Fiquei curioso. De maneira sutil, aos poucos aquelas fitinhas dobradas de maneira a imitar um laço mal terminado e com as pontas voltadas para baixo foram marcando minha percepção. E comecei a prestar atenção nas cores que variam de mês a mês. Intrigado, busquei informações e encontrei algumas curiosidades. As tais fitinhas que hoje emblemam campanhas, nasceram das homenagens aos retornados da Guerra do Golfo (agosto de 1990 – fevereiro de 1991). No desembarque nos portos norte-americanos, eles portavam uma fita amarela no braço direito. A simpática homenagem foi retomada por ocasião do esforço contra estigmas de pessoas contagiadas com o vírus da aids. Corria o ano de 1991 e a empesa Visual Aids iniciava campanha de sucesso mundial. Há várias versões sobre a continuidade dessa prática, algumas bem sugestivas.
Os profissionais empenhados na proposta antiaids desenvolveram relatórios explicativos que continham justificativas merecedoras de atenção. O vermelho, por exemplo, remetia à representação tanto do sangue como da paixão. O apoio de celebridades e políticos logo popularizou a proposta, que passou a compor cenários de premiações artísticas, escolares e esportivas. Em Nova York, a suntuosa igreja Saint John the Divine, o maior templo anglicano do mundo, assumiu o símbolo do laço vermelho em seu interior e isto valeu como licença para a discussão da aids além das consequências físicas. Estava dada a largada para o debate também sobre outras moléstias ou males.
Na história das campanhas publicitárias, os laços ocupam lugar especial, pois não se remetem apenas aos aspectos do marketing comercial. O propósito de conscientização enterneceu o mundo todo, atravessando diferentes culturas, mantendo a proposta de sensibilização social. Além do aspecto humanitário, essas campanhas têm sido usadas também para arrecadar fundos para pesquisas, e foi exatamente esta tendência que facilitou a organização de cores. Destinadas à orientação de debates gerais, cada mês do ano ganhou uma referenciação que, em alguns casos, se desdobram em duas ou mais propostas. Ainda que não haja unanimidade, assim as campanhas podem ser consideradas:
JANEIRO BRANCO: remete aos cuidados com a saúde mental.
FEVEREIRO tem dupla coloração, o roxo remete à crescente onda do Alzheimer e na versão laranja inscreve campanhas sobre a leucemia.
MARÇO LILÁS: destinado à prevenção de cânceres, tanto o de colo do útero como o combate ao câncer colorretal.
ABRIL AZUL, os laços claros se prontificam às representações em favor de esclarecimentos sobre o autismo.
MAIO: a cor encarnada serve para debater males da hepatite.
JUNHO VERMELHO: mês ligado à doação de sangue.
JULHO AMARELO: tom claro, indicativo do combate ao câncer ósseo.
AGOSTO duplica as cores, o alaranjado destinado à esclerose múltipla e o DOURADO para o aleitamento materno.
SETEMBRO AMARELO FORTE: remete à prevenção do suicídio.
OUTUBRO ROSA: vale para o alerta ao câncer de mana.
NOVEMBRO AZUL FORTE: para chamar a atenção para o câncer de próstata.
DEZEMBRO duplica as cores, sendo o VERMELHO relativo ao combate à aids e o LARANJA contra o câncer de pele.
Pois é, estamos em outubro, alinhando o final do ano. O mês número 10 carrega também a homenagem ao dia em que os europeus chegaram à América, à Padroeira do Brasil e aos professores. O destaque sugerido pela área da saúde, contudo, recomenda cuidados especiais com o câncer de mama e isto demanda atenção. De maneira provocante acho que o mote do laço rosa merece mais do que se tem visto. Falar deste câncer amplia responsabilidades por remeter também a outro destaque do mês: a saúde mental comemorada no dia 10. A consideração do combate ao câncer de mana no dia da reverência à saúde mental duplica deveres. Consideremos ambas.
Um jogador sem rumo e seus dois amigos se encontram em uma Tóquio paralela, onde são forçados a competir em uma série de jogos sádicos para sobreviver.
Com mais de meio século de história e estrada, a banda de rock progressivo britânica Yes volta com seu vigésimo-segundo álbum de estúdio. The Quest foi produzido por Steve Howe, guitarrista que soube muito bem preservar o som característico do grupo, caro para os fãs de longa data.
Após os ataques de 11 de setembro, um advogado enfrenta uma batalha ferrenha para criar um fundo de compensação pelas vidas perdidas. Baseado em fatos reais.
Conheça o que pode ser a maior família de albinos do mundo
Um clã britânico afirma ser a maior família de albinos do mundo. Os Parvez têm atualmente 15 membros da família com esta doença genética rara.
Eles estão esperando a confirmação para estabelecer um novo recorde mundial do Guinness
Aslan e sua esposa são originalmente do Paquistão. Os dois são albinos, como os irmãos, sobrinhos e sobrinhas de Aslan. Eles tiveram casamento arranjado devido a cor de sua pele, e acabaram tendo seis filhos.
Estranhamente, nenhum deles herdou o albinismo da família. A “nova geração” dos Parverz é diferente. Os seis têm todos um tom da pele totalmente diferente dos mais velhos da familia.
A família Parvez diz ter sido vítima de abusos físicos e raciais terríveis, mas dizem ter orgulho de sua identidade e que a doença genética só os uniu ainda mais. Dezessete membros nasceram com albinismo, mas dois deles já faleceram. Eles aguardam a confirmação do Guiness, o livro dos recordes.
Acesse o link abaixo para ver um vídeo sobre a família.
De repente, me peguei inquieto com uma canção que martelava em minha cabeça. Aliás, era o refrão, que se repetia de maneira perturbadora. Como já passei por isto antes, aprendi que o melhor a fazer nessas situações é percorrer uma avenida de duas mãos. Na primeira via, convém dar uma pesquisada bem completa na música: autoria, intérpretes, ano de gravação do álbum, recepção pública, tudo com destaque à letra e à melodia. Acontece muitas vezes que a simples pesquisa esclarece, não se fazendo sequer necessário transitar na via oposta. Como isso não é tão comum, depois da ida convém retraçar o caminho da volta, e, assim, resta decompor a canção percorrendo detalhes, frases, ditos e não-ditos, sugestões complicadoras das mensagens. E nessa rota, cabe pensar qual trecho da canção acionou o mecanismo da lembrança insistente.
Dizem os especialistas que essas ocorrências atendem por um nome simpático “impulso de memória espontânea”, e as melhores explicações recomendam que se preste atenção no detalhe da mensagem emitida psicologicamente e analisar seu diálogo com problemas que não conseguimos enunciar. Sim, esses sinais mnemônicos são alertas para problemas não resolvidos e que demandam cuidados. Nada é bobagem.
Pois bem, foi assim que me vi ecoando uma passagem da canção “Sujeito de sorte”, do cearense Belchior. Deu saudade desde logo, tanta que que cheguei a ouvir aquela voz estranha, entre grossa e metálica, com acento estranho que traz a figura do bigodudo de vida melancólica. O álbum “Alucinação”, gravado em 1973, sucesso relativo à época, se fez novo recentemente com o show e filme “Amarelo”, ou “Amar-elo”, do rapper Emecida. E então justificou-se a popularidade enigmática do refrão “ano passado eu morri/ mas este ano eu não morro”. É claro que o simples dizer é convite para o resto do poema “Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte/ Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte/ E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado/ E assim já não posso sofrer no ano passado/ Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro/ Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro”. Os versos são longos, trançando fortes imagens, palavras duras, perdidas na suavidade traiçoeira dos arranjos. Nossa!... A canção não me dava paz.
Depois de buscar algumas gravações, depois de “ouvir lendo” os versos singulares, encontrei uma passagem que me pegou de jeito “Sem o torro, nossa vida não vale a de um cachorro, triste/ Hoje cedo não era um hit, era um pedido de socorro/ Mano, rancor é igual tumor envenena raiz/ Onde a plateia só deseja ser feliz/ Com uma presença aérea/ Onde a última tendência é depressão com aparência de férias/ Vovó diz, odiar o diabo é mó boi, difícil é viver no inferno/ E vem a tona” arremata como o fatal “tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro/ Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro”. Diria que esta música situa-se no hinário dos desencantos recicláveis, pois tem um final arrebatador que nos redime na esperança “Aí, maloqueiro, aí, maloqueira/ Levanta essa cabeça/ Enxuga essas lágrimas, certo?/ Respira fundo e volta pro ringue/ 'Cê vai sair dessa prisão’/ Cê vai atrás desse diploma/ Com a fúria da beleza do Sol, entendeu?/ Faz isso por nóis, faz essa por nóis/ Te vejo no pódio/ Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro”.
Nossa, nossa, nossa! Foi tão mecânico “presentificar” a mensagem que logo entendi por que meu inconsciente insiste na repetição espontânea da letra que arde em minha cabeça de utopista incansável. Tudo isso mexe demais comigo. Demais. Os desatinos expressos pelo nervosismo político que vivemos convocam minha memória dos dias amargos da abertura da ditadura civil militar e promovem diálogo entre o absurdo e a esperança. E que, outra vez, vença o bom senso reencarnado pela ressureição da democracia. Teremos eleições com urnas eletrônicas e então será fácil gritar em coro: “ano passado eu morri, mas este ano eu não morro”.
Na minissérie dinamarquesa O Homem das Castanhas, um boneco feito com castanhas é encontrado na cena de um crime e leva dois detetives a caçar um assassino ligado ao desaparecimento de uma criança.
Mulher trans preta, Liniker decola em carreira-solo, num álbum luxuosamente coproduzido/composto por ela, com orquestra, Milton Nascimento e muita diversidade rítmica. Um dos trabalhos mais importantes da MPB de 2021.
Justiça malauiana condena moçambicanos encontrados na posse de ossos de albinos
A justiça do Maláui condenou a prisão perpétua três cidadãos moçambicanos encontrados na posse de ossos de uma pessoa com albinismo, informaram hoje as autoridades daquele país
Faruque Wilson, João Pirilane e Matias Assedine, todos oriundos da província da Zambézia, centro de Moçambique, foram condenados por um tribunal de Blantyre, capital eocnómica do Maláui, que entendeu que os três estavam envolvidos numa “caça a pessoas com albinismo”, segundo fonte citada pela rádio pública moçambicana.
Os condenados submeteram um pedido para o cumprimento da pena em Moçambique, embora não haja no país pena de prisão perpétua ou um acordo de extradição com o Maláui.
As pessoas com albinismo têm sido vítimas de perseguições, violência e discriminação devido a mitos e superstições, que incluem o uso de órgãos ou ossadas em rituais, sendo colocadas entre as que mais sofrem violações de direitos humanos.
Desde 2014, só em Moçambique, pelo menos 114 pessoas com albinismo desapareceram em circunstâncias não esclarecidas, segundo os últimos dados avançados à Lusa pela Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).
Augusto dos Anjos, o mais sombrio dos poetas brasileiros, foi também o mais original. Sua obra poética, composta por apenas um livro de poemas, não se encaixa em nenhuma escola literária, embora tenha sido influenciado por características do Naturalismo e do Simbolismo, a produção única de Augusto dos Anjos não pode ser enquadrada em nenhum desses movimentos. É por isso que classificamos o poeta juntamente aos seus contemporâneos do Pré-Modernismo.
Em MALIGNO, Madison sente-se paralisada por visões chocantes de assassinatos horríveis, e tudo piora à medida que descobre que estes sonhos acordados são, de fato, realidades aterradoras.
Lembro-me com clareza do tempo em que se combatia com vigor tudo que vinha “de fora”. No colégio interno onde estudei, os padres alertavam contra estrangeirismos: anglicismo, galicismo, espanholismo. Bom mesmo seria o português castiço, algo achegado a Camilo Castelo Branco, Eça de Queiros e Júlio Diniz. Ah, os tempos em que se aprendia latim no ginásio, e tínhamos que falar corretamente sem erros ou marcas de expressão. Décadas mudaram e tivemos que nos adaptar à “democratização do uso da língua”. As grandes matrizes colonizadoras, responsáveis pelas “superações” das falas nativas também se viram abaladas. De todas – inglês, francês, espanhol e português – a nossa foi a mais afetada. Fosse pela força do tupi, resistente até o século XVIII, ou pelo patrimônio africano, incorporamos um vastíssimo vocabulário, e junto criamos entonações que nos distinguem.
A recente modernização urbana, capitalista e industrial, carreou novos desafios que, de modo sutil, sugere o inglês como espécie de vírus linguístico, que se infiltra de maneira quase natural em nosso corpo linguístico. O advento do computador, por seu turno, nos impôs verbos incômodos, mas perfeitamente naturalizados, e assim “deletamos”, “printamos”, “twitamos”, ficamos “on line”, incorporamos o “WhatsApp”, o “fotoshop”, e no lugar de mandar mensagens, enviamos “e-mails” (que, aliás, já estão meio fora de moda).
Diria que tudo seguia curso estranhamente progressivo quando, não mais que de repente, uma enxurrada de novos termos nos acomete de maneira avassaladora. De tal forma o fenômeno cresceu, que chamou a atenção dos atualizadores do grupo responsável pelo “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” (VOLP), mecanismo regulador da fala nacional, órgão ligado à Academia Brasileira de Letras. Imaginemos: dos 1 600 verbetes inseridos na nova versão do Dicionário, mais de 5% se relacionam diretamente com o Covid 19 (sim, Covid é usado no masculino). E respeite-se também as decorrências, algo do tipo “home office”, “teletrabalho”, “lockdown”, “videoconferência”. Sugere-se, inclusive, uma nova área de estudos reconhecida como “covidioma”, pode? É bem provável que tudo tenha sido decantado durante o “blursday”, sentimento dominante em quantos, no confinamento, não percebiam mais a mudança do tempo, algo como se todos os dias fossem iguais.
A justificativa para tanta reverência a essas novidades vocabulares justifica a criação de um campo de estudos que passa a interessar à medicina pediátrica e à psicologia, o “coronababy”, estudo do comportamento de crianças geradas ou nascidas na vigência do Corona. E por falar em “covidioma”, não se pode esquecer do “covidivórcio”, prática posta em uso durante a fase de reclusão a que casais que não sabiam que o convívio intenso lhes era insuportável. É verdade que se deu também o oposto, ou seja, casais que viveram o “covidilove”, aqueles que se (re)apaixonaram, e (re)descobriram o significado do “até que a morte nos separe” durante a pandemia.
Ainda que ache muito criativo e curioso o processo como um todo, confesso que alguns novos verbetes me assustam, mas, mais que qualquer outro o “nomofobia” ganhou disparado. Para quem não sabe o que é isso, explico: é o medo patológico, alucinante mesmo, de ficar sem contato com o mundo, de se sentir esquecido. Este grave pânico se manifesta pelo pavor de ficar sem conexão via internet. Ah! Há também o “covidamigo”, ou seja, a descoberta de um melhor amigo feito na fase da reclusão, claro, mediado pelo celular ou computador. E têm o “apaixonavid”, aqueles que, mesmo sem contato diretor, físico, se enamoraram por meio da eletrônica.
A par de tantas tolices, um termo tem merecido carinho especial, o “coronaplauso”, ou seja, o agradecimento aos cuidadores dos adoecidos que, mesmo à distância, são dignos de tanto respeito. No mais, na contramão dessa saudação, ressalto outro termo, o “covidiota” que, aliás, explica o “covidioma” que no máximo é catarse esdruxula... mas até que diverte.
Centenas de jogadores sem dinheiro aceitam um estranho convite para competir em jogos infantis. Lá dentro, um prêmio tentador os aguarda - com apostas altas e mortais.
Uma instituição de ensino técnico de Belo Horizonte foi condenada pela Justiça do Trabalho a indenizar um ex-empregado que adquiriu câncer de pele por exposição intensa ao sol. O trabalhador que é albino e exercia a função de office-boy alegou que ainda foi demitido após o diagnóstico da doença.
À Justiça, o homem contou que foi contratado por meio do Programa PCD (Pessoa com Deficiência). Ele disse que diariamente fazia entregas a pé, debaixo do sol, e sem nenhuma proteção oferecida pela empresa.
No processo, a defesa da instituição negou que a doença fosse consequência do trabalho exercido pelo profissional. Mas a perícia técnica apontou que o diagnóstico de câncer de pele teve como motivação a intensa exposição solar.
Agora, a instituição terá que pagar R$ 10 mil ao ex-funcionário, quantia correspondente ao valor gasto por ele com a manutenção do plano de saúde. Testemunhas confirmam exposição
Testemunhas ouvidas durante o processo relataram que o ex-empregado fazia serviços externos de forma habitual, com exposição ao sol, e sem o fornecimento dos equipamentos necessários. Uma delas confirmou que o trabalhador só passou a receber o protetor solar depois do diagnóstico de câncer de pele.
Outra testemunha relatou que o encontrou, por algumas vezes, “bem vermelho”, por trabalhar externamente. Um funcionário, que também exerce a função de office boy, relatou que os dois faziam entregas de correspondência.
Segundo ele, o autor saía entre as 8h30 e 9h e só retornava à unidade por volta de 11h e que, por regra, fazia as entregas a pé. Somente após o laudo médico, que comprova o diagnóstico de câncer de pele, ele foi orientado a trabalhar internamente.
Demissão discriminatória
Na visão do juiz Henrique Alves Vilela, ficou provado que o funcionário possuía limitações. “O trabalhador é portador de moléstia que o incapacita para exercer atividades que demandem exposição ao sol, o que pode causar estigma ou preconceito”, pontuou.
Ainda assim, o juiz acredita que não havia um motivo razoável para a dispensa do empregado. “Não foi demonstrada a necessidade de demissão em razão de fato objetivo como, por exemplo, diminuição de trabalho ou encerramento de determinado setor”, disse.
Por isso, no entendimento do julgador, essa dispensa transmite aos demais empregados a mensagem de que os trabalhadores com deficiência não são aceitos na empresa. “Especialmente quando diagnosticados com moléstia que é vista, no geral, como grave, no caso o câncer de pele, a qual causa inconvenientes para o empregado”, disse.
O que é albinismo?
O albinismo é uma condição genética caracterizada pela ausência total ou parcial da melanina, proteína responsável pela coloração e proteção da pele. Por esse motivo, pessoas albinas possuem a pele muito branca e sensível, além dos cabelos, cílios e demais pêlos do corpo também serem muito claros.
A doença não possui cura, por isso, pessoas com albinismo devem tomar uma série de cuidados e evitar exposição ao sol.
A cerca de trinta quilômetros da costa central do Chile, há uma pequena ilha, um destino turístico chamada Mocha, e habitada pelos indígenas mapuche. A ilha era bem conhecida entre os marinheiros, especialmente piratas e corsários, que usavam a ilha como base de suprimentos, trocando produtos de metal e outras quinquilharias por gado, milho e batatas com os indígenas.
Os corsários ingleses e holandeses frequentemente paravam na ilha, carregavam seus navios com suprimentos e, após uma breve estada, navegavam pela costa do Pacífico, saqueando navios e portos espanhóis pelo caminho. O mais famoso deles foi Francis Drake (1540 – 1596), e suas façanhas eram lendárias, tornando-o um herói para os ingleses, mas um pirata terrível para os espanhóis, a quem ele era conhecido como El Draque.
Foi em torno das águas desta ilha que a baleia macho Mocha Dick foi descoberta pela primeira vez em 1810, e foi uma das duas baleias que inspiraram o romance Moby Dick, romance de Herman Melville. Originalmente, o livro de Melville se chamava La Ballena, mas foi mudado para Moby Dick por sugestão de seus editores, uma vez que a história de Mocha Dick era conhecida pelo público leitor de Boston e Nova Iorque, nos Estados Unidos. Dick incorporado ao nomes das baleias é sinônimo de pênis, macho ou garanhão.
A baleia que foi homenageada como o nome da ilha era famosa entre os baleeiros ingleses e americanos de Nantucket, ilha da costa de Massachusetts, de onde saiam a maioria dos baleeiros. O enorme e albino cachalote era na verdade bastante dócil e às vezes, visto nadando ao lado dos próprios navios projetados para matar sua espécie.
Mas uma vez que o caxarréu fosse atacado, ele retaliava com ferocidade e astúcia, e era amplamente temido pelos arpoadores. Quando estava furioso, jorrava água de sua narina de um modo peculiar e saltava para o ar tão agressivamente que todo o seu corpo, às vezes saia completamente da água.
Representação da ilha Mocha do livro que narra as aventuras do pirata holandês Joris van Spilbergen.
A capacidade de Mocha Dick de ludibriar até mesmo ao mais experiente capitão baleeiro lhe rendeu reverência, e à medida que sua notoriedade aumentava, “Seu nome era usado frequentemente, nas saudações que os baleeiros tinham como hábito de trocar, em seus encontros ao largo do Pacífico“. Escreveu o explorador e escritor americano Jeremiah N. Reynolds, num artigo sobre Mocha Dick em 1839, intitulado “Mocha Dick or the white whale of the Pacific“, da revista The Knickerbocker. “Alguma notícia do Mocha Dick?“, perguntavam um baleeiro ao outro nos portos.
Jermiah descreve Mocha Dick como uma aberração da natureza – “branca como a lã” e com a cabeça coberta de cracas, o que lhe deu uma aparência robusta. De suas costas projetava não menos de vinte arpões – “lembranças enferrujadas de muitos encontros desesperados.” A baleia também tinha um método peculiar de jorrar:
“Em vez de projetar sua cabeça obliquamente para a frente e soprar com um esforço convulsivo e curto, acompanhado por um ruído de bufo, como de costume de sua espécie, ela arremessava a água da narina num volume alto, perpendicular e expandido, em intervalos regulares e um tanto distante; sua expulsão produzia um som contínuo, como o de um vapor lutando contra a válvula de segurança de um potente motor a vapor.“
Mocha Dick acabou sendo morta em 1838. Sua carcaça foi medida e descobriu-se ter 21 metros de comprimento. Segundo relato do escrito Jeremiah, ao longo de vinte e oito anos, Mocha Dick ganhou a reputação de ser uma das baleias mais astutas e temidas dos oceanos. Durante esse período, ela atacou mais de 100 navios baleeiros, supostamente matou mais de trinta homens e afundou cerca de vinte baleeiras.
Mocha Dick não era, aparentemente, a única baleia branca no mar nem era especialmente hostil. Na verdade, as cachalotes são conhecidas por serem agressivas em relação aos navios. Em 1820, um cachalote gigante, com cerca de vinte metros de comprimento, atacou um baleeiro chamado Essex, fazendo-o afundar.
Sua tripulação ficou à deriva em três pequenos barcos a milhares de quilômetros da terra. Um a um, os homens sucumbiram à fome e à desidratação até restarem apenas oito dos vinte homens originais, que foram resgatados pelo baleeiro norte-americano Delfim, perto da costa do Peru. Eles foram resgatados mais de três meses depois. Sete deles tinham desistido de suas vidas para que os outros pudessem comer seus corpos para se manterem vivos. É uma história de dificuldades insondáveis e extremo desespero.
Capa da revista com o artigo de Jeremiah N. Reynolds, de 1839, intitulado “Mocha Dick or the white whale of the Pacific”, da revista The Knickerbocker.
Quando Herman Melville ouviu a história, ele se encontrou com o capitão do Essex e foi inspirado a escrever seu romance clássico Moby Dick, habilmente interligando fatos com ficção, juntamente com sua própria experiência como marinheiro. A baleia branca notoriamente difícil de capturar no romance de Melville é baseada em Mocha Dick.
A lenda de Mocha Dick continua viva entre os habitantes da Ilha Mocha. Segundo a mitologia mapuche, vivem quatro mulheres idosas na ilha, que se transformam todas as noites em quatro baleias. As baleias, chamadas Trempulcahue, levam as almas dos mortos para “Ngill Chenmaywe” (lugar para a reunião das pessoas), de onde as almas começaram sua jornada para o oeste. Acredita-se que a ilha Mocha seja Ngill Chenmaywe.
Aproximadamente metade da ilha hoje é protegida pelo programa da Reserva Nacional. Por causa de sua população esparsa, a ilha tem uma grande população de aves marinhas e uma exuberante floresta virgem. As águas ao redor da ilha também estão repletas de inúmeros naufrágios históricos.
Alphonsus de Guimaraens, pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães, foi um escritor, cuja poesia é marcadamente mística e envolvida com religiosidade católica.
Sem dúvida, a burca é um dos itens mais perturbadores da experiência contemporânea. Peça simbólica, a roupa usada por seguidoras da leitura radical do Alcorão obedece ao purdah, mandamento que prescreve a cobertura do corpo feminino, por entender que o rosto constitui parte íntima da mulher. Como polo de tensão, essa veste capitaliza conflitos que se extremam entre o oriente e o ocidente. A par das propostas oferecidas pela indústria da moda no circuito ocidental, criou-se discussão mais profunda, relativa ao uso da burca e suas relações sociopolíticas. O mesmo se diz sobre julgamentos que anulam explicações de usuários que a defendem. Antes, cabe dizer que a burca é usada principalmente no Afeganistão que, aliás, nem sempre foi o que se mostra hoje.
Convém lembrar que até a segunda parte do século passado, Cabul foi uma cidade atraente, compondo inclusive o roteiro do turismo exótico. Nos anos da contracultura ocidental, os afegãos conviveram com hippies psicodélicos, que buscavam as cidades místicas da Índia ou do Nepal. Cabul era parada obrigatória e nesse circuito, aliás, vale citar o famoso Magic Bus, que saía da Amsterdã lotada de entusiastas da cultura “paz e amor”, com muito rock e maconha. Esse período correspondia à culminância da abertura para o ocidente, proposta por Mohannax Zahir, Xá (1914 – 2007) que estudou na França e que, ao assumir o comando do país em 1933, foi o primeiro a se opor publicamente aos haréns e à poligamia masculina.
Naquele então, mulheres podiam andar livremente sem companhia masculina, viajar, ir à praia, ter negócios e estudar. As lojas de Paris e Nova York difundiam a marca afegã “Biba”, famosa pelas minissaias, botas e muitos bordados estravagantes, com linhas coloridas e chapéus espalhafatosos.
Tudo isso viu fim em 1973, graças a disputas de fundamentalistas islâmicos que, em plena Guerra Fria, se investiram de poderes para refutar o que não fosse islâmico, inclusive dominação política. Convém lembrar que o Afeganistão tem posição estratégica entre a China, Paquistão, Índia e Irã sendo, portanto, geopoliticamente importante. Entre sanhas tribais, os talibãs distinguiram-se desde 1996, fundando o Estado Islâmico do Afeganistão, impondo regras que incluíam códigos de roupas que exigiam absoluto recato e austeridade.
Tudo prescrito pela sharia, lei islâmica que proibia influências ocidentais: música, cinema, televisão, refrigerantes, perfumes, sabonetes, e, claro, roupas variadas. É sabido que a burca é anterior, existindo desde o século XIX, mas seus usos sofreram variações no mundo árabe onde se exercita o uso do hijab ou seja, a cobertura que tem diferentes concepções.
A burca, que se tornou tradução do radicalismo talibã, sempre na cor azulada, é peça única com uma rede que permite a respiração e o olhar. Há casos ainda mais extremos, onde recomenda-se o uso de luvas para que nada seja exposto. Uma variação menos rígida é o nikab, popular veste preta, que permite exposição dos olhos da usuária. Há variações de usos bem mais leves como o chador, abaya, al-amira e até as mais comuns como o hijab e a shayka, lenços que deixam o rosto livre.
O interessante dessa história é a interpretação das mulheres islâmicas, que, ao revés da perplexidade ocidental, apresentam versões escandalizadas da nossa moda. Percebendo-nos como escravizadores, os olhares islâmicos radicais notam formas de submissão das mulheres ocidentais exatamente pela exposição do corpo, facilitação sexual e pela competição vaidosa de roupas que se atualizam no ritmo consumista. O tema, contudo, ganha novas dimensões na medida em que muitos países da Europa têm proibido o uso da burca, por razões de segurança, pois atentados foram perpetrados em várias regiões por pessoas “escondidas” em burcas ou nikab. Além disso, alguns problemas de saúde também valem como argumentos condenatórios por impedir a produção de vitamina D, favorecer câncer de pele, e por questões de ventilação do corpo. Enfim, os problemas causados pela simbologia da burca são polarizados, mas, a questão complexa deve ser discutida e não vista na simplicidade do fanatismo e da condenação.
Um dachshund albino, rejeitado pela ausência de cores, faz sucesso e está vivendo uma boa vida.
Duke é um adorável dachshund – o popular cachorro salsicha – que lutou muito tempo para encontrar um lar. Tudo porque Duke é albino, uma condição genética rara na qual o organismo não produz melanina (ou produz pouco). Em função da pele e dos pelos totalmente brancos, Duke foi rejeitado, mas agora ele tem uma boa vida e faz muito sucesso.
A página de Duke no Instagram é seguida por milhares de pessoas e coleciona dezenas de postagens. Nas páginas das redes sociais, Duke se apresenta como “apenas um salsicha albino espalhando amor por toda a parte. Amo minha família, amigos, brinquedos, arranhar coisas e comer cenouras”.
Duke, o albino
O albinismo é uma condição rara e hereditária, que pode ocorrer em diversas espécies animais, de insetos a mamíferos. Ela é provocada por uma mutação genética que afeta a produção de melanina e compromete a pigmentação (e também a proteção contra a radiação solar).
Independente da raça, os cães albinos se caracterizam pela pele branca ou levemente rosada, focinho, pálpebras e lábios despigmentados, olhos muito claros e pelagem branca. Os animais podem ser total ou apenas parcialmente despigmentados.
Duke pode ser descrito assim. O seu pelo é totalmente branco e as cores aparecem apenas nas unhas e no focinho rosados e nos olhos azul-claros. Ele é parcialmente surdo e cego e extremamente sensível à luz do Sol – ele precisa usar bloqueador solar mesmo em ambientes fechados.
Este dachshund albino tem oito anos e foi abandonado ao nascer. Cães albinos não devem ser empregados em acasalamentos e, em caso de comercialização, o preço cai bastante, em função das necessidades especiais. Nada que justifique o abandono e a negligência, mas o tutor original não pensava assim.
Depois de um começo ruim, logo nos primeiros meses de vida, Duke foi adotado por Mercedes Andrade, uma contadora americana que mora em San Antonio, Texas. A tutora afirmou ao The Dodo, site especializado em histórias sobre animais de estimação, que “foi um caso de amor à primeira vista”.
A contadora disse que, ao visitar o canil em que Duke foi abrigado, ela não pretendia adotar um cachorro. Ela pretendia apenas passar um dia com “animais fofinhos”. Mas o dachshund mexeu nos sentimentos de Mercedes. Quando ela foi informada de que pouca gente se interessava por Duke, por causa das limitações, ela tomou a decisão de levá-lo para casa imediatamente.
Mercedes sempre foi admiradora da raça, mas confessou à reportagem nunca ter visto um dachshund albino. Ela já conhecia cães negros, black and tan, bronze, azuis, de pelo longo e curto, liso e de arame, mas um animal totalmente branco a impressionou.
A tutora conta que, por causa da aparência, Duke é parado por muitas pessoas quando sai para passear em praças e parques. A parafernália necessária para as caminhadas – Mercedes, ao sair de casa, precisa carregar protetor solar, viseira, capa e botas – também atrai a atenção.
Duke impressiona também pela sua capacidade de adaptação. O cachorro não ouve nem enxerga bem e, por isso, desenvolveu o olfato em grau elevado. Todos os cães são excelentes farejadores, mas o dachshund consegue identificar cheiros a longas distâncias. Nos passeios, ele encontra rastros de pessoas e animais com muita facilidade – é a brincadeira predileta.
O peludo é totalmente cego do olho direito: com o esquerdo, consegue identificar apenas contornos, de acordo com avaliações médicas. Com relação à audição, ele não capta sons graves, mas identifica os agudos, como um assobio. Tudo isso dificultou o aprendizado, mas tornou o adestramento ainda mais fascinante.
Duke também sofre de cardiomiopatia dilatada, uma doença cardíaca crônica que ocorre quando o músculo do coração se enfraquece, prejudicando o processo de contração. A enfermidade causa fraqueza, pouca resistência física e fôlego curto. Curiosamente, a cardiomiopatia dilatada é mais frequente em cães de grande porte, como dobermans e boxers.
O cachorro é muito amoroso, gosta de brincar de esconde-esconde e de se fantasiar – pelo menos, é o que garante a tutora (talvez ele apenas tenha se acostumado a usar acessórios para enfrentar a luz solar). Duke é muito apegado à irmã mais velha, Dior, uma dachshund black and tan. Ele segue a cachorrinha por toda a parte.
Mercedes finaliza: “Você não pode deixar de notar que Duke é deslumbrante. Além disso, ele nos escolheu para ser a sua família – e não o contrário. Ele sabia que estaria em um lar seguro e feliz aqui”.
João da Cruz e Sousa foi um poeta brasileiro. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos principais representantes do simbolismo no Brasil.
A história de um homem cego que aterroriza invasores de sua casa. A sequência se passa anos após a primeira invasão; quando Norman Nordstrom (Stephen Lang) vive isolado na tranquilidade de sua residência até que os pecados do seu passado voltam para cobrar seu preço.
CHAMPAGNE, VINHOS: “enosnobs”, “enochatos” e “enonerds”.
José Carlos Sebe Bom Meihy
Para Ana Regina
Foi assim: havia terminado um longo trabalho, anos de pesquisa, meses de escrita, noites acordado, enfim, exaustão absoluta. Amigos que acompanharam de longe o percurso, resolveram comemorar minha volta à vida e marcaram reunião virtual. Armado o encontro, chega à minha porta uma belíssima cesta de pães variados e patês, e, claro, um espumante. Hora combinada, ligamos nossos computadores e a festa começou, cada qual em seu quadrado. Fiquei emocionado, emocionadíssimo em ver aquele grupo rendendo-me homenagem.
Em determinado ponto, achei apropriado fazer um pequeno discurso de agradecimento. Contei de meu estado de espírito, declinei as dificuldades, exaltando o companheirismo de todos, condição que me permitiu concluir a missão. Tudo ia bem até que avisei que ia abrir a “garrafa de champagne”. Um silêncio se alongou até que um dos “presentes” resolveu explicar que não se tratava exatamente de “champagne” e sim, de espumante. Pronto, o que seria reunião festiva virou aula.
Com paciência, tive que ouvir a dissertação sobre um tipo de vinho de uma região que fica exatamente a 154 quilômetros de Paris. Fui avisado que Champagne é o nome do lugar que, aliás, tem solo alcalino capaz de produzir uma uva especial. A lição era bem completa e constava de dados sobre a fermentação daquele vinho que, depois de engarrafado, produzia uma segunda fermentação natural. Pois bem, notando a empolgação do “professor”, outro parceiro, querendo ser mais leve, tomou a palavra narrando a história de Dom Pérignon, um religioso que há cerca de 350 anos fora responsável pelas adegas da Abadia de Hautvilleres. A nova preleção dava conta que o tal abade era cego e ao provar o vinho teria dito uma frase marcante “venham rápido irmãos, venham beber estrelas”.
Estava dada a largada a uma série de dizeres sobre champagne, algumas delas saídas da boca de uma amiga que juraria estar mais para freira do que para sommelier. Mas, como se animou ao revelar que Coco Chanel era tão chegada, que cunhou uma outra pérola memorável “Só bebo champanhe em duas ocasiões: quando estou apaixonada e quando não estou”. E imediatamente emendou outra, atribuída a atriz Bette Davis “Chega o momento da vida de uma mulher em que a única coisa que ajuda é uma taça de champanhe”.
O duelo seguia firme até que um terceiro participante proclamou frases de estadistas chegados ao produto, uma de Napoleón Bonaparte “Champanhe! Na vitória você o merece, na derrota você precisa dele”, outra de Winston Churchill “Lembrem-se, Senhores: Não é pela França que lutamos, é pelo champanhe!”.
Gente, comecei a me sentir mal. Bateu-me a sensação de ignorância, intruso, me vi um pária do “enomundo”. Simplismos à parte, depois de aberta a garrafa e vertido o espumante (atenção, não era champagne), na solidão de meu recolhimento, decidi buscar explicações no Google. Aiaiaiai, por quê? Comecei ler tanta coisa, mas tanta, até que, por fim, achei algo que realmente me cativou: definições sobre uma tendência crescente na sociedade, os “enosnobes”. Deitei e rolei.
Meu primeiro regozijo veio pela origem de “esnobe”, do latim “sine nobile”, adorei saber que a expressão “sem nobreza” passou para a língua inglesa como snob e daí copiamos para esnobe, significando exatamente o diverso. E “enosnobe” é a reunião de dois ramos de “apreciadores” de vinhos: “enochatos” e os “enonerds”.
Dei estrada às diferenças e aprendi mais um capítulo dessa história. O “enochato” é aquele que, em público, assume a cara de Deus no Juízo Final, e com uma taça (sempre cheia na medida exatíssima) a coloca contra a luz, sacode levemente cinco vezes, da esquerda para a direita, e depois à altura do nariz aspira e emite algo como “aroma amadeirado, coloração córea, leveduras marroquinas, com notas de cânfora”.
O “enonerd” é um pouco diferente: mais completo, pois seu discurso se completa com definições sobre o ano da safra, tipo de madeira dos tonéis, tempo de armazenamento, a qualidade da rolha, histórico da garrafa e do rótulo. Creio que o “enonerd” precisa humilhar, posto que um de seus capítulos preferidos se refere ao custo do precioso líquido. Um detalhe fundamental para o “enonerd” é seu conhecimento geográfico, sendo capaz de precisar se o vinho é australiano, sul-africano ou libanês.
Sabe o que concluí disso tudo? Vou descansar um pouco e voltarei a campo para escrever mais sobre a alegria de um bom vinho na companhia de ignorantes, de gente como eu, que não entende disso. Juro que farei tudo para não entrar no “enomundo” dos “enoidiotas”.
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