sábado, 14 de novembro de 2009

GASPAR

Inflelizmente, o Câmera Record não exibiu a parte referente ao rapper Gaspar, lá de Sampa. Que pena! Seria ótima oportunidade de difusão do trabalho dele, especialmente considerando-se que um rapper albino no Brasil é algo sui-generis.

A parte da reportagem sobre o Gaspar encontra-se aqui, veja:

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CÂMERA RECORD HOJE!!

É hoje, às 23:00, o Cãmera Record sobre albinismo. Achei mais algumas informações no site do programa:

13/11/2009
Cores e tabus do universo albino
Cabelos quase brancos. Olhos clarissimos. Às vezes, até avermelhados. Uma alteração genética que põe em risco a saúde. O Câmera Record desta semana mostra a rotina de brasileiros que têm de conviver com um inimigo gigante: o sol.
Nossos repórteres enfrentam horas de estrada e navegação, em busca de uma ilha paradisíaca. É lá que três gerações de albinos vivem em fuso-horário próprio, em constante busca de uma sombra, numa batalha diária contra o câncer de pele.
O turno albino. Descobrimos o vilarejo em que pescadores e donas de casa só saem para trabalhar quando a noite cai.
Num playground gigante, uma infância cheia de privações. Você vai conhecer a história dos irmãos que, para jogar bola na praia durante o dia, precisam primeiro driblar uma zagueira implacável: a mãe. Apavorada com os riscos dos raios solares, ela faz marcação cerrada nos dois filhos albinos.
Em Salvador, o drama da falta de informação. Anderson viveu 15 anos sem cuidados por não saber o que era o albinismo. Hoje, com dificuldades físicas e financeiras, luta contra um câncer de pele. Como o governo de um dos locais mais ensolarados do país pode evitar que casos assim se repitam?
Mudar a cor do cabelo torna uma albina menos albina? E os rapazes de precoces cabelos brancos, que tipo de mulher atraem? Como meninos e meninas que nasceram com uma deficiência na produção de melanina sobrevivem às crueldades do ambiente escolar? Salões de beleza, baladas, o ambiente em casa: acompanhamos o dia-a-dia de uma família de albinos.
Rimas e sinas de um rapper albino. Sorrisos e poses de uma estética provocadora. O Câmera Record mostra os versos e a trajetória do cantor de periferia que transformou seu código genético em poesia e acompanha o ensaio fotográfico de modelos que, fora do estúdio, se acostumaram a receber outro tipo de olhar.
Você confere tudo isso nesta sexta-feira, às 23h, no Câmera Record.

(Encontrado em http://programas.rederecord.com.br/programas/camerarecord/edicoes.asp?c=3688)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DETALHES SOBRE O CÂMERA RECORD

Amanhã, às 23:00, irá ao ar o Câmera Record sobre albinismo. Encontrei algumas informaçõea a respeito do programa.

Câmera Record visita ilha paradisíaca de albinos.
A Rede Record exibe nesta sexta-feira, dia 13 de novembro, a partir das 23h, uma edição do programa Câmera Record sobre uma comunidade de albinos que residem em uma ilha paradisíaca.
Os repórteres do Câmera Record enfrentam horas de estrada e navegação em busca de uma ilha paradisíaca. É lá que três gerações de albinos vivem em fuso-horário próprio, em constante busca de uma sombra, numa batalha diária contra o câncer de pele. Cabelos quase brancos. Olhos claríssimos. Às vezes, até avermelhados. Uma alteração genética que põe em risco a saúde. O turno albino. A equipe do jornalístico descobriu o vilarejo em que pescadores e donas de casa que só saem para trabalhar quando a noite cai. Os telespectadores vão conhecer também a história dos irmãos que, para jogar bola na praia durante o dia, precisam primeiro driblar a mãe. Apavorada com os riscos dos raios solares, ela faz marcação cerrada nos dois filhos albinos.
O Câmera Record esclarece algumas importantes dúvidas. Mudar a cor do cabelo é uma saída para as albinas? E os rapazes de precoces cabelos brancos, que tipo de mulher atraem? Como meninos e meninas que nasceram com uma deficiência na produção de melanina sobrevivem às crueldades do ambiente escolar? Salões de beleza, baladas, o ambiente em casa: o Câmera Record acompanhou o dia-a-dia de uma família de albinos.
Rimas e sinas de um rapper albino. Sorrisos e poses de uma estética provocadora. O programa jornalístico da Record mostra os versos e a trajetória do cantor de periferia que transformou seu código genético em poesia e acompanha o ensaio fotográfico de modelos que, fora do estúdio, se acostumaram a receber outro tipo de olhar.
(Encontrado em http://www.vcfaz.net/viewtopic.php?t=111071&sid=a3732b2074064a65e113af3bf968c24e)
(O rapper citado é o Gaspar. Vejam-no aqui:

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PROJETO DE LEI EM PERNAMBUCO

Pelo que descobri na net, há Projeto de Lei em Pernambuco, que prevê a distribuição grátis de protetor solar pros albinos de lá. Assim que vi o texto do Projeto escrevi pra assessoria do deputado, mas não obtive resposta.

Esse projeto aconteceu após a enorme repercussão do caso dos irmãos albinos de Olinda, que não podem comprar protetor solar. Tão vendo porque temos que usar a mídia como parceira em nossa causa? Exposição é muito bom, sempre chama a atenção.

Vejamos o texto do Projeto:
ATENÇÃO: O texto abaixo transcreve a versão original deste projeto, conforme apresentado pelo(a) autor(a), e pode não corresponder à versão atualmente em tramitação ou aprovada em plenário, devido à possível apresentação de emendas ou substitutivos. Para verificar se este projeto sofreu alterações em sua redação original, consulte a tabela no final desta página. Este texto não possui valor legal, e está disponível apenas a título de informação.

ESTADO DE PERNAMBUCO
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Legislatura 16º Ano 2009
Projeto de Lei Ordinária Nº 1217/2009 (Enviada p/Publicação)

Ementa:
Obriga o estado de Pernambuco a fornecer gratuitamente o protetor solar específico às pessoas portadoras de albinismo e dá outras providências.
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Art. 1º - Fica o estado de Pernambuco obrigado a fornecer gratuitamente às pessoas de baixa renda, portadoras de albinismo, devidamente comprovado por laudo médico do SUS- Sistema Único de Saúde, que residam no estado de Pernambuco.

Art. 2ª - Para efeito desta lei considera-se baixa renda pessoas com renda “per capta” familiar inferior a meio salário mínimo.
Art. 3º - O laudo médico que atesta o albinismo deverá especificar o modelo apropriado do protetor solar, seu tempo e a necessidade do uso.
Art. 4º - O estado de Pernambuco elaborará um cadastro com todas as pessoas portadoras de albinismo que sejam beneficiadas por esta lei. E publicá-la semestralmente para conhecimento da população.
Art. 5º - As despesas para execução desta lei correrão por conta de dotação orçamentária própria.
Art. 6º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação e revogará todas as disposições em contrário.
Justificativa
O albinismo é uma alteração genética que ocorre nos seres vivos, afetando-lhes a pigmentação

Albinismo é uma condição de natureza genética em que há um defeito na produção pelo organismo de melanina. Este defeito é a causa de uma ausência parcial ou total da pigmentação dos olhos e pele.
Nos indivíduos comuns/médios o organismo transforma um aminoácido chamado tirosina na substância conhecida por melanina. Para que haja produção de melanina devem ocorrer uma série de reações enzimáticas (metabolismo) por meio dos quais se opera a transformação do aminoácido Y (chamado tyr) em melanina, por intermédio da ação da enzima tirosinase.
Os indivíduos que padecem de albinismo têm este caminho metabólico interrompido, já que sua enzima tirosinase não apresenta nenhuma actividade (ou esta é tão pequena que é insuficiente), de modo que a transformação não ocorre e tais indivíduos ficarão sem pigmentação.
Os albinos sofrem conseqüências devido a falta de proteção contra a luz solar especialmente na pele e nos olhos. Assim muitos preferem a noite para desenvolvimento de suas atividades, daí o nome filhos da lua. Muitos albinos sofrem dificuldades de adaptação social e emocional.
O uso de protetor solar minimiza a ação danosa do albinismo, possibilitando a estas pessoas a possibilidasde de exercerem suas atividades de trabalho e estudo durante o dia.
O que ocorre é que o alto custo do protetor solar, torna impraticável que pessoas de baixa renda adquiram esse produto, obrigando a passarem a maior parte do dia em casa, por ser danosa sua exposição aos raios solares.
Em matéria recente, o Jornal do Commercio mostrou três crianças pobres de Olinda, moradores do bairro V-8, que sofrem horrores com o albinismo, pois a impedem de estudarem e brincarem com as demais crianças durante o dia, salvo em dias nublado e de chuva.
Neste sentido apelo aos nobres pares as aprovação desta medida.
Sala das Reuniões, em 31 de agosto de 2009.
Luciano Moura

Deputado
http://www.alepe.pe.gov.br/paginas/?id=3598&paginapai=3597&numero=1217/2009&docid=660552
Como diz a nota introdutória ao Projeto, o texto pode não corresponder ao texto final, em tramitação. Dois pontos me chamaram a atenção, entretanto.

Achei a renda mínima "abaixo do salário mínimo" baixa demais pra ser candidato ao recebimento gratuito do produto. Outro dia comprei um frasco de bloqueador FPS 60 e paguei cerca de 30,00. Quem ganha salário-mínimo e até acima disso, tem dificuldades pra comprar a quantidade necessária, afinal, temos que usar bloqueador todos os dias, mais de uma vez ao dia, inclusive.

Outra coisa é o laudo médico determinar o "tempo de uso". Pessoas com albinismo têm que usar bloqueador solar a vida toda, uma vez que o albinismo é condição irreversível.

De todo modo, o Projeto de Lei pernambucano é outro passo importante pra definiçõ de políticas púbicas de saúde em favor das pessoas com albinismo e o deputado Luciano Moura merece aplausos e louros por isso.

A luta pela difusão da distribuição gratuita de bloqueador solar pros albinos no país todo deve contnuar. Até onde sei, 3 estados já têm Projetos de lei nesse sentido: São Paulo, Mato Grosso e Pernambuco. Isso sem contar a Bahia, que já tem lei nesse sentido desde 2006.

As pessoas com albinismo e nossos aliados temos que seguir reivindicando a fim de construirmos a sociedade alternativa que almejamos.

(E se falamos em sociedade alternativa, não esqueçamos de Raul Seixas.)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DINDIM

Como os cegos diferenciam as notas de dinheiro?
Revista Época
09/11/2009
As cédulas de real apresentam diferenças perceptíveis no tato apenas quando estão novas. O Banco Central deve adotar modelo estrangeiro para que os cegos consigam identificar melhor os valores. O braile não é uma opção viável
Laura Lopes
Em qualquer lugar do mundo é possível reconhecer o valor das notas de dinheiro. Seja na Índia, na China ou nos Estados Unidos, e nem precisa saber a língua nativa, nem mesmo ser alfabetizado. Só há uma exceção para essa regra: os deficientes audiovisuais. Como eles contam dinheiro? Aqui no Brasil, as moedas da segunda família (a segunda geração de moedas de real) possuem tamanhos e espessuras diferentes, algumas são serrilhadas nas bordas, justamente para serem diferenciadas por meio do tato. Já as cédulas têm marcas de relevo que se perdem com o uso. "Essas marcas são pouco perceptíveis, principalmente para os mais idosos. E, com o tempo, as notas vão perdendo o relevo", diz Regina Fátima Caldeira de Oliveira, deficiente visual e coordenadora da Revisão dos Livros Braille da Fundação Dorina Nowill, de São Paulo.
A primeira solução que vem à cabeça é a inserção de caracteres em braile nas notas. Essa, no entanto, é uma saída pouco útil: o braile sairia com o desgaste das cédulas, assim como acontece com as marcas de relevo atuais. "Além disso, o braile é lido por muitas pessoas cegas, mas não por todas. A gente não quer braile nas notas", afirma Regina, que participou de reuniões com o Banco Central e a Casa da Moeda com entidades representativas dos deficientes visuais do país, para encontrar uma solução viável e prática para o problema. O BC comunga a opinião da Fundação Dorina. Segundo João Sidney, do chefe do departamento de Meio Circulante, "a tecnologia de impressão não tem sobrevida. Na terceira manipulação da nota, o braile já acaba".
Apesar da concordância, pouca gente sabe que o braile não é o melhor caminho a seguir. No dia 27 de outubro, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou um ofício à Casa da Moeda solicitando informações sobre a viabilidade técnica para implantação desse sistema de leitura nas cédulas e moedas do país. A proposta, feita pelo conselheiro do Amazonas Edson de Oliveira, tem a melhor das boas intenções, em defesa dos direitos dos cegos, já que os mesmos não têm acesso à leitura das notas. Mas não funciona. "Há quem faça isso para melhorar e ajudar, mas devia falar com pessoas que lidam com o problema diriamente e que podem ter a melhor proposta", diz Regina.
Entre as propostas sugeridas nas reuniões entre as entidades e o governo, a que mais agrada Regina é o modelo adotado na Austrália e nos países que fazem parte da União Europeia (e usam o euro). Lá, as notas possuem tamanhos diferentes, crescendo à medida que o valor aumenta. O portador de deficiência visual recebe uma espécie de gabarito que indica o valor da nota, em braile. Ao colocar a nota dentro desse gabarito, sua ponta vai cair sobre o valor correspondente a ela. Serve mais para quem ainda não decorou o tamanho das notas ou não está acostumado àquela moeda.
Na opinião do BC, no entanto, o modelo canadense é que deve vigorar no Brasil. Segundo o chefe do departamento de Meio Circulante do Banco Central, não é necessário mexer no design ou tamanho do dinheiro. "O Canadá insere nas notas uma tinta invisível diferente para cada valor e distribui um aparelhinho subsidado que reconhece o magnetismo da tinta e emite um sinal para cada valor", afirma João Sidney. Trata-se de um aparelho pequeno, que pode ser levado no bolso e distribuído gratuitamente pelo Canadian National Institute for the Blind. Sobre o gabarito, adotado pelos australianos e europeus, Sidney diz que não é a melhor solução e, como o reconhecimento é feito pelo tato, pode levar a erros de interpretação. "Eu apostaria nessa tecnologia sonora", diz. Só não se sabe quando ela entrará em vigor.

(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27277)
(Abaixo, a estonteantemente bela Dindinha, cantada pela Ceumar)

CÂMERA RECORD - NOVA DATA!!!

Como vocês sabem, o programa Câmera Record terá uma edição sobre o albinismo. Confiram a postagem ALBINISMO NO CÂMERA RECORD.

O produtor Ricardo Droppa acabou de me ligar avisando que a data de exibição foi antecipada para a próxima sexta, ou seja, dia 13.

O programa é exibido às 23:00. Agendem-se, portanto!

(Já que falamos em mudanças, que tal lembrar da canção Change, dos Tears for Fears?)

RELATO SOBRE ESTRABISMO

Outra pessoa com albinismo resolveu participar do espaço aberto pelo blog pra envio de histórias pessoais. Há um par de semanas, Moisés Margotto, de Vitória (ES) me escreveu contando que descobrira o blog e estava gostando bastante. Como faço com todos que me escrevem, convidei-o a contar suas experiências e ele topou.
Espero que a história abaixo, seja a primeira de muitas... Obrigado, Moisés.

O estrabismo é curável mesmo para albinos


(Coincidentemente, esta semana não me sai da cabeça um dos temas dos filmes de James Bond, For Your Eyes Only, cantada pela escocesa Sheena Easton. O mp3 tá até gasto de tanto que tô ouvindo! Que bom poder ilustrar o post com essa música. Obrigado de novo, Moisés!)

Após muito e muito pesquisar sobre possíveis melhoras quanto a capacidade de enxergar, durante idas e vindas por vários grandes centros como São Paulo, Londres, Johannesburg e Estamos Unidos encontrei em Belo Horizonte-MG um "horizonte" para melhora.
Minha oftalmologista - especialista em visão subnormal - indicou-me um outro especialista que trata a muito tempo casos de estrabismo entre albinos, mesmo com casos que envolveram nistagma, astigmatismo e hipermetropia.

Apenas para esclarecimento o estrabismo, em termos simples, é o desalinhamento dos olhos em relação a um ponto focal, ou seja, quando olhamos fixamente a um ponto, apenas um dos outros está alinhado com este. Nosso cérebro anula a imagem do olho "não utilizado" e faz uma imagem apenas com o olho com o objeto em questão. Isto é muito comum em casos de baixa visão pois, ao passar dos anos, vamos forçando a visão (especialmente de perto), fazendo com que sejamos portadores de uma falsa visão monocular.

O objetivo principal do tratamento do estrabismo é a melhora da capacidade funcional pois os olhos voltam a estar em simetria, evitando assim, um cansaço de apenas um olho.

Após uma série de consultas com este médico, chegou a época da cirurgia. Antes dela, foi feita uma avaliação com uma pedagoga quanto a capacidade de leitura medida em palavras por minuto lidas em voz alta. Antes da cirurgia, minha média foi de 105 a 109 palavras.

Em meu caso, a cirurgia envolveu apenas o olho direito, sendo feita a micro intervenção nos músculos laterais dele. Sem dor e sem desconforto ou, como dizemos no Espírito Santo (onde vivo) sem “gastura”.

Após a cirurgia e um dia de hospital fui liberado para retornar aos poucos a minhas atividades. Foram feitas consultas ainda com 30 e 90 dias após a cirurgia. Tudo correu de maneira perfeita e hoje, medido pelo mesmo teste anterior, tenho médias de leitura de 134 a 141 palavras por minuto além claro de o efeito estético ser incrível.

Qualquer melhora para nós albinos é uma grande melhora.

Segue abaixo links úteis:

Estrabismo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrabismo
Dr. Galton Carvalho Vasconcelos: http://www.iobh.com.br/pg.php?cntID=3#

sdS
Moisés Margotto

domingo, 8 de novembro de 2009

MIGUEL NAUFEL NA TV

O mocoquense Miguel Naufel continua sua carreira multimídia. Suas histórias têm sido publicadas em diversos sites, já deu entrevista pruma rádio em nível nacional e agora começa sua carreira na TV!!!

Eu não venho falando o tempo todo aqui que a gente precisa abrir a boca? Poucos albinos têm aberto até agora, mas os que já abriram sempre alcançam repercussão, perceberam??? E isso sempre ajuda nossa causa.

Miguel foi entrevistado por uma emissora local de Mococa (SP) e me enviou o video. Ei-lo no You Tube, convertido graças a meu sobrinho Lucas Casella.

Uma correção, porém. Não sou doutor médico, sou doutor em Letras!

sábado, 7 de novembro de 2009

COMENTÁRIO

Pessoal, a leitora Rosiane Esteves deixou comentário longo e lúcido sobre o desagradável incidente envlvendo o ENEM e o estudante impedido de fazer a prova usando computador. Dêem uma olhada no comentário da postagem ENEM EXCLUDENTE.

AUDIÊNCIA PÚBLICA NA BAHIA

A Associação das Pessoas com Albinismo da Bahia (APALBA) continua a dar exemplo pro resto do país no que diz respeito à organização das pessoas com albinismo em defesa de seus direitos e necessidades especiais. Vejam o email que recebi do Joselito Luz, um dos coordenadores da associação:

ESTADO DA BAHIA
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA
Salvador, 29 de Outubro de 2009.
Of. 032-09.

CONVITE

A Comissão Especial de Promoção da Igualdade (CEPI) da Assembleia Legislativa da Bahia tem a honra de convidá-lo para a Audiência Pública sobre a Realidade da População com Albinismo na Bahia, proposta pela APALBA, a realizar-se no dia 10 de Novembro de 2009, às 10h30, na sala das Comissões Herculano Menezes.
Atenciosamente,
Informações:
Assessoria da Comissão:
Clodoaldo Almeida da Paixão, Kiazala e Antônio Cosme - Assessoria da Comissão
Ana Cláudia Mercês - Secretária da Comissão
E-mail:
anacmerces@gmail.com
Fones: (71)3115-7150/5279
Fax: (71)3115-5539

Av. 1, nº 130 - Centro Administrativo da Bahia
Edifício Wilson Lins. Gabinete: 106, Salvador-Bahia CEP-41745-001
Tel: (71)3115-7150 Fax: (71) 3115-5539

(Uma vez que a APALBA recebe o maior apoio da dermatologista Dra. Shirlei Moreira, aproveito pra atender outro pedido dela e encerro essa postagem com Pescador de Ilusões, do Rappa)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ENEM EXCLUDENTE

Protesto contra a decisão do INEP
Rede Saci05/11/2009
Teófilo Galvão Filho fala da decisão excludente do INEP de não deixar Gulherme Finotti, jovem com deficiência, utilizar recursos tecnológicos para a prova do ENEM Teófilo Galvão Filho


Como professor e pesquisador em Tecnologia Assistiva para a inclusão educacional de alunos com deficiência, com pesquisa de doutorado
(http://www.galvaofilho.net/tese.htm) desenvolvida nessa área, parece-me incompreensível e escandalosamente excludente a decisão do INEP de não permitir que o aluno Guilherme Finotti, que possui sequelas motoras graves de paralisia cerebral, realize a prova do ENEM utilizando os recursos tecnológicos e adaptações que lhe permitem explicitar seus pensamentos e conhecimentos, conforme é noticiado na seguinte matéria: "Jovem deficiente é barrado pelo Enem".
Nesse obstáculo, interposto pelo INEP, para a inclusão e participação de Guilherme Finotti nas possibilidades de crescimento e desenvolvimento social que deveriam ser disponiblizados a todos os cidadãos, enxergo também as barreiras, dificuldades e sofrimentos de diversos outros alunos meus, com as mesmas características e necessidades de Guilherme, e que são desestimulados por essa atitude do INEP, na sua luta para o aprendizado e crescimento pessoal.
Lamento profundamente essa atitude, que vai frontalmente em oposição aos novos passos e decisões da sociedade e do Estado brasileiro, que aprovou em 2008, com o status de Emenda Constitucional, a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, uma convenção internacional aprovada na ONU, que tipifica claramente decisões com essa do INEP como discriminatórias.
Espero e conclamo que essa posição excludente, discriminatória e anacrônica ainda possa ser revista e modificada, em direção a decisões mais democráticas e inclusivas, cumprindo, assim, o INEP, com a sua função e relevância social de forma mais cabal.
Atenciosamente,
Prof. Teófilo Galvão Filho

(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27258)

TV INCLUSIVA

Cada episodio narra la historia de un personaje
'Cast Offs', una serie protagonizada por actores con discapacidad

La cadena de televisión británica Channel 4 empezará a emitir este mes 'Cast Offs' (Abandonados) una serie sobre un grupo de seis concursantes con discapacidad seleccionados para participar en un concurso en el que tendrán que sobrevivir en una isla desierta.

Cada episodio narrará la historia de uno de los personajes, tanto sus dificultades durante el concurso como su pasado a través de imágenes retrospectivas. Los actores seleccionados para protagonizar la serie tienen la discapacidad del personaje que interpretan: ceguera, sordera, paraplejia, enanismo, querubismo y un afectado por la talidomida.Para escribir el guión de 'Cast Offs', los guionistas pidieron a los actores que les contasen las mejores y peores situaciones y los malentendidos más frecuentes en los que se habían visto envueltos debido a su discapacidad. "Creo que lo más novedoso es que la serie nos muestra como adultos que beben, dicen tacos y mantienen relaciones sexuales", subraya Victoria Wright, la actriz que interpreta al personaje con querubismo.

(Encontrado em http://www.elcisne.org/ampliada.php?id=1244)

(Como bom 40tão, falou em ilha, lembrei dos Titãs...)


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ELES TÃO (E)NEM AI!!

Esse pessoal do ENEM devia se preocupar em evitar o fiasco do vazamento das provas, isso sim. Excesso de rigor com quem já tem problemas de sobra é fácil, né??? Por favor, quem puder divulgue isso!

Jovem deficiente é barrado pelo EnemProgramador Guilherme Finotti, de 17 anos, que tem paralisia cerebral, está impedido de utilizar um computador adaptado como meio de comunicação na provauliana Franzon
Após cursar o técnico de informática e os ensinos fundamental e médio utilizando um computador adaptado como meio de comunicação, o programador Guilherme Finotti, 17 anos, que tem paralisia cerebral, está impedido de usar o equipamento na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Com a intenção de prestar vestibular no final do ano, a não realização da prova impedirá o jovem de pleitear vaga nas universidades que adotarem o exame como ferramenta de seleção, além de acabar com a chance de concessão de bolsa de estudos.
Desde maio, a mãe de Guilherme, Eunice Finotti, está tentando a inclusão do filho na prova, porém a última resposta que obteve do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) é de que apenas poderiam ser disponibilizados recursos como auxílio de fonoaudióloga para transcrição e uma hora a mais de tempo, não sendo possível o uso de equipamentos eletrônicos.
Segundo a professora do laboratório de inclusão e ergonomia da Feevale, Regina de Oliveira Heidrich, que desenvolveu as adaptações no computador e trabalha com o jovem desde 1998, a proposta de acompanhamento de uma fonoaudióloga demonstra a ignorância em relação a um problema de comunicação de um paralisado cerebral.
“Embora tenha o cognitivo totalmente preservado, o Guilherme não fala nem caminha, e apresenta movimentos involuntários. Trabalho com ele desde que tinha cinco anos e ainda tenho dificuldades de entender o que tenta falar. Estão identificando fraude quando o que queremos é apenas um computador que tenha a prova do Enem e um editor de texto” Regina analisa.
Em relação à proibição de utilizar o computador na prova, Finotti escreveu que se sente como um cidadão digno sem direito de crescer na vida. "Sou jovem e quero fazer o Enem com o meu lápis, que é o meu computador. Estou sendo tratado como se apenas quisesse brincar no exame”, enfatizou.
As adaptações consistem em um mouse especial e uma máscara do teclado, denominada colméia. Através delas são reduzidas as dificuldades de coordenação motora, como o fato de esbarrar nas teclas devido aos movimentos involuntários. O rapaz começou a utilizar o equipamento ainda na pré-escola, quando a professora Regina tomou conhecimento do caso.
“Após retornar de um mestrado em São Paulo, onde trabalhei com crianças da Apae, estava disposta a realizar a pesquisa do doutorado nesta área. Fui apresentada ao Guilherme, realizei alguns testes e constatei que realmente o intelecto não havia sofrido danos. Fiz alguns aprimoramentos na colméia do teclado, ele passou a frequentar a escola com o auxílio do computador e desde então acompanho o seu desenvolvimento. É um aluno inteligente, com notas acima da média do restante da turma”, destaca Regina.
Tanto o curso técnico como os ensinos médio e fundamental foram cursados em escola inclusivas, com alunos com e sem deficiências. “Nunca senti preconceitos, mas isso é algo que não me atinge”, declara Finotti quando questionado sobre a convivência com os colegas e professores.
Na opinião da professora, muitos paralisados cerebrais estão em instituições de educação especial por preconceitos e problemas motores, sendo a informática um forte fator de apoio para inclusão educativa. Para ela o principal problema está na falta de informação e formação de professores no ensino regular, para que possam dar a assistência necessária aos alunos em suas aulas.
“Conheço vários paralisados cerebrais que se alfabetizaram sozinhos ou com apoio da família, pois nunca foram aceitos na escola. Há o caso de um aluno bem incluído no ensino médio e que quando foi cursar a faculdade não tinha sequer ajuda para ligar seu notebook, sendo completamente ignorado. Essas questões são muito sérias, não se pode incluir sem ter o conhecimento de como é trabalhar com essas pessoas”, relata a professora.
Além de frequentar as aulas do terceiro ano do ensino médio, que deve conclui no final do ano, o jovem também é bolsista de iniciação científica Jr. no Projeto Design Inclusivo Utilizando TIC´S (Tecnologias de Informação e Comunicação) Aplicadas à Educação, desenvolvido por Regina.
Como bolsista, duas vezes por semana o programador estuda e desenvolve tecnologias assistivas, softwares e hardwares voltados a pessoas deficiência. Entre seus projetos, destaca-se um jogo para alfabetização de crianças com paralisia cerebral, ainda em fase de testes.
Se tudo der certo e Finotti conseguir realizar o Enem, o próximo objetivo é pleitear uma bolsa nos cursos de Jogos Digitais, Sistemas para Internet ou Ciência da Computação. “Acho que escolhi essa área pelo fato de o computador ser quase meu ‘quinto membro’. Lembro que infernizei muito minha mãe para me matricular no técnico. Nunca imaginei que fosse me apaixonar pela área, o curso foi a melhor coisa que fiz na vida”, conclui.
No que depender do mercado de trabalho, o jovem tem tudo para conseguir uma boa colocação. Só no Baguete, por exemplo, nos últimos dois anos foram anunciadas mais de 300 vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais, isso apenas na área de informática.
Desde 1991, a Lei de Cotas (nº 8.213) determina que todas as empresas brasileiras com mais de cem funcionários devem ter de 2% a 5% de deficientes contratados no seu quadro de funcionários. Assim, o mesmo governo que garante oportunidade no mercado de trabalho para pessoas com deficiência, impede o jovem Guilherme de buscar qualificação.
“A demanda por profissionais portadores de necessidades especiais é muito maior do que a oferta. Há punições para a empresa que não preenche a cotas de deficientes prevista em lei, mas como os anúncios são realizados e as vagas não são preenchidas, fica comprovada a falta de pessoal qualificado”, revela Giovana Strano, diretora da TI Works, empresa gestora de recursos humanos focada em TI.
De acordo com informações do Departamento de Neurologia Infantil da USP, a incidência de casos de paralisia cerebral em países em desenvolvimento como o Brasil pode alcançar até sete para cada mil nascidos vivos, em contraposição a dois em cada mil nos países desenvolvidos. Outros estudos citam a estimativa de 30 a 40 mil novos casos por ano no país.

(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27206)

(O vídeo abaixo mostra o que uma pessoa com paralisia cerebral pode fazer.)

ENTREVISTAS NA ALESP

Luiz Ferreirinha, assessor do deputado Carlos Giannazi, me enviou o link onde podem ser acessadas 3 entrevistas acontecidas durante a audiência pública na Assembleia Legislativa, mês passado.

O deputado Giannazi fala sobre a importância do projeto e da mobilização dos albinos, o professor José CArlos Sebe Bom Meihy fala sobre a importânica História Oral no aumento da auto-estima de grupos excluídos e eu falo sobre a criação do blog e o trabalho desenvolvido através dele.

Quando se clica no link, o Windows Media Player automaticamente abre e a entrevista começa a carregar. Demorou um poucoo no meu computador, mas eu deixei carregando e fui fazer outras coisas.
http://www.carlosgiannazi.com.br/videos/jptema.wmv

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ALBINISMO NO CÂMERA RECORD

2009 assinala um novo tempo pros albinos brasileiros: entramos definitivamente pro mapa das políticas públicas de saúde e da mídia. O pioneiro e inspirador trabalho da APALBA, na Bahia, marcou o início dessa caminhada. 2009 marcou a expansão da causa albina em nível nacional.

Tenho dado uma ou outra indireta a respeito de que "vinha mais coisa por ai", perceberam? Bom, e veio mesmo! Ontem fui autorizado a começar a divulgar data e horário do programa Câmera Record especial sobre albinismo.

Em setembro, o produtor Ricardo Droppa me contatou pedindo informações e sugestões de pauta e personagens para um Câmera Record a respeito do albinismo. Quando postei sobre a sessão de fotos no estúdio do fotógrafo Gustavo Lacerda, disse que havia até equipe de TV. Tratava-se do pessoal do Câmera Record.

Dia 20 de novembro, às 23:00, irá ao ar o resultado dos esforços de várias pessoas interessadas em esclarecer sobre o tema do albinismo.

Orgulho-me em dizer que modestamente colaborei para a montagem da pauta do programa fornecendo contatos e nomes de pessoas ou entidades representativas da causa albina.

Através deste blog, a produção contatou o pessoal da APALBA e o rapper albino Gaspar. Já era hora de o Brasil todo conhecer o trabalho pioneiro e inspirador da associação baiana, até agora a única entidade organizada de pessoas com albinismo no país. Também será fantástico que o trabalho do Gaspar ganhe difusão nacional. Conheci-o pessoalmente na sessão de fotos e o menino merece.

Sei que o programa mostrará os albinos da Ilha de Lençóis, no Maranhão, e também uma matéria com Andreza Cavalli, além do trabalho de Lacerda, claro.

Não há dúvidas de que o programa representará importante passo na construção e difusão de um processo de luta mais organizado e consistente dos albinos brasileiros.

Vem mais coisa por aí, aguardem....

(Pra celebrar o novo tempo pros albinos brasileiros, sigo a sugestão da Dra. Shirlei Moreira, dermatologista baiana, fundamental pro movimento albino daquele estado. Outro dia, ela me disse que queria ver a canção Um Novo Tempo, do Ivan Lins, neste blog. Pedido atendido, doutora! O blog é da causa, não apenas meu, por isso, sugestões são sempre bem vindas. )

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ABAIXO-ASSINADO

Tramita na Assembléia Legislativa de São Paulo, o Projeto de Lei 683/2009, de autoria de deputado Carlos Giannazi. O projeto obriga o estado a fornecer gratuitamente óculos e bloqueador solar aos albinos residentes no estado.

A aprovação do projeto representará passo vital para a população albina, que tem que usar o caro produto várias vezes ao dia, durante a vida toda. Muitos não podem comprar o produto e correm risco de desenvolver câncer de pele.

Peço a todos que assinem e divulguem este abaixo-assinado online, o qual servirá para endossar o apoio popular a tão importante projeto. A adesão é importante no sentido de conferir peso ao projeto quando este for levado à votação.

Visto tratar-se de Projeto de Lei estadual, apenas residentes no estado de São Paulo qualificam-se a assinar. Entretanto, conto com a ajuda dos residentes nos demais estados, na divulgação do abaixo-assinado entre seus contatos paulistas.

O link pra acessar o abaixo-assinado é
http://www.petitiononline.com/pl683/petition.html

(Como pedia o Terence Trent D'arby há 20 anos, Sign Your Name!)

domingo, 1 de novembro de 2009

CALA A BOCA, REQUIÃO!!!

Requião insinua que deputado é gay
Por Redação 30/10/2009 - 17:36
O deputado estadual, José Lemos (PT-PR), criticou a declaração do governador do Paraná, Roberto Requião, quando ligou o aumento do câncer de mama entre homens às "passeatas gay".
Lemos foi a tribuna da Assembleia na terça-feira (27/10) e disse que as declarações de Requião não ajudam a combater a homofobia. O parlamentar cobrou punição para os autores dos assassinatos de 19 homossexuais, que ocorreram este ano no Paraná.
Irônico, o governador rebateu a crítica do deputado afirmando que nunca imaginou que fosse mexer com as "opções sexuais (sic)" de José Lemos. Requião ainda fez uma sugestão ao parlamentar: "Recomendo a ele que não use implante feminino que pode ser perigoso. E não faça implante de silicone".
A resposta de Requião foi publicada em matéria na Folja Online depois de o governador enviar comunicado dizendo que não tem "preconceito contra gays".
A respeito das novas provocações, o petista disse que o governador sempre se coloca acima dos seres humanos e que Requião "aproveita a polêmica para aparecer na mídia e desta vez ele baixou o nível".
(Encontrado em http://acapa.virgula.uol.com.br/site/noticia.asp?codigo=9603&titulo=Requi%E3o+insinua+que+deputado+%E9+gay)
(A inglesa terá a última palavra....)

HO HO HO!


(Acima, Miguel Naufel vestido de Papai Noel.)

No Blog do Albino Incoerente, o Natal chegou mais cedo. Já me chamaram muito de Papai Noel, então, pra dizer a verdade, sempre é meio Natal na vida dum albino, acho...

Hoje, teremos um conto de Natal vindo de Mococa, interior de São Paulo.

Miguel Naufel decididamente soltou sua verve de memorialista após ter entrado em contato com este blog. Que bom! Eis outra história de sua vida, outra experiência albina do Miguel.

EU NÃO VI O PAPAI NOEL!

Aquele natal era diferente. A casa antiga agora era um confortável sobrado, quartos com piso de tacos sintecados e armários embutidos. Minha cama ficava no quarto da frente, abaixo da janela, que se abria para a rua. Minhas queridas e lindas tias e primas vieram da capital para passarem o Natal conosco. Eu, com toda a dificuldade visual, havia escrito uma carta ao Papai-Noel. Será que ele entenderia minha letra, bem grande e escrita com caneta hidrocor, aquelas canetas com pontas bem grossas? O pedido ao Papai-Noel era muito importante. Uma bicicleta. Eu não podia mais andar de bicicleta sentado no cano da bicicleta do Chicão. Depois de tanto esperar, finalmente a grande noite chegou. Meia noite ouviu-se uma forte batida na porta... Chegou o Papai-Noel! Todos correram para olhar pela janela, que se abria para a rua. Logicamente, esta janela era no meu quarto, acima de minha cama. Eu, como sempre, fui o ultimo a chegar no quarto. Ouvia meus irmãos e primas gritando: “Eu vi o Papai-Noel eu vi o Papai-Noel, eu vi o Papai-Noel.” Eu nem conseguira subir na cama para olhar pela janela. Fiquei pensando: “Será que o Papai-Noel não sabe que eu não enxergo lá longe? Por que não me esperou?” Ao abrirmos os presentes, não havia bicicleta. Pensei: “Papai-Noel não entendeu minha letra...” Qual Papai-Noel daria uma bicicleta a um garoto que sofre de albinismo, tem baixa visão e não pode se expor ao sol?
Todo final de ano, ao se aproximar o Natal, deixo a barba crescer, me visto de Papai-Noel e saio andando pela cidade. Abraço todas as crianças, principalmente aquelas que têm deficiência visual.

Miguel José Naufel miguel76@itelefonica.com.brmiguel_naufel@hotmail.com

(John Lennon – So this is Christmas.)

sábado, 31 de outubro de 2009

ACESSIBILIDADE DO BLOG

Sábado é o dia em que dou mais aulas. Seis. Cheguei em casa por volta das 14:30, tomei uma ducha, retoquei o bloqueador solar, almocei e descansei um bocadinho.

Depois, dei mais um passo pra melhorar a acessibilidade do blog. Os leitores hão de notar o título ALTERE O ESTILO E/OU TAMANHO DA FONTE, à sua direita. A partir de agora, poderemos escolher o tipo e o tamanho da fonte que nos seja mais confortável para leitura. Basta clicar nas caixinhas correspondentes e escolher. As escolhas não afetarão futuras leituras, ou seja, podemos reduzir ou aumentar a fonte, assim como escolher dentre vários estilos, toda vez que quisermos. Espero que isso facilite a vida das pessoas que têm acuidade visual reduzida.

Pra variar, quem me guiou passo a passo na instalação desse novo recurso foi o Castro, jovem geek albino lá do Maranhão. Não deixem de visitar o site dele, aliás!

Como eu, Castro é louco por música eletrônica, por isso, agradeço a ele com uma canção eletrônica dum grupo paulista dos anos 80, o Harry. Genebra... Idos de 1987....

ATENDIMENTO AO DEFICIENTE

Atendimento ao deficiente
O Povo Online30/10/2009
Especialista em treinamento para inserir deficientes físicos no mercado fala da relação deste consumidor

A experiência como terapeuta ocupacional agregou conhecimento à, agora, consultora empresarial, Onilda Gomes. A especialista em treinamento para o mercado de trabalho atua há 15 anos no ramo e conhece bem o público de deficientes físicos, que, conforme garante, tanto são excelentes profissionais quanto consumidores desejados.
O POVO - Os trabalhadores do comércio estão preparados para atender o deficiente físico como cliente?

Onilda Gomes - Não, de jeito nenhum. Isso você vê o nosso mercado como um todo. Uma empresa que tenha um recurso humano convencional, ele não tem essa visão de que vai ter um cliente que tem uma deficiência física.
O POVO - Então o atendimento ao deficiente físico é deficiente?

Onilda Gomes - É deficiente. As pessoas têm receio, têm vergonha, têm medo de se aproximar de uma pessoa que usa muletas, que usa cadeira de rodas. Elas se constrangem e dizem: ``Como é que eu vou fazer?`` É simples. É só ela chegar e dizer assim: ``Boa tarde. Como é o seu nome? Qual a melhor forma que eu posso lhe atender?`` É perguntar.
O POVO - Quais os principais erros ao se atender um deficiente físico? Onilda Gomes - As principais falhas se tornam até cômicas. A pessoa vai falar com o deficiente visual e fala alto, gritando, como se ele fosse surdo também. Eles brincam na sala de aula: ``Professora, a gente já é cego, por que é que vocês, normais & dizem assim brincando &, só falam com a gente gritando?``. E isso é verdade, a gente procura uma carência em querer quebrar aquele mundo e fala com ele gritando. Você vai falar com um deficiente surdo. A pessoa que não sabe a linguagem dos sinais ou a libra, ela inventa outro tipo de gesto que passa a ser uma mímica, uma coisa de palhaçada. Um cadeirante, a primeira coisa que a pessoa faz é ficar com pena dessa pessoa. Além disso, ao invés de pedir para deslocar a cadeira, diz assim: ``Fulano, empurra a cadeira``. Ninguém empurra a cadeira de rodas. A gente empurra carrinho de supermercado, porque a cadeira é o próprio deficiente que está incorporado. Quando você toca a cadeira, você está tocando nele. É o mesmo respeito. A sociedade se preocupa só com a locomoção agora. Vamos fazer rampas e rampas, mas a relação interpessoal, como é que eu vou fazer? Em que aspecto está o problema? Acho que é um conjunto. Está na própria sociedade. Isso tem que ser colocado especificamente em um programa de atendimento. Atendimento com autoridade é uma coisa, com criança é outra coisa, com idoso é completamente diferente. São grupos de pessoas distintas, mas que devem estar no mesmo patamar de atendimento. O mercado do comércio tem que inserir, porque o deficiente é um cliente em potencial, é um consumidor. É também uma questão de educação de base, que passe por casa, passa pela escola, no ambiente de trabalho e repercute em tudo um grupo de mercado. Acima de tudo, é um direito.
O POVO - No lado, o que avançou na inserção do deficiente físico no mercado de trabalho para o comércio?

Onilda Gomes - Avançou em dois sentidos. Primeiro na quebra de um preconceito social, que as pessoas tinham muito. A sociedade, o próprio grupo familiar achava que aquela pessoa estava inválida. A própria nomenclatura leva a isso. ``Inválido, o aleijado``. E não é isso. Segundo ponto, pela necessidade de qualidade de profissional, o mercado mesmo descobriu que esses profissionais têm uma qualidade ímpar. Quando eles são bons, eles são bons mesmo. Todas as vezes, em qualquer área que você coloca aquela pessoa que tem uma deficiência física, ela sempre vai dar excelentes resultados para essa empresa, porque eles têm uma característica de dedicação, de responsabilidade.
O POVO - Então, os deficientes físicos, independente da sua limitação, podem estar capacitados a atuarem no comércio?

Onilda Gomes - Podem, com certeza, desde que eles tenham a capacitação. Se ele vai para dentro de uma sala de aula, ele vai pegar a mesma metodologia. O que vai ser diferente vai ser a locomoção, o tempo que ele vai ficar sentado, o tempo que ele precisa de descanso, mas isso ele mesmo tem a flexibilidade.
O POVO - Das deficiências físicas mais comuns, quais são as que estão mais inseridas no trabalho?

Onilda Gomes - Se a gente fala em preconceito, elas são todas iguais. A sociedade, quando ver o deficiente, ver como um todo, não especifica. Se eu preciso de um telefonista, esse telefonista pode ser deficiente visual ou um cadeirante. Um trabalho que não precisa de uma verbalização, só precisa da parte motora, o surdo vai se inserir muito bem aí, porque o poder de concentração dele é muito maior. Os ruídos que estão a nossa volta não vão atrapalhar de maneira nenhum. Um deficiente visual tem uma capacidade interpretativa e uma rapidez de raciocínio maior do que uma pessoa que tem visão. Eles são muito rápidos. É como se você fizesse só o deslocamento daquela competência. O que ele não tem no olho, por exemplo, ele vai ter mais sensibilidade, mais concentração, melhor memória. Quando você começa a ver o mundo da deficiência, praticamente a deficiência não existe.
O POVO - Professora, existe capacitação suficiente no Ceará para preparar o deficiente físico para o mercado de trabalho no comércio?

Onilda Gomes - Tem. Você hoje vê um leque maior de oportunidades, principalmente, nesses programas de Governo Federal, de governo local. O deficiente tem essa carência educacional, precisa sustentar um grupo familiar, ele vai mais em busca, ele luta muito mais do que aquele que está lá com tudo nas mãos. (Andreh Jonathas).

(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27194)


DISCURSO SOBRE O MÉTODO

O tema do albinismo realmente ganhou projeção no ano de 2009. Quinta-feira, recebi email dum estudante de direito baiano me pedindo entrevista a respeito dum trabalho que está elaborando pra disciplina de Introdução a Metodologia da Pesquisa.

O estudante me contou que o artigo cientifico se chamará POLÍTICAS PÚBLICAS PARA PESSOAS COM ALBINISMO NA BAHIA.

Os leitores do blog já sabem que a Bahia é o estado onde a luta dos albinos encontra-se em estágio mais avançado no país. Desse modo, o futuro advogado tem uma mina de ouro nas mãos em termos de oportunidade de realizar excelente trabalho acadêmico. A julgar pelo excelente nível das perguntas enviadas, a oportunidade foi pega com unhas e dentes pelo menino!

Além de responder as perguntas, enviei o texto do Projeto de Lei 683/2009, do deputado Carlos Giannazi, que prevê distribuição gratuita de bloqueador solar e óculos aos albinos paulistas.

Na entrevista, aproveitei pra lançar farpinhas contra a OAB. Durante a intensa divulgação do blog, enviei emails pra literalmente todas as seções e subseções da entidade. Se vocês digitarem no Google verão que existem muitas! NENHUMA se dignou a responder.

A Constituição garante o direito a saúde a todos os cidadãos. Quando um cidadão albino desenvolve câncer de pele por falta de dinheiro pra comprar bloqueador solar, trata-se de desrespeito à Constituição. OAB, posicione-se!

(Abaixo, RzO. Rap nacional é tudo!!!!)


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

MINI-ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

A cega era eu
Rede Saci29/10/2009
Descobri que para ler o mundo não é preciso ver
Eliane Brum
Às 15h46min de quarta-feira recebi um e-mail que não era um e-mail, mas uma passagem para uma dimensão desconhecida. Pelo menos para mim. Leniro Alves contava que tinha me ouvido em uma entrevista na rádio CBN e, desde então, começara a ler minhas reportagens. Gostava porque lhe parecia que eu passava "muita sinceridade naquilo que escrevia". Fiquei toda contente, como sempre fico quando alguém diz que minha escrita ecoa em sua vida. Agradeci. Leniro contou então que leu um jornal pela primeira vez aos 40 anos. Que hoje, aos 50 e poucos, só lamenta não ter podido se deliciar com as entrevistas do Pasquim quando tinha 20 e tantos. Agora, ainda que os jornais e revistas não facilitem muito, ele lê de tudo - e também essa coluna. Leniro é cego. Ele lê graças a um programa de computador, com sintetizador de voz, criado no Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro por um Professor, assim com maiúscula, chamado Antonio Borges. Ao encontrar um aluno cego, Marcelo Pimentel, na sua sala da disciplina de computação gráfica, Antonio descobriu que precisava inventar algo que tornasse possível aos deficientes visuais ter acesso ao computador e à internet. Isso era início dos anos 90 e, naquele momento, as opções existentes eram bastante precárias. Antonio criou um programa chamado Dosvox, que permite aos cegos acessar a internet, ler e escrever, mandar e receber e-mails, participar de chats e trocar ideias como qualquer um que pode ver. Essa história está bem contada no seguinte endereço:
http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/historico.htm.
Vale muito a pena dar uma passada por lá.
Até então, cegos como Leniro viviam num universo restrito. Muito pouco era convertido ao braille. E, se um cego escrevesse em braille, seria lido apenas entre cegos.
Também havia as fitas cassetes, com a gravação de livros lidos em voz alta. Mas era sempre a leitura de um outro. E continuavam sendo poucos os livros disponíveis em fitas. Jornais e revistas, em geral só podiam ser alcançados se alguém se oferecesse para ler em voz alta. A internet era inacessível. E o mundo, muito pequeno.
E pouco permeável. Eu nunca tinha parado para enxergar o mundo de Leniro. Ali, a cega era eu.
Essa coluna é o começo de minha aventura pelo mundo dos que veem diferente. Começamos a conversar por e-mail. Fiz uma pergunta atrás da outra. Fazia tempo que não me sentia tão criança ao olhar para uma realidade nova. De novo, eu estava na fase dos porquês. Só faltou perguntar de onde vinham os bebês... Acho até que importunei o Leniro com minhas perguntas seriadas.
Como é o teclado? O que você sente? É uma voz que fala com você quando eu escrevo? Leniro teve muita paciência comigo: "Eliane, minha relação com a palavra escrita é a da busca da própria intimidade. Como é bom a gente se encontrar num Machado de Assis... Não deixe de vivenciar um pouco desse mundo, que é muito mais rico do que pode parecer inicialmente. Ele é bem mais engraçado do que dramático, entende? Bem mais positivo do que a gente em princípio pensa que é. O importante não é nem a reportagem, mas o que se pode apreender do ponto de vista humano".
Muitos anos atrás, eu ainda trabalhava no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, quando me despacharam para cobrir um eclipse do sol. Eu era uma das muitas repórteres que se espalharam pela cidade para trazer histórias do eclipse. Quando você trabalha em um jornal diário, às vezes precisa se desdobrar muito para trazer uma boa história. O que vou contar?, pensava eu, empunhando uma radiografia para proteger os olhos enquanto caminhava pelas ruas do centro da capital gaúcha.
Oquei, a lua vai engolir o sol por um minuto, as pessoas vão fazer ahhhhhhhhh, e, como elas, eu vou achar lindo. Mas qual é a história? Então eu vi uma cega. Toquei na mão dela e pedi: "Deixa eu ficar com você na hora do eclipse?". Ela deixou. Foi tudo muito rápido. Ela nunca tinha visto o sol, nunca tinha visto a lua, nunca tinha visto as estrelas ou o céu azul. Ela nunca tinha visto a si mesma.
De mãos dadas com ela, descobri que ela enxergava tudo isso, só que de outro modo. Quando a lua cobriu totalmente o sol, ela disse: "Estou sentindo um frio diferente".
Era isso. Ela via o eclipse. E via de um jeito que eu jamais poderia. O tempo passou e eu esqueci dessa história. Ao conhecer Leniro, essa memória voltou. Assim como a de outra reportagem em que passei 24 horas na Rua da Praia, a mais mítica de Porto Alegre. No fim da tarde, vi dois cegos conversando na esquina com suas bengalas. Parei ao lado, me identifiquei e fiquei por ali.
Depois de algum tempo, acho que me esqueceram. Continuei ouvindo o que falavam. A conversa não seria surpreendente se não fossem cegos. Mas eram cegos. (O que será que eu imaginava? Que estivessem discutindo a crítica da razão pura de Kant, apenas por que eram cegos e não tinham nada de melhor para conversar?)
Pois então. Eles só falavam de mulher! A certa altura, não me contive e perguntei: "Mas como vocês enxergam essa mulherada toda?". Eles me explicaram. E a explicação era muito boa, mas esqueci. Faz bem mais de uma década.
Agora, finalmente, graças à aparição de Leniro na minha vida, percebi que olhar para a deficiência apenas como a falta de algo, de um sentido, não é toda a verdade.
Não só não é toda a verdade, como é um modo pobre de enxergar. Dentro de mim, surgiu algo novo: o reconhecimento de um mundo diverso, com possibilidades diversas.
Como a de ver um eclipse como "um frio diferente". Não é curioso que tenha sido um cego a ampliar o meu olhar? Foi isso que Leniro tentou me dizer ao afirmar que é um mundo rico. Ele passou o final de semana no encontro anual do Dosvox, em Fortaleza. Nele, os usuários discutem o programa e ele sai de lá aprimorado.
Para um cego, desbravar a internet se assemelha a uma daquelas viagens dos grandes navegadores do passado. Os sites pouco se preocupam em ser acessíveis para quem não pode ver e há monstros marinhos escondidos logo ali. Para os cegos, uma mudança de layout é uma tempestade daquelas capazes de virar o barco.
Pesquisando na internet sobre o tema, encontrei a página pessoal da educadora cega Elisabet Dias de Sá. Em um dos textos, assim ela explica a epopéia: "Guardadas as devidas proporções, navegar na web é como aventurar-se pelas ruas e avenidas da cidade guiada por uma bengala, exposta ao perigo e a toda sorte de riscos decorrentes dos obstáculos, suspensos ou ao rés do chão, espalhados pelas vias públicas". Quem quiser ler mais, o endereço é:
http://www.bancodeescola.com.
Em minha própria incursão por esse novo mundo, conheci nos últimos dias uma cega que compra livros, escaneia, corrige e envia para o grupo de amigo, para que todos possam alcançar a literatura pelo computador. Nem consegui esperar os e-mails. Tive de ligar para ela. "Quantos anos você tem?", perguntou-me ela.
"Quarenta e três", disse eu. "Pela voz, achei que você era mais nova", disse ela. "É essa maldita voz de criança que eu tenho", disse eu. "Não, é suave. Agora, quando eu ler seus textos, vou lembrar da sua voz", disse ela, generosa.
Conhecemo-nos pelas nossas vozes, numa ponte telefônica São Paulo-Rio de Janeiro. Ela explicou que, com esse programa, o Dosvox, cada um pode ler no seu ritmo. Mais lento, mais devagar. Pode parar, voltar, avançar. As letras são transformadas em voz. Há até um pequeno número de vozes, masculinas e femininas, para escolher. O computador é normal, os cegos conseguem usar o teclado porque fazem curso de datilografia. E o programa permite que leiam aquilo que escrevem. Podem até ler letra a letra, se quiserem. Tipo: escrevem "a" e o computador diz "a". Como ela coloca em volume baixo, essa voz repetindo as letras não incomoda. Assim, ela pode corrigir eventuais erros. Os cegos leem e escrevem pela voz, acessada pelo teclado.
Ela compra livros, passa um scanner que transforma cada página de papel em página digital e aí, com o programa, corrige eventuais erros e envia para o grupo de amigos.
Cada livro exige pelo menos uma semana para se tornar "um trabalho bem feito", explica. Só tem disponíveis as horas depois do expediente no Tribunal de Justiça do Rio, onde é funcionária concursada. Ela queria muito que os editores concordassem em vender os livros digitalizados, já que todas as editoras têm as obras guardadas em um arquivo do computador. Antes de virar papel, os livros são digitais.
Assim, ninguém precisaria depender da sorte de ter uma amiga bacana como ela para ler não só os últimos lançamentos, mas também toda a bibliografia que por séculos ficou exilada do mundo dos cegos.
Cega de nascença, ela nunca viu. "Não enxergo escuro ou claro. É um vazio", explica. Essa é a experiência dela. Não existem dois cegos com a mesma vivência do mundo.
Cada um encontra o seu modo de lidar com uma vida sem imagens. E como são seus sonhos?, insisti. "São sons, são sentimentos", ela diz. Senti-me cega no mundo dela.
Como é um sonho sem imagens? Ou, pelo menos, sem as imagens como eu as compreendo?
Conversamos sobre O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupery. Foi ele quem disse: "Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos". Ela adora O Pequeno Príncipe, eu também. E nenhuma de nós foi miss. Percebi, porém, que o meu Pequeno Príncipe é como o da maioria. Quando alguém pronuncia "Pequeno Príncipe", aciona uma tecla do meu cérebro que me devolve aquela imagem clássica do menino loirinho, diáfano, com seu manto verde. Mas esta é a imagem do ilustrador, não é a minha, nem a sua. Mesmo que eu quisesse, não conseguiria me livrar dessa ideia. O Pequeno Príncipe de minha nova amiga é só dela.
Como você imagina o Pequeno Príncipe?, perguntei. "Me vem aquela passagem de que somos responsáveis por quem cativamos". Para ela vem um sentimento, algo que ecoa nela. O pôr-do-sol vermelho descrito nos romances é também algo só dela, assim como o eclipse foi "um frio diferente" para a cega com quem fiquei de mãos dadas por um minuto compartilhado das nossas vidas, em que conectamos a diferença de nossos mundos.
Acho que há vários modos de ser cego. Aqueles com quem converso nessa coluna têm uma deficiência visual - orgânica, concreta. Mas criaram outras maneiras de se conectar ao mundo, outras formas de enxergar. O mais triste é quando nosso sistema visual funciona perfeitamente, mas só enxergamos o óbvio, o que nos foi dado para ver, o que estamos condicionados a ver. Quando acordamos, a cada manhã, e as cenas da nossa vida se repetem como se assistíssemos sempre ao mesmo filme.
Às vezes, choramos diante da tela não por emoção, mas pela falta dela. O filme é chato, mas sabemos o que vai acontecer em cada cena. É chato, mas é seguro. Em nome da segurança, abrimos mão de experimentar novos enredos. Tememos nos arriscar à possibilidade do diferente. Temos tanto medo que fechamos os olhos ao espanto do mundo.
Acho que ser cego é não ver o mundo do outro. Estar fechado ao que é diferente de nós. Isso vale para qualquer outro, para qualquer mundo. Nem sei dizer o quanto meu universo se ampliou ao ser vista por Leniro. A vida é sempre surpreendente quando não temos medo dela: foi preciso que os cegos me vissem para que eu os enxergasse.
E, depois deles, tornei-me menos cega. Para quem quiser iniciar seu próprio ensaio sobre a cegueira, sugiro começar por um texto de Leniro. Sim, porque Leniro não apenas lê no computador - ele também escreve crônicas e poesias. E escreve com muito humor. Leniro não só lê e escreve, como consegue rir da sua impossibilidade mecânica de ver com os olhos. E ser capaz de rir de si mesmo é sempre uma grande virtude. Nesse texto ele conta de sua iniciação na internet - e de seu primeiro encontro literalmente às cegas. Imperdível. Fiquei me coçando de vontade de contar essa história aqui na coluna, mas eu jamais conseguiria escrever com tanta graça. Confira:
http://www.bancodeescola.com/leniro.htm.
(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27185)
(Abaixo, Blind, dos nova-iorquinos Hercules & Love Affair.)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

LA VENTANA


Voltei a ver filmes “sérios”, pelo menos por algum tempo. Pelo menos até começar a ver a terceira temporada de Dynasty...

Ontem, vi La Ventana (2008), produção argentina dirigida por Carlos Sorin. Sorin é o mesmo diretor de meus amados El Perro (2004) e Histórias Mínimas (2002). Adoro o modo como o argentino trabalhou com não-atores pra contar histórias tocantes e simples, longe do circuito Buenos Aires.

Quando fiquei sabendo sobre La Ventana fiquei seco pra assistir. A imprensa argentina, de modo geral, caiu de pau; pelo menos os críticos dos jornais maiores. Mas, eles vivem detonando o cine deles, então nem dei bola. Diziam que o filme é lento demais, que nada acontece e que é feito apenas prumas 200 pessoas freqüentadoras de festivais de cine.

Eles têm e não têm razão. O filme é lento e talvez agrade mais a público de festival, o que quer que seja isso; eu não sou público de festival, mas me agradou bastante.

Quanto a não acontecer nada, depende do que o analista chama de “acontecer”. Se forem reviravoltas nos moldes das narrativas dramáticas, não acontece mesmo. O filme se passa num dia da vida do octogenário Antonio.

Ele desperta pela manhã de um maravilhoso sonho com uma garota de quem não se lembrava há 80 anos. Depois disso, vemos diversas atividades do dia a dia: o ancião conversando com as mucamas, elas conversando entre si, o afinador de piano trabalhando. Antonio aguarda a chegada de seu filho, pianista mundialmente famoso, daí a “desculpa” pra afinar o piano, metáfora do arrumar a casa na mente de Antonio.

As cenas do dia de Antonio nos mostram a perda da liberdade de escolha imposta pela idade e por recente incidente cardíaco. São os outros quem decidem o que Antonio pode ou não fazer, onde pode ou não pode ir. A janela do título, refere-se à enorme janela de seu quarto, de onde vê a vastidão do pampa e por onde decide dar um passeio por conta própria, sem pedir permissão a ninguém.

Longos silêncios, moscas nas janelas, urina sobre esterco, a vastidão do pampa. A ação do melancólico e introspectivo La Ventana é sutil – inexiste pra certos olhares, como provaram os críticos argentinos -, mas está lá, acreditem. É aquela mesma ação que move o cotidiano, nesse caso, a relação de um velho com a impotência, as lembranças inesperadas, a memória, enfim.

Sorin continua muito bom diretor de atores não profissionais. As empregadas não são atrizes e os nomes das personagens são os mesmos dos de suas vidas reais. Fiquei curioso a respeito do octogenário Antonio e fui pesquisar na net. Não sou expert em cine argentino, mas já vi um bom punhado de filmes e não me lembrava dele. Descobri que também não é ator profissional, embora seja tradutor, roteirista e diretor de teatro famoso no Uruguai. Seu nome? Antonio Larreta. Antonio, o mesmo nome da personagem...

La Ventana é certamente menos “movimentado” do que os demais filmes de Sorin até porque é outro estilo de filme. Quem não curte narrativas lentas, apenas com ações rotineiras, silêncios e diálogos aparentemente simplórios, mantenha distância.

De minha parte, continuo mais devoto do que nunca de Carlos Sorin!

(Abaixo, trailer de la Ventana)


POEMA

Dia 06 de outubro, publiquei o texto Albinismo e Feitiçaria, da Lu Dias, de Belo Horizonte. Na ocasião, ela me comentou a respeito das péssimas condições em que vivem os curumins albinos da comunidade Maxakali.

Lu escreveu poema sobre a comunidade e gentilmente me enviou pra publicação. Obrigado, Lu.

OS ÍNDIOS MAXAKALI
Lu Dias BH (
www.almacarioca.net)

O corpinho move nu, em chagas
ulcerado pelo sol escaldante,
ali no vai e vem de cabanas,
espalhadas à deriva, na taba
dos miseráveis índios Maxakali.
----------------
Os moleques de tenra idade, já
com o sorriso apodrecido, e as
gengivas cuspindo sangue, não
têm a candura da infância, ou a
traquinice dos guris na puberdade.
------------
Os jovens homens da aldeia
movem como sonâmbulos,
carcomidos pela tuberculose e
sob a voracidade do vício/bacilo:
álcool e doença que os consomem.
-----------------
As jovens/velhas índias mirradas
com os bebezinhos às costas,
já perderam a beleza morena,
de nossas Iracemas cantadas,
tanto em versos quanto em prosa.
--------------------
Os anciãos nas rotas esteiras,
espalhadas por fétidas choças,
velados por cãezinhos sarnentos,
desamparados aguardam a hora,
em que irão adubar a terra morta.
-------------------
A contornar o horizonte da tribo
belas montanhas serpenteiam,
azuladas, faceiras e risonhas;
não sei se brincam entre si
ou apenas debocham da sina
-----------
dos ÍNDIOS MAXAKALI.


(Em homenagem aos muitos fãs da Legião Urbana, aqui vai Índios.)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DICAS PRA PROFESSORES

Quais atitudes os professores podem ter para ajudar alunos com deficiência ou limitação visual?Texto da Unesco traduzido por Maria Amélia Xavier dá sugestões que podem ser úteis a professores

Sempre é possível ajudar nossas crianças, menos favorecidas pela vida, que apresentam dificuldades de audição ou de visão, sentidos tão importantes para que possamos usufruir em plenitude dos bens que a vida nos deu. Portanto, damos abaixo sugestões da UNESCO, que poderão ser úteis aos professores:
- Descubram, através da criança, qual é o melhor lugar para que ela enxergue a lousa quando estiver sentada bem à frente da classe.
- A luz não deve refletir sobre a lousa e vocês devem se certificar de que o giz apareça com clareza na lousa.
- Se os olhos da criança forem sensíveis à luz, coloquem-na longe da janela. Façam com que use um boné com aba para deixar os olhos na sombra ou dê um pedaço de papelão para usar como sombra (ou tela) quando estiver lendo ou escrevendo.
- Assegurem-se de que a criança sabe como se movimentar pela escola e sala de aula. Os professores e alunos videntes devem conduzi-la, caminhando na frente com o aluno com deficiência visual levementre atrás e para um lado, segurando o cotovelo do guia. Avise-o sobre obstáculos, tais como degraus e portas estreitas.
Estratégias de ensino - Utilizem escrita grande sobre a lousa ou auxílios visuais. O uso de giz colorido é recomendado. Deixem que as crianças se aproximem da lousa ou dos auxiliares de ensino a fim de que possam enxergar mais facilmente.
- Leiam em voz alta o que está escrito no quadro negro.
- Preparem recursos complementares de ensino que as crianças possam ler mais facilmente, como acontece com materiais com letras de tamanho maior. Outras crianças na classe poderiam ajudar a preparar estes recursos. É possível fazer cópias xerox, aumentando o tamanho ou usando fontes maiores em impressões de computador. Isto também pode ajudar as crianças que têm dificuldades de ler.
- As crianças podem ter dificuldade de enxergar linhas no papel para escrever. Pode-se dar a elas papéis com linhas mais grossas riscadas sobre eles.
- Algumas crianças se beneficiarão utilizando lentes de aumento. Existem dois tipos disponíveis. Um que aumenta a página inteira ou aumentadores de linhas que são uma ajuda útil para leitura.
- Encorajem as crianças a usar um ponteiro ou o dedo quando estiverem lendo. Cubram o resto da página com papel exceto o parágrafo que a criança estiver lendo. Use um suporte para livros para evitar reflexos.
- As crianças que têm baixa visão precisam aprender através do toque bem como através de escutar. Elas devem ter oportunidade de manipular objetos.
- Coloquem o aluno(a) com dificuldade de ver junto com um colega de classe vidente que possa ajudá-lo(a) a organizar seu trabalho. O parceiro pode ajudar a encontrar a página certa; repetindo suas instruções e assim por diante.
- Usem elogio verbal ou toque para dar encorajamento à criança.
- Usem os nomes dos alunos durante discussões de classe a fim de que a criança saiba quem está falando.
- Os computadores oferecem apoio específico a alunos com limitações visuais, e cegueira. Os alunos podem imprimir uma cópia grande de impressão, ler o texto na tela, usando software de ampliação de tela, escutar o texto num sintetizador de voz ou convetê-lo ao Braille.
- Torne um ábaco (instrumento de calcular) disponível para a criança em aulas de matemática.
As lições podem ser gravadas usando um gravador para tocar de novo em casa ou como revisão. Os alunos que experimentam dificuldades em escrever também podem fornecer informações gravadas em audio. Versões gravadas de livros algumas vezes estão disponíveis em bibliotecas.
Vocês tentaram algumas destas adaptações ou estratégias em seu ensino?
Quais as que foram bem sucedidas?

(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27166)

(Abaixo, vídeo do camaleão David Bowie e sua Sound and Vision. Nossa, como o teclado "gelado" desse álbum influenciou a cold wave inglesa...)

HAMLET FINLANDÊS

Roberto Rillo Bíscaro

Tenho andado tão ocupado ou vendo coisas que não merecem comentário que acho mesmo ser esta a primeira e única postagem sobre cine deste mês, não? Desde ontem pela manhã, meu ouvido esquerdo está entupido, portanto, ontem à noite, resolvi ver um filme finlandês que tinha separado já há vários meses. Legendado em espanhol, não precisava me esforçar pra entender o que diziam porque não manjo nada de finlandês. Como as legendas são em espanhol, daria pra treinar leitura pelo menos.
Hamlet Liikemaailmassa (1987), do diretor Aki Kaurismäki, transporta o trágico Hamlet shakespeariano pro universo da comédia de humor-negro ambientada na contemporaneidade corporativa da Finlândia. Boa parte da trama da peça original é aproveitada, embora algumas coisas passem a ter efeito diverso quando situadas nesse novo contexto narrativo. Pra quem não lembra, Hamlet, príncipe da Dinamarca, tem que vingar o assassinato do pai e boa parte da peça consiste dos famosos solilóquios como o “ser ou não ser” e de Hamlet procurando a verdade dos fatos. O Hamlet elizabetano tem um problema duplo nas mãos: seu pai era o rei da Dinamarca e sua morte colocara o reino em perigoso estado de caos. Quer dizer, o jovem príncipe tem um problema pessoal, mas também um social nas mãos. Quando o rei da Noruega invade a Dinamarca ao final da peça, restabelece-se à ordem no reino. A passagem da fragmentação medieval pra coesão administrativa do Estado Moderno é o que mais me interessa em quase todas as tragédias do Bardo.
A versão cinematográfica em belíssimo branco e preto do diretor finlandês nos oferece um Hamlet egoísta, egocêntrico, desinteressado em especular sobre a vida, interessado basicamente nos prazeres da carne (em vários sentidos). Por isso, não há nenhum dos famosos solilóquios ou conflito interno. O Hamlet corporativo é um bastardo que literalmente auxilia na morte do pai. Desprezível, como de resto, quase todas as demais personagens.
A peça de Shakespeare levou Harold Bloom a exageradamente afirmar que o homem moderno, psicologizado e dividido, foi inventado em Hamlet. O tom pastichento do filme finlandês revela a rasura do homem pós-moderno, à mercê de gratificações instantâneas e inexoravelmente narcisista.
Não é mau filme, pelo contrário, mostra quão perturbadoramente rasa e sem sentido é a existência pós-moderna, corporativista e midiática. A corporação da família de Hamlet pretende inundar o planeta com seus patinhos de borracha porque “aqueles japoneses nanicos” lhes estavam passando a perna no negócio madeireiro, que de resto, era de plástico. Simulacro sobre simulacro.
(Falando em Finlândia, deu vontade de ouvir Tabula Rasa, grupo de rock progressivo de lá. A canção abaixo, está no álbum homônimo dos rapazes, lançado em 1975. )

NEM OS BOXERS ALBINOS SE SALVAM!

(Acima: foto dum boxer branco, deitado, olhando pra câmera.)


Os Boxers brancos não são permitidos desde 1925, mas até hoje nascem mas ninhadas e não recebem pedigree. Há quem diga que são albinos e livros estrangeiros da raça alegam que, mesmo não sendo albinos, podem produzir filhotes com tal anomalia em duas ou três geraçõ, sendo esse o motivo da proibição. Tudo indica que isso não é verdadeiro, seja pelo que se sabe pela teoria genética de cor dos cães, como por experiências práticas. Há, na realidade, uma certa confusão que leva muita gente a achar que todo animal branco é albino, já que tudo albino é branco. O albinismo é a ausência total de pigmentos, traz também pele e mucosas cor-de-rosa, e olhos vermelhos, segundo os ratos de laboratório. Segundo Clarence Little, autor do livro The Inheritance of Coat Color on Dogs, não há nenhum indício que olhos azuis caracterizem o albinismo. O Boxer branco apesar da pele rosa, tem, na grande maioria das vezes, todas as mucosas pigmentadas e olhos escuros. Little vai mais longe, além de afirmar que o fenómeno do albinismo é raríssimo nos cães, no caso do Boxer ele específica o gene que causa o branco, chamando-o de "sw". Já o gene no albinismo é o "ca". Os dois são completamente independentes. Portanto, não se tem por que achar que cruzando várias gerações de brancos, ou seja exemplares que podem conter o fator "sw", se chegará num cão albino, que necessariamente porta o factor "ca". Beatriz Goldschmitd, geneticista animal da Universidade Federal Fluminense, reafirma que o albinismo é raro em cães e qualquer raça está igualmente sujeita a ele, mesmo que de forma eventual. "O Boxer branco não é mais predisposto ao problema que os outros cães", completa. Pela experiência prática, Hilda Drumond cinóloga que já leccionou genética de cor de animais, atesta que já fez mais de 10 cruzamentos entre brancos e misturou pelo menos 3 gerações consecutivas, sem que nunca aparecesse um albino. Mas, há um caso ou outro que pessoas contam que já viram Boxers de olhos vermelhos. E daí, das duas uma. Ou o exemplar era mesmo albino, pois como já dito qualquer raça de cão ou espécie de animal pode ter eventualmente sê-lo, o que nem de longe significa que seja uma característica do Boxer branco. Ou quem viu, se confundiu, pois a terceira pálpebra às vezes é rosada e pode dar falsa impressão de que a íris é de cor vermelha. Ainda assim, mesmo descartando a ideia do albinismo, alguns podem dizer que por ser "sw" um gene recessivo, poderia causar sensibilidade ao sol e doenças de pele. Mas, nem isso é observado em Boxers brancos. Hilda, que já teve diversos, nunca teve qualquer problema. Regina, que tem uma fêmea branca, comenta que ela adora ficar exposta ao sol e também nunca manifestou nada de errado na pele. Vale dizer que o branco existe na raça pois ela nasceu – no final do século passado – da mistura do pequeno Bullenbeisser, antigo cão de caça que imobilizava a presa, com um Buldogue totalmente branco, cujo nome era Tom. Daí por diante a raça passou a ser oficialmente chamada de "Boxer" e inúmeros cães brancos nasceram e foram registados, inclusive a primeira grande reprodutora, chamada Meta, que tinha apenas uma mancha tigrada na cabeça e uma pinta ao lado esquerdo do corpo. O resto era branco como neve. Seria então este "outro" motivo para proibi-lo, ou seja uma tentativa de tirar a influência do Buldogue? Não, isso não é, em momento algum, alegado na bibliografia da raça.
REVISTA CÃES & CIA


(Encontrado em http://oboxerbranco.blogspot.com/2009/10/discriminacao-do-boxer-branco.html)

(Vamos relembrar a canção Pequenino Cão, sucesso nos anos 80?)


terça-feira, 27 de outubro de 2009

EXCLUÍDOS

El 95% de los niños con discapacidad no va a la escuela

El 95% de los niños del mundo que padece algún tipo de discapacidad no va a la escuela. Así lo indicó un documento realizado por Inclusion International, entidad que nuclea más de doscientas organizaciones de 115 países diferentes, situados en los cinco continentes.

Este documento, realizado por Inclusion International, revela datos tales como que de los 77 millones de niños en el mundo que no están en la escuela, un tercio de ellos tiene algún tipo de discapacidad.

En este sentido, el director de Educación Inclusiva de Canadá, Gordon L.Poter, señaló que en la actualidad "se habla más" de las necesidades educativas de los discapacitados pero los miembros de este colectivo "continúan estando segregados y recibiendo mucho menos de lo esperado".

En este sentido, manifestó que en los países desarrollados también sigue habiendo deficiencias. "No es una cuestión de dinero, es una cuestión de derechos, de liderazgo y de políticos". Añadió que es preciso que "sean tratados como iguales, que salgan de colegios especiales".

Inclusion International reúne en su seno la presencia de más de doscientas organizaciones de 115 países diferentes, situados en los cinco continentes, y es una federación mundial basada en la búsqueda del cumplimiento de los derechos de las personas con discapacidad intelectual.

(Encontrado em http://www.elcisne.org/ampliada.php?id=1228)