sexta-feira, 8 de março de 2013

PAPIRO VIRTUAL 48

Roberto Rillo Bíscaro

Encerrei o ciclo das tragédias sofoclianas ainda desconhecidas lendo Édipo em Colono, última peça do autor, encenada postumamente.
Quintessência do herói sofocliano, o desditoso Édipo reencontra a glória, após anos de opróbrio, vagando cego pelo mundo, guiado por sua filha Antígona.
Depois da descoberta de que assassinara papai e transara com mamãe durante anos, Édipo é banido de Tebas, evitado e hostilizado por seus filhos (que depois se envolveriam numa guerra civil fratricida pela disputa do trono).
Como os deuses comandam a vida dos humanos, da mesma forma que determinaram a queda do filho de Jocasta, resolveram que depois de purgar seus erros, Édipo resplandeceria em glória post-mortem e, de lambuja, protegeria o solo donde ascendesse à redenção.
O sítio escolhido é os arredores de Atenas. Teseu não hesita em oferecer proteção ao ex-monarca tebano. Tudo pelo orgulho e gloria de Atenas! Quando descobrem que a presença do pai deixara de ser veneno pra ser cura, os filhos renegadores tentam trazê-lo de volta. Puro interesse e hipocrisia. Um tenta pela força, outro tenta a lábia. Édipo amaldiçoa a ambos. E torna-se protetor dos atenienses.
Em termos históricos, as loas a Atenas vieram quando a cidade estava prestes a ser derrotada pela inimiga Esparta (apoiada por Tebas, que nunca gostou de Atenas). De nada adiantou a injeção simbólica de ânimo tentada por Sófocles.
Diversas tragédias tematizam o período tebano, que funciona como marco do “começo” da história grega, mas também alimentava a presunção ateniense, que efetivamente desfrutou da supremacia na península por algum tempo.
Em termos formais, a tragédia é redondinha. Quase tudo acontece fora do palco e em sucessão vertiginosa: em questão de minutos os 2 filhos visitam o pai e até uma escaramuça é narrada! Um encenador moderno imaginativo conseguirá espetáculo absorvente, com texto grandioso e personagem arrebatadora prum ator experiente.

quinta-feira, 7 de março de 2013

ÉPOCA DE ALBINISMO

Há algumas semanas, dei entrevista à repórter Margarida Teles, da revista Época, importante semanário da Editora Globo.
Ontem ela me ligou pra contar que a matéria sai na edição da próxima semana, que deve chegar às bancas neste sábado.
Obrigado à Margarida e ao pessoal da Época por ajudarem na divulgação da causa albina.  

CONDENAÇÃO

ONU condena assassinatos e multilações de pessoas com albinismo na Tanzânia


Uma mulher albina na Tanzânia que foi brutalmente atacada Foto: UNTV
A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou na terça-feira (5) os crescentes ataques contra pessoas com albinismo na Tanzânia. Ela pediu que as autoridades tomem medidas mais fortes para deter os crimes e educar as pessoas contra os estereótipos, incluindo a crença de que partes do corpo de albinos têm qualidades mágicas.
“Condeno veementemente esses assassinatos e ataques crueis, que foram cometidos em circunstâncias particularmente horríveis e que envolveram o desmembramento de pessoas, incluindo crianças, enquanto ainda estavam vivos”, afirmou Pillay.
O assassinato e mutilação de pessoas com albinismo é muitas vezes ligado à feitiçaria. Alguns praticantes acreditam que o feitiço é mais poderoso quando a vítima grita durante a amputação, o que explica os corpos muitas vezes serem cortados enquanto as vítimas estão vivas.
Desde o fim de janeiro, quatro ataques foram registrados, sendo três deles contra crianças, incluindo um bebê de sete meses.
As autoridades estão investigando três dos casos, mas processos bem sucedidos são raros no país. Dos 72 assassinatos de pessoas com albinismo documentados na Tanzânia desde 2000, apenas cinco casos foram processados.
“Esses crimes são abomináveis. As pessoas com albinismo têm o direito de começar a viver, como qualquer outra pessoa, sem medo de serem mortas ou desmembradas”, observou a Alta Comissária, que também pediu ao Governo que garanta o direito das vítimas à reparação, proporcionando tratamento médico e psicossocial, bem como apoio jurídico.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), pessoas com albinismo sofrem com discriminação em geral e exclusão social por causa da cor de sua pele não apenas na Tanzânia. Algumas famílias das crianças com albinismo muitas vezes negligenciam a sua educação e aqueles que frequentam a escola sofrem grave assédio moral.

terça-feira, 5 de março de 2013

COOPERAÇÃO

Argentina y Brasil trabajan en la promoción de tecnologías para la inclusión de las personas con discapacidad
El 22 de febrero, en el Polo Científico-Tecnológico Giol, la directora del Observatorio de la Discapacidad, Silvia Bersanelli, junto al Subsecretario de Politicas en Ciencia, Tecnología e Invocación Productiva, Fernando Peirano y Ariel Gordon, de la misma Subsecretaria, se reunieron con el Director del Centro de Tecnología de la Información Renato Archer (Brasil), Víctor Mammana. Del encuentro participó, además, la Secretaria de Planeamiento y Políticas, Ruth Ladenheim.
Silvia Bersanelli explicó el panorama de trabajo en Argentina en materia de políticas públicas y discapacidad señalando que “sería relevante realizar junto a Brasil un trabajo de cooperación que se oriente al desarrollo de tecnología asistiva en áreas como comunicación, inclusión educativa, accesibilidad, empleo, salud y participación política, entre otras”.
Por su parte, Ruth Ladenheim, manifestó que “se trata de un tema prioritario” y Fernando Peirano destacó la importancia de que CONADIS participe en la agenda de cooperación y en la generación de “un mapeo de ofertas y demandas en el campo de la tecnología para la inclusión de las personas con discapacidad en ambos países”.
De este modo, Argentina y Brasil, continúan con el desarrollo de un plan de trabajo conjunto en materia de investigación en tecnología y discapacidad.
http://www.elcisne.org/noticia/argentina-brasil-trabajan-promocion-tecnologias-inclusion-personas-discapacidad-/2749.html



TELINHA QUENTE 72

Roberto Rillo Bíscaro

Quando amo algo, busco saber o máximo a respeito, a ponto de relegar muitas coisas a quarto plano. Vida curta e atarefada, não dá pra acompanhar filmes do Oscar, por exemplo, se me interessam mais as soaps oitentistas. Na noite do Oscar, assisti ao capítulo Primetime Soaps, da série Pioneers of Television, do canal PBS. O programa pode ser visto aqui, em inglês sem legendas.
Não se trata da história das soap operas, dramas geralmente semanais, aparentados das nossas telenovelas quase diárias. A ênfase recai em entrevistas com atores de 3 soaps oitentistas fundamentais – DALLAS, Dynasty e Knot’s Landing (Falcon Crest caiu no esquecimento)-, década em que o gênero tornou-se produto de exportação cultural número 1 da TV norte-americana, especialmente na primeira metade. A rainha da Inglaterra pedia que Joan Collins ou Larry Hagman revelassem o que estava por vir em suas respectivas novelas.
O termo soap opera nasceu pejorativamente em alusão à alta incidência de marcas de sabão patrocinando o produto, que migrou do rádio pras tardes televisivas, antes de ganhar seu primeiro espaço no horário-nobre, em 1964, com Peyton Place (morro de vontade de ver!), que revelou Mia Farrow e Ryan O’Neal.
Larry Hagman, Patrick Duffy, Linda Gray, Charlene Tilton (DALLAS); Joan Collins (Dynasty), Donna Mills (Knot’s Landing, filhote classe-média da ricaça DALLAS, que também morro por ver) e outros tentam explicar o sucesso, a longevidade e a influência que seus shows exerceram. Por mais que tentem negar, fãs de séries modernetes têm que engolir que clifffhangers são herança das soaps. Seja em Dexter, seja em Ugly Betty; Hagman, Collins & Cia. deixaram marcas indeléveis na história da TV.
Já que iniciara jornada na série da PBS, por que não ver mais episódios que me interessavam? Em memória de Batman e da Mulher Maravilha, 2 favoritos de quando petiz, vi Superheroes, que você também poderá, se clicar aqui e entender inglês.
Aprendi bastante e adorei ver Adam West (Batman), Burt Ward (Robin), Lynda Carter (Mulher Maravilha) contando trivias. Descobrimos porque Batman falava tão pausadamente, porque o tom feminista dos primeiros episódios da Mulher Maravilha foi amenizado e que Joan Collins foi vilã em Batman. O psicodélico Batman da TV sessentista me é tão caro que jamais consegui aceitar outro. A empoderadora Mulher Maravilha setentista fez tanto sucesso que ganhou versão paródica nacional: alguém se lembra de Beth Faria e sua Maria Maravilha, em algum programa de humor global do fundo do baú?
Superheroes também traz uma série que sempre odiei: O Incrível Hulk. Sabia que o papel do brutamontes verde fora cogitado pra Arnold Schwarzeneger antes de ser de Lou Ferrigno? Xuarza só não levou porque não era bastante alto pro papel.
Marcados pelos papéis de heróis – para o bem e para o mal – os atores contam casos, revelam truques e gambiarras de produção. Tudo com muita cena de arquivo pra deleite de velhos fãs e instrutivo pras novas gerações. Marmanjos perguntarão: e a Mulher Gato, Julie Newmar, aparece? Claro, e poderosa!
Estou lutando contra a infantilidade de Perdidos no Espaço, série sessentista de estrondoso sucesso durante 3 temporadas. Estou na derradeira e logo escreverei s obre o show, por isso também vi o episódio Science Fiction, que pode ser baixado aqui. Uma das coisas que aprendi foi que o QI diminuiu e as cores aumentaram em Lost in Space pra fazer frente ao estouro de Batman.
Science Fiction não poderia deixar de abordar o fenômeno Jornada nas Estrelas (Star Trek), influente até hoje. A ambientação num futuro intergaláctico sci-fi foi o jeito que seu criador encontrou pra tentar tratar de temas mais maduros na TV. Funcionou por alguns episódios, mas quando a rede percebeu o estratagema e exigiu subida na audiência, o material teve que ser modificado.
Falando em função social da TV, se você gosta do tema não pode deixar escapar o capítulo sobre minisséries, especialmente o longo segmento dedicado à Raizes, mini sobre o processo de escravidão nos EUA, que redefiniu a percepção sobe o assunto de toda uma geração, além de garantir o nível de audiência mais elevado jamais alcançado por um programa de TV (é por Raizes que DALLAS não é número 1 nesse quesito). Por outro lado, pros crentes em demasia na TV preocupada com causas sociais, os atores atestam que o sucesso esmagador de Roots não lhes garantiu convites posteriores.
Minisséries foram muito populares nas telas da Globo e do SBT nos anos 80. Outro dia, um amigo comentava sobre uma, cujo nome não lembrava. Quando ele falou o enredo, disparei: “a moça chamava Tara Wells!” Fácil, invocamos São Google e em poucos segundos tínhamos a ficha completa da mini. Era muito comum serem adaptações daqueles best sellers que contavam histórias de conquista do poder ou voltas por cima. O canal do Sílvio Santos exibiu à exaustão a melodramática Pássaros Feridos, que nunca quis ver, mas sei da influência. Thorn Birds é uma das minisséries discutidas no programa, onde a atriz Rachel Ward conta que a surra de críticas destrutivas a sua atuação ainda dói. Espero que ela não leia português, porque, pelos clipes que vi, ela está realmente péssima!
Os depoimentos dos atores, criadores e diretores, intercalados com as imagens de arquivos e alguma narração, tornam Pioneers of Television absorvente e fascinante, especialmente quando aprendemos fofocas sobre rivalidades ou gente roubando cenas. Também deve despertar ira e sensação de incompleutde quando seu show favorito não é mencionado... (como DALLAS e Dynasty foram, pra mim tá ótimo!)
Encafifei com uma coisa, porém: entendo que programas até a década de 1960 enquadrem-se na categoria de pioneiros, mas, DALLAS e Dynasty? Estou tão velho a ponto de coisas de minha puberdade/adolescência ja se enquadrarem nessa categoria? Santa casa de repouso, Batman!

segunda-feira, 4 de março de 2013

EXPECTATIVA X QUALIDADE (DE VIDA)

A longevidade é necessariamente uma coisa boa?

Todos os anos, aumenta o número de pessoas idosas tanto nos países desenvolvidos como nas nações em desenvolvimento, graças às descobertas da medicina moderna para atrasar as fronteiras da morte, mas a longevidade é necessariamente uma coisa boa?

Na Califórnia, a forma física é levada a um extremo. Há lojas em Beverly Hills, local conhecido por sua obsessão com a imagem, apinhadas com comprimidos e fórmulas que visam prolongar a vida. Em Santa Monica, há tantos programas de treinamento ''boot camp'' e tantas sessões de ioga em parques públicos que autoridades locais já pensam em impor um limite.

''Na Califórnia, você pessoas se exercitando às 5h15 e isso ou faz bem a elas ou faz parte de uma psicose neurótica séria na qual elas estão infelizes porque estão ficando mais velhas'', afirma Ed Saxon, que produziu o filme Fast Food Nation, em 2006.

''Uma pessoa de 55 anos que imagina que deva se parecer com alguém de 25, se submetendo a cirurgias e se exercitando fanaticamente para que isso aconteça, tudo isso me parece uma má ideia. A obsessão em parecer mais jovem do que você realmente é."

Além da loucura em torno da forma física, existem os conselhos incessantes em torno do que se deve comer para permanecer jovem. Eu deveria tomar mirtilo, couve batida ou comer torrada sem glúten? E vinho tinto faz bem para mim ou não? E quanto ao chocolate?

Pode ser desconcertante, mas o objetivo é claro. A morte tem de ser adiada o máximo possível.

Incapacidade prolongada

''Nos Estados Unidos, se assume como fato que a longevidade é algo bom'', afirma Susan Jacoby, autora do livro Never Say Die (Nunca Diga Morrer, em tradução literal).

''Muito dessa crença irracional de que há coisas que você pode fazer para se assegurar contra a velhice e a doença tem a ver com o fato de que nós, nos Estados Unidos, realmente não gostamos de envelhecer'', comenta a escritora.

Jacoby, de 67 anos, faz duras críticas ao que chama de ''lixo de estilo de vida'' e ''lixo de suplementos alimentares''.

''Se você for olhar com mais atenção para essas pessoas que te dizem que você pode ser uma pessoa saudável aos 120, existe um homem ou uma mulher vendendo alguma coisa'', comenta.

A verdade, diz a autora, é que a maior parte das pessoas que vivem além dos 90 irão morrer após passar ''um período prolongado de incapacidade''.

''Nós estamos acreditando nesse mito de que como estamos atualmente mais saudáveis do que nunca aos 67 anos, estaremos assim também aos 87 ou aos 97. Mas a verdade é que graças a alguns avanços duvidosos da medicina moderna, que mantém pessoas vivas não importa o quê, é que será preciso refletir mais sobre como cuidar dessas pessoas.''

Em 1980, James Fries, professor de medicina da Universidade de Stanford, anteviu uma sociedade em que doenças crônicas seriam adiadas e reduzidas. Nessa sociedade, pessoas levariam vidas saudáveis e morreriam de forma relativamente rápida, reduzindo a quantidade de deficiência e incapacidade.

Fries chamou a isso de ''morbidez comprimida'' e seu trabalho foi creditado como o marco das origens do paradigma moderno para se envelhecer de forma saudável.

O problema é que é mais fácil aconselhar pacientes sobre como prolongar suas vidas saudáveis do que reduzir qualquer período de saúde em declínio.

Boa morte

Joseph e Anne Gias são um casal saudável na faixa dos 60 anos, mas eles se preocupam com os percalços da velhice. ''Não quero passar dos 80. Eu creio que entre os 80 e os 85 as pessoas se deterioram muito. Já vi muita deterioração nessa faixa etária e não quero que isso aconteça comigo'', afirma Anne.

A despeito dos temores de Anne, há exemplos de pessoas que levaram vidas longas e saudáveis. Quando Besse Cooper morreu em dezembro do ano passado, aos 116 anos, ela era a mulher mais velha do mundo.

De acordo com relatos, ela estava com uma saúde incrível e nunca se queixou de dores. Ela levava uma vida ativa e se recusava a comer ''porcarias''.

No seu último dia de vida, ela comeu um generoso café da manhã, fez o cabelo e viu um vídeo de Natal com amigos.

Besse morreu em paz à tarde, após ter sofrido problemas respiratórios. Ela é um raro, mas bom exemplo da morbidez comprimida, a que se referia James Fries - uma vida longa e saudável e uma boa morte.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/03/130301_longevidade_bg.shtml?print=1



SOL E GELO

Mesmo entendendo tão pouco de praia, não vejo motivo prum brasileiro ir a Viña del Mar, no Chile, por causa de seu litoral. O Pacífico é bastante frio, entre 12 e 14 graus uma guia relatou. Com a areia fervente, Carlito até tentou entrar no mar, mas voltou com o pé gelado, poucos minutos depois. Então, pra tomar sol é bom, mas não pra brincar n'água. E precisa sair do Brasil pra se bronzear?
A cidade tem bom comércio, metrô (luxo, né? e vai até Valparaíso, outra cidade) e até estátua trazida da Ilha de Páscoa (ótimo, economizei uma viagem!).  







domingo, 3 de março de 2013

GAMBINO

Vejam a vídeorreportagem sobre um gambá albino cuidado pela Universidade Federal de Pelotas (RS).
http://globotv.globo.com/rbs-rs/g1-rs/v/presa-facil-gamba-albino-vive-em-nucleo-de-reabilitacao-da-ufpel/2433242/

BELAS ARTES CHILENAS

Apesar de abafadas devido ao grande telhado de vidro e ausência de ar-condicionado, Carllito e eu passamos um par de agradáveis horas no Museu de Belas Artes, de Santiago. Fomos no domingo e não pagamos entrada. Não sei dizer se é sempre asssim. 











CROCHÊ DA SUPERAÇÃO

“Homem do crochê” uma história de superação

Se você tem como caminho diário a Avenida JK, já deve ter notado que ali, quase sempre na parte dos canteiros, tem um homem fazendo crochê. Um trabalho manual geralmente desempenhado por mulheres, se tornou o ofício e ganha-pão de Marcos Ziemann.
 Natural de Cruzeiro do Oeste, Marcos, hoje com 40 anos, já passou por muitas coisas em sua vida. Divorciado, tem um filho de 20 anos e há quatro meses reside em Foz. Antes, como contou ao Cidade Foz, morou em vários lugares.

 Entre idas e vindas, a Terra das Cataratas por quase dez anos, é o lugar para onde Marcos sempre volta.
 A história
 Um homem como Marcos desperta curiosidade, não? Convidamos você a conhecer um pouco da história dele, um misto de perseverança, sonhos e esperança.
 Desde muito cedo, ainda criança, começou a trabalhar para ajudar no sustento de casa. Aos sete anos deu início como vendedor de sorvete. Depois foi cobrador, guarda-costas, enfim, desempenhou outras profissões até que o alcoolismo deu outro rumo a sua vida.
 
O interesse pelo crochê surgiu quando era detento no interior de São Paulo. Marcos conta que o álcool e as drogas acabaram com tudo o que tinha. Quando se viu sem nada, começou a praticar assaltos para sustentar o vício. “Eu fazia muita coisa errada, bebia, dava vexame, humilhava a mim e as pessoas, e no outro dia eu acordava arrependido. Sempre pedia a Deus para que me ajudasse, até que fui preso. Ali, onde não existia drogas, álcool e prostituição, tudo começou a mudar. Mesmo tendo alguns anos para cumprir, eu só agradecia a Deus”, desabafa.
 
 Ele conta como estar dentro de uma penitenciária é difícil, principalmente pelo tempo, que parece não passar, “tudo é muito lento”. Ao ver outro detento fazendo crochê, decidiu que ocuparia o tempo com a mesma atividade. Foi a partir daí que a paixão surgiu, e segue há 16 anos.
 “É um trabalho que mexe com o ego. Ao terminar uma peça, as pessoas começam a elogiar e isso fica na minha mente como algo bom, criado por mim. Porque no mundo do crime, você faz coisas ruins e feias. Em contrapartida, comecei a aprender algo que resultou em elogios. O processo é lento e difícil. Ainda estou evoluindo, é uma luta diária, espero ser bem melhor do que sou. Acredito que estou no caminho”.
 

Reconstruindo a vida

Durante o tempo em que esteve preso, ele terminou o ensino médio e passou a gostar de ler. Através da leitura, apaixonou-se por Filosofia.
 Em março, vai realizar uma prova seletiva para o curso de pré-vestibular da Unila, e almeja fazer a prova do Enem para com bolsa integral fazer um curso de graduação.
 “Meu objetivo é ser, porque quando era ter, tive a “dor de cabeça, né?! brinca. Então, ser melhor todos os dias, e me capacitar intelectualmente para quem sabe um dia, dar aulas, compensar toda a inutilidade da minha vida até agora e lá na frente ser motivo de orgulho para meu filho”.
 http://www.cidadefoz.com.br/a-virada-homem-do-croche-uma-historia-de-superacao/

sábado, 2 de março de 2013

ARMAS CHILENAS

A região da Plaza de Armas vale um dia de passeio pela capital chilena. Sábado é legal, porque o Museu Histórico é grátis e o amplo quadrilatero vibra com feira de artesanato, música, turistas.
A catedral fica na Plaza também e pertinho existem alguns calçadões.
Limpo e seguro, como quase tudo que vi no Chile.



ALBINO GOURMET 86

Vamos fazer um passeio pela coinha africana?



sexta-feira, 1 de março de 2013

ENTREVISTA NA TANZÂNIA

A Luta para que os Tanzanianos Parem de Matar e Comer Albinos

A Tanzânia é conhecida por muitas coisas, especialmente pela comida incrível. Eles têm o kisamvu, uma mistura de vegetais que fica ótima com arroz; o bamia, um prato com carne e cozido de quiabo, e a mchicha, um tipo de curry de amendoim. Mesmo sendo muito gostosos, aos olhos dos tanzanianos nenhum desses pratos tradicionais chega aos pés de um outro: um prato feito de cabelo, sangue e ossos de pessoas albinas.
Curandeiros e feiticeiros sempre consideraram as partes do corpo de pessoas com albinismo como ingredientes essenciais para suas receitas mágicas. Esses praticantes de muti — ou “assassinato medicinal” — acreditam que essas receitas curam doenças e concedem fortunas de El Dorado para os pobres. Sabe-se que homens com AIDS raptam jovens meninas albinas, acreditando que estuprá-las pode curar sua doença. Pescadores frequentemente pagam caçadores por suas presas humanas, acreditando que um ou dois membros de um albino podem atrair mais peixes para suas redes.
Mais de 71 pessoas com albinismo foram assassinadas nos últimos seis anos. Este mês, um garoto de sete anos foi mutilado por um bando de homens que decidiram que tinham gostado do braço dele, enquanto voltava da escola.
Cansados dessa merda, os bons homens e mulheres da Tanzânia se mobilizaram e responderam, formando grupos ativistas de pessoas com e sem albinismo. Conversei com Gamariel Mboya, um cara muito simpático da Tanzânia que também tem albinismo, para saber um pouco mais.
VICE: Conte um pouco sobre você, Gamariel.
Gamariel Mboya: Meu nome é Gamariel Mboya. Sou uma pessoa com albinismo dos planaltos do sul da Tanzânia, uma região chamada Mbeya. Tenho 29 anos e sou casado. Tenho uma filha e trabalho para a organização
Under the Same Sun.
Como foi crescer na Tanzânia?
Não foi fácil. As pessoas com albinismo não recebem apoio o suficiente da sociedade, e como resultado disso aprendi a não confiar em ninguém. Não somos tratados como seres humanos.

Um relatório da Pew Forum revelou que mais de 60% dos tanzanianos dependem e acreditam nos curandeiros tradicionais, que afirmam que as pessoas com albinismo têm poderes sobrenaturais. As pessoas acreditam que nossos ossos, sangue ou cabelos trazem boa sorte e que mulheres com albinismo podem curar a AIDS.
Como as pessoas com albinismo se sentem em relação ao termo “albino”?
A palavra tem sido usada com implicações e inferências negativas de várias maneiras. Quando eu era criança, mesmo quando as pessoas sabiam o meu nome, elas ainda escolhiam se referir a mim como “o albino”. O termo é desumanizador. Mas muitas pessoas com albinismo referem-se a si mesmas como albinos. Hoje tentamos encorajar as pessoas a separar nossa condição genética de quem somos como pessoas.

Como as pessoas costumam atacar os alvos que têm albinismo?
Eles normalmente atraem as crianças com presentes e doces, fingindo que são amigos delas. Eles caçam as crianças das maneiras mais enganosas possíveis. Às vezes eles se escondem nos arbustos, esperando para atacar.

No caso das mulheres, os homens tentam seduzi-las. Eles as chamam para sair e começam relacionamentos para ganhar sua confiança. Já vimos casos onde homens casaram com mulheres com albinismo só para atacá-las. Recentemente, em uma das serras do sul, uma mulher foi atacada por seu marido e um grupo de outros homens. Quando tudo mais falha, os atacantes usam até armas de fogo.
O que eles fazem com as partes dos corpos?
As partes dos corpos frequentemente são encontradas na casa de feiticeiros. Às vezes elas são enterradas como parte do ritual de sacrifício, mas na maioria das vezes são usadas em amuletos — os ossos são triturados e colocados dentro dos amuletos.

Por que a polícia e o governo não fazem nada para impedir isso?
Em primeiro lugar, a natureza do sistema legal do país impede que a justiça seja alcançada rapidamente. De mais de cem ataques e assassinatos informados, só cinco dos acusados foram condenados — dois dos casos resultaram em absolvições. Em segundo lugar, não há uma verdadeira vontade política de acabar com essas atrocidades, e apoiar pessoas com deficiência não está no topo da agenda do governo.

Mas em alguns casos a polícia tenta ajudar. Eles podem ser muito eficientes, investigando os ataques e prendendo os suspeitos. No entanto, os relatórios também mostram que alguns policiais defendem os criminosos e destroem evidências.
Muitos acreditam que atacar pessoas com albinismo — que supostamente têm poderes sobrenaturais — é uma maneira fácil de ficar rico e acumular poder político. Então muitos dos tanzanianos envolvidos nesses assassinatos de muti são políticos e pessoas muito ricas.
Vemos muitos casos de ataques e sequestros nas notícias. Há algum caso especialmente horrível que se destacou para você?
São muitos para falar, mas a história de Adam Robert é uma de que sempre me lembro. Ele teve seus dedos cortados e sofreu ferimentos terríveis no braço quando foi atacado na porta de casa, enquanto seu pai e sua madrasta estavam lá dentro.

Adam era um dos dois filhos com albinismo na família. Seu pai decidiu se divorciar da mãe dele porque a culpava pelo albinismo. A mãe de Adam teve que deixar a família e seu pai ganhou a custódia das crianças. Depois o pai decidiu tirar as crianças da escola, afirmando que estava preocupado com as distâncias que eles tinham que percorrer e com a segurança deles. Ele colocou as crianças para trabalhar em casa, cuidando das pastagens da família.
Um dia, Adam estava trabalhando quando descobriu um homem estranho andando pela propriedade. O homem parecia instável e fez perguntas estranhas. O Adam contou ao pai sobre esse homem que estava sempre bisbilhotando, mas o pai não prestou muita atenção. Um dia, o homem atacou o menino. O pai de Adam foi preso por negligência, mas já foi solto. Agora o Adam está ainda mais preocupado com sua segurança.
Você já passou por um ataque similar ou por discriminação?
Sempre sou discriminado. Tive que lidar com muitas ofensas e bullying na escola. Minha vida toda fui excluído da sociedade por causa de quem sou. Muitas pessoas com albinismo não conseguem arrumar emprego, eles são sempre rejeitados por causa de sua condição.

Como você lida com isso?
O silêncio é uma das minhas grandes armas, mas também tento ser esperto e me aproximar de pessoas que me discriminam para educá-las sobre essa condição genética. Também recebo muito apoio da minha família, especialmente da minha esposa. Organizações como a “Under the Same Sun” também são ótimas.

A discriminação contra pessoas com albinismo acontece muito mais na Tanzânia do que em outros países?
Pessoas com albinismo encaram grandes desafios por toda a África. Talvez você não ouça falar sobre o que está acontecendo em outros países porque a imprensa nacional deles não tem tanta liberdade quanto a nossa.

Como a comunidade albina responde?
Temos alguns centros onde crianças com albinismo são mantidas de tempos em tempos, mas no momento não temos apoio suficiente disponível. No geral não existem planos ou estratégias para proteger as pessoas com albinismo.

O que você acha que pode ser feito para melhorar as condições de vida das pessoas com albinismo?
As pessoas têm que reconhecer os problemas que temos, criar programas e liberar fundos voltados para os desafios que encaramos. Também temos que encorajar as pessoas a pensar positivamente no albinismo, deixando de lado todos os mitos e mentiras que causam tantos problemas. Se fizermos isso, finalmente poderemos ter uma mudança.

Boa sorte, Gamariel.
http://www.vice.com/pt_br/read/a-luta-para-que-os-tanzanianos-parem-de-matar-e-comer-albinos

PAPIRO VIRTUAL 47


Roberto Rillo bíscaro

Prefiro que contato com alienígenas não aconteça enquanto me encontrar neste planeta. E se os ETs representarem pros terráqueos o que os europeus significaram pros ameríndios?
Parece que o inglês H. G. Wells compartilhava meus temores. Li A Guerra dos Mundos (1898), cujo famoso e copiado enredo é sobre uma invasão marciana na Terra. Durante 2 semanas, a Inglaterra – simbolizando o mundo – é aterrorizada pelos invasores, que fugiam da extinção devido ao esfriamento do planeta vermelho.
Século depois, ainda notamos o legado de Wells no mundo da ficção científica. Lembram-se da cena em Independence Day (1996), na qual um grupo que dava boas vindas aos alienígenas é frito? The War of the Worlds tem uma igualzinha quase.
Na virada do século XIX pro XX, a mecanização estava bastante incompleta, mesmo na adiantada Inglaterra. Sujeito viajava de trem de Londres a Manchester, mas ia de charrete da estação pra casa. A restrita condição de possibilidade de Wells pra pensar mais ciberneticamente torna a leitura muito curiosa em nossa era internética. São raios de calor e fumaças negras venenosas dos marcianos, combatidas com armas humanas carregadas em lombo equino. Isso sem contar a inexistência de foguetes (nem avião havia ainda na época): os Vermelhos vêm à Terra em capsulas disparadas por um tipo de canhão, desde Marte! E o alumínio é o máximo em termos de metal.
Os textos políticos de H. G. Wells mostram um crente na supremacia branca, que chegou a afirmar que negros e amarelos pereceriam na ordem natural evolutiva. Darwin e Spencer gritando!
Na Guerra dos Mundos nem os superiores brancos (ironia ligada) merecem crédito, porque os invasores não são derrotados por engenho humano. Wells e Augusto dos Anjos tinham muita fé no poder dos vermes e bactérias!
A falta de agência expressa no tema obviamente encontra expressão formal e o narrador é interessante exemplar de protagonista que protagoniza nada, apenas vê a ação passar ou dela foge ou se esconde. Tá mais pra testemunha do que protago.