segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CAIXA DE MÚSICA 76

Em 2009, louvando The Resistance, escrevi sobre as influências progressivas dos maximalistas britânicos do Muse. Recomendo aleitura daquela postagem, pois muito se aplica a The 2nd Law, lançado hoje.
Queen continua a referência mais óbvia e o grupo segue aproveitando tudo que ouve pela frente pra compor seus bombásticos spaghetti álbuns.    
Supremacy, faixa de abertura, começa ameaçadora, com bateria marcial, tom pomposo, ledzepelliniano, afinal, é a abertura de mais um excesso de Matt Belamy (voz e guitarra), Dominic Howard (bateria) e Chris Wolstenholme (baixo e estréia nos vocais, em 2 faixas).
Quando ouvi o primeiro single, Madness, não gostei. Achei fraca, mas, no contexto de The 2nd Law, passou a fazer sentido. É uma mistura de Queen (I Want to Break Free, Under Pressure) e I Want Your Sex, de George Michael.

O fantasma enforcado de Michael Hutchence assombra a abertura de Panic Station, descendente de Suicide Blonde, do INXS. É a mesma guitarra funkeada, que na verdade vem de Prince; afinal, qual branquelo oitentista (Suicide é de 90, whatever) querendo funkear não chupou o baixinho de Mineapolis? Em seguida, um climão disco embala a canção, alternando-se com a batida INXS/Prince.  
Survival, o hino oficial das Olímpiadas mistura Tchaikovsky, Queen, opereta, vocais oscilando entre barítono e falseto, coral masculino e contracoral feminino e ufanismo de competição. Dá pra imaginar Matt Belamy querendo entrar no palco voando, suspenso por alguma engenhoca; totalmente diva! Exagero. Mais uns 50 hinos assim e começarei a me interessar por esportes!
Follow Me consegue fundir I Will Survive, de Gloria Gay-nor com messianismo a la Bono! Imagine sisudos roqueiros curtindo ao som de acordes dum hino gay-disco. Só o Muse mesmo...


Save Me é uma das 2 canções escritas por Chris Wolstenholme, lidando com seu alcoolismo. Cordas e teclado em forma de ondas e círculos concêntricos, seguidos de grossa malha sonora, que afoga o vocal, não muito depois da letra afirmar que o sujeito está “se afogando em negação”. Intoxicante como álcool.
O disco encerra com 2 faixas praticamente sem vocais a não ser gente falando de forma alarmista sobre energia. A banda pilha o queridinho modernete Skrillex e seu brostep  - espécie de dubstep mais agressivo. Combinado com um coro quase eclesiástico, contracantos choramingados de Bellamy, orquestração extravasada e voz de robôs a la Kraftwerk, o disco encerra em clima de ficção-científica.


Muse também é rock progressivo no sentido de combinar elementos. Pac men exacerbados, deglutem glam, prog, electronica, disco, pop, synth e devolvem tudo dramaticamente. Freddie Mercury parece contido se comparado a Bellamy!     
Quem odeia o exagero, continuará detestando; quem ama, seguirá venerando. Muse incorporou elementos pra continuar o mesmo jorro de pathos que conhecemos desde fins dos anos 90.
Pra mim tá bom demais!

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