terça-feira, 16 de setembro de 2014

TELINHA QUENTE 134

Pow! Sock! Wham!

Roberto Rillo Bíscaro

Quando eu tinha uns 10, 12 anos, adorava o seriado do Batman. Creio que a última vez que assisti a um episódio, devia ter essa idade, depois nem sei se as emissoras transmitiam a Dupla Dinâmica. Na época, percebia o show como de aventura, sem nenhum toque de humor.
35 anos mais tarde, vi os 120 episódios que constituem as 3 temporadas, originalmente transmitidas pela ABC, entre 1966-68. Que díspar a recepção agora que estou cerca de completar meio século. Deu pra entender um par de coisas sobre esse fenômeno de audiência.
A série tinha o poder de agradar crianças e adultos. Agora compreendo que nós maiores somos fisgados pelo humor impagável que flerta com o nonsense.  Imagine: Batman e Robin entram numa boate e uma moça aproxima-se do morcegão pra xavecá-lo e ele diz que quer passar despercebido. Com aquela roupa? É um disparate atrás do outro; as lições de moral que pra adultos funcionam como piadas, porque dadas em situações fora de cabimento, enfim, como Bruce Wayne e Dick Grayson, Batman, a série, tem 2 identidades.
Astros de cine com carreiras em baixa participavam como vilões. Na época, a TV estava longe de ter o status atual. Ator ”sério” fazia sucesso no teatro ou no cine, mas quando a carreira não decolava ou estava a despencar, ganhar uma graninha na TV era opção boa. A relação de famosos de então é extensa:

George Sanders como Mr. Freeze, Ann Baxter como Zelda, ambos do clássico A Malvada. Burgess Meredith deixava a Broadway de vez em quando pra faturar uns trocos como Pinguim. Quem lembra que nos anos 90, Burgess ressurgiria como o pai de Jack Lemmon, em 2 Velhos Rabugentos?
David Wayne, o primeiro pai de Pamela Barnes Ewing foi o Chapeleiro Maluco, vilão q apareceu pouco. E não é que Alexis Morel Carrington Colby Dexter Rowan também foi vilã, a Sereia? 
As 2 primeiras temporadas lembram serials muito concisos. Histórias divididas em 2 capítulos, sendo que ao final do primeiro os heróis encontravam-se em situação de perigo mortal e no episódio seguinte safavam-se no último instante, de forma estapafúrdia.
As interpretações vão ficando cada vez mais canastronas. Será que os produtores perceberam que o público adulto via Batman pelo seu caráter cult de quanto pior, melhor? Ou os atores eram ruins mesmo? Nunca vi Burt Ward em outro papel que não fosse Robin, então não tenho parâmetro de julgamento. Mas, meu instinto insiste que ele era mau ator mesmo.
Impagável como as identidades secretas de Batman e Robin não foram reveladas um sem número de vezes. Bastaria arrancar a máscara de Robin, que aliás, não cobria nada! Se bem que o Super-Homem tinha apenas óculos como disfarce...

E o bat-fone chamando a atenção na mansão de Bruce Wayne? E a voz idêntica de Bruce e do Homem-Morcego, será que o Comissário Gordon nunca se tocou? Episódios há em que ele fala com as 2 personagens em sucessão!
O cinto de utilidades é legendário e motivo de escárnio devido aos desatinos que carrega, mas não é que Batman se saiu melhor do que muita ficção-científica “séria” no quesito antecipação de porvir tecnológico? O computador da bat-caverna, mesmo cuspindo aqueles papeizinhos primitivos, muitas vezes cumpre funções hoje realizadas pela internet ou pelo Google e um par de vezes um telefone móvel mostrou aos sessentistas o que seria um celular, que viria ao mundo apenas nos 80’s.  
As cores são superlativadas, os diálogos hiperbólicos em trocadilhos, assonâncias e aliterações. Tudo em Batman é psicodelia sem o menor pé no real.
Mas, toda piada perde a graça e exagero enjoa. Lição que aprendi vendo Batman como adulto: o público deve ter saturado de 2 episódios por semana e na terceira temporada as aventuras resumiam-se a episódio único. Como o orçamento despencou, as aventuras constituíam-se num trololó sem fim, e nem a adição da Batgirl salvou a série do cancelamento.    
Santa overdose, Batman! Jamais terei saco pra ver outro episódio, mas a canção-tema provou ser mesmo um clássico. Ouvi o surf-rock, que foi até regravado pelo punk The Jam, as 120 vezes e nada de enjoar!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ABRANGÊNCIA


Projeto cria política nacional para pessoas com albinismo
 
A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7762/14, do Senado, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Albinismo. Entre as ações da política estão a criação de um cadastro nacional de pessoas com albinismo e a capacitação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).
A proposta pretende assegurar aos albinos acesso a atendimento dermatológico (incluindo protetor solar e medicamentos essenciais), a tratamento não farmacológico e a terapias para tratar lesões na pele. Os albinos também terão direito, segundo o projeto, a atendimento oftalmológico especializado, incluindo lentes especiais e tratamento da baixa visão e da fotofobia.
O texto original do projeto, apresentado pelo senador Eduardo Amorim (PSC-SE), previa apenas a distribuição gratuita de protetores e bloqueadores solares pelo SUS aos portadores do distúrbio genético. A proposta foi alterada pelo relator, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que ampliou os objetivos e as ações do projeto.
Tramitação
A proposta será analisada conclusivamente pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

sábado, 13 de setembro de 2014

ALBINO GOURMET 149

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

RARIDADE CAPTURADA

Raras lagostas albinas e amarela são apanhadas nos EUA



Três lagostas extremamente raras, sendo duas albinas e uma amarela, foram apanhadas com poucos dias de diferença no estado do Maine (EUA).
Três lagostas extremamente raras, sendo duas albinas e uma amarela, foram apanhadas com poucos dias de diferença no estado do Maine (Foto: Elizabeth Watkinson/Owls Head Lobster Company/AP)Três lagostas extremamente raras, sendo duas albinas e uma amarela, foram apanhadas com poucos dias de diferença no estado do Maine (Foto: Elizabeth Watkinson/Owls Head Lobster Company/AP)

Segundo especialistas, a incidência de uma lagosta albina é de uma em 100 milhões. No caso da lagosta amarela, a probabilidade é de uma em 30 milhões.
Raras lagostas albinas foram apanhadas por Bret Philbrick e Joe Bates (Foto: Elizabeth Watkinson/Owls Head Lobster Company/AP)Raras lagostas albinas foram apanhadas por Bret Philbrick e Joe Bates (Foto: Elizabeth Watkinson/Owls Head Lobster Company/AP)
"Eu fiquei surpreso. Chocado, na verdade ", disse o pescador Joe Bates, que pegou uma das lagostas albinas a 1,5 km da costa de Rockland.
A outra lagosta albina foi fisgada pelo pescador Bret Philbrick. As duas lagostas albinas têm cerca de 5 ou 6 anos de idade.
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/09/raras-lagostas-albinas-e-amarela-sao-apanhadas-nos-eua.html

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ZOOFILIA COM LONTRA

Lontra albina completa um ano morando em parque de João Pessoa

Data foi celebrada com um bolo feito a base de carnes para a lontra.
Animal chegou na Bica com dois meses por estar em situação de risco.

Lontra albina comemorou um ano na Bica com bolo de carnes (Foto: Fabiana Zermiani/Bica)Lontra albina comemorou um ano na Bica com bolo de carnes (Foto: Fabiana Zermiani/Bica)

A lontra albina do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa, comemora nesta quarta-feira (10) um ano que está morando na nova casa. A data foi celebrada com um bolo feito a base de carnes, uma mistura de frango e peixes.
 O animal foi encaminhado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/PB) à Bica porque estava em situação de risco. O animal, que é um macho, chegou ao parque com aproximadamente dois meses de idade.

Lontras albinas são raras (Foto: Fabiana Zermiani/Bica)Lontras albinas são raras, segundo a Bica
(Foto: Fabiana Zermiani/Bica)
Ele estava na fase de amamentação e passou a ser alimentado com dieta adequada às necessidades da espécie e acompanhada pelos técnicos do Zoológico, segundo informações da Bica. Os maiores cuidados ficaram com o Setor de Neonatologia. Por se tratar de um filhote, os técnicos tiveram cuidado redobrado também com a higienização.
 Hoje, a lontra albina se alimenta sozinha, com uma dieta balanceada, pesada diariamente, na qual são oferecidos, tanto peixe vivo como abatido, carne bovina, fígado, coração e frango, além da suplementação com vitaminas. As presas vivas, no caso de peixes e esporadicamente, caranguejos, são utilizados para estimular o nado e para não perder o comportamento natural, que é a caça.
 A lontra albina, condição caracterizada pela falta de melanina no corpo, é rara pois esses animais geralmente têm coloração marrom a parda. A que mora na Bica tem a pelagem bastante clara e olhos avermelhados. Só se tem conhecimento do registro de um caso de albinismo em lontras - na Escócia - de acordo com a Bica.
 A bióloga do Parque, Fabiana Zermiani, explica que a condição de albinismo dificulta a camuflagem na natureza e torna o animal vulnerável aos predadores e que o fato dele ter chegado ainda filhote na Bica, fez com que precisasse de cuidados especiais dos técnicos. "Ele foi encontrado por um pescador, estava sozinho, perdido da mãe, e como ainda era filhote em fase de amamentação, não poderia ser deixado lá, pois se tornaria presa fácil ou alguém poderia capturá-lo. Então a Polícia Ambiental foi solicitada e o trouxe pra cá", explicou a bióloga.
 O animal é da espécie Lontra longicaudis, uma das menos conhecidas no mundo. Ele está ameaçado de extinção em alguns estados como Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, principalmente pela redução da mata ciliar, degradação do seu habitat e a procura por sua pele.

Recinto
O recinto onde vive o exemplar foi pensado, inicialmente, para um primata, por isso foram necessárias algumas alterações para ficar o mais próximo do que seria o habitat natural de uma lontra. Foram criadas elevações para correr e se exercitar, toca para se esconder e dormir. Além disso o tanque com água foi aumentado, ficando mais profundo. No tanque sempre são colocados troncos e brinquedos para ele não ficar ocioso. Por ser um animal que passa boa parte do tempo nadando, existe em andamento o projeto da construção de um recinto feito especialmente para ele, com uma área maior de água.

http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2014/09/lontra-albina-completa-um-ano-morando-em-parque-de-joao-pessoa.html

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MAL CRESCENTE

Tráfico de pele motiva caça a albinos na África
Albina durante ritual tribal na África do SulAlbina durante ritual tribal na África do Sul

É crescente na Tanzânia o número de ataques a albinos desde agosto deste ano. A prática violenta é fruto de uma relação entre preconceito e magia negra. Isso porque existe no país um intenso mercado negro de tráfico de pele albina, motivado principalmente pela crença de que partes do corpo de pessoas com albinismo possuem benefícios místicos e mágicos. As informações são da Vice.
Dois casos específicos chamaram mais atenção em agosto. No dia 5, três homens armados com facões arrancaram o braço de uma garota albina de apenas 15 anos. A família não teve reação, pois foi ameaçada de morte. Entre os três estava um curandeiro local que informou que o braço valeria até US$ 600 no mercado negro. Já no dia 14, um jovem albino foi encontrado totalmente mutilado, com boa parte de sua pele removida do torso.
“Na África Subsaariana existe uma crença significativa em bruxaria, que geralmente envolve partes de corpos humanos. Esse é o caso na região há muito tempo, bem antes da colonização. É parte de uma prática cultural, histórica e espiritual profundamente arraigada. Esses curandeiros são influentes há muito tempo nas comunidades, mas agora eles querem ganhar dinheiro, não apenas ser profissionais idosos e respeitados", afirmou Peter Ash, chefe de um grupo de direitos albinos, à Vice.
Para resolver o problema, escancarado para o mundo em 2008 em relatório feito pela BBC, a ONU aposta em educação da população. Aos poucos, crianças albinas são introduzidas em escolas e são mais aceitas em hospitais. A situação, porém, está longe de ser resolvida. Parentes de albinos, por exemplo, ainda são adeptos de diversas práticas de proteção aos seus familiares. Por exemplo, enterram os albinos em covas sem marcação com medo de que os corpos sejam removidos em busca da pele
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https://br.noticias.yahoo.com/tr%C3%A1fico-de-pele-motiva-ca%C3%A7a-a-albinos-na-%C3%A1frica-115346204.html

CONTANDO A VIDA 78

Depois de um hiato, nosso cronista favorito,o Prof. José Carlos Sebe Bom Meihy, volta a colaborar no Blog do Albino Incoerente. Historiador de renome mundial, o Prof. Sebe trata das eleições presidenciais e questiona qual é a da mulherada, uma vez que ao que tudo indica teremos mulher na presidência novamente. 


ELEIÇÕES: PARA ONDE QUEREMOS IR? ou A PRESIDÊNCIA É DAS MULHERES?

José Carlos Sebe Bom Meihy

Sem dúvida alguma, vivemos uma eleição sui generis. Poderíamos dizer sem medo de erro que a mão trágica do destino pesou sobre o andamento morno e até rotineiro proposto por quantos supunham o mesmo andar da carruagem. A morte surpreendente e trágica do candidato pelo PSB, Eduardo Campos, promoveu uma reviravolta capaz de nos tirar da letargia ou ressaca da Copa do Mundo e nos jogar no calor intenso da escolha eleitoral, principalmente da indicação do novo mandatário/a nacional. É muita coisa, diga-se.
Independentemente dos candidatos, temos fatos históricos à nossa frente. Analisando friamente a lista de políticos que se mostra, cabe reclamar da absoluta falta de nomes convincentes ou pelo menos novos. Mas é o que temos, deve-se repetir com base na garantia de que democracia se faz com votos objetivos e não em suposições utópicas. E o que se nos apresenta? Mais do que declinar nomes, cabe nesta breve análise estabelecer critérios capazes de permitir decisões consequentes, pois o dia da votação está aí. Por lógico, não cabem esforços tendenciosos ou tentativas de convencimentos. Claro que não. Mas é aceitável convocar critérios que ajudem decisões. Somos inteligentes o suficiente para admitir que não há inocência em opiniões expressas e que no máximo os argumentos apresentados devem servir de estímulo ao juízo que tem que ser individual e intransferível. Gosto da máxima que garante ser o “voto secreto”. Assim, deixa-se de lado o falso paradoxo que aponta a indução argumentativa. O jornal hoje é um veículo democrático e atua na troca de opiniões. Sim, esta mensagem apenas tem o tom crítico geral.
Mas, então quais seriam os pontos relevantes a serem tomados para a consideração ampla? Um primeiro decorre da concretude numérica, relativo ao voto feminino. Temos três candidatas mulheres, fato que merece destaque vibrante: Dilma Roussef, Marina Silva e Luciana Genro. Pelas estatísticas há fortes indícios que teremos um segundo turno com duas mulheres concorrendo ao posto político máximo da nossa democracia. Outro dado importante é que o total de votantes mulheres perfaz 52% como eleitoras regularmente registradas, o que pode fazer a diferença. O impactante nessa relação é que as candidatas não apresentam pautas claras e atentas a causas femininas ou feministas. Aliás, convém salientar que este silêncio é mais do que estranho.
Outro aspecto relevante diz respeito ao engajamento religioso e às ligações (in)desejáveis com o universo clerical. Temos que preservar o estado laico e não basta enunciar a independência da política com a religião. É na prática que se resolvem estas coisas e a prática se expressa pelos programas apresentados e defendidos. Os tais itens programáticos têm que ter coragem de expressar posicionamentos que ecoam na razão das escolhas. Temas decorrentes de preceitos morais como: pesquisas com células tronco, casamento entre pessoas do mesmo sexo, direito ao uso do corpo e reprodução, aborto, são pautas que precisam ser explicitadas. E não é suficiente enunciar posicionamentos. Carecemos de posições que superem a fase eleitoral. Voto de mulheres e preceitos religiosos ou morais devem pesar nas escolhas. Por certo, o silêncio ou a negligência de clareza nestes itens provocam indignação. Afinal, pergunta-se, porque a preferência nacional tende a colocar a disputa entre duas mulheres se elas não assumem posicionamentos que as qualificam como representantes de um gênero? 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ALBINISMO NO CANAL FUTURA

O Jornal Futura, do canal homônimo, exibiu esclarecedora reportagem sobre as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com albinismo. A matéria contou com a participação de membros do grupo de albinos do Rio de Janeiro, como Nereida Santos e Mirian Dias.  

TELINHA QUENTE 133



Roberto Rillo Bíscaro

No século VIII da era cristã não existia Inglaterra; havia uma coleção de reinos constantemente em guerra externa e entre si. Perto da última década do século, a primeira incursão naval vinda da pagã Escandinávia inauguraria uns 2 séculos e meio de lutas contra dinamarqueses e noruegueses, que invadiriam, conquistariam e colonizariam diversas regiões das Ilhas Britânicas.


Os vikings causaram na história inglesa, gente! Pilharam monastérios pra roubar a riqueza sacra e no processo destruíram muito do trabalho dos escribas, quase os únicos que sabiam ler e escrever na Alta Idade Média. A influência nórdica está na etnia e na língua (palavras terminadas em -thorp, por exemplo, devem ter raiz escandinava). Assim, a construção da ideia duma nação inglesa passou pelo processo de reconquista e assimilação do invasor nórdico.
Pra inaugurar sua produção de séries, o canal History contratou Michael Hirst pra criar Vikings, que já teve 2 temporadas (a primeira estreou em 2013), as quais vi. O roteirista centrou a trama no provavelmente lendário Ragnar Lothbrok, figura de diversas sagas e narrativas nórdicas. A questão dum canal que provavelmente pretende "ensinar" História usar protagonista que pode ser imaginário, sem problematizar isso, deixo aos profissionais da área, aos quais também deixo a discussão das liberdades artísticas, sempre necessárias, num show que se quer "histórico".
A co-produção Irlanda-Canadá interessou-me pela temática e claro que dá pra aprender um costume ou outro dos "bárbaros", assim como estabelecer comparações com a cultura cristã das ilhas inglesas. Sem ser uma montanha-russa de adrenalina e nudez, Vikings é beneficiada com certo grau de realismo das peles e caras sujas e cenas de lutas bem feitas; sem contar as intrigas palacianas.
Ragnar é um fazendeiro empreendedor que sonha encontrar o caminho pro Ocidente, onde jazem tesouros mil nos ricos monastérios e cortes. Desacreditado pelo mandatário local (interpretado por Gabriel Byrne, o Dr. Paul Weston, de In Treatment), o valente recruta amigos e bem ao estilo pequenas empresas, grandes negócios, sai-se bem e desperta o interesse - igualmente a ira e a inveja - de chefes locais e externos.
As 2 temporadas de Vikings centram-se, portanto, nas aventuras e algumas desventuras do protagonista e membros de cortes no que hoje conhecemos como Dinamarca, Suécia, Noruega e Inglaterra. História novelizada, a série traz o coquetel usual de traições, vinganças e amores que desafiam posição social.
Ponto fraco são algumas atuações forçadas, especialmente na construção dum sotaque como se fosse de escandinavo falando inglês. Há horas em que parece teatrinho de escola.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ZOOFILIA NA CALIFÓRNIA

Naja albina é capturada na Califórnia após atacar cão

Uma naja albina foi capturada pelo serviço de controle de animais do condado de Los Angeles, no estado da Califórnia (EUA), após ser flagrada em uma área urbana de Thousand Oaks.
Naja albina foi capturada em Thousand Oaks (Foto: Ian Recchio/Los Angeles Zoo/AP)Naja albina foi capturada em Thousand Oaks (Foto: Ian Recchio/Los Angeles Zoo/AP)
Um especialista disse que a cobra de 1,5 metro estava com as glândulas de veneno intactas.
Nativa da Ásia, a naja tinha sido vista na noite de quarta-feira em Thousand Oaks depois que atacou um cão, e as autoridades montaram um operação para capturá-la.
O réptil será levado para o zoológico de San Diego.
   Autoridades tinham feito operação após cobra ser vista na noite de quarta-feira em Thousand Oaks  (Foto: Chuck Kirman/Ventura County Star/AP)Autoridades tinham feito operação após cobra ser vista na noite de quarta-feira em Thousand Oaks (Foto: Chuck Kirman/Ventura County Star/AP)

 

CAIXA DE MÚSICA 140


Tamo Junto!

Os anos 90 estão de moda e a “coincidência” com o retorno da dupla inglesa Basement Jaxx não podia ser mais apropriada.
Felix Buxton e Simon Ratcliffe são titios se comparados com os artistas das tendências atuais da dance e da electronica. Há 2 décadas discotecando, remixando e lançando álbuns, o Basement Jaxx já cumpriu seu papel de inovar e popularizar o gênero, agora pode dar-se a luxo de ficar 5 anos sem lançar CD e de relaxar, porque os louros já são devidamente deles.
Junto foi lançado na última semana de agosto e é um safari pelos anos 90 e início deste século. Sem faixa fraca, é ideal pra quem curte house music e derivados sem a enrolação de repetições maçantes de 8, 9 minutos. O álbum serve pra ouvir no carro, caminhar e pruma boa festa de gente animada e amante de dance, mas não necessariamente aficionada por novidades underground.
A curta Intro tem percussão e vocal afros, afinal, como os Chemical Brothers nos ensinaram há 12 anos, tudo começou naquele continente. Depois, começa a pauleira, primeiro em clima Soul II Soul de diva em Power to the People, seguida da também divada Unicorn, que transportará o ouvinte à primeira metade dos 90’s com todos os maneirismos da produção da época.
Buffalo é puro nervo drum’n’bass com hip hop meio ragamuffin ou gangsta; Rock the Road é tão house que não sei como não batizaram de Jack the Road; a globalização da letra da acid house Sneakin’ Toronto combina com o flamenco sambado da salerosa Mermaid of Salinas.
As 13 faixas trazem vocalistas tão distintos quanto desconhecidos, mas a familiaridade com a sonoridade das vozes te fará jurar que você sempre os escutou.
Consiga Junto, marque uma festa com amigos, aumente o som e se acabe de dançar e se divertir, porque o Basement Jaxx voltou pra animar qualquer parada!

domingo, 7 de setembro de 2014

A SUPERAÇÃO DE MARCOS ROSSI

Vítima de síndrome rara, advogado conta sua história de superação no Congresso NJE/Ciesp

Ariett Gouveia
Superar limites, habilidade fundamental para um empreendedor, é uma constante na vida do bacharel em direito Marcos Rossi, um dos palestrantes do 11º Congresso Estadual de Empreendedorismo, realizado pelo Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), nesta quinta-feira (04/09), em Santo André.
Por causa de uma síndrome rara, ele nasceu sem os membros superiores e inferiores. Mas como faz questão de ressaltar, nunca ficou questionando os motivos pelos quais isso aconteceu. Ele enfrentou os desafios e se arriscou a fazer tudo que sempre teve vontade.
“Quantas vezes a gente questiona as coisas que acontecem na nossa vida e são aparentemente ruins? Esquecemos que existe um propósito maior”, disse Rossi. “Meu primeiro conselho é: abra a sua mente, preste atenção às oportunidades que estão a nossa volta. Todos os recursos que precisamos para resolver as adversidades estão ao nosso lado.”
O palestrante contou que, desde criança, nunca deixou de fazer o que gostava. Mesmo com a deficiência, encontrou maneiras de brincar de pega-pega, jogar futebol, entrar no mar. Aos 15 anos, outro problema de saúde apareceu no seu caminho e foi preciso fazer uma cirurgia na coluna para implantar uma haste, por causa de uma escoliose.
Mas a superação dos limites passou a ser um vício. “O impossível só existe até que alguém faça. E quando você faz, isso vira combustível para várias e várias realizações”, declara Rossi, que coleciona feitos que podem parecer impossíveis para alguém com sua deficiência.
Seja surfe, mergulho, skate, bateria de escola de samba, integrante de uma banda, profissional de um grande banco, ser pai, ele conquistou todos os objetivos a que se propôs.
“Comecei na escola de samba tocando ganzá, um instrumento quase que exclusivo de mulheres. Mas minha meta era não parar de tocar. Na hora de escolher outro instrumento, não me perguntei “o que a minha deficiência vai permitir que eu toque?”, mas sim “qual o instrumento que eu mais gosto”, lembra ele que há 14 carnavais desfila pela X-9 Paulistana.
Na área musical, além do samba, ele também é vocalista do grupo Sem Limites e é DJ. “Você contrataria um DJ sem mãos para a sua festa?”, brinca Rossi, que conta com a tecnologia para manejar o equipamento.
O palestrante diz que mais do que conquistar os seus sonhos, ele busca dividir suas conquistas com quem precisa. No caso do skate, por exemplo, usando os recursos que tinha a sua volta, ele fez as adaptações para que conseguisse fazer as manobras e, quando conseguiu, criou o “Skate sem Limites”, para que outras pessoas com deficiências pudessem sentir a mesma emoção.
Como conselhos para o sucesso, Rossi diz que, primeiro, é preciso acreditar que é possível, parar de reclamar e saber que todos são dotados de capacidades ilimitadas. “Limitação é um conceito que está dentro da cabeça das pessoas. Cada dia é a oportunidade de tornar sua vida o que você quer que ela seja”, garante ele.



sábado, 6 de setembro de 2014

ALBINO GOURMET 148

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

PAPIRO VIRTUAL 80


Roberto Rillo Bíscaro

Há algumas semanas vi um thriller dinamarquês que não mereceu resenha, mas não me desgostou. Era a adaptação do primeiro livro de Jussi-Adler Olsen sobre o Departamento Q, especializado em resolver casos arquivados sem solução.

Acabei de ler o quarto da série, em dinamarquês intitulado Journal 64 (2010), que li na tradução inglesa, The Purity of Vengeance (2013). Não negarei que Revenge tenha influído na escolha, afinal, até comecei a ler O Conde de Monte Cristo, inspiração pra vingança de Emily Thorne, mas desisti pela chatice.



O livro tem como tema social motivador da vingança, a eugenia, que não desapareceu da Europa com a derrota nazi de 45. Em 1987, Nete Hermansen planeja acertar as contas com aqueles que fizeram de sua vida um inferno estéril, após mandarem-na a uma ilha-reformatório, onde mulheres muito sexualmente ativas ou com (suposta) deficiência intelectual eram operadas contra a vontade.
A narrativa passeia por 3 ou 4 décadas num movimento de vai e volta que não confunde, porque bem marcado. Basicamente, temos a infância e adolescência de Nete, quando a jovem analfabeta é enganada por um monte de gente. Depois, de meados dos anos 80 pra frente, quando Nete se ferra pela deradeira vez e resolve matar todo mundo e finalmente, o ano de 2010, quando Carl, Rose e Assad investigam e desvendam os crimes.


Eugenia e os traumas gerados pela exclusão social e pelos partidos supremacistas são tão amedrontadores e nojentos que empalidecem a vingança de Nete. Pena que esse não seja a única falha de Journal 64.
O detetive-protagonista Carl é tão menos interessante que seu assistente Assad que fica difícil entender como a série chegou ao volume 4 sem que ele tenha assumido o centro dos holofotes. Será por causa da etnia?



As referências a um caso que deve permear os demais volumes emperra a leitura, porque queremos progredir na trama de Nete e do malévolo Curt Wad, mas somos atrasados por velhos fantasmas de Carl, que além de não elucidados, não contribuem pro avanço de The Purity of Vengeance.

A reviravolta final é forçada demais e a transformação do frio octogenário Curt Wad em psicopata fortão no desfecho é indigesta. E a ex-professora de Nete aparecendo do nada apenas pra deixar o livro com mais cara de roteiro pra TV? Me deu meda!
Não posso dizer que as referências a diarréias e sintomas de gripe tenham me agradado; desnecessário tanta informação sobre o cheiro corporal de Carl, que sequer conseguimos imaginar como seja.
Se for pra começar a série por este livro, não recomendo. 


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

BIKE SEGURA

Chilenos desenvolvem 'bicicleta antirroubo'
Bicicleta antirroubo (Yerka Project)
A única maneira de roubar a bicicleta é rompendo seu quadro, o que a inutiliza

Certa vez, quando o chileno Andrés Roi Eggers era criança, roubaram duas bicicletas suas em um mesmo ano. Isso apesar de ele ter usado em ambas as ocasiões um bom cadeado, que foi deixado para trás pelos ladrões. Anos mais tarde, estes casos inspiraram Eggers a criar a primeira bicicleta "antirroubo".

Junto com seus amigos Cristóbal Cabello e Juan José Monsalve, que também estudavam Engenharia Civil Industrial na Universidade Adolfo Ibáñez, Eggers idealizou uma bicicleta que também é um cadeado.

"A única maneira de roubá-la é arrebentar seu quadro, o que a inutiliza. Isso desestimula o roubo", eles explicam no site do projeto.

Os três estudantes já desenvolvem há dois anos a ideia, que surgiu como um trabalho de faculdade em que a proposta era "resolver um problema da sociedade".

"Decidimos abordar o problema da segurança das bicicletas. Debatemos uma série de ideias, e surgiu a proposta de fazer uma bicicleta-cadeado", diz Cabello à BBC.

Chamado Clique YERKA, o projeto ganhou o concurso "Empreendimentos Universitários Inovadores”. O trio agora planeja produzir as cem primeiras unidades até o fim do ano.

Tormento dos ciclistas


Eggers teve suas bicicletas roubadas em Santiago do Chile, mas este problema atormenta ciclistas urbanos de todo o mundo.

"Os ladrões acreditam que roubar bicicletas é um crime de baixo risco e com o qual podem faturar alto", diz a Polícia de Londres em sua página na internet.

Anualmente, são roubadas cerca de 21 mil bicicletas na capital inglesa.

Nos últimos anos, foram criadas várias inovações para combater estes roubos.

A maioria delas envolve sistemas de rastreamento e localização das bicicletas roubadas por meio de sistemas de GPS e sensores ligados a um smartphone. Já a abordagem dos três estudantes chilenos é única.

"Sabemos que é muito chato levar um cadeado com você a todos os lugares", dizem eles no site. "Garantir a segurança de nossa bicicleta não leva mais de 20 segundos."

Desafios de produção


O maior desafio agora será fazer com que a bicicleta tenha um preço acessível. Cabello adianta que o modelo básico provavelmente custará entre US$400 (R$ 895) e US$1 mil (R$ 2.239), dependendo das peças que cada modelo terá.

"Comprar uma bicicleta nova é obviamente mais caro do que comprar um cadeado", diz Andreas, autor do blog London Cyclist. "Mas esta é uma maneira inovadora de atacar o problema."


Criadores da bicicleta antirroubo (Yerka Project)
Os criadores da bicicleta antirroubo se conheceram na faculdade de engenharia

A bicicleta-cadeado ainda está em fase de projeto, mas, segundo Cabello, consumidores de diversas partes do mundo já manifestaram interesse em comprá-la.

Por enquanto, seus criadores não tem unidades em estoque para atender aos pedidos.

Eles planejam produzir as primeiras no Chile e depois terceirizarão a produção para a China ou Taiwan.

Ajustes de design


A bicicleta-cadeado é feita de aço e alumínio e pesa cerca de 13kg. Mas seus inventores esperam torná-la mais leve.

Eles também trabalham para resolver outros pontos problemáticos do design, como suas rodas, que podem ser roubadas no prótipo atual.

"Estamos colaborando com empresas para prendê-las com parafusos especiais que só podem ser removidos com uma chave de fenda especial", afirma Cabello.

"Mas o objetivo principal sempre foi proteger a parte principal da bicicleta, o seu quadro."
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140829_bicicleta_antirroubo_rb.shtml?print=1

terça-feira, 2 de setembro de 2014

ZOOFILIA NO MEDITERRÂNEO

Raro o golfinho-albino visto por pesquisadores na costa da Croácia e Itália, no mar Mediterrâneo, escreveu o The Daily Mirror. Supõe-se que tais indivíduos que existem no mundo apenas 20.

TELINHA QUENTE 132


Não sou afeito aos modernos filmes e séries sobre super-heróis. Tentei ver o Batman que tem a derradeira atuação de Heath Ledger, mas acreditam que dormi? Não sei, me dão no saco aqueles efeitos especiais e parece que alguns super-heróis de hoje são meio sombrios. Mas, quando existe o charme da antiguidade, curto.
Por isso, vi as 6 temporadas de The Adventures of Superman; 104 episódios exibidos entre 1952-58. Adoro produções daquela década e tinha curiosidade de conhecer o trabalho do ator George Reeves, que teve um fim tão azarado quanto o Superman de minha infância/adolescência, Christopher Reeve. Reeves foi encontrado morto com um balaço na cabeça, no andar superior de sua casa, enquanto no de baixo seus amigos se inebriavam até mais não poder. Rumores de assassinato não faltaram, mas o falecimento foi classificado como suicídio. Imagina o choque pra gurizada cinquentista, quando o 40tão Homem de Aço foi anunciado morto? 

George Reeves tornou-se meu Super-Homem do coração. Nada contra Chris Reeve, mas sempre achei o rostinho dele angelical demais; sou mais a encarnação macho adulto caucasiano de rosto mais quadrado e maduro, extremamente afável, mas totalmente assertivo. Nos desconfiados anos 50, a alteridade de Superman é compensada com a criação duma personagem de maneiras perfeitas, da qual todos gostaríamos de ser amigos, mas isso não é suficiente para que seja percebido como um de nós, afinal, é descrito como “estranho” visitante de outro planeta na longa introdução.
Os produtores fizeram jogada de mestre: mesmo não sendo possível transmissão em cores na época de exibição, 4 temporadas foram gravadas nesse formato, por isso, The Adventures of Superman ainda pode ser curtida pelas gerações incapazes de aturar um delicioso branco e preto.   
A despeito desse investimento pros mercados futuros, o baixo orçamento determina tudo, por isso Super-Homem funciona com superpoderes muitas vezes sub-aproveitados, restringindo-se a socos etc. Socos irrealistas, imagine um soco do Superman furaria ou decapitaria alguém! Em 2 ou 3 ocasiões, os produtores recorreram à animação pra dar conta de atender o roteiro que previa o herói escavando até o centro da terra ou parando um meteoro. O Daily Planet tem alto edifício próprio, mas vemos apenas 3 funcionários e o editor Perry White.   
Isso não tira o prazer da série, que apesar de roteiros açucarados e situações que poderiam ser contornadas de maneira bem mais simples, tem na simpatia do elenco seu maior trunfo. Até do ator inexpressivo que faz o Jimmy Olsen a gente começa a gostar! Damos desconto por ser de uma época em que a TV era bem mais precária, mas não significa paternalismo; The Adventures of Superman ainda consegue divertir.

E também consegue ser mais moderna do que filmes clássicos queridinhos dos críticos, como A Malvada (1950), no que tange à representação feminina.
Nos machistas anos 50, Lois Lane era um oásis de mulher liberada, voluntariosa (acho até desonesta em diversos episódios) com carreira, que não largava tudo pra casar. Caro que paga preço pela independência nunca arrumando marido, no caso, nutrindo paixão platônica pelo super-herói (ou seria, na verdade, pelo irresistivelmente simpático Clark Kent?).
Pra constar: Metropolis é Los Angeles, tá? Não apenas pelas cenas no deserto - parte e parcela de qualquer produção barata da época, uma vez que era locação grátis -, mas porque deixam escapar bairros como Brentwood e Melrose.
Em um dos episódios é mencionada uma palmeira albina “a freak of nature”, segundo Jimmy Olsen. Felizmente, tratava-se de estratagema do vilão, porque sabemos que plantas albinas não sobrevivem.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CAIXA DE MÚSICA 139


Roberto Rillo Bíscaro

Em 2011, a neo-zelandesa Kimbra ganhou fama com o estouro de Somebody I Used to Know, do Sting, opa, quero dizer, Gotye. Ela está de volta com o álbum The Golden Echo, reverenciando alguns ícones pop, mas jamais soando revivalista ou retrô; destilando Motown, Paula Abdul e Fleetwood Mac com a urgência pós-moderna cheia de barulhinhos e teclados estressados em canções de felicidade induzida por fluoxetina.
O poder de Prince está presente em diversas canções, como Everlovin' Ya (ouça o jeito de cantar). Teen Heat é pura exaltação sexual, mas é no batidão de Mad House, onde sinto mais o baixinho genial de Minneapolis.

O trip hop de Goldmine, que paga tributo a vocalistas negras, explode num refrão a la Lana del Rey.
De longe, a faixa mais criativa é 90's Music, instigante e nervosa mistura de Timbaland, guitarra sintetizada e mais nao sei o quê.
Minhas favoritas são Miracle e Carolina. A primeira é um atualizado coquetel dançante de Michael Jackson, Jackson 5, Diana Ross, disco e funk. Dá vontade de giraaaaaaar sob globos estroboscópicos! Carolina é uma delícia easy listening, que soa como se um artista de 2177 regravasse Fleetwood Mac safra 1977 pruma coletânea intergaláctica. Criativo e moderno demais sem perder a raiz de Americana.
The Golden Echo perde um pouco a originalidade nas canções desaceleradas e a De Luxe Edition me parece desnecessária, embora a parede sonora da produção mereça respeito.
Kimbra tem aquela capacidade devoradora de influências, vital pra ser bem sucedida no mundo pop.