terça-feira, 10 de maio de 2011

TELINHA QUENTE 17


Folhetim com Pós-Doc

Roberto Rillo Bíscaro

O início duma novela tem que ser acelerado e repleto de ação pra conquistar o público, que, mesmo de forma inconsciente, tende a resistir à mudança no cotidiano. Durante meses abrimos nossos lares pruma galeria de pessoas, que, mesmo ficcionais, dividem nosso dia a dia. Falamos sobre elas, vivemos seus dramas, compartilhamos suas emoções boas ou ruins, pensamos a seu respeito. Duro dizer adeus a seres com os quais nos acostumamos a encontrar diariamente. É como se a cada 5, 6 meses, experimentássemos a morte de amigos queridos e é sempre difícil seguir em frente e fazer novas amizades. Mesmo sabendo que esse processo é desconfortável, o repetimos sem cessar, numa espécie de masoquismo gostoso. Afinal, depois de um período de estranhamento, fazemos novos amigos de mentira e guardamos na lembrança os melhores momentos daqueles que se foram. Até sofrermos com a nova perda, inexorável.
Passo por esse processo no momento. Assisti duma enfiada só às 5 temporadas de Six Feet Under (no Brasil exibida com o título A Sete Palmos), exibida entre 2001 e 2005 pela HBO. Viciei e vi os cerca de 60 episódios sem intervalo. A família Fisher entrou pros meus pensamentos numa base de, por vezes, 6 episódios diários (nos fins de semana). Quem conhece o show sabe que a carga emocional é tremenda, por isso, está meio difícil me desvencilhar deles.

A trama gravita em torno duma família que possui uma funerária em Los Angeles, portanto, a morte, a frustração e o luto são temas que permeiam toda a série. Além disso, a loucura e as perversões de cada uma das personagens não facilitam as coisas. Six Feet Under é uma montanha-russa dramalhônica com diálogos instigantes e situações ambíguas, dolorasamente cínica às vezes, onde ninguém é herói ou vilão. Subjacente ao humor nervoso e negro, ruge um caudaloso rio de dor, que nasce e deságua no inevitável da morte, presente em todos os inícios de episódio e afetando os Fisher de modo avassalador.
Apesar dos elementos modernos como a inclusão de sonhos, mortos interagindo com os vivos e cenas que se passam – talvez – na imaginação das personagens (David Lynch, Tim Burton, hello!), Six Feet Under deve muito às novelonas megadramáticas das tardes norte-americanas. Quem testemunhou o pioneirismo maluquete de Twin Peaks - febre televisiva de início dos anos 90, idealizada pelo cult David Lynch – há de se lembrar que as personagens assistiam a uma soap vespertina chamada Invitation to Love. No fundo do coração, a série da HBO é um novelão com pós-doc.  

Todos os golpes deliciosamente baixos dos folhetins estão na receita, que envolve vícios, relações extraconjugais, taras e revelações bombásticas. Chega-se até a beirar o incesto, mas a narrativa recua na borda do precipício. Veio à mente, uma entrevista com Esther Shapiro, uma das criadoras de Dynasty, um dos shows definidores dos anos 80. Ela afirmou que a dieta de escândalos e perversões era elevada em calorias, mas eles paravam quando chegavam perto da barreira do incesto. Quem diria que Dynasty e a sofisticada Six Feet Under tinham tanto em comum, não? DALLAS cruzou essa barreira, ainda que inadvertidamente, mas isso fica pra postagem futura...             
Até alguns buraquinhos na trama, típicos de novelas, estão lá. Que fim levou a corporação que queria engolir a Fisher & Sons?
Embora as temporadas mais curtas (em média, 12 episódios) possibilitem um trabalho de texto e roteiro mais apurado, Six Feet Under não escapa de deslizes. A terceira temporada começa morosa e Lisa Fisher é um porre de chatice! Também, o perpétuo spleen de Claire irrita um bocadinho. Dava vontade de doar um bom tanque de roupa suja pra ela lavar e ocupar a cabeça. Acho que faltava serviço pra garota...
O mais grave, porém, é que em algum momento os roteiristas exageraram na quantidade de melodrama e perversões sexuais. A impressão é que a coisa toda não passava dum exercício pra chocar, sem que isso acrescentasse nada de novo ao que já sabíamos ou esperássemos. Quando a ninfomaníaca Brenda arruma um parceiro “convencional”, não demora pra que descubramos que ele gosta de ser humilhado durante a relação sexual. Se a idéia era celebrar a diversidade e afirmar que “de perto ninguém é normal” esqueceram que há pessoas que são perfeitamente felizes com o “papai e mamãe”.
O nível dos atores é excelente. Que diferença da canastrice das soaps! Difícil escolher um melhor, mas devo ficar com Frances Conroy, a Ruth Fisher, matriarca da família, minha personagem favorita. Por trás da aparência e da voz de mamãe boazinha, Conroy deu vida a uma mulher muito perturbada e reprimida em cenas memoráveis. Na verdade, as personagens femininas foram minhas preferidas, por isso destaco Rachel Griffiths, como a louquíssima Brenda. E não é que o pai da personagem foi interpretado por Robert Foxworth, o Chase Gioberti de Falcon Crest, que, com DALLAS e Dynasty fez parte da trindade de soaps noturnas dos anos 80? Logicamente, não poderia deixar de lado James Cromwell, que em um papel meio discreto nas temporadas finais, está ótimo no papel do segundo marido de Ruth, George Sibley, cuja sanidade vai se esvaindo até chegar ao tratamento de choque. Não disse que Six Feet Under é puro dramalhão?!
    

A PSICOLOGIA DA DIFERENÇA


Renata do Carmo de Assis Trugillo

Grande parte da psicologia do deficiente está intimamente ligada à psicologia social, ou seja, da interação desse indivíduo com outras pessoas e no ambiente próprio de cada um. Dessa forma, o indivíduo que tem alguma deficiência será menos limitado pela sua deficiência que pela atitude da sociedade em relação à deficiência.
Há uma história espanhola que pode ilustrar isto. Fala a respeito de uma terra em que seus habitantes um a um passam a desenvolver caudas. Os primeiros habitantes que passam a desenvolver tal coisa, semelhante a dos macacos, fazem o que podem para escondê-la. Desajeitadamente enfiam suas caudas em calças e camisas largas a fim de ocultar sua estranheza. Mas ao descobrirem que todos estão desenvolvendo cauda, a história muda de forma drástica. Na verdade, a cauda revela-se de grande utilidade para carregar coisas, para dar maior mobilidade, para abrir portas quando os braços estiverem ocupados. Estilistas de moda começam a criar roupas para acomodar, na verdade, acentuar e libertar as recém-formadas caudas. Logo começam a usar adornos para chamar a atenção a esta novidade. Então, de repente, aqueles que não desenvolveram caudas são vistos como esquisitos e começam freneticamente a procurar formas de esconder tal fato comprando caudas postiças ou retirando-se completamente da sociedade de “cauda”. Que vergonha, não ter cauda!
Essa influência da sociedade em excluir o diferente pode ser observada no comportamento de crianças pequenas que parecem não terem sido influenciadas pelos padrões da sociedade. Brincam livremente com as crianças diferentes: somente após incorporarem os padrões culturais de perfeição e beleza é que passam a zombar da criança de olhos vesgos, do garoto chamando-o de “retardado” ou imitando a gagueira ou a deficiência física dos outros. É a atitude da sociedade, na maior parte das vezes, que definirá a deficiência como uma incapacidade e é o indivíduo com deficiência que sofrerá as consequências de tal definição.
A Família
Do momento em que nasce uma criança com deficiência e esta é trazida para a casa, o clima emocional da família se transforma. Grande parte da reação inicial a esta notícia será determinada pelo tipo de informação fornecida, a forma como ela é apresentada e a atitude da pessoa que faz a comunicação. Estes aspectos citados serão bastante relevantes podendo determinar a aceitação desta criança no núcleo familiar. É pouco adequada a atitude dos pais em tentar disfarçar os fatos a fim de amenizar o choque dos familiares, principalmente em relação às crianças, que conhecem tão bem a “psicologia” dos pais e sentem quando estão sendo enganadas.
Todos os pais que aguardam o nascimento de um filho idealizam essa criança que está por vir ao mundo, seja nos aspectos físicos ou comportamentais deste novo ser. Nos primeiros dias após o nascimento da criança é importante que os pais possam conciliar a imagem do bebê que formaram no período da gravidez (bebê idealizado) com as impressões que elas passam a ter deste bebê real. No caso de casais que venham a ter uma criança com qualquer deficiência este momento é muito mais difícil. Assim, alguns mecanismos de defesa surgem no psiquismo destes pais e são manifestos em comportamentos tais como:
Negação
Pais negam a importância do problema. Após alta da maternidade médicos encaminham para avaliação em centro de reabilitação e os pais não realizam tal coisa.
Projeção
Pais projetam a culpa sentida por eles próprios em pessoas próximas, geralmente nos profissionais envolvidos com a criança. Em alguns casos, colocam a culpa no próprio cônjuge.
Rejeição
Pais afastam-se do bebê, não por que não se preocupem, mas porque é doloroso demais preocupar-se tão profundamente e sentir-se ao mesmo tempo tão completamente impotentes.
Os filhos cujos pais apresentam esse comportamento de rejeição podem desenvolver sentimentos que interfiram em seu comportamento tais como: ansiedade, tensão, sentimentos de inferioridade, auto conceito negativo, insegurança, falta de confiança em si, falta de iniciativa.
Superproteção
Mãe (geralmente nota-se esse tipo de comportamento nas mães) não permite que o filho sofra o mínimo de frustração, que é importante para o seu desenvolvimento. Dessa forma, ela deixa de lado sua vida e passa a dirigir toda a sua atenção a esse filho. Frequentemente essa mulher passa a ter dificuldades no seu relacionamento conjugal e com os outros filhos. Ela não se sente digna de ter um momento para si, não consegue uma descarga adequada para as suas tensões e seu conflito aumenta.
A criança cuja mãe manifesta esse tipo de conduta pode desenvolver comportamentos como: possessividade e egocentrismo, baixa tolerância à frustração, revolta ou apatia. É comum observarmos nesses pais sentimentos naturais de medo, dor, desapontamento, culpa, vergonha, frustrações e uma sensação geral de incapacidade e impotência. Todos esses sentimentos são naturais, pois são raros os seres humanos que poderiam aceitar de imediato um filho deficiente.
A Pessoa com Deficiência
No que se refere a personalidade, não existe um tipo ou tipos que definam os indivíduos com de deficiência. O único ponto em comum entre as pessoas com deficiência é a própria limitação, ou seja, todos apresentam um déficit que os discrimina da população “normal”.
A deficiência física ou sensorial será vivenciada de formas diversas de acordo com a estrutura de personalidade de cada um. Assim alguns encaram a deficiência como um DESAFIO a ser superado com novas formas de adaptação, busca de outros referenciais. Outros mostram reações negativas de acomodação à situação com momentos depressivos e de angústia.
De uma forma geral a deficiência significa limites de ação e expansão pessoais e, consequentemente, pode acabar por segregar o indivíduo do convívio social afastando-o das oportunidades normais de realização (pessoal, profissional, social, afetiva, etc).
A pessoa com deficiência tem as mesmas necessidades de qualquer outro indivíduo. Ela necessita ser amada, valorizada e sentir-se participante do grupo familiar e social. Incentivada, pode tornar-se um adulto integral e produtivo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

CAIXA DE MÚSICA 31



O Livro do Genesis – Capítulo I

Roberto Rillo Bíscaro

A história do Genesis começou no ano em que nasci: 1967. Na exclusiva escola privada Charterhouse, em Surrey, membros de 2 bandas se juntaram. Anthony Philips (guitarra) e Mike Rutherford (baixo) vieram da The Anon enquanto Peter Gabriel (vocais), Tony Banks (teclados) e Chris Stewart (bateria) eram originários da Garden Wall. Àquela altura, o grupo sequer tinha um nome. Apenas compunham e tocavam em festas na escola ou pequenos outros locais.

Em um festival em Charterhouse, os meninos foram descobertos pelo produtor Jonathan King, ex-aluno, que colocou os adolescentes sob suas asas. O nome Genesis foi idéia de Jonathan, que justificou a escolha como sendo o começo duma nova sonoridade, duma nova era. Ansiosos pra agradar o padrinho, Gabriel e sua turma aceitaram o nome de sobretons super-religiosos. Aliás, uma das idéias de King fora Gabriel’s Angels (ainda bem que não pegou!)...

A vontade de permanecer nas boas graças do produtor era tanta que ao gravarem seu primeiro compacto, lançado em fevereiro de 1968, o Genesis soou como um pastiche da banda favorita de King, os Bee Gees, então voando alto nas paradas. A despeito de serem contratados pela mesma gravadora dos Stones, a Decca, Silent Sun passou despercebida, assim como o single seguinte, A Winter’s Tale, que saiu em maio.

Apesar da falta de sucesso, a gravadora apostou na gravação dum álbum. A mando de King, Chris Stewart foi demitido da banda, sob a alegação deser tecnicamente deficiente. Recebeu um cheque de 300 libras de Peter Gabriel e foi torrar o dinheiro. Mais tarde, mudou-se pra Espanha, onde se tornou fazendeiro e escritor. Em seu lugar, entrou o batera John Silver.

Enquanto gravavam o álbum de estréia, os adolescentes do Genesis ainda conciliavam seus estudos secundários com a incipiente carreira musical. Conta-se que Peter Gabriel tomava sucessivos banhos gelados pra alcançar as notas mais agudas.

Inseguros e incapazes de tomarem as rédeas criativas em suas mãos apenas, o repertório de From Genesis to Revelation (março/1969) foi composto pelos garotos, mas, produzido por Jonathan King. Resultado: o primeiro álbum do Genesis fica a meio caminho entre os Bee Gees e o Moody Blues, banda prog bem-sucedida da época. King inundou as faixas com cordas e orquestração melosa. Gabriel imitando os vocais dos Gibb não ajuda muito no quesito originalidade. Embora perceba-se que eles possuíam um bom sentido de melodia e algumas boas idéias (soterradas pelos arranjos de King), o disco de estréia do Genesis não tem nada a ver com o som que produziriam cerca de um ano mais tarde, quando do lançamento do segundo álbum.

O nome da banda e do álbum - bem pretensioso (Do Genesis ao Apocalipse? Uau!) e longe de refletir o escopo do material -, aliado a algumas letras e títulos com teor algo religioso, jogaram o disco pro setor de música religiosa. Como culpar os lojistas, com canções chamadas The Serpent ou letras que diziam “this man committed a sin”? Escondido dos fãs de música pop, From Genesis to Revelation vendeu 650 cópias somente. Depois que o Genesis tornou-se conhecido, o álbum foi relançado por diferentes selos, com diferentes capas e chegou a entrar na parada norte-americana, em 1974, na altíssima posição 170... Ao longo das reedições, versões demo e material “perdido” apareceram de modo esparso. O primeiro Box-set da banda, lançado em 1998, tem todo o material num lugar só. Mas, é só pra fãs muito roxos, como eu. Mesmo assim, nem ouço muito.

Há canções lindas em From Genesis to Revelation, mas soam iguais demais. É um álbum que enjoa ouvir duma vez só, embora seja curto. Quando se ouve no fone de ouvido, piora um pouco: por um fone sai a parte “psicodélica” e do outro a parte orquestrada, que homogeneíza tudo. Pra ouvir separadamente, minhas favoritas são Silent Sun, In Hiding (pick me up, put me down/push me in, turn me round/switch me on, let me go/I have a mind of my own... sempre cantarolo isso) e Am I Very Wrong.A forma de compor e a sonoridade do piano de Tony Banks já estão bastante bem delineadas, embora soterradas pelas cordas beegeesianas. 
 
Gabriel e seus anjos libertaram-se da influência sacarínica de Jonathan King, mas o produtor não pode ser desmerecido na história do grupo, uma vez que foi através dele que tiveram sua primeira chance. O poder de Jonathan sobre o grupo era tanto naquele primeiro ano genesiano, que os direitos autorais do primeiro álbum continuam sendo propriedade dele. Mas, os garotos mandaram-no passear e assumiram o controle de sua carreira, numa transformação poucas vezes tão radical no mundo pop/rock. O Genesis de Trespass – que traria a deslumbrante viagem progressiva nervosa de The Knife – parecia outra banda. 
 
Jonathan King continuou seu caminho no pop inglês em meio a sucessos e escândalos. Sucessos de gosto duvidoso é verdade e atitudes mais duvidosas ainda. Ele criticou o Live Aid, lançou single pedindo que a neoliberal Margaret Thatcher permanecesse no poder e acusou os Pet Shop Boys de plágio, em It’s a Sin (ele perdeu e teve que indenizar Tennant e Lowe). Em 2001, acusado de pedofilia, King foi condenado a diversos anos na cadeia por transar com garotos entre 14 e 16 anos.                         
 
Graças ao You Tube, podemos escutar na íntegra o outrora raro primeiro do Genesis. Coloquei as faixas na ordem da edição do CD que comprei no início dos anos 90, em um hipermercado em Londrina.  














domingo, 8 de maio de 2011

SUPERACIÓN EN INGLATERRA


Niño ciego de dos años se desplaza con bastón
El pequeño Oscar Hughes, con apenas dos años, se ha convertido en la persona más joven con discapacidad visual en desplazarse autónomamente con bastón.
Oriundo de la ciudad de Manchester, Oscar aprendió prematuramente a dominar el bastón y al pasear con sus padres lo hace de manera independiente. Sin embargo  Kate y Anthony Hughes, los padres del niño, han manifestado a la prensa su gran preocupación por la falta de paciencia y los prejuicios de la sociedad, ya que la gente no logra comprender que Oscar no está bromeando y se irrita por su modo lento de desplazarse.
Para la familia de Oscar, esto sucede porque la sociedad no tiene información adecuada sobre la ceguera infantil y al ver un niño tan pequeño no comprenden que también puede ser ciego.
Actualmente Oscar forma parte de una campaña para recaudar 50 mil libras que serán destinadas a la Sociedad de Personas Ciegas Henshaws, una institución que ayuda a las personas con esta condición para que puedan desarrollar las habilidades necesarias para llevar una vida normal.
Además de esta loable tarea, Oscar se encuentra colaborando con la institución para mostrarles a los niños ciegos más grandes que él, que pueden tener una vida perfectamente normal.

(Encontrado em http://www.elcisne.org/ampliada.php?id=1944)

CONSTRUINDO A SUPERAÇÃO

Hoje conheceremos a história do mineiro Jovelino Araújo Carneiro, pedreiro que perdeu a visão de um olho, mas, a despeito da barra pesada, deu a volta pra cima! 


Como você perdeu a visão?

Foi num acidente de trabalho, em fevereiro de 2003. Eu estava rebocando um forro e já havia passado do meu horário de saída. Como eu era tarefeiro na época, chapisquei uma parte do forro e quis deixar a marcação do nível pronta para terminar o teto no dia seguinte. Estiquei a linha e, na hora de bater o prego de aço, ele se quebrou e caiu dentro do meu olho.

E você foi levado imediatamente ao hospital?
Não. O "gato" (chefe-contratante de trabalho informal) estava no serviço, de carro, mas não me levou para o hospital. Primeiro eu fui para casa e de lá, saí para a Santa Casa, onde não havia médico para me atender. O olho doía e sangrava muito. De vez em quando eu o lavava, e saía um líquido branco de dentro da ferida.
Mas quem te atendeu, então?
Por volta de meia-noite cheguei ao hospital São Paulo, mas consegui vaga para a cirurgia só às 4h00 da manhã. Acabei levando sete pontos, mas já era tarde demais. O médico disse que, se eu tivesse chegado lá mais cedo, não teria perdido a visão do olho direito.
Antes do acidente, como você chegou a esse emprego?
Eu trabalhei com esse "gato", que era meu primo, desde os 18 anos, quando vim de Minas Gerais para São Paulo. Foi ele quem me ensinou a trabalhar como pedreiro, pois eu não sabia nada. Trabalhava como ajudante e fui aprendendo, aos poucos, a fazer tudo, desde alvenaria, até massa e assentamento de azulejo. Só que não era registrado na firma. No dia do acidente eu tinha 23 anos.
Você trabalharia de novo sem equipamentos de proteção individual?
Não.
E como é hoje?
Eu dou conta do trabalho, mas é muito difícil. Não posso fazer serviços externos, pois a luz do sol me atrapalha muito. Também não posso trabalhar em locais altos, como em cima de andaimes. Perdi 40% do meu campo de visão lateral-direito.
O que dá para fazer?
Só faço serviços internos mesmo, qualquer um deles, menos o recorte de cerâmica com serra elétrica. Dá para fechar alvenaria, rebocar, assentar revestimentos...
Fotos: Marcelo Scandaroli



Fotos: Marcelo Scandaroli

Como foi recomeçar depois do acidente?
Tudo foi difícil. Até quando ia sair com meus filhos, no final de semana, tinha de ir com um tampão no olho, e todo mundo perguntava o que tinha acontecido. Ficar explicando era ruim. Outras vezes era xingado por motoristas ao atravessar a rua. O farol abria enquanto eu atravessava, e eu não via.
E em casa, como foi?
Foi uma barra pesada. Minha esposa é dona de casa e ficamos muito preocupados. Eu chorava muito e achava que não ia mais conseguir trabalhar para sustentar minha família, que era o que eu mais gostava de fazer. Mas apesar do desespero todo, minha mulher sempre me deu forças para não desistir. Procurei então não deixar de fazer as coisas que costumava fazer. No fim, não me atrapalhou em nada, porque continuo trabalhando e vivendo bem.
Você chegou a ficar afastado do trabalho?
Fiquei afastado por seis meses. Durante esse tempo, a empresa me pagou um pouco menos do que eu ganhava por mês, mas tudo era informal, eu não assinava nada. Muita gente disse, na época, que eu deveria ter processado o "gato", mas eu não quis fazer isso, e na verdade, não me arrependo. Ele perdeu tudo o que tinha, e hoje está pior do que eu.
O que aconteceu depois desses seis meses?
Trabalhei para o mesmo empregador por três meses, como corretor, porque ele achou que eu não daria conta do serviço de pedreiro. E eu realmente sentia alguma dificuldade. Passados os três meses, voltei à minha atividade normal, e logo fui contratado pela empresa onde estou hoje, que já conhecia bem meus serviços. Já estou nesse emprego há seis anos, sempre trabalhando com o mesmo mestre de obras.
Você acha que teria conseguido emprego como pedreiro em outras empresas?
Acho que não. As grandes empresas de construção não contratam porque é muito perigoso. Mas aqui, como já conheço todo mundo, sou colocado em serviços mais acessíveis. Faço normalmente todo o trabalho interno, enquanto os colegas trabalham nas fachadas.
Há possibilidade de recuperar a vista direita?
No início fiquei na fila do hospital para transplante de córnea, mas é exigido que você consulte um médico duas vezes por mês, e eu desisti. Havia mais de 300 pessoas na minha frente para o transplante. Também deveria ter feito um par de óculos de descanso, mas não corri atrás disso.
E a vida segue normalmente?
Sim. Eu não me considero um deficiente, porque trabalho bem, sou feliz e vivo em paz com minha família. Faço o que todos os outros pedreiros fazem. Só fachada que não faço. O importante é não desistir do que queremos, e manter a qualidade do trabalho.

sábado, 7 de maio de 2011

ALBINO GOURMET 35


Estudo sugere receita ideal de suco com sete frutas para proteger coração


Uma pesquisa francesa indica que uma receita que mistura o suco de sete frutas pode diminuir o risco de ataque cardíaco e derrame.
Os cientistas testaram diferentes "vitaminas" com 13 frutas diferentes e descobriram - em testes de laboratório com porcos - que algumas misturas eram mais efetivas em fazer com que as paredes das artérias relaxassem.
A receita ideal, segundo os pesquisadores, inclui frutas fáceis de se encontrar no Brasil, como maçã, uva, morango e acerola. Mas encontrar os demais ingredientes - mirtilo, lingonberry (amora-alpina ou arando-vermelho) e chokeberry (conhecida nos Estados Unidos como aronia) - pode ser uma tarefa complicada.
Polifenóis
Estudos anteriores revelaram que compostos encontrados nas frutas, os polifenóis, protegem o coração e impedem o entupimento das artérias.
Os cientistas franceses decidiram então testar o efeito antioxidante de diferentes misturas de sucos de frutas.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Strasbourg, o coquetel de sete frutas mais efetivo testado por eles aumentaria o fluxo de sangue para o coração, garantindo um melhor equilíbrio entre nutrientes e oxigênio.
O estudo, publicado no periódico Food and Function, da Royal Society of Chemistry, também descobriu que alguns polifenóis são mais potentes que outros e que sua capacidade de eliminar radicais livres que podem danificar células e DNA é mais importante que a quantidade de polifenóis encontrada em cada fruta.
Saúde
Tracy Parker, da organização British Heart Foundation, diz que a pesquisa confirma a evidência de que o consumo de frutas e legumes reduz o risco de doenças cardíacas, mas faz uma ressalva.
– Nós ainda não entendemos por que, ou se, algumas frutas e legumes são melhores que outros. Mesmo esse estudo admite que os cientistas não conseguiram estabelecer nenhuma ligação. O que sabemos é que devemos comer uma boa variedade de frutas e legumes como parte de uma dieta balanceada, e suco de fruta é uma maneira prática e gostosa de fazer isso. Mas precisamos lembrar que sucos contêm menos fibras e mais açúcar que a fruta original.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

CADELA ALBINA PRA ADOÇÃO

Roxy é uma linda e extremamente dócil pit bull albina. Ela nasceu em setembro de 2009 e precisa urgente de um novo lar, por que sua família está se mudando para um apartamento pequeno e não podem levá-la.
Ela adora crianças, não estranha ninguém, especialmente por que por ser albina ela é também surda. Assim ela não se assusta com barulho, e não se estressa. Ela precisa de um lar com espaço para brincar e gastar as energias, adora carinho e compania.
Contato para adoção com Dani pelo e-mail: dmuruce@hotmail.com ou telefone (27)9945-8028
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(Encontrado em http://adotar-doar-filhote.vivastreet.com.br/adocao-animais+vila-velha/pit-albina--muito-docil-para-adocao/34159990)

TELONA QUENTE 24

O Reino da Jordânia passou décadas sem produzir cinema, embora o país tenha servido de locação pra diversos sucessos ocidentais, como Indiana Jones e a Última Cruzada.
Captain Abu Raed (2007), co-produção com os EUA, serviu de mola pra indústria cinematográfica do país, além de ganhar alguns prêmios. Filme de estréia do diretor Amin Matalqa, jordaniano que vive nos EUA desde criança, onde estudou cinema. Por um lado, cooperação com a indústria norte-americana certamente trará benefícios técnicos ao país árabe e poderá tornar os produtos mais competitivos no mercado mundial. Por outro lado, pode também significar uma estandardização dos roteiros e modos narrativos, algo como filmes com cara ocidental (leia-se estadunidense), falados em árabe e ambientados em cidades da região. Ambas as coisas podem ser sentidas em Captain Abu Raed.  
O enredo gira em torno dum velho faxineiro do aeroporto de Amã, que, confundido com um piloto de avião pelas crianças de seu bairro, assume a identidade presumida pelos infantes e começa a inventar-lhes histórias de aventuras. Abu Raed, viúvo solitário, afeiçoa-se por seus admiradores e progressivamente passa a interessar-se por seus problemas e tentar ajudá-los. É então que a trama assume contornos mais dramáticos e entra no tema da violência doméstica.
O ponto forte do filme está na tridimensionalidade das personagens e ações. Abu Raed torna-se o protótipo da figura do vovô benigno, mas por um momento titubeia. Em sua disposição pra consertar a vida dos meninos, Raed demonstra estoicismo e autosacrifício, mas também dá tiros pela culatra. Às vezes, se meter na vida alheia, ainda que pra ajudar, atrapalha mais ainda.
Amã, território virgem pras lentes de cine, apresenta logradouros fascinantes, proporcionando ao espectador uma viagem dentro das viagens do pseudo-capitão Abu. Nadin Sawalha, como Abu Raed, está muito bem, assim como os meninos principais. O estreante Matalqa é bom diretor de elenco.
O fato de ser seu primeiro longa explica alguns deslizes como o roteiro que soa excessivamente arbitrário; tudo programado pra sair certinho no final. Pede-se um pouco demais da platéia às vezes, como acreditar que um faxineiro de aeroporto jordaniano tenha um apê tão amplo... A influência ocidental talvez justifique o tom melodramático de alguns momentos e a trilha sonora um pouco artificial. Por que recrutar um compositor norte-americano (Austin Wintory) pra mimetizar música do oriente médio, quando a região tem tanto a oferecer? Além disso, a música tem o costume de aparecer em momentos-chave da trama, condicionando a emoção do espectador.
Feito pra agradar o mercado de “filmes de arte”, Captain Abu Raed é acessível, sensível, bem fotografado. Aquele tipo de película que nos faz sentir bem e emocionados no final.
Também nos apresenta um país árabe moderno, urbano, com mulheres pilotando aviões, muito maquiadas e sem burka. O cinema pode ser uma boa ferramenta pra percebermos o quanto temos em comum com pessoas que vivem tão distantes. Bem melhor do que depender dos comentários de jornalistas peudo-intelectuais e preconceituosos que xingam mulheres muçulmanas.       

quarta-feira, 4 de maio de 2011

CONTANDO A VIDA 33

Como muitos de minha geração, conheci  Celly Campelo por causa da novela global Estúpido Cupido. A trilha sonora nacional do folhetim de Mário Prata trazia 2 canções da roqueira.
Na crônica de hoje, nosso Professor relembra a colega de infância e dá um puxão de orelha em Taubaté, cidade natal de Celly.  

A DÍVIDA DE TAUBATÉ: Celly Campelo.

José Carlos Sebe Bom Meihy

A prata da casa está suja. Sim. Enquanto não pagarmos a dívida que temos com Celly Campelo estaremos, como diz o jargão economicista, “no vermelho”. Pode-se garantir que taubateanos de nascimento ou não, mesmo os filhos adotados como eu, quando se destacam são afetivamente acolhidos pela cidade. Somos famosos pelas celebrações e nunca faltaram rojões que nos distinguem das urbes vizinhas. Mas, com Celly Campelo tal não ocorreu. Justamente com ela que nasceu em Taubaté e deixou tantas lembranças entre companheiros. Isso sem falar do rastro luminoso no renovado céu da cultura musical brasileira.

Recordo-me vivamente da menina de sorriso pronto e que adorava cantar. Fiz primeira comunhão ao lado dela, mas a imagem que mais guardo da alegre colega é vestida de uniforme do Bom Conselho. São inesquecíveis suas aparições nos programas de calouros da Rádio Cacique ou com seu violão na mureta da praia do Cruzeiro, em Ubatuba. Lembro-me vivamente de um aniversário dela, comemorado em sua casa, na Praça Santa Terezinha. Não há como dissociar a figura da roqueira de sua mãe, sempre presente, acompanhando-a Brasil afora, receando o meio artístico. Seu irmão Tony também se destacava e, com ele, aos 15 anos, gravou o primeiro disco compacto, com as versões de Forgive me e Belo Rapaz. Corria o ano de 1958 e os dois irmãos entravam na cena nacional matizando a era das transformações que mudariam o Brasil, fazendo-nos menos caboclos e mais modernos. São desse ano outros sinais da alteração nacional: construção de Brasília, nascimento da Bossa Nova, primeiro fusca, Brasil campeão do mundo na Suécia, Eder Jofre, Maria Ester Bueno, Carolina Maria de Jesus.
A TV Tupi possuía um programa intitulado Campeões do Disco e graças ao sucesso já alcançado, Celly em aparições múltiplas gravou Devotion e O céu mudou de cor. Mais sucessos, fama, elogios da crítica. No ano seguinte, juntamente com o irmão comandava, pela TV Record Celly e Tony em hi-fi, programa de enorme audiência. Nessa trajetória, no mesmo 1959, Celly “estourou” com duas músicas The secret e principalmente Estúpido Cupido. Estava então firmada no céu dos grandes nomes da música popular brasileira com o título de seu primeiro LP Celly Campello: a nova sensação dos brotos. A consagração definitiva, porém, veio no mesmo ano quando, depois de contrato milionário com a TV Record, gravou o inesquecível Banho de Lua. Foi assim que Celly, menina ainda, tornou-se a nova “namoradinha do Brasil”. Não deixa de ser paradoxal que da terra da música sertaneja, do nicho caipira, saiu a primeira grande figura feminina do rock brasileiro. De certa forma, isso implicava nossa cidade, que, além da tradição, portava também os laivos de uma modernização que se expressava no progresso industrial que então se instalava. Isso é notável. Taubateanos devem retomar essa polaridade que, em síntese, explica o Brasil.

A vida artística de Celly pode ser medida pelos prêmios que ganhou: quatro vezes o Troféu Chico Viola; duas vezes o Roquete Pinto e uma vez o importantíssimo Disco de Ouro, mas, talvez, o maior mérito de Celly foi receber elogio pessoal de Tom Jobim que reconhecia na menina roqueira “a voz límpida e pura de quem canta com a alma”. E Celly deixou seguidores, entre os quais, principalmente, Rita Lee, que declarou que sem ela “eu não seria quem sou”. Foi a graça da taubateaninha que preparou o coração nacional para o sucesso do que seria depois a Jovem Guarda. Não foi sem razão, pois, que em 1961 ela foi eleita nossa primeira “Rainha do Rock”.

Foi por amor que Celly parou de cantar. Resolveu casar, ter família e filhos, largou tudo e foi para Curitiba, Paraná. Retornou ao sucesso em 1976, com a novela que levava o nome de sua canção mais difundida - Estúpido Cupido -, mas não deu sequência. Sabe-se que recusou contratos expressivos para voltar. Quando de sua morte prematura, Roberto Carlos disse que “sem ela a jovem guarda não seria a mesma”. Cá e lá, ouve-se alguma gravação daquela que um dia foi a Celinha de tantos colegas que mantém a saudade da amiga ausente. Mas, só isso. Fico pensando se não é chegada a hora de alguma manifestação mais vibrante, de ato público que mereça destaque real, de revitalizar o nome da taubateana ilustre. Que mais dizer?  

terça-feira, 3 de maio de 2011

TELINHA QUENTE 16

Nos anos 80, a maioria de meus amigos e conhecidos assistia ao desenho animado A Caverna do Dragão, que passava na Globo, nas manhãs da Xuxa. Embora não trabalhasse matutinamente, jamais vi um episódio. Sequer segundos, pra dizer a verdade. Ao longo dos anos, tenho percebido que as gerações mais jovens continuam a conhecer o desenho, sinal de que algum canal ainda o transmite(ia). Sei lá, só recentemente me deu vontade de conhecer o tão cultuado Dungeons and Dragons.
Produzido entre 1983-85, a série teve 3 temporadas e 27 episódios. Vi todos. Quando decido tirar o atraso duma coisa, obceco! Assisti aos poucos, quase sempre no mini-tocador de DVD, no ônibus de ou pra Biriguí. Vi as temporadas de trás pra frente. Pra aplacar a neura quarentona de “não perder tempo”, vi no original em inglês pra treinar. E sabem que gostei? Muito divertido, embora seja sombrio demais pra crianças.     

O nome em inglês refere-se ao RPG do mesmo nome, extremamente popular no fim dos anos 70/início dos 80. Joguei RPG apenas um par de vezes. Em férias da universidade, Jayme trouxe um livro de regras do Dungeons. Jogamos apenas 1 vez, mas xeroquei o material pra futuros jogos, que nunca aconteceram. Ao invés, emprestei as regras – todas em inglês – pro Sávio, um aluno. Logo, a cidade vivia uma mini-moda de RPG, isso no início da década de 90. Dei pontapé numa mania da qual jamais fiz parte. Lembro-me vagamente de ter participado duma sessão na casa de alguém, quase na metade dos anos 90, mas nem era mais o Dungeons and Dragons.
A Caverna do Dragão é sobre um bando de crianças que fazem um passeio de montanha-russa, cujo carrinho sai dos trilhos e os leva a uma dimensão paralela, mágica, povoada por seres fantásticos, bondosos ou malignos. Cada guri recebe uma arma mágica e passam os episódios praticando o bem em diversos reinos, sempre com o objetivo de acharem o caminho de volta pra casa. Um mentor, Dungeon Master, os aconselha em forma de charadas. Assim, cada episódio tem uma espécie de lição de moral. No mundo da Caverna do Dragão, o bando arruma um amiguinho quadrúpede, a fofíssima Uni, filhote de unicórnio.
Meu personagem predileto foi o medroso, mimado, egoísta e riquinho Eric, que tinha as tiradas mais divertidamente mal-humoradas do desenho. A Uni é covardia; como não gostar duma filhotinha de unicórnio?

Certos episódios, especialmente alguns da primeira temporada me pareceram bem pouco “infantis”. Um em que as crianças têm de enfrentar seus piores medos é até meio assustador.
Embora muitas vezes as crianças abdiquem da possibilidade de voltarem pra casa pra fazerem o bem a alguém, no fundo A Caverna do Dragão é uma narrativa baseada na frustração do desejo em um universo caótico, onde a bondade por eles praticada jamais é recompensada. Sem motivo aparente pra terem sido alijadas de seu mundo, o bando constantemente se auto-sacrifica em nome de outrem, numa repetição sádica da postergação do desejo. #Calafrio...
A despeito do sucesso, a série foi cancelada de repente e virou Cult. O fato de haver um roteiro prum episódio final jamais filmado gerou uma versão apócrifa da conclusão, que é, no mínimo, perturbadora. De acordo com ela, os meninos na verdade teriam morrido com a queda do carrinho da montanha-russa. Ao invés de estarem em um universo paralelo, estavam no inferno, condenados, por toda a eternidade, a chegar pertinho de seu mundo, mas jamais retornar a ele. Tântalo revisitado. E mais, Uni seria uma emissária do demônio, cuja tarefa era atrapalhar as crianças. Em entrevista a uma publicação especializada em comics, os criadores da série negaram veementemente tal versão.
Como tem gente perturbada neste mundo, não? O duro é que, tendo em vista o mundo de Dungeons and Dragons, tal conclusão não destoaria do conjunto. #Calafrio.     

segunda-feira, 2 de maio de 2011

FORÇA NESSA CÓRNEA!


Uma boa notícia para quem é portador de ceratocone, doença que se caracteriza pelo afinamento progressivo da córnea: a combinação de técnicas diferentes pode adiar e até impedir o transplante. É o que afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, emCampinas (SP).
Segundo o especialista, o maior desafio, porém, é o diagnóstico precoce. Apenas 37% descobrem a doença logo no início. A conclusão veio depois de um levantamento com 504 pacientes atendidos no hospital durante os últimos três anos.

A doença, que tem como características visão embaçada, fotofobia, visão dupla e mudança frequente no grau dos óculos, atinge 1 em cada 2 mil brasileiros,  se manifesta ainda na adolescência e é responsável por 70% dos transplantes de córnea. A razão da necessidade do transplante é porque afina e dilata a porção central responsável pelo eixo da visão, causando astigmatismo e miopia.



Tecnologia
Segundo Queiroz Neto, na combinação de técnicas de tratamento no grupo de pacientes avaliados pela equipe do hospital os resultados alcançados mostraram que os pacientes submetidos ao crosslinking (aplicação de raios ultravioletas com vitamina B12), associado ao implante de anel (disco plástico introduzido entre as camadas da córnea para aplaná-la), ganharam mais enrijecimento e estabilidade da córnea, evitando em até 90% a necessidade de transplante - contra 80% apenas com a colocação do anel, por exemplo.
O médico explica que a introdução do laser femtosecond na oftalmologia tornou o implante de anel mais seguro e previsível. "Alguns pacientes que já estavam inscritos na fila de córnea se livraram do transplante com o implante a laser do anel associado ao crosslink", afirma.
Queiroz Neto reconhece, no entanto, que mais estudos precisam ser feitos sobre as novas terapias, mas o número de transplantados por causa da doença só tende a cair.
(Encontrado em 
http://br.noticias.yahoo.com/noticias/nova-t%C3%A9cnica-fortalece-c%C3%B3rnea-180206641.html;_ylt=Akf4GnrZdG3S.2nxOkaPtYBSs8B_;_ylu=X3oDMTNhOXRyc2ZnBHBrZwM3Mzk5MjJlOC0yY2U2LTMwMjUtOTY0Zi1jZmRiZWQwNTA3NmYEcG9zAzEEc2VjA01lZGlhSnVtYm90cm9uBHZlcgNmNWY3ZWE2MC03MzUzLTExZTAtYjdiMy1lMGI0ZGE4YzFhOWU-;_ylg=X3oDMTFjcnBub2RpBGludGwDYnIEbGFuZwNwdC1icgRwc3RhaWQDBHB0A3NlY3Rpb25zBHRlc3QD;_ylv=3)

CAIXA DE MÚSICA 30


Uma Diva no Céu

Roberto Rillo Bíscaro


Sábado à noite, assistia a um episódio da quarta temporada da sitcom 3rd Rock From the Sun, quando ouvi o barulho acusando mensagem no celular. Era do Jayme, dando uma notícia nada boa: Loleatta Holloway falecera. Terminei de ver John Lithgow e entrei online pra saber quando a diva dance morrera. Descobri que fazia mais de um mês! Com tanta coisa nova acontecendo em minha vida, essa triste notícia passara batido. Além disso, o passamento de Loleatta não alcançou o destaque do de Liz Taylor.
Muita gente nem deve conhecer o nome da cantora, mas certamente já ouviu sua voz poderosa, sampleada ad infinitum em canções dance. Quem foi a boates ou ouviu rádio nos anos 80 e 90 conhece a sublime gritaria de Holloway. Ela era uma daquelas negras norte-americanas, que nasceu com gogó privilegiado e o treinou em coros gospel na infância e adolescência, até começar a gravar hinos disco e baladas soul nos anos 70. Um dos primeiros e mais bem-sucedidos foi Hit and Run, do álbum homônimo, de 1977.

Em 1980, a cantora lançou o álbum Love Sensation, que traz a canção-disco homônima, seu maior sucesso. A influência da melodia e dos vocais de Love Sensation ainda precisa ser estudada por historiadores e arqueólogos da música pop. O número de citações creditadas e samplers é imenso. A quantidade de apropriações indevidas e surrupios não-creditados deve ser bem maior. Até hoje, Love Sensation é citada, sampleada e remixada sem dó.

Em 91, por exemplo, Marky Mark and the Funky Bunch teve um megahit global construído em cima de Loleatta. Curiosidade: Marky Mark – que aparecia só de cuecas Calvin Klein em outdoors novaiorquinos – hoje atende pelo nome de Mark Wahlberg, ator (Boogie Nights) e produtor (In Treatment) hollywodiano. O bando funky de Marky Mark deu crédito a Holloway, turbinando sua carreira, inclusive.

Nem sempre aconteceu assim. Os italianos do Black Box tentaram dar o truque. O vídeo de Ride on Time – chupada de Love Sensation – traz uma modelo gostosa ao invés da gordinha diva. E seu nome não aparecia nos créditos. La Holloway levou os produtores pro pau.

Atingido o status de diva-cult-disco e dance, Loleatta passou boa parte dos últimos 20 anos participando de projetos de outros artistas. Precisava duma vocalista negra que berrasse a plenos pulmões e levasse o público das pistas ao êxtase? Chama Loleatta Holloway!   
Super-comum encontrar o tal “não sei quem Feat. Loleatta Holloway”. Cada vez que digito seu nome no You Tube parece que descubro algo novo. Ontem descobri uma cover dum tal Fire Island feat. Loleatta Holloway pra Shout to the Top, single de 1984 do chiquérrimo Style Council.

A cantora nos deixou aos 64 anos e foi pro céu engrossar o coro dos anjos. Quando chegarmos lá, encontraremos black music norte-americana da boa, pra ouvir e dançar eternamente.  

domingo, 1 de maio de 2011

GUSTAVO LACERDA INVENTANDO MODA


O trabalho sobre albinismo do fotógrafo Gustavo Lacerda ganhou destaque no blog Inventando Moda. Go, Gustavo, go!

Com muita delicadeza, o fotográfo mineiro Gustavo Lacerda retrata em uma série de fotografias pessoas que tem albinia (ausência de pigmento da pele, cabelos e olhos).
A intenção do fotógrafo era retratar esse padrão de beleza "fora do padrões".
Utilizando uma estética delicada em tons pastéis, suaves e um toque vintage nos figurinos e cenários, Gustavo sensibiliza as pessoas e nos faz pensar sobre a exclusão social de quem sofre com essa alteração genética. Pura poesia...

SUPERANDO O PARKINSON


Atleta com Parkinson supera problemas na natação paraolímpica

Suzana Schnardorf não deixou de fazer o que mais gosta

A nadadora e triatleta Suzana Schnardorf foi campeã brasileira de triátlon por cinco vezes, mas precisou parar de praticar o esporte devido a um diagnóstico de mal de Parkinson. Ela teve o lado esquerdo do corpo comprometido por uma rigidez muscular. Aos 42 anos, a atleta voltou a competir e tem conseguido novos títulos e até recordes.
Suzana, diagnosticada com o mal em 2009, venceu a Travessia dos Fortes, em Copacabana. A competição, disputada em março passado, foi um marco na carreira da atleta que encontrou na natação paraolímpica uma forma de continuar competindo mesmo após a doença.
Assista ao vídeo :