domingo, 20 de dezembro de 2009

TRAINCHA CANTA O MESTRE


Há uns meses, Jayme correu risco calculado. Ele me recomendou um disco de covers do Burt Bacharach. Disse que tinha ouvido falar a respeito duma cantora holandesa chamada Traincha, que em 2007 gravara um álbum só com canções do compositor norte-americano. Como bobo ele não é, revestiu a indicação dizendo que tomara conhecimento do álbum no grupo de discussão da Basia. Desfrutando do status de meu melhor amigo, Jayme sabe me manipular direitinho. Explico: Basia é uma cantora polonesa a qual ambos amamos e achamos chiquérrima. Fã da Basia geralmente também curte Bacharach ou pelo menos tem gosto que em parte combina com o nosso. Se foi fã da Basia quem indicou, valia a pena passar a dica pra mim.

Mas, por que risco calculado, perguntará o leitor? Não foi apenas uma indicação de um álbum?? Não, claro que não foi: foi indicação dum álbum com canções de BURT BACHARACH!!! Aí o negócio muda de figura. Sou maníaco por Bacharach; pra mim é um dos maiores compositores populares de todos os tempos. Se tivesse que escolher alguns CDs pra levar pruma ilha deserta, uma coletânea do Burt estaria na mochila. Se pudesse levar a discografia completa, melhor.

Bacharach, nos idos dos anos 60, misturou elementos de bossa nova, pop, soul, jazz e criou uma sonoridade particular. Ele é daqueles compositores que imprimem marca tão característica na composição que sabemos quando o material é dele ou foi influenciado por ele.



Juntamente com o parceiro Hal David, Bacharach teve uma sucessão impressionante de hits nos EUA e na Inglaterra, e, ao longo da carreira faturou Oscar, Grammy e Tony. Na voz de Dione Warwick achou veículo perfeito pra sua música. Aí, aliás, reside um problema pra quem regrava Bacharach: o fantasma de Warwick. Fã de Burt quase sempre compara tudo a partir da Dione.

Acontece que a música do compositor pertence à rarefeita esfera daqueles mestres que são interpretados por meio mundo. A lista de cantores que gravou suas canções daria post quilométrico! Muita gente que amo do pop inglês gravou e cita Bacharach como influência. Ainda sonho em ouvir Morrissey cantando Anyone Who Had a Heart... Derreteria titânio.

Pra mim, particularmente, a comparação com Dione Warwick não tem muito peso. Como desprezar um álbum tão fantástico como o Painted From Memory, do Elvis Costello? Ele interpreta magnificamente as canções. Os maníacos por Dione Warwick terão chiliques ao saberem que a frase “LA is a great, big freeway” ficou muito mais chique na voz da Corrine Drewery, em minha opinião.

O que importa pra mim é manter o “espírito Burt” da canção! Eu amo o cara porque ele construiu uma sonoridade DELE, então é ela que eu quero. Se não eu ouviria outra coisa. No começo do ano, ouvi álbum duma moça cujo nome nem lembro mais. Ela transformou um punhado de canções do Mestre em puro jazz, que se encaixaria em filme do Woody Allen. Ficou cool, ficou novaiorquinamente sofisticado. Mas ficou chato pra burro e descaracterizou Burt.

Todos esses riscos Jayme correu ao me indicar o álbum da Traincha cantando Burt Bacharach. Ele poderia ter recebido email mal educado reclamando que me fez perder tempo ou dizendo que parasse de me recomendar lixo. Mas, nada isso aconteceu.


Traincha é o nome anglicizado de Trijntje Oosterhuis e o álbum onde interpreta Mestre Burt Bacharach se chama Look of Love: Burt Bacharach Songbook (2007).

A abertura me deixou animadíssimo. A versão de Do You Know the Way to San Jose não desapontará nenhum fã do Swing Out Sister! E é impossível pensar num fã do SOS que pelo menos não goste de Burt.... Traincha transformou Do You Know.... em algo diferente do original, mas manteve o “espírito Bacharach”.

Essa postura permanece ao longo de todo o álbum. A cantora jamais tenta mudar o que ela própria resolveu interpretar. The Look of Love continua com a batida de bossa nova e as cornetinhas que tanto amo no Burt (se ouço uma canção e tem cornetinhas tocadas dum determinado jeito já dou o alerta: Isso é Burt! Ou Isso nem é influenciado Burt!). The Windows of the World continua um dramático apelo contra a guerra. Tem que ser dramático, é um apelo né?

Traincha sobrevive à comparação com Dione Warwick. Ela Interpreta as canções do Mestre com emoção e como alguém que entendeu o material que tem nas mãos, ou melhor, na garganta. Eu ainda levaria as versões originais pra ilha deserta, mas é covardia comparar porque eu as ouço desde não sei quando...

Resumindo: é um grande álbum, idealizado por uma ótima cantora e que mantém a sonoridade muito particular inventada por Burt Bacharach. Maravilha ver que no século XXI, as regravações de suas pérolas pop continuam a todo vapor!

PS: escrevi este texto ouvindo Traincha, claro. Enquanto o fazia minha sobrinha mais nova, a Luana, entrou no quarto. Estava tocando What the World Needs Now e ela disse “ai, adoro essa música!” Achei estranho ela conhecer e perguntei onde. Daí ela falou que tá na trilha sonora duma novela atual.


sábado, 19 de dezembro de 2009

PROJETO DE LEI NO RIO DE JANEIRO

Mais um estado com Projeto deLei beneficiando os albinos com proetor solar grátis. Desta vez, é o Rio de Janeiro. Qualquer novidade a respeito do andamento ou de como ajudar, eu coloco aqui.

DISPÕE SOBRE O FORNECIMENTO GRATUITO, DE BLOQUEADOR SOLAR, ÀS PESSOAS CARENTES, VÍTIMAS DE QUEIMADURAS, PORTADORAS DE LÚPUS ERITEMATOSO, CÂNCER DE PELE, VITILIGO E ALBINISMO.







Número do projeto:
2230/2009
Art. 1º - Os estabelecimentos de saúde da rede pública estadual ficam obrigados a fornecer, gratuitamente, bloqueador solar, às pessoas vítimas de queimaduras, portadoras de lúpus eritematoso, câncer de pele, vitiligo e albinismo.
Parágrafo único – Somente será fornecido o bloqueador solar para as pessoas com renda mensal de até 2 (dois) salários mínimos e mediante apresentação de prescrição médica.
Art. 2º - As despesas decorrentes da execução da presente Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.
Art. 3º – O Poder Executivo baixará os Atos que se fizerem necessário a sua regulamentação.
Art. 4º – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Justificativa:
A Saúde é concebida como direito de todos e dever do Estado, que a deve garantir mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, regendo-se pelos princípios da universalidade e da igualdade de acesso às ações e serviços que a promovem, protegem e recuperam. O direito à vida à dignidade da pessoa humana e à saúde é de tão relevante importância que o legislador constituinte cuidou de registrá-los na Carta magna, a Constituição Federal. O direito da sociedade à saúde está previsto no art. 6º da Constituição Federal como um direito humano fundamental, gerando para o Estado o dever de desenvolver ações e serviços em saúde para concretizá-lo. O Estado deve centrar-se não apenas na assistência à doença, mas, sobretudo, na promoção da qualidade de vida e intervenção nos fatores que a colocam em risco. Nesse sentido, as pessoas que sofreram queimaduras, as portadoras câncer de pele, de lúpus eritematoso, vitiligo e albinismo necessitam ser especialmente assistidas para que possam desenvolver regularmente suas atividades, sem que a exposição ao sol reduza a capacidade de viver de maneira digna. A queimadura pode ser definida como uma lesão produzida no tecido de revestimento do organismo por agentes térmicos, produtos químicos, eletricidade, radiação, etc. A pessoa vítima de queimadura necessita do bloqueador solar, vez que, na maioria das vezes a pele a ser recuperada fica sensível e vulnerável, requerendo maiores cuidados quando da exposição. O câncer da pele é um tumor formado por células da pele que sofreram uma transformação e multiplicam-se de maneira desordenada e anormal dando origem a um novo tecido (neoplasia). Entre as causas que predispõem ao início desta transformação celular aparece como principal agente a exposição prolongada e repetida à radiação ultravioleta do sol. Independentemente do tipo de tratamento é recomendável a diminuição drástica a qualquer futura exposição ao sol. O desenvolvimento de câncer de pele significa que outras regiões do corpo também correm risco de terem sido lesadas pela luz solar e estejam igualmente vulneráveis para a instalação de outros processos cancerosos, principalmente se continuar a exposição ao sol. O lúpus possui como marca característica, uma erupção avermelhada invulgar em forma de borboleta que toma o nariz e as faces; supostamente, dá aos pacientes uma aparência de lobo (daí o seu nome, pois lúpus é lobo em Latim). O tratamento consiste em evitar a exposição ao sol, o uso de bloqueadores solares e a aplicação de cremes contendo esteróides. O vitiligo e o albinismo estão associados à falta do pigmento protetor, a melanina, em manchas da pele (vitiligo) ou generalizadamente (albinismo), como resultado de uma hipersensibilidade predeterminada. Há, então, uma tendência de facilmente fazer-se queimaduras solares nas áreas afetadas. O melhor conselho, dessa maneira é o de evitar ao máximo a exposição ao sol, cobrir a pele com roupas adequadas e usar regularmente um protetor solar de número alto. Praticamente, toda a população brasileira está exposta ao sol durante quase o ano inteiro. Os riscos são enormes, especialmente para aqueles cuja exposição representa uma ameaça constante. Os altos preços praticados na comercialização do protetor solar impedem sua aquisição pela grande maioria dos brasileiros. Diante do exposto, contamos com o apoio dos nobres pares na apreciação desse Projeto de Lei, que contribuirá para garantir a qualidade de vida de pessoas vulneráveis à exposição solar intervindo nos fatores que a colocam em risco.

(Encontrado em http://www.institutoagora.org.br/?q=node/1003)
(Eu não conhecia essa música. Gostei.)

O DIA EM QUE O CÉU EXPLODIU

Roberto Rillo Bíscaro

(Este post faz par com a postagem METEORO, de 18/09
http://www.albinoincoerente.com/2009/09/meteoro.html )

Recém vi o avô de filmes cujo tema é asteróide em rota de colisão com a Terra, ameaçando destruí-la. Trata-se da produção franco-italiana Il Morte viente dallo spazio (1958), lançado 3 anos depois nos EUA com o nome The Day the Sky Exploded. Assisti a versão dublada em inglês.

Uma espécie de cooperativa aeroespacial internacional está prestes a lançar o primeiro vôo tripulado ao espaço. O escolhido é um astronauta norte-americano (a Europa tinha que puxar o saquinho do Tio Sam depois do Plano Marshal, né??). Tudo vai indo bem até na hora de voltar à Terra, quando, devido a um problema, o piloto tem que ejetar-se do foguete e voltar pra Terra numa nave alternativa. A cápsula é abandonada à deriva no espaço. Tudo bem se não fosse um piccolo detalhe: Ela é movida a energia atômica.

Um par de dias após o retorno do astronauta, um radar capta uma forte explosão nuclear na região dos asteróides. Cientistas descobrem, horrorizados, que a explosão não apenas tirou alguns asteróides de suas rotas, mas também fundiu-os em gigantesco meteoro, em rota de colisão com nosso planeta.

A solução encontrada quase à última hora é reunir todos os mísseis nucleares das nações e apontá-los contra o meteoro.O final, todo mundo já sabe, né?

Típico das produções dos anos 50, muita cena de arquivo é usada: maremotos, animais em disparada, incêndios florestais, muitos lançamentos de mísseis e foguetes e muito, mas muito aparato tecnológico.

O meteoro é apenas uma desculpa pra vermos todo tipo de radares, sonares, computadores, botões e várias outras engenhocas. O filme está inebriado com as possibilidades tecnológicas. Nunca vi outro filme que mostrasse tantos bips diferentes pros radares e computadores. Em uma sequência temos uma mini-sinfonia de beeps de radar que deve ter influenciado o alemães do Kraftwerk!!!

A energia nuclear é ao mesmo tempo causa e solução dos problemas, mas a posição da narrativa não é ambivalente. Energia atômica fora de controle pode destrutiva pro planeta, mas nas mãos certas e competentes pode ser a salvação da humanidade.

A cinematografia é esmerada e está a cargo de Mario Bava, um dos mestres do horror italiano. Nos créditos iniciais, o nome de Mario está grafado Baja.

(Alguém colocou o filme todinho no U2B. Quem curtir ficção científica e disaster movie dos anos 50, tem diversão garantida. )

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

COMENDO ÀS ESCURAS

Dans le Noir? le invita a comer a oscuras
La cadena de restaurantes 'Dans le Noir?' instauró un nuevo concepto: cenar a oscuras. El establecimiento de los que aspiran a un mundo más justo y solidario. Cada año, Dans le Noir? invierte el 10% de sus beneficios en instituciones caritativas de diversa índole. Ahora llega a España con un restaurante en Barcelona.


Dans le Noir? ofrece, en la oscuridad, una diversidad de sabores, olores, texturas y temperaturas que llevan a los comensales a emprender un viaje directo a los más remotos y olvidados sentidos.
Los camareros, no videntes, se transforman en verdaderos guías en esta oscuridad provocada, dado que los clientes depositan en ellos su entera confianza durante la cena. Esta aparente paradoja, en la que la persona ciega se convierte en sus ojos, constituye sin embargo una verdadera lección de tolerancia y sensibilización a la discapacidad.
La cadena de restaurantes Dans le Noir? cumple seis años de intensa actividad y éxito arrollador, como así lo demuestran los más de 300.000 comensales que ya han compartido mesa y mantel en sus establecimientos de París, Londres o Moscú. Su propuesta original ha logrado crear una de las experiencias sensoriales y gastronómicas más singulares del mundo.
Tras la apertura de su primer establecimiento en París en el año 2004, la empresa ha crecido paulatinamente hasta convertirse en un pequeño emporio. Presente en tres países, cuenta con una plantilla de más de 75 empleados fijos, salvo franquicias, (y otros 150 temporales), de los cuales el 40% son no videntes.
La sucursal de Barcelona, dirigida por Christophe y Maite Sutto, es el primer restaurante a oscuras del sur de Europa, confirmando con ello, el carácter innovador y vanguardista de la ciudad catalana tanto en lo social como en lo gastronómico. Estará ubicado en el Paseo Picasso, 10.Dans le Noir? Barcelona abrirá sus puertas el próximo 31 de diciembre con un equipo formado por 16 personas de las que nueve son ciegos, y una política de precios populares que pretende acercar al mayor número de personas a esta experiencia sensorial y humana única.
(Encontrado em http://www.elcisne.org/ampliada.php?id=1305)
(Quem lembra de Comer, Comer, do Brazilian Gengis Khan?)

O SOM DA MUSA

Roberto Rillo Bíscaro

Há alguns anos, o Carlos Eduardo gravou um CD e disse que eu gostaria. Demorei dias pra pôr no CD player, mas depois que pus não queria tirar mais. Achei maravilhosa aquela banda que tinha um vocal meio Queen, meio Radiohead; que ia de quase hardcore a rock progressivo em menos de 30 segundos; que tinha aspirações a fazer musica “clássica” ao mesmo tempo que pop. Fiquei impressionado porque eles faziam em 4 minutos e meio, o que o Yes levava um lado inteiro dum álbum pra fazer! Variações melódicas, firulas guitarreiras e tecladeiras e muito, mas, muito drama mesmo! Prog rock, Queen e Radiohead na veia, ou seja, anos 70 informados pelo experimentalismo 90s e do século XXI do combo oxfordiano de Thom Yorke.

O nome da banda também não era nada bombástico: Muse! Virei fã na hora e a banda inglesa passou a ser meu filhote favorito do Radiohead. OK, gosto bastante do Keane e do Travis, mas Muse é puro drama, puro excesso e eu gosto mais disso!

Mas, parece que eles tinham um pouco de “vergonha” de liberar esse excesso. Sei lá, por mais que eu detectasse todas essa influências na banda, faltava eles “saírem do armário”. Sou fã absoluto de rock progressivo dos anos 70, e estou plenamente acostumado a excessos sônicos e vocálicos! E achava que, no fundo, o que o vocalista/guitarrista Mathew Bellamy realmente desejava era ser um “divo” à la Freddie Mercury. Nota: não sei e nem estou interessado na sexualidade de Bellamy. As alusões a “sair do armário” e “divo” são puramente metafóricas aqui.

Pois não é que em setembro passado meu sonho se tornou realidade? Muse lançou o álbum The Resistance e todo o excesso que eu queria veio à tona! O disco é puro drama, puro Queen (desapontarei a muitos agora: tenho apenas um álbum do Queen...), puro prog rock!

Tá tudo exagerado: Bellamy vai do sussurro ao grito; em algumas faixas seus vocais estão em camadas superpostas. Há solos de guitarra executados com gusto e orquestras completas tocando trechos de Chopin e também canções do próprio Muse. E tudo isso concebido por Bellamy! O galope de guitarra e bateria de bombástica Knights of Cydonia, faixa de encerramento do álbum anterior, já apontava o caminho trilhado no álbum deste ano. Pena que não consigo mais achar o vídeo no You Tube, mas trata-se duma mistura de ficção científica com ópera rock e spaghetti western!

Letras sobre ficção científica, (uma delas bilíngüe), compõem este cenário de glam e ópera rock, onde tudo é bombástico, apresentando canções com títulos como Exogenesis: Symphony, dividida em 3 partes: Overture, Cross Pollination e Redemption. Quer mais progressivo do que isso?

Como estamos em 2009 e os meninos cresceram ouvindo não apenas Queen, Radiohead e prog rock, há um momento onde algum produtor contemporâneo parece ter cruzado com o Depeche Mode (Undisclosed Desires). Não ficou muito bom porque não combina com o resto do álbum. Não sei quais os singles escolhidos pra promover o álbum; talvez essa faixa seja algum aceno mais comercial do grupo. Mas, tudo bem, influência do Depeche nunca matou ninguém, né?

Muse é o rock progressivo do capitalismo tardio: não há mais tempo pra longas suítes sinfônicas durando um lado dum vinil, então tá tudo encapsulado em canções mais curtas. Não há como negar que o esforço de concentração é imenso. E funciona!

Abaixo, a faixa de abertura de The Resistance.

ALBINOS NA TV BRASIL

Matérias na mídia impressa a respeito da matança dos albinos na Tanzânia eu já havia visto várias. Na TV brasileira ainda não (isso não significa que não tenham existido, claro!). Devido à escassez de material em português sobre o assunto no You Tube, acho que vale postar aqui a pequena matéria que um repórter brasileiro fez na África.

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/960/

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

REGGAE ALBINO

Você sabia que um dos maiores nomes do reggae é uma pessoa com albinismo? Vamos aprender um pouco sobre o Yelowman, Rei do Dancehall, como alguns o chamam.

Yellowman, nome artístico de Winston Foster (Negril, Jamaica, 1956), é um deejay jamaicano de ragga e dancehall. É considerado um dos únicos artistas de reggae a alcançarem sucesso na Jamaica comparável ao de Bob Marley, além de ser também o primeiro ícone do dancehall.
Biografia e carreira
Yellowman nasceu órfão e foi criado no orfanato Maxfield em
Kingston. Sua condição de albino trouxe muito preconceito desde o começo, sendo seu principal refúgio a música. Suas maiores influências vêm de deejays como U-Roy.Já adolescente, consegue um emprego como DJ substituto no Gemini Sound System. Seu estilo único de vestir-se, juntamente com sua aparência e seu talento indiscutível, fizeram-no rapidamente um sucesso. Suas rimas altamente satíricas, versando sobre sua cor de pele e seus casos com as mulheres logo ficaram famosas. Com sua perfomance de palco altamente energética e empolgante atrai muitos fãs.Em 1979, ele vence o aclamado Tastee Talent Contest. Yellowman gravou muitos singles e álbuns durante os anos 80, chegando a lançar mais de quarenta singles e cinco álbuns em um mesmo ano.Sua fama internacional chegaria em 1982 com o álbum "Mister Yellowman", produzido por Henry "Junjo" Lawes. Em muitas de suas futuras composições Yellowman teve a colaboração do deejay/toaster Fathead.Em 1983, ele assina com a gravadora CBS Records. Entretanto, o álbum "King Yellowman", com misturas muito variadas, não atinge o sucesso esperado. Então, Yellowman assina com a Shanachie Records onde fica até 1986, quando assina com a gravadora RAS Records.Neste ano, Yellowman foi diagnosticado com câncer de garganta e dado pelos médicos apenas seis meses de vida. Após intenso tratamento e cirurgia, consegue-se recuperar totalmente. Continua sua carreira com letras ainda mais controversas, tentando recuperar seu sucesso frente ao surgimento de muitos novos artistas de dancehall. No começo dos anos 90, é diagnosticado com câncer de pele. Depois de superar mais uma vez a doença, Yellowman decide voltar-se mais para a espiritualidade e assuntos sociais. Em 1997, passa a gravar pelo selo Artists Only.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Yellowman

Pros que lêm inglês, descobri um ótimo sobre Yellowman, mantido por fãs. http://www.kingyellowman.com/home.html


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

CHABROL BROCHANTE

Resultado de imagem para bellamy chabrol

Roberto Rillo Bíscaro

Um filme-homenagem a um mundialmente famoso escritor belga de histórias de detetive, dirigido por um dos fundadores da Nouvelle Vague, estrelado por um dos melhores atores franceses, atuando pela primeira vez sob a batuta do conceituado diretor. Combinação perfeita pros sonhos de qualquer admirador de bom cine, não? Exato

Entretanto, ao final de Bellamy (2009) resta um travo de decepção e a impressão de que uma eletrizante oportunidade foi perdida. Bellamy, a personagem central, é uma espécie de homenagem ao Comissário Maigret, célebre desvendador de crimes, criado pelo escritor belga Georges Simenon. Juntamente com Hercule Poirot e Sherlock Holmes, Maigret constitui-se no supra-sumo pros fãs de histórias de detetives.

O filme foi dirigido por um dos fundadores da Nouvelle Vague, Claude Chabrol, especialista em dissecar as podridões e segredos espúrios de famílias burguesas em filmes de suspense. Na ativa desde a década de 50, o diretor ainda produz grandes filmes, vejam, por exemplo, o excelente La Fleur Du Mal (2003) e/ou o seu sucessor La Demoiselle d'Honneur (2004).

O inspetor Bellamy é interpretado por ninguém menos do que Gerard Depardieu. Adoro o Depá! Com aquela cara e narigão não galânicos dele, ele ganhou o mundo. Claro que também é excelente ator e pra mim foi a melhor coisa em Bellamy, o filme. Uma interpretação descontraída, a gente quase consegue gostar de Bellamy, a personagem... Se o filme não fosse tão monótono, o inspetor poderia ser um filé mignon prum ator do porte de Depardieu.

O inspetor Paul Bellamy e sua amada esposa estão em férias numa cidade pequena quando o detetive é contatado por um homem que diz ter importantes informações a respeito do desaparecimento recente de Emile Leullet, envolvido num acidente de carro objetivando fraudar a empresa de seguros, que culmina com a morte de alguém. Belamy não acredita nessa primeira versão e sai interrogando pessoas e – facilmente demais pro meu gosto! – desvenda o caso antes da polícia, mas sempre por trás dos panos.

Pra complicar a trama, temos a história paralela do irmão de Belamy, alcoólatra e viciado em jogo. Ele vem passar uma temporada na casa de férias do casal parisiense e somos testemunha de todos os ressentimentos entre os 2 homens, desde uma tentativa de assassinato quando crianças, até suspeita de adultério durante a visita.

Narrativamente, o irmão complicador serve como elemento que joga dúvidas e complexidade à personagem de Bellamy. A cena em que o detetive desconfia da fidelidade de sua esposa representa cenicamente o equivalente à afirmação que aparece escrita no fim do filme, a respeito de sempre haver outra verdade além da que vemos. Sabe aquela coisa “as aparências enganam”? Novidade, né? Mas, Chabrol ainda é Chabrol e MOSTRA isso repetidas vezes ao longo da narrativa fílmica. Enfim, um Chabrol menor ainda vale mais do que 90% que passa por aí... Eu dispesnaria o pós-escrito sobre as aparências enganosas, porém. Já dava pra entender pela narrativa do filme.

O destino dado ao irmão de Bellamy garante um fim circular ao filme, ou seja, o desfecho da personagem vai nos remeter ao ponto desencadeador da narrativa, possivelmente fazendo com que olhemos pra ela de outro modo, questionando-a e também imaginando que a narrativa explicativa que se seguirá após à conclusão do destino do irmão de Bellamy, certamente levará também a jogo de espelhos do qual acabáramos de ser testemunhas.

Quem teve saco pra ler até aqui deve estar se perguntando: mas o que que esse branquelo tem contra o filme, afinal? Parece ser um ótimo filme!

Então, gentem, mas não é, porque é um Claude Chabrol!!! Ele pode e sabe fazer melhor do que isso. O filme nunca realmente decola, entende? A gente caba não se importando muito com nenhuma das tramas porque as personagens acabam não sendo muito aprofundadas.

Alguns irão reclamar do oportunismo de se ter a mulher do inspetor como nativa da cidadezinha, e que, mesmo fora de lá, ainda conhece todo mundo! Ou da vendedora da loja onde o inspetor comprar madeira estar envolvida na história. Bobagem de quem não entende as convenções dum determinado tipo de romance policial. Se você não aceita essas convenções, vá fazer palavras cruzadas. Ou, se quer algo mais “real”, vá ser voluntário nalguma instituição de caridade!

O grande problema do filme é justamente certa frieza ou morneza que impede que os elementos poderosos ali reunidos funcionem bem.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

PRECONCEITO VELADO

Ah, esse preconceito velado...
Rede Saci15/12/2009
As conquistas das pessoas com deficiência são muitas, mas o preconceito ainda existe
Adriana Lage
Felizmente, a situação das pessoas com deficiência tem melhorado muito nos últimos anos. Hoje em dia, palavras como inclusão, diversidade e acessibilidade estão sendo incorporadas ao nosso cotidiano. As escolas já aceitam melhor os alunos com deficiência, empresas se esforçam para cumprir a Lei de Cotas, novas edificações só recebem o alvará se forem acessíveis, dentre outras conquistas.
Até nas novelas estamos presentes. Querendo ou não, temos que reconhecer que grande parte da população assiste às novelas e acaba aprendendo que as pessoas com deficiência são seres humanos como qualquer pessoa, com qualidade e defeitos, habilidades e deficiências. A informação é sempre a melhor arma na luta contra o preconceito.
Torço muito para que um dia datas como 3 de dezembro não existam mais. Acredito que estamos no caminho certo. Fico impressionada como algumas pessoas ainda possuem um pensamento tão pequeno em relação às pessoas com deficiência. Nos últimos dias, algumas situações me deixaram chateada:
- Sou cliente assídua de uma feirinha próxima a minha casa. Parei em uma barraca e me interessei por algumas blusas. Quando a vendedora percebeu que minha compra estava chegando perto dos R$ 100,00, ela começou a insistir para que eu não levasse as peças. Por sorte, um vendedor de bolsas do qual sou cliente foi mexer comigo e comentou que sou uma excelente cliente e que meu cheque é garantido. Após ouvir esse comentário, ela ficou toda sem graça e me devolveu todas as peças que eu queria levar. Fiquei chateada com a atitude dela. Tive a impressão que a vendedora imagina que deficientes não possuem renda. Há tempos atrás, eu teria desistido da compra. Na mesma semana, na academia que freqüento, minha mãe comentou com uma vendedora de roupas que eu queria olhar as peças. A mulher inventou um monte de desculpas e não me mostrou as roupas. Minha mãe ficou indignada com a situação e, na aula seguinte, contou o caso da feira pra ela. Resultado, nessa segunda feira, ela foi até minha casa para que eu comprasse as roupas e se surpreendeu com minhas compras.
- A festa de final de ano da empresa em que trabalho foi realizada em um Hotel Fazenda. A equipe é formada por cerca de 130 pessoas, sendo uma cadeirante, uma usuária de bengala (esclerose múltipla) e um deficiente auditivo. Em momento algum, o comitê organizador da festa pensou na acessibilidade. Liguei para o local da festa e fui informada que eles não estavam aptos para me receber. O local possui muitas escadas, não possui rampas e nem banheiro adaptado. Para entrar no banheiro, minha amiga precisou subir 6 degraus. A cadeira de rodas também não passou nas portas. Comentei com meu chefe e com outras pessoas que eu gostaria muito de ir, mas que ficaria difícil por causa da acessibilidade. Muitas pessoas não concordaram com meus argumentos. Resultado, as pessoas foram para a festa e eu fiquei trabalhando normalmente. Após a festa, várias pessoas comentaram que eu acertei quando escolhi não participar da festa. Ao invés de me divertir, ficaria estressada com tantas escadas para subir... Querendo ou não, me senti excluída. É fácil para quem não anda em uma cadeira de rodas e tem equilíbrio no tronco falar que as pessoas carregariam a cadeira sem problemas. Ninguém pensa o quanto é desconfortável e perigoso para a cadeirante!!
- Estava conversando com um amigo que é atleta paraolímpico sobre esporte. Ele me contou indignado, e com toda razão, que em provas como o Iron Biker (competição internacional de ciclismo) e na Volta Internacional da Pampulha (corrida), os deficientes podem participar, mas só recebem uma medalha de prêmio. As outras categorias são premiadas com dinheiro. No esporte paraolímpico, o Brasil está entre as potências mundiais. Imagina então se não estivesse....
- No último domingo, estava no clube conversando com uma amiga cadeirante, que é nadadora, e ela me disse que uma das sócias do clube não gosta da sua presença, pois se sente incomodada com as cicatrizes que ela possui devido a um acidente de carro.
- Fui passear com minhas irmãs e minha prima pela Savassi, um bairro famoso em Belo Horizonte e ponto de encontro da galera, e passei aperto para andar nas ruas esburacadas, com degraus altos nas calçadas, sem nenhum rebaixamento ou rampa. Tanto na pastelaria quanto na sorveteria, existem degraus para entrar na loja, sem falar nas mesas que não combinam com os pés da cadeira de rodas...
- Quanto se trata de relacionamentos, a situação ainda é complicadíssima. Tenho amigos deficientes que não conseguem arrumar nenhuma namorada por causa do preconceito e acabam tendo que recorrer às profissionais do sexo. Fico brava demais quando recebo algumas propostas que no final das contas se resumem a tirarem casquinhas de mim, como se eu não servisse para ter um relacionamento estável e duradouro. Muitas pessoas ainda pensam que só porque você anda em uma cadeira de rodas está ‘encalhada’ e desesperada... As coisas não são assim!!!
Enfim, o que mais me mata de tristeza é esse preconceito velado. As pessoas falam que não são preconceituosas, mas acabam nos excluindo sim, seja através das barreiras arquitetônicas ou das atitudinais. Mas, se Deus quiser, e ele há de querer, um dia isso muda!

(Encontrado em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27556)

(Uma das canções mais maravilhsas da Adriana Calcanhoto. Com alguns dos versos de abertura que eu mais amo no pop brasileiro! "Entre por essa porta agora...")

FREAK SHOWS

Freak Shows (show de aberrações) é a expressão inglesa usada pra denominar uma forma de entretenimento bastante comum nas cidades norte-americanas, aproximadamente da metade do século XIX até o fim dos anos 1960.

Geralmente associados a circos e a parques de diversão, os freak shows apresentavam toda sorte de atrações visando chocar o público. Desse modo, diversas condições genéticas como o gigantismo, o nanismo e a neurofibromatose, além de deformidades de toda espécie, eram apresentados nesses espetáculos. Animais de duas cabeças, seres humanos extremamente peludos ou tatuados; tudo era motivo pra atrair público curioso pelo “bizarro”.

Pra pessoas nascidas com determinadas condições genéticas, os freak shows muitas vezes apresentavam-se como única fonte possível de emprego.

Pessoas com albinismo não eram infreqüentes nesse tipo de espetáculo. A edição de setembro da revista Super Interessante trouxe uma pequena nota sobre o assunto, juntamente com uma rara foto da época.

Agradeço ao Jayme por ter escaneado o material e envaido ao blog.

(Abaixo, trecho de um documentário a respeito do que seria o “Último Freak Show Norte-Americano”. Não conheço o trabalho, por isso não posso recomendá-lo. Entretanto, as cenas desse trailer dão uma ideia aproximada do tipo de números exibidos em freak shows.)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PARTICIPAÇÃO POPULAR

Ontem, postei sobre o Projeto de Lei 3911/2009, em trâmite na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. De autoria do deputado Dr. Viana, o projeto prevê a distribuição gratuita de protetor solar para os residentes daquele estado, vítimas de queimaduras, portadoras de lúpus eritematoso, câncer de pele, vitiligo, albinismo e demais doenças de pele que justifiquem seu uso.
O Projeto encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça da ALMG, aguardando diligência.
Mesmo os não-residentes em Minas podem ajudar enviando emails de apoio ao Projeto. Basta enviar email para o endereço dep.dalmo.ribeiro.silva@almg.gov.br , presidente da Comissão. Aos que decidirem ajudar, favor enviar a mensagem com cópia para os seguintes endereços: dep.doutor.viana@almg.gov.br e tania.penha@almg.gov.br
Peço encarecidamente que os leitores dediquem alguns minutos para apoiar o projeto, muito importante para um número significativo de pessoas.
Elaborei mensagem-padrão que pode ser copiada e colada no email para facilitar a vida daqueles que não têm tempo para redigir textos.

Exmo. Sr. Deputado Dalmo Ribeiro Silva,

Venho por meio deste, expressar meu apoio ao Projeto de lei 3911/2009, de autoria do Deputado Dr. Viana, que prevê o fornecimento gratuito de protetor solar às vítimas de queimaduras, portadoras de lúpus eritematoso, câncer de pele, vitiligo, albinismo e demais doenças de pele que justifiquem seu uso.

Tal Projeto é de extrema importância, uma vez que beneficiará grande número de pessoas impossibilitadas de arcar com as despesas de aquisição do protetor solar, cujo preço é alto e em alguns casos é exigido em grandes quantidades e, no caso do albinismo deve ser usado diversas vezes ao dia, durante a vida toda. O não uso do protetor solar coloca o indivíduo em risco de desenvolver câncer de pele, cujo tratamento, além de doloroso, é extremamente oneroso aos cofres públicos.

Confiante de que essa Comissão dará ao Projeto a atenção que merece, despeço-me agradecidamente,

(Nome do remetente)

domingo, 13 de dezembro de 2009

DEMÔNIO RETRÔ

Roberto Rillo Bíscaro

A década de 70 foi infestada por filmes a respeito de seitas satânicas ou possessão demoníaca. The Exorcist (1973) e The Omen (1976) podem ser os mais populares, mas não passam de ponta de iceberg. Até John Travolta começou em filme de culto satânico (The Devil’s Rain (1975)), sendo derretido no final!
Volta e meia alguma notícia sobre malucos cultuando o diabo no mundo real alimentava ainda mais a histeria e a lucratividade dos filmes e da mídia. Rosemary’s Baby (1968) alterara o paradigma dos filmes de culto satânico com uma ambientação “normal” e longa espera antes de clímax. Era Roman Planski usando a idéia de Alfred Hitchcok de que o que realmente importa num filme de suspense é a espera e não o clímax em si. Ironicamente, a atriz Sharon Tate, primeira esposa do diretor polonês, seria brutalmente assassinada por Charles Manson e sua trupe de malucos satanistas.
Muita produção pra TV nos anos 70 e primeira metade dos 80 era sobre o demônio. Cães possuídos pelo Cão, carros comandados pelo demo. Enfim, o diabo! O mundo às voltas com demônios de verdade como Richard Nixon, Ronald Reagan e o aloprado Jim Jones e o cine reproduzindo isso em diabruras em celulóide. Muita produção barata também, as quais, não podendo contar com orçamento pra efeitos especiais tinham que se esmerar em fazer uma boa preparação de terreno antes do clímax, geralmente meio improvisado. Casas escuras, gente esquisita, silêncios, corredores sinistros. A gente ficava angustiado pelo clima de suspense e pela angústia de saber que algo iria acontecer, mas quando?
Tudo isso foi há mais de 30 anos, todavia... Hoje os filmes de horror são diferentes, obviamente. Outras convenções, outros modos de filmar, outro equipamento, até mesmo certo modo diferente de atuação de atores. Muitos fãs de horror atual não suportariam a lentidão e a falta de elementos high tech nesses filmes de possessão diabólica dos anos 70 e começo dos 80...
Sexta à noite, decidi ver um filme chamado The House of the Devil (2009). Eu não sabia nada a respeito do filme, mas nada mesmo. Ouvira falar dele apenas um par de dias antes de assistir e mesmo assim não lera crítica alguma. O título me pareceu divertido o bastante; adoro filme de casa mal-assobrada!
Botei o filme no player, deitei. Primeiro aparecem uns dados estatísticos sobre cultos satânicos nos anos 80, situando o filme naquela década. Mmmm, delícia, pensei. Quando os créditos e a musica iniciais começaram, não pude acreditar: são puro vintage do fim dos anos 70/começo dos anos 80. Daí eu fui reparando melhor, a protagonista era super começo dos anos 80, os cabelos, o walkman enorme que ela usava. A recriação da época é muito boa. Até a película ou a câmera usada são as mesmas da época, então a impressão que se tem é de estarmos vendo um filme de casa mal assombrada/ritos satânicos de sua época dourada!
A premissa é a seguinte: Samantha necessita urgentemente de grana pra mudar-se do quarto onde vive com uma amiga suja e promíscua. “Coincidentemente” surge uma proposta pra que ela vá a uma casa enorme, estranha, no meio do nada, pra cuidar de uma inválida. Ou seja, como o espectador já conhece as convenções desses filmes porque a película deixou bem claro que está operando totalmente dentro delas, resta-nos esperar quando Samantha vai entrar pelo cano e como!
E é na espera que o diretor Ti West se regozija em torturar o espectador. Ou entediar, depende do espectador... São 70 minutos de construção do clímax: muitos silêncios, muita exploração da casa misteriosa. Tudo filmado absolutamente como se fosse um filme da época. Quem viveu ou conhece bem a épocada qual estou falando vai se lembrar de muitos filmes e também de muitas coisas vividas enquanto assiste The House of The Devil. É pura nostalgia.
Depois que acabei de ver o filme fui procurar comentários, e, conforme previra, as pessoas dividem-se em 2 grupos:as que amam e as que odeiam. Quem ama é porque o filme remete a tempos passados, porque troca o gore pelo clima etc. Quem odeia é porque acha o filme chato e lento demais. Teve gente que detestou porque achou o final “fraco”demais.
Realmente, a maneira como a heroína parece escapar é simplória demais. (alías, pra quem conhece a convenção desses filmes vou soltar um spoiler: o destino da heroína é super 70s...). Mas, eu entendi isso como parte da estrutura retro e laudativa do filme. Meu problema com o final foi outro. Preciso ver de novo, mas me parece que filmaram o final em alta definição, o que entra em contradição com os 2 primeiros atos. Além disso, achei as cenas um pouco gore demais prum filme da época. E tem aquele maldito som de “espada sendo desembainhada” que deveria ser banido nos filmes contemporâneos porque já saturou!!!!
The House of the Devil é uma viagem retro pra quem curte filmes de casa mal assobrada e cultos satãnicos dos anos 70 e 80. Enquanto opera nessa convenção é uma delícia; quando decide ficar indeciso a respeito de pra qual santo rezar, perde o gás, bem no final, infelizmente! Ainda assim, fazia tempo que eu não gostava tanto assim dum filme de terror.
(Eis o trailer. Não se deixe enganar pela trilha sonora do trailer, que é desse tipo moderninho que assusta mais do que o filme em si! A música incidental de The House of The Devil é puro 70s/80s!)

PROJETO DE LEI EM MINAS GERAIS

Mais um estado da Federação tem Projeto de Lei em trâmite, que garante a disponibilização de protetor solar a albinos. O deputado mineiro Doutor Viana é autor do projeto, que beneficiará outros grupos além das pessoas com albinismo.

Agradeço à jornalista Tânia Mara da Paz Penha, assessora do Dr. Viana, que gentilmente me enviou o texto do Projeto e também me ligou passando alguns detalhes, os quais postarei amanhã com mais vagar.

Parabenizo ao deputado pela iniciativa e deixo aqui seu site para que os leitores conheçam melhor seu trabalho.

http://www.doutorviana.com.br/2/index.asp?c=235

Eis o texto do Projeto.

PROJETO DE LEI N° 3.911/2009. Atribui ao Estado a obrigação de fornecer, gratuitamente, bloqueador solar às pessoas carentes, que especifica, residentes no Estado, vítimas de queimaduras, portadoras de lúpus eritematoso, câncer de pele, vitiligo, albinismo e demais doenças de pele que justifiquem seu uso e dá outras providências. A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais decreta: Art. 1° - Os estabelecimentos de saúde da rede pública estadual ficam obrigados a fornecer, gratuitamente, bloqueador solar, compatível com a necessidade especificada por profissional da área médica, às pessoas vítimas de queimaduras, portadoras de lúpus eritematoso, câncer de pele, vitiligo, albinismo (hipopigmentação congênita), e demais doenças de pele que justifiquem seu uso, com renda mensal de até três salários mínimos e mediante apresentação de prescrição médica. Art. 2º - As despesas com a execução desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementares, se necessário. Art. 3º - O gozo desses direitos serão garantidos mediante o cadastramento feito nos postos de saúde. Art 4º - O Poder Executivo regulamentará esta lei a partir de sua publicação. Art. 5° - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Sala das Reuniões, 27 de outubro de 2009. Doutor Viana Justificação: A saúde é concebida como direito de todos e dever do Estado e deve ser garantida mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, regendo-se pelos princípios da universalidade e da igualdade de acesso às ações e serviços que a promovem, protegem e recuperam. O direito à vida, à dignidade da pessoa humana e à saúde é tão relevante que o legislador constituinte cuidou de registrá-los na Carta Magna, a Constituição Federal. O Estado deve centrar-se não apenas na assistência à doença, mas, sobretudo, na promoção da qualidade de vida e na intervenção nos fatores que a colocam em risco, de forma preventiva. Assim, as pessoas que sofreram queimaduras, as portadoras de câncer de pele, de lúpus eritematoso, vitiligo e albinismo necessitam ser especialmente assistidas para que possam desenvolver regularmente suas atividades, sem que a exposição ao sol reduza a capacidade de viver de maneira digna. A queimadura pode ser definida como uma lesão produzida no tecido de revestimento do organismo por agentes térmicos, produtos químicos, eletricidade, radiação, etc. A pessoa vítima de queimadura necessita do bloqueador solar, uma vez que, na maioria das vezes, a pele a ser recuperada fica sensível e vulnerável, requerendo maiores cuidados quando da exposição. O câncer de pele é um tumor formado por células da pele que sofreram uma transformação e se multiplicam de maneira desordenada e anormal dando origem a um novo tecido (neoplasia). Entre as causas que predispõem ao início desta transformação celular aparece como principal agente a exposição prolongada e repetida à radiação ultravioleta do sol. Independentemente do tipo de tratamento, é recomendável a diminuição drástica a qualquer futura exposição ao sol. O desenvolvimento de câncer de pele indica que outras regiões do corpo também correm risco de ter sido lesadas pela luz solar e de estar igualmente vulneráveis para a instalação de outros processos cancerosos, principalmente se continuar a exposição ao sol. O lúpus possui como marca característica uma erupção avermelhada invulgar em forma de borboleta que toma o nariz e as faces; supostamente, dá aos pacientes uma aparência de lobo (daí o seu nome, pois “lupus” é lobo em latim). O tratamento consiste em evitar a exposição ao sol, o uso de bloqueadores solares e a aplicação de cremes contendo esteroides. O vitiligo e o albinismo estão associados à falta do pigmento protetor, a melanina, em manchas da pele (vitiligo) ou generalizadamente (albinismo), como resultado de uma hipersensibilidade pré-determinada. Há, então, uma tendência de facilmente fazer-se queimaduras solares nas áreas afetadas. O melhor conselho, é evitar ao máximo a exposição ao sol, cobrir a pele com roupas adequadas e usar regularmente um protetor solar de número alto. Praticamente, toda a população brasileira está exposta ao sol durante quase o ano inteiro. Os riscos são enormes, especialmente para aqueles cuja exposição representa uma ameaça constante. Os altos preços praticados na comercialização do protetor solar impedem sua aquisição pela grande maioria dos brasileiros. Esse projeto de lei, que ora apresentamos aos nobres colegas para conhecimento e apoio, segue determinação da Constituição do Estado, que diz no seu art. 186: “A saúde é direito de todos, e a assistência a ela é dever do Estado, assegurada mediante políticas sociais e econômicas que visem à eliminação do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Parágrafo único - O direito à saúde implica a garantia de: I - condições dignas de trabalho, moradia, alimentação, educação, transporte, lazer e saneamento básico; II - acesso às informações de interesse para a saúde, obrigado o Poder Público a manter a população informada sobre os riscos e danos à saúde e sobre as medidas de prevenção e controle; III - dignidade, gratuidade e boa qualidade no atendimento e no tratamento de saúde; IV - participação da sociedade, por intermédio de entidades representativas, na elaboração de políticas, na definição de estratégias de implementação e no controle das atividades com impacto sobre a saúde”. Por esse motivo, acreditamos no apoio dos nobres parlamentares desta Casa Legislativa. - Publicado, vai o projeto às Comissões de Justiça, de Saúde e de Fiscalização Financeira para parecer, nos termos do art. 188, c/c o art. 102, do Regimento Interno.

(Pra mim, falou em Minas, eu lembro em Milton Nascimento...)

sábado, 12 de dezembro de 2009

OURIÇO ALBINO OBESO


11/12/09 - 09h12 - Atualizado em 11/12/09 - 09h12
Obeso, ouriço albino ganha regime e programa de exercícios
'Snowball' pesa 1,5 kg, quando o normal é pesar 500 g. Desde que começou a nadar e correr, animal perdeu 38 g.


'Snowball' (bola de neve, em português) é um ouriço albino que pesa 1,5 quilo - 1 quilo a mais do que o peso considerado normal para animais como ele.

Levado ao St. Tiggywinkles Wildlife Hospital, em Buckinghamshire, na Inglaterra, o ouriço passa agora por um programa de exercícios e um regime controlado com ração diet, de acordo com reportagem publicada pelo jornal britânico "Telegraph".

Para perder peso, 'Snowball' – que chegou ao hospital em outubro – faz sessões de corrida e natação. Até agora, o animal emagreceu 38 gramas. "Ouriços só comem e comem. Se eles tiverem comida, vão comer muito", disse o fundador do hospital, Les Stocker.

'Snowball' vai ficar na instituição até o verão no hemisfério norte, quando será levado a uma área de proteção de ouriços albinos. Apenas um em cada 10 mil ouriços nascem com albinismo e sua condição os torna particularmente vulneráveis aos predadores.


(A homenagem de Roberto Carlos às gordinhas.)



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

RELATÓRIO DA CRUZ VERMELHA - II

Mais um trecho do relatório elaborado pela Cruz Vermelha a respeito da crise que os albinos enfrentam em partes da África.

A história do paciente com câncer.

EVODE MAPUNDA
Dar es Salaam


Até recentemente, Happy Mapunda teria se considerado justamente batizada. Ela vivia com seu marido albino Evode, 34 anos, na cidadezinha de Songea , no extremos sul da Tanzânia, onde ele trabalhava como professor primário – ocupação comum entre os albinos que, a despeito de todas as dificuldades, conseguem adquirir alguma educação.
Happy, 30 aos, diz que seu marido era um homem atraente. Seu casamento foi abençoado com 5 filhos, incluindo 2 pares de gêmeos, todos negros.
Agora, ele está em uma cama numa ala do hospital nacional do câncer em Dar es Salaam, onde chegara em estado crítico, após uma viagem de 12 horas de ambulância.
Lutando contra as lágrimas, mas falando em tributo a seu amado marido, Happy explica que ele já passou por 8 das 10 sessões planejadas de radioterapia, mas não tem certeza se ele passará por todas.
“Ele não consegue comer ou falar há 3 dias”, explica. Comida e fluidos simplesmente escapam pelo buraco em seu pescoço, criado pelo câncer de pele. Mesmo perto do fim, Evode mantém o ar professoral, refinado. “Ele vive dando adeus”, afirma Happy. ‘Adeus, adeus. Cuide das crianças. Diga adeus a meus pais e a meu pároco.’ Não sei como farei com as crianças. Os pais de Evode também são muito velhos.”
Happy, que trabalha em um pequeno terreno perto de casa, recorda-se de que quando as histórias sobre os assassinatos de albinos na região dos Grandes Lagos começaram a aparecer nos jornais, Evode “sentiu-se ameaçado” e se perguntou em voz alta se as mortes se espalhariam para o sul. “Mas, não houve mortes de albinos no sul”, ela conta. Em termos albinos, ele tinha sido um dos sortudos, com um emprego longe do sol. Não foi o bastante.
Pós- escrito: Evode Mapunda completou seu ciclo de radioterapia, mas recebeu alta do hospital em 12 de outubro de 2009 para morrer em casa, em Songea.


PASSION PIT



Roberto Rillo Bíscaro


Imagine que seu namorado(a) resolva gravar algumas canções pra elaborar um CD especialmente pra te dar de presente no dia dos namorados. Imagine também que as canções sejam tão boas, as melodias tão grudentas e a produção tão bem cuidada que o CD acabe despertando a atenção de blogueiros e gente interessada em música eletrônica independente e comece a circular informalmente por aí. Aí, imagine que uma grande companhia fonográfica ouça tanto tititi underground e se interesse em lançar as canções em forma de EP. Finalmente, imagine que uma das canções seja utilizada numa propaganda de TV e desperte mais atenção ainda dum público mais antenado.


Enredo de filme água com açúcar? Não senhores! Foi mais ou menos assim que ocorreu com o Passion Pit, inicialmente projeto romântico do Michael Angelakos. Como tanta gente, primeiramente os conheci pela hipnótica Sleepyhead, com seu clima meio de outro planeta, meio onírico, aqueles vocais fininhos e, o que mais me chamou atenção: os teclados que me lembraram imediatamente o Genesis da fase 1977/78, basta conferir como o Tony Banks pilota seus sintetizadores naquela época, especialmente no álbum Three Sides Live... Depois dessa, tive que ouvir o tal EP, claro! Caiu o queixo.

Em maio deste ano, saiu o primeiro álbum, Manners. Agora os meninos de Boston são oficialmente uma banda. Pra variar, fui ao You Tube procurar faixas e ouvi The Reeling. Quase cai da cadeira, prostrado de joelhos. A melodia e o refrão grudentos estavam lá, os teclados e clima meio de rock progressivo sinfônico estavam igualmente lá. E ainda havia coro infantil no refrão. Golpe baixo dos caras. É pra gente gostar mesmo, fazendo assim, né? Comigo o golpe funcionou 100%! Depois dessa amostra, eu tinha que escutar Manners inteirinho.

A primeira faixa, Make Light, abre com o maior sonzão de teclado genesiano! Ao longo das 11 faixas, as influências vão desfilando na nossa frente: New Order, Kraftwerk, Prince e o pessoal do prog rock sim... A produção é bem redondinha, a sonoridade não tem aresta nenhuma. Tudo feito pra agradar e parecer limpinho mesmo. Limpinho, polido e não ascético e sem gosto. É um clima meio “esquisitinho pra cativar”. Cheio de barulhinhos, como diria a sobrinha acústica dum amigo. Letras sobre sofrimento e melancolia cantadas como acompanhamento de melodias alegres. Todas as composições são de Angelakos, que provou ser um artesão pop de primeira, mesmo que esse pop venha disfarçado com glacê de cor estranha.