terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ADAM E PETER – UMA HISTÓRIA COM FINAL FELIZ

O albino Peter Ash é um homem de negócios canadense muito importante pros albinos, especialmente os irmãos africanos, perseguidos pela superstição e afetados pela pobreza.
Ele é o presidente da ONG Under the Same Sun, que ontem foi notícia no blog devido à querela com a cerveja Albino Rhino.
Outro dia, recebi o informativo de fim de ano, onde a Under the Same Sun pede donativos. Nele, Ash conta a história de Adam, garoto africano com albinismo, que mudou sua perspectiva de vida.
Traduzi alguns trechos:

“Sobre um Garoto que Mudou Meu Mundo...”

Sim, de verdade. Escrevo sobre um garotinha que causou um grande impacto em mim.

O nome dele é Adam. Adam Robert nasceu em 15 de outubro de 1999, no noroeste da Tanzânia. Numa família de simples sitiantes, que criam gado e tiram o que podem da terra. Por ter nascido com albinismo, Adam aprendeu muito cedo que era diferente. O tom muito claro de sua pele, cabelo e olhos fez com que se destacasse em sua família e aldeia. Essa diferença fez dele objeto de discriminação desde bem pequeno. 12 anos se passaram até que algo aconteceu a Adam e mudou sua vida para sempre.

Em 14 de outubro de 2011, um dia antes de seu aniversário, Adam foi selvagemente atacado por um homem com um machado. O agressor tencionava decepar todos os membros de Adam e vende-los a um feiticeiro. A horrível transação renderia dezenas de milhares de dólares. Adam lutou muito, gritando e mordendo o agressor. O homem fugiu com 3 dedos da mão direita de Adam. 2 cortes profundos demonstravam a intenção de arrancar seu braço esquerdo também.

Adam só sobreviveu, porque lutou muito até que os vizinhos viessem correndo. Infelizmente, o próprio pai de Adam era cúmplice do ataque, por dinheiro. Ele viu tudo de bem perto, mas nada fez para impedir. Os criminosos foram capturados, mas liberados mais tarde, num total arremedo de justiça.

Adam jazia num leito de hospital, ferido e abandonado, mas, de algum modo, ainda cheio de determinação. 

Lembro-me vividamente de meu primeiro encontro com Adam no hospital, na Tanzânia. Sua coragem atingiu-me em cheio.

Perguntei como poderia ajudá-lo e a resposta foi: “tudo o que quero é ir à escola!”

Jurei a mim mesmo, naquele hora e local, a fazer tudo o que pudesse para conceder-lhe aquele desejo tão lindo. O desafio é que ele não conseguir escrever com nenhuma das mãos. Então, comecei a orar e pensar no que poderia ser feito.
Salto temporal de um ano…

Conseguimos, aqui no Canadá, que Adam fizesse uma cirurgia que mudaria sua vida. Uma equipe de cirurgiões voluntariou seu tempo para literalmente reconstruir a mão direita de Adam! Adam está em Vancouver comigo, enquanto escrevo. Ele tem uma nova mão. Está aprendendo inglês. Seu trauma emocional está sarando. Em suma, sua vida mudou.

Mas, como disse, ADAM MUDOU MINHA VIDA. Ele é curioso, esperto, brincalhão e gentil. Por 2 semanas, fiquei ao lado dele no hospital em Vancouver – enxuguei suas lágrimas, segurei sua mão, brinquei e rezei com ele. Sua persistência e coragem me maravilham. Devido a ele, reclamo um pouco menos das coisas. Ele é meu herói!

TELINHA QUENTE 63

Roberto Rillo Bíscaro

Certamente remanescem fãs do velho Arquivo X, sucesso noventista. Avancei ainda mais fundo no túnel do tempo e vi os 20 episódios de Kolchak: the night stalker, inspiração pras aventuras de Mulder e Scully. Fracasso de audiência, a série durou poucos meses, entre 1974-5.
Decidi vê-la porque envolve casos policiais com tonalidades de horror e/ou ficção científica. Carl Kolchak é um repórter de aparência meio desleixada, que usa a mesma roupa e chapéu nos 20 episódios. Além da impressão de cheiro de cecê, fica parecendo personagem de desenho, sempre igual. Como ele narra as aventuras, fica a impressão dum detetive noir degradado.
Todos os casos são desacreditados pelas autoridades devido ao aspecto de sobrenaturalidade.  Armaduras medievais ou motoqueiro sem cabeça querendo vingança; demônios astecas estripando corações; Jack, o Estripador; vampiro; bruxa; autômatos humanizados e mais uma fauna variada. Claro que não falta um episódio com cães possuídos pelo demo, um dos fetiches setentistas.

O padrão dos finais também jamais se altera: as evidências/provas são destruídas, perdidas ou danificadas e Kolchak nunca prova a veracidade do que investigava.
Bem ao estilo da época, a estrutura é empedrada: o chefe nunca acredita em Kolchak (como ele mantém o emprego?), as personagens são imutáveis: Kolchak não tem vida privada.
A falta de grana da produção e o lengalenga de certas situações talvez afastem as gerações mais jovens, acostumadas  à sofisticação e ao cinismo pós-moderno.
A atuação de Darren McGavin compensa em parte esses defeitos e diferenças. O ator empresta charme e malandragem a Kolchak (não confundir com Kojak, o detetive careca que chupava pirulito, interpretado por Telly Savalas).
Pra quem via TV há 35 anos, pode divertir tentar descobrir caras e nomes familiares no elenco flutuante de cada episódio. Identifiquei o Bosley, das Panteras e o segundo ator a interpretar Digger Barnes, em DALLAS.
A memória afetiva da década, da textura das imagens, dos valores de produção e da fisionomia vagamente familiar de atores desconhecidos agradou a este 40tão. Delícia ver uma série onde David Bowie é citado como celeb da crista da onda!
Quanto a Arquivo X, quem sabe não lhe dê uma chance daqui a uns 20 anos?
Ou semana que vem.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A CERVEJA DA DISCÓRDIA II

Em abril, postei sobre uma marca de cerveja canadense, que estava deixando alguns albinos de lá com os cabelos pretos. Leia aqui.
O caso segue, agora nos tribunais.
Peter Ash and Ikponwosa Ero, who are albinos, have complained to the B.C. Human Rights Tribunal over the practice at Earls restaurants of selling Albino Rhino beer.
(Peter Ash, da organização Under the Same Sun e Ikponwosa Ero)

Tribunal Ouvirá Queixa contra a Cerveja Earls’ Albino Rhino
Denise Ryan
Tradução: Roberto Rillo Bíscaro
O Tribunal dos Direitos Humanos da província canadense de British Columbia ouvirá o caso contra o restaurante Earls e sua cerveja Albino Rhino.
Ikponwosa Ero, uma imigrante nigeriana de 31 anos, nasceu com albinismo, condição genética que a torna incapaz de sintetizar melanina, pigmento que colore pele e cabelo. A maioria dos albinos é legalmente cego e suscetível ao câncer de pele. A condição é classificada como deficiência no Canadá.
Ero é pesquisadora da Under the Same Sun, entidade filantrópica dedicada a ajudar albinos. Ela relatou que em junho de 2011, o presidente da organização, Peter Ash, um homem de negócios de Vancouver, contatou o restaurante para que a marca fosse alterada ou extinta aos poucos. Tudo sem sucesso.
O albinismo ocorre em qualquer grupo étnico. Afeta uma em cada 18.000 pessoas na América do Norte, mas é muito mais comum na África, onde pode atingir um em cada 1.500 indivíduos em algumas regiões.
“Você venderia um aperitivo Alzheimer ou um daiquiri síndrome de Down?”, indaga Ero. Em nota, Earls defende sua cerveja clara, no mercado há 25 anos. Eis um trecho do texto: “a bebida foi batizada em homenagem ao rinoceronte branco e a rima pretende ser divertida, bem bolada e dar uma conotação de algo raro e especial à cerveja. Sentimo-nos orgulhosos de ter um animal tão belo representando nossa marca”.  
Ero disse que não há nada de divertido ou bem-bolado a respeito do albinismo. A falta de entendimento sobre a condição leva à estigmatização, acrescentou. Além disso, a perseguição aos albinos na África é frequentemente letal.
Desde 2006, 71 assassinatos de pessoas com albinismo foram registrados na Tanzânia, além de muitos ataques mais, explicou Ero.
Em algumas regiões africanas, especialmente na Tanzânia, albinos são mortos e mutilados e tem partes de seus corpos vendidas para uso em poções mágicas e rituais.
“As pessoas picam os corpos e os comem, para absorverem poderes mágicos”, ela disse.
“O assassinato de um albino tanzaniano pode parecer algo distante, mas não é. Numa sociedade globalizada, não se pode afirmar que não se possa estabelecer alguma relação.”
Ero afirmou que como afro-canadense, ela luta contra o estigma e a marginalização do albinismo em muitos níveis.
Sua família emigrou para o Canadá especificamente para escapar da intolerância para com a condição. “Meus pais trouxeram nossa família para cá a fim de me proporcionar a chance de uma vida melhor.”
Em sua denúncia, Ero observa: “é particularmente ofensivo e diminuidor para uma pessoa albina que imigrou para a Columbia Britânica a fim de fugir da perseguição baseada em sua deficiência, ver clientes pedindo e consumindo ‘albinos.’ ”
O Albino Rhino do Earls’ não é o primeiro mascot a enfrentar problemas com minorias.
Earls tem 64 restaurantes no Canadá, 24 deles em British Columbia.
 

CAIXA DE MÚSICA 86


O Livro do Genesis XIV

Com Duke, o Genesis sentiu o doce sabor do sucesso de massa. O batera-vocalista Phil Collins escalara o Everest das paradas britânicas com sua estreia solo. Mike Rutherford e Tony Banks tinham motivos pra seguir com a transformação da banda.
Abacab (setembro de 1981) definitivamente marcou a transição do Romantismo prog pruma espécie de Modernismo rock de arena.
O nome meio dadaísta não significa nada. Originalmente, a faixa-título era dividida em seções batizadas com letras. Muda aqui, corta lá; num momento a ordem das seções era a,b,a,c,a,b.
Até a capa fugiu ao padrão progressivo-mitológico de Selling England By The Pound ou Trick of the Tail. A arte abstrata dava ar mais moderno ao grupo, que queria competir com seus pares reinantes da New Wave e do pós-punk. E não é que se deram bem? Abacab ficou meses nas paradas e colocou a banda no circuito das turnês em grandes estádios. Collins e Co. – com suas caras de semi-papais comuns – rivalizavam a adulação popular com os gatinhos do Duran Duran ou do Spandau Ballet.
Abacab deixa pra trás os rococós progressivos, os longos solos de teclado e abraça uma sonoridade mais agressiva, onde bateria e vocais estão em proeminência. Embora os membros sempre hajam negado, Collins assumia a chefia do Genesis. A produção abandona meio-tons pantanosos pra se tornar representante típica do lustre da época. Redondinha, bem ao gosto dos ascendentes yuppies.
Sempre achei os 7 minutos da faixa-título desnecessários. A tentativa de soar meio metal até que traz bons momentos (não metais, claro), mas a pouca variação no instrumental enjoa após o quarto minuto.
No Reply At All é uma delícia funkeada, com metais do Earth, Wind and fire e tudo! Nada a ver com o trabalho prévio do Genesis, enfurecendo fãs antigos, que vaiavam a banda em alguns shows da turnê de Abacab, quando material do álbum era executado. Até o sotaque de Phil está mais americanizado pra garantir maior aceitação no mercadão ianque. Note como ele pronuncia can’t nessa faixa e comparem com o can’t britanicão da maravilha prog Dodo/Lurker, esses sim, 7:30 minutos que valem a pena.
Phil está cantando pra c***** nesse álbum! A produção, o sucesso e a experiência desabrocharam um vocalista seguro e versátil. Ele abre o berreiro na rutherfordiana balada Like it or Not e faz diversas vozes na citada Dodo/Lurker e na ótima Me And Sarah Jane, que poderia ser definida como Tony Banks sobrevoa a Jamaica no inverno. Salpicos de reggae num puro clima Tony.
Em Man on the Corner, o Genesis prova que aprendera tanto de produção que pôde assumir a tarefa nesse álbum. O instrumental vai se adensando conforme o pathos aumenta, culminando com a poderosa bateria e os gritos de Collins. 
A necessidade/vontade de se contemporanizar resulta no maior tropeço genesiano, a infantiloide Who Dunnit. Punkosa, tentando ser palhaça, com letra besta. Constrangedora.
O Genesis entrara pra vencer no jogo pop oitentista. Perdeu fãs “históricos”, mas ganhou uma legião de admiradores de última hora, que desconheceriam pra sempre a era Gabriel ou mesmo os primeiros álbuns da era Collins.
Abacab colocou o Genesis na linha de frente. Parecia outro grupo, se comparado ao Genesis de 5 anos antes. Era outro universo, se voltássemos 7 anos e tomássemos The Lamb Lies Down on Broadway.
Abacab foi o último álbum a merecer algum respeito pela crítica. Os próximos seriam massacrados, mas Banks, Collins e Rutherford imperariam pelos próximos 10 anos. Mesmo que o Genesis ficasse conhecido como “o grupo do Phil Collins”, rei de facto.
Vamos ouvir Abacab?

domingo, 16 de dezembro de 2012

OLHOS INFANTIS


Menino de 5 anos é os olhos dos pais que nasceram cegos


Na praça Pantaneira, em Campo Grande, ao lado da estátua de um tamanduá bandeira, Jocelino Aparecido segura a mão de Pedro Miguel, que já havia se empoleirado em cima da réplica do bicho, e pergunta:
- Cadê a cabeça dele?
- Está aqui, respondeu o menino, guiando-o à parte inferior da escultura.
- Tem a cabeça baixa, né?
- É que ele está pegando formigas, respondeu o garoto.
- Humm… Agora me leva para tirar foto em outro lugar.
Após alguns passos, Pedro pára em frente à outra obra construída na mesma praça, resolve subir em cima dela e, guiando Jocelino, avisa:
- Olha o jacaré!
- É a orelha dele?, questionou o pai, ao tocar no objeto.
- Não. É o olho.
Pedro Miguel é quem ajuda Jocelino e Eva atravessarem a rua. (Foto: Rodrigo Pazinato)
O diálogo inocente, entre pai e filho, deixa em evidência a principal diferença entre eles: a visão. Desde que nasceu, há 5 anos, Pedro Miguel Ortiz, se tornou os olhos dos pais, que são cegos.
Mãe do garoto, a pedagoga Eva Aparecida Ortiz, de 40 anos, nunca enxergou por conta da catarata congenita. Já o pai, o auxiliar de radiologia Jocelino Aparecido Martins, de 41 anos, perdeu a visão em decorrência de uma atrofia no nervo óptico.
A vida, para eles, sempre foi decidida no tato, olfato, audição e paladar. Com o nascimento de Pedro, após 7 anos de tentativas, o 5º sentido não voltou, mas a rotina mudou bastante, não pela limitação física, mas peloscuidados que toda criança requer.
Para quem enxerga, explicou Eva Aparecida, é praticamente impossível acreditar que um casal de cegos possa ter filhos, mas a maternidade, para ela, foi algo natural.
Em cima da escultura, Pedro explica ao pai que o tamanduá está comendo formigas. (Foto: Rodrigo Pazinato)
“Já tinha feito aulas de AVD [Atividades da Vida Diária]”, disse, acrescentando que o curso, ministrado no Ismac (Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos Florisvaldo Vargas), ajudou na lida com o filho recém-nascido.
Para cuidar de Pedro Miguel, os “truques” foram indispensáveis. São dicas que vão desde os cuidados com a higiene à aplicação dosagens de medicamentos.
“A gente aprende alguns segredinhos. Para saber se a fralda está com xixi eu apertava. Quando o choro era intenso eu percebia que era de dor, mas isso é com todo bebê. Para dar remédios a gente pinga no copo para ouvir o barulho”, exemplificou.
Jocelino concorda com a esposa e diz, sem medo de errar, que a paternidade, para ele, também foi um processo natural. O máximo que precisou foi da ajuda da sogra, apenas por alguns dias, como acontece com a maioria dos casais.
Hoje, o auxiliar de radiologia e a esposa cuidam sozinhos de Pedro Miguel. O menino, que estuda em uma escola particular no centro Campo Grande, sabe que os pais não enxergam, mas a deficiência se tornou apenas um detalhe, que não atrapalha em nada o relacionamento familiar. Um detalhe que ele sempre está explicando aos coleguinhas.
“Alguns falam assim: ‘como eles tomam banho?’ Eu falei: ‘Eles sabem’. ‘Mas e como eles se ensaboam’? ‘Ah… Isso eu não sei’”, contou.
As travessuras do menino, que vive mostrando a língua e fazendo caretas para quem encontra na rua, tiram os pais do sério, mas ao mesmo tempo acabam aguçando a curiosidade deles, que nunca viram a luz do sol.
“Eu percebi, depois que tive ele, que o visual conta muito. Nas ruas ele contagia as pessoas. O verdadeiro contato visual eu fui ter com ele. Fiquei fascinada. Meu Deus! Essa visão é muito importante”, disse a mãe.
Pedro Miguel, aos 5 anos, é quem guia a pedagoga e o auxiliar de radiologia por todos os cantos da cidade. Quando sobe no ônibus e vê alguém sentando nos bancos reservados, trata logo de dizer que os lugares são de Eva e Jocenildo.
A mãe, Eva Aparecida Ortiz, está sempre chamando a atenção do garoto, que é muito sapeca. (Foto: Rodrigo Pazinato)
Na hora de atravessar a rua, o menino, mesmo levado, presta atenção no movimento dos carros. Não foi preciso dizer muita coisa para que ele entendesse que os pais eram deficientes visuais, mas nem por isso Pedro arrisca desobedecer as ordens dos dois.
“Às vezes ele pergunta: a senhora vê? ‘Não, eu não vejo, mas os meus olhos estão nos ouvidos, nas mãos”, comentou a mãe.
Apesar da disciplina rígida, comum entre pais cegos, Jocenildo e Eva tomam cuidado para não sobrecarregar o garoto. Antes, se caia alguma coisa em casa, era ele quem pegava. Hoje, isso já não acontece.
“Não quero que nossa deficiência seja um fardo para ele”, justificou Eva, ao comentar que a sociedade cobra mais de pais cegos.
Jocenildo e esposa nunca viram o rosto do filho, mas imaginam, pelo contato, como é o garoto. “Eu imagino que ele não é tão gordo e tem o rosto semelhante ao meu, mas é mais moreno. Ele é muito fofo, bochechudinho”, descreveu a pedagoga.
Jocenildo, que é mais calado, também imagina que Pedro Miguel não seja “tão gordo”, mas é cheinho. “Ele ta ficando bem altinho. O cabelo e liso porque eu sempre toco”, disse.
Para Eva, a gestação foi um sonho realizado. Para Jocenildo, o nascimento do único filho representa uma conquista. “Ele preenche o vazio que a gente tinha”, disse.

sábado, 15 de dezembro de 2012

ALBINO GOURMET 78

Que tal umas receitinhas de de patês pra incrementar as festas de confraternização e amigo secreto, tão comuns nesta época?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

TRANSAS

Duas de cada dez pessoas têm algum tipo de deficiência no país. São brasileiros que enfrentam desafios na escola, no mercado de trabalho e, muitas vezes, na vida pessoal. E como essa pessoas lidam com a sexualidade? É o que mostra a reportagem de Alessandra Lago. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

SOMBRA ALBINA


Descobri novo documentário sobre o assassinato de pessoas com albinismo em certas regiões africanas, mormente a Tanzânia. In The Shadow of the Sun foi dirigido por Harry Freeland. Traduzi a sinopse:

No coração do Lago Vitória, 3 horas no interior da Tanzânia, fica a ilha de Ukerewe, lar para uma grande comunidade de pessoas com albinismo – ausência congênita de pigmentação na pele, olhos e cabelo. Muitos albinos são mortos ao nascerem ou rejeitados pelas famílias. Os sobreviventes correm o risco de serem mortos devido a partes de seu corpo, usadas supersticiosamente por se acreditar que possuem poderes medicinais. Os 62 albinos da ilha formaram um grupo para compartilhar experiências e se apoiarem mutuamente.

Gravado ao longo de 4 anos – antes, durante e após uma onda de assassinatos brutais, que sacudiu o país - In The Shadow Of The Sun conta a história emocionante e íntima de 2 membros muito diferentes da comunidade. Conheceremos Vedastus, um adolescente amoroso que cuida de sua mãe terminalmente enferma e luta para achar seu lugar no mundo. Josephat, ativista pela causa albina, que luta para unir seu país e sonha em escalar as alturas do Monte Kilimanjaro. Conforme os assassinatos aumentam, Vedastus abandona a ilha em busca de segurança, ao passo que Josephat permanece e enfrenta os assassinos.
Desde o início dos crimes na Tanzânia, 62 pessoas foram mortas e ninguém foi condenado, apesar da prisão de 260 pessoas. Finalmente, depois de muita pressão internacional e seguindo as eleições da Sociedade Tanzaniana de Albinos, o governo sentenciou o enforcamento de 4 homens; primeira vez em 15 anos que a pena capital foi aplicada no país. Julgamentos de acusados continuam em diversas regiões. Consequência da campanha incessante de Josephat e da intervenção governamental, o futuro dos albinos tanzanianos parece mais promissor. 

Mais informações, em inglês, podem ser lidas aqui:

Uma entrevista com o documentarista:

Assassinato de Albinos na Tanzânia: In The Shadow of the Sun, de Harry Freeland

Jim Treadway

Não escolhemos a cor da pele ou o local de nascimento. Ma,s para os albinos tanzanianos, sua aparência os tornou uma subespécie humana, bastante caçada. “Somos mortos e esquartejados”, diz Josephat Torner, um dos albinos do documentário In The Shadow of the Sun, de Harry Freeland, que teve pré-exibição no Frontline Club, dia 26 de novembro.
Desde 2006, feiticeiros tanzanianos afirmam que partes de corpos albinos, quando usados em certas poções ou rituais, podem curar ou trazer prosperidade – uma promoção no trabalho, vitória em eleição, aumento do pescado ou mineração. 
“Me chamam de ‘remédio branco’, conta uma criança albina, acerca dos colegas na escola.
Freeland explicou:
“Há 3 tipos de responsáveis pelos assassinatos. Aqueles que não estão no filme, os que ninguém capturou, as pessoas realmente movimentando esse comércio, que movimenta milhões. Gente com muito dinheiro: oficiais do governo, policiais, pescadores, mineiros.... Esses rumores obviamente foram iniciados pelos feiticeiros. E, claro, os pobres da Tanzânia, que matam os albinos.”
No documentário, Freeland e Josephat entram emuma caverna para consultar um feiticeiro, que admite esconder-se atrás de árvores, esperando pelo momento certo para atacar um albino. Em outra cena, um amigo albino conta a Josephat como um homem pulou de uma árvore e tentou matá-lo, enquanto ele caminhava sozinho fora de sua casa à noite.  
“O medo é uma constante”, disse Josephat.
Josephat passa a vida viajando a lugares onde albinos têm sido mortos, conquistando o apoio de autoridades locais para dar palestras nas aldeias. 
“Se a sociedade me vê como sub-humano, então, tenho que achar uma solução, um modo de ser reaceito” ele explica.
“Josephat é muito solitário”, pondera Freeland. Ninguém mais faz o que ele faz. Ele não ganha quase nada, mas ele meio que deixa a família de lado e sai pelo país pra fazer essas coisas. Sempre achei isso maravilhoso”.
Freeland, Josephaat e muitos outros estão impactando. O Primeiro Ministro tanzaniano adotou 2 crianças albinas e suspendeu as licenças de todos os curandeiros do norte do país. Agora, eles têm que requerer uma nova, em um processo muito rigoroso. A Tanzânia elegeu seu primeiro membro albino do parlamento e em 2012 o número de assassinatos finalmente diminuiu em relação ao ano anterior.
Mesmo assim, a procura por partes de corpos albinos continua.
“Tanzânia é definitivamente a pior”, revelou Freeland, “mas isso está se espalhando para outros países. Tem havido crimes na Nigéria, África do Sul, Mali e Burundi. Como diria Josephat, ‘está se espalhando como fogo.’”

 (Tradução: Roberto Rillo Bíscaro)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

TELINHA QUENTE 62/TELONA QUENTE 66

Roberto Rillo Bíscaro

Tenho o marcador Anos 80, mas deveria inaugurar um sobre anos 70. Repararam como tenho escrito sobre música e imagem da época? Esta postagem é sobre um documentário a respeito de cine setentista, chamado A Decade Under the Influence (2003).
Produzido pelo canal IFC (Independent Film Channel), o decênio abordado inicia-se mais ou menos à época de meu nascimento, 1967, e vai até aproximadamente 1977.
No primeiro momento, registram-se as baixas bilheterias dos filmes da Hollywood da velha guarda. A ebulição dos anos 60 mudou o gosto do público, que queria filmes e artistas mais realistas. Uma nova geração de diretores e atores – muitos deles com experiência no mercado de filmes independentes da escola Roger Corman de produção barata – trouxe temática e linguajar mais adultos, que fizeram do cine norte-americano um dos mais excitantes do período.

Influenciados por diretores europeus e japoneses, Francis Ford Coppola, Martin Scorcese, Sidney Pollack, Robert Altman, Woody Allen (que não dá entrevista), William Friedkin e Cia são rapidamente absorvidos pelos estúdios. Outra abordagem pro documentário seria a de como o capitalismo tem a capacidade pra transformar crítica em mercadoria.
As estrelas apolíneas do glamour dos estúdios foram substituídas por atores, que muitas vezes se pareciam com o vizinho do espectador. Início do reinado dos De Niro e Hoffman. Seria interessante um documentário sobre como alguns desses caras viraram repetitivas caricaturas de si mesmos filme após filme.
Não passou batido aos produtores de A Decade Under the Influence o falocentrismo dessa nova geração “revolucionária”. Por isso, o necessário e correto louvor ao papel de Jane Fonda nesse contexto.


Em meio a isso e muito mais, cenas e referências a grandes filmes como Sem Destino (1969), O Exorcista (1973), Chinatown (1974), Taxi Driver (1976), O Poderoso Chefão (1972), Operação França (1971) e também muito mais. O “problema” desses programas é que dá uma baita vontade de (re)ver um monte de coisa já meio esquecida, não vista, desconhecida até então ou pra reavaliar. Descobri diversas lacunas em meu repertório. Haja tempo pra (re)assistir a tanta coisa! Por exemplo, jamais me interessei pelo cultuado M.A.S.H (1970), de Robert Altman, mas a cena que vi me deixou com água nos olhos!
A Decade Under the Influence termina em clima meio “fim da rebeldia”, com a ascensão de diretores como Spielberg e George Lucas, que, com seus tubarões e guerras interestelares inauguraram a tirania das produções padronizadas e a crescente dificuldade de se arrumar patrocínio pra filmes mais ousados ou com temática mais adulta ou, simplesmente, mais lentos. Mas, que fique claro: ninguém demoniza esses diretores.
Essencial pra cinéfilos e estudantes de cultura norte-americana contemporânea.
Olha, achei a primeira parte no You Tube. Não garanto que as demais estejam disponíveis, geralmente estão. É só tentar, né? Sem legenda

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

HOMENAJE A LOS ALBINOS - LES FRÈRES ALBINOS




Ser albino en muchas regiones y países en África es una condena, están expuestos a la discriminación, al maltrato y al desprecio de la familia e incluso hay madres que se niegan a amamantar a sus hijos.

Esta alteración genética les puede provocar ceguera, cáncer de piel y muerte prematura, pero lo peor son las cacerías humanas a las que están expuestos para conseguir partes y órganos de sus cuerpos e incluso su propia sangre. La creencia y el arraigo de la brujería en muchas zonas tienen la culpa de tan siniestro negocio.
El hecho de imaginar a una persona o niño que es perseguida por un vehículo todo terreno por cualquier descampado para ser cazada y asesinada como una bestia animal pone los pelos de punta.

Estos dos hermanos albinos de guinea intentan con su música informar y dar a conocer este gran drama que sufren. También visitan escuelas y dan charlas allá donde van.

En el vídeo se pueden escuchar dos temas de Les frères Albinos y en el segundo corte cuentan con la colaboración del grupo también guineano Les Espoirs de Coronthie.

Blancos que persiguen y matan a negros. Negros que matan y persiguen a "blancos". Los humanos no somos muy diferentes los unos a los otros por eso desconfío mucho de todo aquel que quiere separar por cuestión de raza,cultura o religión. Desconfío mucho de aquellos que recortan en educación y en conocimiento, de los que quieren destruir la cultura de los pueblos y que por desgracia nuestra no los tenemos muy lejos solo hay que mirar a nuestros respectivos gobiernos o simplemente a nuestro ministro de educación.
http://benitezantonio1965.blogspot.com.br/2012/12/homenaje-los-albinos-les-freres-albinos.html

DOUTORES DA ALEGRIA

Conheça a história dos Doutores da Alegria
Em todas as atividades que já exerceu, até mesmo como professor de inglês, o “Doutor da Alegria” Wellington Nogueira sempre esteve de alguma forma ligado ao teatro. Até o momento em que, depois de escapar de um assalto, ele decidiu quebrar a promessa que fez à família aos 7 anos de idade, de tornar-se médico e enfim exercer o seu sonho: ser um grande ator.
Nos anos 1980, após estudar artes cênicas, recebeu um convite que transformaria para sempre a sua trajetória profissional: atuar como palhaço em um hospital de Nova York.Após enfrentar os graves problemas de saúde do pai e muitas dificuldades de conseguir patrocínio, ele conseguiu implantar no Brasil uma semente do que mais tarde se tornaria o “Doutores da Alegria”. Atualmente, o projeto reúne escola, pesquisa e conhecimento, tornando-se o maior responsável por disseminar o impacto positivo da alegria nos ambientes hospitalares e outros setores enfermos da sociedade.

CAIXA DE MÚSICA 85


Roberto Rillo Bíscaro

O Centro Cultural São Paulo disponibilizava LPs e cassetes nos anos 80. Escolhíamos um álbum do catálogo, íamos a uma cadeira com fone de ouvido e o funcionário punha o som.Sempre que passava férias na cidade, escutava algo novo.
Uma vez, fui com amigos de Penápolis. Escolheram MPB; eu, David Bowie, álbum: Scary Monsters (and Super Creeps), de 1980. Depois do estouro comercial dos acessíveis Let’s Dance (83) e Tonight (84) – desprezados pela crítica – deu vontade de me familiarizar com o que era chamada de fase áurea do Camaleão do Rock.
Embora minha paixão pela ultrajantemente chique Modern Love jamais tenha arrefecido, à medida que tomava ciência de seu catálogo setentista, concordava que em termos de criatividade, os anos 80 não foram o pico de David Bowie.
O inglês influenciou do glam ao punk, do new romantic à electronica, passando pelo indie rock e grunge. De Queen a The Cure, de Joy Division a Culture Club; todos devem a esse artista sempre às voltas com o fantasma da esquizofrenia familiar. Seu irmão mais velho saltou pra morte duma janela de hospício. No auge da fama, Axel Rose declarou que jamais conhecera alguém tão perturbado como Bowie.
As mudanças de visual de Lady Gaga e de tia Madonna empalidecem diante das metamorfoses do Camaleão. Bowie mudava de visual, apelido, sonoridade, personalidade. No inicio dos 70’s, era drag, a cara de Lauren Bacal, quando declarou ser gay, depois bissexual. Depois, vieram a fase alienígena de Ziggy Stardust, a fase Aladddin Sane, sem sobrancelha (sacaram o trocadilho? A lad insane – doidérrimo de pó e medo de pirar de verdade), o Magro Duque Branco. O autoexílio em Berlim, pra se desintoxicar e lançar as bases pro synth pop, junto com o Kraftwerk. E tanta coisa mais!
E sempre com alta qualidade. Decidiu fazer cinema: os críticos elogiaram seus desempenhos. Em 80, invocou de conquistar a Broadway: sua interpretação d’O Homem Elefante não tinha maquiagem deformante; ele representava a elefantíase contorcendo rosto e corpo. Elogios da severa crítica teatral nova-iorquina. Pintor, integra o conselho editorial duma das publicações mais inda área.

A importância desse homem está mais ou menos registrada no documentário David Bowie: sound and vision (2002), disponível em inglês, sem legendas no You Tube.

Nada de anônimo pra narrar!Jonathan Pryce alugou seu sotaque podre de elegante pra contar um pouco da história de Mr. David Jones aka Bowie.
Desde suas influências cinquentistas até os álbuns pós-comercialismo 80’s, o documentário louva o músico, ao mesmo tempo em que traça introdução decente a seu trabalho e vida pessoal. Porque o sobrenome Bowie, o relacionamento conturbado com Angie (mas sem insinuações de brincadeirinhas com Mick Jagger), a afirmação de sua heterossexualidade e comentários sobre vários de seus álbuns, especialmente os 70 e 80tistas. Bowie é vasto e complexo demais pro tempo duma partida de futebol; cada fase mereceria um programa, mas, como aperitivo tá de bom tamanho.

Há algumas semanas, tabloides estamparam foto dum 60tão em Nova York.Roupas simples, saco com lanche nas mãos. Aparência “comum”. Seria David Bowie?,indagavam-se as manchetes.

O Camaleão é f***. Nos anos 70, escolheu ser ícone apenas alguns passos acima do underground. Na década de 80, brincou de ser megaestrela. Se entupiu de grana e voltou a ser alternativo. Após cirurgia cardíaca, resolveu levar vida mais calma. Quando se anonimou, o fez tão bem que colocou em dúvida até o faro-fino tabloideiro. Existe algo que não possa fazer?
David Bowie is cool é a frase de encerramento de David Bowie: sound and vision. Muito. Sempre.