domingo, 13 de fevereiro de 2011

EDUCANDO SOBRE ALBINISMO

Encontrei um interessante material didático sobre albinismo, elaborado por uma ONG religiosa africana. Através de perguntas e respostas, o texto esclarece dúvidas freqüentes em diversos países da África. Algumas questões podem parecer estranhas, mas devemos ter em mente que o preconceito e as crendices cercando o albinismo assumem tons muito mais cruéis em países daquele continente, levando ao repúdio, ostracismo e até mesmo ao assassinato de pessoas albinas.  


Perguntas e respostas sobre crianças com Albinismo (Albinos)
preparadas por Ministério Every Child
"Esperança para as crianças da África"
Traduzido para o Português por Vanessa Cardoso
Trazido por “Every Child Ministries”
Uma ONG cristã trazendo esperança as “crianças esquecidas da Africa”
Porque as crianças são os grandes recursos de qualquer nação -
Um tesouro precioso de Deus.
O que é Albinismo?
Albinismo é um conjunto de condições herdadas ou certos características recessivas. Estas condições incluem falta de pigmentação ou melanina na pele, cabelos e olhos, fazendo com que sua pele e olhos sejam extremamente sensíveis a luz e também tenham a visão prejudicada.
O Albinismo é uma doença?
Não, o Albinismo não é uma doença e não é causado ou carregado por bactérias ou vírus. A criança não é doente. E não “pega” Albinismo como pode pegar, por exemplo, uma doença infecciosa e também não pode transmitir Albinismo para ninguém através de contato. Como Albinismo não é uma doença, é perfeitamente seguro tocar albinos como você tocaria a qualquer outra pessoa.
É seguro comprar comida de um Albino ou comer comida preparada por um Albino?
Sim, absolutamente. O Albino não é doente. Nenhuma bactéria ou vírus ou parasita de qualquer tipo são desenvolvidas com o Albinismo. O Albinismo é simplesmente um conjunto de condições herdadas.
O Albinismo é uma praga ou maldição?
Não, o Albinismo não é uma praga ou maldição e nem o resultado disto. Albinismo é simplesmente o conjunto de condições herdadas. A Bíblia declara que toda criança é uma benção de Deus a uma recompensa para as famílias. A criança Albina pode desenvolver-se normalmente e pode trazer grandes bençãos tanto para sua família como para a grande comunidade e para o mundo.
Se uma mulher grávida olhar para um Albino isto pode trazer uma praga ou maldição?
Não. Olhar para outra pessoa não pode afetar o crescimento de seu filho dentro do ventre.
É uma vergonha ter uma criança Albina?
Não. Uma criança albina somente parece diferente dos outros, mas o nascimento de uma criança Albina não implica em nada vergonhoso para seus pais. Uma criança é sempre uma benção.
Os Albinos tem algum poder de cura especial ou poderes mágicos?

Não, os Albinos são simplesmente pessoas como quaisquer outras. A prática de sexo com um Albino não traz cura alguma e nem as partes do corpo de Albinos tem poderes especiais. Os praticantes de magia costumam ganhar dinheiro enganando as pessoas e dizendo mentiras. Em 2007, médicos-bruxos na
Tanzânia descobriram que poderiam ganhar dinheiro através desta mentira. Isto levou ao assassinato de muitos Albinos mas ninguém foi curado.
No Zimbabwe algumas pessoas pensavam que a prática de sexo com um Albino poderia curar a AIDS. Não há nada de verdade nesta crença. Devido a isto, mulheres Albinas sofreram abusos sexuais e contraíram AIDS destes homens.
Os Albinos são deficientes mentais?
Não, os Albinos não são deficientes mentais de maneira alguma. Eles tem o nível normal de inteligência como qualquer outro e eles podem ser muito inteligentes. Se eles parecerem lentos, os pais devem primeiro verificar se existe problemas de visão. Eles podem não conseguir enxergar no quadro negro na sala de aula, ou não conseguir ler direito, e isto pode prejudicar seu aprendizado. Geralmente
crianças com Albinismo tem dificuldades para distinguir pequenos detalhes. Isto pode prejudicar suas habilidades em leitura e matemática, mas quando eles tem ajuda na visão, os Albinos podem perfeitamente fazer suas tarefas tão bem quanto os outros.
Se estas sugestões não ajudarem a melhorar a visão dos Albinos, o que ele pode fazer?
Ele pode procurar um médico especialista em visão. As vezes, diferentes tipos de óculos podem ajudar, mas não são somente simples óculos. Os óculos têm que ser feitos por especialistas e especialmente para a visão da pessoa Albina. Alguns Albinos podem usar lupas manuais para ajudá-los na leitura. Alguns Albinos são cegos ou quase cegos. E então eles devem aprender a ler Braile e viver como pessoas cegas. Para pessoas com Albinismo, aumentar o tamanho de letras ou coisas, não os ajuda a enxergar melhor. Melhorar o contraste no texto tem resultados melhores em muitas situações - por exemplo, utilizando a cor preta em papel branco, ou utilizando o quadro negro (realmente na cor preta) ao invés dos quadros verdes comuns.
Os óculos de sol também precisam ser especialmente feitos para os olhos dos Albinos?
Óculos de sol normais podem ajudar muitos Albinos a proteger seus olhos sensíveis dos danos causados pelos raios solares. É claro que eles não melhoram a visão, mas eles ajudam muito a proteger os olhos então os raios solares não causam danos adicionais. Os óculos de sol também causam uma sensação
de alívio, já que a claridade da luz do sol é extremamente dolorosa para os olhos dos Albinos.
Por quanto tempo o Albino pode viver?
Um Albino tem a expectativa de vida normal, desde que ele não desenvolva câncer devido a exposição ao sol sem proteger a pele. Há um tipo particular de Albinismo chamado síndrome de Hermansky-Pudlak, porém este tipo particular, é geralmente acompanhado de uma disfunção sanguínea que pode afetar os pulmões e entranhas e pode levar a redução da expectativa de vida. Contudo, muitos Albinos tem a expectativa de vida normal. O Albinismo por si só não provoca a morte.
Os Albinos podem casar e ter filhos?
Sim, os Albinos são sexualmente normais. Eles são capazes de se reproduzir e de tomar conta de um lar e de uma família. Eles somente precisam de proteção especial contra o sol.
O que o Albino pode se tornar em sua carreira? Que tipo de vida eles podem ter?
Albinos já alcançaram grande sucesso em várias áreas. Um dos imperadores do Japão era Albino. Muitos atores famosos, comediantes e músicos eram Albinos, modelos, homens de negócio, educadores e outros. O sucesso dos Albinos depende de sua vontade individual, do suporte de sua família e da comunidade. Devido a sua sensibilidade ao sol, trabalhos e atividades internas são preferidos.
Quem é mais afetado, meninos ou meninas?
Ambos são igualmente afetados.
O Albinismo está presente somente na África?
O Albinismo está presente em toda a população da Terra mas prevalece mais na África e é certamente mais notada entre a população de pele escura. Até mesmo animais podem ser Albinos.
Se os pais têm um filho Albino, todos os outros filhos serão Albinos?
Não necessariamente. Se ambos os pais carregam o gene recessivo para o Albinismo, há uma chance em quatro de seu filho ter Albinismo.

Deus realmente se importa com os Albinos?
Deus se importa com toda sua criação. A Bíblia diz que nem mesmo um pardal cai no chão sem o conhecimento do Pai. Jesus disse que mesmo as flores no campo estão sob os seus cuidados (Mateus 6:26 e 28). Deus ama cada pessoa sem se importar com suas condições ou deficiências. “Deus amou tanto o
mundo que Ele deu seu filho unigênito, para todos aqueles que nEle acreditarem não pereçam mas tenham a vida eterna” (João 3:16).

HÉLICES DA SUPERAÇÃO

Quem vê uma pessoa bem sucedida não imagina às vezes, o quanto ele ou ela teve que ralar. Muitos telespectadores do Brasil Urgente, apresentado pelo Datena, podem não saber que o famoso Comandante Hamilton teve que superar muitos obstáculos pra, literalmente, chegar ao alto.

O voo do Comandante Hamilton
Piloto que registrou perseguição que assombrou São Paulo passou fome na infância e até vendeu artesanato para tirar o brevê
Fabio Pagotto

"Sou um jornalista que voa." Assim se define Hamilton Alves da Rocha, o comandante Hamilton, piloto do helicóptero que capta imagens aéreas de tudo o que acontece na cidade. Ele foi o responsável pelas imagens da perseguição no trânsito que assombrou o país no último dia 8, veiculadas ao vivo no programa de TV do colunista do BOM DIA José Luiz Datena.
"Foi o momento mais difícil da minha carreira. Tinha medo de colocar no ar uma imagem muito chocante", disse. "Acho que a TV é uma janela eletrônica, pela qual você oferece informação ou entretenimento. Não posso jogar lixo para dentro dessa janela", falou. O comandante é um apaixonado pelo que faz. "Se fico uma semana sem voar, parece que está faltando alguma coisa."
Quem o vê a bordo de seu helicóptero especialmente adaptado para captura de imagens, que custou US$ 1,5 milhão, não imagina que o comandante já passou fome, morou em favela e até fez artesanato para sobreviver. "Minha barriga doía de fome à noite, não tinha janta. Tomava água e ia para a cama. Aí acostumei. Mesmo hoje em dia, como muito pouco e não consigo comer à noite."
Graças aos esforços do pai, Hamilton conseguiu estudar em um colégio técnico. Depois, apaixonado por aviação, fez o curso teórico de pilotagem e pagou as horas de voo necessárias para tirar o brevê (carta de piloto) de diversas maneiras. "O salário inteiro do meu pai não pagava sequer uma hora de voo. Fiz muita coisa para me virar. Pintei quadros e fiz artesanato com xaxim, que vendia na feira", afirmou.
A primeira vez que pilotou um helicóptero foi em dezembro de 1984, quando foi chamado para ajudar o Papai Noel a descer da aeronave. "Eu topei ir a troco de poder pilotar por alguns momentos. Assim que pus a mão nos controles, senti que era aquilo que queria para minha vida", falou.
Tirado o brevê, Hamilton começou fazendo voos panorâmicos e depois passou a realizar filmagens aéreas para cinema e publicidade. "A coisa tomou impulso quando fiz o Domingo Legal do Gugu Liberato. Em 1999 comprei meu primeiro helicóptero especial para gravações aéreas", disse.
Comandante é um dos que mais voam no país
O comandante Hamilton é um dos pilotos de helicóptero que mais voam no Brasil. Em média, segundo ele, um piloto voa 20 horas por mês. A média de voo do comandante chega a 110 horas por mês. Ele voa de cinco a seis horas diariamente, mas já voou 12 horas e 24 minutos, cobrindo uma enchente em São Paulo.
Rede de informantes ajuda Hamilton
Para saber do que está ocorrendo na cidade, o comandante Hamilton conta com uma rede de informantes. "Tenho pessoas que me passam informação em cada bairro da cidade", diz. O piloto tem uma equipe em terra que checa as informações.
(Encontrado em http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Dia-a-dia/33945/O+voo+do+comandante+Hamilton )

Vamos conhecer um pouco mais o helicóptero e a história do Cmte Hamilton)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

GAROTA SANGUE BOM

Ontem, encontrei recado muito simpático de Letícia Fiorotto, na postagem ESCALADA INCLUSIVA. Ela elogiava o blog e indicava uma homenagem que fez às pessoas com albinismo em seu blog Dear Letícia. Vejam o texto da postagem:

Uma paixão, albinos.
São como cristais, como a neve, perfeitos como o frio e tão frágeis quanto uma criança. Somente tem um inimigo que é indestrutível, eles não tem outra opção a não ser se esconder. É a dor a cada amanhecer, alívio numa noite de lua cheia, é como se eles se movessem somente a noite, são acariciados pela lua que lhes dá conforto, conformidade e esperança, que por mais que ela se vá ao por-do-sol ela volta.
Delicados como a seda, porcelana humana que já não pode ser quebrada, pele sofrida, rachada que leva nela marcas de quem nunca desejou ver a luz do dia. A quem escrevo não consegue nem ler direito, teus olhos vermelhos não conseguem mais ver as maravilhas que a vocês escrevo.
Me deixa apagar o sol que te faz mal, eu te trago a lua quando ela estiver longe, nunca se renda, leve consigo todas as estrelas e em teus olhos cansados deixe que elas te guiem por onde você andar. Eu tão inocente não sabia que depois daquele dia que eu vi, um menino tão branco quanto eu e tão lindo quanto um cristal, eu jamais esqueceria de quem um dia me fez amar vocês assim.

Maravilha ver uma menina de 15 anos preocupando-se com tema tão importante e delicado e com uma atitude tão aberta e sem preconceito.
Thank you, dear Letícia!

ALBINO GOURMET 24

Que tal refrescar o verão com uma deliciosa salada?




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ESCALADA INCLUSIVA

El mal clima volvió a frustrar el ascenso al volcán Lanín

Un grupo de jóvenes con discapacidad de San Martín de Los Andes realizó un ascenso solidario de superación e inclusión al volcán Lanin. Al igual que en el anterior intento, el mal clima les jugo una mala pasada, impidiendo que los jóvenes puedan alcanzar la cima.
La "Revancha al Volcán Lanín" es un ascenso solidario de superación e inclusión. En él, jóvenes con discapacidad hacen un gran esfuerzo para enviar un mensaje a la comunidad sobre la necesidad de construir en San Martín de los Andes un centro de día para personas con discapacidad severa.
La actividad fue organizada por la ong "Puentes de Luz", una asociación que trabaja a favor de las personas con discapacidad, sus familias y la comunidad.
El mal clima, que presentó vientos de hasta 120 kilómetros por hora, volvió a impedir al igual que el año pasado la llegada a la cumbre de los jóvenes.
Los expedicionarios, sus familias y allegados se dividieron en dos grupos, uno intentaría la cumbre y otro llegar hasta un refugio a 2.300 metros de altitud.
El "Grupo Cumbre" salió del refugio guiado por Pablo Robledo, deportista de 35 años que tiene amputada su pierna derecha; Bernardo Oyarzún, ciego de 21 años; Arnoldo Castillo, de 30 años, con una discapacidad intelectual y motora leve, y la ex modelo y deportista Virginia Elizalde, madrina de la asociación.
Un rato más tarde salió el "Grupo Refugio", integrado por Carolina Miguel, de 28 años, que tiene parálisis cerebral, Javier Salazar, de 34 años, que sufrió un ACV, Lautaro Prieto, de 12 años, con síndrome de Down, y Emiliano Tasinari, un joven con retraso madurativo.
También subió Ariadna Neiman, una joven con debilidad intelectual, Cecilia Traveria Fontana, hipoacúsica, de 30 años y Pilar Mugica, de 23 años, con parálisis cerebral, quien viajó especialmente desde Santa Fe para sumarse a la aventura.
El primer grupo llegó hasta los 3.100 metros y decidió regresar, para encontrarse con el otro contingente que logró llegar hasta el refugio.
Robledo, quien además es coordinador de Puentes de Luz, relató al llegar que "el encuentro entre ambos grupos fue a pura emoción, el esfuerzo de cada uno de los chicos fue increíble, al igual que toda la gente que está colaborando para hacer esto. Todo el grupo está feliz y en buenas condiciones".
Todos los andinistas discapacitados descendieron juntos y en el marco de una fiesta popular, convocada por el 113 aniversario de la ciudad, llegaron a la noche hasta la Plaza Sarmiento, donde fueron recibidos con gran emotividad.
El objetivo de la cumbre quedó para el año que viene, pero la meta de la cruzada solidaria comenzó a concretarse con la construcción de la platea basal para el centro de día.
La platea tendrá 180 metros cuadrados, sobre la que montarán una casa canadiense donada por la Estancia Chimehuín. Hasta el momento la ong invirtió $ 110.000 en los trabajos y estiman que poner en pie esta casa les demandará aún más esfuerzo y dinero.
(Encontrado em http://www.elcisne.org/ampliada.php?id=1841)

CADEIRACROSS

Pesquisadores criam cadeira de rodas para mundo subdesenvolvido
Para driblar falta de acessibilidade em ruas e calçadas, a cadeira foi projetada para terrenos acidentados

A acessibilidade é uma das maiores críticas ao espaço urbano das grandes cidades do mundo subdesenvolvido. A falta de rampas de acesso, as calçadas esburacadas e o transporte público precário dificultam a vida de quem precisa da cadeira de rodas para se locomover. Foi pensando nas necessidades e dificuldades de cadeirantes do mundo subdesenvolvido que Amos Winter, do Laboratório de Mobilidade do MIT, criou a Leveraged Freedom Chair (algo como cadeira de liberdade alavancada).
A cadeira de rodas projetada para terrenos esburacados foi construída com materiais leves e aproveitados da estrutura de bicicletas. A ideia dos criadores é que ela possa ser reparada em qualquer lugar que arrume bicicletas. O design simples também possibilita que o equipamento seja construído por qualquer um que tenha acesso ao projeto.
As alavancas acima das rodas servem para dar impulso extra na hora de subir ladeiras e aumentar a velocidade quando em lugares planos. A cadeira é testada por usuários em países do terceiro mundo e está um pequeno lote deve ser fabricado na Índia em breve.
(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=31156

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

TELONA QUENTE 18

É UMA CASA (ASSOMBRADA) URUGUAIA, COM CERTEZA!

Roberto Rillo Bíscaro

Há alguns meses, descobri por acaso o site dum futuro lançamento de terror uruguaio, intitulado La Casa Muda (2010). Assisti ao teaser e fiquei ansioso pra ver o filme, supostamente filmado em um único plano-sequência, usando câmera digital. Parte da propaganda, inclusive, afirma tratar-se do primeiro longa filmado em um único plano. Esqueceram-se, porém, que o russo Russky Kovcheg, de 2002, foi filmado exatamente assim...
A cena no teaser deu a entender que La Casa Muda seria algo no estilo d’A Bruxa de Blair, [REC] e Cloverfield, ou seja, aquele tipo de filme no qual não sabemos bem de onde vem o terror e cuja câmera segue alucinadamente as personagens, mostrando suas reações desesperadas, sustos, correrias e gritos.
A inspiração veio de assassinatos ocorridos no país na década de 1940. Parece que a produção custou míseros seis mil dólares e foi dirigida por Gustavo Hernández, que desponta como promissor talento no gênero.
A jovem Laura e seu pai chegam a uma casa abandonada na zona rural. Eles foram contratados pelo dono para reformá-la. A obra começará na manhã seguinte e pai e filha terão que passar a noite no decrépito sobrado (porque não chegam de manhã não nos é dito e isso é um problema que outras vezes compromete o roteiro). O dono da casa sai pra comprar comida pros empregados e então começam os problemas. Laura começa a escutar ruídos no andar superior e desperta o pai pra ver o que é. Wilson vai investigar e ouvimos o barulho dum corpo que cai. À partir de então, seguimos a perambulação da jovem pela casa e fora dela, à procura do que está ocorrendo.
À parte ações inexplicáveis das personagens, La Casa Muda é um ótimo exercício em criação de atmosfera e, especialmente, cinematografia. O trabalho de câmera de Pedro Luque é impecável e original, com soluções técnicas e enquadramentos criativos e surpreendentes. Com iluminação parca, Laura anda e rasteja de um cômodo a outro da casa assombrada, empoeirada e as informações visuais vêm de espelhos, reflexos, fotos. Os sustos acontecem por motivos simples, mas alguns, eficazes.
Quase sem diálogos, La Casa Muda certamente desagradará quem quer “entender” melhor os porquês. Aliás, o próprio roteiro ressente-se um pouco disso, uma vez que há uma cena adicional após os primeiros créditos finais (há dois) que tenta explicar a motivação dos acontecimentos.
Com relação ao desfecho, quem conhece Alexandre Aja não se surpreenderá, mas também contrariará espectadores que poderão se sentir “enganados”.
La Casa Muda tem seus defeitos, compensados por alta perícia técnica e genuínos momentos de suspense. Os norte-americanos detectaram o potencial da película e já fizeram a versão em inglês. É o nosso parceiro do MERCOSUL entrando no mapa do bom cine de horror.

AVIS RARA

Volta e meia, posto sobre blogs com referências a albinismo no nome. Quase 100% das vezes, são blogs humorísticos.
Encontrei um blog em espanhol que usa albino no nome para chamar a atenção para coisas raras e bizarras. Trata-se do El Dodo Albino. Leia a descrição escrita pelo blogueiro
Blog dedicado a cosas raras ... raras como un dodo albino. Escultura, propmaking, links a otros dodos albinos, frikadas y demás desvaríos bizarros. Blog for strange things ... strange as an albino dodo.
O Dodô (ou Dodô) era uma ave não voadora habitante das Ilhas Maurício e foi extinta ainda no século XVII, em função da gentil ação humana.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"QUEM VIU DEUS PRA DIZER QUE ELE TEM AS DUAS PERNAS?"

A sutileza do preconceito
Leandra Migotto Certeza

“Cavalo dado não se olha os dentes”. “Sair com você dá muito mais trabalho”. “É bem mais complicado sair com duas pessoas com deficiência”. “Não é fácil. Tem que se preparar para receber alguém em uma cadeira de rodas”. “Você pensa que é assim, tão simples?”. “Eu não posso carregar o problema dos outros nos ombros o tempo todo”. “Você não percebe que atrapalha?”. “Já vai lá tirar o sossego dos outros?” “Agora são dois para dar trabalho”.
É o que ouço desde que nasci. Mais ainda, a partir de 2005, quando para pessoas bem próximas a mim, ‘infelizmente’ escolhi como companheiro, um homem adorável que também tem deficiência física; e ‘ainda por cima’ é órfão e vive com pouquíssimos recursos financeiros.
Hoje – generosamente - identifico nas pessoas que dizem estas frases, maiores possibilidades de mudança, e me disponho a desnudar-me para tentar quebrar seus mitos e estigmas; apesar de continuar sentindo a mesma dilacerante dor de sempre: rejeição!
Antes reagia com muita agressividade. Impunha a minha deficiência. Era minha maior defesa e única forma de sobrevivência que eu conhecia. Agora dou a cara para bater. Arrisco. Mas sofro da mesma forma, até mais intensamente, por saber o exato significado de cada palavra, infelizmente, dita com tanta verdade.

Mesmo sofrendo não desisto de, simplesmente, viver: sem auto-piedade ou heroísmo. Pois não sei por qual motivo eu gosto muito da vida; por isso sempre me questiono: onde mora o preconceito? Tem cor, cheiro, textura, som, forma? Sinto que ele está em todas as partes. Dentro das pessoas tem sua morada eterna, e constrói sua história no Planeta.
Pessoas com deficiência eram consideradas ‘aberrações da natureza’ que deviam ser ‘eliminadas da face da Terra’ e jogadas do precipício. Depois viraram seres especiais que deveriam ser venerados, como aparições de santos. Eram consideradas pessoas super poderosas que tinham a obrigação de nos divertir e servirem de ‘amuleto’. Aí se tornaram ‘podres coitados doentes’, por quem deveríamos ter muita pena e obrigação de cuidar deles, mas bem longe dos nossos olhos...
Hoje são ‘apenas’ seres humanos à procura do seu lugar no mundo. Ou foi o mundo que nunca os enxergou como realmente são? Simplesmente, pessoas que lutam para serem vistas e respeitadas exatamente como são: com qualidades e defeitos; preconceitos e virtudes; medos e certezas; loiros e morenos; altos e baixos; homens e mulheres; negros e brancos; ricos de espírito e pobres de espírito; fortes e fracos; calmos e nervosos; simples e complicados; humildes e esnobes; cientistas e faxineiros.
Pessoas com deficiência comem; fazem xixi e côcô; riem; choram; sofrem; dão gargalhadas; ficam alegres; trabalham; estudam. Fazem sexo por prazer e não por obrigação de perpetuarem a espécie; criam seus filhos com seus companheiros ou não; vivem com autonomia; sentem dor; ficam doentes.

Pessoas com deficiência pagam seus impostos; são consumidores; tem todos os órgãos como pele, coração, olhos, estômago, cérebro; vão à igreja; votam; praticam sua religião. São presas; matam; comentem abusos sexuais; têm ou não liberdade de expressão; são criminosas.
Pessoas com deficiência recebem o Prêmio Nobel; são cientistas renomados; são premiadas por suas carreiras. Sofrem discriminação todos os dias; constituem famílias; são homossexuais, negros, índios, brancos, mestiços.
Pessoas com deficiência assumem cargos de liderança; são eleitos como vereadores, deputadas; têm condições financeiras para comparem e dirigirem seus carros adaptados; não tem condições de se alimentarem.
Pessoas com deficiência vivem em condições financeiras humilhantes; passam fome; vivem com AIDS; contraem doenças sexualmente transmissíveis; trabalham como escravos. Casam; ficam viúvas; sentem saudade; respiram o mesmo ar; adotam crianças; dão à luz a bebês.
Pessoas com deficiência fazem mestrado e doutorado; são analfabetos; viajam pelo mundo; e habitam o mesmo Planeta Terra que uma pessoa sem deficiência. Por isso devem ser respeitadas com equidade na medida de suas diferenças e igualdades.

Pensando nisso, o que é mais confortável para o seu ego? Sair às ruas ao lado de uma mulher, que se locomove em uma cadeira de rodas, empurrada por uma pessoa contratada para ajudá-la; ou empurrar você mesma a cadeira de rodas dela (se isso for possível, é claro!)? O que realmente lhe atrapalha: é o olhar dos outros para a pessoa com deficiência, ou o trabalho físico de empurrar a cadeira de rodas, por exemplo?
Ao tentar responder a estas perguntas ainda penso: onde mora o preconceito? Ele é percebido e digerido pelas pessoas que discriminam? Ele aparece de forma diferente entre pessoas com maior ou menor grau de instrução?
Ainda passo por experiências bem distintas: pessoas com menor grau de instrução, que acabaram de me conhecer, não me discriminaram em nenhum momento; fazendo questão de me incluírem em todas as atividades. Enquanto pessoas, com maior grau de instrução que cresceram comigo, parecem ainda não aceitar minha condição de estar no mundo; e me discriminam todos os dias, sutilmente ou diretamente.
Sem generalizações e preconceitos - afinal quem sou eu para julgar alguém - mas sempre me senti mais feliz ao lado de pessoas com menor grau de instrução, por não enxergar em seus olhos a face sutil da discriminação. Não sei por qual motivo, ainda são raras as pessoas com maior grau de instrução que aceitam com naturalidade a minha forma de estar no mundo.
Se eu pedi para nascer e ainda com uma deficiência física, não sei. Se eu pedi para nascer com uma deficiência física exatamente nesta família, também não sei. Se eu tenho que pagar meus pecados nesta encarnação, e por isso nasci com uma deficiência, também não sei. Se eu estou me purificando por ter nascido com uma deficiência e vou ‘virar santa’, também não sei. Se a vida é uma grande brincadeira de mau gosto, também não sei. Se a vida é a única maravilhosa razão de ser, também não sei. Se eu sou mais feliz ou infeliz por ter nascido com uma deficiência, também não sei. Se eu reagiria da mesma forma, se estivesse na pele das pessoas que ainda me discriminam, também não sei.
Tudo o que sei hoje é que sinto uma força maior do que eu. Vocês podem chamar esta força de alma, espírito, deus, razão, existência, ou o que quiserem, mas é ela que me obrigada a dizer ao mundo, que viver com uma deficiência não é diferente de, simplesmente, viver. Afinal, onde está a perfeição? Por que será que o ser humano teima em querer ser perfeito, se a perfeição não existe?
Tudo e todos vieram do caos dos vulcões e é pra lá que vamos. Ou alguém já descobriu outra teoria mais convincente? Reduzir a complexidade do Universo em Paraíso e Inferno é infantil demais em pleno século XXI. E mesmo que eu esteja redondamente enganada, é bem provável que existam anjos com assas quebradas ou tortas, e diabos cegos e surdos. E quem viu Deus para dizer que ele tem as duas pernas?
(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=31110)

CONTANDO A VIDA 21

Hoje o professor Sebe ataca de comentarista de filme de ficção científica. Ele viu Splice – A Nova Espécie e nos conta suas impressões.

SPLICE – A NOVA ESPÉCIE: um filme e muitas perplexidades.
José Carlos Sebe Bom Meihy
para Elson Alves

Todos sabem que gosto muito de cinema. A sala escura, como insinuou Baudrillard, é uma espécie de reinvenção do ventre materno e funciona como espaço de suspensão da ordem rotineira. Nele nos acomodamos, esquecemos fainas e desdéns da rotina e deixando acontecer enredos plurais. A possibilidade de “no escurinho” poder viver outras histórias, sondar mundos diversos do nosso, evoca catarse e libera o sempre reprimido direito ao ócio. Concordo com o chamado tolo: cinema, a maior diversão. E tão a sério levo esse suposto que prefiro comédias românticas, com fins previsíveis e promessas de encontros imorredouros. Mas, sei que mesmo como simulacro – outra vez Baudrillard – nem tudo, mesmo no cinema, é só happy end. Foi assim que me aventurei em outro gênero, numa rara investida para filmes indicados como “imperdíveis”, porque mestres de suspenses.

Confesso que me foi necessário tempo para proceder leitura própria de Splice, do canadense diretor Vincenzo Natali, com interpretações excelentes de Adrien Brondy e Sarah Polley. O filme de 2009, com duração de 104 minutos, investe em uma história audaciosa: a experiência de dois cientistas jovens, homem e mulher, funcionários bem sucedidos de uma empresa farmacêutica, metidos em aventura de engenharia genética: criar um ser novo. Atentos a gerar alguma variação de vida, ambos arrojam misturar genes humanos e animais extrapolando compromissos empresariais. Nessa alucinada busca de inovações, o casal injeta DNA humano em um protótipo gerando uma criança deformada, algo monstruosa, mas que adulta se transforma em belíssima, sedutora e insaciável mulher. Tudo se desenrola em clima de mistério, numa situação tensa e progressiva, ambientada por trilha alucinante e cenas rápidas. Os diálogos se sucedem numa velocidade tão vertiginosa que não sobra espaço para reflexões. No lugar, o medo rege o comportamento da audiência e o bom resultado disso justifica o premio de melhores efeitos especiais no Festival de Cinema da Catalunha em 2009.
Na tela, as cores conduzidas em leve azul e com muitos flashes, vão mostrando a surpreendente criatura, que esconde na beleza seu lado mortífero e fatal. Dren, o produto – nome derivado do anagrama de nerd – permite supor certa hereditariedade fílmica: uma adaptação pós-moderna de “Frankenstein” de Mary Shelley; “O bebê de Rosemary” de Polasnky e de David Cronenberg a “A Mosca”. Juntas, essas películas se evoluem na linguagem cumulativa de um tipo de cinema que cria ao longo dos tempos uma lógica que mistura medo e ficção científica. Bizarro pelo exagero, grotesco pelo resultado, são expressões dessa linhagem de filmes que repontam sempre modernizados no mercado enredando público crescente e fiel. Dren, no caso de Splice, tem um ciclo evolutivo de vida acelerado e a mescla de valores humanos e animais convidam o casal gerador a buscar um fim possível para o experimento que foge de qualquer controle. A cena final é reveladora do lado inovador da proposta que desafia continuidades em outros filmes do gênero.

Foi mecânico ver que o enredo dispensa esperadas discussões sobre ética, direitos de criação na lógica teórica dos vínculos entre a ciência e novas formas de vida. Nada de moral judaico-cristã. Tudo é prático, pragmático, experimental na direção da infinitude humana. Desprezando desde o início a possibilidade de final feliz, o que se tem é o mistério derivado da curiosidade liberada para superar todos os limites em nome da imitação criacionista divina. O filme caminha explorando uma sexualização pervertida, ousada, que mescla humor negro com riscos, apontando para visões negativas do ser humano “evoluído”. Há algo de terrível nisso. A crença de que a evolução humana é inerente à passagem do tempo permite pensar que a transgressão sexual torna-se campo de prova onde o prazer é substituído pela ambição. Não há paixão, há sexo. Não há continuidade ou perpetuação da espécie, há destruição. O surpreendente do enredo é que o filme, filosoficamente, propõe um retorno ao comportamento não inovador e uma desaceleração do progresso da ciência que jamais será perfeita. Isso, contudo, deixa um laivo de tristeza ao pensar a castração da boa curiosidade científica. A indicação da monstruosidade como único destino reponta como castigo de ousadias que não devem ser testadas.
Não saberia dizer se o filme é mesmo uma ficção científica ou se não caberia melhor no rótulo de terror. Em verdade, qualquer classificação não cabe em juízos críticos apurados. Interessa perceber que o intuito da confusão entre simulacro, realidade e progresso serve para a retomada de Baudrillard que insiste em mostrar a inviabilidade de retrato da sociedade conformada e assim se explicaria a ficção científica, o risco e o medo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ATIRADOR ALBINO?

Hitman 2 pode ter Albino como vilão
Fox recebe o roteiro mais recente e parece empolgada com a continuação
A continuação de Hitman - Assassino 47 deve começar em breve. Segundo o Latino Review, o roteiro de Kyle Ward foi revisado por Daniel Casey e entregue à 20th Century Fox, que parece ter gostado do que viu.
O site diz que a trama se passa quase toda nos EUA e que o vilão é conhecido como Albino. Nos games de Hitman, Albino aparece em Hitman: Blood Money.
Ainda não há certeza de que Timothy Olyphant voltará para o papel principal. O espanhol Daniel Benmayor será o diretor de Hitman 2. Ele tem no currículo o longa espanhol de ação Paintball - Jogue para Sobreviver (lançado direto em DVD no Brasil) e o filme de época Bruc. Hitman 2 será a sua estreia em Hollywood.
(Encontrado em http://www.omelete.com.br/cinema/hitman-2-pode-ter-albino-como-vilao/)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CAIXA DE MÚSICA 19

Adeus
O guitarrista irlandês Gary Moore faleceu ontem em um quarto de hotel espanhol aos 58 anos. Ex-membro do lendário Thin Lizzy, Moore fez sucesso no Brasil em 1990, como artista-solo. A canção Still Got the Blues foi tema da novela Mico Preto, da Globo.

Peça de Museu
Annie Lennox, diva oitentista, vocalista do Eurythmics, camaleoa de mil visuais, ativista política de várias causas, artista solo e mãe dedicada será tema duma exposição no The Victoria & Albert Museum, em Londres. Maior do mundo em sua especialidade, decoração e design, o museu mostrará uma coleção de itens relacionados à cantora: roupas e acessórios emprestados por Lennox, além de fotos mostrando suas mudanças de visual ao longo dos anos. A exposição O Mundo de Annie Lennox abrirá dia 15 de setembro e se encerrará em 26 de fevereiro de 2012.

Cheiro de Mel
Os norte-americanos do REM lançarão seu próximo álbum dia 07 de março. Collapse Into Now foi gravado em Berlim, finalizado nos States e conta com participações de Peaches, Patti Smith e Eddie Vedder, do Pearl Jam. A banda liderada por Michael Stipe divulgou o clipe da faixa Mine Smell Like Honey. Assista ao vídeo, influenciado pelo comediante Buster Keaton:

Rosas Armadas
Axl Rose ainda faz shows usando o nome de sua banda Guns’n’Roses, embora seja o único membro da formação original. O guitarrista Slash revelou que se Rose lhe pedisse desculpas por desentendimentos passados, ele consideraria reunir-se ao vocalista e embarcar em turnê. Conhecedor do temperamento difícil do bad (old) boy, Slash acha que dificilmente isso aconteceria. Paciência, Slash. Vá cuidar de suas serpentes.

Pré Carnaval
Pros amantes do samba, uma boa pedida é conferir o CD Brasileirice, da sambista Dorina. Produção caprichada, músicos e arranjos de primeira e composições de feras do estilo como Arlindo Cruz, Nei Lopes, Mauro Diniz, Luiz Carlos da Vila, Monarco, Roque Ferreira e Délcio Carvalho encherão os ouvidos dos amantes dum bom sambão da gema.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

CALA A BOCA, GISELE!

A übbermodel Gisele Bundchen perdeu ótima oportunidade de ficar de boca fechada, e, como resultado prestou enorme desserviço a toda campanha em prol da difusão do uso de bloqueador solar.
O tablóide inglês Daily Mail publicou desastrosa declaração da moça afirmando que se recusa a usar protetor solar porque é um “veneno”. A tolice e irresponsabilidade foram adiante, porém. Ela acrescentou que as pessoas deveriam abolir o uso do produto. Que desastre uma celebridade que serve de inspiração para tantas jovens aconselhar tal disparate!
Ela deu sua receita para evitar câncer de pele. Disse que evita exposição ao sol após as 8 da manhã. A solução então é que todos sejamos podres de rico como ela para nos darmos ao luxo de fazer isso. Coisa que ela própria não faz: um amigo já a viu gravando comercial de TV na praia de Copacabana.
Essas pérolas foram disparadas durante o lançamento de sua linha de produtos de beleza, todos orgânicos. Como Lobato perguntaria: paranóia ou mistificação, Gisele? Oportunismo, talvez?
Tomara que isso gere ultraje tamanho a ponto de obrigá-la a se retratar publicamente, como ocorreu com a autoritária afirmação de que deveria existir uma lei mundial obrigando a amamentação.

A SUPERAÇÃO DE CINTIA

"Tem gente que coloca a culpa de tudo em Deus, mas Deus não castiga, não dá a doença, ele dá a cura”. Esta frase resume em poucas palavras a vida de Cíntia Floriano, que aos 24 anos pode dizer que nasceu novamente. Tudo começou aos 21 anos de idade com o surgimento de alguns nódulos no pescoço. Ela estranhou, mas não chegou a procurar um médico, já que os “nozinhos” não cresceram. A situação mudou depois de duas semanas. O que parecia ser algo normal apresentou um grande crescimento e tomou conta de todo o pescoço. Depois de um longo período de biópsias e exames, o problema foi diagnosticado: um linfoma.
“No começo, os médicos não conseguiram descobrir o que era. Trataram até como tuberculose. Cheguei a perder 20 quilos em uma semana. Foi quase um ano de sofrimento até que chegassem ao resultado final”, relata Cintia. As marcas das biopsias que precisaram ser realizadas ainda permanecem como lembrança em todo o pescoço da jovem.
O linfoma é uma espécie de câncer que atinge o sistema linfático do organismo. Quanto mais precoce for diagnosticado, melhor a possibilidade de cura. O tratamento é agressivo e tem na quimioterapia a sua melhor aliada. “Com o resultado eu comecei o tratamento em Criciúma. O pior eram os efeitos colaterais. Tontura, vômitos, enjoos. Mas eu não desistia. Sempre segui em frente. Eu encarava oito horas de quimioterapia, chegava em casa e ainda fazia todos os trabalhos domésticos. Só depois de três dias que os sintomas apareciam. Aí ficava mais de uma semana de cama”, diz.
Ao todo foram mais de 30 seções. O choque maior veio com a perda dos cabelos. “As pessoas diziam para eu raspar, mas eu não quis. Acho que o choque foi ainda maior. Cada vez que eu penteava os cabelos caia um monte e eu sempre chorava”. A solução encontrada pelos médicos para acabar com a doença seria a realização de um transplante de medula em Florianópolis. O tratamento do linfoma seria a parte mais dolorosa.
“Eles tiraram o líquido ‘bom’ da minha medula e congelaram. Fizeram todo um tratamento para que ela ficasse sadia e pudesse ser reimplantada em mim. Durante três meses até o transplante, eu realizei quatro seções de uma quimioterapia muito forte para eliminar a doença do meu corpo. Os efeitos colaterais foram ainda maiores. Não conseguia comer. Toda a mucosa da boca ficou machucada, língua e tudo mais. Foi um sofrimento que às vezes eu chegava a pensar que ia morrer, mas lembrava da minha família e lutava ainda mais”, conta Cintia. O tão esperado transplante foi realizado no dia 21 de maio do ano passado.
O marido Geraldo, com quem está casada há 10 anos, e a filha Ranya de sete, foram o principal ponto de apoio. “Meu esposo nunca me abandonou e continua comigo até hoje. Os médicos me falavam que muitas pessoas abandonam as mulheres quando elas ficam doentes. Mas ele não. Na hora em que eu mais precisei, ele estava comigo. Às vezes chegava no hospital e fazia várias brincadeiras para eu rir. Era bom, porque se eu entrasse em depressão, a doença vinha ainda com mais força”, conta com o sorriso no rosto.
Depois do transplante, foram 40 dias no Hospital Celso Ramos em Florianópolis, sendo que 20 deles usando fraldas. “Eu virei um bebê novamente. Só comia sopinha, usava fraldas, e precisei fazer todas as vacinas que as crianças pequenas precisam para dar imunidade às doenças. No hospital não queria mostrar que estava doente, precisava dizer que estava forte para ganhar alta. Ia ao banheiro sozinha, tinha que me virar, mas sempre acabava desmaiando”.
A esperada alta não vinha devido aos problemas na boca que não melhoravam. Até que um dos médicos sugeriu o tratamento em casa, já que demoraria algum tempo para que fosse totalmente cicatrizada a mucosa bucal. “Em casa, eu fiquei mais um mês comendo sopa. Minha mãe chorava, eu chorava. Mas graças a Deus fui melhorando”, afirma.
Depois de mais de um ano do procedimento, ainda é necessário um controle mensal em Florianópolis com consultas e exames que precisam ser refeitos para garantir que a saúde continue em dia. “Muitas das minhas amigas de hospital faleceram. E com outras eu mantenho contato até hoje. O engraçado é que a gente tem medo se telefonar. Principalmente de ligar e saber que uma delas morreu”, comenta.
A vida hoje é praticamente normal. A filha é uma das que mais ajuda, e a doença fez com que ficasse ainda mais apegada à mãe. “Ela é o meu socorro. Se sabe que estou com alguma dor, ou algo parecido, sai na rua pedindo ajuda”.
A casa simples que esconde uma verdadeira guerreira aos poucos vai voltando ao que era antes. “Com o transplante eu revivi. Às vezes as pessoas falam que não aguentam mais a vida, que querem se matar. Mas não sabem o que estão dizendo. Para quer ser nervosa e estressada? A gente tem que pensar que existe coisa muito pior. Só quem passa por uma coisa dessas sabe. E é tão bom viver”.
(Encontrado em http://www.jvanguarda.com.br/2009/09/25/uma-historia-de-superacao-e-amor-a-vida/)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

ALBINO GOURMET 23

Atendendo a pedidos, o Albino Gourmet continua explorando o mundo culinário do You Tube. Hoje, teremos uma sessão especial com receitas de frango. Tem prato light, prato ndiano...




BOTE ALBINO

Atacado por cobra naja albina que comprou como bicho de estimação
Exemplar albino da perigosa serpente era mantido em aquário.
.Um homem de 25 anos que comprou e levou para sua casa em Fair Lawn, no estado americano de Nova Jersey, três serpentes venenosas, acabou sendo mordido por uma delas: uma naja albina.
Ele adquiriu os répteis no fim de semana no estado da Pensilvânia e foi atacado na segunda-feira (31). Após cerca de três horas, ele começou a ter problemas respiratórios, o que levou sua mulher a telefonar para o serviço de emergência.
O casal demorou a chamar socorro porque acreditava que as bolsas de veneno da naja haviam sido retiradas. Como informa o portal local “NorthJersey.com”, o homem foi levado a um hospital em Nova York, único na região capaz de atender a um caso como esse, e se encontra em estado crítico.
(Encontrado em http://meloutotal.blogspot.com/2011/02/atacado-por-cobra-naja-que-comprou-como.html)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

DATA QUERIDA

Hoje é aniversário de duas pessoas especiais que cruzaram meu caminho em circunstâncias diversas.
Em 1987, fui assistir a um ensaio da peça Arena Conta Zumbi, montada pelos alunos do colegial do Anglo aqui de Penápolis. Amizade mesmo eu tinha com umas duas pessoas, o resto conhecia de vista ou de sentar em mesas de bar, mas sem intimidade. Um dos atores, eu não conhecia. Na verdade, conhecera seu pai, meu professor de química por três semanas no primeiro colegial, em 1982. Sua aposentadoria saiu no início do ano letivo; esse o motivo de tão pouco tempo como meu professor. Sorte dele... Sempre fui péssimo em Exatas. Bom pra mim também, porque ele não levou más recordações de minhas reclamações e desempenho pífio!
Lembro-me direitinho da fala do jovem estranho: “vinte negras pra cada um”. Faz anos que não leio a peça, por isso não me recordo em que circunstância vem essa fala. O importante é que lembro da inflexão e da cadência usadas por ele. Escuto agora, enquanto escrevo...
Terminada a função, fui apresentado a ele. Jayme, como o pai (o Y é vital!). Recém-chegado de um ano de intercâmbio nos Estados Unidos. Não sei se já se deu conta de que nos conhecemos num teatro, área onde vinte anos mais tarde eu me doutoraria. Na época, meu conhecimento sobre o assunto era tão “vasto” que, durante meses, achei que a peça se chamasse Arena Contra Zumbi. Só percebi que era “conta” quando li o programa do espetáculo!
São tantas as coincidências e afinidades entre nós, que penso que nossos caminhos estavam predestinados a se cruzar. Como dizia um sucesso dos anos 80, “nosso amor estava escrito nas estrelas”.
Desde então, não nos perdemos mais de vista, ainda eu a minha não seja lá grande coisa! Parabéns, Jayme!

Na segunda metade dos anos 90, lecionei pras sétimas e oitavas séries do Educandário Coração de Maria. Às vezes, brincava com os alunos dizendo-lhes que um deles tinha que ficar famoso pra que eu pudesse escrever uma biografia não autorizada e ganhar muito dinheiro. Salário de professor não é lá aquelas coisas...
No meio do alunado havia uma menina tagarela, com uma pinta na testa. Sempre alegre. Nos seus 13, 14 anos, ela queria mais saber de festa e das amigas do que de estudar inglês. Mas, não era burra. Era apenas adolescente. Se jamais aprendi matemática, por que achar que todos devam aprender inglês. Não sou burro por não saber PA ou PG; ela também não é por na época não querer saber da língua inglesa. Volta e meia eu dava umas broncas nela, pra parar de falar! Eu era mais imaturo na época e às vezes exagerava no pito. Ela não era mal educada; apenas meio faladeira (o “meio” foi pra limpar um pouco sua barra, viu?).
Como de costume com alunos, fiquei uns anos sem contato porque ela mudou de escola e eu também. Na rua, ás vezes ela gritava um “seu Robertiiiii!”. Por causa da profissão, me apelidaram de Robert aqui... Também de vez em quando, seu pai me dava alguma notícia dela e do irmão, também meu ex-aluno.
Olhem como são as coisas... Anos depois, em um gelado janeiro no norte dos Estados Unidos, estava checando meus emails e dando uma olhadela nas notícias do Brasil. Talvez por estar longe, fiz algo que nunca fizera e jamais repeti: abri um link com a lista de participantes da edição do Big Brother por estrear. Jamais assistira a um segundo sequer de qualquer edição anterior (nem das posteriores, confesso).
Segundos depois, gritei pro anfitrião norte-americano. Meu Deus, uma ex-aluna minha participará do Big Brother! Ele achou a idéia muito legal e veio até o computador pra que eu lhe mostrasse a foto. Era a menina da pinta na testa, a Sabrina!
O resto da história quase todo mundo conhece. Sabrina Sato não ganhou o BBB, mas tornou-se estrela de primeira grandeza da TV brasileira. Fazendo o que sempre soube melhor: cativar e divertir.
A fama não lhe subiu à cabeça. Ela continua gritando seu Robertiiiiiiiii quando vem pra cá e me vê na rua (ela sabe que eu nunca vejo!). Apesar das broncas, não ficou com raiva de mim. Coisa de professor e aluno... E as entrevistas dela “em inglês” me divertem muito. Tomara que ela nem aprenda inglês pra não estragar as entrevistas! Mas, se quiser, aprende. Ela é esperta. Parabéns do Seu Robertiiiiiiiiii, Sabrina!

O CAMALEÃO ALBINO DA MODA

Stephen Thompson, o modelo albino da Givenchy, está em ascensão. Dessa vez, foi capa da AMMO Magazine, onde encarna ninguém menos que o camaleão do rock, David Bowie. A edição auto-intitulada icônica, faz um tributo a um dos artistas mais instigantes da segunda metade do século XX. As fotos estão lindas, vejam algumas:




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ZOOFILIA COM COBRA BICÉFALA


Cobra albina com duas cabeças é caso único no mundo, diz dono
Tom Beser diz que outras sete cobras no mundo apresentam duas cabeças.
Réptil está em exibição na Suíça.
Uma cobra albina de duas cabeças é exibida em museu na Basileia, localizada em território suíço. Segundo o dono, Tom Beser, outras sete cobras também vivem com duas cabeças, porém somente esta apresenta albinismo ao mesmo tempo. O réptil pertence ao gênero 'Thamnophis'. A imagem foi divulgada no site do jornal britânico 'The Telegraph'.
(Encontrado em http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/02/cobra-albina-com-duas-cabecas-e-caso-unico-no-mundo-diz-dono.html)

TELONA QUENTE 17

MAGIA DA CIÊNCIA/CIÊNCIA DA MAGIA

Estou longe de extinguir a fase de filmes antigos. Como afirmei antes, priorizo suspense, mistério, policiais e espionagem. Minhas obsessões observam certa lógica.
Passo pente fino nas filmografias de certos atores e pesco delas as películas que se encaixam na minha presente chave de interesse. Descobri Barbara Stanwyck desse modo. Ela não passava de um grande e respeitado nome pra mim até que ano passado a vi em alguns capítulos da malfadada The Colbys, spin off de Dynasty, que durou apenas 2 temporadas em meados dos anos 80. A atriz deixou o novelão no fim da primeira temporada por não suportar a baboseira dos diálogos e situações. Quando deu a crise de mergulhar nos filmes antigos, vi tudo que pude com ela. Que atriz! Outro dia vi Crime of Passion (1956), que é até interessantinho, mas vale mesmo pela atuação da grande dama noir.
O grande destaque desses últimos dias, porém, foi um filme “novo”... de 1971! Não sigo apenas atores, obviamente. Também esmiúço filmografias de diretores. Desse modo, vi vários Orson Welles, Hitchcocks, Kubricks e Fritz Langs desconhecidos. Além de outros diretores menos lembrados hoje. Na filmografia do diretor Robert Wise havia The Andromeda Strain, ficção-científica que por algum motivo me havia escapado. Wise dirigiu alguns filmes de que gosto imenso como O Dia em que a Terra Parou (1951), sobre invasão alienígena, e The Haunting (1963), sobre casa mal assombrada (a-do-ro filme de casa assombrada!). Também filmes que respeito pela destreza técnica, embora não façam meu estilo, como A Noviça Rebelde (1965).
The Andromeda Strain é de uma época cheia de filmes sci-fi esbanjando paranóias. Neste, há paranóia da Guerra Fria e da corrida espacial somadas à desconfiança com relação ao governo (a Guerra do Vietnã rolava furiosa) e indisfarçável tecnofobia.

Um satélite norte-americano despenca numa área desértica e em poucas horas uma pequena cidade é dizimada por um vírus alienígena. Um grupo de cientistas é recrutado para conter a disseminação do organismo, que coagula instantaneamente o sangue do ser infectado.
Os cientistas são levados para um complexo subterrâneo high tech e o filme mostra em minúcia as hipóteses e descobertas para deter a possível epidemia dizimadora em escala global. Um grande filme, que não tem pressa de mostrar o processo de preparação dos experimentos e utiliza fartamente recursos como tela dividida e imagens de monitores de computador para transmitir informação e realçar a complexidade do problema. Wise em plena forma, mesmo no ocaso da carreira.
Em questão de horas, o time de especialistas coloca tudo em provetas limpas. E aí reside uma das grandes contradições desse tipo de entretenimento. O levantar de hipóteses, sua confirmação ou negação e a descoberta de antídotos ocorrem como se fossem mágica, antítese do pensamento científico, que é lento e geralmente não se processa aos solavancos. Há quantos anos esperamos pela cura da AIDS, por exemplo? As luzes e fumaças dos laboratórios cênicos e o abracadabra do arremedo de pensamento cientificista cancelam a ciência, transformando-a em seu negativo, o fantástico. A narrativa, de certo modo, se auto-implode.
Por isso é que tais produtos são chamados de FICÇÃO científica, né?
(The Andromeda Strain foi colocado no You Tube. Não garanto que esteja completo porque não foi essa a cópia a que assisti.)

MAIS SOBRE GAGUEIRA

Minha postagem sobre o filme O Discurso do Rei gerou resultados inesperados. Um comentário sobre ela me levou ao site do Instituto Brasileiro de Fluência, o que me motivou a fazer postagem sobre ele. Inseri um vídeo com depoimentos de alunos gagos, que recebeu um comentário contundente de uma pessoa gaga.
Paralelamente, enviava o material a um amigo, o qual, sem que eu soubesse, reenviava para uma porção de gente.
Resultado: o tópico da gagueira entrou em discussão de grupo de pós-graduação, parece que vai render artigo acadêmico e serviu de fonte de informação para um grupo de professores que este ano terá aluno gago na turma. E olha que isso é até onde eu sei, porque quando essas coisas começam a rolar internet abaixo, sabe lá onde vão parar!
Essa é a idéia do blog. Criar uma rede de solidariedade, cidadania, amor e participação não apenas entre ou sobre albinos.
Já que estamos ajudando na difusão do tema, resolvi postar outro depoimento dado por uma pessoa gaga. Está em inglês, mas se o leitor clicar no botão CC na parte inferior do vídeo, as legendas aparecem.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ALBINOS ORGANIZADOS EM MOÇAMBIQUE


O albinismo em Moçambique
Entrevista a Ana Gabriela Eugénio
“Já conseguimos reduzir em muito o tempo de espera das consultas”

Ana Gabriela Eugénio tem 25 anos e é docente do ensino superior na Universidade Pedagógica e na Escola Superior de Economia e Gestão. O facto de sofrer de albinismo, uma insuficiência de pigmentação de pele, fez com que Ana Gabriela fosse um elemento vital na criação da Associação Defendendo os Nossos Direitos (ADOD’s) - instituição vocacionada para os problemas dos albinos.
O SAPO.MZ entrevistou-a na sede da associação, em Maputo. Aqui ficam os principais pontos da conversa.

SAPO.MZ – Quando é que surgiu a ADOD’s?
Ana Gabriela (AG) – Oficialmente foi fundada a 30 de Março de 2009, mas o movimento para a sua criação revelou-se em Dezembro de 2008, altura em que, por iniciativa minha, procurei o anterior ministro Ivo Garrido alertando-o para os nossos problemas. Pretendíamos fundamentalmente duas coisas: mais atenção das unidades sanitárias e uma maior celeridade no processo de consultas com especialistas, sobretudo dermatologistas e oftalmologistas. As consultas têm uma lista de espera de por vezes seis meses, dependendo da sorte de cada um. É muito tempo, por exemplo, para quem tem cancro de pele ou um problema de visão mais grave. Normalmente estas pessoas não têm capacidade de ter acesso às consultas especiais. Queríamos acelerar esse processo de espera. Esse era o grande objectivo.
SAPO.MZ – E a resposta foi positiva?
(AG) – Sem dúvida que foi. O ministro disse que devíamos formar uma associação porque era mais fácil para lidar com o problema. Foi assim que, após a realização de uma conferência sobre o tema ‘A Problemática do Albinismo’, surgiu a ADOD’s.
SAPO.MZ – Depois disso, o tempo de espera para as consultas reduziu-se muito?
(AG) – Sim muito, aqui em Maputo o máximo que demoram é uma semana, mas há quem consiga consulta para o dia seguinte.
SAPO.MZ – Isso sempre através da Associação?
(AG) – Sim, claro. Queríamos que essa melhoria se efectivasse a nível nacional, mas não temos muita informação dos outros pontos do país. Chega-nos muita pouca coisa das províncias.
SAPO.MZ – A Associação tem alguma ideia do número de albinos que existem em Moçambique?
(AG) – Não, nenhuma. Esse estudo tem de ser feito em colaboração com o Instituto Nacional de Estatística. Nunca houve nenhuma pesquisa sobre isso.
SAPO.MZ – Quantos membros tem presentemente esta associação?
(AG) – Cerca de 360.
SAPO.MZ – Todos albinos?
(AG) – Nem todos, há alguns simpatizantes. Mas era bom que fossem todos.
SAPO.MZ – Como é que a associação se suporta financeiramente?
(AG) – É bom que se diga que a associação não tem fins lucrativos. O nosso suporte financeiro provém exclusivamente da jóia e da quota que é cobrada aos membros.
SAPO.MZ – Qual é o valor da jóia?
(AG) – Para estudantes é 100 meticais e depois temos uma tabela para licenciados, empresários, mas nenhum deles ultrapassa os 300 meticais.
SAPO.MZ – E a quota?
(AG) – Dez meticais mensais.
SAPO.MZ – Esses valores não são muito baixos?
(AG) – Sim, mas foi um valor mínimo que achámos. Há agora um grande trabalho de divulgação a fazer para atrair possíveis doadores.
(Encontrado em http://saude.sapo.mz/actualidade/o-albinismo-em-mocambique-24054-0.html)

TROCADILHO ALBINO

Vejam a piadinha que encontrei no Saco de Tralha.

CONTANDO A VIDA 20

Escritor de mão cheia, hoje o Professor Sebe nos conta como começou seu romance com as palavras, ainda na infância. O Renato Teixeira para o qual a crônica é dedicada é o grande músico, autor de clássicos da MPB, como Romaria. Ele e o Sebe cresceram juntos na lobatiana Taubaté.

ESCREVER, ESCREVER E RESPIRAR...
José Carlos Sebe Bom Meihy
Para Renato Teixeira.

Dia desses me chamaram de “escritor”. É verdade que isso aconteceu outras vezes, mas dessa feita era um jovem de seus 15 anos. Fiquei tocado. “Escritor”... E me pus a pensar quando me defini pela escrita. Afundei lembranças e cheguei a um céu interior: foi no colégio interno, quando estudava no São Joaquim, em Lorena e devia ter meus 13 anos. Durante três longos anos padeci um internato. Entendo meus pais preocupados com o andamento de um filho tão difícil como eu fui. Além de tudo, minhas intermináveis argumentações sobre qualquer assunto e sobre todos lhes seriam de árduo manejo. A saída era mesmo a reclusão, onde poderia ter boa formação escolar. É complicado falar sobre esse momento de minha vida. Em meus “verdes anos” estava afastado do convívio familiar, longe dos amigos e inscrito em uma circunstância inaceitável para um menino rebelde. Mas, restavam-me as cartas e um diário louco, onde me extravasava. Escrevia muito. Demais. Diria que as cartas tinham a função de me conectar com o mundo e o diário de permitir um mergulho em mar interior. Para o meu amigo Luis Fernando Negrini eu escrevia muito. Eram missivas longas, derramadas de saudade do espaço supostamente gostoso da minha juventude taubateana. Ele, pacientemente, respondia e provocava evocações de utopias roubadas de meu convívio. Aprendi muito escrevendo cartas. Sobretudo, notei que escrever me acalmava, tornando-me um ser mais suportável. Escrevia tanto, mas tanto, que comecei a vivenciar um planeta pessoal mais tolerável. Aos poucos, de um jeito algo mágico, as palavras me possuíam, oxigenavam minha solidão de adolescente recluso, ajudavam a compor um jeito de ver que se entesourava em mistérios possíveis, em lendas excitantes, enredos enigmáticos. Lia muito também. Devorava livros sobre histórias de santos e mártires, aventuras indizíveis de heróis e figuras notáveis, visionários. É verdade que a biblioteca do São Joaquim era dirigida e blindada de tudo que não fosse catolicamente canônico. Mesmo nesse contexto descobri um mundo maravilhoso, cheio de anjos que ajudavam, de beatos que salvavam, de ladainhas métricas, ressonantes, lindas, e até de demônios fascinantes.

Depois do colégio interno, abriu-se outro momento definidor de minha vocação pela escrita. Renato Teixeira tinha um programa na Rádio Difusora de Taubaté. Sim, às 6h00 da manhã, diariamente, ele bradava um delicioso “bom dia Taubaté”. Eu, atrevido, escrevia crônicas que ele lia e relia. Eram dizeres sutis, imaturos certamente, mas recados para as possíveis namoradas, fazeres metidos a poéticos, receitas de vivência. Sobretudo, lembro-me do ardor com que produzia. O simples ato de me sentar, pegar o lápis (sim, escrevia à lápis e depois passava em um caderno de capa dura que guardo até hoje), escolher palavras me transformava em senhor. No meu feudo, soberano, decidia o rumo dos assuntos, domava minhas inquietudes e emendava meu coração fracionado em sonhos e amores não satisfeitos. Mais tarde vieram os certames no “Monteiro Lobato” e eu sempre me aventurava em poemetos, histórias curtas, comentários sociais. E ganhei alguns prêmios que me foram significativos. Preside algo de engraçado nisso tudo: eu era bom aluno, mas me sentia melhor como escritor alternativo. Tive um poema publicado no antigo “Diário de São Paulo” e isso me valeu como passaporte para pretensão de escritor. Emocionado, sempre declamo para mim mesmo aqueles versos ridículos que versavam sobre uma borboleta morta por um mau menino...

Confesso que minha disposição autoral sempre foi muito particular. Mostrava meus rabiscos para alguns amigos, mas não gostava de críticas. Talvez por ainda não estar satisfeito com o que fazia, achava que “meus leitores” não compreendiam o significado da sagração de minhas palavras. Eu mesmo evitava ler imediatamente o que produzia e justifico isso pela certeza de que havia mais busca do que encontro, como até hoje acontece. É relevante lembrar que não foi na escola – em qualquer nível – que aprendi a escrever. Foi na vida, voltado para o mundo, numa busca desesperada de entender o que se passava, que me dediquei a ser “eu caçador de mim” como diz a canção. Hoje não sei viver sem a escrita. Preciso dela. Não passo dia sequer sem alimentar meu interior que se esfomeia de palavras. Escrever é minha pedra de Sísifo, é meu maná no deserto, é meu ar. Escrever, escrever e respirar...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

BODAS DE ALGODÃO

O segundo ano de um casamento é conhecido como Bodas de Algodão. Curiosa essa simbologia no dia em que celebramos o início do ano dois do Blog. A metáfora do matrimônio não me parece disparatada para marcar a data. Desde que assumi a tarefa de manter esta página, tenho vivido em íntima conjunção com ela, que se tornou parceira. Como numa relação de casal, exigimos bastante um do outro, desenvolveu-se cumplicidade gulosa entre nós. Ela exige ser alimentada diariamente e tenho necessidade e prazer em fazê-lo.
A parceira demanda atenção e está em meu pensamento mesmo quando tenho tantas outras coisas para atender. Em troca, ela preenche lacunas em mim, dialoga comigo. Sim, conversamos muito! O que publicar, o que fazer para torná-la mais bonita. Como marido de esposa bonita, sinto orgulho de exibi-la a quem queira ver, ao mesmo tempo em que sinto certo ciúme... Só eu ponho a mão!
Ela tem me ensinado tanto! Diariamente me apresenta a pessoas tão interessantes! Cada vez falamos sobre mais assuntos e nosso grupo de amigos cresce. Nossa vida social é bastante agitada! Entrevistas para jornais e rádio, gravação de programas de TV. Somos arroz de festa: chamou, estamos indo!
De vez em quando, alguma rusga. Tento colocar alguma foto e ela emperra, aperto algum botão e ela, mal humorada, não coopera. Será que é vingancinha porque às vezes ocorre algum imprevisto que me impede de visitá-la? Confessarei algo feio: boca suja, quando ela resolve fazer manha, eu xingo. Daí, quando alguém a elogia e diz que sua existência tem ajudado bastante, fico com remorso. Coisas de casal?

Creio que todos os grupos que se sentem discriminados, invisíveis ou mal compreendidos deveriam pensar seriamente em um matrimônio do tipo que escolhi. È muito recompensador, tanto em nível individual, quanto coletivo. Qualquer relacionamento exige trabalho árduo para dar certo e ser duradouro, então, é necessário criatividade, determinação, ou, como muitos gostam de dizer hoje em dia, investimento.
Espero que os leitores do Albino Incoerente também se sintam de certo modo “casados” com a página. Ou, que se sintam como se estivessem literalmente visitando nossa casa, que é igualmente de vocês todos. A porta está sempre escancarada. Adoramos receber hóspedes e incentivamos que participem, sugerindo formas melhores de arrumar os móveis, sugerindo coisas para a gente conversar, criticando o menu. E, como somos um tiquinho vaidosos, pedimos que espalhem para os quatro ventos que nossa casa existe, precisa e quer ser visitada.
Prometemos recepção acolhedora, inclusiva e respeitosa, sem preconceito. Continuaremos tagarelando sobre diversos temas, cada vez mais! Não gostamos de falar apenas sobre albinismo, embora esse seja nosso referencial central. Ai, é tããããão chato falar de uma coisa só!
É, bodas de algodão... Sabe o que mais nos diverte nessa história? O material desta boda é igualzinho à cor do cabelo de muitos albinos. Eu não disse que a analogia com um casório não era tão amalucada?