terça-feira, 14 de maio de 2013

TELINHA QUENTE 78



Não tenho investimento emocional em Perdidos no Espaço, série sci fi cômica, sucesso modesto em suas 3 temporadas (1965-8), mas que se tornou cult, especialmente devido ao robô e ao Dr. Smith e seu amiguinho Will Robinson, pra não dizer pelo nonsense e camp das tramas, ambientação, figurino e tudo o mais. Quando vivia em São Paulo, lá pelos meus 6, 7 anos, lembro-me de ter visto episódios e as figuras do Dr. Smith e do robô acionam vagas campainhas mnemônicas.
Acho que no inicio de 2012 ou no fim de 2011, comecei a ver as temporadas. Demorei, porque Lost in Space enjoa. O quase meio século que nos separa da exibição pela CBS faz diferença. Personagens repetitivamente planos e caricatos; tempo demais pra cada episódio, arrastados num blá blá blá sem sentido e ações bobocas.
A história era pra ser um Robinson Crusoe espaço-familiar. A família Robinson parte em 1997 pra colonizar o espaço sideral. Mas, um malvado clandestino – o Dr. Smith – faz a nave se desgovernar e todos ficam perdidos no espaço. Ao longo dos 3 anos de aventuras, os viajantes deparam-se com caubóis, soldados espaciais vestidos como revolucionários ianques da guerra pela independência, cavaleiros medievais e uma variedade de monstros interpretados por dublês vestindo roupas de borracha ou pintados de prateado/verde/doirado... O universo fala inglês e isso jamais foi problema pro público norte-americano, que não fica enchendo o saco, como fazem com Glória Peres. Coisa de quem se sente confortável como império.

Jonathan Harris, o pérfido bufão Dr. Smith, foi escalado pra poucos capítulos, mas roubou a cena espetacularmente e ainda na primeira temporada os demais eram seus coadjuvantes. Junto com o enfático Will Robinson e o robô tornou-se o emblema do show com seus bordões e, sobretudo, sua afetação (se ele tivesse um animal de estimação, seria o Leão da Montanha). Vendo Perdidos no Espaço na língua original, saquei que Harris impregnou o Dr. Smith com todos os estereótipos usados pra criar vilões veladamente gays. Seus gritinhos de medo são impagáveis. Mas, por mais engraçado que seja, enjoa, porque a estupidez do Dr. Smith permanece inalterada nas 3 temporadas. Curiosamente, a única personagem que registra arco de mudança é o robô, que se humaniza – ainda que tolamente - conforme a série se desenrola.
A primeira temporada é em branco e preto. A segunda vem em cores espalhafatosas, mantidas até o fim. A canção-tema também se altera na segunda e fica um tiquinho mais perto do surf rock de Batman, série rival que estourava na audiência e inspirou o câmbio emPerdidos no Espaço.
Curiosidade: vi inclusive o episódio-piloto, não exibido na época. Nele não há o Dr. Smith ou o robô, tornando-o uma das coisas mais sem sal que já vi!
Podem argumentar que Perdidos no Espaço tem o charme d’outra era ou louvar seu mambembismo e infantilidade. Podem se encantar com o vaudeville de Jonathan Harris e seu enrustido Dr. Smith. Reconheço os argumentos e não há dúvidas de que a série é ícone da face careta dos anos 60. Mas, não é boa TV, por isso deve ter virado cult: por ser trash.
Indicada pra jovens de hoje, cujos pais jogam na cara o mentiroso argumento de que “antigamente sim é que havia coisa boa na TV”.

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