quinta-feira, 21 de novembro de 2013

SUPERMERCADO INCLUSIVO


A professora Nathália Melo, do curso de engenharia da UFF, e seus alunos desenvolveram uma cartilha que orienta funcionários de supermercados a atenderem pessoas com deficiência visual. Leiam algumas dicas:
Seguindo algumas orientações o atendimento ao Deficiente
Visual pode se tornar mais natural e prazeroso para ambos.
Bom trabalho!
1 - A bengala é o referencial mais comum para se reconhecer
o Deficiente Visual. Ao avistá-lo, logo se prontifique, não
permita que ele tenha o trabalho de buscar ajuda por si só.
2 - Nunca puxe o Deficiente Visual pelo braço. Ofereça seu
cotovelo, ou se você for muito mais baixo do que ele, ofereça
seu ombro para que ele apoie a mão. Com um leve toque,
o PDV poderá te acompanhar com segurança e conforto;
3 - Se for conduzir o Deficiente Visual entre as gôndolas de
produtos ou por outros lugares estreitos onde só passe uma
pessoa de cada vez, coloque o seu braço para trás e ofereça
o cotovelo, para que ele te acompanhe. Assim pode-se
evitar acidentes, derrubamento e quebra de produtos;
4 - Cuide para que objetos não fiquem no seu caminho. Avise
se houver objetos cortantes ou cinzeiros por perto;
5 - Use tom normal de voz. As vezes, sem perceber, as pessoas
aumentam o tom de voz para falar com os Deficientes
Visuais;
6 - Se o cliente preferir que você busque os produtos para ele,
conduza-o a te aguardar fora do fluxo de pessoas.
7 - Para indicar um lugar onde o Deficiente Visual possa se
assentar, primeiro coloque a mão dele sobre o encosto e
informe se o assento tem braço ou não. Deixe que ele se
sente sozinho.
8 - Ouça atentamente o que o cliente deseja, quanto ao
tipo, quantidade, tamanho, marca, cor, cheiro e traga-os
corretamente, ele confia em você. Preste atenção se as
frutas e verduras estão boas e vistosas. Avise-o quando
não tiver o produto que ele deseja e pergunte se pode ser
substituído por outro;
9 - Lembre-se sempre de informar os lançamentos, promoções
e sorteios que estão acontecendo na loja;
10 - Se o Deficiente Visual estiver acompanhado nunca pergunte
para o acompanhante o que o Deficiente Visual deseja,
gosta ou prefere. Os Deficientes Visuais sabem expressar
suas vontades sem precisar que alguém responda por eles;
11 - No final das compras, conduza o Deficiente Visual sempre
para o início da fila e após o pagamento leve-o até o seu
veículo de condução;
12 - Ao indicar direções nunca diga “ali” ou “lá”. Seja exato:
informe as distâncias em passos, diga se é pela esquerda
ou direita;
13 - Se o Deficiente Visual não estiver atento no que você estiver
dizendo, toque em seu braço para mostrar que está falando
com ele. Avise quando for embora, para que ele não fique
falando sozinho;
14 - Nunca brinque com o cão guia, nunca o distraia, para que
ele não se desvie do seu dever que é guiar o seu dono.
 http://www.noticias.uff.br/noticias/2013/11/projeto-uff-acessibilidade-deficientes-visuais.php

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ALBINO INCOERENTE NA GRANDE SÃO PAULO - II

O feriadão da Proclamação da República foi intenso e corrido. Viajei para a região da Grande São Paulo, onde participei da Conferência Nacional do PC do B, que contou com a presença de importantes lideranças políticas.
Também visitei associações de moradores, empresários e famílias nas cidades de Barueri, Itapevi, Jandira, Osasco e Carapicuíba.
Compartilho mais momentos momentos dessa excitante jornada:
Com o deputado estadual paulista Alcides Amazonas. 

À esquerda, minha anfitriã em Jandira, a adorável Belinha e à direita a Eva Lima, líder comunitária atuante em Barueri. 

O amigo Marcos Rogério Muniz ao lado de 
 Cristina Mariotti, filha de uma das famílias fundadoras do Bairro Bela-Vista, que tem 63 mil habitantes, em Osasco.
Com os empresários Eder Morais e Daniela Serni, que atuam na área de eventos. 

Com os camaradas Fernando e Daniel, lideranças do PC do B em Andradina e Pradópolis 

Com a deputada federal gaúcha, Manuela D'Avila, a mais votada da história do Rio Grande do Sul. 

A MORTE DA BARBIE



A influente dramaturgia naturalista apoiava-se numa contradição complicada: por um lado tentava seguir as regras estritas do drama, com sua aspiração a personagens livres, capazes de ação sem intercessão de elemento externo ou extra-humano. Por outro, comungava com o naturalismo literário e as ciências naturais a noção de homem como produto do meio e da genética.

Talvez o expoente mor dessa corrente teatral tenha sido o norueguês Henrik Ibsen, que apesar de fases Românticas e flertes com a tragédia, imortalizou-se com peças de cunho social, que a despeito de criticadas por certa disjunção entre forma e tema – elemento que as torna fascinantes, seja dito – escandalizaram; mas influenciaram exército de dramaturgos e roteiristas ao redor do globo ao longo de décadas.

A visita ao apartamento do dramaturgo em Oslo, em julho, me deu coceirinha de Ibsen. Pesquisei no You Tube e encontrei 2 teleteatros espanhois de Casa de Bonecas. 

Estreada na Dinamarca, em 1879, a peça já foi chamada de progenitora do feminismo e ganhou farpas do misógino August Strindberg.

Nora e Turvald são o típico casal pequeno-burugês, que tem de viver na economia até o marido conseguir promoção no banco. Mas, Nora não tem tempo de desfrutar da sonhada abundância, porque um funcionário despedido aparece pra chantageá-la. Turvald adoecera há alguns anos e a recomendação médica fora uma temporada no cálido sul europeu. A esposa falsificou a assinatura do pai moribundo pra garantir o empréstimo propiciador da viagem. Embora o macho fosse o provedor, ele jamais se importou em saber como conseguiram a grana, a qual Nora devolvia mediante pequenos trabalhos feitos pelas costas de Turvald.

Tratada como boneca descerebrada pelo marido, Nora vê-se num dilema: Turvald a perdoaria se soubesse que ela o enganara, e mais, que fora a fêmea quem obtivera o dinheiro e agora sujava a honra da casa labutando?

Em plena forma na defesa de causas sociais, Ibsen esmerilha na carpintaria dramática, concentrando toda a ação num curto espaço de tempo (tragédia grega, oiiiiii!) e caracteristicamente fazendo com que uma brutal alteração mental aconteça de súbito. Mesmo se questionando essa mudança de hora pra outra numa situação socialmente engendrada, como resistir quando Nora bate a porta? Casa de Bonecas é clássico, ponto.

As 2 adaptações estão boas, mas a de 2002 é a que recomendo “de com força”. Algumas soluções cênicas, como vestir Nora de homem na festa a fantasia que antecede seu abrir de olhos são achados. Também gostei de algumas apimentadinhas no diálogo, mostrando que o maridão via a mulher como objeto sexual; isso sem vulgarizar ou “modernizar” demais o texto.

 

ÁRVORE ESPINHUDA

Porco-espinho albino em galho de árvore em Montana, Estados Unidos

 

 http://maliaria.blogspot.com.br/2013/11/porco-espinho-albino-em-galho-de-arvore.html

terça-feira, 19 de novembro de 2013

TELINHA QUENTE 99

 

Detetive Diletante de Down Under

Roberto Rillo Bíscaro

Estou mais televisivo e isso reflete nas postagens sobre cine, quase desaparecidas. Tento, porém, não cair no jugo das séries norte-americanas, o que vejo ocorrer com frequência desalentadora, a ponto de ouvir que programa ianque nem parece estrangeiro.
Recém-terminei os 10 episódios da temporada de estreia da australiana The Doctor Blake Mysteries (2013). Histórias de investigação policial conduzidas por um amador, o Dr. Lucien Blake, médico forense da pequena Ballarat. A cidade existe fora das telinhas e possui uns 80 mil habitantes. Quando a série se passa, fins dos anos 50, devia ter bem menos. Com pelo menos um brutal assassinato por episódio, Ballarat deixa muita cidade brasuca no chinelo!
O Dr. Blake viveu décadas longe da Austrália e passou poucas e boas – descobrimos ao longo dos episódios. Quando o pai falece, volta pra assumir sua clínica, trabalhar na polícia e viver com uma família estendida, inclusive com a governanta, que arrasta as asas pra ele e ajuda-o nas investigações com palpites e fofocas sobre os locais. Aquela coisa intuição e instinto femininos, sabe?
No começo, caracterizaram Dr. Blake como beberrão, pra entendermos que é problemático e meio forasteiro. Isso é desenfatizado rapidinho. Craig McLachlan é bem vestido, penteado, asseado, barbeado, educado e apessoado demais pra ser um bêbado. Vez ou outra exagera no uísque pra nos relembrar de sua dor e segredos, mas nada que o despenteie ou o torne antipático. A série cai como luva prum público maduro, talvez predominantemente feminino.

The Doctor Blake Mysteries segue a tradição dos detetives amadores dos anos 70/80, abundantes nos desenhos animados (Tutubarão, Josie e as Gatinhas) e seriados como Casal 20. Por isso, interessei-me. Mas, sabemos que essa tradição retrocede às histórias de aldeia de Miss Marple.
E a série é realmente retrô e “britânica”, inclusive na melancolia chique da música de abertura, nada apressada como as norte-americanas atuais. E conseguiram que uma cidade na Austrália – que os britânicos apelidaram de down under pareça tão nublada quanto uma inglesa.

Desprovida de celulares, testes de DNA, alta tecnologia forense e outras Criminal Mindices, The Doctor Blake Mysteries criou um protagonista que improvisa algumas das técnicas de investigação vistas nesses seriados policiais mais cotados. Tirando a explicitude de corpos carbonizados ou decepados, os mistérios do Dr. Blake têm o charme de outrora. Uma das tramas envolve um concurso de begônias; quer coisa mais “detetive diletante”? Tinha mesmo que ser temporalmente afastada dessa época e de grandes metrópoles pra poder ser como é.

Tudo fofo e entretido com mortes tipo eletrocussão por televisor, suspeito errado e criminoso(a)-surpresa, com motivação sempre fugindo ao que parecia óbvio.

Quero mais.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ALBINO INCOERENTE NA GRANDE SÃO PAULO - I

O feriadão da Proclamação da República foi intenso e corrido. Viajei para a região da Grande São Paulo, onde participei da Conferência Nacional do PC do B, que contou com a presença de importantes lideranças políticas.
Também visitei associações de moradores, empresários e famílias nas cidades de Barueri, Itapevi, Jandira, Osasco e Carapicuíba.
Começo a compartilhar momentos dessa excitante jornada:
Visita às famílias Macário e Indalécio, em Jandira.

Em Carapicuíba, com o empresário Marcos Monteiro e seu sócio. 
Com Dona Maria, viúva de Luis Carlos Prestes. 
Com os deputados do PC do B Protógenes Queiroz (SP) e Ângela Albino (SC)
Na Conferência nacional do PC do B, prestes a passar pelo detetor de metais. Tanta segurança deveu-se à presença da Presidenta Dilma no evento.
Em Jandira, apontando pro Pico do Jaraguá, ao longe e ao fundo.
Com Nádia Campeão, vice-prefeita de São Paulo. Dei-lhe cópia de minha autobiografia ESCOLHI SER ALBINO  e ela ainda me perguntou sobre uma amiga de Penápolis. Mundo pequeno!
Como um xará albino, que conheci em Jandira.
Com a Sofia.

ALBINISMO MARSUPIAL

Guarda florestal flagra canguru albino em parque na Austrália

Especialistas acreditam que o bichinho de cor branca e orelhas rosadas tenha dois anos de idade e seja do sexo feminino. Por este motivo, o canguru foi apelidado de Renee.

Editora Globo

http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI345422-18071,00-GUARDA+FLORESTAL+FLAGRA+CANGURU+ALBINO+EM+PARQUE+NA+AUSTRALIA.html

CAIXA DE MÚSICA 109





Roberto Rillo Bíscaro

Quando o mercado fonográfico ianque – e em certo sentido, planetário - transferiu seu centro de Nova York a Los Angeles (leia aqui), esse foi apenas mais um golpe pra apodrecer a Grande Maçã. A crise política e petroleira dos anos 70 faliu a cidade, fedida por greves de lixeiros ou escurecida por apagões. Woody Allen caracteristicamente não sentia isso, mas em alguns bairros a coisa era literalmente punk.
Semana passada escrevi sobre documentário da BBC que narra o nascimento da disco music. Hoje, resenho Once Upon a Time in New York: the Birth of Hip Hop, Disco and Punk (2011), da mesma emissora. Os 60 minutos do programa explicam como esses movimentos seminais nasceram em meio ao - e parte em consequência do - caos urbano.
Codificado como movimento estético e moda na pindaíba inglesa setentista, o punk teve suas raízes no lado selvagem da geração sessentista nova-iorquina, que não queria ou podia compartilhar os sonhos ensolarados de paz e amor hippies. O Velvet Underground, do recém-falecido Lou Reed, e depois os bofes travestidos do New York Dolls (ídolos de Morrissey, dos Smiths) abriram caminhos alternativos e distorcidos pruma geração – predominantemente branca – que vinha à Nova York e congregava-se no CBGB, lendário clube que reunia artistas tão distintos quanto Patti Smith, Television, Blondie, Ramones e Talking Heads.
Intenções/pretensões experimentais e/ou literárias à parte, esses artistas desprezavam o sistema estelar de virtuoses do rock, tipo Eric Clapton e Yes. Os 3 acordes rudimentares dos Ramones e a tosqueira da fase inicial do Blondie enfatizavam a atitude sobre a técnica e o pavio punk estava ignificado.


Se a situação não estava fácil pros brancos, imagine bairros como o negro Bronx, infestado de gangues e assombrado por taxas alarmantes de desemprego. Excluídos do elitista Studio 54 – até a então em baixa Cher foi barrada! -, a solução pra dançar e se divertir era instalar o som na rua e promover festas, que apaziguavam grupos rivais, incorporavam outras sub-culturas como a dos grafiteiros e experimentavam novas combinações e possibilidades sônicas. Manos como Afrika Bambataa misturavam faixas de diferentes estilos – funk, africanos, caribenhos, Kraftwerk (claro!) – em suas mesas de discotecagem e compunham letras críticas, mais faladas do que cantadas.
 O que o documentário não tem tempo ou interesse em abordar é a homofobia/misoginia de boa parte da comunidade afro-descendente, indisposta a frequentar as festas disco.
De qualquer modo, esse outro grupo de insatisfeitos culturais, criou o hip hop, que sairia do gueto pra se constituir no gênero musical dominante no mercado por décadas.
E quem melhor pra catalisar essas 3 vertentes senão o Blondie? Inicialmente punkoso, com um clássico disco em seu CV – Heart of Glass – o Blondie pode ser considerado o responsável pela introdução do rap/hip hop ao grande público. A musa Debbie Harry visitou uma das festas no Bronx e incorporou um rapeado numa das faixas do algo errático, mas multiplatinado Rapture (1981). Outro pavio incandescido. 

Once Upon a Time in New York: the Birth of Hip Hop, Disco and Punk põe em perspectiva o papel fundamental da Nova Roma, que perdeu temporariamente a pose, mas não a majestade underground nos idos dos 1970’s.
Em inglês sem legendas.