 2010
por modobulb

Há algum tempo as pesquisas de 3 autores me chamaram muita atenção por tratarem seus sujeitos com abordagem absolutamente distinta. Nesse post quero comentar autores com trabalhos que falam de pessoas com albinismo.
Os fotógrafos são de nacionalidades distintas, sendo Gustavo Lacerda, brasileiro; Diego Ravier, espanhol; e Pieter Hugo, sul-africano, e apesar de seus temas serem semelhantes, o desenvolvimento da temática assume contornos diferentes. As diferenças culturais, a investigação plástica, a aproximação física, a forma de enquadrar, o caminho que a legenda percorre, transformam-se em discurso e são latentes nas imagens.
O trabalho de Pieter Hugo, Looking Aside, é frontal, é direto, é sem rodeios. O nome remete ao ato, de virar o rosto, desviar o olhar diante de pessoas incomuns. Nessa série o autor fotografou pessoas com desordens muito visuais: albinos, cegos, pessoas com doenças de pele. Desafiando os nossos preconceitos e reações “instintivas” de ver com o “canto” do olho, Hugo nos “obriga” a olhar diretamente. Isola o sujeito do seu contexto, colocando-o contra um fundo branco absolutamente neutro, ressaltando, assim, a face, a cor, os olhos, o cabelo, as marcas na pele, a expressão única de cada uma daquelas pessoas, individualizando-as. Assim, como no retrato 3×4 para documentos, a imagem que vemos é descritiva, se propondo a identificar, não deixar dúvidas sobre quem é o sujeito. As legendas reforçam essa marcação: nome e sobrenome, cidade, ano em que foi realizada a imagem.
Já o fotógrafo Diego Ravier discute a questão do albinismo com outra abordagem. O título do projeto Genetic Contrast fala de contrastes que são explorados visualmente nas cores, nas locações escolhidas, na luz dura, na contraposição na cor da pele das pessoas. O longo texto introdutório do projeto se propõe a explicar detalhadamente as causas do albinismo e seus problemas (a doença explicada cientificamente, os problemas decorrentes dela como o câncer, a miopia, o astigmatismo; suas causas hereditárias; o agravamento desses problemas por falta de recursos, óculos, estudos), levantando questões típicas do fotojornalismo engajado.
O trabalho é mais narrativo, dá caminhos, adiciona – através do texto/legenda – críticas diretas a situação na qual essas pessoas vivem com o descaso do governo, os problemas sociais e psicológicos enfrentados por elas, que são muitas vezes tratadas como objeto de zombaria e superstição no local onde vivem. Suas legendas relacionam as ações e as pessoas ao momento em que foram feitas as fotografias ou a forma como elas tentam apaziguar seus problemas. Descrevendo a cena e adicionando informações provenienets de contato próximo e demorado com cada pessoa fotografada, Ravier traça um panorama da situação das pessoas com albinismo em Burkina Faso, país onde passou meses se dedicando a esse trabalho.
O trabalho de Gustavo Lacerda, que está sendo exposto, atualmente, na 18a edição da Pirelli-Masp, intitulado Albinos é de outro tom. As cores acalmam, a plasticidade é explorada pela suavidade das passagens dos tons pastéis que permeiam a obra, que se assemelham a pinturas de grandes artistas como Edgard Degas ou até a fotografia de Anna Mariani.
Belos retratos talhados a mão, cada detalhe não é por acaso. As roupas, as pessoas, a forma como posam para o retrato, os fundos decorados com motivos delicados não estão ali como critica inflamada a situação dos albinos enquanto pessoas diferentes, e sim a beleza única que deles transborda. Ao ver essas fotografias sinto vontade de tocar, de passar suavemente a mão e sentir o cheiro doce de cada uma dessas cores.
Tão suave quanto as imagens é a forma como o texto é somado ao trabalho. Nomes, sem sobrenomes. Nomes de pessoas que me parecem, ser hoje, seus amigos. Uma aproximação íntima, delicada e respeitosa.
Um aspecto interessante que deve ser comentado é a especificidade cultural de cada trabalho. Tendo Pieter Hugo e Diego Ravier realizado seus trabalhos em países no continente africano, o referente Cor (da pele) toma outras proporções. O que é ser branco em um pais predominantemente negro? O que é ser albino nesse contexto?
Somada a mística, as superstições, aos preconceitos, a alvura máxima da pele determinada por uma enfermidade extrapola o sentido da discriminação racial. O olhar com o canto do olho é transformado em encarar de frente, no trabalho de Pieter Hugo. A mistura de cores, tecidos, costumes tão mágica, realizada por Diego Ravier, é subvertida na ideia de que essas pessoas são caçadas e assassinadas por ocultismo em diversos locais como Tanzânia e Burundi, além de Burkina Faso onde foi realizado este trabalho. O que seria levar as imagens de Gustavo Lacerda para um exposição nesse país? Com repertórios e tradições diferentes vemos o mesmo trabalho de um outro jeito. Apesar de tratar em seus trabalhos da condição de albinismo, os temas são absolutamente distintos, cada um imerso no seu próprio pais.
O incrível na fotografia é que ela permite nos transportar entre as barreiras dos trabalhos, das cidades, dos países e entender um pouco mais de cada lugar. Saber que se é diferente mesmo sendo igual.

(Falando em fotos, que tal escutar um pouquinho de Camera Obscura, uma banda escocesa absolutamente fofa?)

TELINHA QUENTE 5

Kevin Não é o Pai
A atriz Danica McKellar, a Winnie Cooper do seriado Anos Incríveis, é mamãe. Dia 9, nasceu Draco Verta. Danica hoje é escritora, mas foi estrela de TV da cultuada série infanto-juvenil onde fazia par romântico mirim com Fred Savage, que interpretava o protagonista da série, Kevin Arnold.

Fazendeiros
As especulações sobre quais serão as celebridades que participarão da terceira edição do reality show A Fazenda seguem em alta na mídia internética e na boca do povo. Geisy Arruda, Sérgio Mallandro, Lacraia, Nany People, Ângela Bismarck, Viola, Popó, Joana Machado, Andressa Soares, Larissa Riquelme e Thiago Gagliasso são alguns dos nomes já fofocados online. Segundo o capataz da Fazenda, porém, a curiosidade só será saciada dia 28, na estréia, que terá partes pré-gravadas pra evitar o contratempo da chuva que desabou ano passado.

Polêmica
José Luiz Datena, do Brasil Urgente, despertou a fúria dos ateus, devido a comentários em julho, quando disse que crimes eram cometidos por pessoas que “não tem Deus no coração”. No começo deste mês, a Associação Brasileira dos Ateus e Agnósticos protocolou ação de indenização contra o apresentador, no fórum de Taubaté (SP). Os ateus pedem 200 salários mínimos de compensação.
Bionicão e Falcão Azul
Entre 1976 e 1978, a Hanna Barbera produziu uma série de 24 desenhos animados, chamada Dynomutt, Dog Wonder, que, no Brasil recebeu o título de Bionicão e Falcão Azul e foi exibida nos anos 80 pela Globo e pela Rede Manchete. Bionicão era um atrapalhado robô canino, que, junto com seu dono, o Falcão Azul, combatia o crime em Cidadópolis. Inspirado em Batman, o Falcão Azul era um milionário que se transformava em super-herói. Encontrei 2 episódios dublados em português no You Tube, um deles com Scooby Doo, do qual Bionicão era a versão robótica.

ADOÇÃO SEM COMPLICAÇÃO

Em esclarecedora e acessível entrevista a Olga Bongiovanni, da TV Aparecida, o advogado Antônio Carlos Berlini trata sobre diversos aspectos da adoção. Documentação exigida, estágios do processo, a razão de porque haver um número diversas vezes maior de candidatos a pais adotivos do que crianças pra adoção e muito mais.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

MIGUEL NAUFEL NA TELINHA DA GLOBO

Nosso cronista Miguel Naufel também vai aparecer na Globo e nos enviou um texto contando o que rolou na entrevista. Se conseguir o vídeo, publico no blog.


Dia 3 de setembro, recebi telefonema do jornal regional da TV Globo. Queriam uma entrevista sobre o processo civil que movi contra a saúde municipal de Mococa e outro processo que estou movendo contra o INSS.
A entrevista foi gravada e será exibida nos próximos dias no jornal da eptv, às 18:45.
Logo que ligaram o equipamento a primeira pergunta foi:


Globo: Miguel, você sofre muito preconceito?
Miguel: Bem, o albinismo não tem como esconder; está na pele, no cabelo, nos olhos... Então, está a vista de todos. Não é como uma perna mecânica, que está por baixo das calças ou um deficiente auditivo que você só percebe quando vai falar com ele. Muitas vezes, ate me esqueço que sofro de albinismo, mas as pessoas são preconceituosas, ficam atentas ao diferente. Muitas vezes, estou caminhando pelas ruas e gritam apelidos com os quais já me acostumei: vovô, ceguinho, Papai Noel, rato branco etc. Quando tenho que sair às ruas durante o dia, sempre estou vestido de camisa de mangas compridas, chapéu e óculos escuros; não importa se está fazendo sol ou não... Então, mesmo vestido, chamo a atenção. Sempre estou barbudo, pois a barba protege meu rosto do sol. Agora, tenho um novo apelido devido a barba: veio do rio. Nas buscas por trabalho, além do albinismo tenho baixa visão: não consigo ler tickets de maquinas registradoras, não leio jornais e não consigo ler placas de ruas .Se uma pessoa me chamar, mas não estiver bem ao meu lado, não consigo identificar. Então, a baixa visão me limita muito. Não me encaixo no mercado de trabalho... As empresas não fazem adaptações para portadores de baixa visão, porque, alem de terem que instalar programas de áudio nos computadores, o rendimento do portador de visão subnormal é muito lento. Já tentei me adaptar ao braile, mas, como tenho um pouco de visão, misturo os dois e não consigo nem uma coisa nem outra.
Globo: Por que você moveu uma ação civil contra a saúde municipal de Mococa?
Miguel: Como apareceu uma ferida na minha perna esquerda, fui ao medico do SUS; ele pediu uma biopsia da ferida e me receitou bloqueador solar, me prevenindo a não me expor ao sol. Eu me dirigi à diretora de saúde de Mococa com a receita em mãos e ela me destratou, dizendo que eu estava querendo abusar da saúde municipal. No outro dia, me dirigi à OAB de Mococa e entramos com uma ação de obrigação de fazer. A ação durou 90 dias, mas o juiz deu liminar obrigando a saúde municipal a me dar quatro tubos de bloqueador solar fator 60 ou mais. Medicação contínua, vou receber todos os meses.
Globo: E com relação ao processo civil contra o INSS ?
Miguel: O INSS tem uma tabela que define o grau de deficiência visual e o meu grau de deficiência está dois graus abaixo desta tabela. Mesmo assim, sempre pedem um novo exame medico porque é um meio de ganharem tempo. Há dois anos, fiz uma pericia em um órgão da policia IMESC em São Paulo e minha deficiência visual foi reconhecida como permanente. Agora, estou aguardando o exame ser anexado ao processo. É uma briga que vem se arrastando por mais de 10 anos. Nestes anos todos, dependo de minha mãe para sobreviver. Ela é aposentada. Agora, vou me submeter a uma cirurgia para extrair a ferida que foi diagnosticada como melanoma básico celular. Vou ser operado no hospital do câncer, em Barretos, dia 04 de outubro.

(Boa sorte, Miguel! Os leitores do blog rezarão pra você, tenho certeza. Enquanto isso, fique com uma canção linda dum xará seu.)