segunda-feira, 25 de julho de 2011

CAIXA DE MÚSICA 42

A Volta do Sim

Roberto Rillo Bíscaro

Quando escrevi sobre o Gryphon, terminei mencionando a cusparada punk, de 1977. Um dos alvos favoritos das escarradas era o progressivo Yes. Fundada na segunda metade dos anos 60, em Londres, a banda é um dos epítomes do “excesso” odiado pelos punks. Canções intrincadas, bombásticas, quilométricas e misticóides. Shows com pirotecnia à rodo.
A banda produziu obras-primas definidoras do prog sinfônico. Ama-se ou odeia-se, mas não se fica indiferente a álbuns como Close to the Edge (1972). Em 1974, a crítica começou a malhar o Yes, por conta do lançamento do ambicioso Tales From Topographic Ocean. Quando o movimento punk arrombou a festa, o Yes era alvo fácil pra se atacar a autoindulgência e “elitismo” do rock das superestrelas.  
Os egos dos integrantes da banda sempre foram tão grandiloquentes quanto sua sonoridade. O estrelismo, as tensões e divergências criativas são tamanhas que fica difícil acompanhar as variadas formações do Yes. É um tal de entra, sai, volta, briga, sai de novo e retorna ao longo desses mais de 4 décadas...

O conceito de Yes “de verdade” varia com a facção à qual pertence o fã. Sou da ala que crê na presença do vocalista Jon Anderson. Se Rick Wakeman estiver na formação, melhor, mas Jon é a primeira coisa que espero dum álbum do Yes. A voz inconfundível igualmente desperta paixões e ódios. Um crítico inimigo definiu que Anderson canta como uma alface no cio. Pra mim, o registro alto e fininho é uma das vozes que ficarão no cérebro mesmo que eu ensurdeça.        
Em uma das desavenças internas, o vocalista abandonou o Yes e em 1980, a banda lançou Drama, com Geoffrey Downes nos vocais e Trevor Horn nos teclados, no lugar do também exilado Wakeman. Downes e Horn integravam o Buggles, banda new wave/synth pop, cujo lugar na história está garantido porque sua deliciosa Video Killed the Radio Star foi o vídeo de estréia da MTV. Essa formação do Yes não agradou aos fãs e Anderson voltou pouco depois, pra versão reinventada da banda, que gerou um dos maiores sucessos da década de 80, a canção Owner of a Lonely Heart. O álbum que a contém – 90125 (1983) – foi o último grande sucesso arrasa-quarteirão do grupo, produzido por Horn, diga-se. Depois disso, o Yes seguiu lançando álbuns com alcance de público cada vez mais modesto, embora suas turnês continuassem rolando com sucesso.

No fatídico 11 de setembro de 2001, os caras estavam em Nova York pra lançarem Magnification. Desde então, nada de novo no front. Em 2008, Jon Anderson teve problemas respiratórios e os outros membros do Yes tomaram uma atitude típica frente à recomendação médica de 6 meses de repouso pro vocalista: cartão vermelho pra Anderson.
Pro seu lugar, contrataram David Benoit, líder duma banda-tributo canadense chamada Close to the Edge. Rick Wakeman saiu de novo também. A formação do Yes passou a ser: Steve Howe (guitara), Chris Squire (baixo), Alan White (bateria), pros teclados voltou Geoffrey Downes. Ano passado, anunciaram álbum novo, produzido por Trevor Horn. Ou seja, o Yes voltou pra 1980, fase Drama. Fly From Here, lançado há poucas semanas, soa como se fora gravado em 1981, uma mistura de Yes com Buggles.
A ausência de Wakeman implica na falta da tapeçaria tecladística. Benoit não tenta (muito) imitar Anderson, mas seu vocal está há anos-luz do Napoleão - apelido colocado pelos colegas de banda pelo fato de Jon ser baixinho e mandão. A mixagem das vozes, a integração com outras e a participação de outros membros cantando, driblam um pouco essa falta de personalidade, mas o fantasma de Jon Anderson assombra Fly From Here.
Musicalmente, o álbum traz Squire e Howe sempre exímios em seus instrumentos, algumas vezes remetendo aos áureos tempos setentistas. Os sessentões tocam com garra e frescor invejáveis. Velhos fãs não terão como não amar certas firulas, determinadas passagens, timbres e maneirismos familiares e, claro, associá-los com canções anteriores. 
A faixa-título é uma suíte de 25 minutos, dividida em 6 partes, que poderiam ser ouvidas independentemente. Uma espécie de medley ou cartilha Trevor Horn, com influências de Yes. Alguns trechos existiam sob forma de demo desde a época de Drama; isso explica muito.  Juro que detecto semelhanças com o Pink Floyd em certas passagens de guitarra e com o Genesis, em certos trechos do teclado (Geoffrey querido, Tony Banks joga pelo menos umas 2 divisões acima de você, sorry...). A faixa cresce a cada audição, embora esteja longe dos vôos de uma Gates of Delirium e seus alucinantes 22 minutos. A maturidade podou alguns excessos na instrumentação, mas será que nós fãs não amamos o Yes precisamente pelo hiperbolismo? Mesmo assim, é uma adição louvável ao repertório do grupo.

The Man You Always Wanted Me to Be é o que se chamava faceless (sem rosto) nos anos 80. Dispensável.
Life On a Film Set também existe em forma embriônica desse os anos 80, e soa como uma canção do Buggles aos poucos metamorfoseando-se em prog. A bateria lembra o peso de Drama. As letras do Yes nunca fizeram muito sentido e esta canção acrescenta o refrão-pérola “riding the tiger, riding the tiger” em uma canção supostamente sobre cinema. Hmmm...
Hour of Need e Solitude são pra mostrar a perícia de Steve Howe no dedilhado.
Into the Storm é maravilhosa! Puro Yes safra anos 70, com harmonias vocais talhadas pra gente não sentir muita falta de Jon Anderson (embora eu não deixe de imaginar como certos trechos seriam com seus vocais. Imagine o “take me awaaay” com ele, Senhor!). Em quase 7 minutos, andamentos e maneirismos obseessivos que qualquer fã identificará com a fase melhor do grupo. Parece uma banda de jovens descobrindo o prog agora, cheia de energia. Chave de ouro pro álbum.
Com o movimento prog longe de estar morto, Fly From Here mostra pras novas gerações o que o Yes ainda é capaz de fazer. Se não é um grande álbum, pelo menos é o melhor em décadas, se analisado em conjunto.  
(Jon Anderson e Rick Wakeman prometem contra-atacar com material novo também. Tomara!)

domingo, 24 de julho de 2011

A SUPERAÇÃO DE LOUISE


Escritora americana relata sua história de superação depois do abuso sexual


Quando tinha apenas cinco anos de idade, a escritora norte-americana Louise L. Hay foi abusada sexualmente por um velho vizinho bêbado. O homem foi condenado a 15 anos de prisão, mas as lembranças do trauma vivido não se apagaram facilmente. Depois da agressão sofrida, Hay conta que, ao invés de ser acolhida pelos adultos, ouvia muitas pessoas repetirem com freqüência que a culpa era dela. “Passei muitos anos temendo que quando o velho bêbado fosse libertado iria voltar e me pegar, por eu ter sido tão má a ponto de colocá-lo na cadeia”.
Em seu livro “Você pode curar sua vida – como despertar idéias positivas, superar doenças e viver plenamente”, a escritora conta sua própria história de coragem para conseguir superar as agressões sofridas na infância. “A maior parte de minha infância foi passada suportando tanto abusos físicos como sexuais, entremeados de muito trabalho pesado. Minha autoimagem foi ficando cada vez pior e poucas coisas pareciam dar certo para mim”.
Quando completou 15 anos, resolveu que não podia mais agüentar os abusos sexuais e fugiu de casa e da escola. A falta de segurança e valorização própria, no entanto, a fez expressar esse padrão derrotista no mundo exterior, como se ela não fosse merecedora de felicidade. Dessa forma, Hay começou a se desrespeitar e só atraía coisas ruins. “Estando faminta de amor e afeto, e tendo a menor possível das autoestimas, de bom grado eu dava meu corpo a qualquer homem que fosse gentil comigo”.
Aos 16 anos, Hay engravidou e precisou dar a criança a uma família, porque não tinha a menor condição de criá-la. “Na época, tudo aquilo era só um período vergonhoso que deveria ser esquecido o mais rápido possível”.

“A violência que experimentei quando criança, combinada com o sentimento de não ter nenhum valor, que desenvolvi ao longo dos anos, atraíam para minha vida homens que me maltratavam e frequentemente me agrediam”, relata.
No entanto, pouco a pouco, por causa do sucesso na área do trabalho, Hay começou a sentir-se melhor. Tornou-se modelo de alta-costura em Nova York, mesmo assim se criticava muito, recusando a reconhecer sua própria beleza. Acabou casando-se com um culto cavalheiro inglês, com quem viajou pelo mundo, conheceu a realeza e até jantou na Casa Branca.
“Apesar de ser uma modelo de sucesso e de ter um homem formidável, minha autoestima ainda era pouca e continuou assim por muito tempo, até eu começar o meu trabalho interior”.
Depois de 14 anos de casamento, quando ela começava a acreditar que as coisas boas podiam durar, seu marido passa a morar com outra mulher. Arrasada, Hay procurou ajuda na Igreja da Ciência Religiosa e fez meditação transcedental na Universidade Internacional de Maharishi, em Iowa. Tornou-se então ministra na igreja, ajudando muitas pessoas. Por causa deste trabalho, teve a inspiração de escrever seu primeiro livro “Cure o seu corpo” e depois da publicação passou a viajar muito dando palestras e cursos. Até que um dia, ela recebeu o diagnóstico de que estava com câncer. “Com meu passado de criança maltratada, onde se incluiu um estupro, não foi de admirar uma manifestação de câncer na área vaginal, mas entrei em pânico total”.
No entanto, por causa do seu trabalho, ela acreditava que o câncer, como muitas doenças, é causado por um profundo ressentimento duradouro. “Eu até então, me recusara a estar disposta a dissolver toda a raiva e ressentimento por causa da minha infância, mas percebi que tinha muito trabalho a fazer”.
Hay entendeu que se fizesse uma operação sem se livrar dos padrões mentais que haviam dado origem à doença, de nada adiantaria. Precisava se libertar e se amar muito mais. Começou a repetir todos os dias olhando para o espelho: “Louise, eu te amo de verdade!”.  E percebeu que não estava mais se diminuindo em certas situações como fazia no passado. “Com a ajuda de um bom terapeuta, expressei toda a velha e represada raiva socando almofadas e gritando de ódio, o que me fez sentir muito mais limpa. Comecei a sentir compaixão pelo sofrimento dos meus pais e a culpa que eu atirava neles foi se dissolvendo vagarosamente”.
Hay não precisou ser operada e descobriu que é possível superar a doença e a dor se estamos dispostos a mudar o modo de pensar e agir. “Às vezes, o que parece ser uma grande tragédia se transforma no melhor de nossas vidas. Aprendi isso por experiência própria e passei a valorizar a vida de uma nova maneira e procurar o que era realmente importante para mim”.
Louise L. Hay, tem 83 anos, já escreveu 27 livros e vendeu mais de 10 milhões de exemplares no mundo todo. Quando não está viajando ela adora pintar, praticar jardinagem e dançar.

sábado, 23 de julho de 2011

LUTO TOTAL.

Sem palavras. Amy era de um talento espantoso. Tô triste, muito mesmo. Descanse em paz, querida.


ALBINO GOURMET 45

Uma amostra da cozinha sul-africana.

Bobotie

Ingredientes

Rende8 porções
  • 2 cebolas cortadas em rodelas finas
  • 1 fatia de pão
  • 1 xícara (240 ml) de leite
  • 1 kg de carne moída
  • 1 colher (sopa) de curry em pó
  • 2 ovos
  • 1 colher (sopa) de açúcar
  • 2 colheres (chá) de sal
  • 1/2 colher (chá) de pimenta-do-reino moída
  • 1/2 colher (chá) de açafrão-da-terra (opcional)
  • 2 colheres (sopa) de vinagre
  • 3 colheres (sopa) de chutney
  • 6 amêndoas picadas
  • 1/2 xícara de uvas-passas
  • 4 folhas de louro
  • Modo de preparo
  • Prep20 minCozimento1 hora 30 min
  • Leve ao fogo uma frigideira grande e com água o suficiente somente para cobrir o funda da frigideira. Cozinhe as cebolas na água fervendo até elas ficarem transparentes. Escorra as cebolas, pique e coloque de novo na frigideira, dessa vez sem água. Doure as cebolas picadas até ficarem levemente escuras. Reserve.Preaqueça o forno a 180 graus.Umedeça a fatia de pão no leite e esprema. Reserve o leite e esfarele o pão. Numa tigela grande, misture o pão, a carne, o curry, 1 ovo, o açúcar, o sal, a pimenta, o açafrão, o vinagre,o chutney, as amêndoas e as uvas-passas.Transfira a mistura para um refratário médio (18x28cm) untado. Insira as folhas de louro dentro da carne. Asse por 1 hora. Bata o ovo que não foi usado com 3 colheres de sopa do leite reservado. Despeje sobre o bototie e retorne ao forno para assar por mais 30 minutos. Sirva quente.
  • Sopa de Carne ao Curry
  • Ingredientes
  • Serve6
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 cebolas picadas
  • 450 g de carne de segunda cortada em cubos
  • 1,5 litros de caldo de carne
  • 2 colheres de (sopa) de curry em pó
  • 2 folhas de louro
  • 2 batatas em rodelas
  • 2 colheres (sopa) de vinagre
  • 2 colheres (chá) de sal
  • Modo de preparo
  • Prep15 minCozimento1 hora 30 minDerreta a manteiga em uma panela grande. Cozinhe as cebolas e a carne até a carne ficar dourada e as cebolas macias.Adicione o caldo de carne, curry e folhas de louro. Cozinhe em fogo baixo por 30 minutos. Adicione as batatas, vinagre e sal. Cozinhe por 45 minutos a uma hora até que tudo esteja macio. Retire as folhas de louro e sirva quente.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

DRA. CARLA EXPLICA O ALBINISMO


Albinismo: falta de pigmentação deixa a pele mais sujeita a câncer
O que é o albinismo?
albinismo refere-se a um grupo de alterações genéticas do sistema de pigmentação da melanina que afetam a pele, os pelos e os olhos.
O albinismo é a ausência total de pigmentação no corpo inteiro ou pode acontecer apenas em algumas partes?
No albinismo acontece um defeito na síntese da melanina, pela inatividade de uma enzima, a tirosinase. Mas o número de melanócitos é mantido, apenas a melanina, que é a responsável em geral pela pigmentação, está defeituosa. Mas acomete a pele toda.
Por que o albinismo acontece?
É uma alteração genética que afeta o sistema de pigmentação, por esse motivo a pessoa não apresenta nenhum tipo de pigmento, ficando com a pele clara, os cabelos louros ou brancos e os olhos de coloração vermelha ou azul-clara.
O albinismo é genético?
É genético, é chamado de doença autossômica recessiva e está presente em 1 para cada 20.000 nascidos vivos. Ou seja, a apresentação é de 40 a 50%.
Os albinos possuem transtornos de saúde devido à falta de pigmentação?
O maior problema dos albinos é que, por não apresentarem o pigmento que protege a pele dos raios solares, eles estão mais sujeitos a câncer de pele e lesões de pele cancerosas, do tipo não melanoma, por não apresentarem a melanina.
Além disso, a pele é mais sensível e os olhos apresentam muita sensibilidade, com muita fotofobia.
Como deve ser o cuidado dos albinos quanto ao sol?
Este cuidado é o mais importante, evitar a exposição ao sol. E o uso de vários tipos de proteção solar, como cremes fotoprotetores, chapéus, óculos de sol e também roupas que apresentam a característica de proteção.
O albinismo prejudica de alguma forma a expectativa de vida de uma pessoa?
É uma doença presente ao nascimento, mas que não diminui a sobrevida se for um tipo mais comum, com alteração cutânea e ocular. Mas existe uma manifestação que atinge o Sistema Nervoso Central, que apresentaria uma expectativa de vida diferente.

Dra. Carla Bortoloto é dermatologista clínica e cirúrgica do IPTCP (Instituto de Pesquisa e Tratamento do Cabelo e da Pele) e professora da pós-graduação do curso de Dermatologia da Fundação Pele Saudável de SP. CRM: 122883
(Encontrado em https://idmed1.websiteseguro.com/saude-de-a-z/albinismo-falta-de-pigmentacao-deixa-a-pele-mais-sujeita-a-cancer.html)
  

quinta-feira, 21 de julho de 2011

TELONA QUENTE 29

Duas Diretoras Argentinas


Depois do bom suspense de Carlos Sorin, resolvi colocar um pouco em dia minha filmografia argentina e vi 2 filmes dirigidos por mulheres. Ambos são estreias na direção, foram sucesso de crítica e um deles foi bem nas bilheterias. Mas, gostei apenas de um, embora com tanto ardor que creio valer pros dois.
Rompecabezas (2010) foi dirigido por Natália Smirnoff. Tudo começa com uma mulher labutando na cozinha pra servir aos convidados em uma festa de aniversário familiar. Faz isso, leva aquilo, põe no forno, anda pra cá, conversa acolá; com a câmera enfiada na cara, a ponto de precisarmos duns minutos pra nos acostumarmos aos eventuais e inevitáveis desfocamentos que isso acarreta. Não há como deixar de ter empatia com Maria del Carmen, interpretada à perfeição por Maria Ometto, que eu já amava de Tratame Bien, El Otro, La Mujer Sin Cabeza. Ela é a dona de casa que abdicou de sua vida pessoal pelo marido e filhos, que, se não a tratam mal, também não a reconhecem como pessoa que necessita de vida própria.
Uma tia dá um quebra-cabeças de presente a del Carmen, que descobre ter facilidade pra montá-lo e logo se apaixona pela atividade, proporcionadora de momentos em que pode ficar em companhia de si mesma, fazendo algo de que gosta. Em uma loja especializada, descobre um anúncio de alguém procurando por um parceiro pra montar quebra-cabeças e possivelmente participar de um torneio na Alemanha. É assim que conhece Roberto, um rico aficionado que mantem um estilo de montagem mais técnico do que o da intuitiva Maria.
Rompecabezas é prenhe de silêncios e close ups extremos e leva a vantagem de não oferecer personagens rasos. O marido de del Carmen não é um monstro rude do qual a esposa queira se libertar. Na verdade, o trunfo do filme reside no fato de a mulher não desejar efetivamente sair por aí rompendo todos os laços com o passado e a família. Ela descobre que necessita, quer e é bom ter seu próprio espaço, ser responsável por suas escolhas, fazer as coisas do jeito que lhe apeteça. E é isso que começa a fazer; ela seleciona aspectos de sua vida que lhe são agradáveis e os mantém, ao passo que descarta o que não lhe convém. A metáfora do quebra-cabeça é a própria remontagem de sua existência. Sem alardes ou carros voando à la Thelma and Louise; mas sim, o azeitamento da engrenagem da convivência diária. Uma grande estreia de Smirnoff.

A outra película é uma semi-estreia, digamos. A diretora Ana Katz dirigira 2 filmes independentes e Los Marziano (2011) foi seu primeiro longa com elenco conhecido (da TV, especialmente) e orçamento maior. O filme falhou em conquistar meu interesse e confesso não ter entendido o frisson crítico que causou.
Marziano é o sobrenome da família na qual se centra a película. Luis vive em um condomínio de luxo fora de Buenos Aires (um country, como dizem por lá) e é a mais recente vítima de poços que misteriosamente se abrem nos gramados, provocando ferimentos nos moradores. Luis quebrou um braço.
Juan é o irmão pobre, que vive na província, deve muito dinheiro ao mano e perde a capacidade de ler, de uma hora pra outra. Vindo em busca de tratamento na capital, fica a dúvida se os irmãos se encontrarão, posto estarem às turras há anos.
O cotidiano dos dois corre em separado durante o filme e o elemento que pode articular o encontro é a festa de 15 anos da filha de Juan, que será no country do tio Luis, que custeou seus estudos.
A ligação de Katz no teatro explica os elementos de Teatro do Absurdo contidos em Los Marziano, como os poços que se abrem do nada, os 2 irmãos com impedimentos físicos simultâneos, o verde caricatural da grama do country. Também há a influência desse tipo de cine argentino das histórias mínimas (pra evocar Sorin), onde o foco está nas falsamente pequenas ações cotidianas. E isso há de monte na estreia de Katz. E tudo fica sem resolver. Tudo queda no ar apenas como desculpa pra única coisa que importa: o encontro dos irmãos e o que resultará disso.
Como se importar com uma personagem como Luis se nem entendi qual é a dele? Pra que inventar algo tão fascinante como uma súbita disfunção neurológica em Juan e não explorá-la a não ser no fim, deixando-a funcionar como muleta pruma possível reaproximação?
Outro hibridismo pouco funcionalfoi a mistura com uma estética excessivamente televisiva, a começar pelo elenco. Ficou parecendo um filme chato pra TV.
Creio que consegui entender a crítica social pretendida, mas tudo acabou submerso num filme que me soou frio e incapaz de manter interesse contínuo. 

QUEM ADOTARÁ BINA?


Encontrei o texto abaixo no site Adoção de Animais

Linda filhote albina, cega e surda, busca adotante especial




Queridos amigos. Olá!
Bina, é uma doce filhote de 4 meses de idade, ela não possui raça definida, nasceu albina, cega e surda. 
Mas isso não a impede de ser um filhote feliz como qualquer outro.
Ela anda pela casa toda e vai atrás das pessoas pelo olfato, é uma filhote tranquila e brincalhona, só urina e defeca no jornal, mas às vezes por não enxergar pisa em cima.
Esta linda mocinha seria “eutanasiada” na clínica veterinária onde foi abandonada com seus outros irmãos (todos saudáveis), pois a veterinária responsável pelo local, afirmou aos seus funcionários que ela não teria chances de adoção.
Resumindo, aceitamos o pedido de ajuda das funcionárias da clínica e "Bina", foi para a casa da auxiliar de enfermagem do abrigo, até que fosse adotada ou tivesse tomado todas as vacinas para só então ser encaminhada ao abrigo.
Mas a verdade é que o abrigo não tem condições de acolher um animal tão delicado.
Ela participou da nossa última campanha de adoção e foi adotada, mas infelizmente esta sendo devolvida, estamos buscando alguém que tenha condições financeiras para arcar com as despesas que um cão albino pode gerar, espaço, disponibilidade de tempo, pois ela ama a presença seres humanos e muito amor para acolher essa linda mocinha que irá ficar de porte médio/grande.


Contatos para adoção comigo pelo celular 9923-2722.

Mais informações e fotos em
http://adocaocaes.wordpress.com/2011/07/21/linda-filhote-albina-cega-e-surda-busca-adotante-especial/

ZOOFILIA COM CANGURU - O VÍDEO


Canguru albino vira a principal atração de fazenda na Polônia


O animal raro de olhos vermelhos nasceu há sete meses. Por enquanto, o canguru vive com os pais numa jaula pequena. Mas os criadores disseram que vão levar a família para um lugar bem maior.
Assista ao video.

BARBÁRIE

Juiz nega prisão de suspeito que confundiu pai e filho como casal gay

Ontem à noite (19), o juiz Heitor Siqueira Pinto negou o pedido de prisão temporária do suspeito de agredir pai e filho, em São João da Boa Vista (SP), por pensar que os dois se tratavam de um casal gay.

O juiz justificou sua decisão afirmando que não é permitida a prisão temporária de suspeitos por lesão corporal. De acordo com o delegado do 1º Distrito Policial, Fernando Zucarelli, um dos suspeitos, admitiu ter mordido a orelha da vítima. Outros suspeitos da agressão são esperados para darem suas versões ainda nesta semana. 

A agressão aconteceu por volta das 3h de sexta-feira (15), durante a Exposição Agropecuária Industrial e Comercial (Eapic). Pai e filho foram acompanhados de suas namoradas, quando elas foram ao banheiro um grupo se aproximou e questionou se os dois eram gays. Logo depois, pai e filho foram cercados e levaram socos e chutes.

O filho, de 18 anos, teve ferimentos leves e passa bem. Já o pai, de 42 anos, teve parte de sua orelha decepada e terá que fazer cirurgia de reconstrução.

(Encontrado em http://acapa.virgula.uol.com.br/politica/juiz-nega-prisao-de-suspeito-que-confundiu-pai-e-filho-como-casal-gay/2/14/14247)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

CONTANDO A VIDA 43

Na crônica de hoje, o Professor Sebe aborda o abismo social entre gordos e magros. De quebra, achei um episódio completo, dublado em português, da clássica dupla cômica Stan Laurel e Oliver Hardy, o Gordo e o Magro, ou, como diziam os portugueses, O Bucha e Estica.   
OBESOS E FAMINTOS

José Carlos Sebe Bom Meihy

Estranho o mundo de hoje. Estranhíssimo! A velocidade dos tempos, os avanços tecnológicos, a globalização e principalmente o consumismo crescente e avassalador nos inscrevem num turbilhão veloz, onde temos que viver o presente e o melhor que se faz é não considerar as razões vitais da sociedade como um todo. E tudo é tão rápido, fugaz e superficial que esquecemos pressupostos éticos, morais e de solidariedade humana. Sei bem dos riscos de tocar em temas compassivos, mas mesmo correndo na linha da navalha cortante que separa o lógico do prazer imediato, não tenho como evitar alguma meditação sobre os gordos e os esfomeados no mundo de hoje. Faço-o, contudo, sob duas chaves principais: de historiador de ofício e de cidadão plantonista à espera de um mundo algo melhor.

Vendo historicamente, não há como negar o dilema enfrentado por Thomas Malthus decretando que a ordem entre o crescimento demográfico estava em oposição geométrica ao montante de alimentos dispostos na Terra. Por evidente, os avanços propostos pelos fertilizantes e agrotóxicos, o oferecimento de mais terras para o plantio e a fantástica revolução maquinaria adiaram profecias que nem mais frequentam as preocupações corriqueiras. Ainda que agora a questão da água potável seja o próximo alerta apocalíptico, a carência de alimentos não atormenta tanto. Mesmo pensando como historiador, vale lembrar que até bem pouco tempo, muitos dos dilemas familiares em relação aos filhos estava na capacidade de promover a engorda dos filhos. Eu mesmo passei por vários tratamentos para ver se ganhava alguns quilos que, afinal, fariam a alegria de meus pais. Hoje, vendo principalmente pelos programas televisivos atentos ao comportamento infantil, o que se nota é o oposto: projetos investindo no emagrecimento de crianças doentiamente obesas. E quanta apreensão causa ver dramas de jovenzinhos lutando para perder gordura acumulada.
Tive ocasião de estar na África, perambular pela América Latina, ver partes pobres da Ásia e sempre vou às regiões afastadas do nosso Brasil. Certamente é fácil encontrar no meio rural seres fragilizados pela penúria. Estes contrastes ampliam-se na ordem geométrica, e, na falta de carne nesses corpos reside uma sentença cruel que precisa ser revista: as distâncias sociais estão impregnadas no peso físico de nossos corpos. Isso é grave. Gravíssimo. Lembro-me do impacto das teses que marcaram minha geração nos então “anos rebeldes”. Josué de Castro alertava sobre a geopolítica da fome. O tempo rolou e hoje carecemos de quantos falem de uma outra relação: da magreza e do excesso de gordura. Por incrível que pareça, a fome ainda é uma das realidades mais visíveis para quem a vive. Na mesma ordem, para outros a banha é o fantasma. E, para os gordos, haja escolas estéticas, clubes de perda de peso, academias de ginásticas. Tudo para os que têm como esbanjar e se permitem o descontrole. É triste, mas para os demais, para os que padecem pela falta, o que resta é caridade.
Quem não se constrange com os números? Ao sabermos que a cada três segundos morre alguém de fome no maravilhoso mundo dos alimentados, como fica nossa consciência? Tendo notícia de que metade da população mundial sobrevive com menos de dois dólares por dia, como nos comportamos? Mas o pior é que não se vê mais perspectivas de correção dos extremos. É necessário recuperar a perspectiva conjunta do mundo. Precisamos não negar os avanços gerais, mas ter consciência da busca de repartição de renda, de programas sociais que atinjam os que estão fora dos quadros da condição humana. Até o presente, pensava-se que as soluções poderiam vir a partir de programas políticos nacionais. A falência das utopias políticas, contudo mudou o eixo de respostas. Hoje sabemos que o que se pode fazer depende mais das motivações pessoais do que das propostas advindas de cima para baixo.
É importante não aceitar a fatalidade e propor crenças em melhorias que são factíveis. Talvez a mais eficaz das alternativas seja a proposta por grupos que advogam a vantagem de discutir as duas situações juntas. Ao se falar da obesidade, no mesmo discurso temos que incorporar a fome. Moedas da mesma face, as soluções apenas serão eficientes se abordadas na unidade que nos religará à condição humana comum. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CAIXA DE MÚSICA 41

Grifo Rockocó

Roberto Rillo Bíscaro

Semana passada, deu crise de Gryphon, banda de folk-prog inglesa. Ouvi tudo que tenho deles mais de uma vez, especialmente as longas faixas instrumentais.
Há uns 40 anos, havia um surto de folk rock na Inglaterra. Grupos garimpavam séculos atrás por canções tradicionais ou compunham material próprio em chave folk. Resgate de raízes pra lamber feridas do império perdido? Sei lá; o que importa é que muita coisa bonita foi produzida, vide o trabalho do Amazing Blondel ou Lindisfarne (o Genesis chegou a abrir shows dessa banda há muito esquecida).
Alguns artistas misturavam música medieval com rock, jazz, música renascentista, barroca, romântica, concreta, daí a denominação folk-progressivo. Uma vez perguntaram porque eu não trocava esses grupos por música erudita, logo duma vez, afinal, se eles misturam tudo... Pois aí é que reside a graça pra mim. Numa suíte de 20 minutos, tem-se tudo isso misturado e permeado por teclados, com diversas alterações no andamento.
O Gryphon foi formado por egressos da Royal College of Music e tirou seu nome da lendária criatura de corpo de leão e cabeça/asas de águia. Em 1973, lançaram Gryphon, álbum de estréia, onde tocavam composições tradicionais inglesas da Idade Média e Renascença, usando instrumentos de época, como o fagote. Algumas composições próprias reproduziam o estilo passadista. Uma festa medieval de instrumentos de sopro e violões, salpicada por teclados meio eclesiásticos, em faixas curtas, várias com vocal. Sir Gavin Grimbold é bom exemplo:   

Em 74, a banda foi comissionada pra compor a trilha sonora duma montagem d’A Tempestade, de Shakespeare. Isso lhes inspirou pruma guinada musical. No mesmo ano, lançaram Midnight Mushrumps (“and you, whose pastime Is to make midnight-Mushrumps…”, como na peça do Bardo), que trazia junto com as baladas do medievo, uma suíte instrumental de quase 19 minutos, que ocupava um lado do vinil e batizava o álbum. Os instrumentos antigos foram mantidos e o grupo passeia por diversos estilos com mudanças constantes de andamento, retomada de temas à la música clássica e melodias lindas, ora em tons pastorais, ora eclesiásticos, ora mais vibrantes. O Gryphon entrava altivo no terreno do rock progressivo, vertente sinfônica.


No mesmo ano, veio seu melhor álbum. O conceitual Red Queen to Gryphon Three tem 4 longas faixas instrumentais que reproduzem momentos dum jogo de xadrez. Musicalmente muito complexo com temas que se repetem e/ou se transformam, o álbum traz guitarras, baixo, percussão, teclados e instrumentos medievais. Rock Renascentista? Claro que as influências são múltiplas, típico das boas bandas prog.
O disco abre com Opening Move em tons de marcha principesca e em geral tem tons plácidos; é o início da partida. A melodia torna-se tensa e intrincada na reta final; o jogo complica-se e o jogador começa a se preocupar, a parte final sendo introspectiva e lenta.

Second Spasm abre nervosa e complexa; o jogador está numa enrascada. Adrenalina rococó. Momentos contemplativos se sucedem; o enxadrista pensa no próximo movimento.

Lament é melancolia de fagote em sua grã parte. O jogador julga estar num beco sem saída, mas o final pontuado por mais instrumentos e energia indica que há esperança de reviravolta.

Checkmate entrega o ouro no nome. Lindos trechos de percussão militar e algum tipo de flauta medieval. Não esqueçamos o caráter de estratégia bélica do xadrez europeu. Essa seção traz momentos quietos, algo lúgubres; muita atenção é requerida. O final é jubiloso e rápido, ainda que tenso. A apoteose militar e clima de triunfo marcam a derrubada do rei oponente.

A argúcia temática e perícia instrumental do grupo atraíram a atenção de Steve Howie, guitarrista do megaprestigiado Yes. Ele levou o Gryphon pra abrir os shows da turnê norte-americana da banda, em 1975. O que poderia ter sido o estouro do Gryphon não passou de traque. De volta à Inglaterra, os membros originais começaram a debandar.
Em 1975, saiu Raindance, com canções menos criativas do que as dos álbuns anteriores. Era o começo do fim. Mesmo assim, ainda há um grande momento no álbum. O contato com o Yes influenciou o Gryphon, como pode ser notado nos mais de 16 minutos de (Ein Klein) Heldenleben, excitante instrumental que traz muito da pirotecnia do grupo de Jon Anderson. Guitarra e teclados, com baixo e percussão mais proeminentes do que nunca, dão á canção uma sonoridade fanfárrica, numa espécie de Inglaterra do século XVI plugada na tomada. As mudanças de compasso e andamento são de tirar o fôlego e a técnica dos músicos, impecável.


Após silêncio de 2 anos, a banda voltou com Treason, coleção de canções com um folk mais diluído, meio sem graça, com um pé no pop e outro numa sonoridade muito Middle of the Road (MOR, como ficou conhecido esse tipo de som). Agradável como música de fundo, mas mesmo nesse departamento há coisas melhores.

Treason foi o derradeiro trabalho do Gryphon, que, em 2007 prometeu álbum novo em seu site, mas até agora nada mais foi dito. Talvez seja melhor assim. Permanecem pros fãs as viagens eletrificadas elizabetanas da época de ouro do rock progressivo, pré-cusparada punk de 1977.  

domingo, 17 de julho de 2011

A SUPERAÇÃO DE JAZZ

Jasmine Burkitt
Burkitt (esquerda) saiu de casa para fazer faculdade
Uma adolescente britânica que sofre de nanismo contou à BBC como é viver em um mundo adaptado a pessoas muito mais altas do que ela.
Jasmine Burkitt, conhecida como Jazz, tem apenas um metro e 21 centímetros de altura e decidiu deixar a segurança da casa onde cresceu para cursar faculdade.
O nanismo é um distúrbio - na maioria dos casos de ordem genética - que resulta em indivíduos com estatura muito abaixo da média populacional.
Jazz, que herdou a condição de sua mãe, sofria perseguições na escola por causa do seu tamanho.
"Tive de sair da escola quando tinha 13 anos", ela conta.
"Um menino me pegou e simplesmente me jogou no chão. Caí de mau jeito e danifiquei seriamente os joelhos".

Depois desse episódio, a mão de Jazz decidiu educá-la em casa. A adolescente disse que a experiência permitiu que ela aprendesse a cozinhar, limpar e a lidar com seu problema.
Vida Independente
No ano passado, Jazz decidiu seguir sua paixão por animais e saiu de casa para fazer um curso sobre o bem-estar dos animais no Llysfasi College, em Ruthin, no condado de Denbighshire, na Inglaterra.
"Me preocupava, achando que a faculdade seria como a escola, onde me perseguiam", disse.
"Mas aqui não sou diferente, sou apenas Jazz", disse.
Na faculdade, ela tem um quarto adaptado especialmente para ela, com um chuveiro mais baixo e uma escada para que ela possa alcançar as prateleiras.

"Minha altura não atrapalha meus estudos de forma alguma e a equipe da faculdade faz de tudo para que eu me encaixe".
Jazz cita, como exemplo, o caso do avental que os estudantes devem usar no laboratório da faculdade.
"Temos de vestir um avental no laboratório. Todo mundo estava escolhendo o seu, entre os tamanhos pequeno, médio e grande. Eu pensei: 'Não vou caber em nenhum, nem mesmo no pequeno'".
A adolescente ficou comovida quando a faculdade pediu que o fornecedor dos uniformes tirasse suas medidas e fizesse um avental no tamanho dela.
(O avental) "parece com qualquer um dos outros mas é do meu tamanho. Não estou brincando - quase chorei", ela admite.
Identidade
A decisão de sair de casa foi dura. Jazz cuidava da mãe e por compartilharem a mesma condição, as duas são muito próximas.
Mas ela diz não se arrepender da decisão. "Queria meu pouquinho de independência, e adoro isso".
O pai de Jazz era viciado em drogas. Por causa disso, a mãe cortou todo o contato com ele quando a filha nasceu.
Mas Jazz decidiu entrar em contato com ele. Os dois se encontraram pela primeira vez.
"Queria descobrir o que faz com que eu seja quem sou".


Hoje, o pai é parte da sua vida. Os dois têm, em comum, o amor pelos animais e um senso de humor parecido.
"Tem sido difícil", ela admite, "e mais duro do ponto de vista emocional do que eu imaginava".
"Sinto que hoje tudo está completo, não está faltando nada".
'Únicas'
O nanismo pode ocorrer de forma proporcional, quando há uma ausência de crescimento em todo o corpo. Nesse caso, o comprimento do abdômen e do peito é proporcional ao das pernas. Adultos com essa condição raramente alcançam 152 cm.
Existe também o nanismo desproporcional, em que certos membros podem ser mais curtos. Nesse tipo de nanismo, a altura da pessoa pode ser severamente afetada. Adultos alcançam entre 107 e 137 cm.
Jazz nunca quis saber que tipo específico de distúrbio de crescimento a afeta.
Sua mãe foi submetida a vários testes durante a infância. Um deles envolveu a retirada de amostras de sua pele para que os médicos pudessem investigar sua condição e um possível tratamento.
"Somos únicas", disse Jazz. "Não queremos que as pessoas saibam o que é, e que depois os cientistas tentem remover a condição, impedindo (as pessoas) de ter crianças (como nós)".
Existem vários tratamentos para distúrbios de crescimento, incluindo injeções de hormônio do crescimento e cirurgias para aumentar o comprimento de braços e pernas.
Mas Jazz disse que nunca considerou alterar sua altura natural.
"Eu nasci com esta condição - aprendi a andar com essa condição, aprendi a fazer tudo com esta condição".
"Não é algo que eu separo de mim, é parte da minha vida. Eu valorizo isso e não gostaria de mudar quem eu sou".
"É por causa da minha condição que eu não quero limites".